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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção III - As Forças Que Sustentam o Progresso Evolutivo da Raça - Parte 4
A Tarefa de Implementar a Vontade-para-o-Bem
O Ciclo de Conferências
Mensagem de Páscoa
A Grande Invocação - Terceira Estrofe
A Liberação da Energia Atômica

A TAREFA DE IMPLEMENTAR A VONTADE-PARA-O-BEM

Maio de 1944

Como a Hierarquia está trabalhando neste momento? De que maneira os Mestres estão auxiliando o trabalho das Forças da Luz? Seria possível acontecer alguma coisa importante e de significado duradouro na próxima Lua Cheia de maio? Como os Mestres estão vendo a situação mundial? Quais são Seus planos? Estes planos podem se materializar? O que podem fazer o discípulo individual, o iniciado e o discípulo mundial, diante do dilema da humanidade?

Estas perguntas são normais e inteligentes, e podem ser respondidas parcialmente, mas não na totalidade, por três razões:

1. O resultado do conflito culminante que se aproxima depende da própria humanidade. É necessário um esforço maior, em especial na América - esforço para captar com clareza as questões, compreender as causas desta guerra e a determinação de tomar as medidas - por meio da propaganda e do debate - que poderão esclarecer as mentes das massas. Aqui não posso entrar nas causas antigas, apenas relacionar algumas delas:

a. Um egoísmo universal e antigo, materialismo, agressão e orgulhos nacionais. Todas as nações são culpadas destas faltas.

b. O sentido de separatividade, simbolizado na questão das fronteiras entre nações como a Rússia e a Polônia. As necessidades da humanidade e seu bem-estar geral têm eternamente prioridade. As nações e suas disputas efêmeras são de interesse secundário.
c. Uma tendência - velha de vários séculos - entre os povos germânicos de dominar, de tomar o que não lhes pertence, de se considerarem únicos, superiores e encarnarem uma super-raça; há também a determinação fixa, em nome dos próprios interesses, de precipitar outras nações e raças na guerra. Hoje conseguiram provocar uma guerra planetária.

2. Há fatores nesta batalha entre o mal e o bem que são tão profundamente esotéricos e que se acham ocultos à compreensão do ser humano mais avançado, que é inútil me estender sobre eles. Dizem respeito à aptidão mental, ou ao princípio mental de reagir à verdade ou à mentira; o mistério desta reação estando oculto no próprio processo evolutivo. O desenvolvimento humano pode chegar a um ponto em que seja impossível ser enganado e no qual o pensamento claro seja normal. A potência da miragem (que aprisiona tanta gente) está relacionada com este mistério. A miragem não afeta aqueles que não são desenvolvidos mental e emocionalmente, porque são realistas natos e veem a vida em seus delineamentos simplórios, sem véus. As pessoas altamente evoluídas não são sujeitas à miragem, porque pensam de maneira realista, mas com verdadeira percepção mental e não instintivamente. O homem que pensa, em seu processo de treinamento, mas que ainda é dominado em grande parte por suas emoções, é excessivamente propenso à miragem, e muitas vezes à miragem de uma atitude sentimental pretensamente amorosa. Estas pessoas não se dão conta de que o amor é um processo de determinação da ação com base no bem final do indivíduo ou do grupo, e que as reações imediatas da personalidade são secundárias. No conflito atual, a Hierarquia está preocupada com o resultado final, com as condições de vida favoráveis do futuro e com o interesse último da humanidade. Não está tão preocupada com o sofrimento imediato e a dor das personalidades envolvidas. Duras palavras? Podemos observar uma minúscula réplica desta atitude correta na influência, palavras e ações dos pais sábios, dos guias da juventude de visão ampla, que vêm a necessidade de disciplinar seus filhos para que, no futuro, se orientem da maneira certa e vivam corretamente. O desconforto temporário da disciplina e da rebelião das crianças não condiciona de modo nenhum esses pais. Eles estão vendo mais longe.

3. O conflito que envolve atualmente a humanidade tem origem não só na debilidade e no egoísmo dos homens, como também em uma situação que existe há eras entre a grande Loja Branca dos Mestres e a loja dos adeptos da escuridão. Teve início nos tempos atlantes, e agora deve ser levada até o fim. Vocês não têm nada a ver com os detalhes desta luta (travada nos níveis mentais), salvo na medida em que vocês, e o restante da humanidade, reagem à mentira ou à verdade. Duas correntes de energia mental ou de ideias dirigidas pelo pensamento fazem neste momento um potente impacto na consciência humana. Uma está incorporada na propaganda mentirosa que emana das Potências do Eixo, e afeta poderosamente não só a seus próprios povos, como também os políticos egoístas, os intolerantes, as pessoas racialmente condicionadas , e os conciliados e pacifistas bem-intencionados, mas de visão curta. A segunda corrente está encarnada no idealismo, nos princípios humanitários e na clara apresentação da situação de fato, que caracterizam as melhores mentes de todas as nações e que influenciam o pensamento dos chefes das Nações Aliadas. Esta corrente condicionou, por exemplo, a atitude e a mudança de orientação da URSS, levando-a a uma posição de colaboração e ao abandono de algumas de suas ideias separatistas.

Quem dirige o conflito contra o mal nos lugares elevados é o Cristo, o Guia da Hierarquia. Qual é a atitude do Cristo neste momento? Com toda reverência, e como um dos Seus amigos mais humildes e um dos colaboradores ligados a Ele, me foi permitido falar para vocês um pouco sobre a posição dele, à medida que Ele se aproxima do grande evento em maio deste ano. Ele se reconhece como o Comandante espiritual e interno dos Exércitos do Senhor. Tem a responsabilidade de despertar as almas dos homens para a oportunidade que lhes é oferecida e para a necessidade de pôr fim a este antigo conflito entre os senhores do mal e os Mensageiros da Luz. Seu problema foi ensinar à humanidade que, para demonstrar verdadeiro amor e propiciar a esfera e a oportunidade para uma civilização em que o amor, a fraternidade e as corretas relações humanas sejam os fatores regentes, seria necessário tomar as medidas essenciais nessa direção.

O Cristo disse, há dois mil anos, quando esteve na Terra: "Não vim trazer a paz, mas a espada”. A espada do espírito é manejada pela Hierarquia e, por meio dela, o mal cósmico é detido. A espada da discriminação é manejada pelos iniciados e discípulos do mundo e, por esse meio, a distinção entre o bem e o mal, com a consequente apresentação da livre escolha entre os dois, foi exposta à humanidade, e as linhas de demarcação ficaram fartamente claras nesta guerra mundial. Foi a esperança do Cristo e o ardente desejo de todos os Mestres que os homens vissem com clareza, e fizessem uma livre e correta escolha, de maneira que - sem guerra no plano físico - promovessem as mudanças necessárias e dessem fim às condições erradas. Mas o conflito desceu ao plano físico e a espada da guerra material (falando simbolicamente) foi empunhada pela humanidade.

Não se esqueçam (sobretudo aqueles de vocês que estão indignados com o conflito físico, devido à suas inclinações pacifistas) que, no Ocidente, a Alemanha foi a primeira a empunhar a espada, marchando sobre a Polônia e levando sofrimento, devastação e crueldade a uma nação menor e muito fraca, obrigando assim a França e a Grã-Bretanha a cumprirem suas obrigações com essa pequena nação, e declarar guerra ao agressor. No hemisfério oriental, foi o Japão que provocou a guerra. As forças da Luz não tiveram alternativa senão lutarem em defesa da liberdade.

Antes da guerra, a Hierarquia fez o que pôde para mudar a tendência da vida e do pensamento humanos, para despertar as consciências das pessoas inteligentes, para estimular a atividade dos humanitários, e impressionar as mentes de Seus discípulos, a fim de despertar a boa vontade, o desejo dinâmico de estabelecer corretas relações humanas e condições pacíficas. Entretanto, o movimento não foi suficientemente forte; a espada apareceu na Terra e a humanidade foi tragada pela guerra.

Desde então, o trabalho de impressionar as mentes dos discípulos mundiais e daqueles que podem influenciar foi no sentido de esclarecer as questões em causa, de deixar claro aquilo pelo qual lutamos, de encorajar homens e mulheres a agir de maneira que, de uma vez por todas, acabe com a possibilidade de um cataclismo similar no mundo.

As atividades do nosso Mestre, o Cristo, dividem-se em três categorias:

1. Reforçar a vontade de combater em prol dos assuntos espirituais e dos grandes objetivos humanitários da Hierarquia.

2. Impressionar as mentes dos diplomatas, dos pensadores e dos que amam a humanidade para que desenvolvam desde já certos planos de pós-guerra que mudarão completamente a nossa civilização atual e introduzirão uma nova.

3. Despertar as mentes das massas, e dirigi-las - cada qual em seu próprio lugar e à sua maneira - para um canal mais religioso. O aumento do desejo e da aspiração espirituais é hoje muito notável, pudessem vocês verem as indicações como veem os trabalhadores do lado interno.

Nosso Mestre, o Cristo, também está realizando neste momento três atividades principais. Posso lhes dizer sucintamente quais são, mas somente os discípulos do mundo captarão as verdadeiras implicações:

Ocupa-se, primeiramente, do processo de desviar a energia-da-vontade que emana de Shamballa, de tal maneira que não possa ser captada e mal aplicada pelas Potências do Eixo para endurecer seus povos em vista de uma oposição ainda maior às Forças da Luz. Esta energia deve ser recanalizada e usada para fortalecer a intenção das Nações Aliadas de levar esta guerra até o fim, até a vitória e ao triunfo, para aumentar a vontade-de-unidade de todos os povos aliados, e firmar a determinação dos estrategistas do pós-guerra de fazer da liberdade, das instalações educacionais, da verdade e de um modo de vida correto o destino da futura geração. Isto exige do Cristo uma concentração para a qual não temos a palavra, e um esforço puramente espiritual (um esforço monádico), do qual não temos a menor ideia.

Segundo, Ele trabalha dentro dos limites da própria Hierarquia, preparando Seus discípulos, os Mestres, para certos grandes acontecimentos no pós-guerra, porque a guerra terminará. A Restauração dos Mistérios, a iniciação dos discípulos que permaneceram firmes e sem medo durante a guerra, a ampliação dos ashrams dos Mestres devido ao desenvolvimento quase imprevisto do sentido espiritual entre os aspirantes que normalmente não se tornariam discípulos nesta encarnação, e também a exteriorização dos ashrams ao longo dos próximos cem anos, em preparação para o reaparecimento da Hierarquia na Terra, são algumas de Suas responsabilidades hierárquicas atuais. Elas envolvem um enorme desgaste de força, de energia de segundo raio, assim como a Sua primeira atividade exige um desgaste pouco comum de poder de primeiro raio - algo que Ele próprio, em Sua elevada posição, só está aprendendo a manipular agora, como Discípulo consagrado de SanatKumara.

Sua terceira atividade é um esforço para neutralizar o ódio que aumenta no mundo, para fortalecer a tendência para a unidade, e para mostrar às pessoas de todas as partes o perigo da separatividade. Um ódio crescente e justo (do ponto de vista mundano) contra os alemães e os japoneses está aumentando regularmente, ódio que eles mesmos atraíram. O ódio nunca tem discernimento. A grande Lei de Retribuição espiritual exige que se faça justiça, mas o ódio cerrará os olhos da justiça. A lei deve ser aplicada, e o mundo verá a expressão desta lei formulada nas palavras: "O que o homem semear é o que colherá”. Entretanto, a lei materialista do ódio e da separação deve ser neutralizada. O problema que o Cristo enfrenta é quase insolúvel do ponto de vista humano. Será necessário haver um esforço unido de todos os homens de boa vontade para deter a ascendente maré de ódio, cujas comportas foram abertas pelos alemães quando começaram a atacar os judeus; agora estão em perigo de se afogarem nas águas que liberaram. Há também uma tendência crescente para a separatividade entre algumas Nações Aliadas, e o Cristo tem que tratar disso. Várias dessas nações são como casas divididas contra elas mesmas, como a Polônia, a França, a Iugoslávia e a Grécia. Como reconciliar as diferenças?

O ódio de quem sofreu nas mãos das Potências do Eixo ou devido às condições de guerra deve ser neutralizado. Como fazer isto? São esses alguns dos problemas contra os quais o Cristo está lutando. Ele tem que trabalhar por intermédio dos Seus discípulos, os quais devem ser instruídos nesse sentido. Ele também deve trabalhar estimulando os corações das pessoas inteligentes e dos humanitários de todo o mundo. Ele tem que verter a energia doadora-de-vida, proporcionada pela vida crística, em ampla escala em todo o mundo, em meio a essas condições nas quais a receptividade e sensibilidade humanas estão em seu ponto mais baixo, devido ao aturdimento produzido pelo intenso sofrimento. Ele permanece em Seu lugar, impassível, sem medo, com clara percepção da verdade e uma percepção espiritual sobre a verdadeira situação. Em colaboração com Seu grande Irmão, o Buda, está Se preparando para dar o próximo passo.

Hoje a Hierarquia está enfrentando uma atividade culminante. Desde a lua cheia de maio de 1944 até a lua cheia de maio de 1945, os membros da Hierarquia farão um máximo esforço conjunto para fechar a porta às forças do Mal, dirigir a energia de Shamballa (hoje liberada no mundo) para que seu aspecto destruidor seja transmutado ou dirigido para o estímulo que resultará na reconstrução do mundo. Isto afetará não só os Membros da Hierarquia, como também todos aqueles que na Terra respondem à impressão hierárquica. Tenham em mente a seguinte declaração:

O trabalho enfocado e concentrado da Hierarquia no momento da lua cheia de maio de 1944 consiste - pela unidade de esforço dos seus membros, seu pensamento combinado e seu poder de vontade iluminado, sob a direção competente do Buda e do Cristo - em retirar a energia separatista e agressiva da vontade (distorção da energia de primeiro raio) das forças do Mal, e canalizá-la novamente, por meio da Hierarquia. Esta energia então vai se demonstrar como vontade-para-o-bem e se expressará através dos homens de boa vontade na Terra. Isto exige um grande Ato de Absorção por parte da Hierarquia.

O Buda iniciará este processo no momento de sua aparição, empregando um grande mantra de primeiro raio. Este mantra só pode ser usado por alguém do Seu grau de iniciado e em colaboração com o Senhor do Mundo. Com isto, Ele desviará a força de Shamballa que os Adeptos da Loja Negra liberaram para as nações do Eixo, o que tinha sido viabilizado pela receptividade à vontade-para-o-poder. Ele "encurralará” esta energia (se posso empregar um termo tão coloquial e inadequado), disponibilizando-a para o Cristo. A recepção e aceitação desta energia de primeiro raio exigirá um tremendo esforço por parte do Cristo, o Guardião da energia de segundo raio de Amor-Sabedoria. Para esta "recepção” Ele começou a Se preparar no momento da Lua Cheia de abril.

Em outro texto eu lhes disse que este impacto direto da energia de Shamballa acontece muito raramente sobre a humanidade. Só foi liberada três vezes em toda a história do reino humano. No resto do tempo ela faz um impacto direto sobre a Hierarquia, depois é transmutada e atenuada para que a humanidade possa resistir a ela. As três vezes em que foi dirigida sem impedimento e sem ser transmutada para a humanidade foram:

1. No momento da individualização do homem-animal, quando o princípio mente foi implantado. Foi a hora do nascimento da alma humana.

2. Nos dias atlantes, quando o poder da Loja Negra ficou tão grande que a Hierarquia enfrentou a derrota e a destruição da alma humana. Shamballa então interferiu e o mundo daquela época foi destruído. Este período é reconhecido na história moderna como o tempo do dilúvio.

3. Hoje, mais uma vez, os Poderes da Escuridão estão procurando destruir a humanidade e os valores espirituais. O poder de Shamballa foi liberado, destruindo as antigas formas - políticas, sociais e religiosas - mas ao mesmo tempo este poder foi aproveitado pelas forças do mal para destruir as almas dos homens, precipitar a guerra e destruir as cidades e todos nossos centros de civilização e cultura. A primeira fase de destruição da forma foi dirigida pelos discípulos, os aspirantes e as pessoas de pensamento claro do mundo, e isto foi necessário e muito bom. As antigas formas sociais, políticas e religiosas estavam embrutecendo a alma humana e incapacitando todo progresso. A segunda fase de destruição da forma foi dirigida pelo mal e enfocada por meio das nações que haviam sucumbido à miragem da superioridade, à tentação de agressão material e aos ódios raciais intolerantes, implementados pela crueldade e pela barbárie.

Agora chegou o momento em que esta energia divina deve se expressar a si mesma por meio do segundo aspecto, o da vontade-para-o-bem, e não pelo primeiro aspecto, o da vontade-para-o-poder. Foi preciso mostrar à humanidade que ela ainda não estava preparada para o poder, porque a vontade-para-o-bem ainda não está forte o suficiente para contrabalançar este primeiro aspecto da vontade.

