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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção III - As Forças Que Sustentam o Progresso Evolutivo da Raça - Parte 3
Um Acontecimento Espiritual Iminente
Mensagem Especial de Wesak
A Futura Expressão Religiosa
Os Fatores da Situação Mundial

UM ACONTECIMENTO ESPIRITUAL IMINENTE

Março de 1943

Estamos nos aproximamos do ponto culminante do ano espiritual. É iminente e possível a maior Aproximação de todos os tempos. Muito depende dos aspirantes e discípulos do mundo, em especial daqueles que estão agora em encarnação física. Um significativo contato entre Shamballa e a Hierarquia, para o qual os Iniciados e Mestres se prepararam durante séculos, está em processo de consumação. Dentro de pouco tempo darei mais informações sobre o tema, com a intenção de ancorar na Terra a semente da nova expressão religiosa que, em uma instrução anterior sobre as Grandes Aproximações, indiquei que poderia ser fundada e que conduziria ao real início de uma fé universal que atenderia a necessidade da humanidade durante um longo tempo. Tudo que peço hoje é que comecem desde já uma cuidadosa preparação para o evento iminente no momento da Lua cheia de maio, de modo que as energias então postas em movimento possam ser ajudadas por seu pensamento dirigido, e vocês mesmos possam entrar mais plenamente na corrente da vida que aflui.

No próximo Festival de Wesak e até a lua cheia de junho incluindo os cinco dias depois dessa Lua cheia, peço-lhes que empreguem as duas Invocações (consulte em páginas anteriores), testemunhando assim a fusão da humanidade em um grande grupo invocador. Façam um esforço real para estar presentes e em formação grupal no momento exato da Lua cheia de maio, se sabem qual é, usando ambas as Invocações, com a crença de que estão verbalizando a vontade e o desejo unificados da própria humanidade. Ampliarei isto em minha mensagem de Wesak, mas quero fazer chegar a vocês, tão logo possível, de maneira que meu próprio grupo, em processo de instrução, possa assentar as bases necessárias para o trabalho que deve ser feito.

Estenderei um pouco mais este conceito, assinalando que o clamor invocador da humanidade e da Hierarquia, emitido conjuntamente no momento das Luas Cheias de maio e de junho e, particularmente, no Festival de Wesak, será eficaz se a "luz fria” dos aspirantes e discípulos do mundo e de todos os servidores altruístas, sem importar quem são nem onde se encontram, se unirem com a "clara luz” dos iniciados e daqueles que podem atuar livremente como almas - os Membros da Hierarquia e, em menor grau, todos os discípulos aceitos. É esta a conjunção que se deseja e requer. Essas pessoas são relativamente pouco numerosas, comparadas com a população do mundo, mas como estão enfocadas no "profundo centro” e se caracterizam pela qualidade de fusão e unificação, podem ser enormemente potentes. Em consequência, peço a todos (durante as semanas prévias às Luas cheias de Touro e Gêmeos e nos cinco dias posteriores) que procurem "permanecer sempre no centro” e se esforcem por fusionar a fria luz de suas personalidades com a clara luz de suas almas, a fim de trabalhar eficazmente durante as cinco semanas do período desejado.

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MENSAGEM ESPECIAL DE WESAK

Abril de 1943

Esta comunicação é dirigida aos membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo que podem ser alcançados (há muitos que vocês não conhecem) e aos homens e mulheres de boa vontade de todas as partes. Gostaria de pedir-lhes que a distribuam ao maior número de pessoas possível. Estamos nos aproximando do ponto culminante do ano espiritual e do momento em que o Sol se desloca para o norte. É possível a maior Aproximação de todos os tempos. Muito, porém, depende dos aspirantes e discípulos do mundo neste momento. No ano passado o mundo passou por uma das piores experiências do ponto de vista da dor e da angústia, chegando-se ao ponto do mais agudo sofrimento. No entanto, foi um ano que demonstrou a possibilidade da maior Aproximação espiritual de todos os tempos - Aproximação para a qual os iniciados e Mestres se prepararam durante séculos, e todos os Festivais de Wesak, desde a reunião do Grande Conselho de 1925, foram preparatórios. Em comunicados anteriores me referi às grandes reuniões realizadas em determinados intervalos por Aqueles aos quais foi confiada a direção espiritual do planeta e, particularmente, dos homens. Devem ser admitidos certos fatos, como a aceitação da existência do Cristo para o hemisfério ocidental e do Buda para o hemisfério oriental. Portanto (dada esta aceitação), é muito provável supor que Eles e Seus discípulos devem se consultar, e o fazem, sobre as medidas necessárias para guiar a humanidade pela senda da luz, a senda para Deus. Disto dão testemunho todos os textos sagrados do mundo e os conhecedores espirituais. Não tenho tempo hoje para me estender sobre esta questão. Peço simplesmente que aceitem a hipótese (hipótese que é uma realidade para muitos milhões de pessoas, e um evento comprovado para muitos milhares) de que uma direção espiritual é concedida à humanidade e que, por trás do véu que separa o visível do invisível, encontram-se Aqueles que trabalham determinadamente e, poderia acrescentar, cientificamente, para atender as duras necessidades atuais.

Duas coisas ocupam Sua atenção:

1. A necessidade de pôr fim à luta e ao estado de guerra atual, e assim liberar a humanidade de um passado maligno e abrir a porta para um futuro melhor.

2. A oportunidade de assentar as bases da futura expressão religiosa, que será capaz de atender à necessidade dos homens durante muitos séculos, e para a qual todas as religiões mundiais do passado os prepararam.

São esses, meus irmãos, dois dos objetivos que a Hierarquia tem pela frente neste momento em que se prepara para as Luas Cheias de maio e junho. Será possível organizar as forças e disseminar as energias, no momento da distribuição, de maneira que o bem possa ser evocado? A ação dos homens e mulheres de boa vontade conseguirá evocar um novo ciclo de contato espiritual e de liberação? Será possível unir a vontade-para-o-bem das energias espirituais e a boa vontade da humanidade para produzir as condições que permitirão o funcionamento da nova estruturação visualizada por todos aqueles que verdadeiramente amam seus semelhantes? Será possível adaptar a situação de tal maneira que a nova expressão religiosa do mundo e a nova aproximação da humanidade a Deus sejam trazidas à existência? São essas as importantes perguntas que a Hierarquia está procurando responder atualmente.

O grupo de trabalhadores espirituais entre os quais me encontro está enfrentando dois problemas principais: o da própria guerra, com o efeito de entorpecer e atordoar as massas de todas as partes, e o dos aspirantes e discípulos de todo o mundo. As massas que sofrem poderão "permanecer com intenção unida” e com os olhos dirigidos para Deus para que seu clamor ascenda aos Seus ouvidos? E as pessoas de inclinação espiritual e aqueles que trabalham para a humanidade farão esse supremo esforço (de um "adequado ponto de tensão”) de maneira que a humanidade possa enfocar seu chamado e obter uma resposta das fontes disponíveis mais elevadas? O esforço unido dos dois grupos - um consciente do que está acontecendo, e outro inconsciente - poderá evocar resposta?

Nos momentos de extrema urgência ou de crise, a história do Cristo nos chama a atenção para o fato de que Ele se pôs em contato com Seu Pai no céu. Deus Lhe falou em termos de que O conhecia como Seu filho bem-amado. A estes fatos fundamentais do relato histórico, devemos acrescentar o entendimento de que "como Ele é, assim somos nós neste mundo”, e que o próprio Cristo nos assegurou que Deus era também nosso Pai. Assim se abre a porta das possibilidades. Depois podemos chegar a compreender que em momentos de tensão e urgência humana, de dificuldade e crise, e quando a alma do homem está devidamente desperta até alcançar o ponto necessário de receptividade espiritual (como foi sempre o caso com o Cristo), pode também ocorrer um reconhecimento divino da fonte mais elevada possível que bastará para liberar, emancipar e dar poder para fazer o que é correto, para tomar as medidas exigidas pelo propósito espiritual e, em consequência, progredir no caminho de evolução.

Permitam-me assinalar que quando há atividade grupal no plano físico, há - nos termos da Lei do Equilíbrio e da Ação e Reação - uma atividade espiritual paralela. O mundo dos homens está manifestando hoje uma intensa atividade no mundo material - exércitos que marcham, fábricas que trabalham em turnos nas vinte e quatro horas do dia, abundantes migrações e deportações de pessoas, intensa atividade aérea, trabalho organizado e planejado de centenas de agências humanitárias em todos os países - para mencionar apenas algumas das muitas de atividades. As personalidades dos homens de todas as partes estão envolvidas e eles trabalham sob pressão mental, emocional e fisicamente. O impacto das circunstâncias e dos acontecimentos nunca foi tão potente. Em paralelo a atividade material da humanidade, há um árduo esforço de pensamento construtivo, de idealismo enfocado, de registro nas pessoas de boa vontade e nos discípulos de todas as partes de visão e de aspiração espiritual. Há também a competente atividade espiritual da Hierarquia e dos guias espirituais da humanidade, no lado externo e interno da vida. A isto acrescentemos a atividade expectante (se podemos empregar uma expressão tão paradoxal) do centro de vida onde a vontade de Deus está enfocada.

Há, portanto (em termos de esforço espiritual) os seguintes grupos, que se encontram em todas as partes do mundo, cuja intenção unida consiste em provocar a liberação da humanidade:

1. Os homens e mulheres de boa vontade.

2. Os idealistas, os sonhadores e os visionários de um mundo futuro.

3. As pessoas de mente espiritual, que chamamos de "os aspirantes do mundo”.

4. Os discípulos em todo o planeta.

5. Os membros da Hierarquia espiritual do planeta, em encarnação ou não.

6. Os guardiões da Vontade ou Propósito de Deus, que Se mantêm prontos em Shamballa e escutam o pedido de socorro que se eleva da humanidade.

7. Certas grandes Energias de importância extraplanetária, que se mantêm prontas para intervir, se a invocação espiritual ou a angústia da humanidade atingir a máxima intensidade evocadora.

O problema é como fusionar e mesclar os primeiros cinco grupos, de maneira que o apelo espiritual possa expressar uma demanda de grupo integrada e unida. Somente uma demanda assim unida, enfocando a "intenção unida” do gênero humano, conseguirá evocar uma resposta extraplanetária.

Grande parte desta tarefa de unificação está nas mãos de dois grupos: a Hierarquia planetária e o Novo Grupo de Servidores do Mundo. O trabalho do primeiro grupo pouco tem a ver com a humanidade, porque depende que ela cumpra sua tarefa e assuma plenamente sua responsabilidade. Com o trabalho do Novo Grupo de Servidores do Mundo todos têm muito a ver, e é sobre este trabalho que escrevo agora.

Não perderei tempo definindo o pessoal integrante deste grupo. Basta dizer que todos que amam verdadeiramente seus semelhantes e os servem com sacrifício e compreensão altruísta, compõem este grupo. Junto com o corpo de homens afiliados de boa vontade, os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo devem se preparar agora para um grande ato de serviço no momento das Luas Cheias de maio e junho, e nas semanas que precedem esses momentos.

