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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção III - As Forças Que Sustentam o Progresso Evolutivo da Raça - Parte 1
A Doutrina dos Avatares
O Trabalho de Reconstrução
Medidas Práticas para o Trabalho de Reconstrução
Preparação para a Atividade e o Trabalho Futuros
Uma Decisão Crucial e Iminente

A DOUTRINA DOS AVATARES

Maio de 1941

Ao entrarmos neste ano no importante mês de maio, perguntei-me se há alguma maneira de despertar os aspirantes do mundo e meus discípulos para uma compreensão mais verdadeira do imanente significado da oportunidade oferecida e, também, se há algum meio de simplificar e tornar mais real para vocês a Doutrina d’Aquele que Vem, vinculada como está com a doutrina de todas as grandes religiões. Em todas elas encontramos a ideia de uma ordem espiritual subjetiva, relacionada com o desenvolvimento do bem-estar da humanidade.

Estamos em uma era de culminações, que aparecem hoje no campo da religião, como também no campo da ciência e da política. Todas as grandes linhas da abordagem humana à realidade e à verdade estão passando do reino do tangível e do exotérico para o intangível e esotérico. A ciência está se tornando rapidamente a ciência do invisível e do indemonstrável; a religião saiu do reino do místico, entrando na atmosfera mais clara do ocultismo, e deve agora acentuar a realidade do invisível como a causa eficiente do visível; a política e os governos estão envolvidos com os processos dos pensamentos e das ideologias.

Qual será então a verdadeira estrutura interna da realidade que proporcionará a necessária força à humanidade nesta época, suficiente para atender a demanda do homem pela verdade, e se mostrar adequada para responder aos seus incessantes e inteligentes questionamentos?

Gostaria de afirmar que as grandes e satisfatórias respostas para todas as perguntas e necessidades humanas se encontram na doutrina dos Avatares e na continuidade das Revelações divinas. Trata-se da crença - inextirpável e inalterável - de que Deus (nos grandes momentos de necessidade mundial) revela a Si Mesmo por Aparecimentos, por um Ser Esperado . Esta doutrina está presente em todas as religiões mundiais fundamentais de todos os tempos e eras; aparece na doutrina dos Avatares do credo hindu, no ensinamento do retorno do Buda Maitreya ou o Kalki Avatar e, no mundo ocidental, na crença do retorno do Cristo e Seu advento ou segunda Vinda, e na profecia do mundo muçulmano do aparecimento do "divino aventureiro”, o Iman Madhi. Tudo isto está ligado à imorredoura crença da humanidade no Coração amoroso de Deus que sempre atende à necessidade do homem. A história testemunha que o aparecimento da necessidade humana sempre resultou em uma Revelação divina.

A razão desta fé, inata no coração humano, encontra-se na própria natureza da Deidade. O enunciado cristão de que “Deus é amor” fundamenta-se neste profundo, reconhecido e espiritual fato. A expressão desta característica divina pode ser resumida nas palavras do livro A Voz do Silêncio:

"A compaixão não é um atributo. É a lei das Leis - a eterna Harmonia, o Próprio Ser do Alaya ; uma essência universal e ilimitada, a luz do bem eterno e da pertinência das coisas, a lei do amor eterno”.

O aparecimento cíclico dos deuses solares dos antigos mitos, os Salvadores do Mundo e os Avatares testemunham esta Compaixão eterna, da qual são a garantia.

O Festival de Wesak

Por ocasião do Festival de Wesak, Eu chamaria a atenção para o fato de que o retorno anual do Buda para abençoar Seu povo de todas as partes e transmitir a mensagem de sabedoria, luz e amor para a humanidade - vindo, como faz, do próprio Coração da Deidade - é a prova externa e a garantia de uma interna direção divina e revelação no presente ciclo mundial de 2.500 anos. Ano após ano, Ele retorna. Durante um breve instante, Ele nos lembra que Deus existe e ama sempre; que Ele não é indiferente ao Seu povo; que o coração do universo é compaixão inalterável e que o homem não está só. Para suscitar este reconhecimento e tornar possível este aparecimento, é criado um vívido Triângulo de Energia, enfocado pelas três grandes Entidades espirituais que evocam reconhecimento no Oriente e Ocidente e que são conhecidas pelos fiéis de todos os credos e todas as nacionalidades:

1. O Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, SanatKumara, o Logos planetário, Melquisedec, Aquele a Quem Cristo se referiu quando disse: “Eu e Meu Pai somos Um”.

2. O Buda, o Iluminado, o Revelador da luz e da sabedoria que nos chegam de fontes muito maiores que a nossa Vida planetária, um Mensageiro dos Deuses.

3. O Cristo, o Filho do Pai, o Salvador do Mundo, o Redentor. Aquele que permaneceu conosco e Que está reunindo Suas ovelhas em Seu redil, o Senhor de Amor.

Nestes Três, Cuja natureza é amor e luz irradiantes, a humanidade pode captar em alguma medida a natureza da divindade. São maiores do que se sabe ou compreende; a inteligência e a aspiração humanas só podem pressentir Sua natureza essencial; Sua potência espiritual deve ser atenuada para que o gênero humano possa suportar a pressão do impacto da energia que Eles operam e procuram transmitir. É este processo de atenuação das energias que acontece no momento da Lua Cheia de Maio, e é levado a um “foco de transmissão” pela intenção em massa da Hierarquia e pela demanda em massa dos aspirantes e discípulos do mundo - ele próprio evocado pela necessidade em massa dos povos de todas as terras.

Eis, meus irmãos, um simples enunciado dos fatos todos vocês devem compreender, vocês que procuram participar de maneira inteligente do Festival de Wesak e que anseiam por atuar como transmissores da energia espiritual que, naquele momento, será vertida sobre a humanidade que sofre. Este Festival de Wesak de 1941 talvez possa se revelar como “um modificador das condições” e um grande ponto de virada na vida da humanidade se todas as pessoas de orientação espiritual puderem chegar ao necessário ponto de autoesquecimento, pureza disciplinada e de resultante receptividade.

Há certas verdades fundamentais que estão por trás de todas as religiões reveladas, e que são essenciais ao desenvolvimento espiritual e às realizações progressivas da divindade no homem. Tudo mais que se encontra no termo "doutrina” e expressões afins não são mais que expansões destes fundamentos, são de natureza explicativa e expressam as interpretações humanas e as formulações dos reconhecimentos evolucionários. São sobretudo complementos de natureza ornamental, especulativa e preditiva; estão constantemente sujeitos à mudança e podem ser rejeitados ou desenvolvidos, à medida que aumenta o intelecto e a percepção espiritual do homem; não são fundamentais nem inalteráveis. São as verdades inalteráveis que devem ser descobertas e reconhecidas, à medida que a nova expressão de religiosidade toma forma na Terra e condiciona o pensamento e a consciência dos homens na nova era vindoura.

As verdades fundamentais até esta data

Estas verdades básicas não mudam nunca, porque estão relacionadas com a própria natureza da Deidade e se tornaram evidentes para a humanidade por meio da revelação, à medida que a evolução prosseguia e o homem desenvolvia nele as faculdades de percepção necessárias e a requerida persistência na busca, acompanhando a manifestação da luz interna da alma. Estas verdades, inerentes à natureza divina, revelam a alma de Deus, e são:

1. A Lei de Compaixão. Trata-se da verdade das corretas relações, da compreensão amorosa, do Amor expresso de maneira ativa. É o fundamento da fraternidade e a expressão da unidade interna.

2. A Realidade de Deus. Trata-se da verdade de que o Ser é Deus Imanente e Deus Transcendente; envolve o reconhecimento do grande Todo e da parte componente; é o conhecimento da divindade, comprovado através de correta relação e identidade da origem. É a revelação da vida de Deus, impregnando tudo o que é (Deus Imanente) e essa mesma vida, proporcionando a relação cósmica ainda maior (Deus Transcendente), a qual é a garantia final de todo progresso e da revelação gradual. “Tendo compenetrado todo o universo com um fragmento de Mim Mesmo, Eu permaneço”, é o desafio da Deidade e a eterna esperança da humanidade. É a resposta da própria Vida às demandas da humanidade, às perguntas da ciência e a todo problema mundial. Deus está aqui, presente entre nós e em todas as formas de expressão; Ele inclui, compenetra e permanece mais além. Ele é maior que toda aparência. Revela-se progressiva e ciclicamente, à medida que o homem fica preparado para receber mais conhecimento.

4. A Resposta Inevitável da Humanidade. Com estas simples palavras expressei a reação espiritual instintiva do homem e do espírito humano imortal às três verdades fundamentais enunciadas acima. Este espírito divino da humanidade deve sempre responder (e responde) ao Aparecimento divino. Temos disso um testemunho certo e comprovado. Existe no homem algo que é afim com Deus, sendo reconhecido como próprio, quando aparece. Esta é a inabalável realidade do coração humano, cujo reconhecimento é o resultado e a inevitável recompensa da revelação.

5. O Progresso. A reação do homem individual e das massas à continuidade da revelação - comprovada historicamente - não pode ser negada. É o fato básico da religião. Os tipos dessa revelação podem variar, mas cada nova revelação - dada em resposta à necessidade ou à demanda dos homens - sempre fez a humanidade avançar para uma nova meta cada vez mais luminosa e para uma maior glória. A revelação pode se dar em diversos níveis da consciência humana. Pode ser a revelação de novas conquistas, terrenas ou mentais. Alguém apontou o caminho. Pode ser o reconhecimento de novas leis e fatos da natureza, captados e usados pela ciência. Pode ser a resposta do homem inteligente ao crescente conhecimento, produzindo um novo tipo de civilização. Algum espírito liberado apontou o caminho. Pode ser a resposta do coração humano ao Coração de Deus, que conduz à beatitude mística e ao reconhecimento do fato do Ser espiritual. Pode ser a reação do homem a algum novo ensinamento, um outro desenvolvimento que deriva em uma nova e enriquecida abordagem religiosa ao centro de vida. Algum Mensageiro apontou o caminho. Mas sempre significou progresso, um passo à frente, a rejeição a determinada limitação existente, um repúdio ao indesejável e ao daninho. Envolve sempre o reconhecimento do possível, do ideal e do divino.

6. A Transcendência. Isto significa a capacidade inata de ir mais além da assim chamada lei natural. Esta superação das limitações está sempre ocorrendo e este processo de transcendência evocará um crescente reconhecimento. Marca a seguinte e principal fase da manifestação da divindade no homem; significa o domínio sobre a lei física e o triunfo iminente da humanidade sobre as forças que durante tanto tempo sujeitaram este processo de transcendência à terra. O domínio atual sobre o ar é o símbolo desta transcendência. O homem está rapidamente dominando os quatro elementos. Cultiva a terra; sulca às águas; controla os fogos elétricos do planeta e voa triunfante pelo ar. A pergunta que agora se coloca, meus irmãos, é saber qual será a próxima conquista. É uma das coisas que o Avatar que vem revelará.

Não vou tratar dos guias menores que o espírito humano chama à sua ajuda. Procuro desenvolver um pouco a Doutrina dos Mensageiros divinos, os Avatares. De onde vêm? Qual é sua natureza? Quem são, e qual é a Sua relação com a humanidade, com a Hierarquia e com os grupos de Vidas ainda mais elevadas? São questões que surgem normalmente e precisam de uma resposta clara.

Um Avatar é um Ser que, tendo primeiro desenvolvido a sua própria natureza, humana e divina, e a tendo transcendido, é capaz de refletir um princípio cósmico ou divina qualidade e energia que produzirá o efeito desejado sobre a humanidade, suscitando uma reação, aplicando um estímulo necessário e, como se diz esotericamente, "levando a rasgar o véu e fazendo penetrar a luz”. Esta energia pode ser gerada na família humana e enfocada em um Mensageiro apto a responder a ela; pode ser gerada no âmbito do próprio planeta e produzir um Avatar planetário; pode ser a expressão do impulso vital e a energia do sistema solar ou de fontes exteriores ao sistema solar e, portanto, cósmicas. Mas ela é sempre enfocada por uma Entidade que se manifesta; é sempre suscitada por uma demanda ou um apelo de massa e provoca uma resposta e mudanças subsequentes na atividade vital, na cultura e na civilização da humanidade.

A resposta ou reação da humanidade ao Mensageiro divino produz, em seu devido tempo, o reconhecimento de algo transcendente, algo a desejar e pelo qual lutar, algo que indica uma visão, que é primeiramente uma possibilidade e, depois, uma aquisição. É um processo comprovado historicamente que, a certa altura, testemunha um fato. Este novo fato, quando se soma aos fatos estabelecidos por outros Avatares anteriores, enriquece o conteúdo espiritual da consciência humana, amplia a vida espiritual do homem e o estimula a dar um passo adiante, para o mundo da realidade e para fora do mundo da ilusão. Cada revelação o aproxima mais do mundo das causas.

