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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção IV - Etapas da Exteriorização da Hierarquia - Parte 4
Os Ashrams Relacionados com a Vinda
A Organização da Forma dos Ashrams na Terra
Os Efeitos da Exteriorização
Adaptação Ashrâmica à Vida Exotérica

OS ASHRAMS RELACIONADOS COM A VINDA

Junho de 1948

A Lua cheia está sobre nós e os pensamentos do mundo (muito mais do que possam crer) dirigem-se para o Cristo. É sobre o que Lhe diz respeito que falo hoje com vocês, estando isto ligado, de modo indissolúvel, ao que diz respeito à humanidade, pois assim Ele quis. Muitas pessoas hoje, em todos os países, estão dirigindo seus pensamentos conscientemente para Ele; outras estão conscientes de uma vaga orientação para alguma Pessoa ou Potestade divino que deve e deveria ajudar a humanidade na hora da necessidade. Em todas as partes o espírito do homem está se elevando, o que sabemos melhor que vocês, cujos valores e reações não são tão espirituais. A força, o poder e as energias especiais que Ele recebeu naquele momento dramático em que o Ele, o Buda e o Senhor do Mundo criaram um Triângulo de Luz no momento do Festival de Wesak, serão liberados por Ele no momento da Lua cheia de Gêmeos. Esta Luz se concentrou no "centro a que chamamos raça dos homens”, mas ainda não foi liberada. Na Lua Cheia será vertida sobre toda a Terra. Durante o intervalo entre a recepção e a distribuição, ela se transformou em energia de boa vontade e em luz que iluminará as mentes dos homens.

A Grande Invocação - atualmente já empregada por tanta gente - facilitou muito a receptividade dos homens; o surgimento criador da boa vontade eficaz pode, porém, levar algum tempo para se manifestar. No entanto, nada pode deter o seu sutil trabalho e oportuno e difundido aparecimento, em escala suficientemente ampla para que seja efetiva em todo o mundo. Esta expressão tão desejável do propósito divino se cumprirá se a humanidade, como um todo, permanecer em constante expectativa, sábia atividade e adotar decisões amplas e fraternas. Como disse tantas vezes, as decisões finais sobre os assuntos mundiais devem ser tomadas pela humanidade, em escolha deliberada; nem a Hierarquia nem os discípulos do Cristo jamais coagem os homens a tomar determinada ação desejável. O livre- arbítrio do homem deve ser preservado. De maneira única, os homens hoje estão enfrentando um período de liberação da alma humana, ou de aprisionamento indefinido. A correta decisão levará ao Reino de Deus, e a outra a um recuo que endeusará o passado e prolongará a ação errada de antigamente.

Esta efluência de energia espiritual passa através dos grupos ou (para usar uma palavra técnica relativamente sem importância), através dos Ashrams de todos os Mestres de Sabedoria, os discípulos do Cristo. Em seguida, esta energia é transformada ou transmutada por eles para atender adequadamente as necessidades dos diferentes tipos de pessoas que compõem a humanidade e que são representados nos Ashrams por diferentes Mestres. Esta energia passa através de todos os Mestres e de todos os discípulos, de maneira que todos - segundo suas muito diferentes etapas - possam receber o estímulo necessário. Precipitam certos aspectos especializados desta energia então recebida e serão, portanto, particularmente ativos no período seguinte.

Cinco dos Mestres e Seus cinco Ashrams estão basicamente envolvidos neste trabalho preparatório. Antes de tudo temos o ashram do Mestre K.H., ashram que preside este trabalho, por ser de segundo raio e, portanto, da mesma linha de energia espiritual e origem que o próprio Cristo. Outra razão é que o Mestre K.H. assumirá o papel de Instrutor do Mundo em um futuro distante, quando o Cristo passar para um trabalho mais elevado e mais importante do que o de se ocupar da consciência da humanidade. Vem em seguida o Mestre Morya e Seu ashram, porque todo o procedimento é projetado de Shamballa e Ele está em estreito contato com esse centro dinâmico. O Mestre R., como o Senhor da Civilização, está necessariamente envolvido de maneira estreita neste trabalho de preparação, e também porque é denominado de Regente da Europa. Outro ashram está também profundamente implicado neste trabalho; fiz referência algumas vezes ao Mestre responsável pela organização do Trabalhismo. Ele deu início a este trabalho em fins do século XIX, mas deixou que fosse levado adiante por conta própria quando a Rússia entrou em campo e deu uma ênfase indevida ao proletariado durante a revolução e nos últimos anos do primeiro quarto do século XX. Eu (D.K.) sou o quinto Mestre relacionado a este trabalho especial e sou, por assim dizer, o agente de ligação entre os discípulos ativos e conscientes que estão trabalhando no mundo dos assuntos externos e aqueles diretamente responsáveis ante o Cristo pelo trabalho de preparação. Certos discípulos destes cinco Ashrams ou grupos foram e serão especialmente treinados para o trabalho de estabelecer contato com o público.

O estímulo a ser transmitido será liberado na próxima Lua Cheia. Estas cinco energias especializadas são:

1. A energia de Amor-Sabedoria. Esta energia sempre exerce um efeito em todo tipo de ser humano no mundo. Seu efeito é estimular a tendência para a boa vontade e produzir um desenvolvimento mental capaz de transmutar o conhecimento - armazenado ao longo das eras - em sabedoria. É de sabedoria que se precisa hoje. Aqueles que estão procurando agora fomentar a boa vontade em si mesmos e em outros, serão estimulados para uma ação inteligente. Portanto, podem ver que a efluência desta energia é a primeira e maior necessidade. Pode chegar até a humanidade, porque os Fundadores de todas as religiões mundiais (não me refiro às suas inúmeras diversificações) se encontram unidos ao Cristo, Seu Senhor e Mestre; através de Seu esforço unido e dirigido afluirão estas energias. Não se esqueçam de que o Cristo representa a energia do amor e o Buda a energia da sabedoria.

2. A Energia da Vontade ou Poder. A efluência dessa, energia, devido às "pequenas vontades” da maioria dos homens e as desenvolvidas e tenazes vontades de certos líderes mundiais não exercerá um efeito ou contato tão amplo ou potente como as outras. Este influxo, porém, servirá para produzir uma "intenção fixa”, por parte de muitos para trabalhar incessantemente pela paz e a compreensão verdadeiras. Estas pessoas ajudarão, pois, na tarefa de implementar a boa vontade. No entanto, este influxo reforçará a vontade dos homens egoístas, ambiciosos e obstinados que ocupam posições de poder e influência, o que aumentará as dificuldades - pelo menos temporariamente. A salvação do mundo e a obtenção da necessária segurança serão produzidas a longo prazo pelas massas de todas as partes e de todas as nações; será o resultado de um intenso processo de educação. A humanidade ainda não sabe como manipular inteligentemente a energia da vontade-para-o-poder, e isto em grande parte prejudicou a manifestação da vontade-para-o-bem. A força de Shamballa é forte demais para aqueles que são naturalmente voluntariosos. No caso de certos homens poderosos, esta energia os alcança diretamente sem que seja atenuada pelo contato com a Hierarquia de Amor; esta energia se expressa no campo da política e do governo, por intermédio dos governantes, dirigentes graduados, estadistas e políticos. Quando as "pequenas vontades” dos intelectuais, daqueles que servem ao público em uma ou outra função e, sobretudo, daqueles que trabalham em conexão com a Organização das Nações Unidas se fortalecerem, estimularem e focarem na boa vontade, a união das duas energias, de Amor-Sabedoria e de Vontade, poderá produzir as necessárias mudanças na vida planetária. Não é um evento imediato, mas não é uma visão do impossível.

3. A Energia da Inteligência Ativa: Este terceiro tipo de energia é o que a humanidade moderna recebe mais facilmente - o que talvez seja um comentário algo depreciativo sobre as aspirações do homem. A prova disso reside no fato de que grande parte deste tipo de energia (devido à percepção e desejos egoístas da humanidade) se cristalizou em dinheiro. A inteligência humana tem servido ao partido do materialismo e não ao partido dos valores espirituais. O dinheiro é a expressão concretizada do terceiro tipo de energia espiritual. Esta expressão particular apareceu primeiro no antigo e igualmente materialista sistema de escambo e troca; em seguida, em civilizações posteriores (incluindo predominantemente a nossa) tivemos o aparecimento do dinheiro, primeiro feito de produtos do reino mineral, que se tornou depois papel-moeda, fabricado com produtos do reino vegetal, culminando na moderna preocupação pelo dinheiro. Há um significado oculto muito profundo a se descobrir nas palavras do Novo Testamento, segundo o qual "o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal”. Basicamente, dinheiro e egoísmo estão por trás da atual desastrosa situação econômica. Os grandes financistas, na realidade, são aqueles para os quais receber dinheiro ou este tipo de energia constitui a linha de menor resistência; além disso, têm vontade de fazer grandes fortunas, o que não se pode negar. Querem fazer fortuna; aplicam sua inteligência para alcançar esta meta e nada é capaz de detê-los. Muitos deles são puramente egoístas; outros consideram o dinheiro como um fundo para ser usado para outros, e são assombrosamente generosos em um sentido filantrópico e humanitário. Estes homens são receptivos ao primeiro tipo de energia e muitas vezes os três tipos de energia encontram um canal através deles e o mundo é muito beneficiado; tais homens são muito raros. Ainda resta para o aspecto cristalizado desta terceira energia - dinheiro - ser usado em grande escala para apoio ao trabalho da Hierarquia. É neste ponto e com relação a dinheiro que será a grande prova para a boa vontade.

4. A energia que produz a ordem. É a energia do sétimo raio ou poder da divindade. Neste momento sua principal expressão virá através das relações e dos ajustes necessários entre o capital e o trabalho, sendo que o trabalho estará envolvido principalmente. O Ashram do Mestre que mencionei acima está assimilando esta energia; no início da era industrial Ele foi responsável pela formação do movimento trabalhista - movimento que colocou em relação os trabalhadores do mundo. É interessante ter em mente que hoje o trabalhismo atua internacionalmente; é um grupo que aprende com rapidez e contém em si mesmo as sementes de um grande bem; provavelmente é este grupo que colocará a boa vontade na vanguarda do pensamento humano - no pináculo do pensamento. O Mestre ao Qual me referi pertence ao Ashram do Mestre R., assistindo-o nesta fase do trabalho.

5. A energia das corretas relações humanas. Esta energia é uma expressão subsidiária da energia de Amor-Sabedoria - a primeira das grandes energias que afluem. Emana, portanto, do Ashram subsidiário, pelo qual sou responsável. Escrevi e ensinei muito sobre ela e com algum sucesso. "Corretas relações humanas” não são simplesmente boa vontade, como as pessoas creem, são produto ou resultado da boa vontade, e promotoras de mudanças construtivas entre indivíduos, comunidades e nações. Não preciso escrever sobre isto, pois já têm bastante ensinamento de minha parte para guiá-los. As suas ações diárias serão de boa vontade dirigida para o estabelecimento de corretas relações humanas se estiverem corretamente orientados dentro da raça dos homens e dirigidos para a Hierarquia espiritual.

Estas energias - ao lado de outras que hoje são menos potentes e, portanto, de importância secundária - estimularão grandemente os corações e as mentes dos homens. A tarefa dos membros da Hierarquia é distribuir estas energias (uma vez liberadas pelo Cristo) para os discípulos ativos no plano físico e para os muitos aspirantes em treinamento para o discipulado e para os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo, ao qual pertencem os que se dedicam totalmente a servir à humanidade e ao estabelecimento de corretas relações humanas sob a impressão hierárquica; os aspirantes e um bom número de discípulos têm interesses diversificados e servem apenas em tempo parcial. A todos estes grupos foi confiada a tarefa de implementar o trabalho e dirigir as energias pelas quais o Cristo é responsável. Os objetivos da Hierarquia neste ato divino de impressão e estimulação massivos são três, e os exponho de forma breve:

1. Impulsionar as condições que viabilizarão a vinda do Cristo. A influência combinada destas energias produzirá resultados que a princípio poderão parecer indesejáveis, pois a oposição remanescente das forças do mal ainda está muito ativa e deve ser superada. Isto pode exigir medidas drásticas, mas oportunamente surgirá um grande bem.

2. Penetrar as mentes dos homens para que estejam prontos a receber a influência do Avatar de que falam as Escrituras. É chamado de Avatar da Síntese e Sua influência se estenderá por todo o trabalho e pela atividade do Cristo.

É preciso lembrar que síntese é um aspecto da primeira característica divina, a Vontade, melhor dizendo, da Vontade-para-o-Bem. Esta energia ou influência, que o próprio Cristo manejará (e para isso Ele vem se preparando há muito tempo) produz coesão, aproximação e tendência para a fusão e a união. A separatividade da humanidade e seu egoísmo, alcançaram proporções tão vastas e seus efeitos ficaram tão completamente dominados pelas forças do mal, que - em resposta ao clamor incipiente em massa da humanidade - a Hierarquia convocou intervenção espiritual. A constante propaganda egoísta, falada e escrita, a maioria da qual é materialista, nacionalista e basicamente falsa e de motivação errada, virou um clamor tal que chegou a esferas habitualmente inacessíveis aos sons da Terra; o Avatar da Síntese foi chamado para ajudar.

O principal objetivo e a tarefa imediata do Cristo é pôr fim à separatividade que existe entre um homem e outro, uma família e outra, uma comunidade e outra, e uma nação e outra nação. Este simples enunciado pode ser facilmente compreendido pelo mais ignorante; é simples, porque proporciona também um objetivo e uma tarefa prática para o mais insignificante e menos importante dos filhos dos homens; todos podem colaborar se quiserem. No entanto, é uma tarefa que exigiu a mobilização de toda a Hierarquia planetária, e também o auxílio de um grande Ser Que normalmente trabalharia em níveis de consciência mais elevados do que aqueles em que trabalham o Cristo e Seus discípulos.

Estimular a aspiração nos corações dos homens para que a receptividade humana ao bom, ao belo e ao verdadeiro aumente de maneira expressiva. Estas energias trarão a nova era criadora que se expressará tão logo a tensão do mundo tiver se acalmado. Então, os homens estarão livres para pensar e criar as novas formas para os novos ideais. Manifestarão, mediante a palavra, a cor, a música e a escultura, a nova revelação e o novo mundo que a vinda do Cristo inaugurará.