Os enunciados que vou fazer agora serão tão breves quanto possível, deixando que reflitam sobre os eles e confiando que os compreenderão. O que vou dizer se divide em três partes:

1. O trabalho da Hierarquia no futuro imediato, nos períodos da Lua Cheia.

2. A tarefa do Novo Grupo de Servidores do Mundo nos dias de hoje.

3. A expressão religiosa e seu futuro espiritual.

É necessário que compreendam as possibilidades espirituais imediatas que estão diante da humanidade, se aqueles de vocês dotados de visão e cheios de amor pela humanidade puderem se mostrar à altura da oportunidade imediata. É necessário que captem as medidas preparatórias imediatas que podem tomar em relação a essas possibilidades e que tenham também uma visão dos princípios que devem reger a expressão religiosa, com seus pontos de enfoque essenciais. Não tenho a intenção de postular junto a vocês, como no passado, nem de pedir sua cooperação, seja para servir ou para se sacrificar. Procuro apenas lhes dar informações, deixando que façam a devida aplicação sob o impulso de suas próprias almas.

O Trabalho da Hierarquia no Futuro Imediato

A história passada das relações existentes entre a Hierarquia como um todo e a humanidade como um todo pode se resumir na ideia da realização de certas Grandes Aproximações entre Aqueles que expressam a atitude espiritual e aqueles que são francamente materialistas em sua atitude. Por meio destas Aproximações, a humanidade foi levada (em consciência) cada vez mais para perto dos centros espirituais de amor e vida e foi estimulada a progredir espiritualmente, a despertar a luz interna, a manifestar a consciência crística e a encontrar o Caminho de Luz que leva à divindade. Esta firme tendência na direção de uma crescente relação se enfocou durante todo o registro histórico por meio de certas grandes revelações registradas - o resultado destas Aproximações. Sempre, nos momentos de crise e tensão, o clamor da humanidade evocou resposta da Hierarquia que veio, às vezes rapidamente, às vezes mais devagar, mas sempre inevitavelmente. Na história moderna, duas destas Aproximações são reconhecidas em ampla escala pela humanidade, a saber, aquela que se enfocou na vinda do Buda para a civilização do Oriente, e aquela que se enfocou no Cristo, vindo ao Ocidente. Outra Grande Aproximação é esperada agora, mas a data dependerá da atividade do Novo Grupo de Servidores do Mundo e da tensão espiritual que seja capaz de alcançar.

Um período preparatório importante para esta Aproximação ocorreu em 1936 e muitos de vocês participaram desta preparação; culminou no momento da Lua Cheia de Maio daquele ano com o uso em todo o mundo da primeira Invocação que dei a vocês. Agora, sete anos depois, vem a oportunidade de sustentar o trabalho então iniciado e alcançar resultados que podem liberar correntes de forças espirituais, as quais podem reverter o curso da batalha. Não me refiro aqui à batalha no sentido físico. A guerra, do ângulo físico, já está ganha, embora vários meses possam decorrer até que a vitória no Oriente e no Ocidente seja completamente alcançada. Isto vocês compreendem. Porém - e novamente em paralelo a esta conquista física - deve vir uma vitória espiritual, que poderia ser descrita como a obtenção de uma nova orientação espiritual e uma nova atitude em relação a Deus, para expressar de maneira bem simples.

No inverso, poderia apontar que as razões de certa medida de fracasso em 1936, remonta a duas fontes. Em primeiro lugar, o trabalho teve, comparativamente, tanto êxito, que provocou uma intensa atividade paralela por parte das forças do mal, que foram suficiente¬mente poderosas para dominar temporariamente as forças da Luz e provocar a guerra com seus consequentes horrores.

Além disso, o Novo Grupo de Servidores do Mundo, os homens e mulheres de boa vontade e os aspirantes de todas as partes diminuíram seus esforços, não mantiveram a tensão alcançada, caindo novamente na negligência; o trabalho não teve continuidade, apesar do constante esforço de uns poucos. No entanto, eram demasiado poucos.

Agora volta a se apresentar a oportunidade e a possibilidade de uma grande Aproximação, que pode ser a consumação do trabalho iniciado em 1936. A batalha se iniciou entre as Forças da Luz e as forças do Mal. Para terminar rapidamente e com êxito este estado de guerra, o que deixará a porta amplamente aberta para um mundo melhor, devem ser evocadas as Forças da Vida. Isto absorve hoje a atenção da Hierarquia. Para ajudar neste esforço, o Buda está se preparando, e o Cristo se mantém pronto, enfocando em Si mesmo o desejo da humanidade por essa "vida mais abundante”, que Ele prometeu quando veio entre nós para nos liberar do mal e introduzir o bem. Um dos resultados desta guerra é o fato de que agora a humanidade, como um todo, é capaz de ver e captar com mais clareza do que nunca a natureza do mal. Os homens recuam com horror diante do mal desenfreado, e até mesmo o homem perverso fica chocado e indignado diante da maldade que hoje assombra a Terra. É bom que isto seja compreendido, pois ajudará na necessária reorientação do gênero humano para Deus e para o bem.

Em termos muito simples, digamos que a Hierarquia está se preparando para uma grande Aproximação, que terá dois resultados:

1. Trará uma relação mais estreita entre as grandes Vidas que encarnam a vontade de Deus e são as guardiãs do propósito divino, e aquelas que encarnam o amor de Deus e são os guardiões do Plano imediato para a humanidade. Esta relação pode ser estabelecida no momento da Lua Cheia de Maio, na qual o Buda encarnará em Si mesmo a potente afluência de energia - energia dinâmica da Vontade divina. O Cristo, ao mesmo tempo, encarnará o clamor efusivo e dominante da aspiração espiritual da humanidade, assim como a demanda da Hierarquia pela ajuda necessária neste momento de crise.

2. Instaurará também uma relação mais estreita entre a humanidade e a Hierarquia. No momento da Lua Cheia de junho, o Cristo enfocará em Si mesmo as energias espirituais da Hierarquia, mais a energia que o Buda distribuiu no Festival de Wesak; o Novo Grupo de Servidores enfocará a demanda espiritual de vida e liberação, expressando a "intenção unida” da humanidade.

Se os dois aspectos deste trabalho uno puderem ser executados de maneira satisfatória, uma grande liberação poderá ser promovida. Os Senhores da Liberação poderiam ser invocados com sucesso; o Espírito da Paz poderia aparecer como o "Cavaleiro do Lugar Secreto”, e a nova era de boa vontade (baseada na vontade-para-o-bem) poderia ser inaugurada. Digo "poderia ser”, meus irmãos, porque o êxito de tudo que possa acontecer depende do trabalho realizado por vocês e por todos os homens de boa vontade, pelas pessoas religiosas e de mente espiritual de todas as partes, e pelos aspirantes do mundo durante o sagrado período de maio a junho de 1943 e de 1944.

Em termos esotéricos, o trabalho da Hierarquia consiste em enfocar a divina vontade-para- o-bem na medida em que afeta a humanidade. O trabalho dos homens de mente espiritual é evocar essa vontade-para-o-bem na Terra como a expressão máxima possível de boa vontade. É a boa vontade das massas, enfocada em todas as partes nas Nações Aliadas que estão combatendo pela liberação da humanidade, como também no Novo Grupo de Servidores do Mundo, que é suficiente para invocar a vontade-para-o-bem e somente ela é adequada. Este enunciado é importante e lhes peço que reflitam sobre ele.

Nos últimos seis anos dei duas estrofes de uma Grande Invocação. A primeira foi a seguinte:

Que as forças da Luz tragam iluminação para a humanidade.
Que o espírito de Paz se difunda pelo mundo.
Que o espírito de colaboração una os homens de boa vontade, onde quer que estejam.
Que o esquecimento das ofensas, por parte de todos os homens, seja a tônica desta época.
Que o poder acompanhe os esforços dos Grandes Seres.
Que assim seja, e que sejamos ajudados a cumprir a nossa parte.

Expressou o clamor invocativo normal da humanidade, em grande parte inconsciente. Esta invocação resumia o desejo de paz, boa vontade e cooperação de todos os homens de todas as partes. No geral, se popularizou e foi e ainda é usada muito amplamente. Foi compreendida com facilidade e sua nota dominante era a paz. Foi usada como oração pela maioria e não como uma rogativa complexa como fora a intenção; assim, não se mostrou devidamente eficaz para deter o avanço do mal. Entretanto, preserva a forma que pode evocar e em certo momento evocará o Espírito da Paz. Esta evocação trará à humanidade o estímulo e o desejo ativo de participar da expressão da boa vontade que possibilitará que a paz mundial seja um resultado efetivo da ação judiciosa e do estabelecimento de corretas relações humanas. Assim como o Grande Senhor de Amor e Filho de Deus, o Cristo, usou como Seu veículo de expressão na Terra a forma do Mestre Jesus, da mesma maneira esta grande Vida extraplanetária, o Espírito da Paz, pode, em uma volta mais elevada da espiral, utilizar como veículo de expressão a forma do Cristo, o Príncipe da Paz; deste modo Suas estupendas energias serão atenuadas por meio do Senhor de Amor e postas ao alcance das massas dos homens.

Posteriormente lhes dei outra Estrofe da Invocação, de grande poder, adaptada às condições de guerra - uma guerra que se mostrou inevitável. Esta última Invocação não foi tão popular nem tão fácil de entender e havia uma boa razão para isso. Era uma invocação destinada a evocar as Forças da Vida, assim como a anterior invocava as Forças de Luz e Amor. Só poderia ser usada com êxito por discípulos, pensadores avançados e pela própria Hierarquia. No entanto, foi dada ao público para que se familiarizasse no possível com os conceitos de liberação e vida e em um esforço por ancorar na Terra um novo ponto focal através do qual a vida pudesse afluir. Este esforço não foi totalmente improdutivo.

No momento da Lua Cheia de maio e de junho, será aconselhável usar as duas Invocações e assim fusionar e mesclar em uma só Invocação unida a intenção maciça da humanidade como um todo e do propósito iluminado dos discípulos e da Hierarquia. A fusão destes dois grupos - a Humanidade e a Hierarquia - poderia bastar para emitir uma invocação tão potente que faria prevalecer a vida na Terra em vez da morte, e o amor de Deus desempenharia seu papel ativo na reconstrução dos assuntos do mundo. Se isto puder ser realizado com êxito, duas grandes revelações poderiam ocorrer mais rapidamente:

1. Uma revelação da luz e de compreensão outorgada para toda a humanidade, conduzindo-a ao conhecimento e habilitando os homens a verem a causa da atual catástrofe, pois "nessa luz veremos a Luz”. Nessa luz, a humanidade saberá o que fazer e como retificar os erros passados.

