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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção II - Situação Geral do Mundo - Parte 4
A Crise Mundial Atual
A Grande Invocação  Segunda Estrofe

A CRISE MUNDIAL ATUAL

30 de junho de 1940

À medida que a humanidade age ou se abstém de fazê-lo (podendo ser uma decisão tanto para o bem como para o mal), os acontecimentos e as situações se modificam com tal rapidez agora, que me vejo novamente na necessidade de escrever sobre a crise mundial como fiz no outono, dando continuidade ao meu tema. Escrevo como quem está trabalhando do lado interno hoje, percebendo e vendo o que está oculto para muitos de vocês. A história exotérica dos acontecimentos externos é conhecida por todos, e não é necessário tratar dos detalhes. A ação empreendida pelas nações combatentes, ou evitada pelas nações neutras, também está registrada na consciência de todos. As implicações de tal atividade só podem ser verdadeiramente conhecidas e apreciadas pelas pessoas que hoje em dia pensam em termos de humanidade como um todo, e não em termos de uma nação particular, como o bem da Alemanha ou o destino dos Estados Unidos. Poucos discípulos atualmente são capazes de pensar assim, com síntese, ou de ter em seu conjunto a visão que, se precipitando, será a que condicionará, no devido momento, toda a família humana. Muitos estão despertando para a necessidade deste pensamento e visão e estão se deparando, no processo de reajuste, com muitos problemas desconcertantes. Escrevo para essas pessoas sinceras, mas desnorteadas. Pouco posso dizer aos de mente provinciana, ou que não veem além de sua paróquia. As limitações de sua visão estão neles próprios, e só os eventos muito amargos ou um intenso estado de urgência lhes permitirão finalmente transcender os mesquinhos argumentos e a qualidade de sua mente inferior com suas tendências concretas de voltar ao passado e de medo de se aventurar com fé no futuro.

Estive interessado na resposta ao meu artigo anterior, escrito em abril de 1940. A maioria daqueles que procurei alcançar e com os quais me comunico há muitos anos, aceitou minhas premissas sem maiores questionamentos, mas evitou agir positivamente e usar sua influência. Um pequeno número se ressentiu das implicações relativas às divisões entre as Forças da Luz (centradas nas nações aliadas) e as forças da agressão (centradas na Alemanha). Eles incorporam uma ideia verdadeira da unidade humana, porém mal interpretada. Não compreendem que, quando a nova era vai se introduzindo, inevitavelmente deve chegar um dia do juízo (falando em termos simbólicos) e o surgimento de uma clara linha de demarcação entre o que é novo e o que faz parte do passado. A distinção deve aparecer entre os acontecimentos exotéricos e atitudes esotéricas, entre aqueles que veem a organização do mundo, desenvolvida e levada à atividade operacional pelas Forças da Luz, por meio da colaboração, da coordenação e do entendimento, e uma organização que seria imposta pelo terror, pelo governo ditatorial, pela supressão da liberdade de consciência e pela entronização de uma raça cujos valores são, neste momento, antiespirituais e antissociais. Este dia do juízo já está sobre a humanidade, e a decisão final será tomada por aqueles cujas inclinações normais e tendências naturais estão do lado da lei e da ordem, e cuja vontade-para-o-bem está dirigida para as corretas relações humanas e o verdadeiro bem-estar humano. Estas pessoas esclarecidas respaldarão seu julgamento pela vontade concentrada de introduzir a era em que estes valores prevalecerão e estão dispostas a tomar as medidas necessárias para viabilizar esses valores.

Gostaria de tratar aberta e francamente dos problemas que estão enfrentando ao encarar o mundo tal como está hoje e como poderá ser amanhã - um mundo cujo destino ainda está incerto. Gostaria de apresentar as possibilidades, aplicando-as com precisão às reações de impérios como a Grã-Bretanha, a França e a Holanda, e indicando a maneira como os Estados Unidos poderão reagir. Escrevo como representante da Hierarquia, da qual sou membro de certa posição e também como quem trabalha dia e noite pelo triunfo das nações da família humana que, com as costas contra a parede da incompreensão, da difamação e do ódio, se opõem à Alemanha e a seu satélite, a Itália. Refiro-me ao grupo de aliados cujo propósito está centrado na Grã-Bretanha, impelidos a isso pelo desenrolar dos acontecimentos. Faço isso porque neles repousa a esperança fundamental de corretas relações humanas, de paz verdadeira e duradoura, de liberdade de consciência e de lares livres e felizes. Neste momento, são o ponto do ataque positivo das forças do mal. Não podemos ainda chegar à alma do povo alemão, dentro desse desditoso país, pois age sob uma completa miragem. Dia virá em que se poderá chegar ao povo, e esta responsabilidade cabe aos alemães que residem em outros países e não têm essa miragem. Este dia virá quando as forças que atuam por meio de um grupo de homens de intenções malignas forem repelidas. Ao desaparecerem, haverá a dissipação das nuvens da propaganda nefasta, das informações falsas, das interpretações e acusações distorcidas que, até mesmo nos países neutros, inundaram as massas.

Desejariam que, nesta hora de crise planetária, eu me abstivesse de falar diretamente e não expressasse a verdade a quem lê minhas palavras - uma verdade que já está evidente para os que refletem sobre os sinais dos tempos com mente imparcial e um verdadeiro amor pela humanidade? Esta última qualidade, verdadeiro amor pela humanidade, constitui um teste básico de ação correta ou errada. Ela está clara nos fenômenos, se aplicada atualmente aos combatentes. Gostariam que eu expressasse banalidades agradáveis sobre a felicidade do mundo futuro, quando a própria possibilidade de um mundo assim está em perigo? Gostariam que eu apresentasse a atitude da Hierarquia como a de um grupo de observadores complacentes, prontos para ajudar o mundo quando o conflito terminar, mas atualmente isolado de toda ação, esperando simplesmente que baixe a poeira e cesse o fragor da batalha para estimular nas mentes dos homens a visão de uma organização diferente do mundo, em que tudo estará bem, onde não haverá desemprego, o medo e o terror não terão lugar e onde todos serão felizes, bem alimentados e razoavelmente inteligentes? Gostariam que lhes desse a imagem de um grande grupo de discípulos, iniciados e aspirantes que fossem pacifistas, estimassem o aspecto forma da vida, temessem a morte e permanecessem passivos diante da luta mortal pela liberdade humana, pela vida, pela consciência e pela mente?

Afirmo que não posso fazer isto. A Hierarquia é muito diferente disso. O pacifismo, como vocês o entendem, não tem espaço em suas fileiras. A destruição da forma na batalha (que dá tanto medo a muitos de vocês) é de pouca importância para aqueles que sabem que a reencarnação é uma lei básica da natureza e que a morte não existe. As forças da morte estão lá fora hoje, mas é a morte da liberdade, a morte da livre expressão, a morte da liberdade de ação do homem, a morte da verdade e dos valores espirituais superiores. São estes os fatores vitais na vida humana; a morte da forma física é um fator insignificante em relação a eles, e facilmente corrigido pelos processos do renascimento e nova oportunidade.

Eu diria a todos que pregam uma atitude passiva diante do mal e do sofrimento humano e que apoiam o pacifismo, o qual não envolve nenhum risco: com o quê propõem combater as forças da agressão, da traição, do mal e da destruição que hoje espreitam o nosso planeta? Que armas trazem para o combate? Como começarão a conter o ataque e barrar o furacão? Vão rezar pela paz e depois esperar pacientemente que as forças do bem travem a batalha por vocês e que Deus faça o trabalho? Saibam que suas orações e desejos são inúteis quando separados de uma ação correta e enérgica. Suas orações e súplicas até podem chegar ao trono de Deus, falando simbolicamente, mas então virá a resposta: as Forças da Luz fortalecerão seus braços e virarão a maré a seu favor, desde que se levantem e lutem pelo que desejam. Quem deterá a progressão do egoísmo agressivo, se os homens e mulheres de boa vontade se entregam ao idealismo e não fazem nada prático para justificar sua esperança nem para ajudar na materialização do ideal desejado?

Há homens no mundo de hoje que (apesar do egoísmo nacional e dos erros passado) estão travando a batalha da humanidade sem medo e com verdadeira compreensão interna; a Hierarquia está a seu lado, como esteve sempre ao lado da liberdade, do correto entendimento e das corretas atitudes nos assuntos humanos. Aos que clamam "Paz, paz”, quando não há paz, gostaria de perguntar: não se beneficiariam acaso com a morte e o sacrifício deles, quando finalmente as Forças da Luz triunfarem? Vão assumir a posição de que poderão viver em um mundo seguro porque outros deram suas vidas para isso? Abandonariam a segurança de seu álibi pacifista, reconheceriam com gratidão o que fizeram, e agarrariam sua parte dos benefícios que compraram por tão elevado preço? Advirto-os para que não se deixem levar pela falsa premissa de que devem sustentar suas convicções duramente conquistadas, mesmo à custa da vida de outras pessoas e da queda de nações, esquecendo que o medo e o orgulho mal colocado farão com que este argumento seja importante para vocês. As pessoas de mente pacifista do mundo colherão os benefícios de uma paz que nada lhes custou? São as pessoas que mais valorizam a paz que estão hoje procurando todos os meios possíveis para deter a Alemanha.

Permitam-me falar a vocês sobre a paz pela qual a Hierarquia trabalha, e que as pessoas de tendência espiritual do mundo visualizam mesmo quando estão lutando, e pela qual estão dispostas a pagar o preço máximo. Quando vier a paz, será resultado de condições mundiais corretas e de relações humanas corretas. É um efeito, e não uma causa; é o efeito de certas atitudes subjetivas que ainda não existem no mundo em escala suficientemente larga. Contra estas condições que começam a surgir, a Alemanha reuniu sua poderosa máquina de guerra, depois de anos de preparação científica e planejada. Os Aliados esperam hoje a oportunidade de uma batalha final contra essa poderosa nação, preparados para instituir depois as condições que garantirão a paz. Atualmente não há paz em parte alguma do planeta. Não há paz nos corações críticos daqueles que não estão participando ativamente da luta contra o mal. Não há paz em nenhum campo do esforço humano. Também não há no campo econômico, despedaçado como está pelo conflito entre o capital e o trabalho e entre as grandes escolas do pensamento econômico.

Não há paz no campo religioso, onde a luta prossegue entre a autoridade (contaminada pela antiga igrejidade do mundo) e a religião experimental. Não há paz na sociedade, na qual uma classe está alinhada contra a outra, o pobre contra o rico e o homem contra seu irmão. Certamente não há paz no campo político, no qual a luta partidária controla e cega os grupos militantes, ocultando uma visão mais ampla dos assuntos mundiais e as necessidades da humanidade como um todo. Não há paz e a paz não virá pela aplicação de um pacifismo fanático, nem por sonoras palavras, nem pela criação ilusória de um desejo daqueles que detestam a guerra e que, ao mesmo tempo, aumentam a onda de conquistas e retardam a verdadeira vitória por meio dos seus pontos de vista violentamente proferidos em oposição.

Digo a vocês que todas as nações detestam a guerra e se opõem a ela; até mesmo a Alemanha, por trás do terror imposto, recua de horror diante do que está acontecendo. O mesmo amor pela paz que inspira o pacifista comum, inspira aqueles que lutam hoje para que a paz possa ser o resultado de seu sacrifício e o efeito do estabelecimento das corretas condições que a Alemanha está decidida a impedir. No entanto, muitas pessoas pacifistas e de mente neutra não estão dispostas a pagar um preço qualquer pelo que tanto apreciam. Uma recusa total de lutar do lado dos Aliados e daqueles que estão vendo com clareza as questões em jogo abriria a porta para o domínio do mundo pelas forças do materialismo e da agressão. É com isso que as forças do mal estão contando diante da maior das nações neutras, os Estados Unidos. Para isto se preparam, disseminando suas propagandas falsas e infiltrando seus agentes em todos os países e estados - preparando-se para conquistar pacificamente um povo que se recusa a valorizar as questões espirituais em jogo para tomar medidas positivas.

E nós, os instrutores do lado interno, que durante eons ajudamos na preparação da humanidade para esta futura era da cooperação pacífica e fraternidade, vemos perigar toda esta esperança futura. A agressão e a violação de nações pacíficas prosseguem regularmente, uma nação após outra caindo sob o calcanhar de ferro da Alemanha, esmagando os povos e arrastando-os à escravidão em um nível de servidão e crueldade jamais visto no mundo. Enquanto aqueles que tentaram deter o progresso da Alemanha sucumbem à traição e à dor e abandonam seus camaradas, a máquina do mal avança em sua marcha. As nações neutras, respaldando-se em sua intenção pacífica e pretensa civilização, são absorvidas pelas forças que impõem a reivindicação alemã por espaço vital e são assim despojadas da liberdade, do território e de todos os recursos econômicos. Ao mesmo tempo, a maior e mais poderosa nação neutra do mundo se arma para defender seus direitos territoriais, mas se recusa a se armar para a defesa da liberdade humana.

