Navegação

DE BELÉM AO CALVÁRIO - As Iniciações de Jesus


NOTAS PRELIMINARES SOBRE A INICIAÇÃO

PENSAMENTO CHAVE

“Existe um desejo humano por Deus; mas há, também, um desejo divino pelo homem. Deus é a ideia suprema, a suprema preocupação e o supremo desejo do homem. O homem é a ideia suprema, a preocupação e o desejo supremos de Deus. O problema de Deus é um problema humano. O problema do homem é um problema Divino .... O homem é a contraparte de Deus e o Seu bem-amado, de quem espera a reciprocidade de amor. O homem é a outra pessoa do Divino mistério. Deus necessita do homem. Sua vontade é não somente que Ele exista, mas que existam também o homem, o Amante e amado”. (Wrestlers with Christ, por Karl Pfleger, pág. 236) 

Parte 1

Estamos no limiar de uma nova era religiosa. As atuais tendências espirituais vão-se definindo, cada vez mais. Os corações dos homens nunca estiveram mais abertos que agora, à impressão espiritual, e a porta de comunicação para o próprio centro da realidade está franqueada, de par em par. Entretanto, este significativo desabrochar tende, paralelamente, à direção contrária, e as filosofias materialistas, assim como as doutrinas negativistas, prevalecem, mais e mais. Para muitos, toda a questão da validez da religião cristã está, ainda, por se definir. Sustenta-se que o cristianismo fracassou e que o homem não necessita do relato do Evangelho, com suas implicações de divindade e seu apelo ao serviço e ao sacrifício.

Será o Evangelho historicamente verdadeiro? Trata-se de uma narrativa mística de excepcional beleza e real valor educativo que, não obstante, carece de importância vital para os homens e mulheres inteligentes, tão orgulhosos, em nossos dias, de seus poderes de raciocínio, de sua independência em relação aos antigos impedimentos mentais e às velhas e poeirentas tradições? No tocante à perfeição do caráter de Cristo, não existe restrição alguma. Os inimigos do cristianismo admitem Sua excepcionalidade, Sua básica profundidade, Sua compreensão dos corações dos homens. Reconhecem o elevado alcance de Suas ideias e as apoiam em suas próprias filosofias. Os desenvolvimentos que o Carpinteiro de Nazaré provocou na trama da vida humana, Seus ideais sociais e econômicos, aliados à beleza da civilização que se poderia fundar sobre os ensinamentos éticos contidos no Sermão da Montanha, são destacados, com frequência, por muitos que se negam a reconhecer Sua missão como expressão da divindade. Do ponto de vista racional, a questão da autenticidade histórica de Sua vida permanece, ainda, sem solução, conquanto o Seu ensinamento sobre a Paternidade de Deus e a irmandade do homem, esteja corroborado pelas mentalidades mais proeminentes da raça. Os que podem transitar no mundo das ideias, da fé e da experiência viva, dão testemunho de Sua divindade e da nossa possível aproximação a Ele. Este depoimento é, porém, apressado e frequentemente considerado como místico, fútil e carente de provas. A crença individual, de resto, não é de valor para ninguém, exceto para o próprio crente ou, no que tende a acrescentar o testemunho, até assumir proporções tais que, com o tempo, se converta em uma prova. Estribar-se em um “tipo de crença” pode indicar uma experiência vivente, mas também pode constituir, de outra parte, uma espécie de auto-hipnose ou uma “via de escape” para as dificuldades e os problemas da vida cotidiana. O esforço por compreender, por adquirir experiência, por experimentar e expressar o que se conhece e crê é, não raro, demasiadamente difícil para a maioria, e esta então se apoia em uma crença baseada no testemunho daqueles que inspirem confiança, como a forma mais fácil de sair do impasse.

O problema da religião e o do cristianismo ortodoxo não são uma e a mesma coisa. Grande parte da descrença e da crítica que nos circundam, como também a negação do que admitimos como verdades, se fundamenta no fato de que a religião foi substituída por um credo e a doutrina ocupou o lugar da experiência viva. A experiência viva é a nota chave deste livro.

Talvez, outra razão por que a humanidade atualmente creia tão pouco ou duvide tão lamentavelmente do que se crê, seja o fato de haverem os teólogos tentado tirar o cristianismo do lugar que ocupa no esquema das coisas e passado por alto sobre a sua posição, na ampla continuidade da revelação divina. Esforçaram-se por acentuar sua excepcionalidade, considerando-a por inteiro como uma isolada e independente expressão da religião espiritual. Com isso, destroem o cenário, abalam seus fundamentos e tornam difícil para a mente humana que se desenvolve continuamente, aceitar sua apresentação. Não obstante, Santo Agostinho nos diz que “a denominada religião cristã existiu entre os antigos e nunca deixou de existir, desde o começo da raça humana até o aparecimento do Cristo, época em que a verdadeira religião, que já existia, começou a chamar-se cristianismo” (1). A Sabedoria que expressa relação com Deus; as indicações do roteiro que guiam nossos errantes passos de retorno ao lar do Pai e os ensinamentos que trazem a revelação, têm sido sempre os mesmos, através das idades e idênticos aos que o Cristo transmitiu. Este corpo de verdades internas e esta riqueza de conhecimentos divinos sempre existiram, desde tempos imemoriais. Tal é a verdade que o Cristo revelou, porém Ele fez mais, Ele revelou em Si mesmo, e através da história de Sua vida, o que estes conhecimentos e sabedoria poderiam fazer pelo homem. Demonstrou, ademais, a total expressão da divindade em Si próprio e depois instou Seus discípulos a fazerem o mesmo.

Na continuidade da revelação, o Cristianismo entra em seu ciclo de expressão sob a mesma lei divina que rege toda manifestação - a Lei do Aparecimento Cíclico. Esta revelação passa pelas fases de todas as manifestações da forma, ou aparências e, em seguida, do crescimento e desenvolvimento e, finalmente (quando o ciclo se aproxima de seu termo), da cristalização, com uma gradativa e constante ênfase posta sobre a letra e a forma, até que a morte desta mesma forma se torne inevitável e oportuna. Entretanto, o espírito continua a viver e a assumir novas formas. O Espírito do Cristo é imortal e, assim como Ele vive eternamente, o que Ele encarnou para demonstrar esta eternidade também deve perdurar. A célula no útero; a etapa do pequenino; o desenvolvimento da criança até converter-se em homem - a tudo isto Ele Se submeteu, passando por todos os processos que configuram o destino de cada filho de Deus. Devido a esta submissão e porque “aprendeu a obediência por aquilo que padeceu” (2), confiou-se em que Deus por Ele fosse revelado ao homem e (se assim se pode dizer) também revelado a Deus o divino no homem. Pois os Evangelhos demonstram que o Cristo proclamava, continuamente, este reconhecimento do Pai.

A longa continuidade da revelação é nossa mais preciosa herança e nela a religião do Cristo se deve encaixar, como o faz. Deus nunca ficou sem testemunho e jamais ficará. Com frequência esquecemos o lugar que o cristianismo ocupa como realização do passado e como degrau para o futuro, sendo esta, talvez, a razão por que se fale de um cristianismo fracassado e se espere por essa revelação espiritual que nos parece tão necessária. A não ser que seja dada ênfase a esta continuidade e ao lugar que nela ocupa a fé cristã, pode a revelação chegar a não ser reconhecida.

