Livros de Alice Bailey
Problemas da Humanidade
PREFÁCIO - INTRODUÇÃO
A primeira edição deste livro, publicada em 1947, continha capítulos sobre sete problemas básicos da humanidade, escritos e publicados sob a forma de um panfleto entre outubro de 1944 e dezembro de 1946. Eles lidavam essencialmente com as condições existentes durante e imediatamente após os anos de guerra, de 1939 a 1945. Em 1953 uma segunda edição foi publicada, que omitia certos assuntos tornados obsoletos, em especial o primeiro capítulo, sobre a reconstrução física do mundo, assim reduzindo os temas do livro a seis problemas de contínua preocupação para o mundo lentamente se recuperando dos drásticos efeitos da moderna guerra total.
Em 1964 o livro foi novamente revisado e publicado numa edição em brochura. Desde 1953, muito progresso foi feito pela humanidade no âmbito desses seis problemas e muitas mudanças práticas ocorreram durante esse período, tornando partes do livro original uma vez mais, obsoletas. Em alguns casos, também a natureza dos problemas se modificou. Por exemplo, o problema das crianças do mundo ainda existe na maior parte do mundo, mas numa forma diferente e sob diferentes condições daquelas que prevaleciam no período imediatamente de após guerra, particularmente na Europa. Os problemas do capital, trabalho e emprego também diferem hoje, num mundo cada vez mais automatizado e computadorizado. Mudanças estão ocorrendo em muitas áreas cristalizadas e reacionárias de ortodoxia e separatividade religiosas, criando novos problemas nas igrejas.
Comentários similares podem ser feitos a respeito de todos esses problemas, com o fato acrescentado que novos problemas estão surgindo sob as atuais condições que são variações e extensões dos seis básicos problemas discutidos nesse livro. Por conseguinte, quando em 1967 nos deparamos novamente com a necessidade de reeditar o livro, nos demos conta que se apresentavam duas alternativas; uma, a de revisar e atualizar o livro, o que, para todos os fins e propósitos cortaria o texto original até a raiz e fraudaria até a estrutura dados relativos a fatos e à informação suprida por outros escritores; ou outra, reeditar o livro tal como estava, porque seu ensinamento básico sobre todos esses problemas ainda é tão evidente, tão dinâmico e tão necessário quanto era quando originalmente escrito. E foi essa segunda alternativa que decidimos seguir.
É importante, contudo, que os que estudarem o livro tenham presente sua história de tal forma que o ensinamento essencial possa ser reconhecido e absorvido e os fatores irrelevantes ignorados. Os princípios espirituais a serem aplicados aos problemas da humanidade tais como discutidos nesse livro são válidos hoje e permanecem em grande parte ignorados pela maior parte da humanidade. A contribuição dos estudantes esotéricos ao criarem "o pensamento-forma da solução" dos problemas da humanidade em um mundo no ponto de crise é um serviço prático e vital.
INTRODUÇÃO
Seria essencial que todas as pessoas pensantes dessem tempo e pensamento à consideração dos principais problemas mundiais com que agora nos deparamos. Alguns deles podem ser resolvidos com relativa rapidez - desde que se use o bom senso e um interesse pessoal corretamente apreciado; outros exigirão um planejamento antecipado e grande paciência, à medida que os necessários passos sejam dados, um a um, conduzindo ao reajustamento dos valores humanos e à inauguração de novas atitudes de mente com relação às corretas relações humanas. No reconhecimento do crescimento na consciência humana e numa conscientização da distinção obviamente existente entre os homens primitivos e nossa moderna humanidade inteligente estão as bases para um otimismo inabalável quanto ao destino humano.
Os acontecimentos no primeiro plano imediato não apagam a longa história do desenvolvimento humano nem obliteram o reconhecimento das mudanças de longo alcance que tiveram lugar na consciência humana; essas, basicamente condicionam objetivos humanos, todos os contatos humanos e sublinham com a compreensão e perspectiva as reações da raça dos homens.