É esta, pois, a tarefa do Cristo e do Buda no momento da Lua Cheia de Maio - canalizar e redirecionar a força de Shamballa. Se Eles o fizerem, o resultado será uma nova tomada de consciência e consumação da vontade-para-o-bem pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo, sob a condução receptiva dos discípulos do mundo e uma atividade responsiva dos homens e mulheres de boa vontade.

Portanto, tenham isto claramente em mente, de maneira que a sua cooperação possa ser inteligente e direcionada corretamente.

Primeiro, no momento da lua cheia de maio, o Buda pronunciará um grande mantra e se tornará o "Agente de absorção” da força do primeiro raio. Ele utilizará o poder magnético do segundo raio para atrair esta força para Si e mantê-la estável antes de redirecioná-la. O Cristo então - em nome da Hierarquia - Se tornará o "Agente de recepção” desta potente energia, e os sete grupos de Mestres Que trabalham com os reinos humano e subumanos se tornarão (em resposta ao Seu pedido) os "Agentes direcionadores”, da expressão sétupla desta força.

Segundo, no momento da lua cheia de junho, a Hierarquia, sob a direção do Cristo, liberará esta vontade-para-o-bem sobre a humanidade, produzindo sete grandes resultados, de acordo com os sete sub-raios do primeiro Raio de Vontade ou Poder:

1. Será dado poder aos discípulos do mundo e aos iniciados entre os homens de modo que possam dirigir de maneira eficiente e com sabedoria o futuro processo de reconstrução.

2. A vontade-de-amar estimulará os homens de boa vontade de todas as partes para que o ódio seja gradualmente superado e que os homens tratem de conviver em cooperação. Isto tomará algum tempo, mas o impulso interno existe e pode ser estimulado.

3. A vontade-de-agir levará as pessoas inteligentes de todo o mundo a instaurar as atividades que assentarão as bases para um mundo novo, melhor e mais feliz.

4. A vontade-de-colaborar também aumentará regularmente. Os homens desejarão e exigirão corretas relações humanas - resultado mais geral que o produzido pela atividade dos três primeiros aspectos deste raio, como consequência natural desta atividade.

5. A vontade-de-saber e pensar correta e criativamente se tornará uma característica marcante das massas. O conhecimento é o primeiro passo para a sabedoria.

6. A vontade-de-persistir (que é um aspecto da devoção e do idealismo) se tornará uma característica humana - a sublimação do instinto básico de autoconservação. Isto levará a uma crença duradoura nos ideais apresentados pela Hierarquia e à demonstração da imortalidade.

7. A vontade-de-organizar promoverá um processo de construção que será implementado sob a inspiração direta da Hierarquia. O meio será a potência da vontade-para-o-bem do Novo Grupo de Servidores do Mundo e a resposta da humanidade sob a forma de boa vontade.

Nesses termos simples expressei os planos e as resoluções dos dois Grandes Senhores que devem tomar forma e surgir no momento das luas cheias de maio e junho. Levará anos para que se manifeste o que conseguiram realizar, mas o resultado é inevitável, uma vez obtida a correta direção da vontade-para-o-bem. No entanto, esta manifestação depende de duas coisas:

1. Do trabalho enfocado do Cristo e da Hierarquia no próximo ano, até maio de 1945.

2. Do pensamento reflexivo e do planejamento cuidadoso do Novo Grupo de Servidores do Mundo durante o mesmo período.

Não será possível uma grande atividade externa em escala planetária até 1945, mas muito poderá ser possível, se as exigências hierárquicas forem atendidas. Um ano de preparação é bem curto para a considerável tarefa de implementar a vontade-para-o-bem e produzir uma civilização melhor e um modo de vida melhor.

O Cristo entrou em retiro por um mês, e os Mestres não podem chegar a Ele até 5 de maio. Ele está em estreita consulta com o Buda e o Senhor do Mundo. Este grande triângulo de Potestades - o Senhor da Vontade ou Poder, o Senhor da Sabedoria e o Senhor do Amor - está hoje intensamente preocupado com a tarefa de pôr fim à guerra e, portanto, de neutralizar o aspecto destruidor do primeiro raio. Isto Eles farão, implementando a vontade-para-o-bem por meio da sabedoria, da qual o Buda é o Guardião experiente e também desenvolvendo planos pelos quais o Cristo poderá criar - por meio da Hierarquia e do Novo Grupo de Servidores do Mundo - a "compreensão amorosa” (que no sentido esotérico se assemelha muito pouco ao que se compreende geralmente por essas palavras) nos corações dos homens. Quando este Triângulo de Energias tiver sincronizado seus esforços, no plenilúnio de maio, a grande tarefa de conduzir a humanidade para a luz de um novo dia poderá ter início.

Enquanto isso, os Mestres e Seus ashrams se preparam também para implementar estes planos, e Se esforçam para inspirar Seus discípulos com os mesmos objetivos e visão, de modo que eles também estejam preparados para desempenhar o papel que lhes cabe.

Tal é a situação, meus irmãos, com respeito à posição da humanidade, às intenções e ao trabalho da Hierarquia. Qual então é o trabalho que vocês podem e devem realizar?

Durante anos venho indicando certas linhas de atividade que nós, os Instrutores e guias do aspecto interno da vida, gostaríamos que todos os aspirantes e discípulos seguissem. Os planos que delineei nos últimos dez anos fazem parte do programa hierárquico, e estão sendo apresentados de forma específica pelos outros Mestres. Pouco posso agregar. Neste momento, nada posso dizer que vocês já não saibam. É necessário que eu peça que trabalhem individualmente no lugar em que se encontram para a unidade nacional e mundial? Devo lhes rogar que façam o que puderem para eliminar as divisões, a fim de tornar efetiva a integridade básica que deveria unir as três principais potências do mundo, por intermédio das quais a Hierarquia procura trabalhar? Devo insistir sobre a necessidade de contrapor o ódio pela justiça, a compreensão e a misericórdia? Devo continuar explicando a necessidade do triunfo completo das forças da Luz, do avanço triunfal dos exércitos das Nações Aliadas e a necessidade de triunfar primeiro nos níveis espirituais e seguir então - com bom senso e persistência - pelo plano físico da vida, passando pelo mundo intermediário do mental? É necessário pedir que controlem as emoções para o bem geral e consagrem tempo, energia e dinheiro para a enorme tarefa de salvar a humanidade?

Não me estenderei sobre estes pontos. Nada se ganharia ao repetir, apenas aumentaria a carga da responsabilidade que possam assumir para sua felicidade eterna, ou descartá-la para sua vergonha e consequente reação cármica. Direi somente o seguinte: que se desprendam do egoísmo, do provincianismo e do isolamento. Pensem em termos de uma só humanidade. Que suas vidas contêm na escala do serviço útil e necessário. Abandonem os pensamentos de crítica a outras pessoas, outros povos e outras nações aliadas. Vejam com clareza as questões colocadas por este conflito, e não deixem que nenhum sentimento falso ou ilusório os faça fraquejar ante as Potências do Eixo neste momento crítico e excepcional. A forma ou formas da tirania delas devem ser quebradas e um pagamento feito com toda justiça e discriminação a um mundo ultrajado. Mas as almas que implementaram essa tirania - por duras provas e uma direção espiritual correta - devem ser novamente levadas a caminhar na luz. As crianças das nações do Eixo não devem ser penalizadas pela maldade ou pela fraqueza de seus pais; é preciso educá-las com métodos novos e melhores, e amá-las para que adquiram uma correta compreensão de suas relações.

Durante duas gerações completas deve reinar uma paz inquebrantável, porque por trás dela e protegendo-a, permanecerão os Exércitos do Senhor. Ao término desse período, se o trabalho educativo tiver sido adequado, sadio, criterioso e sólido, os exércitos poderão descansar de seu trabalho, e as espadas se converterem em arados. Se este programa de supervisão, educação e direção espiritual não for cumprido, a guerra que então ocorreria, acabaria com a humanidade - como já aconteceu antes na história humana.

Caberia lembrar aqui uma parábola relatada pelo Cristo há séculos, expressa em termos de visão de futuro e de advertência, a respeito do homem que limpou sua casa, expulsando os demônios. Uma vez varrida e limpa, ficou vazia (símbolo de uma oportunidade não aproveitada e de uma responsabilidade ignorada); e então, conforme expressou o Senhor da Luz, "a situação desse homem ficou pior do que antes”. A varredura e a limpeza vêm acontecendo há cinco longos anos, os estágios finais desse processo de destruição, mas de limpeza, agora estão sendo realizados. O que vem depois, meus irmãos?

Durante anos expus o que desejaríamos que vocês fizessem: acorrer em auxílio ao Novo Grupo de Servidores do Mundo, muito pressionado nesta hora de luta. Difundir a boa vontade na humanidade como um todo; aprender a pensar deliberadamente em termos dessa totalidade; apoiar as atividades que beneficiam a totalidade, e não favoreçam uma nação em particular, mesmo que seja a sua própria. Trabalhar hoje para a vitória e para a aniquilação do mal. Trabalhar amanhã pela justiça e pelo restabelecimento da segurança. Quando houver segurança, reajuste, erradicação dos dirigentes agressores, proteção e restabelecimento dos fracos e oprimidos, além das corretas condições de vida e uma sábia educação para a juventude do mundo, então a paz virá, não antes! Que desapareçam os belos e enfadonhos discursos sobre a paz, e que os métodos sadios de estabelecer a boa vontade e as corretas relações humanas precedam as tratativas de paz. Entre a primeira fase da guerra e esta que estamos vivendo, o mundo mergulhou, por suas palavras, em um estado de sonho, de rapsódia idealista em relação à paz. Que isso não mais aconteça, e impedi-lo é tarefa das pessoas inteligentes e humanitárias.

Faço um último apelo pelo trabalho que deve ser feito nos próximos doze meses (e a ter continuidade nos anos seguintes). Permaneçam com a intenção fixa, implementando a intenção de massa daqueles que não pensam, dos que estão aterrorizados, dos angustiados e fracos. Colaborem com o Novo Grupo de Servidores do Mundo de todos os países. Que as luas cheias de maio e junho constituam pontos elevados de realização espiritual, que poderão condicionar (e condicionarão) a vida e o serviço diário de vocês durante o próximo ano. Que nada os detenha! Nada fará com que o Cristo Se desvie do propósito que Ele determinou. Se o propósito da alma de vocês coincide com o d’Ele, dirijam-se a um campo mais amplo de serviço. Se não sentem nenhuma resposta à necessidade do mundo nem ao chamado a servir, então devem se precaver e procurar um contato mais profundo com a alma e maior relação espiritual. Toda palavra falada ou escrita por um aspirante ou discípulo na hora atual tem um poder definido - para o bem ou para o mal.

Vocês sabem alguma coisa a respeito do Novo Grupo de Servidores do Mundo. O trabalho dos homens e mulheres de boa vontade foi apresentado a vocês, e houve o pedido com toda clareza para que formassem triângulos de luz e de boa vontade. A necessidade de pensar com clareza é evidente. A Hierarquia está pedindo a sua ajuda e apoio na arena dos assuntos mundiais. Coloquei meus planos a vocês. Devem empreender o programa, se assim decidirem. Durante um quarto de século (desde 1919), ensinei a vocês. Agora peço a sua colaboração em nossa mútua responsabilidade - ajudar a humanidade.

Que Aquele a Quem todos amamos e servimos, o Mestre dos Mestres, o imortal Amigo da Humanidade, lance Sua luz sobre o seu caminho e evoque a sua confiança, compreensão e ajuda para a tarefa que Ele empreende - que culmina este ano - de conduzir a humanidade à luz de um novo dia.

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O CICLO DE CONFERÊNCIAS
Março de 1945

Os três meses de março, abril e maio deste ano marcam um momento de grande significado em nossa história planetária. Refiro-me à Lua Cheia da Páscoa, celebrada em 28 de março, à Lua Cheia de Wesak, que este ano cai em 27 de abril, e à Lua Cheia de Junho - a "Excepcional Oportunidade” do Cristo, como foi denominada - que tem lugar em 26 de maio. Do ponto de vista tanto da Hierarquia como da Humanidade, os acontecimentos ocorridos ao longo destas semanas de importância espiritual e mundana (enfocados nos três festivais das Luas cheias de Áries, Touro e Gêmeos), terão efeitos prodigiosos. O que for realizado durante este período pelos membros da Hierarquia espiritual do nosso planeta (que está diante de uma prova importante do seu poder hierárquico, não uma prova do seu amor) o que for feito pelos discípulos que atuam hoje no mundo e também pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo, pode determinar e determinará o destino do homem nos séculos vindouros. Mesmo aqueles que não têm nenhum conhecimento das questões ocultistas nem do destino humano, ou da efetiva iniciativa do livre-arbítrio humano (entendido esotericamente) esperam ansiosamente para ver o que acontecerá e para que meta ou metas serão dirigidos o pensamento e o planejamento dos homens.

As massas humanas de todas as partes têm apenas um desejo - a tranquilidade. Não uso a palavra "paz”, porque tem uma conotação enganosa. Os homens e mulheres que pensam, de todos os países, mantêm-se em intenção de massa, determinados a tomar, se possível, as medidas necessárias para assegurar a paz na Terra, mediante a expressão da boa vontade.

Observem os termos desta frase. Os discípulos ativos do mundo lutam com todos os meios disponíveis para difundir o evangelho do sacrifício, pois somente sobre o sacrifício, a estabilidade mundial pode repousar com toda a segurança, o sacrifício do egoísmo. Estas palavras resumem o chamado que se faz àqueles que têm a responsabilidade de determinar a política (nacional ou internacional) e de tomar as medidas que estabelecerão corretas relações humanas. A Hierarquia permanece - não mais vigiando e esperando, mas hoje atuando com uma sabedoria dinâmica e uma decisão coordenada, a fim de fortalecer as mãos dos Seus trabalhadores em todos os campos da atividade humana (político, educacional e religioso) para que possam empreender a correta ação e influenciar corretamente o pensamento humano.

Uma potente atividade de primeiro raio - a atividade da vontade ou propósito - está entrando em ação. O Cristo, como Guia das Forças da Luz, concedeu plenos poderes aos ashrams dos Mestres do Primeiro Raio de Poder, para fortalecer as mãos de todos os discípulos nos campos do governo e da organização política em todas as nações; para iluminar, se possível, as diferentes câmaras legislativas nacionais, por todos os meios necessários, para que a potência de suas palavras, a sabedoria do seu planejamento e a amplidão do seu pensamento, sejam tão eficazes que o "Ciclo de Conferências e de Conselhos”, que os estadistas do mundo agora iniciam, possa ser guiado diretamente (repito, se possível) por Aqueles que, na Câmara do Conselho de Shamballa, sabem qual é a Vontade de Deus. O egoísmo das mentes estreitas nas diferentes câmaras legislativas do mundo deve ser neutralizado de alguma maneira. É este o problema. Pergunto-me se estão aptos a captar o significado deste acontecimento? Ao longo das eras, os estadistas e os governantes responderam, individualmente, de vez em quando, à influência deste Conselho espiritual supremo. Tratava-se, porém, da receptividade individual do discípulo, que trabalhava só e sem ajuda, que devia enfrentar (ou experimentar) a derrota com tanta frequência, ou até com mais frequência, do que a vitória. No planejamento que está acontecendo agora em conexão com os distintos conselhos e conferências internacionais que vocês todos conhecem, o esforço espiritual (pela primeira vez na história humana) é pôr todos eles, como grupos ativos, sob o impacto direto da energia que motiva e atua naquele lugar onde a Vontade de Deus é conhecida e os propósitos da divindade são definidos e projetados. Isto significa que cada uma das futuras conferências mundiais (e haverá muitas) exercerá um efeito maior e mais extenso do que teriam de outra maneira. Significa, porém, que os riscos envolvidos e o choque das mentes serão também bem maiores. Este ponto deve ser mantido em mente ao estudar e ler os relatórios das diversas conferências.

Não se esqueçam de que a energia divina deve exercer impacto nas mentes humanas, mentes que são o único instrumento disponível que - em seu efeito coletivo - pode exprimir a Vontade de Deus; as mentes são necessariamente receptivas aos efeitos estimulantes e energizantes deste impacto, o que suscitará resultados de acordo com o tipo de mente afetada. A resposta será compatível com a qualidade e a intenção dessas mentes. Onde a boa vontade estiver presente e onde houver uma intenção altruísta e um ponto de vista amplo, estas qualidades serão fortalecidas e dotadas de poder; onde imperar o egoísmo, onde o isolacionismo e a separatividade estiverem presentes e onde houver intenção de alcançar fins individuais e nacionais em vez dos propósitos internacionais que beneficiarão toda a humanidade, essas qualidades serão igualmente reforçadas.

Duas conferências muito importantes, mas preliminares, já tiveram lugar, inaugurando assim este novo ciclo de atividade de grupo. A Liga das Nações foi um esforço fracassado - bem intencionado, mas relativamente inútil, como os eventos posteriores demonstraram. Uma destas conferências iniciais foi realizada em Yalta. Ali, três homens, constituindo um triângulo de base, se reuniram com boa vontade para todos e se esforçaram para preparar o terreno para os futuros acontecimentos mundiais.