2. Uma revelação da vida, da "vida mais abundante” como o Cristo prometeu quando esteve na Terra, revelação que proporcionará aos pensadores, idealistas, líderes verdadeiros e discípulos que trabalham no mundo de hoje a energia espiritual que leva à atividade correta, à sábia condução e à vida inspirada e inspiradora.

É esta outra das metas que a Hierarquia tem neste momento. É esta a vontade de Deus para a humanidade, e a intenção e o propósito de Shamballa. Quando o propósito massivo dos Guardiões da Vontade de Deus e a intenção unida das almas dos homens puderem se sincronizar, então a grande Aproximação será inevitável e a grande Liberação se seguirá automaticamente.

A Tarefa Atual do Novo Grupo de Servidores do Mundo

A tarefa imediata do Novo Grupo de Servidores do Mundo é enfocar o anseio, a aspiração, o desejo e a intenção da massa da humanidade para produzir a necessária sincronização no momento da Lua Cheia de maio e de junho deste ano, e durante as semanas intermediárias entre a recepção desta comunicação (no que lhes diz respeito) até cerca de primeiro de julho.

Os membros do grupo devem fazer isto pensando com clareza sobre os assuntos correntes, cultivando um espírito de receptividade baseado na vontade de aprender e na disposição de descartar os antigos conceitos e abandonar as ideias fixas, sob o impacto de novas verdades e uma nova inspiração, baseadas também na determinação de reconhecer a qualquer preço a verdade e os desenvolvimentos espirituais que se apresentam.

Portanto, peço a todos que tenham uma mente aberta, redobrem a fé no fato das realidades espirituais, confiem na vontade-para-o-bem do propósito divino, e amem seus semelhantes e - no plano dos assuntos da vida prática - que façam duas coisas: deem continuidade à parte que lhes cabe nesta guerra no plano físico, ajudando as forças armadas das Nações Aliadas para que levem a guerra até o sucesso final, sabendo que há realidades espirituais pelas quais vale a pena morrer, se necessário, e que a guerra contra o mal pode ser travada sem ódio e com propósito justo. Em segundo lugar, façam planos ao mesmo tempo para as medidas práticas que, quando a guerra acabar, serão úteis no período de reconstrução, ajudarão a reabilitar a humanidade e conduzirão a um modo de vida mais sadio, melhor e verdadeiro.

Peço também que tomem as medidas em sua vida individual e em seu ambiente, quando possível, que possam ajudar ao sucesso do trabalho previsto para a Lua Cheia de maio e de junho; que empreguem constantemente as duas invocações, não como prece nem utilizando a energia do desejo, mas como grandes rogativas complexas, usando o poder da vontade, à medida que puderem centrá-lo em um ponto de tensão. No momento da Lua Cheia, reúnam pessoas para um ato de fusão e de colaboração, assim ajudando a humanidade e sustentando, por seu pequeno esforço individual, o da Hierarquia. Peço que reconheçam que, como membro do Novo Grupo de Servidores do Mundo e como pessoas de boa vontade, vocês podem exercer o papel de fator mediador entre a humanidade e a Hierarquia, eliminando a lacuna entre as massas dos homens (aturdidas pelo sofrimento, cegas e inertes aos assuntos superiores) e o grupo espiritual que tão sinceramente procura lhes levar ajuda e vida. Gostaria que usassem nesta tentativa, com todo o poder de que dispõem, a imaginação criadora e que creiam que a sinceridade do seu propósito e o amor de seus corações podem ajudar e ajudarão a tornar possível a grande Aproximação, assim acelerando a Grande Liberação. Gostaria também (a partir do momento em que receberem esta comunicação) que pensassem profundamente sobre o que eu disse e que caminhem silenciosamente na luz de suas almas, que irradiem amor, que possam ver com clareza e, em seguida, quando necessário, que falem aos demais com poder e compreensão.

Finalmente, gostaria que compreendessem que pelo trabalho realizado atualmente e como resultado da Grande Aproximação, poderão ajudar a enfocar, ou ancorar, a expressão religiosa, a religião ecumênica que será fundamentada sobre o passado, consumará o trabalho do Cristo e abrirá uma nova etapa (se posso usar essa expressão) no Caminho da Luz que conduz a Deus.

A Expressão Religiosa no Futuro

Todas as revelações divinas passadas levaram a humanidade ao ponto em que (falando espiritualmente) a divindade essencial do homem é teologicamente reconhecida, a fraternidade do homem e a Paternidade de Deus são ideais reconhecidos e a ciência demonstrou o fato de um propósito em desenvolvimento e a existência de um Agente fundamental e inteligente por trás de todos os fenômenos. Passo a passo, o homem foi conduzido pela oração, a voz do desejo, a adoração, o reconhecimento da deidade, a afirmação da realidade da similitude da natureza humana com a divina, à crença na divindade do homem. A religião ortodoxa acentua a divindade do Cristo, e Ele Mesmo nos disse (e O Novo Testamento o enfatiza em várias passagens) que nós também somos divinos, que todos somos Filhos de Deus e que como Ele é, assim somos nós neste mundo, capazes de fazer coisas ainda maiores do que o Cristo fez, porque Ele nos mostrou como. É este o background religioso do pensamento espiritual no mundo. Portanto, nos baseando nessas verdades, reconhecendo o fato da nossa divindade e a glória de todas as revelações passadas, assim como a promessa ainda mais gloriosa do futuro, podemos começar a compreender que chegou o momento de apresentar uma nova etapa nesta revelação em desenvolvimento. Podemos compreender que aos nossos antigos programas de oração, adoração e afirmação, podemos agregar a nova prática de invocação e evocação, na qual o homem começará a utilizar seu poder divino e a entrar em contato mais estreito com as fontes espirituais de toda a vida.

Esta nova forma da religião una será de fato a Religião das Grandes Aproximações - aproximações entre a humanidade e os grandes Centros espirituais que atuam por trás das cenas, entre grupos de trabalhadores no plano físico e nos três mundos da evolução humana, e grupos espirituais nos planos internos, como os Ashrams dos Mestres e os grupos egoicos com os quais todos os seres humanos estão em relação subjetiva, embora em geral ignorada.

A religião será de Invocação e Evocação, de unir grandes energias espirituais e em seguida atenuá-las para benefício e estímulo das massas. O trabalho a empreender será a distribuição de energia espiritual e a proteção da humanidade das energias e forças para as quais, neste momento específico, não está apta a receber. Uma cuidadosa reflexão demonstrará nos futuros Festivais de Lua Cheia, que estes pensamentos estarão presentes: proteção e liberação do homem e estímulo da humanidade por meio da distribuição e da transferência de energia espiritual, de maneira a tomar as medidas necessárias em um período dado, conduzindo a humanidade das trevas para a luz, da morte para a imortalidade e do irreal para o real.

Portanto, gostaria que agregassem à sua atividade mental e espiritual, o reconhecimento de que estão participando da tarefa de ancorar os princípios básicos da nova expressão religiosa - flor e fruto do passado e esperança do futuro.

Nada mais posso expor sobre esse tema neste momento. Posteriormente elaborarei para vocês os festivais maiores e menores do ano espiritual, à medida que forem gradualmente substituindo os festivais das atuais religiões mundiais do Oriente e do Ocidente. (Consulte: O Reaparecimento do Cristo, Capítulo VI). Muito do que aprenderam e absorveram gradualmente se adaptará, como verão, ao plano espiritual geral. Descobrirão que o ano espiritual se divide em dois períodos (simbolizando espírito e matéria); o período em que o Sol se desloca para o norte e o período em que viaja para o sul. Descobrirão que o mês se divide igualmente em dois períodos, o da lua crescente e o da lua minguante, e também que, no futuro, a ênfase, em todo o mundo, estará no Festival da Páscoa, o Festival do Cristo Ressuscitado; no Festival de Wesak, o Festival do Buda ou da Iluminação; e na Lua Cheia de junho, o Festival de Unificação sustentado pelo Cristo, o Mestre de todos os Mestres e o Instrutor de anjos e homens.

Hoje, porém, procuro concentrar a sua atenção na tarefa imediata de cooperação com a Hierarquia e fortalecê-los para que desempenhem seu papel na salvação do mundo.

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A FUTURA EXPRESSÃO RELIGIOSA

Maio de 1943

Na primeira parte da minha mensagem que levou este título (consulte: O Reaparecimento do Cristo, capítulo VI), tive muito a dizer sobre a forma em que se cristalizaram as grandes religiões do Oriente e do Ocidente e se deterioraram subsequentemente. Portanto, será essencial considerar e apreciar as verdades fundamentais que esta forma conservou, mesmo que as tenha ocultado. Será valioso compreender que, dentro das igrejas, homens de Deus e discípulos do Cristo sempre trabalharam, penaram e sofreram. Constataram as distorções e as interpretações erradas, e foram torturados por isto. Foram entravados pela organização, muitas vezes depreciados pelos teólogos, mas permaneceram simples em meio à erudição. Em sua consciência individual, foram amorosos e universalistas, entre os separatistas e fanáticos. São a glória da igreja - muitas vezes odiados durante a vida, e muitas vezes canonizados depois da morte. Sua glória reside em que testemunham o progresso do homem espiritual, e expressam com plenitude o que há em todo homem evoluído; são a flor da evolução, e os representantes testados de Deus. Na acusação às igrejas, feita anteriormente, não nos esqueçamos dos cristãos que pertencem a elas.

Gostaria de lembrar que escrevo como quem crê nas grandes realidades espirituais, e considera o desenvolvimento do espírito do homem como a evidência inquebrantável da existência "d’Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. Falo como quem acredita no Cristo e O ama, e sabe que Ele é o Mestre de Mestres e o instrutor dos anjos e dos homens. Considero o Cristo como a expressão suprema da divindade na Terra, e conheço a amplitude do Seu trabalho de sacrifício para a humanidade, a maravilha da revelação que trouxe, a iminência do Seu retorno e o encargo que assumirá de direção espiritual do coração de todos os homens. Sei que Ele vem sem prazer os grandes templos de pedra que o homem construiu, enquanto Seu povo carece de uma guia prática ou de uma luz justa em seus assuntos, e sei também que sente, com o coração dolorido, que a simplicidade que ensinou e o Caminho simples para Deus sobre o qual insistiu, desapareceram nas brumas da teologia e nas discussões dos clérigos ao longo dos séculos. Sei que Ele se dá conta de que Suas palavras se perderam nos labirintos das mentes eclesiásticas que as interpretaram, e que o ensinamento simples sobre a Aproximação a Deus foi substituído pela pompa e cerimônias dos complicados rituais.

Resumindo: devido às divergências entre as inúmeras crenças exotéricas, à multiplicidade de seitas e cultos no Oriente e no Ocidente, às discussões dos teólogos sobre as palavras, frases e interpretações, os filhos de Deus - em processo de desenvolvimento - não recebem a ajuda necessária para entrar em contato com o Cristo e Seu grande grupo de discípulos, os guias espirituais da humanidade, nem se esclarece, para aquele que busca, o caminho para o Cristo, a expressão amorosa e viva de Deus. Juntos, os dois grandes Filhos de Deus oferecem à humanidade - um para o Oriente e outro para o Ocidente - uma representação perfeita e completa da Deidade; por Suas vidas e palavras, Eles garantem ao homem as possibilidades sempre latentes no espírito humano.