Estou falando de maneira muito dura para aqueles que não participam desta guerra planetária? Falo com clareza, pois procuro despertá-los para os verdadeiros problemas enquanto há tempo. Procuro fixar em vocês a ideia de que o hemisfério ocidental é a sede de toda civilização, o guardião do melhor que há na humanidade, e que o futuro espiritual da humanidade repousa neste reino amado da liberdade. A liberdade é parte da alma humana e se encontra em toda a raça humana. A civilização é um direito humano universal e não um privilégio de uma nação. Digo-lhes que em toda a parte a humanidade tem mentalidade espiritual e que a nova raça, a futura civilização e a nova era de cultura, existirão em todo o mundo - patrimônio universal da raça humana. Entretanto, também em todas as partes, os homens são vítimas da propaganda - propaganda que só poderá ser vista em sua verdadeira luz quando os homens pensarem em termos de liberdade humana; quando juntos tomarem as necessárias medidas para assegurar a felicidade humana e, assim fazendo, aprenderem a ver as condições mundiais como de fato são, sem esconder a cabeça no mundo das fantasias que eles próprios criaram. O mundo do futuro, com o qual sonham os homens de todos os países, é mais que uma possibilidade, se os homens assumirem suas justas responsabilidades e, unidos, fizerem disso uma realidade na experiência humana. Mas, um mundo assim não será possível ainda durante longos anos se a Europa cair no fragor da batalha, sob o impacto da máquina de guerra alemã. Esse mundo se realizará quando um número suficiente de pessoas pensar com clareza, tiver a verdadeira visão, agir inteligentemente e responder à força com a força, o único método que as forças agressoras podem compreender.

Hoje as forças do mal arrastaram a França, a Bélgica, a Holanda, a Noruega, a Polônia, a Finlândia e a Romênia. Nada deteve seu avanço - nem a verdade, nem a potência das armas, nem o sacrifício. Atualmente a Grã-Bretanha, com um pequeno número de aliados, sustenta a bandeira da liberdade humana. Com ela estão a França (pois grande parte da França ainda é leal à verdade e à liberdade), a Polônia, a Holanda, a Noruega e a Bélgica - todas representadas nessa pequena fortaleza das Forças da Luz que são as Ilhas Britânicas. Por trás delas estão seus grandes impérios, com seus recursos ainda intactos. E ainda, por trás deles, estão as pessoas de mente espiritual de todas as nações e, por trás de todos, a Hierarquia da Luz permanece. Neste intervalo que antecede a luta final, escrevo para aqueles que observam com simpatia, mas não fazem nenhum sacrifício, e pergunto a eles: De que lado estão?

Indico-lhes alguns dos contrastes desta guerra, com toda simplicidade e no esforço de habilitá-los a escolher a ação correta.

O primeiro grande contraste poderíamos chamar de "o caminho da conciliação e o caminho da agressão”. O método do debate pacífico foi testado pelas pessoas amantes da paz na França e na Grã-Bretanha; o método da agressão, desenvolvido há muitos anos, é o da Alemanha, da Rússia e, em menor grau, da Itália. Gostaria de lembrar que é para crédito eterno dos Aliados (embora lhes faltasse bom senso nos assuntos do mundo), que seus preparativos para a guerra se mostraram inadequados diante do estado de preparação da Alemanha. Não estavam concentradas no esforço de guerra, pois estavam absorvidas nos valores superiores da civilização mundial e nas atividades de seus impérios, que vivem em paz em seu seio. Cometeram muitos e graves erros no passado (como todos os povos), mas tomaram o caminho da expiação e do sacrifício, que aceitaram voluntariamente, e sua recompensa é a liberdade da humanidade.

Apresentarei outro contraste que decorre do anterior. É a ênfase sobre uma governança em um mundo que muda rapidamente. Os Aliados sustentam um ponto de vista; os alemães, outro. É para este mundo novo e melhor e para introduzir as condições em que a paz seja possível e uma configuração diferente do mundo se desenvolva, que os homens de visão estão lutando e morrendo hoje. O contraste está na composição imposta, sobre a qual insiste a pretensa "super raça alemã”, que centralizará o mundo em torno da Alemanha, para o engrandecimento da Alemanha, a expansão do espaço vital alemão e a provisão das necessidades econômicas da Alemanha - uma composição imposta pelo terror, pela crueldade e pela morte, que ignora as necessidades da humanidade como todo e de todas as outras nações, e sacrifica todo o mundo, se necessário, para a glória da Alemanha. Peço-lhes que comparem esta lei e esta composição impostas pela Alemanha, sua sede de expansão territorial e seu desapiedado apoderamento de bens e posses de outras nações, com a meta expressa pelos Aliados, reiterada nos discursos dos estadistas da França e Grã-Bretanha e resumida nas palavras de um grande inglês, um membro do governo e aspirante à justiça e à verdade:

"Usaremos toda a nossa influência, quando a hora chegar, para construir um mundo novo, no qual as nações não permitirão que uma insana rivalidade armada lhes negue as esperanças de uma vida mais plena e de uma confiança futura, nem que as nações sejam jamais oprimidas sob a sinistra ameaça de desastre. O novo mundo que buscamos apelará para a cooperação de todos os povos com base na igualdade dos homens, no respeito próprio e na tolerância mútua. Teremos que decidir muitas coisas na rota dos contatos internacionais - em termos sociais, políticos e econômicos - e encontrar meios de conciliar a necessidade de mudança em um mundo em constante mudança, com uma segurança que se oponha a toda perturbação da paz geral por meio da violência. Nesta estrutura que vamos criar, todas as nações têm sua contribuição a dar, e uma grande responsabilidade, tanto no pensamento como na ação, repousará sobre nosso povo. Nós, não menos que os outros, temos as nossas lições a aprender com os fracassos e reveses passados."

Gostaria que observassem que este porta-voz dos Aliados reconhece a necessidade de mudança, de concretização de uma estrutura diferente no mundo e que fala com humildade sobre os erros passados.

Também chamaria brevemente a atenção de vocês para o contraste nos métodos empregados: crueldade contra bondade, bombardeios e metralhadoras impiedosos de um lado e, de outro, o fato de que os Aliados evitam constantemente atacar o inimigo, por medo de matar seres indefesos. Chamaria a atenção para as transmissões de rádio da Grã-Bretanha, advertindo os alemães para procurarem abrigo quando os aviões britânicos voam sobre a Alemanha; Chamaria a atenção para a propaganda reticente, mas verídica, que não acentua o que possa instigar o ódio, em contraste com as informações falsas que partem de Berlim e de cidades conquistadas. Não tenho a intenção de fazer mais do que indicar estes contrastes, que decorrem de uma atitude subjetiva muito diferente em relação à humanidade. No entanto, é importante para todos nós enfrentá-los no processo de esclarecimento de questões. O contraste básico entre a liberdade de palavra, de pensamento e de ação, que caracteriza as democracias, e a cruel repressão de toda liberdade de pensamento e de atividade pessoal que hoje controla as massas na Alemanha, é muito conhecido para que eu tenha que insistir sobre isso. Porém, trago estes contrastes à atenção, pedindo-lhes que reconheçam a sua responsabilidade e permaneçam ao lado dos que lutam pela liberdade e para pôr fim à atividade dos inimigos de toda liberdade humana.

Peço que façam um esforço de imaginação para visualizar um mundo em que os Aliados tenham sido totalmente derrotados, expressando, como fazem, os ideais que representaram as Forças da Luz. Lembraria duas coisas: primeiro, que estas Forças foram derrotadas na fase anterior do conflito, há milhares de anos; segundo que - se elas forem derrotadas outra vez - isso se deverá amplamente à falta de preparação e à atitude pacifista dos povos neutros do mundo. Estivessem os Aliados preparados (e isso em si indicaria atitudes similares às adotadas agora pela Alemanha), estivessem os neutros unidos desde o início das hostilidades, proclamando em uma só voz: "Isso não pode ser”, a Alemanha teria sido detida em seu avanço triunfante.

No entanto, os Aliados não estavam ainda preparados para o ataque das forças do mal; no plano físico, sua posição não era inexpugnável. Ao mesmo tempo, os neutros escolheram e ainda preferem a via negativa e fraca; por medo, por idealismo mal colocado ou por espírito separatista, associado à incapacidade de captar a gravidade da crise mundial e suas implicações significativas, colocaram a humanidade em uma posição de desastre iminente, embora não inevitável. Estes pontos requerem uma cuidadosa consideração e o consequente reajuste da atitude daqueles que nada fazem para sustentar os esforços das Forças de Luz e dos homens de boa vontade no mundo.

O que se deve fazer para deter o avanço da agressão, do nacionalismo egoísta e do ataque cruel sobre os fracos e indefesos? Estas características proliferam na Alemanha. Existem em menor grau em muitas outras nações, e em todas há certa medida de um nacionalismo egoísta, embora não seja acompanhado de militância nem se desenvolva em paralelo a um verdadeiro idealismo. É o interesse pessoal, a visão curta e o preconceito que basicamente governam a neutralidade e fazem com que as nações neutras, inclusive a América, se armem para a própria defesa, mas se recusem a lutar pelo bem da humanidade. Como despertaremos o mundo para a realidade da situação, de maneira a concentrar e direcionar um grande esforço mundial para repelir o jugo dos ditadores que procuram dominar países que não são seus? Como libertaremos a humanidade para que dê o próximo passo, sem medo nem terror, condicionada apenas por um mundo que está procurando, em união, fazer o que é melhor para o todo, e não apenas o que é materialmente melhor para a parte? São estas as questões que devemos enfrentar hoje. Desesperados e atemorizados, os homens procuram uma solução e vão de um lado para outro, buscando ajuda e consolo. Será que a súplica por intervenção divina, tão prevalecente nesses dias, se elevará com tanta força ao céu que forçosamente evocará resposta e, ao mesmo tempo, privará a humanidade do direito de dirigir seus próprios assuntos, resolver seus próprios problemas e progredir pelo método de tentativa e erro, de ter êxito graças à própria visão clara e à firme determinação de encontrar a maneira correta de sair desta situação? Uma intervenção assim é possível, mas não é considerada desejável pelas Forças do conhecimento espiritual. Portanto, elas se abstêm de agir, avaliando que desta vez a humanidade deve ser encorajada a lutar até o fim por sua esperança e visão. Os homens rezam por paz, mas não querem pagar o preço da paz. Rezar tranquilamente, deixando o trabalho para outros homens, outras forças ou Deus, é o caminho fácil que satisfaz a natureza emocional, mas não implica em pensamento claro. A humanidade alcançou a maioridade, a etapa infantil ficou para trás. Para a felicidade ou a desgraça, para o bem ou para o mal, os homens devem decidir por eles mesmos o caminho que o mundo, seus governos e a organização social devem tomar.

Uma outra norma no mundo é possível, e é necessário tomar certas medidas se queremos que esta visão penetre no reino dos fatos. Com a maior brevidade, posso lhes indicar certos ângulos desta visão; indicarei os marcos no caminho para uma governança futura no mundo. Ao mesmo tempo estarei em posição de lhes assegurar que cada passo do caminho provocará uma batalha, o desbaratamento do que é antigo e amado, a destruição do que é desumano, egoísta e cruel; terei que imprimir em vocês a necessidade premente e inicial de derrotar as forças entrincheiradas da agressão, tal como atuam hoje por intermédio das potências totalitárias.

Primeiramente, pedirei que reflitam sobre a visão desta nova estrutura, mantendo a mente aberta e compreendendo que este novo modo de vida está pairando sobre a humanidade e se materializará quando o egoísmo for derrotado, quando as corretas relações humanas forem consideradas, e o ideal desta nova governança se desligar de todo conceito e aspiração nacionalistas. Não será um mundo americano, francês, britânico, nem um mundo totalitário, mas o resultado da civilização em vias de desaparecer e da cultura que é a flor dessa civilização, mas não será uma nem outra.

Será um mundo humano, baseado na correta compreensão das corretas relações humanas, no reconhecimento de oportunidades educacionais iguais para todos os homens, todas as raças e todas as nações, e a compreensão fundamental de que "Deus deu o mesmo sangue a todos os povos da Terra”. Será um mundo em que se reconhecerá que as diferenças raciais e nacionais enriquecem a totalidade e contribuem para a significação da humanidade. Essas diferenças e nacionalidades serão conservadas e cultivadas, não em isolamento separatista, mas na compreensão de que muitos aspectos do desenvolvimento e da diferenciação dos homens produzem uma nobre totalidade, em que todas as partes são interdependentes. Todos compreenderão suas relações recíprocas como um esforço humano, progressivo e sintético, e a implementação de uma vida unida produzirá um trabalho interno que florescerá em beleza e riqueza e caracterizará toda a humanidade. Nisto todos participarão com sabedoria e segundo uma eficácia planejada, oferecendo à vida planetária e a cada um dos outros a contribuição de que são capazes. Assim será possível, porque será reconhecido que a totalidade do gênero humano é a unidade essencial e de maior importância espiritual que a parte.

Não se trata de um sonho vão e visionário. Já está acontecendo. Já existem movimentos embrionários para esta síntese mundial. Há um sonho de federação, de interdependência econômica e de unidade religiosa, além de inter-relações sociais e nacionais, sonho que está tomando forma rapidamente, primeiro nas mentes dos homens e seguida na experimentação. Há um vínculo de propósito unido, sentido por muitos nos campos político e econômico, que não é o cumprimento de um desejo ou de uma fantasia, mas o indício de uma realidade nascente. Os pensadores de toda parte a sentem e reconhecem, e ela se realizou no setor do governo por intermédio da federação dos territórios britânicos e sua relação com a Grã-Bretanha, e na federação dos Estados Unidos da América. Está distorcida e plagiada no conceito do superestado, que os ditadores do mundo usam para ludibriar seus povos. Entretanto, estão sendo forjados as correntes que farão descer a visão e precipitar na Terra o modelo das coisas, tais como deveriam ser no próximo ciclo mundial.