Todos os verdadeiros movimentos que condicionam longos ciclos nos assuntos mundiais têm no centro um triângulo, no qual a energia pode circular e certos propósitos bem definidos podem ser executados. Pouco se compreende ainda a respeito da natureza da tarefa que cabe ao tipo de homem que trabalha nos grupos e ashrams de primeiro raio e em cujas mãos repousa, em qualquer momento dado, o destino político do homem. Todo o tema do discipulado foi distorcido pelas definições teológicas, baseadas no caráter açucarado que com tanta frequência atua singularmente a favor da ineficácia. O longo ciclo de governo eclesiástico distorceu o pensamento humano de modo que a natureza da força e eficácia espirituais é interpretada em termos de religião e na terminologia do igrejismo (eu não disse, do cristianismo), ou na fraseologia de um pacifismo marcado ou um controle dominante, religioso e temporal. O longo governo das várias igrejas acabou. Isso deve ser compreendido. Elas realizaram seu trabalho - que nas primeiras etapas foi muito bom, nas etapas intermediárias necessariamente de consolidação e, na etapa moderna, uma obra cristalizadora e reacionária. O governo das igrejas acabou, mas não os preceitos do cristianismo ou o exemplo do Cristo. Contudo, Ele é responsável por uma apresentação mais nova e eficaz da expressão religiosa. Para isso as igrejas deveriam se preparar, se têm iluminação suficiente para reconhecer esta necessidade, e o esforço Dele para atender a essa necessidade.

Hoje é preciso alcançar um equilíbrio, o que se fará por meio de estadistas iluminados e de uma atividade política que cada vez mais se baseará no bem de toda a humanidade e não no benefício de qualquer nação em particular.

Este equilíbrio não se expressará em termos religiosos nem na assim chamada terminologia espiritual. Ele se expressará mediante o trabalho grupal, as conferências, as ligas de nações, os partidos organizados e a legislação. Tudo isto será resultado de uma intensa atividade dos Mestres e dos seus discípulos do primeiro Raio de Vontade ou Poder. A característica deste trabalho será expressar a vontade-para-o-bem, pois veem o mundo em termos amplos. Talvez para o não iniciado eles pareçam isolados em suas ações e extremamente severos nas decisões que tomam e proclamam ao mundo - irritando os indivíduos de mente curta e aqueles que interpretam a liberdade em termos do seu ponto de vista individual não iluminado. No entanto, trabalham sob uma direção espiritual tanto como qualquer guia religioso e isto será cada vez mais reconhecido. A história justificará suas ações, porque terão dado uma orientação aos assuntos mundiais e ao pensamento humano que resultará em uma percepção mais clara da necessidade. Esta atuação evocará debates e frequentes desacordos, como aconteceu com as decisões do triângulo dos trabalhadores de Yalta. Mas, devido ao seu modo de ser não se ressentem por isso; sabem que os debates desencadeados e as críticas surgidas revelarão a pequenez inerente e os instintos separatistas de seus opositores e - ao mesmo tempo - motivarão a união daqueles que veem por trás da atividade inicial aparentemente arrogante, um esforço para precipitar com clareza os problemas que a humanidade enfrenta. A humanidade poderá assim ser levada a entender. Foram estas coisas que o triângulo em Yalta procurou fazer. Talvez não tenham reconhecido conscientemente como um trabalho que lhes foi solicitado, por conta do seu discipulado, mas atuaram deste modo de maneira automática porque perceberam, com exatidão, a necessidade humana. Estavam e estão travados por sua própria humanidade, que os predispõe a cometer erros, mas se veem muito mais dificultados pelo egoísmo humano, pela cobiça nacional e pelo nível geral do desenvolvimento humano - considerando-se a humanidade como um todo.

Tendo esclarecido as questões tais como eles as veem e tendo fomentado o entusiasmo dos homens de boa vontade do mundo e as críticas violentas daqueles que pensam em termos de partidarismos, nacionalismos e preconceitos, o experimento da conferência na Cidade do México foi empreendido com êxito. Compreendeu-se que havia certa medida de unidade hemisférica com a qual os estadistas podiam contar e assim assentar os fundamentos para a conferência internacional muito mais difícil de São Francisco, a ser realizada no momento de Wesak, a Lua Cheia do Buda. Não por acaso esta conferência se celebra durante os cinco dias da lua cheia de Wesak. Será um momento de suprema dificuldade, durante o qual as Forças da Luz enfrentarão o que denomino de "forças do egoísmo e da separatividade”.

Falando em termos subjetivos, a conferência estará sob a influência direta da Hierarquia. O consequente estímulo, tanto dos aspectos egoístas como dos altruístas, provocará uma considerável potência emocional e mental. Portanto, é essencial que todos os aspirantes e discípulos ponham o peso do seu desenvolvimento espiritual e a luz da sua alma do lado das Forças que procuram fazer planos para o bem da humanidade e que consideram o bem-estar da totalidade muito mais importante do que qualquer situação ou exigência nacional.

Lembrem-se de que as forças do mal continuam potentes, em especial no plano físico e podem atuar por meio de muitos canais. A Alemanha está derrotada, mas continua sendo capaz de um esforço final de destruição e violência. O Japão está a caminho da derrota, mas ainda está poderoso. A hierarquia do mal, no aspecto interno, está sendo afastada pelas Forças da Luz, mas não afrouxou seu arrocho sobre a humanidade. É por causa da ignorância que estas forças podem ainda alcançar muito poder - a ignorância da própria humanidade. As nações e os povos continuam ignorando a verdadeira natureza dos demais; o mundo está cheio de desconfianças e suspeitas. A humanidade, como um todo, pouco sabe sobre a Rússia, por exemplo. A verdadeira significação da sua ideologia é incompreendida devido aos erros iniciais daqueles que dirigiram a revolução; o desregramento dos homens violentos nos primeiros dias da revolução deu à humanidade que observava uma visão errada do que estava acontecendo. Mas estes dias passaram. Tendo vivenciado os fogos do sofrimento e a profunda compreensão, esta grande e complexa nação avançará para uma demonstração de fraternidade, que ainda poderá servir de exemplo para o mundo todo. A China necessita de alfabetização universal; seus cidadãos não conhecem nada das outras nações; em uma volta superior da espiral, a supremacia em educação que caracterizou a oligarquia do saber nos dias da antiga glória da China, caracterizará novamente as massas do seu povo. O grande continente europeu e os povos britânicos ignoram ainda o significado real do hemisfério ocidental e dos Estados Unidos - com sua exuberante juventude. Consideram-nos irritantes, como a sua profunda maturidade e ampla experiência se mostram irritantes para os americanos. Os americanos, tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul, ignoram basicamente a história das nações das quais se originaram, porque enfatizaram a sua história relativamente curta e foram educados sobre um quadro parcial e muitas vezes preconceituoso com relação à cultura europeia e aos objetivos britânicos. Esta ignorância difundida em todo o mundo faz o jogo das forças do mal que - vencidas como estão no plano físico - lutarão mais violentamente contra a boa vontade mundial nos planos da decisão emocional e nos níveis mentais contra as ideologias que beneficiam toda a humanidade.

Os métodos de plano físico resultaram apenas na completa devastação da Europa e o número de vítimas (se incluímos civis, mulheres e crianças), alcança incontáveis milhões; as forças do mal procurarão utilizar agora o temperamento da humanidade como um todo (na sua etapa de desenvolvimento atual) para obstar as Forças da Luz, impedir que haja tranquilidade e compreensão no mundo e retardar o dia da própria derrota definitiva. Esta derrota, quando obtida, deverá incluir os três mundos da evolução humana - mental, emocional e físico. Durante um longo tempo estas forças do mal empregaram a psicologia para alcançar os fins que tinham em vista, e com assombrosos resultados; ainda a utilizam e seguramente aplicarão seus métodos ao máximo. Valem-se da imprensa e do rádio para distorcer o pensamento humano; apresentam meias-verdades, imputam motivações falsas, reacendem antigas ofensas, predizem (com maus presságios) dificuldades iminentes, fomentam antigos preconceitos e ódios e acentuam as diferenças religiosas e nacionais. Apesar de tantos clamores, exigências e propostas de organização, em nenhuma parte a imprensa é verdadeiramente livre, em especial nos Estados Unidos, onde os partidos e os editores ditam a política dos jornais. A principal razão de não existir uma imprensa realmente livre baseia-se em dois fatores: primeiro, a humanidade ainda não se liberou de raciocínios predeterminados, da sua ignorância básica com relação à realidade histórica, às nações e sua psicologia; a humanidade ainda é controlada pelo viés racial e nacional e pelo preconceito. Segundo, o fato de que tudo isto é nutrido e mantido vivo pelas forças do mal, atuando no lado interno dos assuntos humanos e usando principalmente o ângulo psicológico, devido à sua extrema potência. E isto farão cada vez mais, à medida que se aproxima o fim desta guerra planetária; procurarão anular o trabalho da Hierarquia, dificultar as atividades do Novo Grupo de Servidores do Mundo e obscurecer as questões envolvidas, a tal ponto que os homens de boa vontade de todas as partes ficarão confusos e não conseguirão ver os contornos claros da situação real, nem distinguirão entre o verdadeiro e o falso. Lembrem-se, as forças do mal são extremadamente hábeis.

Também é necessário lembrar que, tendo vencido a guerra contra a agressão e a barbárie no plano físico (e está ganha), a humanidade adquiriu agora o direito de levar esta conquista à verdadeira vitória psicológica e mental, e de realizar isso unida e com a ajuda de homens e mulheres iluminados de todos os países - por isto a inauguração deste Ciclo de Conferências e Conselhos. Este ciclo será longo ou curto, de acordo com a liberação da vontade-para-o-bem do mundo espiritual, em resposta à intenção firme dos homens e mulheres de boa vontade de todas as partes.

À medida que o aspecto destruidor da Vontade de Deus se aproxima do cumprimento do propósito divino, a vontade-para-o-bem poderá surgir com clareza e dominar os assuntos humanos. Da imensidão do mal planetário, demonstrado pela destrutiva guerra dos últimos anos (1914-1945), poderá vir um grande e permanente bem; a Hierarquia espiritual está preparada para evocar o bem latente que subjaz no trabalho de destruição realizado, mas isto só pode acontecer se a boa vontade da própria humanidade for empregada com adequada potência invocadora. Se esta boa vontade encontrar uma via de expressão, duas coisas podem acontecer: primeiro, certos poderes e forças podem ser liberados na Terra; ajudarão no esforço dos homens de obter corretas relações humanas, com seu efeito resultante - a paz. Segundo, as forças do mal serão tão contundentemente derrotadas que jamais poderão voltar a infligir tal destruição universal sobre a Terra.

Há alguns anos, disse que a guerra que poderia vir depois desta seria travada no campo das religiões do mundo. No entanto, uma guerra assim não se produzirá em um período similar de extremo massacre e sangue; será travada, sobretudo, com as armas mentais e no mundo do pensamento; envolverá também o aspecto emocional, do ponto de vista do fanatismo idealista. Este fanatismo inerente (que se encontra sempre nos grupos reacionários) lutará contra o aparecimento da futura expressão religiosa e a difusão do esoterismo. Para esta luta se preparam certas igrejas bem organizadas, por meio de seus elementos conservadores (seus elementos mais poderosos). Aqueles que são sensíveis aos novos impactos espirituais estão ainda longe de ser poderosos; o novo enfrenta sempre a suprema dificuldade de substituir e de se sobrepor ao antigo e estabelecido. O fanatismo, as posições teológicas entrincheiradas e o egoísmo materialista estão ativamente organizados nas igrejas de todos os continentes e de todas as denominações. É de esperar que defendam a sua ordem eclesiástica estabelecida, seus ganhos materiais e seu governo temporal, e estão iniciando os preparativos necessários.

A futura luta surgirá dentro das próprias igrejas; será precipitada também pelos elementos iluminados que existem hoje em bom número, que estão aumentando rapidamente em força pelo impacto da necessidade humana. Em seguida se estenderá aos homens e mulheres que pensam, onde quer que estejam, os quais - em rebelde protesto - rejeitaram o igrejismo e a teologia ortodoxa. Não são irreligiosos, mas, pela dor e aflição, aprenderam (sem a ajuda eclesiástica) que os valores espirituais são os únicos que podem salvar a humanidade; que a Hierarquia permanece e que o Cristo - como símbolo da paz e Guia das Forças da Luz - não é uma força insignificante, mas está evocando respostas nos corações dos homens de todas as partes. A verdadeira religião será interpretada em termos de vontade-para-o-bem e sua expressão prática, a boa vontade. As conferências mundiais e os conselhos internacionais futuros darão uma indicação da força desta nova resposta espiritual (por parte da humanidade) às Potestades espirituais ofuscantes, que esperam o chamado invocador da humanidade. Quando este chamado se elevar, estas energias divinas se precipitarão no nível do pensamento e do planejamento dos homens, que se encontrarão então dotados de uma força renovada e da necessária percepção interna que os habilitará a expulsar as forças materialistas entrincheiradas e o poder dos interesses egoístas - unidos para impedir a liberdade humana. Se as conferências que serão realizadas no futuro imediato demonstrarem que a humanidade está realmente se esforçando para estabelecer corretas relações humanas, as forças do mal poderão ser repelidas e as Forças da Luz assumirão o controle.

O problema diante da Hierarquia é como levar adiante estes desejáveis fins sem infringir a liberdade humana de pensamento e de ação. O grande Conselho do reino espiritual, o reino de Deus, está tratando atualmente deste problema; será o tema dos seus debates e decisão final, até meados de junho. Quando o sol começar a se deslocar novamente para o sul, Suas decisões serão tomadas com base no apelo humano. A essa altura, a humanidade terá indicado a força e a natureza de sua boa vontade, terá emitido a "palavra de invocação” - elevando-se até o reino espiritual como uma exalação da própria alma da humanidade; terá expressado em alguma medida sua disposição de se sacrificar, a fim de estabilizar o modo de vida humano e liberar o mundo da separatividade e dos abusos que culminaram nesta guerra, terá pelo menos preparado o caminho para o projeto e o planejamento que o Ciclo de Conferências e Conselhos empreenderá. No que diz respeito à Hierarquia e em resposta à demanda humana (em grau e em tipo, de acordo com a qualidade da demanda), a Hierarquia desempenhará seu papel e ajudará a tornar possível o sonho e a visão que os homens projetam hoje.

Consideremos por um instante o que a Hierarquia está disposta a fazer e o que Seus membros planejarão e formularão durante o Festival de Páscoa neste mês, o Festival de Wesak em abril e o Festival do Cristo em fins de maio. Seria possível dizer que a Hierarquia, em conjunto com o grande Conselho da Vontade de Deus em Shamballa, dividirá Seu trabalho em três partes que regerão cada uma as três fases da futura restauração de um modo de vida humano mais civilizado e culto, em uma volta nova e mais elevada da espiral. Tratará do problema da liberdade espiritual, tal como foi apresentado nas Quatro Liberdades, e do problema das corretas relações humanas, tal como se expressarão por meio das relações internacionais, dos partidos nacionais e dos assuntos humanos em geral. Não me cabe dizer o que a humanidade, por meio de seus estadistas e governantes, planejará realizar nas futuras conferências. Minha tarefa é mobilizar o Novo Grupo de Servidores do Mundo e os homens e mulheres de boa vontade, para que permaneçam como um grande "exército de implacável vontade espiritual” por trás dos que participam nestas conferências e reuniões, capacitando - os a pensar com clareza sobre as questões envolvidas e assim (por meio deste pensamento claro) afetar telepaticamente as mentes dos homens; envolve o emprego de um poder raramente utilizado até agora a favor das iniciativas corretas, embora já bastante utilizado pelos guias materialistas das forças do mal.

A tarefa da Hierarquia é descobrir e chegar aos homens e mulheres esclarecidos de todas as igrejas, dos partidos políticos, das organizações - sociais, econômicas e educativas - para que seu propósito unido seja claro. Isto se fará por intermédio dos discípulos ativos que trabalham no mundo. Assim traçará o caminho para a verdadeira liberdade da humanidade - liberdade que ainda é um sonho e uma esperança, até nos países mais democráticos.

Mas, por trás de toda esta atividade, supervisionada pelos Guias espirituais da raça, mas determinada e implementada pela própria humanidade, estará a atenção concentrada da Hierarquia. Esta tensão espiritual que existe entre Seus Membros é mais poderosa do que qualquer um de vocês possa supor. Uma parte do Seu trabalho preparatório consiste em pôr à disposição certas forças e poderes espirituais que - embora complementares ou suplementares ao esforço auto iniciado da humanidade - farão que este esforço tenha êxito. O que a humanidade tem que fazer agora, e já está fazendo, até certo grau, é chegar a uma correta orientação a respeito dos assuntos humanos.

Portanto, examinemos as três fases do trabalho preparatório que está sendo realizado agora, e procuremos avaliar os resultados, se estas energias e poderes forem liberados por meio do apelo invocador dos homens.

