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DE BELÉM AO CALVÁRIO - As Iniciações de Jesus


Nosso Objetivo Imediato:

A FUNDAÇÃO DO REINO

PENSAMENTO CHAVE

“Qualquer dado momento da vida deve escolher entre dois deuses, psicologicamente incompatíveis. De um lado, a paz do eremita, o silêncio da floresta, a exaltação do sacrifício, o poderio da simplificação e da unidade, a alegria do abandono de si mesmo, a calma da absoluta contemplação, a visão de Deus. De outro lado, a variedade e a tensão da vida, o sabor de fins comuns, o domínio dos meios, a glória da infinita iniciativa o orgulho da criatividade e da posse de si mesmo. O mundo moderno, como um todo, fez sua escolha. Mas há uma escolha melhor; ou seja, a escolha de ambos. Para a vida de cada um é que ela pode perder-se, de tempos em tempos, na vida do outro. E isto, que e óbvio nas coisas parciais, é verdadeiro - e ainda principalmente verdadeiro - nas coisas totais.” (The Meaning of God in Human Experience, por W. E. Hocking, p. 427)

Parte 1

Seguimos o Cristo de Belém ao Calvário e, através da Ressurreição, ao episódio em que Ele desapareceu da vista do mundo tangível e entrou no mundo dos valores subjetivos, para aí atuar como o “Mestre de todos os Mestres e o Instrutor, quer dos anjos quer dos homens.” Nosso enfoque das cinco crises em Sua vida pôs muito mais em destaque a importância mundial delas, do que sua significação para nós, como indivíduos. Vimos que houve uma rebelião (muito justa) contra a ênfase posta pelos teólogos do passado sobre o sacrifício de sangue do Cristo; e chegamos à conclusão de que a necessidade do mundo de hoje é do reconhecimento de um Salvador levantado. Registramos o fato de que a singularidade de Sua missão consistiu em que, na “plenitude do tempo”, Ele veio fundar o reino de Deus para trazer à existência sobre a terra um outro reino da natureza e assim estabelecer a linha divisória entre aquilo que é objetivo e ilusório e aquilo que é subjetivo e real. Sua vinda assinalou a linha de demarcação entre o mundo das formas ou símbolos, e o dos valores ou do significado. Estamos entrando neste último mundo com grande rapidez. A ciência, a religião e a filosofia estão hoje ocupadas com a significação e suas investigações as estão conduzindo para fora do mundo das aparências; os governos e as ciências a eles ligadas - a política, a economia e a sociologia - estão, por sua vez, lidando com ideias e ideais. Mesmo no reino das desordens sociais e das guerras - gerais, esporádicas ou civis - vemos o conflito de ideais divergentes, e não mais guerras de agressão ou em defesa da propriedade. Estas distinções entre o objetivo e o subjetivo, entre o tangível e o intangível, o visível e o invisível, o Cristianismo estimulou porque eram essas as diferenças que o reino de Deus e o reino do homem apresentavam. Cristo veio dar à vida um significado e um valor, assim como o Buda veio esclarecer-nos a respeito dos falsos valores em que nosso mundo moderno se apoia.

Um estudo dos ensinamentos dados anteriormente mostrará que cada ensinamento e cada sofredor Filho de Deus antecedendo ao Cristo, fizeram duas coisas:

Em primeiro lugar, Ele preparou o caminho para o Cristo, proporcionando o ensinamento que Sua particular época, período e civilização requeria; e em segundo lugar, Ele representou em Sua vida o que os Mistérios ensinavam, o que, todavia, antes de Cristo, estava confinado aos muito poucos que estavam sendo preparados para a iniciação, ou que podiam penetrar, pelo direito da iniciação, nos templos daqueles Mistérios.

Então veio o Buda e falou para a multidão, dizendo-lhe qual era a fonte de sua miséria e descontentamento, e lhe dando, nas Quatro Nobres Verdades, uma concisa descrição da situação humana. Ele delineou o Nobre Caminho Óctuplo governando a conduta reta e deu, na realidade, as regras que deveriam controlar quem trilhe o Caminho do Discipulado. Então, tendo Ele Próprio alcançado a Iluminação, entrou no “Secreto Lugar do Altíssimo”, para voltar uma vez por ano, como nos conta a lenda, e abençoar o mundo. Aquele dia da benção (o dia da lua cheia de maio) é preservado no Oriente como um dia santificado geral e, no ocidente, muitas centenas também o conservam como um dia de recordação espiritual.

Depois, veio o Cristo e apresentou ao mundo e tornou públicos em Sua vida e através dos seus pontos críticos, os grandes processos da iniciação (em número de cinco) que estão à frente de todos os que guardam as regras que Seu grande Irmão estabeleceu. Ele conduziu o ensinamento até o passo seguinte e o tornou acessível às massas. Assim foi perpetuada a continuidade da revelação. O Buda nos ensinou as regras para os discípulos em preparação para os Mistérios da iniciação, ao passo que o Cristo nos deu o estágio seguinte e nos mostrou o processo de iniciação, desde o momento do novo nascimento no reino até o da ressurreição final para a vida. Seu trabalho foi inigualável em seu tempo e lugar, pois assinalou uma consumação do passado e uma entrada em algo absolutamente novo, naquilo que dizia respeito à humanidade, como um todo.

A humanidade tinha também alcançado um estágio único em seu desenvolvimento. A raça se tinha tornado inteligente e a personalidade do homem - física, emocional e mental - tinha sido levada até um ponto definido de integração e coordenação. Isto, numa escala tão imensa, foi inigualável. Houvera personalidades isoladas. Agora, na era de Cristo, vivemos numa época de personalidades. Tão elevado é o nível geral da vida da personalidade integrada que estamos capacitados para sentir que alcançamos uma era em que não há figuras destacadas. Isto provavelmente se deve ao fato de que a média geral do desenvolvimento humano é tão alta que o poder de se destacar da maneira dominante se tornou muito mais limitado. Devido a este desenvolvimento, a humanidade (considerando-a como um reino da natureza) alcançou um ponto onde algo novo pode emergir, como sempre aconteceu em circunstâncias análogas em outros reinos. Podemos produzir, e como uma raça dar nascimento a ele, o próximo reino da natureza, que Cristo chamou o reino de Deus; este é o reino das almas, o reino das vidas espirituais, e nele, sem paralelo, emerge o Cristo. Ele é o fundador daquele reino. Ele proclamou sua existência e indicou sua natureza. Ele nos deu em Si Próprio uma expressão de suas qualificações e nos mostrou as características do cidadão daquele reino.

Através do exemplo de seu Fundador, a Cristandade também teve uma missão sem paralelo na inauguração da era de serviço. Serviço mundial, bem-estar mundial, interesse mundial, intercomunicação mundial e a importância do bem geral são todos produtos da ênfase que o Cristo pôs na divindade humana e na fraternidade do homem, baseadas na Paternidade de Deus. Nenhuma outra religião ou era deu tamanha ênfase a esses pontos. Eles ainda permanecem em muitos modos como ideais, mas estão lentamente em processo de concretização.

Cristo conseguiu, pois, através de Sua obra, o seguinte:

1- Ele exteriorizou os Mistérios de modo que eles se tornaram conhecidos da humanidade como um todo, e não são somente a posse secreta dos Iniciados.

2 - Ele representou o drama da iniciação diante do mundo, de modo que seu simbolismo pudesse penetrar na consciência humana.

