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OS TRABALHOS DE HÉRCULES


O Propósito do Estudo do Mito de Hércules

(O material seguinte foi preparado por Dorothea Cochran a pedido da Sra. Bailey e foi encontrado entre seus papeis. Este material parece proporcionar uma nota conclusiva apropriada para a série Hércules.)

As primeiras escrituras para a humanidade foram escritas por Deus na Terra e nos Céus. A leitura dessas Escrituras é a Ciência. A familiaridade com a grama e as árvores, os insetos e os infusórios, nos ensinam lições mais profundas de amor e fé do que pode respingar dos escritos de Fenelon e Agostinho. A Grande Bíblia de Deus está sempre aberta diante da humanidade. (Albert Pike)

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. (Salmo 19:1.)

O progresso de um discípulo mundial é ilustrado nos céus pelos Trabalhos de Hércules através dos signos zodiacais. É como se Deus houvesse representado no espaço Seu Plano para o processamento da evolução do espírito humano de volta à sua fonte.

O intenso interesse atualmente evidenciado na época atual pela vida espiritual é, em si mesmo, a garantia de um estudo como os Trabalhos de Hércules. A religião acadêmica, dogmática e teológica não atrai mais como antigamente, mas, apesar de uma ampla revolta contra a religião organizada, ou eclesiástica, a busca pelas realidades espirituais nunca foi tão aguda como agora. O período de experiência empírica em larga escala está conosco. Homens e mulheres em toda parte estão se recusando a continuar a crer nos pronunciamentos autoritários das igrejas ou a aceitar cegamente o que qualquer teologia procura impor.

Eles estão determinados a conhecer por si próprios os fatos da experiência mística interna, se tais fatos podem ser apurados, e a abarcar por si próprios a natureza dessa identidade a que chamamos alma.

O posicionamento mundial está maduro para uma renovação de uma fé e religião vivas que serão baseadas no conhecimento pessoal e não nos pronunciamentos e interpretações de mentes limitadas. O Dr. Rufus Jones, o grande líder dos Puritanos, chama a atenção para este fato em palavras que merecem registro:

“Uma eclosão do misticismo é sempre um sinal de que a alma do homem está emitindo um vigoroso protesto contra a usurpação de algum organizado sistema de vida que ameaça deixar limitado espaço e área para sua própria iniciativa e sua espontânea atividade criativa. E uma proclamação de que a alma tem certos direitos e capacidades inerentes, um domínio de si mesmo, que deve ser respeitado e mantido sagrado. Algumas vezes o misticismo tem sido o protesto do espírito do homem contra a crosta enriquecedora do dogma, outras vezes uma revolta contra o eclesiasticismo”. (As Bases Filosóficas do Misticismo por T.H.Hughes, pg.46)

Em dias de trevas e aparente morte espiritual, este reavivamento do interesse nas realidades superiores inevitavelmente aparece, garantindo que o espírito do homem está em seu caminho, e que a realidade permanece imutável por trás da superfície em mutação, dos acontecimentos materiais. A própria necessidade da hora pede a emissão de uma nota clara e ao novo místico emergente e conhecedor é dada a tarefa da emissão dessa nota. “O que encontramos no místico é um órgão intensificado para a afirmação da realidade de Deus e para a mais rica interpretação de Seu caráter.” Com essas claras palavras, o Dr. Jones chama nossa atenção para o trabalho eternamente feito no campo espiritual pelo buscador despertado.

A verdade está, como uma fênix, emergindo de novo no campo da experiência humana, mas ela será a verdade que é sentida e conhecida e não a verdade forçada através do autoritarismo e da tradição antiga; pois a verdade, como nos diz Bemard Shaw, é “o que você conhece pela sua experiência como sendo real e você sente em sua alma como sendo verdadeiro”. Tais renovações na vida espiritual da humanidade são recorrentes e cíclicas; elas podem ser de uma natureza emocional ou intelectual, mas elas servem para levar a vida subjetiva da humanidade para uma nova fase mais rica de experiência, e compensar, e algumas vezes interpretar, as tendências mais materiais e científicas paralelas que podem ser vistas.