“Diz-se que todo país da antiguidade considerado possuidor de uma civilização, dispunha de uma Doutrina Esotérica, um sistema denominado SABEDORIA, e aqueles que se dedicavam ao Seu prosseguimento eram chamados, primeiramente, de eruditos, ou sábios... Pitágoras denominou a este sistema. . . Gnose, ou Conhecimento das coisas existentes. De acordo com a nobre designação de SABEDORIA, os antigos mestres, os sábios da Índia, os magos da Pérsia e da Babilônia, os videntes e profetas de Israel, os hierofantes do Egito e da Arábia, bem como os filósofos da Grécia e do Ocidente, abarcaram todo o conhecimento que consideravam como essencialmente divino; classificando parte como esotérico e o restante como externo” (3).

Conhecemos muito sobre o ensinamento exotérico. O cristianismo ortodoxo e teológico se fundamenta nele, assim como todas as formulações ortodoxas das grandes religiões; entretanto, quando se despreza a instrução sobre a sabedoria interna e se ignora o aspecto esotérico, desaparecem o espírito e a experiência prática viva. Ocupamo-nos dos detalhes de forma externa da fé e nos esquecemos, lamentavelmente, do significado interno, que proporciona vida e salvação ao indivíduo e à humanidade. Batalhamos arduamente pelo não essencial das interpretações tradicionais, e não ensinamos o segredo e a técnica da vida cristã. Repisamos, insistentemente, sobre os aspectos doutrinários e dogmáticos, deificando a letra, enquanto a alma do homem clamava, todo o tempo, pelo espírito de vida, oculto sob a letra. Apaixonamo-nos pelos aspectos históricos da narração evangélica, pelo elemento tempo, pela exatidão verbal das numerosas traduções; não percebemos, porém, a verdadeira magnificência da realização do Cristo e o significativo ensinamento que encerra para o homem e para a humanidade. O drama de Sua vida e Sua aplicação prática às vidas de Seus seguidores se perderam de vista na indevida importância dada a certas frases que se Lhe atribuem, enquanto que o que expressou em Sua vida, e as relações que repisou e considerou implícitas em Sua revelação, foram totalmente ignoradas.

Defendemos o Cristo histórico e, na luta, perdemos de vista a Sua mensagem de amor a todos os seres. Os fanáticos discutem sobre Suas palavras e esquecem que foi “o Verbo feito carne”. Discutimos a respeito da Concepção Imaculada do Cristo, e olvidamos a verdade que a Encarnação se propõe a ensinar-nos. Evelyn Underhill assinala, em sua valiosa obra Mysticism, que “a Encarnação, que para o cristianismo popular é sinônimo do nascimento histórico e da vida terrena do Cristo, para o místico é, não somente isso, mas também um processo perpétuo, cósmico e pessoal”.

Os estudiosos dedicam sua vida a provar que toda a história consiste, unicamente, em um mito. Dever-se-ia levar em conta, no entanto, que o mito é uma crença sintetizada e um conhecimento do passado, transmitido com o fim de guiar-nos e estabelecer os fundamentos de uma revelação mais nova, formando os degraus que conduzem à verdade seguinte. Um mito é uma verdade provada e válida, que serve de ponto para transpor o abismo entre o conhecimento adquirido no passado e a verdade formulada no presente, com infinitas e divinas possibilidades para o futuro. Os antigos mitos e mistérios proporcionam uma correlativa apresentação da mensagem divina, tal como surgiu de Deus, em resposta às necessidades do homem, através das idades. A verdade de uma era converte-se no mito da seguinte, porém sua significação e realidade permanecem intocáveis, requerendo, apenas, uma nova interpretação no presente.

Assim é que somos livres para escolher e rejeitar; devemos, entretanto, exercer a escolha com os olhos abertos pela sagacidade e pela sabedoria, que são o sinal característico daqueles que penetraram, consideravelmente, no caminho de retorno. Há vida, verdade e vigor na história do Evangelho que está por ser por nós de novo aplicada. Há dinâmica e divindade na mensagem de Jesus.

Para nós, o Cristianismo é, atualmente, uma religião culminante. Ele é a maior das últimas revelações divinas. Boa parte dele, desde sua origem, há dois mil anos, acabou por ser considerada como um mito, e os claros delineamentos da história se obscureceram, a ponto de serem frequentemente considerados simbólicos. Entretanto, por trás do mito e do símbolo se encontra a realidade - uma verdade essencial, dramática e prática.

O símbolo e a forma exterior monopolizaram nossa atenção, enquanto o significado permanece obscurecido, sem afetar suficientemente, as nossas vidas. Em nossa míope análise da letra, perdemos a significação própria da Palavra. Devemos penetrar no âmago do símbolo até atingir o que ele encarna, e apartar nossa atenção do mundo das formas externas, fixando-a no das realidades internas. Keyserling refere-se a isto, nas seguintes palavras:

“O processo de transferir os níveis da letra para o significado interno, nas atitudes espirituais, pode ser explicado, de modo claro, por uma simples proposição. Consiste em “ver através” do fenômeno. Todo fenômeno vivente é, em última análise, um símbolo; pois a essência da vida é o significado. Mas todo símbolo, que é a máxima expressão de um estado de consciência, revela, em si, outra expressão mais profunda e, assim, indefinidamente, até a eternidade; porque todas as coisas, ante o sentido vinculador da vida, estão conectadas internamente e suas profundidades têm suas raízes em Deus.

“Por conseguinte, nenhuma forma espiritual pode ser considerada como a máxima expressão; todo significado, quando nele se penetra, se converte, automaticamente, em uma mera expressão da letra de outro mais profundo, tomando, daí, o antigo fenômeno, um novo e diferente significado. Assim é que, as religiões católica, protestante, católica grega, islâmica e budista, podem, em princípio, continuar sendo o que foram, no plano desta vida e, não obstante, significar algo totalmente novo”(4).

A única desculpa para o aparecimento deste livro é que ele constitui uma tentativa, no sentido de penetrar nesse significado mais profundo que subjaz nos grandes acontecimentos da vida do Cristo e para infundir renovada vida e interesse na debilitada aspiração do cristão. Se se puder demonstrar que a história revelada nos Evangelhos é aplicável, não apenas ao Personagem divino Que viveu durante algum tempo entre os homens, mas que também possui um significado e significação prática para o homem civilizado de nossos dias, ter-se-á, então, alcançado algum resultado e prestado algum serviço e ajuda. Devido à nossa evolução mais avançada e à capacidade de nos expressarmos através de estados de consciência mais finamente desenvolvidos, talvez possamos hoje captar o ensinamento com uma visão mais clara e aplicar de forma mais sábia a lição aprendida. Este grande Mito nos pertence, termo aliás que devemos empregar em seu verdadeiro e correto significado, desde que sejamos para isso suficientemente corajosos. Um mito pode-se transformar em um fato na experiência de um indivíduo, porque é um fato que se pode provar. Nós nos apoiamos nos mitos, mas devemos procurar interpretá-los à luz do momento presente. Pela experimentação autoiniciada podemos provar sua validade; através da experiência podemos estabelecê-los como forças que regulam nossas vidas; e, por sua expressão, demonstrar aos demais a verdade que encerra. Este é o tema do presente livro, que se refere, todo ele, aos fatos narrados no Evangelho, esse quíntuplo interligado mito que transmite a revelação da divindade, na Pessoa de Jesus Cristo - uma verdade eterna, tanto em seu sentido cósmico e histórico, como em sua aplicação prática para o indivíduo. O mito se divide em cinco grandes episódios, a saber:

1. O Nascimento, em Belém.
2. O Batismo, no Jordão.
3. A Transfiguração, no Monte Carmelo.
4. A Crucificação, no Gólgota.
5. A Ressurreição e a Ascensão.

