Livros de Alice Bailey
Problemas da Humanidade
CAPÍTULO VI
O PROBLEMA DA UNIDADE INTERNACIONAL
A distribuição dos recursos mundiais e a unidade estabelecida dos povos do mundo são em realidade, uma e a mesma coisa, pois por trás de todas as guerras modernas está um problema econômico fundamental. Solvam isso e as guerras em grande parte cessarão. Ao se considerar, portanto, a preservação da paz, tal como procurada e enfatizada pelas Nações Unidas no tempo atual, torna-se imediatamente aparente que aquela paz, segurança e estabilidade mundial estão primariamente amarradas ao problema econômico. Quando haja libertação da necessidade uma das maiores causas da guerra desaparecerá. Onde há distribuição desigual das riquezas mundiais e onde há uma situação na qual algumas nações têm ou levam tudo e outras nações enfrentam a falta do que é necessário à vida, é óbvio que haverá um fator que alimentará os distúrbios e que algo terá de ser feito. Portanto sob o ângulo do problema econômico deveríamos lidar em primeiro lugar com a unidade mundial e a paz.
Com a cessação da Segunda Guerra Mundial, surgiu a oportunidade de se inaugurar uma maneira de viver nova e melhor, e de se estabelecer aquela segurança e paz pela qual todos os homens anseiam incessantemente. Três grupos logo surgiram no mundo:
1. Os grupos poderosos, reacionários e conservadores, desejosos de reter do passado tanto quanto possível, tendo grande poder e nenhuma visão.
2. Os de ideologia fanática em cada pais, comunistas, democratas e fascistas.
3. As massas inertes de pessoas em todos os países, ignorantes, na maior parte, desejando somente a paz depois da tempestade e a segurança em lugar do desastre econômico; são as vítimas de seus governantes, pelas condições estabelecidas desde muito tempo antes, e mantidas nas trevas quanto à verdade da situação mundial.
Todos esses fatores produzem as atuais desordens e condicionam as deliberações das Nações Unidas. Embora não haja grandes conflitos, não há paz, nem segurança, nem imediata esperança de qualquer uma delas.
É essencial para a futura felicidade e progresso da humanidade, que não haja retorno aos velhos caminhos, seja o político, o religioso ou o econômico. Portanto, na manipulação desses problemas, deveríamos expulsar as condições erradas que trouxeram a humanidade a seu presente estado de quase cataclísmico desastre. Tais condições foram o resultado das crenças religiosas que não progrediram em sua maneira de pensar durante centenas de anos; de sistemas econômicos que deram ênfase à acumulação de riquezas e posses materiais e que deixam todo o poder e a produção da terra nas mãos de relativamente poucos homens, enquanto que o resto da humanidade luta por uma escassa subsistência; e de regimes políticos conduzidos pelos indivíduos corruptos, de mentalidade totalitária, os ambiciosos e os que amam o poder e as posições mais do que a seus semelhantes.
É essencial que deveria haver uma apresentação dessas coisas em termos do bem-estar espiritual da humanidade e uma interpretação mais próxima da verdade, do significado da palavra "espiritual". O tempo em que uma linha de demarcação podia ser traçada entre o mundo religioso e o mundo político e econômico já ficou para trás há muito tempo. A razão pela qual existem políticos ambiciosos e o planejamento tão ambicioso em tantos dos homens que lideram o mundo pode ser encontrada no fato que os homens e mulheres de mentalidade espiritual ainda não assumiram - como seu dever e responsabilidade espirituais - a liderança do povo. Eles deixaram o poder em mãos erradas e permitiram que o egoísta e o indesejável assumissem a liderança.
A palavra "espiritual" não pertence às igrejas nem às religiões mundiais. "Religião pura e incorruptível" é pura caridade e um modo não egoísta de seguir o Cristo. As igrejas são grandes sistemas capitalistas, particularmente a Igreja Católica Romana, e mostram pouca evidência da mentalidade que existia no Cristo. As igrejas tiveram sua oportunidade, mas fizeram pouco para mudar os corações humanos ou para beneficiar os povos. Agora, sob a lei cíclica, as ideologias políticas e nacionais e o planejamento internacional estão ocupando a atenção das pessoas e em toda parte estão sendo feitos esforços para melhorar as relações humanas. Isto, aos olhos das pessoas de mentalidade espiritual e do trabalhador iluminado que age pela humanidade, é um sinal de progresso e uma indicação da divindade inata no homem. É verdadeiramente espiritual aquilo que relaciona o homem ao homem e o homem a Deus de maneira apropriada e que também se demonstra num mundo melhor pela expressão das Quatro Liberdades em todo o planeta. Por elas o homem espiritualizado deve trabalhar.
