Navegação

OS TRABALHOS DE HÉRCULES


O Caminho da Alma Através do Zodíaco

“O caminho que leva à ascensão das almas jaz através dos doze signos do Zodíaco ... o caminho descendente é o mesmo”. (Clemente de Alexandria)

Nota do Editor: A menos que estejamos perdidos nos coloridos trabalhos de Hércules, e as maravilhas desta alegria sobre os trabalhos de todos os discípulos em seu caminho evolutivo, ou sejamos confinados à correlação pessoal com nosso próprio signo solar nesta encarnação, parece prudente dirigir nossos pensamentos para o significado mais profundo das energias desses signos que se derramam sobre nosso pequeno planeta, e para o uso que fazemos delas. O quadro maior do efeito no mundo e na evolução racial deveria merecer nosso pensamento. O Tibetano nos diz que tudo depende de nosso grau de receptividade e resposta, que é determinado pelo nosso “status” de evolução.

Na vida de Hércules, a alma em encarnação, e seu progresso em torno do Zodíaco de Áries a Peixes no sentido contrário de seu giro, o caminho do discípulo, seria bom definir brevemente o Zodíaco de modo a podermos acompanhar seus trabalhos inteligentemente. Poderia também ser útil assegurar-se se, em nossa tradição cristã ocidental, há indicação da influência da antiga ciência da astrologia.

Tem havido muitas definições da palavra “Zodíaco”. A mais usual é como segue:

“...a palavra é derivada do grego Zodion, um pequeno animal, a plena expressão sendo o círculo Zodiacal, ou círculo de animais. Este era um cinturão imaginário no céu, formado por dois círculos equidistantes da eclíptica e com cerca de 18 graus de distância, que marcava o caminho do sol, quer em sua revolução anual quando as doze divisões indicam a sucessão dos meses no ano, ou em seu curso diurno, quando as divisões marcavam as horas do dia e da noite”. (Astrologia, o Elo entre Dois Mundos por S. Elizabeth Hall, M.A.)

Valentina Stratton poderia também ser citada aqui:

“...na astronomia, diz a ciência, o Zodíaco é um cinto imaginário nos céus, com 16 ou 18 graus de largura, por cujo meio passa o caminho do sol (a eclíptica). Ele contém as doze constelações que constituem os doze signos do Zodíaco, e em função dos quais foi denominado... o Zodíaco astrológico propriamente dito, contudo, é um círculo imaginário passando em torno da Terra no plano da eclíptica, seu primeiro ponto sendo chamado Áries, zero grau. Ele é dividido em doze partes iguais chamadas “os signos do zodíaco”, cada um contendo 30 graus de espaço, e nele é medida a ascensão correta dos corpos celestiais. O Zodíaco móvel ou natural é uma sucessão de constelações formando um cinturão de 47 graus de largura, que fica ao norte e ao sul da eclíptica”. (Glossário do Navio Celestial do Norte.)

Walter H. Sampson nos dá uma explicação muito simples do cinto imaginário. Ele diz:

“O Zodíaco, propriamente falando, é aquele cinturão nos céus através do qual passa o aparente caminho do sol; seu ponto inicial é o Equinócio Vernal que, como sabemos, está em movimento retrógrado contínuo através de um círculo de constelações que ficam perto da eclíptica. O zodíaco está dividido em doze porções iguais de 30 graus cada, quase que correspondendo às doze constelações de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. (O Zodíaco: Uma Síntese da Vida.)

Alan Leo nos diz também:

“...as constelações são grupos de estrelas fixas, os doze grupos centrais sendo chamados pelos mesmos nomes que os doze signos, embora eles não cubram a mesma área dos céus. A precessão dos equinócios, causada pelo “movimento” do sol através do espaço, faz parecer que as constelações se estão deslocando para diante contra a ordem dos signos cerca de 50 1/3 segundos por ano”. (Dicionário de Astrologia, p.204)

Outro ponto a ser lembrado é o que Alan Leo aponta:

“As doze constelações do Zodíaco do sistema solar inteiro... assim como a rotação da Terra faz os signos se elevarem e se porem, um novo signo estando no ascendente cada duas horas em média; assim, como resultado da precessão, o círculo muito maior das constelações atravessa o ascendente da Terra, o ponto equinocial, o começo do Zodíaco. Dessa maneira, o grande dia da precessão, compreendendo mais de 25.000 de nossos anos, corresponde a um de nossos dias, porque durante aquele período todas as doze constelações se elevam e se põem uma vez”. (Ibid, p. 167)

A segunda coisa, pois, a lembrar, é que há dois Zodíacos, o maior e o menor. O primeiro compreende as doze constelações através das quais o sol e o sistema planetário parecem passar num grande ciclo de mais de 25.000 anos. O outro é o mesmo círculo de constelações através das quais a Terra parece passar em sua revolução anual em torno do sol, e é nesse que os astrólogos apoiam suas predições e traçam o horóscopo. Assim nós temos nesses dois Zodíacos o símbolo do progresso da Vida formando um sistema solar, um planeta e um homem.

