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OS TRABALHOS DE HÉRCULES


6º Trabalho

A Tomada do Cinturão de Hipólita
(Virgem, 22 de agosto - 21 de setembro)

O Mito

O grande Ser Que Presidia, convocou o Mestre que acompanhava Hércules. “O tempo está próximo”, ele disse, “Como vai indo o filho do homem que é um filho de Deus? Estará ele preparado para novamente aventurar-se e tentar enfrentar com ânimo um inimigo de uma espécie diferente das demais? Conseguirá ele ultrapassar agora o sexto grande Portão?”

E o Mestre respondeu: “Sim”. Ele se assegurou inteiramente de que quando a palavra fosse emitida o discípulo iniciaria seu novo trabalho, e isso ele disse ao Grande Ser Que Presidia na Câmara do Conselho do Senhor.

E então a palavra foi emitida. “Levanta-te, oh Hércules, e atravessa o sexto grande Portão”. Outra palavra semelhante foi emitida embora não para Hércules, mas sim, para aqueles que habitavam as costas do grande mar. Eles escutaram e eles ouviram.

Naquelas praias vivia a grande rainha, que reinava sobre todas as mulheres do mundo então conhecido. Elas eram suas vassalas e guerreiras ousadas. Em seu reino não se encontrava nenhum homem. Só as mulheres, reunidas em tomo da sua rainha. No templo da lua elas adoravam diariamente e lá sacrificavam a Marte, o deus da guerra.

De volta de sua anual visita aos abrigos dos homens elas chegavam. Nos arredores do templo elas aguardavam a palavra de Hipólita, sua rainha, que estava nos degraus do elevado altar, envergando o cinturão que lhe fora dado por Vênus, a rainha do amor. Este cinturão era um símbolo, um símbolo da unidade conquistada através da luta, do conflito, da aspiração, um símbolo da maternidade e da sagrada Criança para quem toda a vida humana está verdadeiramente voltada.

“Ouvi dizer”, disse ela, “que está a caminho um guerreiro cujo nome é Hércules, um filho do homem e no entanto um filho de Deus; a ele eu devo entregar este cinturão que eu uso. Deverei obedecer a ordem, Oh Amazonas, ou deveremos combater a palavra de Deus?

E enquanto ouviam suas palavras e refletiam sobre o problema, novamente foi passada uma informação, dizendo que ele se havia adiantado e estava lá, esperando fora, para tomar o sagrado cinturão da rainha guerreira.

Hipólita, a rainha guerreira, dirigiu-se ao encontro do filho de Deus que era igualmente um filho do homem. Ele lutou com ela, combateu-a, e não ouviu as palavras sensatas que ela procurava dizer. Ele arrancou o cinturão dela, somente para deparar-se com as mãos dela estendidas e lhe oferecendo a dádiva, oferecendo o símbolo da unidade e amor, de sacrifício e fé. Entretanto, tomando-o, ele a feriu, matando quem lhe dera o dote que ele exigira. E enquanto ele estava ao lado da rainha agonizante, consternado pelo que fizera, ele ouviu seu Mestre dizer:

“Meu filho, por que matar aquilo que é necessário, próximo e caro? Por que matar a quem você ama, a doadora das boas dádivas, guardiã do que é possível? Por que matar a mãe da Criança sagrada? Novamente registramos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Ou redimirá esse momento, ou não verá mais a minha face”.

O silêncio caiu e Hércules, trazendo o cinturão calado ao seu peito, buscou o caminho de casa, deixando as mulheres se lamentando, privadas da liderança e do amor.

Hércules chegou de volta às costas do grande mar. Perto da praia rochosa ele viu um monstro das profundezas, trazendo presa em suas mandíbulas a pobre Hesione. Seus gritos e suspiros elevavam-se aos céus e feriram os ouvidos de Hércules, perdido em remorsos e sem saber que caminho seguir. Dirigiu-se prontamente em sua ajuda, mas muito tarde. Ela desapareceu nas cavernosas fauces da serpente marinha, aquele monstro de má fama. Mas esquecendo-se de si mesmo, esse filho do homem que era um filho de Deus, nadou até o monstro, o qual, voltando-se para o homem em rápido ataque e rugindo alto, abriu sua boca. Descendo até o fundo do túnel vermelho de sua garganta Hércules buscou Hesione, encontrando-a no fundo do estômago do monstro. Com sua mão esquerda ele a agarrou e a sustentou junto a si, enquanto com sua fiel espada ele esforçou-se para abrir caminho para fora do ventre da serpente até a luz do dia. E assim ele a salvou, equilibrando pois seu anterior feito de morte. Pois assim é a vida: um ato de morte, um ato de vida, e assim os filhos dos homens, que são filhos de Deus, aprendem a sabedoria, o equilíbrio e o caminho para andar com Deus.