Quando esta visão tiver sido captada por todos os homens e mulheres de boa vontade de todas as nações e se tornar parte da vida e da mente de todos os discípulos e aspirantes, o passo seguinte será estudar os fatores que entravam sua materialização. Para isto é essencial haver uma grande tolerância e uma mente sem preconceitos, qualidades raras no estudante comum e nos homens das cidades pequenas. É preciso encarar os erros passados; reconhecer o egoísmo nas esferas do capital e do trabalho. A cegueira, as ambições nacionalistas, a persistência na reivindicação de antigos territoriais e supostos direitos, o espírito possessivo herdado, a recusa de abandonar os ganhos passados, os distúrbios nas áreas religiosa e social da consciência, a incerteza sobre as realidades da vida subjetiva e espiritual e a falta de sinceridade, baseadas na miragem e no medo, todos estes fatores estão tecidos no estilo de vida de cada nação, sem exceção. São explorados pelas forças do mal, enquanto as pessoas bem-intencionadas, mas fracas os evitam. Estes fatores devem ser vistos em sua verdadeira perspectiva. As pessoas que procuram servir sob as Forças da Luz devem elevar os olhos acima do mundo dos efeitos e penetrar no reino das causas; devem apreciar os fatores que criaram e condicionaram o mundo moderno, e conhecer os fatores predisponentes pelo que são. Esta avaliação da situação e a aceitação da culpa e da responsabilidade devem preceder todo intento de precipitar o modelo vindouro para o mundo sob a forma de vida ativa.

Este novo mundo não virá como resposta à oração, nem pelo desejo passivo e expectativa do idealista amante da paz e do visionário místico; eles indicam o caminho e o objetivo necessário. O novo mundo virá quando o místico e o homem de visão despertarem para a necessidade da hora e descerem do mundo dos sonhos, das teorias e das palavras, para entrar na dura arena da vida pública diária. Devem estar dispostos a lutar pelo que desejam e sabem que é bom, verdadeiro e correto; devem se manter firmes contra aqueles que distorcem a visão e impedem seu aparecimento; devem se armar para a batalha, a fim de possibilitar um desarmamento definitivo.

Uma clara visão desta futura governança do mundo (nas grandes linhas, não nos detalhes), um reconhecimento inteligente dos obstáculos e impedimentos que bloqueiam seu aparecimento, e uma disposição para tomar as medidas necessárias no plano físico, para pagar o preço exigido e oferecer os sacrifícios solicitados, são atitudes essenciais, prévias à eliminação dos obstáculos que existem no caminho do novo mundo vindouro. É uma visão prática, amplamente desejada, muito discutida e delineada com clareza. Os obstáculos parecem ser muitos, mas podem ser resumidos em uma só palavra: Egoísmo - nacional, racial, político, religioso e individual.

O aspecto prático do modo de eliminar os obstáculos pode ser descrito de forma também simples. A visão aparecerá como uma realidade na Terra, quando os indivíduos submeterem voluntariamente seus interesses pessoais ao bem do grupo; quando o grupo ou grupos fusionarem seus interesses com o bem nacional; quando as nações abandonarem seus propósitos e metas egoístas pelo bem internacional, e quando a correta relação internacional se basear no bem total da própria humanidade. Desta maneira o indivíduo pode desempenhar seu papel no todo maior, sua ajuda é necessária, e deste modo o senso de ineficácia individual desaparecerá. Para o homem menos importante na unidade nacional mais insignificante chega o chamado para o sacrifício e o serviço ao grupo do qual é parte. Oportunamente, a própria humanidade será impulsionada, como unidade integrada, no serviço à Vida planetária.

Temos acima uma tentativa de descrição de uma visão mais ampla com o esforço prático que ela exige, e também uma indicação das maiores possibilidades que estão diante da humanidade. Na verdade, é para isso que os Aliados lutam e é contra isto que a Alemanha reúne hoje sua máquina de guerra.

O que se pode dizer agora do presente imediato, e o que pode fazer o indivíduo para ajudar à causa da humanidade e deter a maré do mal? Se o indivíduo luta do lado das Forças da Luz e dos Aliados, já sabe qual é seu destino e o serviço que deve prestar. Porém, o que se pode dizer aos que estão se interrogando sobre o que podem fazer e, no entanto, estão desejosos de ver com clareza e de desempenhar sua parte? A eles eu diria:

1. Eliminem de sua consciência o preconceito, o orgulho nacional e as antipatias religiosas. Os erros passados dos Aliados, como registrados pela história, são fatos que eles mesmos não negam. Eles não são os únicos culpados de egoísmo, pois o balanço de toda nação está manchado com os mesmos erros. Porém, hoje sustentam uma outra estrutura, nova e espiritual, baseada em um desejo de síntese, métodos corretos de governo e o bem do povo. O nefasto passado de todas as nações é usado agora como justificativa por quem não deseja assumir responsabilidades nem sacrificar nada pela causa da humanidade. É necessário que todos nós hoje reconheçamos nossas próprias deficiências, tenhamos espírito de tolerância e de perdão.

2. Não se deixem assustar quanto ao resultado, qualquer que seja, de uma ação correta e positiva. Por trás das atitudes de desacordo subjaz o medo, e ele mata a verdade, oculta a visão e detém a ação correta. O grande Guia da era cristã advertiu que não se deve temer os que matam o corpo, mas os que procuram matar a alma. As forças agressoras estão matando lenta e desapiedadamente o amor e a esperança (qualidades da alma) nos países conquistados e na Alemanha. Isto, juntamente com a defesa da grande causa humanitária, é razão suficiente para impulsionar os homens de boa vontade a empunharem armas a favor das Forças da Luz. Recomendo isso à sua atenta imaginação. Colocando de maneira ainda mais prática, pergunto se gostariam que seus filhos fossem submetidos aos métodos educativos do regime nazista, que esmaga todo senso de humanidade, acentua o orgulho de raça e o culto à crueldade? Depois disso, podem permanecer impassíveis ou simplesmente recorrer à oração e falar sobre a beleza da paz, quando as crianças dos países ocupados estão submetidas ao sistema alemão que mata a alma? No interesse dessas crianças, recusem-se a ter medo.

3. Tendo experimentado a visão, reconhecido os obstáculos e se desembaraçado do preconceito inato e do medo, ficará evidente para vocês o que devem fazer (frente a esta perigosa crise). Não me cabe dizê-lo. Devem decidir os detalhes; os métodos que devem empregar ficarão claros; as questões humanitárias em jogo ficarão cada vez mais evidentes; então, se alinharão do lado das Forças da Luz e sustentarão as mãos dos que estão lutando pela paz e pela segurança do mundo, preparando assim a entrada em um novo caminho. Isso farão sem pensar em si mesmos. Enfrentarão a vida com verdade e sinceridade, dedicando-se plenamente ao sacrifício de tempo, dinheiro, da própria pessoa e, se necessário, da vida. Compreenderão dinamicamente que a atitude do observador passivo não é a de um agente das Forças da Luz nem de quem ama a humanidade.

4. Aprenderão a não abrigar pensamentos de ódio; recusando-se a odiar o pecador iludido, mesmo quando lhe impõe um castigo por seu pecado. O ódio e a separação devem desaparecer, e desaparecerão quando o aspirante individual os erradicar de sua própria vida. O grande erro dos homens de mente neutra e dos pacifistas está em que se recusam a se identificar construtivamente com a dor humana. Embora reajam com emoção violenta sobre o sofrimento, por exemplo, das crianças nesta grande guerra e dos refugiados indefesos, não se preocupam realmente em fazer algo para melhorar a situação, o que implicaria sacrifício. Duras palavras, mas uma necessária exposição de uma realidade. A simpatia que não produz ação positiva de qualquer espécie se converte em chaga virulenta.

Assim, pelo pensamento, a palavra e a ação, quem ama a humanidade entrará na batalha contra o mal; com total autoesquecimento sustentará a causa da humanidade, não se ocultará por trás do sentimento de inutilidade, nem buscará desculpas em um idealismo mal interpretado. Enfrentará os fatos da situação presente à luz que emana da própria visão. Avançará então para a era das corretas relações humanas, da unidade espiritual e dos recursos compartilhados com plena confiança, porque seu sentido de valores está ajustado. Sabe que a humanidade tem uma missão divina que deve ser implementada nas asas do amor, por meio da ação compreensiva, do serviço altruísta e da disposição de morrer na batalha, se esse for o único modo de servir e libertar o irmão.

Tendo apresentado aqui a atitude diante da crise mundial atual, que me parece estar de acordo com tudo que ensinei no passado e na linha do ensinamento da Hierarquia, tendo esclarecido o dualismo básico que subjaz neste conflito e apontado as linhas de demarcação que emergem nitidamente, convoco a todos para que se alinhem com as Forças da Luz.

São tempos difíceis e terríveis. São necessários homens e mulheres que tenham a coragem e o discernimento para permanecer firmes e tomar as medidas devidas - quaisquer que sejam - para pôr fim à guerra. Vastos setores da humanidade só podem aceitar o lamentável destino que os alcançou. São pessoas incapazes de pensar, orar ou recorrer à fé para ajudá-las. Estão sem esperança. Para elas, vocês devem pensar; para elas vocês devem orar, para elas vocês devem ter fé e, acima de tudo, neste momento, para elas vocês devem agir. O trabalho de reconstrução reside no futuro. O que hoje se exige é a construção de uma muralha de defesa em torno da humanidade. Em seguida - tendo cumprido todas as exigências do plano físico - permanecer inabaláveis. Mas devem fazê-lo encarando o inimigo das almas dos homens, prontos para a batalha, literal e fisicamente, prontos para tomar todas as medidas para rechaçar o inimigo e prontos para o sacrifício máximo para que ele não possa avançar mais.

Portanto, o trabalho de vocês será de natureza tríplice. Nos níveis da consciência mental, a visão da necessidade presente e do futuro ficará clara, inspirando-os e permitindo-lhes ser uma fonte de força para todos aqueles que os rodeiam; sua fé verá além do evidente, até a "substância das coisas esperadas, evidência das coisas não vistas”, como expressou o iniciado Paulo; seu pensamento será então ancorado na correta ação e dirigido pela alma. No aspecto emocional da vida, não terão tempo para lágrimas vãs nem para conversas vagas, simpatizantes, porque estarão completamente identificados com o que está acontecendo, e toda a energia emocional estará dirigida para a busca de todos os métodos disponíveis para aliviar praticamente a dor. A energia do coração estará ocupada na tarefa de prestar uma ajuda compreensiva, de maneira que não ocorram as habituais reações emocionais do plexo solar. No plano físico não terão problemas para saber o que fazer, porque todo esforço físico, seu tempo e a força da personalidade estarão direcionados a desempenhar a parte que lhes cabe para deter o avanço das forças de agressão. Talvez signifique lutar nas linhas dos exércitos aliados; dirigir uma ambulância sob os auspícios da Cruz Vermelha; reunir fundos para socorrer os refugiados; falar em público, ou a grupos, sobre o que está em jogo, ou participar em algum tipo de esforço nacional para levar ajuda e fortalecer os Aliados. O que quer que fizerem, apelará para tudo que possuem e que são, integrado e direcionado para um esforço sustentado, substancial e uni direcionado.

Com isso a sua vontade-para-o-bem estará por trás de todo esforço para frustrar as atividades de uma aliança do mal que possa se apresentar em seu ambiente; vocês serão levados a trabalhar com atenção para o bem do próprio país e, ao mesmo tempo, a aumentar a onda de esforço nacional para pôr fim à guerra pela vitória tangível das Forças da Luz. Reflitam sobre estas palavras.

O esforço mundial de boa vontade, que já procurei instaurar e sintetizar, passou por uma etapa negativa e por um intervalo no qual nenhum trabalho ativo era possível. As necessidades do Novo Grupo de Servidores do Mundo apelam agora a uma atividade positiva renovada. Novamente, é preciso empreender a redescoberta e o apoio imediato dos membros do grupo. É preciso chegar até eles, se possível, em todos os países, reabilitá-los com sabedoria e restabelecê-los subjetivamente. É preciso ajudá-los objetivamente e também inspirá-los para que possam trabalhar para formar o núcleo das Forças de Reconstrução, quando as Forças da Luz tiverem triunfado sobre as forças da agressão. Este é o primeiro ponto que gostaria que cumprissem.

O segundo ponto consiste em instaurar o uso dinâmico de uma outra estrofe da Grande Invocação. A que empregaram até agora cumpriu seu propósito imediato, embora possa ser chamada de novo quando a guerra acabar. Eu lhes dou agora uma outra série de frases que (se usadas corretamente) podem invocar as Forças da Vontade Divina ao apoio das Forças da Luz. Não é fácil dar uma tradução adequada nem parafrasear este mantra de poder; também não é fácil reduzir seu poder suficientemente para que possa ser empregado por todos sem perigo e, ao mesmo tempo, conserve sua qualidade de desafio dinâmico. As frases a seguir, porém, bastarão; se a empregarem com intenção concentrada e com a atitude do sacrifício da personalidade (mantida silenciosamente dedicada na luz da alma), um grande poder poderá ser gerado. Pelas linhas de poder que tiverem conseguido estabelecer desta maneira, poderá chegar o necessário para libertar a humanidade da escravidão do mal, desde que compreendam um pouco da natureza da vontade de sacrifício.