Será evidente (se acompanharam bem as minhas palavras) que um grande movimento espiritual está a caminho - talvez o maior de todos os tempos, com exceção da grande crise espiritual que trouxe à existência o quarto reino, o reino humano. Mencionei acima apenas três dos resultados mais importantes que a Hierarquia espera. Ela considera que a humanidade alcançou um ponto na evolução em que muito se pode fazer, porque as mentes dos homens - pela primeira vez em escala mundial - estão sensíveis à impressão espiritual. A oportunidade do momento é única, porque as mentes de todas as partes estão se revelando muito receptivas ao bem e ao mal. Hoje os homens são mais regidos pelo pensamento reflexivo do que pelo impulso cego. Sempre existiram pequenos grupos e poucas almas que demonstraram a capacidade de responder à impressão espiritual. A linha de menor resistência para as massas é o impulso egoísta, e aí reside, para as Forças da Luz, o principal ponto de ataque. As potências totalitárias sempre compreenderam e exploraram a capacidade dos seres humanos de responder à impressão boa ou má. Inculcando em seus povos certas doutrinas, certos princípios e crenças, mas ocultando a verdade ou os fatos e ignorando as realidades, conseguem que eles as aceitem, o que significa - para aqueles que instauram e dirigem estes procedimentos - um imenso poder.

Outras nações, as pretensas democracias, encontram-se em um estado de grande confusão, divididas em partidos políticos, religiosos e sociais; escutando os ensinamentos, os sonhos e projetos de toda pessoa que possua uma ideia e que imperiosamente se introduz na consciência pública; não têm uma verdadeira ou boa política, pois estão contaminadas pelo egoísmo (pessoal ou nacional e, às vezes, ambos), e exigem solução para os assuntos materiais com pouca ou nenhuma preocupação com as metas e os valores espirituais reconhecidos.

Felizmente há um grupo crescente de pessoas de todas as religiões ou sem nenhuma, em todos os continentes e nações que estão conscientes do impacto deste movimento espiritual que une a humanidade e a Hierarquia. Isto se deve a que reagem à esperança espiritual, à expectativa e à crença curiosamente difundida de que é possível e está próxima uma intervenção divina. À medida que se desenvolve o impulso desta atividade espiritual, a receptividade dos homens se desenvolverá; e, se reagirem como se espera, serão as massas de todas as partes que se unirão lentamente, a fim de viabilizar as condições necessárias para o reaparecimento do Príncipe da Paz, trazendo consigo a potência e a bênção do Avatar da Síntese. O número destas pessoas semi-iluminadas vai crescendo rapidamente; sua desesperança acelera a ajuda do alto e, no devido tempo, seu número será tão grande que nem o totalitarismo nem a democracia caótica serão capazes de resistir a elas.

Não lhes apresento um sonho místico ou visionário. Implica em um sólido senso de negócios no plano físico, em bom senso prático, na cessação da constante apresentação de um belo futuro em um céu imaginário de ociosidade e inutilidade. A introdução do Reino de Deus, a preparação para a vinda do Cristo e a salvação da humanidade exigem coragem, organização, tino para os negócios, psicologia e perseverança. São necessários trabalhadores treinados, muito dinheiro, programas cuidadosamente considerados, uma visão de longo alcance, além de procedimentos modernos sensatos. Para isto são chamados hoje todos que têm uma verdadeira visão e amor pela humanidade. Significa difundir a boa vontade inteligentemente cultivada e fomentar as condições, atitudes e pontos de vista que trarão inevitavelmente corretas relações humanas.

Peço-lhes que dediquem uma cuidadosa atenção sobre um assunto muito importante. No momento em for alcançado um ponto de equilíbrio, no momento em que aqueles que apoiam a separatividade, o materialismo, o totalitarismo ou qualquer forma de regime imposto (e, portanto, uma união dominada pelo mal) e aqueles que preconizam a liberdade da alma humana, os direitos do homem, a fraternidade e as corretas relações humanas, se igualarem em força, posição e influência, então as portas da Hierarquia (falando simbolicamente) se abrirão e o Cristo virá com Seus discípulos. Este equilíbrio deve ser alcançado nos níveis mentais, e será alcançado por aqueles que podem pensar e exercer influência, em cujas mãos repousa a responsabilidade pelo que as massas, que não acedem ao nível mental, sabem e creem. O trabalhador não qualificado e as inúmeras pessoas que nunca pensam, aqueles que são jovens na experiência da encarnação, e as multidões que não querem pensar, embora sejam capazes disso, estão nas mãos de dois vastos e dominantes grupos: os totalitários e os democratas.

As consequências de se atingir um ponto de equilíbrio estão muito próximas nos dias de hoje. O mal organizado não está no poder; o bem organizado ainda é bastante ineficaz, devido, sobretudo, ao fracasso das religiões do mundo, que não conseguiram apresentar uma verdadeira imagem da missão do Cristo; portanto, a luta pelo controle está hoje entre nós. Se as forças do mal e os grupos de homens que procuram controlar o espírito humano (em qualquer país que se encontrem, e eles existem em todos os países sem exceção) chegarem a dominar, as portas do mal se abrirão e a vida do homem perderá o sentido; a morte se estabelecerá no nosso planeta - morte tanto espiritual como mental. Se as forças do bem, o trabalho do Novo Grupo de Servidores do Mundo e as atividades dos homens de boa vontade de todas as partes prevalecerem, as portas da Hierarquia espiritual se abrirão e - para usar uma frase bíblica - as Hostes do Senhor se revelarão. O Cristo Virá.

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ORGANIZAÇÃO DA FORMA DOS ASHRAMS NA TERRA

Junho de 1949

Peço a vocês que, no momento desta Lua cheia de Gêmeos, dediquem tempo a visualizar a situação que provavelmente acontecerá na Terra, se e quando (como resultado do trabalho de preparação realizado pela humanidade) a Hierarquia se exteriorizar ou se manifestar como uma organização definida e reconhecida no plano físico. O que acontecerá no mundo se os Mestres de Sabedoria atuarem objetiva e fisicamente entre as populações, por exemplo, das nossas grandes cidades? Durante milhões de anos trabalharam nos bastidores, empregando a mente, o cérebro e o instrumental físico de Seus discípulos para executar Seus propósitos benéficos. Esses trabalhadores, inspirados pela Hierarquia, não são de nenhuma maneira médiuns por natureza, mas estabeleceram uma relação correta com suas próprias almas e com o Mestre de seu ashram. Respondem à impressão hierárquica; conhecem os planos que os Mestres se esforçam por concretizar, e colaboram de maneira voluntária e consciente; têm plena liberdade para trabalhar como acham conveniente - após o devido reconhecimento da informação e inspiração dadas.

Chegará ao seu fim este sistema de trabalhar em prol da humanidade? De que maneira serão feitas as mudanças eficazes e necessárias? Como ocorrerá a organização proposta? Que proporção destas mudanças e desta organização será percebida pela humanidade comum? Estas e muitas perguntas desse tipo se colocam em suas mentes de maneira quase automática, e é imprescindível que a imaginação criadora do homem evoluído, dos aspirantes, dos discípulos em provas (como também do discípulo ativo) não corram à solta, criando formas-pensamento que poderiam intervir entre a verdadeira visão e o trabalho a ser feito, frustrando assim a necessária manifestação. É sumamente importante compreender os seguintes fatos: o pensamento dos que estão preparando a humanidade para o reaparecimento do Cristo deve ser bem guardado e controlado; fantasias e planos de acordo com os métodos e técnicas humanas comuns não devem ser permitidos atualmente. Portanto, a primeira lição a aprender neste trabalho de preparação é pensamento controlado e sensibilidade à impressão hierárquica.

A única tarefa que vocês e todos os aspirantes e discípulos têm que enfrentar é preparar a humanidade para dois acontecimentos:

1. A organização de alguns Ashrams dos Mestres nos diferentes países, onde poderão prestar um serviço eficaz.

2. O reaparecimento do Cristo, em data posterior à exteriorização dos Ashrams e sua organização no plano físico.

Como, onde, quando e de que maneira os Mestres farão Seu aparecimento não compete a vocês. Seus planos estão traçados e Eles não esperam nenhuma obstrução ou suposições irrefletidas por parte daqueles aos quais foi confiada a tarefa de preparação. Proporcionaram ensinamento da nova era aos aspirantes e discípulos do mundo, para que estes o divulgassem; estão admitindo rapidamente novos discípulos em Seus Ashrams, tão rápido quando desejável e permitido (porque a Hierarquia trabalha sempre de acordo com a lei) e passando-os para a antecâmara da iniciação.

Ao mesmo tempo, discípulos competentes buscam no mundo aspirantes sensíveis e dispostos; estes discípulos estão enfatizando a inteligência e a liberdade espiritual que se manifestam em colaboração livre e compreensiva; esses discípulos não serão desviados pela devoção - expressa sem inteligência - do neófito na via do ocultismo. A busca hoje é por estudantes ocultistas, não por místicos, por homens e mulheres de pensamento claro, e não por fanáticos ou por pessoas que só veem o ideal e são incapazes de trabalhar com êxito com as situações e as coisas como são e, portanto, são incapazes de aplicar o compromisso necessário e inevitável.

A vinda ou o advento da Hierarquia à Terra não trará as mudanças repentinas e benéficas que os entusiastas desejam. Todo necessário movimento evolutivo é sempre um movimento lento. Em nenhum momento a Hierarquia infringirá os processos naturais do crescimento evolutivo nem o desenvolvimento normalmente lento dos distintos reinos da natureza para a expressão divina. No entanto, os Mestres vão se valer de todos os pontos atingidos por estes reinos e (em certos momentos críticos) utilizarão os espécimes mais avançados dos tipos naturais - em um processo seletivo - a fim de trazer algo novo, melhor ou diferente. Isto se aplica ao reino humano, da mesma maneira como se aplica ao vegetal, por exemplo. Este enunciado contém tema para reflexão.

Uma das principais técnicas empregadas pela Hierarquia é a constante aplicação de estímulo, da qual o efeito do sol sobre todas as formas de vida é um símbolo. É preciso lembrar que os Mestres têm, portanto, que aplicar esse estímulo cientificamente, trabalhando primeiro em uma direção e depois em outra, modificando o estímulo e a corrente de energia afluente para atender a necessidade. Assim fazem para produzir o resultado desejado e levar a bom termo o que está latente no indivíduo. Trabalham com sete tipos principais de energia, cinco das quais estão em pleno uso e duas entrando rapidamente em serviço efetivo. É preciso ter presente o fato de que me refiro ao emprego de energias mutáveis, que estimulam, vivificam e frutificam, regidas pelo que (esotericamente) se denomina impressão científica. Estas energias são:

1. A energia do prana. Energia doadora de vida que provém do Sol, que distribui a vida e a morte, a saúde e a doença, de acordo com a qualidade da substância ou forma material sobre a qual faz impacto. Este impacto e seus resultados são hoje inteiramente automáticos em sua aplicação e eficácia, e se considera que atuam "sob o umbral da consciência” da humanidade e, necessariamente, da Hierarquia. O ritmo desta energia já está estabelecido e seus efeitos são bem conhecidos e provados. A direção desta energia estará oportunamente em mãos desse grande centro planetário, a Humanidade; portanto, caberá ao gênero humano a responsabilidade de distribui-la aos reinos subumanos da natureza.

2. A energia das emoções, ou do plano astral. Esta energia está hoje em um estado de atividade extraordinário, produzindo mudanças básicas em todos os lados, estimulando o desejo (bom e mau) e regendo, por meio do plexo solar, tudo o que está abaixo do diafragma no veículo humano de expressão nos níveis etérico e físico. Quando esta energia se combina com o potente afluxo da energia do prana, produz e estimula todos os aspectos do magnetismo animal de que toda forma física é dotada. Quando se combina com a energia da mente, produz uma personalidade magnética, tanto no bom como no mau sentido.

3. A energia do plano mental. Está se tornando rapidamente uma potência excepcional, e seus efeitos estão chegando hoje até as profundezas da humanidade, assim trazendo à superfície a capacidade mental latente nas massas dos homens de todas as partes, que até agora não foi empregada. Podemos descrevê-la como a capacidade que está sendo vertida na consciência humana por meio de quatro divisões da energia mental:

a. A energia do pensamento ideológico.

b. A energia das formulações religiosas, que estão em processo de criar grandes mudanças nas mentes dos homens, no que diz respeito aos conceitos religiosos do mundo e aos novos valores espirituais.

c. A energia que atualmente impele a luta pela liberação e emancipação das condições ambientais, e que pode se expressar hoje como a luta do mundo para liberar a vontade dos homens, tal como se expressa por meio da imprensa, palavra, governo, ou a luta para obter uma vida espiritual mais profunda para o homem. Esta "energia de liberação” foi sentida, registrada e enunciada para a humanidade por Franklin D. Roosevelt em As Quatro Liberdades, tão discutidas pelos homens em nossos dias. Por meio delas, assentou as bases para a nova civilização e a nova cultura mundial.

d. A energia da Hierarquia espiritual do planeta, tal como aplicada hoje pela Hierarquia para transmutar o triste e penoso passado da humanidade na gloriosa perspectiva da nova era. Esta, como bem podem imaginar, é uma energia sétupla, que emana dos sete Ashrams principais e é dirigida por eles, sob a diretriz do Cristo, dos Mestres e Choans mais antigos que decidem, em conselho, o método, a extensão e a qualidade da distribuição da energia em causa. Decidem também onde ela deve exercer impacto para obter os melhores e mais construtivos resultados. Com esta energia sétupla a Hierarquia trabalhará para preparar sua manifestação no plano físico, e para o reaparecimento do Cristo.

4. A energia da própria humanidade, organizada e dirigida pelos pensadores e trabalhadores evoluídos em todos e em cada um dos departamentos do trabalho humano (e isto reitero): em todos os processos educativos e em todos os regimes políticos. Insistiria absolutamente sobre a extensão da natureza deste contato da energia, porque os estudantes de esoterismo muitas vezes têm a ideia errada de que a Hierarquia só trabalha por intermédio dos grupos esotéricos e dos pretensos grupos ocultistas. Quanto mais avançado está o homem, tanto mais sensível se torna à impressão. A raça humana chegou a um ponto de sensibilidade jamais alcançado. Isto se produziu por meio das energias elencadas acima. Os discípulos, os aspirantes e os intelectuais de todas as partes e de todos os países respondem hoje - consciente ou inconscientemente - a estas quatro energias; quanto mais estreita for sua afiliação com algum ashram da Hierarquia, tanto mais as energias hierárquicas sétuplas poderão ser distribuídas para o resto da família humana. Portanto, neste campo se expressará o principal esforço hierárquico durante os próximos cinquenta anos. Aqui está o problema fundamental que se coloca à Hierarquia, porque estas energias devem ser dirigidas com muito cuidado, e o impacto resultante deve ser examinado muito cientificamente para se evitar um estímulo excessivo.