As Forças de Restauração

Antes de tudo, temos a fase, agora em progresso, que culminará na Lua Cheia da Páscoa, consagrada a planejar o afluxo das forças de Restauração. Não interpretem mal estas palavras. A Hierarquia não trata de restaurar a antiga norma, nem o modo de vida de antes da guerra, nem de renovar as teologias (religiosas, políticas e sociais) que regeram no passado e que são em grande parte responsáveis pela guerra. A restauração é de natureza psicológica e dará por resultado a restauração da vontade-de-viver e da vontade-para-o-bem. Em consequência, será fundamental e garantirá a nova civilização e cultura. É algo bem diferente.

As forças de Restauração tratam da visão humana, da integridade humana e das relações humanas que subjazem em todo o problema da fraternidade dos homens. Se estas energias forem liberadas na Terra, inutilizarão os esforços da antiga governança (política, religiosa e educativa) para restaurar o que foi e trazer de volta o que existia antes da guerra. Procurarão neutralizar duas tendências que deverão ser levadas muito a sério ao longo do próximo ciclo de conferências:

1. A tendência de cristalizar, de valorizar o que se foi (esperemos que para sempre) e a superestimar o velho, caduco e, se posso empregar a palavra, estagnado.

2. A tendência à excessiva fatiga e ao colapso total, quando a guerra terminar. Esta tendência se deve ao peso da guerra e à tensão física e psicológica sob os quais a humanidade viveu durante tantos anos.

Nestas duas tendências há um grande perigo para o futuro da raça; a Hierarquia está decidida a neutralizá-las até onde for possível, enquanto as forças do mal estão procurando ardentemente fomentá-las e nutri-las. Há também perigos que os governantes inteligentes da raça reconhecem. Este reconhecimento os fará chegar lentamente às decisões definitivas, porque compreenderão a necessidade de um ciclo de restauração antes de tomar decisões finais e duradouras. Portanto, advogarão por um progresso mais lento e examinarão a situação e as possibilidades futuras com mais cuidado e mais longamente do que desejariam os impacientes.

Estas forças novas e vivas de restauração estão sob a direção e o controle d’Aquele que poderíamos chamar (falando simbolicamente, mas de acordo com os fatos) de O Espírito de Ressurreição. O Espírito de Ressurreição é a Entidade espiritual viva, atuando temporariamente sob a direção do Cristo, que restaurará vivacidade para os objetivos espirituais dos homens e vida para o que Ele projeta; engendrará a vitalidade renovada, necessária para implementar as tendências da Nova Era e guiará a humanidade para fora da caverna escura de morte, isolamento e egoísmo, para a luz de um novo dia. É a vida de ressurreição que será vertida para a humanidade na Páscoa deste ano, em alguma medida, mas que - ao longo dos três próximos períodos de Páscoa - poderá ser vertida em plena medida se os homens e mulheres de boa vontade pensarem claramente, falarem energicamente, demandarem espiritualmente e implementarem os planos internos com inteligência.

Em escala planetária, e não simplesmente no que diz respeito à humanidade, este Espírito de Ressurreição é o adversário, o antagonista do Espírito da Morte. A morte física só ocorre quando a vitalidade psicológica e mental do indivíduo, de uma nação ou da humanidade cai abaixo de certo nível. A Humanidade vem respondendo aos processos da morte nos últimos 150 anos; psicologicamente, a humanidade vem sendo regida pelo egoísmo, e o egoísmo é a poderosa semente da morte - morte material, morte psicológica e morte mental. Temos isso bem demonstrado na nação alemã. Reflitam sobre esta declaração e depois reconheçam que sementes similares e áreas de morte similares (embora em menor grau) existem em todas as nações - mesmo nas nações mais jovens do mundo. Daí a guerra; daí a destruição de todas as vestiduras externas da civilização.

O trabalho do Anjo da Morte, porém, por terrível que possa parecer como se demonstra hoje dia em escala planetária - mas benéfico, como sabemos, em intenção e em propósito - dará lugar ao trabalho do Espírito de Ressurreição.

A Hierarquia está examinando agora o planejamento da atividade desta restauração e ressurreição, já que isto lhe foi transferido, por ela estar mais próxima dos homens do que Aqueles que atuam na Câmara do Conselho em Shamballa. Devemos lembrar que o Espírito de Ressurreição é um membro desse Conselho, e seu Emissário eleito. O Espírito de Ressurreição é na verdade o ‘Sol da Retidão’, Aquele que agora pode surgir ‘com cura em Suas asas’, Aquele que pode levar esta energia doadora-de-vida que neutraliza a morte, a visão que incentiva a vida e a esperança que pode restaurar todas as nações. Na lua cheia de março, que se emita o chamado pelo aparecimento deste Espírito doador-de-vida. Que seja enunciado com tal intensidade que a Hierarquia seja chamada a responder e libere imediatamente a potência deste Espírito nos corações dos homens de todas as partes.

Todas estas forças espirituais, que trabalham neste momento sob a direção do Guia das Forças da Luz, o Cristo, estão em estreita relação, e suas atividades são muito sincronizadas internamente. Em um sentido profundamente oculto, todos trabalham unidos, pois na família humana existem todas as etapas de receptividade. Este tríplice trabalho da Hierarquia prossegue, portanto, simultaneamente do ponto de vista do tempo. As forças de Restauração - em pequena escala - evocam a resposta dos membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo e dos discípulos de todas as partes. À medida que se reforça sua disposição psicológica e que se fortalece sua vontade-de-viver e sua vontade-para-o-bem, um efeito imediato será sentido em ampla escala; o trabalho do Espírito de Ressurreição então se intensificará, e já está fazendo sentir sua presença. Cresce cada vez mais o número de pessoas progressistas, que esperam com mais convicção e coragem, uma organização mundial melhor. O que até agora era uma utopia e um desejo emocional está lentamente cedendo lugar a uma atitude mais prática; seu pensamento claro e sua fixa determinação são muito mais ativos, e os planos projetados de melhor maneira, porque pensamentos e planos se baseiam hoje em fatos. Começam também a reconhecer os fatores e condições que não devem ser restabelecidos, e este ponto é de importância primordial.

Na etapa que agora estamos atravessando, as pessoas receptivas se dividem em três categorias:

O sonhador visionário, aquela pessoa bem-intencionada, mas destituída de senso prático, cujas ideias, planos mundiais e sugestões sobre a futura governança abarrotam os escritórios dos guias mundiais e dos governantes e organizações que procuram uma esquematização prática para o futuro. Seus sonhos e ideias tratam de projetos para os quais o mundo de hoje não está preparado nem estará durante vários milhares de anos. Para eles é fácil apresentar utopias impossíveis, que não têm a menor relação com as necessidades atuais e o que poderia ser possível. Estas pessoas são inúmeras atualmente e representam um nítido obstáculo. Uma visão do impossível não é um tipo de visão que evitará que os povos pereçam. Devido à incapacidade de contrair compromisso e enfrentar as coisas como são, estas pessoas e as que são influenciadas por elas são levadas ao desespero e à desilusão.

As pessoas inteligentes, movidas pelo espírito de boa vontade e pela convicção de que as coisas devem mudar. Muitas vezes vacilam pela magnitude da tarefa a empreender, e isto as leva com frequência a uma das três posições seguintes:

a. Descem ao abismo do pessimismo, baseado em uma capacidade real de sentir o alcance do problema e avaliar os recursos disponíveis. Isto pode levá-los à inatividade.

b. Podem deixar a solução dos problemas aos estadistas competentes, diplomatas e políticos, mantendo-se prontos para ajudá-los quando - e somente quando - uma decisão estiver tomada. Isto leva a transferir a responsabilidade. Contudo, como a guerra envolveu pessoas de todos os países e todas as populações, a reconstrução do mundo deve ser feita na mesma escala.

c. Podem assumir uma responsabilidade, discutir sobre os abusos que devem ser corrigidos, debater sobre os planos propostos e, do seu ângulo particular de visão, se pôr ao trabalho para criar corretas relações humanas, no melhor de sua capacidade. Esta atitude de responsabilidade e a consequente atividade podem levar a erros, porém, o esforço conjunto atenderá a necessidade de ação correta em uma situação crítica, desta vez uma situação crítica mundial.

As pessoas de mentalidade partidária e de tendência nacionalista que se aproveitaram da situação mundial para seus próprios fins imediatos e beneficiaram sua própria nação ou grupo particular. Elas, que existem em todas as nações, têm motivações egoístas; não se preocupam com a humanidade como um todo, nem sentem simpatia nem interesse por nada nem por ninguém, mas apenas por seu próprio partido político e os interesses reacionários de algum grupo nacional. Veem na atual situação mundial uma grande oportunidade para dirigir movimentos que beneficiem um indivíduo, classe ou nação. Assim fazendo, possuem com frequência um amplo domínio nos negócios e são políticos perspicazes, mas tudo que sabem é usado e implementado de maneira a alcançar seus estreitos fins, sem lhes importar o que custe ao resto do mundo. Estas pessoas são, em geral, em grande maioria. Sua atitude causa inevitavelmente dificuldades e prejudica o trabalho de restauração; elas tolhem os que procuram estabelecer para toda a família humana uma forma de vida com mais segurança e uma motivação mais sadia e lúcida nas relações internacionais. São as pessoas a temer na futura conferência de São Francisco. Será preciso observar com cuidado os isolacionistas de todas as nações, particularmente dos Estados Unidos, o idealismo nacional francês e a obsessão de certos fatores sobre fronteiras da raça polonesa, pois essas atitudes podem ser exploradas pelos interesses egoístas e perniciosos que (nos bastidores), procuram impedir que o mundo alcance o equilíbrio que lhe permitirá tranquilidade. No entanto, estes três grupos indicam a exitosa atuação das forças de Restauração, as quais começam experimentalmente seu trabalho e preparam o caminho para uma expressão mais plena das intenções do Espírito de Ressurreição, depois da próxima lua cheia de março e durante os próximos três anos.

As Forças de Esclarecimento

Uma compreensão do que é necessário para a humanidade e uma cuidadosa estimativa do que se deve fazer para atender essa necessidade despertaram nos homens de boa vontade uma capacidade de resposta às forças de Restauração; isto levou a uma demanda insistente para empreender a segunda fase do trabalho hierárquico, fase dirigida às atividades e ao desenvolvimento do espírito de invocação, que levará as Forças de Esclarecimento ao contato com a humanidade e as conduzirá à atividade.

Estas forças podem atuar plenamente e dominar as mentes dos homens até 1949, se os povos do mundo puderem ser organizados para que sustentem, com intenção unida, o tipo de estadista que procura obter o maior bem para o maior número, que vê o mundo como um grande todo interdependente e que se nega a se deixar desviar pelos clamores das pequenas mentes egoístas ou pelas demandas das forças reacionárias que existem em todos os países.

Estas Forças de Esclarecimento estão sempre presentes na Terra em pequena escala, influenciando as mentes do Novo Grupo de Servidores do Mundo, dos servidores que trabalham com altruísmo para a humanidade, e dos pensadores de todas as escolas de pensamento, que atuam em todos os campos do aperfeiçoamento humano; atuam sobre todos aqueles que realmente amam seus semelhantes e por intermédio deles. São incapazes de influenciar as mentes das pessoas egocêntricas e fechadas; pouco podem fazer com o isolacionista separatista; são ineficazes no que diz respeito aos teólogos de todos os grupos - políticos, religiosos ou sociais - pouco podem fazer com o tipo de mente concentrada nos problemas pessoais ou grupais (seu grupo, que expressa suas ideias e trabalha à sua maneira) e que nem eles, nem o grupo, se consideram relacionados com a humanidade inteira.

Hoje, porém, o sofrimento comum e o reconhecimento geral de que as causas da guerra residem no egoísmo e na crueldade inerente, ampliaram grandemente a abordagem dos povos à realidade e à possibilidade, tais como existem hoje.

Os homens da Igreja, os homens do Estado e os governantes de importantes grupos mundiais já admitem o fracasso da sua igreja, do seu corpo legislativo, das suas políticas para viabilizar a ordem e a tranquilidade no mundo. Buscam seriamente novas maneiras de governar, novos e adequados modos de vida, e um método para estabelecer corretas relações humanas. Apresentam um campo de expressão para as Forças de Esclarecimento, e lhes oferecem a oportunidade de mudar o curso do pensamento humano; são mobilizados pelas energias portadoras de luz no planeta, de modo que a sabedoria, a compreensão e a habilidade na ação possam caracterizar as atividades dos homens no futuro imediato.

O organizador destas forças neste momento é o Buda. Ele é o símbolo do esclarecimento, da iluminação. Inumeráveis milhões de pessoas ao longo das eras O reconheceram como Portador de Luz do Alto. Suas Quatro Nobres Verdades expuseram as causas da dificuldade humana e apontaram a cura. Sua mensagem pode ser parafraseada nos seguintes termos: Deixem de se identificar com as coisas materiais; adquiram um exato sentido dos valores espirituais; deixem de considerar as posses e a existência terrestre como de principal importância; sigam o Nobre Caminho Óctuplo, que é o caminho das corretas relações - corretas relações com Deus e entre si - e assim sejam felizes. Os passos deste Caminho são:

Corretos Valores
Correta Aspiração
Correta Palavra
Correta Ação
Correto Modo de Vida
Correto Esforço
Correto Pensamento
Correto Entusiasmo ou verdadeira Felicidade

Sua antiga mensagem é hoje tão nova como quando enunciou Suas palavras na Terra; há uma necessidade imperiosa de que se reconheça a verdade e o valor delas, o que permitirá à humanidade alcançar a liberação, seguindo os "oito modos de vida corretos”. Foi com base nos Seus ensinamentos que o Cristo ergueu a superestrutura da irmandade dos homens, como uma expressão do Amor de Deus. Hoje, ao observar o mundo destruído e devastado, a humanidade tem uma nova oportunidade para rechaçar motivações e filosofia egoístas, materialistas, e iniciar os processos que - de maneira progressiva e gradual - trarão a liberação. Os homens então poderão trilhar o Caminho de Luz que leva de volta à Fonte divina de luz e amor.

O Buda pôde apontar a meta e indicar o Caminho porque Ele havia alcançado a plena iluminação; o Cristo nos deu o exemplo de um Ser que alcançou a mesma meta; o Buda deixou o mundo depois de alcançar a iluminação; o Cristo retornou para nós, proclamando-Se a Luz do Mundo, e nos mostrou que também podíamos aprender a trilhar o Caminho de Luz.

O Buda, cujo Festival se celebra sempre na Lua Cheia de maio (em Touro, que este ano cai na última semana de abril) atua hoje como agente da grande Vida na Qual vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, que é a verdadeira Luz do Mundo, que ilumina o planeta. Refiro-me ao Ancião dos Dias (como é chamado no Antigo Testamento), ao Deus de Amor, a Sanat Kumara, ao Ser eternamente Jovem, Aquele Que mantém todos os homens na vida e Que conduz toda a criação pelo caminho da evolução até sua consumação - consumação da qual não temos a mais mínima ideia. Ano após ano, desde que o Buda alcançou sua meta de iluminação, sempre se fez um esforço para aumentar a afluência de esclarecimento ao mundo e verter a luz da sabedoria, da experiência e da compreensão (como é denominada) nas mentes dos homens. Em cada Lua Cheia de Maio tem sido este o esforço das Forças espirituais que cumprem a Vontade de Deus. Este ano farão um supremo esforço durante os cinco dias da Lua Cheia (25 a 30 de abril), e a conferência de São Francisco será uma prova da eficácia de sua atividade. Peço que se lembrem disso, e rogo que se mobilizem para este fim.

Durante esses cinco dias, um grande triângulo de forças entrará em ação, formando o núcleo por intermédio do qual as Forças de Esclarecimento poderão trabalhar. As três Vidas que controlam as energias que se espera liberar para a iluminação das mentes dos homens são:

1. O Senhor do Mundo, a própria Luz da Vida.

2. O Buda, Senhor da Sabedoria, que traz a Luz espiritual para a Hierarquia, revelando o propósito divino.

3. O Cristo, o Senhor do Amor, que apresenta a demanda da humanidade e atua como Agente de distribuição das Forças de Esclarecimento.

As Forças da Luz rechaçaram as forças do mal e da escuridão no plano físico, e estão levando a guerra a um fim, com a derrota das nações do Eixo.

Porém, outra grande "divisão” dessas forças (se posso empregar simbolicamente um termo militar) está sendo mobilizada, e pode ser levada ao serviço ativo na Lua Cheia de Maio (Touro), se a demanda for suficientemente forte, mentalmente potente e corretamente centrada. Estas Forças atuam inteiramente no nível mental e com as mentes dos homens; sua tarefa é levar ao fim a batalha entre as Forças da Luz e as forças da escuridão - não somente no plano físico, como também pela inauguração de uma era de pensamento correto. Isto dará fim ao ciclo atual de angústia emocional, de agonia, de miragem, de ilusão e de desejos materialistas que formam hoje a pauta da vida dos homens, o que deve ser feito por meio da vontade espiritual se manifestando como iluminação no plano mental e se revelando como sabedoria e habilidade na ação, motivadas pela compreensão amorosa. Estes três aspectos da luz - o esclarecimento mental, a iluminação que a sabedoria confere e a compreensão amorosa - encontram perfeita expressão no Senhor do Mundo (que os ortodoxos chamam de Deus) e em Seus reflexos, o Buda e o Cristo - Aquele que trouxe a iluminação ao mundo e Aquele que demonstrou a realidade do Amor de Deus. Estas três grandes expressões da divindade (uma delas tão divina que só podemos conhecer por intermédio de Seus representantes) podem ser chamadas a uma atividade nova e muito potente, mediante uma invocação correta no momento da Lua Cheia de Touro. Aqueles que podem executar este grande ato de invocação são as pessoas de inclinação espiritual de todas as partes, os estadistas esclarecidos, os guias religiosos e os homens e mulheres de boa vontade, desde que possam permanecer com intenção maciça, em especial durante todo o mês de abril. Sua ajuda também pode ser invocada pela calamitosa necessidade dos homens, mulheres e crianças de todas as partes que não podem expressá-la porque não sabem para onde se dirigir, mas cujo apelo é ouvido e registrado.