No momento presente, os Avatares mais facilmente reconhecidos e conhecidos são o Buda e o Cristo, porque todos conhecem Suas mensagens e os frutos de Suas vidas e Suas palavras condicionaram o pensamento e as civilizações dos dois hemisférios. São Avatares divino- humanos e representam algo que a humanidade pode compreender com mais facilidade; porque são da mesma natureza que o homem, "carne da nossa carne e espírito do nosso espírito”. Portanto, significam para nós mais que qualquer outra Aparição Divina. São conhecidos, amados e seguidos por milhares de pessoas. Gostaria que refletissem sobre a potência do núcleo de força que estabeleceram. O estabelecimento de um centro de energia espiritualmente positivo é a tarefa constante de um Avatar. Ele centra ou ancora uma verdade dinâmica, uma potente forma-pensamento, ou um vórtice de energia atrativa nos três mundos da vida humana. Depois, à medida que passam os séculos, a verdade e o efeito de Suas vidas e palavras começam a condicionar regularmente o pensamento humano; a forma-pensamento estabelecida atua cada vez mais como transmissora de energia divina, expressando uma ideia divina que, em seu tempo, produz uma civilização, com sua cultura, suas religiões, sua política, seus governos e métodos de educação. É assim que a história se faz. A história não é mais que o registro das reações cíclicas do homem a alguma energia divina afluente, a algum Avatar ou a algum Guia inspirado.

A Intervenção Divina

Ao examinar a questão dos Avatares, gostaria de destacar que, do ponto de vista do homem em seu nível atual de evolução, os Avatares são de dois tipos, como se poderia esperar, visto que a consciência da humanidade está submetida ao controle dos pares de opostos). São eles:

1. Os Avatares que encarnam o Anjo da Presença, seja esta Presença a alma do homem, o Logos planetário, uma Entidade extraplanetária, um Ser cósmico ou uma Expressão do Bem Cósmico.

2. Os Avatares que encarnam o Morador do Umbral, seja o Morador do Umbral humano, das Forças planetárias do materialismo ou de um certo aspecto do Mal cósmico.

Permitam-me tentar tornar esta analogia um pouco mais clara. Assim como, no caso do indivíduo, chega um momento em sua experiência da vida em que pressente, conhece, vê e reconhece o Anjo da Presença como o revelador da divindade, da mesma maneira, na história da raça dos homens, pode ocorrer uma mesma grande iluminação. O aspirante se encontra diante da revelação. A humanidade se encontra diante da revelação. Deus é conhecido dentro do coração humano. Deus é conhecido pelo gênero humano. Este reconhecimento da divindade nos seus diversos aspectos é naturalmente progressivo - cada etapa e cada vida traz para o discípulo sua própria revelação da beleza da divindade e da glória da luz de maneira mais verdadeira e mais clara. Similarmente, chegam ciclos em que aparece o Morador do Umbral e confronta o aspirante, desafiando seus propósitos e seu progresso, e bloqueando a porta que leva à expansão da vida e à liberação. O Morador desafia a liberdade da alma humana. O mesmo acontece na vida de uma nação, de uma raça e da humanidade como um todo.

O Anjo da Presença indica uma possibilidade divina, revela ao discípulo atento o próximo passo para a liberação, e lança luz na etapa imediata do Caminho para a Luz que deve ser trilhado. O mesmo faz o Avatar, que revela o Caminho de Luz à humanidade.

O Morador do Umbral resume em si as tendências más, as limitações acumuladas e o somatório dos hábitos e desejos egoístas, características da natureza material do discípulo. O Anjo da Presença indica uma possibilidade futura e a natureza divina. É também o que faz o Avatar. O Morador do Umbral indica o passado com suas limitações e maus hábitos. É também o que fazem os Avatares que, de tempos em tempos, aparecem como personificações do mal e da natureza inferior do homem. E, meu irmão, eles aparecem em todas as eras.

Alguns ciclos na vida de um discípulo apresentam tal aspecto de um "confronto”, outros ciclos, outro aspecto. Em uma vida pode estar inteiramente ocupado em lutar contra o Morador do Umbral ou em se orientar para o Anjo da Presença e permitir que a divina energia condicionante flua em si mesmo. Pode sucumbir à influência do temível somatório de seus desejos malignos e materiais ou aproximar-se gradualmente do Anjo. Porém - e este é o ponto de importância - é ele mesmo quem evoca uma ou outra destas manifestações. O mesmo se passa com a humanidade. O chamado da alma da humanidade, ou da natureza material da humanidade, deve evocar uma resposta; é assim que um Avatar pode se manifestar. É o apelo magnético do discípulo ou a intenção de massa da humanidade que produzem a manifestação. Em outras vidas, o discípulo pode simplesmente oscilar entre os dois polos de seu ser, sem nenhum esforço consciente, nenhum confronto direto, sem uma compreensão clara do propósito da vida. Assim também é com a humanidade.

Em algum momento, porém, chega uma vida em que o discípulo é confrontado simultaneamente com o Morador e o Anjo, e ocorre o maior conflito da sua experiência. É o que está acontecendo hoje no mundo. O espiritual e o material estão em conflito e a própria humanidade é o campo de batalha.

Uma vez mais podemos observar uma correspondência com a doutrina dos Avatares na vida individual do discípulo. Quando ele chega ao desejo correto e tendo feito um verdadeiro esforço para se orientar de maneira correta, então - quando o conflito entre o bem e o mal estiver em seu ponto culminante - chega o momento em que ele pede mais luz, mais poder, mais compreensão e liberação para dar o próximo passo. Quando for capaz de fazer este pedido com intenção inalterável e permanecer firme e sem medo, a resposta virá, inevitavelmente, da Própria Presença. Uma manifestação de luz, amor e poder fluirá. O reconhecimento da necessidade terá então motivado uma resposta. O conflito cessa; o Morador se retira para o seu próprio lugar; o Caminho à frente fica livre; o discípulo pode avançar com segurança, e uma vida melhor começa para ele.

O mesmo ocorre com a humanidade. Um apelo se eleva até as portas do Céu; a intenção de massa da humanidade é que o mal deve terminar e que uma vida melhor e mais verdadeira se torne possível. Nos momentos das maiores tensões e dificuldades esse pedido sobe. A resposta vem. O Avatar aparece, e a luz aflui, liberando o caminho. Uma nova esperança desperta e novas determinações são tomadas. A força para estabelecer corretas relações circula no corpo da humanidade, e o gênero humano surge para uma vida mais ampla, condicionada por valores mais verdadeiros. É viabilizada uma fusão entre o mundo externo da vida diária e o mundo interno das realidades espirituais. Uma nova afluência de amor e de luz é possível.

Hoje o momento de tensão adequada da vida da humanidade foi atingido. O Anjo da Presença e o Morador do Umbral estão em conflito. A humanidade parece estar em sua hora mais escura. Mas o grito se eleva, pedindo ajuda, socorro, revelação, luz e força para se livrar do mal. A intenção unida dos aspirantes mundiais se dirige para um mundo de valores mais autênticos, de melhores relações humanas, de modo de vida mais iluminado e um melhor entendimento entre os homens e os povos. Permanecem com intenção unida, e suas linhas aumentam constantemente. É com um crescente empenho na vontade-para-o-bem, uma compreensão mais clara das possibilidades futuras, uma firme determinação de ver o mundo avançando de acordo com o modelo divino, e com o urgente apelo por ajuda que a humanidade permanece na espera de socorro. Em todos os países se reconhece cada vez mais que quando a humanidade chegar ao ponto psicológico em que tendo feito tudo, só resta esperar, então uma Expressão de uma determinação divina de intervenção aparecerá; há uma crença crescente de que o esforço humano para uma ação correta será completado pelo aparecimento de uma Força, de uma Pessoa ou de um Acontecimento divino que porá fim ao conflito.

Aponte-se aqui que, em crises similares, mais menos graves no passado, esta intervenção divina substituiu o esforço humano. Porém, Aqueles que procuram ajudar a humanidade esperam que hoje esta intervenção simplesmente completará o esforço humano - coisa muito diferente.

Portanto, em todas as partes, a humanidade espera hoje por Aquele que Vem. Pressente- se que o Avatar está a caminho. A segunda vinda (de acordo com a profecia) é iminente, e o clamor sai dos lábios dos discípulos, místicos, aspirantes e de todas as pessoas iluminadas de todas as terras: “Que a luz, o amor, o poder e a morte cumpram o propósito d’Aquele Que Vem”. Essas palavras são um pedido, uma consagração, um sacrifício, uma afirmação de fé e um questionamento ao Avatar, o qual espera em Seu Lugar Elevado que o pedido seja adequado, que o clamor seja suficientemente claro para justificar Sua descida e Seu aparecimento.

Formular um pedido sem agir em paralelo é inútil, tal como a fé sem obras é morta. É neste ponto em que há um hiato no vínculo magnético que deveria unir o Avatar com o clamor por Sua vinda. Seu aparecimento deve ser causado por uma quíntupla cadeia ou fio de energia: a vontade enfocada dos povos, a intenção maciça dos discípulos e aspirantes do mundo, somando-se seu desejo, sua participação ativa na tarefa de desobstrução do caminho para Ele, e um completo altruísmo. Somente quando a humanidade tiver feito por si mesma todo o possível para ajustar aquilo que está errado e acabar com o que é maligno, e tiver levado este esforço até o sacrifício da própria vida, poderá Ele, o Desejo de todas as nações, aparecer.

Hoje há um empenho neste sentido. O grande acontecimento do aparecimento do Avatar pode ser viabilizado por um esforço um pouco maior. A missão do Buda neste específico Festival de Wesak é acrescentar aquele novo impulso, aquela estimulante iluminação e aquele congregado poder e propósito fixo que habilitará a humanidade a superar esta crise. Do lado das Forças espirituais do planeta, tudo terá sido feito para possibilitar o aparecimento do Avatar. Do lado da humanidade, perguntaria a vocês: o que vão fazer?

Entre a Fonte da qual surgem todos os Avatares e a humanidade, encontram-se a Hierarquia de Amor, o Cristo e Seus discípulos, os Mestres da Sabedoria. Estão unidos, todos Eles, em um formidável esforço para ajudar a humanidade neste momento a debelar o Morador no Umbral e a se aproximar mais do Anjo e isto precisa de uma ajuda maior, a qual será disponibilizada quando a humanidade e a Hierarquia, em um empreendimento comum e combinado permanecerem com intenção maciça, invocando essa ajuda e também a esperando.

O Aparecimento dos Avatares

Desde o ano 1400 (data que já mencionei) houve aparecimentos constantes de avatares menores, chamados para fazer frente a crises menores, a dilemas nacionais e a uma necessidade religiosa. Adotaram a forma de homens e mulheres que defenderam com sucesso alguma verdade ou causa justa, algum direito humano ou uma demanda humana correta. Todas estas pessoas trabalharam ativamente no plano físico, mas poucas vezes foram reconhecidas pelo que eram realmente. Só a história, em data posterior, acentuou suas realizações. No entanto, eles mudaram a corrente dos pensamentos dos homens; mostraram o caminho para uma vida melhor; foram precursores em novos campos da realização humana. Um deles foi Lutero, como também Cristóvão Colombo, Shakespeare e Leonardo da Vinci - para mencionar apenas quatro - que viveram, pensaram e agiram de modo a modelar os eventos posteriores em algum setor da vida humana, e continuam sendo reconhecidos como almas pioneiras, como guias entre os homens. Não tratarei deste tipo de discípulos. Eles encarnaram ideias e fizeram história - não a história de conquista, mas a do progresso. Procuro considerar com vocês aqueles Aparecimentos ainda maiores que vêm de algum centro oculto, distante ou próximo da humanidade e que "liberam os filhos dos homens das crises”. Enquadram-se, em especial, em quatro grupos relativamente menores:

1. Avatares Raciais. Estes Aparecimentos são evocados pelo gênio e destino de uma raça; o homem típico (em qualidade e consciência, não necessariamente pelo seu físico) prefigura a natureza de tal raça. Assim foi Abraham Lincoln, que saiu da própria alma de um povo, introduzindo e transmitindo uma qualidade racial - qualidade a ser exercitada posteriormente, à medida que a raça vai se desenvolvendo. Saído de maneira análoga do reino do mal cósmico, e responsável pelo enfoque do materialismo sobre o nosso planeta, na hora atual, apareceu Bismarck. Esses dois homens apareceram vieram no mesmo século, o que demonstra o equilíbrio na natureza e a influência constante e recíproca dos pares de opostos. Todos os dois fazem parte do tipo mais potente de Avatares que a humanidade produziu até agora. Eles aparecem na linha do governo e do primeiro raio, no Departamento do Manu, e são muito sensíveis à força de Shamballa. Avatares assim aparecem com frequência na fundação de uma nação. Isto é válido tanto para Bismarck como para Lincoln.

2. Avatares Instrutores. Estes aparecimentos fazem ressoar uma nova nota na esfera do pensamento e da consciência; revelam a próxima e necessária verdade, pronunciam palavras e formulam verdades que projetam luz sobre o desenvolvimento espiritual da humanidade. Avatares assim foram Platão, o primeiro Patanjali e Sankaracharya; apareceram na linha de energia do segundo raio, no departamento do Cristo, e são expressões da força hierárquica. Ao me referir ao departamento do Cristo, relembro que “Cristo” é o nome de um posto de serviço, serviço este que sempre teve seu Diretor. Não menciono o Cristo nem o Buda entre estes avatares, porque são Avatares de outro tipo e de um poder infinitamente maior.