O Cristo e o Buda esperam hoje que soe a hora. Então, Seu esforço conjunto, mais o chamado invocador de todos os que verdadeiramente sabem e amam, levarão a humanidade à nova revelação que ela espera.

A expressão religiosa deve se basear nas verdades que resistiram às provas dos séculos. Já disse e já enumerei quatro dessas verdades:

1. A realidade de Deus.
2. A relação do homem com Deus.
3. A realidade da Imortalidade e da Persistência Eterna.
4. A Continuidade da Revelação e as Aproximações Divinas.Estas quatro realidades e verdades básicas condicionaram as massas durante eons. Se o homem está infeliz, a razão está principalmente na incapacidade do homem de viver plena e conscientemente estes quatro fundamentos essenciais. Mas já estão tomando forma gradualmente no pensamento humano, e por eles lutam as nações Aliadas.

Outras duas grandes realidades fundamentais são também parte do estado de consciência humano:

5. A realidade da nossa mútua relação, que é uma realidade espiritual fundamental como o próprio Deus, porque está vinculada ao conhecimento de que Ele é nosso Pai.

Chamamos esta relação de "fraternidade” e ela se expressa (ou, deveria dizer, se expressará oportunamente) pela solidariedade humana e pelas corretas relações entre os homens. Para isto trabalhamos, e para esta relação a humanidade avança, apesar da guerra.

6. A realidade do Caminho para Deus. A percepção deste Caminho foi preservada para nós através dos séculos pelos que conheceram Deus, e que o mundo chamou de místicos, ocultistas e santos. Ante os homens que aspiram, abre-se o Caminho. A história da alma humana é a história da busca por esse Caminho e da sua descoberta por aqueles que persistem.
Em toda raça e nação, em todo clima, em todas as partes do mundo e durante o infinito correr do tempo, no passado ilimitado, os homens encontraram o Caminho para Deus, o trilharam e aceitaram suas condições, suportaram suas disciplinas, confiaram em suas realidades, receberam suas recompensas e alcançaram sua meta. Ali, "penetraram na alegria do Senhor”, participaram nos mistérios do reino dos céus, moraram na glória da Divina presença, e depois retornaram aos caminhos dos homens para servir. O testemunho da existência deste Caminho é o tesouro inestimável de todas as grandes religiões, e são testemunhas aqueles que transcenderam todas as formas e todas as teologias e penetraram no mundo do significado que todos os símbolos velam.

Estas verdades são parte de tudo que o passado dá aos homens, são nosso eterno patrimônio. No que diz respeito a elas, não há revelação nova, mas somente participação e compreensão. Estas realidades, adequadas à nossa necessidade e capacidade, em qualquer momento dado, foram divulgadas pelos Instrutores do Mundo. São a estrutura interna da Verdade Una, sobre a qual foram construídas todas as teologias do mundo, incluindo as doutrinas e dogmas cristãos edificados em torno da pessoa do Cristo e Seus ensinamentos.

Vagamente percebida pela consciência humana em evolução paira outra verdade emergente de natureza mais ampla - mais ampla por estar relacionada com o Todo, e não apenas com o homem individual e sua salvação pessoal. É uma extensão da abordagem individual à verdade. Vamos chamá-la de verdade das Grandes Aproximações cíclicas do divino ao humano, da qual todos os Instrutores e Salvadores do mundo foram o símbolo e a garantia. Em certos grandes momentos, ao longo das eras, Deus se aproximou do Seu povo, e a humanidade (cega e inconsciente do seu objetivo) fez ao mesmo tempo grandes esforços para se aproximar de Deus. Da parte de Deus, foi intencional, consciente e deliberado, e da parte do homem foi em grande parte inconsciente, imposto a ele pela tragédia das circunstâncias, pela necessidade desesperada, e pelo impulso dinâmico da alma coletiva. Estas Grandes Aproximações podem ser traçadas ao longo dos séculos, e cada vez que uma delas aconteceu, houve uma compreensão mais clara do propósito divino, uma nova e revigorante revelação, a instituição de uma religião e a emissão de uma nota que produziu uma nova civilização e cultura, ou um novo reconhecimento da relação entre Deus e o homem ou entre o homem e seu irmão.

Uma nova definição de Deus nos foi dada quando o Buda ensinou que Deus é Luz e nos mostrou o caminho da iluminação, e quando o Cristo nos revelou que Deus é Amor, por meio de Sua vida de serviço na Terra. Hoje o aspecto conhecimento da iluminação está sendo compreendido, mas o significado interno do amor só é vagamente percebido. No entanto, a luz e o amor foram revelados ao mundo pelos dois grandes Filhos de Deus, em duas Aproximações. Uma nova Aproximação está a caminho, trazendo-nos a próxima verdade necessária. Nós nos perguntamos: Qual será? Para ela estão preparados aqueles que conhecem e amam a Deus e a seus semelhantes; por ela, as massas dos homens esperam.

A natureza de algumas destas Aproximações foi da maior importância, afetando toda a humanidade; outras, de menor importância, afetando apenas uma parte relativamente pequena do gênero humano, uma nação ou um grupo. Os que vêm como Reveladores do amor de Deus provêm do centro espiritual que o Cristo denominou "o Reino de Deus”. Ali moram os espíritos dos homens justos tornados perfeitos; ali se encontram os guias espirituais da raça, e ali os Executivos espirituais dos planos de Deus vivem, trabalham e supervisionam os assuntos humanos e planetários. Diversos nomes são atribuídos a este reino: a Hierarquia Espiritual, a Morada da Luz, o Centro onde residem os Mestres de Sabedoria, e a Grande Loja Branca. Dali vêm os que atuam como mensageiros da sabedoria de Deus, Guardiões da Verdade, como o Cristo, e Aqueles cuja tarefa é salvar o mundo, transmitir a próxima revelação, e demonstrar a divindade. Todos os textos sagrados do mundo dão testemunho da existência desse centro de energia espiritual. Esta Hierarquia espiritual tem se aproximado regularmente da humanidade, à medida que os homens se tornam mais conscientes da divindade e mais aptos para estabelecer contato com o divino.

Por trás desse centro espiritual de Amor e de Luz se encontra outro centro, para o qual o Ocidente não tem denominação, mas que no Oriente recebe o nome de Shamballa. Talvez o nome ocidental seja Shangri-la, nome que vem sendo reconhecido em todas as partes como representando um centro de felicidade e propósito. Shamballa ou Shangri-la é o lugar onde a vontade de Deus está focalizada, e do qual são dirigidos os propósitos divinos. Ali se decidem os grandes movimentos políticos, o destino das raças e das nações e seu progresso. Do mesmo modo, os movimentos religiosos, os desenvolvimentos culturais e as ideias espirituais são enviadas deste centro hierárquico de Amor e de Luz. As ideologias políticas e sociais, as religiões mundiais, a Vontade e o Amor de Deus, o Propósito da divindade e os planos pelos quais esse propósito é implementado, tudo isto converge para este centro do qual somos parte conscientemente, a humanidade. Há, portanto, três grandes centros espirituais no planeta: Shamballa, a Hierarquia espiritual e a Humanidade.

Há um testemunho bíblico bem preciso para o centro mais elevado de todos, Shamballa. Nos momentos de crise da vida terrena do Cristo, lemos que uma Voz Lhe falou, que Ele escutou a voz do Pai afirmando Sua filiação, e pondo o selo de aprovação sobre Seus atos e Seu trabalho. Nesse momento foi viabilizada uma grande fusão dos dois centros espirituais - a Hierarquia e Shamballa, o Reino de Deus e o mundo do Espírito - e a energia espiritual foi assim liberada na Terra. Cabe lembrar que o trabalho de todos os Salvadores e Instrutores do Mundo é atuar principalmente como distribuidores da energia divina e servir de canal para a força espiritual. Esta afluência de energia se manifesta como o impulso subjacente em uma expressão religiosa do mundo, como o incentivo subjacente em alguma nova ideologia política, ou como o princípio de alguma descoberta científica importante para o desenvolvimento do espírito humano. É assim que as religiões, os governos e as civilizações encontram sua motivação. A história já demonstrou que estes desenvolvimentos resultam do aparecimento e da atividade de algum grande homem em uma etapa avançada de desenvolvimento. Os instru¬tores, salvadores ou fundadores de toda religião provêm da Hierarquia, e possuem um grau muito elevado de desenvolvimento espiritual. Aqueles que comunicam aos homens os propósitos de Deus por meio de novos conceitos ideológicos não são de uma ordem tão elevada, porque o homem não está ainda preparado para uma apresentação mais elevada. O homem ainda tem muito a aprender e dominar, e o desenvolvimento espiritual ultrapassa sempre a expressão externa das relações humanas e da ordem social. Por essa razão as religiões mundiais vêm primeiro e criam as condições que possibilitam o trabalho dos governantes. Os que vêm do centro espiritual de Shamballa são de grande poder, e a linha de Sua influência pode ser traçada em toda a história pelas grandes declarações e pronunciamentos, tais como a Carta Magna, a Declaração da Independência e a Carta do Atlântico. Aqueles que vêm de Shamballa ou da Hierarquia para liberar e guiar a humanidade são evocados pelo desejo e pelo apelo humanos, porque há uma interação espiritual entre a humanidade e a Hierarquia, e entre elas e Shamballa.

Esses Mensageiros encarnam a intenção divina. A resposta da humanidade às Suas mensagens depende da etapa de evolução que o homem alcançou. No início da história da raça estas Aproximações eram realmente raras. Incontáveis eras se passaram entre elas. Hoje, devido ao poder consideravelmente aumentado da mente humana, e à crescente sensibilidade da alma humana aos valores espirituais que se expressam pelas principais ideologias mundiais, estas aproximações do divino ao humano podem ser mais frequentes e adotar uma nova forma. O fato de que o homem está tomando consciência internamente de seu poder espiritual inato e que seu senso de relações está se desenvolvendo, gera de sua parte um esforço - empreendido conscientemente - para um verdadeiro progresso para o bem, o verdadeiro e o belo, apesar da guerra, da agonia e do sofrimento presentes atualmente na Terra. Portanto, foi possível sincronizar a Aproximação do divino ao humano, e instruir as massas sobre a técnica de invocar esta Aproximação. Esta atitude da humanidade levará a uma nova revelação, à nova expressão religiosa, e a novas atitudes na relação do homem com Deus (religião) e do homem com o homem (governo ou relações sociais).

Há duas Aproximações principais na história da raça, e as duas são de tal importância que seria conveniente considerá-las aqui. Elas estão tão distantes na história humana que temos apenas mitos e monumentos para indicar sua ocorrência.