O trabalho deles, porém, deve ser enfocado e implementado pela intelligentsia do mundo, que o executará em conjunto com "as pessoas proeminentes que amam a humanidade”, que trabalham nas diversas organizações e nos grupos dedicados ao melhoramento humano e também com indivíduos representativos e altruístas. São eles que devem receber a afluência da "sabedoria iluminada” e da compreensão amorosa; hoje isto pode ser possível de maneira nunca antes conhecida. O êxito do esforço que está sendo planejado espiritualmente depende da capacidade da humanidade de empregar a luz que já possui, a fim de estabelecer corretas relações em suas famílias, suas comunidades, sua nação e no mundo.

Esta questão de estar em posição de receber e depois se tornar agente da iluminação é algo intensamente prático. Espera-se que a resposta seja tão real que constitua uma grande e uniforme atividade, que chegue absolutamente a todas as pessoas que pensam, faça recair a responsabilidade de estabelecer corretas relações humanas nos ombros dos homens e mulheres de boa vontade, e não nos ombros das massas que sofrem, que não pensam e são pouco desenvolvidas - ponto importante a manter em mente. Se as mentes das pessoas que pensam e têm poderes executivos no mundo puderem ser "iluminadas” pelo espírito de sabedoria e de compreensão, elas poderão distribuir essa luz por meio da organização e da legislação esclarecidas, afetando assim o mundo todo. É esta a oportunidade imediata que se apresenta, e quando digo "imediata”, quero falar dos cinco próximos dias do Festival de Wesak. Isto deveria exercer um efeito acentuado na Conferência de São Francisco. Quero falar também dos próximos cinco anos, com os cinco Festivais de Wesak que caem em cinco luas cheias de maio.

Este ano marcará um esforço máximo na longa relação do Buda com a humanidade. Ano após ano, desde que Ele deixou a Terra, tem retornado à humanidade, trazendo luz e bênçãos. Ano após ano, liberou esta luz e ofereceu às Forças de Esclarecimento a oportunidade de fortalecer sua vinculação com as mentes dos homens. O êxito de Seu empenho foi tão grande que propiciou o aumento do conhecimento, a glória da ciência moderna e a difusão da educação que caracterizou os últimos quinhentos anos. O Conhecimento é a marca distintiva da nossa civilização; com frequência o conhecimento foi mal aplicado e consagrado ao egoísmo dos homens, mas foi um fator impessoal aplicado em níveis pessoais; isto deve acabar. Agora outra fase dessa luz pode começar a se demonstrar como resultado do passado e esta fase é Sabedoria. Sabedoria é a aplicação esclarecida do conhecimento nos assuntos humanos por meio do amor. É entendimento, vertendo-se em todas as partes como resultado da experiência.

Portanto, convoco cada um de vocês para um grande serviço de demanda e invocação em favor da humanidade - uma demanda de afluência de luz sobre as decisões dos homens. Pediria a vocês que rogassem e esperassem pelo esclarecimento necessário para aqueles que têm que tomar decisões em nome dos homens de todas as partes. O seu próprio esclarecimento individual nada tem a ver com esta demanda. O que se requer é uma motivação altruísta e é o que deve estar por trás da demanda individual e grupal de vocês. Vocês estão pedindo percepção esclarecida e iluminada para aqueles que têm que guiar o destino de raças, nações e grupos mundiais. Nos ombros deles repousa a responsabilidade de tomar a ação criteriosa, baseada no entendimento mundial, no interesse da cooperação internacional e no estabelecimento de corretas relações humanas.

Durante todo o mês de abril, até primeiro de maio, realizar isto é um dever maior. Para apoio às Forças de Esclarecimento, convoco hoje a todos. Como indivíduos, vocês devem trabalhar por uma mente aberta e receptiva, isenta de preconceitos ou predisposição nacional; como indivíduos, vocês devem pensar em termos mais amplos e em um só mundo e uma só humanidade. O acervo de pensamento correto e a demanda convicta que vocês, que procuram servir ao Cristo, podem lançar em apoio aos homens que legislam para o mundo, pode trazer grandes resultados e liberar as Forças de Esclarecimento de maneira nova e potente.

A concentração no trabalho a fazer é de tanta importância e exigirá atividades tão práticas, que neste momento não escreverei mais. Desejo que a questão imediata fique clara. Depois trataremos das Forças de Reconstrução. Gostaria de encerrar esta mensagem com algumas palavras que escrevi há muitos anos. Elas expressam a atitude e a orientação necessárias:

Peço-lhes que abandonem todos os antagonismos e antipatias, todos os ódios e diferenças raciais, e que procurem pensar em termos de uma só família, uma só Vida e uma só humanidade.

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MENSAGEM DE PÁSCOA

Dia da Páscoa de 1945

Neste dia, trazemos à mente a realidade da Ressurreição - uma ressurreição universal e eternamente recorrente. Gostaria de lhes falar sobre o Cristo e Sua obra como Guia da Hierarquia, da reconstrução que a humanidade deve empreender, e que a Hierarquia procura impulsionar nestes momentos. Um grande período de reconstrução está planejado. As duas palavras em torno das quais me proponho a desenvolver o tema são: Ressurreição e Reconstrução. Será uma reconstrução implementada por Aqueles que conhecem o significado da ressurreição, e envolverá a ressurreição da humanidade por meio da intelligentsia e das pessoas de boa vontade. Esses dois grupos - a Hierarquia e a humanidade - deverão se colocar em relação mais estreita, o que é perfeitamente possível se os servidores do Cristo se derem conta da oportunidade e assumirem suas responsabilidades. Quando emprego a frase "os servidores do Cristo”, refiro-me a todos aqueles que amam seus semelhantes, qualquer que seja seu credo ou religião. Unicamente sobre esta premissa básica podemos fundamentar um futuro pleno de esperança.

Não me importa se aqueles que leem minhas palavras aceitem ou não o ensinamento ocultista de uma Hierarquia espiritual planetária, presidida pelo Cristo, nem se pensam em termos do Cristo e Seus discípulos. O reconhecimento essencial que peço ardentemente é que o grande Grupo de Seres espirituais, que de maneira tão generalizada são reconhecidos por todo o mundo e por todas as grandes religiões seja considerado como ativo. O ponto de vista cristão a respeito do Cristo tem por base o que Ele proclamou para nós há dois mil anos, indicando simbolicamente o caminho que todos os aspirantes devem seguir. Retrata um Cristo em espera, inativo, vivendo em um vago e distante paraíso, "repousando sobre Seus louros”, e praticamente sem fazer nada até o momento em que os filhos dos homens, de todas as raças e credos, O aclamem como Salvador. Isto eles devem fazer como indivíduos e como representantes da igreja cristã organizada. É uma imagem de um Cristo que escuta e observa, movido pela piedade e compaixão, mas que, havendo feito tudo que podia, agora espera que façamos a nossa parte; é também uma imagem d’Aquele que espera para ver o que a humanidade aceitará teologicamente. Na mente estreita do teólogo fundamentalista, o Cristo aparece presidindo um pacífico lugar chamado Céu, ao qual os eleitos são bem-vindos. Ele também é visto enviando para um lugar vago de castigo eterno todos os que são conscientes de sua própria responsabilidade e integridade espiritual, que se recusam a se deixar reunir em igrejas organizadas, ou que atravessam a vida na ociosidade ou na perversidade. A esta vasta multidão (provavelmente a maioria) não chega Seu amor e compaixão, e Seu coração permanece insensível. Parece que Ele não se importa que esses seres sofram por toda a eternidade, ou sejam completamente aniquilados.

Certamente não pode ser assim. Nenhuma destas imagens é exata ou adequada; não são verdadeiras em nenhum sentido da palavra.

Isto foi compreendido pelos pensadores mais inteligentes do mundo. No momento da Lua Cheia de junho (Gêmeos, que se celebra este ano na última semana de maio) uma mensagem diferente deve ser enviada pelas igrejas da cristandade, se esperam atender às necessidades da humanidade e assim ajudar na obra de reconstrução que vem pela frente. Elas não podem deter esta obra, mas as igrejas poderiam ser ignoradas se elas se demonstrassem inaptas a pensar com clareza, e se não se liberassem da estreiteza teológica.

Ressurreição é a nota-chave da natureza, a morte não é. A morte é a antecâmara da Ressurreição. A Ressurreição é a chave para o mundo do significado, e é o tema fundamental de todas as religiões do mundo, passadas, presentes e futuras. A Ressurreição do espírito nos homens, em todas as formas, em todos os reinos é o objetivo do processo de evolução, implica a liberação do materialismo e do egoísmo. Nesta ressurreição, a evolução e a morte são meras etapas preparatórias e bem conhecidas. A nota e a mensagem emitidas pelo Cristo, na última vez que esteve na Terra, foi a Ressurreição, mas a humanidade é tão mórbida e tão envolta na miragem e na ilusão, que a Sua morte não foi compreendida. Em consequência, durante séculos a ênfase recaiu sobre a morte e somente no dia da Páscoa ou nos cemitérios a Ressurreição é aclamada. Isto deve mudar. Permitir que esta situação se perpetue não ajuda na compreensão progressiva das verdades eternas. Atualmente a Hierarquia se dedica a produzir esta mudança, dessa maneira alterando a abordagem da humanidade ao mundo do invisível e das realidades espirituais.

Porém, antes que a Hierarquia pudesse fazer alguma coisa, nossa atual civilização devia morrer. No curso do próximo século o significado da ressurreição se desvelará e a nova era revelará seu verdadeiro significado. O primeiro passo para a humanidade será se desembaraçar da morte de sua civilização, de suas antigas ideias e modos de vida, abandonar seus objetivos materialistas e o egoísmo que a condena, e avançar para a clara luz da ressurreição. Não estou falando em termos simbólicos ou místicos; refiro-me a fatos, fatos tão reais e iminentes como o próximo ciclo de Conferências e fatos para os quais os últimos duzentos anos prepararam a humanidade. Esta preparação culminou na agitação do século XX, e levou aos horrores da guerra mundial, 1914-1945, que acabamos de passar.

O verdadeiro trabalho do Ciclo de Conferências, sobre o qual tratei acima, só terá início em São Francisco, onde se preparará o panorama para os processos que deverão introduzir uma era de relativa tranquilidade; assim, a porta da escura caverna do materialismo será aberta e a pedra do sepulcro, que durante tanto tempo soterrava a humanidade, será removida. Virão em seguida os passos que levarão a uma vida nova e melhor e indicarão a expressão do espírito de ressurreição. Estes fatos (tão próximos a ocorrer) são fatos físicos e assim se revelarão, se os discípulos do mundo reconhecerem o que o Cristo quer, e se os homens e mulheres de boa vontade implementarem uma resposta aos Seus desejos.

Falando em termos simbólicos, o primeiro passo depois do advento do espírito de ressurreição, será similar ao que nos relata a Bíblia. Maria, a mulher de dores, de experiência e de aspiração, simboliza (como sempre no simbolismo do mundo) o materialismo. A humanidade deve exclamar com ela: "Tiraram-me o meu Senhor, e não sei onde o colocaram”. Mas ela disse isso ao próprio Senhor, sem o reconhecer; tendo consciência apenas da sua profunda necessidade e do seu profundo desespero. Assim deve ser novamente. A humanidade - materialista, sofredora, encarando o futuro com desespero e agonia, mas ainda assim cheia de aspiração - deve sair da caverna da matéria para procurar o Cristo, primeiro sem reconhecer nem a Ele nem o trabalho que Ele procura realizar. As igrejas - materialistas, tacanhas e submersas em seus conceitos teológicos, buscando poder político ou posses, enfatizando monumentos de pedra e catedrais, enquanto negligencia "o Templo de Deus, não construído com as mãos, eterno nos Céus” - preocupam-se com os símbolos e não com a realidade. Agora devem reconhecer que o Senhor não está com elas e que também elas devem sair, como Maria, a buscá-Lo novamente. Se assim fizerem, com certeza O encontrarão e voltarão a transmitir Suas mensagens.

O fato da ressurreição será demonstrado nos próximos séculos. O Cristo vivo caminhará entre os homens e os guiará ao Monte da Ascensão. Pentecostes será uma verdade. Todos os homens serão submetidos à maré de inspiração proveniente do alto, e mesmo que falem línguas diferentes, todos se compreenderão.

Dividirei o que tenho a dizer em duas partes:

O trabalho do Cristo hoje.

O futuro trabalho de reconstrução.

Esses dois tópicos exprimem as mesmas ideias básicas e se completam reciprocamente; proclamam o fato de que tudo o que nos concerne verdadeiramente é o que ocorre na Terra, na linha dos anteprojetos que guiam o trabalho do Cristo. (Quando uso as palavras "nos con¬cerne”, refiro-me às reações físicas, emocionais e mentais dos homens). Proclamam o fato de que todo estado de consciência está enraizado na humanidade, e que todos existem aqui e agora, soubessem os homens! Proclamam também a verdade de que o Cristo nunca nos abandonou por um céu distante e nebuloso, mas está sempre ao nosso alcance. Proclamam também que seu interesse, sua árdua tarefa em nosso benefício, e as atividades de Seus discípulos ativos, os Mestres de Sabedoria e os Senhores da Compaixão, estão também entre nós, aqui e agora. Proclamam que não estamos sós, mas que as Forças da Luz e do Esclarecimento estão em constante atividade; que as forças e a sabedoria daqueles que sabem estão se mobilizando para ajudar a humanidade e que nada pode detê-las, nem impedir o contato entre o centro inteligente de aspiração denominado humanidade, e o grupo espiritual interno, a Hierarquia.

O Trabalho do Cristo Hoje

Não se esqueçam de um ponto importante. A própria Hierarquia é resultado da atividade e da aspiração da humanidade. Foi criada pela humanidade. Seus membros são seres humanos que viveram, sofreram, realizaram, fracassaram, tiveram sucesso, suportaram a morte e passaram pela experiência da ressurreição. São da mesma natureza dos que hoje lutam com os processos de desintegração, mas que -de qualquer modo - levam em si a semente da ressurreição. Eles conhecem todos os estados de consciência e todos dominaram. Eles os dominaram como homens, o que garante à humanidade a mesma conquista máxima. Temos a tendência de considerar os membros da Hierarquia como radicalmente diferentes da humanidade, esquecendo que a Hierarquia é uma comunidade de homens que triunfaram, que anteriormente se submeteram aos fogos purificadores da vida diária, trabalharam pela própria salvação como homens e mulheres do mundo, como homens de negócios, maridos e mulheres, fazendeiros e governantes. Portanto, conhecem a vida em todas as fases e graduações. Superaram as experiências da vida. Seu grande Mestre é o Cristo; passaram pelas iniciações do novo nascimento, do batismo, da transfiguração, da crucifixão final e da ressurreição. Porém, continuam sendo homens e só diferem do Cristo pelo fato de que Ele, o primeiro da nossa humanidade a alcançar a divindade, o Primogênito de uma grande família de irmãos (conforme expressa São Paulo), o Mestre dos Mestres e Instrutor de anjos e homens, foi considerado tão puro, tão santo e tão iluminado, que Lhe foi permitido encarnar para nós o grande princípio cósmico do amor. Ele assim revelou para nós, pela primeira vez, a natureza do coração de Deus.

Portanto, estes homens perfeitos existem. São mais do que homens, porque o espírito divino n’Eles registra todos os estados de consciência e percepção - subumana, humana e super-humana. Este desenvolvimento inclusivo Lhes permite trabalhar com os homens, entrar em contato com a humanidade quando é necessário, e saber como guiar seu progresso até as fases da ressurreição.

É desnecessário me estender aqui sobre o mundo que Eles procuram ajudar e salvar. As pessoas que realmente pensam sabem qual é o estado atual da humanidade. Devastação, crucifixão, massacre e morte predominam; tristeza, dor, desilusão e pessimismo condicionam o pensamento e as reações de milhões de seres; enquanto que a triste situação das massas não pensantes e indefesas e irreflexivas alcançou um ponto inconcebível de sofrimento. A ignorância, a falta de compreensão e o egoísmo dos homens de todas as partes, em especial nos países que escaparam dos estragos da guerra, agravam a situação. No entanto, com serenidade e confiança, a Hierarquia está encarando hoje a Sua árdua tarefa.