3 - Ele nos deu uma demonstração de perfeição, para que não mais discutíssemos sobre a natureza de Deus; contudo, ao mesmo tempo, Ele nos deu a garantia de que nós também somos filhos de Deus e podemos, por conseguinte, alcançar a divindade se seguirmos Seus passos.

4 - Ele nos revelou o mundo do significado, e, na Pessoa do Cristo histórico, nos mostrou a significação do Cristo cósmico, o Cristo mítico, e do Cristo místico no coração de cada homem. Ele revelou a natureza de Deus transcendente e de Deus imanente.

5 - O passado da humanidade culminou n’Ele; o presente encontra n’Ele sua solução, e o futuro é simbolizado em Sua vida e morte. Por conseguinte, todas as três linhas, do passado, do presente e do futuro, encontram-se n’Ele e Lhe dão Sua significação ímpar.

6 - Ele fundou o reino de Deus no devido tempo quando o reino humano estava alcançando a maturidade. Ele demonstrou os valores daquele reino em Sua Própria vida, retratando para nós o caráter de sua cidadania e abriu a porta, amplamente para todos aqueles que se ajustassem (através do serviço e da disciplina) para sair do reino humano e entrar no reino espiritual.

7 - Ele elevou-se em Sua Cruz como uma fronteira, um símbolo, e um exemplo de método, entre o mundo dos valores tangíveis e o mundo dos valores espirituais, e nos chamou da morte da natureza inferior, de modo que o Espírito de Deus possa ter pleno domínio.

8 - Ele nos ensinou que a morte deve acabar, e que o destino da humanidade é a ressurreição dentre os mortos. A imortalidade deve tomar o lugar da mortalidade. Por nossa causa, portanto, Ele se levantou dentre os mortos e provou que os laços da morte não podem impedir nenhum ser humano de atuar como um Filho de Deus.

Muitos filhos de Deus passaram pelos Templos dos Mistérios; muitos aprenderam a agir divinamente e, no processo de expressar a divindade, viveram e serviram e morreram. Mas nenhum deles veio no particular período de desenvolvimento que tornou possível o reconhecimento universal que Cristo evocou, nem o intelecto das massas estivera suficientemente desenvolvido para tirar proveito dos ensinamentos deles, em larga escala, até então. Quanto a isso, Cristo e Sua missão foram inigualavelmente importantes. Ele nos ensinou a trabalhar em direção à unidade e a acabar com o isolacionismo e o ódio e a separatividade, dizendo-nos para amar nosso próximo como a nós mesmos. Ele deu u’a mensagem universal em suas implicações, pois o reino de Deus permanece amplamente aberto a todos os que amam e servem e que purificam a natureza inferior, independentemente de credo ou dogma. Ele ensinou a unidade da fé, a Paternidade de Deus e a necessidade, não somente de caminhar com Deus, mas de caminhar com amor e compreensão mútuos. Ele deu ênfase à necessidade de cooperação, indicando que se realmente seguirmos o Caminho, poremos fim à competição e a substituiremos pela cooperação. Ele nos instou a viver por princípios, divinos, básicos e fundamentais e a não dar ênfase às personalidades.

Amor, fraternidade, cooperação, serviço, autossacrifício, inclusividade, libertação de doutrina, reconhecimento do divino - estas são as características do cidadão do reino - e estes ainda continuam nossos ideais. Por conseguinte, o problema importante com que a humanidade se depara, hoje, é, precisamente, quê precisa ser feito para se alcançar os três principais objetivos que Cristo sustentou diante de nós. Eles continuam como objetivos para toda a humanidade e são assim geralmente reconhecidos, mesmo quando sua interpretação cristã seja ignorada, ou quando o Cristo permaneça irreconhecido. Como iremos aperfeiçoar o ser humano, de modo que sua maneira de viver e sua atitude para com as pessoas e o meio ambiente sejam corretas e construtivas? Como materializaremos na terra aquele estado de consciência, acompanhada por aquela condição de vida, cujo resultado mereceria ser reconhecido como o reino de Deus? Como chegaremos a uma compreensão do problema da morte, com a superação do processo da morte e a conquista da ressurreição? Cristo proporcionou uma resposta clara e um programa para a solução do problema da perfeição humana, o problema de um novo mundo e o problema da imortalidade.

Que a humanidade está no seu caminho para grandes e vitais acontecimentos, é geralmente aceito. No passado, progredimos através de várias civilizações, até o importante presente, e estamos no caminho de realizações ainda maiores. Surge, todavia, a pergunta, se podemos acelerar o processo; se, por uma compreensão correta do Cristo e do Seu ensinamento, poderíamos de tal maneira apressar a matéria que o reino e suas leis pudessem governar mais cedo do que de outro modo seria o caso. Nenhum sacrifício de nossa parte deveria ser demasiado grande, se o Cristo estivesse certo na posição que assumiu e no ensinamento que deu, quanto à natureza do homem. A decisão permanece conosco. A escolha é nossa. Portanto, em última análise, qual é a decisão que temos de tomar? Que pergunta temos de responder? Cristo disse que o homem é divino. Estaria certo? Se o homem é divino e filho do Pai, então prossigamos na expressão daquela divindade e reclamemos nosso direito congênito. Estivemos ocupados com excessivos pensamentos e discussões sobre Deus, no passado. Deus transcendente foi tanto aceito como negado. Deus imanente está na iminência do reconhecimento e, nesse reconhecimento, pode certamente estar a saída para o homem. Somos divinos? Esta é a questão fundamental.

Se o homem é divino, se o testemunho de todos os tempos é verdadeiro e se Cristo veio para nos mostrar a expressão da divindade e fundar o novo reino, então a ruptura, hoje, das velhas formas e a generalizada destruição das estruturas familiares da sociedade e da religião, podem simplesmente ser parte do processo que institui os novos processos da vida e o trabalho planejado de um espírito vital envolvente. Uma reação ao aparecimento do reino pode correr por conta da inquietação das massas, e a resposta sensível generalizada aos novos ideais pode ser devida ao impacto da força do reino nas mentes das pessoas mais avançadas do mundo. O místico e o cristão podem falar em termos do reino de Deus; filantropos e filósofos podem falar em termos da comunidade mundial, da nova civilização, da federação mundial de nações, da humanidade como um corpo organizado, da vida comunitária e do internacionalismo e da interdependência econômica e da unidade mundial; mas estas são meras palavras e nomes que diferentes tipos de mentes aplicam ao grande e único fato emergente, de um novo reino na natureza, erigindo-se do reino humano, com seus próprios princípios de vida, suas leis de bem-estar grupal e sua fraternidade no homem.

No desenvolvimento da consciência humana estamos saindo do necessário estágio do individualismo; temporariamente perdemos de vista as verdades mais profundas, os valores místicos, e a vida Una por trás de todas as formas. Estivemos por demais ocupados com interesses materiais e egoístas. Mas esse foi um estágio necessário, mesmo que demasiadamente prolongado. É tempo de pormos fim ao individualismo egoísta, impedindo que ele continue a ser um fator controlador em nossas vidas, tempo de começarmos a fundir e unificar os elementos mais profundos do mundo da realidade, com a vida exterior. As melhores mentes da época estão agora apreciando isso e em cada mão está sendo transmitido o chamado para um aprofundamento da vida, um reconhecimento dos processos mundiais e sua integração consciente e inteligente numa ordem mundial que possa ser reconhecida. A atual desintegração mundial está certa e é boa, desde que consigamos compreender por que está ocorrendo e por quê deve ser seguida. A destruição que tem lugar com vistas a uma construção final está certa e é apropriada, mas os planos para a construção vindoura devem ser compreendidos em algum lugar, e alguma ideia deve existir quanto à subsequente reconstrução.