A primeira grande Aproximação do divino ao homem provocou o aparecimento da alma humana e acrescentou um outro reino da natureza aos três então existentes (mineral, vegetal e animal). O reino humano surgiu na Terra.

Passaram-se eons, durante os quais o homem primitivo seguiu evoluindo, até que ocorreu a segunda grande Aproximação, e a Hierarquia espiritual do nosso planeta acercou-se mais da humanidade. A via espiritual para Deus foi aberta para aqueles que pudessem avançar conscientemente, demonstrar absolutamente o espírito crístico, e buscar ardentemente a iluminação e a liberação. O verdadeiro apelo das palavras do Cristo: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” os impulsionou a avançar na luz, a passar pelo portal da iniciação, que leva ao caminho que "brilha cada vez mais até o dia perfeito”. No momento da segunda grande Aproximação, o fato da existência da Hierarquia espiritual, do portal aberto à iniciação, e do Caminho do Sacrifício raiou pela primeira vez na consciência humana. A partir desse momento, os homens encontraram o Caminho, saíram do reino humano para entrar no reino espiritual, transformando sua consciência humana em percepção divina. O reino do homem e o reino de Deus se relacionaram. A religião se tornou um fator de desenvolvimento do espírito humano, e Deus Se aproximou mais dos Seus. Deus transcendente primeiro condicionou o conceito humano da Deidade. Em seguida Deus, como controlador nacional, tomou posse da mente do homem, e apareceu o conceito de Jeová (tal como descreve a dispensação judaica); depois Deus foi visto como o ser humano perfeito, e o Homem-Deus caminhou na Terra na pessoa do Cristo. Hoje vemos que todos os seres humanos, cada vez mais, enfatizam o Deus Imanente. Tais foram os resultados da segunda grande Aproximação, e também os resultados do trabalho dos Salvadores e Instrutores do mundo ao longo das eras, culminando no trabalho do Cristo, que resumiu em Si mesmo o desenvolvimento do passado, e a esperança do futuro.

Agora é possível uma terceira grande Aproximação, que ocorrerá quando a guerra mundial terminar e o homem - purificado pelo fogo e pelo sofrimento - puser a casa em ordem e, portanto, estiver preparado para uma nova revelação. Para esta futura revelação o trabalho do Buda e do Cristo foi preparatório. Eles encarnaram em Si mesmos duas Aproximações menores e, por meio de Seus esforços unidos, toda a humanidade foi preparada para desempenhar seu papel nesta terceira Aproximação.

O Buda veio encarnando em Si mesmo um grande princípio ou qualidade divina. Foi o Transmissor da Iluminação no mundo, o Senhor da Luz. Como sempre ocorre, para fins de instrução aos Seus discípulos, Ele reencenou os processos de iluminação e se tornou "O Iluminado”. As escrituras da Índia nos dizem que Ele alcançou a iluminação sob a árvore, assim como o Cristo alcançou a libertação do espírito humano sobre a árvore, montada no Gólgota. A luz, a sabedoria e a razão, como atributos divinos e, no entanto, humanos, se enfocaram no Buda. Ele provou a todos os homens que é possível atingir a iluminação e caminhar na luz. Ele pediu aos homens que trilhassem o Caminho da Iluminação, do qual a sabedoria, a percepção mental e a intuição são aspectos.

Veio a seguir o grande Instrutor seguinte, o Cristo. Ele encarnou em Si mesmo um princípio ou aspecto divino ainda maior, o do Amor, ao mesmo tempo que conteve em Si toda a Luz que o Buda tinha. O Cristo expressou tanto a Luz como o Amor.

Em consequência do Seu trabalho, é agora possível uma reação mais profunda e uma maior compreensão do trabalho e da influência dessas grandes Vidas que esperam hoje o momento de ajudar a humanidade. O trabalho destes dois Filhos de Deus produziu, entre muitos, os seguintes resultados:

1. Eles encarnaram em Si mesmos certos princípios cósmicos e, por Seu trabalho e sacrifício, certas potências divinas afluíram pela humanidade e sobre ela, estimulando a inteligência para transformá-la em sabedoria e a emoção em amor. O Buda, quando alcançou a iluminação, deixou penetrar um fluxo de luz sobre a vida e os problemas do mundo. Ele formulou esta revelação nas Quatro Nobres Verdades. Seu grupo de discípulos ergueu uma estrutura da verdade que (pelo poder do pensamento coletivo) inundou a humanidade de luz.

2. Por meio da mensagem do Buda, o homem compreendeu pela primeira vez a causa de seus constantes desgostos e insatisfações, e aprendeu que o caminho da liberação está no desapego, no desapaixonamento e na discriminação. Quando estas qualidades estão presentes, há uma rápida liberação da roda de renascimentos.

3. Por meio da mensagem do Cristo, três conceitos emergem na consciência racial:

a. O valor do indivíduo, e a necessidade de intensificar o esforço de sua parte.

b. A oportunidade que foi oferecida à humanidade para que dê um enorme passo adiante e passe pelo novo nascimento, a primeira iniciação.

c. O método pelo qual o passo seguinte poderia ser dado na nova era, expresso para nós nas palavras "ama teu próximo como a ti mesmo”. O esforço individual, a oportunidade grupal e a identificação do homem com o homem - tal é a mensagem do Cristo.

Na mensagem do Buda temos os três métodos pelos quais a personalidade pode ser transformada e preparada para se tornar uma expressão consciente da divindade. Por meio do desapego, a consciência do cérebro ou estado de consciência (que representa o reconhecimento físico de causas internas) é retirada ou abstraída das coisas referentes aos sentidos e dos chamados da natureza inferior. Na verdade, o desapego impõe um novo ritmo, ou uma nova maneira de reagir sobre as células do cérebro, que fazem com que o cérebro deixe de perceber a atração do mundo das percepções sensoriais. Pelo desapaixonamento, a natureza emocional fica imunizada ao apelo dos sentidos e o desejo não consegue mais desviar a alma de sua justa tarefa. Pela discriminação, a mente aprende a selecionar o bom, o belo e o verdadeiro, e a substituir o sentido de “identificação com a personalidade”, tão característico na maioria dos homens. A personalidade escraviza muitas pessoas. É preciso que isto desapareça. Estas três atitudes, quando forem correta e sensatamente mantidas, organizarão a personalidade, colocando-a sob a regência da sabedoria, e preparando o discípulo para a iniciação.

A seguir vem o trabalho do Cristo, que dá por resultado a compreensão do valor do indivíduo e do seu esforço auto iniciado para se liberar e se iluminar, com o objetivo da boa vontade grupal. Assim aprendemos a nos aperfeiçoar, a fim de termos algo a sacrificar para o grupo, enriquecendo-o com a nossa contribuição individual. É o primeiro resultado da atividade do princípio crístico na vida do indivíduo. A personalidade se dissolve na glória da alma que, como o sol nascente, dissipa a escuridão e se irradia sobre a natureza inferior. É o segundo resultado de uma atividade grupal. As palavras seguintes se dirigem aos iniciados do futuro: Percam de vista o eu no esforço de grupo. Esqueçam o eu na atividade de grupo. Atravessem o portal da iniciação em formação de grupo, e permitam que a vida da personalidade seja absorvida na vida de grupo.

O resultado final do trabalho do Cristo se encontra em nossa identificação com o todo; individualidade, iniciação e identificação - são esses os termos que podem resumir a mensagem do Cristo. Quando esteve na Terra, Ele disse: “Eu e Meu Pai somos Um”. Nestas palavras resumiu toda a Sua mensagem. Eu, o indivíduo, por meio da iniciação, estou identificado com a Deidade. Portanto, temos:

1. O Buda, o método: Desapego, desapaixonamento, Discriminação.
2. O Cristo, o resultado: Individualismo, Iniciação, Identificação.

É interessante observar que o trabalho do Buda está expresso em palavras que se iniciam todas com a quarta letra do alfabeto, a letra D. Alcança-se o sentido da personalidade; o quaternário é transcendido e o Buda nos deu a razão e as regras para esta transmutação. O trabalho do Cristo é expresso para nós em palavras que começam com a nona letra do alfabeto, a letra I, e este número é o da iniciação. Estas coisas não acontecem por acaso, têm um propósito subjacente.

Delineei brevemente e de maneira inadequada, a natureza de duas grandes Aproximações e das duas menores. Elas prepararam a humanidade para a terceira grande Aproximação, que trará uma nova revelação com suas consequências, um novo céu e uma nova Terra. Perguntaria ao teólogo ortodoxo como ele interpreta as palavras “um novo céu”. Poderia ser um conceito totalmente novo do mundo das realidades espirituais e, talvez, da verdadeira natureza do próprio Deus? Não seria possível que nossas atuais ideias de que Deus é a Mente Universal, o Amor e a Vontade, pudessem ser enriquecidas por uma ideia e uma qualidade novas para as quais ainda não temos denominação, nem o mais mínimo entendimento? Cada um dos três conceitos atuais sobre a natureza divina - a Trindade - eram totalmente novos quando foram apresentados pela primeira vez à humanidade, um após o outro.

O que esta terceira Aproximação maior poderá trazer à humanidade, não sabemos, nem podemos saber. Trará resultados tão definidos como os das duas Aproximações anteriores. Há alguns anos a Hierarquia espiritual vem se aproximando da humanidade, e é a causa dos grandes conceitos de liberdade que são tão caros ao coração dos homens de todas as partes, e pelos quais a humanidade luta neste momento. À medida que os Membros da Hierarquia se aproximam mais de nós, o sonho de fraternidade, de solidariedade, de cooperação mundial e de paz (baseada nas corretas relações humanas) se torna mais claro em nossas mentes. À medida que se aproximam de nós, visualizamos uma manifestação religiosa nova e vital no mundo, uma fé universal, unificada com o idealismo fundamental do passado, mas diferente em seu modo de expressão.

Citei acima as verdades fundamentais sobre as quais se apoiará a nova expressão religiosa. Sugiro que o tema da religião vindoura seja o das grandes Aproximações, pois destacará novamente o amor de Deus pelos homens, como evidenciam estas Aproximações divinas, e a resposta do homem a Deus enunciada nas palavras: "Aproxime-se de Deus, e Ele Se aproximará de você”, que irá - em seus ritos e cerimônias - ocupar-se com o lado invocativo e evocativo do apelo espiritual.

O homem invoca a Aproximação divina de duas maneiras: pelo apelo rudimentar e não expresso ou o clamor invocativo das massas, e também pela invocação definida e organizada dos aspirantes espiritualmente orientados, dos trabalhadores, discípulos e iniciados convencidos inteligentemente, e de todos que compõem o Novo Grupo de Servidores do Mundo.