3. Avatares de Raio. Estes grandes Seres aparecem em intervalos relativamente longos, quando um raio entra em manifestação. Encarnam a qualidade e a força de um raio específico. No próximo século, quando o sétimo raio alcançar a sua manifestação completa e a influência de Peixes tiver desaparecido totalmente, o Avatar do sétimo raio aparecerá. Seu trabalho demonstrará a lei, a ordem e o ritmo do processo criador, tal como atua no plano físico, mesclando espírito e matéria. E, como este raio é chamado de Raio da Ordem Cerimonial ou Ritual, ele contribuirá amplamente para criar as condições que permitirão o reaparecimento na Terra dos Mistérios da Iniciação, dos quais a Hierarquia é guardiã. Ele é necessariamente vinculado à grande Loja Branca de Sirius. Este fato, porém, não nos diz respeito neste momento, pois estamos esperando a vinda de um Avatar ainda maior.

4. Avatares Transmissores. Estas manifestações da divindade aparecem nos grandes momentos cíclicos de revelação, quando a humanidade necessita que uma verdade nova lhe seja expressa, ou que uma verdade antiga seja ampliada, a fim de progredir ainda mais na escala evolutiva. Estes Avatares aparecem em resposta a uma demanda, e não têm muito a ver com o desenvolvimento racial, mas sim com o desenvolvimento subjetivo da consciência e do estímulo da humanidade como um todo. Entre esses Avatares, o Buda e o Cristo são exemplos marcantes. Não apenas foram Avatares humano-divinos e, portanto, capazes de vincular a humanidade à Hierarquia, como também algo maior e mais importante. Eles haviam alcançado o ponto em que podiam atuar como Transmissores de certos princípios cósmicos que - enfocados n’Eles, em um sentido extraplanetário - podiam estimular o princípio correspondente profundamente oculto e latente na humanidade. Transmitiram e trouxeram algo de fora da vida planetária, do próprio Coração de Deus para o coração do homem. O Buda, por ter alcançado a iluminação, estimulou a luz no mundo, na humanidade e em todas as formas. Serviu à alma do homem. O Cristo, devido à Sua prodigiosa realização - na linha da compreensão - transmitiu à humanidade, pela primeira vez na história humana, um aspecto e um poder da própria natureza de Deus, o princípio Amor da Deidade. Antes do advento do Buda, a luz, a aspiração e o reconhecimento de Deus Transcendente haviam sido a expressão vacilante da atitude humana com relação a Deus. Depois veio o Buda e Ele evidenciou, por Sua própria vida, a realidade de Deus Imanente e de Deus Transcendente. Ele fez evoluir a ideia de Deus no universo e de Deus na humanidade. A individualidade da Deidade e o Eu no coração do homem individual se tornaram um fator na consciência humana, o que era uma verdade relativamente nova que a humanidade devia captar, e que era conhecida por discípulos e iniciados.

Entretanto, até que o Cristo viesse e vivesse uma vida de amor e de serviço e desse à humanidade o novo mandamento de amar, pouco se havia acentuado Deus como Amor, em quaisquer que fossem os textos sagrados do mundo. Depois que Ele apareceu como o Avatar de Amor, Deus passou a ser reconhecido como “Amor supremo, amor como meta e objetivo da criação, amor como princípio básico das relações, e amor atuando em toda a manifestação para um plano motivado pelo amor”. O Cristo revelou esta qualidade divina e assim modificou toda a vida do homem e seus objetivos. Naquele momento também foi dado um vigoroso ímpeto e expansão no trabalho e crescimento da Hierarquia, como tinha havido, em menor grau, por ocasião da vinda do Buda. Muitos iniciados se tornaram Mestres; muitos Mestres passaram para um trabalho superior e muitos discípulos tomaram seus lugares entre os iniciados. Numericamente, houve um grande fluxo de aspirantes para as fileiras de discípulos aceitos.

Em textos anteriores considerei alguns destes Avatares sob diferentes nomes e categorias. Trato deles aqui simplesmente no empenho de atingir um público maior com o ensinamento da Doutrina dos Avatares ou dos Aparecimentos divinos. A Bíblia contém muitos aparecimentos deste tipo, mas, na realidade, são pouco compreendidos. A classificação acima é a mais conhecida.

Em setembro de 1940, dei uma interpretação de uma nova estrofe da Grande Invocação e neste comunicado falei das encarnações divinas como o tipo de Avatar mais elevado que a humanidade podia esperar nessa etapa de sua evolução. Mencionei a atividade da Hierarquia e de Shamballa, para o caso em que estes dois agentes divinos decidissem que uma intervenção sob a forma de uma catástrofe generalizada (que envolvesse todos os povos) fosse necessária e me referi ao aparecimento de líderes inspirados como outro aspecto inferior da direção e participação divina.

No momento atual uma liderança inspirada dessa natureza está sendo dada hoje à humanidade por Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt, em oposição ao controle que as forças do materialismo, através de Hitler e outro homem do seu grupo, estão exercendo sobre os homens. Mas não estou tratando aqui deste tipo de guia de homens como expressão do princípio dos avatares. Chefes deste tipo são causados por elementos presentes na própria humanidade. Estou tratando agora de um quinto tipo de Avatar, maior que os outros quatro. Estes Avatares não passaram pela experiência da vida humana neste ciclo mundial.

5. Encarnações Divinas. Estes Avatares aparecem raras vezes e, quando fazem, a eficácia e os resultados de Seu trabalho são enormes. Vêm à manifestação por intermédio do centro de Shamballa, pois são expressões do aspecto vontade da natureza divina. Eles encarnam o propósito divino; a energia que flui através deles e que Eles transmitem se enfoca por intermédio do Senhor do Mundo. Só é possível chegar a Eles pelo clamor comum da Hierarquia e da humanidade, ressoando em uníssono. Seu serviço só pode ser evocado por uma necessidade considerada real e somente depois que aqueles que o invocam tenham somado à sua fé uma ação vigorosa e feito o máximo possível, sozinhos e sem ajuda, para vencer o mal.

Eles nunca descem abaixo do plano mental, e Seu trabalho enfatiza e atenta principalmente para a Hierarquia, que é Seu agente de transmissão. Ocasionalmente atingem os pensadores, enfocados no plano mental, que têm uma visão clara, uma determinação potente, uma vontade direcionada e uma mente além, logicamente, da pureza essencial da forma. Estes Avatares expressam a Vontade de Deus, a energia de Shamballa e o impulso que subjaz no propósito divino. Quando vêm, expressam o aspecto destruidor do primeiro raio de poder; produzem a morte de todas as formas antigas e limitantes, e tudo que abriga o mal. Portanto, Seu trabalho se divide em duas categorias:

a. Eles destruirão as forças do mal, por meio das Forças da Luz.

b. Eles revelarão o tanto do propósito divino que a humanidade for capaz de captar por meio de suas melhores mentes e dos aspirantes mais dedicados. Eles esclarecerão a visão dos discípulos do mundo e de todos que possuem a disciplina da vontade-de-saber e que são dedicados à vontade-para-o-bem. Este conhecimento e esta vontade são necessários para o próximo período de reajuste que vem.

Como Eles porão fim às malignas condições do presente e como destruirão o atual e nefasto estado de agressão materialista atual não tenho o direito de revelar. Ainda não é certo que o desenvolvimento humano, a compreensão humana e a intenção de massa da humanidade estejam na medida da demanda necessária ou forte o suficiente para evocar a vinda d’Eles. Só o tempo dirá. Deus queira que os aspirantes e discípulos do mundo despertem para a oportunidade oferecida e para a possibilidade iminente. As dificuldades de grandes grupos de pessoas no planeta pesam hoje intensamente no coração da Hierarquia. Porém, para trazer alívio e provocar o Aparecimento da Potestade que pode liberar é preciso haver a cooperação dos homens. Em nenhum outro lugar isto é mais desesperadamente necessário do que entre o povo alemão em seu desditoso país. Deus queira, portanto, que os alemães que têm visão se unam às forças dos que procuram libertar a Alemanha e seu povo da tirania imposta pela loja do mal, atuando por intermédio de seus sete representantes na Alemanha. Quando os alemães que vivem livres em outros países puderem pensar em termos de humanidade como um todo, e não em termos de miragens nacionais, vingança ou autocomiseração, suas vozes se somarão às de outros povos livres e dos aspirantes e discípulos das demais nações.

Quando o Avatar vier, dará à humanidade algo para o qual não temos nome ainda. Não será nem amor nem vontade como entendemos. Somente uma frase de várias palavras pode, em certa medida, traduzir este significado e mesmo assim fracamente. A frase é “o princípio do propósito dirigido”, o que envolve três fatores:

a. A compreensão (intuitiva e instintiva, mas interpretada de maneira inteligente) do plano, tal como pode ser implementado no futuro imediato.

b. A intenção concentrada, baseada nos fatores acima, acentuando um aspecto da vontade ainda não desenvolvido no homem.

c. A capacidade de dirigir a energia (por meio da compreensão e da intenção) para um fim reconhecido e desejado, vencendo todos os obstáculos e destruindo tudo que impede seu caminho. Não se trata de destruição das formas pela força tal como está imposto hoje no mundo, mas de uma destruição produzida por uma vida consideravelmente fortalecida dentro da forma. Somente os próximos cem anos revelarão a significação desta declaração e somente se a intenção unida dos povos evocar o Avatar da Síntese ao longo dos próximos doze meses. Denominei assim este Ser porque Ele expressa a qualidade e o objetivo da força que traz e faz uso.

Outro Avatar menos importante também espera o apelo da humanidade. Ele é ligado esotericamente ao Avatar de Síntese, que o sobrepaira. Este Avatar pode descer até o plano físico e se expressar externamente, e assim minorar e transmitir o estímulo e a qualidade da força do Avatar maior, o qual só pode chegar até o plano mental. Quem é Aquele que Vem? Ainda não foi revelado. Pode ser o Cristo, se as Suas outras tarefas o permitirem; pode ser uma Entidade escolhida por Ele, para aparecer, ser sobrepairada pelo Avatar de Síntese e dirigida em Suas atividades pelo Cristo, o Senhor de Amor. Desta maneira, as energias de Shamballa e da Hierarquia convergirão sobre Aquele que for escolhido e vier. Assim um Triângulo de energia de amor e de propósito será criado, o qual pode resultar em uma maneira mais eficaz de liberar energia e mais segura do que se fosse o impacto concentrado de uma só força escolhida.

Compreendo a dificuldade desta questão, e talvez possa simplificar o assunto por meio de um breve resumo:

1. Um grande Avatar cósmico pode vir se a Hierarquia e a humanidade conseguirem se manter unidas com intenção maciça.

a. Ele descerá aos três mundos do esforço humano, mas não além do plano mental.

b. Ele transmitirá uma energia cósmica cuja qualidade é Síntese, a qual se expressará por meio de harmonia e de unidade, produzindo necessariamente compreensão, promovendo boa vontade e, oportunamente, acabando com as tendências separatistas e isolacionista do gênero humano.

c. Sua nota e vibração só podem ser percebidas por aqueles cuja nota individual também seja de síntese e cujo objetivo de vida seja a vontade-para-o-bem. São eles: os Membros da Hierarquia, os discípulos e aspirantes do mundo e uns poucos homens de boa vontade.

2. É possível que apareça um Mensageiro ou Avatar de posto equivalente ao do Cristo na Hierarquia (ou talvez o próprio Cristo), como representante do Avatar de Síntese e como Seu agente de transmissão.

a. Este Avatar de grau menor trabalha hoje como membro sênior da Grande Loja Branca. Ele se encontra em estreito contato com o Cristo, o Manu e o Senhor da Civilização, o Mestre R. Seu papel será de Coordenador entre a Hierarquia e Shamballa. Fusionará e unirá em si mesmo, graças à qualidade da sua própria vida, as três grandes energias:

A vontade de poder espiritual.
A vontade de amor em sua acepção espiritual.
A vontade de se manifestar espiritualmente.

b. A antiguidade da realização d’Aquele que Vem se encontra no nome que lhe é dado pelos inúmeros textos sagrados do mundo: o Cavaleiro do Cavalo Branco. Refere- se a uma época anterior à expressão tão conhecida nos círculos cristãos: “O Cordeiro sacrificado desde a fundação do mundo”. No ciclo anterior, os iniciados de então falavam do “cavalo sacrificado, imolado para toda a eternidade”, frase que transmite a mesma ideia básica.

c. Este Avatar pode descer até o plano físico e ali aparecer para guiar Seu povo como o Príncipe Que conduz à paz por entre a guerra.

d. Atualmente, todo o problema ante a Hierarquia e a humanidade em relação ao futuro Avatar pode ser resumido nas quatro perguntas seguintes:

Trará consigo a energia de síntese, produzindo assim mudanças rápidas?

Isto depende de estar sob a influência do Avatar da Síntese e do fato de que este Avatar possa ser evocado pela demanda e a intenção de massa da humanidade, com a ajuda da Hierarquia.

A demanda dos povos será suficientemente forte para evocar esta potência superior, ou será muito fraca devido ao fracasso dos discípulos e aspirantes do mundo em centrar esta intenção em massa em todo o planeta?

Poderia esta influência superior não acontecer, vindo somente o Avatar de grau menor para instituir um método mais lento de reforma gradual?

Este método mais lento será necessário apenas se a humanidade demonstrar sua incapacidade de evocar e receber a plena medida da energia divina superior e de sua vibração mais potente. Isso depende inteiramente da decisão dos discípulos e aspirantes do mundo, não da decisão da pobre humanidade desorientada e iludida. Os discípulos e aspirantes mundiais vão se dar conta desta crise e da oportunidade oferecida? Como um todo, até agora não compreenderam.