Hoje, o que necessitamos é ver a trilha oculta do propósito que nos tirará do aparente impasse; isolar, dentre as muitas teorias, aquela teoria básica que não somente tem suas raízes no passado, mas que seja passível de aplicação numa maneira nova, em novos termos, por aqueles que estão embebidos com a nova visão. Necessitamos daquilo que o Dr. Schweitzer chama de “... o reconhecimento de que a civilização se fundamenta em algum tipo de teoria do universo, e somente pode ser restaurada através de um despertar espiritual e uma vontade para o bem ético na massa da humanidade.” (1) Este despertar já chegou e a vontade para o bem está presente. O ensinamento do Cristo não está obsoleto nem ultrapassado. Necessita apenas ser salvo das interpretações das teologias do passado e tomado em seu simples valor factual, que é uma expressão da divindade do homem, de sua participação no reino que está em processo de ser reconhecido e de sua imortalidade como um cidadão daquele reino. Na verdade, estamos atravessando “uma iniciação religiosa aos mistérios do Ser”, (2) e dela iremos emergir com um senso aprofundado de Deus imanente em nós mesmos e em toda a humanidade. A necessidade desta revalorização está sendo impressa sobre nós, constantemente. Poderia valer à pena, portanto, admitirmos essa possibilidade e considerarmos praticamente nossa relação individual com o trabalho que Cristo expressou e inaugurou, e lidarmos com o problema de nosso aperfeiçoamento individual, para podermos ajudar a fundar o reino e desenvolver aqueles valores que garantirão a imortalidade.

Alguém assinalou que nossos problemas atuais são, em grande parte, devidos à falta de percepção intuitiva por parte daqueles que podem recrutar as massas e conduzir as pessoas adiante. Eles procuram guiar por processos mentais e coações e não por aquela apresentação intuitiva da realidade que as crianças e os sábios conseguem simultaneamente reconhecer. É a visão que se faz necessária, pois “onde não há visão, as pessoas perecem”. (3) Não nos tem faltado idealismo, nem temos sido demasiado pouco inteligentes. A maior parte das pessoas, ao enfrentar problemas, age com sinceridade, mesmo que sua linha de ação possa estar errada. Mas nosso erro capital foi o fracasso em proceder àqueles ajustamentos de personalidade e sacrifícios que tornassem a realização possível.

As pessoas pedem orientação; exigem liderança correta; esperam ser conduzidas no caminho que deveriam seguir; e, contudo, o tempo todo a orientação, a liderança e a direção lhes foram dadas. Cristo iluminou o caminho e ainda está à espera que O sigamos, não um a um, mas - sob discípulos inspirados - como uma raça. Como os filhos de Israel, sob Moisés, devemos partir e buscar a “Terra Santa”. Como, então, poderão os que têm visão (e esses são muitos) se prepararem para ajudar na orientação correta da humanidade? Como poderão tornar-se os líderes tão dolorosamente necessários? Aprendendo a se deixarem conduzir pelo Cristo e seguindo a orientação do Cristo interno místico que, inevitavelmente, os conduzirá diretamente a Cristo, o Iniciador. Como aspirantes aos mistérios precisamos aprender, através da obediência, o caminho para a luz disponível, pelo amor, e nos tornando sensíveis à inspiração do Alto. Não há outro caminho. Não temos desculpas genuínas para fracassar, pois outros prosseguiram, e Cristo tornou tudo tão claro e simples.

A obediência ao mais elevado que conhecermos, tanto nas pequeninas coisas como nas grandes, é uma regra muito simples de seguir, por muitos, mas é o segredo do Caminho. Exigimos tanto, e quando uma simples regra nos é dada e nos é dito para simplesmente obedecer à voz da consciência e seguir o brilho de luz que pudermos distinguir, não o consideramos suficientemente interessante para impor pronta obediência. Mas esta foi a primeira regra que Cristo seguiu e, mesmo quando criança, Ele disse que viera ocupar-Se com os negócios de Seu Pai. Ele obedeceu ao chamado. Fez como Deus lhe disse; seguiu, passo a passo, a voz interna - e ela O levou de Belém ao Calvário. Mas ela O levou finalmente ao Monte da Ascensão. Ele nos mostrou o que resulta da obediência e “aprendeu a obediência pelas coisas que Ele sofreu.” Pagou o preço e nos revelou o que Deus no homem poderia ser e fazer.

A conquista da perfeição humana não é a simples questão de construir um bom caráter e ser bonzinho e simpático. Há algo mais envolvido nisso. É uma questão de compreensão e de uma nova e regulada atitude interior, orientada para Deus porque ela é orientada para o serviço do homem, em que Deus se está expressando. “Se não amamos nosso irmão, a quem vimos, como podemos amar a Deus, a quem não vimos?” (4) Esta é a pergunta que faz S. João, o Apóstolo amado, e que nós, até agora, ainda não tentamos responder, como humanidade. A necessidade vital é voltar à simples instrução fundamental que Cristo nos deu e aprendermos a amar nosso irmão. O amor não é um estado de consciência sentimental, emocional. Ele leva em conta o ponto na evolução e o desenvolvimento do caráter, daqueles que devem ser amados; mas, apesar de tudo, é um amor que vê verdadeiramente e que, porque vê tão verdadeiramente, pode agir sabiamente. É um amor que compreende que o mundo precisa amar e que um espírito de amor (que é um espírito de inclusividade, de tolerância, de sábio julgamento e de visão ampla) pode reunir todos os homens naquela unidade exterior baseada num reconhecido relacionamento interior.

Estamos todos tão prontos a receber amor. Estamos todos tão interessados em ser amados, porque compreendemos, inconsciente, se não conscientemente, que o amor significa serviço, e nós gostamos de ser servidos. Chegou o tempo em que aquela atitude para com a vida egoísta deve mudar e precisamos aprender a dar amor e não pedir amor, a sair em serviço de todos com quem pudermos entrar em contato cotidiano, sem esperar nem exigir coisa alguma para o ego separado. Quando este espírito (que é predominantemente o espírito de Cristo e daqueles que O conhecem melhor) se tornar mais geral, então veremos uma consumação mais rápida das mudanças desejadas. Teologicamente dissemos que “Deus é amor”, e depois O interpretamos em termos de nossos próprios ódios, nossos próprios limitados ideais, nossas estreitas teologias e nossas atitudes separatistas. Reconhecemos Cristo como o grande Servidor da humanidade e O apontamos como o exemplo do que é possível. Mas não estabelecemos um acordo em torno de nenhum serviço geral e aquela qualidade ainda não se tornou o poder motivador na vida do mundo. Ele está motivando a vida mais definidamente do que jamais antes, mas os esforços que estão sendo agora feitos - vinte séculos depois que Cristo nos deixou a ordem de seguirmos Seus passos - somente servem para mostrar como temos sido lentos, quanto está por ser feito, e quão desesperadamente os homens necessitam ser servidos por aqueles que têm a visão e o amor de Deus em seus corações. É óbvio quão pouco amor é usado no mundo, atualmente. O essencial a lembrar é que o motivo pelo qual reconhecemos Deus como um Deus de amor é que nós próprios somos, básica e potencialmente, semelhantes a Deus, em qualidade. Isto, em si mesmo, constitui um problema, pois a menos que o divino em nós esteja de algum modo despertado, torna-se difícil interpretarmos corretamente o amor, e é impossível para as massas dos homens, que estão ainda no caminho de se tornarem humanos e, em muitos casos, mal chegam a sê-lo, compreender o verdadeiro significado do amor.

