Página Inicial
Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção II - Situação Geral do Mundo - Parte 3
Chamado a um Ato de Serviço Unido
A Governança do Mundo no Futuro
A Crise do Mundo do Ponto de Vista Hierárquico

CHAMADO A UM ATO DE SERVIÇO UNIDO

Novembro de 1939

A situação é séria. Mar, terra e ar estão em formação de batalha contra as Forças da Luz; são agentes da substância material e podem ser poderosamente empregados contra as Forças espirituais. As forças do ar, porém, estão cada vez mais do nosso lado. Os membros da Hierarquia estão com dificuldades de virar a maré a favor da civilização mais espiritual e verdadeira que está a caminho. Esta civilização será uma combinação do melhor que se produziu até agora com o novo, mas ainda foi pouco percebida pelos melhores pensadores do mundo. O curso dos acontecimentos deve mudar em favor do que chamamos de retidão.

As sementes do mal se encontram em todos os países, e aqueles que guerreiam contra o bem são numerosos em toda parte, quer lutem de maneira agressiva e a partir de uma intenção planejada, quer mantenham uma atitude de passividade, de aceitação, ou de neutralidade organizada como na América, quer lutando ativamente por aquilo que é contra as forças materiais.

A crise mundial, como bem sabem, era inevitável, mas a guerra física poderia ter sido evitada, se métodos psicológicos corretos tivessem sido empregados; poderia ter sido resolvida pela aplicação correta de um processo de transmutação e transferência, e também se o espírito de sacrifício tivesse se manifestado entre os aspirantes do mundo. A necessidade de sacrifício grupal não obteve uma resposta adequada, exceto nos casos em que foi imposta pelos governos em seus governados. É esta a penosa história do que está acontecendo hoje.

O que se pode fazer no presente para impedir a derrota e o esmagamento das Forças da Luz? Não estou falando da vitória física externa. A verdadeira vitória não será sinalizada, a menos que os valores mais elevados que deveriam governar a civilização humana surjam com clareza e poder. Gostaria de acentuar o fato de que o curso das coisas deve ser claramente mudado antes do fim do ano, se se quer evitar um conflito prolongado. Portanto, lhes peço que participem em um enfoque subjetivo, em uma convergência de pensadores do mundo, em especial de dirigentes das organizações, grupos e igrejas de todo tipo e disposição, que possam impulsionar seus inúmeros apoiadores a uma ação uniforme e unida.

Os Mestres de Sabedoria não dispõem de tempo hoje para realizar Eles mesmos esta tarefa; estão sobrecarregados, combatendo as forças do materialismo. Estas forças estão ativas em todos os países. A Hierarquia, não pode isolar a Alemanha, embora essas forças tenham escolhido esse desditoso país como principal ponto de partida de seu empreendimento. Na Alemanha, a Hierarquia tem seus trabalhadores, como em outras partes. Os Mestres de Sabedoria ocupam-se ativamente em dispersar a depressão e o terror que se abate hoje sobre todos os seus trabalhadores no cenário do mundo, os quais lutam por permanecer firmes sob o impacto feroz do pensamento errado e do desespero generalizado. Estes trabalhadores são também sensíveis (devido ao seu grau de desenvolvimento integrado) à agonia da mente, à tensão das emoções e à devastação da dor física, sentidas por todos aqueles que padeceram os terríveis efeitos da guerra e sobre os quais ela pousou a mão do sofrimento. Esta sensibilidade e esta reação solidária são susceptíveis de produzir um estado de negatividade e de preocupação psíquica em relação à situação imediata, entre todos os trabalhadores, tornando-os surdos ao chamado do seu verdadeiro dever ou, além disso, propensos a se perturbarem pelo duplo esforço de prestar serviço eficaz e, ao mesmo tempo, lutar contra as reações emocionais. Portanto, a capacidade do trabalhador de responder às vozes internas e servir de maneira desapaixonada e altruísta é seriamente prejudicada.

Peço insistentemente a todos os trabalhadores e a todos os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo que deixem seus problemas pessoais de lado. Estamos em um momento de crise e tais problemas devem ser solucionados pelo total autoesquecimento. Peço a vocês que se ponham ao trabalho com renovado ardor e alegria no serviço, esquecendo as fraquezas e fracassos do passado, ante a urgência do que lhes peço para fazer para o mundo. Ultimamente há grande ausência de alegria no serviço prestado ao mundo. Com essas palavras não me refiro à felicidade, que é uma reação da personalidade, mas à alegre confiança na lei e na Hierarquia, contida nas palavras bíblicas: "A alegria do Senhor é a nossa força”. "Levanta-te e luta,Arjuna”, preservando a chama do amor intacta, não permitindo que nenhum sopro de ódio perturbe a serenidade do amor nem aquele equilíbrio interno que lhes permitirá soar com clareza a nota da compreensão mundial, que reunirá todos os homens e mulheres de boa vontade para auxiliar a Hierarquia. Isto acabará com todo o ódio, a separatividade e a agressão, os três principais pecados da humanidade. Todos os homens odiaram; todos os homens foram separatistas, tanto em pensamento como em ação; todos foram, e muitos ainda são, materialistas, orgulhosos e desejosos de adquirir o que não lhes pertence por direito. Este espírito de aquisição não é característico de um único grupo; é um erro universal e geral, e provocou a situação econômica desastrosa atual, precipitando o mundo na guerra, no ódio e na crueldade.

A fusão de muitas mentes em uma atividade dirigida é hoje de importância suprema; esta fusão foi simbolizada na união existente entre duas grandes nações, a França e a Grã-Bretanha. A unidade de propósito e de pensamento dirigido é a garantia do futuro e inevitável êxito. O poder do pensamento coletivo é onipotente. A potência da atividade mental concentrada e dirigida é imprevisível. Se aceitarem esta premissa e esta afirmação, ajam de acordo com elas.

O Espírito da Paz está pairando próximo à humanidade, procurando uma oportunidade para fazer sentir a Sua Presença. O Espírito da Paz não é um conceito abstrato, e sim uma potente Individualidade, que maneja forças ainda desconhecidas em nosso planeta. Grandes Forças estão esperando a hora em que poderão atuar como Libertadoras e Salvadoras do gênero humano. Porém, a porta pela qual entrarão deve ser aberta pela própria humanidade e assim será por um ato unido da vontade, expresso por alguma fórmula de palavras e expresso em som. Será viabilizado pela atividade simultânea dos homens e mulheres de boa vontade e dos aspirantes e discípulos do mundo. A porta não se abrirá, a menos que o ato de invocação seja respaldado pela vontade enfocada. A determinação direcionada do homem ou grupo que emprega a fórmula, oração ou invocação sugerida é essencial.

Peço-lhes que procurem tantas pessoas quanto puderem, por meio de todos os meios disponíveis, e iniciem, se possível, uma atividade definida no próximo Natal e também no momento da Lua cheia de janeiro, o que fará dois grandes apelos às Forças da Paz e da Luz, a fim de que ajudem a humanidade. Peço a vocês que entrem em contato com dirigentes e trabalhadores - importantes ou não - em todos os países, convidando-os a se associarem, à sua maneira e com sua própria gente, e fazê-lo na maior escala possível - pelo menos tão grande como a do esforço feito por vocês em 1936.

Os tempos estão propícios para haver uma resposta a estas ideias; a evidente dor e angústia do mundo abrirão os corações e os bolsos. A ideia de um apelo para o Natal e de um apelo à oração e à invocação do Príncipe da Paz terão o poder de suscitar a reação desejada, e servirá também para fusionar em uma unidade mais estreita todos aqueles que reconhecem o trabalho que a Hierarquia procura realizar. Peço a vocês que solicitem ajuda em todas as partes, e que permitam que estas ideias se desenvolvam no mundo sobre uma base útil e oportuna. Neste apelo não omitam nenhuma pessoa do seu conhecimento, pois, por intermédio delas, é possível chegar a milhões de pessoas e dirigi-las à atividade desejada.

Àqueles de vocês que apreciam e usam a Grande Invocação, sugiro um uso renovado e fervoroso. É possível, porém, que considerem útil a invocação alternativa sugerida abaixo:

"Senhor de Luz e Amor, venha e governe o mundo.

Que o Príncipe da Paz se revele e acabe com a guerra das nações. Que comece o reinado da Luz, do Amor e da Justiça.

Que haja paz na Terra e que ela comece em nós.”

Voltar ao início


A GOVERNANÇA DO MUNDO NO FUTURO

Abril de 1940

Esta análise das condições do mundo está sendo escrita na América do Norte, onde ainda há uma relativa segurança física e tempo para reajustar os pontos de vista, e também a oportunidade de dar diretrizes - junto com a aguerrida Grã-Bretanha e seus Aliados - a um mundo penosamente necessitado de orientação e de visão. Há uma grande confusão de vozes. Os que menos sabem sempre falam mais alto, e com facilidade atribuem culpas por tudo que acontece. Em toda parte, há muita angústia mental causada pela guerra, mas também pelo desejo dos bem-intencionados de que prevaleça sua particular solução sobre o problema mundial.

Em consequência, é necessário falar com franqueza para indicar os perigos inerentes à situação atual, apresentar a extraordinária oportunidade que ela oferece para fazer as mudanças necessárias e para destacar a linha de demarcação entre os modos de viver certos e errados, entre uma visão da governança vindoura do mundo e os planos retrógrados da assim chamada "nova composição” com a qual as potências totalitárias procuram desnortear a humanidade.

Começamos com a premissa de que a humanidade enfrenta duas visões opostas sobre o mundo, e dois tipos de organização lhe são apresentados. O homem deve optar entre os dois, e sua escolha determinará o futuro.

Os anos 1941 e 1942 serão de crise e de tensão. Quem percebe os riscos, a oportunidade e a importante decisão a tomar, luta com uma pressa quase frenética para despertar as massas para o caráter excepcional deste momento. O que a humanidade decidir ao longo dos próximos doze meses condicionará o futuro como não fez nenhuma outra decisão humana na história a humanidade.

Já houve momentos de crise na história, mas nenhum envolveu toda a população do planeta. Houve períodos de perigo, dificuldades, guerras, fome e angústia, mas nenhum condicionou a vida de incontáveis milhões de pessoas como atualmente. Repetidas vezes surgiram líderes, conquistadores, ditadores e personalidades mundiais, mas até agora chegaram em momentos em que sua influência estava limitada pelas comunicações mundiais e pelas limitações nacionais; portanto, seu poder não era universal e seu progresso foi contido pelas condições do período em que viveram. Hoje todo o planeta está envolvido, e todas as nações claramente afetadas.

Erguem-se barreiras em um inútil esforço para se manter fora das dificuldades e evitar a guerra; grupos predominantes envolvem muitas nações sob sua bandeira, de maneira que elas se associam às potências totalitárias ou às nações do campo oposto. As nações que não são realmente beligerantes estão igualmente ativas na tarefa de preservar sua integridade nacional.

O conflito atual é mundial, estando envolvidos os seguintes grupos:

1. As nações agressoras que lutam, governadas por ditadores ambiciosos.

2. As nações que procuram defender a si mesmas e as liberdades da humanidade.

3. As nações neutras que, vendo as condições envolvidas, enfrentam a necessidade imediata de tomar partido.

Esta luta vai adquirindo mais intensidade a cada dia. Novas regiões do mundo são arrastadas para o conflito a cada semana. As questões reais, os iminentes resultados econômicos e as implicações políticas emergem com crescente clareza em todos os países, e - não se iludam - até nos países que estão dominados e estão sofrendo sob o domínio do conquistador. Entre eles há atualmente uma revolta silenciosa e muda. Esta revolta interna e muda constitui em si uma ameaça para a paz mundial e, se for provocada para a plena expressão, pode mergulhar o mundo ainda mais fundo no conflito.

Frente a humanidade existem dois perigos maiores. São eles: primeiro, o conflito se prolongar tanto que a humanidade fique completamente exaurida e que se chegue assim a um impasse e a uma situação que terminará com todas as relações civilizadas e com toda esperança de uma vida ordenada na beleza, na paz e na cultura. Segundo, as nações ainda não envolvidas deixarão de ver a realidade da situação e não virão ajudar aqueles que lutam pela preservação da liberdade nacional e individual. Se assim for, então - inevitavelmente e embora não seja sua intenção - se colocarão do lado do mal e compartilharão da responsabilidade de projetar o desastre mundial.

Atualmente não há mais que dois partidos no mundo - os que estão do lado das corretas relações humanas e os que estão do lado de uma política de poder, egoísta e cruel. As potências totalitárias estão em marcha - implacáveis, egoístas, cruéis e agressivas; as potências que lutam pelas liberdades humanas e pelos direitos das pequenas nações indefesas estão contra a parede, enfrentando a mais poderosa demonstração de poder humano que o mundo já viu. As nações que não estão ainda fisicamente envolvidas estão se preparando para algum tipo de ação e para defesa - defesa contra as potências ditatoriais, mas não contra as democracias combatentes.

Hoje a batalha é travada na terra, no mar e no ar. Do ponto de vista econômico, todos os países estão envolvidos e a ruína está à espreita no rastro da guerra; a interrupção das exportações e importações em muitos países está levando à ruína financeira milhares de pessoas; a pressão do desastre econômico, o medo da fome e da peste, e o constante risco de tomar parte ativa na guerra acometem todos os países que ainda não estão realmente na linha de fogo. Quanto às nações em guerra, a estes problemas se agregam o medo da derrota, da morte, dos traumas físicos e da perda de todas as posses.