3. A Hierarquia hoje se mantém em uma intenção unida. O clamor das massas se eleva até as próprias portas de Shamballa, e ele é mais forte do que a demanda das pessoas orientadas espiritualmente: discípulos, aspirantes e homens de boa vontade. Do ponto de vista da Hierarquia, parecem estar dominados pela inércia, absorvidos por suas teorias e idealismos, e cegos às coisas que estão em jogo. Poderão ser despertados? Poderão permanecer com intenção enfocada prestando um fervoroso serviço, desenvolvendo uma atividade física, realizando um esforço determinado para lutar até a morte pela derrota do mal? Poderão manter a atitude interna de amor e não de separatividade? Poderão abandonar tudo por amor à humanidade? Poderão sacrificar tudo pela causa da liberdade e da justiça? Este é o problema que enfrentam Aqueles Que trabalham para o aparecimento dos Avatares Maiores e Menores, que neste momento podem salvar a humanidade, se a humanidade desejar a salvação e tomar as medidas necessárias.

As Medidas Necessárias

Estas medidas diferem, mas têm uma só intenção. A primeira medida é compreender com clareza os métodos pelos quais o Avatar poderá vir e assim alcançar a humanidade. Os métodos são os mesmos, quer se trate do Avatar de Síntese, cuja ação se exerce pela Hierarquia, quer para o Avatar de Coordenação (como poderia denominá-lo), que exerce sua ação por intermédio da humanidade e representa o Grande Avatar no plano físico.

Os métodos pelos quais os Avatares atingem e influenciam Seus agentes, aqueles que respondem à Sua nota, vibração e mensagem são em número de três:

1. Ofuscamento. Onde há afinidade em qualidade, objetivo e natureza, é possível que um Avatar ofusque um Membro da Hierarquia (como no caso do Avatar de Síntese) ou algum discípulo ou aspirante, no que se refere à humanidade (no caso de um Avatar de grau menor). Isto se faz por meio da meditação, de uma corrente dirigida de energia mental, pela apresentação de uma forma-pensamento e a evocação da vontade concentrada daquele que está sendo ofuscado. Tudo isto se faz rapidamente, quando há uma estreita colaboração entre o Avatar e o discípulo sensível e receptivo. O Cristo hoje está em relação muito estreita com o Avatar de Síntese, relação que será cada vez mais estreita até a lua cheia de junho. Ele está prestando toda ajuda possível, assim como o Seu Irmão, o Buda. Daí a suprema importância da próxima lua cheia de maio.

Um grupo de Mestres e iniciados especialmente ligados ao departamento do Cristo, assim como um grupo que trabalha sob a direção do Mestre M., estão se esforçando para receber esta influência ofuscante, o que até para Eles só é possível quando transmitida pelo Cristo (falo aqui de mistérios). Portanto, será evidente para você que, conforme eles têm sucesso e se tornam cada vez mais sensíveis e conscientes desta energia ofuscante do grande Avatar, Seus discípulos na Terra também podem, de maneira fraca e imprecisa, responder às ideias formuladas na mente de seu Mestre específico, em resposta à impressão do Avatar. Reflitam sobre isto.

2. Inspiração. Esta é mais direta que o ofuscamento e dá resultados mais potentes. Certos Membros da Hierarquia, e sobretudo os Avatares de menor grau, são inspirados do “o alto” pelo Avatar cósmico, e em certos momentos tornam-se expressões diretas de Sua mente, Sua energia e Seus planos, sendo isto a correspondência espiritual da obsessão. No caso da obsessão, uma entidade do mal toma posse de um homem e o inspira; no caso da inspiração, não há possessão alguma, mas apenas o que se chama de “identidade de reação”, coisa muito diferente. Em um caso, o livre-arbítrio e a compreensão inteligente do Mestre ou do discípulo está comprometida do lado do Agente espiritual; o homem espiritual, atuando como alma, torna-se o canal de forças, ideias e atividades que não são suas próprias, mas às quais dá seu pleno assentimento intuitivo. Tudo se passa em plena compreensão e em toda consciência de método, processo e resultados. É um ato de colaboração espiritual livre pelo bem da humanidade no trabalho de uma grande Ser espiritual ou Força. A cooperação do Mestre Jesus com o Cristo é um exemplo preciso. No que diz respeito ao Avatar esperado, poderia envolver a cooperação do Cristo ou de uma “alma-irmã de mesmo grau” com um Ser ou uma Presença cósmica, efetuando-se em níveis da consciência espirituais ainda mais elevados, produzindo assim uma potência incrivelmente concentrada.

No caso da obsessão, a força do mal escraviza a personalidade que, na maioria dos casos, não é mais que uma casca. Disto, Hitler é um exemplo muito preciso. A obsessão produz maior potência no plano físico e no plano astral; é mais rápida e imediata nos resultados, mas a capacidade de duração é menor e os efeitos são relativamente temporários.

No processo da inspiração, o Avatar de menor grau - por meio de Sua vida e seus contatos nos três mundos - influenciará necessariamente discípulos e aspirantes sensíveis e de orientação espiritual de maneira que a inspiração proveniente do Avatar cósmico se torna, com o tempo, uma inspiração grupal que, em consequência, pode ser manipulada com mais segurança. Esta inspiração grupal pode acontecer hoje. Neste caso, haveria um aparecimento simultâneo do Avatar cósmico, do Salvador do Mundo na pessoa do Avatar de menor grau e - ao mesmo tempo - de um salvador grupal, composto dos discípulos e servidores receptivos do mundo. Mais uma vez, reflitam sobre isto.

Desta maneira, e observem com cuidado, estabelece-se uma cadeia de ligação direta entre a humanidade e Shamballa por intermédio da Hierarquia. A Hierarquia trabalha para estabelecer esta cadeia, com a ajuda de Seus discípulos. O pedido de colaboração é lançado agora a todos os aspirantes, devido à urgência dos tempos. Se esta relação se estabelecer (e se isso não acontecer será um triste dia para a humanidade), o terceiro método de expressão do Avatar é então viabilizado.

3. Aparecimento ou Manifestação. A Hierarquia fez tudo que era possível para permitir o aparecimento do Avatar, Aquele Que Vem. A natureza dessas medidas não pode ser exposta aqui. Só é permitido colocar certas perguntas, sugestivas de possibilidades. Vocês acham que Seu corpo de manifestação já está na Terra, esperando apenas ser ofuscado, inspirado e utilizado no momento oportuno, como foi o veículo do Mestre Jesus pelo Cristo? Há quem diga que este corpo está esperando há 22 anos. Seria possível uma repentina descida do Príncipe da Luz e da Paz para mudar as condições atuais mediante a eficácia de Sua radiação e de Sua mensagem? Há aqueles que esperam que Ele apareça repentinamente, e são milhões de pessoas expectantes. Há aqueles que dizem que Ele já está a caminho. Seria possível que neste Festival de Wesak Se aproxime mais da Hierarquia e faça contato com Ela? Há aqueles que afirmam que isto vai acontecer. Pode a "intenção unida” da humanidade suscitar uma resposta e provocar o aparecimento do Avatar de grau menor na Terra? Há aqueles que dizem que nada pode detê-lo. A profecia, a expectativa e o ciclo atual atestam a oportunidade. Este possível e duplo evento - a vinda do Avatar de Síntese até a Hierarquia e a de um Avatar de grau menor, Seu Representante, até a Humanidade - pode se tornar uma probabilidade, se os discípulos e aspirantes do mundo se mostrarem à altura desta oportunidade.

A Tarefa Imediata

Ao abordar minha conclusão e estas últimas observações, pergunto-me se algo que diga despertará nos discípulos a necessidade de um esforço espiritual - um esforço espiritual que deve se expressar como decisões e atividades no plano físico. Certo aspecto do esforço no plano físico já foi empreendido, pela própria força das circunstâncias: a atividade da Cruz Vermelha em todos os países, uma resposta às necessidades físicas urgentes em torno deles, a mobilização do tempo e dos recursos pelos governantes de todos os países que são a tônica da época. Mas o que é indispensável é a atividade e orientação espirituais internas (paralelas à atividade externa). Esta atividade é precedida pelo pensamento e pela decisão clara e efetiva que vai aos fatos. Os discípulos e aspirantes do mundo estão aptos a evidenciar esta vida plena em todos os níveis? São capazes de uma intensa vida interna, assim como de uma atenção incansável aos deveres e às demandas externas? É este o problema. São capazes de deixar de lado suas apreciadas teorias e ideais insignificantes (insignificantes diante da terrível situação mundial) e convergir todo esforço possível para a luta contra o mal no plano físico, e também em outros níveis, empregando todos os meios possíveis? Estão aptos para viver ao mesmo tempo essa vida dinâmica de pensamento e compreensão inclusivos, que alcançará expressão no sonoro apelo ao Avatar? É o sentimento e a adesão fanática a um ideal bem-amado que muitas vezes se interpõem entre um discípulo e o serviço efetivo no plano físico. São os antigos hábitos de pensamento e o decidido esforço de introduzir algum sonho místico entre as condições tais como são e tais como poderiam ser se os discípulos agissem corretamente que impedem a prestação de um serviço eficaz.

No entanto, meus irmãos, todas as coisas têm que ser renovadas, e isto significa uma nova visão, um novo idealismo e uma nova técnica de vida. Os sonhos e os ideais do passado, os esforços passados para trilhar o Caminho e expressar a fraternidade conseguiram produzir com êxito certas mudanças na atitude da raça, uma nova orientação para a vida do espírito e a intenção concentrada de seguir em frente. Era essa a meta desejada, e essa meta foi alcançada.

Já existe uma atitude correta em muitas pessoas de todas as raças e foi o reconhecimento desse fato que evocou a atividade presente dos irmãos das sombras. Eles estão percebendo que o tempo do seu poder está se encurtando. O controle dos valores materialistas sobre o homem está cada vez mais fraco. A humanidade progrediu tanto que já há pessoas em número suficiente para reverter a maré, se conseguirem sair da apatia.

Durante os anos 1932 a 1938 procurei estimulá-los para uma ação rápida e um pensamento claro, e embora tenha tido certa medida de êxito, não foi suficiente. A cegueira, a ilusão, a separatividade e a inércia dos aspirantes constituem hoje um dos fatores contra os quais a Hierarquia tem que lutar. Os aspirantes se preocupam com seus próprios e pequenos assuntos e com seus insignificantes esforços, em vez de abandonar tudo para se unirem na atividade e no apelo necessários. Estão lutando por suas próprias interpretações da verdade, seus ideais preferidos de paz, de vida ou de trabalho e, como Nero, "tocam a lira enquanto Roma arde”. Durante toda a vida lutaram por um ideal e um sonho, aos quais têm mais amor que à humanidade. No entanto, tudo que se necessita é de um amor tão profundo pela humanidade que ele se exercerá em todos os níveis da atividade e em todos os esforços da vida. Se os idealistas do mundo compreendessem a situação tal como é, abandonariam tudo que lhes é caro para vir em socorro da humanidade e, desta maneira, arrancar as massas indefesas da escravidão e da morte. Lutariam pela liberdade da alma humana com todas as armas do arsenal da humanidade. Deteriam as forças da agressão pela força, se necessário fosse. Teriam que pensar com clareza para desimpedir o canal para o fluxo da força espiritual. Os principais requisitos hoje para o verdadeiro serviço mundial são o irresistível amor pela humanidade e um senso de proporção. Os únicos requisitos atuais para discípulos e aspirantes resumem-se como segue:

1. Fazer todo o possível para pôr fim à guerra. Todos os métodos do plano físico devem ser usados para fazer retroceder as forças do mal e da crueldade para seu lugar de trevas. Os métodos do plano físico, quando são motivados pelo inabalável amor à humanidade, e dirigidos por uma alma iluminada, tornam-se agentes da justiça. Há coisas piores que a morte do corpo físico, a escravidão da alma humana.

2. Centralizar a vida interna na Hierarquia com uma fé radiante. É preciso desobstruir o caminho d’Aquele que Vem e consagrar a força vital a uma vida externa de compaixão.

3. Aclarar a vida mental na pura luz da alma. Os discípulos vivem demais no mundo do sentimento e é isso que ofusca a visão. Quando tiverem aclarado suas mentes e visto a situação como um todo, poderão então pedir ao Avatar que apareça. Este apelo deve ser feito passando pelo Cristo.

4. Os discípulos devem se esforçar para compreender quais são os objetivos do Avatar e assim se capacitarem para colaborar.

O segundo passo é compreender com clareza a tarefa que devem empreender para preparar o aparecimento d’Aquele que Vem, o que implica quatro coisas:

1. O esforço de permanecer com todos os outros discípulos e aspirantes no intento de invocar o Avatar, chegar a Ele por um intenso e concentrado pensamento e evocar dele uma resposta. É este o propósito da nova Invocação. Ela expressa a intenção, faz o pedido e oferece colaboração.

