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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

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Seção IV - Etapas da Exteriorização da Hierarquia - Parte 2

PREPARAÇÃO HIERÁRQUICA NO FESTIVAL DE WESAK
Abril - Maio de 1946

Retardei um pouco para escrever a minha mensagem usual de Wesak até esta data devido a um acontecimento na Hierarquia que estava amadurecendo e que exigiu toda a minha atenção. Este acontecimento estava relacionado com o Festival de Wesak e envolvia, entre outras coisas, a formação de um novo ashram, no qual o aspecto Sabedoria seria de particular importância, e não o aspecto Amor. Este ashram estaria também relacionado de maneira particular com o Buda. Ele deveria ser constituído neste momento para que pudesse receber e posteriormente conservar, certos "dons”, que o Buda trará na Lua cheia de Touro. Os dons dizem respeito à vontade-para-o-bem do Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, embora não tenham a ver com a boa vontade como vocês a entendem. Quando este Ashram estiver devidamente constituído e estabelecido, permitirá que os membros da Hierarquia respondam a este aspecto do Propósito divino - o Propósito que, como bem sabem, está por trás e implementa o Plano. Este Ashram, relacionado ao Buda, estará sob a supervisão especial e estreita do Cristo e também do Senhor da Civilização - neste momento, o Mestre R. São os dois únicos Membros da Hierarquia aptos a registrar o Propósito divino (com relação aos seus objetivos imediatos), de tal maneira que a Hierarquia inteira possa ser informada e trabalhar de maneira unida e inteligente nesta implementação. É tudo que posso dizer sobre este movimento hierárquico específico que afeta tanto Shamballa como a Hierarquia.

Este Festival de Wesak é de suprema importância, porque sendo o primeiro Festival desde que terminou a guerra, é celebrado em um momento em que terá lugar uma orientação definida da Hierarquia e porque uma nova onda de impulso espiritual e de energia dirigida de segundo raio inundará toda a Hierarquia. Portanto, o trabalho a ser feito pela Hierarquia será muito mais eficaz. Podemos esperar e contar com isto.

Mas - como terão imaginado - é a Lua cheia de junho que, neste ano, constitui o momento de importância primordial e destacada; em muitos sentidos é mais fácil para os crentes e esoteristas ocidentais se sintonizarem e participarem das atividades da Hierarquia quando elas estão em relação mais estreita com o Cristo do que com o Buda. Nestas primeiras etapas, a principal intenção de celebrar o Festival Oriental de Wesak é familiarizar o mundo ocidental com a realidade da presença do Buda e Suas atividades em relação à humanidade. Houve um progresso tão grande no desenvolvimento espiritual da humanidade que o Buda não precisa mais dar continuidade à Sua tarefa, a não ser que o deseje - e isso somente por um período de anos só conhecido por Ele e pelo Senhor do Mundo. Se quisesse, poderia cessar Seu contado anual com a Hierarquia, em razão do contato direto estabelecido hoje entre a Hierarquia e Shamballa. Porém, prefere não o fazer de imediato. Durante algumas décadas ainda colaborará com o Cristo para ampliar o canal de contato entre Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade. Depois disso, "irá para o Seu Próprio lugar” na Hierarquia solar e não mais visitará os Himalaias anualmente, como fez durante tantos séculos. O Festival de Wesak do Oriente (Vaisaka) e a Sexta-feira Santa do cristianismo desaparecerão da consciência da humanidade a seu devido tempo; os dois festivais estão relacionados com aspectos do primeiro Raio de Poder ou Vontade. A abolição do medo da morte e o estabelecimento de uma estreita relação entre a Hierarquia e Shamballa tornarão obsoletos estes antigos ritos cerimoniais.

Nesta mensagem gostaria, principalmente, de examinar com vocês o Festival do Cristo, celebrado na Lua cheia de junho, e o trabalho do Cristo quando Se prepara para o cumprimento de Sua verdadeira missão na Terra. A igreja cristã distorceu de tal maneira essa missão, e perverteu tão cruelmente a intenção para a qual Ele Se manifestou originalmente, que que é profundamente necessário fazer uma ponderação sobre essa missão, a qual deveria exercer efeitos revolucionários. Começando com São Paulo, os teólogos interpretaram Suas palavras de tal maneira que serviram para eliminar a lacuna entre o futuro espiritual do mundo e a dispensação judaica que deveria estar passando. Tão eficaz foi o trabalho realizado que os ensinamentos do amoroso e simples Filho de Deus foram amplamente ignorados. O fracasso do Cristianismo pode ser rastreado até sua origem judaica (enfatizada por São Paulo), que o encheu de propaganda, em vez de ação amorosa, que ensinou o sacrifício do sangue, em vez do serviço amoroso, que ressaltou a existência de um Deus colérico que precisava ser aplacado pela morte, e que encarnou as ameaças do Jeová do Antigo Testamento no ensinamento cristão do fogo do inferno.

Esta é uma das situações que o Cristo pretende modificar e, como preparação para que Ele institua uma nova e mais correta apresentação da verdade divina, procurei - com amor e compreensão - assinalar os erros das religiões mundiais com suas teologias obsoletas e sua falta de amor, e indicar os fatores nefastos do judaísmo. Os credos mundiais atuais devem voltar à sua simplicidade primitiva, e o judaísmo ortodoxo, com seu ódio tão arraigado, deverá desaparecer lentamente; tudo deve mudar, em preparação para a revelação que o Cristo trará.

A primeira coisa que o Cristo fará, começando nesta Lua cheia de junho, será preparar as pessoas de todas as partes (se possível pelo canal de suas instituições religiosas regeneradas) para a revelação que toda a humanidade espera.

É esta revelação que está por trás de todas as atividades que atualmente absorvem a atenção da Hierarquia. Houve muitas revelações do propósito divino através das eras, cada uma das quais modificando, excepcionalmente, o ponto de vista e o modo de vida dos homens de todo o mundo. Tivemos a antiga revelação dada por intermédio do povo da Índia, sobre a existência do Eu e do não-eu - revelação que está adquirindo significado, graças ao ensinamento da psicologia moderna. Tivemos a revelação dos Dez Mandamentos, dada por meio dos judeus que - diante da negatividade dos judeus, ontem e hoje - foi apresentada de forma negativa e não positiva. O Cristo Se esforçou para compensar e pôr fim à necessidade dos dez mandamentos, dando-nos o décimo primeiro mandamento; este, se fosse observado, implicaria no respeito a todos os outros. Houve a revelação dada pelo próprio Cristo, sintetizada para nós em Sua vida de serviço, no amor que pregou e em Seu constante repúdio ao judaísmo teológico (os saduceus e os fariseus). Esta dificuldade com o judaísmo ainda persiste, e é simbolizada pelo fato de que os judeus não reconheceram o Messias quando veio em seu próprio país e deu a saber que vinha para todo o mundo, e não somente para os judeus.

Para esta nova revelação, o Cristo está Se preparando, assim como todos os membros da Hierarquia, do Chohan mais elevado até o discípulo aceito mais humilde. Para isto, também todos os Ashrams estão se preparando e para isso também estão se preparando (fracamente) os cristãos, os de outros credos do mundo e as pessoas de mente espiritual.

Portanto, isolamos (se posso empregar esta palavra) três atividades às quais o Cristo está Se dedicando neste momento:

1. A reorganização das religiões do mundo - se, de alguma maneira, for possível - de maneira que suas teologias ultrapassadas, a ênfase estreita e sua ridícula pretensão de conhecer o conteúdo da Mente de Deus possam ser neutralizadas para que, algum dia, as igrejas possam receber inspiração espiritual.

2. A gradual dissolução - repito, se for possível - da crença judaica ortodoxa, com seu ensinamento obsoleto, sua ênfase separatista, seu ódio pelos gentios, e o não reconhecimento do Cristo. Ao dizer isto, não deixo de reconhecer os judeus que, em todo o mundo, reconhecem esses males e não são ortodoxos em sua forma de pensar; pertencem à aristocracia da crença espiritual à qual também pertence a Hierarquia.

3. A preparação para uma revelação que inaugurará a nova era e definirá a nota para a nova religião mundial.

A estes três esforços da Hierarquia, supervisionados pelo Cristo, é preciso acrescentar dois, talvez de maior importância ainda. O primeiro é a reação da própria Hierarquia à nova relação estabelecida entre Ela e Shamballa, e a esse novo, direto e potente canal que foi fomentado ultimamente pelos esforços da Hierarquia e pela invocação humana. A segunda atividade leva a uma relação muito mais estreita entre a Hierarquia e a Humanidade, conduzindo, oportunamente, à exteriorização de certos ashrams e, mais tarde, ao aparecimento da Hierarquia na Terra, trazendo a nova revelação.

Estes distintos esforços podem parecer relativamente pouco importantes para o leitor casual. Trata-se de um ponto de vista superficial e que encontra pouca simpatia por parte da Hierarquia. Que os judeus devam se liberar do medo é de grande importância; que saibam e reconheçam o Cristo como o Messias e, assim, se deem conta, por si mesmos, que a religião que seguem destrói muitos dos melhores valores é também de suprema importância. Que o judaísmo ortodoxo, assim como outros credos, compreendam que não há desejo de lhes impor o cristianismo (no sentido comum do termo), mas que tender para uma síntese amorosa e eliminar seus antagonismos e mútuas rivalidades é igualmente urgente e esta proposição inclui também os credos cristãos. Que o Vaticano cesse suas manobras políticas, a exploração das massas e a insistência na ignorância também é importante; que as múltiplas divisões das igrejas protestantes sejam remediadas é imperioso. Se nada disto acontecer, a humanidade se encaminhará para uma guerra religiosa que fará a guerra passada parecer uma brincadeira de criança. Os antagonismos e ódios envolverão populações inteiras, e os políticos de todas as nações vão se aproveitar da situação para precipitar uma guerra que bem poderia ser o fim da humanidade. Não há ódios maiores nem mais profundos que os fomentados pela religião.

O Cristo, portanto, deve acrescentar aos muitos objetivos que ocupam Sua atenção, mais um esforço - o de evitar uma guerra final. Esta guerra incipiente é contrária à vontade-para-o-bem do Senhor do Mundo e de qualquer plano mundial, e pode ser evitada pela boa vontade. É esta a declaração mais importante desta mensagem no que diz respeito à humanidade.

Grandes e impactantes acontecimentos são iminentes, e ocorrerão quando o efeito da nova Invocação estiver mais pronunciado e seu uso mais for mais generalizado, o que é principalmente a responsabilidade dos que estão afiliados aos três movimentos que demonstram o papel que tenho procurado desempenhar na preparação do mundo. São eles: a Escola Arcana, e isto se refere principalmente aos livros pelos quais sou responsável; o movimento de Triângulos, que constitui um modo de trabalho profundamente esotérico, embora de extrema simplicidade; o movimento de Boa Vontade, que contém em si um fator de grande importância, o fato de que este movimento (já abarcando muitos milhares de pessoas) procura promover corretas relações humanas com seu apelo vívido e imediato às massas. É o que as massas querem essencialmente e o que em geral está por trás das coisas que fazem e dos planos que forjam, tantas vezes de maneira ignorante e desastrosa.

Observarão que meu tema principal é o planejamento em escala mundial, sendo esta a preocupação essencial da Hierarquia. O planejamento se divide em duas categorias e estão sob a responsabilidade do Cristo. São elas:

1. A preparação esotérica para o aparecimento físico ou a manifestação material da Hierarquia na Terra; o Buda está formalmente associado a esta atividade, já que se relaciona com Seu último serviço para a humanidade.

2. O estabelecimento, por todos os meios disponíveis, das corretas relações humanas que, uma vez realizado, lançará gradualmente os ashrams à atividade externa, à medida que a necessidade surgir e que envolve a constante colaboração dos Mestres.