5. A energia do segundo aspecto da divindade, vagamente denominada pelos místicos da era passada de "consciência crística”. Ela está enfocada naturalmente no próprio Cristo, que é o representante da energia solar de amor-sabedoria na Hierarquia. É uma forma de energia particular e magnética, da qual a humanidade pouco sabe atualmente. No entanto, foram feitas muitas conjecturas e se construíram inúmeras e falsas formas-pensamento. É uma energia perigosa em razão de sua excessiva potência e também porque deve utilizar o veículo de substância dos três mundos inferiores e sua zona de influência ser a dos três planos inferiores da existência humana. Produz de início, necessariamente, um conflito, sendo agora iminente seu principal e primeiro conflito, do qual tratei em outro espaço, quando considerei o quarto Raio de Harmonia através do Conflito. O emprego desta segunda energia fundamental (que é a energia principal do nosso sistema solar atual e se enfoca na nossa vida planetária) representa para o próprio Cristo uma grande prova de sua habilidade na ação; seu emprego constitui a maior prova ou tarefa que Ele enfrentará quando reaparecer e tiver a responsabilidade de liberar sua potência na Terra. A tarefa de todos os discípulos é, em consequência, promover a sabedoria; devem aprender a fazê-lo sob a influência do Buda. Ele ensinou a grande lição do discernimento e desapego mentais - duas qualidades básicas que devem ser postas em atividade durante o assombroso período preparatório diante de todos os aspirantes.

Estes são os pontos, portanto, que todos os grupos de discípulos e trabalhadores espirituais devem aprender a apresentar à humanidade que busca. Eles dizem respeito à criação e à vitalização da nova religião mundial, tema que subjaz na raiz de tudo que é novo: o discernimento entre a abordagem da mente e da alma, assim aprendendo que o verdadeiro desapego que foi simbolicamente aplicado, mas de maneira errada em todas as ordens monásticas do mundo (ocidentais e orientais) durante os últimos séculos, aplicado, portanto, em tempo e espaço, mas sem nenhuma relação com o que é importante, espiritual e internamente. As verdadeiras disciplinas e o espírito monástico surgirão mais tarde nos processos históricos da humanidade.

6. A energia do primeiro aspecto divino (o da vontade ou poder) que está sendo aplicada agora com o mais escrupuloso cuidado por Shamballa. Esta energia de vontade é - como já lhes foi ensinado - a potência da vida em todos os seres. No passado só era permitido fazer contato com "a substância da humanidade” por meio da Hierarquia. Ultimamente um impacto direto foi permitido, de maneira experimental. Disto a guerra mundial (1914-1945) foi a primeira prova, aclarando questões, apresentando oportunidades, purificando o pensamento humano e destruindo a antiga e esgotada civilização. É uma energia muito perigosa, e não pode ser aplicada em maior medida enquanto a raça dos homens não tiver aprendido a responder mais adequadamente à energia do segundo aspecto (amor-sabedoria) e, portanto, à regência do Reino de Deus.

7. Resta outra energia que só pode ser aplicada muito mais tarde e unicamente se a atividade das seis energias anteriores cumprirem seu propósito. Não a consideraremos aqui, porque o futuro é demasiado incerto e, em qualquer caso, só entrará em atividade em meados da era aquariana.

Estas energias, junto com as cinco energias especializadas às quais me referi em minha mensagem da lua cheia de junho (1948), entrarão em grande atividade à medida que transcorrerem os anos. Em 1952 as cinco energias especializadas adquirirão uma grande potência.

Chamarei novamente a atenção para o fato de que o poder evocador da Grande Invocação (empregada agora por tantas centenas de milhares de pessoas) e o som de seu ritmo mântrico é cada vez mais responsável por este trabalho. Uma grande parte da eficácia dos resultados se deve a que a humanidade emprega este mantra em constante e crescente número, e isto - combinado com o emprego científico por parte da Hierarquia - produz resultados fecundos. Seria bom aqui lembrar (citando uma antiga frase de um dos Mestres) que "onde o enfoque está, ali estará a ancoragem no que diz respeito às potências que descem sob a inspiração mântrica”. Isto significa que, devido ao esforço de milhares de homens e mulheres de todas as partes, as energias que até agora só podiam penetrar até a substância hierárquica e aos níveis do plano mental superior, podem agora, pela primeira vez, ancorar-se com êxito nos níveis físicos densos ou, pelo menos, nos níveis etéricos. Trata-se de um fato muito mais importante do que poderiam pensar.

Disse antes que os cinco Mestres relacionados com as etapas iniciais da organização da Hierarquia na Terra são: o Mestre K.H., o Mestre Morya, o Mestre R., o Mestre que iniciou o movimento trabalhista no mundo moderno e eu, o chamado Mestre D.K.

O setor trabalhista é aqui de grande interesse. Em minha mensagem do mês de junho de 1948 me referi às cinco energias especializadas, liberadas naquele momento para implementar sua tarefa impessoal. Cada uma destas energias tem seu papel na organização desejada, pois deve-se lembrar sempre que, embora a organização que estamos considerando se relacione com o trabalho interno ou subjetivo da Hierarquia, as repercussões e os efeitos resultantes terão lugar na Terra, produzindo efeitos no plano físico, porque a antiga e conhecida verdade ocultista de que "assim como em cima, é embaixo”, será rápida e objetivamente demonstrada. O resultado e os efeitos produzidos constituirão um dos modos pelos quais a Hierarquia provará sua presença real na Terra.

O ashram do Mestre K.H. já está assumindo um crescente poder de estímulo, mas será, um dos últimos a se manifestar objetivamente no plano físico. A missão desse ashram é produzir a energia que possibilitará o claro e distinto reaparecimento do Cristo. Este reaparecimento é a principal preocupação do Mestre K.H. e de Seu grupo de iniciados e discípulos. A primeira medida tomada pelo ashram foi materializada - no que diz respeito a vocês, no folheto de título O Reaparecimento do Cristo (Mensagem de Wesak, maio de 1947). A isto devem acrescentar a vitalização e o estímulo da forma-pensamento de dois mil anos que os homens, ao longo dos séculos, vêm criando na expectativa da Sua vinda. Este movimento de expectativa e preparação está adquirindo impulso rapidamente. Este foi o primeiro resultado concreto do desejo combinado deste ashram de segundo raio. Porém, o trabalho que se realiza nele diz respeito mais precisamente a três linhas de atividade. São elas:

1. A preparação dos muitos Ashrams combinados levando à exteriorização.

2. A formulação das técnicas e disciplinas que serão úteis para o iniciado ou discípulo que faz o primordial esforço de atuar objetivamente, de trabalhar diante do mundo e não por trás das cenas como até agora, e desenvolver a "capacidade de resistência”, necessária para suportar os violentos impactos da vida no plano físico.

3. O registro mental e espiritual dos planos do Cristo e o consequente desenvolvimento da habilidade na ação que permitirá a materialização correta desses planos.

No ashram de segundo raio do Mestre K.H. e Seus grupos afiliados (como o ashram do qual sou responsável) é a energia da sabedoria que é utilizada efetivamente. Seria possível dizer que esta dupla energia, até agora uma energia fusionada e mesclada, está atuando como uma verdadeira dualidade. A energia da sabedoria está ativa em todos os Ashrams (em todos os raios e sob a direção de todos os Mestres). A energia do amor está dirigida principalmente para o terceiro grande centro planetário, a Humanidade, estimulando a aura da massa de unidades vivas, a fim de que sua "atração magnética seja a qualidade dominante de sua aproximação divina”. Os Agentes responsáveis por esta dupla atividade são o Mestre K.H. e um grupo escolhido de Seus iniciados e discípulos seniores, dos quais não faço parte pois me foi confiada uma outra tarefa.

Portanto, o Mestre K.H. está constantemente em estreita associação com o Cristo, o Guia da Hierarquia. Atualmente o Cristo, com a ajuda do Senhor do Mundo e do Buda, está Se preparando para a mais difícil das tarefas que já teve de enfrentar. Não se trata, para o Cristo, de surgir do Lugar Elevado onde Se encontra e aparecer repentinamente entre os homens; não se trata de tomar a forma de um menino que, ao crescer, cumpra Sua tarefa; não se trata de ser instantaneamente reconhecido e aclamado por milhões de seres humanos miseráveis que esperam a liberação. Nenhuma destas ideias, nenhuma dessas esperanças faz parte de Seu plano, nem são possíveis. Nenhum membro da Hierarquia, e certamente não o Seu Guia Supremo, tentaria produzir resultados fadados ao fracasso; assim apresentados estariam destinados ao fracasso, pois o nível de sensibilidade da humanidade torna o fracasso inevitável - caso se espere o sucesso por esses meios tão comuns.

Habilidade na ação, julgamento inteligente e compreensivo, adaptação dos assuntos presentes ao futuro desejado, coordenação do trabalho a fazer e clara formulação da plataforma sobre a qual o novo ensinamento deve se fundamentar, mais a análise (se assim posso expressar) dos fundamentos sobre os quais a nova estrutura da futura civilização deve se apoiar - são as coisas de que se ocupa hoje o Cristo. Vocês podem compreender, assim, a imensa atividade de cooperação que o Mestre K.H. e Seu ashram estão desenvolvendo. O estímulo desta atividade vem de duas direções: necessariamente de Shamballa (do Buda e do Avatar de Síntese), e cada vez mais do mundo dos homens, à medida que a expectativa, a esperança e a demanda se combinam para lançar um apelo unido.

O ashram ou centro grupal por intermédio do qual trabalha o Mestre Morya, está também muito ativo. É evidente para todos que, como se trata de um ashram de primeiro raio, a energia que vem do Avatar da Síntese exercerá um impacto primordial sobre este ashram, que proporciona a linha de menor resistência. Ali esta energia será cientificamente atenuada antes de ser distribuída aos ashrams dos cinco Mestres dedicados ao trabalho de preparação.

O aspecto mais elevado possível que a Hierarquia pode assimilar é dirigido pelos Mestres para o Cristo, para ser utilizado por Ele em Seu trabalho individual de preparação, para o qual traçou planos. Embora tenha demonstrado, quando esteve aqui, que Sua missão ou tarefa tinha um objetivo de grupo e de fraternidade, é bem-sabido nos círculos hierárquicos que a síntese de primeiro raio é algo ainda mais elevado que a unidade, e que mesmo o Cristo tem algo a apreender no que diz respeito a esta nova potência - que provém de Shamballa ou do Pai (como o Cristo costumava designar esta fonte de emanação) e também de fontes extraplanetárias. Acima de tudo, o Cristo tem a difícil tarefa de treinar ou adaptar Seu veículo físico para que possa assimilar esta extraordinária e elevada potência e, ao mesmo tempo, mantê-la em tal condição que possa se exteriorizar no plano físico entre os homens.

A Igreja Cristã insistiu tanto sobre a excepcional posição do Cristo como único Filho de Deus, que um grande erro se infiltrou e foi nutrido durante séculos. O próprio Cristo previu a possibilidade deste erro e procurou amenizá-lo assinalando que todos somos "Filhos de Deus” e que "farão coisas maiores que Eu” - declaração que nenhum analista jamais compreendeu nem explicou adequadamente. O fato oculto é que não há nenhum ser sobre a Terra, da forma de vida mais baixa até a mais elevada, que não evolua para uma expressão de divindade maior e mais bela, e o próprio Cristo não é exceção a esta lei universal de evolução. Portanto, neste momento, como está Se preparando para elevar toda a família humana para mais perto de Deus, Ele está Se expondo a certas potentes energias que afluem, absorvendo em Si Mesmo correntes de força espiritual, e submetendo-Se a um estímulo dinâmico totalmente novo. Isto constitui a prova para tomar a excelsa iniciação que tem hoje pela frente; constitui também o sacrifício que está fazendo para concluir Seu trabalho na Terra e trazer uma nova salvação para a humanidade.

Portanto, o Cristo trabalha em estreita colaboração com o Mestre Morya e também com o Manu (um dos três Guias da Hierarquia), e os três - o Cristo, o Manu e o Mestre Morya - formam um triângulo de energias no qual e pelo qual a energia do Avatar da Síntese pode afluir, encontrando a correta direção graças aos Seus esforços combinados.

No plano físico, os iniciados e discípulos que trabalham no ashram do Mestre Morya se ocupam principalmente de expressar no mundo a síntese da política e do governo, e de contrabalançar as maneiras erradas de abordar esta síntese, procurando manter a liberdade na unidade. Trabalham por uma síntese subjetiva - síntese que se expressará em diferenciações externas. Esta síntese definirá os inúmeros aspectos da unidade básica essencial que, atuando sob o estímulo da energia da síntese, trará as oportunas paz e compreensão na Terra - paz que preservará as culturas individuais e a nacionais, subordinando-as ao bem de toda a humanidade.

Chegamos agora ao trabalho preparatório que está sendo realizado pelo Mestre que instaurou o que vocês chamam de "movimento trabalhista”. É considerado pela Hierarquia como uma das tentativas mais bem-sucedidas em toda a história para despertar as massas (as chamadas classes média e baixa), proporcionar uma melhora geral e assim instituir uma dinâmica que, falando em termos ocultistas, "os moverá para a luz”.

Com o desenvolvimento do movimento trabalhista, veio à existência a educação de massa, com o resultado de que - do ângulo da inteligência desenvolvida - todo o nível da percepção consciente se elevou universalmente. Ainda há muito analfabetismo, mas o cidadão comum de todas as democracias ocidentais e da União Soviética está tão instruído como o homem intelectual da Idade Média. Nesta atividade, temos um destacado exemplo da maneira como os Mestres trabalham, porque (para o observador comum) o movimento trabalhista surgiu do âmago das massas e das classes trabalhadoras - foi um desenvolvimento espontâneo, baseado no pensamento e no ensinamento de um pequeno número de homens, considerados principalmente como agitadores e desordeiros. Na realidade, era um grupo de discípulos (muitos deles inconscientes de sua condição esotérica) que colaborava com a Lei da Evolução e também com o Plano hierárquico. Não eram discípulos particularmente avançados, mas eram afiliados a algum ashram (de acordo com o raio de cada um) e, portanto, sujeitos à impressão. Se fossem discípulos avançados ou iniciados, seu trabalho teria sido inútil, porque sua apresentação do Plano não teria sido adaptada ao nível de inteligência das massas, então totalmente incultas, que compunham o trabalhismo.