2. A provisão de um núcleo ou grupo, por intermédio do qual o Avatar da Síntese possa atuar, quando o Avatar de grau menor estiver no plano físico. Implica que o indivíduo trabalhe ativamente, que faça ressoar uma nota clara, baseada na clara percepção mental, que ele reconheça os que estão associados no trabalho e no desenvolvimento do trabalho consciente de grupo. Neste trabalho grupal, a personalidade passa para o segundo plano, e dominam apenas as seguintes determinações:

a. A determinação de oferecer serviço grupal - como grupo - ao grupo mundial

b. A determinação de estabelecer corretas relações humanas no planeta.

c. A determinação de desenvolver em todas as partes o espírito de boa vontade.

d. A determinação de se opor ao mal, por meio de atividade grupal planejada.

3. Construir uma rede de luz e de serviço em todas as terras, o que começa no ambiente individual do servidor e, gradualmente, se estende por todo o mundo. Foi com esta ideia em vista que sugeri a formação de triângulos, compostos por pessoas comprometidas em usar a Invocação e a propagar seu uso por todo o mundo. É meu plano específico ajudar o pensamento maciço do mundo e, assim, evocar o Avatar e também proporcionar um grupo mundial por meio do qual as novas forças e energias possam atuar, as novas ideias possam se disseminar e uma governança diferenciada encontrar adeptos.

4. Preparar o público em geral para a chegada d’Aquele Que Vem, assinalando o testemunho do passado, reconhecendo a necessidade universal de intervenção divina e oferecendo esperança aos aflitos, aos incrédulos e aos torturados. Em Seu aparecimento reside a esperança, e a história testifica que isso ocorreu com frequências em momentos de crise mundial.

Tais são as possibilidades que apresento ao entendimento de vocês. Muito expus e ensinei nos últimos anos. Muitas vezes pedi colaboração e ajuda para o serviço mundial. Alguns responderam e ajudaram, outros quiseram ajudar, mas a maioria pouco ou nada fez. Neste momento de crise (dentro da crise mundial) volto a pedir a colaboração de todos, deixando que decidam por si mesmos.

Que o amor de Deus e dos seus semelhantes os inspire; que a luz de suas almas os dirija e a força do grupo os habilite a ajudar a extrair o bem do mal atual, pela correta ação e o pensamento claro.

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O TRABALHO DE RECONSTRUÇÃO

Agosto de 1941

Observando os discípulos durante a atual crise mundial, vi que estão abatidos pela inércia, não a que provém do egoísmo ou do egocentrismo, nem a inércia da incompreensão da natureza da crise, ou da simples preguiça, mas por uma inércia baseada em uma profunda depressão interna, em um sentimento de fracasso humano e na introspectividade, o que é natural, mas inútil neste momento. Alguns discípulos (tanto no caminho de provação como no caminho do discipulado) se refugiam na perpetuação das atividades que desempenhavam quando se iniciou a guerra; outros se refugiam na espera que a crise acabe, e creem aparentemente que nenhum trabalho nas antigas linhas do esforço espiritual tem real valor; outros mais se apoiam em uma febril ocupação externa, em coisas que o homem comum, sem orientação espiritual, pode realizar igual ou melhor. Alguns discípulos e aspirantes passam o tempo lutando contra a sensibilidade psíquica evocada pelas condições mundiais; muitos estão simplesmente abatidos e aturdidos pela dor e agonia da humanidade, o horror do momento, a ansiedade pelo futuro e a previsão de acontecimentos ainda piores. Sua imaginação trabalha de forma excessiva e inútil. Todos vocês são susceptíveis a algumas destas atitudes.

Escrevo hoje para apelar a todos os discípulos e aspirantes que iniciem um período intenso de preparação para a atividade e trabalho futuros. De agora e até que o Sol se desloque para o norte, peço que cada um faça três coisas:

Primeiro, que fortaleça, por meio da meditação, da oração e do pensamento claro - sua fé, sua confiança, sua alegria e, sobretudo, que aprofunde seu amor pela humanidade, levando o amor da alma ao plano físico e a todas as suas relações humanas.

Segundo, que elimine da vida da personalidade, até onde puder ou ter que fazer, qualquer coisa (mental, psíquica, emocional ou física) que possa entravar a sua utilidade futura.

Terceiro, que planeje junto com o grupo o trabalho para o futuro. Vocês devem iniciar este trabalho em breve, começando lentamente e com cautela, cooperando sem reservas entre vocês e comigo. Deve ser realizado com firmeza e constância, sem gestos inúteis, uma vez que as grandes linhas sejam determinadas e deve ser executado em conjunto.

A principal necessidade para todos que devem assegurar o trabalho do futuro que estou procurando realizar com a colaboração e a compreensão de vocês consiste em fomentar o desenvolvimento da vontade de amar e de trabalhar. Este esforço de sua parte se expressará em um amor cada vez mais profundo pela humanidade. Será demonstrado no perseverante esforço por invocar a vontade espiritual mediante a autodisciplina e a perseverança; ele se manifestará no inteligente cumprimento do plano, tal como indicarei progressivamente as grandes linhas.

Este trabalho só pode ser executado por aqueles que amam seus semelhantes e possuem uma iluminação suficiente que lhes permita trabalhar comigo de maneira confiável por um período de cinco anos, enfrentando qualquer coisa que possa acontecer. Devem ser pessoas que se esforcem para que nenhum equívoco da personalidade entrave sua utilidade e as inter- relações grupais, e que - devido ao amor - subordinem tudo, incessantemente, à tarefa a ser realizada. A segunda coisa que peço é extrair dos meus folhetos e últimos escritos os planos e as instruções sobre o serviço, aplicáveis às mudanças de condições e ao futuro imediato. Estudem com cuidado, junto com os requisitos e as sugestões contidos nesta carta, de modo que possam saber o que eu, seu instrutor, o Tibetano, crê que vocês poderiam e deveriam fazer a serviço do futuro imediato. Peço também aos que têm interesse em fazê-lo, que se reúnam no momento da Lua cheia de outubro em um ato de companheirismo, meditação unida, consagração e consulta. Peço aqueles de vocês que moram e trabalham em lugares distantes que anotem sucintamente as suas reações ao esforço sugerido, indicando como podem ajudar melhor na tarefa. Peço a todos que se associem comigo para o trabalho do futuro, empregando a cada dia a breve meditação que delinearei abaixo. Ela é dinâmica, afirmativa e - se for empregada corretamente -, deve vincular a cabeça e o coração, levando-os ao serviço amoroso e inteligente. Ela também deve possibilitar que se vinculem na mais estreita unidade espiritual. Isto ajudará a vitalizar os corpos etéricos de todos os trabalhadores e, portanto, a obter uma vitalidade grupal que será irreprimível.

Meditação Sugerida

Todas as manhãs, antes de dar início às atividades do dia, aquiete-se e veja o Eu como a alma, coloque o seu eu à disposição da alma, da humanidade e do seu grupo.

1. Em seguida diga, silenciosamente e com plena intenção dinâmica:

“No centro de todo amor Eu permaneço; desde esse centro, Eu, a Alma, me exteriorizarei; desde esse centro, Eu, o que serve, trabalharei. Que o amor do Ser divino se irradie sobre meu coração, meu grupo e em todo o mundo”

2. Em seguida, enfocando a sua atenção e dedicação, veja o grupo ao qual pertence como um grande centro de amor e de luz irradiando-se para o mundo dos homens, levando alívio, luz, amor e cura de maneira crescente.

3. Reflita sobre o plano a realizar e sobre o serviço a prestar no dia que começa. Faça isso como alma, mantendo o eu inferior pessoal em uma atitude de espera, como um servidor que, atentamente, aguarda instruções.

4. Em seguida, diga,

O contentamento do Ser divino é a minha força.
O poder do espírito do homem triunfará.
As Forças da Luz controlam as forças do mal.
O trabalho dos Grandes Seres deve prosseguir.
Aquele que Vem está a caminho.
O Avatar se aproxima.
Para isso devemos nos preparar.

5. Encerre com um minuto de quietude dinâmica.

Gostaria que fizessem esta meditação todos os dias, até 1° de janeiro de 1942, quando lhes darei outra etapa desta Meditação para a Preparação d’Aquele Que Vem. Sua finalidade é preparar todos vocês internamente. Gostaria também que lessem e relessem a instrução dada sobre os Avatares.

Vocês constituirão o primeiro grupo ao qual peço para colaborar comigo no trabalho de reconstrução da nova era. À medida que o tempo passar, outros grupos subsidiários serão designados, grupos que poderão trabalhar em vários países como pontos focais da grande rede de luz que irá se formando em todas as partes, sob a inspiração dos discípulos e dos aspirantes mundiais em todos os países, que trabalham sob a instrução da Hierarquia. Alguns deles vocês já conhecem, outros não. Eles representam os grupos ativos dos Mestres, e sobre seus ombros repousa o trabalho de reconstrução, ajudados por milhares de homens e mulheres de boa vontade de todas as terras.

O encontro de dois discípulos e governantes mundiais, que teve lugar em pleno oceano, marcou uma crise nos assuntos do mundo. Os Oito Pontos (consulte neste livro, mais abaixo) que eles formularam constituem a base da futura estrutura que deveremos ter no mundo. Necessariamente são as grandes linhas, sem os detalhes de sua aplicação. Caberá à humanidade emancipada desenvolver os detalhes, fazer os reajustes necessários, e reordenar a vida humana de tal maneira que os valores espirituais superiores possam prevalecer, que um modo de vida mais simples seja instaurado, que se estabeleça maior liberdade e que cada homem assuma mais responsabilidade. Isto levará tempo. Talvez alguns de vocês não cheguem a ver o total estabelecimento do caminho que a humanidade deve percorrer (o "Caminho Iluminado” do futuro), mas todos podem ajudar materialmente na importante tarefa de preparação, indicando os princípios mundiais necessários, disseminando o evangelho da boa vontade, e estabelecendo corretas relações humanas. O trabalho feito no pensamento, no amor e na atividade consagrada durante os próximos três anos é de suma importância, e produzirá a estabilização que deverá ter lugar nos últimos dois anos, dos cinco que mencionei acima como o seu período imediato de colaboração.

Vocês que estão trabalhando em meio ao caos e ao conflito não podem nem poderão ser capazes de julgar com exatidão a medida da realização. Só os Membros da Hierarquia (Mestres, iniciados e discípulos que não estão hoje encarnados) podem ter uma verdadeira perspectiva. Os discípulos ativos na frente de batalha têm que levar adiante seu trabalho em meio ao caos, ao tumulto, à dúvida, à dor e à angústia. Portanto, não podem ver o quadro todo. Alguns dos discípulos mais avançados que podem "viver nas alturas, no vale e nas profundezas” simultaneamente, conseguem ver com clareza, mas são em pequeno número, resultando verídicas as palavras do Cristo ao Seu perplexo discípulo, quando disse: "Bem- aventurados os que não viram e, ainda assim, acreditaram”. Praticar a meditação, ater-se às instruções dadas, persistir diante da dificuldade, crer com firmeza na beleza do espírito humano, no amor de Deus, na vitória das Forças da Luz e na aproximação d’Aquele que Vem - são as atitudes que nós, os trabalhadores do aspecto interno, pedimos àqueles que escolhemos para conduzir nosso trabalho no plano externo.

Esta carta trata da formação do grupo que deve executar os planos para os anos de 1942 a 1945. Esta formação se dá no ponto mais escuro do ano, no ponto mais profundo da angústia humana, no momento mais difícil da história humana, no ponto de crise e - no caso de muitos de vocês como indivíduos - no momento das dificuldades pessoais mais profundas. Afirmo que todos vocês, juntos, estão à altura desta tarefa.

Voltarei a escrever e indicarei os aspectos práticos do trabalho. Neste ínterim, ponderem e reflitam sobre o que disse nesta carta; comecem a meditação e esforcem-se para fortalecer o vínculo com sua alma e entre si. Que o amor - não a emoção nem o sentimento - controle seus pensamentos, palavras e atos. Peço também que estudem cuidadosamente as indicações que dei no passado sobre o trabalho a ser realizado, e pediria também que analisassem detidamente os Oito Pontos delineados em alto-mar, e as Quatro Liberdades que com tanta frequência são debatidas em todo o mundo.

Que a quietude e a profundidade caracterizem suas vidas internas.

OS OITO PONTOS DA CARTA DO ATLÂNTICO

14 de agosto de 1941

O Presidente dos Estados Unidos da América, Franklin D. Roosevelt e o Primeiro- Ministro, Sr. Winston Churchill, representante do governo de Sua Majestade no Reino Unido, se reuniram e consideraram conveniente dar a conhecer certos princípios comuns da política nacional de seus respectivos países, sobre os quais se baseiam suas esperanças de um futuro melhor para o mundo.