Desde 1931 tenho feito muitas alusões sobre isto, e minhas atividades (implementadas com estes objetivos em vista) se desenvolveram na sequência abaixo:

1. Procurei chegar a algumas pessoas para ver até que ponto um ashram poderia atuar de forma externa na Terra. Só tive êxito parcial, e os resultados de meu experimento foram dados no livro O Discipulado na Nova Era. Os efeitos do experimento sobre os indivíduos envolvidos não se mostraram alentadores; o efeito sobre os esoteristas e aspirantes do mundo foi muito bem-sucedido e ampliou grandemente o sentido da realidade, tão essencial para o reconhecimento da Hierarquia, até agora despercebida.

2. Publiquei livros que deram o novo ensinamento esotérico, baseado no do passado, referente ao serviço de hoje e indicativo do futuro. Nos livros isolei para a nova geração de estudantes de esoterismo as "verdades” que eram reais, extraindo-as da massa de pensamento imaginoso e da formulação subsequente de formas- pensamento que os esoteristas (desde a época de H.P.B.) criaram tão consistentemente e apresentaram como verdades ao público que procurava se informar. Indiquei as novas verdades que eram importantes para o futuro e para as quais as verdades do passado eram uma base necessária, e dei bastante em grandes linhas e em conceitos "sementes” para mostrar em que linhas a nova religião mundial, os novos regimes políticos e a nova ordem social podiam ser estabelecidos. Apresentei o plano diretor, enunciando-o como princípios, deixando aos homens a liberdade - como sempre deve ser - para elaborar os detalhes de acordo com suas civilizações e suas culturas nacionais particulares, que deveriam criar, em unidade, um todo harmônico, e não erguer barreiras de separatividade, como é o caso hoje. Por último, chamei a atenção do público sobre a ideia da Exteriorização da Hierarquia, projeto hierárquico importante para o qual deveria ser feita a devida preparação.

3. A guerra mundial chegou então à etapa final; a primeira foi de 1914 a 1918; depois continuou de forma subterrânea, até que estalou novamente em 1939, continuando com extrema ferocidade e crueldade até 1945, quando não havia mais forças para continuar a luta, e a bomba atômica escreveu a palavra fim ao capítulo mundial do desastre. A bomba atômica (embora tenha sido usada somente duas vezes de maneira destrutiva) acabou com a resistência dos poderes do mal, porque sua potência é predominantemente etérica. Na atualidade seu uso é duplo:

a. Como precursora da liberação de energia que mudará o modo de vida humano e inaugurará a nova era, na qual não haverá civilizações e suas culturas emergentes, mas uma cultura mundial e o surgimento de uma civilização, demonstrando assim a verdadeira síntese que subjaz na humanidade. A bomba atômica veio de um ashram de primeiro raio, atuando em conjunto com um grupo de quinto raio; do ponto de vista de longo alcance, sua intenção era e é puramente benéfica.

b. Como meio, nas mãos das Nações Aliadas, para impor as formas externas da paz e dar tempo para que o ensinamento sobre a paz e o desenvolvimento da boa vontade exerçam efeitos. A bomba atômica não pertence às três nações que a aperfeiçoaram e detêm os segredos no momento - os Estados Unidos, a Grã- Bretanha e o Canadá. Pertence às Nações Unidas para ser utilizada (esperemos que só ameacem usá-la) quando uma ação agressiva, por parte de qualquer nação, levante sua horrível cabeça. Essencialmente, não importa se a agressão é um gesto de determinada nação ou de um grupo de nações, ou se é gerada pelos grupos políticos de qualquer organização religiosa poderosa, como o da Igreja de Roma, ainda incapazes de abandonar a política e se ocupar dos assuntos pelos quais todas as religiões são responsáveis - conduzir os seres humanos para mais perto do Deus de Amor.

4. Agora que a guerra mundial ostensivamente chegou ao fim e o trabalho de restauração, que conduz à ressurreição, está sendo lentamente implementado, o papel da Hierarquia é fomentar o entusiasmo no coração das pessoas de todas as partes, o que lhes permitirá trabalhar de todo coração pelas corretas relações humanas e pela difusão dessa qualidade simples, mas tonificante, a boa vontade. É o entusiasmo no sentido espiritual que está faltando hoje, mesmo entre aqueles que veem a Mente do Cristo e os planos da Hierarquia como existentes em sua utilidade prática; aqueles que há anos leem meus ensinamentos sobre a boa vontade com verdadeira fé no que digo, mas que, não estando prontos para nenhum sacrifício de tempo ou dinheiro, bloqueiam o desenvolvimento do movimento. A tarefa da Hierarquia é promover a boa vontade como primeiro passo dos Seus planos, e é essa qualidade que, hoje, é a mais cara ao coração do Cristo; "boa vontade para os homens”, ou melhor, entre os homens, foi a primeira da tríplice promessa que os anjos fizeram no Seu Nascimento:

a. Boa Vontade que leva a corretas relações humanas, que leva à
b. Paz na Terra, que leva à
c. Glória a Deus.

Analisadas, estas palavras significam simplesmente que a boa vontade resultará em corretas relações humanas no centro que chamamos Humanidade, isto produzirá a possibilidade que a paz que caracteriza a Hierarquia apareça na Terra e levará à glória de Deus, que anima a atividade de Shamballa, o centro onde a Vontade de Deus é conhecida. Portanto, relações inteligentes, o amor prático e a plena expressão da vontade divina terão lugar se for seguida a sequência correta das atividades. Na atualidade, até mesmo a primeira delas é ainda uma esperança. Os fatores do fracasso dos grupos religiosos e políticos e a apatia das massas dos homens complicaram muito a tarefa da Hierarquia.

5. Meu trabalho pessoal foi levar tudo isso à atenção do público mediante a interpretação dos Problemas da Humanidade e levar ao ponto em que a simplicidade de propósito, um inspirador e ardente fervor e um mínimo de organização possam implementar a nova apresentação da boa vontade, à medida que exerce efeito e muda as soberanas religiões mundiais que se esquecem das palavras do Cristo: "Meu reino não é deste mundo”; à medida que permeia as conferências políticas dos estadistas e governantes do mundo e à medida que rege as decisões da ciência e da economia. Assim fazendo, e na árdua tarefa de apontar falhas e erros de longa duração, atitudes erradas e desastrosas e a separatividade humana foi evocada uma inevitável oposição; não tivesse havido, meus esforços teriam sido inúteis. Nada disse que não fosse verdade e não retiro uma única palavra do que disse. Muitos há que preferem as verdades esotéricas acerca do antahkarana, da constituição do mundo, da doutrina do homem, da Lei do Renascimento e os muitos ensinamentos complexos relativos ao planejamento mundial. Já os receberam de mim em plena medida. Outros há que desejam informações sobre a Hierarquia, o trabalho e a posição dos Mestres, o treinamento a ser dado a discípulos e iniciados. Também isso receberam. Agora, nos últimos anos, tratei dos abusos e dos problemas que a humanidade enfrenta neste período de restauração - do plano de Deus para o homem e não das condições passadas.

É interessante observar que quando a Hierarquia procura atender a necessidade de melhores condições entre as massas, e ajudar a modificar os abusos eclesiásticos e políticos, os homens tendem a perder o interesse ou a repudiar as declarações relativas ao mal, porque a tarefa é difícil, e porque (do seu ponto de vista) não é possível que a Hierarquia critique ou se oponha o mal, assim como muitas pessoas repudiaram o fato da Hierarquia ter tomado posição, durante a guerra, do lado das Forças que lutavam pela liberdade da humanidade, e ter se recusado a endossar aqueles que lutavam a favor da escuridão.

A Hierarquia é hoje um grande corpo de batalha, que luta pelas almas dos homens, combatendo tudo que bloqueia a expansão da consciência humana, combatendo tudo que limita a liberdade humana (não digo desregramento), e combatendo para eliminar os fatores e barreiras que militam contra o retorno do Cristo e o aparecimento da Hierarquia como grupo plenamente ativo na Terra. Não há nada de fraco, vacilante, sentimental ou neutro na atitude da Hierarquia; isto a humanidade tem que compreender, podendo contar com a força e a perspicácia, como também com o amor da Hierarquia.

Nas observações acima enumerei alguns dos objetivos diante da Hierarquia neste momento, envolvendo a atenção pessoal do Cristo; todos exercem um efeito potente e benéfico sobre a humanidade. Vou enumerá-los de maneira concisa, porque é essencial que haja uma clara percepção dos valores nascentes por parte dos trabalhadores de todos os graus e tipos no mundo, pois de outra maneira a percepção não é possível. A cada ponto enumerado agregarei em poucas palavras a razão pela qual ele é considerado importante:

1. A Reorganização das Religiões Mundiais.
Razões

a. Abrir caminho para a Religião do Mundo, a religião universal.

b. Reconduzir a humanidade à simplicidade que está no Cristo.

c. Desembaraçar o mundo da teologia e do aparelho eclesiástico.

2. A Dissolução Gradual do Judaísmo Ortodoxo.
Razões

a. Devido à apresentação de um Jeová colérico, cuidando apenas do seu povo escolhido. Trata-se de um mal básico. O Senhor do Mundo, o Deus em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser, é totalmente outro.

b. Devido à sua separatividade.

c. Porque seus ensinamentos são tão antigos que estão obsoletos.

d. Porque quando os judeus se tornarem espirituais, beneficiarão grandemente a humanidade, pois estão presentes em todas as terras.

3. Preparação para a Nova Revelação.
Razões

a. Porque onde não há visão, o povo perece.

b. Porque a expectativa humana indica sua presença emergente.

c. Porque a nova Invocação inevitavelmente vai trazê-la para nós.

4. A Reação da Hierarquia a Shamballa.
Razões

a. Produz um canal direto.

b. Condiciona a afluência da energia do poder.

c. Relaciona a vontade-para-o-bem à boa vontade.

d. Cria novas tensões construtivas e novos ashrams.

5. Uma Relação mais estreita entre a Hierarquia e a Humanidade.
Razões

a. Trará (em futuro próximo) a exteriorização de certos ashrams.

b. Conduz ao reaparecimento da Hierarquia na Terra.

c. Reconhece que o ponto de desenvolvimento humano a justifica.

d. Apresenta uma oportunidade próxima para a revelação.

6. Um Esforço para evitar a guerra.
Razões

a. Porque a próxima guerra aniquilará a maior parte da raça humana.

b. Porque, tendo uma base religiosa, o ódio envolvido seria maior do que todo o conhecido até agora.

c. Porque Shamballa estaria envolvida, o que nunca aconteceu.

Portanto, podem ver o quanto os tempos são críticos, espiritualmente, e o quanto urgente é a tarefa que a Hierarquia e Seus trabalhadores na Terra têm pela frente. A guerra pode ter terminado no sentido físico, mas grandes questões ainda estão em pauta, estão indeterminadas e podem levar ou à paz ou à renovação das condições que geram as guerras e, uma vez geradas, não podem ser evitadas.

Tendo em conta todos estes fatores, abordemos os dois próximos grandes Festivais: O Festival de Wesak e a Oportunidade Excepcional do Cristo. Nesta altura tenho algo a assinalar, o que faço com grande alegria: este ano de 1946 marca o começo de um ciclo no qual a humanidade está mais estreitamente envolvida nos Festivais do que nunca, e poderá desempenhar um papel mais importante do que nunca. O Festival de Wesak é celebrado há tempos em muitos países e - à medida que o tempo passar e a instrução das massas avançar - a reunião realizada no momento da Lua Cheia de Touro assumirá grande importância, mas sua nota-chave mudará. Não se anunciou qual será a nova nota, nem se fará até dentro de 35 anos. Como já assinalei, seu significado, como o da Sexta-feira Santa, pertence ao passado, e sua utilidade quase chegou ao fim. É intenção do Buda e do Cristo que em cada país oportunamente haja alguém que atue como Seus representantes no momento dos dois Festivais, para que a distribuição da energia espiritual do primeiro grande Raio ou Aspecto seja direta do Buda (e a seguir de Shamballa) ao Cristo, e do Cristo aos discípulos em todos os países que podem estar ofuscados e, assim, agir como canais para a corrente direta de energia.

O mesmo procedimento será observado no momento da lua cheia de junho, exceto que Shamballa não estará envolvida e com a diferença de que no festival de maio será um discípulo de primeiro raio que será sobre presenciado e, no Festival do Cristo, um discípulo de segundo raio (podendo ser o raio da alma ou da personalidade do discípulo) representará o Cristo em todos os países.