A compreensão do amor e a expressão do amor são assuntos estritamente pessoais. O amor pode permanecer indefinidamente uma teoria ou uma experiência emocional. Pode tornar-se um fator motivador na vida e algo com que contribuímos para o todo. Se cada um procurasse pensar por si mesmo sobre o significado do amor em sua vida e se todos decidissem dar amor e compreensão (não reações emocionais, mas amor firme, constante e compreensivo), então os nós deste nosso complicado mundo se desfariam e seria mais fácil viver nele. O presente caos e tumulto rapidamente desapareceriam. O amor é essencialmente a compreensão da fraternidade. É o reconhecimento de que nós somos, todos, os filhos do Pai Uno; é piedade e compaixão e compreensão e paciência. É a verdadeira expressão da vida de Deus.

Se o primeiro requisito para o homem que procura preparar-se para os Mistérios de Jesus é a obediência ao mais alto que ele possa sentir e conhecer e o segundo é a prática do amor, o terceiro é o desenvolvimento daquela sensibilidade e atenção interior, por intermédio da qual ele pode chegar à significação e à condição da inspiração. Este não é de nenhum modo o desenvolvimento da faculdade psíquica como habitualmente entendida; ela está presente, entre os filhos de Deus, de muitas formas, desde a da atenção à voz interna da consciência e do dever (duas das formas mais baixas de inspiração) até aquela elevada conquista espiritual que encontra expressão nas inspiradas escrituras mundiais.

A não ser que haja esta inspiração, não é possível a um homem entrar no templo e estabelecer contato com Aquele que o está introduzindo aos mais sutis processos da iniciação. O primeiro Iniciador é a própria alma, o divino ser no homem, o homem espiritual, que permanece por detrás da cena do homem externo e que luta para controlar e trabalhar através da personalidade exterior. É aquela alma, ou ser, que abre ao homem a porta da inspiração e lhe revela a natureza de sua consciência divina, sintonizando seu ouvido para captar o som daquela “Voz que fala no silêncio” - quando um homem silenciou todas as vozes externas.

A conquista da faculdade da inspiração é essencial para qualquer progresso no caminho da iniciação e pressupõe um desenvolvimento da inteligência que capacitará um homem para fazer as necessárias diferenciações. A verdadeira inspiração não é, jamais, a ebulição do ser ou da mente subconsciente; nem é a libertação, no homem, da torrente de ideias e pensamentos que lhe pertencem - raciais, nacionais ou familiares; não e a sintonização no mundo do pensamento que pode tão facilmente ser feita por aqueles em quem alguma qualidade de ligação telepática esteja desenvolvida. Nem é ouvir as muitas vozes que se podem fazer ouvir quando um homem consegue tornar-se tão extremamente negativo e tão esvaziado de todo pensamento inteligente que os sons, as ideias e as sugestões do mundo dos fenômenos psíquicos muito facilmente se intrometem. Isto acontece, usualmente, quando o padrão de inteligência é de uma ordem relativamente baixa. A inspiração é algo inteiramente diferente. É uma penetração no mundo do pensamento e das ideias que o Cristo ouvia, quando Ele ouvia uma Voz e o Pai Lhe falava. É a resposta intuitiva de u’a mente inteligente, às impressões vindas da alma e do mundo das almas. A fala do reino então se torna familiar para nós. Estamos em contato com aquelas almas libertadas que atuam naquele reino, e as ondas de pensamento e as ideias que procuram imprimir nas mentes dos homens encontram seu caminho na circulação através das mentes sintonizadas dos discípulos do mundo. Isto é inspiração, e esta é a faculdade para a qual os aspirantes em toda parte deveriam começar a treinar e que deve ser alcançada no mundo da vida cotidiana. É um poder gerado através dos processos da correta meditação; é uma expressão da alma, operando através da mente, e assim ativando o cérebro com impulsos puramente espirituais. A inspiração é responsável por todas as novas ideias e pelos ideais em desenvolvimento em nosso mundo moderno. A era da inspiração não passou nem acabou; está presente aqui e agora. Deus ainda fala aos homens, pois este nosso mundo ainda provê adequadas facilidades para o desenvolvimento daquelas qualidades características do Cristo no coração humano, a alma, o filho de Deus encarnado, habitando neste vale de lágrimas, ou como foi chamado, neste “vale de construção de almas.”

Mas, para alcançar este contato definido e consciente com a alma, o aspirante tem de aprender a obedecer, através das coisas que ele sofre, e tem também de praticar a tarefa de amar. Não é fácil. Isso exige disciplina, esforço e aspiração incessantes, aquela conquista do ser que significa uma crucificação diária e aquela estreita atenção que nunca tira os olhos do objetivo, mas que é sempre consciente do propósito, do progresso e da orientação. O maravilhoso do processo é que ele pode ser continuado, aqui e agora, na situação em que nos encontramos, sem exigir o menor desvio do lugar do dever e responsabilidade.

Tal é a meta para o homem que procura ficar com o Cristo na fundação do reino, assim cumprindo a vontade de Deus. Não há outro objetivo digno da atenção do homem, nem capaz de absorver tanto, todo poder que ele tenha, todo dom e talento que possua e todo momento de sua existência. Hoje o apelo está sendo feito aos Servidores da humanidade, e aos homens e mulheres que irão trabalhar na tarefa de aperfeiçoar o ser para que possam estar melhor equipados para servir aos seus semelhantes e a Deus no homem.

Dizem-nos que quando entramos no mundo dos ideais, “as diferenças entre as religiões se tornam desprezíveis e as concordâncias surpreendentes. Há somente um ideal para o homem, tornar-se profundamente humano. “Sede perfeitos.” O homem total, o homem completo, é o homem ideal, o homem divino.” No caminho da purificação descobrimos como é fraco e falho o homem pessoal inferior; no caminho do discipulado trabalhamos pelo desenvolvimento das qualidades que são características do homem que está pronto para trilhar o Caminho e nascer em Belém. Então conheceremos a verdade sobre nós mesmos e Deus, saberemos, através da conquista, se o que nos dizem é fato ou não. Dizem-nos que "... não se pode corretamente compreender a verdade histórica de documentos tais como os Evangelhos, a menos que se tenha primeiro experimentado em si próprio o significado místico que eles contêm...” Angelus Silesius, do século dezessete, já tinha expresso a atitude crítica inteira relativamente a esta espécie de investigação:

“‘Embora Cristo tivesse cedo nascido em Belém e nunca Tivesse nascido em você, então você estaria perdido para sempre;
E se dentro de você mesmo não se tiver novamente apoiado
A Cruz do Gólgota não pode salvá-lo da dor.’” (5)

O autoconhecimento leva-nos ao conhecimento de Deus. É o primeiro passo. A purificação do eu conduz até o portal da iniciação, e então é possível trilhar o Caminho que Cristo palmilhou de Belém ao Calvário.