Primeiro, seus países não buscam expansão territorial, nem de outro tipo;

Segundo, não desejam nenhuma mudança territorial que não esteja de acordo com os desejos livremente expressos das populações em causa;

Terceiro, respeitam o direito de todos os povos de escolher a forma de governo sob a qual viverão e desejam o restabelecimento dos direitos soberanos e do governo autônomo dos povos que foram privados deles pela força;

Quarto, eles procurarão, com o devido respeito às suas obrigações existentes, fomentar para todos os Estados, grandes ou pequenos, vencedores ou vencidos, a possibilidade de acesso, em termos de igualdade de condições, ao comércio e às matérias-primas do mundo, necessárias para sua prosperidade econômica;

Quinto, eles desejam promover a mais ampla colaboração entre todas as nações no campo da economia, com o objetivo de assegurar para todos melhores condições de trabalho, desenvolvimento econômico e bem-estar social;

Sexto, após a destruição final da tirania nazista, esperam ver o estabelecimento de uma paz que propicie a todas as nações os meios de residir sem perigo dentro de suas próprias fronteiras, e que assegure a todos os homens em todos os países uma existência livre do medo e da necessidade;

Sétimo, uma paz assim deve permitir que todos os homens cruzem os mares e oceanos sem impedimentos;

Oitavo, eles têm a convicção de que todas as nações do mundo, tanto por razões de ordem prática como de ordem espiritual, devem abandonar o uso da força. Do momento em que não é possível manter a paz futura enquanto algumas nações que a ameaçam ou poderiam ameaçá-la possuem armas terrestres, marítimas e aéreas, eles consideram ser essencial o desarmamento dessas nações enquanto se estabelece um sistema de segurança mais amplo e permanente. Da mesma maneira, ajudarão e encorajarão todas as outras medidas praticáveis que aliviarão para os povos amantes da paz o fardo esmagador dos armamentos.

AS QUATRO LIBERDADES

6 de janeiro de 1941.

Nos dias futuros, que procuramos tornar seguros, esperamos um mundo baseado em quatro liberdades humanas essenciais.

A primeira é a liberdade de palavra e expressão, em qualquer lugar do mundo.

A segunda é a liberdade de cada pessoa de adorar a Deus à sua própria maneira, em qualquer lugar do mundo.

A terceira é estar livre de necessidades - que, traduzido em termos mundiais, significa acordos econômicos que assegurem a todas as nações, para todos os seus habitantes, uma vida saudável na paz, em qualquer lugar do mundo.

A quarta é estar livre do medo - que, traduzido em termos mundiais, significa reduzir mundialmente os armamentos em tal grau e de maneira tão completa, que nenhuma nação esteja em posição de perpetrar um ato de agressão física contra algum vizinho, em qualquer lugar do mundo.
Franklin D. Roosevelt

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MEDIDAS PRÁTICAS PARA O TRABALHO DE RECONSTRUÇÃO
Setembro de 1941.

É evidente que pouco posso dizer sobre métodos exatos a adotar até que a própria humanidade decida sobre as condições futuras da vida humana. Meus irmãos, é exatamente isso que quero dizer. A guerra ainda não está decidida. Há um sentimento muito generalizado de que Deus (como denominamos o Poder Central da própria Vida) intervirá ou deveria intervir; há um vago apelo para que o bem triunfe e uma esperança intensa de que algo inesperado aconteça, trazendo a vitória às Forças da Luz. Esta atitude de dolorosa expectativa é universal entre as massas - tanto nos países que estão lutando como nos neutros. Nos países neutros (entre os quais os Estados Unidos são o maior e o mais importante) dois fatores condicionam o pensamento das pessoas:

Primeiro, um egoísmo profundamente enraizado, mas não anormal, que induz à determinação de não tomar parte real na guerra, exceto no que possa ser feito sem perigo e com o menor custo possível; segundo, uma cisão cada vez mais manifesta entre os relativamente poucos que têm visão e desejam ajudar ativamente os Aliados que lutam (os agentes das Forças da Luz), e os muitos egoístas que - por razões políticas, religiosas ou pessoais - se opõem a todo esforço que comprometa seu país mais do que já está neste momento e, no entanto, esperam partilhar dos benefícios da vitória.

Em última análise, a situação mundial deve ser solucionada pela própria humanidade. A Hierarquia não pode interferir. A humanidade tem o privilégio e a oportunidade de tomar a ação correta neste momento. Aquele que Vem, tão fervorosamente invocado em todo o mundo por meio da oração, da invocação ou do apelo silencioso, tem o papel de reajustar, de fusionar corretamente as forças e de curar os povos. Este apelo invocativo mundial é amplamente motivado por uma posição derrotista ou por um desejo compassivo de ver a longa agonia do homem terminar; raras vezes é motivado pela convicção, pelo reconhecimento da possibilidade ou de uma decisão paralela de corrigir os erros que existem na situação mundial e que constituem o pretexto do inimigo da humanidade - Hitler e seus associados.

Aquele que Vem fará Seu aparecimento quando o curso da batalha tiver nitidamente virado e as forças do mal tiverem sido arrastadas de volta ao seu lugar próprio. Não fiz nenhum pronunciamento com relação a momento, pessoa ou lugar. Simplesmente indiquei que há uma possibilidade (derivada da ação correta) de que apareça Aquele a Quem os séculos esperam longamente, de Quem as profecias de todas as terras, a intuição em rápido desenvolvimento dos povos e o acontecimento anterior, dão todos constante testemunho. A hora Dele está próxima, desde que sejam tomadas as necessárias medidas de preparação, e é por isso que me aproximei de vocês. Não indiquei o lugar de Seu aparecimento, a natureza de Sua exteriorização nem o país de Sua escolha. São detalhes que dizem respeito a Ele e não a vocês. A tarefa de vocês é estar prontos para Sua vinda. Implica na correta compreensão e no crescente trabalho para a humanidade, como resultado da experiência de amor em sua própria consciência individual. Enfatizo isto.

Sugeri três medidas preparatórias ao grupo de aspirantes com os quais estou em contato:

1. O uso do grande mantra ou invocação, em duas partes. (consulte neste livro). A primeira foi utilizada em 1936 e a segunda em 1940, sendo ainda utilizada. A primeira destinava-se a centralizar o desejo humano; a segunda a utilizar o poder mental disponível para invocar Aqueles que (do lado espiritual interno da vida) estão esperando para ajudar. Não podem ajudar, a não ser que o caminho lhes seja possibilitado pela própria humanidade. Tal é a lei.

2. Um processo geral de educação do público sobre o fato e o uso da boa vontade. Um grande potencial não desenvolvido ainda está encerrado no gênero humano, o qual, se for evocado pelo próprio homem, vai se mostrar capaz de realizar duas coisas:

a. Assentar as bases de uma paz estável - ativa e positiva, pois resulta de uma ação ativa e positiva - depois que as Forças da Luz obtiverem a vitória no plano físico.

b. Proporcionar a síntese subjetiva ou rede de luz que personifica a força da boa vontade como expressão de corretas relações humanas. Isto garantirá uma norma mundial realizável, e não uma tirania imposta ou um sonho místico e impossível.

3. A determinação de um esquema geral dessa estrutura mundial vindoura que estará de acordo com as necessidades da humanidade, fundamental em suas implicações e que proverá uma estrutura de vívidas inter-relações, o que fomentará o amor latente, a compreensão intuitiva e o poder criador do homem.

Em comunicações anteriores, já considerei estes três objetivos principais. Também dei sugestões sobre as atividades práticas - algumas de natureza exotérica, tais como a compilação de listas de endereço, em todos os países, daqueles que pensam e expressam boa vontade; outras, como a criação da rede de luz, pela formação de triângulos. Não me cabe decidir os detalhes das atividades externas, mas a vocês e foi por isso que lhes pedi que me ajudassem.

Permitam-me recapitular algumas atividades empreendidas em nosso trabalho conjunto, para que possam ver com clareza a estrutura das nossas futuras iniciativas e captar o trabalho em sua totalidade:

1. A primeira atividade foi escrever e distribuir os ensinamentos ocultistas por meio dos livros que A.A.B. me ajudou a escrever. Estes servirão (quando a guerra terminar) para fazer avançar a humanidade e aproximá-la do tempo em que o ocultismo dos dias atuais serão tema da educação mundial, em alguma forma modificada. Posso afirmar - sem qualquer vanglória - que os livros publicados não têm concorrentes e, corretamente distribuídos, desempenharão uma papel útil para elevar a consciência do homem a níveis superiores e para esclarecer o Plano divino para a humanidade. A tarefa imediata a cumprir, para depois do fim da guerra está claramente indicada nesses livros.

2. A fundação da Escola Arcana e seu trabalho, que foram iniciados por A.A.B. para instruir aqueles que já estavam prontos para o ensinamento esotérico e para prepará-los para a etapa e o trabalho do discipulado aceito. Há hoje no mundo inúmeros grupos dedicados à tarefa de ajudar um ou outro dos grupos de aspirantes e de investigadores que se encontram em todas as partes, ou fazem o esforço generalizado de elevar o nível de consciência das massas. A Escola Arcana, portanto, foi constituída para duas finalidades:

a. Principalmente para ajudar à Hierarquia em seu trabalho durante a crise mundial - crise para a qual a Hierarquia há muito estava preparada. A Escola Arcana não era nem é o único grupo com este objetivo, mas está absolutamente entre os mais influentes.

b. Instruir discípulos em provação para que se tornem discípulos aceitos, de maneira que a Hierarquia possa encontrar aqueles aptos a transmitir poder espiritual, sem perigo, e atuar como canais de amor e compreensão para o mundo.

Podem ver, portanto, que a Escola Arcana não está tão empenhada em ajudar o indivíduo, como está em ajudar a Hierarquia a salvar a humanidade. Para este trabalho é necessário ensinamento, e a Escola Arcana o proporciona.

3. O fato da existência do Novo Grupo de Servidores do Mundo foi levado à atenção do público e em escala bastante ampla. Este grupo é composto de aspirantes, discípulos e iniciados, e exerce o papel de intermediário entre a Hierarquia espiritual e o público inteligente. Seus membros estão presentes em todos os países, não têm propriamente uma organização, exceto em sua relação espiritual com a Hierarquia e entre si, e também em suas iniciativas, em todos os campos da consciência humana, para conduzir a humanidade a um modo de vida mais espiritual. Seu objetivo é fomentar o crescimento das corretas relações humanas por meio da boa vontade, trabalho que continua seguindo seu curso.

4. A organização dos homens e mulheres de boa vontade em todos os países, de maneira que, oportunamente, possam estabelecer a nota mundial da boa vontade para a estruturação que o mundo quer para o futuro. Parte deste trabalho começou em 1934. Há muito a fazer, o que exigirá atenção e terá que ser realizado em um período bem mais difícil que o da pré-guerra. O núcleo deste grupo existe, e nele a vivência da boa vontade está ainda intacta.

5. A deliberação de utilizar o poder combinado do som e do pensamento foi empreendida pelo emprego das duas grandes invocações que vocês - como grupo - distribuíram no mundo todo. Grandes preces mundiais foram empregadas durante séculos; os homens foram impulsionados a orar pelo desejo e pela aspiração espiritual, e reconheceram o poder da resposta divina. No entanto, a arte da invocação permaneceu relativamente desconhecida, em especial no Ocidente. Ela usa a vontade dinâmica e a mente concentrada com o objetivo de evocar resposta das Forças que condicionarão o mundo novo, o qual pode vir à existência no fim da guerra. A vontade ou intenção concentrada, a mente convencida, o desejo dedicado e a atividade planejada são essenciais para o êxito.

6. A formação de triângulos de luz e boa vontade, de maneira a criar uma rede interna de pessoas consagradas à boa vontade, ao uso do poder da invocação e ao aumento da compreensão em todo o mundo. Um início disso já aconteceu. Trata-se de um procedimento potente e prático, desde que tenha a oportunidade de se difundir.

7. A instauração de um programa visando um trabalho de grupo bem preciso. Trata-se de um trabalho de grupo de um novo tipo, no qual a atividade individual está subordinada ao objetivo e às decisões do grupo em conjunto, e não de um trabalho empreendido pela imposição de uma só vontade que domina um grupo de vontades mais fracas. O indivíduo e seu modo de trabalhar não são considerados de grande importância na consciência grupal, pois é a vontade do grupo - dedicado em formação unida a um objetivo específico - que é o ponto mais importante. Trata-se de um novo procedimento, ao qual vocês podem se aplicar. No grupo que formei surgirá a oportunidade de demonstrar a praticabilidade deste novo ideal entre os métodos de serviço.

São estes alguns dos empreendimentos que realizamos durante alguns anos. Sugiro mantê-los como base para todo o trabalho futuro e como plataforma fundamental.

Como indivíduos, todos vocês deste grupo têm problemas pessoais (ou em suas relações com outros grupos). Estes problemas se devem simplesmente a que participam do carma mundial e constituem a esfera de treinamento necessário e o campo de experimentação espiritual, dos quais não tratarei, porque vocês são almas adultas e progridem por meio de um serviço determinado, não porque recebem ajuda. Têm a tarefa de ajudar no trabalho que a Hierarquia planeja realizar; encontrar os métodos e meios pelos quais esse serviço pode ser prestado com sabedoria; descobrir como atender à necessidade mundial (não a necessidade do seu grupo); financiar a parte do trabalho que lhes corresponde na Irmandade que a sua alma lhes designou, e desempenhar o seu papel no desenvolvimento das atitudes humanas necessárias, se quisermos que exista a verdadeira paz no mundo em 1975. Se este trabalho for realizado convenientemente, será possível estabelecer uma unidade mundial que gerará corretas relações humanas, uma sólida política mundial, um esforço espiritual unido e uma "partilha” econômica que porá fim a toda concorrência e à distribuição desigual de hoje no que diz respeito às necessidades da vida.

Já delineei para vocês, no passado, o programa geral e os objetivos esperados. Dei muitas informações e indiquei a necessidade e a solução possível. Dei sugestões práticas sobre os procedimentos e métodos. Pedi - e hoje volto a pedir - a sua colaboração, em nome das Forças da Luz, da Hierarquia espiritual e da humanidade aflita.