Não foi possível organizar este procedimento este ano, mas poderá começar no próximo, mesmo que apenas três ou quatro países possam trabalhar sob esta inspiração. Os efeitos serão de longo alcance, embora não imediatamente evidentes para o observador.

Este ano, no grande Festival nos Himalaias, no qual o Buda aparece como de costume, Ele faz saber que Seu principal dever é trazer o afluxo inicial de energia tríplice que a Invocação invoca e que continuará a invocar durante muitas décadas. Da Mente de Deus, a Luz afluirá por Seu intermédio ao mundo expectante dos homens - aquele centro humano cuja eterna missão é levar luz a todas as vidas criadas. Do Coração de Deus, Ele trará para a Hierarquia, por intermédio do Cristo, aquela profunda e interminável afluência de Amor, que permitirá à Hierarquia cumprir a Sua árdua tarefa de se exteriorizar. Não é possível para os seres humanos compreender o sacrifício e as adversidades que este aparecimento comporta, e só um imenso afluxo de amor divino pode tornar isso possível.

Será feito também um esforço para relacionar Shamballa, "o centro onde a Vontade de Deus é conhecida”, diretamente com o Novo Grupo de Servidores do Mundo, através dos ashrams que trabalham nas linhas externas da boa vontade prática. A recepção desta vontade-para-o-bem dinâmica deveria produzir uma definida "intensificação” ou aumento da boa vontade, e permitir ao movimento de Boa Vontade prosseguir com maior impulso no outono e no inverno próximos; tomará todo o verão para ser assimilado devidamente pelos que dirigem o movimento em todo o mundo.

A absorção do Amor que é vertido do Coração de Deus até a Hierarquia exercerá, necessariamente, efeitos generalizados. Um dos mais imediatos afetará o movimento de Triângulos e aumentará a potência da rede de luz e boa vontade já existente. Pelo que foi dito, poderão ver que este ano o Buda se aproxima muito da humanidade. Ele estima que agora é possível permitir que os seres humanos conheçam Seu objetivo específico, o que nunca tinha acontecido. É o resultado da guerra e dos esforços da Hierarquia para trazer à tona no ser humano certas qualidades enobrecedoras e reações espirituais que o estresse da guerra pôde evocar. Este ano marcará uma oportunidade excepcional e particular, baseada no fato de que as pessoas ainda não tiveram tempo de voltar aos antigos modos de pensar nem de estabelecer quaisquer estruturas reacionárias, o que talvez não aconteça no próximo ano. Portanto, seria sensato aproveitar ao máximo os próximos festivais. Pede-se a quem tem fé e visão que se vincule (imaginativamente, porque outra coisa não seria possível) com o Buda, e se ofereça como canal para as energias espirituais que Ele trará.

O Festival de junho (Gêmeos), que é especialmente o do Cristo e que faz ressaltar Sua relação com a humanidade, abarca na realidade três dias inteiros, cada um com uma nota-chave diferente:

1. A nota-chave do Amor no sentido hierárquico - livre de sentimento, emoção e ênfase pessoal - amor que se sacrifica e compreende, que atua com força e decisão, e trabalha em prol do todo, e não no interesse de qualquer grupo ou indivíduo.

2. A nota-chave da Ressurreição, que enfatiza a nova nota de vida, do Cristo vivo, e da "vida mais abundante” que a guerra tornou possível, obrigando um retorno aos verdadeiros valores.

3. A nota-chave do Contato, de uma relação mais estreita entre o Cristo e Seu povo, entre a Hierarquia e a Humanidade.

As palavras "nota-chave” foram deliberadamente escolhidas, e significam o som que precedeu cada afluência principal neste Festival de maio (Touro); estas energias serão liberadas em uma cerimônia solene em cada um dos três dias. Em cada cerimônia a nova invocação será entoada unicamente pelo Cristo, e em seguida a Hierarquia em conjunto só entoará a estrofe invocando a luz, o amor e a vontade-para-o-bem (cada estrofe em um dos três dias). Os discípulos ou iniciados que se interessarem e observarem os movimentos de Boa Vontade e Triângulos, os manterão em suas mentes ao enunciar a primeira e a terceira estrofes, e o Novo Grupo de Servidores do Mundo receberá alguma atenção quando a segunda estrofe for entoada.

Desejaria chamar a atenção de vocês sobre o interesse que a Hierarquia demonstra pelo esforço embrionário em que vocês estão empenhados, e que eu iniciei. Assinalarei, porém, que a atenção prestada não é excludente, mas que sempre em que dois ou três se reúnem em nome do Mestre da Hierarquia, a energia afluirá; que sempre que a boa vontade for a meta e suscitar um esforço, de qualquer forma que seja, a energia da vontade-para-o-bem fará sentir sua presença, e que o Novo Grupo de Servidores do Mundo é um grupo muito maior do que apenas os poucos conhecidos por vocês. São hoje vários milhões de membros.

O resultado destes três dias solenes de invocação será seguido de um dia de culminação, no qual a Hierarquia conjunta, conduzida pelo Cristo, pronunciará a Invocação inteira, precedendo cada estrofe com sua nota-chave apropriada, emitida também em uníssono. Vocês não podem saber quais são estas notas, mas, por exemplo, se um grande número de membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo se reunir, o OM conjuntamente emitido poderia se aproximar da nota-chave apropriada.

Portanto, será evidente para vocês que no novo ciclo que agora começa com a culminação da guerra e a formação das Nações Unidas, os Festivais de Touro e Gêmeos não só se vincularão mais estreitamente, como também o procedimento foi alterado e o efeito sobre a humanidade intensificado. Gostaria que todos aqueles que desejam se reunir nestes Festivais procurem fazê-lo subjetivamente (onde quer que se encontrem) e participem inteligentemente nas cerimônias descritas. Peço a todos que pensem, que usem a imaginação e atuem como se fossem discípulos aceitos, ou, pelo menos, na periferia de algum ashram. Peço-lhes que participem destas duas cerimônias, exercendo completamente a imaginação. Posteriormente estas cerimônias se exteriorizarão em algum centro em cada país. Um núcleo treinado e um conjunto de seguidores dedicados estão em processo de se reunir (embora até aqui apenas na consciência da Hierarquia) e embora na hora atual não haja cerimônias externas nem conhecimento sobre quem será escolhido nos diversos países para representar a Hierarquia, de fato e em verdade, neste ano está sendo dado o primeiro passo para a participação humana.

Este conhecimento dará propósito e intenção fixa a todos os que durante anos celebraram estes Festivais. Em verdade, convido-os em nome da Hierarquia a participar de Sua antiga obra, e não - como no passado - a assumir o papel de observadores interessados. Previno- os de que se conseguirem participar em alguma medida, será necessário evitar um estímulo excessivo, e tomar medidas sensatas para usar, em prol da humanidade, a energia de que podem ser encarregados.

Este conhecimento será particularmente útil para aqueles que se ocupam de grupos ou organizações, que respondem aos interesses hierárquicos. A verdadeira participação pode conduzi-los a uma súbita convicção da realidade do que lhes disse; a fé, a crença e o bom senso não serão mais necessários; vocês saberão.

Expus aqui o que o Cristo planejou para o futuro imediato. Também lhes disse algumas coisas que Ele e os Mestres devem realizar como medidas preparatórias para o novo mundo que poderá substituir, e substituirá, o velho mundo desditoso que ficou imediatamente para trás. Decidi lhes falar destas atividades nas quais hoje podem participar, exceto as que afetam a relação entre Shamballa e a Hierarquia. No entanto, os iniciados de terceiro grau (e há um bom número trabalhando na Terra entre os homens neste momento) podem participar de todas elas.

Temos aqui uma mensagem intensamente prática, que exige de vocês uma consagração renovada para servir a humanidade e encontrar caminho para um ashram onde este serviço pode ser dirigido. Requer um sacrifício até doer e justo ali onde mais os afeta; exige um alegre sentido de unidade com aquele centro de poder e luz que chamamos de Hierarquia, que se mantém pronta - como nunca antes - para compartilhar com a humanidade esse poder e essa luz até o limite da capacidade humana de utilizá-la.

Para encerrar, peço-lhes que ajudem em dois assuntos de importância para Aquele a Quem todos os discípulos, iniciados e homens espirituais amaram e seguiram por quase três mil anos, o Cristo. (Refiro-me ao Seu aparecimento como Shri Krishna e como outro personagem, pouco conhecido, mas que realizou um grande trabalho em séculos anteriores). Trata-se do trabalho de preparação para Sua vinda.

Exorto-os a assumirem a responsabilidade pela distribuição da Invocação em escala tão extensa quanto possível e em todos os países. É de grande potência e, quando usada pelos homens de todas as crenças, poderá ajudar no processo de evitar a guerra. Peço-lhes também que possibilitem a ampla distribuição do meu livro Os Problemas da Humanidade, pois fortalecerá as mãos daqueles que já estão procurando cuidar desses problemas e para aqueles que ainda não despertaram chamará a atenção sobre a necessidade de solucioná-los. Isso exigirá sacrifícios, pois demanda gasto de dinheiro; até mesmo a Hierarquia trabalha por intermédio de canais normais e precisa de dinheiro, e também o Cristo tem necessidade de recursos financeiros para chegar aos filhos dos homens necessitados. Peço-lhes a sua ajuda e aguardo a sua decisão.

Que Aquele a Quem servimos possa estar mais próximo que nunca de todos nós, que o trabalho de estabelecer corretas relações humanas possa prosseguir em ritmo acelerado e que fluam luz e amor de Shamballa e da Hierarquia sobre todos que amam seus semelhantes. É meu ardente desejo, acompanhado de minha bênção para vocês neste período de vontade-para-o-bem.

Método de Aproximação para a Exteriorização

Agosto de 1946

Uma das coisas mais importantes que emergem do tema deste extraordinário e iminente acontecimento (o reaparecimento da Hierarquia no plano físico), é o fator dos desenvolvimentos e das adaptações que estão ocorrendo dentro da Hierarquia em preparação para ele. A propósito, gostaria de salientar que o que vai acontecer, e o que já está acontecendo experimentalmente, é a exteriorização dos Ashrams. Os grandes departamentos oficiais, como o departamento do ensino ou o das civilizações nascentes, não reaparecerão neste momento. Suas atividades e ainda por muito tempo permanecerão no interior da Hierarquia, no Seu próprio plano. O primeiro passo é o aparecimento de certos ashrams controlados por alguns Mestres no plano físico que suscitarão um reconhecimento geral, e garantirão ao público a realidade da Hierarquia e a restauração dos Mistérios. Mais tarde, se estas medidas tiverem êxito, outros aparecimentos e mais importantes serão possíveis, começando com o retorno do Cristo.

Porém, enquanto isso, grandes e importantes eventos estão acontecendo na Hierarquia no que diz respeito aos seus membros. Os discípulos que se encontram na periferia de um ashram tendem a não levar em conta o treinamento e as atitudes d’Aqueles que são mais avançados do que eles no ashram; muitas vezes negligenciam o fato de que também eles - do Cristo até o iniciado mais humilde - estão em um processo de constante e crescente disciplina, treinamento e instrução hierárquicos. Como os discípulos e iniciados mais antigos alcançaram uma meta, que durante muito tempo pareceu inacessível para o aspirante comum, supõem que chegaram à realização; o fato de que esses discípulos e iniciados mais antigos apenas ultrapassaram um marco do Caminho Infinito da Beatitude. Mas, devido ao próprio impulso da vida, o progresso continua sempre; o conhecimento deve ser transmutado em sabedoria; o amor deve ser sempre acompanhado da vontade divina; o planejamento deve ceder lugar ao propósito divino; a luz deve ser sempre sucedida pela vida; da Hierarquia, o iniciado deve passar para Shamballa e de Shamballa seguirá um dos sete Caminhos; o Caminho da Evolução cede lugar ao Caminho da Evolução Superior; os reconhecimentos planetários se expandem oportunamente em contatos solares; a consciência crística desabrocha, afinal, em algo tão inclusivo que ainda não temos palavras para descrever, nem necessitamos delas; o reconhecimento do Pai e do ser monádico fazem desvanecer os reconhecimentos menores, e a consciência da alma e a vida progredindo na forma deixam de ser metas, pois ficam muito para trás.