Da Câmara do Conselho do Senhor, Aquele que Presidia observava. E de seu posto ao lado, o Mestre também observava. Através do sexto Portão passou Hércules de volta e vendo isto, e tanto o cinturão como a donzela, o Instrutor falou e disse: “O Sexto Trabalho está completo. Você matou aquela que o admirava e todo o desconhecido e todo o não reconhecido lhe deu o necessário amor e poder. Você salvou aquela que precisava de você, e assim novamente os dois são um, Medite novamente sobre os caminhos da vida, refletindo sobre os caminhos da morte. Vá e descanse, meu filho.” (O Tibetano)

[Daqui em diante, os capítulos serão baseados em palestras informais dadas por A.A.B., tendo-se esgotado o material que ela havia já reunido para este livro. Portanto, uma revisão será oferecida, do material recolhido de Astrologia Esotérica e de Gifts of the Spirit (Dons do Espírito) por Dane Rudhyar, nenhum dos quais havia sido publicado até a ocasião das palestras dadas em 1937.]

Introdução

Diz-se que, sob certos aspectos, Virgem é o mais antigo dos signos zodiacais. Através dos tempos, seja ele Lilith ou Isis, Eva ou a Virgem Maria, todos retratam a mãe do mundo, mas é Maria quem, por fim, leva a Criança em seus braços. E é neste signo que a consciência do Cristo é concebida e nutrida através do período da gestação até que por fim em Peixes, o signo oposto, o salvador mundial nasce.

Como em Leão, esta é uma experiência, na caverna, “no útero do tempo”, e deveria ser caracterizada por calor, quietude, experiências profundas e “lentas, contudo poderosas crises”. É um signo sintético. Neste ponto diz o Tibetano: “a simbologia de Virgem concerne ao inteiro objetivo do processo evolutivo, o qual é proteger, nutrir e finalmente revelar a oculta realidade espiritual. Esta, toda forma encobre, mas a forma humana está equipada e ajustada para manifestá-la de maneira diferente de qualquer outra expressão da divindade e assim tornar tangível e objetivo aquilo para quê todo o processo criativo foi destinado”. (Astrologia Esotérica, pp. 257-2)

Esta qualidade sintética é ainda mais enfatizada pelo fato de que oito outros signos (todos exceto Leão, Libra e Capricórnio) através de seus planetas regentes derramam suas energias através de Virgem, e o Tibetano chama a atenção para o fato de que estamos agora entrando no oitavo signo de Virgem, em outras palavras, o próximo signo diante do qual a Criança é dada à luz, o signo que verá muitos recebendo a iniciação. Deve-se lembrar que todos os homens e mulheres passam através de todos os signos, e para aqueles nascidos em Virgem, ou tendo aquele signo no ascendente (o ponto oriental da carta, indicando o propósito da alma do discípulo) essas qualidades ou energias são distribuídas de várias maneiras, pois as organizações, artes, ciências, todos exigem longos períodos de gestação mental e a luta para trazer à manifestação novas ideias.

Um outro fator único de Virgem é que ele tem um símbolo tríplice, o que só um outro signo, Escorpião, tem também. Isso é significativo, implicando que esses dois signos “estão conectados com o crescimento da consciência do Cristo. Eles marcam pontos críticos na experiência da alma, pontos de integração nos quais a alma está conscientemente unificando-se com a forma e ao mesmo tempo com o espírito”. (Astrologia Esotérica, pg.481). Essa afirmação serve de fundamento à teoria espiritual dos Triângulos, que são muitos e o Tibetano acrescenta essas augustas e impressionantes palavras: “Sob a vontade de Divindade e a inalterável energia no coração do Zodíaco manifestado, elas produzem as mudanças na consciência que tornam o homem divino no fecho do ciclo mundial”. E, mais adiante: “É pela fusão das três energias planetárias, pela atuação do pensamento humano, reagindo às energias do Zodíaco, que nossa terra será transformada num planeta sagrado (o grifo é do Editor)

Certamente essas palavras expandem nossa visão, aprofundam nossa compreensão, e dão-nos fé no futuro da humanidade, força para cooperar pacientemente com o presente.