Gostaria de abordar um dos aspectos do trabalho e da atitude da Hierarquia que pode ser motivo de equívocos entre os que têm visão estreita e (se assim posso descrevê-los), um coração apertado, mas amoroso. Refiro-me à atitude assumida pela Hierarquia durante os anos de guerra. Esta atitude deu lugar a críticas. Permitam-me ser explícito e introduzir a equação tempo. Bem posso fazê-lo, porque pelos meus escritos a posição da Hierarquia foi afirmada e declarada publicamente.

Em 1932 escrevi uma série de folhetos que visavam mobilizar os discípulos do mundo, sob o nome de Novo Grupo de Servidores do Mundo e estimular os homens e mulheres de boa vontade para um esforço final para despertar a humanidade à necessidade de mudança. Procurei instituir uma limpeza doméstica em todo o mundo e estimular os homens a tomarem as medidas necessárias para evitar a guerra - uma guerra que a Hierarquia via cada dia mais próxima. De uma maneira não entendida e não sonhada pelo homem comum, as forças do mal emergiam, poderosamente, de seu antigo covil, com a intenção de descobrir aqueles a quem pudessem moldar e obcecar, e assim levar a humanidade mais rapidamente para o desastre. Em todos os países encontraram mentes receptivas a seus impulsos malignos, e descobriram também que era possível tomar posse de dois países, Japão e Alemanha e - em medida muito menor - da Itália.

A Hierarquia, prevendo isto, tentou neutralizar tais esforços; apelou às pessoas de mente espiritual do mundo; Seu chamado atingiu milhões de seres e culminou em maio de 1936, em um esforço planetário no qual a Grande Invocação foi empregada em vasta escala na maioria dos países do mundo. Durante outros três anos, Sua obra de amor continuou. A Hierarquia lutou para salvar a humanidade e fazer ver aos homens o iminente perigo que pairava sobre eles; procurou deter o egoísmo da humanidade e produzir uma nova orientação aos valores espirituais e, assim, evitar a guerra. Seus esforços fracassaram. Os homens e mulheres de boa vontade e as pessoas de tendência espiritual foram incapazes de apreciar a verdadeira natureza do perigo iminente. Alguns se deram conta e fizeram o quanto puderam; uns poucos trabalharam arduamente, confiando na sabedoria dos que sabiam e a eles pediram ajuda; a maioria se sentiu perturbada e preocupada, mas nenhum deles compreendeu suficientemente o duplo perigo que a humanidade enfrentava: o perigo decorrente do egoísmo e da cobiça do homem, mais o perigo que se acercava da Terra pela intervenção das forças combinadas do mal. Estas forças eram organizadas por seres da mais maligna e exímia experiência; haviam se preparado para obsedar e, finalmente, dominar o negativo povo alemão, regido por um grupo de homens de espírito de tão positivo egoísmo e agressivo materialismo, que facilmente podiam se converter em agentes das forças subjetivas do mal.

Em setembro de 1939 a suprema malignidade desabou sobre a Terra. Como a Hierarquia não podia nem infringiria o livre-arbítrio humano, o mal que a própria humanidade havia engendrado se manifestou, e o mal a que certas nações e indivíduos haviam respondido apareceu e dessa maneira a segunda guerra mundial teve início. Um mal desenfreado tomou posse da Terra, valendo-se das nações do Eixo. Os alemães invadiram a Polônia. Este país foi o receptor do primeiro impacto devido ao seu egoísmo nacional, à supressão das classes inferiores, à exaltação de uma aristocracia de mentalidade fascista e seu ódio aos judeus. As nações Aliadas então começaram lentamente a se organizar sob a inspiração das Forças da Luz. A guerra começou.

Nestas circunstâncias, o que a Hierarquia podia fazer? Foi dada plena oportunidade à humanidade para evitar a descida do mal à manifestação. Líderes e pessoas humanitárias de todos os lugares proclamavam a necessidade de reformas. Qual lado a Hierarquia deveria apoiar e influenciar? Deveria tomar algum partido, ou se manter neutra? Deveria permanecer neutra e assumir a posição de observadora? Deveria se manter acima dos atos da humanidade e aguardar a decisão da batalha a ser travada? Deveria se ajustar às ideias sentimentais do público instruído pela igreja e falar em "Paz, paz” quando não havia paz, e apresentar um aspecto negativo de amor a todos os povos enquanto o ódio avançava desenfreadamente sobre a Terra?

É preciso lembrar que se esta guerra se assemelhasse às outras guerras ocorridas ao longo dos séculos, e se fosse apenas uma luta entre grupos humanos e nações, a Hierarquia teria permanecido à margem do conflito e deixado a humanidade lutar por uma vitória conclusiva com base nos méritos de suas unidades de combate. Porém, desta vez algo mais estava envolvido e a Hierarquia sabia. Esta guerra não foi apenas causada por agressões entre nações, nem pelo ódio entre os expoentes de ideologias antagônicas, mas algo muito mais sério. A Hierarquia sabia que forças extremamente poderosas estavam se aproveitando da estupidez humana a fim de se intrometer nos assuntos humanos, e que poderosos grupos de seres malignos estavam organizados para explorar a situação mundial existente. Sabia também que a combinação do antigo mal com o egoísmo dos homens seria inevitavelmente forte demais, mesmo para as nações Aliadas, se não recebessem ajuda para enfrentar as Potências do Eixo e os Senhores do Mal, que emergiam de seu esconderijo. Portanto, a Hierarquia se posicionou ao lado das Nações Aliadas e fez saber que o tinha feito. Decidido isto, foram tomadas medidas físicas precisas para ajudar as Forças da Luz; homens e líderes foram cuidadosamente escolhidos e discípulos selecionados foram colocados em posições de poder e autoridade. Os dirigentes das nações Aliadas e seus exércitos não são homens sem Deus como os das Potências do Eixo, são homens de retidão, de propósitos espirituais e humanitários e, portanto, capazes de trabalhar - consciente ou inconscientemente - sob a inspiração da Hierarquia. Isto ficou amplamente demonstrado. Em virtude desta decisão da Hierarquia, o Cristo se converteu automaticamente em Guia destas Forças.

O trabalho do Cristo foi grandemente entorpecido pelo sentimentalismo piegas dos cristãos irreflexivos e pelos pacifistas bem-intencionados, mas, em geral, ignorantes. Esses dois grupos teriam sacrificado o futuro da humanidade com métodos temporários de "não ofender”, "ser gentil”, ou de tomar medidas condescendentes. As forças do mal que hoje espreitam o mundo não entendem essas medidas. A proclamação dessas pessoas de que "Deus ama todos os homens” é verdadeira - eternamente e para sempre verdadeira. É um dos fatos inalteráveis da própria existência. Deus ama - sem distinções e independente de raça ou credo. Para esta Grande Vida nada importa, apenas a humanidade e seu aperfeiçoamento, porque da humanidade depende a salvação de todos os reinos da natureza. Porém, tal afirmação (feita em tempo e espaço no que diz respeito ao aspecto forma, e não ao espírito do homem) muitas vezes induz a erro e os incautos tendem a esquecer que o Cristo disse: "Quem não está comigo está contra mim”.

Os homens também falham em perceber a potência do pensamento exercido por Aqueles que trabalham sob o Cristo e regidos por Ele. O pensamento é energia divina pura, impessoal e - como a do Sol - verte-se sobre os dignos e os indignos, a não ser que seja dirigida de maneira definida e deliberada. A Hierarquia se viu diante do problema e da necessidade de evitar que a energia mental, pura e impessoal, chegasse às fileiras dos que lutavam contra as liberdades humanas, porque tal energia estimula as mentes e os processos mentais dos bons, assim como dos maus. Eles neutralizaram este perigo deliberadamente, dirigindo Seu pensa¬mento para as forças que lutavam sob as ordens dos condutores das Nações Aliadas, e assumindo abertamente Sua posição ao lado das corretas relações humanas. Não se atreveram a agir de outra maneira porque - em seu lugar e circunstâncias - os líderes das forças do mal demonstraram ser mais sagazes e calculistas do que os que lutavam a favor da liberdade humana. É esta distinção e decorrente necessidade que alguns pensadores cristãos bondosos e bem-intencionados, mas ignorantes, muitas vezes passam por alto.

O trabalho do Cristo em relação à guerra também foi prejudicado por pessoas de mentalidade comercial, em todas as nações, em especial nos países neutros, que lucraram com a guerra, como também pelos interesses dos "grandes negócios” em muitos países. Neste momento, estes interesses estavam enfocados em certos grupos financeiros em todas as nações poderosas, em especial nos Estados Unidos. O Cristo também foi obstruído por indivíduos que procuravam explorar as dificuldades da humanidade em sofrimento para vantagem financeira própria.

Portanto, quando a guerra estourou e a humanidade decidiu lutar, e as forças do mal se lançaram sobre o nosso planeta, a Hierarquia cessou Seus esforços para trazer a paz por meio da boa vontade e Se colocou abertamente do lado dos que lutavam para fazer retroceder o mal ao seu lugar de origem e para derrotar as nações do Eixo. Devido à decisão que tomou, as pessoas irreflexivas alegaram que as afirmações dos que representam a Hierarquia na Terra eram contraditórias, e que as ações da Hierarquia não eram compatíveis com as ideias já abalizadas de como o amor deveria se demonstrar. Nos últimos cinco anos, os esforços do Cristo e de Seus servidores, os Mestres de Sabedoria, dedicaram-se a esclarecer as verdadeiras questões nas mentes dos homens, a indicar as linhas que a ação correta deveria tomar e a unificar as políticas entre os aliados. Ocuparam-Se de agrupar os homens de boa vontade de todo o mundo, em preparação para o Ciclo de Conferências e os reajustes mundiais que se avizinhavam. Procuraram proteger os que sofriam, organizando métodos de socorro, guiando as mentes dos chefes dos exércitos e incitando a opinião pública a tomar as medidas que, com o tempo, trarão corretas relações humanas. Temporariamente, o povo alemão e o japonês foram deixados à mercê do seu destino e das forças do mal. O presente colapso na Alemanha é testemunha do que o mal pode trazer a quem o segue. Com todos estes métodos para fortalecer as Forças da Luz e livrar a humanidade do mal que desceu sobre ela, a Hierarquia também Se dedicou a linhas de atividades que não podem ser divulgadas, porque dizem respeito à intervenção nas forças subjetivas do mal. Podemos apreciar a potência dessas forças pelo longo período que a guerra durou, e também pelo fato de que duas nações tenham sido capazes de resistir, até há alguns meses, a um mundo inteiro de nações unidas contra elas.

Isto, em si mesmo, é um fato notável e atesta a força do grupo do mal, objetivo e subjetivo - que tentou dominar a humanidade. Se a Hierarquia não tivesse Se colocado do lado das Nações Aliadas e lançado o poder do Seu pensamento na batalha, a vitória estaria ainda muito longe. Hoje já está quase em nossas mãos.

Como já disse, é um erro crer, como alguns, que a principal tendência do trabalho do Cristo se dá por meio das igrejas ou das religiões mundiais. Ele necessariamente trabalha por esse meio quando as condições permitem e há um núcleo vivo de verdadeira espiritualidade nelas, ou quando o clamor invocativo é suficientemente potente para chegar até Ele, que usa todos os canais possíveis pelos quais a consciência do homem pode se expandir e alcançar uma correta orientação. Seria, portanto, mais correto dizer que é como Instrutor do Mundo que Ele atua de maneira consistente e que as Igrejas são apenas um dos canais de ensinamento que emprega. Tudo que ilumina as mentes dos homens, toda disseminação de ideias que tenda a fomentar corretas relações humanas, todos os meios de adquirir verdadeiro conhecimento, todos os métodos de transmutar conhecimento em sabedoria e entendimento, tudo que expande a consciência da humanidade e de todos os estados subumanos de percepção e sensibilidade, tudo que dissipa a miragem e a ilusão, tudo que rompe a cristalização e interrompe as condições estáticas situam-se no âmbito das atividades práticas do departamento da Hierarquia que Ele supervisiona. O Cristo é limitado pela qualidade e alcance da invocação humana, a qual, por sua vez, é condicionada pelo ponto de evolução alcançado.

Na Idade Média da história e períodos anteriores, cabia às igrejas e às escolas de filosofia proverem os principais canais para a atividade do Cristo, mas hoje já não é assim. As Igrejas e a religião organizada bem fariam em se lembrar desse ponto. Agora está havendo um deslocamento de Sua ênfase e atenção para dois novos campos de esforço; primeiro, para o campo da educação mundial e, segundo, para a esfera de implementação inteligente das atividades regidas pelo departamento do governo em seus três aspectos: ofício de governar, ações políticas e legislação. Hoje as pessoas comuns estão despertando para a importância e a responsabilidade do governo; portanto, a Hierarquia se dá conta de que antes que o ciclo da verdadeira democracia (como existe essencialmente e vai se demonstrar com o tempo) possa vir à existência, é absolutamente necessário haver a educação das massas sobre a arte de governar de maneira cooperativa, a estabilização econômica mediante a correta partilha e uma interação política límpida. A longa separação entre religião e política deve terminar; o que pode acontecer agora, graças ao alto nível de inteligência das massas humanas, e ao fato de que a ciência aproximou tanto os homens que o que ocorre em áreas remotas da superfície da Terra desperta o interesse geral em poucos minutos. Tempo e espaço hoje estão anulados.

O Futuro Trabalho de Reconstrução

Fiz referência à Lua Cheia de junho como a "Oportunidade Excepcional do Cristo”. (consulte: O Reaparecimento do Cristo, Capítulo II). O que esta afirmação comporta exatamente, não estou autorizado a dizer, mas posso lançar alguma luz sobre uma de suas fases. Há muito tempo existe uma lenda (e quem pode dizer que não seja um fato?) de que em cada plenilúnio de junho, o Cristo repete e prega novamente, diante do mundo reunido (os corações e as mentes dos homens) o último sermão do Buda, vinculando assim a iluminação completa da era pré-cristã e a sabedoria do Buda, com o ciclo de distribuição da energia do amor, pela qual é responsável.

Este ano, a mensagem do passado e do presente será ampliada, aprimorada e complementada pela enunciação de uma nota, palavra ou tema novos que distinguirão a nova era e caracterizarão a civilização e a cultura próximas. Será a culminação do passado e lançará a semente do futuro. O significado desta declaração reside no fato de que telepaticamente, apoiado por toda a força da Hierarquia, mais a potência d’Aqueles que têm a missão de expressar a Vontade de Deus (que mais tarde deve ser executada pela Hierarquia, dirigida pelo Cristo) o Instrutor do Mundo, por direito próprio, fará certas declarações e formulará certas palavras que criarão o núcleo da forma-pensamento, e apresentará o anteprojeto em torno do qual se desenvolverá a nova era. Para este momento, o pensamento e os projetos dos aspirantes esclarecidos do mundo fizeram - conscientemente, mas sobretudo inconscientemente - uma longa preparação. Com seus esforços, proporcionam o conjunto de substância mental que será afetada pelo próximo pronunciamento. O Cristo lhe dará uma forma adequada para fins da atividade criadora do Novo Grupo de Servidores do Mundo, que atua em todas as nações e em todos os grupos: religiosos, sociais, econômicos e políticos.

Os pronunciamentos do Cristo estarão contidos em certas estrofes, das quais as já dadas são uma pequena parte. Somente Ele pode empregar estas Palavras de Poder da maneira apropriada e com a devida conotação e ênfase. Só é possível dar à humanidade apenas uma paráfrase inadequada de certas frases contidas nesse pronunciamento, e esta paráfrase só poderá ser utilizada depois de terminada a guerra, e não antes. Isto significa que só podem ser utilizadas quando a Alemanha e o Japão estiverem sob o controle completo das Nações Aliadas, através das quais a Hierarquia vem atuando. Isto não quer dizer que será alcançada a paz completa, mas sim o fim de toda a luta agressiva e da resistência organizada, o que trará um período de relativa tranquilidade.

Permanecendo em Seu Próprio Lugar, em um ponto central da Ásia, longe das multidões e do impacto da humanidade, o Cristo abençoará o mundo no momento exato da lua cheia de junho. Em seguida repetirá as últimas palavras do Buda, seu último Sermão, assim como as Bem-aventuranças que pronunciou na Terra, e que foram traduzidas de maneira errada e equivocada - uma tradução baseada na lembrança do que disse, e não ditadas diretamente por Ele. A estas duas Mensagens, o Cristo agregará uma nova, imbuída de poder para o futuro. Esta parte do que Ele disse, na qual os homens podem participar, será usada nos anos que se seguem, em vez das duas estrofes da Grande Invocação que foram empregadas durante nove anos.

Por trás do Cristo, hoje se concentrando com intensidade e se preparando para um grande ato de cooperação espiritual no momento da lua cheia de Gêmeos, encontra-Se a Hierarquia. Junto com Ele, os membros da Hierarquia invocarão um grupo de Forças espirituais, as quais (à falta de um nome melhor), chamaremos de Forças de Reconstrução.