O Reino de Deus inaugurará um mundo que será uno e no qual haverá a conscientização de que - politicamente falando - a humanidade como um todo, é de muito maior importância do que qualquer nação; será uma nova ordem mundial, construída sobre diferentes princípios que os do passado, pelo qual os homens levarão a visão espiritual para seus governos nacionais, para seu planejamento econômico e para todas as medidas tomadas para garantir a segurança e corretas relações humanas. A espiritualidade é essencialmente o estabelecimento de corretas relações humanas, a promoção da boa vontade e finalmente o estabelecimento de uma verdadeira paz na Terra, como resultado dessas duas expressões da divindade.
O mundo hoje está cheio de vozes belicosas; por toda parte há um grito de protesto contra as condições mundiais; tudo está sendo desmascarado; os abusos estão sendo denunciados pelos telhados, como o Cristo profetizou que iria acontecer. A razão de todos esses protestos, discussão e ruidosa crítica é que, à medida que os homens despertam para os fatos e começam a pensar e planejar, eles ficam conscientes das culpas dentro deles mesmos; suas consciências os perturbam; eles ficam conscientes da desigualdade das oportunidades, dos graves abusos, das diferenças intransponíveis entre homem e homem, e o fator das discriminações raciais e nacionais; eles questionam seus próprios objetivos individuais da mesma maneira que o planejamento nacional. As massas dos homens em todos os países estão começando a se dar conta de que eles são grandemente responsáveis pelo que está errado, e que sua atitude inerte e falta de correta ação e correto pensar conduziram à atual condição infeliz dos assuntos mundiais. Isso constitui um desafio e nenhum desafio jamais é totalmente bem recebido.
O despertar das massas e a determinação das forças reacionárias e dos interesses monetários em preservar o velho e combater o novo são grandemente responsáveis pela presente crise mundial. A batalha entre as forças velhas, entrincheiradas, e o novo idealismo emergente, constitui o problema hoje; outros fatores - ainda que importantes, individual ou nacionalmente - são, do ponto de vista real e espiritual, relativamente desprezíveis.
A unidade, a paz e a segurança das nações, grandes ou pequenas, não serão conquistadas por se seguir a orientação dos capitalistas vorazes ou dos ambiciosos em nenhuma nação, e contudo em muitas situações essa orientação é bem aceita. Elas não serão conquistadas por se seguir cegamente nenhuma ideologia, pouco importa o quanto possa parecer boa para os que estão condicionados por ela; entretanto, há os que estão procurando impor sua particular ideologia ao mundo - e não somente na Rússia. Elas não serão alcançadas ficando sentados e deixando a mudança das condições para Deus ou para o processo evolutivo; no entanto, há os que não mexem uma palha para ajudar, mesmo sabendo muito bem as condições com as quais as Nações Unidas têm de lidar.
A unidade, a paz e a segurança virão através do reconhecimento - alcançado inteligentemente - dos males que causaram a presente situação mundial, e então, dando-se os passos sábios, cheios de compaixão e compreensão, que conduzirão ao estabelecimento de corretas relações, à substituição do atual sistema de competição por um sistema de cooperação e pela educação das massas em todos os países no que toca à natureza da verdadeira boa vontade e de sua potencialidade até agora não utilizada. Isto significará a destinação de incontáveis milhões de recursos financeiros em corretos sistemas educacionais, em vez de serem utilizados pelas forças da guerra e sua conversão em exércitos, armadas e armamentos.
É isso que é espiritual; isso é o que importa, e é por isso que todos os homens devem lutar. A Hierarquia espiritual do planeta está primariamente interessada em encontrar os homens que trabalhem segundo estas linhas. Está primariamente interessada na humanidade, tendo consciência de que os passos dados pela humanidade no futuro imediato condicionarão a nova era e determinarão o destino do homem. Será ele um destino de aniquilamento, de uma guerra planetária, de fome e pestilência mundiais, de uma nação se erguendo contra outra e de um completo colapso de tudo o que faz a vida valer à pena? Tudo isso poderá acontecer, a menos que mudanças básicas sejam feitas e feitas com boa vontade e compreensão amorosa. Então, do outro lado, poderemos ter um período (difícil, mas útil por ser educativo) de ajustamento, de concessão e de renúncia; podemos ter um período de correto reconhecimento de uma oportunidade compartilhada, de um esforço unido para conquistar corretas relações humanas, e de um processo educativo que treinará a juventude de todas as nações a atuar como cidadãos do mundo e não como propagandistas do nacionalismo. O que precisamos ver, acima de tudo - como resultado da maturidade espiritual - é a abolição daqueles dois princípios que causaram tanto mal no mundo e que se resumem em duas palavras; Soberania e Nacionalismo.