Este Mestre trabalha principalmente com os intelectuais e é, portanto, um Mestre de terceiro raio - o Raio da Inteligência Ativa. Seu Ashram se ocupa dos problemas da indústria, sendo que a meta de todo o pensamento, de todos os planos e do trabalho de impressionar as mentes receptivas visa espiritualizar os conceitos do partido trabalhista, em todos os países, e dos industriais, orientando-os assim para a meta da correta participação, como um passo importante para o estabelecimento das corretas relações humanas. Portanto, este Mestre colabora com o Mestre R. - Guia do ashram de terceiro raio e também um dos que formam o Triângulo de Forças que controla o maior ashram da própria Hierarquia. O ashram deste Mestre (que sempre ocultou Seu nome do conhecimento público) é um ashram secundário dentro do Ashram maior de terceiro raio, assim como o meu ashram está dentro do círculo intransponível do ashram do Mestre K.H. Este Mestre é, necessariamente inglês, pois a revolução industrial começou há cerca de cem anos na Inglaterra, e a potência do trabalho realizado está relacionada ao efeito de massa e com os resultados obtidos em todos os países pelo trabalhismo e seus métodos. Todas as grandes organizações trabalhistas, nacionais e internacionais, estão livremente entretecidas em termos subjetivos, porque, em cada grupo, este Mestre tem Seus discípulos que trabalham constantemente para manter o movimento alinhado com o Plano divino. Convém ter presente que todos os grandes movimentos na Terra demonstram tanto o bem como o mal. O mal tem que ser subjugado e dissipado, ou relegado ao seu devido lugar proporcional, antes que o bem, na linha do planejamento hierárquico, alcance sua verdadeira expressão. O que é válido para o indivíduo, vale também para os grupos. Antes que a alma possa se expressar por intermédio da personalidade, essa personalidade deve ser subjugada, controlada, purificada e consagrada ao serviço. É este processo de controle e subjugação que está em curso nesses dias, e o que os elementos egoístas e ambiciosos combatem fragorosamente.

No entanto, o trabalho deste Mestre foi notavelmente bem-sucedido na preparação do princípio intelectual das massas, para um oportuno e correto reconhecimento do Cristo. Está se desenvolvendo um correto sentido de valores, e na correta direção deste potente grupo trabalhista em todos os países reside a base da nova civilização.

O ashram deste Mestre se ocupa, portanto, dos problemas econômicos mundiais e também a atacar diretamente o materialismo básico que existe no mundo moderno. Os problemas do comércio e do câmbio, o significado do dinheiro, o valor do ouro (símbolo básico do terceiro Raio de Inteligência Ativa), a promoção de corretas atitudes para a vida material, e todo o processo da correta distribuição são alguns dos muitos problemas tratados por este Ashram. O trabalho realizado é enorme e de grande importância para preparar a mente dos homens para o retorno do Cristo e para a nova era que Ele instaurará. Capitalistas e líderes trabalhistas, especialistas em finanças e os operários que pensam, assim como membros das distintas ideologias que existem no mundo de hoje trabalham ativamente neste ashram. Muitos deles são o que a pessoa religiosa ortodoxa e o estudante de ocultismo de mente fechada considerariam não espirituais. No entanto, são todos profundamente espirituais no sentido correto, embora pouco se interessem por títulos, escolas de pensamento e pelo ensinamento esotérico acadêmico. Exemplificam em si mesmos aquela vivência que é o atributo inconfundível do discipulado.

1 - Chegou a hora de compreender o princípio primordial que rege o verdadeiro esoterismo e condiciona todos os trabalhadores hierárquicos: Correta Motivação.

2 - Chegou a hora de reconhecer que a qualidade do trabalho ashrâmico é, primeiro de tudo: Serviço Altruísta.

3 - Chegou a hora em que os homens de todas as partes devem compreender que o ingresso no ashram de um Mestre depende da Inteligência, além da motivação e do serviço corretos.

Quando estes três fatores estão presentes em qualquer ser humano, os Mestres sabem que um bom elementos Lhes é apresentado para fins de instrução. Atualmente o mundo está cheio de tais homens e mulheres, e neles reside a esperança dominante do futuro.

Gostaria de considerar outro ponto. Por meio do trabalho deste Mestre e de Seu ashram, será selada "a porta onde mora o mal”, pois é essencialmente este grupo (me atrevo a dizer) que está enfrentando o materialismo grosseiro e os falsos valores que ele engendra. Esta porta deve ser selada por uma vasta massa de forças humanas coordenadas, e não por um ou dois homens esclarecidos. Vocês têm que compreender isso. A energia de amor-sabedoria, energia de segundo raio, pode trazer e trará o Reino de Deus; a energia da vontade divina pode estimular, (e estimulará) com sua potência dinâmica toda a família humana, ao ponto em que ocorrerá uma transição grupal do quarto para o quinto reino. No entanto é esta energia de terceiro raio, manejada no ashram do Mestre Inglês, sob a direção do Mahachohan, o Senhor da Civilização, que vai impor uma correta atitude em relação ao materialismo, que produzirá um equilíbrio entre os valores materiais e espirituais e que, oportunamente, lançará na impotência as Forças do Mal que, durante tanto tempo, perturbaram o mundo dos homens. Escolho minhas palavras com cuidado.

Vocês observarão, portanto, como os três aspectos divinos estão unidos em um grande movimento para admitir o Reino de Deus, e que o primeiro passo para esta consumação, tão ardentemente desejada, é o aparecimento dos Mestres no plano físico e, um pouco mais tarde, o reaparecimento do Cristo.

Chegamos agora ao exame do grande ashram controlado pelo Mestre R. Ele é o Senhor da Civilização, e Sua tarefa é introduzir a nova civilização que todos os homens esperam. É um ashram de terceiro raio, e encerra em seu círculo intransponível todos os ashrams que se encontram no terceiro Raio da Inteligência Ativa, no quinto Raio da Ciência Concreta e no sétimo Raio da Ordem Cerimonial. Todos esses ashrams trabalham sob a direção geral do Mestre R., que atua principalmente por intermédio dos Mestres destes três tipos de energia de raio. Ele próprio, neste momento, ocupa-se da energia do sétimo raio, a que produz a ordem em nosso planeta.

Trata-se do Raio da Ordem Cerimonial e, pela atividade de sua energia, quando é corretamente dirigida e utilizada, impõe um ritmo correto sobre todos os aspectos da vida humana. Está se fazendo um esforço constante para deter o abominável caos do presente e para produzir a beleza ordenada no futuro. A principal arma que as forças combinadas do mal empregam agora é o caos, o colapso, a falta de segurança e o consequente medo. A potência destas forças do mal é extremamente grande, pois elas não pertencem a um único grupo de pessoas, mas a todas as ideologias. O caos produzido pela indiferença, o caos produzido pela incerteza, o caos produzido pelo medo, pela fome, pela insegurança, pela visão dos que sofrem inocentemente, e o caos produzido pelos elementos ambiciosos, beligerantes e agitadores em todas as nações, sem exceção - são os fatores que o Mestre R. está procurando tratar, uma tarefa de suprema dificuldade. Todo o ritmo do pensamento internacional deve ser modificado, o que é uma tarefa lenta e árdua; as personalidades malignas que em todos os países são responsáveis pelo caos e pela incerteza devem ser oportunamente substituídas por quem pode trabalhar em colaboração com o ritmo do sétimo raio e assim produzir a beleza ordenada.

Esta tarefa se complica ainda mais pelo fato de que na substituição do caos pela ordem, as culturas nacionais devem ser preservadas, e as grandes linhas da nova civilização apresentadas às populações. Portanto, este grande ashram se depara com dois elementos em todas as terras e nações: as pessoas que se agarram às coisas ruins do passado, e as que trabalham a favor do ponto de vista oposto e pelo que é novo. Sob a influência desta energia de sétimo raio é preciso viabilizar e sustentar o equilíbrio, de maneira que o "nobre caminho do meio” da ação correta e das corretas relações humanas possa ser trilhado com segurança. A tarefa do Mestre R. porém, é aliviada pelo fato de que o sétimo raio está entrando agora em atividade e que sua potência se expande a cada ano. Sua tarefa também é ajudada pelo trabalho inteligente realizado pelo ashram do Mestre Inglês, que trabalha com perseverança para o despertar e a elevação das massas.

Todos os anos, nos meses de outubro e de março, o Mestre R. reúne Seu conselho de colaboradores, os Mestres e os iniciados seniores dos ashrams de terceiro, quinto e sétimo raios. Embora seja o guia do terceiro Raio de Aspecto e, portanto, controle os dois Raios de Atributo mencionados, não maneja estas forças, porque sendo um dos três Guias da Hierarquia, Seu trabalho não pode ser limitado à atividade de um só raio. Ele atua por intermédio dos ashrams desses raios, mas, principalmente, em colaboração com o Cristo e o Manu.

Chegamos agora ao trabalho que eu (D.K.), um Mestre de segundo raio, procuro realizar. Com que energias estou trabalhando? Qual é a meta para a qual estou me esforçando, sob a direção dos três grandes Senhores da Hierarquia? Estou trabalhando com a energia das corretas relações humanas, sendo ela uma parte precisa e integrante da energia de segundo raio. É um tipo de energia magnética, que atrai os homens entre si para fins de melhoramento e correto entendimento. Também se relaciona de maneira particular com a energia de primeiro Raio de Vontade ou Poder. Talvez fique mais claro se assinalar que a vontade-para-o-bem é um aspecto do Raio da Vontade, mas que a boa vontade é um atributo do segundo Raio de Amor-Sabedoria, assim relacionando este raio com o primeiro.

Não é necessário que me estenda sobre o trabalho que estou realizando em meu ashram e por meio dele, vocês o conhecem bem, pois o exponho com frequência, e meus livros apresentam adequadamente a meta para esta geração.

Neste ciclo particular, embora relativamente curto, meu ashram está em uma posição- chave, estreitamente ligado ao ashram de primeiro raio do Mestre Morya, por meio do trabalho dos Homens de Boa Vontade e de todos os movimentos de boa vontade existentes no mundo atualmente. A Boa Vontade é essencialmente uma expressão do segundo Raio de Amor-Sabedoria e, portanto, um aspecto de todos os ashrams nesse Grande Ashram de segundo raio que é a Hierarquia. Porém, todo trabalho de boa vontade está sendo atualmente energizado para iniciar uma intensa atividade por intermédio da energia dinâmica de primeiro raio, que expressa a vontade-para-o-bem.

Este tipo dinâmico de energia é, pois, canalizado por intermédio do ashram pelo qual sou responsável. Este ashram trabalha também em estreita colaboração com o do Mestre R., porque a atividade inteligente da energia da boa vontade é nosso objetivo, expressá-la com inteligência, aplicá-la com sabedoria e habilidade na ação é a tarefa solicitada a todos os homens e mulheres de boa vontade do mundo. Quando o movimento trabalhista for impulsionado pela energia da boa vontade, ocorrerão mudanças básicas nos assuntos mundiais. Gostaria de pedir a todos que trabalham para a boa vontade que procurem fazer com que estas ideias, corretamente apresentadas, cheguem à classe operária.

Procurei lhes dar uma ideia da síntese deste trabalho hierárquico para a humanidade, e com isso dar a todos os homens e mulheres de boa vontade a coragem necessária para seguir em frente.

Vocês me perguntarão (e com razão) qual é a utilidade destas informações para os homens e aspirantes que estão procurando servir. Tudo que a humanidade necessita realmente hoje é compreender que há um Plano que está se desenvolvendo definidamente através de todos os acontecimentos mundiais e de tudo o que ocorreu no passado histórico do homem. Tudo que aconteceu ultimamente, na verdade está de acordo com esse Plano. Além disso, e necessariamente, se tal Plano existe, supõe-se que existam os responsáveis pela sua elaboração e seu cumprimento bem-sucedido. Do ponto de vista da humanidade comum, que pensa em termos de felicidade terrena, o Plano deveria ser uma razão de alegria e algo que tornasse a vida material mais fácil. Para a Hierarquia espiritual, o Plano implica em medidas ou circunstâncias que elevarão e expandirão a consciência da humanidade, portanto, que permitirá aos homens descobrir os valores espirituais por si mesmos e fazer as mudanças necessárias pelo seu próprio livre-arbítrio, assim produzindo o melhoramento desejado no ambiente, de acordo com o reconhecimento espiritual em desenvolvimento.

Nada de verdadeiro valor pode ser obtido por uma atividade arbitrária ou autocrática por parte da Hierarquia espiritual. Esta é uma das lições que se deve aprender, à medida que observam o trabalho das potências totalitárias e seus efeitos, no passado e na atualidade. O sistema totalitário extirpa e extingue a liberdade, recusa ao indivíduo o exercício do livre- arbítrio, impede sua expressão e o indivíduo é considerado como propriedade do estado onipotente, sendo mantido nesta posição pela ação policial. O desenvolvimento individual só tem valor na medida em que serve aos interesses do estado, mas o indivíduo em si - como uma unidade humana, independente e divina - é inexistente do ponto de vista totalitário. Desejariam então que a Hierarquia espiritual do nosso planeta trabalhasse de acordo com as linhas totalitárias, impondo pela força a paz e o bem-estar, tomando medidas para deter o mal pela força, e trabalhando para o bem-estar material dos homens? Ou desejariam que os Mestres guiassem a humanidade a empreender a ação necessária, por meio da correta compreensão, mesmo que implique tentativa e erro e em um processo muito mais lento? Desejariam que os homens se mantivessem sobre os próprios pés como agentes inteligentes do Plano divino? Ou desejariam que fossem tratados como crianças irresponsáveis, que devem ser energicamente protegidas contra elas próprias? Não seria melhor para a inteligência e a atividade que despertam rapidamente nos homens (de todos os países), que fossem treinados para reconhecer a unidade essencial de todos os seres humanos, e assim serem conduzidos a tomar as medidas necessárias que endossem essa unidade, que atuem para todo o grupo de seres humanos de todos os lugares, e que, ao mesmo tempo, preservem as culturas individuais e nacionais, conjuntamente com a civilização universal e um sistema mundial de reconhecimento divino? Para esta liberação geral e esta atividade inteligente do indivíduo livre, a Hierarquia trabalha regularmente e com sucesso; o conceito de unidade e de atividade unificada, para bem de todos, é muito mais amplamente captado e compreendido do que creem. O método totalitário trabalha para uma unidade imposta que incluirá todos os povos, e os reduzirá a uma uniformidade de credos - política, econômica e social - e que ignorará e ignora basicamente os valores espirituais, colocando o Estado no lugar desse centro espiritual divino em que se encontra a realidade espiritual.

