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Livros de Alice Bailey

Problemas da Humanidade


CAPÍTULO II

O PROBLEMA DAS CRIANÇAS NO MUNDO

Este problema é, sem exceção, o mais urgente com que se confronta a humanidade, hoje. O futuro da humanidade está nas mãos dos jovens, em toda parte. Eles serão os pais das gerações vindouras e os artífices que deverão implementar a nova civilização. O que fizermos com eles e para eles é de capital importância em suas implicações; nossa responsabilidade é grande e nossa oportunidade, única.

Este capítulo se ocupa com as crianças e adolescentes com menos de dezesseis anos. Esses dois grupos são o elemento mais esperançoso num mundo que se partiu em pedaços diante dos nossos olhos. Eles são a garantia de que nosso mundo pode ser reconstruído - e se aprendemos alguma coisa com a história do nosso passado e suas horrorosas consequências em nossos dias - reconstruído segundo diferentes linhas, com diferentes objetivos e incentivos e com objetivos bem definidos e ideais cuidadosamente considerados.

Tenhamos presente, todavia, que sonhos esperançosos, visionários e místicos, a crença naquilo que gostaríamos que fosse verdade e a formulação de planos altamente organizados no papel são úteis, na medida em que eles indicarem interesse, um senso de responsabilidade e possíveis objetivos mas eles são de pequena importância em qualquer iniciativa efetiva, de transição, a menos que haja uma compreensão do problema imediato, e das imediatas possibilidades, mais uma intenção de efetivar aqueles compromissos que fixarão as bases para um trabalho bem sucedido. Esse trabalho é em grande parte o da educação. Até então, tem havido pouco esforço para se conseguir uma ponte entre as necessidades do futuro e as presentes formas de educação. Essas formas aparentemente fracassaram em equipar a humanidade para uma vida bem sucedida e cooperativa e os mais novos aspetos do treinamento mental; nenhuma ponte científica foi construída e poucas tentativas foram feitas para correlacionar o melhor dos métodos atuais (nem todos são maus) com as futuras maneiras de desenvolver a juventude do mundo de modo que ela possa medir-se com uma nova civilização que está inevitavelmente a caminho. O idealista visionário tem até agora feito resistência contra os métodos de ensino estabelecidos.

Sua impraticabilidade e sua recusa em se comprometer retardaram assim o processo e a humanidade pagou o preço. Chegou agora o dia em que o místico prático e o homem de alto desenvolvimento mental, bem assim os de visão espiritual, tomarão seu lugar, proporcionando um treinamento que capacite o jovem de qualquer nação a integrar-se com êxito no quadro mundial.

Começamos com a conscientização de que nossos sistemas educacionais não têm sido adequados; eles não conseguiram preparar nossas crianças para um modo de viver correto; eles não inculcaram aqueles modos de pensar e de agir que levariam às corretas relações humanas - essas relações que são essenciais à felicidade, ao sucesso e à plena experiência em qualquer esfera das iniciativas humanas.

As melhores mentes e os pensadores mais esclarecidos no campo educacional estão constantemente endossando essas ideias; os movimentos progressistas na educação fizeram algo para remover velhos abusos e para instilar novas técnicas, mas eles ainda constituem tão pequena minoria que são relativamente ineficazes. É bom ter em mente que se o ensino dado aos jovens durante os últimos poucos séculos houvesse sido de uma natureza diferente, a guerra mundial poderia jamais ter acontecido.

Muitas e diferentes razões foram dadas para a guerra total que nos envolveu. Isso levantou a questão se o fracasso de nossos sistemas educacionais ou a ineptidão das igrejas pode ter sido a causa básica por trás das outras. Mas - a guerra aconteceu. Nossa velha civilização foi varrida. Há os que gostariam de ver aquela civilização voltar e a velha estrutura novamente reconstruída; eles anseiam por um pacífico retorno à situação de antes da guerra. Não se deve permitir que eles reconstruam segundo as velhas linhas ou que usem os velhos padrões, mesmo que necessariamente devamos construir sobre as velhas fundações. É tarefa dos educadores impedir isso.

Procuremos reconhecer que aqueles países nos quais o velho modo da educação está ainda sendo pacificamente praticado pode não só ser perigoso para eles próprios porque estão apenas perpetuando as velhas e más maneiras, mas que elas também constituem uma ameaça para aqueles países que estão na feliz posição de serem capazes de mudar suas instituições educacionais e assim inaugurarem uma melhor maneira de preparar sua juventude para uma vida plena. A educação é uma tarefa profundamente espiritual. Ela diz respeito ao homem integral e isso inclui seu espírito divino.

A educação nas mãos de qualquer igreja representaria um desastre. Ela alimentaria o espírito sectário, nutriria as atitudes conservadoras, reacionárias, tão fortemente endossadas, por exemplo, pela Igreja Católica e pelos fundamentalistas nas igrejas Protestantes. Ela prepararia preconceitos, erigiria barreiras entre um homem e outro homem e finalmente conduzira para um poderoso e inevitável afastamento de toda religião por parte daqueles que afinal venham aprender a pensar ao alcançar a idade adulta da humanidade. Isto não é uma condenação à religião. É uma condenação aos métodos passados das igrejas e das velhas teologias que falharam na apresentação do Cristo como Ele essencialmente é, que trabalharam pela riqueza, prestígio e poder político e que se empenharam com todos os meios ao seu alcance para aumentar o número de seus membros e aprisionar o livre espírito no homem. Há sábios e bons clérigos hoje que se dão conta disso e que estão trabalhando firmemente para a abordagem a Deus na nova era, mas esses são relativamente poucos em número. Contudo, eles estão guerreando a cristalização teológica e os pronunciamentos acadêmicos. Eles serão inevitavelmente bem sucedidos e assim salvarão o espírito religioso.

Então, esforcemo-nos para ver qual a meta que o novo movimento educacional deveria adotar e quais são os sinais colocados no caminho para essa meta. Tentemos formular um plano de longo alcance que não se depare com nenhum impedimento dos métodos imediatamente empregados que ligarão o passado e o futuro usando tudo que for verdadeiro, belo e bom (herdado do passado) mas que dará ênfase a certos objetivos básicos que até então foram grandemente ignorados. Essas técnicas e métodos mais novos devem ser desenvolvidos gradualmente e acelerarão o processo da integração do homem inteiro.

Não haverá esperança para o mundo futuro exceto numa humanidade que aceite o fato da divindade, mesmo quando repudie a teologia, a qual reconheça a presença do Cristo vivo, ainda que rejeitando as interpretações manipuladas pelo homem, Dele e de Sua mensagem, e que enfatizem a autoridade da alma humana.

O futuro que se apresenta à nossa frente está cheio de promessas. Vamos basear nosso otimismo na própria humanidade. Vamos reconhecer o fato, por si mesmo provado, de que há uma peculiar qualidade em todo homem, uma característica inata, inerente, à qual se pode denominar de "percepção mística". Esta característica conota um senso de divindade imorredouro, ainda que muitas vezes não identificado; ela envolve a possibilidade constante de visualizar e contatar a alma e alcançar (com aptidão crescente) a natureza do universo; ela capacita o filósofo a apreciar o mundo do significado e - através dessa percepção - tocar a Realidade. Ela é, acima de tudo o mais, o poder de amar e de caminhar na direção daquilo que é algo mais do que o próprio ser. Ela confere a capacidade de alcançar ideias. A história da humanidade é, em essência a história do crescimento das ideias, progressivamente conscientizadas, e da determinação do homem de viver por elas; com esse Poder vai a capacidade de sentir o desconhecido, de acreditar no que não foi provado, de buscar, procurar e exigir a revelação daquilo que está oculto e não descoberto e que - século após século, devido a esse exigente espírito de investigação - é revelado. É o poder de reconhecer o belo, o verdadeiro e o bom e por meio das artes criativas provar sua existência. É essa faculdade espiritual, inerente, que tem produzido todos os grandes Filhos de Deus, todas as pessoas verdadeiramente espiritualizadas, todos os artistas, cientistas, pessoas humanitárias e filósofos e todos os que, com sacrifício, amam a seus semelhantes.