Que surjam os Senhores da Liberação.
Que Eles tragam socorro aos filhos dos homens.
Que venha o Cavaleiro do Lugar Secreto E vindo, salve.
Venha, Todo-Poderoso!

Que as almas dos homens despertem para a Luz
E que eles sustentem uma intenção maciça
Que ecoe a proclamação do Senhor:
O fim das aflições chegou!
Venha, Todo-Poderoso!
A hora do serviço das Forças Salvadoras já chegou
Que elas se alastrem por toda parte, Todo-Poderoso.

Que a Luz, o Amor, o Poder e a Morte
Cumpram o Propósito Daquele Que Vem.
A VONTADE de salvar está aqui,
O AMOR para conduzir o trabalho está amplamente irradiado
A AJUDA ATIVA de todos os que conhecem a verdade também está presente.
Venha, Todo-Poderoso e fusione esses três.
Construa uma grande muralha de defesa.
A regência do mal deve terminar agora.

Portanto, se pronunciarem estas três estrofes com vontade concentrada e afirmativa, é possível que um grande poder seja liberado para a salvação da humanidade e a derrota imediata das forças da agressão. Reitero, porém, que o emprego destas palavras deve ser acompanhado da consagração da vida pessoal à causa da humanidade e da transmutação da vontade pessoal na vontade sacrificial da alma.

Finalmente, peço que se ponham em contato, com a maior brevidade possível, com a sede do movimento de boa vontade e indiquem também se estão dispostos a colaborar ao máximo possível com as Forças da Luz. Isto servirá para concentrar na prática o seu esforço. Peço também que difundam este artigo na mais ampla escala, para que se divulgue extensamente o uso da nova Invocação. Há muitas pessoas a quem poderia ser enviado, junto as quais suscitaria uma atividade renovada e um esforço cheio de esperança. Pediria a vocês que usassem esta nova Invocação com fé, porque harmoniza em uma unidade magnética as forças da divina Vontade-para-o-Bem, do Amor que subjaz nos esforços da Hierarquia e da Atividade Inteligente da humanidade, criando assim um reservatório de força no qual pode ser vertida a energia dos três centros divinos e ao qual as Forças da Luz podem recorrer. Pronunciar esta Invocação não substitui o esforço de sua parte no plano físico; é complementar a ele, e quanto mais servirem no plano físico, mais eficaz será o uso que fizerem da nova Invocação.

Disse antes que a guerra poderia ter sido evitada em sua expressão no plano físico, se os discípulos e aspirantes do mundo tivessem se mostrado à altura da oportunidade e de suas responsabilidades. A Grande Invocação tornou-se relativamente impotente, do ângulo da utilidade dinâmica, porque a maioria do que a usaram converteram-na em uma oração pela paz. Era, em vez disso, um grande apelo invocativo espiritualmente militante. Isto não deve acontecer com esta Estrofe da Invocação. É uma demanda; é também uma afirmação impositiva de um fato que existe; põe em movimento agentes e forças até agora inativas, que podem mudar a face do campo de batalha do mundo; invocam o Príncipe da Paz, mas Ele carrega uma espada, e os efeitos de sua atividade podem se mostrar surpreendentes para aqueles que veem somente as necessidades do aspecto forma da humanidade.

Que a força e a iluminação sejam suas, como também o poder para permanecer e a capacidade de lutar pela liberação da humanidade, é a oração e o apelo do seu irmão, o Tibetano.

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A GRANDE INVOCAÇÃO

Segunda Estrofe

Setembro de 1940

Depois da devida reflexão, me pareceu que seria muito útil elucidar um pouco o tema da nova Invocação e tratar da questão da intervenção divina. O pensamento sobre este tema é muito incerto, devido às más interpretações do ensinamento cristão no que diz respeito ao reaparecimento do Cristo. As mentes analíticas e teológicas dos homens distorceram a revelação de Deus, e eu gostaria de fazer alguma coisa para motivar uma atitude mais inteligente para a realidade deste retorno inevitável. Esta reflexão inexata impede um trabalho inteligente de colaboração. Lembraria que o êxito da invocação e a verdadeira eficácia da oração dependem do pensamento claro e não do desejo emocional nem de um poderoso complexo de veleidades. Dependem também de certo frescor, de certo entusiasmo dinâmico, difíceis de alcançar em um momento de esforço e tensão. O momento atual é particularmente difícil. Talvez uma compreensão mais clara da natureza e do propósito da intervenção divina, pudesse esclarecer esta questão em parte.

Para o pensador eventual e para o estudante de ocultismo iniciante, poderia parecer que - dado uma Deidade ou Logos planetário onipotente - Ele poderia, sem muito transtorno e com muita eficácia e compaixão, intervir nesta penosa situação mundial e pôr fim à guerra das nações por meio de algum evento espetacular, algum desastre ambiental dramático, ou algum aparecimento supremo que trouxesse muito bem. Isso poderia convencer, de maneira conclusiva, os grupos agressores - seria possível argumentar - que sua hora acabara e que seria melhor pôr fim imediatamente aos seus empreendimentos. Se fosse tão simples assim! Mas as leis da natureza, o livre-arbítrio da própria humanidade e a inevitabilidade do carma se combinam para impedir que uma intervenção seja praticada apenas nestes termos. Isso não significa que alguma forma de intervenção seja impossível, mas deve estar em conformidade com a lei; não deve interferir no direito da humanidade de tratar de seus próprios assuntos, e o momento deve ocorrer no momento em que os melhores e máximos resultados possam ser alcançados.

Antes de tudo, gostaria de abordar os três pontos assinalados acima: a lei natural, o livre-arbítrio e o carma. Com isso poderia, talvez, aclarar o pensamento confuso de muitos estudantes.

A lei natural é a atuação inevitável no plano físico de forças e energias que foram geradas há muito tempo. Há uma tendência de se pensar que tais forças e energias devem permanecer fora do controle humano, que são parte da inescrutável vontade de Deus, e que o homem não tem nada a ver com elas. Quando se compreender que certos aspectos da lei natural concernem estritamente às forças (subterrâneas, superficiais e aéreas) do nosso planeta, este princípio será considerado correto na condição atual das atitudes mentais da raça, e assim permanecerá por longo tempo. Há, porém, causas e efeitos que colocamos na categoria de lei natural, mas sobre os quais o homem não está longe de exercer certo controle. Durante eras o homem gerou energias que inevitavelmente devem produzir acontecimentos no plano físico, evocar respostas no plano das emoções, e induzir reações mentais. É o ponto em que a lei natural e a lei do carma se encontram e atuam uma sobre a outra.

Há muitas pessoas hoje em dia que encontram um álibi para si próprias na atual situação mundial e, em consequência, sentem-se livre de toda necessidade de agir de maneira concreta e responsável, dizendo que o que está acontecendo agora é simplesmente uma questão de carma, ou o cumprimento da lei de causa e efeito e que, portanto, não há nada que possam fazer. Deste modo, assumem a posição de que o assunto não lhes cabe e que, no devido tempo, o processo estará esgotado e tudo ficará bem novamente. Haverá um novo começo e, a propósito, não terão se envolvido, mas terão observado com segurança (mesmo que desconfortavelmente). Assim agindo, passam por alto o terceiro aspecto desta mesma lei, denominada de livre-arbítrio. É o uso correto do livre-arbítrio e sua expressão compreensiva que, oportunamente, devem retificar e ajustar a atuação do carma e transmutar o que agora está produzindo tanto mal e tanta devastação no mundo em uma manifestação do bem e em uma sólida base para a busca da verdadeira felicidade. Portanto, aqueles que observam os trágicos sofrimentos da humanidade, negando qualquer envolvimento e assim fugindo de sua responsabilidade como parte integrante da família humana, estão claramente acumulando para si muito mau carma. Devem aprender a participar de alguma maneira, porque a situação atual contém em si as sementes para a libertação da humanidade, quando se tiver compreendido em parte a natureza do mal e, acima de tudo, quando a unidade da humanidade e os direitos dos seres humanos forem realmente reconhecidos. Aqueles que militam contra a raça dos homens e procuram desviá-la da meta da liberdade, dom de Deus, devem ser rechaçados para o lugar de onde vieram. Aqueles que se recusam a partilhar da luta pela liberdade não participarão dos benefícios da liberdade, mesmo que apenas nos limites de seus próprios lares, hábitos de vida e circunstâncias da vida privada. Ao dizer "ser rechaçados para o lugar de onde vieram” estou empregando esta frase nos dois sentidos, comum e ocultista.

Portanto, o livre-arbítrio e a vontade-para-o-bem da humanidade devem pôr fim ativamente ao conflito atual. O primeiro fator diz respeito à responsabilidade do homem; o outro, corretamente compreendido, diz respeito às corretas relações do homem com o propósito divino, sua correta orientação para a boa vontade divina e sua correta participação na expressão dessa última. Onde estas condições existirem, é possível produzir um ato de intervenção divina.

A lei natural está produzindo hoje grandes mudanças na natureza pelos efeitos dos combates no ar e na terra, pelos resultados do movimento fluidos de setores inteiros da população mundial, e pelos efeitos de vastas mudanças e processos econômicos. Foram postas em marcha condições que devem agora atuar até atingirem o objetivo predestinado, e a tarefa dos guias espirituais da humanidade é cuidar para que do mal superficial e da atividade material possa resultar o bem, e cuidar para que da intenção materialista e maléfica, por trás da presente atividade agressiva de certos grupos seja possível arquitetar o bem supremo e acabar com a atividade maligna. Mas este possível bem resultará da atividade espiritual dos que conhecem a lei e compreendem o propósito da vontade de Deus; vai se realizar não em razão de, mas apesar da força bruta e dos objetivos egoístas dos agressores do mundo, os quais personificam e animam as forças materialistas do planeta de maneira completamente nova.

O livre-arbítrio implica uma compreensão básica das linhas de cisão do mundo; diz respeito à escolha correta e à consequente ação correta para o grupo. É sempre determinado pelo que é bom para o todo, e não tanto pelo que é bom para a parte. A humanidade está chegando agora à etapa em que o livre-arbítrio pode tomar uma importância significativa. Até esta data pouco livre-arbítrio houve, e é o que absolutamente se precisa demonstrar neste momento. A falta do verdadeiro livre-arbítrio é o que entrava hoje a atividade final. Temos aqui uma afirmação importante, e é neste ponto em que as grandes nações livres e neutras podem orientar corretamente os assuntos humanos. A agressão, o medo, o terror, os pressentimentos sombrios e a apatia que resultam da dor física e mental incessante, estão desgastando e anulando o livre- arbítrio em muitos setores do mundo neste momento. Atualmente, não há livre-arbítrio em inúmeras partes da Europa.

Os preconceitos, a má interpretação dos fatos apresentados, um falso e exaltado idealismo, as formas-pensamento raciais e nacionalistas, e o medo à responsabilidade, que faz fugir, são obstáculos à expressão do livre-arbítrio nas partes menos danificadas do mundo. A falta de preparação moral e a recusa de abandonar as muitas e diversas interpretações erradas da verdade ou dos ensinamentos do Cristo entravam muitas pessoas nos dias de hoje. A liberação da humanidade virá quando as chamadas "pessoas de bem do mundo” abandonarem suas teorias favoritas e seus amados ideais, e compreenderem o fato essencial de que a entrada no reino dos Céus, assim como na nova era, acontecerá quando a humanidade for verdadeiramente amada e receber serviço altruísta, quando o verdadeiro propósito divino for percebido e a humanidade se reconhecer como um todo indivisível. Então os nacionalismos mesquinhos, as divergências religiosas e os idealismos egoístas (porque é o que são, a maioria das pessoas sendo idealista para salvar a própria alma), ficarão subordinados às necessidades humanas, ao bem humano e à felicidade futura da totalidade. A imperiosa necessidade da hora atual é uma simplificação da atitude dos homens. As ideologias devem desaparecer; os antigos ideais devem ser abandonados; as mesquinhas intrigas políticas, religiosas e sociais devem ser descartadas, e só deve haver um propósito dinâmico e uma firme determinação de liberar a humanidade da imposição do medo, da escravidão que lhe é imposta, e de restaurar para o homem a liberdade e a devida oportunidade de se expressar por meio das corretas relações humanas. Isto ainda não é possível, e a ultrajante situação de medo, escravidão, lei imposta e punitiva está partindo o coração da humanidade e causando profunda angústia e questionamento naqueles cujos corações ainda não estão tão arrasados.