O método da Hierarquia é trabalhar por intermédio dos indivíduos e grupos, a fim de estabelecer um amplo reconhecimento espiritual, pelo qual os homens de todas as partes aceitarão como fato o governo interno do planeta e trabalharão juntos para a fundação e manifestação objetiva do Reino de Deus na Terra - agora, não em alguma época distante e em um paraíso indefinido. Não se trata de um sonho místico ou impossível, mas simplesmente do reconhecimento e de exteriorização do que sempre esteve presente, que tomou forma precisa e objetiva quando o Cristo esteve entre nós há dois mil anos e que será reconhecido universalmente quando Ele estiver novamente conosco no futuro imediato.

Portanto, que todos os que trabalham e lutam pelo bem da humanidade e sob a direção da Hierarquia se animem e renovem a coragem. A Hierarquia não só permanece (como já disse muitas vezes), como está se aproximando a cada dia e ano da humanidade. O poder da unidade espiritual concentrada da Hierarquia pode ser sentido hoje de muitas maneiras; é em grande parte responsável pelo paciente esforço de todos os trabalhadores humanitários e de todos que mantêm a visão da unidade, apesar de grandes dificuldades, apesar do cansaço, da letargia e do pessimismo que as condições humanamente insuportáveis impuseram às mentes dos homens. A Hierarquia permanece e trabalha. Os Mestres trabalham de acordo com o Plano - um Plano que foi fundado na história passada da raça e que pode ser traçado; plano que, devido ao egoísmo humano, tornou necessário o drástico horror da guerra (1914-1945); Plano que hoje pode fazer e fará uma ponte por cima do abismo que separa o passado materialista, egoísta e nada satisfatório do futuro que se manifestará principalmente em unidade mundial e, com firmeza e habilidade na ação, substituirá os valores que até agora prevaleceram pelos valores espirituais.

A garantia disto é a inteligência crescente dos homens de todas as partes que lutam cegamente pela liberdade e pela compreensão, e que recebem a certeza, o conhecimento e a ajuda internos d’Aqueles que estão organizando (como sempre) as situações e as condições nas quais a humanidade poderá expressar melhor a divindade.

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OS EFEITOS DA EXTERIORIZAÇÃO

Setembro de 1949

Em minha instrução anterior sobre este tema, tratei das diferentes energias que seriam levadas à atividade ou utilizadas quando os Mestres emergirem do silêncio em que se mantiveram durante tantos milhares de anos. O ponto a captar é que as energias consideradas serão usadas de uma maneira nova e mais vital. Elas sempre estão presentes e ativas, mas entram em atividade sequencialmente e de acordo com a lei e a ordem, e algumas são mais destacadas que outras em determinado momento; atuam vital e energicamente de acordo com o programa necessário que os planos da Hierarquia possam envolver em qualquer ciclo específico.

Estas energias fomentam o que nós superficialmente chamamos de "eventos” do dia, condicionam as civilizações que se sucedem e constituem de tal forma parte do mundo em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser, que os acontecimentos, como expressões de energias dirigidas, significam muito pouco para nós, exceto no que poderiam afetar adversamente nossas personalidades. Elas significam simplesmente um modo de vida em um momento específico. As atividades destas energias tiveram início na noite dos tempos; estabeleceram - cada uma delas - seu ritmo cíclico necessário; são responsáveis pela atividade da substância na matéria ou da ação do corpo vital, o corpo etérico, sobre a matéria. São a expressão formulada mais baixa da Inteligência criadora, incorporando o princípio vida, ou vivência, porque são essencialmente a própria vida e a vida em ação. Não nos esqueçamos de que a matéria densa não é um princípio; é apenas o que é receptivo ao princípio criador.

Quando, porém, a exteriorização da Hierarquia começar (esta exteriorização vai se estender por um longo período de tempo), o impacto destas energias substanciais sobre a matéria será radicalmente alterado, porque - pela primeira vez na história - elas serão dirigidas a partir dos níveis etéricos, do corpo etérico do planeta nos três mundos. Até agora estas energias foram dirigidas a partir do plano búdico, que é o mais baixo dos níveis etéricos cósmicos. Fundamentalmente, a direção partirá sempre do plano búdico, mas a direção detalhada e enfocada será dada de dentro dos três mundos e sobre o plano físico; será esta a tarefa dos ashrams exteriorizados, organizados para atuarem abertamente.

Foi o conhecimento de que este importante desenvolvimento era iminente que levou a Hierarquia, no século passado, a ampliar o alcance de Sua atividade de instrução, e assim trazer à consciência do homem moderno o conhecimento do que é essencialmente o ocultismo. As notas-chave sobre as quais se construiu a filosofia ocultista são:

1. Nada há na manifestação, a não ser energia organizada.
2. A energia segue o pensamento, a ele se adapta.
3. O ocultista trabalha na energia e com energias.

O pensamento de Deus impeliu o universo de energias a uma forma organizada, desde o mais elevado dos sete planos, o primeiro nível etérico cósmico. Durante incontáveis éons estas energias foram direcionadas do quarto, ou do plano mais baixo dos planos etérico-cósmicos, o plano que chamamos de búdico e consideramos como o primeiro plano definidamente espiritual, em nosso pensamento, em geral errado; esta direção esteve sob impressão de Shamballa, e os Mestres "manipularam estas energias em conformidade com o Plano, que é o esquema diretor do Propósito.”

No grande Contato da Hierarquia com a humanidade e seu iminente aparecimento no plano físico, o centro de direção necessariamente também se aproximará ainda mais, e - como resultado da futura manifestação hierárquica - centros de direção de energia existirão onde quer que se encontre o Ashram de um Mestre, em qualquer parte do mundo. Esta declaração é de profundo significado; é uma indicação da política hierárquica e um modo pelo qual a ciência moderna (trabalhando, como faz, com energias) pode ser levada a cooperar, por associação e relação, com um ashram no plano físico, conhecendo-o pelo que é - uma referência inteiramente nova.

Declarei anteriormente que as áreas ou localidades do plano físico que constituem as saídas atuais para as energias, através das quais as energias dirigidas podem passar e empreender o processo criador, são cinco: Nova York, Londres, Genebra, Darjeeling e Tóquio. Estas cinco localidades formam uma estrela de cinco pontas de energias entrelaçadas, que simbolizam as principais divisões da nossa civilização moderna. Gostaria que lembrassem que tudo que estou indicando aqui sobre energia é em relação com o reino humano, e nada mais. Não estou relacionando estas energias a outros reinos da natureza, aqui só me ocupo da utilização da energia no plano físico por meio do poder do pensamento dirigido e em prol da evolução e do bem-estar da humanidade. Em cada um destes cinco centros um dos Mestres estará presente com seu ashram, e se organizará ali um vórtice de forças espirituais para acelerar e materializar os planos do Cristo para o novo e futuro ciclo mundial.

A organização destes cinco centros será lenta e gradual. Um discípulo sênior aparecerá e trabalhará sem barulho na tarefa fundacional, reunindo em torno de si os agentes, aspirantes e assistentes necessários. Todos esses trabalhadores em qualquer centro específico serão treinados para pensar, e o esforço agora presente no mundo educacional e social para forçar os homens a pensar por si mesmos é parte geral desse processo de treinamento. Enquanto um homem não puder pensar e decidir por si mesmo, não poderá ser um colaborador inteligente, motivado e compreensivo, que trabalha com um ashram, controla e dirige um processo criador. Se o novo céu e a nova terra devem ser um fato na manifestação e na realidade, isso significa que um grande processo de recriação deve ser implementado, e é este conceito que subjaz no ensinamento sobre os cinco centros da Terra e o papel que desempenharão na reconstrução e reorganização do mundo.

À medida que os próximos anos colocam em foco a intenção hierárquica, os discípulos e aspirantes devem buscar os homens e as mulheres que trabalharão como grupo em linhas espirituais, nessas cinco localidades ou nas vizinhanças.

Uma oposição inicial à fundação destes centros de homens e mulheres que pensam com clareza, que trabalham na liberdade e na compreensão com um dos Mestres ou Iniciados seniores já existe, infelizmente. Está presente na informação estreita e parcial e na falta de liberdade das escolas de pensamento totalitárias. Isto era inevitável, porque a Loja Negra se esforça sempre para atuar em paralelo, contrabalançar ou desbaratar o trabalho da Loja Branca, e até agora com êxito. Mas o ciclo do êxito está chegando lentamente ao fim, pois a energia da boa vontade, emanada da vontade-para-o-bem, está sendo eficaz, e de maneira rápida.

Oportunamente se encontrará em Londres, Nova York, Genebra, Darjeeling e Tóquio um Mestre organizando um centro maior de energia. Ao mesmo tempo, Seu ashram continuará a atuar nos níveis búdicos, pois todo o pessoal não foi alertado para a exteriorização. Portanto, o ashram atuará em dois níveis - o que não é uma correta exposição dos fatos, pois não há níveis, como bem sabem, mas apenas estados de consciência. Não me perguntem como isso é possível; reflitam sobre a relação deste aparecimento dual e simultâneo, procurando captar a natureza da forma manifestada do Logos planetário na pessoa de Sanat Kumara. Sanat Kumara não é a personalidade do Logos planetário, porque a personalidade, tal como a compreendem, não existe em Seu caso. Não é a alma do Logos planetário porque essa alma é a anima mundi e a alma de todas as formas em todos os reinos. Sanat Kumara, o Jovem Eterno, pode ser visto pelos que têm esse direito, por exemplo, presidindo o Conselho de Shamballa, embora ao mesmo tempo esteja presente como a vida e a inteligência animadora sobre o nosso planeta e dentro dele.

Portanto, há cinco lugares onde ocorrerá a exteriorização dos ashrams e estarão centrados oportunamente. A partir destes pontos, no transcorrer do tempo, outros ashrams subsidiários surgirão, fundados e sustentados por discípulos e iniciados destes cinco ashrams, representando os três raios maiores e dois raios menores. Para começar, serão fundados pela presença de algum discípulo avançado ou mundial nessas localidades. Devemos lembrar que o precursor de todos os movimentos que aparecem no plano físico é uma disseminação de ideias no âmbito da educação; portanto, um discípulo de segundo raio entrará em ação, primeiramente nesses cinco pontos; será seguido de um discípulo de sétimo raio. Como bem sabem, todos os movimentos mundiais são exteriorizações de ideias e de conceitos subjetivos, e de fases do pensamento formulado. O aparecimento da Hierarquia na Terra, de forma tangível, não é uma exceção a esta regra.

Os discípulos desses ashrams receberam instruções para este trabalho por aproximadamente cento e cinquenta anos; alguns conseguiram manter a ideia e o impulso originais claros e não contaminados por seu próprio pensamento, e aderiram - mesmo em seus pensamentos íntimos - ao programa hierárquico, conforme lhes foi apresentado por seus Mestres ou iniciados avançados. Outros não possuíam uma faculdade de raciocínio tão clara ou uma percepção intuitiva tão ativa - e embora captassem certos conceitos maiores, como a unidade mundial e as graduações e o controle hierárquicos - distorceram a verdade e arquitetaram as inúmeras ideologias que moveram o mundo no século passado; mesmo esta distorção, porém, está virando um bem, porque provocou um esforço redobrado por parte da Hierarquia para compensá-la; levou ao aumento do processo de forçamento, por meio do qual muitos aspirantes sérios e determinados alcançaram o grau de discípulo aceito; produziu também um fermento de pensamento no mundo que serviu para despertar a mentalidade das massas para possibilidades e horizontes até então visionados apenas por pensadores avançados e iniciados. O homem comum hoje absorveu as ideologias a um ponto inesperado e a tentativa de convertê-las em um fator ativo em nossa civilização moderna não é muito perigosa em vista do elemento tempo, tal como é concebido divinamente, e do ponto de vista da integridade básica e convicta do ser humano divino. O tempo e a divindade, os eventos e a bondade instintiva triunfarão ao longo prazo. As agonias intermediárias são penosas, mas não definitivas, e não são triunfantes do ponto de vista das forças da escuridão. Estas forças estão diante de uma derrota próxima e inevitável (como resultado da guerra e da ressurreição do espírito humano).

Os centros de Londres e de Nova York já estão dando sinais de vida, e os discípulos estão ativos nesses dois lugares e em todas as linhas de expressão humana. O centro de Genebra também está ativo, mas não de forma tão completa e inclusiva; está esperando maior calma e um sentido mais firme de segurança na Europa.

O centro de Darjeeling "está vibrando”, como se diz em termos ocultistas, mas como reação à proximidade e à afinidade com a Fraternidade dos Himalaias. Em Tóquio ainda há pouca atividade, e a que existe é de pouca importância. O trabalho neste centro será realmente induzido pelo trabalho dos triângulos. Não quero dizer com isso que Tóquio será um centro do trabalho de Triângulos, mas que a atividade meditativa concentrada das pessoas comprometidas com a atividade de Triângulos fará surgir magneticamente o que deve aparecer quando um centro é organizado. Com efeito, estão criando a atmosfera necessária, o que é sempre um passo preliminar. Quando existe a atmosfera ou o ar no qual respirar e se mover, a forma viva pode então aparecer.

Portanto, objetivamente, o trabalho de ensinamento do segundo raio é o primeiro a se organizar. Subjetivamente, os trabalhadores do primeiro raio já estão ativos, porque o trabalho de primeiro raio com sua atividade perturbadora e destruidora prepara o caminho; a dor e a ruptura precedem sempre o nascimento, e os agentes de primeiro raio estão trabalhando há quase duzentos anos. Os agentes de segundo raio começaram sua preparação por volta de 1825, e se exteriorizaram como força pouco depois de 1860. A partir desta data, os grandes conceitos, as novas ideias e as modernas ideologias e argumentos a favor e contra os aspectos da verdade caracterizaram o pensamento moderno e produziram o caos mental atual e as muitas escolas e ideologias conflitantes, com seus correspondentes movimentos e organizações; de tudo isso emergirá a ordem, a verdade e a nova civilização. Esta civilização emergirá como resultado do pensamento das massas; não será uma civilização "imposta” por uma oligarquia de um tipo qualquer. Será um fenômeno novo, pelo qual a Hierarquia teve que esperar antes de reaparecer. Se a Hierarquia viesse antes desta era de pensamentos e de debates das massas e de luta para promover as ideias criadoras, os princípios e as verdades que Ela representa poderiam ser considerados como "impostos” à humanidade e, portanto, em desrespeito à liberdade humana. Isto não será o caso agora, e a Hierarquia virá à manifestação exotérica porque a humanidade, por seu próprio livre- arbítrio, desenvolveu uma qualidade análoga à da Hierarquia e, portanto, magnética para esta organização espiritual. A boa vontade fará sair os Expoentes do Amor saírem de sua morada oculta, secreta e sagrada e, assim, nascerá o novo mundo.