A humanidade deve fazer frente a estes fatos. Não importa quantas pessoas estão evitando a verdade, o quanto podem escapar para um mundo de sonhos e fantasias, o fato permanece - inevitável e inegável - de que o mundo está em guerra e todos estão envolvidos.

O Trabalho da Boa Vontade

Antes de setembro de 1939, os objetivos do nosso trabalho mundial durante um período de nove anos eram difundir a boa vontade mundial, descobrir os homens e mulheres de boa vontade em todo o mundo e procurar ensinar o significado da vontade-para-o-bem. É a principal tarefa do Novo Grupo de Servidores do Mundo. Inculcamos a atitude não separatista e a necessidade de corretas relações humanas. Nós nos esforçamos para explicar que diferentes formas de governo e diferentes sistemas ideológicos eram corretos e possíveis, desde que os seres humanos vivessem em boa vontade e reconhecessem sua irmandade de sangue.

Em seguida a humanidade decidiu lutar e estourou a guerra: um dos grupos, o instigador da guerra, lutando por adquirir poder material, a glória de uma nação e a subjugação dos indefesos; o outro, lutando para conservar sua própria liberdade de ação, sua integridade, os direitos das pequenas nações e os valores espirituais. De imediato, as questões ficaram perfeitamente claras na mente daqueles que conheciam os assuntos humanos; de imediato, certas nações se opuseram às forças agressoras; de imediato, outras nações, com tendência às ideologias similares distorcidas e aos propósitos igualmente egoístas, se puseram ao lado do agressor; de imediato, o pânico se estendeu para as nações restantes que buscaram refúgio em uma neutralidade míope e em programas de defesa, que se mostraram completamente inúteis para protegê-las.

Onde então deveria se colocar o Novo Grupo de Servidores do Mundo? O que deveriam fazer os homens e mulheres de boa vontade? Deveriam se alinhar com as potências totalitárias, porque assim acelerariam o fim do conflito, ou ficar do lado das potências neutras, implementando freneticamente programas de paz, políticas de apaziguamento, e fazer o jogo das potências totalitárias?

Tendo a humanidade decidido batalhar fisicamente, não restava outra coisa a fazer, a não ser apelar para os homens e mulheres de boa vontade para que se colocassem ao lado dos que liberariam a humanidade pela destruição das forças do mal, as quais estavam determinadas a provar que a força estava certa. Portanto, as forças que lutavam pelo progresso e pela civilização teriam que opor força a força.

O desafio foi aceito pelas democracias que sustentam os direitos do homem e a liberdade. Devido à decisão de lutar pelo progresso espiritual, as forças espirituais do planeta não tiveram alternativa além de se posicionar a favor das democracias aliadas e se esforçar por despertar as nações neutras para a questão. Elas se aliaram contra os chefes das nações agressoras, mas não contra os pobres povos enganados e subjugados. Também eles devem ser libertados pelas democracias aliadas.

Na base de uma vontade-para-o-bem ativa, os homens e mulheres de boa vontade, atuando sob a inspiração do Novo Grupo de Servidores do Mundo, não tiveram alternativa a não ser colocarem ao lado das forças espirituais e entrarem na luta pela liberação da humanidade diante das ambições totalitárias e das intenções de um grupo de homens malignos. Mas o espírito de boa vontade deve ser, firme e invariavelmente, o impulso motivador e impedir que o ódio penetre. O maior bem para o maior número reside agora na liberação das nações do domínio das potências totalitárias.

A Posição Pacifista

O segundo ponto que gostaria de abordar refere-se aos argumentos expostos pelos pacifistas do mundo. Toda pessoa honesta e boa é de mente pacífica e repudia a guerra. Muitas vezes o idealista e pacifista acadêmico se esquece desse fato. Estas pessoas dizem que duas coisas ruins não fazem uma boa, que reagir ao assassinato com assassinato (que para eles é a definição de guerra) é pecaminoso; que a guerra é má (o que ninguém nega) e que não se deve tomar parte dela. Sustentam que com pensamentos de paz e amor, o mundo pode se endireitar e acabar com a guerra. Estas pessoas, que refutam a existente realidade da guerra, em geral pouco ou nada de concreto fazem para corrigir os erros responsáveis pela guerra, e permitem que sua defesa - pessoal, municipal, nacional e internacional - seja assegurada por outros. A sinceridade destas pessoas não pode ser questionada.

Devemos lembrar, refutando essas ideias e justificando o espírito combativo das democracias cristãs, que é o motivo que conta. A guerra pode ser e é um morticínio em massa quando o motivo é errado. Pode ser sacrifício e ação correta quando o motivo é justo. O homicídio de um homem no ato de matar um indefeso não é considerado assassinato. O princípio também é aplicável quando se trata de matar um indivíduo em vias de matar outro e quando se luta contra uma nação que ataca indefesos. Os meios materiais que o mal emprega para fins egoístas podem também ser empregados para bons propósitos. A morte do corpo físico é um mal menor que o retrocesso da civilização, que os entraves postos aos propósitos divinos do espírito humano, que a negação de todo ensinamento espiritual e o controle sobre as mentes e as liberdades dos homens. A guerra é sempre maléfica, mas pode ser o menor dos males, como é o caso hoje.

A guerra atual, se levada a uma conclusão vitoriosa pela derrota das potências totalitárias, é um mal muito menor do que a subjugação de muitas nações à cobiça sem precedentes, aos nefastos processos educacionais e ao desacato de todos os valores espirituais reconhecidos por parte das potências do Eixo. Se as potências totalitárias triunfassem, seriam anos de turbulências e revoltas; sua vitória resultaria em um sofrimento indizível.

Sem dúvida, é uma verdade espiritual inegável de que o pensamento correto pode modificar e salvar o mundo, mas é igualmente verdadeiro que não há pessoas capazes de pensar em número suficiente para realizar este trabalho. Também não há tempo suficiente para isso. Os pensamentos de paz fundamentam-se sobretudo em um idealismo obstinado, que ama mais o ideal do que a humanidade. Baseiam-se também em um medo não reconhecido da guerra e na inércia individual, que prefere o mundo de sonhos, das fantasias, em vez de assumir a responsabilidade pela segurança da humanidade.

Procurei tornar clara, sucintamente, a posição do Novo Grupo de Servidores do Mundo, que luta pelos direitos do homem, pelo futuro espiritual da humanidade e por uma regulação diferente. O que tenho a dizer agora se divide em quatro partes:

I. O mundo tal como existe hoje. A situação atual é resultado das tendências passadas, das pressões subjacentes e das decisões humanas.

II. A próxima governança da Terra. Contrastará com a antiga e com a pretensa "nova composição” das potências totalitárias.

III. Alguns problemas envolvidos. Quatro grandes problemas mundiais exigirão debates e devemos examiná-los.

IV. A tarefa à frente. Falaremos do intervalo que precede a consecução da paz e daremos algumas sugestões para o futuro período de reconstrução.

I. O MUNDO HOJE

Que causas produziram as condições mundiais atuais? Que pressões subjacentes estão provocando o caos atual, e quais poderiam restabelecer a tranquilidade? Antes de poder corrigir, é preciso avaliar o erro; é preciso haver entendimento sobre as causas predisponentes, produtoras da necessidade; é preciso entender que a culpa é geral e a responsabilidade é comum em relação às condições nefastas; é preciso haver uma determinação para reparar e cessar de fazer o mal.

A tendência de atribuir a guerra a Hitler e ao seu grupo de homens malignos não deveria nos cegar a respeito das causas que possibilitaram sua atuação sinistra. Hitler é, principalmente, um agente de precipitação, pois nele o egoísmo e a crueldade do mundo puderam convergir. Porém, como disse o Cristo: "Ai do mundo, por causa das coisas que fazem cair no pecado! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas acontecem!” (Mateus 18:7). As causas deste mal desenfreado são inerentes à própria humanidade.

O antigo e desenfreado egoísmo foi sempre uma das características do homem; o desejo de poder e de posses sempre motivou os homens e as nações; a crueldade, a cobiça e o sacrifício dos valores superiores em prol dos inferiores são hábitos humanos profundamente enraizados há tempos imemoriais. Todos os povos e nações são culpados desses antigos hábitos de pensamento e conduta. Regularmente, à medida que os povos se aproximavam, as linhas de separação e o antagonismo das nações aumentavam, e assim a guerra atual (iniciada em 1914) é o resultado inevitável do pensamento errado, das metas egoístas e de ódios antigos. Interesses individualistas, objetivos separatistas e o desejo agressivo marcham para sua conclusão inevitável: a guerra e o caos.

A situação econômica também oferece um símbolo desta condição. As nações se dividem entre as que "têm” e as que "não têm”, e daí a era atual de banditismo. As “gangues” organizadas nos Estados Unidos surgiram como expressão destas tendências na vida nacional. No plano internacional, três nações estão agora desempenhando o mesmo papel. As nações aliadas e os Estados Unidos estão reconhecendo a ameaça deste banditismo nacional e internacional e se esforçam por esmagá-lo. Porém - e temos aqui um ponto importante - este estado de coisas foi viabilizado pela humanidade como um todo.

Materialismo e Espiritualidade

Há hoje três tendências humanas principais: em primeiro lugar, uma tendência para um estilo de vida espiritual e livre; segundo, uma tendência para o desenvolvimento intelectual; finalmente, uma potente tendência para a vida material e a agressão. Neste momento, a última destas tendências inatas domina e a segunda, a atitude intelectual, se lança para o lado das metas materiais. Um grupo relativamente pequeno lança o peso da aspiração humana para o lado dos valores espirituais. A guerra entre os pares de opostos - o materialismo e a espiritualidade - está sendo travada ferozmente. Somente quando os homens deixarem a agressão material e se voltarem para objetivos espirituais a situação mundial se modificará e os homens - movidos pela boa vontade - obrigarão os agressores a retrocederem para o seu próprio lugar e libertarão a humanidade do medo e da força. Estamos colhendo agora os resultados da nossa própria semeadura. Reconhecer a causa do problema é, para a humanidade, a oportunidade de acabar com ele. Chegou a hora em que é possível instaurar as mudanças de atitude que trarão uma era de paz e boa vontade, baseadas nas corretas relações humanas.

Estas duas forças - o materialismo e a espiritualidade - se opõem. Qual será o resultado? Os homens deterão o mal e iniciarão um período de entendimento, colaboração e corretas relações, ou darão continuidade ao processo de planificação egoísta e de competição econômica e beligerante? Esta pergunta deve ser respondida pelo pensamento claro das massas e pelo desafio calmo e destemido das democracias.

Por todos os lados se reconhece a necessidade de uma regulação diferente no mundo. As potências totalitárias falam de uma “nova composição na Europa”; os idealistas e os pensadores desenvolvem sistemas e planos que comportam uma visão inteiramente nova das condições e que acabarão com a maligna e antiga estrutura. Há uma constante demanda para que os Aliados declarem seus objetivos de paz e indiquem claramente que reajustes farão após a guerra, pois a visão da futura política mundial ajudará a humanidade a atravessar a crise atual.

Contexto Histórico

Durante toda a Idade Média, a autoridade de monarcas poderosos, a expansão dos impérios e o avanço dos conquistadores nacionais foram as características destacadas. Um número relativamente pequeno de pessoas estava envolvido. A Igreja de então detinha um poder imenso em todos os países europeus: controlava a educação do povo, mas não estabelecia nenhuma base para o pensamento político correto. A história do passado é a história de inúmeras formas de governo. Raças e nações apareceram e desapareceram. Regimes políticos e formas de religiões exerceram seu papel, subsistiram ou desapareceram. A triste história da humanidade foi a de reis e potentados, governantes e guerreiros, presidentes e ditadores que chegaram ao poder à custa de sua própria nação ou de outras. Conquistadores apareceram e desapareceram: Akbar, Genghis Khan, os Faraós, Alexandre o Grande, César; Carlos Magno, Guilherme o Conquistador, Napoleão, Hitler e Mussolini. Todos tumultuaram o ritmo de sua época e chegaram ao poder pela agressão e pelo morticínio. À medida que as nações foram se inter-relacionando de maneira mais estreita, sua influência e campo de expressão aumentaram. A melhoria dos meios de comunicação viabilizou isso; a Grã-Bretanha não soube nada dos movimentos de Alexandre; os povos da América nada souberam de Genghis Khan, mas o ruído dos exércitos de Napoleão em marcha foi ouvido em uma região muito mais ampla; e os triunfos diplomáticos e militares de Hitler são conhecidos em todo o mundo.

As potências totalitárias transformaram o mundo em um campo armado para o ataque e a defesa. A motivação de todos estes conquistadores era a cobiça por ouro, territórios, poder e triunfo pessoal. Os ditadores modernos não são exceção. Nada trazem de novo.