Aqui estão as bases para o otimismo e coragem por parte de todos os verdadeiros educadores e aqui está o verdadeiro incentivo a todos os seus esforços.

O Atual Problema da Juventude.

O mundo, como foi conhecido das pessoas com mais de quarenta anos de idade, se desagregou e está desaparecendo rapidamente. Os velhos valores estão desaparecendo e o que nós chamamos de "civilização" (essa civilização que achávamos tão maravilhosa) está se desvanecendo. Alguns de nós somos gratos que assim seja. Outros consideram isso como um desastre: Todos nós estamos chocados com o fato de que os meios para essa dissolução tenham trazido tanta agonia e sofrimento para a humanidade, em toda parte.

A civilização poderia ser definida como uma reação da humanidade ao propósito e as atividades de um particular período mundial e ao seu tipo de pensamento. Em cada era, alguma ideia funciona e se expressa tanto em idealismos raciais como nacionais. Sua tendência básica através dos séculos produziu nosso mundo moderno e este tem sido materialista. A meta tem sido o conforto físico; a ciência e as artes se prostituíram na tarefa de dar ao homem um ambiente confortável e se possível belo. Todos os produtos da natureza foram subordinados a dar à humanidade, coisas. A meta da educação, falando em geral, tem sido equipar a criança para competir com seus semelhantes para ganhar a vida, acumular bens e viver tão confortavelmente e de maneira tão bem sucedida.

Essa educação tem sido também primariamente competitiva, nacionalista e, portanto, separatista. Ela preparou a criança para considerar os valores materiais como da maior. importância, para acreditar que sua particular nação é também da maior importância e que toda outra nação é secundária; alimentou o orgulho e nutriu a crença de que ela, seu grupo e sua nação seriam infinitamente superiores aos outros povos e pessoas. Ela aprendeu, consequentemente, a ser uma pessoa unilateral, com seu mundo de valores erradamente ajustado e suas atitudes na vida marcadas por preconceitos.

Os rudimentos das artes são ensinados para torna-la capaz de atuar com a necessária eficiência num dispositivo competitivo e em sua particular vocação ambiental. Ler, escrever e a aritmética elementar são considerados como os requisitos mínimos, mais algum conhecimento dos acontecimentos históricos e geográficos. Algo da literatura do mundo também é trazida à sua atenção. O nível geral da informação civilizada é relativamente alto, mas é preconceituoso e influenciado pelos preconceitos religiosos e nacionais que são instilados na criança desde seus primeiros anos, mas que não são inatos. A cidadania mundial não é enfatizada; sua responsabilidade para com seus semelhantes é sistematicamente ignorada; sua memória é desenvolvida através da introjeção de fatos não correlacionados - a maior parte dos quais, não relacionados com a vida diária.

Nossa presente civilização ficará na história como grosseiramente materialista. Houve muitas épocas materialistas na história, mas nenhuma tão geralmente espalhada como a atual ou que tenham envolvido tantos milhões de anônimos.

Constantemente nos dizem que a causa desta guerra é econômica; e é certamente assim, mas a razão é que exigimos tanto conforto e "coisas" para vivermos "razoavelmente bem". Exigimos muito mais do que nossos ancestrais necessitavam; preferimos uma vida leve e relativamente fácil; o espírito pioneiro (que é o pano de fundo de todas as nações) enfraqueceu, na maioria dos casos, dando lugar a uma civilização leve. Isto é particularmente verdadeiro no hemisfério ocidental. Nosso padrão de vida civilizada é demasiadamente alto do ponto de vista da posse de bens e muito baixo do ângulo dos valores espirituais, ou quando sujeito a um inteligente senso de proporção. Nossa civilização moderna não resistirá a um ácido teste de valor. Uma nação é hoje considerada como civilizada quando estabelece um valor no desenvolvimento mental, quando premia a análise e a crítica e quando todas os seus recursos são dirigidos para a satisfação do desejo físico, para a produção de coisas materiais e para a implementação dos propósitos materiais assim como para dominar competitivamente no mundo, para a acumulação de riqueza, a aquisição da propriedade, a conquista de um alto padrão de vida material e para o acúmulo do que se produz na terra - em grande parte para o benefício de certos grupos de homens ricos e ambiciosos.

Essa é uma generalização drástica, mas é basicamente correta em suas principais implicações, embora incorreta se for considerada em relação às pessoas, individualmente. Por esta triste e terrível situação (inteiramente resultante da ação da própria humanidade) pagamos a penalidade da guerra. Nem as igrejas nem nossos sistemas educacionais foram suficientemente saudáveis na apresentação da verdade para expelir essa tendência materialista. A tragédia é que as crianças do mundo pagaram e estão pagando o preço de nossos erros. A guerra tem suas raízes na rapina; a ambição material foi a motivadora de todas as nações, sem exceção; todo o nosso planejamento foi dirigido para a organização da vida nacional de tal modo que a posse material, a supremacia competitiva e individual e os egoístas interesses nacionais pudessem controlar. Todas as nações, a seu próprio modo e grau, contribuíram para isso; nenhuma tem mãos limpas, e daí a guerra. A humanidade tem o hábito do egoísmo e um amor inerente às posses materiais. Isso produziu nossa civilização moderna e, por essa razão, está sendo mudado.

O fator cultural em qualquer civilização é sua preservação e consideração de tudo que de melhor o passado tenha dado, e sua avaliação e estudo das artes, da literatura, da música e da vida criativa de todas as nações - passadas e atuais. Ela diz respeito à influência de refinamento desses fatores sobre uma nação e sobre aqueles indivíduos numa nação que estejam de tal maneira posicionados (habitualmente financeiramente) que possam tirar proveito delas e apreciá-las. O conhecimento e a compreensão assim ganhos capacitam o homem de cultura a relacionar o mundo dos significados (segundo a herança do passado) com o mundo das aparências no qual ele vive, e a considerá-los como um só mundo, mas existindo primariamente para seu benefício pessoal. Quando, todavia, a uma apreciação de nossa herança planetária e racial, seja criativa seja histórica, ele acrescenta uma compreensão dos valores espirituais e morais, então nós temos uma aproximação ao que o homem verdadeiramente espiritual deveria ser. Com relação ao total da população do planeta, tais homens são pouco numerosos e distantes entre si, mas eles garantem ao resto da humanidade uma genuína possibilidade.

Será que os povos dotados de cultura se dão conta de sua oportunidade? Será que nossos cidadãos civilizados abraçarão a oportunidade de construir de novo não uma civilização material, desta vez, mas um mundo de beleza e de corretas relações humanas, um mundo no qual as crianças possam de fato crescer à semelhança do Pai Uno e no qual o homem possa voltar à simplicidade dos valores espirituais de beleza, verdade e bondade?

Contudo, encarando a ampla reconstrução exigida e a quase impossível tarefa de salvaguardar as crianças e jovens do mundo, há hoje aqueles que estão engajados em levantar fundos para reconstruir as igrejas de pedra e restaurar as antigas construções, assim exigindo o dinheiro que é penosamente necessário para restaurar corpos quebrados, para curar feridas psicológicas e produzir o calor do amor e compreensão entre aqueles que acreditam que tais qualidades não existem!