Interpretação sobre o Mito

A história do mito relatava que o Grande Ser Que Presidia reconhecia ser este trabalho, de fato, “de uma espécie diferente”. E interessante que os dois trabalhos em que Hércules, embora finalmente vencedor, se havia saído mal, fossem com seus opostos polares, femininos. Em Áries a conquista das éguas antropófagas de tal maneira influiu em seu ego que ele se adiantou cheio de orgulho e deixou as éguas por conta de Abderis, sua personalidade, com o resultado que elas fugiram e o trabalho teve de ser repetido. “Mas Abderis jazia morto”. E no trabalho em Virgem, ele matou a rainha das Amazonas, embora ela lhe oferecesse o cinturão, e então ele teve de salvar outra donzela, Hesione, do ventre da baleia, para compensar a vida que ele havia desnecessariamente roubado.

Assim a guerra entre os sexos é de antiga origem; na verdade, está inerente na dualidade da humanidade e do sistema solar. A este fato nossas cortes de divórcio dão alto testemunho; e a competição surge tanto nos negócios quanto no lar. Há pequenos, mas importantes pontos na história, que não devem ser desprezados. Em que Hipólita contribuiu para o erro? Talvez nisso: ela ofereceu a Hércules o cinturão da unidade, que lhe fora dada por Vênus, porque ela ouvira que o Ser Que Presidia lhe houvera assim ordenado, e não porque ela sentisse a unidade. Teria ela agido assim sob compulsão mas não por amor? E assim ela morreu. Ainda assim, dizem-nos que o mal deve vir, mas ai daqueles através de quem ele vem, e assim Hércules não conseguiu compreender sua missão espiritual, embora houvesse obtido o que buscava.

Novamente, cabe perguntar, por que as Amazonas faziam uma sortida anual no mundo dos homens? Seria para guerreá-los, ou seria para buscar a unidade, na qual não havia coração? Seria para procurar novos membros para seu mundo privado de homens? Mas diz-se que Deus olha para o coração. Será como um choque para muitos que sustentam posições rígidas, legalmente morais, refletir sobre o fato de uma prostituta assumida poder ser superior a uma mulher que chegou a blasfemar contra a prostituição, ao tomar seus votos na igreja sem amor e sem intenção de servir, mas só para obter dinheiro, segurança ou posição. Raramente se ouve um sermão sobre a mulher apanhada em adultério, de quem o Cristo disse, “Nem Eu te condeno. Vai em paz e não peques mais”. Tudo isso parece sutilmente envolvido no mito do trabalho da Virgem. Sua aplicação prática, assim como seus significados cósmico e espiritual, são surpreendentes. Dizem-nos que a “guerra com propósito entre os sexos está agora em seu clímax”.

Desta vez o Instrutor não se limitou a dizer que o trabalho havia sido malfeito. Ele disse sem hesitação, “Por que matar a mãe da Criança sagrada? Novamente assinalamos um fracasso. Novamente você não compreendeu. Redime-se deste momento, ou você não voltará a ver minha face”. Essas foram palavras severas e deveríamos atentar para a nota-chave. “Novamente você não compreendeu”. E o silêncio caiu, e Hércules, trazendo o cinturão para o seu peito, buscou o caminho de casa, deixando as mulheres se lamentando e privadas de liderança e de amor.

O ato da morte; depois, um feito de amor quando, arriscando a própria vida, Hércules salvou Hesione e ganhou do Instrutor as palavras: “Medita sobre os caminhos da vida, refletindo sobre os caminhos da morte. Vai e repousa, meu filho”. Não oferecemos desculpas por repetirmos as palavras do mito, tais como relatadas pelo Tibetano; elas são superlativamente belas e sua força mântrica parece ser destruída se as parafrasearmos.

Deve-se notar também que o trabalho não foi descrito para Hércules como nos demais casos. A palavra só foi levada ao país onde a rainha das Amazonas governava seu mundo feminino, todos os homens excluídos. Ficou para Hércules compreender a natureza do trabalho, e ele não o conseguiu. Também as Amazonas adoravam a lua (a forma) e Marte, o deus da guerra; elas também não compreenderam sua verdadeira função, pois Maria é descrita com a lua sob seus pés, e em seus braços aquele conhecido como o Príncipe da Paz.