Apesar de tudo isto, é preciso lembrar que o que se adquire por experiência persiste para sempre; nada jamais se perde; o que a vida na forma conferiu, permanece na posse da entidade espiritual imortal; o que a consciência da alma abarcou e incluiu é sempre o rico dom do Ser, centrado agora na Mônada; a experiência hierárquica é fusionada nos propósitos da Câmara do Conselho de Shamballa, mas a aptidão de trabalhar na Hierarquia continua para sempre, porque a constituição e a instituição hierárquica condicionam toda a manifestação - a razão disso, ninguém sabe, como também não se conhece a Vontade divina.

Como síntese e como omniconsciência da grande Vida que contém tudo que existe, tudo (exceto o que conhecemos como mal) persiste e dura para sempre. Terão observado (se estudaram verdadeiramente o que dei ao mundo) que as informações sobre a Hierarquia podem ser segmentadas em três categorias:

1. O trabalho da Hierarquia em relação com o homem e os três mundos da evolução humana.

2. A constituição interna da Hierarquia e Sua atividade interna.

3. Sua relação superior com Shamballa e com as vidas extraplanetárias.

Grande parte do que lhes foi transmitido nas duas últimas categorias vocês reuniram em um conceito interessante, mas totalmente desprovido de sentido prático, de que, ao que parece, a Hierarquia possui uma vida própria que se sustenta independentemente da humanidade, e que também tem Suas próprias metas e objetivos que não são da sua conta. Estas deduções dependem do domínio que a mente separatista exerce sobre vocês, porque, em realidade, o trabalho e a atividade dos três centros - Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade - são mesclados, fusionados e interdependentes; são mutuamente evocadores e invocadores.

O fato, por exemplo, de que a Hierarquia esteja se aproximando mais da humanidade e que um dia aparecerá no plano físico, se deve não só à intenção da Hierarquia, como também à demanda da humanidade e à forte vibração e nota que a humanidade estabeleceu. Nessa medida, a humanidade controla parte das atividades da Hierarquia, e assim precipita a ação. Ao mesmo tempo, tudo o que está acontecendo pode ser atribuído a Shamballa, é inerente ao propósito divino e recebe o impulso dinâmico da energia de Shamballa, distribuída em todo o planeta por meio da Hierarquia, na maioria dos casos. Tanto a Hierarquia como a Humanidade estão sob a influência de forças extraplanetárias que exercem impacto no planeta por intermédio de Shamballa. Assim, surge uma grande interdependência, da qual os centros da cabeça, do coração e do plexo solar são os símbolos no corpo etérico do homem, cuja relação unificada mantém o homem ativo, manifestando-se como um todo coerente em determinado nível de consciência. É essencial que os estudantes se esforcem para captar isto e desenvolver em si mesmos pelo menos os rudimentos desta percepção sintética e unificada das condições da vida e de uma situação vital.

Estas instruções poderão ajudar a todos os aspirantes e discípulos sérios a desenvolver este tipo de compreensão com a maior rapidez e exatidão possíveis. É característico da mente de tipo hierárquico: interessado em si mesmo como grupo divino, consciente da atração e do poder evocador do centro mais elevado, Shamballa, responsivo às demandas da humanidade e sensível ao "chamado” do terceiro centro maior pelo qual se expressa a vida do Logos planetário. A consciência do Mestre se ocupa, portanto, de três linhas principais de responsabilidade, mas só uma delas é inata no organismo vivo do qual Ele é parte; esse aspecto de Sua vida é invocativo em duas direções: para Shamballa e para a Humanidade. Para Ele, os outros dois centros são evocadores.

Hoje os seres humanos como um todo são tão invocativos que o desenvolvimento da vida da Hierarquia e dos Seus planos até esta data tiveram que passar por mudanças, a adiamentos no que diz respeito a certas determinações internas e puramente hierárquicas e a uma aceleração de certos planos que estavam programados (se posso usar esta palavra) para daqui a vários séculos, mas que - em razão da inesperada preparação da humanidade - podem ocorrer, na realidade não prematuramente, mas com toda segurança, pois o tempo chegou. Este momento favorável, no que se refere ao planejamento particular de que estamos tratando, vai de agora até o ano 2025 - um breve período de tempo, na verdade, para a consumação do propósito maior do Logos planetário, implementado pelos três centros maiores do Seu corpo de manifestação. Este propósito era de natureza tríplice:

1. Implicava, por parte d’Aqueles Que estão na Câmara do Conselho de Shamballa, na aptidão para reagir a certas energias extraplanetárias, absorvê-las e empregá-las em um sentido intraplanetário. Os Regentes destas forças não haviam previsto que o nosso Logos planetário alcançaria determinada meta tão cedo em tempo e espaço como o fez.

2. Implicava uma grande expansão, numericamente e na consciência da Hierarquia, o que pressupõe um grande influxo de iniciados e discípulos, e uma enorme afluência do que se chama exotericamente de "essência angélica”, do reino dévico, sob a direção de certos grandes Devas que se afiliaram à Hierarquia nos últimos duzentos anos. Também isto não se previa que acontecesse tão cedo. O resultado foi que o portal da iniciação, pelo qual passa a humanidade, está mais amplamente aberto (falando em termos simbólicos) do que nunca e, ao mesmo tempo, os Mestres passam com mais rapidez para o Caminho da Evolução Superior, devido a que os iniciados estão se capacitando rapidamente para ocupar Seus lugares, e os discípulos avançam com tanta rapidez para o estado de iniciado, que se justifica um grande avanço.

3. Implicava, afinal, em um grande despertar da família humana e em uma reorientação espiritual importante. Também se julgou possível realizar isto quando o sol entrasse em Capricórnio dentro de 2.300 anos aproximadamente. Porém, já aconteceu e, necessariamente, suscitou um grande reajuste básico nos planos da Hierarquia e uma renovada ênfase do propósito, tal como está registrado em Shamballa.

Sendo isto real, e estando o tempo maduro para a decisão, resultou em uma efervescência intraplanetária e em uma grande atividade nos três centros principais. Em última análise (e é este o fator de suprema importância), este desenvolvimento - a correta e inesperada absorção de energia espiritual, e o fato de a oportunidade espiritual ser aproveitada - se deve à própria humanidade. Acima de tudo, o fato de a humanidade estar pronta para o que é novo e determinada a criar um mundo novo e melhor, adaptado de maneira mais adequada à sua "renovada” natureza espiritual, é o que está na base de toda esta atividade.

Nesta seção de nossos temas de instrução (se posso denominá-los assim), consideraremos principalmente a resposta e a consequente atividade da Hierarquia em relação à humanidade. Adotará a forma de uma nova Aproximação e de um reaparecimento exotérico.

Seria sensato, portanto, manter as seguintes ideias constantemente em mente; vou enumerá-las sequencialmente e para fins de clareza:

1. O trabalho da Hierarquia, ao longo das eras, foi fundamentalmente de natureza tríplice:

a. Um esforço constante para estabelecer uma relação mais estreita e compreensiva com Shamballa, o que envolve:

Um desenvolvimento do aspecto vontade, em conjunto com o pleno emprego do amor inteligente.

Uma constante adaptação do Plano em desenvolvimento ao Propósito carregado de energia e que emerge.

Uma crescente capacidade para transmitir energia de Shamballa para os três mundos, dos níveis etéricos cósmicos até os planos cósmicos do físico denso.

b. Uma propagação - na periferia do centro hierárquico - de uma vida, um plano e uma técnica aptas a instruir todos os que encontram seu caminho para um ashram, que em si mesmo é um aspecto da vida da Hierarquia. Este antigo e inteligente esforço criou e condicionou o que vocês conhecem como a Hierarquia. No entanto, tal esforço está sujeito a constantes mudanças, em resposta às novas situações e desenvolvimentos.

c. Finalmente, uma representação, dentro da Hierarquia, das qualidades dos sete Raios, por meio dos sete ashrams maiores e seus ashrams afiliados e subsidiários.

Há muitos outros aspectos da constituição e dos objetivos hierárquicos, mas estes três são os que nos concernem mais no momento atual.

2. Hoje, a relação entre Shamballa e a Hierarquia é mais estreita do que nunca foi, devido aos seguintes fatores:

a. O trabalho e o plano uni direcionados, empreendidos pelos três grandes departamentos da Hierarquia (o do Manu, o do Cristo e o do Senhor da Civilização) - nos quais os três Guias têm atuado conjuntamente como um Triângulo de transmissão entre a Câmara do Conselho do Senhor do Mundo e a Hierarquia. Os três são Membros do Conselho, embora nenhum d’Eles já esteja atuando no centro mesmo dos assuntos. Para melhor servirem em suas próprias esferas, Eles tomaram posição na periferia da influência do Conselho.

b. O trabalho de invocação realizado, tanto consciente como inconscientemente, pela própria humanidade foi de tal potência, que transpôs o círculo intransponível (simbolicamente compreendido) da Hierarquia até Shamballa, e evocou resposta. Este trabalho de invocação alcançou um ponto elevado de poder como resultado da guerra mundial de 1914-1945, e sua nota e apelo ainda persistem.

c. O rápido desenvolvimento de integração entre as pessoas avançadas, o que forçou muitas a passarem para o caminho do discipulado e, portanto, para alguns dos ashrams, e que também habilitou muitos discípulos a tomarem a iniciação.

3. O reconhecimento, por um número muito grande de pessoas, da realidade da Hierarquia, o que estabeleceu um novo tipo de relação entre a Hierarquia e a humanidade. Até agora a relação dependia do reconhecimento, pelos aspirantes avançados, da natureza de sua posição em relação à Hierarquia; atualmente o reconhecimento de milhares de pessoas que não são aspirantes avançados nem estão preparados para se afiliar à Hierarquia criou um novo tipo de problema; indica para a Hierarquia um desenvolvimento promissor, embora ao mesmo tempo embaraçoso, exigindo um modo diferente de ajuste às demandas humanas do que aquele acarretado pela admissão de discípulos em Seus Ashrams; reclama a atenção de certos discípulos e iniciados em todos os Ashrams, e a capacidade, por parte da Hierarquia, de penetrar e dissipar a espessa nuvem de formas-pensamento rudimentares que o público desnorteado, interessado e curioso criou sobre Ela.

4. O uso, pela Hierarquia, do aspecto destruidor da divindade, o primeiro Raio, de tal forma que, na realidade, seja o fator criador e, em última análise, não apenas libere a vida de suas anteriores limitações, como também atraia - de acordo com a Lei do Equilíbrio - a atividade construtora de segundo Raio. O trabalho de destruição está agora praticamente cumprido e concluído, e o trabalho dos Construtores está começando.

5. O Novo Grupo de Servidores do Mundo foi criado como um corpo intermediário entre a Hierarquia e o público em geral. Este grupo se divide em dois subgrupos:

a. Os discípulos e trabalhadores que já estão integrados em um dos Ashrams.

b. Os aspirantes e inteligentes e humanitários e os que trabalham nos assuntos do mundo, em todos os setores.

Estes dois grupos unidos formam um agente transmissor por intermédio da qual a Hierarquia pode comunicar às massas dos homens os novos conceitos, as técnicas da nova civilização e as proposições básicas, de acordo com as quais a humanidade avançará para uma luz maior.

6. O reconhecimento, pela humanidade, dos seus problemas principais, e a crescente aptidão do público para considerar estes problemas em termos da uma só humanidade, do todo. Esta aptidão indica à Hierarquia o lugar que a humanidade ocupa no Caminho atualmente, e a preparação do gênero humano para uma nova revelação, à qual seguirá, mais tarde, a restauração dos Mistérios.

7. A nova orientação da família humana para o conceito de Uma só Humanidade, e a demanda espiritual intensamente alerta que caracteriza hoje os homens de todas as partes e que obrigou a Hierarquia a tomar certas decisões fundamentais e a se readaptar a uma colaboração mais estreita com o centro humano de vida e propósito.