Anarquia Mundial

A história do mundo se construiu em torno do tema da guerra; seus pontos de crise foram as grandes batalhas. A ideia de vingança move algumas nações; a demanda para que se corrijam antigos erros históricos influi sobre outras; a restituição de terras antes possuídas dirige os atos de outras mais. Por exemplo, a antiga glória do Império Romano deve ser restaurada às custas de pequenos povos indefesos; a cultura da França deve dominar, e a segurança francesa deve superar todas as outras considerações; o imperialismo britânico, no passado, ultrajou outras nações; a hegemonia germânica, com seu "espaço vital” deve dominar a Europa, e o super-homem alemão deve ser o árbitro da vida humana. O isolacionismo norte-americano deixaria a humanidade indefesa na sua hora de necessidade e entregaria os homens ao poder de Hitler. Na Rússia, com seu silêncio, não se pode confiar; o Japão está tirando o equilíbrio do poder na Ásia. Eis a imagem do mundo hoje. A anarquia domina o mundo; a fome ameaça os habitantes da Europa; a população civil das cidades, as mulheres e as crianças correm grave perigo de ferimentos e morte, e se veem forçados a viver debaixo da terra; condições pestilentas aparecem; não há nenhuma segurança na terra, no mar ou no ar; as nações estão à beira da ruína financeira; a ciência se virou para a invenção de instrumentos de morte. As populações de cidades e regiões inteiras são deslocadas de um ponto do país para outro; famílias e lares são despedaçados. Reina um medo intenso, contempla-se o futuro sem esperança, com perguntas perplexas. Há suicídios e assassinatos; a fumaça de incontáveis incêndios obscurece os céus; os mares estão coalhados de mortos e de navios afundados; o troar dos canhões e a explosão das bombas são ouvidos em cerca de vinte países; a guerra surge das águas, avança por terra e desce dos céus.


Foi para esta situação que a metodização do passado levou a humanidade. Para este desastre tenderam a crueldade e o egoísmo do homem; nenhuma nação está isenta de crítica; todas elas se mobilizam mais rapidamente pelo propósito egoísta do que pelo espírito de sacrifício.

Até mesmo a América idealista só pode ser incitada à ação por um apelo ao seu próprio interesse e segurança.

Como incentivo, reconheçamos que a mesma humanidade que provocou estas terríveis condições também pode criar um mundo novo, outra estruturação e um novo modo de vida. O passado perverso e egoísta deve ceder lugar a um futuro de compreensão, de colaboração, de corretas relações humanas e de bem. A separatividade deve ser substituída pela unidade. A justaposição de agressores totalitários, de democracias aliadas e de nações neutras angustiadas deve se transformar em um mundo caracterizado por um só esforço: o estabelecimento de relações que trarão a felicidade e a paz para todos e não apenas para uma parte.

II. A PRÓXIMA GOVERNANÇA DA TERRA

Parto do princípio de que meus leitores reconhecem que algo inteligente e espiritual dirige a humanidade. Não importa como denominam tal Propósito orientador. Alguns o chamam de Vontade de Deus; outros, de tendências inevitáveis do processo evolutivo; outros ainda podem crer nas forças espirituais do planeta; haverá quem considere que se trate da Hierarquia espiritual do planeta, a grande Loja Branca; milhões de pessoas falam que a humanidade é guiada pelo Cristo e Seus discípulos. Seja o que for, há o reconhecimento universal de um Poder diretor, que exerce pressão ao longo das eras, o que parece tudo conduzir para um bem supremo.

Algum direcionamento definido conduziu o homem da etapa de homem primitivo ao ponto evolutivo em que pode aparecer um Platão, um Shakespeare, um Da Vinci, um Beethoven. Algum poder evocou no homem a capacidade de formular ideias, produzir sistemas de teologia, de ciência e de governo; algum poder motivador interno deu ao homem a aptidão de criar beleza, de descobrir os segredos da natureza. Certa compreensão da responsabilidade divina subjaz na filantropia, nos sistemas educacionais e nos movimentos assistenciais em todo o mundo. O progresso do espírito humano foi de irresistível desenvolvimento, de crescente apreciação da realidade, da beleza e da sabedoria. O instinto se converteu em intelecto; o intelecto está começando a se revelar em intuição. O significado de Deus, a percepção consciente das potencialidades divinas do homem e a crescente capacidade de compreender e participar dos processos mentais de outros, tudo isso indica progresso e florescimento.

Esta imagem da beleza do espírito humano deve ser colocada ao lado da imagem anterior de egoísmo e crueldade do homem, e de sua desumanidade para com o homem. As duas imagens são reais, mas apenas a da beleza é eterna; a outra é transitória. O homem é um composto de expressões elevadas e baixas, e por trás de todas as guerras e dificuldades que acompanham o progresso do homem ao longo das eras subjaz este fator maior - uma antiga e persistente luta entre a aspiração espiritual do homem e seus desejos materiais. Este estado de coisas está hoje centrado no conflito que travam as potências totalitárias e as nações que lutam pelos direitos do espírito humano e pela liberdade da humanidade.

O uso que faço da palavra espiritual não tem a ver com a forma com que as religiões ortodoxas a empregam, exceto até onde a expressão religiosa faz parte da espiritualidade geral da humanidade. É espiritual tudo o que tende à compreensão, à bondade, àquilo que produz beleza e pode levar o homem a uma expressão mais plena de suas potencialidades divinas. É mau tudo o que empurra o homem mais profundamente para o materialismo, omite os valores superiores da vida, fomenta o egoísmo, ergue barreiras para o estabelecimento de corretas relações humanas e nutre o espírito de separatividade, medo e vingança.

Com base nestas distinções, fica certamente evidente que Deus está do lado das nações aliadas, pois não se pode supor que o Cristo esteja do lado de Hitler e do governo da agressão cruel. A Hierarquia espiritual do planeta lança todo o peso de sua força contra os poderes do Eixo, apenas na medida em que as pessoas de orientação espiritual podem colaborar, pois não pode haver coerção sobre o livre-arbítrio do homem. Ninguém tem medo das nações aliadas; a situação não foi precipitada pelos Aliados; não usam os métodos de propaganda enganosa nem aterrorizam os fracos e indefesos. Tudo isso é provado pelos fatos e é este reconhecimento que está na base do constante auxílio dos Estados Unidos. O modo de vida e os objetivos espirituais das democracias são reconhecidos por todos, e são eles que estão ameaçados pelos conceitos totalitários sobre a vida. A humanidade fala por intermédio das democracias.

A Regulação do Mundo conforme o Eixo a vê

A estrutura totalitária deve desaparecer, porque é contrária à visão espiritual. A regulação do mundo, tal como Hitler a vê se baseia na submissão dos fracos ao governo de uma super Alemanha. A vida das pequenas nações só seria permitida na medida em que pudessem servir às necessidades da Alemanha. É permitida a existência das potências secundárias apenas porque favorecem os objetivos da Alemanha - a Itália, para dar à Alemanha uma saída para o Mediterrâneo, o Japão para controlar o problema asiático, pesado demais para a Alemanha resolver sozinha. Este esquema prevê que todos os melhores produtos industriais e agrícolas devam ir para a Alemanha, e o resíduo desnecessário para ela, para as pequenas nações; é um esquema em que os processos educativos serão controlados pela super-raça dominante. Todos os setores do conhecimento estarão subordinados à glorificação da Alemanha, a qual será representada como a semente de toda a glória do mundo e como a implacável salvadora do gênero humano. As belezas da guerra, da luta e da força física serão enaltecidas, e esses pretensos objetivos admiráveis do espírito humano serão desenvolvidos para produzir uma raça de homens na qual não terá lugar a beleza "efeminada” da bondade amorosa e da sábia estima pelos outros.

Chamaria a atenção para o ensinamento que está sendo transmitido agora à juventude alemã. A lei do mais forte prevalece. Os alemães pertencem a uma super-raça, e todas as outras são inferiores. Somente uma aristocracia escolhida deve ter o privilégio da educação e do governo. As massas não são mais do que animais e existem apenas para serem escravas da raça superior. A guerra está para os homens como o parto para as mulheres. A guerra é um processo natural e, portanto, eternamente justa. Todas as fontes de provisão devem ser controladas pela Alemanha e, em consequência, as nações atualmente neutras devem ser colocadas sob a esfera de influência germânica. As potências totalitárias dominarão o sistema econômico do mundo e controlarão todas as importações e exportações. O padrão de vida será abaixado nos dois hemisférios; tudo estará relacionado com o bem da Alemanha, e nenhuma outra nação será considerada. O ensinamento cristão e a ética cristã devem necessariamente ser eliminados, porque a Alemanha considera o cristianismo e seu divino Fundador como efeminados e fracos, que acentuam as qualidades mais ternas da natureza humana, e são responsáveis pela decadência de todas as nações, com exceção da Alemanha. O cristianismo deve ser derrotado também porque se fundamenta em fontes judias; a lei do Cristo deve desaparecer, porque só a lei da força é justa.

Na disposição do mundo segundo as potências do Eixo, o indivíduo não tem nenhum direito; não tem liberdade, a não ser servir ao estado; não haverá liberdade de pensamento nem de consciência; todas as questões serão decididas pelo estado e o cidadão privado não terá direito a nenhuma opinião. Os homens serão recrutados como escravos a serviço do estado.

É esta a imagem da governança que as potências do Eixo estão preparando para impor ao mundo, e suas próprias palavras o confirmam. Apenas a percepção sobre a verdadeira natureza desta crise, a determinação de enfrentar os fatos e o destemor poderão derrotar Hitler. Esta coragem deve ser baseada no reconhecimento dos valores espirituais envolvidos, na crença em Deus e no bom senso bem determinado a estabelecer segurança, corretas relações humanas e liberdade.

É importante que as pessoas vejam os fatos de frente imediatamente. É preciso que compreendam qual é a natureza do modelo que Hitler está preparando para impor ao mundo e o que será o futuro da humanidade se as potências do Eixo triunfarem. É essencial que as crianças de todo o mundo sejam salvas deste mal que paira sobre elas e da falsa educação a que serão submetidas se as potências totalitárias mantiverem a Europa em suas mãos. A cultura intensiva dada à juventude alemã nos últimos vinte anos comprovou os efeitos das atitudes mentais circundantes. Esses jovens que manejam seus tanques, voam em seus aviões sobre os países da Europa, que travam guerra contra as mulheres e as crianças são produto de um sistema de educação e, portanto, vítimas de um procedimento maléfico. As crianças da Alemanha e de outros países devem ser salvas do futuro que Hitler projetou; as mulheres alemãs e de outras nacionalidades devem ficar livres do medo; a população alemã deve ser libertada da autoridade maléfica de Hitler. Isto é reconhecido pelas nações aliadas. Não se enganem. O povo alemão é tão caro ao coração da humanidade, de Deus, do Cristo e de todas as pessoas que pensam corretamente, como qualquer outro. O povo alemão deve ser salvo do esquema de Hitler, tanto como o polonês, o judeu, o tcheco e qualquer outra nação cativa. Ao fazer esta libertação, as nações aliadas e as potências neutras devem conservar o espírito de boa vontade, mesmo quando empregam a força, que é o único meio de que as potências totalitárias compreendem.

Etapas para a Futura Estruturação da Terra

O que deveria planejar o resto do mundo, em oposição ao esquema totalitário? Para que objetivos mundiais deveriam trabalhar as democracias? Esquemas utópicos, formas idealistas de governo e processos da vida cultural foram sempre brinquedos da mente humana ao longo dos séculos. Mas estas utopias estão muito longe das possibilidades, por isso é inútil apresentá-las. A maioria é completamente impraticável.

No entanto, é possível elaborar certas possibilidades imediatas e objetivos acessíveis, supondo-se uma definida vontade-para-o-bem e paciência por parte da humanidade.

Determinadas premissas espirituais importantes deveriam respaldar todo esforço para formular a estruturação que poderíamos prever para o futuro. Permitam-me indicar algumas:

1. A organização do mundo deve atender à necessidade imediata e não ser um esforço para responder aos critérios de uma visão idealista e distante.

2. Referida organização deve ser adequada a um mundo que passou por uma crise de destruição e a uma humanidade destroçada com esta experiência.

3. Deve assentar as bases para uma organização futura, que só será possível depois de um período de restauração, reconstrução e reedificação.

4. Ela será baseada no reconhecimento de que todos os homens são iguais em origem e meta, mas que todos estão em diferentes etapas do desenvolvimento evolutivo; que a integridade pessoal, a inteligência, a visão e a experiência, assim como uma acentuada boa vontade, devem designar os governantes. O domínio do proletariado sobre a aristocracia e a burguesia, como na Rússia, ou o domínio de uma aristocracia entrincheirada atrás do proletariado e das classes médias, como até uma data recente na Grã-Bretanha, devem desaparecer. O controle do trabalho sobre o capital ou o controle do capital sobre o trabalho também devem desaparecer.

5. O corpo governamental de toda nação deveria então ser composto por aqueles que trabalham para o maior bem do maior número e que, ao mesmo tempo, oferecem oportunidade a todos, cuidando para que a liberdade individual seja respeitada. Hoje, os homens dotados de visão estão conquistando reconhecimento, propiciando a escolha correta dos governantes, o que não era possível até este século.

6. O fundamento será um ativo senso de responsabilidade. A regra será "um por todos e todos por um”. Esta atitude terá que ser desenvolvida entre as nações, pois ainda não existe.

7. Não haverá imposição às nações de um tipo uniforme de governo, nem haverá uma religião de síntese ou um sistema de padronização nas nações. Os direitos soberanos de cada nação serão reconhecidos e será permitida a plena expressão de sua singularidade criativa, tendências individuais e qualidades raciais. Somente em um caso particular deve haver o esforço para produzir unidade, e será ele o campo da educação.

8. Haverá o reconhecimento de que os produtos do mundo, os recursos naturais do planeta e suas riquezas, não pertencem a nenhuma nação em particular, mas devem ser partilhados por todos. Não haverá nações que "possuem” e outras na categoria oposta. Uma distribuição organizada, equitativa e apropriada de trigo, de petróleo e das riquezas minerais do mundo, se desenvolverá tendo como base as necessidades de cada nação, seus próprios recursos internos e as necessidades de seu povo. Tudo isso será executado em relação ao todo.