A Imediata Necessidade das Crianças

A magnitude dos problemas a serem enfrentados pode bem nos deixar confusos e perdidos quanto a como responder às muitas questões que imediatamente surgem em nossas mentes. Como poderemos lançar as bases para um programa de longo alcance de reconstrução, de educação e de desenvolvimento, considerando que ele afetara a juventude do mundo para assim garantir um mundo novo e melhor? Que planos básicos devem ser lançados, que sejam apropriados para tantas diferentes raças e nacionalidades? Diante de compreensíveis ódios e preconceitos profundamente instalados, como poderemos começar de maneira saudável?

Os valores éticos e morais entre as crianças, particularmente entre os jovens e moças adolescentes, se deterioram e os valores espirituais precisarão ser despertados. Há uma evidência direta, contudo, que este despertar espiritual já está varrendo a Europa, e que talvez daquele continente possa vir essa nova maré espiritual que poderá transformar o mundo inteiro em coisas melhores e que assegure que nossa civilização materialista se foi, para jamais voltar. Um renascimento espiritual é inevitável e em nenhum lugar é mais necessário do que naqueles países que escaparam dos piores aspectos da guerra. Para essa renascença devemos olhar e fazer os preparativos.

O problema urgente seguinte é certamente a reabilitação psicológica da juventude. É uma questão saber se as crianças da Europa, da China, da Grã Bretanha e do Japão chegarão a se recuperar completamente dos efeitos da guerra. Os primeiros anos - os formadores de suas vidas foram passados sob condições de guerra e - adaptáveis como as crianças são - essas condições ditarão certos traços em função do que viram, ouviram e sofreram. Haverá exceções, particularmente na Inglaterra e partes da França. Só o tempo indicará a extensão do dano feito. Muito pode, contudo, ser eliminado e até obliterado pela prudente ação dos pais, médicos, enfermeiras e educadores. É triste dizer que pouco tenha sido planejado pelos psicólogos e neurologistas segundo esta necessária linha de salvação; contudo, seu trabalho especializado é profundamente necessário e é tão urgente quanto o alimento e as roupas.

Vale à pena também nos lembrarmos em todo o nosso planejamento e com todas as nossas boas intenções que as várias nações, envolvidas na guerra mundial e aqueles países que sentiram o peso pleno da ocupação, estão fazendo seus próprios planos. Eles sabem o que querem; eles estão determinados, na medida do possível, a cuidar de seu próprio povo, salvar suas próprias crianças, restaurar suas próprias culturas especiais e suas terras. A tarefa das Grandes Potências (com seus vastos recursos) e dos filantropos e pessoas humanitárias de todo o mundo deveria ser cooperar com essas pessoas. Não é sua tarefa impor-lhes o que eles, tirando vantagem de suas posições, acreditem seja bom para os demais. Essas nações querem uma cooperação compreensiva; eles querem os implementos para a agricultura, o imediato alívio em termos de alimentação e vestimenta, mais os meios pelos quais restaurar suas instituições educacionais, organizar suas igrejas e equipá-las com o que seja imediatamente necessário. Elas certamente não querem uma horda de pessoas bem intencionadas assumindo suas instituições educacionais ou medicas, nem que se lhes. imponham qualquer particular ideologia, seja ela democrática ou comunista. Naturalmente, os princípios do nazismo e do fascismo devem ser eliminados, mas as nações devem ser livres para elaborar seu próprio destino. Cada uma dessas nações tem suas tradições, culturas e história. Elas estão sendo forçadas a reconstruir de novo mas o que construíram deve ser delas próprias; deve ser algo que as distinga, e uma expressão da sua própria vida interior. É certamente a função das nações mais ricas e livres ajudá-las a construir de modo que esse novo mundo possa nascer. Cada nação deve lidar com o problema de sua restauração a seu próprio modo.

Isso não precisa significar desunião; deveria significar um mundo mais rico e mais colorido. Não necessita significar separação ou a construção de barreiras ou se retirar para trás das paredes de preconceito. Há dois principais relacionamentos de ligação que deveriam ser cultivados e que trarão uma compreensão mais estreita no mundo dos homens. Estes são a religião e a educação. Neste capítulo estamos considerando o fator da educação que no passado tanto fracassou para promover a unidade mundial (o que foi provado pela guerra) mas que pode no futuro tão sabiamente controlar.

Estamos hoje testemunhando a lenta mas firme formação de grupos internacionais, reunidos para preservar a segurança mundial, para promover o trabalho, para lidar com a economia mundial e para preservar a integridade e a soberania das nações enquanto se comprometendo com uma parte definida no trabalho de assegurar corretas relações humanas por todo o planeta. Quer concordemos, quer não, com os detalhes dos compromissos específicos propostos, a formação dos conselhos consultivos internacionais, e acima de tudo, das Nações Unidas, são esperançosas indicações de que a humanidade avança para um mundo em que as corretas relações humanas sejam consideradas como essenciais à paz do mundo, onde a boa vontade seja reconhecida e onde seja feita uma provisão para implementar aquelas condições que impeçam a guerra e a agressão.

No campo da educação alguma ação unida desse gênero é também essencial. Certamente uma unidade básica de objetivos deveria governar os sistemas educacionais das nações, muito embora a uniformidade do método e das técnicas possa não ser possível. Diferenças de linguagem, de antecedentes e de cultura existiram e existirão, elas constituem a bela tapeçaria da vida humana através dos tempos. Mas muito do que até agora militou contra as corretas relações humanas deve e precisaria ser eliminado.

No ensino da história, por exemplo, iremos nós reverter às velhas maneiras pelas quais cada nação glorifica-se às expensas frequentemente de outras nações, nas quais os fatos são sistematicamente deturpados nas quais os pontos centrais na história são as várias guerras através dos tempos - uma história, por conseguinte, de agressão do surgimento de uma civilização material e egoísta, e que estimulou o espírito nacionalista, e, por conseguinte, separatista, que alimentou ódios raciais e estimulou orgulhos nacionais,? Os primeiros dados históricos usualmente lembrados pela criança inglesa comum são sobre "Guilherme o Conquistador, 1066". A criança americana se lembra da chegada dos Pais Peregrinos e a gradual conquista do país, de seus corretos habitantes e talvez a Festa do Chá de Boston. Os heróis da história são todos guerreiros - Alexandre o Grande, Júlio César, Átila o Huno, Ricardo Coração de Leão, Napoleão, George Washington e muitos outros. A geografia é em grande parte a história em uma outra forma, mas apresentada de maneira similar - uma história de descobrimento, investigação e conquista, frequentemente seguida por um tratamento cruel e desumano dos habitantes das terras descobertas. A rapina, a ambição, a crueldade e o orgulho são as notas-chave de nosso ensino da história e da geografia.

As guerras, agressões e roubos que distinguiram cada grande nação sem exceção são fatos e não podem ser negados. Certamente, contudo, as lições dos males que eles causaram (culminando com a guerra de 1914-1945) podem ser indicadas e as causas antigas dos preconceitos e antagonismos atuais podem ser demonstrados e sua futilidade enfatizada. Não será possível construir nossa teoria da história sobre as grandes e boas ideias que condicionaram as nações e fizeram delas o que elas são? Dar ênfase à criatividade que as distinguiram, todas elas? Não poderemos apresentar mais efetivamente as grandes épocas culturais que - aparecendo subitamente em alguma das nações -enriqueceram o mundo inteiro e deram à humanidade sua literatura, sua arte e sua visão?