Com relação ao carma, o homem pode desfazer o que fez, o que muito se esquece. O carma não é uma regra estrita e inflexível. É passível de mudanças, de acordo com a atitude e o desejo do homem. Ele brinda a oportunidade de mudar, deriva de atividades passadas que, se encaradas e tratadas da maneira correta, assentam as bases para a felicidade e o progresso futuros. Quanto à situação atual, a culpa cabe a todos os povos (especialmente aos mais inteligentes), incluindo também os grandes países neutros, se a Lei de Renascimento e da responsabilidade conjunta significam alguma coisa. O carma não é tudo que é mau, maligno. Os homens assim o veem devido à sua estupidez. Há hoje grandes forças do mal que procuram se expressar no mundo; emergem do passado e procuram determinar e criar um futuro muito perverso, no qual o egoísmo, os objetivos materiais, as vantagens e o bem-estar de uma só raça devem ser impostos ao mundo - um mundo que se rebela naturalmente contra tal imposição e distorção da realidade. A força do mau exemplo é revelada pelo fato de que duas outras raças reproduzem de maneira abjeta ou ajudam as forças da agressão, centradas atualmente na raça dos agressores.

Ao mesmo tempo, as forças do bem estão procurando neutralizar esta imposição do egoísmo materialista, e estão agora encurraladas com a questão ainda incerta - exceto no plano mental. Ainda está por se cumprir o triunfo do bem no plano físico. Quando aqueles que não estão tão drasticamente envolvidos no presente conflito renunciarem ao egoísmo, aos seus preconceitos e interpretações, e virem em sua verdadeira luz a dualidade básica deste conflito, lançarão o peso de sua crescente influência em favor da boa vontade e das corretas relações humanas. Então, o mau carma que parecem aceitar placidamente para os outros e rejeitar para si mesmos se transformará em bom carma, que é o verdadeiro destino da humanidade e que introduzirá a nova era de alegria, de paz e de síntese espiritual - síntese que chamamos de "fraternidade”.

Devido à demora em compreender corretamente, e à lentidão de muitos para avaliar a verdadeira situação, aqueles que guiam a humanidade e trabalham do lado espiritual da vida pouco puderam fazer até agora, exceto fortalecer espiritualmente as mãos daqueles que trabalham para as Forças da Luz. A fé que há em muitos manteve a porta entreaberta; no entanto, mesmo eles se esqueceram com frequência de que "a fé sem obras é uma coisa morta”. Só quando a fé encontrar uma expressão ativa no plano físico, em correta cooperação e em sacrifício (até a morte), a porta poderá ser totalmente aberta e a intervenção divina viabilizada. Somente quando a visão e o sonho de paz que enganam tantas pessoas bem-intencionadas ceder lugar à determinação de empregar todos os meios possíveis para alcançar a paz de maneira prática no plano físico, as forças espirituais internas poderão também atuar mais ativamente na Terra.

Curiosamente, são muitas vezes entravadas hoje em dia pelos idealistas que amam mais seus ideais do que a humanidade, e se agarram a interpretações especiais do que pensam que o Cristo quis dizer, excluindo ao mesmo tempo o verdadeiro amor que caracterizou cada um de Seus atos, e que os impulsionaria ao serviço ativo e altruísta das Forças da Luz. Nada fazem para pôr fim ao conflito, porque estão ocupados com seus próprios sonhos, ideais e interpretações; quando abandonarem tudo isso pelo amor à humanidade, uma nova visão surgirá e o mundo será salvo. As Forças da Luz encontrarão uma potente expressão e as forças da agressão serão derrotadas.

Portanto, considerando-se uma oportuna fusão da visão com a atividade no plano físico (o que mais se necessita nestes momentos), que forma poderia adotar a esperada intervenção divina? Não profetizo. Tudo que pretendo demonstrar é que o obstáculo, ou o bloqueio, é obra da humanidade; não está do lado das forças de luz, vida e amor; não está do lado do Cristo e seus discípulos, nos Mestres de Sabedoria, pois Eles, sob diversos nomes, constituem a Hierarquia espiritual do planeta. Chamem-nos como preferirem; a crença mais cara da humanidade é que existe no mundo e para sempre existirá uma Realidade oculta, Aqueles que venceram a morte, que possuem poderes ilimitados para ajudar e que podem ser alcançados pela oração e pela invocação.

Foi a potência e a dominação das coisas materiais e o fato do foco indiviso no plano físico que deram às forças da agressão tanto sucesso até o presente. Estas forças, por sua própria potência, uniram e combinaram um grupo de sete homens que, em si, personificam os grandes e específicos aspectos das forças materiais (vinculadas com os sete tipos de energia em sua expressão mais baixa e material) e suas manifestações: guerra, medo e crueldade. Une-os um ponto de vista comum e uma meta única, daí o êxito. Também é interessante observar que, no caso deles, aparecem inevitavelmente sete personagens iniciais, paralelo vil e sombrio das Sete Entidades primordiais que conduzem os seres humanos para a luz e são simbolizadas pelos Sete Maçons que constituem uma Loja Maçônica. São os guardiões das forças que os dominam, e sobre as quais não exercem nenhum controle. Vocês perguntam quem são esses sete: Hitler, Von Ribbentrop, Goebbels, Goering, Hess, Himmler e Streicher - nomes bem conhecidos por todos vocês. Eles encarnam e personificam as forças da agressão e governam pelo medo, não só as nações escravizadas, como também seus poucos aliados, que não estão de nenhuma maneira na mesma categoria de poder - felizmente para eles.

Quando aqueles que estão do lado das Forças da Luz e da não-agressão perceberem seu objetivo com igual clareza e estiverem análoga e uniformemente unidos no objetivo de dar fim à opressão e à escravidão e liberar a humanidade, veremos então uma representação da força espiritual que resultará no desastre para esses sete personagens poderosos. Tal unificação de objetivos e propósitos é possível e necessária e, quando ocorrer, a força engendrada e a potência liberada no plano físico serão de natureza tão avassaladora que a liberação da humanidade será realizada rapidamente.

Para isso trabalhei e procurei estimular todos vocês. Este estado de espírito está se disseminando entre as forças aliadas, embora a queda da França tenha sido inevitável. A França estava animada por propósitos um tanto egoístas: a segurança da França, preocupando-se menos com a integridade e a felicidade da humanidade. Isso a levou ao colapso inevitável. No entanto, a França está aprendendo. Seu povo inquebrantável e seu núcleo espiritual salvarão esta nação despedaçada. As potências neutras ainda são egoístas (o que tentam esconder por meio da filantropia), mas estão despertando rapidamente para os verdadeiros problemas. Quando houver uma síntese real de objetivo e propósito, uma verdadeira unificação da visão no plano mental, um desejo fixo e inalterável no plano emocional, além de uma consagração ao esforço prático no plano físico, então haverá esperança de que apareça a encarnação do "desejo de todas as nações”.

Esta encarnação é uma das maneiras possíveis de intervenção divina. O Príncipe da Paz conduzirá seu povo - pela guerra - à paz. Aqueles que pensam somente em termos de paz como a entendem e desejam, esquecem-se da implicação bíblica de que o Príncipe da Paz toma claramente parte na batalha do Armagedon (em curso atualmente). Depois de alcançar a vitória, conduzirá suas coortes triunfantes pelos portais para "Jerusalém”, a cidade da paz. A significação simbólica e prática disso está se tornando cada vez mais evidente. Este notável acontecimento pode ocorrer, e ocorrerá, quando o livre-arbítrio das pessoas, combinado com a invocação e a oração, o tornar possível.

A intervenção divina também poderia tomar a forma de um evento catastrófico que poria fim à agressão pela destruição. Provavelmente custaria tantas vidas humanas que os guardiões da lei natural e os trabalhadores que compreendem o propósito divino hesitariam em empregá-lo, além do fato de que a humanidade chegou a uma etapa de evolução em que a expressão do livre-arbítrio humano é absolutamente possível. A catástrofe foi o método empregado nos dias atlantes, como bem sabem pelos relatos do dilúvio. Pelo dilúvio houve uma destruição quase completa da civilização daquela época. Espera-se que tal passo drástico não seja necessário hoje, embora haja antigas profecias sobre a possibilidade de destruição deste mundo nesta época por meio de fogo em vez de dilúvio. Qual dos dois métodos - encarnação divina ou catástrofe natural - será empregado na realidade será decidido pela humanidade, aplicando ou não o livre-arbítrio e a compreensão. Caso a humanidade não se reúna sob a bandeira das Forças da Luz contra as forças da agressão e do egoísmo materiais, a "provação do fogo” talvez seja inevitável.

Há também falanges adormecidas que podem ser chamadas para ajudar as Forças espirituais, o que é insinuado por certas profecias antigas. Mas, à medida que estudamos frase por frase a nova Invocação, talvez eu possa esclarecer um pouco mais esta questão, pois há várias significações e alcance por trás de cada frase. O que quero esclarecer nestas observações preliminares é que a lei natural, o livre-arbítrio e o carma se relacionam de maneira crescente, e que todos esses fatores são aspectos de uma grande lei natural, lei que personifica o propósito divino - propósito que deve se cumprir por intermédio da humanidade, se a oportunidade atual for aproveitada corretamente e de acordo com o propósito divino.

Estimular certas pessoas à ação fenomênica e instigar outros a emergir como líderes dinâmicos e inspirados são outras maneiras da intervenção divina se expressar. Muitas vezes, ao longo das eras, homens foram sobrepairados pela divindade e aceitaram, sob a inspiração de Deus, a liderança positiva, e assim fizeram do propósito divino uma realidade, condicionando os assuntos mundiais. Se não tivessem respondido a esta impressão e a esta influência e não tivessem assumido a responsabilidade que lhes era imposta, o curso dos assuntos e acontecimentos mundiais teria sido diferente. Não me refiro aqui especificamente aos líderes espirituais, mas aos líderes de outros setores da vida humana, expressões da vontade divina como Moisés, o Legislador; Akbar, o guerreiro e estudante; Leonardo da Vinci, o artista inspirado, e outras grandes figuras destacadas que determinaram as tendências básicas da civilização humana. Refiro-me também às forças construtivas que guiaram a humanidade para uma maior luz de conhecimento e entendimento. Todos estes líderes produziram efeitos duradouros na consciência humana e, portanto, seu trabalho foi exercido no campo do segundo aspecto da divindade. Suas atividades foram paralelas com as dos trabalhadores que são ou foram inspirados pelo aspecto material da manifestação, que exerceram influência principalmente no plano físico, e cujo efeito foi na linha pessoal e egoísta. Este tipo de influência se faz sentir sobretudo no plano físico e, sob certos ângulos, seria possível considerar que o conflito atual é travado entre o segundo aspecto, a consciência espiritual desenvolvida e o aspecto material da manifestação, sendo a humanidade, na atualidade, o grande campo de conflito divino.

Aludimos, pois, às seguintes formas de intervenção divina:

1. Encarnações divinas.
2. Catástrofes naturais.
3. Evocação de entidades adormecidas.
4. Aparecimento de líderes inspirados.

Há ainda um tipo de intervenção mais misterioso, imensamente mais potente e claramente mais difícil de evocar e, em consequência, de fazer contato. Trata-se do surgimento, da resposta ou do aparecimento de grandes Filhos de Deus, que residem em fontes muito distantes da nossa vida planetária; implica no aparecimento de Vidas cuja expressão e poder divinos são tão maravilhosos que só o propósito espiritual de massa, o de um grande número de pessoas pode ser de alcance e poder suficientes pode atravessar o véu que protege a Terra, até alcançar aqueles remotos reinos onde têm sua natural e eterna morada. Não se pode chegar a Eles pela oração nem pelo desejo bem formulado, expressão da vida de desejos das massas. Residem muito além do reino do sentimento (tal como a humanidade entende) e moram sempre nesse elevado lugar que só pode ser alcançado pelo pensamento altruísta, intencionalmente dirigido.

Há pessoas hoje no mundo em número suficiente cujo pensamento concentrado e iluminado possa ser organizado e dirigido a essas Vidas de tal maneira que possam ser atraídas e induzidas a responder à necessidade humana de liberação? É esse o problema. É possível, mas, talvez, não provável. O problema de uma demanda fusionada da Hierarquia espiritual e da humanidade - simultaneamente expressa - terá de ser satisfeito, o que de nenhuma maneira é fácil de realizar.

É por esta razão que estas três estrofes de uma invocação muito antiga foram disponibilizadas e colocadas em suas mãos neste momento. Se puderem usar estas frases fazendo ouvir a sua voz em um apelo e uma afirmação de fé, em uníssono com as forças espirituais mais elevadas que postulam a sua lealdade, não importa sob que nome - há então uma possibilidade de que este tipo de atividade divina seja posto em movimento em uma dada linha, e isto poderia ocasionar mudanças de natureza tão auspiciosa que um novo céu e uma nova terra se precipitariam rapidamente. Pelo menos não há perigo nesta iniciativa e esforço de participar do intento hierárquico. Neste momento, colaborar segundo um plano com o trabalho do Cristo é útil e necessário; pelo menos servirá para elevar a humanidade e seu pensamento, e a produzir uma estabilização espiritual permanente. Grandes potências e a expressão do antigo mal vindo do passado estão proliferando na Terra neste momento, liberados por um grau pouco comum de erro, de crueldade e de egoísmo humanos, focalizados pelas forças de destruição por meio de uma raça desditosa e pelo poder de determinados homens perigosos - homens que se submetem facilmente à impressão e à influência do mal, obsedados pelo egoísmo e pelo mal. Seria possível evocar neste momento o bem eterno, latente em Vidas que normalmente fariam contato com a humanidade em algum futuro muito distante, e deste modo acelerar o dia de intensificado e aprofundado contato espiritual no presente imediato? Eis a questão. Se puder ser feito, o passado maligno e o glorioso futuro talvez possam se pôr em contato no desditoso presente, e haver um evento que produziria mudanças prodigiosas.