9. No período preparatório haverá um desarmamento regular e regulado. Não será opcional. Nenhuma nação terá permissão de produzir nem de organizar equipamentos para fins de destruição nem para infringir a segurança de outra nação. Uma das primeiras tarefas de uma futura conferência de paz será regular esta questão e procurar o desarmamento progressivo das nações.

São estas as premissas simples e gerais sobre as quais a governança do mundo deve começar a trabalhar. Estas etapas preliminares devem ser mantidas fluidas e experimentais, a visão dessa possibilidade não deve nunca ser perdida e os fundamentos devem ser mantidos íntegros, mas os processos intermediários e as experimentações devem ser realizados por homens que, motivados pelos melhores interesses do bem de todos, possam mudar os detalhamentos da organização ao mesmo tempo em que preservam a vida do organismo.

Corretas Relações Humanas

O objetivo de seu trabalho pode ser resumido da seguinte maneira: o modelo do mundo facilitará o estabelecimento de corretas relações humanas baseadas na justiça, no reconhecimento dos direitos herdados, na oportunidade para todos - sem distinção de raça, cor ou credo - na supressão da delinquência e do egoísmo por meio de uma educação correta, e no reconhecimento das potencialidades divinas do homem, assim como também no reconhecimento de uma Inteligência divina na Qual o homem vive, se move e tem seu ser.

As dificuldades que as nações enfrentarão quando a guerra chegar ao fim parecerão insuperáveis, mas - com visão, boa vontade e paciência - podem ser resolvidas. Supondo que a humanidade não descansará até que as nações agressoras sejam vencidas, será necessário que as democracias vitoriosas sejam generosas, clementes, compreensivas e atentas à voz do povo como um todo. Essa voz (geralmente sadia em suas avaliações) deve ser evocada, reconhecida e ouvida, e não as vozes dos expoentes separatistas de qualquer ideologia, forma de governo, religião ou partido. O objetivo daqueles a quem se confiar a tarefa de retificação do mundo não é a imposição da democracia em todo o mundo, nem do cristianismo em um mundo de religiões diversificadas. Seguramente será o incentivo dos melhores elementos de todo governo nacional, ao qual o povo possa aderir ou apoiar inteligentemente. Cada nação deveria reconhecer que sua própria forma de governo pode lhe convir, mas não a outra nação. É preciso ensinar que a função de cada nação é o aperfeiçoamento de sua vida nacional, seu ritmo e seus mecanismos, de modo a ser uma parceira eficiente de todas as outras nações.

É também essencial que a governança do mundo desenvolva na humanidade o sentido de divindade e de relação com Deus e, no entanto, não acentue as teologias raciais e os credos separatistas. Devem ser ensinados os fatores essenciais das crenças religiosas e políticas, e é preciso inculcar uma nova simplicidade de vida. Hoje, eles se perdem na ênfase dada às posses materiais, às coisas e ao dinheiro. O problema do dinheiro terá que ser enfrentado; o problema da distribuição das riquezas - naturais ou humanas - deverá ser tratado com cuidado e deverá ser obtido um entendimento entre as nações que possuem recursos ilimitados e as que têm poucos ou nenhum. O problema da variedade de formas de governo nacionais deve ser enfrentado com coragem e discernimento; a restauração psicológica, espiritual e física do gênero humano deve ser uma responsabilidade primordial. O sentido de segurança deve se assentar em uma base firme - a base das corretas relações, não da força. Os homens devem se sentir seguros quando procurarem desenvolver a boa vontade internacional, e sentirem confiança mútua e, portanto, não dependerem da força de seus exércitos e frotas.

O reconhecimento de uma Hierarquia espiritual que atua por intermédio do Novo Grupo de Servidores do Mundo deve aumentar regularmente, de uma forma ou outra. Isto acontecerá quando os estadistas do mundo e os governantes das diferentes nações e organismos governamentais - políticos e religiosos - forem homens de visão, motivados espiritualmente e com inspiração altruísta.

Teremos então no futuro uma lógica no mundo que será a expressão prática da fusão do modo de vida interno e espiritual e o modo de atuar externo, civilizado e cultural; trata- se de uma possibilidade real, porque a humanidade, em suas camadas superiores, já desenvolveu a faculdade de viver simultaneamente nos mundos intelectual e físico. Muitos vivem hoje também no mundo espiritual. Amanhã serão muitos mais.

III. ALGUNS PROBLEMAS ENVOLVIDOS

Toda essa estrutura mundial que virá também enfrentará muitos problemas. Os problemas não se resolverão pela imposição de uma solução pela força, como na composição prevista pelo Eixo, mas por processos educativos corretos e pela compreensão dos objetivos da verdadeira governança. Em geral, dividem-se em quatro categorias: o problema racial, o problema econômico, o problema de governo e o problema religioso.

O Problema Racial

Não há maneira de resolver o problema racial pela legislação, segregação ou pela tentativa de formar blocos nacionais, como acontece na Alemanha de hoje, que proclama que os alemães são uma super-raça. Esses esforços só servem para erguer barreiras insuperáveis. Com pouquíssimas exceções, não há raças puras. A Alemanha, em particular, por estar situada na Europa, onde vários caminhos se cruzam, é inquestionavelmente a fusão de muitos tipos raciais. Marés de emigração, exércitos em marcha ao longo dos séculos e viagens modernas misturaram e fundiram inextricavelmente todas as raças. Portanto, pode-se supor que todo esforço para isolar uma raça ou impor uma pretensa "pureza racial” está condenado ao fracasso. A única solução para este problema é o reconhecimento básico de que todos os homens são irmãos; que um só sangue corre pelas veias humanas; que todos somos filhos do mesmo Pai, e não reconhecer é simplesmente uma indicação da estupidez do homem. Contextos históricos, condições climáticas e casamentos mistos frequentes fizeram das diferentes raças o que elas são hoje. Essencialmente, porém, a humanidade é uma só - herdeira das eras, produto de muitas fusões, modelada pelas circunstâncias e enriquecida pelos processos do desenvolvimento evolutivo. Esta unidade básica deve agora ser reconhecida.

Durante séculos, o principal problema racial foi o dos Judeus, que a Alemanha levou a um ponto culminante. Este problema também pode ser resolvido se for reconhecido devidamente pelo que é, e se for acompanhado do esforço dos próprios judeus para resolvê-lo, colaborando com os esforços do mundo para ajustar esta questão. Eles ainda não fizeram isso porque o judeu comum é solitário e inconstante, incapaz de fazer algo para se conciliar com o mundo. Instintiva e intelectualmente é separatista, intuitivamente tem visão, mas ao mesmo tempo carece do sentido de fusão com outros povos.

Até agora não se conhece nenhum modo científico para resolver os problemas raciais. É, finalmente, uma questão de pensamento correto, de conduta respeitosa e simples bondade. A questão não se solucionará por meio de casamentos mistos, pelo isolamento de grupos para ocupação de áreas especiais, nem pelas ideias de superioridade ou inferioridade conhecida pelo homem. As corretas relações humanas se estabelecerão por mútuo reconhecimento de erros, pelo arrependimento dos atos errados do passado e, se possível, pela compensação. Elas surgirão quando for possível ensinar as nações a apreciar as boas qualidades das outras nações e a compreender o papel que lhes corresponde no cenário geral. Elas vão se desenvolver quando for eliminado o senso de superioridade racial; quando as diferenças e as hostilidades raciais forem relegadas ao passado maldoso, e só quando um futuro de colaboração e compreensão for promovido ativamente. Elas farão sentir sua presença quando as normas de vida de corretas relações (que buscam as pessoas iluminadas de todas as raças) se tornarem a atitude habitual das massas, e quando se considerar contrário aos melhores interesses de qualquer nação a disseminação das ideias que tendem a erguer barreiras raciais ou nacionais, a despertar ódios ou a fomentar diferenças e separações. Esse momento chegará, com toda certeza. A humanidade dominará o problema das corretas relações e atitudes humanas.

É inevitável a existência de diferenças raciais, hostilidades nacionais e distinções de casta, mas é também imperativo que desapareçam. O mundo é um só. A humanidade é uma só unidade no processo da evolução. As diferenças são criadas pelo homem e suscitam ódios e separações. Quando se ensinar às crianças das diferentes raças, desde seus primeiros anos, que não existem diferenças, que todos os homens são irmãos, e que as distinções aparentes são essencialmente superficiais, as gerações futuras abordarão o problema das inter-relações mundiais sem a desfeita do preconceito, do orgulho de raça ou dos ressentimentos históricos inculcados. Por meio de uma boa educação, as crianças podem aprender atitudes corretas e serão receptivas, porque elas não veem nem reconhecem diferenças. A verdade da promessa bíblica de que "uma criança os guiará” se mostrará cientificamente verdadeira. No futuro veremos a instauração deste processo educativo.

O Problema Econômico

Este problema é basicamente bem menos difícil de resolver. Um sadio bom senso pode solucioná-lo. Há recursos suficientes para a manutenção da vida humana, que a ciência pode aumentar e desenvolver. A riqueza mineral do mundo, o petróleo, o produto do campo, a contribuição do reino animal, as riquezas do mar, os frutos e flores, todos se oferecem à humanidade. O homem é o controlador de tudo isso e tudo pertence a todos, não é propriedade de nenhum grupo, nação ou raça. Somente o egoísmo humano é responsável (nestes dias de transportes rápidos), que milhares de pessoas morram de fome enquanto os alimentos se apodrecem ou são destruídos. Somente os esquemas gananciosos e as injustiças financeiras dos homens fazem com que os recursos do planeta não estejam universalmente disponíveis por um inteligente sistema de distribuição. Não há desculpa que justifique a falta de gêneros alimentícios essenciais à vida em alguma parte do mundo. Um estado de carência deste tipo revela uma política míope e o bloqueio da livre circulação dos artigos de primeira necessidade, por uma ou outra razão. Todas estas condições deploráveis se baseiam no egoísmo de alguns grupos ou nações e na falta de um projeto imparcial e lúcido para suprir as necessidades humanas em todo o mundo.

O que então se deve fazer pela livre circulação dos bens consumíveis de primeira necessidade, além de educar as gerações futuras sobre a necessidade de compartilhar? A causa deste modo de viver nefasto é muito simples. É produto dos métodos educativos errados do passado, da competição e da facilidade com que os indefesos e fracos podem ser explorados. Nenhum grupo em particular é responsável, como certos ideólogos fanáticos fazem supor aos ignorantes. Em nosso período chegamos ao máximo do egoísmo humano, que ou destruirá a humanidade ou será abolido de maneira inteligente.

Três fatores vão acabar com esta condição de grande luxo e extrema pobreza, em que uns poucos comem excessivamente e muitos sofrem de inanição, em que os produtos do mundo estão centralizados nas mãos de poucas pessoas em cada país. São eles: primeiro, o reconhecimento de que há alimento, combustível, petróleo e minerais suficientes no mundo para atender a necessidade de toda a população. O problema é basicamente de distribuição. Em segundo lugar, deve ser aceita esta premissa de abastecimento adequado e manejado por meio de distribuição correta, e os suprimentos essenciais para a saúde, segurança e felicidade da humanidade devem ser disponibilizados. Terceiro, que todo o problema econômico e a instituição das regras necessárias e das agências de distribuição deveriam ser confiados a uma liga econômica de nações, na qual todas as nações teriam participação, conheceriam suas necessidades nacionais (baseadas na população, nos recursos internos, etc.) e saberiam também como contribuiriam para a família de nações. Todas seriam animadas pela vontade para o bem geral - vontade-para-o-bem que, no início, provavelmente seria fundamentado na conveniência e na necessidade nacional, mas construtiva em sua aplicação.

Certos fatos são evidentes. A organização que tínhamos no passado fracassou. Os recursos do mundo caíram nas mãos dos egoístas e não houve uma distribuição justa. Algumas nações tiveram demais e exploraram seus excedentes; outras têm muito pouco e, por isso, sua vida nacional e situação econômica ficaram debilitadas. Ao final desta guerra, todas as nações estarão com dificuldades financeiras, todas deverão ser reconstruídas, e todas terão que se aplicar ativamente a regular a futura vida econômica do planeta e ajustá-la em linhas mais sólidas.

Este período de reajuste oferece a oportunidade de efetuar mudanças radicais e profundamente necessárias, e estabelecer um modelo econômico diferente, baseado na contribuição de cada nação para o todo, na partilha dos artigos de primeira necessidade, e na inteligente reserva comum de todos os recursos para o benefício de todos, além de um sensato sistema de distribuição. Esse plano é viável.

A solução proposta aqui é tão simples que, por essa mesma razão, talvez não chame a atenção. A qualidade que devem possuir aqueles que projetarão esta mudança do enfoque econômico é igualmente tão simples - a vontade-para-o-bem - que também pode ser passada por alto; porém, se não houver simplicidade e boa vontade, pouco poderá se fazer depois da guerra mundial. A grande necessidade será de homens de visão, bem-conceituados, com conhecimento técnico e interesse cosmopolita. Também deverão usufruir da confiança do povo. Deverão se reunir para estabelecer as regras pelas quais o mundo poderá ser adequadamente alimentado, deverão determinar a natureza e a extensão da contribuição que cada nação deve dar, estabelecer a natureza e a extensão das provisões que deverão ser entregues a cada nação, dessa maneira promovendo as condições que farão circular os recursos do mundo nos termos da justiça e organizarão as medidas preventivas que contrabalançarão o egoísmo e a ganância dos homens.

Podemos encontrar um grupo de homens assim? Creio que sim. Em toda parte há quem estude profundamente a natureza humana, há pesquisadores no campo da ciência de grande simpatia pelos seres humanos e homens e mulheres conscienciosos que há longo tempo - sob o antigo e cruel sistema - lutam contra o problema da dor e das necessidades humanas.