Nós somos seres humanos, mas também somos divinos. Somos cidadãos do reino, embora ainda não tenhamos exigido e entrado em nossa herança divina. A inspiração se derrama todo o tempo; o amor está latente em cada coração humano. Somente se exige a obediência no primeiro passo e, quando ela é prestada, o serviço, que é expressão do amor, e a inspiração, que é a influência do reino, se tornam parte definitiva de nossa expressão da vida. Foi isto que o Cristo veio revelar; é a Palavra que Ele pronunciou. Ele nos demonstrou nossas possibilidades humanas e divinas e, pela aceitação do fato de nossa natureza dual mas divina, podemos começar a ajudar na fundação e na expressão do reino.

A compreensão deve chegar até nós, de que “a expressão mais alta, mais pura e absolutamente adequada, do mistério do homem, é Cristo, o homem-Deus. Ele sozinho, real e finalmente, coloca a natureza humana na luz correta. Seu aparecimento na história qualifica o homem para se considerar mais do que mera criatura. Se há realmente um Deus-homem há também um Homem-deus, isto é, ‘homem’ que recebeu a divindade em si mesmo... o Homem-deus é coletivo e universal, isto é, a humanidade como um todo, ou uma igreja mundial. Pois é somente na comunhão com todos os seus semelhantes que o homem pode receber Deus.” (6)

A atitude individual ante o exemplo de Cristo é, portanto, obediência ao comando para que busquemos a perfeição. Mas o motivo deve ser aquele que incitou Cristo a toda a Sua divina atividade - a fundação do novo reino e a conquista daquele estado de consciência numa escala universal e humana, que fará do ser humano um cidadão do reino, conscientemente atuando nele, voluntariamente sujeito a suas leis, e aspirando firmemente à sua extensão na terra. Ele é o mensageiro do reino; e a elevação da consciência de seus semelhantes, de modo que eles possam transcender a si próprios, se torna sua tarefa autodeterminada. A participação com eles, dos benefícios do reino, e o fortalecimento deles à medida que trilham o difícil caminho até o portão de admissão àquele reino, se tornam o único imediato e caro dever. A alma que fez contato com a expressão inferior, a da personalidade, lança aquele eu no caminho do Serviço. O homem não pode, então, descansar antes que tenha conduzido outros para o Caminho e em direção à liberdade dos filhos de Deus que caracteriza o novo reino vindouro.

A nova religião está a caminho, e é aquela para a qual todas as prévias religiões nos prepararam. Ela difere apenas nisso que não será mais caracterizada por dogmas e doutrinas, mas será essencialmente uma atitude de mente, uma orientação para a vida, para o homem e para Deus. Será também um serviço vivo. O egoísmo e os interesses egocêntricos serão finalmente excluídos, pois o reino de Deus é a vida do todo englobado, sentido e desejado por todos os seus cidadãos, e trabalhado e expresso para todos os que trilham o Caminho. A iniciação não passa do processo de desenvolvimento, dentro de nós, dos poderes e faculdades deste novo e mais elevado reino, cujos poderes libertam-nos para um mundo mais amplo e tendem a fazer com que o cidadão se torne sensível ao orgânico todo em lugar da parte. O individualismo e a separatividade desaparecerão à medida que aquele reino venha à existência. A consciência coletiva é sua principal expressão e qualidade. É o próximo passo, definitiva e claramente indicado, no Caminho evolutivo, e não há escapatória para esta colocação. Não podemos impedir a nós mesmos de finalmente nos tornarmos consciente do todo maior ou ativamente participando de sua vida unificada. Todavia, é possível acelerar a chegada do reino, e a necessidade do mundo atualmente e a progressiva inclinação dos homens para o mundo das ideias, pareceria indicar que o tempo é chegado, de fazer aquele esforço adicional que precipitará o aparecimento do reino e trará à manifestação aquilo que está aguardando imediata revelação. Este é o desafio com que hoje se depara a Igreja Cristã. A necessidade é de visão, sabedoria e daquela ampla tolerância que verá a divindade em cada mão e reconhecerá o Cristo em cada ser humano.

À proporção que conseguimos alcançar a significação do reino de Deus, começamos a compreender que significa a Igreja de Cristo, e o significado daquela "nuvem de testemunhas” (7) pela qual estamos tão constantemente cercados. O reino de Deus não é alguma particular igreja com suas próprias doutrinas peculiares, suas particulares formulações da verdade, seu método especializado de governo sobre a terra e de aproximação a Deus.

A verdadeira Igreja é o reino de Deus na terra, divorciado de todo governo clerical e composto de todos, sem distinção de raça ou credo, que vivam pela luz interna, que tenham descoberto o fato do Cristo místico em seus corações e se estejam preparando para trilhar o Caminho da Iniciação. O reino não é composto de pessoas com mentalidade teológica ortodoxa. Sua cidadania é mais ampla do que isso e inclui todo ser humano que esteja pensando em termos mais amplos do que o individual, o ortodoxo, o nacional e o racial. Os membros do reino vindouro, pensarão em termos da humanidade como um todo; e enquanto forem separatistas ou nacionalistas, religiosamente fanáticos ou comercialmente egoístas, não terão lugar naquele reino. A palavra espiritual terá uma conotação muito mais ampla do que a que lhe foi atribuída no velho tempo que agora, felizmente, está acabando. Todas as formas de vida serão consideradas do ângulo dos fenômenos espirituais e não mais teremos de considerar uma atividade como espiritual, enquanto que outra não será. A questão da utilidade do motivo, do propósito e da utilidade grupais, é que determinará a natureza espiritual de uma atividade. O trabalho para o todo; estar ocupado com a ajuda ao grupo; identificar a Vida Una pulsando através de todas as formas e trabalhar na consciência de que todos os homens são irmãos - essas são as qualidades iniciais que um cidadão do reino deverá demonstrar. A família humana é individualmente autoconsciente e este estágio da consciência separatista foi necessária e útil; mas chegou o tempo em que estamos conscientes de contatos maiores, de implicações mais amplas e de uma inclusividade mais geral.

Como se materializará na terra esta condição do reino de Deus? Pelo gradual e firme aumento do número daqueles que são cidadãos daquele reino vivendo suas vidas na terra e demonstrando as qualidades e a consciência que caracterizam tais cidadãos; por homens e mulheres, em toda parte, cultivando a consciência alargada e se tornando mais e mais inclusivos. “Qualquer reflexo”, diz Dr. Hocking, “Que possa infalivelmente romper as paredes do Ego, descortina imediatamente um infinito campo mundial. Estabeleça um segundo para o meu Uno, e terei dado todos os números.” (8) E ele nos dá a chave do processo que precisa ser cultivado neste trabalho de unidade essencial, dizendo que “. . . o verdadeiro místico é aquele que se prende à realidade de ambos os mundos e deixa ao tempo e esforço a compreensão de sua união.” (9) O reino de Deus não está divorciado da vida prática diária no nível dos assuntos do cotidiano. O cidadão do reino é consciente do mundo e consciente de Deus. Suas linhas de contato são claramente delineadas em ambas as direções: ele está interessado, não em si mesmo, mas em Deus e em seus semelhantes, e seu dever para com Deus é cumprido através do amor que sente e demonstra por aqueles que o cercam. Ele não conhece barreiras e não reconhece divisões; ele está vivo - como uma alma - em todo aspecto de sua natureza, através de sua mente e de suas emoções, e no plano físico da vida. Ele trabalha através do amor e no amor, e devido ao amor a Deus.