A ciência da invocação e evocação ocupará o lugar do que chamamos atualmente de prece e adoração. Não se deixem perturbar pelo uso da palavra "ciência”. Não é a coisa intelectual fria e sem coração tão frequentemente retratada. Na realidade é a organização inteligente da energia espiritual e das forças do amor que, quando for efetiva, evocará a resposta de Seres espirituais, que poderão de novo caminhar abertamente entre os homens e assim estabelecer uma relação estreita e uma comunicação constante entre a humanidade e a Hierarquia espiritual.
Ficará evidente para todos, à medida que a humanidade, por intermédio de seus indivíduos mais avançados, se prepara para esta próxima grande Aproximação, que ela deve aceitar com fé e convicção (fé para as massas e convicção para os que sabem e para o Novo Grupo de Servidores do Mundo) as premissas enunciadas acima:

1. A realidade de Deus (Deus Transcendente).
2. A relação do homem com o divino (Deus Imanente)
3. A realidade da imortalidade.
4. A fraternidade dos homens (Deus em expressão)
5. A existência de um Caminho que conduz a Deus.
6. A autenticidade histórica das duas grandes Aproximações, e a possibilidade de uma terceira e iminente Aproximação.

Aqui é onde as igrejas, se forem regeneradas, poderão concentrar seus esforços, deixar de perpetuar a forma externa e visível, e começar a tratar da realidade subjacente a todos os dogmas e doutrinas. O homem deve tomar posição sobre estas certezas internas, e um estudo sobre elas revelará que a maioria das massas não pensantes (maioria imensa) as aceita com esperança e desejo, embora sem uma compreensão precisa, e que uma minoria, que aumenta regularmente, também as aceita com plena consciência convicta - consciência que resulta da transformação da esperança em fato autocomprovado. Entre esses dois extremos há um grande grupo de pessoas que se questionam, que não fazem parte da massa ignorante nem são ainda ocultistas, místicos, nem mesmo aspirantes. São pessoas que levantam perguntas e procuram uma convicção; rejeitam a fé como destituída de inteligência, mas desejam ardentemente substituí-la por alguma coisa; estão constantemente despontando da massa dos homens e avançam continuamente em sua consciência, observando as técnicas espirituais, até que, oportunamente, colocam-se entre os que dizem como São Paulo: "Eu sei em Quem eu creio”. É com essas técnicas que o verdadeiro ensino religioso deve se ocupar principalmente.

Ao lançarmos um olhar para o mundo do futuro e começamos a perguntar que estrutura deverá adotar a fé da humanidade, e que edifício a competência dos conhecedores erguerão para abrigar o espírito religioso dos homens, aparecem três verdades fundamentais como agregados necessários ao grupo de verdades reveladas:

1. A existência demonstrada de uma Hierarquia espiritual, cujo propósito na vida é o bem da humanidade. Os Membros da Hierarquia são reconhecidos como Guardiões do Plano divino e expressões do Amor de Deus.

2. O desenvolvimento da Ciência da Invocação e Evocação como meio e método de abordagem à divindade, a qual derivará dos antigos hábitos de orar como fazem as massas, e da prática da meditação desenvolvida por místicos e ocultistas. A prece e a meditação são os estágios preliminares desta ciência emergente, e o que vagamente se chama de "adoração” é o esforço grupal para estabelecer alguma forma de aproximação conjunta à Hierarquia espiritual, a qual atual sob a condução e a autoridade do Cristo. Ela é relacionada ao centro espiritual mais elevado, Shamballa, por intermédio dos indivíduos mais avançados, assim como a humanidade está relacionada com a Hierarquia pelas pessoas de mente espiritual.

3. A compreensão de que os céus estrelados, o sistema solar e as esferas planetárias são manifestações de grandes Vidas espirituais, e que a inter-relação entre essas Vidas encarnadas é tão real e efetiva como é a relação entre os membros da família humana.

A Hierarquia espiritual do planeta, a aptidão da humanidade de entrar em contato com seus Membros e trabalhar em colaboração com Eles, e a existência de uma Hierarquia maior de energias espirituais, da qual a nossa pequena esfera planetária é parte - são essas as três verdades sobre as quais a futura expressão religiosa do mundo pode se basear.

A relação com Deus, por intermédio do Cristo, foi sempre o ensinamento dos guias espirituais do mundo, qualquer que seja o nome que lhe seja aplicado. No futuro, nos aproximaremos ainda mais e de maneira mais inteligente, da substância viva da Realidade, e seremos mais definidos em nossa compreensão desta relação, até agora vagamente sentida. Vamos saber, ver e compreender. Não vamos apenas crer, esperar e tentar compreender. Falaremos abertamente da Hierarquia, de seus Membros e do seu trabalho. Enfatizaremos a natureza hierárquica de todas as Vidas espirituais e a realidade desta grande "cadeia de hierarquias” que se estende até o alto, partindo do reino mineral, passando pelo reino humano e o reino de Deus, até grupos espirituais aparentemente distantes. Então, se abrirá para as Vidas espirituais o que tem sido chamado de "o caminho da Evolução Superior”. Muito foi comunicado sobre esse tema ao longo dos dois últimos séculos. A realidade da existência da Hierarquia é conscientemente reconhecida hoje por centenas de milhares de pessoas, embora ainda seja negada pelos ortodoxos; o público está familiarizado com a ideia da existência dos Mestres, e aceita com credulidade a massa de informações inúteis e pretensiosas que muitas pessoas divulgam em nossos dias ou então luta furiosamente contra a difusão deste ensinamento. Outras pessoas têm a mente suficientemente aberta para investigar se este ensinamento é correto e para adotar as técnicas sugeridas, na esperança de que a hipótese se converta em realidade. Este último grupo aumenta regularmente e, pelas provas que acumula, poderão transformar a crença em conhecimento. Hoje, muitos já sabem a verdade; muitas pessoas de integridade e dignidade colaboram conscientemente com Membros da Hierarquia, de maneira que de nada valem os antagonismos eclesiásticos e os comentários depreciativos das pessoas de mente concreta. O que o teólogo ortodoxo e o doutrinário estreito têm a oferecer já não satisfaz mais o investigador inteligente, nem basta para responder suas perguntas; ele traslada sua lealdade para áreas mais espirituais e amplas, saindo da autoridade doutrinal e entrando na experiência espiritual pessoal e direta, colocando-se sob a autoridade direta que dá o contato com o Cristo e Seus discípulos, os Mestres.

Ao considerar nosso segundo ponto, a Ciência de Invocação e Evocação, entraremos também no campo da compreensão mental. A natureza aquisitiva de muitas das orações dos homens, baseadas no desejo por alguma coisa, há muito perturba as pessoas inteligentes; a imprecisão da meditação ensinada e praticada no Oriente e no Ocidente, e sua nota acentuadamente egoísta (liberação pessoal e conhecimento pessoal), também está provocando revolta. O que se pede hoje é trabalho grupal, o bem do grupo, o conhecimento de grupo, o contato grupal com o divino, a salvação do grupo, compreensão do grupo e a relação do grupo com Deus e com a Hierarquia espiritual. Tudo isto indica progresso.

Neste ponto seria útil repetir parte do que expus em outro texto, a respeito dos desenvolvimentos futuros nesta linha. (O Reaparecimento do Cristo, parte 4 do Capítulo VI - A Continuidade da Revelação e as Aproximações Divinas).

Este novo trabalho invocador será a nota-chave da futura expressão religiosa no mundo, que se dividirá em duas partes. Haverá o trabalho invocador das massas de todas as partes, preparadas por pessoas espiritualmente orientadas (dentro do possível trabalhando nas igrejas, guiadas por um clero iluminado) com o objetivo de aceitar a realidade das energias espirituais iminentes dirigidas por meio do Cristo e de Sua Hierarquia Espiritual, e também treinadas para verbalizar o clamor das massas por luz, liberação e entendimento. Haverá também o trabalho qualificado de invocação, tal como é praticado pelos que treinaram suas mentes na meditação correta, conhecem o poder dos mantras, fórmulas e invocações, e atuam de maneira consciente. Utilizarão cada vez mais determinadas grandes fórmulas de palavras que serão posteriormente dadas à raça, assim como o Pai Nosso foi dado pelo Cristo e a Nova Invocação pela Hierarquia.

Esta nova ciência religiosa para a qual a oração, a meditação e o ritual prepararam a humanidade, treinará os povos a apresentar - em determinados períodos do ano - a sonante demanda dos povos do mundo, visando estabelecer relações com Deus e uma relação espiritual mais estreita entre si. Este trabalho, quando devidamente levado adiante, evocará resposta da expectante Hierarquia e de seu Guia, o Cristo. Com esta resposta, a crença das massas se converterá gradualmente na convicção dos conhecedores. Assim as massas humanas serão transformadas e espiritualizadas, e os dois grandes centros divinos de energia ou grupos de energia - a Hierarquia e a própria Humanidade - começarão a trabalhar em completa unificação e união. O Reino de Deus estará de fato e em verdade ativo na Terra.

Sem dúvida, é possível indicar apenas as linhas gerais desta nova expressão religiosa. A expansão da consciência humana, que ocorrerá como resultado da Grande Aproximação iminente, habilitará a humanidade a captar não só a sua relação com a vida espiritual do nosso planeta, "Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, como também proporcionará um vislumbre da relação do nosso planeta com o círculo de vidas planetárias que se movem na órbita do Sol e do círculo maior ainda das influências espirituais que fazem contato com o nosso sistema, à medida que descreve sua órbita no firmamento (as doze constelações do zodíaco). As pesquisas astronômicas e astrológicas salientaram essa relação e as influências que exerce, mas as conjecturas permanecem, assim como tantas especulações e interpretações insensatas. No entanto, as igrejas sempre reconheceram isso e a Bíblia assevera: "Do alto céu as estrelas combateram, de seus caminhos lutaram contra Sísara” (Jz5:20). "És tu que amarras os laços das Plêiades, ou desatas as ligações de Órion?” (Jó 38:31). Outras passagens também confirmam essa afirmação dos Conhecedores. Muitas festividades da igreja foram fixadas em relação à Lua ou a uma constelação zodiacal. A pesquisa demonstrará que isso é verdade e, quando o ritual da nova expressão religiosa estiver universalmente estabelecido, será um importante fator a levar em consideração.

O estabelecimento de determinados grandes festivais relacionados à Lua e, em menor grau, ao zodíaco, ocasionará o fortalecimento do espírito de invocação e o resultante influxo das influências evocadas. A verdade subjacente a toda invocação baseia-se no poder do pensamento, em sua natureza, relação e aspectos telepáticos. O pensamento invocativo unificado das massas e o pensamento enfocado e direcionado do Novo Grupo de Servidores do Mundo constituem um fluxo permanente de energia, que chegará telepaticamente até os Seres espirituais sensíveis e receptivos a esses impactos. A resposta evocada dos Seres, transmitidas como energia espiritual, por sua vez, chegará à humanidade depois de ser atenuada à energia mental e, desta forma, exercerá o devido impacto sobre as mentes dos homens, convencendo-os e transmitindo inspiração e revelação. Assim foi sempre na história do desenvolvimento espiritual do mundo e foi esse o procedimento adotado na redação dos textos sagrados do mundo.