O problema de todo escritor e instrutor hoje é descobrir novos caminhos pelos quais expressar as mesmas verdades fundamentais, e assim apresentar as antigas fórmulas e regras do caminho que levarão o homem ao estágio seguinte em seu desenvolvimento espiritual. As velhas verdades então adquirirão novos significados e vibrarão com vida fresca. Muitos livros foram escritos sobre o assunto do Caminho do Discipulado. Uma reapresentação dos problemas a serem encontrados no Caminho Universal, e a análise das dificuldades a serem enfrentadas enquanto ele é trilhado não é assegurada, a não ser que a aplicação seja geral, prática e apoiada em tais termos que ela vá ao encontro das necessidades do estudante moderno. Um estudo dos Doze Trabalhos de Hércules, cobrindo como eles fazem, cada aspecto da vida do discípulo, pode nos capacitar a conquistar uma diferente atitude e nos dar alegria no Caminho e aquela liberdade no serviço que é mais do que uma adequada compensação para as perdas temporárias e dificuldades momentâneas que podem tentar a natureza inferior.

Uma das grandes revelações que chegaram de maneira quase sem ser notadas à humanidade durante o século passado foi o lento despertar em nossa consciência, do fato de nossa inerente essencial divindade. Os homens estão reconhecendo que eles são na verdade “feitos à imagem de Deus” e são unos, em natureza, com seu Pai no Céu. Hoje também, os propósitos e planos subjacentes ao trabalho criativo de Deus estão sendo amplamente estudados tanto do ângulo científico quanto religioso, trazendo mudanças claras na atitude do homem diante da vida como um todo. E esta revelação do plano para o homem, individual e racial, que é revelada na história desse antigo Filho de Deus. Um quadro completo e sintético do progresso da alma, da ignorância para a sabedoria, do desejo material à aspiração espiritual, e da cegueira da infante humanidade para a pura visão daqueles que veem Deus. Um ponto é alcançado na história onde a inteligente cooperação com o propósito da alma toma o lugar da cega tentativa e luta, e Hércules que é um Filho de Deus assim como um filho do homem, pode prosseguir no Caminho com sua face voltada para a luz, irradiada pela alegria daqueles que sabem.

Esta velha história não deixa sem tocar qualquer das fases na vida do aspirante e contudo o liga incessantemente à iniciativa cósmica. Ver-se-á que seu tema é tão inclusivo que todos nós, imersos nos problemas da vida, podemos aplicar a nós mesmos as provas e tentativas, os fracassos e conquistas dessa figura heroica que aspirou, séculos atrás, aos mesmos objetivos em que nos estamos empenhando. Pela leitura desta história, um renovado interesse na vida espiritual pode ser evocado na mente do confundido aspirante, e ele prosseguirá com nova coragem à medida que ganha um quadro sequencial do desenvolvimento e do destino universais.

Ao estudarmos este antigo mito, descobrimos que Hércules assumiu certas tarefas, simbólicas em sua natureza, mas universais em seu caráter, e que ele passou por certos episódios e acontecimentos que retratam, por todos os tempos, a natureza da preparação e as conquistas que deveriam caracterizar um filho de Deus, caminhando para a perfeição. Ele representa o filho de Deus encarnado, mas não ainda perfeito; o qual, num particular estágio no ciclo evolutivo, toma em suas mãos sua natureza inferior e voluntariamente se submete à disciplina que finalmente ensejará a emergência de sua divindade inata. A partir de um ser humano, errando, mas sincero e sério, inteligentemente cônscio da obra a ser feita, um Servidor Mundial é criado, e nós vemos nos últimos dois trabalhos como foi aquele trabalho de salvação.