Os lentos e restritivos movimentos das raças primitivas da humanidade deram lugar à velocidade e ao movimento rápido (o quase inacreditável rápido movimento) e às facilidades de transporte do avião. Os sons grosseiros e o vocabulário limitado das raças primitivas evoluíram para os intrincados sistemas de linguagem das nações atuais; os vários modos de comunicação primitiva por meio de tambores ou fogueiras foram substituídos pelo telégrafo, pelo telefone e o rádio; o barco escavado dos ilhéus incivilizados evoluiu até os "greyhounds" do mar, (os "galgos", como são chamados por sua velocidade - N.do T.) singrando de porto a porto sob a força mecânica e no espaço de uns poucos breves dias; os primitivos modos lentos de viajar à pé, à cavalo ou de carruagem, foram substituídos pelos trens, se deslocando velozmente através de continentes inteiros na velocidade de setenta milhas por hora ou mais. As primitivas e simples civilizações foram seguidas pela intrincadas e altamente organizada civilização social, econômica e política, dos tempos modernos. A cultura de todos os tempos, as artes, a literatura, a música e a filosofia de todo o tempo estão hoje à disposição do cidadão comum.
Os contrastes acima proporcionam uma perspectiva e um pano de fundo que inspirarão esperança para o futuro e confiança no destino último do homem. O passado é na realidade mais como o estágio pré-natal do que como um processo vivo ordinário; é um prefácio para uma vida mais rica e mais iluminada; é um período preliminar para uma cultura e uma civilização que redundarão na glória de Deus e constituirão um testemunho vital para a divindade do homem.
Quando o processo de nascimento estiver completado, uma nova humanidade será vista ativa sobre a terra, uma nova raça dos homens - nova porque diferentemente orientada.
Há necessariamente muitos problemas menores, mas aqueles tratados neste livro cobrem os principais com os quais a humanidade atualmente se confronta, e que precisarão encontrar alguma solução durante os próximos vinte e cinco anos. Isso terá de ser feito pelo simples método (simples de escrever, mas difícil de implementar) de estabelecer corretas relações humanas entre os homens e entre as nações.
O problema espiritual imediato com o qual nós todos nos deparamos é o problema de gradualmente expelir o ódio e iniciar a nova técnica da boa vontade prática, treinada, imaginativa e criativa.
A boa vontade é a primeira tentativa do homem para expressar o amor a Deus. Seus resultados na terra serão a paz. É tão simples e prático que as pessoas não conseguem apreciar seu poder ou seu efeito científico e dinâmico. Uma pessoa que sinceramente pratique a boa vontade, numa família, pode completamente mudar suas atitudes. A boa vontade realmente praticada entre grupos em qualquer nação, por partidos políticos e religiosos em qualquer nação e entre as nações do mundo pode revolucionar o mundo.
A chave para a perturbação da humanidade (focalizada, como tem sido feito, nas dificuldades econômicas dos últimos duzentos anos e no impasse teológico das igrejas ortodoxas) tem sido tomar e não dar, aceitar e não partilhar tomar e não partilhar, tomar e não distribuir. Isso tem envolvido a ruptura de uma lei que colocou a humanidade numa posição de culpa positiva. A guerra foi a terrível penalidade que a humanidade teve de pagar por este grande pecado da separatividade. Impressões da Hierarquia foram recebidas, distorcidas, mal aplicadas e mal interpretadas e a tarefa do Novo Grupo de Servidores do Mundo é expelir esse mal.
A humanidade realmente nunca vivenciou o ensinamento que lhe foi dado. A impressão espiritual, quer a proporcionada por Cristo, quer por Krishna ou pelo Buda (e levada às massas por seus discípulos) ainda não foi expressada como se esperava. Os homens não vivenciam o que já conhecem; eles não levam à prática suas informações; eles provocam um curto circuito na luz; eles não se disciplinam; o desejo ambicioso e uma ilegítima ambição controlam, e não o conhecimento interno. Para colocar isso cientificamente e do ângulo esotérico: a impressão espiritual foi interrompida e houve interferência com o fluxo circulatório divino. É a tarefa dos discípulos do mundo restaurar esse fluxo e fazer cessar essa interferência. Este é o principal problema com que se deparam as pessoas espirituais no tempo atual.