É interessante observar (embora não seja de importância imediata) que o trabalho de destruição iniciado pela Hierarquia há cento e setenta e cinco anos (portanto, desde 1775) contém em si as sementes - muito longe ainda de qualquer germinação - do ato final de destruição que terá lugar quando a Hierarquia estiver totalmente fusionada e mesclada com a humanidade, de modo que a forma hierárquica não seja mais necessária. Os três centros maiores se converterão em dois, e a Hierarquia desaparecerá, ficando apenas Shamballa e a Humanidade, apenas espírito, ou vida, e substância como expressão do amor inteligente. É a analogia da experiência do iniciado individual na quarta iniciação, quando o corpo causal, o da alma, desaparece e só fica a Mônada e Sua expressão, a personalidade (fusão da alma com a forma). Esta dissolução final só terá lugar ao finalizar nossa existência planetária, quando a porta para a individualização estiver finalmente fechada para um período de pralaya, e o Caminho da Evolução Superior será mais trilhado do que o Caminho da Iniciação.

Portanto, meus irmãos, a relação mais estreita entre a Hierarquia e Shamballa, o estímulo de sua própria vida interna, a prontidão da humanidade para a revelação, e para certos desenvolvimentos inesperados, condicionarão o ciclo em que estamos entrando agora. É, pois, o período mais extraordinário da história da humanidade. Acrescente-se a isso que é preciso ter em mente que estamos entrando em um outro ciclo do zodíaco, e isto coincide com uma atividade zodiacal menor, porque Aquário rege o próximo ciclo maior de 25.000 anos, e é também o signo no qual o sol está entrando para um período de 2.300 anos - um acontecimento realmente extraordinário e pleno de importância para a nossa história planetária. Nosso Logos planetário está ciente desta coincidência, e a aplica plena e inteligentemente. É também um ciclo no qual, pela primeira vez, os três centros planetários maiores - Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade - estão em relação direta e desimpedida, porque atualmente o alinhamento está correto e ajustado, pela primeira vez na história planetária. Embora seja apenas temporariamente, algo foi instaurado, cujos efeitos nunca se perderão. É também um ciclo no qual o Logos planetário, tendo tomado uma iniciação e com isso afetando toda a Sua vida planetária, estabeleceu também certas relações extraplanetárias que, logicamente, são incompreensíveis e de nenhuma importância para o ser humano individual, mas que, oportunamente criará uma situação na qual o nosso planeta se tornará um planeta sagrado. Este processo, à medida que se desenvolve, terá um poderoso efeito subjetivo e profundamente espiritual sobre todos os reinos da natureza, e também no reino da supranatureza.

Vamos agora dar continuidade às nossas considerações sobre o tema, após o estudo dessas premissas básicas.

Medidas no Processo de Exteriorização

Já há algum tempo, desde 1425 d.C., (data que já mencionei anteriormente), a Hierarquia está ciente de que chegaria o momento em que teria lugar essa mudança projetada. Os preparativos avançaram regularmente. Nesta altura devemos lembrar que esta intenção dinâmica (que emana em primeiro lugar de Shamballa) perturbou seriamente o ritmo de muitas dezenas de milhares de anos; foi o fator condicionante básico. Os Mestres, porém, que vão fazer o movimento para o exterior em contato com o mundo não são os que registraram o impulso inicial proveniente de Shamballa, nem os três Guias dos grandes departamentos são os mesmos. Os Mestres anteriores deram início às medidas de preparação necessárias, e desde então o trabalho avançou gradualmente.

Poderiam muito bem perguntar: Quais foram essas medidas, e em que linhas de preparação se deram? As primeiras medidas se relacionaram com a preparação interna. Embora todos os Mestres de Sabedoria tenham passado pela experiência humana, e sejam homens que alcançaram uma relativa medida de perfeição, há aspectos do contato físico que transcenderam totalmente e anularam de maneira definitiva. Não há nada nos três mundos com que tenham afinidade, exceto a afinidade da vida e o impulso de amar a todos os seres.

A recuperação de certas facilidades para atuar foi considerada necessária. Por exemplo, os cinco sentidos, no que diz respeito aos Mestres, existem e são utilizados segundo a necessidade, mas o contato que estabelecem e mantêm com discípulos e aspirantes avançados no mundo (por intermédio dos quais trabalham principalmente) é sobretudo telepático. A audição e a visão, como vocês entendem, não estão envolvidos. A ciência da impressão, com sua eficácia consideravelmente aumentada em relação ao contato individual por meio dos sentidos, substituiu de todo o método mais estritamente humano. Exceto no caso dos Mestres que trabalham no plano físico, e em corpo físico, os sentidos físicos externos estão passivos; para a maioria dos Mestres que ainda emprega estes sentidos, o uso é estritamente limitado. Seu trabalho é sempre quase que todo subjetivo, e o método de interação telepática e de impressão é praticamente o único meio que utilizam para chegar até Seus agentes ativos. Portanto, uma das medidas preparatórias foi a recuperação dos antigos usos de uma natureza mais física.

Outra das medidas foi a obtenção de uma ampla cultura e a compreensão da civilização atual, que entrará em atividade e controlará quando o projeto proposto se realizar. Foi dito - e está certo - que os Mestres não se preocupam em alcançar proficiência em todas as questões da educação - na história moderna, por exemplo, nos processos científicos mais novos, ou no emprego de idiomas estrangeiros. Em todos os Seus Ashrams há aqueles que podem lhes proporcionar todo conhecimento específico de que possam necessitar, em qualquer momento dado, ou para qualquer propósito determinado. O mesmo também será válido para Aqueles que alcançaram o grau de Mestre, mas não para os iniciados avançados, muitos dos quais, ao passarem para graus mais elevados e receberem instrução de um Mestre, conservaram seus conhecimentos do mundo, além de sua especialização em certas abordagens estritamente mundanas dos assuntos do mundo. Por exemplo, há Adeptos que são autoridades em assuntos financeiros modernos, e estes iniciados de quarto grau estão se preparando com competências para instituir mais tarde técnicas e modos novos de interação financeira, que substituirão os desastrosos métodos atuais; instaurarão um sistema de troca e operações cambiais, dos quais o dinheiro moderno é o símbolo distorcido. Este novo método de relações financeiras será amplamente humano e substituirá os grandes negócios e a empresa privada. Porém, ao mesmo tempo, manterão as vertentes da empresa moderna que estimulam a iniciativa e o empreendedorismo do indivíduo. Outros iniciados se especializaram nos diferentes idiomas e dois deles são autoridades no inglês fundamental; trata-se da forma da língua inglesa que oportunamente tomará o lugar de outras línguas em todos os tipos de relações internacionais e comerciais, sem anular de nenhuma maneira os idiomas nacionais que os países usam diariamente.

O estudante interessado deve compreender duas coisas ao considerar este acontecimento da exteriorização:

1. Os Membros seniores da Hierarquia não serão aqueles que, inicialmente, estabelecerão a aproximação necessária. Sob Sua direção e estreita supervisão, esta aproximação será feita - nas primeiras etapas - pelos iniciados de terceira iniciação ou outras menores, e também por discípulos que serão escolhidos e designados para implementar Seus esforços e que trabalharão sob Sua direção. Somente nas etapas posteriores, quando chegar o momento para o retorno à expressão física reconhecida do Cristo, o que trará a restauração definida dos Mistérios, certos Membros seniores da Hierarquia aparecerão e assumirão os assuntos do mundo de maneira física, externa e reconhecível. Esse momento dependerá necessariamente do êxito das medidas tomadas pelos membros menos avançados da Hierarquia.

2. Os Membros da Hierarquia, que trabalharem nas primeiras etapas ou mais adiante quando ocorrer a verdadeira exteriorização, assim farão como membros da família humana, e não como membros proclamados do reino de Deus ou das almas, que conhecemos como Hierarquia. Desempenharão todo tipo de funções; serão os políticos, homens de negócios, financistas, instrutores religiosos ou homens da igreja, cientistas, filósofos, professores e educadores, prefeitos de cidades e guardiões de todos os movimentos públicos éticos. A força espiritual de suas vidas, sua clara e pura sabedoria, a lucidez e a moderna aceitação das medidas propostas em qualquer departamento em que decidirem atuar serão tão convincentes, que encontrarão poucos obstáculos no caminho de seus empreendimentos.

Na etapa atual de preparação, a tarefa do discípulo encarregado de assentar as bases para os métodos da nova era e o trabalho de preparação para o primeiro grupo de membros do ashram, é realmente árduo. Representa tantas coisas que se consideram visionárias e impossíveis; as dificuldades que enfrenta parecem insuperáveis. Ensina verdades cujo primeiro efeito é necessariamente destrutivo, porque se esforça em liberar a humanidade das antigas formas de doutrinas religiosas, econômicas e políticas. Sua impessoalidade - que reconhece defeitos como também virtudes - irrita muitas pessoas e muitas vezes aquelas de quem se esperava compreensão e verdadeira imparcialidade. O fato de não se deixar impressionar pelos antigos ritos e cerimônias e de prestar atenção às ideias antigas e obsoletas, mas apreciadas, e sua constante militância contra as miragens e ilusões que condicionam os homens, pouco incentivo encontra. Trabalha em geral só e normalmente não é reconhecido. Carece de tempo para seus próprios contatos hierárquicos pessoais; não está necessariamente relacionado com algum dos assim chamados grupos esotéricos e, se esta relação existe, sua tarefa é ainda mais difícil. Somente discípulos avançados, com pleno e consciente contato constante com seu Ashram particular podem trabalhar desta maneira. Os grupos ocultistas e esotéricos são atualmente, entre os grupos mundiais, os que mais sofrem miragens. O trabalho de todo discípulo em tais grupos é, inevitavelmente, destruidor nas primeiras etapas. Os grupos ocultistas atuais que se formaram antes de 1919 desaparecerão oportunamente. Os membros verdadeiros e sólidos, de mente aberta e sadia, corretamente orientados e dedicados trilharão seu caminho para os grupos esotéricos livres de dogmatismo e doutrinas, e receptivos à vida hierárquica.

Portanto, o trabalho preparatório para a exteriorização se divide em três fases ou etapas no que diz respeito à humanidade:

Primeiro. A etapa atual, em que poucos discípulos e iniciados isolados, disseminados pelo mundo, empreendem a importante tarefa de destruição, mais a enunciação de princípios. Estão preparando o caminho para o primeiro corpo organizado de discípulos e iniciados que - oriundos de certos Ashrams - darão continuidade na fase seguinte do trabalho.

Segundo. A etapa da primeira exteriorização real em ampla e organizada escala sucederá os esforços acima. Estes discípulos e iniciados serão os verdadeiros Construtores do novo mundo, da nova civilização; assumirão a condução da maioria dos países, e terão cargos elevados em todos os setores da vida humana. Farão isto por livre escolha da população, e em virtude do seu mérito avançado e comprovado. Por este meio, a Hierarquia assumirá gradualmente a direção dos assuntos humanos no plano físico, subjetiva e objetivamente. Esta direção se efetuará em virtude de Sua capacidade conhecida e confirmada, não envolvendo a imposição de nenhum controle ou autoridade hierárquica. Significará simplesmente o livre reconhecimento, pelas pessoas livres, de certas qualidades espirituais e atividades efetivas que, segundo elas, indicam que esses homens estão à altura da tarefa necessária e, portanto, os escolhem como agentes diretores para o mundo novo e futuro. A liberdade de escolha sob a autoridade de uma vivência espiritual demonstrando a competência caracterizará a atitude do grande público. Os homens assumirão cargos elevados e em posições de poder, não porque sejam discípulos ou iniciados, mas por serem sábios e inteligentes servidores do público, dotados de uma percepção interna, de uma consciência profundamente religiosa e inclusiva e de uma mente bem treinada, servida por um cérebro obediente.