“A medida que a Terra em sua viagem anual em tomo do sol passa por um signo do Zodíaco a cada mês, assim também nosso sistema solar durante sua grande jornada em tomo do sol central do universo (Alcione) passa através de cada signo do Zodíaco; mas nesse ciclo maior, em vez de um mês, nosso sistema solar requer aproximadamente 2.060 anos para atravessar cada signo”. (A Mensagem de Aquária, p.23,por Homer Curtiss)

Uma definição mais interessante e mais provável da palavra “Zodíaco” é dada pelo Dr. Ethelbert Bullinger em seu livro “A Testemunha das Estrelas”. Diz ele:

“A palavra Zodíaco vem do grego “Zodiakon” que não vem de “Zoon”, “viver”, mas de uma raiz primitiva, através do hebraico “sodi”. que em sânscrito significa “um caminho”. Sua etimologia não tem conexão com as criaturas vivas, mas denota um caminho, ou passos, e é usada para o caminho que o sol parece seguir entre as estrelas no curso de um ano”.

O Zodíaco, portanto, é o Caminho ou a Via. Quando o Cristo falou a seus discípulos como o Cristo Cósmico, Ele lhes disse, “Eu sou o Caminho”, e a isto é possível dar um significado astrológico, pois todos os três tipos de vidas trilham este Caminho Cósmico, o Cristo Cósmico, o Espírito Planetário e o ser humano.

É interessante notar que se fala do Zodíaco como de uma ilusão e de um caminho imaginário, uma aparência. O Dicionário Webster, por exemplo, define o Zodíaco como o “caminho imaginário do sol através dos céus”, e em todos os livros de referência solar o assunto se enfatiza o fato de que tudo é aparência, a grande ilusão. Um escritor nos diz que:

“...para o astrônomo o Zodíaco é meramente o caminho do sol, da lua e dos planetas, não possuindo maior realidade que o traçado mostrado num atlas para informação dos que pretendem viajar”. (O Zodíaco e a Alma, p.l por C.E.O. Carter)

Ao estudarmos esse caminho imaginário surgem dois pensamentos. Somos colocados face a face com o conceito de uma progressão firme e incessante em torno desse vasto cinturão de constelações. A ideia da eterna recorrência e da constante atividade, trazendo com ele, esperamos e cremos, um constante desenvolvimento, nos dá um alcance da magnitude da Vida, uma visão de um plano e propósito sempre emergentes, que materializam a elaboração inteligente do pensamento divino.

A segunda ideia, que encontrou tão forte resposta na mente humana que constitui o que se chama a “ciência da astrologia” e forma sua premissa básica, é que cada um desses signos, através dos quais o sol e a Terra parecem passar, são materializações de energias que têm um potente efeito sobre todas as formas de vida em nosso planeta, e sobre o mundo das ideias. A humanidade tem sido afetada pelas energias contatadas pelo nosso sistema solar à medida que ele passa por dentro e por fora das várias constelações. Se assim for, e se pudermos obter um retrospecto suficientemente amplo, certamente seria possível demonstrar a verdade desta afirmação.

Como podem atuar essas energias? Diz-se que é através do pensamento-forma que elas são transmitidas. Nós superficialmente usamos a expressão “a energia segue o pensamento”. Aqui a realidade dessa crença é posta à prova, cosmicamente. Também se diz que a morte é “uma invenção de nossa imaginação”.

Testemunho quanto à Eficácia das Energias Zodiacais na Vida da Terra:

No quadro maior certos fatos interessantes emergem. Podemos dizer, por exemplo, que entre quatro e cinco mil anos atrás o sol estava em algum lugar no signo do Touro. Então tivemos a adoração do boi no Egito e na índia, e o sacrifício do boi sagrado como nos Mistérios de Mitras.

Aproximadamente dois mil anos antes do nascimento do Cristo, dizem-nos os astrônomos, o sol entrou no signo de Áries, o Carneiro e a dispensação judaica teve início. Naquele tempo, pois, tivemos a inauguração da Páscoa judaica e o sacrifício do carneiro.