A nossa tarefa consiste em desvendar seu significado e reinterpretá-los, em termos modernos.

A história do homem alcançou um ponto de crise e de culminação, devido à influência da Cristandade. Como membro da família humana, o homem chegou a um nível de integração desconhecido no passado, exceto no caso de uma seleta minoria em cada país. O homem, no dizer dos psicólogos, é um conjunto de organismos físicos, de força vital, de estados psíquicos ou condicionamentos emocionais e de reações mentais ou de pensamento. O homem está preparado para que se lhe indique sua seguinte transição, ou desenvolvimento. Ele espera que isto se realize e está alerta para agir no momento oportuno. A porta de comunicação para um mundo de dimensões e consciência superiores está aberta, de par em par. O caminho para o reino de Deus está nitidamente demarcado. Muitos entraram neste reino, no passado, e despertaram e se encontraram em um plano de existência e compreensão que, para a maioria, é um mistério impenetrável. A glória do momento presente reside em que milhares de seres humanos já se acham preparados e (se lhes dá a necessária instrução) podem ser iniciados nos mistérios de Deus. Um novo desabrochar da consciência é hoje possível. Uma nova meta surgiu e rege as intenções de muitos. Como raça, estamos definidamente encaminhados para novas experiências, para um novo conhecimento e para um mundo mais profundo de valores. O que ocorre no plano externo de experiência é sinal de um acontecimento correlato em um mundo mais sutil de significados. Para isto nos devemos preparar.

Vimos que a revelação cristã unificou em si mesma os ensinamentos do passado. Isto o próprio Cristo indicou quando disse: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir” (5) . Ele encarnou todo o passado e revelou ao homem suas mais altas possibilidades. As palavras do dr. Berdyaev, em Liberdade e o Espírito, lançam mais luz sobre o tema:

“A revelação cristã é universal, e toda a analogia que com ela existe em outras religiões é, simplesmente, uma parte dessa revelação. O cristianismo não é uma religião da mesma ordem que as outras. Como disse Schleier-Macher, é a religião das religiões. Que importância tem, se dentro do cristianismo, que se supõe ser tão diferente das outras crenças, não existe nada de original, fora da vinda do Cristo e de Sua Personalidade; não é precisamente sobre isto que se cumpre a esperança de todas as religiões?”(6) .

Cada prolongado período de tempo e cada ciclo mundial - pela amorosa bondade de Deus - terão sua religião das religiões, que sintetize todas as revelações anteriores e indique a esperança futura. A atual expectativa do mundo demonstra que estamos à beira de uma nova revelação, a qual de modo algum negará nossa divina herança espiritual, senão que à maravilha do tempo passado agregará uma clara visão do futuro, expressando aquele algo divino até agora não revelado. Por conseguinte, é possível que a compreensão de alguns dos significados mais profundos da história do Evangelho permita ao buscador moderno captar uma síntese mais ampla do tema.

Algumas dessas implicações mais profundas foram tratadas em uma obra publicada há muitos anos sob o título The Crises of the Christ, escrita por um veterano cristão, o Dr. Campbell Morgan. Tomando os cinco episódios principais da vida do Salvador, em torno dos quais toda a narrativa do Evangelho é erigida, ele os aplicou de forma geral e extensa, disseminando a compreensão de que o Cristo não só passou por essas dramáticas experiências, como também nos deixou o definido comando de “seguir Seus passos”(7). Não será admissível que esses grandes fatos verificados na experiência do Cristo - esses cinco aspectos personalizados do mito universal - venham a ter para nós, como indivíduos, um interesse além do histórico e do meramente pessoal? Não haverá possibilidade de que encarnem alguma experiência e alguma empresa iniciática, mediante a qual poderão muitos cristãos experimentarem de pronto e, assim, obedecerem ao Seu mandamento, de entrar na vida nova? Acaso não devemos todos nascer de novo, ser batizados em Espírito e transfigurados no cimo da montanha da experiência viva? Porventura não está a maioria com a crucificação pela frente, a mesma que nos conduz à ressurreição e à ascensão? E não teríamos nós interpretado essas palavras em uma acepção muito restrita, com uma implicação demasiadamente sentimental e comum, ao passo que podem indicar àqueles que estão preparados, um caminho especial e um modo mais rápido de seguir os passos do Filho de Deus? Este é um dos pontos que nos concernem e que este livro tratará de desenvolver. Se se puder descobrir este significado mais profundo; se o drama do Evangelho puder chegar a ser, de alguma maneira peculiar, o drama das almas que já estão preparadas, então poderemos ver a ressurreição das essencialidades do cristianismo e a revivificação da forma que se vai cristalizando com tanta rapidez.

Parte 2

Interessa lembrar que outros ensinamentos, além dos transmitidos pelo cristianismo, deram ênfase a estas cinco importantes crises que, quando se deseja, devem ocorrer na vida dos seres humanos que se ocupam com sua essencial divindade. Tanto os ensinamentos hindus quanto a crença budista destacaram-nas como crises evolutivas, das quais, em última instância, não poderemos escapar; e uma correta compreensão da inter-relação existente entre estas grandes religiões mundiais pode trazer, com o tempo um melhor entendimento a respeito de todas elas. A religião de Buda, embora precedendo a do Cristo, expressa as mesmas verdades básicas, porém as estabelece em termos diferentes que podem, no entanto, ajudar-nos a alcançar uma interpretação mais ampla do cristianismo.

“O budismo e o cristianismo derivam, respectivamente, de dois inspirados momentos da história: a vida do Buda e a vida do Cristo. O Buda deu Sua doutrina para iluminar o mundo; Cristo deu Sua própria vida. Cumpre aos cristãos discernirem a doutrina. Talvez, a parte mais valiosa da doutrina do Buda seja, em última análise, a interpretação de Sua vida” (8) .

Igualmente, os ensinamentos de Lao podem servir ao mesmo propósito. A religião deve vir a ser um compêndio extraído de muitas fontes e formado por muitas verdades. É lícito, entretanto, pensar que se na atualidade devêssemos escolher uma crença, poderíamos eleger o cristianismo, por esta razão específica: o problema central da vida é nos apossarmos de nossa divindade e manifestá-la. Na vida do Cristo temos o exemplo e a demonstração mais completa e perfeita, e acabada de uma divindade vivida, de maneira bem sucedida, na terra, e vivida - como todos nós devemos fazê-lo - não no recolhimento, mas no meio das tormentas e das tensões.

Expoentes de todos os credos hoje se reúnem para tratar da possibilidade de encontrarem uma plataforma de tal universalidade e verdade, que todos os homens possam unir-se em tomo dela, e na qual se possa basear a futura religião mundial. Ela talvez possa ser encontrada numa interpretação e compreensão mais clara daqueles cinco relevantes episódios e em sua relação excepcional e sobretudo prática, não só para com o indivíduo, senão para com toda a humanidade. Este conhecimento nos ligará mais estreitamente ao passado, introduzindo-nos na verdade que existia, e assinalando a nossa meta e dever imediatos que, devidamente compreendidos, permitir-nos-ão viver de maneira mais divina e servir de forma mais adequada, fazendo com que a vontade de Deus frutifique na terra. O importante é o seu significado interno e a nossa relação individual com eles.