Esta etapa de aparecimento hierárquico depende da eficácia do serviço do primeiro grupo de discípulos isolados que trabalham arduamente e que são os membros seniores do Novo Grupo de Servidores do Mundo, que hoje atuam entre os filhos dos homens. O segundo grupo dará continuidade ao trabalho deles, e sua tarefa consistirá em instituir uma preparação mais unificada para o retorno do Cristo. O primeiro grupo prepara a humanidade para esta possibilidade, e o segundo, definidamente, para o próprio retorno. Esses grupos construirão para um futuro que surgirá dos destroços do passado, destroços que removerão, e instilarão certos conceitos básicos sobre corretas relações humanas nas mentes dos homens. Seu trabalho grupal imediato, quando assumirem o poder e forem reconhecidos, consistirá em suavizar e clarificar a situação política e a apresentação das ideias que oportunamente conduzirão à fusão dos princípios que regem uma democracia e condicionam também o método hierárquico - o que é um pouco diferente. Este esforço produzirá uma terceira situação política que não dependerá totalmente da escolha de um público ininteligente nem do controle que a técnica hierárquica envolve de maneira evidente. O modo deste novo tipo de condução política aparecerá mais tarde.

Este segundo grupo implementará a nova religião; daqui até o momento em que ele assumir o controle, as antigas atividades teológicas terão sido fragmentadas; o judaísmo irá desaparecendo rapidamente; o budismo irá se divulgando e se tornando cada vez mais dogmático; o cristianismo estará em um estado de divisões caóticas e convulsões. Quando isto acontecer, e a situação for bastante aguda, o Mestre Jesus tomará certas medidas iniciais para reassumir a direção da Sua Igreja; o Buda enviará dois discípulos treinados para reformar o budismo; serão tomadas também outras medidas nos departamentos da religião e da educação, regidos pelo Cristo, que Se disporá a restabelecer os antigos marcos espirituais, eliminar o não essencial, e reorganizar todo o campo religioso - sempre como preparação para a restauração dos Mistérios que, uma vez restaurados, unificarão todas as crenças.

Grupos de financistas espiritualizados e membros conscientes de um ashram se encarregarão da situação econômica mundial e implementarão grandes e necessárias mudanças. Todas estas atividades, construídas sobre o trabalho preparatório do primeiro grupo, também são de natureza preliminar.

Terceiro. A etapa em que o Cristo e os Mestres de Sabedoria poderão aparecer publicamente e começar a trabalhar de maneira pública, aberta e visível no mundo dos homens. O momento de Sua vinda dependerá do êxito do trabalho empreendido pelos dois primeiros grupos. Não me é possível profetizar sobre este assunto. Muitos fatores estão envolvidos: o trabalho sério dos dois grupos, a prontidão e a disposição da humanidade para aprender, a rapidez com que as forças de restauração e da ressurreição poderão reabilitar o mundo, e a receptividade das pessoas humanitárias avançadas e da intelligentsia à oportunidade de reconstruir, recriar e reorganizar os fatores que exigirão a nova cultura e a nova civilização. Até a própria Hierarquia, com todas as Suas fontes de informação, não sabe quanto tempo tomará, mas está preparada para atuar em qualquer momento.

Enquanto isso, o primeiro grupo luta com o problema imediato do mundo externo, e o segundo - ainda dentro dos limites da Hierarquia - faz a devida preparação interna e aplica a seus membros escolhidos o treinamento necessário e a reorientação desejada, o Cristo e os Mestres se ocupam da tarefa de preparar a restauração dos Mistérios, a qual se fará em três fases, cobrirá e incluirá em seu simbolismo todos os aspectos do desenvolvimento humano. A história da humanidade será representada em imagens. Estas três fases correspondem, em um sentido amplo e geral, aos três graus da Loja Azul da Maçonaria. A analogia não é totalmente exata, devido à inevitável degeneração da Maçonaria, mas, com a restauração dos Mistérios, também ela voltará à sua competência. Estas fases são:

A etapa de reconhecimento geral da luz em todos os setores da vida humana. Isto se infere da primeira estrofe da nova Invocação. Estudando-se o ritual do Aprendiz à luz desta informação, o significado aparecerá. O candidato despojado e destituído emerge para a luz.

1. A etapa de completa reorientação econômica, com isso a humanidade se livrará de toda ansiedade econômica e estará livre para receber o justo salário e a correta recompensa por todo serviço prestado na construção do Templo do Senhor, a qual prossegue aceleradamente.

2. A etapa de recebimento da recompensa de luz e da recompensa do serviço prestado; o status espiritual é reconhecido por meio do que se considera uma iniciação maior, para a qual os primeiros dois graus iniciáticos são apenas preparatórios. Esta primeira grande iniciação será apresentada objetivamente, e o público a reconhecerá como o principal rito e ritual da nova instituição religiosa da época. Nesta etapa as forças da ressurreição se encontrarão ativas, o Senhor estará com o Seu povo, e o Cristo terá retornado à Terra. A religião será então reconhecida como uma atitude que rege todas as fases da experiência humana.

Aproximação via certos Ashrams

Os estudantes não devem supor que, no processo de exteriorização, haverá um movimento geral de toda a Hierarquia para o plano físico. Não será assim. Todo o esforço é ainda experimental (e assim continuará por algum tempo) e no início somente uns poucos ashrams e certo número de discípulos treinados e iniciados estarão envolvidos. Fica por provar o quanto a humanidade está preparada para esta tentativa. O conceito cristão do retorno de um Cristo triunfante, que chegará a Jerusalém descendo das nuvens do céu para reinar ali por mil anos, é verdadeiro em certo sentido, e sumamente falso quanto ao desígnio, ao local e ao método. O Cristo retornará; a Jerusalém a que se faz referência (literalmente "o lugar da paz”) não é a capital de um pequeno país chamado Palestina ou Terra Santa; esta palavra é simplesmente um símbolo de um mundo em paz - de um mundo que, por seu próprio esforço, alcançou uma conciliação geral e certa medida de corretas relações humanas. Sua chegada pelo ar poderia ser interpretada literalmente como significando que, no momento oportuno, Ele virá de avião do lugar na Terra onde, durante muitas gerações, esteve velando os filhos dos homens. A expressão "todos os olhos o verão” poderia significar que no momento em que chegar, a televisão estará aperfeiçoada e então será visto por esse meio, até nos rincões mais distantes da Terra. Ao cristão ortodoxo isto parecerá a mais crua blasfêmia, mas imediatamente se coloca a pergunta: por que seria uma blasfêmia que Ele use métodos modernos? Quando esteve na Terra adaptou-se aos costumes de Sua época. "Cavalgar nas nuvens do céu” pode parecer mais pitoresco, e aparentemente exigiria uma maior expressão de divindade. Mas, porque empregar tal meio, quando um avião cumpriria igualmente o propósito e a profecia? Deverá ser eliminada grande parte da estupidez reacionária antes que Ele possa vir, e isso se fará quando a nova geração assegurar sua influência no pensamento humano. Entretanto, não é sobre o evento ou a etapa do aparecimento do Cristo que estamos tratando agora, mas sobre as etapas preparatórias e a tarefa de adequar o mundo (o que, neste caso, significa a preparação da consciência humana) para a presença da Hierarquia em atividade e Sua manifestação física - em plena força e com Seu instrumental esotérico.

Nas primeiras etapas, a tarefa de preparação é árdua e difícil. As coisas ficarão relativamente fáceis para os Membros avançados da Hierarquia quando encontrarem o momento propício para aparecer. Enquanto isso, os discípulos mundiais devem tomar o mundo tal como está neste momento, e, lenta e laboriosamente, introduzir as novas ideias; incitar a que se empreguem melhores métodos de relações humanas; ajudar a dissipar o corolário da guerra; manter ante a humanidade ofuscada a nova visão de esperança e iluminação espiritual; neutralizar as maquinações dos políticos e eclesiásticos reacionários e conservadores, e ensinar à juventude da época os novos métodos de viver, indicando-lhes os melhores valores, e trazendo assim lenta e gradualmente a nova ordem.

Entre os sete ashrams principais e seus ashrams subsidiários e afiliados, somente uns poucos começaram a enviar neste momento seus discípulos e iniciados para executar esta tarefa inicial. Os três Ashrams comprometidos desta maneira são:

1. O Ashram do Mestre K.H. É o ashram de segundo raio e - com o do Mestre M. - o mais poderoso na Hierarquia; controla as forças de construção.

2. O Ashram de primeiro raio, o do Mestre M. É o guardião do princípio de síntese, cujo trabalho é de fusão orgânica, que é sempre necessária para complementar a dos agentes construtores.

3. O Ashram de um Mestre de quinto raio, o guardião, entre outras coisas, da ciência e do que relaciona e traz à expressão a dualidade espírito-matéria. Este ashram tem um importante papel a desempenhar no trabalho de preparação, pois é por meio do uso científico da energia que o mundo será reconstruído, e comprovada a natureza real da Hierarquia.

Pela pressão da educação (energia de segundo raio), do crescente conceito de síntese (energia de primeiro raio) e do uso correto da energia (energia de quinto raio), este mundo pode ser levado à condição de estar preparado para a exteriorização da Hierarquia.

Os esforços dos discípulos egressos do Ashram do Mestre K.H. serão dirigidos ao público em geral, mas trabalharão principalmente por intermédio dos educadores de todos os países e dos que se ocupam em ensinar religião. Os educadores fazem contato com quem se prepara para todo tipo de atividade. O trabalho será necessariamente lento, sobretudo no início, mas estes discípulos, dotados da qualidade de segundo raio (como todos os discípulos deste raio) têm uma firme persistência que não admite nenhum desalento, nem quando ele aparece. Eles se negam a interromper os esforços ou a modificar os planos espiritualmente estabelecidos, ainda quando os obstáculos pareçam insuperáveis. Os discípulos virão deliberadamente à encarnação, e assumirão sua função em instituições de ensino superior e nas igrejas. Exercerão tal pressão, que os métodos antigos e obsoletos, as antigas teologias desgastadas e as técnicas egoístas e competitivas desaparecerão, e as ciências da colaboração, das corretas relações humanas e do correto reajuste à vida, por meio da meditação e da correta visão, substituirão os métodos atuais de ensino. Isto não prejudicará a aquisição do conhecimento acadêmico nem a correta compreensão da verdade espiritual. A visão será diferente e as metas de uma ordem superior, mas o melhor que agora se ensina nas linhas da arte, da religião e da ciência permanecerá disponível, passando a ser apresentado com maior iluminação e melhor ênfase, o que atenderá as necessidades das pessoas. As igrejas, que se encaminham hoje para o fracasso e carecem de visão, vão se chocar, em algum momento e inevitavelmente, contra as rochas da autoridade abusiva e injustificada. Das ruínas surgirão os verdadeiros homens da igreja, espiritualmente iluminados que - com visão e sólido conhecimento, livres de dogmatismo e da autoridade eclesiástica odienta, desenvolverão a nova religião mundial.

Paralelamente a estas atividades (e os discípulos deste raio já estão tomando as medidas necessárias) virá a atividade dos discípulos e iniciados que estão trabalhando sob a direção do Mestre M. Seu trabalho situa-se no campo das corretas relações humanas, e na produção da síntese do esforço que criará uma nova consciência intuicional e - em consequência - uma mudança na consciência política e na situação, o que levará a família de nações a sustentar unida um conjunto de certos valores básicos que, fundamentalmente, são três:

1. A liberdade do indivíduo. Estas liberdades foram formuladas pelo grande discípulo de primeiro raio, Franklin D. Roosevelt. São quatro liberdades essenciais.

2. Correta interação internacional, que vai requerer finalmente a abolição da guerra.

3. Regimes políticos limpos, livres de corrupção, de ambições egoístas e de manobras políticas espúrias.

Para alcançar estes fins (e só consideraremos as questões principais, deixando os efeitos menores e sem importância para tratar mais adiante) os discípulos da síntese e os instigadores das corretas relações políticas trabalharão em estreita colaboração com os discípulos de segundo raio, cuja tarefa é educar o público nos valores mais verdadeiros. Um público instruído e iluminado, que endosse as corretas responsabilidades, escolherá somente homens cuja visão esteja de acordo com a nova ética e a nova ciência de corretas relações humanas, e que reconhecem como princípio político básico a igualdade de todos os homens - igualdade baseada em sua divindade fundamental e universal.