É interessante registrar nesta conexão o verdadeiro significado do pecado dos Filhos de Israel no deserto. Lemos que eles fizeram um carneiro de ouro e se curvaram e o adoravam, revertendo, nesse ato, a antigas formas e sacrifícios. Seu pecado consistiu em uma atitude reacionária e não alcançaram o significado da nova era que estava à sua frente.

Mais uma vez os astrônomos nos dizem que, quando o Cristo nasceu na Palestina, a data que marca o início de nossa dispensação cristã, o sol entrou no signo de Peixes. Temos, por conseguinte, a ênfase posta, na história dos Evangelhos, sobre a simbologia do peixe. O Cristo escolheu pescadores para estarem entre seus discípulos; ele realizou milagres com os peixes; Ele enviou Seus discípulos para o mundo para serem pescadores de homens; por quase dois mil anos tem sido o hábito comer-se peixe na Semana Santa e nos dias de jejum. Assim nós encontramos o sacrifício do carneiro sucedendo ao sacrifício do boi, e o símbolo do peixe seguindo ao do carneiro, e isso enquanto o sol aparentemente passava de Touro para Áries e de Áries para Peixes.

Agora estamos entrando no signo de Aquário, o carregador de água, embora ainda não tenhamos penetrado plenamente nesse signo, um processo que levará aproximadamente mais de 200 anos. Somos informados pelos astrônomos que começamos a transitar entrando naquele signo desde há 200 anos, e é discernível como, desde então, Aquário, o carregador de água, começou a fazer sentir sua presença no desenvolvimento dos cuidados sanitários e na utilização abundante da água. Mas Aquário é um signo do ar e os céus estão cheios de aeronaves. Mesmo, portanto, em suas formas exotéricas, a influência dos signos é seguramente substanciada e há um real fundamento para a afirmação do esoterista de que cada novo signo traz à terra energias definidas, novos conceitos e novas oportunidades.

Pode-se também mostrar que esses fatores astrológicos deixaram sua marca na tradição cristã e nos usos da Igreja. É interessante notar a esse respeito que na véspera de Natal, Sírio, a mais brilhante das estrelas fixas, é vista à esquerda da linha do meridiano, um pouco para o sul. Dois mil anos atrás, devido à precessão dos equinócios, ela estava na linha do meridiano. Essa é a Estrela do Oriente. Ao mesmo tempo, a constelação da Virgem, Virgo, se tornava visível no oriente, e é interessante notar a coincidência que Spica, a mais brilhante estrela naquela constelação, significa “uma espiga de trigo”, e Belém, a cidade na qual o Cristo nasceu, significa “a casa do pão”. Quando esse arranjo ocorre ciclicamente nos céus, os grandes Filhos de Deus históricos fazem seu aparecimento para a elevação da humanidade e a salvação do mundo. Também se diz que a conjunção de Saturno e Júpiter criava uma aparência brilhante, impressionante.

Outro exemplo do efeito das constelações sobre nossa fé cristã poderia ser dado. Dois festivais são conservados nas Igrejas Católicas Romana e Anglicana, chamados a Ascensão da Virgem, celebrada em 15 de agosto, e o Nascimento da Virgem, no dia 8 de setembro. Cada ano o sol entra no signo de Virgem perto de 15 de agosto e as estrelas das quais ele é composto se perdem de vista na glória dos raios do sol. Ao tempo da antiga descrição do Zodíaco, 15 de agosto seria o verdadeiro desaparecimento aglomerado da Virgem, mas agora o tempo não é exato, embora na Igreja perpetue a data original. Em 8 de setembro, ou cerca disso, a constelação pode ser vista de nosso planeta lentamente emergindo dos raios do sol e reaparecendo. A propósito disso falamos como do nascimento da Virgem.

Duas outras indicações podem ser dadas para mostrar quão ampla e profundamente o Zodíaco afetou nossas crenças religiosas. Uma será vista ao estudarmos o significado dos Doze Filhos de Jacob e os pronunciamentos feitos por seu pai, e outro se evidencia ao estudarmos a origem da Cruz.

As Cruzes:

O assunto da Cruz é muito vasto para ser elucidado aqui. A cruz num círculo é um dos símbolos mundiais mais antigos; antedatando de milhares de anos a era cristã. A cruz é originariamente formada pelo intercâmbio entre os doze signos do Zodíaco. No Zodíaco há trinta e seis cruzes, pois cada signo está dividido no que são chamados três decanatos, que eram conhecidos como “as trinta e seis estrelas que se cruzam”. O Zodíaco fica completo com 360 graus, o quadrado de 90 graus é 1/4 do círculo, criando os quatro cantos que são a cruz dentro do círculo.