A compreensão da unidade e, por vezes, da uniformidade do ensinamento difundido no Oriente e no Ocidente, nos proporciona valiosa aquisição para o enriquecimento de nossa consciência. Por exemplo, o quarto acontecimento da vida de Cristo - a crucificação, encontra paralelo na quarta iniciação do ensinamento oriental, denominada a Grande Renúncia. Há uma iniciação chamada, na terminologia budista, de “a entrada na corrente” e há na vida de Jesus, um episódio que designamos como o “batismo do Jordão”. A história do nascimento do Cristo em Belém tem paralelo em, praticamente, cada detalhe da vida dos mensageiros de Deus precedentes. Esses fatos comprovados deveriam, obviamente, evocar em nós o reconhecimento de que, conquanto haja muitos mensageiros, existe uma só Mensagem; mas este reconhecimento não deve, de forma alguma, negar a tarefa própria e única do Cristo, nem a função singular que veio cumprir.

Também é interessante ter em mente que estas duas destacadas Individualidades - o Buda e o Cristo - imprimiram Seu selo em ambos os hemisférios - sendo o Buda o Instrutor do Oriente e o Cristo o Salvador do Ocidente. Quaisquer que sejam as nossas conclusões pessoais a respeito de Suas relações com o Pai nos Céus ou entre Si, este fato subsiste além de toda controvérsia: Revelaram a divindade às suas respectivas civilizações e, conjuntamente, trabalharam para o benefício final da raça humana, de maneira extremamente significativa. Seus dois sistemas são interdependentes e o Buda preparou o mundo para receber a mensagem e a missão do Cristo.

Ambos encarnaram em Si mesmos certos princípios cósmicos e, por Suas obras e sacrifícios, disseminaram certos poderes divinos através da humanidade, irradiando-os sobre ela. A tarefa realizada pelo Buda e a mensagem que transmitiu, estimularam a inteligência para alcançar a sabedoria, sendo esta um princípio cósmico e uma potência divina. Em síntese, isto é o que Buda encarnou.

Todavia, o amor chegou ao mundo por intermédio do Cristo, que, com Seu trabalho, transmutou a emoção em Amor. Como “Deus é Amor”, a compreensão de que o Cristo revelou o Amor de Deus torna clara a magnitude da tarefa que empreendeu - missão que transcende os poderes de qualquer instrutor ou mensageiro que o procederam. Quando o Buda recebeu a iluminação, “deixou entrar” uma onda de luz sobre a vida humana e sobre os nossos problemas mundiais, e esta inteligente compreensão das causas da angústia do mundo Ele procurou formular nas Quatro Nobres Verdades. Estas são, como se sabe:

1. Que a existência no universo fenomênico é inseparável do sofrimento e da tristeza;

2. Que a causa do sofrimento é o desejo de viver no mundo dos fenômenos;

3. Que o cessar do sofrimento se alcança anulando todo o desejo da existência neste Universo de fenômenos;

4. Que o meio para se obter a cessação do sofrimento é percorrer o Nobre Caminho Óctuplo em que se expressam a crença reta, a intenção reta, a palavra reta, a ação reta, o viver reto, o esforço reto, o pensar reto, a concentração reta.

O Buda proporcionou uma estrutura de verdade, de dogma e de doutrina que capacitou muitos milhares de indivíduos, através dos séculos, a verem a luz. Hoje, o Cristo e Seus discípulos se ocupam (como vem fazendo há dois mil anos) com a mesma tarefa de levar a iluminação e a salvação a todos os homens; a ilusão do mundo recebeu severos golpes, e as mentes dos seres humanos estão alcançando, en masse, uma crescente clareza de pensamento. Por conseguinte, mediante a mensagem do Buda o homem pode, pela primeira vez, conhecer a causa de seu eterno descontentamento, de seu constante desagrado e insatisfação, e de sua incessante nostalgia. O homem pode aprender do Buda que a forma de libertar-se se acha no desapego, no desapaixonamento e na discriminação. Estes são os primeiros passos, no caminho para o Cristo.

Mediante a mensagem do Cristo, surgiram três conceitos gerais, na consciência racial:

Primeiro, que o indivíduo, como tal, tem o seu valor próprio. A doutrina oriental do renascimento tendeu, de um modo geral, a negar esta verdade. Havia tempo suficiente para o aperfeiçoamento do indivíduo; a oportunidade voltaria a oferecer-se indefinidamente; o processo evolutivo cumpriria sua tarefa. A humanidade poderia seguir à deriva, como um todo, com a maré, porque, finalmente, tudo se arranjaria. Daí provém a atitude generalizada no Oriente, que menospreza o valor real do indivíduo. Cristo, porém, veio e deu ênfase à ação do indivíduo, dizendo: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras” (9) .

Em segundo lugar, ofereceu-se a oportunidade a toda a raça humana de dar um enorme passo adiante, e transpor o “novo nascimento” ou receber a primeira iniciação. No próximo capítulo trataremos deste tema.

O terceiro conceito ensinado pelo Cristo continha a técnica da nova era, a qual deveria ser aplicada quando a salvação individual e o novo nascimento fossem corretamente compreendidos. Estava contido na mensagem ou no mandamento: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”(10). O esforço individual, a oportunidade grupal e a identificação recíproca constituíram a mensagem do Cristo.

No ensinamento do Buda encontram-se as três maneiras pelas quais se pode transmutar a natureza inferior e prepará-la para ser uma expressão consciente da divindade. Mediante o desapego, o homem aprende a apartar a sua consciência e interesse das coisas dos sentidos e ficar surdo aos chamados da natureza inferior. O desapego impõe ao homem um novo ritmo. Mediante a lição do desapaixonamento, ele se torna imune ao sofrimento próprio da natureza inferior, na medida em que desliga seu interesse das coisas secundárias e do não essencial e o centra nas realidades superiores. Mediante a prática da discriminação, a mente aprende a selecionar o bom, o belo e o verdadeiro. Estes três procedimentos, levando a uma mudança de atitude em relação à vida e à realidade, quando levados a efeito sensatamente, proporcionam a regra da sabedoria e preparam o discípulo para a vida crística.

Após esse ensinamento transmitido à raça humana, segue-se o trabalho do Cristo para com a humanidade, dando como resultado a compreensão do valor do indivíduo e seus esforços autoiniciados, no sentido de alcançar a libertação e a iluminação, tendo como objetivo final o amor e o bem grupais. Aprendemos a aperfeiçoar-nos, de acordo com o mandamento de Cristo “sede vós, pois, perfeitos” (11) , a fim de poder contribuir com alguma coisa em benefício do grupo e para servir ao Cristo, com perfeição. Daí, essa realidade espiritual, de que falava São Paulo, “Cristo em vós, esperança é de glória” (12), que se libera no homem e pode manifestar-se em toda a sua plenitude. Quando um número suficiente de pessoas haja captado este ideal, a inteira família humana poderá postar-se, pela primeira vez, frente ao portal que leva à Senda de Luz, e a vida crística florescerá no reino humano. Então a personalidade se desvanecerá, obscurecida pela glória da alma que, como o sol nascente, dissipa as trevas, revela a situação da vida e ilumina a natureza inferior. Consequentemente, chega-se à atividade grupal, e o eu, como em geral é concebido, se desvanece. Isto já está ocorrendo. O resultado final da tarefa do Cristo está representado em Suas próprias palavras, encontradas no Evangelho de São João, capítulo 17, e seria de valor lê-las.