A nova era de simplicidade deve chegar. Inauguraremos esta vida mais simples baseada em uma alimentação adequada, um pensamento correto, uma atividade criadora e felicidade. Estas coisas essenciais só são possíveis com um correto controle econômico. Esta simplificação e sábia distribuição dos recursos do mundo deve envolver os superiores e os inferiores, os ricos e o pobres, servindo a todos os homens igualmente.

O Problema do Governo

Passamos agora para a esfera do governo neste mundo do futuro; estamos diante de uma situação muito complexa. Certos grandes regimes ideológicos dividiram o mundo em grupos opositores. Há as grandes democracias, sob as quais algumas das poucas monarquias restantes se mantêm e há as potências totalitárias, que recapitulam as antigas ditaduras e autocracias do passado. Não há nada de novo na política do Eixo. Trata-se essencialmente de grupos reacionários, porque os tiranos, a crueldade e a exploração dos fracos fazem parte da história do passado. As democracias, apesar de toda sua ineficácia atual, contêm nelas o germe do que é realmente novo, pois são a expressão de uma escalada em direção à autodeterminação e ao autocontrole da humanidade como um todo. Há também o ideal comunista, que é uma curiosa mistura de individualismo, de ditadura, do antigo conflito entre o trabalho e o capital, do Sermão da Montanha e dos piores aspectos da revolução e da exploração. A direção que vai tomar, mesmo no futuro imediato, é imprevisível. Há outros países e povos cujos governos estão condicionados pelo meio ambiente e que, na atualidade, não desempenham um papel determinante nos acontecimentos mundiais, a não ser na medida em que as grandes potências os usam. Há também os povos e tribos que seguem suas vidas diárias sem ser afetados pelo tumulto existente nas partes mais civilizadas do mundo.

Por trás desta diversidade de métodos governamentais, surgem claramente certos perfis que indicam fusões mais amplas e a tendência de criar certas sínteses. Estão aparecendo básicas e variadas correntes de pensamento que, na organização do futuro, se desenvolverão em uma síntese maior, muito desejada pela Hierarquia espiritual do planeta, e que, conservando os grandes elementos nacionais e raciais, produzirão um estado mental subjacente e subjetivo que dará fim à era da separatividade. Evoca-se hoje o desejo de formar os Estados Federados da Europa, segundo o modelo da Comunidade Britânica de Nações ou dos Estados Unidos da América; fala-se de um novo sistema na Ásia, de uma política do Boa Vizinhança na América, de uma União Federal das nações democráticas. Há também a expansão regular das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Certos agrupamentos maiores que parecem possíveis e provavelmente aconselháveis poderiam ser classificados como:

1. Uma União Federal das grandes democracias depois da guerra, que poderia incluir todo o Império Britânico, os Estados Unidos, os países escandinavos e certas nações do norte de Europa, inclusive a Alemanha.

2. Uma união dos países latinos, incluindo a França, a Espanha, todos os países mediterrâneos, os países dos Balcãs (exceto um ou dois que poderiam ser absorvidos pela URSS) e a América do Sul.

3. Uma União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e certas nações asiáticas que colaboram com elas, como a China e posteriormente o Japão.

Estes três grandes blocos não seriam antagônicos, mas simplesmente esferas geográficas de influência. Todos os três trabalhariam na mais estreita unidade e relação econômica. Cada nação destes três blocos conservaria sua independência soberana, mas entre estas nações independentes e estes blocos haveria identidade de propósito, unidade de esforço e reconhecimento de um controle econômico, exercido por uma liga de nações. Esta liga se formaria com representantes de todas as nações, e seu corpo governamental interno seria escolhido pelos três blocos que controlariam todas as fontes de provisão e a distribuição de todas as provisões, e determinariam toda a política econômica.

Não considerarei os detalhes destes futuros ajustes. Devem ser forjados pelos homens e mulheres de boa vontade, no crisol da experimentação e da experiência. Só um desastre universal poderia levar os homens a um estado mental em que tais proposições e soluções poderiam ser apresentadas. É muito valioso que todos reconheçam que lamentavelmente a estrutura antiga fracassou.

O Problema Religioso

Quando consideramos a religião na futura organização do mundo, nos defrontamos com um problema muito mais complicado e, ao mesmo tempo, muito mais fácil, e isto porque a questão religiosa foi estudada e parcialmente compreendida pela maioria dos homens. Há enormes diferenças nas interpretações teológicas; há uma reação geral similar no tocante ao amplo reconhecimento de uma Inteligência Suprema). As formas de religião são tão diferentes e os professantes da teologia são tão severos em sua devoção e adesão, que o surgimento de uma nova religião mundial é, inevitavelmente, muito difícil. Entretanto, esse surgimento está muito próximo, e as diferenças são relativamente superficiais. A nova religião mundial está mais perto do que muitos pensam, e isto se deve a dois fatores: primeiro, as desavenças teológicas giram principalmente sobre pontos não essenciais e, segundo, a geração mais jovem é basicamente espiritual, mas pouco interessada em teologia.

A juventude inteligente de todos os países está rejeitando rapidamente a teologia ortodoxa, o clericalismo do estado e o controle da igreja. Não lhe interessam as interpretações humanas da verdade, nem as passadas rixas entre as principais religiões mundiais. Ao mesmo tempo, está profundamente interessada nos valores espirituais, e busca sinceramente confirmar seus reconhecimentos profundos e não expressos. Não procura por Bíblia nem por sistema de pretenso conhecimento e revelação espiritual, mas tem os olhos voltados para um grande todo indefinido, no qual procura se submergir e se perder, tal como o estado, uma ideologia, ou a própria humanidade. Nesta expressão do espírito de auto abnegação vemos surgir a verdade mais profunda de toda religião e a justificativa da mensagem cristã. Ao Cristo, em sua elevada morada, pouco importa se os homens aceitam ou não as interpretações teológicas dos acadêmicos e dos homens da igreja. Interessa-Lhe que a nota-chave de sua vida de serviço e sacrifício se reproduza entre os homens. Para o Cristo é indiferente que a ênfase no detalhe e na veracidade do Evangelho seja reconhecida e aceita, a Ele interessa mais que se busque a verdade e a experiência espiritual subjetiva. Ele sabe que em cada coração humano existe o que responde instintivamente a Deus, e que a esperança da glória suprema está oculta na consciência crística.

Segundo organizaremos o mundo no futuro, portanto, a espiritualidade substituirá a teologia, e a experiência viva tomará o lugar da aceitação teológica. As realidades espirituais surgirão com crescente clareza, e o aspecto forma passará para segundo plano; a verdade expressiva e dinâmica será a nota-chave da nova religião mundial. O Cristo vivo assumirá o lugar que Lhe corresponde na consciência humana, e verá a frutificação de seus planos, sacrifício e serviço. O domínio das ordens eclesiásticas enfraquecerá e desaparecerá. Só permanecerão como guias e condutores do espírito humano aqueles que falarão por experiência vivida e que não conhecerão nenhuma barreira religiosa; reconhecerão o avanço da revelação e as novas verdades emergentes, verdades que estarão fundadas nas antigas realidades, mas que serão adaptadas às necessidades modernas e que manifestarão progressivamente a revelação da natureza e da qualidade divinas. Hoje Deus é conhecido como Inteligência e Amor, como o passado nos ensinou. É preciso que agora seja conhecido como Vontade e Propósito, o que o futuro revelará.

Quando o problema racial tiver desaparecido pelo reconhecimento da Vida Una; quando o problema econômico tiver sido resolvido pelas nações que trabalham em cooperação; quando o problema do governo correto dentro de cada nação tiver sido solucionado pelo livre-arbítrio de seus respectivos povos, e o espírito da verdadeira religião não estiver mais obstruído pelas formas e interpretações antigas, veremos um mundo em processo para a correta experiência, corretas relações humanas e progresso espiritual para a realidade.

Um estudo destas quatro grandes linhas da vida humana mostrará o quanto é verdade que a Alemanha é hoje o ponto focal da situação mundial. Nessa infeliz nação, o problema racial alcançou tal importância que o mundo inteiro está afetado. Do ponto de vista econômico, Hitler disse que a Alemanha se viu obrigada a lutar a fim de conservar a vida econômica do seu povo. Na realidade, a vida econômica da Alemanha não estava tão seriamente ameaçada como a de muitas nações menores. O problema do governo chegou também a um ponto crítico devido à atividade e às conquistas alemãs e também pela ênfase que as potências do Eixo conferiam à relação do estado com o indivíduo. A atitude dos governantes alemães com relação à religião é reconhecidamente de profundo antagonismo. Desta maneira, os quatro problemas principais do mundo estão sendo precipitados pela Alemanha no cenário da ação. Por toda parte, suscitam investigações; a atenção dos homens de todos os países converge agora para estes problemas, e uma solução é inevitável após a guerra. Quando estas questões forem abordadas corretamente pelos homens e mulheres de boa vontade, teremos então um "plano mundial” para a instauração de uma vida harmoniosa, como nunca foi possível até agora.

Cabe à humanidade resolver seus graves problemas com base na fraternidade e estabelecer um modo de vida que possa proporcionar uma adequada provisão dos artigos de primeira necessidade mediante uma boa organização do tempo, do trabalho e dos bens. Isso proporcionará uma interação entre o cidadão e o estado, que fomentará a prestação de serviço do indivíduo e a correta proteção do estado. A humanidade então estará livre para experimentar uma vida espiritual, que se expressará mediante as vidas humanas despertas. O que mais se pode pedir ou esperar? Um modo de vida assim será possível se os homens e mulheres de boa vontade, inteligentes e idealistas se dedicarem à tarefa de inaugurar uma nova maneira de gerir o mundo.

IV. A TAREFA À FRENTE

Isto nos leva aos aspectos práticos do tema, e à necessidade de responder à seguinte pergunta: dada a possibilidade de uma governança do mundo inteiramente nova, o que podemos fazer neste momento, em meio ao conflito, para trazê-la à existência?

O período no qual estamos entrando agora se divide em duas partes:

1. O período atual da guerra, que vai até a derrota da Alemanha e o fim real do combate.

2. O período seguinte, quando os canhões cessarem de troar. A paz e a reconstrução necessária deverão então ser determinadas.

Destes períodos devemos nos ocupar, porque são e serão momentos de grande dificuldade, de conflitos dolorosos e reajustes. A tarefa de restabelecer a harmonia e a tranquilidade no mundo é enorme. Educar as pessoas de todas as partes sobre a necessidade de novos ideais de vida correta, de novos ritmos, de um novo espírito de "partilha” não será fácil. O trabalho de cura das feridas da humanidade, de reconstrução da civilização destruída, da instauração do desarmamento, do reconhecimento das necessidades nacionais, materiais e psicológicas, do resgate e restauração da felicidade das crianças do mundo e de planejamento de sua futura segurança exigirá o melhor dos homens e mulheres de boa vontade; exigirá também uma sábia direção do Novo Grupo de Servidores do Mundo e absorverá a atenção das pessoas inteligentes e de mentes compreensivas de cada nação.

O passo preliminar para os homens e mulheres de boa vontade é decidir-se, de uma vez por todas, de que lado das duas forças combatentes vão se alinhar, mental e espiritualmente, mesmo que seu país não lhes imponha uma escolha física. Neste momento, escrevo para aqueles que estão tomando posição ao lado das forças construtivas, que lutam pelos valores democráticos e pela liberdade dos povos. Lembraria que entre o povo alemão e italiano milhares de pessoas, silenciosamente, optaram pelo lado dos que lutam para derrotar as potências do Eixo. Isto nunca deve ser esquecido, porque tais pessoas são em grande número nos regimes totalitários. As Forças da Luz se encontram em todos os países, mas na atualidade só podem se expressar efetivamente nos países alinhados contra a Alemanha.

Os homens e mulheres de boa vontade, associados ao Novo Grupo de Servidores do Mundo, deveriam procurar compreender inteligentemente o problema atual e estudar a situação mundial de todos os ângulos possíveis. O entendimento inteligente, o amor pelos semelhantes e o sólido bom senso são pré-requisitos para todo o serviço pretendido. Os homens deveriam cultivar estas qualidades, afastando-se de toda emoção sentimental e lidando de maneira realista com as circunstâncias e as condições circundantes. É preciso entender que a tarefa pela frente tomará tempo e os homens e mulheres de boa vontade têm que se preparar para um esforço sustentado, para sofrer oposição e para a profunda letargia e inércia doentia que afligem as massas em todas as nações. Há duas atividades imediatas a empreender:

1. Descobrir as pessoas que, em todos os países, são capazes de reagir à visão de um modelo para o mundo bem diferente e que sejam homens e mulheres de boa vontade.

2. Fazer com que essas pessoas apresentem as futuras possibilidades às massas de todas as nações.
Lembraria a vocês que os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo e os homens e mulheres de boa vontade devem ser encontrados em todos os setores da vida. Estarão entre os adeptos de todas as ideologias atuais, nos círculos políticos e científicos, entre os educadores e os filantropos do mundo, entre os trabalhadores criativos, os industriais, nos lares comuns e entre os trabalhadores.

O Novo Grupo de Servidores do Mundo

O Novo Grupo de Servidores do Mundo não é uma organização nova que está se formando no mundo. É simplesmente um elo soberano entre todos os homens com objetivos construtivos de paz e de boa vontade, que enfatizam a necessidade primordial de estabelecer corretas relações humanas para que qualquer paz duradoura seja possível. Este grupo não interferirá absolutamente nos compromissos e lealdades de nenhuma pessoa. É um ponto de encontro de todos que procuram expressar o espírito do Cristo e não comportam nenhum espírito de ódio e vingança. Este grupo propõe ao mundo que abandone todos os antagonismos e antipatias, todos os ódios e diferenças raciais, e que procurem viver em termos de uma só família, uma só vida e uma só humanidade.