Já se procura estabelecer esses ashrams subsidiários em várias partes do mundo. É necessário lembrar que nem todos os membros destes ashrams serão da linha do ensinamento, pois serão compostos de discípulos de vários raios. O empenho de formar ashrams coerentes e integrados baseia-se no reconhecimento da dificuldade inicial dos aspirantes dos distintos raios de compreender o ponto de vista e o modo de trabalhar uns dos outros e de pensar nos muitos termos e modos de pensamento diferentes. Contudo, há três requisitos fundamentais que devem condicionar e matizar todos os ashrams, qualquer que seja o raio:

1. Uma unidade grupal interna que conduz a uma síntese de compreensão entre os distintos ashrams. De um objetivo de grupo unificado surge um senso de lealdade com relação à Hierarquia e uma vida uniformemente disciplinada. Eu disse uniforme, meu irmão, porque a disciplina é a da inclinação espiritual e da intenção inspirada, que produz uma similitude de vivência nos membros do ashram, a qual, naturalmente, é diversificada pela qualidade de raio dos aspirantes e discípulos e pela tradição da personalidade. Reflitam sobre estas últimas palavras.

2. Uma similitude de objetivo. Com isso quero dizer uma apreensão e uma apreciação do Plano hierárquico, e da contribuição que cada ashram deve fazer para sua materialização na Terra; agregue-se a isso uma similitude ashrâmica unida de relação telepática instintiva e intuitiva com os membros seniores do ashram - os Mestres e iniciados de alto grau e, por intermédio d’Eles - com o Cristo. Chamaria a atenção aqui sobre o fato de que a inclinação mental de todos os esoteristas nos últimos cem anos foi dirigida para a relação individual com um Mestre, devido à necessidade de descobrir o ashram com o qual o aspirante deve estabelecer contato.

Esta atitude se alargou agora em sua abordagem pelos inúmeros discípulos diversificados dos numerosos e diferentes ashrams, em um movimento ou inclinação de grupo para o Cristo, o fator principal e mais importante na implementação do Plano hierárquico. Esta abordagem mental não é de mesma natureza que a preocupação constante cheia de aspiração do devoto cristão sério que segue o Cristo em seus pensamentos. É algo muito diferente.

Trata-se de um esforço grupal unificado, gerado em cada ashram e fomentado por todos, para levar todo o grupo - como um conjunto de servidores do mundo - à aura das correntes de pensamento do Cristo, à medida que Ele formula Suas ideias, cria a forma-pensamento necessária antes da manifestação, e toma providências para o Seu reaparecimento. Não é a mesma coisa que estabelecer uma relação telepática entre um discípulo individual e o Cristo, o que não é necessário nem desejável. A unidade de objetivo, o desejo de servir, o reconhecimento da atual intenção centrada da Hierarquia (sob o comando do Cristo) tornam-se um estado magnético e invocador da consciência de grupo, o que evoca, por parte do Cristo e dos Mestres informados, uma identificação de seu pensamento conjunto com a aspiração de grupo. É a correspondência espiritual superior do que se chama kama-manas nos três mundos.

Reconheço que isto não é fácil de compreender quando separado do conceito cristão comum sobre a relação do Cristo com o aspirante individual. A ideia talvez possa ser esclarecida se lembrarem que alguns dos que leem estas palavras me conhecem e trilharam seu caminho para o meu ashram, guiados pela própria alma e meu pronto reconhecimento. Outros, em todo o mundo, por meio de sua intuição espiritual e seu desejo de servir e saber, introduziram em sua área de consciência o ensinamento contido em meus livros. Sua relação comigo simboliza o tipo de relação que os discípulos e aspirantes podem estabelecer e estabelecem com o Cristo. Embora a analogia esteja longe de ser perfeita, é possível reconhecer a correspondência, em seus inúmeros graus, de sensibilidade recíproca.

3. Uma semelhança fundamental e básica de resposta simpática, nos membros de todos os ashrams, às necessidades da humanidade, à qualidade do programa para seu desenvolvimento conforme o objetivo exige, e à natureza da boa vontade e da compreensão inteligentemente aplicadas, qualidades que não estão prejudicadas por uma sensibilidade emocional indevida.

Estas três condições se encontrarão em todos os Ashrams e unirão os membros de um ashram com os de outros Ashrams, em uma medida ou ritmo de relação telepática. A partir desta posição central e unificada, o grupo estabelecerá e apoiará inevitavelmente uma relação telepática que se aprofunda rapidamente, de um lado com o ashram e o Cristo e, de outro, com a humanidade. Tendo isto como qualidade fundamental e condicionante, o trabalho pode prosseguir como previsto.

Observarão, portanto, porque durante os últimos trinta anos de ensinamento acentuei continuamente a necessidade de desenvolver uma sensibilidade verdadeiramente espiritual e psíquica, assim como a faculdade de estabelecer uma relação telepática científica. Fixei assim as bases da Ciência da Impressão, a mente iluminada e corretamente orientada sendo o intérprete, o analista e o transmissor.

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ADAPTAÇÃO ASHRÂMICA À VIDA EXOTÉRICA

Outubro de 1949

Chegamos agora a outro ponto do nosso estudo sobre este tema, a questão dos problemas mais difíceis que os Mestres enfrentam neste momento, e que apresenta também para o Cristo um problema excepcional. A vida física diária dos Mestres, do Cristo e dos Membros da Hierarquia (iniciados e discípulos aceitos) que atuam em corpo físico, se orientou para os níveis subjetivos da vida. Como regra geral, a maioria d’Eles, e em especial os membros avançados da Hierarquia, não se misturam com o público nem andam pelas ruas das nossas grandes cidades. Trabalham como eu no retiro dos Himalaias, de onde tenho influenciado e ajudado muito mais pessoas do que teria podido se tivesse andado diariamente em meio ao ruído e ao caos dos assuntos humanos. Levo uma vida normal, e creio que útil, como superior em uma grande lamaseria, mas meu trabalho principal está em outro lugar - difundido no mundo dos homens. Chego até este grande número de seres humanos por intermédio dos livros que escrevo, dos grupos que iniciei e impulsionei, tais como Homens de Boa Vontade e Triângulos, e de meus discípulos que falam e difundem a verdade tal como procurei apresentá-la.

Assim tem sido com o trabalho de todos os Mestres, exceto dois ou três que passaram por treinamento especial para realizarem um trabalho preparatório específico para a exteriorização da Hierarquia. O Mestre Inglês é um deles, como também outro Mestre que trabalha relativamente desconhecido na América do Norte. Mencionei-O anteriormente como o Mestre P., embora em realidade esta não seja a inicial do Seu nome.

Esta regra de solidão ou de retiro se aplica a todos os Mestres e ao Cristo, porque desde os dias atlantes os distintos ramos da Grande Loja Branca preferiram trabalhar na solidão da mente e, até onde possível, na solidão do lugar físico. Não se trata da solidão de um espírito separatista, mas da que provém da faculdade de ser não-separatista e da faculdade de identificação com a alma de todos os seres e de todas as formas. Isto se cumpre melhor na quietude intensa dos lugares "protegidos”, onde os Mestres dos distintos ramos da Irmandade escolheram morar. Esta solidão e isolamento físicos Lhes permite trabalhar quase totalmente desde o nível búdico ou intuicional, aperfeiçoando a Ciência da Impressão, influenciando e trabalhando por intermédio das mentes que são susceptíveis à Sua impressão mental. Isto se aplica igualmente aos Mestres em veículo físico e aos que não têm "nenhum ancoramento” nos três mundos; aplica-se também aos discípulos que estão em encarnação ou fora dela, de acordo com seu destino, seu carma imediato ou a forma de seu serviço. São Paulo, por exemplo, estava na etapa inicial de aprender a se retirar corretamente e a trabalhar no que Patanjali chama de "unidade isolada”, quando disse que fora "transportado ao terceiro céu” e ali aprendido as inefáveis belezas da vida divina.

Portanto, o problema para os Mestres e Seus discípulos é trabalhar (quando a exteriorização acontecer) em plena existência do plano físico, não mais retirados, isolados e protegidos, mas atuando abertamente em meio aos acontecimentos, realidades físicas, e toda a diversidade de contatos que os três mundos apresentam. Talvez fosse útil lembrar que quando o Cristo esteve em presença física na Terra há dois mil anos, a população do mundo era relativamente pequena, comparada com o que temos hoje; o contato entre os povos era praticamente nulo e, onde existia, era em geral de natureza estritamente militar ou comercial, com um intercâmbio exclusivo de ideias escolásticas e de pessoal entre os raros centros de ensinamento. Naqueles dias era fácil se retirar para o deserto, desaparecer em um lugar pouco frequentado, recarregar e revitalizar o espírito, voltar a estar estreitamente em contato com as fontes de inspiração nos níveis mais elevados de consciência e, assim, reorientar o instrumento de trabalho nos três mundos para o campo superior de contato e inspiração. Muito disto pode ser observado nos relatos do Evangelho sobre a vida do Cristo e do Mestre Jesus.

Quando o Cristo reaparecer e a Hierarquia se exteriorizar na Terra, as condições serão totalmente diferentes; hoje já não há espaços vazios, a população do mundo aumentou muito e continua aumentando ano após ano, nenhuma localidade é isolada ou inacessível; as selvas são territórios abertos aos exploradores e aos inúmeros agentes comerciais; grandes cidades cobrem o planeta e os oceanos são atravessados por uma multidão de navios; as rotas aéreas do mundo são frequentadas por milhões de passageiros todos os anos. O solo está dividido em pequenas seções pelas estradas de ferro, rodovias, autoestradas e uma profusão de vias secundárias e ruas. De fato, todo ser humano vivo do mundo está em contato com milhares de outros seres humanos e pode - por meio dos muitos meios de informação - entrar em contato com milhões de pessoas. As agências despejam notícias de hora em hora, e os olhos de milhões de pessoas estão incessantemente colados nas páginas impressas em todas as horas do dia ou da noite. Os ouvidos de milhões de pessoas estão quase que permanentemente sintonizados com a voz do rádio. Apenas o sentido de percepção interno permanece inativo, porque só a humanidade avançada vive em contato constante com o mundo da percepção e da intenção espirituais.

Portanto, as condições que a Hierarquia enfrenta são um problema sério e determinante. Até onde for possível, procuraremos considerar estas condições, porque é necessário ter certo entendimento do problema se quisermos realizar um trabalho correto.

O problema é necessariamente o da mudança de orientação da percepção, mas não necessariamente dos modos de vida, ou da adaptação precisa ao plano físico. A orientação hierárquica, há séculos, foi a de uma estrita consolidação interna, para que a aura magnética da Hierarquia pudesse responder infalivelmente à impressão de Shamballa, e fosse também de natureza tão potente que pudesse constituir uma tela protetora em torno da família humana. Não nos esqueçamos de que o serviço de proteção que os Mestres assumiram em prol do gênero humano, permanecendo entre a humanidade e as emanações, as influências e a aura magnética da Loja Negra.

Esta consolidação interna foi grandemente fortalecida nos últimos cem anos. Por causa disto, e devido à resultante clareza da impressão e à potente influência expansiva, o Plano para a humanidade - como um Todo - foi comunicado com ênfase para os discípulos dos ashrams e, por eles, formulado com clareza e apresentado à humanidade.

H.P.B. (um dos primeiros discípulos ativos que surgiu pelo impulso da exteriorização e com a energia de primeiro raio a conduzindo) proporcionou o contexto do Plano sob minha impressão; a estrutura mais detalhada e o alcance da intenção hierárquica foram dados por mim nos livros que A.A.B. apresentou ao público sob seu próprio nome (de acordo com minhas instruções). Pela primeira vez na história humana, o propósito dos acontecimentos passados - históricos e psicológicos - pode ser nitidamente observado como a base dos acontecimentos presentes, o que leva a misteriosa Lei do Carma à atenção do público de maneira simples. Também é possível ver o presente indicando o caminho do futuro, revelando claramente que a vontade-para-o-bem de Deus que anima todo o processo da evolução - um processo no qual a humanidade (também pela primeira vez) está participando e colaborando inteligentemente. É esta participação cooperativa, mesmo que prestada inconscientemente, que possibilita à Hierarquia aproveitar a oportunidade de pôr fim ao longo silêncio que persistiu desde os dias atlantes. Agora os Mestres podem começar a renovar a antiga "participação nos segredos”, e preparar a humanidade para uma civilização que se caracterizará pela constante percepção intelectual da verdade, e que colaborará com os ashrams exteriorizados em várias partes do mundo.

A consolidação interna agora abrandou, se posso usar uma expressão tão inadequada, e a maioria dos membros da Hierarquia está desviando a intensidade de sua atenção da recepção da impressão de Shamballa para se orientar agora - de maneira totalmente nova e dirigida - para o quarto reino da natureza. Ao mesmo tempo, uma poderosa minoria de Mestres está entrando em associação muito mais estreita com o Conselho de Sanat Kumara.

Deste modo a influência potente e dinâmica de Shamballa será fortalecida, em vez de amenizada, pela reorientação da maioria dos Mestres e iniciados. Estas declarações certamente têm implicações que vocês não compreenderão e que necessariamente passarão inadvertidas. Entretanto, serão receptivos ao conceito de que esta minoria - em contato mais estreito e renovado com Shamballa - tem que dominar a técnica da relação, o que acarretará um grande uso da vontade de sacrifício. A razão é que (em uma volta mais elevada da espiral) os membros desta minoria estão se submetendo a um processo de forçamento, que exigirá muito d’Eles, mas que servirá para liberar a maioria para uma forma mais potente e nova de serviço imediato na Terra. Em outras palavras, alguns dos Mestres e altos iniciados estão se submetendo a um estímulo especial e empreendendo um trabalho pelo qual até agora eram responsáveis os Ashrams unidos, em seus estratos mais elevados. Isto os submete a uma grande tensão e os obriga a usar o aspecto vontade de Sua natureza divina de maneira totalmente nova e desconhecida. Eles abrem mão de muitas coisas a fim de capacitar toda a Hierarquia a proporcionar maior irradiação, a guiar mais e a dar ainda mais força magnética de invocação, como nunca antes.