Individualidade, Iniciação e Identificação - eis os termos em que se pode expressar a mensagem de Cristo. Isto foi por Ele resumido quando na terra, nas palavras: “Eu e o Pai somos um”(13). Essa grandiosa Individualidade, o Cristo, pelo processo das cinco grandes Iniciações, mostrou-nos as etapas e método, pelos quais se pode chegar à identificação com Deus. Este parágrafo proporciona a nota fundamental de todo o Evangelho, e constitui o tema deste livro.

A inter-relação entre o trabalho do passado e do presente, tal como foi estabelecido pelo grande Instrutor do Oriente e pelo Salvador do Ocidente, pode-se expressar da forma seguinte:

O Buda O Método Desapego. Desapaixonamento. Discriminação
O Cristo O Resultado Individualismo. Iniciação. Identificação

Cristo viveu Sua vida na pequena, porém significativa faixa de terra a que denominamos Palestina - a Terra Santa. Veio provar-nos a possibilidade da realização individual. Surgiu (como parece terem surgido todos os Instrutores, no transcurso das idades) do Oriente e trabalhou nessa região que se ergue como uma ponte entre os hemisférios oriental e ocidental, separando duas civilizações sobremodo distintas. Os pensadores modernos fariam bem em recordar que o cristianismo é uma religião que serve de ponte, e nisto reside sua grande importância. O cristianismo é a religião daquele período de transição que vincula a era da existência individualista, autoconsciente, a um futuro mundo unificado, de consciência grupal. É, de forma relevante, uma religião de separações, que demonstra ao homem sua dualidade, estabelecendo as bases para que realize o esforço necessário, no sentido de conquistar sua unidade ou unificação. A conscientização desta dualidade é uma etapa imprescindível no desenvolvimento do homem, e o propósito do cristianismo tem sido revelar esta característica; assim como, assinalar a luta entre o homem inferior e o superior; entre o homem carnal e o espiritual, unidos em uma só pessoa, afirmando a necessidade de que o homem inferior seja salvo pelo homem superior. Isto disse São Paulo, em termos que nos são tão familiares: “... para criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, assim fazendo a paz; e reconciliar ambos com Deus em um só corpo, matando com ela a inimizade” (14). Tal foi a divina missão do Cristo, e esta é a lição do relato do Evangelho. Por conseguinte, Cristo não somente unificou em Si mesmo “a lei e os profetas” do passado, como também nos transmitiu uma verdade, que poderia lançar uma ponte sobre o abismo existente entre a crença e a filosofia do Oriente e o nosso materialismo e conquistas científicas ocidentais, sendo, ambos, expressões divinas da realidade. Ao mesmo tempo, o Cristo demonstrou aos seres humanos a perfeição da tarefa que cada homem podia realizar dentro de si mesmo, unindo essa essencial dualidade constituída por sua natureza e produzindo a unificação do humano com o divino, tarefa em prol de cuja realização devem trabalhar todas as religiões. Cada um de nós deve “criar de dois um novo homem, fazendo, assim, a paz”, porque paz é unidade e síntese.

Entretanto, a lição e a mensagem que o Cristo trouxe ao homem, como indivíduo, também o fez para as nações, apresentando-lhes a esperança de uma futura unidade e paz mundiais; Ele veio no começo da era astronômica denominada “era de Piseis”, porque, durante esse período de dois mil anos, aproximadamente, nosso sol passa pelo signo zodiacal de Piseis, ou Peixes. Daí, as frequentes referências aos peixes, e o aparecimento do símbolo do peixe na literatura cristã, incluindo o Novo Testamento. Esta era de Piseis recai entre a anterior dispensação judaica (os dois mil anos em que o sol passou pelo signo de Áries, o Carneiro) e a era de Aquário, na qual o nosso sol está agora começando a transitar. Estes são fatos astronômicos, porém aqui não vou tratar de conclusões astrológicas. No período em que o sol estava em Áries, encontramos frequentes alusões ao carneiro, ou seja, a vítima propiciatória, nos ensinamentos do Antigo Testamento e na celebração da festividade da Páscoa. Na era cristã, empregamos a simbologia do peixe, até o ponto de comer pescado na sexta-feira Santa. O símbolo da era de Aquário, segundo se estabelece em todos os antigos zodíacos, apresenta um homem conduzindo um cântaro de água. A mensagem desta era é de unidade, comunhão e nosso relacionamento como irmãos, porque todos somos filhos do mesmo Pai. A esta era se referiu o Cristo, nas instruções que deu a Seus discípulos, quando os enviou à cidade, dizendo- lhes: “Eis que, quando tiverdes entrado na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar” (15). Assim o fizeram e, mais tarde, se realizou nesta casa a grande e sagrada festa da comunhão. Refere-se, sem lugar a dúvidas, a um período futuro, em que se entrará na casa zodiacal chamada “o portador de água”, onde todos nos sentaremos à mesma mesa e tomaremos uma recíproca comunhão. A dispensação cristã ocorre entre os dois grandes ciclos mundiais e, assim como o Cristo consumou, em Si mesmo, a mensagem do passado e deu o ensinamento para o presente, também assinalou esse futuro de unidade e compreensão, que constitui a nossa meta inevitável. Estamos, hoje, ao final da era pisciana e já entramos no período da unidade aquariana, que Ele nos antecipou. O “aposento superior” é um símbolo do alto ponto de realização em direção ao qual marchamos como raça, aceleradamente. Algum dia, celebrar-se-á a grande Cerimônia da Comunhão, da qual é um prenúncio todo e qualquer ritual de comunhão. Estamos entrando, lentamente, neste novo signo. Durante mais de dois mil anos, suas potências e forças atuarão sobre a raça e estabelecerão os novos tipos, fomentarão as novas expansões de consciência e conduzirão o homem a uma realização prática da fraternidade.

É interessante observar como as energias que atuaram sobre o nosso planeta quando o sol estava em Áries, o Carneiro, produziram na simbologia religiosa a influência da cabra ou do carneiro, e como, em nossa presente era de Piseis, os Peixes, essas influências matizaram nossa simbologia cristã, a ponto de o peixe ocupar lugar preponderante no Novo Testamento e em nossa simbologia escatológica. Os novos raios, energias e influências entrantes devem, com toda a segurança, estar destinados a produzir iguais efeitos, não somente no campo dos fenômenos físicos, como também no mundo dos valores espirituais. Os átomos do cérebro humano estão “despertando”, como nunca, e os milhões de células que, segundo se diz, estão inativas e adormecidas nele, podem ser postas em atividade, produzindo essa percepção intuitiva que permitirá o reconhecimento da futura revelação espiritual.