A crise mundial atual poderia ser abreviada se as pessoas de inclinação espiritual se mostrassem à altura de sua crença e conhecimentos internos. A tarefa de unificar os homens e mulheres de boa vontade é agora infinitamente mais difícil do que antes da guerra. Só pode ser realizada se cada servidor da Hierarquia pensar com clareza, amar inteligentemente e servir ao máximo. Não faço nenhum apelo. Já apelei muito a vocês no passado e o esforço resultante, sem ser um total fracasso, não foi suficientemente vigoroso e adequado para neutralizar as forças do mal, hoje enfocadas na Alemanha, Japão e - em menor medida - na Itália.

Esta última afirmação (que já coloquei em outros textos) gerou ressentimentos naqueles que acreditam que as Forças da Luz devem amar de maneira tão indiscriminada que seu trabalho em favor da evolução ficaria neutralizado por isso e que por isso também o esforço para promover o desenvolvimento da consciência humana seria totalmente ineficaz, e que deveriam se manter passivas até o combate acabar. Assinalo aqui que se as Forças da Luz - ajudadas por vocês - nada fizessem para influenciar as mentes dos homens, as forças do materialismo e do mal triunfariam. A humanidade seria derrotada espiritualmente, e sua evolução sofreria atraso por um período indeterminado. Chamaria a sua atenção para as palavras do meu grande Mestre, que também é o de vocês: "Por seus frutos os conhecereis”. Lembraria a vocês que a guerra mundial não teria sido deflagrada se a Alemanha não tivesse invadido a Polônia. A culpa pela crueldade, o terror, assassinatos e agonia recai diretamente sobre os ombros dos sete homens da Alemanha.

Se os aspirantes e discípulos do mundo tivessem compreendido a situação mais cedo e tivessem trabalhado com mais entrega, a catástrofe atual poderia ter sido mantida dentro de certos limites, detendo-se e solucionando o problema nos planos internos do pensamento e do desejo, e ali teria sido transmutado e os reajustes necessários teriam sido feitos. No entanto, não compreenderam, e a tormenta estourou no plano físico.

Os próximos doze meses serão decisivos para os assuntos humanos. No final de 1942, o caos e a dificuldade ainda estarão presentes, mas se ouvirá o som das trombetas do vencedor. Os vencedores serão as Forças da Luz, os Aliados lutando sob suas bandeiras, ou o mal triunfará e a ganância colherá os benefícios da agressão? Os homens serão conduzidos à escuridão que - embora não interminável - engolfará a alma humana durante décadas? As respostas para estas perguntas residem nas decisões e atividades da própria humanidade. A Hierarquia espera.

Fiz referência à crescente dificuldade que os homens e mulheres de boa vontade (que trabalham no Novo Grupo de Servidores do Mundo) enfrentarão. Quais são as dificuldades, se analisarmos a situação? Dois fatores principais:
Primeiro, um intenso ressentimento que cresce regularmente (equivalendo ao ódio no caso de alguns grupos e setores da humanidade sofredora), acompanhado de um profundo cansaço, de uma integração psicológica estilhaçada pela tensão nervosa, de um medo agudo pelo que o futuro reserva (cientificamente fomentado pelas potências do Eixo) e o entorpecimento da alma, resultado da morte presente em todas as partes, das perdas, das separações, do espetáculo de dor e sofrimento indizíveis.

Segundo, a destruição física generalizada, causada pelos exércitos invasores e defensores, a destruição de grandes cidades e de suas condições de vida civilizada, o arrasamento em grande escala das instalações industriais, da mecânica da vida diária, o afundamento de barcos que transportam matéria-prima da vida civilizada, a total desorganização dos assuntos humanos em todos os países - direta ou indiretamente - e o desmoronamento da estrutura das relações financeiras bem estabelecidas, mais a interrupção dos meios de comunicação comuns. Somemos a isto a ruína no campo monetário das massas, e teremos uma imagem real (e não sensacionalista) do estado mundial. Sobre as ruínas de tudo que o homem construiu durante séculos e da espoliação de todas as culturas e civilizações existentes, será necessário construir uma nova estrutura para o mundo. E será construída, meus irmãos! E vocês podem ajudar a preparar a construção de um estilo de vida mais estável e belo.

Este processo criador sempre começa no reino da intenção. É impulsionado pelo desejo disciplinado e será levado à expressão objetiva pela correta direção do pensamento, a inspiração de ideais corretos e a educação das massas que geralmente não pensam (mas que, no entanto, hoje estão pensando como jamais fizeram) para que a humanidade, como um todo, adote estes ideais. Então será possível confiar que tomem as medidas necessárias. Desta maneira, as condições desejadas tomarão forma nos níveis físicos da existência diária. Há muitos pensadores iluminados que trabalham atualmente sobre estes problemas, eles estão moldando ativamente a opinião pública. Mentes livres em todos os países, ou seus representantes nos países ocupados, estão assentando as bases da liberdade, mais segura e mais sadia do que nunca antes. Grupos de todas as partes estão se organizando para a reconstrução (mental, psíquica e física) do nosso mundo e da nossa civilização sobre linhas mais sadias e bases mais seguras. Estão se estabelecendo relações mais estreitas e compreensivas entre a religião, a política e a filantropia. E a função que a ciência, a educação e a economia devem desempenhar no futuro está sendo colocada no primeiro plano da aspiração humana.

Portanto, não é o caso de desânimo. É preciso apenas uma ação decidida e correta e um esforço de sacrifício, baseados na fé do espírito humano, na convicção de que o bem deve triunfar finalmente, porque sempre triunfou, e o conhecimento de que a nova era está chegando e que nada pode frustrar seu estabelecimento. A própria destruição testemunha o advento desta nova era, porque - citando novamente o meu Mestre, o Cristo, "não se pode pôr vinho novo em odres velhos”. Exorto-os a desempenhar sua parte no trabalho preparatório para o futuro novo mundo; conclamo-os a uma renovada atividade no plano externo da vida, e volto a lhes indicar as grandes linhas de três anos de trabalho, mais dois anos de atividades que derivarão dos três anos de preparação.

Até maio de 1943, sugiro empreendimentos sólidos, preparatórios para a futura atividade mundial, que devem ser acompanhados de uma sensata organização, baseada em uma visão de longo prazo do que deve ser feito e em um esforço experimental. Este é o trabalho imediato para este grupo e para os que forem posteriormente escolhidos pelo grupo como colaboradores. Pequenos grupos devem derivar deste grupo, quando estiver devidamente estabelecido e atuante.

De maio de 1943 a novembro de 1944, devem atuar para fora, em uma definida experiência mundial e colaboração básica com grupos da mesma natureza, dedicados à salvação do mundo, principalmente na linha psicológica, porque a reabilitação psicológica da humanidade será a necessidade maior e primordial, em paralelo com o reajuste econômico. Estes dois fatores devem receber a atenção dos homens e mulheres de boa vontade com prioridade. Este grupo deve inspirar, promover e fortalecer onde e sempre que possível. Esta tarefa só pode ser empreendida por pessoas que não tenham parcialidade religiosa, nenhum antagonismo político, nem sentido de exclusividade.

A partir desta data e até fins do ano 1945 ou início de 1946, o trabalho deverá se consolidar. Os homens e mulheres de boa vontade deverão se tornar cada vez mais úteis e a potência de seu pensamento e de sua atitude deveria ser percebida de maneira dinâmica na formação da opinião pública, se todos trabalharem como se desejamos. Portanto, vocês verão a importância do trabalho que podem começar agora e estabilizá-lo nos próximos dezoito meses. As principais linhas de ação são as que já conhecem, pois o trabalho de boa vontade efetuado em 1936 continua sendo básico, e seus processos deveriam ser estudados de novo e aplicados. Mas gostaria de fazer as seguintes sugestões práticas relacionadas com o grupo e seu planejamento:

1. Aprendam a se conhecer e a confiar uns nos outros, deixando cada um livre para trabalhar e planejar dentro do plano do grupo. Desenvolvam a experiência do amor em suas vidas individuais e em suas relações de grupo. Reúnam-se regularmente para debater, planejar e meditar em conjunto, usando neste grupo a mesma meditação que lhes pedi que praticassem individualmente. Subordinem os próprios desejos e ideias à decisão grupal. Que seja estritamente um esforço grupal.

2. Avancem com o trabalho de Triângulos de todas as maneiras possíveis e em todos os países que não ofereçam perigo para estabelecer contato. Planejem este trabalho de acordo com sólidas linhas de negócios, seu pequeno grupo assumindo a responsabilidade por sua atuação e êxito.

3. Descubram e, onde possível, entrem em contato com todos os grupos cuja motivação seja um verdadeiro amor à humanidade, como também explorar e compreender os ideais de liberdade, colaboração e inclusividade da nova era. Sugiro também uma compilação gradual de uma lista de endereços desses grupos, acompanhada de amostras de seus textos e de uma análise de suas ideias.

4. Reúnam as inúmeras propostas formuladas por indivíduos, grupos de pensadores mundiais e de especialistas nos diferentes campos do esforço mundial relacionadas à futura governança. Descubram o que se sugere nas diferentes nações sobre este tema, tanto bom como mau, o que vai implicar na leitura de livros, em assimilá-los e analisá-los, na formação de uma pequena biblioteca facilmente acessível e no estudo e no armazenamento de folhetos sobre o tema. Assim fazendo, é possível construir uma forma-pensamento de grande potência que influenciará a mente dos homens.

5. Mantenham contato com pessoas de todos os países - envolvidas ou não - que posteriormente possam se associar a uma atividade construtiva. Desta maneira, o grupo estará pronto para vitalizar pessoas e grupos de todas as partes com os quais entrarem em contato - alguns dos quais, formados antes da guerra, encontram-se inativos por força das circunstâncias. É o caso das Unidades de Serviço nos países ocupados. Portanto, mantenham-se em contato, objetiva e subjetivamente, com a maior quantidade possível de pessoas em todo o mundo.

6. A organização da estrutura financeira necessária para realizar este trabalho deve ser tarefa de outro grupo, dentro do meu grupo maior.

7. Será necessário entrar em contato com líderes de grupos espirituais, religiosos e esotéricos, bem como de grupos educativos, no interesse da unidade mundial. Será preciso preparar para esses líderes uma carta convidando-os ao coleguismo com base na cooperação e na amizade mútua - não de coordenação ou fusão. Desta maneira será possível projetar uma aproximação para se fortalecerem e se consultarem reciprocamente. As cartas devem ser produto de esforço e sugestão do grupo, depois de formuladas por um pequeno grupo designado para este fim.

8. Uma formulação clara dos objetivos deste grupo deve ser redigida e amplamente divulgada; desde o início deve ser adotada uma lúcida organização como nos negócios comerciais; é preciso recrutar colaboradores voluntários e oportunos e estabelecer sólidas normas financeiras.

9. É preciso empreender um trabalho definido e preparatório para o trabalho que as futuras necessidades possam impor na Europa ou em outra parte. Não é possível pretender reabilitar todo o planeta! No entanto, poderão fazer muito, interpretando ideais, unificando e fortalecendo outros grupos. Há três possibilidades para este grupo:

a. Descobrir e ajudar os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo nos países ocupados ou em qualquer outra parte, proporcionando-lhes ajuda prática, espiritual e material.

b. Trabalhar para a reabilitação e o correto tratamento das crianças dos países devastados. Esta necessidade é urgente, e encerra uma ampla promessa e grandes implicações para a futura estrutura organizacional do mundo. É desejável concentrar-se nesse assunto.

c. Continuar o trabalho de descobrir e organizar os homens e mulheres de boa vontade no mundo todo, pois no futuro constituirão os agentes deste grupo e de futuros grupos da nova era. O trabalho que vocês realizaram antes da guerra terá assim continuidade em linhas similares.

10. Estudar individual e seriamente as Quatro Liberdades e os Oito Pontos da Carta do Atlântico, para que os membros deste grupo possam considerar sensatamente as liberdades da nova era e, portanto, pensar com clareza, ensinar os novos ideais corretamente e colaborar neste objetivo mundial maior. Esta compreensão é mais importante do que se imagina. Valendo-se destas sugestões, o plano grupal pode tomar forma. Tendo feito as sugestões e indicado as linhas do desejo hierárquico, nada mais direi. A responsabilidade é de vocês, e deixo-os para que desenvolvam estas ideias. Movam-se e trabalhem rapidamente como um grupo unido no trabalho de Triângulos, o qual é de fundamental utilidade e deve ser amplamente difundido. No tocante aos outros aspectos do trabalho indicado, ajam com segurança e gradualmente.

A força e a utilidade deste grupo dependerão da união interna e do amor que dedicarem ao trabalho comum, neutralizando todas as reações da personalidade. Vocês se ajudarão mutuamente nos níveis onde for necessário. Que este grupo trabalhe em silêncio e como faz a Hierarquia: impessoalmente, nos bastidores. Que extraia de todos os recursos espirituais disponíveis, dedicando todas as suas reservas mentais, emocionais e materiais ao trabalho de ajudar a humanidade e saibam (fora de toda dúvida) que a Hierarquia permanece.