Um estudo íntimo da história do Evangelho e uma corajosa atenção às palavras do Cristo tornarão claro que as três principais características de Seu trabalho e as três linhas principais de Sua atividade devem ser nossas, também. Essas três são, como vimos, primeiro, a conquista da perfeição e sua demonstração através dos cinco grandes acontecimentos a que chamamos das crises na vida do Cristo, as cinco principais iniciações do Oriente e das escolas esotéricas; em segundo lugar, a fundação do reino uma responsabilidade que se apoia em cada um de nós, porque, embora Cristo certamente houvesse aberto a porta para o reino, o restante do trabalho permanece sobre nossos ombros; em terceiro lugar, a conquista da imortalidade, baseada no desenvolvimento daquilo dentro de nós que é da natureza do real, que tem valor verdadeiro e que merece por à prova a imortalidade. Este último pensamento exige nossa atenção. Detendo-nos em sua implicação, é tristemente verdadeiro que “. . . o homem, como ele existe hoje, não é capaz de sobreviver. Ele deve mudar ou perecer. O homem, como ele é, não é a última palavra da criação. Se ele não puder, se ele não se adaptar e às suas instituições, ao novo mundo, cederá seu lugar a espécies mais sensíveis e menos grosseiras em sua natureza. Se o homem não puder cumprir a tarefa dele exigida, uma outra criatura que o possa erguer-se-á.” (10)

Sempre foi assim no plano evolutivo. A vida de Deus construiu por si mesma, veículo após veículo, para manifestar-se, e reino sucedeu a reino. A mesma grande expansão está iminente hoje. O homem, o ser autoconsciente, pode diferir radicalmente das formas de vida nos demais reinos porque ele pode avançar na onda da vida de Deus em plena consciência. Ele pode participar da “alegria do Senhor” à medida que os alcances mais amplos de consciência se tornam seus; ele pode conhecer a natureza daquela bem-aventurança que é a principal condição da natureza divina. Não há necessidade do fracasso humano, nem de uma ruptura definitiva na continuidade da revelação. Há aquilo, no homem, que pode capacitá-lo a lançar uma ponte sobre a distância entre o reino em que se encontra e o novo reino no horizonte. Os seres humanos que são cidadãos de ambos os reinos - o humano e o espiritual - estão conosco hoje, como sempre. Eles se movem livremente em qualquer dos reinos, e Cristo Mesmo nos deu a perfeita demonstração daquela cidadania e nos disse que poderíamos fazer “coisas ainda maiores” do que Ele havia feito. Tal é o glorioso futuro em direção ao qual o homem está hoje orientado e para o qual todos os acontecimentos mundiais o estão preparando.

A preparação para este reino é a tarefa do discipulado e constitui a árdua disciplina do caminho quíntuplo da iniciação. O trabalho do discípulo é a fundação do reino, e a característica primária de seus cidadãos é a imortalidade. Eles são membros de uma Raça Imortal e o inimigo final que irão vencer é a morte; eles agem conscientemente no corpo ou fora dele e não se importam onde estejam; têm vida permanente porque há neles aquilo que não pode morrer, sendo da natureza de Deus. Ser imortal porque os próprios pecados estejam perdoados parece uma razão inadequada para uma mente inteligente; ter vida permanente porque Cristo morreu há dois mil anos não satisfaz ao homem que está consciente de sua própria responsabilidade e de sua própria identidade; viver para sempre porque se é religioso, ou se aceitou certas formas de crença, é uma razão repudiada pelo homem que está consciente de seu próprio poder interno e de sua natureza; basear a própria fé na sobrevivência pela tradição ou mesmo em um senso inato de persistência, não parece suficiente. Sabemos muito sobre o poder e a tenacidade da autopreservação e do impulso criativo de autoperpetuação. Talvez essas duas sejam simplesmente levadas adiante num senso idealístico, quando o homem encara o finito.

Entretanto, há inato na humanidade o senso de pertencer a um outro lugar; há um descontentamento divino que deve certamente estar baseado em alguma herança natural que é a garantia de nossa origem. Esta progressão em direção a uma vida mais ampla e mais cheia é tanto uma característica humana quanto a tendência normal do indivíduo de promover a vida familiar e os contatos sociais. Ela é, por conseguinte, tão acessível de ser alcançada quanto aquela tendência, e o testemunho dos tempos contribui para isto. A salvação pessoal é, afinal de contas, de pouca importância, a não ser que tenha lugar numa salvação mais geral e universal. Está na Bíblia a promessa de que “aquele que cumpre a vontade de Deus viverá para sempre”, (11) e nestas palavras temos a chave. Tem havido uma tendência para pensar que, quando Deus criou o homem, Sua vontade de expressão tinha ficado perfeitamente satisfeita. Não há, em absoluto, base real para esta crença. Se Deus não for capaz de produzir algo muito mais perfeito do que a humanidade, e se a vida que jorra através do mundo natural não estiver trabalhando por algo maior, mais apurado e mais belo do que qualquer coisa jamais produzida, então Deus não é divino no sentido em que este termo é habitualmente aceito. Esperamos de Deus muito mais do que isso - grandeza além de qualquer coisa que jamais nos tenha sido demonstrada. Acreditamos que isto seja possível. Nós nos apoiamos na divindade, e temos certeza de que ela não nos faltará. Mas a revelação da perfeição última, seja ela qual for (e não deveríamos limitar Deus por nenhuma de nossas próprias ideias preconcebidas), pode exigir o desenvolvimento, no homem, de poderes e de um mecanismo que o capacitem para reconhecê-la, para participar de sua maravilha e de sua mais ampla esfera de contatos. Nós mesmo poderemos ter de nos modificarmos para expressar o divino tal como o Cristo o expressou, antes que Deus possa prosseguir na manifestação da beleza do reino oculto. Deus necessita da cooperação do homem. Ele apela para que os homens cumpram a Sua vontade. Nós temos encarado isso como um meio de atender ao nosso próprio bem, o que talvez tenha sido uma atitude errada. Podemos erguer-nos e prosseguir no Plano interno, equipando-nos para a perfeição, de modo que Deus possa “ver a obra de Sua alma, e ficar satisfeito.” (12) Nós podemos constituir a experimentação crucial de Deus. O germe da vida divina está em nós, mas nós mesmos temos que fazer algo a respeito, e o tempo é chegado em que a humanidade, como um todo, deve aplicar-se à alimentação da vida divina dentro da forma racial.

É nosso imediato dever, pois, nos interesses do reino cujos cidadãos são imortais, revelar o que em nós é divino, e cujas características possam ser conhecidas pelo senso de valor, pelo atributo da luz e pela natureza de seu amor e do que ama. A necessidade de hoje é a plena expressão do “Homem Oculto do Coração.” A revelação do Ego dentro do eu é o que se impõe. É este eu, alimentado, nutrido, depois treinado e desenvolvido, que é o aspecto imortal no homem, e por este eu nós somos responsáveis. Não há como escapar disso, nem há como escapar ao fato de que nós somos parte de um todo, e que somente quando Cristo ganhar o reconhecimento de toda a humanidade e for expresso pela humanidade como um todo, alcançaremos aquilo para que fomos criados - o cumprimento da vontade de Deus, como Cristo a cumpriu. Precisamos transcender ao complexo de inferioridade que surge pela indagação diante de palavras como as da expressão acima: “Como Cristo a cumpriu.” Um livro anteriormente citado afirma que esta ideia de um Cristo pessoal deve ser eclipsada e substituída pelo Cristo como a vida e esperança em todos nós. Somente os inigualavelmente significativos compreendem o verdadeiro significado interno da imortalidade. Aqueles em quem o senso de valores está subordinado aos valores da alma, cuja consciência é a da eternidade, são eternos em seus processos vitais. Precisamos ter isto presente.