Pediria a vocês que tivessem claramente em suas mentes os três grupos de energias espirituais que - no momento das três luas cheias de abril, maio e junho - serão lançadas à atividade e ajudarão a humanidade em sua tarefa maior de reconstrução de um mundo novo e melhor.

As Forças de Restauração. Atuarão para restabelecer a saúde moral e psicológica, implementando assim a ressurreição da humanidade, fazendo-a sair do ciclo de morte pelo qual estava passando. O principal objetivo é restaurar a condição mental dos homens, levando- os a uma abordagem mais sadia e feliz frente à vida. Estas forças fomentarão o florescimento da nova civilização - que é precisamente o trabalho criador do homem.

As Forças de Esclarecimento. Estas, quando desencadeadas na Terra, produzirão uma clara compreensão do Plano que a Hierarquia deseja implementar, uma revelação dos assuntos envolvidos em sua sequência correta e possível; também darão um senso de proporção ao pensamento humano, além de uma apreciação dos valores espirituais que devem determinar as políticas objetivas. Estas Forças salvarão os benefícios culturais do passado (um passado que está morto e desaparecido e do qual pouco deveria ser restaurado) e implementarão (com base nas diversas culturas formadoras do passado) aquela nova e melhor cultura que será característica da Nova Era.

As Forças de Reconstrução. Introduzirão solenemente uma era de pronunciada atividade criadora e fomentarão a reconstrução do mundo tangível sobre as novas linhas. Implicará na necessidade da destruição total das antigas formas. É este grande grupo de Forças que será posto em movimento pelo Cristo na lua cheia de junho; o foco do trabalho destas forças estará nitidamente no plano físico. Sua tarefa é precipitar e trazer à manifestação aquilo que o trabalho das Forças de Restauração e de Esclarecimento tornaram possível subjetivamente.

Podemos considerar que estas Forças encarnam e afirmam o "novo materialismo”. Trata- se de uma declaração que merece nossa maior atenção. É essencial que tenhamos em mente, ao enfrentarmos as atividades do futuro processo de reconstrução que matéria e substância e a fusão delas em formas vivas, são aspectos da divindade; foi a degradação da matéria para fins egoístas e propósitos separatistas que causou o sofrimento e o fracasso, assim como o mal que caracterizou a carreira da humanidade ao longo das eras, e precipitou esta guerra mundial. Hoje é oferecida à humanidade uma nova oportunidade para construir, sobre linhas mais sólidas e sadias, uma civilização melhor, o sonho de todos aqueles que amam os semelhantes, e para chegar a uma nova habilidade de manejar a substância. Se os homens puderem demonstrar a sabedoria adquirida na criação de uma forma que abrigue o Espírito de Ressurreição e expressar a iluminação obtida pela amarga experiência do passado, a humanidade se levantará novamente.

A oportunidade excepcional com que o Cristo se depara, à medida que a hora solene se aproxima para Ele, é unificar, sintetizar e integrar todas estas forças em uma enorme e potente afluência de energia espiritual. Estas energias implicam as atividades do Espírito de Ressurreição, na inspiração do Buda que, este ano, transmite a força d’Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser e que o próprio Cristo porá em ação, em resposta ao chamado invocador do Novo Grupo de Servidores do Mundo, dos homens de boa vontade e da "intenção unida” das multidões mudas. É essencial que tratemos de compreender a unidade deste esforço hierárquico.

A energia que levará à restauração da aspiração humana, ao correto idealismo e à intenção humanitária determinada são as que distribuem as Forças de Restauração, postas em ação este ano no momento da lua cheia de Páscoa, sob a direção dos Mestres de Sabedoria e sob a supervisão do Cristo. Elas se dedicarão à reorientação da psique humana e às inevitáveis consequências dessa reorientação - a aquisição da visão que ensejará corretas relações humanas. Isto será feito, em grande parte, pelas pessoas espirituais do mundo, os aspirantes, os discípulos ativos e (quando possível) pelas pessoas de orientação espiritual das igrejas e dos grupos humanitários e esotéricos.

Chamei de Forças de Esclarecimento a energia que propiciará uma atividade inteligente e o correto planejamento mental. Quando se manifestar, o Novo Grupo de Servidores do Mundo terá a responsabilidade de dirigi-las. Em seguida, graças aos planos esclarecidos e precisos da intelligentsia do mundo, e dos humanitários relevantes e servidores da raça, será possível estabelecer os princípios espirituais e as corretas relações de cooperação, que devem caracterizar os assuntos humanos no futuro. Se os planos se desenvolverem como desejado, serão diretamente afetados os grandes sistemas de educação, as instituições de difusão mundial, e todos os meios dedicados a educar e dirigir o pensamento público e a moldar a opinião pública.

A energia que chamei de Forças de Reconstrução será de aplicação mais geral, e afetará as massas dos homens pela ação dos homens e mulheres de boa vontade. Indiquei aqui o plano de distribuição das três grandes correntes de energias divinas que entrarão em atividade nos três plenilúnios correntes. Um deles já passou e há dois por vir:

A Energia de Restauração, na lua cheia de abril, o da Páscoa.

A Energia de Esclarecimento, na lua cheia de maio, Wesak.

A Energia de Reconstrução, na lua cheia de junho.

As fontes de inspiração destes agentes espirituais são, primeiramente, o Espírito de Ressurreição (um Ser extraplanetário); a seguir, o Senhor do Mundo, atuando por intermédio do Buda e, finalmente, o próprio Cristo. Os três atuarão por meio da Hierarquia, do Novo Grupo de Servidores do Mundo, e dos homens e mulheres de boa vontade. Tal é o plano geral proposto por Aqueles que - com um propósito espiritual esclarecido - estão hoje preparados para conduzir a humanidade das trevas para a luz, do irreal para o real, e da morte para a imortalidade. A mais antiga das orações chega hoje a ter seu significado espiritual mais profundo. Permitam-me repeti-la na ordem em que hoje adquire significado:

Conduzi-nos, Senhor, da morte para a imortalidade,
Das trevas para a Luz,
Do irreal para o Real.

A beleza desta síntese e a maravilha desta oportunidade certamente se evidenciam à medida que estudamos o que está escrito nestas palavras e consideramos estes aspectos do plano divino. Grandes forças, sob uma poderosa condução espiritual, estão prontas para se precipitar neste mundo de caos, de confusão, de aspiração e de perplexidade. Estes grupos de energias estão prontos para se centrar e se distribuir, e a Hierarquia está mais próxima da humanidade do que nunca. Os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo também estão "atento à direção”, em todos os países, unidos pelo idealismo, pelos objetivos humanitários, pela sensibilidade à impressão espiritual, pelo propósito subjetivo comum, pelo amor aos semelhantes e pela dedicação ao serviço altruísta. Os homens e mulheres de boa vontade estão presentes em todas as partes, dispostos a serem guiados para uma atividade construtiva e a ser agentes (gradualmente treinados e instruídos), a fim de estabelecer o que até agora não existiu verdadeiramente: corretas relações humanas.

Assim, do Ser espiritual mais elevado do nosso planeta, passando por todos os graus de grupos espirituais de homens esclarecidos e perfeitos que atuam do lado interno da vida, até o mundo externo da vida diária, onde servem os homens e mulheres que pensam e amam, sobe a maré da nova vida. O Plano está pronto para ser aplicado e implementado inteligentemente; os trabalhadores ali estão e o poder de trabalhar é adequado à necessidade. Os três plenilúnios que examinamos são simplesmente três pontos no tempo através dos quais a potência necessária deve ser liberada.

O que temos aqui, meus irmãos, é um panorama de possibilidades. Procuro apresentá-lo hoje a vocês devido à necessidade do mundo; é um terreno para uma abordagem sólida e otimista do futuro; temos aqui a certeza de que o mundo pode ser reconstruído, que uma ação construtiva pode ser empreendida com sucesso, que o esclarecimento estará cada vez mais presente e evidente e que a humanidade sairá realmente do seu desditoso passado para entrar em um novo mundo de compreensão, tranquilidade, colaboração e renovado impulso espiritual.

Não será fácil. As energias espirituais que serão liberadas inevitavelmente suscitarão oposição. O egoísmo e o ódio, com seus efeitos secundários de ganância, crueldade e nacionalismo, não morreram nem morrerão por muito tempo. No mundo do pós-guerra, é preciso ignorar estas condições, e o Novo Grupo de Servidores do Mundo e os homens e mulheres de boa vontade devem trabalhar juntos por uma educação mais iluminada, uma vida econômica de cooperação, corretas relações humanas em todos os setores da experiência humana, uma atividade política íntegra, um serviço desinteressado, e uma religião ecumênica que restabeleça o Cristo no lugar que Lhe corresponde nos corações dos homens, o que eliminará a pompa, o materialismo e a política das Igrejas, e unificará a intenção espiritual de todas as religiões nos dois hemisférios. Um imenso programa, mas o número de homens e mulheres esclarecidos também é grande, e o poder de que dispõem assegura o triunfo final do seu idealismo espiritual.

A maior necessidade é pôr todas essas pessoas em relação mais estreita, tomar as medidas necessárias para que compreendam que fazem parte de um grupo de servidores mundiais inteligentes e dirigidos, ao mesmo tempo que são livres para trabalhar à sua maneira, em seu próprio lugar e no campo de serviço escolhido, considerando esta fase do trabalho como complementar a todas as outras e como desenvolvimento do Plano divino, que se origina na Hierarquia de Vidas espirituais. Seu trabalho se desenvolverá conscientemente sob a guia direta do Cristo e de Seus discípulos.

Será necessário haver muita paciência. Serão cometidos erros, haverá períodos de indecisão, de ação ineficaz e de profundo desânimo. Os trabalhadores tenderão a se desesperar e, às vezes, a tarefa parecerá muito difícil e as forças opositoras muito potentes. Mas, por trás da reconstrução a que a humanidade deve fazer frente, encontra-se a potência da inevitável ressurreição, o fluxo constante do pensamento claro que dirige e penetra na consciência da massa e uma certeza crescente de que a humanidade não está só, que os valores espirituais são os únicos valores reais e que a Hierarquia permanece inabalável em Sua força espiritual, firmemente orientada para a salvação do mundo e atuando sempre sob a direção deste Grande Guia divino, mas humano, o Cristo. O Cristo passou por todas as experiências humanas e jamais nos abandonou; com Seus discípulos, os Mestres de Sabedoria, Ele se aproxima cada vez mais da humanidade, década após década. Quando disse na iniciação da Ascensão, "Eis que estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”, não quis exprimir uma ideia vaga e geral de que ajudaria a humanidade de algum lugar distante, chamado "o Trono de Deus no Céu”. Quis dizer, precisamente, que permanecia conosco. A realidade de Sua presença na Terra, em forma física, é conhecida hoje por centenas de milhares de pessoas e, com o tempo, será de milhões.

Portanto, irmãos meus, creiam na realidade do trabalho que devem realizar estas Grandes Potestades espirituais, invocadas durante os plenilúnios de abril, maio e junho. Consagrem-se à tarefa de ajudar a humanidade, de estabelecer boa vontade, de promover corretas relações humanas e de restabelecer a verdadeira perspectiva espiritual, com coragem indomável, uma fé segura e uma firme convicção de que a humanidade não está só.

Que a bênção do Cristo e da Hierarquia se estenda sobre todos os verdadeiros servidores, e que eles permaneçam serenos em meio à luta.

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A GRANDE INVOCAÇÃO

Terceira Estrofe

17 de abril de 1945

À medida que esta catástrofe mundial se aproxima do seu inevitável fim e as Forças da Luz triunfam sobre as forças do mal, abre-se a era de restauração. Para cada um de vocês, indica uma renovada hora de serviço e de atividade. Como prometi , dou a vocês a estrofe final da Grande Invocação. Dei a primeira há cerca de nove anos e a segunda durante o curso da guerra. Pediria que a usassem diariamente, tantas vezes quanto puderem se lembrar; deste modo criarão um pensamento-semente, uma clara forma-pensamento que fará do lançamento desta Invocação entre as massas de homens uma iniciativa bem-sucedida quando chegar o momento oportuno. A hora ainda não chegou.

A Grande Invocação pode ser expressa nas seguintes palavras:

Do ponto de Luz na Mente de Deus
Flua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça à Terra. Do ponto de Amor no Coração de Deus
Flua amor aos corações dos homens.
Que o Cristo volte à Terra.

Do centro onde a vontade de Deus é conhecida
Guie o propósito as pequenas vontades dos homens -
O propósito que os Mestres conhecem e a que servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens
Cumpra-se o Plano de Amor e Luz.
E que ele vede a porta onde mora o mal.

Que a Luz o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.

Foi difícil traduzir, em frases compreensíveis e adequadas, as antiquíssimas formas vocabulares que o Cristo empregará. Referidas formas vocabulares são apenas sete em número e constituirão Sua nova e integral elocução. Só pude dar o significado geral. Nada mais foi possível, mas mesmo nesta forma mais alongada, serão potentes no apelo invocativo se pronunciadas com intensidade mental e propósito ardente. Há dois pontos ressaltados sobre os quais lhes pediria insistir (quando for permitido usar estas frases), e são dois:

1. Que o Cristo retorne à Terra. Este retorno não deve ser entendido em sua conotação usual e seu sentido místico, cristão, bem conhecido. O Cristo jamais deixou a Terra. Refere- se aqui à exteriorização da Hierarquia e seu aparecimento exotérico na Terra. A Hierarquia em certo momento, sob seu Guia, o Cristo, atuará aberta e visivelmente na Terra. Isto acontecerá quando o propósito da vontade divina e o plano que a implementará forem mais bem entendidos e o período de ajuste, de iluminação mundial e de reconstrução tiver feito um progresso real. Este período se inicia na Conferência de São Francisco (daí sua grande importância) e avançará muito lentamente de início. Levará tempo, mas a Hierarquia não pensa em termos de anos nem de ciclos breves (embora longos para a humanidade), mas em termos de eventos e de expansão de consciência.

2. E que se vede a porta onde mora o mal. O selamento das forças do mal, liberadas durante esta guerra, ocorrerá no futuro imediato. Será em breve. O mal a que se fez referência não tem nada a ver com as más tendências, os instintos egoístas e a separatividade que existem nos corações e mentes de seres humanos. Eles têm que superá-los e eliminá-los por si mesmos. Para reduzir à impotência as forças do mal liberadas, que se aproveitaram da situação mundial, que obcecaram o povo alemão e controlaram o povo japonês, e que operaram através da barbárie, do assassinato, do sadismo, da propaganda mentirosa, e que prostituíram a ciência para alcançar seus fins, requer a imposição de um poder além do humano. Ele deve ser invocado e a invocação receberá pronta resposta. Estas potências malignas serão "seladas” ocultamente em seu próprio lugar; o que isto quer dizer exatamente nada tem a ver com a humanidade. Os homens hoje devem aprender as lições do passado, se beneficiar da disciplina da guerra e lidar - cada qual em sua própria vida e comunidade - com as debilidades e os erros aos quais possam ser propensos.

Gostaria de lembrar a vocês o que disse no ano passado com relação à Estrofe final da Invocação.

Estou preparando a apresentação da última estrofe da Grande Invocação para ser amplamente distribuída em todo o mundo. Não é fácil traduzir as palavras desta estrofe em termos que exerçam um apelo geral e que não sejam importantes apenas para os esoteristas convencidos. Pode ser apresentada de tal maneira que as massas e o público em geral sejam impelidos a adotá-la e a utilizá-la amplamente, e o farão em escala relativamente mais ampla que os intuitivos, os de mente espiritual, ou mesmo os homens de boa vontade. Um público muito mais amplo vai compreendê-la. Transmitirei esta estrofe a A.A.B. o mais brevemente possível, o que dependerá dos assuntos mundiais, e do meu entendimento de certo fator de oportunidade esotérica para estabelecer um ciclo de tempo. Se os planos amadurecerem segundo o desejo da Hierarquia, a nova estrofe poderá ser distribuída na lua cheia de junho de 1945, no que diz respeito ao Ocidente, e consideravelmente mais tarde no Oriente. Antes destes pontos estabelecidos no tempo, a estrofe pode ser empregada por todos os membros da escola esotérica, depois que o meu grupo a utilizar durante um mês, contando do momento em que os membros do grupo que vivem mais distantes a tiverem recebido.

Eu me empenho para que esta Invocação seja lançada pelo poder gerado por meu Ashram e por todos vocês afiliados a ele; os Ashrams do Mestre K.H. e o do Mestre M. também estão profundamente comprometidos com este trabalho.

Também lhes pediria que lessem e relessem as duas Instruções que estão recebendo neste momento - uma tratando do Ciclo de Conferências e a outra do Trabalho do Cristo. (O Reaparecimento do Cristo, Capítulo IV). Assimilem seus conteúdos e deixem que o esquema diretor do plano hierárquico tome forma em suas mentes. Em seguida poderão fazer a sua parte para implementá-lo e serão capazes de reconhecer aqueles que, em outros grupos e em diferentes nações, também são uma parte vital do esforço hierárquico.

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A LIBERAÇÃO DA ENERGIA ATÔMICA

9 de agosto de 1945

Gostaria de abordar agora o maior acontecimento espiritual que ocorreu desde que surgiu o quarto reino da natureza, o reino humano. Refiro-me à liberação da energia atômica, como relataram os jornais nesta semana, 6 de agosto de 1945, com relação ao bombardeio no Japão.