O Novo Grupo de Servidores do Mundo crê que, através da boa vontade, a futura governança possa ser firmemente estabelecida na Terra. Hoje, no período intermediário da guerra, a preparação para a reconstrução pode ser conduzida simultaneamente com o esforço de derrotar as potências totalitárias.

Não é da nota do sacrifício que os homens e mulheres de boa vontade devem extrair energia para suas atividades. A guerra já lhes exigiu demais. É a nota sonante da alegria pela atividade da boa vontade que deve ser emitida. Que a beleza do que é possível, a irradiação da visão e a reconstrução física, científica e espiritual da humanidade se mantenham diante de seus olhos, inspirando-os para um renovado esforço.

Pelo trabalho que os homens de visão e de boa vontade já realizaram em todo o mundo, muitos milhares de pessoas na Europa, América e outras partes esperam hoje ser guiadas para iniciar a atividade correta. Em todos os países há homens e mulheres de boa vontade prontos para responder a um apelo claro e a uma organização inteligente a serviço da reconstrução. Que sejam encontrados!

A mensagem a ensinar antes de qualquer paz futura consiste em três claras e práticas verdades:

1. Os erros e equívocos dos séculos passados, que culminaram na atual guerra mundial, são os erros e equívocos da humanidade como um todo. Reconhecer isto levará ao estabelecimento do princípio de partilha, tão necessário hoje no mundo.

2. Que não há problemas nem condições que não possam ser resolvidos pela vontade-para-o-bem. A boa vontade nutre o espírito de compreensão e fomenta a manifestação do princípio de cooperação. Este espírito é o segredo de todas as corretas relações humanas e o inimigo da rivalidade.

3. Que há uma relação de sangue entre os homens e, quando reconhecida, derruba todas as barreiras e põe fim ao espírito de separatividade e ódio. Portanto, a paz e a felicidade de cada um é consideração de todos e isto desenvolve o princípio de responsabilidade e assenta as bases para uma ação coletiva correta.

São essas as crenças básicas dos homens e mulheres de boa vontade, e elas oferecem o incentivo para todo serviço e ação. Estas três verdades científicas e práticas contêm os três fatos básicos e a aceitação inicial de todos os servidores do mundo. Não são contrárias a nenhuma posição mundial, não são subversivas em relação a nenhum governo ou atitude religiosa e são inatas na consciência de todos os homens, evocando uma resposta imediata. Aceitar essas verdades "curará” as feridas internacionais.

Convoco todos os homens e mulheres de boa vontade do mundo a estudarem os princípios do novo modelo para o mundo. Convoco-os, à medida que lutam por justiça, pelos direitos das pequenas nações e pelo futuro das crianças de todas as nações, a começarem a educar aqueles com quem têm contato, nas corretas atitudes e na visão previdente que farão com que os erros do passado sejam impossíveis no futuro.

Um dos atributos divinos fundamentais ainda não está tão forte como deveria na humanidade: o atributo do perdão. Ele ainda é associado à magnanimidade. Não é considerado essencialmente como uma condição da futura relação entre todas as nações, baseada no reconhecimento da nossa humanidade comum. A Alemanha, sob seus governantes malignos e desencaminhados, precisa de perdão. Todas as grandes potências pecaram também em algum grau, e todas se equivocaram seriamente no passado. A Alemanha precipitou o mal que afligiu o mundo, mas ela contém em si mesma a semente de seu próprio castigo, semente que não frutificará se lhe for aplicado um excessivo castigo do exterior.

Reconhecer três pontos salvará o mundo, quando cessar o fogo dos canhões:

1. Reconhecer a responsabilidade conjunta pelas condições mundiais do passado. A verdade de que "todos nós pecamos” deve ser enfrentada.

2. Reconhecer que embora o povo alemão tenha tido a fraqueza de aceitar o domínio de Hitler, também foi basicamente vítima de uma indução em erro organizada. Desde 1914 só lhe disseram mentiras. A futura organização do mundo inaugurará uma era de verídica disseminação de ideias verdadeiras, de informações nacionais e internacionais.

3. Reconhecer que o passado, com todos os seus males, ficou para trás e um futuro de possibilidades ilimitadas se oferece para nós para mudanças favoráveis e construtivas. O futuro deve ser desenvolvido por todas as nações, na mais estreita colaboração.

Estes três pontos devem ser constantemente apresentados ao público, na linguagem mais simples, porque é a massa inerte das pessoas que não pensam que constituirá o principal problema. Será necessário apelar ao melhor que há nelas, pois a tarefa imediata à frente será o desenvolvimento de atitudes corretas, sem as quais nenhuma paz poderá durar, nenhuma justiça será possível. A paz não deve ser imposta pelos que detestam a guerra. A paz deve ser resultado natural e expressão do espírito humano, e uma determinação de transformar a atitude do mundo em corretas relações humanas.

Não é um sonho idealista e impossível, mas uma possibilidade imediata, dado o espírito de perdão e de boa vontade. Será necessário ter paciência, pois a tensão nervosa da guerra, a dor, a angústia, o medo e a desnutrição têm que ser levados em conta. Os seres humanos serão os mesmos que eram antes da guerra, só que estarão esgotados e a maioria estará disposta a aceitar quaisquer condições, desde que possa voltar a viver com tranquilidade, livre do medo das bombas, da fome e da ruína. A grande inevitabilidade será agir lentamente, deixando tempo para os necessários processos de cura e de reajustes, antes que se estabeleçam as condições definitivas da paz pelo conselho de nações. As nações terão que passar de um regime de guerra para as atividades reguladas de paz, e das tensões organizadas da guerra ao relativo relaxamento da paz. A primeira medida será avançar com o desarmamento, mas de maneira a não agravar indevidamente o problema do desemprego. A transformação dos "canhões em arados” deve ser feita racionalmente, e só uma ampla planificação internacional pode se encarregar deste extraordinário processo. Será muito difícil estabelecer as fronteiras nacionais e as esferas de influência, o que só poderá ser determinado de maneira satisfatória se a boa vontade estiver ativamente presente, se for usada conscientemente, e se os desejos dos povos envolvidos forem consultados com espírito imparcial. É sempre perigoso enfatizar as fronteiras históricas como fator determinante. Será preciso haver uma ação sábia e lenta, levando em conta os desejos da população. O desejável não é o restabelecimento das antigas fronteiras, mas o restabelecimento das esferas de influência nacionais e raciais, de acordo com a situação presente.

O que importa não é impor nem remover no mundo de qualquer ideologia específica, mas sim estabelecer condições mundiais que proporcionem a todas as nações alimento suficiente, tudo que é necessário à vida e a oportunidade de se expressar e dar sua contribuição especial ao bem-estar de toda a família de nações.

Os detalhes práticos deverão ser desenvolvidos por todos os povos na mais estreita colaboração. Homens de visão, e não apenas políticos; servidores do mundo, e não apenas chefes militares; pessoas humanitárias, e não apenas governantes das nações, devem determinar essas questões de tremenda importância. Assim fazendo, deverão contar com o apoio dos homens e mulheres de boa vontade de todos os países.

Resumindo: o intervalo entre o momento atual e o ajuste final se divide em dois períodos principais, e pode-se definir com toda clareza o trabalho prático em cada um deles:

1. O intervalo entre o momento atual e a cessação da guerra deve ser usado para:

a. Educar e estabilizar todos os homens e mulheres de boa vontade.

b. Descobrir os trabalhadores, as pessoas humanitárias e os homens e mulheres de compreensão e visão que respondam aos princípios expostos aqui.

c. Preparar estes homens e mulheres para trabalhar em uníssono pela justiça e pelas corretas relações humanas em todos os países, ao término da guerra.

2. O intervalo entre o final da luta física e os arranjos para a paz final. É de se esperar - por uma questão de justiça - que este intervalo cubra vários anos de reabilitação e educação. Durante estes intervalos entre a metodologia do passado e a nova, os homens e mulheres de boa vontade podem ajudar ativamente os estadistas de todas as nações, cooperando inteligentemente a fim de centrar, segundo um planejamento, a opinião pública iluminada, definir e ensinar o verdadeiro significado das corretas relações humanas.

O que nos diz respeito no momento é o primeiro intervalo.

É desejável entrar imediatamente em contato com as pessoas cujos nomes já conhecem, colocá-los ao trabalho e deixar que - por sua vez - descubram outras pessoas e guiá-las nos processos de reconstrução. Que reúnam estes nomes e endereços em uma lista central e nacional, e a conservem em Nova York e em Londres, porque a tarefa dos povos de língua inglesa é reconstruir o mundo com a ajuda das outras nações. Portanto, deve haver certa medida de centralização do trabalho para chegar de alguma forma a estas pessoas e levá-las à atividade de cooperação.

Com boa vontade para todos, com uma firme crença nas possibilidades divinas dos seres humanos e na futura ressurreição da humanidade, com um excelso reconhecimento de Deus e dos valores fundamentais dos ensinamentos do Cristo, com uma jubilosa determinação de levar adiante o trabalho de reconstrução, convoco a todos os que respondem a esta visão para que se ponham imediatamente ao trabalho.

Não lhes peço que prestem lealdade a determinada organização, mas somente que amem seus semelhantes, sejam alemães, americanos, judeus, britânicos, franceses, negros ou asiáticos. Peço-lhes que abandonem seus sonhos de vaga beleza, suas utopias impossíveis e suas crenças destituídas de lógica e enfrentem a vida tal como é hoje e, depois, que comecem por melhorar a vida no lugar onde se encontram. Peço-lhes que vivenciem as corretas relações humanas, começando com suas próprias relações pessoais, com seus familiares e amigos, e depois se dediquem à tarefa de educar aqueles com que entram em contato, para que também eles iniciem um trabalho similar. É o trabalho de conquistar corretas relações individuais, corretas relações grupais, corretas relações intergrupais, corretas relações nacionais e internacionais. Peço-lhes que compreendam que, neste trabalho, ninguém é dispensável ou inútil, todos têm um papel de valor prático. Exorto-os a que reconheçam que a boa vontade é uma energia dinâmica que pode trazer mudanças fundamentais no mundo, e que sua expressão passa pela atividade individual do homem e da mulher e por sua intenção concentrada. O poder da boa vontade da massa, o efeito dinâmico da compreensão inteligente e ativa e a potência de uma opinião pública instruída e desperta, que deseja o maior bem para o maior número, são verdadeiramente extraordinários. Esta potência dinâmica nunca foi usada. Hoje pode salvar o mundo.

Voltar ao início


A CRISE DO MUNDO DO PONTO DE VISTA HIERÁRQUICO

abril-maio de 1940

Quando receberem esta comunicação, outro Festival de Wesak estará próximo. Sua urgência, iminência e finalidade me levam outra vez a procurar despertar aqueles de vocês que a recebem para a presente oportunidade e para a urgência espiritual deste momento culminante dos assuntos humanos. Os três períodos de Lua Cheia de abril, maio e junho são muito significativos e determinantes, e muito dependerá do que vai acontecer durante as próximas semanas, enquanto o sol segue seu curso para o norte.

Com este comunicado pretendo fazer duas coisas: primeiro, dar a vocês uma ideia melhor da maneira como a Hierarquia espiritual do nosso planeta está considerando a atual crise mundial e, segundo, indicar certas eventualidades importantes que dependem de três coisas:

1. Uma possível intervenção divina que poderá ocorrer pela aspiração de todas as pessoas que pensam corretamente, além do uso constante e inteligente da Grande Invocação, agora empregada por dezenas de milhares de aspirantes em todos os países.

2. O aparecimento de certas linhas claras de demarcação entre as atividades das Forças da Luz e as forças da agressão materialista.

3. A função que deve desempenhar o pensamento claro; a palavra sábia e a habilidade na ação na atitude dos discípulos e dos homens e mulheres de boa vontade de todas as partes.

Procurarei falar com a brevidade e a clareza cabíveis, e o faço com total isenção do que vocês chamam de parcialidade. Falo em termos de humanidade - sem distinção de raça, cor ou nação; não tenho nenhum ponto de vista político específico, porque sei que todas as teorias, ideologias e governos são estados e condições temporários, que controlam diferentes grupos de seres humanos em seu caminho do estado humano para o divino. Este ponto de vista em geral é passado por alto por muitos de vocês que - temporária e, muitas vezes, fanaticamente - pertencem a um ou outro destes efêmeros estados de mente e passageiras atitudes humanas. Não tenho preferência religiosa particular, sabendo, como sei, que todos os caminhos levam a Deus e que o senso de divindade é tão dominante e inerente no coração humano que nada em nenhum momento pode extirpá-lo; vida, experiência, tribulações, dor e orientação humana instintiva conduzem todos os homens finalmente de volta à luz de Deus. Portanto, posso amar, e amo, a todos os homens, sem distinção de nacionalidade e das ideias que possam ter, como também fazem todos aqueles com os quais estou associado. Contemplando a tela do tempo em movimento com uma visão que chega ao futuro e inclui o passado (pois é prerrogativa de todos os discípulos treinados do mundo), sei que os acontecimentos atuais desempenharão seu papel na hora certa, darão lugar a outros no momento adequado e que - quando os processos imediatos de reajuste dos valores humanos, objetivos espirituais e programas políticos, orientações religiosas e síntese territoriais estiverem feitos - o mundo se acomodará novamente nos processos da vida diária. A oportunidade imediata e a situação em que nos encontramos terão demonstrado ser dinamicamente úteis ou (e essa é a penosa possibilidade) negativamente infrutíferas. Um novo ciclo de civilização, cultura e crescimento terá sido inaugurado, matizado pelos antigos tons do desejo egoísta e da cobiça agressiva ou pela cor mais nova e mais bela das felizes e satisfatórias relações internacionais, do entendimento religioso e da tão necessária e pedida cooperação econômica. Eis a dupla possibilidade diante de nós nesses dias. Uma - nova, correta e de orientação espiritual; a outra, antiga, perversa e indesejável. Resta ainda determinar se o homem vai avançar para o modo de vida melhor ou se permitirá a perpetuação dos antigos costumes e o domínio dos egoístas interesses pessoais, nacionais e raciais.