Lembraria que a evocação deste contato divino será em si mesma perigosa, desintegradora e destruidora. Os resultados são imprevisíveis para o ser humano, porque os homens não estão acostumados ainda a responder a Vidas e Influências de natureza tão elevada e divina. No entanto, existe a possibilidade de que seja agora permitido com mais segurança, se pessoas suficientes puderem se manter unidas espiritual e altruisticamente, oferecendo-se como canais para estas Forças espirituais novas e desconhecidas. Há atributos divinos, qualidades divinas e potências divinas que a humanidade mais iluminada de todos os tempos não pode nem sequer registrar, pressentir ou visualizar - os três aspectos escapam ao contato destas potências. Mas essas potências existem, e a correta condução da crise atual pela humanidade espiritualmente orientada pode trazer a liberação de alguma destas energias superiores e o estabelecimento de uma linha de influência efetiva, ao longo da qual possam se deslocar e, em consequência, entrar em contato com a Terra. Reflitam sobre isto e não confinem a Deidade pela rigidez e limitação de suas pequenas mentes.

A liberação de grandes forças impessoais é sempre uma questão crítica. Os efeitos produzidos dependem da qualidade dos aspectos do agente de recepção e da natureza da qualidade da forma sobre a qual elas exercem impacto. No campo da química, um catalisador posto em contato com certas substâncias, produzirá algo totalmente novo e trará mudanças normalmente inesperadas. Estamos começando a estudar e a compreender estas mudanças. A intervenção na situação atual de certas potências de gravidade e singularidade estupendas, e seu efeito sobre a interação entre as Forças da Luz e as forças da agressão é ainda mais imprevisível e somente a compreensão das pessoas espiritualmente orientadas do mundo e sua perseverança no sacrifício, além de sua clareza de visão e a unidade de sua concentração - podem fazer a situação deixar de representar perigo para toda a humanidade. Mantenham estes pensamentos quando empregarem a nova Grande Invocação.

Gostaria de abordar outro pensamento antes de analisar as frases da Invocação.

É verdade já reconhecida que toda expressão no plano físico é resultado: primeiro, do pensamento, depois, do desejo e, finalmente, da atividade no plano físico. Um homem tem uma visão e uma possibilidade. Pensa sobre a mesma e entra logo no reino da intervenção mental. Depois, gera uma forma-pensamento, seja a de uma máquina de costura, de um partido político, de uma ideia econômica, ou de algum outro tipo de organização cujo objetivo seja correspondente a um plano. Muita reflexão produzirá oportunamente um campo magnético que se tornará tão potente que o desejo intervirá; o sonho ou a visão entrará então em uma nova etapa de vitalização. No devido tempo, quando os processos do desejo estiverem desenvolvidos adequadamente, a visão se precipitará no plano físico. A atividade física e os métodos concretos da manifestação se coordenarão e, gradualmente, a forma-pensamento se converterá em realidade expressa, reconhecível por todos os homens.

Pensamento, desejo, atividade: é esta a história da visão e do sonho dos homens. Ao longo das eras, desde a noite dos tempos, os homens sonharam, na expectativa da revelação divina e da intervenção divina. Quando tudo parece fracassar, os homens se dirigem a Deus. Repetidas vezes na história da raça, a visão tomou forma e o sonho se materializou nas asas de um potente desejo e de um potente apelo. Repetidas vezes, Deus revelou e enviou seus Mensageiros e Representantes para ajudar e guiar a humanidade. Mas isto só acontece quando a demanda é enunciada de maneira adequada e a necessidade clama ao Altíssimo. Até agora a resposta nunca faltou. Repetidas vezes, ultimamente, as nações do mundo foram chamadas a orar, e o clamor do apelo de milhões de pessoas não pode ser ignorado nem ficar sem resposta. Ela deve vir, embora possa não tomar a mesma forma que antigamente, pois hoje o homem - apesar das aparências - é mais capaz de conduzir seus próprios assuntos e determinar conscientemente os acontecimentos que lhe dizem respeito. Por pouco que se compreenda, por trás de todas estas demandas e preces nos muitos países cristãos existe uma convicção sutil, profundamente assentada, de que o retorno do Cristo é iminente. Há uma aceitação geral do conceito de que a Presença do Filho de Deus pode ser evocada, e que Ele deve vir em auxílio de Seu povo. Não importa qual seja a interpretação dogmática ou o idealismo teológico, por trás do clamor de milhões de pessoas há alguma forma desta crença.

Esta demanda, vinda dos corações dos homens poderia suscitar o retorno do Cristo da Galileia? Faria surgir a manifestação de algum grande Filho de Deus que encarnaria talvez outro aspecto, desconhecido, da vida e da qualidade de Deus? Produziria talvez uma outra revelação divina e - assim como o Buda expressou a Sabedoria de Deus e o Cristo nos revelou o Amor de Deus - seria possível que Aquele Que pode vir nos revele a natureza da Vontade ou Propósito de Deus, apresentando assim aquela vontade-para-o-bem que deve ser chamada à atividade, se queremos abolir a maléfica vontade-de-poder da Terra? Apresento esta possibilidade à atenção de vocês, pedindo que reflitam sobre isso. Assim, se isto se revelasse como resultado correto de toda invocação e oração, teríamos, para equilibrar a vontade da personalidade, do egoísmo e da ganância material, a vontade altruísta que procura ajudar a toda a humanidade. A vontade do eu inferior e a vontade do Eu superior ou Alma entrarão em conflito, e a humanidade lançará o peso de sua influência sobre um ou outro.

Ao dizer lançar o peso da influência da humanidade sobre um ou outro não só me refiro ao poder do pensamento e àquilo a que tantas pessoas se referem com o eufemismo "trabalhar nos níveis mentais”. Refiro-me à atividade consciente do homem em sua inteireza, trabalhando nos níveis mental, emocional e, afirmemos de maneira muito enfática, também fisicamente. Portanto, somente aqueles que são personalidades integradas podem trabalhar desta maneira, e nisso reside a dificuldade. As pessoas que trabalham só mentalmente ou que se sentam e enviam pensamentos de amor, propagando-os ao mundo, e que se comprazem com a beleza de seu próprio idealismo (em geral não fazendo nenhum esforço físico adequado e equilibrador para pôr fim à presente situação maléfica, pela escolha correta, pelo sacrifício e pelo árduo serviço), na realidade só prestam serviço a si mesmas. Há também aqueles que enviam pensamentos de amor ao grupo de homens malignos responsáveis pelo desastre mundial, acreditando que assim os influenciam no sentido do bem. A estes eu recordaria que o amor é essencialmente uma energia ou potência impessoal, cujos efeitos dependem do tipo de forma com que entram em contato e sobre a qual exercem impacto. Portanto, verter amor sobre uma natureza materialista e egoísta só agravará o desejo e promoverá uma crescente ganância agressiva, nutrindo assim a natureza inferior e distorcendo a verdadeira expressão do amor, o que conduzirá a uma crescente atividade no mal. Verter amor sobre os que são puros, altruístas e desinteressados nutrirá a realidade e o verdadeiro amor. Estes pontos devem ser mantidos em mente, na hora atual, pelos servidores bem-intencionados, mas que ignoram o ocultismo.

Passemos agora à análise das três estrofes. A primeira diz respeito ao atento grupo de Vidas espirituais que procuram ajudar quando um apelo correto coincidir com o momento oportuno. A segunda diz respeito à humanidade e suas reações e à possibilidade de uma interação entre os dois grupos - as Vidas espirituais e os homens. A terceira indica os métodos e os resultados. Tomaremos cada frase ou ideia expressa em separado, pois cada uma tem sua própria implicação e todas possuem vários significados. Não posso considerar todos os significados, mas apresentarei os mais simples e importantes:

Que surjam os Senhores da Libertação. Que Eles tragam socorro aos filhos dos homens.

Quem são os Senhores da Libertação e de onde vêm? Todas as ideias e conceitos que dominam a vida humana e deram lugar à nossa civilização começaram como emanações de certas grandes Vidas que são elas próprias a expressão de uma Ideia divina. A nota que emitem e a qualidade que emanam se estendem até exercer impacto sobre os filhos dos homens mais desenvolvidos que se encontram na Terra em um dado momento. Esses homens se apropriam da ideia pressentida e familiarizam os pensadores da sua época com o conceito formulado. Desta maneira, os grandes motivos e propósitos divinos se tornam fatores que regem o progresso humano. Foi deste modo que o impulso básico de liberação e de liberdade dominou lenta e constantemente o esforço humano, conduzindo antes de tudo à luta pela liberdade e pela liberação individuais (com o ideal decorrente de paraíso, de iniciação e de realização espiritual), moldando gradualmente o pensamento humano até o ponto em que um ideal maior toma forma. A liberdade da humanidade e a liberação do seu poder de exercer a autodeterminação (um aspecto da liberdade), tornaram-se o ideal mais caro e o melhor pensamento dos pensadores de todas as nações. Em última análise, interferir na liberdade individual e grupal é o pior pecado dos homens malignos que procuram neste momento escravizar as nações mais fracas e submetê-las ao governo da Alemanha, privando-as de seus recursos nacionais e meios de subsistência, arrancando-lhes - pela força e pelo medo - os seus bens mais preciosos: liberdade de vida e de consciência.

Todas as grandes ideias têm suas Fontes de vida das quais emanam; na antiga invocação da qual nos ocupamos, essas fontes são chamadas de "Senhores da Liberação”. São três, e uma d’Elas está mais próxima da Terra e da humanidade que as outras duas. Ela pode ser alcançada por aqueles que compreendem a natureza da liberdade e, acima de tudo, que desejam ser livres e ver também liberadas todas as populações oprimidas e escravizadas do mundo.

Cada movimento de uma consciência iluminada (como a de um Senhor da Liberação) em direção à humanidade produz uma mudança ou movimento correspondente nos homens. Isto constitui em si um problema definido, porque nenhum Senhor da Liberação pode dar um passo assim a não ser que a humanidade esteja disposta a elevar seu ideal de liberdade a um nível de expressão mais alto. Se esta guerra mundial não contivesse as sementes da revelação de uma liberdade humana mais elevada, e se a humanidade não estivesse preparada para expressar o mais que possa esta elevada liberação, não seria possível para os Senhores da Liberação entrar em atividade. Eles não podem ser movidos apenas pela oração, pelo clamor e pela invocação. Por trás dessa demanda deve estar presente um ideal de uma nova liberação e maior liberdade para o homem. Ao se violar o idealismo francês, resumido nas palavras "Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, a atenção do mundo inteiro se enfocou no tema da liberdade, e o simbolismo do acontecimento tem hoje maior importância do que foi compreendido até agora. A França não renunciou ao ideal da liberdade humana que ela originalmente levou (em grande escala) à atenção do gênero humano. Sua ação, sob a influência dos inimigos da liberdade humana, simplesmente focalizou o perigo que a humanidade enfrentava, e chamou enfaticamente a atenção da humanidade aturdida pelo desastre e desorientada pelo peso acumulado do sofrimento. Assim fazendo, ela simplificava o problema para as mentes ignorantes dessas questões. Do ponto de vista espiritual, ela abria uma linha de comunicação direta entre os homens que conhecem o significado da liberação e aspiram à liberação humana e os Senhores da Liberação, responsáveis pela implantação desse desejo inato na humanidade.

A razão pela qual os Senhores da Liberação são os primeiros mencionados nesta estrofe se deve a que estão essencialmente relacionados com o desejo-vontade e, por isso, o homem pode entrar em contato mais facilmente com. Eles. O lugar de onde provêm para ajudar a humanidade é uma certa região da Consciência divina, aberta à percepção humana, se estiver suficientemente iluminada e altruísta. Podemos depreender pelo exposto acima o quanto o uso eficaz da invocação depende do nível de desenvolvimento espiritual atingido por aqueles que buscam a ajuda da verdadeira oração e da verdadeira invocação. Uma coisa que deveríamos compreender, a respeito destas grandes Vidas, é que Elas abominam o que comumente se chama de "veneração”. Elas não desejam a veneração, o poder de adorar e a impressão de pavor religioso (um dos aspectos mais elevados do medo). Tais atitudes são de origem emocional, baseadas em um senso de dualidade e, portanto, no sentimento. Estas Vidas são encarnações do serviço e podem ser alcançadas pelos verdadeiros servidores. Tenham isso em mente. À medida que o homem avança no Caminho, esquece da adoração, perde toda impressão de medo, e a veneração deixa de absorver sua atenção. Todas estas atitudes são eliminadas pela compreensão de um amor todo-poderoso e sua consequente interação e tendência a aumentar a identificação. Portanto, os Senhores da Liberação podem ser alcançados pela demanda dos servidores. Eles aparecerão por intermédio de um d’Eles, o qual unificará as energias dos Três e criará as condições que trarão a liberdade efetiva e reconhecida. Como atuarão, não nos cabe dizer; o método mais provável será o de sobrepairar algum homem ou grupo de homens para que se inspirem e viabilizem o triunfo da liberdade.

Que venha o Cavaleiro do Lugar secreto e vindo, salve. Venha, Todo-poderoso!