Há alguns anos lhes disse que a nova era seria introduzida pelos cientistas do mundo e que a inauguração do reino de Deus na Terra seria anunciada por pesquisas científicas bem- sucedidas. Isto se cumpriu com este primeiro passo da liberação da energia do átomo, e minha profecia se justificou neste crucial ano de nosso Senhor de 1945. Permitam-me fazer um ou dois enunciados a respeito desta descoberta, deixando que vocês façam sua própria aplicação e deduções. Pouco se sabe ainda sobre a verdadeira natureza deste acontecimento e menos ainda se compreende. Certas ideias e pensamentos sugeridos podem ser de real valor aqui, e lhes permitirão ver este estupendo acontecimento em uma melhor perspectiva.

1. A iminência desta "liberação” de energia foi um dos principais fatores subjetivos na precipitação desta última fase da guerra. Esta guerra mundial teve início em 1914, mas sua última e mais importante fase começou em 1939. Até então era uma guerra mundial. Depois desta data, e devido a que as forças do mal se aproveitaram do estado de guerra e beligerância que existia no planeta, começou a verdadeira guerra, envolvendo os três mundos da evolução humana e uma consequente atividade da Hierarquia. A atenção do homem está normalmente enfocada nos aspectos externos da vida. No entanto, todas as grandes descobertas, como as que dizem respeito à astronomia, às leis da natureza ou as que envolvem uma revelação tal como a da radioatividade ou o memorável acontecimento anunciado esta semana referente aos primeiros passos tomados no aproveitamento da energia cósmica, sempre são resultado de uma pressão interna que emana das Forças e Vidas que se encontram nas esferas superiores. Essas pressões internas operam sob as leis do Espírito e não somente sob aquilo que vocês denominam leis naturais; resultam do trabalho impulsionador de certas grandes

Vidas, atuando em conexão com o terceiro aspecto da divindade, o de inteligência ativa, e dizem respeito ao aspecto substância ou matéria da manifestação. Tais atividades são motivadas a partir de Shamballa. Esta atividade é posta em movimento por estas Vidas, atuando em Seu elevado plano, e causa gradualmente uma reação nos distintos departamentos da Hierarquia, em especial naqueles que trabalham sob Mestres do terceiro, quinto e sétimo raios. Oportunamente, discípulos nos níveis físicos de atividade se tornam conscientes da efervescência interna, o que acontece consciente ou inconscientemente. Eles percebem a "impressão” exercida sobre eles e é então que o trabalho científico começa e tem continuidade pelas etapas de experimentação e êxito final.

É preciso lembrar um ponto aqui e é o de que esta fase se aplica tanto à grande Loja Branca como à Loja Negra - uma dedicada à benéfica tarefa de purificação e ajuda a todas as vidas nos três mundos da evolução material e à liberação da alma na forma, e a outra a retardar o processo evolutivo e a cristalizar continuamente as formas materiais que ocultam e velam a anima mundi. Esses dois grupos estiveram profundamente interessados e implicados neste assunto da liberação da energia do átomo e a liberação do seu aspecto interno, mas suas motivações e objetivos eram profundamente diferentes.

2. A iminência desta liberação - inevitável e segundo as diretrizes - produziu uma enorme tensão nos círculos hierárquicos porque (para expressar a ideia coloquialmente) havia uma corrida entre as forças da escuridão e as Forças da Luz para adquirir posse das técnicas imprescindíveis para provocar esta liberação de energia necessária. Se as forças da escuridão tivessem triunfado, e se as potências do Eixo tivessem obtido a posse das fórmulas científicas necessárias, isto teria levado a um sério desastre planetário. A energia liberada teria sido utilizada, antes de tudo, para provocar a completa destruição de tudo que se opunha às forças do mal e depois teria sido degenerada para manter uma civilização cada vez mais materialista e não-idealista. Não era possível confiar este poder à Alemanha, porque todas as suas motivações visavam o mal.

Aqui vocês poderiam recair no tópico religioso mais do que sabido de que o bem inato na humanidade e a divindade inerente no gênero humano teriam triunfado afinal, porque nada pode vencer a tendência universal ao bem. Vocês tendem a se esquecer de que se as forças do mal tivessem os poderes passíveis de destruir a forma nos três mundos em tão vasta escala que as almas de aspirantes e discípulos avançados e as de iniciados procurando encarnar não pudessem vir à expressão externa durante uma crise mundial particular, então o programa de tempo do processo evolutivo seria terrivelmente afetado; a manifestação do reino de Deus seria grandemente retardada (talvez por milênios). Havia chegado o tempo para essa manifestação, e daí a poderosa atividade das forças da escuridão.

Esta tentativa de entravar o progresso planejado foi uma ameaça precisa e indicava um perigo e problema supremos. As forças do mal estiveram mais perto do êxito do que qualquer um de vocês jamais poderia supor. Estiveram tão próximos do êxito em 1942 que, no transcurso de quatro meses, os membros da Hierarquia espiritual fizeram todos os ajustes possíveis para se retirar do contato humano durante um período indefinido e imprevisível. Os planos para um contato mais estreito com o processo evolutivo nos três mundos e o esforço para combinar e fusionar os dois centros divinos, a Hierarquia e a humanidade, em um todo operacional e colaborador pareciam condenados à destruição. Sua fusão teria significado o aparecimento do Reino de Deus na Terra; os obstáculos para esta fusão, devido à ativa tensão das forças da escuridão, pareciam nesse momento insuperáveis; acreditávamos que o homem seria derrotado, devido ao seu egoísmo e mau uso do princípio de livre-arbítrio. Fizemos todos os preparativos para nos retirar, mas ao mesmo tempo lutamos para que a humanidade escolhesse corretamente e visse as coisas com clareza.

A necessidade de retirada foi evitada. Não me é permitido dizer de que maneira, além de lhes expor que os Senhores da Liberação tomaram certas medidas inesperadas. Foram induzidos a fazê-lo devido à potência da invocação da humanidade, empregada conscientemente por todos aqueles que estavam do lado da vontade-para-o-bem e inconscientemente por todos os homens de boa vontade. Devido a estas medidas, os esforços daqueles que lutavam no campo da ciência para estabelecer um verdadeiro conhecimento e corretas relações humanas foram ajudados. A tendência ao poder de saber e de descobrir (uma forma precisa de energia) foi desviada para longe das mentes evocadoras e chamativas daqueles que procuravam destruir o mundo dos homens, o que levou a uma forma de paralisia mental. Os que procuravam acentuar os corretos valores e salvar a humanidade foram simultaneamente estimulados até o ponto de êxito.

Nestas poucas palavras tratei de um estupendo acontecimento mundial e, nestes breves parágrafos, resumi a implantação de uma atividade divina especializada.

3. Quando o sol se deslocou para o norte naquele ano (1942), a grande Loja Branca sabia que a batalha estava ganha. Seus preparativos foram suspensos e os Mestres então se organizaram para um esforço renovado (através dos Seus discípulos) de produzir as condições em que o novo e o que estava em linha com o amoroso propósito divino pudesse avançar livremente. A guerra não foi ganha pela rendição da Alemanha. Isso foi só o resultado externo de eventos internos. A guerra foi ganha pelas Forças da Luz quando a potência mental das forças do mal foi derrotada e a "energia do futuro” foi dirigida ou impelida por Aqueles que buscavam os valores humanos superiores e o bem espiritual da humanidade. Quatro fatores estão por trás do transcendental acontecimento da liberação desta forma de energia atômica, através do meio daquilo que erradamente e sem rigor científico é chamado de "fissão do átomo”. Há outros fatores, mas vocês acharão os quatro seguintes realmente interessantes:

a. Houve uma afluência de energia extraplanetária claramente dirigida e liberada pelos Senhores da Liberação, Aqueles que haviam sido invocados com êxito; pelo impacto desta energia sobre a substância atômica da qual estavam se ocupando os pesquisadores científicos produziram-se mudanças que lhes permitiram alcançar o êxito. Os experimentos levados adiante foram, portanto, subjetivos e objetivos.

b. Um esforço conjunto foi realizado por vários discípulos que estavam trabalhando nos Ashrams de quinto e sétimo raios, o que lhes permitiu impressionar a mente de discípulos menos avançados, do campo científico, e ajudá-los a vencer as dificuldades quase insuperáveis que estavam enfrentando.

c. Houve também um debilitamento da tensão que até então havia conseguido manter a coesão das forças do mal, e uma crescente incapacidade por parte do grupo do mal, que dirigia as potências do Eixo, de superar a fadiga incidental à guerra. Isto provocou, acima de tudo, uma deterioração regular das suas mentes, e depois dos seus cérebros e sistemas nervosos. Nenhum dos homens envolvidos na direção do esforço do Eixo na Europa é hoje psicologicamente normal; todos eles estão sofrendo de alguma forma de deterioração física e isto foi um fator real em sua derrota, embora para vocês talvez seja difícil de compreender. O mesmo não ocorre no caso dos japoneses, cuja constituição psicológica é totalmente diferente, como também seu sistema nervoso; são de qualidade correspondente à quarta raça raiz. Eles serão derrotados, e estão sendo, por medidas de guerra física, pela destruição física do seu potencial de guerra e pela morte do aspecto forma. Esta destruição... e a consequente liberação das almas aprisionadas é um acontecimento necessário; justifica o uso da bomba atômica sobre a população japonesa. O primeiro uso desta energia liberada foi destrutivo, mas lhes recordaria que foi a destruição das formas e não a destruição dos valores espirituais nem a morte do espírito humano - o que era a meta dos esforços do Eixo.

Não se esqueçam de que todo êxito (bom ou mau) depende da manutenção de um ponto de tensão. Este ponto de tensão envolve um enfoque dinâmico de todas as energias mentais, emocionais e físicas em um ponto central de atividade organizada. Diga-se de passagem que este é o objetivo de todo verdadeiro trabalho de meditação. Foi neste ato de tensão que o povo alemão fracassou. Custou-lhes a guerra; a tensão se rompeu, pois o grupo de forças do mal que estava impressionando o negativo povo alemão foi incapaz de alcançar o ponto de tensão que a Hierarquia foi capaz de atingir quando foi reforçada pela ação dos Senhores da Liberação.

d. Outro fator foi o chamado constante, invocador, e as orações (articuladas ou mudas) da própria humanidade. Os homens impelidos em grande parte pelo medo e pela inata mobilização do espírito humano contra a escravidão, alcançaram tal pico de energia invocadora que foi criado um canal, facilitando grandemente o trabalho da Hierarquia, sob a influência direta dos Senhores da Liberação.

4. A liberação da energia do átomo está ainda em uma etapa extremamente embrionária; a humanidade pouco sabe sobre o alcance ou a natureza das energias que foram extraídas do átomo e liberadas. Há muitos tipos de átomos constituindo a "substância do mundo”; cada um pode liberar seu próprio tipo de força; este é um dos segredos que a nova era revelará em seu devido momento, mas se fez um começo bom e sólido. Chamaria a atenção de vocês para as palavras "a liberação da energia”. Liberação é a nota-chave da nova era, assim como sempre foi a nota-chave do aspirante espiritualmente orientado. Esta liberação se iniciou com a liberação de um aspecto da matéria e a libertação de algumas das forças da alma dentro do átomo. Isto foi, para a própria matéria, uma grande e potente iniciação, comparável às iniciações que liberam ou libertam as almas dos homens.

Neste processo de iniciação planetária a humanidade conduziu seu trabalho de salvador do mundo para o mundo da substância, e afetou as unidades de vida primárias de que são feitas todas as formas.

5. Agora compreenderão o significado das palavras usadas por tantos de vocês na segunda das Grandes Invocações: A hora de serviço da força salvadora já chegou. Esta "força salvadora” é a energia que a ciência liberou no mundo, primeiro para a destruição daqueles que continuam desafiando (se o fazem) as Forças da Luz trabalhando através das Nações Unidas. Em seguida - à medida que o tempo passar - esta energia liberada introduzirá a nova civilização, o mundo novo e melhor e as condições mais refinadas, mais espirituais. Os sonhos mais elevados daqueles que amam seus semelhantes podem se tornar possibilidades práticas pelo correto uso desta energia liberada, se os valores reais forem ensinados, enfatizados e aplicados na vida diária. A ciência fez com que esta "força salvadora” agora esteja disponível e assim se substanciou a minha profecia anterior.

Como disse mais acima, o primeiro uso desta energia foi a destruição material; isto foi inevitável e desejável; as velhas formas (que obstruíam o bem) tiveram que ser destruídas; a destruição e o desaparecimento do que é mau e indesejável deve preceder sempre a construção do bom e desejável e o surgimento esperado do que é novo e melhor.

O uso construtivo desta energia e seu aproveitamento para o melhoramento da humanidade é seu propósito real; esta energia viva da própria substância, até agora encerrada dentro do átomo e aprisionada nestas formas últimas de vida, pode ser totalmente consagrada para o bem e pode provocar tal revolução dos modos de experiência humana que (deste ângulo) se fará necessária e produzirá uma estrutura mundial econômica inteiramente nova.

Está nas mãos das Nações Unidas proteger esta energia liberada do mau uso e cuidar para que seu poder não seja degradado para fins egoístas e propósitos puramente materiais. Trata- se de uma "força salvadora” e tem em si o poder de reedificação, de reabilitação e de reconstrução. Seu uso correto pode abolir a miséria, trazer conforto civilizado (e não luxo inútil) a todos em nosso planeta; sua expressão em formas de correto viver, se motivadas pelas corretas relações humanas, produzirá beleza, calor, cor, a abolição das atuais formas de doenças, a retirada do gênero humano de todas as atividades que envolvem viver ou trabalhar sob a terra, e porá fim a toda escravidão humana, a toda necessidade de trabalhar ou lutar pelas posses e coisas, e possibilitará um estado de vida que deixará o homem livre para buscar os objetivos mais elevados do Espírito. A degeneração da vida que consiste em trabalhar para obter o mínimo necessário e permitir que uns poucos ricos e privilegiados tenham muito, enquanto outros têm pouco, chegará ao fim. Os homens de todas as partes podem agora ser liberados a um estado de vida que lhes dará lazer e tempo para buscar objetivos espirituais, uma vida cultural mais rica e alcançar uma perspectiva mental mais ampla.

Mas, meus irmãos, certos homens lutarão para evitar isso; os grupos reacionários em cada país não reconhecerão a necessidade, nem desejarão esta estrutura organizacional para o mundo que a liberação da energia cósmica (mesmo nesta pequena escala inicial) pode possibilitar; os interesses adquiridos, os grandes cartéis, trustes e monopólios que controlaram as últimas décadas anteriores a esta guerra mundial, mobilizarão recursos e lutarão até a morte para impedir a extinção de suas fontes de renda; também não permitirão, se puderem evitar, a transferência do controle deste poder ilimitável para as mãos das massas, às quais pertence por direito. Os interesses egoístas entre os grandes acionistas, os bancos e as abastadas igrejas organizadas se oporão a toda mudança, exceto na medida em que os beneficie e traga mais ganhos financeiros aos seus cofres.

Os sinais desta oposição já podem ser vistos nas declarações de certos homens poderosos que hoje estão fomentando um prognóstico sombrio em Londres e em Washington e em outros lugares. O Vaticano, essa abastada e reacionária organização eclesiástica, já expressou sua desaprovação, pois essa Igreja sabe - como sabem todos os interesses adquiridos e endinheirados - que seus dias estão contados, desde que a humanidade governe as suas decisões durante os próximos cinquenta anos pela ideia do maior bem para o maior número. As decisões mundiais devem, portanto, no futuro, se basear em uma firme determinação de promover corretas relações humanas e impedir o controle egoísta, financeiro ou eclesiástico, de qualquer grupo de homens, em qualquer parte, em qualquer país. Cremos que a de¬terminação da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos e do Canadá, que estão de posse dos segredos, siga neste sentido.

Estas poucas sugestões darão a vocês muito material para refletir e uma base real para um pensamento feliz, confiante e progressista. Organizem-se agora para o trabalho de boa vontade. O futuro do mundo está nas mãos dos homens de boa vontade e daqueles que em todas as partes têm um propósito altruísta. Esta liberação da energia finalmente tornará o dinheiro, como o conhecemos, destituído de toda importância; o dinheiro se revelou (devido às limitações do homem) uma fonte de mal, de dissensões e de descontentamentos no mundo. Esta nova energia liberada pode se mostrar uma "força salvadora” para toda a humanidade, suprimindo a pobreza, a feiura, a degradação, a escravidão e o desespero; destruirá os grandes monopólios, acabará com a maldição do trabalho operário e abrirá a porta para a idade de ouro que todos os homens esperam. Nivelará todas as camadas artificiais da sociedade moderna e liberará os homens da constante ansiedade e do penoso trabalho árduo que foram responsáveis por tanta doença e morte. Quando estas condições novas e melhores estiverem estabelecidas, os homens serão então livres para viver e se mover na beleza e para buscar o "Caminho Iluminado”.

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