Duas coisas são óbvias ao consideramos a atual situação mundial; primeiro, as linhas de demarcação entre os dois modos de viver e as duas atitudes objetivas estão muito mais claramente definidas do que em qualquer outro momento anterior da história da humanidade; segundo, o pensamento confuso de um grande número de pessoas bem- intencionadas (muitas delas não imediatamente envolvidas no conflito mundial) é largamente responsável pela lentidão da crise final e pelo adiamento da decisão de progresso.

Por décadas, nós, os instrutores da raça dos homens, observamos que certas grandes tendências mundiais (ou planetárias) tomam forma, assumem contornos definidos e pronunciados e se tornam forças condicionantes. Esta tomada de forma e definição eram essenciais para que a questão fosse apresentada com clareza à humanidade, dessa maneira permitindo que uma escolha básica fosse apresentada aos filhos dos homens e pondo em suas mãos certas determinações que, se corretamente direcionadas, poderiam forjar para eles um futuro novo e melhor. Uma apresentação desse tipo nunca tinha sido possível, porque a humanidade não tinha alcançado a etapa em que pudesse captar a situação inteligentemente, e também nunca havia estado tão estreita e rapidamente inter- relacionada pelo rádio, o telefone, a imprensa e o telégrafo. As escolhas necessárias podem agora ser feitas com base na cooperação, em consultas e com os olhos abertos. A escolha está claramente diante das pessoas reflexivas de todos os países e, da decisão que tomarem, depende o destino das massas menos inteligentes. Daí a responsabilidade atual dos chefes das nações, dos representantes do povo nos governos, das igrejas e dos intelectuais de todas as terras, sem exceção. Não se deve desviar nem fugir da responsabilidade, o que, porém, acontece muito.

Em comunicações passadas falei com frequência das Forças da Luz e das forças do materialismo, designando com estes termos as tendências dominantes em relação à fraternidade, às corretas relações humanas e ao propósito altruísta, e aquelas que invertem estas tendências superiores e introduzem nos assuntos humanos a aquisição egoísta, a ênfase nos interesses materiais, a agressão e a crueldade. As duas posições são claras para o observador imparcial.

A estes dois grupos agregaria um terceiro, o qual está tomando forma muito definida no mundo atual, composto por aqueles que não exercem toda sua influência e atividades nem de um lado nem de outro; na teoria podem advogar pela via superior; mas não fazem praticamente nada para defender seus interesses. Este terceiro grupo é formado internamente por dois subgrupos: primeiro, as pessoas que são potencialmente fracas e, portanto, estão dominadas pelo medo e pelo terror, e sentem que de nenhuma maneira podem agir contra a força da agressão; segundo, um grupo intrinsecamente poderoso que, por interesses materiais egoístas, além de um sentimento de superioridade separatista, e por estar distante do palco das dificuldades e da dominação dos falsos valores, não se envolve na situação, esquivando-se de sua evidente responsabilidade como membros da família humana. Este último grupo inclui, entre outros, certo número de democracias e repúblicas poderosas. Um grupo é regido pelas reações do medo, do terror e o senso de impotência; quem poderá criticá-lo? O outro é controlado pelo egoísmo e pela separatividade.

Temos, portanto, neste momento no mundo três grupos de indivíduos que encarnam os três pontos de vista principais de toda a humanidade, mais as massas irreflexivas, persuadidas pela propaganda, controladas por seus governos, sendo presas dos que gritam mais. Seria de grande valor ter a imagem destes três grupos bem clara em suas mentes; gostaria de defini-los novamente.

1. As antigas e entrincheiradas forças da agressão, da aquisição material e do puro egoísmo, atuando com uma pronunciada crueldade que se exterioriza e se apossa de tudo que deseja, sem respeitar nenhum direito, posse histórica e legal nem vontade alguma.

2. As forças do propósito espiritual, incluídas na vontade de proteger os direitos dos demais, conjuntamente com os direitos individuais, para pôr fim à agressão e seu consequente medo, e para lançar o peso de sua combinada influência a favor dos valores espirituais, da liberdade humana, do direito de pensar e da bondade. Emprego a palavra bondade intencionalmente, porque encerra a ideia de parentesco, de fraternidade e de corretas relações humanas. A vontade-para-o-bem é a base para toda paz possível - uma boa vontade que rejeitaria uma paz prematura neste momento, porque daria tempo para as forças do materialismo consolidarem suas conquistas e prepararem a via para uma nova agressão. A benevolência amorosa, a vontade-para-o-bem e a paz deveriam ser a expressão prática e a intenção formulada daqueles que estão condicionados pelas Forças da Luz.

3. A força negativa das massas, que se expressa hoje pelos povos subjugados que se encontram nos redutos da agressão e pelas pessoas de mentalidade neutra de todas as partes. São todas matizadas pelo medo racial, pelo instinto de autopreservação e pelo interesse egoísta e estreito.

O problema é excessivamente difícil, porque, apesar das linhas de demarcação se definirem cada vez mais, os expoentes destes três grupos residem em todos os países e povos, em cada igreja e em cada lar. Nenhuma nação ou grupo está isento desta triplicidade. Está enraizada nas atitudes humanas, e por isso este conflito é estritamente humano e não uma guerra europeia. Toda nação tem suas pessoas egoístas e agressivas que creem que a força é justa e que os homens devem ser governados pela lei da selva, apossando-se do que querem, sem se importar com o que custa aos outros. Em cada nação, dentro de suas fronteiras, há aqueles que têm uma visão das corretas relações humanas, procuram viver de acordo com a lei da fraternidade, respondem à influência das Forças da Luz e da Hierarquia espiritual, e desejam que a paz, a bondade e a boa vontade dirijam os assuntos do mundo e controlem a política dos governos. Cada nação tem também dentro de si mesma as pessoas com tendência à neutralidade, que não conseguem pensar com clareza e procuram culpar os outros, exceto a elas mesmas, que teorizam e especulam, aconselham e atribuem responsabilidades, mas se abstêm de participar ativamente do processo de reajuste por razões de orgulho ou falta de disposição para pagar o preço. Muitas delas são opositoras da consciência de grupo, que um dia se beneficiarão com a vitória das Forças da Luz, mas que se recusam a participar da luta, reservando-se para os futuros acertos de paz, desejando que o conflito acabe, mas sem fazer nada neste sentido. Muitas são totalmente sinceras, mas seu modo de pensar precisa ser revisado.

Se entenderem corretamente a realidade das afirmações acima, farão sua parte no esclarecimento mental que está ocorrendo no mundo. Estes três grupos estão atuando agora e estão em conflito. O grupo de mentalidade neutra está entravando nitidamente o trabalho das Forças da Luz. Estas três atitudes mundiais existem em todas as nações e também na consciência de cada indivíduo. Entender isto lhes permitirá captar e assumir melhor a responsabilidade individual. Perceberão a necessidade de verificar por si mesmos a sua posição, e não se deixarão condicionar pelos pontos de vista de outras pessoas e pela propaganda mundial; deverão saber qual é a posição da sua nação e a de vocês, como almas. Então, se forem sinceros e pensarem com clareza, poderão trabalhar para o grupo que, para vocês, encarna a atividade e as metas mais elevadas possíveis, e abandonarão a atitude negativa e impotente de neutralidade satisfatória ou de confusão desorientada, que talvez os caracterize. Assim sairão da miragem produzida pela propaganda e da ilusão mundial, e penetrarão na clara luz de sua própria alma, cuja natureza essencial é amor e altruísmo, cuja maior aspiração é trazer paz e boa vontade entre os homens e ver a culminação da missão do Cristo.

Isto causará oportunamente o desaparecimento da pretensa neutralidade na Terra - neutralidade na ação, pois jamais existe neutralidade no pensamento.

Um dos objetivos dos guias espirituais da humanidade é atrair com toda clareza a atenção dos homens para a dualidade básica que existe no mundo atualmente - a dualidade do modo de vida egoísta material e do modo de vida dos objetivos espirituais altruístas. Isto está agora muito definido. A segunda etapa de sua tarefa consistirá agora em estimular a visão dos homens de todas as partes de tal maneira que - a começar pelos intelectuais - eles possam, conscientemente, se posicionar a favor de uma ou outra das duas bandeiras, e assim saibam o que estão fazendo e por quê. Os neutros vacilam entre as duas, e até agora nada fizeram.

Neste contexto, gostaria de tratar de um problema que, de certa forma, perturbou o pensamento menos claro entre aqueles que receberam meus ensinamentos durante algum tempo. Durante anos procurei desenvolver no mundo um grupo de homens e mulheres que defenderiam os valores espirituais, que amariam toda a humanidade, que fomentariam o espírito de boa vontade e que seriam para a humanidade (na medida do possível), o que a Hierarquia da Luz, o Cristo e seus discípulos procuram ser. Alguns de vocês interpretaram isto como se significasse que deveriam se abster de se insurgir contra o mal existente no entorno, a crítica e a adesão a um partido. Vocês parecem incapazes de amar o transgressor, ao mesmo tempo em que livram o mundo do crime. Esta situação poderia se esclarecer se respondessem, para si mesmos, algumas perguntas:

Creem que a Hierarquia da Luz, sob a direção do Cristo, esteja a favor da crueldade, da agressão e do massacre de seres indefesos?

Creem que o mundo pode ser salvo pela recusa de pensar, esquivando-se da responsabilidade individual, ignorando assim uma situação que existe?

Creem que não há questões nem princípios pelos quais valha a pena lutar e morrer, se necessário?

Estão do lado das Forças da Luz ou das forças do materialismo?

O que estão fazendo para ajudar o lado que pede sua dedicação, lealdade ou idealismo?

Estão dominados por um sentimento de impotência individual, essa arma que as forças do materialismo empregam hoje tão poderosamente para aturdir os possíveis opositores e deixá-los inoperantes?

Uma análise clara e profunda dos objetivos espirituais da humanidade lhes permitirá responder a estas perguntas. Se não precisam respondê-las, porque a sua posição está clara na sua mente, o estudo dessas questões lhes permitirá servir à sua época e geração com maior eficácia, e apresentar a situação com mais clareza aos que estão desorientados.

O horror à guerra e o profundo desejo pela paz não desculpam um pensamento negligente e não proporcionam um álibi ou a oportunidade de se furtar da responsabilidade individual ou nacional. O conflito está em marcha há tempos, é de origem antiga. A questão está claramente marcada entre o bem e o mal, a bondade e a crueldade, a liberdade e a agressão. Fugir às responsabilidades, sob o pretexto de erros nacionais cometidos no passado e de pecados e fracassos históricos é um álibi injustificável; evadir-se da necessária participação na luta porque todas as nações têm objetivos materialistas é um erro; uma nação é o somatório de seus membros. Recusar-se a pensar devido à fadiga generalizada, que todos sentem, não é desculpa e é indigno dos discípulos e aspirantes.

A Hierarquia da Luz está procurando despertar os homens para que compreendam o dualismo básico que subjaz neste conflito, e a significação essencial dos assuntos que estão diante da humanidade. Daí minha insistência sobre a necessidade de encarar o problema de frente, de pensar de maneira clara e inteligente sobre o que ocorre à nossa volta, e de agir com acerto e cooperação. Todo o problema mundial será esclarecido e o fim do conflito será alcançado com maior rapidez quando houver apenas dois partidos e não três. O reconhecimento desse dualismo subjacente é necessário antes que a consciência da humanidade possa passar de suas preocupações maiores - desejo material de aquisição, atendido pela agressão - à consciência da alma, com suas correlações, seus interesses de grupo, a satisfação das necessidades grupais e a atuação de uma sólida colaboração de grupo em escala mundial. Isto é válido para indivíduos, nações e raças; quando, como indivíduos, resolverem os seus próprios problemas da vida diária, ajudarão a resolver o problema mundial.

É esta a situação tal como a Hierarquia a vê hoje, e com a qual desafia todos os homens e mulheres de boa vontade. A Hierarquia pede que participem do conflito de alguma maneira e lembra a vocês o significado oculto das palavras do Cristo, tão mal interpretadas: "Aquele que não está comigo, está contra mim”.