A guerra mundial provocou grandes migrações. Exércitos marcharam e lutaram em todas as partes do mundo; povos perseguidos escaparam de um país para outro; os trabalhadores do bem-estar social foram de país a país, servindo aos soldados, socorrendo os doentes e feridos, alimentando os famintos e estudando as condições. O mundo de hoje é muito pequeno e os homens estão descobrindo (algumas vezes pela primeira vez em suas vidas) que a humanidade é uma e que todos os homens, sem distinção de cor, da pele ou do país em que vivem, se assemelham uns aos outros. Nós estamos todos misturados. Os Estados Unidos são compostos de pessoas de todos os países conhecidos. Mais de cinquenta diferentes raças ou nações compõem a União Soviética. O Reino Unido é uma Comunidade de nações independentes reunidos em um só grupo. A Índia é composta de uma multiplicidade de povos, religiões e línguas e dar seu problema. O próprio mundo é um grande caldeirão, do qual a Humanidade Una está emergindo. Isso necessita uma mudança drástica em nossos métodos de apresentar a história e a geografia. A ciência sempre foi universal. A grande arte e literatura sempre pertenceram ao mundo. É sobre esses fatos que a educação a ser dada às crianças do mundo deve ser construída - sobre nossas identidades, nossas conquistas criativas, nossos idealismos espirituais e nossos pontos de contato. Se isso não for feito, as feridas das nações jamais cicatrizarão e as barreiras que existiram por séculos jamais serão removidas.

Os educadores que enfrentam a atual oportunidade mundial deveriam constatar que uma fundação saudável está lançada para a civilização vindoura; deveriam assumir que ela é geral e universal em sua visão, confiável em sua apresentação e construtiva em sua abordagem. Os passos iniciais dos educadores dos diferentes países inevitavelmente determinarão a natureza da civilização vindoura. Eles se deveriam preparar para um renascimento de todas as artes e para um novo e livre fluxo do espírito criativo no homem. Deveriam dar uma especial importância aos grandes momentos da história da humanidade em que a divindade do homem flamejou e indicou novos caminhos do pensamento, novos modos do planejamento humano e assim mudou de uma vez por todas a tendência dos assuntos mundiais. Esses momentos produziram a Carta Magna; deram ênfase, através da Revolução Francesa, aos conceitos da liberdade, igualdade e fraternidade; formularam a Carta dos Direitos da América, e nos grandes mares de nosso próprio tempo deram-nos a Carta do Atlântico e as Quatro Liberdades. Esses são os grandes conceitos que deverão governar a nova era com sua nascente civilização e sua cultura futura. Se as crianças de hoje aprenderem o significado dessas cinco grandes declarações e forem, ao mesmo tempo, ensinadas a respeito da futilidade do ódio e da guerra, há esperança de um mundo mais feliz, melhor e mais seguro.

Duas principais ideias deveriam ser imediatamente ensinadas às crianças de todos os países. Elas são: o valor do indivíduo e o fato da humanidade una. Os rapazes e moças da guerra aprenderam pela aparência que a vida humana tem pouco valor; os países fascistas ensinaram que o indivíduo não tem valor exceto se ele implementar os desígnios de algum ditador. Em outros países, algumas pessoas e alguns grupos - através da posição hereditária ou privilégios financeiros - são consideradas como de importância e o resto da nação como sendo de pouca importância. Ainda em outros países, o indivíduo se considera de tanta importância e seu direito de se satisfazer é de tal ordem que sua relação com o todo está inteiramente perdida. Contudo, o valor do indivíduo e a existência daquele todo ao qual chamamos Humanidade estão muito intimamente relacionados. Isso precisa ser posto em relevo. Esses dois princípios, quando propriamente ensinados e compreendidos, conduzirão à cultura intensiva do indivíduo e então ao reconhecimento de sua responsabilidade como uma parte integral do corpo inteiro da humanidade.

Tocamos na reabilitação física e psicológica das crianças e adolescentes do mundo. Sugerimos que os livros de texto sejam restritos em termos de corretas relações humanas e não dos ângulos nacionalistas e separatistas atuais. Também indicamos certas ideias básicas que deveriam ser imediatamente inculcadas: o valor particular do indivíduo, a beleza da humanidade, a relação do indivíduo com o todo e sua responsabilidade em se ajustar ao quadro geral de uma maneira construtiva e voluntária; procuramos mostrar com ênfase a futilidade da guerra, da rapina e da agressão e que nos preparamos para um grande despertar da faculdade criativa do homem uma vez que a segurança seja restaurada. Registramos a iminência do vindouro renascimento espiritual.

Um dos nossos objetivos educacionais imediatos deveria ser a eliminação do espírito de competição e a substituição pela consciência da cooperação. Aqui surge logo a questão: Como se pode conquistar isso e ao mesmo tempo assegurar um alto nível de realização individual? Não será a competição um principal estímulo para todo esforço? Isso tem sido assim até agora, mas não precisa ser assim. O desenvolvimento de uma atmosfera que nutra o senso de responsabilidade da criança e que a liberte de todas as inibições geradas pelo medo, a capacitará para atingir resultados ainda mais elevados. Do ponto de vista do educador, isso, estimulará a criação da atmosfera correta em volta da criança e nessa atmosfera certas qualidades florescerão e certas características de responsabilidade e de boa vontade emergirão. Qual é a natureza dessa atmosfera?

1) Uma atmosfera de amor na qual o medo seja eliminado e a criança se conscientize de que não tem razão para temer. É uma atmosfera em que ela receberá tratamento cortês e dela se esperará que seja igualmente cortês para com os demais. Isso é raro, de fato, de se encontrar nas salas de aula, ou nos lares. Essa atmosfera de amor não é uma forma de amar emocional, sentimental, mas sim, baseada na conscientização das potencialidades da criança como indivíduo, no estar livre de preconceitos e antagonismos raciais e na verdadeira compassiva ternura. Essa atitude compassiva será encontrada no reconhecimento da dificuldade da vida diária, na sensibilidade a uma resposta normalmente afável da criança e na convicção de que o amor sempre faz vir à tona o que há de melhor em qualquer pessoa.

2) Uma atmosfera de paciência. É em tal atmosfera que a criança pode aprender os primeiros rudimentos de responsabilidade. As crianças que estão nascendo neste período e que agora se encontram em toda parte são de alto grau de inteligência; sem sabê-lo, são espiritualmente vivas e a primeira indicação dessa condição é um senso de responsabilidade. Sabem que elas são responsáveis por seu irmão. A paciente inculcação dessa qualidade, o esforço para fazê-las assumir pequenos deveres e partilhar a responsabilidade exigirá muita paciência por parte do professor, mas é fundamental para determinar o caráter de uma criança para o bem e sua futura utilidade no mundo.

3) Uma atmosfera de compreensão. Pouquíssimos professores ou pais explicam a uma criança as razões para as atividades e as exigências que são feitas sobre elas. Mas essa explicação inevitavelmente evocará resposta, pois uma criança pensa mais do que se julga e o processo inculcará nela uma consideração dos motivos. Muitas das coisas que uma criança comum faz não são erradas em si mesmas; elas são impulsionadas por um espírito inquiridor, contestador, pelo impulso de retaliar por alguma injustiça (baseada na falta de compreensão do adulto por sua motivação), pela mobilidade de empregar o tempo correta e utilmente e por uma necessidade de chamar a atenção sobre si. Essas são simplesmente as atitudes iniciais do indivíduo emergente. As pessoas mais velhas estão aptas a alimentar numa criança uma noção de erro prematura e desnecessária; elas põem ênfase em pequenas coisas tolas que deveriam ser ignoradas mas que são incomodativas. Um correto senso de ação errada, baseado na incapacidade de preservar corretas relações humanas não será desenvolvido a não ser que uma criança seja tratada com compreensão, então as coisas verdadeiramente erradas, o infringir os direitos dos outros, as intromissões do desejo individual sobre as necessidades grupais para ganho pessoal, emergirão na perspectiva correta e no tempo certo. Os educadores precisarão lembrar-se que milhares das crianças observaram constantemente maus feitos perpetrados por pessoas mais velhas; isso terá pervertido sua avaliação, dado a elas padrões errados e minado a correta autoridade dos mais velhos. Uma criança está apta a se tornar antissocial quando não é compreendida ou quando as circunstâncias exigem muito dela.