Há, todavia, três cruzes principais que, em sua simbologia, representam os três aspectos divinos, Espírito, Alma e Corpo. São assim:

1. A Cruz Cardinal, consistindo de quatro constelações:
a) Áries Criação, começo.
b) Câncer 1ª porta para a existência.
c) Balança O equilíbrio entre a vida e a forma.
d) Capricórnio A porta para a vida espiritual.

Esta é a cruz do Espírito ou do iniciado e é interessante notar que a palavra “cardinal” vem do latim “a dobradiça de uma porta”. A palavra “porta” entra muito no conceito do discipulado, e implica o período preparatório para cruzar a porta da iniciação. Aqui nós temos a ideia da porta pela qual o Cristo Cósmico passa no final da era, quando os céus e a terra são dissolvidos e os planos de Deus consumados.

2. A Cruz Fixa, consistindo das quatro constelações:
a) Touro Iluminação. Mente.
b) Leão Individualidade. Autoconsciência.
c) Escorpião A libertação final da ilusão.
d) Aquário Servidor da humanidade, derramando a água viva da purificação.

Esta é eminentemente a cruz da alma e de real interesse porque é a cruz do discípulo Hércules. Ele personifica esses quatro signos, e foi crucificado nesta Cruz Fixa. Esses quatro signos são considerados em nossa crença cristã como os quatro sagrados e nós os vemos sendo-nos apresentados nas quatro criaturas viventes do profeta Ezequiel. Esses quatro tinham a face de um homem, Aquário; a face do leão, Leão; a face de um boi, Touro; e a face de uma águia, Escorpião. Aquila, a Águia, é astrologicamente intercambiável com Escorpião. São novamente simbolizados nos quatro evangelistas, e nas quatro bestas das Revelações. Esta cruz é a cruz de todos os salvadores mundiais, e a cruz Cardinal é a da Divindade, crucificada na água do espaço.

3. A Cruz Comum ou Mutável, consistindo das quatro constelações:
a) Gêmeos O intercâmbio entre o superior e o inferior.
b) Virgem A forma que nutre o Cristo criança.
c) Sagitário O aspirante, apressando-se para a meta.
d) Peixes Morte. Consumação. O salvador Mundial.

Esta é a cruz da vida de cada dia, à qual estão sujeitos todos os filhos dos homens. É a cruz da crucificação diária e da dificuldade e simboliza o período de encarnação de crescimento e desenvolvimento por intermédio da forma e de seu uso. Nessas três cruzes está sintetizada a história do Cristo Cósmico, Deus crucificado na matéria, de Hércules e todos os seus discípulos, e do ser humano comum. Elas constituem a totalidade dos doze signos.

O Signo Filho de Jacob Observações
Áries, O Carneiro Naphtali Naphtali é um jogo com a palavra hebraica “taleh”, o Carneiro. Significa o carneiro retorcido e lutador. Observem a história de Abraham e o carneiro apanhado no mato.
Taurus, O Touro Issachar “Ele curvou seus ombros para suportar!” Isto se refere à canga e ao trabalho do boi na produção das colheitas.
Gemini, Os Gêmeos Simão e Levi “Simão e Levi são irmãos”.
Câncer, O Caranguejo Zebulon Ele “desejava para habitação, morar no porto do mar”. O caranguejo carrega sua casa nas costas, e habita à beira mar.
Leo, O Leão Judá Judá é um filhote. O Leão do leão. “Ele se agachava como um leão.”
Virgo, A Virgem Asher Este nome vem de Ishtar. Ashera é a deusa da fartura. Ela é descrita como uma virgem, carregando um feixe de trigo. Ver Gen. 49,20.
Libra, a Balança Dan “Dan julgará seu povo”. 
Escorpião, a Serpente Dan Mencionado duas vezes uma vez que dois filhos são atribuídos a Gêmeos. Dan será uma serpente... que morde as patas dos cavalos.
Sagitário José “Seu arco cresceu em força”. Seu cavalo é o que Escorpião corre atrás.
Capricórnio, O Bode Benjamim Nos mistérios egípcios Capricórnio é representado como um Deus com uma cabeça de lobo. “Benjamim como um lobo”.
Aquarius, O Carregador d’água Rubem Significa “o derramamento de água” A água viva.
Pisces, Os Peixes God Um jogo com “Dag”, o peixe.

Início