Os Dois Caminhos

Como sempre há uma escolha para o bem ou para o mal diante do nativo de um signo, dependendo do seu estágio de evolução e do grau de sensibilidade. Virgem é chamada a deusa da virtude ou do vício. Mas quê está na raiz da palavra “vício”? “Tornar ineficaz”, e isso para Virgem é negar todo o propósito do signo, pois se diz que “o Cristo é para ela o propósito de existência”; A raiz de “virtude” é a palavra latina Vir que significa “força”, “homem”, como em “virilidade”. O significado de vício como uma ineficiência da vida espiritual, nos faz recordar novamente a explicação do dito em uma das Regras do Caminho: “Pois cada um deve conhecer a vilania de cada um e ainda assim continuar a amá-lo”. Pois parece que um vilão neste sentido é meramente um indivíduo com a mente tacanha, um tanto desagradável, um morador de um vilarejo, que nada conhece para além do seu pequeno círculo-não-se-passa.

Quão óbvios, e que criadores de verdadeira tolerância, são os significados destas raízes. Por muito tempo temos ridicularizado o corpo, do físico, como a raiz de todo mal, quando são realmente nossas mentes tacanhas, nossos duros, pequenos corações, a causa das atitudes e hábitos errados; o corpo sendo apenas um equipamento de resposta automática, sujeito ao controle do homem interior. Outra ideia se apresenta nesta conexão, isto é, que “pecado” significa literalmente “qualquer coisa que tenha sido feita impropriamente”. Precisamente ao não atingir o “olho do touro”, o “olho da iluminação” de que se fala em Taurus, isso foi um pecado para o filho do homem que é também um filho de Deus. Quão perfeitamente essas ideias fundamentais se intercambiam e se confirmam, umas às outras, quando abandonamos as complexidades da mente inferior! Virgem é também chamada a “deusa dos dois caminhos”, porque como o princípio da Mãe Sagrada ela simboliza a matéria e também é a guardiã da vida do Cristo.

É significativo que este sexto signo, o número da atividade do plano físico, seja chamado o número da Besta. Essa ideia parece exercer um terrível fascínio sobre muitos, mas o que ele realmente significa é que Virgem é um símbolo da triplicidade, 6 no plano físico, 6 no plano emocional e 6 no plano mental e absolutamente nunca 666.

Deve-se lembrar que o leão é o rei dos animais. O nativo atingiu, finalmente, neste signo, a personalidade integrada. Mas em Virgem, é dado o primeiro passo para a espiritualidade, a alma é chamada de filho da mente, e Virgem é regida por Mercúrio, que leva a energia da mente.

Nesta conferência sobre o signo da Virgem, Alice A. Bailey deu uma sequência muito interessante de referências proféticas quanto à Virgem. Vejamos:

“Olha, trarei meu servo, o Renovo”. (Zacarias, 3:8). Um símbolo da Virgem é a mulher com a espiga de milho ou o feixe de trigo, ou o galho de frutas em seus braços. Lembrem também a profecia de Isaías na qual está baseado nosso Novo Testamento: “E uma virgem conceberá e dará á luz um filho”, e ligado com esse verso temos aquele verso em Efésios quando São Paulo disse que algum dia nós atingiríamos a medida da estatura da plenitude do Cristo. Convém lembrar que o Cristo repetidas vezes pôs ênfase no novo nascimento, mais do que no sacrifício sangrento. O significado esotérico é “o sangue é a vida”. Nós somos sempre muito literais. Assim como a velha prática da oferenda da morte dos animais no altar foi abandonada, também deve passar a ideia da unificação pelo sangue do Cristo. Ela nasceu do complexo de culpa medieval e da tortura do instrumento físico como um meio para produzir o domínio do espírito; quando a verdade é que o corpo deveria estar afinado com a alma para trazer à manifestação sua beleza, redimindo-a. Tudo isso está implícito no signo da Virgem e no seu trabalho. Na Doutrina Secreta há uma clara afirmação de toda a mensagem deste signo: “A matéria é o veículo para a manifestação da alma nesta volta da espiral; e a alma é o veículo em uma volta superior de espiral para a manifestação do espírito, e esses três são uma trindade sintetizada pela vida que os satura a todos”.