Aliados aos esforços destes dois grupos de discípulos e iniciados estarão os discípulos de quinto raio, cuja tarefa será conduzir o gênero humano a aproveitar os benefícios da era atômica. Os ocultistas sempre proclamaram que a Hierarquia trabalha no campo da energia; ensinaram que não existe nada além de energia em uma forma ou outra, e que tudo o que vemos, tudo com que trabalhamos diariamente (incluindo nossa própria natureza material, mental, emocional e física), e tudo que produz fenômenos, é energia em relação às forças, ou forças dirigidas pela energia.

Isto será provado incontestavelmente por este grupo de discípulos em vias de aparecer. Por seus esforços a nova civilização será criada, na qual a humanidade terá tempo para exercer sua liberdade, para um exame mais profundo das questões da educação, e para uma atividade política de tipo espiritual. A ciência produzirá um mundo no qual o trabalho (tal como o conhecemos hoje) será abolido, e todas as fases da vida do homem serão implementadas pela ciência - não para o tornar mais confortável ou mais como um robô ou mais egoísta, mas como um aspecto e um resultado da verdadeira liberdade. Os homens estarão livres para pensar, estabelecer novos modos de interesses culturais, e também para desenvolver a mente abstrata superior e interpretar suas conclusões por meio do desempenho da mente inferior concreta treinada.

O trabalho conjunto destes três grupos de discípulos inicia e prepara o caminho para a exteriorização da Hierarquia. Esta preparação já se encontra em andamento e toma uma forma precisa, embora os esforços sejam ainda embrionários e os trabalhadores em pequeno número. No entanto, já houve um começo, e grandes mudanças ocorrerão durante os próximos vinte e cinco anos, que indicarão a estrutura geral da cultura do novo mundo, afirmarão como normais os conceitos superiores do planejador mundial chamado de "visionário”, e assentarão a base para o trabalho dos outros ashrams, quando chegar o momento de acentuar os esforços.

Quando os três ashrams maiores tiverem realizado seu trabalho, trabalho que - apesar da diferença de raio - será principalmente educativo, os demais Ashrams então enviarão lentamente seus representantes para colaborar e dar continuidade à tarefa. O primeiro ashram a fazê-lo será o de terceiro raio; no momento em que aparecerem os discípulos desse Ashram, o mundo estará preparado para uma reforma financeira geral. O "princípio da partilha” será reconhecido como conceito motivador da nova civilização. Isto não envolverá atitudes belas, amáveis e humanitárias. O mundo ainda estará cheio de pessoas egoístas, que buscam seu próprio interesse, mas a opinião pública será tal que certos ideais fundamentais motivarão os negócios, a opinião pública os forçando nos negócios. O fato de que as novas ideias gerais sejam regidas em muitos casos pelo oportunismo da interatividade não terá importância essencial. É a partilha que terá importância. Quando o "ajustador das finanças” (como é chamado na Hierarquia um dos discípulos avançados deste ashram) aparecer, encontrará condições muito diferentes das que prevalecem agora e isso na seguinte medida:

1. O princípio de intercâmbio e troca de mercadorias controlará (em benefício de todos os interessados).

2. Devido ao desenvolvimento da energia atômica para o bem-estar humano, as moedas nacionais terão sido amplamente substituídas, não só por um sistema de trocas, como pelo intercâmbio monetário universal - representativo dos bens permutados quando forem relativamente pequenos e pouco importantes - como por um plano graduado de valores relativos. Os ativos nacionais materiais e as mercadorias necessárias serão fornecidos por um sistema inteiramente novo.

3. A empresa privada continuará existindo, mas estará regulamentada. As grandes empresas de serviços público, os principais recursos materiais e as fontes de riqueza planetária (ferro, aço, petróleo, trigo, por exemplo) serão propriedade, em primeiro lugar, de um grupo internacional de governo e controle, mas serão preparados para o consumo internacional por grupos nacionais escolhidos pelo povo e sob direção internacional.

Não disponho de tempo para consagrar a este tema e, além disso, qualquer coisa que dissesse seria considerada visionária e destituída de praticidade em um mundo que ainda não foi submetido aos processos de educação dos discípulos e iniciados do primeiro, segundo e quinto raios, nem às mudanças fundamentais que a nova geração de jovens (que agora estão crescendo) inaugurará.

Segundo esta tríplice condição do controle básico dos produtos do planeta, tais discípulos de terceiro raio, trabalhando sob as ordens dos iniciados maiores já mencionados, construirão a nova estrutura das relações materiais - tarefa muito difícil, devido ao maligno "puxão” das posses substanciais e do controle sempre presente, embora muito diminuído, do egoísmo humano. Este "puxão” é considerado esotericamente como maligno porque personifica o princípio de aprisionamento que, durante incontáveis eons, absorveu a atenção do ser humano, excluindo todos os verdadeiros valores.

Mais tarde, os discípulos e iniciados de sétimo e sexto raios virão à encarnação física. O único ashram que não estará representado - e isto por longo tempo - será o quarto. Como o quarto raio é, porém, o raio constante da família humana, sua influência está continuamente presente, e este ashram está sempre consciente dos assuntos humanos e os influencia a todo momento. Virá à plena expressão quando a intuição do ser humano, emanando como energia do plano búdico, o quarto, tiver sido evocada pela alma humana e for um recurso reconhecido na consciência humana. O quarto raio virá à manifestação antes que tenham passado muitas gerações, mas só do ângulo de sua Mônada encarnada, e não do ângulo de seu ashram ativo.

Uma vez que se tenha estabelecido o contato - em manifestação física e em reconhecimento físico - será instituído pela Hierarquia um sistema de "aparecimentos e abstrações”, produzindo o que se poderia considerar como uma circulação de Sua vida e de Seus representantes entre os dois centros planetários maiores, a Hierarquia e a Humanidade. De acordo com as necessidades do planeta físico e mediante a aceitação de certos desígnios, tal ashram estará ativo de maneira destacada ou relativamente inativo.

As antigas atividades da Hierarquia persistirão - as atividades de preparação de discípulos e iniciados para a iniciação, e para a participação consciente no esforço hierárquico. As Escolas de Mistérios (como as delineei no livro Cartas sobre Meditação Ocultista) virão à existência e à prática, mas isso será temporariamente uma atividade secundária; a plena expressão da energia ashrâmica será dirigida para os assuntos práticos do mundo e para a educação do público em geral, e não, nas primeiras etapas para assuntos esotéricos. Em última análise, para o Mestre e Seus discípulos não há tal coisa como esoterismo, exceto no que diz respeito a Shamballa. Há apenas trabalho definido e planejado com a consciência das formas e - no que envolve a humanidade - isto é considerado como um processo de educação que conduz a uma expansão da percepção e à transformação dos conhecimentos acadêmicos adquiridos em uma sabedoria sobrepairante e condicionante. A implementação dos assuntos humanos para produzir este desenvolvimento da consciência está nas mãos dos discípulos, eles próprios passando por este processo, e não nas mãos dos Mestres, Cuja consciência está plenamente expandida - consciência que penetra em uma fase superior e muito diferente, relacionada com o Ser, a Vida e os propósitos de Shamballa.

Maneira como o Discípulo aborda a Exteriorização em sua Consciência

Parece-me necessário aqui esclarecer um ponto. Os discípulos enviados pelos diversos Ashrams não chegam à Terra conscientes de uma elevada missão, não sabem bem qual é a natureza da tarefa que lhes foi subjetivamente designada. No caso de alguns discípulos que serão de especial destaque no mundo e que têm grau de iniciado, poderão ter a convicção de uma missão (se posso denominá-la assim) desde muito jovens, e assim se orientar para a tarefa de sua vida. Esta convicção aumentará, se aprofundará e se esclarecerá com o correr dos anos. Mas é preciso lembrar que a maioria dos discípulos não reagirá assim. Virão à encarnação com certos dons e talentos inatos e com ideias firmemente enraizadas, dotados de ideais decisivos e com um cérebro que responderá a uma mente bem desenvolvida. Normalmente, e por meio de tendências e predileções naturais, encontrarão o caminho para o campo da atividade humana em que estão destinados a trabalhar e no qual devem produzir certas mudanças básicas, de acordo com a intenção hierárquica, a qual lhes será geralmente desconhecida (embora nem sempre), mas o trabalho a realizar lhes parecerá imperativo e necessário, e algo que devem fazer a qualquer preço. Seguirão seu caminho para a política, para os movimentos educativos, para a ciência. Trabalharão no campo humanitário, social e financeiro, mas seguirão estas linhas de atividade por inclinação natural, e não por "obediência” às instruções de algum Mestre. Terão êxito em seus esforços, porque por trás deles estará a potência da Hierarquia. O ashram interno pode fazer muito pelos discípulos que atuam externamente, abrindo portas, implementando esforços e organizando e outras facilidades mais. Entretanto, tudo isto se realiza sem que se evidencie nenhum impulso interno. O reconhecimento deste esforço interno dependerá da posição do discípulo no ashram. Quando o discípulo é muito avançado, pode ser consciente de sua elevada missão e saber que não é uma intenção fanática que vem dele mesmo, mas uma tarefa precisa, empreendida em resposta ao planejamento ashrâmico. Casos assim serão exceção e não a regra, sobretudo nas primeiras etapas. Esses trabalhadores hierárquicos reunirão em torno de si discípulos de menos envergadura que trabalharão nas mesmas linhas pela convergência de interesses, mas não pelo reconhecimento de instruções similares - o que é muito diferente. Em um dos casos a consciência da missão se desenvolve por meio de períodos de planejamento preciso com o ashram ou em consulta com o Mestre ou Seus trabalhadores avançados. No caso mais comum, o discípulo reage e trabalha em resposta à impressão, ignorando totalmente, nesta etapa, de onde vem a impressão, considerando que se trata de uma atividade da sua própria mente atuando como agente diretor em todas as atividades planejadas, no tema e propósito de sua vida que são seu serviço dinâmico.

No entanto, uma característica principal está presente em todos esses discípulos e aspirantes ativos: é um profundo sentimento humanitário e a determinação de ajudar na causa do bem-estar humano. Mais tarde surgirá uma característica interessante que condicionará a nova era em contraposição aos métodos passados e presentes. Os discípulos e aspirantes não se dedicarão puramente ao trabalho humanitário e social, o qual será um motivo e não um objetivo. Não dedicarão seus dias e esforços exclusivamente ao alívio das necessidades dos homens. Todas as fases da vida humana - política, finanças, ciência, assim como religião - serão reconhecidas como sua tarefa imediata e de frente, mas, no futuro a motivação não será principalmente o êxito nos negócios ou a ambição da personalidade, mas o impulso de subordiná-los ao esforço geral e à ajuda a toda a humanidade, com visão de longo prazo.

É este crescente espírito humanitário que estará na base de todos os movimentos para a socialização do mundo nas diversas nações. Este movimento é sintomático de uma mudança de orientação no pensamento do homem, e nisso reside seu maior valor. Na realidade, não indica uma nova técnica de governo, e esta fase particular é efêmera; é, ao mesmo tempo, a base da nova ordem mundial que surgirá de todos estes experimentos que o pensamento humano está desenvolvendo neste momento.

Eis o que estará na consciência dos discípulos encarregados pela Hierarquia de impulsionar as mudanças necessárias e dar uma nova orientação, e não um reconhecimento dos Mestres e Suas ordens, nem de qualquer contexto hierárquico e ashrâmico.

Enquanto estão em encarnação, estes discípulos são livres para servir exclusivamente e de todo coração a essa seção ou fase do esforço humano, onde seu destino e tendência de sua vida parecem tê-los colocado. Podem ser completamente inconscientes de qualquer objetivo espiritual (como se chama hoje), exceto pelo reconhecimento do amor que dedicam aos seus semelhantes. Este amor condicionará tudo o que fizerem e motivará cada um de seus esforços.