Estaremos interessados no todo vital? Será o bem-estar da raça, de real significação para nós? Estaremos dispostos a sacrificar tudo em benefício do todo? Estas são perguntas importantes para o aspirante individual e às quais ele deve responder se pretender compreender claramente o que está tentando fazer. Este processo de dar deferência ao todo foi resumido para nós pelo Dr. Schweitzer, que nos apresenta um quadro maravilhoso do reino de Deus. Ele diz que:

“A civilização, considerada bem simplesmente, consiste em nos dedicarmos, a nós mesmos, como seres humanos, ao esforço de atingirmos ao aperfeiçoamento da raça humana e à realização de todo tipo de progresso nas circunstâncias da humanidade e do mundo objetivo. Esta atitude mental, contudo, envolve uma dupla predisposição: em primeiro lugar, devemos estar preparados para agir afirmativamente para com o mundo e a vida; em segundo lugar, devemos tornar-nos éticos.

“Somente quando formos capazes de atribuir um significado real ao mundo e à vida seremos capazes também de nos dedicarmos a tal ação e produziremos resultados de real valor. Enquanto considerarmos nossa existência no mundo como sem significação, não há sentido nenhum em desejar realizar coisa alguma no mundo. Nós somente nos tornamos trabalhadores para aquele progresso universal, espiritual e material, ao qual chamamos de civilização, na proporção em que afirmamos que o mundo e a vida possuem alguma espécie de significado, ou, o que é o mesmo, somente na medida em que pensamos de maneira otimista.

“A civilização tem origem quando os homens se tornam inspirados por uma forte e clara determinação de alcançar o progresso e se consagram, como resultado desta determinação, ao serviço da vida e do mundo. É somente na ética que encontramos a força diretora para tal ação, transcendendo, como o faz, os limites de nossa própria existência.

“Nada de real valor no mundo é jamais realizado sem entusiasmo e autossacrifício.” (13)

Nenhum homem incapaz de atingir à consciência dos valores reais estará pronto para a imortalidade que é a prerrogativa dos filhos de Deus. A construção daquela estrutura interior que é o corpo espiritual, é levada adiante pela purificação, pelo aperfeiçoamento, pela meditação e iniciação e, acima de tudo o mais, pelo serviço. Não há outro meio. Os verdadeiros valores pelos quais o iniciado dá sua vida são os do espírito, do reino de Deus, os que concernem ao todo e que não põem ênfase principal no indivíduo. Eles são expressos através da expansão, do serviço e da incorporação consciente ao todo. Eles devem ser incluídos na única palavra, Serviço. Eles se expressam através da inclusividade e da não-separatividade. É aqui que a Igreja, como habitualmente compreendida, encontra seu principal desafio. Será ela suficientemente espiritual para abandonar a teologia e se tornar verdadeiramente humana? Estará suficientemente interessada em alargar seu horizonte e reconhecer como verdadeiramente cristãos todos aqueles que demonstrarem o espírito do Cristo, sejam eles indus, maometanos ou budistas, ou rotulados por qualquer nome que não seja o de cristão ortodoxo?

Um outro pensamento básico emerge de tudo que acabamos de considerar. É se estaremos hoje saindo da era da autoridade para entrar na era da experiência ou não, e se esta transição não indica que a raça esteja rapidamente se preparando para a iniciação. Estamos nos revoltando contra doutrinas, tendo muito pouca utilidade para elas e a razão, é o Dr. Dewey quem no-la dá, é que “... a adesão a qualquer corpo de doutrinas e dogmas baseados em uma autoridade específica significa desconfiança no poder da experiência para prover, em seu próprio movimento evolutivo, os necessários princípios da crença e da ação. A fé em seu sentido mais novo significa que a própria experiência é a única e última autoridade.” (14)

É óbvio que isto conota não a uniformidade mas um reconhecimento de nossa unidade essencial.

Parte 2

Assim, passo a passo seguimos o Cristo em Sua estupenda tarefa, e estudamos a tarefa em sua unicidade. Ele fez algo de tal significação para a humanidade que somente hoje estamos em condições de avaliá-lo. Estivemos tão ocupados com nossa própria salvação pessoal e nossa própria esperança no paraíso, que as coisas verdadeiramente inigualáveis que Cristo fez escaparam, em grande parte, à nossa observação. É fora de dúvida que Ele seguiu os passos de muitos dos filhos de Deus que, a seu tempo e em sua geração, serviram, sofreram e trouxeram a salvação ao mundo; que Ele nos deu um exemplo de humanidade perfeita, tal como o mundo jamais vira anteriormente, é igualmente fora de dúvida. O maior dos anteriores filhos de Deus, o Buda, após muita luta alcançou a iluminação e indicou o caminho para a elevação da humanidade até e através dos portais da iniciação. Mas Cristo foi perfeito, tendo (ousaremos dizer durante algum prévio ciclo de vidas?) aprendido a obedecer através das coisas que Ele sofrera. Também é igualmente verdadeiro que Ele sobrepujou a morte e abriu os portões da imortalidade para toda a humanidade. Mas desde a primeira aurora da história humana, os homens sempre sofreram uns pelos outros; uma e outra vez, um aqui, outro acolá, alcançaram a perfeição e desapareceram da presença dos demais. A centelha divina no homem sempre o tornou imortal. Os homens sempre sentiram sua divindade e sempre estenderam suas mãos e seus corações para Deus. Os filhos do Pai nunca esqueceram a casa do Pai, não importando a que distância andaram errando. Deus, igualmente, sempre procurou por nós, e de século a século enviou Seus mensageiros como uma encarnação de Sua lembrança.

Mas Cristo veio como um Mensageiro especial. Ele veio fundar o reino de Deus na terra e instituir uma nova e tangível expressão da Divindade no planeta. Sua missão não fracassou. O reino está agora organizado na terra e é composto daqueles homens e mulheres, em toda parte, que perderam de vista sua própria salvação individual e esperança do paraíso, porque eles sabem que a não ser que o paraíso possa expressar-se aqui e agora, não passa de uma fútil esperança. Eles estão ocupados com os processos de autoaperfeiçoamento e autopurificação porque procuram servir a seus semelhantes mais eficiente e adequadamente, e assim “glorificar ao Pai que está nos céus.” (15) Eles não estão interessados no engrandecimento próprio nem em fazer exigências de qualquer espécie - além da extraordinária afirmação de que eles são filhos de Deus, como nós todos somos; eles não falam sobre a iniciação, nem se chamam de iniciados; eles se satisfazem em caminhar entre os homens como aqueles que servem e que são cidadãos do reino de Deus. Eles são os servidores mundiais e seu único interesse é seguir os passos d’Aquele Que andou fazendo o bem e proclamando as notícias do reino. Eles não afirmam que o seu é o único caminho para o reino, mas aos que não conhecem Cristo eles dizem: “Criancinhas, amai-vos uns aos outros.” Eles não condenam os que nada sabem dos sacrifícios do Cristo na Cruz, mas dizem aos que buscam o caminho; “Leva tua cruz” e segue ao Cristo. A seus discípulos eles trazem constantemente a lembrança de que “se o grão de trigo não cair ao chão e morrer, ele ficará só”, e se dedicam ao objetivo do novo nascimento. A grande maioria dos homens e mulheres pensantes, bem intencionados, do mundo, estão hoje indo de Nazaré, na Galileia, para Belém. Alguns, talvez mais do que se possa avaliar, estão no caminho do Batismo no Jordão, enquanto que uns poucos estão valentemente escalando o Monte da Transfiguração. Um, aqui e ali, pode estar firmemente voltando seu rosto para se dirigir para Jerusalém, e ser crucificado; mas estes são raros. Na maior parte das vezes, estaremos aprendendo, na morte diária do eu, a nos ajustarmos para a iniciação final da Crucificação, e pela constante renúncia de tudo que impede a expressão da divindade, qualificando-nos para aquela tremenda experiência espiritual que sempre precedeu à Ressurreição e que é chamada a Grande Renúncia.