As Constelações e as Estrelas

As três constelações muito próximas à Virgem são: Coma Berenice, a mãe da forma somente; o Centauro, o homem montando um cavalo ou um cavalo com cabeça e tronco humanos, representando o ser humano, pois o homem é um animal mais um deus. Esta é a mais baixa das constelações e é notável que Hércules, embora tivesse passado pelos cinco Portões, viesse a fracassar no sexto Portão, e tivesse de começar de baixo, para reparar sua falta de amor e compreensão. Isso muitas vezes acontece aos discípulos avançados. A terceira constelação, contendo a promessa do futuro, é Bootes, “aquele que vem”, o salvador em Peixes que liberta a humanidade da subserviência à forma.

A própria Virgem tem a forma de uma taça com três principais estrelas delineando-a, a taça da comunhão da qual disse o Cristo, “Bebei toda ela”; em seu significado mais elevado, o Santo Graal. A estrela mais brilhante é Spica, que significa “a espiga de milho”. Cristo nasceu em Belém, que significa “a casa do pão”. Dizemos “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”, maná, pão dos céus, ou o pão e o vinho da comunhão. Esta simbologia do pão percorre o Velho e o Novo Testamentos, e hoje nosso grande problema econômico ainda consiste em fornecer pão, um símbolo do alimento, a um mundo faminto; pão para o corpo e pão para aqueles que têm fome e sede da justiça. Tudo isso como parte da função nutriente da mãe do mundo, que nutre a forma e também a consciência latente na forma.

A Cruz Móvel e os Regentes Planetários

Virgem é um dos braços da cruz móvel, com seu signo em oposição a Peixes, e o aéreo Gêmeos e o ígneo Sagitário completando os quatro braços. E a cruz comum daqueles que têm o status de probacionário. Sua descrição é a seguinte: “A cruz móvel é a cruz do Espírito Santo, da terceira pessoa da trindade cristã, ao organizar a substância e evocar resposta sensível da própria substância (observe-se a bela correlação desta afirmação com o fato de que o Espírito Santo encobria Maria). Nessa cruz o homem alcança o estágio da aquiescência e aspiração, e assim prepara-se para a cruz fixa do discipulado. É notável que “a cruz mutável da personalidade dedique o homem que é assim crucificado para fins materiais, para que ele possa finalmente aprender seu uso divino”. “O pecado contra o Espírito Santo” tem sido o assunto de muita divagação mórbida. O Tibetano diz: “o mau uso da substância e a prostituição da matéria para maus fins é um pecado contra o Espírito Santo”. Foi este pecado, o maior de toda a sua peregrinação, que Hércules cometeu em Virgem, quando ele não compreendeu que a rainha das Amazonas devia ser redimida pela unidade, não morta. O Tibetano seguidamente dá ênfase ao fato de que é “através da humanidade que uma consumação de luz efetivamente ocorrerá que tornará possível a expressão do todo”. Ainda cometemos o erro de Hércules, quando esquecemos que o triângulo da Trindade é um triângulo equilátero com todos os ângulos sendo de igual importância, para a consumação do Plano (Astrologia Esotérica, pp 558 e seguinte). É em Virgem, após completa individualização em Leão, que o primeiro passo para a missão do espírito e a matéria é dado, “a subordinação da vida da forma à vontade do Cristo que nela habita”.

Os três regentes do signo de Virgem definitivamente o relacionam a oito outros signos, como foi registrado, tornando-o o principal signo da síntese. Incluindo a própria Virgem, nós temos nove signos em que a energia é intercambiada, o número de meses de gestação do embrião humano. Novamente, “como em cima, é embaixo”.

O regente ortodoxo do signo é Mercúrio, “a versátil energia do filho da mente, a alma”, intermediária entre o Pai e a Mãe. O regente esotérico é a lua, encobrindo Vulcano. A lua rege a forma e novamente nos vem à lembrança de que é a vontade de Deus manifestar-Se através da forma. Vulcano é uma expressão da energia do primeiro raio, enquanto que a lua exerce a energia do quarto raio. Júpiter é o regente hierárquico representando a segunda Hierarquia criativa (os construtores criativos da manifestação planetária da terra), e introduz a energia do segundo raio.