Hoje, o mundo está se reorientando para novas influências, e, devido aos processos de reajuste, torna-se inevitável um caos temporário. O cristianismo não será substituído, mas transcendido. Seu trabalho preparatório será realizado com êxito e o Cristo nos dará, outra vez, a próxima revelação da divindade. Se o que agora sabemos de Deus é tudo o que se pode chegar a saber, a divindade de Deus seria, então, algo limitada. Quem nos pode dizer qual será a nova formulação da verdade? Todavia, a luz está penetrando, gradativamente, nos corações e nas mentes dos homens e, na claridade desta luminosa radiação, eles visualizarão as novas verdades, obtendo um novo enunciado da sabedoria antiga. Mediante a lente da mente iluminada, o homem verá, de pronto, aspectos da divindade até aqui ignorados. Não existem, porventura, qualidades e características da natureza divina que tenham permanecido até hoje inteiramente desconhecidas e que são ainda irreconhecíveis? Não deve haver revelações de Deus, sem precedente algum, para as quais não temos sequer palavras ou meios de expressão adequados? Os antigos mistérios que, dentro em breve, serão restaurados, devem voltar a ser interpretados à luz do cristianismo, readaptando-se de modo a satisfazer as modernas necessidades, porque agora já podemos penetrar no Lugar Sagrado, como homens e mulheres inteligentes e não como crianças meramente espectadoras de histórias e acontecimentos dramáticos nos quais, como indivíduos, não tomamos parte, conscientemente. O Cristo desempenhou, para nós, o drama das cinco iniciações, instando-nos a seguir Seus passos. A era passada nos preparou para isto e, agora, podemos entrar, inteligentemente, no reino de Deus, pelo processo da iniciação. O fato de que o Cristo histórico haja existido e caminhado sobre a terra, é a garantia da nossa própria divindade e do nosso êxito final. O fato da existência do Cristo mítico, que aparece sucessivamente, através das idades, prova que Deus nunca permaneceu sem testemunho, existindo sempre os que alcançaram a realização. O fato, do Cristo cósmico, manifestado com o anelo de lograr a perfeição, em todos os reinos da natureza, prova a realidade de Deus e é a nossa eterna esperança. A humanidade se encontra ante os portais da iniciação.

Parte 3

Sempre existiram templos, mistérios e lugares sagrados onde o verdadeiro aspirante podia encontrar o que buscava, assim como a necessária instrução sobre o caminho que deveria seguir. Disse um velho profeta:

“. . . e haverá ali um alto caminho, um caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, mas será para aqueles; os caminhantes, mesmo os loucos, não errarão” (16).

É um caminho que vai de fora para dentro. Revela, passo a passo, a vida oculta em cada forma e símbolo. Prescreve ao aspirante certas tarefas que o levam à compreensão, produzindo uma integração e sabedoria que devem preencher as necessidades mais prementes. O aspirante passa da etapa da busca para aquela que os tibetanos chamam de “o conhecimento reto”. Nesse caminho, a visão e a esperança cedem lugar à conscientização. Recebe-se uma iniciação após outra, cada uma levando o iniciado a um ponto mais próximo da meta da total unidade. Aqueles que assim empenharam, sofreram e realizaram esta caminhada, no passado, formam uma longa cadeia que se estende, desde o passado mais remoto até os nossos dias, pois os iniciados permanecem conosco e a porta permanece ainda aberta, de par em par. Por intermédio desta cadeia de feitos heroicos, os homens são elevados, degrau a degrau, pela longa escada que vai da terra ao céu, para, finalmente, se postarem ante o Iniciador e descobrir, nesse transcendente momento, que é o Próprio Cristo Que lhes dá as boas-vindas - o Amigo familiar Que os havendo preparado com o exemplo e o preceito, agora os leva à presença de Deus. Tal tem sido a experiência uniforme por que passaram os buscadores, ao longo do tempo. Rebelando-se, no Oriente, contra a roda do renascimento, com seu constante e renovado sofrimento, associado à dor; ou rebelando-se no Ocidente, contra a aparente e monstruosa injustiça de uma vida dolorosa que o cristão a si próprio atribui, os homens por isso mesmo se têm voltado para o próprio íntimo a fim de descobrir a luz, a paz e a libertação, tão ardentemente desejadas.

O Cristo nos dá um quadro definido de todo o processo na própria história de Sua vida, construída sobre as iniciações maiores que constituem nossa herança universal e a gloriosa (e para muitos) oportunidade imediata. Estas iniciações são:

1. O Nascimento em Belém, para o qual Cristo chamou Nicodemos, dizendo: “o que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (17).

2. O Batismo no Jordão. Este é o batismo a que se referia João, o Batista, acrescentando que o Batismo do Espírito Santo e do fogo dever-nos-ia ser administrado pelo Cristo (18).

3. A Transfiguração. Ali, pela primeira vez, a perfeição é demonstrada e a divina possibilidade de sua realização é comunicada aos discípulos. Surge o mandamento: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. (19)

4. A Crucificação. No Oriente, é designada como a Grande Renúncia, com sua lição do sacrifício e seu chamamento à morte da natureza inferior. Esta era a lição que S. Paulo conhecia e o objetivo pelo qual lutava. “Cada dia morro”, dizia, porque só na prática de sobrepor-se à morte de cada dia, pode-se enfrentar e resistir à Morte final. (20)

5. A Ressurreição e Ascensão, o triunfo final, que capacita o iniciado a enunciar e saber o significado das palavras: “Onde está, ó morte, teu aguilhão? Onde está, ó sepulcro, tua vitória?” (21)

Tais são os cinco grandes e dramáticos acontecimentos dos mistérios. Tais são as iniciações, pelas quais todos os homens deverão passar, algum dia. A humanidade se encontra, hoje, na senda probacionária. O caminho da purificação é percorrido pelas massas e estamos em processo de purificar-nos do mal e do materialismo. Quando este processo for concluído, muitos estarão preparados para receber a primeira das iniciações e passar pelo novo Nascimento. Os discípulos do mundo estão se preparando para a segunda iniciação - O Batismo e, para isto, devem purificar a natureza emocional de desejos, dedicando-a à vida da alma. Os iniciados do mundo enfrentam a iniciação da Transfiguração. O controle da mente e a correta orientação para o domínio da alma, com a completa transmutação da personalidade integrada, é o que os espera.

Espalham-se, hoje, muitas estultices a respeito das iniciações, existindo no mundo muitas pessoas convencidas de que são iniciadas. Esquecem-se de que iniciado algum assim se proclama, ou fala de si mesmo. Aquele ao jactar-se em ser iniciado, o nega ao fazê-lo. Ensina-se aos iniciados e discípulos a serem inclusivos em seus pensamentos, e não separatistas em suas atitudes. Nunca se apartam do restante da humanidade para afirmar sua condição e assim se colocarem por suas próprias mãos sobre um pedestal. Tampouco os requisitos a cumprir, tais como se estabelecem em muitos livros esotéricos, são tão simples como se apresentam. Por sua leitura, poder-se-ia crer que, desde o momento em que o aspirante adquira certo grau de tolerância, bondade, devoção, simpatia, idealismo, paciência, perseverança, haja preenchido as principais condições. Estas coisas, em realidade, são as essencialidades primordiais; a essas qualidades, porém, devem-se juntar uma compreensão inteligente e um desenvolvimento mental que levem a uma sã e esclarecida colaboração com os planos atinentes à humanidade. O que requer é o equilíbrio da mente e do coração e o intelecto deve ter seu complemento e expressão no amor e através do amor. Isto exige uma redefinição extremamente cuidadosa. O Amor, o sentimento e a devoção se confundem, frequentemente. O amor puro é um atributo da alma e é todo-abrangente, e é no amor puro que reside, precisamente, a nossa relação com Deus e com os nossos semelhantes. “Porque o amor de Deus é mais amplo que a mente do homem, e o coração do Eterno é maravilhosamente bondoso”, diz um antigo hino, e assim se expressa esse amor, que é o atributo da Deidade e, também, o atributo oculto de todo filho de Deus. O sentimento é emocional e inconstante; a devoção pode ser fanática e cruel; porém o amor une e amalgama, compreende e interpreta, sintetizando toda forma de expressão, todas as causas e todas as raças, em um ardente coração de amor, que não sabe de separações, nem de divisões, nem de desarmonias. A realização desta divina expressão em nossa vida cotidiana, exige o máximo do que existe em nós. Ser um iniciado importa em utilizar todo o poder de cada um dos aspectos de nossa natureza. Não é, de modo algum, tarefa fácil. Enfrentar as provas inevitáveis, com que fatalmente nos defrontaremos ao palmilhar a senda que Cristo percorreu, requer excepcional valor. Para colaborar com o Plano de Deus, sábia e sensatamente, e fundir a nossa pequena vontade com a Vontade divina, é preciso pôr em atividade não somente o mais profundo amor de nosso coração, como também as mais agudas decisões da mente.