Do ponto de vista dos Mestres, eles podem ser alcançados, receber impressão e ser dirigidos, e eles são precisamente alcançados desta maneira. De seu ponto de vista, são simplesmente pessoas dinâmicas, muito ativas, dotadas de uma mente boa, profundamente interessadas pela tarefa que escolheram em suas vidas, demonstrando a si mesmas que são capazes de trabalhar eficazmente em determinada linha, aptas a exercer influência e dirigir outras pessoas para uma atividade similar, produzindo mudanças no campo do esforço humano do qual se ocupam, elevando assim os princípios subjacentes a níveis mais elevados. Trata-se de um trabalho hierárquico direto e que afeta consideravelmente a consciência da humanidade.

Estes discípulos podem ser conscientes de que sua ação e seu pensamento fazem parte de uma empresa progressista na evolução; nessa medida, são conscientes de sua missão, mas o valor desta atitude é que os relaciona, pela consciência, com muitos outros discípulos de motivações semelhantes e conscientes de uma visão similar. Evidentemente seria prudente lembrar que estes discípulos têm o tipo pronunciado de seu raio e são personalidades integradas, no sentido mais elevado do termo. Trabalharão na Terra como personalidades de alto grau, sob o impacto de fortes motivações que emanam da alma em resposta à impressão proveniente do Ashram; no entanto, em seus cérebros físicos, nada sabem disso, nem lhes interessa. Parte de sua eficácia no serviço se deve a que não se preocupam com o contato com a alma, nem com a ideia de servir de forma acadêmica. Seus olhos estão fixos no trabalho a realizar, seus corações estão com seus semelhantes, e suas cabeças ocupadas com métodos, técnicas e práticas que elevarão todo o nível das iniciativas no campo escolhido. Daí seu inevitável êxito.

Este trabalho de preparação para a exteriorização da Hierarquia não será solicitado aos discípulos que estão intensamente interessados na capacidade de resposta pessoal à alma, que trabalham diligentemente no problema do contato com a alma e que se ocupam da arte de servir conscientemente, que fazem do serviço uma meta e que percebem vivamente a realidade do Ashram e do Mestre. Para trabalhar no mundo nas linhas corretas e executar o trabalho de preparação é possível confiar nos discípulos avançados que estão estabilizados no Ashram e que estão tão acostumados com o Mestre que Ele deixa de assumir uma importância excessiva em sua consciência. Esses discípulos não podem ser afastados nem desviados de sua atenção uni direcionada à tarefa em mãos por um apelo ou sugestão da alma, e por essa razão estão livres para realizar o trabalho pretendido.

Portanto, a situação em relação à consciência dos discípulos neste período de intensa dificuldade, porém muito interessante, em que se confronta a humanidade poderia ser resumida nas seguintes declarações:

1. O discípulo não motivado por nenhum desejo de exteriorizar a Hierarquia nem de ver o Ashram ao qual está afiliado atuar fisicamente no plano externo. Ele pode estar totalmente inconsciente dessa intenção hierárquica. Se for consciente deste propósito subjacente, será totalmente secundário em sua consciência. Seus maiores incentivos na vida são o bem da humanidade e um futuro espiritual estável para os homens.

2. O discípulo é estritamente humanitário em sua visão do mundo. Trabalha para a Humanidade Una e, embora possa ser consciente de sua afiliação com a Hierarquia, sua lealdade, seu serviço e sua intenção de vida estão inteiramente direcionados à causa do melhoramento humano. Por esta atitude vai se assemelhando aos Mestres, cuja diretriz de vida não são as possibilidades hierárquicas, mas a adesão aos propósitos de Shamballa na ação, nas relações e quanto ao Plano para todas as unidades de vida nos três mundos.

3. A intuição do discípulo é alerta e ativa; as novas ideias e os novos conceitos vitais têm preferência em sua mente. Repudia quase automaticamente o pensamento reacionário e conservador do passado e sem fanatismo e ênfase indevida - vive, fala e instrui de acordo com as novas linhas de corretas relações humanas.

4. O discípulo, ocupado com os planos hierárquicos para o futuro, possui uma mente muito aberta ao que diz respeito ao desenvolvimento dos verdadeiros poderes psíquicos. Deplora e reprime todas as condições e formas de pensamento negativas quando entra em contato com elas em seu ambiente, mas encoraja o desenvolvimento de todas as formas de percepção sensíveis superiores que expandem a consciência humana e enriquecem seu conteúdo.

5. De acordo com seu status hierárquico, será cada vez mais um canal de poder no mundo. Sua própria vida ashrâmica se aprofundará à medida que seu serviço mundial se desenvolver. A instrução bíblica (ou melhor, o mandado) de "lançar raízes para baixo e dar frutos para cima” tem para ele uma significação profundamente oculta.

Não estou aqui me referindo ao desenvolvimento de um discípulo como discípulo, ou ao seu progresso como indivíduo no Caminho; estou considerando o tipo de consciência com o qual ele aborda a tarefa a executar. A menos que ele cumpra os requisitos enumerados nesta seção do nosso estudo, não estará entre os trabalhadores deste período intermediário entre a era antiga e a nova.

Divulgação das Informações de Natureza Preparatória

Aqueles que têm a tarefa de levar à humanidade as informações necessárias se dividem em dois grupos:

1. Os discípulos e aspirantes convencidos que atualmente trabalham no campo do ocultismo.

2. Os discípulos e iniciados que virão dos três Ashrams e cujo trabalho é principalmente atuar como vanguarda da Hierarquia e precedê-la na manifestação externa. Isto começará no ano de 1975, se os discípulos ativos hoje realizarem adequadamente seu trabalho.

Muito já se fez para familiarizar o público sobre o conceito da Hierarquia. Muito disso foi feito de maneira a lançar descrédito sobre todo o tema, como bem sabem. Os grupos que se ocupam agora em divulgar os ensinamentos ocultistas bem fariam em alterar seus métodos se - por trás de sua pronunciada ignorância e seu gosto pelo espetacular - existem uma verdadeira crença e um real desejo humanitário. As informações sobre a Hierarquia deveriam seguir as seguintes linhas:

1. Enfatizar a evolução da humanidade com particular atenção à sua meta, a perfeição. Não se trata da perfeição idealista do místico visionário, mas do controle do instrumento, o homem em encarnação, pela alma que habita internamente e sobrepaira a forma. Cada vez mais será preciso ensinar a constituição do homem.

2. Ensinar a relação da alma individual com todas as almas e, com isso, o reconhecimento de que o tão esperado reino de Deus é simplesmente o aparecimento na Terra de homens controlados pela alma na vida do dia a dia e em todos os graus desse controle.

3. Entendida esta relação, deduzir a realidade da Hierarquia espiritual e enfatizar a normalidade de Sua existência. Ficará evidente o fato de que o reino sempre esteve presente, mas não reconhecido, devido a que relativamente ainda poucas pessoas expressam sua qualidade.

4. Quando este reconhecimento estiver generalizado, a ideia (nesta altura permanentemente presente na consciência humana de todas as partes) e o bom senso atestarão a realidade da presença d’Aqueles que alcançaram a meta. A demonstração de Sua divindade será considerada normal, constituindo um objetivo universal e garantindo a realização futura da humanidade. Então poderão ser demonstrados os distintos graus da expressão divina, abarcando desde o discípulo em provas, passando pelos discípulos, até Aqueles que alcançaram o grau de Mestres e até, e inclusive, o Cristo.

5. Assim, gradualmente, a ideia ou o conceito sobre a existência dos Mestres em presença corporal será inculcada e, paulatinamente, será aceita; uma nova atitude em relação ao Cristo se desenvolverá, que incluirá todo o melhor que o passado nos deu, mas que integrará os homens em uma abordagem mais sadia e aceitável de todo o problema.

6. Tempo virá em que o fato da presença do Cristo na Terra como Guia da Hierarquia e Regente do reino de Deus. Os homens compreenderão também a verdade da afirmação, hoje revolucionária, de que em nenhum momento Ele deixou a Terra.

7. Enfatizar também, cada vez mais, o Plano em desenvolvimento, e os homens chegarão a este reconhecimento pelo estudo da evolução da família humana, por uma cuidadosa consideração dos processos históricos, e pela análise comparativa de civilizações e culturas antigas e modernas. O fio do propósito será observado e seguido século após século, integrando não apenas a história em um único e completo relato da revelação das qualidades divinas por meio da humanidade, mas integrando com ela e dentro dela todas as filosofias mundiais, o tema central de toda arte criadora, e o simbolismo da arquitetura e das conclusões da ciência.

Esta maneira de abordar o fato central da evolução humana - o desenvolvimento regular da divindade e a revelação dos poderes divinos através do Homem - anulará a apresentação fantasiosa e fantástica da Hierarquia, que matizou todos os movimentos ocultistas e as diversas apresentações teosóficas e rosa-cruzes. O tema será apresentado de maneira aceitável e racional. Não será um processo mais lento, ao contrário. Os resultados do antigo e imprudente método de apresentar o tema retardou gravemente o trabalho projetado. No entanto, os homens do futuro aceitarão com rapidez e gratidão o que é racional e o que tem raízes no passado pode ser provado pela história e oferece uma esperança real e possível para o futuro.

É de se esperar que o cristão ortodoxo rejeite a princípio as teorias acerca do Cristo que o ocultismo apresenta e que, ao mesmo tempo, seja cada vez mais difícil induzir as massas inteligentes a aceitar uma divindade impossível e o Cristo frágil que o cristianismo histórico endossou. Um Cristo que está presente e vivo, que é conhecido por aqueles que O seguem, que é um forte e hábil executivo e não um meigo e sentimental sofredor; que nunca nos deixou, mas que há dois mil anos trabalha por intermédio de Seus discípulos, homens e mulheres inspirados de todos os credos, religiões e convicções religiosas; que não tem uso para o fanatismo e a devoção histérica, mas que ama todos os homens com constância, inteligência e otimismo; que vê a divindade em todos, que compreende as técnicas do desenvolvimento evolutivo da consciência humana (mental, emocional e física, produzindo as civilizações e culturas apropriadas para uma determinada etapa da evolução) - estas ideias o público inteligente pode aceitar, e aceitará.

Esse público se preparará e trabalhará para estabelecer as condições no mundo em que o Cristo poderá atuar livremente entre os homens, em Presença corpórea, e Ele então não precisará permanecer em Seu retiro atual na Ásia Central. Os homens também aceitarão com facilidade a unidade de todos os credos, quando a relação que existe entre o Buda e o Cristo for apresentada corretamente. Então a imagem de um Cristo que exige uma posição única, excluindo todos os outros filhos de Deus, desvanecerá diante da maravilha da verdadeira sucessão apostólica, na qual os muitos filhos de Deus, de diferentes raios, diferentes nacionalidades e distintas missões serão reconhecidos historicamente como conduzindo a humanidade pelo caminho do desenvolvimento divino e para mais perto de Deus, a Fonte.

Temporariamente, o fato do Deus Imanente absorverá a atenção dos verdadeiros instrutores espirituais e o fato da divina imanência que se fará sentir com toda perfeição no Cristo e em outros representantes divinos, relegará momentaneamente a segundo plano o ensinamento sobre Deus Transcendente. Houve uma ênfase indevida nesta grande verdade, excluindo a verdade mais próxima e prática do Deus em todos os homens, em todas as formas e reinos da natureza. Muito dano resultou do fato de não se ter enfatizado o Deus Imanente. Mais adiante, quando for aceita a verdade do Cristo que mora em cada homem e revelada em sua perfeição por meio do Cristo histórico e Seus grandes Irmãos ao longo das eras, o ensinamento do Deus Transcendente, que é o misterioso segredo guardado por Shamballa, será revelado e ressaltado. A humanidade reconhecerá então as duas metades de um Todo perfeito.

A chave para a Hierarquia e Seu reaparecimento na Terra de forma física e a consequente materialização do reino de Deus entre os homens é a simples verdade do Deus Imanente. É a chave do processo evolutivo e a eterna esperança de todas as formas em todos os reinos da natureza. É esta a verdade central, a verdade convincente e a verdade reveladora que estará subjacente em todas as informações sobre a Hierarquia e é esta que a geração vindoura de discípulos divulgará. Se esta verdade for um fato e se puder ser provada, então se provará a realidade da Hierarquia, e será estabelecida a autenticidade da existência eterna do reino de Deus na Terra.

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