Em segundo, o estabelecimento de uma certa uniformidade nos rituais religiosos do mundo ajudará os homens de todas as partes a fortalecer o trabalho uns dos outros e a aumentar poderosamente as correntes de pensamento direcionadas às Vidas espirituais que esperam. No presente, a religião cristã tem seus grandes festivais, os budistas mantêm seu conjunto de eventos e os hinduístas uma outra série de dias santos. No mundo do futuro, quando organizado, todos os homens de inclinação e intenção espiritual de todas as partes observarão os mesmos dias santos, o que significará um esforço comum de recursos espirituais, além de uma invocação espiritual simultânea. A potência será evidente.

Permitam-me indicar as possibilidades desses eventos espirituais e procurar profetizar a natureza dos futuros Festivais mundiais. Serão três grandes Festivais anuais, celebrados em três meses consecutivos, conduzindo, portanto, a um prolongado esforço espiritual que exercerá efeitos sobre o restante do ano. Serão eles:

1. O Festival da Páscoa. É o Festival do Cristo vivo, ressuscitado, o Instrutor dos homens e Guia da Hierarquia Espiritual. Ele é a Expressão do amor de Deus. Neste dia, a Hierarquia, que Ele guia e conduz, será reconhecida, e a natureza do amor de Deus será enfatizada. Este Festival sempre se determina pela data da primeira Lua Cheia da primavera e é o grande Festival do Ocidente, o Festival Cristão.

2. O Festival de Wesak. É o Festival do Buda, o Intermediário espiritual entre o centro espiritual mais elevado, Shamballa, e a Hierarquia. O Buda é a expressão da sabedoria de Deus, é a personificação de Luz e o Indicador do propósito divino. Será fixado anualmente na Lua Cheia de Maio, como já ocorre no presente. É o Grande Festival do Oriente.

3. O Festival da Boa Vontade. Será o Festival do espírito da humanidade - que aspira por Deus, procura estar de acordo com a Sua vontade e dedicar-se a expressar corretas relações humanas. Será fixado anualmente na Lua Cheia de Junho. Será o dia do reconhecimento da natureza espiritual e divina da humanidade. Neste Festival, há dois mil anos, o Cristo representa a humanidade e Se coloca diante da Hierarquia e à vista de Shamballa como o Deus-Homem, líder do Seu povo e "o mais velho de uma grande família de irmãos” (Rm8:29). Neste dia, todos os anos, Ele repete o último sermão do Buda, diante da Hierarquia reunida. Será, pois, um festival de profunda invocação e apelo, de aspiração básica à fraternidade humana e à unidade espiritual, e representará o efeito na consciência humana do trabalho do Buda e do Cristo.

Esses três Festivais já são celebrados no mundo, embora ainda não estejam relacionados uns com os outros, são parte da Aproximação espiritual unificada da humanidade. Está chegando a hora em que os três Festivais serão realizados em todo o mundo e, através deles, será alcançada uma grande unidade espiritual e os efeitos desta Grande Aproximação, tão perto de nós nesta época, serão estabilizados pela invocação unida da humanidade em todo o planeta.

As demais luas cheias serão os festivais menores, mas também reconhecidos pela vital importância. Estabelecerão os atributos divinos na consciência do homem, como os grandes
festivais estabelecem os três aspectos divinos. Referidos aspectos e qualidades serão determinados mediante um cuidadoso estudo da natureza de determinada constelação ou constelações que influencia(m) esses meses. Por exemplo, Capricórnio chamará a atenção para a primeira iniciação, o nascimento do Cristo na caverna do coração e indicará o treinamento necessário para a realização deste grande evento na vida do homem individual. Dou este exemplo para vocês visando indicar as possibilidades de desenvolvimento espiritual que poderia ocorrer pelo entendimento dessas influências e para restaurar as antigas crenças, expandindo-as em suas relações imorredouras mais elevadas.

Temos, portanto, o seguinte:

Shamballa - Aspecto Vontade de Deus - Wesak - Lua Cheia de maio (Touro)

Hierarquia - Aspecto Amor de Deus - Páscoa - Lua Cheia de abril (Áries)

Humanidade - Aspecto Inteligência divina - Boa vontade - Lua Cheia de junho (Gêmeos)

As nove Luas Cheias restantes terão relação com as características divinas e seu desenvolvimento na humanidade.

Desta maneira, os doze festivais anuais constituirão uma revelação da divindade. Apresentarão um meio de fomentar a relação, primeiramente durante três meses com os três grandes Centros espirituais, as três expressões da Trindade divina. Os festivais menores destacarão a inter-relação do Todo, saindo assim da apresentação divina do que é individual e pessoal para elevá-la ao nível do Propósito universal e divino, expressando-se plenamente a relação do Todo com a parte e da parte com o Todo.

A humanidade invocará, portanto, o poder espiritual do Reino de Deus, da Hierarquia; a Hierarquia responderá, e os planos de Deus serão então executados na Terra. A Hierarquia, em uma volta superior da espiral, invocará o centro dual da vontade de Deus, Shamballa, Shangri-la, invocando assim o Propósito de Deus. Desta maneira a vontade de Deus será implementada pelo Amor e manifestada inteligentemente. Para isto a humanidade está preparada, e a Terra espera.

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OS FATORES DA SITUAÇÃO MUNDIAL

Abril de 1944

Há vários Wesak escrevo para os aspirantes do mundo. Repetidas vezes chamei a atenção deles e a de vocês para a estreita relação que está se estabelecendo entre o mundo dos homens e o mundo das almas. Repetidas vezes também mostrei que, nos termos da Lei de Evolução, ocorrem certas grandes fusões, unificações ou grandes Aproximações. Indiquei que a atividade atual do nosso Logos planetário está voltada para certos reajustes maiores na esfera de influência planetária que exercem efeito, principalmente, sobre o reino humano. Chamei a sua atenção para a urgência da vida que entra, produzindo tensão, reconhecimentos espirituais de grande alcance, a derrocada imediata dos falsos deuses e valores, e a supressão das interpretações cristalizadas e caducas (chamadas de doutrinas) das realidades espirituais.

Desta maneira, a via fica livre para um reconhecimento simples e novo da divindade, que não somente atenderá ao coração das pessoas mais simples, como também responderá às necessidades dos mais esclarecidos. Falei em termos de união do pensamento oriental com o ocidental, e da necessidade de relacionar as grandes civilizações - nutridas pela influência de ShriKrishna, Buda e Cristo. Disse e repito que Aquele Que Vem tornará esta união possível e efetiva, acontecimento que será reconhecido mundialmente.

Afirmei também que estamos chegando a um período culminante da história humana; atualmente os Senhores do Carma mantêm uma atividade incomum. A Lei de Causa e Efeito está trazendo à superfície os resultados das atividades passadas, o pensamento subjetivo e os impulsos secretos, aplicando o castigo e fazendo a limpeza organizada da história humana. Quando Aquele a Quem todos os discípulos servem esteve na Terra, há dois mil anos, disse que as coisas secretas seriam expostas; pelo aparecimento do bem e do mal, os homens chegarão ao conhecimento, à compreensão, e serão então obrigados a tomar as medidas necessárias para construir um mundo novo e melhor, baseado na Lei do Amor e não nas leis da separatividade e do ódio. É o que está acontecendo agora.

Disse também que as Forças da Luz estão se aproximando da Terra, e que a Hierarquia está se aproximando regularmente da humanidade.

Estes eventos básicos, estes acontecimentos subjetivos, e estas determinações espirituais - nos termos da Lei de Ação e Reação - suscitaram uma resposta mais rápidas das forças do Mal (presentes na nossa vida planetária) do que da humanidade em si. Certas grandes forças ou energias encarnadas da escuridão e do mal se organizaram e tomaram as medidas necessárias (assim pensavam elas) para impedir que a humanidade avançasse para a Luz, valendo-se das fragilidades, do egoísmo e do interesse pessoal dos homens. Assim como o bem pode estimular a expressão do bem latente na humanidade, do mesmo modo o mal pode provocar um mal maior naqueles que são susceptíveis, devido à fraqueza inata, naqueles que não pensam e que são emocionais: as Forças da Luz trabalham apenas com as almas dos homens. Com rapidez progrediram as mentiras, os ensinamentos falsos, as propagandas malignas, a guerra de nervos, o cultivo do medo, a organização de grupos de trabalhadores isolados em todas as nações, dedicados a minar a retidão e a distorcer a verdade. Verdades grandes e fundamentais foram deformadas para servir aos fins dos que trabalham pelo mal.

Por exemplo, a doutrina de uma raça superior foi interpretada como significando a superioridade da nação e da cultura alemãs no Ocidente, enquanto que a divindade dos Filhos do Céu (a raça japonesa) será enfatizada em todo o Oriente. Os povos de ambas as nações, atônitos, foram levados a crer que tinham a grande e espiritual missão de dominar o mundo.

Este foi o primeiro resultado da aproximação do reino de Deus à Terra, ou melhor, do plano físico. Neste reino, homens de todas as raças demonstrarão sua divindade. O reino das almas será reconhecido como a morada e a raça universal de todos os homens. Neste reino, as nacionalidades separatistas não terão lugar nem serão reconhecidas.

As forças do mal procuraram os chefes e grupos que são a correspondência materialista dos chefes espirituais que procuram guiar a humanidade nas linhas corretas. Tomaram posse (e uso esta palavra deliberadamente) dos homens malignos que dirigiam as Potências do Eixo: Hitler, Tojo, Goebbels, Ribbentrop, Himmler e, em grau bem menor, Mussolini, Hess, Goering e outros. Eles dominaram completamente as mentes desses homens, já distorcidas pela ambição e inclinações sádicas. Vocês me perguntarão o que quero dizer com "eles”? Refiro- me às individualidades inteligentes, perversas, sem amor, cheias de ódio, que são para o mundo do enfoque egoísta e material o que a Hierarquia de Mestres, que trabalha para o Cristo, é para os esforçados aspirantes humanos. O poder destas forças malignas é enorme, porque não reconhecem nenhuma restrição nem limite humano comum e decente; trabalham por meio da violência, da coerção, da crueldade, do ódio, do terror e da mentira; visam subjugar a consciência humana por meio do completo controle das mentes dos homens, ocultando o bem e promulgando o mal; estimulam o cérebro dos homens em toda a medida do seu conhecimento do mal e da magia; e quero dizer literal e fisicamente. A grande Loja Branca que trabalha sob a inspiração do Cristo e de Shamballa, atua necessariamente sob certas restrições espirituais. A coerção não é permitida; as mentes dos homens devem ser e permanecer livres; é permitido estimular a alma dos homens, porque dá por resultado o estímulo da expressão do amor e da compreensão, que leva a corretas relações humanas. Estas restrições espirituais fazem com que o progresso das forças da Luz seja muito lento; seria interessante lembrar a vocês que a duração da guerra dependeu em parte da impossibilidade dos Exércitos do Senhor de cometer os crimes pelos quais as Potências do Eixo foram responsáveis. As atividades físicas das Forças da Luz estão submetidas a certas limitações e as forças do mal se aproveitam disso constantemente. O bombardeio em massa das populações foi iniciado por Hitler, e ele poderia ter posto fim a isso imediatamente se quisesse.