A iniciação deve ser encarada como uma grande experimentação. Houve época, talvez, quando se instituiu este processo de desenvolvimento, em que foi possível restabelecer na terra certos processos internos, conhecidos, à época, só de uns poucos. Na ocasião, o aspecto interno pôde ser apresentado em forma simbólica para instrução dos “pequenos”, aquela instrução que, mais tarde, pôde ser abertamente ministrada e expressa para nós, na terra, pelo filho de Deus, o Cristo. A iniciação é um processo vivo através do qual todos os que se disciplinam devidamente e cumprem voluntariamente o preceito, podem passar, observados e ajudados por esse grupo de iniciados e conhecedores que são os guias da raça, conhecidos por diversos e variados nomes, em diferentes partes do mundo e em distintas épocas. No Ocidente, Eles são chamados pelo nome de Cristo e Sua Igreja, ou designados pelo epíteto de Irmãos Maiores da Humanidade. A iniciação é, pois, uma realidade e não uma formosa visão, facilmente conquistada, como querem tantos livros esotéricos e ocultistas. A iniciação não é um processo alcançado por aquele que ingresse em certas organizações, e que só pode ser compreendido quando se entra a fazer parte de tais grupos. A iniciação nada tem a ver com sociedades, escolas esotéricas ou organizações. Tudo o que estas podem fazer é ensinar ao aspirante certas “regras do caminho”, fundamentais e bem difundidas, deixando a seu cargo compreendê-las ou não, na medida do seu interesse e grau de desenvolvimento, de modo a poder atravessar o portal, se seu equipamento e destino o permitirem. Os Instrutores da raça e o Cristo, o “Instrutor e Mestre de todos os Mestres tanto de anjos como homens”, não se interessam por essas organizações, mais do que por qualquer outro movimento no mundo, que se proponha a transmitir iluminação e verdade aos homens. Os iniciados do mundo se encontram em toda nação, igreja ou grupo onde haja homens de boa vontade, atuantes e ativos, e nos lugares em que se preste serviço de caráter mundial. Os assim chamados grupos esotéricos modernos não são os guardiães dos ensinamentos relativos à iniciação, nem é prerrogativa sua preparar o indivíduo para este desenvolvimento. A melhor instrução pode, quando muito, preparar os homens para a etapa do processo evolutivo denominado discipulado. A razão por que, lamentavelmente, isto é assim, e o motivo pelo qual a iniciação parece tão distante dos membros da maioria dos grupos que afirmam possuir visão e experiência interna dos processos iniciáticos, reside no fato de que esses grupos não têm posto a necessária ênfase na iluminação mental, que clareie, efetivamente, o caminho que conduz ao Portal de acesso ao “Lugar Secreto do Altíssimo”. Em vez disso, fizeram finca-pé na devoção pessoal aos Mestres de Sabedoria e aos condutores de sua própria organização; deram ênfase ao ensino autoritário e a certas regras de vida, não dando impulso fundamental de apoio à ainda vacilante voz da alma. O caminho em direção ao lugar da iniciação e ao Centro onde o Cristo se encontra, é o caminho da alma, aquele caminho solitário do desenvolvimento próprio, do desapercebimento de si mesmo, e da autodisciplina. É o caminho da iluminação mental e da percepção intuitiva.

A iniciação é a revelação do amor - o segundo grande aspecto da divindade, que se expressa na sabedoria. Esta expressão se manifesta em toda sua plenitude na vida do Cristo. Ele nos revelou, por inteiro, a natureza do amor essencial e nos disse que amássemos. Demonstrou o que é a divindade e, logo, determinou que vivêssemos divinamente. O Novo Testamento apresenta de três maneiras - cada vez mais progressivas, em sua definição da experiência correspondente - esta vida de desenvolvimento do vibrante amor divino, cada uma nos dando a sequencia da revelação do Cristo no coração humano. Temos, antes de tudo, a expressão: “Cristo em vós, esperança é glória”. (22) Esta é a etapa que precede e segue o novo nascimento, o Nascimento em Belém, etapa para a qual se dirigem as massas, de maneira lenta mas constante, constituindo, hoje, o objetivo imediato da maioria dos aspirantes do mundo. Em segundo lugar, temos a etapa chamada a do homem maduro em Cristo, com que se indica uma experiência ampliada da vida divina e um desenvolvimento mais profundo da consciência crística, no ser humano. Os discípulos do mundo estão agora orientados para este objetivo. Logo temos a meta da consecução a que se refere São Paulo, nos seguintes termos: “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. (23)

A iniciação é, portanto, uma série gradual e realizada de expansões de consciência; uma crescente e constante percepção da divindade e de todas as suas implicações. Muitos dos pseudoiniciados dos dias de hoje creem haver alcançado este estado porque algum guia esotérico ou vidente psíquico assim lh’o disse; no entanto, em seu foro íntimo, eles nada sabem do processo mediante o qual poderão passar (como o ensinou a maçonaria) por essa porta misteriosa, entre os dois grandes pilares, em sua busca da luz; eles não têm um conhecimento consciente daquele programa autoiniciado que deve ser seguido, em plena vigília, o qual deve ser simultaneamente conscientizado pela alma divina imanente, pela mente e pelo cérebro do homem, na vida física. Estas expansões de consciência revelam ao homem, progressivamente, a qualidade de sua natureza superior e inferior; esta conscientização é assinalada por São Paulo, tendo sido ele um dos primeiros iniciados que preencheram esta condição, sob a dispensação cristã. Leiamos o que disse acerca desta revelação da dualidade nele caracterizada:

“E eu sei que em mim, (isto é, na minha carne), não mora bem algum, pois o querer está em mim; mas não consigo realizar o bem.

“Porque, não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.

“Porque, segundo o homem interior, eu me deleito na lei de Deus;

“mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento e que me prende debaixo da lei do pecado, que está nos meus membros.

“Miserável de mim! Quem me livrará do corpo desta morte?

“Graças dou a Deus por Jesus Cristo, Senhor nosso”. (24)

Unicamente por meio da revelação do Cristo interno em cada ser humano pode realizar-se esta unificação. Só mediante o novo nascimento, o batismo do espírito e do fogo, e também pela transfiguração da natureza, pode-se encontrar a libertação e chegar-se à unidade com Deus. Só por intermédio do sacrifício da humanidade, que é a essência da crucificação, pode-se alcançar a ressurreição.