O Tibetano assinala que Mercúrio, Saturno e Vênus regem os três decanatos e nos relembra que quando um homem estiver na roda reversa do discípulo (contra o sentido dos ponteiros do relógio) ele entrará no signo através da influência de Vênus, enquanto o homem comum entrará sob a regência de Mercúrio. Este é um exemplo de como podemos interpretar erradamente um horóscopo, se não conhecermos o “status” do ser que é examinado. A astrologia mundana, sem a síntese, pode ser muito enganadora e superficial. Alice Bailey se viu obrigada a dizer, com um piscar de olhos, a um novato que afirmava entusiasmado como sua carta era exata: “Isso é muito mau, se você estivesse vivendo acima do plexo solar, o mapa de sua personalidade não seria tão exato assim”. O mapa da alma será usado na astrologia do futuro; não o mapa da personalidade. Esta advertência é coberta com uma afirmação positiva do Tibetano: “A base das ciências astrológicas é a encarnação, a transmissão e a recepção das energias e sua transmutação nas forças pela entidade receptora”. Isto define claramente qual deve ser nossa atitude na meditação da lua cheia e nosso uso dos horóscopos individuais. “O ponto que procuro indicar aqui”, diz o Tibetano, “é que é tudo uma questão de recepção e sensibilidade desenvolvidas”.

Significados do Signo e de seu Oposto Polar

Na sereia, a deusa peixe, nós temos o símbolo da unificação da Virgem com seu signo oposto, Peixes. Há sempre a dualidade, inerente em nós e no sistema solar; o segundo raio do próprio sol sendo uma dualidade, Amor-Sabedoria. A lição para o nascido em Virgem, como descrita por Dane Rudhyar em “Dons do Espírito”, é ter “uma clara conscientização de que nenhuma verdade é completa ou mesmo real, que não inclui seu oposto, e que tudo ocorre entre ambos”. Relembrando outra vez que oito energias atuam através de Virgem, que é um signo de síntese, Rudhyar afirma que aquela transfiguração é mais necessária do que a transformação.

As três virtudes exigidas são a tolerância, a compaixão e a caridade; quanto mais inclusivo, mais se cresce. Uma das mais úteis interpretações dadas é o comentário sobre a tolerância, a verdadeira natureza da tolerância, a qual, na maioria das vezes, é praticada com um toque de superioridade e condescendência. Rudhyar diz: “A verdadeira tolerância vai muito mais fundo do que uma atitude tal como “viver e deixar viver”, o que muitas vezes encobre uma nódoa de presunção e autocentrada indiferença a tudo que não seja a verdade de si mesmo... Ela significa etimologicamente, “suportar”. Suportar o quê? A carga da necessidade de mudar e crescer... A preocupação típica de Virgo com os detalhes do trabalho, da técnica, da saúde e da higiene, com a vivisseção analítica de si próprio e dos demais, é verdadeiramente uma focalização nos valores negativos da crise. Se a crise em Virgem é positivamente enfrentada, então, “a substância da própria consciência é renovada e com esta renovação, modulando-a, vai necessariamente uma rearrumação do propósito.

Para Peixes, o polo oposto, a nota-chave dada é a coragem, e o temperamento de quem nasce em Peixes é chamado o campo de batalha, pois sua mensagem é a “libertação”, e a liberdade deve ser conquistada com luta e ganha pelo esforço, não pode ser um presente. O clímax diz: “Todos os conflitos são absolvidos, todas as transições são resolvidas nos nascimentos do Cristo”, o que é o clímax do nascimento da consciência crística latente em Virgem.

Notas-Chave

As alturas e profundidades deste sexto trabalho estão claramente indicadas nas notas-chave deste signo: Na roda comum o comando é emitido nas seguintes palavras, que constituem a atividade de Virgem: “E a palavra disse, que a matéria reine”. Mais tarde, na roda do discípulo, a voz emerge da própria Virgem, e ela diz: “Eu sou a mãe e o filho, Eu, Deus, Eu, matéria sou”. O Tibetano acrescenta: “Reflitam sobre a beleza desta síntese e ensinamento, e saibam que vocês mesmos disseram a primeira palavra como a alma, descendo ao útero do tempo e do espaço, num tempo distante. O tempo é chegado agora, em que vocês podem, se assim o escolherem, proclamar sua identidade com ambos os aspectos divinos, matéria e espírito, a mãe e o filho” (Astrologia Esotérica, pp. 284-5). A primeira nota-chave sintetizadora é: “O Cristo em vós, a esperança é de glória”.

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