Há outro aspecto deste assunto sobre o qual gostaria de lhes chamar a atenção. Estas restrições que as forças da Luz reconhecem também exercem um efeito indesejável no que diz respeito às pessoas bem-intencionadas, mas ininteligentes, e à maneira de interpretar a Lei do Amor daqueles que são polarizados emocionalmente. As nações Aliadas que trabalham para a liberação e a liberdade da humanidade (portanto, de acordo com a Lei do Amor corretamente compreendida) estão impedidas de seguir as linhas da crueldade indiscriminada que caracterizaram as técnicas alemã e japonesa: tortura, fome, propaganda mentirosa, maus tratos e abuso dos prisioneiros e campanhas de terror. Nada disso é permitido pelas regras dos Irmãos da Humanidade. Do ponto de vista estritamente físico, pode-se interpretar como se as Hostes do Senhor estivessem em desvantagem. Esta atitude correta por parte das forças da Luz é incômoda para os pacifistas do mundo e aqueles que preconizam a conciliação, os quais, por razões humanitárias e por amor às formas pelas quais a humanidade atua, queriam o fim imediato da guerra.

Em sua cegueira bem-intencionada, sacrificariam o futuro da humanidade e a vida de milhões de pessoas em data posterior por uma cessação temporária das hostilidades. Insisto junto a vocês sobre o fato de que as forças do mal devem ser derrotadas agora; os líderes malignos devem ser arrancados de sua alta posição, e a completa derrota e aniquilação dos responsáveis por lançar este horror sobre a humanidade é uma necessidade absoluta e um dever imperioso, se queremos que a segurança, o bem-estar e uma nova ordem de vida mais feliz sejam o destino das gerações futuras. Uma cessação temporária da guerra só daria tempo às forças do mal de se reorganizarem, e a guerra futura seria infinitamente pior do que esta. É o que dizem as pessoas inteligentes e que querem o bem da humanidade, e é também a opinião da Hierarquia, que se mantém firmemente ao lado dos que pedem uma guerra até o fim. As razões são: a salvação final de milhões de vidas e a conservação de certos valores espirituais básicos.

A questão é muito mais grave espiritualmente do que pensam; o trabalho da Hierarquia é obstado não apenas pelas restrições que condicionam o trabalho das forças da Luz, mas também pelo trabalho e declarações dos homens de mente curta e visão limitada que não veem as possibilidades futuras se a guerra chegar a um fim inconclusivo, eles estão prontos a sacrificar os filhos do amanhã e as gerações futuras pelo conforto da geração atual. O trabalho da Hierarquia é prejudicado pelas atitudes dos homens que não têm nenhuma perspectiva, mas muito egoísmo; que não são cruéis, mas de pensamento obtuso. Homens assim - nas assembleias legislativas das diversas Nações Aliadas, no Parlamento, no Congresso e nas igrejas - imploram pela cessação da guerra antes que a vitória seja ganha, e antes que os inimigos da humanidade sejam derrubados de joelhos em súplica por misericórdia e em pedido por paz. Eles veem o fim das operações comerciais como as conheciam; veem desaparecer os marcos familiares de seu mundo confortável; os resultados da guerra lhes desagradam porque os afeta; não são capazes de suportar o sofrimento geral e, movidos pela piedade, exigem uma paz imediata. Outros são levados pelo isolacionismo e pelo desejo de não participar da agonia da guerra; outros odeiam aqueles cujo dever consiste em levar a guerra à vitória, ou veem suas ambições pessoais ameaçadas pelas condições de um mundo em transformação. Estes sacrificariam as futuras gerações por sua política míope e seu julgamento medíocre. Assim, espalham a desunião e atam as mãos daqueles, em seus cargos elevados, administram os assuntos. Seus esforços prolongam a guerra, desencorajam as forças que lutam, destroem a confiança nacional e militar, e assentam uma base frágil para o trabalho do mundo do pós-guerra. São muitos em todas as nações, muitos nos Estados Unidos da América, e nenhum na URSS, daí sua marcha triunfal.

Portanto, temos hoje no mundo:

1. As forças do Mal, que atuam por intermédio da Alemanha e do Japão. Até esta data estão se mantendo, não foram ainda derrotadas, e aterrorizam o mundo. Dentro de suas próprias fronteiras nacionais não há pessoas em número suficiente com coragem, compreensão ou com capacidade de pensar com clareza, que detestem o mal e que possam manter uma visão. Há poucas pessoas, em uma ou outra dessas nações para ajudar as Forças da Luz. Os alemães foram enganados desde o princípio, e um engano nacional generalizado, respaldado por uma campanha de terror, implica em debilidade geral, ausência de coragem e uma predileção natural pelos guias malignos. A tendência de se deixar conduzir para linhas agressivas, egoístas e malignas caracterizou a mentalidade alemã durante um grande período de tempo. A esta nação negativa, com sua arrogante psicologia (um dos grandes paradoxos do século), deve-se ensinar os métodos do bem positivo, e substituir a atual aceitação negativa do mal por uma corajosa defesa da justiça. É preciso ensinar à nação alemã a tomar seu verdadeiro lugar, com humildade e inteligência, na comunidade das nações. A nação japonesa, apesar da sua idade considerável, deve voltar à infância, é preciso lhe ensinar como se ensina às crianças, a ser social e não antissocial. Muito tempo passará antes que se possa confiar nesta nação. A nação italiana não apresenta maiores problemas do que qualquer outra nação do mundo. É normal, como são as Nações Aliadas. A nação alemã e a raça japonesa não são normais, e devem ser trazidas à normalidade por meio de um tratamento cuidadoso, gentil, mas firme, e pela aplicação de processos educativos.

2. As Forças da Luz. Gostaria de corrigir uma impressão que prevalece entre os esoteristas. Ao empregar esta frase (as Forças da Luz), eles pensam entender que a Hierarquia se bate literalmente contra as nações do Eixo. Não é assim no sentido físico. A Hierarquia trabalha, como bem sabem, com as almas dos homens e com as mentes dos que estão orientados e dispostos de tal maneira, que reagem à impressão da alma. Quando emprego a expressão "Forças da Luz”, me refiro às nações iluminadas, nas quais brilha a luz da liberdade, e que se recusam a todo custo a renunciar a essa luz. Não existe liberdade na Alemanha nem no Japão. Em sentido menor, e por um curto tempo, não havia liberdade na Itália, mas a Itália deve ser contada entre as nações iluminadas, porque não pôde ser escravizada. As Forças da Luz compreendem as nações que, (atuando por meio de seus exércitos e na arena diplomática) lutam hoje pela liberdade da humanidade, pelos eternos direitos do homem, pela liberdade religiosa e pelo direito que cada um tem de escolher a maneira como abordará as realidades espirituais. Por trás destas nações, permanece a Hierarquia. A liberdade é o direito de nascença do homem e o livre- arbítrio é a mais elevada das características divinas. A liberdade é mal interpretada e mal empregada por muitos, devido à etapa de evolução das massas da humanidade, porém é um princípio divino fundamental, e onde se trata de princípios, a Hierarquia não contemporiza. Não há princípios espirituais por trás das atividades das potências do Eixo, nem por trás da atividade alemã nem da agressão japonesa. Portanto, a Hierarquia não respalda com seu poder ou força nenhum dos esforços dessas nações.

3. A humanidade como um todo. Os homens, mulheres e crianças do mundo estão todos implicados nesta guerra universal e afetados por ela. Os efeitos se estendem até a vila mais isolada, o deserto mais extenso, e o cimo da montanha mais elevada, assim como as cidades e zonas congestionadas de todas as nações. Ninguém está isento das consequências da atual catástrofe. O grosso da humanidade é a vítima universal e inocente. A maioria mal entende do que se trata; veem este grande clímax histórico do ângulo puramente autocentrado e do ponto de vista de como isso os afeta como indivíduos e sua nação como um todo. Um crescente número de pessoas chega a compreender que é preciso levar esta guerra até um final vitorioso, porque não haverá paz, nem esperança nem corretas relações mundiais enquanto duas nações - uma no Ocidente e outra no Oriente - puderem precipitar milhões de pessoas no desastre. Uma minoria está compreendendo que a guerra precipitou o mal condensado de milênios, que a humanidade se depara com a oportunidade de corrigir os erros passados, o antigo egoísmo, a perversidade enraizada e inaugurar um mundo novo e melhor. Neste novo mundo haverá liberdade de culto a Deus, oportunidade para a expressão individual, liberdade para viver em corretas relações, e possibilidade de um modo de vida criadora. Uns poucos - muito poucos - sabem que se trata de um ponto culminante de um antigo conflito entre o Cristo, cercado de sua Hierarquia de Mestres, e a "perversidade espiritual dos altos lugares”. Um número ainda menor de conhecedores e discípulos sabe, acima de toda controvérsia e discussão, que encabeçando esses infelizes países - Alemanha e Japão - encontram-se antigos líderes que, mais uma vez, tentaram tramar um desastre planetário e desviar os planos e as metas da Grande Loja Branca.

Entre todos eles, milhares estão perplexos, pressentindo a verdade, mas impotentes frente ao horror gigantesco que o maligno bando que governa a Alemanha atualmente precipitou sobre a humanidade. Tendem a pensar corretamente, mas ainda são presas das pessoas inescrupulosas e egoístas. Quando seus pensamentos forem guiados pelas vias corretas, por um método sadio de apresentação, constituirão um poderoso recurso para as Forças da Luz.

Tal é a situação que a Hierarquia e a humanidade enfrentam hoje. A potência das Forças da Luz aumenta; a potência das forças da escuridão pode estar declinando, mas é ainda muito forte no plano físico. Seu principal domínio é sobre as mentes dos homens, é extremamente potente e não se enfraquece, pois é auxiliado pela pessoa indulgente e que não pensa, pelo desnorteado, pelo pacifista, o conciliador e o isolacionista. O idealismo deste grupo é transformado, em suporte à Alemanha, por aqueles que trabalham habilmente para o mal. Os exércitos alemães continuam invencíveis. A Europa central é uma poderosa fortaleza, dominada pelo arqui-inimigo da humanidade, posicionado no cimo da sua montanha. Ali, simbolicamente, ele se encontra, o artífice destas funestas condições e da escravidão. Os exércitos do Senhor estão em equilíbrio e obterão a vitória quando houver completa unidade de propósito, atenção concentrada nas corretas relações humanas, e quando a aspiração idealista se propagar entre todos que combatem pela liberdade. Todas as pessoas esclarecidas do mundo devem trabalhar para esta unidade de propósito, que ainda não foi apresentada de forma adequada.

Vamos agora nos voltar para o trabalho da Hierarquia e para o evento para o qual todos os iniciados e discípulos estão se preparando: o próximo Festival de Wesak.

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