Desunião Mundial
O que, neste momento, parece impedir a unidade mundial e às Nações Unidas de chegar os pontos básicos necessários que o homem da rua aguarda tão ansiosamente? A resposta não é difícil de encontrar e envolve todas as nações: nacionalismo, capitalismo, competição, ambição cega e estúpida. Foi um nacionalismo intenso e emocional que fez a Polônia um membro tão difícil da família das nações; são o materialismo e o medo, mais uma falta de interesse espiritual, que fazem a França uma obstrucionista constante e a fizeram trabalhar contra a ação unida mundial; e uma adesão fanática a uma ideologia e uma imaturidade nacional que impulsiona tantas das iniciativas da Rússia; é um capitalismo violento que, torna os Estados Unidos uma das nações mais temidas, mais suas demonstrações do poder armado; é o rapidamente agonizante imperialismo que prejudica a Grã-Bretanha e um apego a responsabilidades e territórios que ela está começando a compreender que poderiam ser transferidos às Nações Unidas; a esperança da Grã-Bretanha está em suas tendências socialistas que a capacitam de tomar o "caminho do meio" entre o comunismo da Rússia e o capitalismo dos Estados Unidos. É a desmedida ambição das nações que escaparam da guerra que impede o progresso; são as ações tortuosas dos judeus e o ódio que cultivam que tendem também a minar a esperança da paz; é o caos na Índia e na China que complica o trabalho dos bem intencionados; é o tratamento não cristão e não democrático das pessoas negras nos Estados Unidos e na África que contribui para o fermento; são a cega inércia e falta de interesse das massas dos povos que permitem que os homens errados fiquem no poder; é o medo do resto do mundo que deixa que os líderes russos mantenham seus povos na ignorância da atitude de outras nações no mundo dos negócios; é o errado uso do dinheiro que colore a imprensa e o rádio na Grã-Bretanha e ainda mais nos Estados Unidos, assim escamoteando do povo muitas verdades; é a sublevação do trabalho em toda parte que alimenta o tumulto e causa um sofrimento desnecessário ao público; são a poderosa e desleal propaganda política internacional e a apatia das igrejas que complicam ainda mais o problema. É - acima de tudo o mais - a recusa daquele público em encarar a vida como ela é e reconhecer os fatos pelo que eles são. A massa dos homens precisa levantar-se para ver que o bem vem para todos os homens de modo igual e não apenas para uns poucos grupos privilegiados, e aprender também que "o ódio acaba não pelo ódio, mas que o ódio acaba pelo amor". Este amor não é um sentimento, mas boa vontade prática, expressando-se através dos indivíduos, nas comunidades e entre as nações.
Tal é o triste quadro do mundo de hoje e somente os cegos e os alienados o negarão. Somente uma aguda conscientização da situação e das fontes das perturbações valerão para impulsionar a humanidade a assumir as ações necessárias. Mas há ainda um outro lado do quadro e é aquele que equilibrará o mal, embora, por enquanto, não o equilibre completamente nem o expulse.
Hoje homens e mulheres em toda parte - nas posições mais altas e nas mais humildes, em cada nação, comunidade e grupo - estão apresentando uma visão das corretas relações humanas que deve constituir o padrão da futura humanidade. Em toda parte eles estão expondo os males que devem ser eliminados e estão educando incessantemente nos princípios da nova era. Estes são os homens de importância. Na política há grandes e sábios estadistas que estão tentando guiar seus povos sabiamente, mas têm por enquanto muitos obstáculos a enfrentar; destes, Franklin O. Roosevelt foi um destacado exemplo moderno, pois ele deu o melhor de si mesmo e morreu no serviço à humanidade. Há educadores esclarecidos, escritores e oradores em cada país, que estão procurando mostrar às pessoas quão prático é o ideal, quão disponível a boa vontade na humanidade e com que facilidade podem ser aplicados esses ideais quando há suficientemente homens e mulheres de boa vontade ativa no mundo para forçar tal caminho. Este é o fator de importância. Há também cientistas, médicos e agrônomos que dedicaram suas vidas à melhoria da humanidade. Há clérigos em todas as crenças que seguem sinceramente os passos do Cristo (embora não haja lideres) e que repudiam o materialismo que arruinou as igrejas; há homens e mulheres aos milhões que, no anonimato, veem o caminho verdadeiro, pensam claramente e trabalham duramente em suas comunidades para estabelecerem corretas relações humanas.