Uma atmosfera correta, a aplicação de uns poucos princípios corretos, e muita compreensão amorosa são os requisitos básicos no tão difícil período de transição com que nos deparamos. Uma maneira organizada de viver ajudará muito, mas as crianças que estamos considerando conheceram pouca disciplina. O esforço absoluto pela sobrevivência foi a preocupação fundamental de seus ancestrais e de seus filhos. Será difícil para elas de início reagir corretamente a um ritmo de vida imposto. A disciplina será necessária, mas deverá ser a disciplina do amor, a qual tenha sido cuidadosa e exaustivamente explicada para que a criança compreenda as razões subjacentes a esta nova ordem misteriosa de agir A fadiga, a inércia e a falta de interesse incidentes à guerra e à desnutrição, oferecem definidas dificuldades iniciais. Os educadores e professores precisão impor a si mesmos a disciplina da paciência, da compreensão e do amor que não será fácil, pois isso será acompanhado por um profundo senso das dificuldades a serem superadas e aos problemas a serem enfrentados.

Os homens e mulheres de visão em todos os países deverão ser localizados e mobilizados e eles estão lá; eles deverão ter o material que necessitarem e o apoio daqueles em quem puderem confiar. Não se deverá exigir demais deles, inicialmente, pois a necessidade imediata não é a aplicação de fatos e sim a dissipação do medo, a demonstração de que o amor existe no mundo e a inculcação de um senso de segurança. Então e somente então será possível prosseguir com aqueles processos mais definidos que tornarão os planos de longo alcance, com que alguns de nós temos sonhado, uma possibilidade.

O Plano de Longo Alcance

Vamos formular agora um plano mais extenso para a futura educação das crianças do mundo. Temos registrado que apesar dos processos educacionais universais e dos muitos centros de aprendizado em cada país, ainda não tivemos êxito em dar aos nossos jovens a espécie de educação que os capacitará a viver plenamente e de maneira construtiva. Em termos dos últimos dois ou três mil anos, o desenvolvimento da educação mundial se desenvolveu progressivamente segundo três linhas principais, começando no Oriente e culminando hoje no Ocidente. Na Ásia tivemos o treinamento intensivo, ao longo dos séculos, de certos indivíduos cuidadosamente escolhidos e uma completa negligência em relação às massas. A Ásia e tão somente a Ásia produziu aquelas figuras destacadas que são, até hoje, o objeto da veneração universal - Lao Tse, Confúcio, o Buda, Shri Krishna e o Cristo. Eles deixaram Sua marca sobre milhões e ainda o fazem.

Depois, na Europa, tivemos uma atenção educacional concentrada em uns poucos privilegiados grupos, dando-lhes um treinamento cultural cuidadosamente planejado mas ensinando às massas somente os rudimentos necessários do aprendizado. Isso produziu periodicamente tais importantes épocas de expressão cultural como o período Elisabetano, a Renascença, os poetas e escritores da era Vitoriana e os poetas e músicos da Alemanha, bem assim, os numerosos artistas cuja memória é perpetuada na Escola Italiana, nos grupos holandeses e espanhóis.

Finalmente, nos países mais jovens do mundo, tais como os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá, a educação de massa foi instituída e foi grandemente copiada pelo mundo civilizado inteiro. O nível geral de conquista cultural se tornou muito mais baixo, o nível da informação e competência da massa se tornou consideravelmente mais alto. A questão que se apresenta agora: Quê será melhor para o próximo desenvolvimento evolutivo da educação do mundo? Quê acontecerá depois deste completo colapso mundial e do reconhecido fracasso dos sistemas educacionais em evitá-lo?

Lembremo-nos de um dado importante. Quê pode a educação fazer segundo linhas indesejáveis, foi bem demonstrado na Alemanha com sua destruição do idealismo, a adoção de relações humanas e atitudes erradas e sua glorificação de tudo que era mais egoísta, brutal e agressivo. A Alemanha provou que os processos educacionais quando propriamente organizados e supervisionados, sistematicamente planejados e engrenados numa ideologia, são de efeitos potentes, especialmente se a criança é apanhada jovem bastante e abrigada de qualquer ensino em contrário por tempo suficiente. Desde aquele tempo a Rússia usou o mesmo sistema. Procuremos nos lembrar que tal potência demonstrada pode atuar de duas maneiras e que o que foi obtido segundo linhas erradas pode ser igualmente bem sucedido segundo linhas corretas, numa atmosfera de liberdade plena.

Nós necessitamos também fazer duas coisas: Precisamos dar ênfase educacionalmente aos que estão abaixo dos dezesseis anos, e quanto mais jovens melhor e, em segundo lugar, precisamos começar com o que temos, mesmo que reconhecendo as limitações dos atuais sistemas. Precisamos fortalecer os aspectos que são bons e desejáveis, precisamos eliminar os que demonstraram ser inadequados em preparar o homem para cooperar com seu meio ambiente; precisamos desenvolver novas atitudes e técnicas que ajustem uma criança para viver plenamente e assim torná-la verdadeiramente humana - um membro criativo, construtivo da família humana. O que houver de melhor de todo o passado deve ser preservado, mas deveria somente ser considerado como a base para um sistema melhor e uma abordagem mais sábia da meta da cidadania mundial.

Poderia valer à pena, a esta altura, definir o que deve ser a educação, se ela for impulsionada pela verdadeira visão e torná-la capaz de responder às necessidades mundiais sentidas e às exigências de nossos tempos.

A educação é o treinamento inteligentemente dado, para capacitar os jovens do mundo a entrar em contato com seu meio ambiente de maneira inteligente e saudável, e a adaptarem-se às condições existentes. Isso é de primária importância e é um dos indicadores no mundo de hoje.

A educação é um processo pelo qual a criança pode ser dotada com a informação que a capacite para agir como um bom cidadão e cumprir as funções de um pai sábio. Deveria levar em consideração suas tendências inerentes, seus atributos raciais e nacionais e então procurar acrescentar a estes aquele conhecimento que a conduza a trabalhar de maneira construtiva em suas particulares circunstâncias mundiais e provar para si mesmo que é um cidadão útil. A tendência geral dessa educação será mais psicológica do que no passado e a informação assim ganha será ajustada à sua situação peculiar. Todas as crianças têm certos atributos pessoais e deveriam aprender como usá-los; esses elas compartilham com toda a humanidade, independente de raça ou nacionalidade. Os educadores, portanto, darão ênfase, no futuro a:

1. Um desenvolvimento do controle mental da natureza emocional.

2. Uma visão ou a capacidade de ver além das aparências.

3. Um conhecimento dos fatos, inerente, sobre o qual será possível superpor a sabedoria do futuro.

4. A capacidade de sabiamente lidar com os relacionamentos e reconhecer e assumir responsabilidades.

5. O poder de usar a mente de duas maneiras:

• Como o "senso comum" (usando esta palavra em sua velha conotação), analisando e sintetizando a informação obtida a partir dos cinco sentidos.

• Como um holofote, penetrando no mundo das ideias e da verdade abstrata.

O conhecimento vem de duas direções. É o resultado do uso inteligente dos cinco sentidos e é também desenvolvido da tentativa de captar e compreender ideias. Ambas são implementadas pela curiosidade e pela investigação.