Por Sua vez, a maioria dos Mestres e iniciados renunciam a muitas coisas para trabalhar exotericamente entre os homens. Submetem-se voluntariamente a um estímulo ativo por parte da "minoria de contato” sênior, mas renunciam à "alegria do contato de Shamballa”. Abandonam temporariamente o treinamento que a maioria recebia em "orientação cósmica”, no uso da vontade-de-ser (termo que não faz sentido para vocês) e na "bem-aventurança da receptividade da vontade-para-o-bem de Sanat Kumara”. Toda a atitude do grupo de Mestres, iniciados e discípulos que devem assumir a responsabilidade pela exteriorização da Hierarquia e pela preparação para o reaparecimento do Cristo está enfocada no uso especializado da Ciência de Contato. Desta vez a ciência é usada em ampla escala telepática com as almas dos homens e na técnica de expressar espiritualmente a natureza da "unidade isolada” nas cidades, nas florestas e nas áreas superpovoadas da Terra. Como bem podem imaginar, implica na habilidosa capacidade de permanecer incólume ante o mal desenfreado no plano físico e ainda assim permanecer em total contato de simpatia e compreensão com toda a humanidade e os acontecimentos que a afetam. Foi profeticamente que o Cristo foi levado a dizer, em seu último aparecimento entre os homens, que Seus discípulos "estavam no mundo, mas não eram do mundo”. Ele descreveu em termos simples, mas profundamente reveladores, a vida dos membros de seus ashrams (toda a Hierarquia), quando Ele voltar a caminhar de novo com eles sob os olhos dos homens. Descreveu-os como um com o Pai (o Conselho da Vida em Shamballa) e, no entanto, um com Ele (como Regente da Hierarquia) e "um” também com tudo que respira e habita em uma forma. A todos os discípulos que querem colaborar com a iminente atividade da Hierarquia, sugiro estudar com cuidado o capítulo XVII do Evangelho de São João; foi escrito por esse discípulo de amor, sob a influência da energia emanante do veículo búdico do Cristo, que é também - como lhes foi dito - idêntico ao veículo búdico do Buda. A identidade desses dois veículos está simbolizada em todo o ensinamento sobre a "unidade isolada” e na divina participação que os Mestres ensinam atualmente, em Seus ashrams, aos Seus discípulos de todos os graus, como primeiro passo para a exteriorização de Suas atividades.

Um intenso processo de treinamento está em curso em cada ashram, em linhas idênticas, dando por resultado o "isolamento”, no sentido ocultista, de certos Mestres e iniciados. Foram assim isolados para que possam trabalhar com Shamballa mais prontamente e com mais facilidade. Deste modo podem formar um reservatório de energia dinâmico e galvânico (energia da Vontade divina) e disponibilizá-lo para uso dos outros membros da Hierarquia, à medida que se mantêm como "unidades isoladas” nos caminhos da Terra e assim "estejam no mundo e, no entanto, não sejam do mundo”. Aprender esta lição coloca em atividade a vontade de sacrifício nos dois grupos hierárquicos, o que constitui o fio vinculador entre Eles e aquele aspecto do antahkarana pelo qual a energia pode afluir de forma nova e elétrica a partir de Shamballa, por conduto da minoria hierárquica mencionada acima para chegar ao grande grupo de Mestres, iniciados e discípulos, aos quais está atribuída a tarefa de consolidação. Para os membros da Hierarquia, tudo isto constitui um processo preciso de testes e provas, prévios e preparatórios para determinadas iniciações superiores.

Além disso, os Membros da Hierarquia não apenas são sensíveis à impressão proveniente dos dois outros centros planetários (Shamballa e Humanidade), como também têm uma consciência aguda das forças do mal que lutam furiosamente contra a exteriorização do trabalho espiritual. A energia engendrada pelo mal cósmico está ativa ao longo de três grandes canais:

1. A partir do centro do mal cósmico, no plano astral cósmico. Sobre este centro vocês nada podem saber, só os Mestres e os iniciados de grau ainda mais elevado compreendem, reconhecem e interpretam suas emanações e sua aura magnética. À medida que a potência do plano astral (tão familiar para todos nós) se enfraquecer e a humanidade em rápida espiritualização neutralizar a miragem e a ilusão, o poder do mal cósmico se debilitará de maneira correspondente, e as forças do mal não poderão mais chegar ao planeta com tanta facilidade como agora. A Hierarquia permanece protegendo a humanidade contra o impacto deste mal emanante. Até agora era tarefa de Shamballa, atuando por intermédio da Hierarquia, proteger a humanidade da "intenção de destruir” das forças do mal cósmicas. Mas, no próximo ciclo, como resultado do triunfo das Forças da Luz na guerra mundial, a potência de Shamballa poderá se combinar com os "Agentes da Luz protetores”.

2. A partir da loja negra que é a exteriorização na Terra do centro do mal cósmico. Assim como a Loja Branca é representante ou a analogia do centro cósmico de Luz em Sirius (a verdadeira Grande Loja Branca), do mesmo modo a loja negra é a representante do mal cósmico antigo. A loja negra está também muito mais avançada na exteriorização do que a Loja Branca, porque o materialismo e a matéria são para ela a linha de menor resistência. Portanto, a Loja Negra está muito mais firmemente ancorada no plano físico do que a Hierarquia. É necessário um esforço muito maior por parte da Loja Branca para "se revestir de matéria, trabalhar e se mover nos níveis materiais”, do que para a Loja Negra. Considerando-se, porém, o crescimento espiritual da humanidade e a firme, embora lenta, orientação dos homens para a Hierarquia espiritual, chegou a hora em que a Hierarquia pode se materializar e lutar em pé de igualdade contra o inimigo do bem. A Hierarquia não se verá mais prejudicada pela necessidade de trabalhar na substância, enquanto que as forças do mal trabalham tanto na substância como na matéria. Quando o reaparecimento do Cristo e da Hierarquia for um fato consumado, as forças do mal sofrerão uma derrota certa. A razão disso está em que a tendência da vida e do pensamento dos homens estão se voltando resolutamente para os valores espirituais subjetivos, mesmo que tais valores no presente sejam interpretados em termos de bem-estar material e de melhores condições de vida para todos, trazendo paz e segurança também para todos. A loja negra, ou o centro planetário do mal, atua quase inteiramente no plano astral, impressionada diretamente e guiada de forma detalhada a partir do plano astral cósmico.

3. A partir das forças negativas ou puramente materiais do planeta, que não são nem boas nem más, mas que foram utilizadas instintivamente (e muitas vezes de maneira inconsciente) pela humanidade com fins puramente materialistas. São basicamente antiespirituais, e estão sujeitas à influência do desejo humano - desejo orientado para o egoísmo e, portanto, para a separatividade. Este tipo de mal é hoje combatido pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo. Vocês conhecem esta batalha, pois todo homem e mulher que pensam estão diretamente envolvidos nela.

Falei do mal presente no planeta em termos muito simples; há fases do mesmo que não mencionei. O entrelaçamento e a interpenetração dos graus do mal são muito mais numerosos e intrincados do que podem supor.

Em resumo, diria que a reorientação atual da Hierarquia, em relação a Shamballa e à humanidade, abre o ciclo de completa derrota do mal cósmico em nosso planeta, ficando a loja negra isolada e debilitada, destinada a uma morte lenta, o que permitirá a purificação do desejo humano a tal ponto, que "a matéria será redimida pela vontade de sacrifício d’Aqueles que sabem, pela vontade-para-o-bem d’Aqueles que são e pela boa vontade dos filhos dos homens que voltaram o rosto para a luz e que, por sua vez, refletem essa luz”.

Como bem sabem todos os discípulos, um dos problemas que enfrentam constantemente é a extrema sensibilidade às correntes de pensamento daqueles com quem estão em contato direto. Quanto mais avançado é o discípulo, tanto maior é o seu problema. A teoria de que por viver e trabalhar em um nível de consciência elevado fica-se imune contra o que emana do nível inferior não funciona na prática. A lei oculta proclama que o maior pode sempre incluir o menor, e assim como isto é verdade para o Logos planetário (a totalidade de todas as formas menores dentro do Seu universo manifestado), a mesma lei se aplica aos seres humanos. Em consequência, o discípulo pode sempre incluir o que emana dos que estão em degraus inferiores aos seus na escala da evolução. Quanto mais o discípulo está sob a influência da Lei do Amor, mais facilmente sintonizará e absorverá os pensamentos e registrará os desejos dos que o cercam e, em particular, daqueles que estão ligados a ele por laços afetivos e relação cármica. À medida que os discípulos passam de uma iniciação a outra, o aspecto vontade fortifica o intelecto e dirige a expressão da energia do amor, e assim o problema diminui, porque o iniciado aprende certas regras de proteção que não são postas à disposição do neófito. Este tem que aprender, primeiramente, a se identificar com os outros, como base para uma identificação mais elevada que condiciona os iniciados avançados na escala da existência.

A preparação dos Membros dos Ashrams que se encontram na Hierarquia e que devem sair de Seu retiro e viver entre os homens nas relações comuns da vida diária, implicou a necessidade de muitos debates e instituiu um rigoroso sistema de treinamento nos ashrams. Não posso entrar na natureza do treinamento, porque difere segundo os raios dos discípulos, e o tema é muito vasto para o nosso propósito. O problema foi preservar a relação de sensibilidade e simpatia e assentar as bases para a identificação inclusiva mais elevada e, no entanto manter, ao mesmo tempo, um desapego espiritual que permitisse ao discípulo realizar o trabalho necessário sem os obstáculos e impedimentos da angústia, da ansiedade ou da atividade mental induzida pelas mentes e pelos desejos daqueles com quem ele trabalha.

O desapego necessário não pode se basear no instinto inato da autoconservação, mesmo se transposto para o reino da alma. Deve ser motivado por uma absorção oculta na tarefa e implementado pela vontade, que mantém aberto o canal de contato entre o discípulo e o ashram e entre o discípulo e sua esfera de atividade; este canal deve ser mantido inteiramente livre de todas as identificações inferiores. Seria possível dizer que se trata de um método de eliminação de todas as tendências para registrar qualquer coisa, a não ser uma sábia apreensão do ponto de evolução daqueles com quem o discípulo entra em contato; uma sólida avaliação do problema colocado sobre eles; e um processo de direção da necessária energia do amor, de maneira que a corrente de amor projetada não apenas ajude o receptor, como também proteja o discípulo de um contato indevido. Então, não evocará, na pessoa ou grupo a ajudar, nenhuma expressão recíproca de personalidade; pelo contrário, elevará a qualidade da vida da personalidade ou a vida do grupo no caminho de purificação até os níveis de consciência superiores.

Grande parte do trabalho que devem realizar os discípulos que vêm dos ashrams e que continuarão a vir, é atualmente de natureza purificadora, e seguirá assim cada vez mais pelo resto deste século. No caminho de provação ensina-se ao aspirante a purificar a si mesmo e seus três veículos de contato. Ao ser aceito em um ashram, a purificação necessária estará feita em grande medida. Dali em diante o discípulo não deve enfatizar a purificação de sua própria natureza, pois faria com que se centrasse de maneira muito estreita e íntima sobre si mesmo, e tenderia a uma estimulação excessiva dos veículos da personalidade. Porém, descobrirá que as lições aprendidas no caminho de provação são simplesmente a base para a Ciência de Purificação ou - se posso empregar uma palavra que se tornou familiar devido à experiência da guerra - de descontaminação. Isto será plenamente expresso pelos discípulos que serão responsáveis pela preparação do mundo para o reaparecimento. Este processo de purificação encerra as seguintes etapas:

1. A etapa em que a região contaminada, o mal oculto ou os fatores enfermiços são reconhecidos e devidamente contatados para fins de avaliação da extensão das medidas de purificação necessárias; trata-se de um ponto de perigo para o discípulo.

2. O processo de descoberta das regiões magnéticas, magnetizadas em séculos passados, ou mesmo em eras passadas, pelos Membros da Hierarquia. Isto se faz para facilitar a transmissão de energias ali armazenadas. No ciclo que agora se aproxima, estes centros magnéticos serão amplamente utilizados pelos discípulos mundiais responsáveis pelo trabalho de purificação.

3. A etapa em que o discípulo desvia a atenção da fonte da dificuldade e se concentra em certos mantras e fórmulas hierárquicas, assim liberando as energias necessárias para destruir os germes do mal, latentes ou ativos, eliminando certas tendências materialistas e fortalecendo a alma de tudo que deve ser purificado e a vida que há em toda forma. Seria prudente lembrar, por exemplo, que à medida que o Mestre trabalha com Seus discípulos e fortalece a vida dentro deles e evoca sua alma para passar do estado latente para a atividade, toda forma e todo átomo de seus diversos corpos são igualmente energizados e ajudados. É este processo fundamental que guiará os discípulos e iniciados no futuro trabalho de purificação do mundo.

4. A etapa em que as energias purificadoras são retiradas, à qual se segue um período de estabilização da forma purificada e de introdução da vida e da alma que ela contém em um novo ciclo de crescimento espiritual.

Formulei tudo isto de maneira a evidenciar que o trabalho a ser realizado não se limita apenas à humanidade, mas também às formas de vida dos outros reinos da natureza.

O estudo da Ciência da Purificação Aplicada está absorvendo hoje a atenção de todos os ashrams; os discípulos nos ashrams de primeiro, segundo e sétimo raios estão particularmente ativos nestas linhas, porque a destruição do mal é trabalho do primeiro raio e assim, destruindo seus efeitos, alcança-se a pureza. Então será possível fomentar o bem, que é o trabalho do segundo raio, o dos Construtores; pôr a energia espiritual em contato com a substância e, em consequência, com a matéria, é o trabalho específico do sétimo raio, por estar agora em manifestação. Os raios ativos e em manifestação neste momento e ciclo estão em conformidade com o Plano e em preparação para a exteriorização da Hierarquia e o reaparecimento do Cristo. Estes raios estão particularmente envolvidos e, portanto, os iniciados e discípulos nos ashrams dos Mestres também estão particularmente implicados.

A Ciência da Purificação Aplicada é também a Ciência da Energia Aplicada com o objetivo específico de "eliminar o indesejável e o que prejudica a entrada da luz, proporcionando assim o espaço e a entrada do desejável, do bom, do belo e do verdadeiro”. Na aplicação desta ciência não há, certamente, nenhuma transgressão à prerrogativa humana do livre- arbítrio. Esta antiga ciência diz respeito principalmente à purificação e à redenção da matéria e está inteiramente nas mãos dos seres humanos sob a direção da Hierarquia. Esta direção pode ser registrada, consciente ou inconscientemente. A Ciência da Redenção (à qual já me referi várias vezes) é na realidade a arte aplicada do esoterismo e da vida espiritual que já está sendo ensinada à humanidade, a qual está aprendendo gradualmente a redimir os corpos através dos quais atua. Na realidade é a arte ou a ciência da relação entre a Vida e as vidas, como expressa H.P.B.