Aqui encontramos uma das tradições mais antigas do mundo e do Oriente antigo, tradição que também tem contraparte no Novo Testamento, no qual se imagina Aquele Que Vem em socorro do povo "montado em um cavalo branco”. No Ocidente, durante muito tempo se pensou em termos do "Cordeiro sacrificado desde a fundação do mundo”, e este enunciado contém uma profunda verdade astrológica. Refere-se à grande ronda do zodíaco (um período de aproximadamente 25.000 anos) em que o sol transita pelos doze signos do zodíaco. O período ao qual se faz referência começou no signo de Áries, o Carneiro. O Oriente, porém, remonta ainda mais longe, a um período anterior e ainda mais antigo, perdido na noite dos tempos, quando o grande ciclo mundial começava no signo de Sagitário, o Arqueiro. O símbolo deste signo (para a última parte do ciclo) é às vezes representado por um arqueio montando em um cavalo e, (no princípio do ciclo) como um centauro, metade homem e metade cavalo. Os dois símbolos se referem ao surgimento de uma revelação da consciência da Deidade, revelação de uma Grande Expressão divina, por meio de um Filho de Deus manifestado. O que se deve ter presente é que o cavaleiro no cavalo não é nenhuma entidade ou vida extraplanetária, mas essencialmente alguém como nós - onde o humano e o animal se combinam, como somos todos nós, mas fusionado com a divindade e inspirado pelo alto, compenetrado por um Princípio cósmico e divino, como foi o Cristo pelo Amor de Deus, trazendo ao homem a revelação do amor. O Cavaleiro é um ser da nossa humanidade que alcançou uma meta predestinada e que - por amor e compreensão ao homem - permaneceu durante eras no lugar secreto da revelação (como denominado pelo esoterismo), esperando que sua hora chegasse de novo e Ele pudesse aparecer para guiar seu povo para a vitória final. Este Ser que vem, trilha o Caminho dos Salvadores do Mundo, assim como as Vidas mais poderosas, os Senhores da Liberação, trilham o Caminho do Serviço Mundial. Eles advêm do centro espiritual mais elevado, onde a Vontade de Deus se encontra em solução, em segurança, para ser gradualmente liberada ou revelada, à medida que a humanidade possa chegar à etapa necessária de reação e receptividade com pleno entendimento. Embora se possa chegar a Eles com relativa facilidade, é preciso que seja pela intenção maciça de inúmeras pessoas, com as mentes convergentes. O aspirante individual pode alcançar o Cavaleiro no cavalo-branco se for capaz de elevar adequadamente a consciência. O Cavaleiro surgirá (do centro onde o Amor de Deus é mantido para ser distribuído) quando o centro humano (que chamamos de humanidade) se sintonizar com o verdadeiro amor e puder se identificar com todos os homens, respondendo livremente e sem inibição alguma ao Amor Divino, que é sabedoria, compreensão e atividade hábil e eficaz.

Quando esta invocação for usada corretamente e pronunciada por um número adequado de pessoas, aqueles que em alguma medida puderem empregar a vontade iluminada, poderão alcançar os Senhores da Liberação e obter como resultado uma intervenção fenomênica de determinado tipo. Aqueles que trabalham mais emocionalmente poderão chegar ao Cavaleiro do lugar secreto e talvez fazer com que apareça para salvar e guiar os povos. Há indivíduos com mentes suficientemente concentradas e corações intensamente atentos para alcançar estes dois centros onde esperam Aqueles Que podem ajudar neste momento? Eis a questão. Isso acontecerá quando os três centros - a humanidade, a Hierarquia espiritual do planeta e o "lugar onde a vontade de Deus está oculta” (denominado Shamballa nos antigos textos sagrados) - estiverem alinhados e em sintonia um com o outro. Então se estabelecerá uma relação direta entre os três, e um canal direto para a afluência da força liberadora. Isto só aconteceu uma vez antes na história da raça.

Devido ao fato de a humanidade estar tão debilitada pela dor, tensão e sofrimento, é possível que não se considerará conveniente que os Senhores da Liberação entrem diretamente em contato com a humanidade, Eles provavelmente farão três coisas:

1. Sustentarão e fortalecerão o Cavaleiro do cavalo branco quando ele responder à demanda dos povos de todas as partes, fazendo afluir por seu intermédio a energia dinâmica que encarna o primeiro aspecto divino, o aspecto vontade, a expressão do poder. Assim possibilitarão que a vontade de Deus seja executada de tal maneira que a humanidade possa compreender o que está sendo feito. O gênero humano verá então o Amor que anima a Vontade, o Poder de Deus. O verdadeiro significado da liberdade será então revelado. Ela ainda não foi compreendida.

2. Verterão sua fortalecedora vontade-para-o-bem no Novo Grupo de Servidores do Mundo de todos os países, para que sua ação possa ser simultânea, potente e em harmonia com os propósitos do Cavaleiro vindo do lugar secreto.

3. Estimularão e integrarão nas mentes de certos discípulos avançados certo número de ideais novos, que devem reger o processo de liberação e alcançar expressão na nova era. Isto foi feito em pequena escala por ocasião da Revolução Francesa, quando os três conceitos principais da liberdade foram expressos em três palavras, Liberdade, Igualdade, Fraternidade e apresentados intelectualmente à humanidade. Eles foram temporariamente abandonados, o que em si constitui um importante acontecimento simbólico. Isso deveria acontecer, porque estas três palavras não representavam uma verdade de fato, mas simplesmente uma esperança e um conceito acadêmico; os acontecimentos dos últimos meses as reduziram a uma farsa. Foram então retiradas deliberadamente, a fim de fazer ressaltar sua importância, e serão posteriormente restabelecidas, assumindo um novo e poderoso significado nas mentes dos homens. São as três palavras que devem reger a nova era.

Certas interpretações raciais de ideais também deverão desaparecer para que sejam substituídas por novas e melhores. Isto se aplica também à compreensão do homem acerca das três palavras que acabamos de examinar. "Liberdade”, tal como os Senhores da Liberação podem aprovar é, na realidade, um reconhecimento de corretas relações humanas, livremente adaptadas, voluntariamente empreendidas e motivadas por um senso de responsabilidade que atuará como um muro protetor. Isto se fará não por meio de medidas de coerção, mas pela correta interpretação e rápida apreciação das massas, que tendem a confundir licenciosidade (liberdade da personalidade para fazer o que a natureza inferior quer) com liberdade de alma e de consciência. No entanto, esta liberdade é o aspecto da vontade divina mais fácil para a humanidade compreender. É, na realidade, a primeira revelação dada ao homem sobre a natureza da Vontade de Deus e da qualidade de Shamballa. "Igualdade” é a compreensão intrínseca que revelará Aquele Que Vem, e baseia-se no correto sentido de proporção, no correto autorrespeito e na compreensão das leis espirituais, embora naturais: Lei do Renascimento e de Lei de Causa e Efeito. Nos próximos séculos estarão fundadas no reconhecimento da era da experiência de uma alma e do desenvolvimento obtido, e não na enfática afirmação de que "todos os homens são iguais”. A "Fraternidade” é algo a que a própria humanidade contribuirá como expressão do terceiro aspecto da divindade, baseando-a no correto contato e na correta reação ao contato. Desta maneira se desenvolverá gradualmente o verdadeiro tema da vida da humanidade, que é fraternidade, fundada em uma origem divina (igualdade) e conduzindo a uma livre e verdadeira expressão da divindade (liberdade).

Talvez, com estes pensamentos em mente, a primeira estrofe da nova Invocação assuma maior importância, possibilitando aos que puderem invocar inteligentemente. Aqueles que podem inspirar uma ação correta, assim prestando socorro e suscitando o aparecimento d’Aquele que pode salvar a situação pela correta liderança.

O nível de consciência de que Ele se apropriará, não nos cabe dizer. É possível que não apareça no plano físico. Quem poderá dizer? Mas o som de sua chegada será conhecido e, falando simbolicamente, o estrondo dos cascos do Seu cavalo será ouvido. A influência que exercerá e a energia vinda dos Senhores da Liberação que Ele transmitirá serão inevitavelmente sentidas de maneira potente, evocando uma resposta imediata dos homens. Será um fato incontestável. Que sua irradiação se estenderá e circundará seus discípulos que lutam no conflito contra o mal, também é certo, o que lhes permitirá realizar o esforço supremo para ganhar a batalha para a humanidade. Que deve chegar "pelo ar” é uma profecia muito conhecida do Novo Testamento, permitindo assim que "todos os olhos O vejam”. Estas palavras têm hoje mais significado do que quando foram escritas há cerca de dois mil anos, porque este conflito mundial é muitíssimo aéreo. Os estudantes e os que empregam esta Invocação deveriam ter isso em mente ou podem deixar de ver e reconhecer o Libertador quando Ele vier, o que já aconteceu uma vez.

Chegamos agora à segunda estrofe, com suas referências diretas às atitudes e aos reconhecimentos humanos. Durante décadas procurei, como um dos instrutores espirituais e com muitos outros, despertar todos os estudantes para a realidade da Luz - luz no mundo, luz que vem do plano do desejo (muitas vezes chamado de plano astral), a luz que ilumina a ciência e o conhecimento humano, luz da alma, que produz em seu devido tempo a luz na cabeça. Foi ensinado cuidadosamente que o correto uso da mente na meditação e na reflexão leva à correta relação da alma com a personalidade e que a luz da alma acenderá, ou nutrirá então a luz na cabeça e o homem alcançará a etapa da iluminação. Esta segunda estrofe se refere à ideia mais extensa da relação da humanidade (o reino dos homens) com a Hierarquia espiritual (o reino de Deus). Quando esses dois reinos estiverem mais estreitamente alinhados e relacionados, a luz irromperá entre os filhos dos homens como uma totalidade, assim como a luz irrompe no aspirante individual. Este desejável evento pode ser suscitado pelas pessoas de mente espiritual, os homens e mulheres de boa vontade e os discípulos mundiais, que permanecerem com "intenção maciça”. Isto significa um enfoque unido e uniforme - algo ainda raro hoje, mas muito necessário. Muitas pessoas estão animadas pela criação ilusória de um desejo, pela esperança e pela oração; poucas estão motivadas pela intenção. A intenção neste caso é a determinação inquebrantável e imutável de encarar uma situação, de obter o necessário para liberar inevitavelmente o gênero humano, por ser intenção mental das mentes concentradas de muitas pessoas. Peço que reflitam sobre as palavras "intenção de massa”, e diferenciem com cuidado entre intenção e desejo. Quando a humanidade tiver cumprido as condições por meio de um apelo mental concentrado, baseado na intenção de massa corretamente formulada, as Forças espirituais se afirmarão.

Que ecoe a proclamação do Senhor: O fim das aflições chegou!

O término da presente situação maligna é, portanto, uma medida cooperativa; e aqui, a este respeito, temos o aparecimento do Senhor da Civilização, que formula e projeta no plano físico a proclamação do Senhor da Liberação e do Cavaleiro do lugar secreto. Ele ajuda e viabiliza, graças à Sua maestria, a precipitação sobre a Terra e na arena do combate, do poder gerado pelos Senhores da Liberação, expresso por Aquele que vem, e enfocado n’Ele como Representante hierárquico na Europa. O trabalho do Mestre R. sempre foi reconhecido como de natureza singular e referentes aos problemas da civilização, assim como o trabalho do Cristo, o Mestre de Mestres, diz respeito ao desenvolvimento espiritual da humanidade, e o trabalho do Manu diz respeito à ciência do governo divino, com a política e a lei. Assim, a afluente energia enfocada, evocada em resposta à correta invocação, tem seu potencial atenuado para que esteja mais perto da humanidade e para que as massas possam então responder aos novos impulsos. Portanto, temos:

1. Os Senhores da Liberação, alcançados pelos pensadores espirituais avançados do mundo, cujas mentes estejam corretamente enfocadas.

2. O Cavaleiro do cavalo-branco, vindo do Lugar secreto, alcançados por aqueles cujos corações estejam corretamente tocados.

3. O Senhor da Civilização, o Mestre R., alcançado por todos aqueles que, com os dois primeiros grupos, possam permanecer com "intenção concentrada”.

Do trabalho conjunto destes Três, se o apelo da humanidade puder alcançá-los, decorrerão o alinhamento e a relação correta entre três grandes centros espirituais do planeta, algo que nunca ocorreu. Então:

1. Os Senhores da Liberação receberão e transmitirão à Hierarquia energia do centro onde a Vontade de Deus é conhecida e promovida.

2. O Cavaleiro receberá esta energia e empreenderá a ação que a expressará, mais a energia motivadora do centro onde se expressa o Amor de Deus.

3. O Senhor da Civilização estimulará e preparará o Centro que chamamos de humanidade para que receba corretamente esta força de liberação, estimulante e revitalizante.

Assim Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade estarão conscientemente relacionadas e em contato dinâmico recíproco. A Vontade de Deus, o Amor de Deus e a Inteligência de Deus se fusionarão e combinarão na Terra, em relação aos problemas humanos. Em consequência, condições serão implementadas e energias serão postas em movimento, as quais encerrarão a regência do mal e porão fim à guerra pela vitória das Forças da Luz, reconhecidas e ajudadas pela Humanidade.