A educação deveria ser de três espécies e todas as três são necessárias para levar a humanidade a um ponto necessário de desenvolvimento.

Ela é, antes de tudo, um processo de aquisição de fatos - passados e presentes - e de então aprender a inferir e reunir dessa massa de informação, gradualmente acumulada, aquilo que possa ser de uso prático em qualquer dada situação. Esse processo envolve os fundamentos de nossos atuais sistemas educacionais.

Ela é, em segundo lugar, um processo de adquirir sabedoria, como um resultado do conhecimento e de entrar com particular compreensão no significado que existe por trás dos fatos externamente produzidos. Ela é o poder de aplicar conhecimento de tal maneira que uma vida sã e um ponto de vista compreensivo, mais uma técnica inteligente de conduta, sejam os resultados naturais. Isso também envolve um treinamento para atividades especializadas baseado nas tendências inatas, talento ou gênio.

É um processo pelo qual a unidade ou um senso de síntese seja cultivado. As pessoas jovens no futuro aprenderão a pensar por si mesmas em relação ao grupo, à unidade familiar e à nação na qual seu destino as colocou. Elas também aprenderão a pensar em termos do relacionamento mundial, e de sua nação em relação às demais nações. Isso envolve o treinamento da cidadania, da paternidade e da compreensão mundial, é basicamente psicológica e deveria levar a uma compreensão da humanidade. Quando esse tipo de treinamento for dado, desenvolveremos homens e mulheres que serão tanto civilizados como cultos, e que também possuirão a capacidade de se dirigirem (à medida que a vida se desenvolver) para aquele mundo de significado, que subjaz ao mundo de fenômenos externos e que começará a visualizar os acontecimentos humanos em termos de valores espirituais e universais mais profundos.

A educação deveria ser o processo pelo qual a juventude aprendesse a raciocinar da causa para o efeito, a saber a razão pela qual certas ações são inevitavelmente ligadas à produção de certos resultados e por que - dados um certo equipamento emocional e mental mais uma determinada avaliação psicológica - tendências bem definidas da vida podem ser determinadas e certas profissões e carreiras da vida podem prover o correto estabelecimento para o desenvolvimento e um campo de experiência útil e proveitoso.

Algumas tentativas segundo esta linha tiveram lugar em certos colégios e Universidades, num esforço para assegurar as aptidões psicológicas de um rapaz ou moça para certas vocações, mas o esforço global é ainda amadorístico em sua natureza. Quando tornado mais científico, abre a porta para o treinamento nas ciências; dá significação para a história, biografias e aprendizado e assim evita a mera imposição dos fatos ou o processo cru do treinamento da memória que distinguiu os métodos passados.

A nova educação considerará uma criança com a devida referência à sua hereditariedade, sua posição social, seu condicionamento nacional, as circunstâncias de seu meio ambiente e seus equipamentos mental e emocional individuais e procurará lançar o mundo inteiro de esforço disponível para ele, indicando que aparentes barreiras ao progresso são apenas estímulos para renovada tentativa. Eles procurarão assim "conduzi-lo para fora" (o verdadeiro significado da palavra "educação") de qualquer condição limitadora e prepará-lo para pensar em termos de cidadania mundial construtiva. O crescimento e ainda maior crescimento serão enfatizados.

O educador do futuro abordará o problema da juventude a partir do ângulo da reação instintiva das crianças, de sua capacidade intelectual e de sua potencialidade intuitiva. Na infância e nas séries iniciais da escola, o desenvolvimento das corretas reações instintivas será observado e cultivado; nas séries posteriores, no que é equivalente aos cursos secundários, o desenvolvimento e controle intelectuais dos processos mentais deverá ser enfatizado; enquanto nos cursos superiores e Universidades o desenvolvimento da intuição, a importância das ideias e ideais e o desenvolvimento do pensamento e da percepção abstratos será estimulado; essa última fase será sadiamente baseada numa fundamentação intelectual igualmente sã. Esses três fatores - instinto, intelecto e intuição -proporcionam as notas-chave para as três instituições escolásticas através das quais todo jovem passará e através das quais, hoje, muitos milhares efetivamente passam.

Nas escolas modernas (primárias, secundárias, faculdades ou universidades) pode-se ver um quadro imperfeito, mas simbólico dos objetivos triplos da educação vindoura: Civilização, Cultura e Cidadania mundial ou unidade.

As escolas primárias poderiam ser consideradas como as guardiãs da civilização; poderiam começar a treinar a criança na natureza do mundo no qual irá fazer o seu papel, ensinando-lhe seu lugar no grupo e preparando-a para uma maneira de viver inteligente e as corretas relações sociais. Leitura, escrita, aritmética, história elementar (com ênfase na história do mundo), geografia e poesia deverão ser ensinadas e certos fatos básicos e importantes da vida deverão ser-lhes transmitidos, além de uma preparação do autocontrole.

As escolas secundárias deveriam considerar-se como as guardiãs da cultura; deveriam dar ênfase aos valores maiores da história e da literatura e dar alguma compreensão da arte. Deveriam começar a treinar o rapaz ou a moça para a futura profissão ou modo de viver que: é óbvio, os condicionarão. A cidadania será então ensinada em termos mais amplos e o mundo dos verdadeiros valores será indicado e o idealismo consciente e definitivamente cultivado. Dar-se-á ênfase à aplicação prática dos ideais.

Nossas universidades deveriam ser uma extensão ampliada de tudo que já foi feito. Deveriam embelezar e completar a estrutura já erigida e lidar mais diretamente com o mundo do significado. Os problemas internacionais - econômicos, sociais, políticos e religiosos - deveriam ser considerados e o homem ou mulher relacionados ainda mais definidamente ao mundo como um todo. Isso de modo algum indica negligenciar os problemas ou compromissos individuais ou nacionais, mas procurar incorporá-los no todo como partes integrais e efetivas, e assim evitar as atitudes separatistas que trouxeram a derrocada de nosso mundo moderno.

Mais tarde (quando a religião for novamente restaurada) poderia demonstrar-se que esse treinamento será fundamentalmente espiritual, usando-se essa palavra para significar compreensão, solidariedade, fraternidade, corretas relações humanas e uma crença da realidade do mundo por trás da cena fenomenológica. O ajustamento de um homem à cidadania e ao reino de Deus não é uma atividade religiosa a ser manipulada exclusivamente pelas igrejas, através do ensino teológico, embora haja muito que elas possam fazer para ajudar. Ela é seguramente a tarefa da educação superior, dando propósito e significação a tudo que tenha sido feito.

A sequência seguinte sugere-se ao considerarmos o currículo a ser planejado para a juventude das gerações seguintes imediatas:

Educação primária Civilização Idades: 4-12
Educação secundária Cultura Idades: 12-18
Educação superio Cidadania Mundial Idades: 18-25

No futuro, a educação fará um uso muito maior da psicologia do que até agora. Uma tendência nessa direção já se pode ver. A natureza - física, vital, emocional e mental - do rapaz ou da moça será investigada cuidadosamente e seus propósitos de vida dissociados serão direcionado: segundo linhas corretas; ele aprenderá a reconhecer-se como alguém que age, que sente e que pensa. Assim a responsabilidade do "Eu" central, ou do ocupante do corpo, será ensinada. Isso modificará por inteiro a atual atitude do jovem do mundo com relação ao que o circunda, e alimentará desde seus primeiros anos, o reconhecimento de uma parte a ser desempenhada e uma responsabilidade a ser assumida. A educação será considerada como um método de preparação para aquele futuro útil e interessante.