Segurança, felicidade e relações pacificas são desejadas portados. Todavia, até que as Grandes potências, em colaboração com as pequenas nações, tenham resolvido o problema econômico e se conscientizado de que os recursos da Terra pertencem não a uma nação e sim à humanidade como um todo, não haverá paz. O petróleo do mundo, a riqueza mineral, o trigo, o açúcar e os grãos pertencem a todos os homens em toda parte. Eles são essenciais à vida diária de cada homem.
O verdadeiro problema das Nações Unidas é duplo: ele envolve a correta distribuição dos recursos de modo que se alcance uma libertação da necessidade, isto é, que as pessoas se livrem de necessitar; e envolve também a conquista de uma verdadeira igualdade de oportunidade e de educação para todos, em toda parte. As nações que têm uma riqueza de recursos não são proprietárias; são guardiãs da riqueza do mundo e as guardam em confiança dos seus semelhantes. O tempo virá inevitavelmente, em que - no interesse da paz e da segurança - os capitalistas nas várias nações serão forçados a se conscientizarem disto e serão também forçados a substituírem o antigo princípio (que até agora os governou) da rapinagem, pelo princípio do compartilhamento.
Houve um tempo - há cerca de um século - em que uma justa distribuição da riqueza do mundo teria sido impossível. Isso não é verdade hoje em dia. As estatísticas existem; computações foram feitas; a investigação penetrou cada campo dos recursos da Terra e essas investigações, computações e estatísticas foram publicadas e estão ao alcance do público. Os homens no poder, em cada nação, sabem muito bem quanto alimento, recursos minerais, petróleo e outras necessidades existem para uso mundial em linhas justas e equitativas. Mas essas comodidades estão reservadas pelas nações envolvidas como "pontos de negociação e de barganha". O problema da distribuição não oferece mais dificuldades uma vez que o alimento do mundo fique livre da política e do interesse capitalista; deve-se também lembrar que os meios de distribuição pelo mar, ferrovias e pelo ar são adequados.
Nada disso ocorrerá, todavia, sem que as Nações Unidas comecem a falar em termos da humanidade como um todo em vez de falar em fronteiras, em objetivos técnicos e medos, em termos de barganhar o valor do petróleo, como no Oriente Próximo, ou na linguagem da desconfiança e da suspensão. A Rússia desconfia do capitalismo americano e -em menor grau - da Inglaterra; a América do Sul está rapidamente aprendendo a desconfiar dos Estados Unidos em termos de imperialismo; tanto a Inglaterra como os Estados Unidos desconfiam da Rússia, na base de sua palavra falada, seu uso do veto e sua ignorância do idealismo ocidental.
Entretanto, deve-se lembrar que há estadistas tanto na Rússia como nos Estados Unidos e na Inglaterra que estão procurando trabalhar pelo homem comum e falar em seu favor nos conclaves das nações. Até agora, a oposição egoísta tem tornado seu trabalho inútil e os interesses monetários em muitos países têm negado seu esforço. A Rússia não tem interesses monetários, mas ela tem vastos recursos em homens e armas e estes ela lança contra os interesses capitalistas. Assim a guerra continua, e o homem na rua aguarda sem esperança por uma decisão que conduza à paz - uma paz baseada na segurança e nas corretas relações humanas.
Para complicar ainda mais o problema, deve-se ter em mente que o Oriente e o Ocidente abordam a vida por diferentes ângulos. A abordagem oriental é negativa e subjetiva; a ocidental é positiva e científica e, portanto, objetiva. Isto é ainda mais complicado pelo fato de que também a Europa ocidental e a Europa oriental olham a Vida e os problemas modernos a partir de diferentes ângulos; isto torna a cooperação mais difícil e definitivamente complica os problemas confrontados pelas Nações Unidas. A Igreja e o Estado não se encaram com simpatia; o capital e o trabalho vivem em uma constante guerra; o homem na rua paga o preço e aguarda por justiça e liberdade.
Unidade Mundial
Não há conselho de perfeição a dar ao mundo nem qualquer solução que traga alívio imediato. Para os líderes espirituais da humanidade certas linhas de ação parecem corretas e garantir atitudes construtivas.