Esta síntese das três energias, evocadas pela invocação e a resposta de certas Potestades divinas, recebe esotericamente o nome de "Força Salvadora”. Não sabemos praticamente nada de sua exata natureza e efeitos pretendidos. Nunca atuou no plano físico, mas sim, durante algum tempo, no plano mental. Embora seja uma mescla das energias dos três centros citados acima, é principalmente a energia da Vontade divina que será sua característica eminente. Darei aqui uma indicação: assim como a exteriorização da loja materialista de sete homens, à qual já me referi, se estabeleceu e deve ser enfrentada antes da futura exteriorização da Loja de Vidas espirituais (o aparecimento do reino de Deus na Terra), que denominamos de Hierarquia planetária, da mesma maneira a vontade-de-poder das forças de agressão apareceu na Terra e procurou dominar a humanidade. Observemos este objetivo. Esta vontade-de-poder só poderá ser dissipada quando o aspecto mais elevado desta mesma energia tiver livre curso entre os filhos dos homens. A Vontade espiritual e divina, sustentada no impulso do amor altruísta, pode e deve ser evocada para a destruição da vontade-de-poder egoísta e perversa, prevalecente agora na Terra sob a direção dos sete homens na Alemanha que servem de ponto focal.

Portanto, "a força salvadora” deve ser propagada por todos os lados. Durante longos séculos os homens oraram segundo as palavras de São Paulo: "Que o amor de Deus se derrame em nossos corações”. Hoje é necessário que a ampla difusão da "força salvadora” penetre em nossas mentes e controle, a partir desse centro diretor, pois personifica atualmente a necessária salvação. Para que isto seja possível, será necessário o esforço conjunto dos três pontos focais de expressão divina em nosso planeta, mas é viável.

Nas estrofes finais (que não é necessário tomar frase por frase, já que seu significado é bastante claro) temos nitidamente diante de nós os métodos pelos quais a humanidade pode desempenhar seu papel e cumprir sua parte, ajudando aqueles que estão colaborando com as Forças da Luz para pôr fim a esta guerra planetária.

Consideremos por um momento as quatro palavras que expressam o pensamento do que pode ser feito pelos homens para levar a bom termo a missão de Aquele Que Vem, o Cavaleiro do lugar secreto. Somos informados de que Luz e Amor e Poder e Morte devem ser invocados para cumprir o propósito d’Aquele Que Vem. Aqui chegamos ao tema prático do papel individual do homem nos processos de liberação. Aqui tratamos do que - dentro da própria humanidade - deve ser suscitado para causar a correta colaboração, a correta preparação e a correta compreensão. Há quatro poderes na alma do homem disponíveis para seu uso individual na ajuda às Forças da Luz - poderes que o homem compartilha com todos os homens em maior ou menor grau, de acordo com a potência da expressão da alma. Estes poderes não são inatos no eu inferior, apenas no Eu Superior. O eu inferior só reflete imagens distorcidas das energias divinas superiores. Este ponto deve ser observado cuidadosamente. Pouco posso lhes dizer sobre a Luz e o Amor. Para os estudantes de esoterismo, estas palavras são tão familiares que acabam por perder seu significado, e somente aqueles que podem caminhar na luz e cuja reação principal é o amor à humanidade compreenderão o significado e a inter-relação destas quatro palavras.

A Luz, com a qual ver a nova visão, é necessária para todos, e provavelmente não será a intensificação de qualquer visão anterior, por muito espiritual que pareça, mas algo tão inteiramente novo que exigirá toda luz que possuem e uma percepção interna treinada para reconhecê-la, ao entrar em contato com ela.

O Amor, que não é emoção nem sentimento, e que não tem relação com emotividade (que é uma distorção do verdadeiro amor), mas que é uma firme determinação de fazer o que é o melhor para a totalidade da humanidade, ou para o grupo (se o conceito maior estiver acima de vocês), e fazê-lo a qualquer custo pessoal e por meio do máximo sacrifício. Só os que amam verdadeiramente seus semelhantes podem ver as coisas com clareza e captar a inevitabilidade do que se deve fazer para dar fim à atual regência de terror e introduzir a nova regência de paz. A paz não é a meta para nossa raça ou nosso tempo, não importa o que muitos homens pensem. Estamos em um ciclo de aumento regular da atividade, com o objetivo de estabelecer corretas relações humanas, fomentadas de maneira inteligente. Tal atividade e tal intensa mudança não se afinam com o que geralmente se compreende por paz. A paz tem relação com o aspecto emocional da vida e foi a meta nos dias atlantes, quando a paz era uma grande questão espiritual. Mas a paz e o amor pela paz podem ser um soporífero debilitante, e é o que são neste momento. Geralmente a paz comporta uma intenção egoísta e as pessoas anseiam pela paz porque querem ser felizes. A felicidade e a paz virão quando houver corretas relações humanas. Paz e guerra não são um verdadeiro par de opostos. Paz e mudança, paz e movimento, temos aí o verdadeiro par de opostos. A guerra não é mais do que um aspecto da mudança, cujas raízes estão profundamente implantadas na matéria. A paz que se discute e se deseja normalmente é a paz material e, em todos os casos, tem a ver com a personalidade, quer se trate da personalidade do indivíduo ou da humanidade como um todo. Portanto, não trato da paz, ocupo-me do amor, que tantas vezes perturba o equilíbrio da matéria e das circunstâncias materiais e, em consequência, pode atuar contra a pretensa paz.

O Poder é algo que, ao longo das eras, sempre foi alvo de interesse para a humanidade avançada e para os homens aptos a reagir ao aspecto vontade em razão do seu desenvolvimento mental. Hoje está despertando o interesse das massas e dos tipos de homens medíocres, e por isso é com frequência mal-empregado e orientado para propósitos egoístas. O poder a ser evocado aqui na alma humana, nesta hora de necessidade, é a capacidade de conhecer o Plano e trabalhar para sua promoção, cooperando com as forças que se empenham em restabelecer o equilíbrio na Terra e encerrar o ciclo de barbárie agressiva no qual nos encontramos hoje.

A questão que se coloca aqui é saber se é possível intervir no ciclo ou se ele deve forçosamente seguir o curso previsto. Lembraria a vocês que a lei dos ciclos rege o aparecimento e o desaparecimento de grandes e ativas energias que entram e saem da manifestação, cumprindo os propósitos da Deidade e, no entanto, limitadas e empatadas pela qualidade das formas sobre as quais fazem impacto. Se alguma intervenção for possível e se realizar, será uma "intervenção no tempo”. Há uma alusão a tal intervenção nas escrituras sagradas, como O Novo Testamento, no qual se prediz que "por causa dos eleitos, o tempo será abreviado”. O verdadeiro significado (que não se evidencia na tradução bastante inadequada que possuímos) é que "por causa dos eleitos ou daqueles que sabem e empreendem a ação correta, o progresso do mal pode ser detido”. Isto é alentador, e recomendo que atentem a este pensamento. Há um poder que estes "escolhidos” podem manejar - compreendendo sua natureza, preparatória e altruísta.

E Morte - refere-se a quê? Não à morte do corpo ou da forma, o que é relativamente sem importância, mas ao "poder de renunciar” que, com o tempo, torna-se a característica do discípulo consagrado. A nova era está chegando; os novos ideais, a nova civilização, os novos modos de vida, de educação, de apresentação religiosa e de governo estão se precipitando lentamente, e nada pode detê-los. Contudo, podem ser adiados pelas pessoas reacionárias, pelas mentes ultraconservadoras e fechadas, e pelos que se agarram com determinação inflexível às suas teorias bem-amadas, aos seus sonhos e visões, às suas interpretações e à sua compreensão particular e muitas vezes estreita dos ideais propostos. São eles que podem retardar e retardam a hora da liberação. Busquemos a clareza espiritual, a aceitação voluntária de nos desprendermos de todo ideal e de toda ideia preconcebidos. Que o poder da morte se estenda a todas as apreciadas tendências, aos hábitos mentais enraizados e a todo esforço para conformar o mundo a um modelo que pareça o melhor para o indivíduo, por ser para ele o mais atraente. Eles podem ser abandonados com segurança e sem medo das consequências, se a vida tem como motivação um amor verdadeiro e duradouro pela humanidade. Ao amor espiritual verdadeiro, como a alma o conhece, sempre se pode confiar poder e oportunidades, pois ele jamais trairá essa confiança.

Além disso, temos a energia dos três centros com os quais estamos nos familiarizando. Vemos que se unem, em uma relação triunfante e unificada. Evidencia-se que Aqueles que formularam esta nova e vital Invocação acreditavam firmemente no poder da humanidade - em seus próprios níveis de consciência - para exprimir, em certa medida, as três potências divinas: Vontade, Amor e Atividade. É pedido Àquele Que Vem que ajude a fusioná-las na Terra, levando-as assim a se expressarem no plano físico, desta maneira unindo as potências do reino humano com a potência que Ele próprio trará para salvar a humanidade. Somente quando a humanidade ofertar tudo que puder para servir aos aflitos, aos que sofrem e aos oprimidos, e quando trabalhar ativa e inteligentemente para a liberação, esta total colaboração poderá ser estabelecida entre as potências internas e externas, colaboração tão penosamente necessária neste momento. A não ser que aqueles que usam esta Invocação acompanhem a verbalização com algum tipo preciso de serviço no plano físico e, assim, auxiliem as Forças da Luz de maneira construtiva, os esforços serão insignificantes. Somente a humanidade pode precipitar as novas energias oriundas dos Senhores da Liberação e possibilitar que atuem na Terra. Somente a humanidade pode abrir a porta no plano físico para o Cavaleiro do lugar secreto. As estupendas Potestades podem atingir certos níveis de atividade e contato humano, como o plano mental, mas avançar para a expressão, o poder e a manifestação externos depende do potente poder magnético, atrativo, do próprio homem.

O pensamento por trás das palavras "construir uma grande muralha protetora” poderia se expressar simplesmente assim: "Até aqui, e não mais além”. O limite da eficácia da expressão do mal e do poder dos agressores será alcançado se os discípulos e os homens de boa vontade desempenharem agora realmente a parte que lhes corresponde. Podem, simbolicamente, erguer uma muralha inexpugnável de luz espiritual que desordenará totalmente o inimigo da humanidade. Será uma muralha de energia vibrante, protetora e, ao mesmo tempo, tão forte que poderá rechaçar quem tentar atravessá-la para continuar com seus objetivos perversos e abomináveis. Falo em símbolos, mas o que quero dizer está claro.

É preciso que captem com mais clareza um certo ponto, que é ao mesmo tempo alentador e difícil de crer. Se os filhos dos homens que estão colaborando atualmente com as Forças da Luz permanecerem firmes, e se fizerem descer a "intenção maciça” dos homens de boa vontade do plano mental (onde a maior parte da boa vontade, do desejo, da oração e da invocação "se congelam”) e a desviarem do ponto focal fácil que é a vida de desejos do aspirante, a boa vontade se tornará ativa pela expressão e pela ação tangível no plano físico, de maneira que o trabalho realizado por meio da invocação e da oração, ao qual se agrega a necessária luta pela justiça, será feito por aqueles que possam realmente se coordenar e se integrar nos três níveis e atuar assim como um todo. Isto significará o fim do domínio da matéria para sempre. Esta condição desejável pode chegar muito lentamente, do ponto de vista da visão míope do homem, e talvez não se evidencie em sua plena significação nesta vida; mas a batalha estará ganha. A geração futura não será regida pela matéria nem pelos interesses materialistas como foram as duas anteriores. Quando as forças da agressão, da ganância e da crueldade forem rechaçadas, significará a conquista do desejo egoísta pelo amor altruísta e pelo sacrifício. Esta será a recompensa daqueles com quem trabalhamos, se desejarem uma recompensa. A situação obtida colocará em relação mais estreita a humanidade e a Hierarquia espiritual, estarão em conexão de maneira jamais vista na história. A derrota das nações opressoras e a liberação dos oprimidos serão tão somente os sinais externos e visíveis de um evento espiritual interno para o qual trabalham todas as pessoas iluminadas. Depois de um período de reajuste, que necessariamente trará suas próprias dificuldades particulares, inaugurará um mundo novo, com todo o sentido que esta frase comporta.

Coloquei diante de vocês uma possibilidade. Reitero, como fiz no passado, que a humanidade determina seu próprio destino. Os homens transcenderam a etapa da infância, e chegaram à idade adulta, mas não à maturidade. A maturidade se alcança pela experiência e pela decisão autoengendradas. Durante algum tempo limitamos nossos esforços a estabelecer contato com as pessoas inteligentes, a impressionar as pessoas de inclinação espiritual, e a estimular a humanidade para a ação correta, sem infringir a crescente expressão do livre-arbítrio do homem. Por isso, o resultado é imprevisível, embora os acontecimentos futuros possam ser, em certa medida, inevitáveis. Entretanto, o homem é livre para escolher seu caminho e grande parte da responsabilidade por suas escolhas repousa nos ombros dos mais instruídos da família humana e naqueles que alcançaram certa medida de visão.

Com esses pensamentos sobre a nova Invocação, deixo-os para que amadureçam essas ideias nos recessos de sua consciência reflexiva. Peço que empreguem a Invocação com frequência, com intenção dinâmica e real entendimento, e assim colaborem - pelo seu emprego, seu amor pela humanidade e suas atividades em favor das Forças da Luz - com aqueles que, nos planos externos e internos procuram fazer retroceder a agressão ao lugar de onde veio, pondo fim à regência do ódio e do medo.

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