Torna-se, portanto, cada vez mais evidente que a educação vindoura poderia ser definida num sentido novo e mais amplo como a Ciência das corretas Relações Humanas e da Organização Social Isso dá um propósito comparativamente novo a qualquer currículo introduzido e entretanto indica que nada até agora utilizado necessite ser eliminado somente uma motivação melhor será óbvia e uma apresentação nacionalista e egoísta, evitada. Se a história, por exemplo, for apresentada na base das ideias condicionadoras que fizeram a humanidade progredir e não na base das guerras agressivas e da pilhagem internacional ou nacional então a educação se preocupará com a percepção correta e o uso correto das ideias, de sua transformação em ideais trazidos à prática e sua aplicação como a vontade-para-o-bem a vontade-para-a-verdade e a vontade-para-a-beleza. Assim se poderá estabelecer uma mudança muito necessária dos objetivos da humanidade de nossos objetivos atuais os quais, de competitivos e materialistas, passarão a mais plenamente expressar as Regras de Ouro, e as corretas relações entre indivíduos, grupos, partidos, nações serão estabelecidos por todo o mundo, internacionalmente.

A educação deveria preocupar-se de maneira crescente com os todos da vida bem assim com os detalhes da vida diária individual. A criança, como um indivíduo, será desenvolvida e equipada, treinada e motivada e então ensinada com relação às suas responsabilidades para com o todo e o valor da contribuição que pode e deve dar ao grupo.

Talvez seja um lugar comum dizer que a educação deveria ocupar-se necessariamente com o desenvolvimento dos poderes de raciocínio da criança e não primariamente - como é agora usualmente o caso - com o treinamento da memória e a memorização, como um papagaio, dos fatos e datas e de itens de informação não correlacionados e mal digeridos. A história do crescimento das faculdades de percepção do homem sob diferentes condições nacionais e raciais é de profundo interesse. As figuras mais destacadas da história, da literatura, da arte e da religião serão seguramente estudadas do ângulo de seu efeito e de sua influência para o bem ou mal de seus períodos; a qualidade e propósito de sua liderança serão consideradas. Assim a criança absorverá uma vasta quantidade de informação histórica, da atividade criativa e do idealismo e filosofia não somente com o máximo de facilidade, mas com permanente efeito sobre seu caráter.

A continuidade do esforço, os efeitos sobre a civilização da tradição antiga, acontecimentos bons e maus e o intercâmbio de variados aspectos culturais da civilização serão trazidos à sua atenção e as meras informações secas-como-poeira, datas e nomes cairão no descrédito. Todos os ramos do conhecimento humano, desta maneira, poderiam chegar vivos e alcançar um novo nível de utilidade construtiva. Há já uma tendência definida nessa direção, e ela é boa e saudável. O passado da Humanidade como um fundamento para os acontecimentos atuais, e o presente como um fator determinante do futuro serão crescentemente reconhecidos e assim grandes e necessárias mudanças ocorrerão na psicologia humana, como um todo.

A aptidão criativa do ser humano, deveria também, sob a nova era, receber maior atenção; a criança deveria ser estimulada a aplicar seu esforço individual ajustado ao seu temperamento e capacidade. Assim ela será induzida a contribuir com o que puder de beleza para o mundo e o pensamento correto para a totalidade do pensamento humano. Ela será encorajada a investigar e o mundo de ciência será aberto diante dela. Por trás de todos esses incentivos aplicados estarão os motivos da boa vontade e das corretas relações humanas.

Finalmente, a educação deveria seguramente apresentar a hipótese da alma no homem como o fator interior que produz o bem, o verdadeiro e o belo. A expressão criativa e o esforço humanitário receberão, por conseguinte, uma base lógica. Isso não será feito através da apresentação teológica nem doutrinária, como é hoje o caso, mas como um problema para investigação e como um esforço para responder à questão: Quê é o homem? Qual é seu propósito intrínseco no esquema das coisas? A vivacidade da influência e o propósito proclamado por trás do constante aparecimento dos lideres espirituais, culturais e artísticos do mundo ao longo do tempo serão estudados e suas vidas sujeitas à pesquisa, quer do ponto de vista histórico, quer do psicológico.
Isso abrirá aos jovens do mundo o problema inteiro da liderança e do motivo. A educação, por conseguinte, será dada na forma do interesse humano, da conquista humana e da possibilidade humanas. Isso será feito de tal maneira que o conteúdo da mente do estudante não somente será enriquecido com fatos literários e históricos, mas sua imaginação será acesa e sua ambição e aspiração evocadas segundo linhas verdadeiras e corretas; o mundo do passado esforço humano ser-lhe-á apresentado sob uma perspectiva mais verdadeira e o futuro lançado aberto também num apelo ao seu esforço individual e contribuição pessoal.

O que acabei de dizer não implica uma condenação dos métodos passados exceto na medida em que o próprio mundo de hoje condena; não constitui uma visão pouco prática nem uma esperança mística, baseada num pensamento dependente do desejo individual. Ela diz respeito a uma atitude de vida e do futuro que muitos milhares de pessoas hoje sustentam, e entre elas muitos educadores em cada país. Os erros e enganos das técnicas passadas são óbvios, mas não há necessidade de se perder tempo enfatizando-os nem empilhando exemplos.

O que é necessário é uma conscientização da oportunidade imediata, mais o reconhecimento de que a mudança exigida e os objetivos e transformações nos métodos levarão muito tempo. Teremos de preparar nossos professores de maneira diferente e muito tempo passará enquanto tateamos em busca de maneiras novas e melhores, desenvolvamos novos livros de texto e encontremos os homens e mulheres que possam ser sensibilizados pela nova visão e que trabalhem pela nova civilização. Procuramos aqui dar ênfase a princípios com o reconhecimento de que muitos deles não são de modo algum novos, mas que requerem nova ênfase. Agora é o dia da oportunidade.

Um melhor sistema educacional deveria portanto ser elaborado, apresentando as possibilidades do ser humano de tal maneira que as barreiras sejam derrubadas, os preconceitos removidos e um treinamento dado à criança em desenvolvimento que a capacite, ao crescer, a viver com outros homens em harmonia e boa vontade. Isso pode ser feito, se se desenvolverem a paciência e a compreensão e se os educadores se derem conta que "onde não há nova visão o povo perece".

Um sistema internacional de educação, desenvolvido em conferência conjunta por professores e autoridades educacionais de mente arejada em todos os países é hoje uma necessidade gritante e deveria proporcionar um recurso principal para preservar a paz mundial. Passos para isso estão já sendo dados e grupos de educadores estão se reunindo e discutindo a formação de um sistema melhor que garanta que as crianças de diferentes nações (começando com os milhões de crianças precisando de educação hoje) sejam ensinadas com respeito à verdade, sem preconceitos.

A democracia mundial tomará forma quando os homens em toda parte forem considerados na realidade como iguais; quando moças e rapazes aprenderem que não importa se o homem for asiático, americano, europeu, inglês, judeu ou gentio, mas somente que cada um tenha um histórico que o capacite a contribuir com algo para o bem do todo, que o principal requisito seja uma atitude de boa vontade e um esforço constante para sustentar corretas relações humanas. A Unidade Mundial será um fato quando as crianças do mundo aprenderem que as diferenças religiosas são em grande parte uma questão de nascimento; que se um homem nascer na Itália haverá a probabilidade de que ele seja um católico; se ele nascer judeu, ele seguirá os ensinamentos judaicos; se nascer na Ásia, ele será provavelmente um maometano, ou budista, ou pertencerá a uma das seitas hindus; e se nascer em outros países, poderá ser um protestante e assim por diante. Ele aprenderá que as diferenças religiosas são em grande parte o resultado de querelas criadas pelo homem sobre interpretações humanas da verdade. Assim gradualmente nossas brigas e diferenças serão eliminadas e a ideia da Humanidade Una tomará seu lugar.