O que é verdade para o indivíduo o será, finalmente, para toda a família humana. O plano para a humanidade diz respeito ao desenvolvimento consciente do homem. Na medida em que o gênero humano cresce em conhecimento e sabedoria e que as civilizações vêm e vão, cada uma trazendo sua lição e seu elevado ponto de consecução, os homens, como grupo, se aproximam do portal que conduz à vida. Todo descobrimento moderno, todo estudo e conhecimento psicológico; toda atividade grupal e toda conquista científica, assim como todo verdadeiro conhecimento ocultista, são de natureza espiritual e servem de ajuda a essa expansão de consciência que converterá o gênero humano no grande Iniciado. Quando os seres humanos puderem alcançar, em uma grande síntese, a necessidade de entrar, de modo mais definido, no mundo dos verdadeiros significados e valores, então os mistérios serão universalmente conhecidos. Ver-se-ão os novos valores, e as novas técnicas e métodos de vida desenvolver-se-ão como resultado dessa percepção. Há sinais de que isto já esteja ocorrendo, que a destruição que ocorre à nossa volta e a derrubada das antigas instituições - políticas, religiosas e sociais - sejam preparatórias para este acontecimento. Estamos caminhando para chegar “àquilo que está dentro”, e muitas vozes assim o proclamam, nos dias atuais.

Estamos na senda da transição (poder-se-ia denominá-la de Caminho do Discipulado?), que nos levará para uma nova dimensão, para o mundo interno da realidade e da correta energia. É um mundo no qual somente o corpo espiritual pode atuar e unicamente o olho do espírito pode ver. Não o percebem aqueles que ainda não tenham despertado sua visão interna, e cuja intuição permanece adormecida. Quando o corpo espiritual começa a organizar-se e a crescer, e quando os olhos da sabedoria paulatinamente se abrem e se preparam para ver, então, realmente, se terão os indícios de que o Cristo, latente em cada filho de Deus, está começando a guiar o homem para o mundo do ser espiritual, do verdadeiro significado e dos valores essenciais. Este mundo é o reino de Deus, o mundo das almas que, quando se manifesta, constitui essa expressão da vida divina a que chamamos o quinto reino da natureza. Mas este reino não pode ser percebido por todos. É mediante o processo da iniciação que este mundo nos é revelado.

Antes de poder receber a iniciação, deve-se captar o significado das ideias que acabam de ser expostas, pressupondo-se, necessariamente, certos grandes desenvolvimentos. Estes requisitos podem ser vistos atuando na vida de cada discípulo da atualidade e para os que têm olhos de ver, promovendo efetivas mudanças na raça.

A aspiração é um requisito fundamental, tanto para o indivíduo como para a raça. Hoje, a humanidade aspira a grandes alturas, e tal aspiração é responsável pelos grandes movimentos nacionais que se verificam em tantos países. Ao mesmo tempo, os discípulos individuais estão, novamente, se esforçando para alcançar a iluminação, impulsionados pelo desejo de satisfazer às necessidades do mundo. O egoísmo espiritual, que foi uma característica dos aspirantes do passado, deve ser transcendido e transmutado em amor ao próximo, e em “participação nas aflições do Cristo”. (25) Deve-se perder de vista o eu, no serviço, este mesmo serviço que está se convertendo, rapidamente, na nota-chave da época e em um dos incentivos do esforço racial. Enfrentar o desastre e sofrer dolorosas experiências sempre foi a sina do discípulo individual. Está se tornando óbvio que o discípulo mundial, a própria humanidade, considera-se, agora, digna de tal prova. Esta universalidade das dificuldades, em todos os setores da vida humana, sem excluir grupo algum, indica que a humanidade inteira está se preparando para a iniciação. Existe um propósito subjacente em tudo o que ocorre. As dores de parto do Cristo, dentro da raça, já começaram e o Cristo nascerá na “Casa do Pão” (que é o significado da palavra Belém). As implicações das atuais dores e sofrimento mundiais são tão evidentes que se tornam desnecessárias maiores explicações. Há um propósito que subsiste em todos os acontecimentos mundiais, na atualidade, e há uma justa recompensa no final da jornada. Algum dia, mais depressa de que muitos creem, abrir-se-ão, amplamente, ante o sofredor discípulo mundial, os portais da iniciação (como se abriram, no passado, para o indivíduo) e a humanidade entrará em um novo Reino, permanecendo diante daquela misteriosa Presença, Cuja luz e sabedoria brilharam diante do mundo por intermédio da Pessoa do Cristo e Cuja voz se ouviu em cada uma das cinco crises pelas quais Cristo passou. Então o gênero humano penetrará no mundo das causas e do conhecimento. Habitaremos o mundo interno da realidade e a aparência externa da vida física será conhecida como somente simbólica das condições e acontecimentos internos. Ocasião em que começaremos a trabalhar e a viver como os iniciados nos mistérios e as nossas vidas serão reguladas segundo os ditames do reino da realidade, onde o Cristo e Seus Discípulos de todos os tempos (a Igreja invisível) guiam e controlam os acontecimentos humanos.

A meta a que Eles têm em vista e o fim para que trabalham foram sintetizados em um comentário referente a uma antiga escritura tibetana.

O texto é o seguinte:

“Todo o belo e todo o bem, assim como o que promove a erradicação da dor e da ignorância na terra, devem devotar-se à Grande Consumação. Então, quando os Senhores da Compaixão hajam civilizado, espiritualmente, a terra, e feito dela um Céu, revelar-se-á aos Peregrinos a Senda Infinita, que leva até o coração do universo. O homem já não será homem; haverá transcendido sua natureza e, impessoal, contudo conscientemente, em unidade com todos os Seres Iluminados, ajudará a cumprir a Lei da Evolução Superior, da qual o Nirvana só é o começo”. (26)

Tal é a nossa meta, o nosso glorioso objetivo. Como avançar rumo à sua coroação? Qual o primeiro passo que devemos dar? Nas palavras de um poeta desconhecido:

“Quando puderes ver
através da aparência externa,
as causas que iniciam todos os efeitos;
quando puderes sentir o amor de Deus,
no cálido afluxo da luz do sol,
envolvendo a terra inteira,
então saibas que estarás iniciado nos Mistérios,
que os sábios sempre consideraram de maior valor”.

_____________

Notas:

(1) - Citado por N. Kingsland, em Religion in lhe lighl of Teosophy. (14) - Efésios, 2: 15, 16, Leitura marginal.
(2) - Hebreus, 5:8. (15) - Lucas, 22: 7, 10.
(3) - The Secret Doctrine, de H. P. Blavatsky, vol. III pág. 55. (16) - Isaías, 35:8, Leitura Marginal.
(4) - The Recovery of Truth, por Hermann Keyserling, págs. 91-92. (17) - João, 3:3.
(5) - Mateus, 5:17. (18) - Mateus, 5:48.
(6) - Freedom and the Spirit, por Nicholas Berdyaev, págs. 88, 89. (19) - Mateus, 5:48.
(7) - I, Pedro, 2:21. (20) - I Coríntios, 15:31.
(8) - Religion in the Making, de A. N. Whitehead, pág. 55. (21) - I Coríntios, 15:55.
(9) - Mateus, 5:16. (22) - Colossenses, 1:27.
(10) - Mateus, 19:19. (23) - Efésios, 4:13.
(11) - Mateus, 5:48. (24) - Romanos, 7:18,25.
(12) - Colossenses, 1:27. (25) - Filipenses, 3:10.
(13) - João, 10:30. (26) - Tibetan Yogas and Secret Doctrine, de W.Y.Evans — Wentz, pág. 12.

Início