1. As Nações Unidas, através de sua Assembleia e Comitês, devem ser apoiadas; não há, até agora, nenhuma outra organização para a qual o homem possa apelar com alguma esperança. Portanto, ele deve apoiar as Nações Unidas, mas, ao mesmo tempo, que este grupo de lideres mundiais saiba o que é necessário.
2. O público em geral em cada nação deve ser educado nas corretas relações humanas. Acima de tudo o mais, as crianças e os jovens devem aprender sobre a boa vontade para com todos os homens, independente de raça ou credo.
3. Deve ser dado tempo para os necessários ajustamentos e a humanidade deve aprender a ser inteligentemente paciente; a humanidade deve encarar com coragem e otimismo o lento processo de construir a nova civilização.
4. Uma opinião pública inteligente e cooperativa deve ser desenvolvida em cada pais e esta constitui uma tarefa espiritual de capital importância. Isso levará muito tempo mas se os homens de boa vontade e se as pessoas espiritualizadas do mundo se tornarem genuinamente ativas, isto poderá ser feito em vinte e cinco anos.
5. O conselho econômico mundial (ou qualquer órgão que represente os recursos mundiais) deve libertar-se da política fraudulenta, da influência capitalista e de seus tortuosos esquemas; ela deve fazer com que os recursos da terra fiquem livres para o uso da humanidade. Esta será uma tarefa a longo prazo mas será possível quando as necessidades mundiais forem melhor apreciadas. Uma opinião pública esclarecida tornará as decisões de tal conselho práticas e possíveis. O compartilhamento e a cooperação devem ser ensinados em vez da rapinagem e da competição.
6. Deve haver liberdade para se viajar para toda parte e para qualquer direção e em qualquer país; por meio deste intercâmbio os membros da família humana podem chegar a se conhecer e a se apreciarem mutuamente; os passaportes e visas deveriam ser abandonados porque são símbolos da grande heresia da separatividade.
7. Os homens de boa vontade em toda parte devem ser mobilizados e postos a trabalhar; o futuro da humanidade depende de seus esforços; eles existem em seus milhões em toda parte e - quando organizados e mobilizados - representam uma vasta secção do público pensante.
Será através do firme, consistente e organizado trabalho dos homens de boa vontade em todo o mundo que a unidade mundial será conquistada. Atualmente, tais homens estão apenas no processo de se organizarem e se tornarem aptos a sentirem que o trabalho a ser feito é tão estupendo e as forças contra eles tão grandes que - no momento - seus esforços isolados são inúteis para romper as barreiras da ambição e do ódio com que se confrontam. Eles têm consciência de que não há por enquanto suficiente difusão sistematizada do princípio da boa vontade que contenha a solução para o problema mundial; não têm por enquanto uma ideia da força numérica daqueles que pensam como eles. Perguntam-se as mesmas questões que estão agitando as mentes dos homens em toda parte: Como pode ser restaurada a ordem? Como pode haver uma distribuição justa dos recursos mundiais? Como podem as Quatro Liberdades se tornarem uma realidade e não apenas um belo sonho? Como pode a verdadeira religião ser restabelecida e os caminhos da verdadeira vida espiritual governarem os corações dos homens? Como poderá ser estabelecida uma verdadeira prosperidade que resulte em unidade, paz e plenitude?
Há somente um verdadeiro caminho e há indicações de que é um caminho para o qual muitos milhões de pessoas se estão voltando. Unicidade e corretas relações humanas -individuais, comunitárias, nacionais e internacionais - podem ser obtidas pela ação unida dos homens e mulheres de boa vontade, em cada país.
Esses homens e mulheres de boa vontade devem ser encontrados e organizados para assim descobrirem sua potência numérica - pois ela existe. Devem formar um grupo mundial, lutando pelas corretas relações humanas e educando o público quanto à natureza e força da boa vontade. Eles criarão assim uma opinião pública mundial que se tornará tão poderosa e tão presente no lado do bem-estar da humanidade que os líderes, estadistas, políticos, homens de negócios e clérigos serão forçados a ouvi-la e atendê-la. Firmemente e regularmente, o público em geral deve ser ensinado no tocante ao internacionalismo e a uma unidade mundial que é baseada na simples boa vontade e na interdependência cooperativa.