Três grandes e dramáticas histórias foram constantemente contadas à humanidade através dos tempos: as de Hércules, do Buda e do Cristo, cada um deles retratando um dos estágios no Caminho da Divindade. Na história de Hércules nos são descritas as experiências do Caminho do Discipulado e as primeiras etapas do Caminho da Iniciação. No caso do Buda, a história começa mais tarde do que a de Hércules, e nós vemos o Buda alcançar a iniciação final, passando pelas iniciações a respeito das quais Hércules conhecia. Depois veio o Cristo histórico, encarnando em Si mesmo algo tão inefável que nós O consideramos, de uma maneira especial, como o representante de Deus. Essas três histórias progressivamente revelam o plano de Deus para o desenvolvimento do homem, e nos chamam para prosseguir nos passos de Hércules, que trilhou o Caminho do Discipulado e alcançou sua meta.

O oráculo falou e a exclamação ecoou através dos séculos: “Conhece-te a ti mesmo”. Este conhecimento é a principal conquista no Caminho do Discipulado, e se vê como em sequência e inteligentemente Hércules atingiu este conhecimento. Nós o vemos passando pelo grande caminho dos céus e em cada signo realizando um de seus doze trabalhos, a que todos os discípulos estão chamados a realizar também.

Nós o vemos de dois pontos de vista: o do discípulo individual e o da humanidade como um todo, o Grande discípulo mundial do qual ele é o protótipo. É possível considerar a humanidade como tendo alcançado, em massa, o estágio do aspirante, e considerar a raça humana como estando no caminho probatório, o caminho da purificação. Se o sofrimento é o grande purificador, então a afirmação acima é inteiramente verdadeira. Os homens hoje são inteligentes, seriamente buscando uma saída do presente impasse material e aprendendo a coordenar suas habilidades e capacidades mentais, emocionais e físicas, em um esforço para elevar tudo que até então os tenha mantido presos à terra. Esse estágio tem sido sempre expresso pelos mais avançados tipos de homens, mas nunca antes a família humana inteira esteve nessa condição. Aqui está a maravilha da conquista espiritual do passado, e aqui está a hora de nossa maravilhosa oportunidade.

Vemos Hércules partindo deste ponto e passando pelas sucessivas experiências, até chegar à porta aberta em Leão, através da qual ele pode passar para o Caminho do Discipulado. Nós o vemos aprendendo as lições do equilíbrio, do altruísmo e da vitória sobre a natureza do desejo, até tornar-se o discípulo uni-direcionado em Sagitário, antes de passar pelo portão que conduz ao norte da iniciação. Lenta e dolorosamente, ele aprende a lição de que a competição e a posse egoísta devem desaparecer e que a conquista de qualquer coisa para o eu inferior separado não faz parte de missão de um filho de Deus. Ele se descobre como um indivíduo apenas por descobrir que o individualismo deve ser inteligentemente sacrificado pelo bem do grupo; ele aprende que a ambição pessoal não tem lugar na vida do aspirante que procura a libertação do ciclo sempre recorrente da existência e a constante crucificação na cruz da matéria e da forma. As características do homem imerso na vida da forma e sob a regra da matéria são o medo, a competição individual e a ambição. Esses devem ceder lugar à confiança espiritual, à cooperação, à consciência grupal e ao altruísmo. Essas são as lições que Hércules nos traz.

Essa é também a história do Cristo cósmico, crucificado desde o início da criação na cruz fixa dos céus. Essa é a história do Cristo histórico, dada a nós na história dos evangelhos, e representada para nós há dois mil anos na Palestina, quando nosso sol entrou no signo do Salvador Mundial, o signo de Peixes. Essa é a história de cada homem individualmente, crucificado na cruz da matéria e da existência, e descobrindo que ele é na verdade um filho de Deus encarnado em cada ser humano. Deus, encarnado na matéria. Tal é a história do sistema solar, a história de nosso planeta, a história de cada homem. Ao olharmos para o céu estrelado acima de nós, temos esse grande drama, eternamente representado para nós.

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