No que diz respeito aos outros reinos da natureza, a Hierarquia aplica a purificação por intermédio dos seres humanos, e hoje podemos ver que o processo está em curso. Esta atividade, realizada hoje de forma amplamente inconsciente, será redobrada e implementada conscientemente por discípulos e iniciados treinados, trabalhando por meio dos aspirantes e com eles. É o que está sendo estudado agora nos diversos ashrams hierárquicos e, quando for aplicado - depois de 1975 - trará grandes e importantes mudanças na vida do mundo.

Outro assunto do qual a Hierarquia está se ocupando neste momento, em vista das próximas adaptações necessárias, é descobrir aspirantes e aqueles que estão próximos do estado de discipulado aceito em todos os países, a fim de que o problema do idioma ofereça pouca dificuldade. Tendo descoberto estas pessoas, Seu próximo passo é submetê-las a um processo de treinamento de sensibilidade telepática para que sejam sensíveis à impressão hierárquica. Ao mesmo tempo, a intuição dessas pessoas precisará ser estimulada, mas - como a intuição é inútil e inacessível sem uma inteligência de alto grau - estas pessoas devem ser procuradas nos planos mentais. A posse da mente abstrata não é suficiente. É útil no que garante a habilidade do aspirante de construir o antahkarana; no entanto é possível possuir uma consciência abstrata muito bem desenvolvida e carecer totalmente de percepção intuitiva.

Por exemplo, esta é a principal limitação da pessoa X... Trata-se de um pensador abstrato judicioso, o que é raro, pois geralmente são idealistas pouco práticos. Porém, não é nem um pouco intuitivo, o que poderia ser facilmente, com certas renúncias necessárias.

Lembrando basicamente, a intuição não é reveladora de verdades esotéricas. Elas chegam por outra linha de percepção espiritual. A intuição é essencialmente o órgão da percepção de grupo, e aquilo que oportunamente eleva a personalidade à sua correta posição como agente da alma no grupo. A pessoa X tem uma teoria fidedigna a respeito das atitudes e trabalhos grupais e ficará muito surpreso com meus comentários. Porém, enquanto se isolar do cordial contato do grupo e não buscar (em nome do serviço) o amor do grupo, enquanto deixar de reconhecer o erro e seu próprio papel nas falhas correntes que acontecem, e enquanto transferir a responsabilidade para outros, quando ele mesmo está errado, não conseguirá registrar informações intuitivas, porque as reações de sua personalidade intervirão. Não deve se deixar enganar pelo fato de que as pessoas o apreciam quando ele está na cátedra; é trabalho grupal, mas não essencialmente trabalho com o grupo. Deve aprender que no presente ele observa o grupo, mas não é parte dele, e que está centrado principalmente na tarefa de "entregar as mercadorias” (se posso empregar este termo americano) para a sua personalidade e aplauso próprio, mas não ao grupo. Para ele será difícil compreender, é preciso lhe dar um tempo. Ele quer ser bem-sucedido espiritual e esotericamente, mas precisa entender o fato de que isso se faz pelo amor e pela compreensão, e não pelo intelecto. Ele está isolado por seu próprio forte desejo de ter êxito segundo suas próprias teorias e sua personalidade, desta maneira provando a si mesmo o controle que a sua alma possa exercer sobre sua personalidade. Isto cria barreiras, mas a parede que o isola e separa dos seus colaboradores é muito fina e poderia ser facilmente "despedaçada” se o seu orgulho permitisse e se reconhecesse a sua igualdade com o grupo com o qual está associado e com os membros menos importantes desse grupo, o que ainda não faz - apesar do que pensa sobre si mesmo.

O holofote da Hierarquia está esquadrinhando o planeta, selecionando homens e mulheres, aqui e ali, entre as massas, que dão sinais de possibilidades esotéricas, e que têm em suas vidas o amor à humanidade e ao Cristo como fator fundamental básico.

A pessoa devota comum, que constantemente se compromete e se dedica ao Cristo ou aos Mestres com espírito de adoração, não será selecionada para este treinamento específico. Sua atitude e desenvolvimento se interpõem violentamente entre ela e seu objetivo. O homem que se esquece de si mesmo, e que está mais interessado em ajudar seres humanos infelizes, mas que, no entanto, está firmemente convencido da realidade dos mundos invisíveis, é o homem procurado no momento presente.

Quando estes homens e mulheres forem descobertos, a tarefa do iniciado que os descobriu é cuidar para que, de alguma maneira, lhes cheguem as informações sobre o Plano hierárquico com relação ao reaparecimento do Cristo (sob o nome conhecido na formação religiosa do aspirante), e também sobre as verdades ocultas fundamentais e necessárias - com particular enfoque sobre a Lei de Causa e Efeito e, de forma secundária, sobre a Lei do Renascimento. A Lei de Causa e Efeito tem maior importância que a Lei de Renascimento, porque requer ação por parte do aspirante, ação que, inevitavelmente, condiciona o futuro. Não há nada que ele possa fazer a respeito da Lei do Renascimento, exceto se submeter a ela e ser agradecido pelas contínuas oportunidades que ela oferece.

Quanto aos inúmeros ajustes que os membros da Hierarquia em Seus diversos graus deverão fazer no que poderia se denominar de vida da personalidade e hábitos, nada tenho a dizer. Sei muito bem que perguntas surgirão em suas mentes, e gostaria de abordar uma ou duas delas. Por exemplo, alguns de vocês se perguntam:

1. Como os membros da Hierarquia em Seus diferentes graus vão aparecer na Terra? Virão pelos meios comuns de nascimento, infância e maturidade? Alguns iniciados talvez adotem este método comum, outros já estão passando por ele hoje e estão nas etapas da infância e da adolescência. A eles caberá uma grande parte do trabalho de preparação. Outros não passarão por estas fases relativamente limitantes, mas farão um vai-e-vem entre o mundo exterior e o mundo do esforço hierárquico; às vezes estarão presentes em corpo físico e às vezes não. Este método de atividade não será possível enquanto as autoridades exigirem o cumprimento das regras atuais de identificação nacional e civil, passaportes e inspeções rigorosas em portos e aeroportos; esses "iniciados em trânsito” não poderiam fornecer uma identidade. Portanto, esta forma de aparecimento fica adiada por algum tempo. Alguns Mestres criarão o que, em linguagem oriental, se chama "mayavirupa” - veículo de expressão construído com substância atômica física, astral e também mental concreta, o que podem criar à vontade, usar à vontade e fazer desaparecer à vontade, Seu problema, portanto, não é tão sério no que se refere a aparecer e reaparecer, como o do iniciado que não pode criar um instrumento adaptado ao seu propósito e serviço.

2. Todos os membros da Hierarquia aparecerão ao mesmo tempo? Certamente não. O aparecimento destes iniciados e Mestres começará com membros isolados vivendo entre os homens; vindo um por um, realizando o trabalho necessário, retornando pelos portais da aparente morte para o ashram subjetivo interno e depois aparecendo novamente por um ou outro dos métodos mencionados acima. Este processo vem ocorrendo há algum tempo, e começou em torno de 1860. O trabalho destes discípulos na consciência humana já está sendo reconhecido; eles conseguiram modificar a consciência e o modo de pensamento de muitos milhões de pessoas. Suas ideias já estão permeando o pensamento do mundo. Lembraria também (a fim de encorajá-los) que eu mesmo faço parte destes iniciados ativos (pois, em última análise, isto é tudo que qualquer Mestre é) e que Eu, do meu ancoramento físico, isto é, do meu corpo físico e do meu lugar no norte da Índia e em colaboração com os discípulos A.A.B. e também com F.B., fiz muito para introduzir certos conceitos (antigos, entretanto novos em sua apresentação) na consciência da humanidade. Também muito tenho feito para estimular a boa vontade instintiva dos homens, fazendo-a passar do estado latente para a atividade. Menciono isto porque não se trata de uma realização única; muitos outros Mestres - com Seus discípulos - estão atuando nos assuntos humanos e lutando, em condições adversas, para mudar o curso do pensamento humano, de um franco materialismo para uma genuína aspiração espiritual.

Muitas outras perguntas se colocam na mente dos meus leitores, e quanto menos avançados estão, maior o questionamento e a ênfase nos aspectos materiais do tema e, portanto, sem importância. Não tenho a intenção de tratar destes aspectos, embora saiba, como também A.A.B., quais são eles. Não são de importância vital, e as respostas virão por si mesmas no devido tempo.

Quando a tarefa de preparação das mentes dos homens estiver mais avançada; quando a existência dos Mestres e Seus esforços hierárquicos e da Hierarquia unida do nosso planeta se tornarem verdades comumente reconhecidas, e a boa vontade ativa for acolhida como um verdadeiro acervo nacional em todos os países, então a exteriorização da Hierarquia se acelerará consideravelmente. Os cinco centros espirituais começarão a tomar uma forma precisa, e também suscitarão reconhecimento; os grupos que ali trabalham serão conhecidos e estarão em estreito contato recíproco. A partir desse momento, a rede de iniciados e discípulos dirigidos pelos Mestres terá dimensão mundial, e em todos os campos da expressão humana o parecer destes homens e mulheres e dos Mestres que presidem os cinco centros com Seus grupos afiliados será considerado de imenso valor por todas as organizações governamentais, econômicas e sociais.

Em seguida - em uma grande onda de inspiração espiritual - o espírito divino de expectativa pelo reaparecimento do Cristo se estenderá pelo mundo, sendo então considerado digno de crédito, e a vinda do Cristo proporcionará o germe de toda esperança mundial. A razão disso está em que as pessoas mais respeitadas, iluminadas e cultas do planeta estarão esperando por Ele. Então, meus irmãos, Ele virá, trazendo novas energias de amor e compaixão, implementando o espírito de uma nova iluminação. A estes importantes acontecimentos deve-se agregar a nova revelação que todos os homens esperam e à qual poderão responder, em razão do necessário e novo estímulo.

Muitos dos que leem esta seção das minhas instruções ficarão decepcionados (tão tola e ignorante é a mente humana em tantos casos), porque opto por não considerar os meios pelos quais os Membros da Hierarquia se adaptarão às condições da vida modernas, que alimento tomarão, se vão ou não se casar. Só direi que viverão a vida moderna e o que ela significa, e demonstrarão como essa vida (produto normal do processo evolutivo) pode ser vivida divinamente; expressarão o ideal mais elevado do matrimônio (relembro que muitos dos Mestres são casados e têm família), e demonstrarão o princípio que subjaz na perpetuação da raça dos homens. Mostram também que toda vida é uma só vida; que a natureza forma é sempre uma unidade de sacrifício no vasto esquema da manifestação divina. Eles nos mostrarão também que tudo o que fizermos, comermos e bebermos deve estar de acordo com a lei natural de temperança e de correção, em um espírito de compreensão amorosa, e sempre para a glória de Deus. Levarão um modo de vida ordenado e sóbrio em todas as coisas, e demonstrarão a possibilidade de existir na Terra pessoas sem inclinações erradas nem qualidades perversas. Serão exemplos vivos de boa vontade, de verdadeiro amor e de sabedoria aplicada inteligente; de retidão de caráter e bom humor. Serão tão normais que o reconhecimento do que eles são pode passar despercebido.

Finalmente, manifestarão aos que estão em torno deles o significado da correta motivação, da beleza do serviço altruísta, e de uma vívida percepção intelectual. Esta é, meus irmãos, uma afirmação tão trivial, do ponto de vista da pessoa boa e bem-intencionada, que o valor da mesma escapará à sua atenção. No entanto, é uma afirmação que, como diria um iniciado, merece sua mais dedicada atenção e consideração - consideração que deve ser seguida de um esforço para expressar as mesmas qualidades no caminho para o Portal da Iniciação.

O Trabalho dos Ashrams Exteriorizados

As grandes linhas bastarão aqui. Nas páginas precedentes tratei extensamente do trabalho proposto para os ashrams exteriorizados, como também em vários outros dos meus livros e não será possível dar uma apresentação mais detalhada neste momento. A exteriorização que se avizinha trará uma forte estimulação que necessariamente afetará os discípulos e aspirantes, e envolverá um período de adaptação a esta vibração superior. A adaptação a esta vividade aumentada será facilitada pela enunciação de certas afirmações básicas que guiarão os discípulos, aspirantes e pessoas de boa vontade.

Especificamente, os ashrams exteriorizados estarão ativos em quatro linhas principais:

1. Criação e vitalização da nova religião mundial.

2. Reorganização gradual da ordem social - ordem desobstruída de toda opressão, de perseguição de minorias, do materialismo e do orgulho.

3. Inauguração pública de um sistema de iniciação, o que implicará o desenvolvimento e na compreensão do simbolismo.

4. Instrução exotérica dos discípulos e da humanidade neste novo ciclo.

Enquanto isso, meus irmãos, o que devem fazer durante este período intermediário? Qual é o seu trabalho e sua meta? Permitam-me frisar um ou dois pontos:

A meta material que todos os que amam seus semelhantes e servem à Hierarquia devem ter sempre presente na mente e no coração é a derrota do totalitarismo. Não digo a derrota do comunismo, mas a derrota desse processo maligno que envolve a imposição de ideias, que tanto pode ser o método das nações democráticas e das igrejas de todas as partes, como é também o método que a U.R.S.S. emprega. A isto chamamos de totalitarismo. Peço que estabeleçam esta diferença com clareza em suas mentes. A meta material é derrotar tudo o que infringe o livre-arbítrio humano e mantém a humanidade na ignorância. Isto se aplica igualmente a todo sistema estabelecido - católico ou protestante - que impõe seus conceitos e sua vontade aos seus seguidores. O totalitarismo é a base do mal em nossos dias; encontra-se em todos os sistemas de governo, de educação, no lar e na comunidade. Aqui não me refiro às leis que tornam as relações de grupo legítimas, possíveis e corretas, são leis essenciais para a comunidade e o bem-estar nacional, e não totalitárias por natureza. Refiro-me à imposição da vontade de uns poucos sobre a totalidade da massa dos povos. A derrota desta tendência indesejável em todas as partes é para vocês a meta material precisa.

A meta espiritual é estabelecer o reino de Deus. Um dos primeiros passos para isto é preparar as mentes dos homens para aceitar o fato que o reaparecimento do Cristo é iminente. Devem dizer aos homens de todas as partes que os Mestres e Seus grupos de discípulos estão trabalhando ativamente para pôr ordem no caos. Devem dizer que HÁ um Plano, e que nada pode deter o cumprimento desse Plano. Devem dizer também que a Hierarquia permanece e tem permanecido durante milhares de anos, e é a expressão da sabedoria acumulada das eras. Devem dizer, acima de tudo, que Deus é amor, que a Hierarquia é amor, e que o Cristo está vindo porque ama a humanidade.

Esta é a mensagem que devem transmitir na hora atual. Com esta responsabilidade os deixo. Trabalhem, meus irmãos!

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