Este não é um programa místico ou sem aplicação prática; ele não atua através de processos de exposições, de minar ou atacar; ele dá ênfase a uma nova política, uma política baseada no princípio de levar à prática das corretas relações humanas. Entre o explorado e o explorador, os fazedores de guerra e os pacifistas, as massas e os governantes, este grupo de homens de boa vontade permanecerá em seus organizados milhões, sem tomar partido, sem demonstrar qualquer espírito de partidarismo, sem fomentar distúrbios políticos nem religiosos, sem alimentar ódios.
Eles não serão um corpo negativo, mas sim, positivo, interpretando o significado das corretas relações humanas, representando a unidade da humanidade e uma fraternidade prática, não teórica. A propagação dessas ideias por todos os meios viáveis e a difusão do princípio da boa vontade produzirão um grupo internacional organizado e poderoso. A opinião pública será forçada a reconhecer a potência do movimento; finalmente a força numérica dos homens e mulheres de boa vontade no mundo será tão grande que eles influenciarão os acontecimentos mundiais. Sua voz unida será ouvida em favor das corretas relações humanas.
Este movimento já está começando a ganhar força. Em muitos países, este plano para a formação de um grupo de pessoas treinadas na boa vontade e que possuam uma clara visão interna dos princípios que deveriam governar as relações humanas no contexto mundial já passou do estágio do projeto. O núcleo para este trabalho está presente, hoje. Suas funções poderiam ser assim resumidas:
1. Restaurar a confiança mundial através da informação de quanta boa vontade -organizada e não organizada - há hoje no mundo.
2. Educar as massas nos princípios e na prática da boa vontade.
A "boa vontade" mundial é hoje usada por todos os partidos e grupos, nacionais e internacionais.
3. Sintetizar e coordenar em um todo funcional todos os homens e mulheres de boa vontade no mundo que reconheçam estes princípios como um ideal diretor pessoal e que tentarão aplicá-los aos acontecimentos nacionais ou mundiais correntes.
4. Criar malas diretas em todos os países, de homens e mulheres de boa vontade com quem se possa contar, que se disponham a trabalhar pela unidade mundial, pelas corretas relações humanas e que tentarão - em seus próprios países -alcançar outros com esta ideia, através da imprensa, da plataforma, das conferências e pelo radio e televisão. Finalmente, este grupo mundial deveria ter seus próprios meios de divulgação, pelos quais o processo educacional poderia ser intensificado e a boa vontade vir a ser considerada um princípio e uma técnica universais.
5. Prover com um escritório central cada país e eventualmente cada grande cidade, onde se obtenham informações relativamente às atividades dos homens e mulheres de boa vontade em todo o mundo; daquelas organizações, grupos e partidos que também estejam trabalhando conforme linhas similares de compreensão e corretas relações humanas. Assim muitos encontrarão aqueles que cooperarão com eles em seu particular propósito de promover a unidade mundial.
6. Trabalhar, como homens e mulheres e boa vontade, com todos os grupos que tenham um programa mundial que leve a curar as diferenças mundiais e disputas nacionais e a acabar com as diferenças raciais. Quando tais grupos forem encontrados para trabalhar construtivamente e estiverem livres dos ataques grosseiros ou modos agressivos de ação, e operados por todos os homens de boa vontade e estiverem livres de um nacionalismo agressivo, então a cooperação dos homens de boa vontade poderá ser oferecida e dada livremente.
Não é necessário grande esforço da imaginação para ver que, se este trabalho de espalhar a boa vontade e a educação da opinião pública em seu potencial for realizado, e se os homens de boa vontade puderem ser descobertos em todos os países e organizados, todo esse bem poderá ser feito em pouco mais de 5 anos. Milhares podem ser reunidos nas fileiras dos homens de boa vontade. Essa é a tarefa inicial. O poder de tal grupo, apoiado pela opinião pública, será tremendo. Eles poderão alcançar resultados fenomenais.
Como usar o peso dessa boa vontade e como empregar a vontade para estabelecer corretas relações humanas evidenciar-se-á gradualmente e emergirá do trabalho realizado e irá ao encontro das necessidades da situação mundial. O uso treinado do poder do lado da boa vontade e em favor das corretas relações humanas será demonstrado tanto quanto possível, e o presente estado de infelicidade dos assuntos mundiais poderá ser mudado. Isso será feito, não através das habituais medidas guerreiras do passado ou da vontade imposta de algum grupo agressivo ou rico, mas através do peso de uma opinião pública preparada - uma opinião que será baseada na boa vontade, na compreensão inteligente das necessidades da humanidade, na determinação de produzir corretas relações humanas e no reconhecimento de que os problemas com os quais a humanidade se depara hoje podem ser resolvidos através da boa vontade.