Visualizemos claramente em que ponto estamos no Caminho da Evolução. Já teremos postos os pés no Caminho Probacionário, aquele difícil caminho de purificação que é um primeiro passo necessário? Ou estaremos definitivamente no Caminho do Discipulado, sabendo o que estamos fazendo, cultivando os valores mais finos e aquelas qualidades distintivas que são o distintivo da divindade em manifestação?

O único incentivo bastante forte (ou que sempre foi bastante forte) para capacitar um homem a trilhar o caminho quíntuplo para o Centro do qual a Palavra é emitida é uma conscientização da profunda e angustiante necessidade de nosso mundo moderno da revelação, do exemplo puro e do serviço amoroso. Não há caminho pelo qual este nosso triste e gasto mundo possa ser salvo e as vidas humanas transfiguradas, exceto por uma manifestação do espírito de Deus. Em lugar de esperar que Deus aja e nos envie algum Salvador (Que provavelmente não seria reconhecido, como Cristo não foi) chegou o tempo, e a humanidade evoluiu o suficiente, para que a vida divina dentro dela surja e se eleve para Deus, invocando Sua resposta, Seu reconhecimento, o que temos visto repetido uma e outra vez. Ele deseja concordar. Nós somos Seus filhos e estamos começando a viver divinamente, pensando (como Ele pensa) em termos do todo e não em termos do indivíduo separatista e egoísta. Agora é um tempo de crise em que todos os seres humanos são necessários, e o apelo é feito para cada um fazer aquele esforço adicional para o altruísmo, e para aquele impulso mental na direção da clareza de pensamento que nos transformará, de aspirantes bem intencionados, em discípulos de clara visão, animados por um espírito de amor e boa vontade para com todos os homens, sem restrições de raça, credo ou cor.

Esta vontade religiosa está sendo expressa agora, não voltada para a teologia ou para a formulação de doutrinas e ocupada com sua consolidação, mas para o amor e o serviço, para o esquecimento próprio, dando o máximo possível para ajudar o mundo. Esta vontade derruba todas as barreiras e eleva os filhos dos homens onde quer que se ache a vontade para ser assim ajudado. E é algo que se está organizando lentamente no mundo de hoje, sendo sua qualidade a da universalidade e sua técnica, a do serviço amoroso. Os homens, em toda parte, estão respondendo ao mesmo impulso espiritual interno que é ilustrado no belo conto atribuído ao Buda. Eis como o relatam:

“Na crença de que Ele tinha atingido o último estágio da perfeição, o Buda se preparava para abandonar a existência no espaço e no tempo finitos, abandonar toda tristeza e sofrimento pela pura existência da bem-aventurança universal e eterna.

“Naquele momento, um mosquito que zumbia foi apanhado por um morcego que passava.

“‘Permanece’, meditou em silêncio o Iluminado, ‘o estado de perfeição em que estou entrando é apenas a perfeição de mim mesmo, uma perfeição inigualável, minha totalidade é uma totalidade inigualável; não sou ainda, então, um ser universal. Outros seres ainda sofrem a imperfeição, a existência e a morte resultante. A compaixão por esses ainda se desperta em mim, quando contemplo o sofrimento deles.

‘“O caminho da vida para a perfeição Eu iluminei, de fato e na verdade, para eles: mas poderão trilhar aquele caminho sem mim?

‘“A perfeição inigualável de mim mesmo Eu sonhei, a perfeição de meu próprio caráter e personalidade é apenas imperfeição enquanto um outro ser - um simples mosquito - ainda sofre a imperfeição de sua idêntica espécie.

‘“Nenhum ser pode alcançar sozinho a bem-aventurança: todos devem alcançá-la juntos, e aquela, a bem-aventurança inigualável própria de cada um. Pois não serei eu em todo outro ser e não será cada outro ser em mim?’

“Com calma e quieta voz em todo ser assim fala o Buda, por sua inspiração para o caráter interno, sua aspiração para a personalidade externa, perpetuamente transmutando este eu no não-eu, cada realidade dependendo da outra, um eterno caminho de vida para trilhar até a perfeição de cada, de todos.” (16)

Cristo dá ênfase à mesma lição, e seus discípulos sempre procuraram, em seu tempo e lugar, ensinar a lei do serviço.

Algumas vezes parece que os dois extremos viveram na consciência do homem - o notório e ambicioso, e os grandes servidores do mundo. Até então a sequencia tem sido: serviço a nós mesmos, a nossa família, aos que amamos, a algum líder, alguma causa, alguma escola de política ou religião. Chegou o tempo em que o serviço deve expandir-se e expressar-se em linhas mais amplas e mais inclusivas, e nós devemos aprender a servir como Cristo serviu, a amar todos os homens como Ele os amou e, pela potência de nossa vitalidade espiritual e qualidade do nosso serviço, estimular todos os que encontramos de modo que eles também possam servir e amar e se tornar membros do reino. Quando isto for visto claramente e quando nós estivermos prontos para fazer os necessários sacrifícios e renúncias, haverá uma manifestação mais rápida do reino de Deus na terra. O chamado não é para os fanáticos ou para o devoto furioso que, tentando expressá-lo, bloqueou a divindade. O chamado é para os homens e mulheres sãos e normais, que possam compreender a situação, enfrentar o que deve ser feito e então dar suas vidas para expressar ao mundo as qualidades dos cidadãos do reino das Almas: amor, sabedoria, silêncio, não-separatividade e libertação dos ódios e partidarismo, crenças sectárias. Quando tais homens possam ser reunidos em grandes números (e estão-se reunindo rapidamente) teremos o cumprimento da canção dos anjos em Belém, “Na terra paz, boa vontade entre os homens.”

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Notas:

(1) - The Decay and Restoration of Civilisation, por Albert Schweitzer, págs. 78-79. (9) - The Meaning of God in Human Experience, por W. E. Hocking, pág. 399.
(2) - The End of Our Time, por Nicholas Berdyaev, pág. 105. (10) - The Supreme Spiritual Ideal, por S. Radhakrishnan, no The Hibbert Jour­nal, Outubro, 1936, pág. 33.
(3) - Prov., XXXIX, 18. (11) - I. S. João, II, 17.
(4) -1 - S. João, IV, 20. (12) - Isáías, 53, 11. 
(5) - Citado em The Way of Initiation, por Rudolf Steiner, pág. 46. (13) - The Decay and Restoration of Civilization, por Albert Schweitzer pág. VIII, prefácio.
(6) - Wrestlers with Christ, por Karl Pfleger, pág. 235. (14) - Citado em Realidade e husão, por Richard Rothschild pág. 320.
(7) - Heb., XII, 1. (15) - Mateus, V, 16.
(8) - The Meaning of God in Human Experience, por W. E. Hocking, pág. 315. (16) - Eros and Psyche, por Benchara Branford, pág. 355.

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