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PREPARAÇÃO PARA A ATIVIDADE E O TRABALHO FUTUROS

Outubro de 1941

Nas mentes de todos os discípulos surgem certas perguntas sobre a posição geral do esforço hierárquico, a possibilidade de materializar o Plano e, particularmente, no que diz respeito à participação que estes grupos espirituais podem assumir nos planos. Gostaria que se lembrassem de que os discípulos aprendem a trabalhar para o plano trabalhando; aprendem a descobrir a consciência interna crescente da humanidade cultivando uma sensibilidade mais aguda dessa consciência, e encontram os colaboradores para o Plano pelo antigo e comprovado método de tentativa e erro. Quanto menos evoluído for o discípulo e trabalhador, maior será o número de tentativas e de erros.

Mas o sistema dá resultados porque é um processo de eliminação e de aperfeiçoamento, e o que resta depois do devido esforço é digno de confiança. Finalmente, os que permanecem merecem confiança. Por que este sistema dá resultado? Porque desenvolve a humildade, a pronta obediência às determinações da alma, e a integridade interna. Quando estas qualidades estiverem presentes haverá segurança nos contatos com a humanidade, sensibilidade à impressão da Hierarquia, sempre que Ela fizer contato, e um correto senso de proporção.

Uma das dificuldades que o servidor enfrenta quando está absorvido na tarefa, é manter contato com a visão. Refiro-me à visão mesma e não à sua materialização. Talvez possa esclarecer o que quero dizer assinalando que enquanto o contato é vertical, o trabalho é bastante simples, o passo seguinte fica evidente e nítido, a linha de atividade clara, e a inspiração atualizada e viva. Porém, quando a consciência do discípulo passa a ser inclusiva horizontalmente (e isso precisa acontecer), a dificuldade se amplia e o discípulo começa a compreender - pela primeira vez - o verdadeiro significado das palavras "a Cruz do Salvador”. Entretanto, se ele puder treinar a si mesmo para se manter onde os quatro braços se unem (falo aqui simbolicamente), descobrirá que permanece no lugar de poder e no "ponto do meio”. Então, pode realmente começar (sempre falando em termos simbólicos) a olhar para os quatro cantos da Terra, tanto subjetiva como objetivamente e de forma real; de imediato a tensão é tremenda.

Esta é uma das dificuldades que o Novo Grupo de Servidores do Mundo enfrenta neste momento. Recordarão que há pouco tempo me referi à crise que o grupo enfrentaria. Como expressar em palavras a natureza desta crise? É a crise da invocação ou da precipitação do Plano, porque estes termos são sinônimos. Implica necessariamente em tensão - uma tensão de prolongado contato interno e conscientização e de entendimento, mais o esforço de empregar a habilidade na ação e as capacidades executivas requeridas no plano físico. O Novo Grupo de Servidores do Mundo é então puxado em duas direções. Seu esforço deve ser o de permanecer pronto no centro. O Novo Grupo hoje está no próprio centro e deve manter esta posição a todo custo. O que importa mais na atualidade é o equilíbrio espiritual e a sensibilidade espiritual dos trabalhadores.

Os membros do grupo devem prestar a devida atenção a esta importante condição. Os discípulos e trabalhadores espirituais não devem se preocupar com os detalhes do Plano, nem com o que a exteriorização das ideias produzirá, a ponto de negligenciar o treinamento espiritual e o fortalecimento dos trabalhadores. No fragor, na desordem e no ruído da luta não fiquem insensíveis e inflexíveis, nem se preocupem tanto com que as necessidades daqueles com quem trabalham sejam esquecidas ou passem despercebidas. Que o amor seja a nota- chave em todas as relações, porque o poder que salvará o mundo é a precipitação do amor e como poderá ele encontrar seu caminho para o plano físico, senão por meio de um grupo cujos ouvidos estejam sintonizados com seu iminente surgimento, e das vidas dos membros do grupo irradiadas pelo próprio amor? É neste ponto que falta algo - não intencionalmente ou porque existe uma qualidade oposta - mas simplesmente pela pressão e tensão que o mundo exerce. No desenvolvimento da boa vontade no mundo ao término da guerra - que será uma das principais tarefas do Novo Grupo de Servidores do Mundo - que o amor seja a força ativa entre os membros seniores do grupo. Gostaria que houvesse mais amor entre todos vocês.

À medida que o aspecto executivo do trabalho grupal vai crescendo, estabelece-se contato com o aspecto vontade da humanidade e seu poder é empregado para evocar a emergente crise de amor, e sempre um crescente número de trabalhadores com atributos de primeiro raio serão atraídos para as fileiras do Novo Grupo de Servidores do Mundo. Esta é a segunda dificuldade, e neste ponto sinto a necessidade de expor uma palavra de advertência. A entrada deles no grupo fortalecerá muito o trabalho, mas também desencadeará sérios problemas. Grande parte do trabalho realizado até agora foi trabalho de segundo raio; sua característica é mais suave, sua técnica é a de construções e de ensinamento; seus trabalhadores são magnéticos, e não apresentam, quando se reúnem, nenhum sério problema de coesão e integração de grupo. A Escola Arcana é um exemplo deste aspecto do trabalho.

Porém, quando membros de primeiro raio aparecem para ajudar na expansão do trabalho e levá-lo aos quatro cantos da Terra, inevitavelmente surgem certas dificuldades. Devem se precaver contra a qualidade dinâmica do aspecto de poder, não no sentido de impedi-lo de se expressar, mas de que deve estar motivado pelo amor, revestido de flexibilidade e qualificado pela compreensão.

Portanto, o problema será integrar os trabalhadores de primeiro raio no Novo Grupo de Servidores do Mundo sem que o aspecto destruidor do raio cause dificuldades, produza desintegração ou erradicação da nota de amor que deve ser a característica predominante de todos os trabalhadores do Plano nesta época. Do contrário, a precipitação da crise de amor será entravada.

Peço que intensifiquem o amor entre vocês e que aumentem uma real compreensão. Ao mesmo tempo, lembrem-se de que o amor é a grande força magnética de atração e, em consequência, atrairá para si tudo o que é necessário na atual crise e na materialização na Terra da visão na forma devida. Isto demandará energia espiritual, um sólido senso de negócios, habilidade na ação e suporte financeiro. Lembrem-se de que o dinheiro é a consolidação da energia amorosa e viva da divindade, e que quanto maior for a compreensão e a expressão do amor, tanto mais livremente afluirá o necessário para a realização do trabalho. Vocês trabalham com a energia do amor, e não com a energia do desejo, que é um reflexo e uma distorção do amor. Creio que se refletirem sobre isto, o caminho ficará mais claro para vocês. Há muitos trabalhadores de primeiro raio que conduzem o poder do desejo e assim materializam o dinheiro. Há muitos trabalhadores de primeiro raio que entram nas fileiras do Novo Grupo de Servidores do Mundo. A não ser que estes trabalhadores sejam impulsionados pelo amor, sua energia de primeiro raio destruirá o trabalho do grupo. No entanto, são necessários neste momento, porque têm a força para permanecer firmes no centro. A conjunção dos trabalhadores de primeiro e de segundo raios pode conduzir o mundo através da crise de reconstrução que está por vir, e será útil que todos tenham isto presente no trabalho vinculado com o Novo Grupo. É um importante trabalho de integração.

Talvez desejassem que eu fosse específico neste ponto, e dissesse se existe algum obstáculo significativo que necessite ser neutralizado ou mudado, uma vez conhecido. Compreender tudo que expus acima ajudará grandemente, porque assinalei três dificuldades. Agreguem a isso a compreensão de que tratando as grandes questões com precisão, os detalhes serão automaticamente resolvidos. Com isto quero dizer que o estabelecimento de sólidas relações internas de grupo entre os trabalhadores produzirá a coesão interna e o esforço uni direcionado que, inevitavelmente, dará os resultados externos e atrairá os necessários trabalhadores e os fundos essenciais.

Procurem evitar que algum setor do trabalho adquira tanta ênfase em suas mentes que chegue a excluir os demais, pois causará tensão, desequilíbrio e, às vezes, um sentido de separação que, se continuar, levará à desintegração. Que se desenvolva a consciência de que todos realizam um só trabalho, e que esta atividade é inerente a todo o grupo. Esta atitude inclusiva deve compenetrar toda a organização, de maneira que o espírito sectário não penetrará.

Tocarei num ponto para fins de esclarecimento. A meditação diária, tanto pessoal como grupal, dará melhores resultados se o foco da atenção estiver dirigido para obter as necessárias atitudes internas, a intensificação da vida espiritual interna de compreensão, e a união de todos os trabalhadores em uma só unidade de serviço. Uma atitude unificada de amor, de expectativa cheia de esperança, de coragem, de demanda espiritual e de vontade dirigida dará potentes resultados e trará tudo o que for necessário.

No passado não se deu uma atenção excessiva aos aspectos do esforço no plano físico e às técnicas de trabalho? Não se considerou excessivamente como realizar o trabalho e muito pouco a dinâmica espiritual do próprio trabalho? A necessidade foi grande e os problemas inúmeros. A expansão do trabalho parece inevitavelmente fomentar o espírito sectário. Quando esta situação aparece, é urgente intensificar, em sentido interno, a unidade. As diferenciações são fáceis, porque seguem a linha de menor resistência no plano físico. Mas o trabalho é um só, e os trabalhadores são um só grupo. Agora é necessário haver fusão e compreensão de grupo.

Não é verdade que a realização de um ponto de fusão por um indivíduo, durante a meditação diária, produz a correta expressão na vida diária e uma correta gestão das condições de vida? Um ponto de fusão alcançado na meditação grupal evocará os resultados corretos e produzirá um instrumento de serviço tão potente que seu progresso será irresistível.

A tensão durante os últimos três anos foi intensa e prolongada. Muitos trabalhadores a estão sentindo, e a necessidade de amor e força é grande. A tensão que os espera não será menor, mas vão registrá-la de maneira diferente. Ela trará outros problemas, mas vocês estão à altura deles e da tarefa que têm pela frente. O sucesso pode coroar os esforços feitos, e o Novo Grupo de Servidores do Mundo estará à altura da necessidade, se procurar permanecer no centro - o lugar do poder amoroso - de maneira mais consciente e precisa; se aumentar a capacidade de pensar em termos de síntese e fusão grupais, e se escolher com sabedoria aqueles que pertencem ao grupo (devido ao seu desenvolvimento interno e sua capacidade externa, pois ambos devem estar presentes).

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UMA DECISÃO CRUCIAL E IMINENTE

Dezembro de 1941

No último mês deste triste ano, trago a vocês uma mensagem. A determinação e o propósito interno da humanidade serão tão definidos no período em que o Sol começar a se deslocar para o norte - de 25 de dezembro a 22 de junho de 1942 - que o futuro da humanidade será decidido para várias centenas de anos. É desta decisão que será estabelecida a data da nova era. A partir desta decisão, a Hierarquia poderá predizer e determinar sua ação, e será descoberta a etapa de evolução da massa dos homens. Exorto-os a enfrentar o futuro com força, a liberar suas mentes de todo vestígio de dúvida, e a saber (em sua própria vida e para a raça) que as forças do materialismo e da crueldade não triunfarão. Repito: a Hierarquia permanece. Sigam em frente com confiança.

Um processo subjetivo, profundamente enraizado, está ocorrendo na consciência humana; é evocador e produz efeitos definidos. Todos aqueles que procuram ajudar os semelhantes devem reconhecer isto, e compreender a natureza da invocação. Como expliquei detalhadamente em outro texto (no livro Astrologia Esotérica), este processo de invocação se divide atualmente em duas etapas, na vida do indivíduo e na vida da humanidade como um todo. A etapa da aspiração, vaga e irregular, mas que gradualmente vai se concentrando e assumindo poder, e a etapa do misticismo, com seu reconhecido e incômodo dualismo; o todo se fusiona no ocultismo, que é o inteligente estudo do que está oculto. Em razão de que todas estas etapas estão ativamente presentes hoje, temos esta calamitosa e difundida crise.

Foi a necessidade de dar uma direção construtiva e de enfocar as energias invocadas que me induziu, segundo as instruções da Hierarquia, a divulgar - em longos intervalos de tempo - as duas estrofes ou partes de um grande mantra oculto. A primeira, para ajudar os aspirantes a se focarem, objetivo ao qual responderam plenamente; a segunda foi também oferecida às massas, mas tinha por objetivo ser um teste e uma "decisão em tempos de crise”, e por isso atraiu os aspirantes e discípulos mentalmente enfocados.

Explico isto porque, hoje, as condições mundiais justificam o emprego das duas estrofes. A Grande Invocação, tal como foi empregada anteriormente, deveria estar também disponível para as massas. A segunda estrofe deveria ser usada por pensadores, ocultistas e discípulos, e por todos que respondem à sua nota. Ao fazê-lo, necessitarão ter uma grande "habilidade na ação”, de maneira a poder distribuir as duas Invocações de maneira correta e inteligente. Uma invocará o Cavaleiro do Lugar Secreto, e ajudará a que Ele seja evocado, pois é ao Cavaleiro do Lugar Secreto que a primeira Invocação se dirige; a outra invocará os Senhores da Liberação.

A invocação combinada e o clamor unido dos diferentes níveis da consciência humana produzirão um potente apelo sobre os Centros ocultos da "Força Salvadora”. É este apelo unido que deve ser organizado agora. Deste modo a massa da humanidade será estimulada a avançar para a luz, e o novo ciclo mundial, a começar em Aquário, será verdadeiramente inaugurado pela própria humanidade.

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