Um cuidado muito maior terá de ser tomado na seleção e treinamento dos professores do futuro e particularmente aqueles que, nos países destruídos pela guerra, tentarem obter facilidades educacionais para o povo. Suas conquistas mentais e seu conhecimento de sua particular matéria serão importantes, mas mais importante ainda será a necessidade deles de estarem livres de preconceito e verem todo os homens como membros de uma grande família. O educador do futuro precisará ser um psicólogo mais habilitado do que ele é hoje. Além de transmitir conhecimento acadêmico, ele se dará conta de que sua principal tarefa será evocar em sua classe de alunos um real senso de responsabilidade; não importa o que ele tenha de ensinar - história, geografia, matemática, línguas, a ciência em seus vários ramos ou filosofia - ele o relacionará com a Ciência das Corretas Relações Humanas e tentará dar uma perspectiva mais verdadeira à organização social do que foi feito no passado.

Quando os jovens do futuro - sob a aplicação proposta dos princípios - forem civilizados, aculturados e capazes de responder à cidadania mundial, nós teremos um mundo de homens despertos, criativos e possuidores de um verdadeiro senso de valores e uma visão saudável e construtiva dos assuntos mundiais. Levará longo tempo para se chegar a isso, mas não é impossível, como a própria história tem provado. Algum dia uma análise será feita da contribuição dos três grandes continentes - Europa, Ásia e América - ao desenvolvimento geral da humanidade. A revelação progressiva da glória do espírito humano ainda necessita de expressão escrita - sua glória composta e não apenas aqueles aspectos dela que sejam estritamente nacionais. Ela consiste no fato que toda raça e todas as nações sempre produziram aqueles que expressaram o ponto mais elevado de conquista para seus dias e sua geração - homens que reuniram dentro de si mesmos aquela triplicidade básica: instinto, intelecto e intuição. Seu número era relativamente pequeno nos primitivos estágios do desenvolvimento humano, mas hoje esse número está rapidamente aumentando.

Devemos ter o bom senso, todavia, de levar em conta que essa integração não será possível para todo estudante que passe pelas mãos de nossos professores. Os estudantes terão de estar articulados segundo os três ângulos que formam o arcabouço deste capítulo:

1) Os que forem capazes de ser civilizados. Isso se refere à massa dos homens.

2) Os que forem capazes de serem conduzidos para o mundo da cultura. Isso inclui um número muito grande.

3) Os que acrescentarem aos princípios da civilização e da cultura uma capacidade de atuarem como almas, não só nos dois mundos da vida instintiva e inteligente, mas também no mundo dos valores espirituais e fazer isso com uma integração tripla completa.

Todos, contudo, não importando qual seja sua capacidade inicial, podem ser treinados na Ciência das Corretas Relações Humanas, e assim responder ao principal objetivo dos sistemas educacionais vindouros. Indicações disso podem ser vistas a cada passo mas por enquanto a ênfase não está posta no treinamento dos professores nem no influenciar os pais. Muito, muito mesmo, tem de ser feito pelos grupos esclarecidos em toda parte e isso eles têm feito enquanto estudam os requisitos para cidadania, enquanto assumem o trabalho de pesquisa nas relações sociais e através das muitas organizações que estão tentando trazer para a massa da humanidade um senso de responsabilidade pela felicidade humana e pelo bem-estar humano. Esse trabalho deve ser iniciado na infância, para que a consciência da criança (tão facilmente dirigida) possa desde os primeiros dias assumir uma atitude não egoísta com relação aos seus semelhantes.

O trabalho a ser feito agora é um trabalho de ponte - ponte entre o que é hoje e o que pode ser no futuro. Se, durante os anos vindouros, nós desenvolvermos essa técnica de estabelecer uma ponte entre as múltiplas clivagens encontradas na família humana e em eliminar os ódios raciais e as atitudes separatistas das nações e das pessoas, teremos sido bem sucedidos em construir um mundo no qual a guerra será impossível e a humanidade estará se realizando como uma família humana e não como um agregado em luta de muitas nações e povos, competitivamente engajados em obter o melhor de cada outro e alimentando bem sucedidos preconceitos e ódios. Esta, como temos visto, tem sido a história do passado. O homem desenvolveu-se a partir de um animal isolado, apenas acionado pelos instintos de conservação, da busca do alimento e do acasalamento, através dos estágios da vida familiar, da vida tribal e vida nacional, até o ponto onde hoje um ideal ainda mais amplo pode ser alcançado por ele - uma unidade internacional ou o suave funcionamento da Humanidade Una.

Esse idealismo crescente está tentando abrir caminho até a vanguarda da consciência humana apesar de todas as inimizades separatistas. Ele é grandemente responsável pelo caos atual e pela reunião nas Nações Unidas. Ele produziu as ideologias conflitantes que estão procurando expressão mundial; ele produziu a dramática emergências dos salvadores nacionais (assim-chamados); dos profetas mundiais, dos trabalhadores mundiais, idealistas oportunistas, ditadores e investigadores e humanitários. Esses idealismos conflitantes são um signo global, quer os aceitemos, quer não. Eles são reações definidas à exigência humana - urgente e correta - de melhores condições, de mais luz e compreensão, de maior cooperação, de segurança e paz e abundância em lugar do terror, do medo e da fome.

Conclusão

É difícil para o homem moderno conceber um tempo em que não haja uma consciência racial, nem nacional, nem religiosa separatista presentes no pensamento humano. Foi igualmente difícil para o homem pré-histórico conceber um tempo em que houvesse um pensamento nacional. É bom termos isso em mente. O tempo em que a humanidade será capaz de pensar em termos universais ainda está muito distante, mas o fato de podermos falar dele, desejá-lo e planejá-lo é seguramente a garantia de que não é impossível. A humanidade sempre progrediu de estágio a estágio de esclarecimento e de glória a glória. Nós estamos hoje em nosso caminho para uma civilização muito melhor do que o mundo jamais concebeu e para condições que assegurarão uma humanidade muito mais feliz e que verá o fim das diferenças nacionais, das distinções de classe (baseadas na hereditariedade ou no status financeiro) e que assegurará uma vida mais plena e mais rica para todos.

Será óbvio que muitas décadas se passarão antes que tal estado de coisas esteja ativamente presente - mas serão décadas e não séculos, se a humanidade puder aprender as lições da guerra mundial, se as pessoas reacionárias e conservadoras em cada nação puderem ser impedidas de empurrar a civilização de volta para as velhas más linhas. Mas um começo pode ser promovido de imediato. A simplicidade deveria ser nossa palavra de passe para isso, pois a simplicidade é que matará nossa velha maneira materialista de viver. A boa vontade cooperativa é certamente a primeira ideia a ser apresentada às massas e ensinada em nossas escolas, assim garantindo a nova e melhor civilização. A compreensão amorosa, inteligentemente aplicada, deveria ser o sinete dos grupos mais cultos e mais sábios, mais o esforço de sua parte para relacionar o mundo do significado com o mundo dos esforços externos - para o benefício das massas. A Cidadania Mundial, como uma expressão tanto da boa vontade como da compreensão, deveria ser a meta dos esclarecidos em toda parte e o selo do homem espiritual. Nessas três, vocês têm as corretas relações estabelecidas entre a educação, a religião e a política.

A nota-chave da nova educação é essencialmente a correta interpretação da vida, passada e presente, e sua relação como o futuro da humanidade; a nota-chave da nova religião deverá e precisa ser uma correta aproximação a Deus, transcendente na natureza e imanente no homem, enquanto que a nota-chave da nova ciência, da política e do governo serão as corretas relações humanas e para isso a educação deve preparar a criança.

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