Concluindo estas observações sobre o pensamento claro, gostaria de acrescentar duas mais. Há uma certa confusão proveniente do idealismo fundamental que subjaz nas atividades de muitas pessoas em muitos países. É a importância do ideal um tanto novo do bem do Estado como um todo versus o bem do indivíduo e o bem da humanidade. O estado se torna quase uma entidade divina na consciência do idealista. Isto faz parte necessariamente do plano evolutivo, mas até onde constitui um problema, é grande demais para ser resolvido pelo indivíduo sozinho e sem ajuda. No entanto, de uma verdade fundamental posso lhes assegurar. Quando os homens de todas as partes - no interior do seu próprio país e sustentando sua autoridade e civilização - começarem a pensar em termos de humanidade, a opinião pública se tornará tão potente e tão correta em sua inclusividade que as políticas dos países inevitavelmente terão que se adequar ao ideal mais elevado e o sacrifício do individual e da humanidade, em grandes números para o estado não será mais possível. A parte será vista em sua correta relação com o todo maior. É este despertar da opinião pública para os direitos mundiais, para os interesses humanos inclusivos e para a cooperação internacional que é a verdadeira meta de todo o esforço espiritual presente. A certa altura virá o entendimento de que a responsabilidade pelo que os governos fazem inequivocamente recai sobre os ombros dos cidadãos individuais, que colocam os governos no poder. Desta responsabilidade nenhum cidadão, de nenhuma nação é nem deveria ser isento e para isso todo o pensamento nacional de tipo correto felizmente está despertando.

O segundo ponto que gostaria de agregar sucintamente é que, com a precipitação da presente situação mundial, os cidadãos de todas as nações se encontram envolvidos em uma situação da qual não há escapatória possível, exceto por meio da correta ação e da ampla visão; eles devem adaptar suas vidas temporalmente a esta situação mundial e moldar suas atividades de acordo com as necessidades de sua própria nação particular. Para os que são arrastados ao conflito mundial sob uma das bandeiras nitidamente definidas, sua ação imediata é clara - participação na urgência nacional. Isto, porém, é totalmente compatível com um processo subjetivo de pensamento correto e claro que deve existir em paralelo à atividade externa exigida, e estabelecerá as bases para uma ação cada vez mais correta, à medida que o tempo passar, o que implicará também uma correta ação por parte dos que lutam pelas Forças da Luz e levará a uma paz correta e justa; implicará também a correta ação dos que foram impelidos pelas forças do materialismo à atividade desacertada, o que levará afinal a uma rebelião contra o errado e maligno - porque os corações dos homens e as fontes da vida divina não podem ser permanentemente dirigidos para canais errados. A responsabilidade das decisões mundiais imediatas e das gigantescas empresas nacionais atuais não está mais nas mãos ou sob o controle dos indivíduos; entretanto, a responsabilidade sobre o futuro continua em suas mãos. Esta tomada de responsabilidade, porém, deve preceder um intervalo de pensamento claro e de correta ação por parte do cidadão.

O problema dos que vivem nos países neutros é diferente, e já indiquei as linhas pelas quais deve ser resolvido.

No que diz respeito aos discípulos e aspirantes (entre os quais vocês se encontram), todo o problema pode ser considerado em linhas ainda mais amplas e abrangentes. As circunstâncias, o carma e a livre decisão de suas almas os obrigam a trabalhar sob uma das duas bandeiras ou em algum dos países neutros e negativos. Seu problema, nos três casos, é ver com clareza o enfoque espiritual desta crise mundial, lançar o peso de qualquer influência que possam exercer (objetiva ou subjetiva, espiritual, emocional ou mental) do lado das Forças da Luz. Assim fazendo, devem manter uma atitude compreensiva e um amor imperturbável (não uma reação sentimental ou emocional) pelos homens e mulheres de todas as partes, sem exceção ou reserva em suas consciências. Às vezes é preciso empreender ações que ferem ou prejudicam o aspecto forma da vida, isto é, as formas físicas, o que é compatível com a preservação constante do amor da alma, algo que é difícil para o discípulo aprender e dominar, mas que, no entanto, é um princípio que rege na evolução. A crise mundial e a guerra atual, esperemos, farão os homens compreenderem que o aspecto forma da manifestação, com seu egoísmo agressivo, sua crueldade acentuada e suas tendências separatistas encerram em si, inevitavelmente, as sementes de sua própria eliminação e os inevitáveis resultados de dor, sofrimento, guerra, doença e morte. Portanto, esta situação foi criada pelo próprio homem, é resultado de sua natureza material e da falta de controle da alma. Porém, a alma é eterna, e sua natureza é amor inclusivo. O objetivo da crise atual é passar o foco da percepção humana da forma e do aspecto material da vida para a consciência da alma, sem levar em conta o preço que deverão pagar as formas que lhe põem obstáculo. É contra esta transferência de prioridades que as forças do materialismo lutam hoje.

Por esta razão, a humanidade é arrastada para um turbilhão de conflitos, e a questão depende do pensamento claro, do discurso sábio e da intenção altruísta dos discípulos mundiais que trabalham em colaboração com todas as forças do bem no mundo atual, cumprindo seu dever como cidadãos de seu próprio país, mas cultivando de maneira incessante e inflexível a consciência mundial.

Permitam-me agora me estender um pouco mais sobre a possibilidade de uma intervenção divina.

Pairando hoje na aura do nosso planeta há certas grandes Forças e Entidades espirituais, aguardando a oportunidade de participar ativamente no trabalho de redenção, reajuste e reconstrução do mundo, cuja Presença é percebida às vezes pelas pessoas de orientação espiritual, e cuja realidade é reconhecida pelos místicos e ocultistas que atuam em todas as nações. Os homens e mulheres expressam este reconhecimento de acordo com a tendência de sua formação religiosa e psicológica, e sua inclinação mental ou emocional particular. O advento do Cristo, sua "segunda vinda”, é aguardada com anseio por muitos cristãos ortodoxos que consideram esta guerra mundial como indicadora do fim do mundo e como preparatória para o reaparecimento do Cristo, a fim de trazer paz à Terra. Outros, de tendência mais oriental, esperam o aparecimento de um Avatar, que transmitirá de Deus a necessária mensagem ao mundo ou um novo tipo de energia. A profecia e a astrologia indicam um Ser Que Vem, e suas inúmeras e diferentes opiniões parecem convergir sobre Ele. Os ocultistas invocam em toda parte as Forças da Luz e clamam pelo aparecimento de uma Potência extraplanetária de título "Espírito da Paz”. Quem não tem nenhuma inclinação religiosa ou metafísica reconhece que sempre, todos os períodos críticos parecem produzir algum Libertador, algum homem ou grupo de homens capazes de interferir nos assuntos mundiais e instaurar - sob a pressão e a tensão do momento - o necessário, novo e revigorado ciclo de civilização e cultura. Muitos se abstêm hoje de especificar os requisitos atuais de Aquele Que Vem, devido à magnitude e a natureza planetária de Sua tarefa, mas esperam em segredo e oram por seu aparecimento. Outros consideram tal ideia e esperança simplesmente como uma satisfação psicológica e a encarnação da esperança vital dos homens - desta vez da humanidade como um todo, pela primeira vez na história racial. Essas pessoas tendem a crer que esta encarnação não tem real substância ou lugar na vida da humanidade, mas gostariam que assim fosse. Esquecem-se de que quando uma forma-pensamento de potência suficiente foi construída, durante um longo período, pela população do mundo inteiro, um estágio mais avançado sempre se torna possível. Esta forma pode se tornar tão magnética que seja capaz de atrair uma Energia que a anime e lhe dê um poder ativo; pode então se tornar um elo vital entre o mundo subjetivo de energia e o mundo objetivo de forças, constituindo um fator de poder, de atividade impulsionadora e direcionadora, portanto, a expressão de uma Vida. Esta forma-pensamento devidamente animada se torna um fator de mediação, construído pela humanidade, mas animada pela vontade-para-o-bem de alguma grande Entidade espiritual. Também é verdade que se pode construir formas-pensamento que personificam vidas malignas, e são construídas, mas delas não nos ocuparemos agora.

Chegamos ao ponto significativo do que tenho a dizer hoje a esse respeito.

Uma grande e vital forma-pensamento está em processo de construção sobre nosso planeta e na aura planetária. Está sendo construída pelo poder do som, pela atração magnética da invocação, que oportunamente leva a uma evocação e pela força da substância de desejo, animada pelo poder do pensamento. Está sendo construída pelo esforço conjunto da Hierarquia, dos discípulos e aspirantes do mundo, dos homens e mulheres de boa vontade de todas as nações e também pelos incipientes anseios dos homens de todas as partes, de todas as crenças religiosas, pontos de vista políticos e lealdades grupais. Está solidamente ancorada no plano físico, é de vastas proporções no plano astral ou emocional, mas carece de vitalidade e potência no plano mental. É ali, no campo da substância-pensamento que se evidencia a fragilidade da estrutura desta forma-pensamento. Já é muito potente espiritualmente, devido ao trabalho científico da Hierarquia oculta e Seus auxiliares treinados. Esta vida espiritual liga a forma-pensamento com as Forças extraplanetárias que estão à espera e podem fazer com que Seu trabalho seja possível e eficaz. Física e emocionalmente é poderosa, devido ao trabalho daqueles que amam a humanidade, aos esforços bem-intencionados das pessoas de orientação emocional, e aos angustiosos anseios das massas que repudiam a guerra, desejam a tranquilidade, e pedem paz e boas condições de vida.

Existe, porém, uma lacuna ou hiato no plano mental, pois as mentes dos homens não funcionam corretamente. Os discípulos e aspirantes do mundo não pensam com clareza nem trabalham em uníssono. Esquivam-se dos problemas ou pensam de forma separatista, nacional ou fanática. Não estão convencidos do poder da invocação ou da oração; não se dão conta de que é possível trabalhar ardorosamente pelas condições que levarão à paz e, ainda assim, lutar para que essas condições sejam possíveis. Não conseguem amar todos os homens sem exceção em seu desejo de ver o triunfo de sua própria convicção. Trabalham duvidando e esperando o melhor, mas creem no pior; usam o método da oração e da invocação, porque esses métodos parecem ter tido êxito no passado, e porque lhes foi dito que "a fé move montanhas”. Internamente, porém, se sentem desesperançados e sem inspiração. Não sabem bem o que a fé é intrinsecamente; compreendem que uma frente unida e um espírito de certeza entusiasmado são trunfos psicológicos de potência quase invencível, mas se sentem incapazes de despertar o menor entusiasmo em si mesmos.

Esta atitude negativa e desanimada, esta incerteza mental e este fracasso em vincular os mundos físico e espiritual em uma relação positiva, é o que detém as Forças da Luz e a real presença do Espírito da Paz, o que impede uma possível intervenção divina. É o teste do trabalho de grupo. A fé de muitos indivíduos é real e profunda, mas estão sós; o conhecimento que poucos têm da natureza das Forças de intervenção que esperam está sendo anulado pela falta de fé dos discípulos e aspirantes mundiais, abatidos pelo carma mundial, pelo próprio cansaço físico, pelo horror da situação atual e pelas dificuldades das circunstâncias individuais.

O problema pode ser exposto de maneira bem simples. Ou a Hierarquia espiritual existe, com todas as suas potências de amor, sabedoria e habilidade na ação, ou a humanidade sofreu alucinações durante eras; ou o Cristo e Seu grupo de Mestres, iniciados e discípulos são realidades nos processos naturais da evolução, historicamente comprovados e conhecidos por Sua atividade espiritual através das eras, ou os homens foram vítimas de uma gigantesca fraude durante as eras - emanando de quê, e de onde? Ou a apresentação do esforço espiritual da Hierarquia se fez segundo a evolução e de maneira consistente, testemunhando assim uma grande realidade, ou a humanidade desenvolveu um intelecto que não passa de um instrumento de fabricação de fatos inexistentes; isto em si é tão paradoxal que contradiz a conclusão. Ou os mundos espirituais e os três mundos do esforço humano podem se relacionar, ou não há base alguma para as crenças do passado, para os antigos relatos sobre manifestação da divindade e os períodos de intervenção divina, constantes e recorrentes.

Eu lhes colocaria essas alternativas e pediria que examinassem a própria posição na questão. O relato da Páscoa e do Cristo vivo não comportam verdade alguma? E não seria possível para o Cristo Ressuscitado expressar seu poder na Terra mediante seus instrumentos escolhidos? Não existe fundamento algum para o mito do retorno anual do Buda, mantendo aberta a porta entre Shamballa e a Hierarquia, de modo que, em caso de necessidade, uma possível intervenção possa se realizar por esta porta aberta? Seria só um sonho bobo e uma fantasia que no momento da Lua cheia de junho, o Cristo - em estreita colaboração com o Buda - liga a Hierarquia com a Humanidade? Seria totalmente impossível que quando a humanidade despertar para a realidade desta mediação e puder se beneficiar da linha direta de subida e descida passando pelas portas mantidas abertas pelo Buda e pelo Cristo, algum estupendo aparecimento seja iminente e possa se manifestar de maneira súbita? Não seria possível que, por meio da elevação da aspiração e do desejo espiritual do homem, e pela descida das Potências que esperam, certas grandes mudanças possam se realizar, para as quais o passado foi apenas preparatório, e que a era de compreensão e fraternidade de Aquário possa fazer sentir sua influência em virtude destas grandes Potências?

As duas Luas Cheias de maio e junho oferecem uma nova oportunidade para participar da liberação da Vida planetária do cativeiro das forças do materialismo. Se quiserem desempenhar sua parte nesta tarefa de salvação, deverão adotar certas atitudes e atividades sobre as quais gostaria de falar brevemente, deixando que tomem a ação correta e apropriada e sigam, com os demais discípulos e aspirantes, as etapas indicadas:

1. Estudar com cuidado, e responder com sinceridade, à sua inteira e própria satisfação, as perguntas que lhes formulei acima. Feito isso, saberão qual é a sua posição pessoal.

2. Durante toda a semana que antecede a Lua cheia de maio e de junho, esforçar-se para fazer o seguinte:

a. Vincular-se com todos os discípulos, aspirantes e homens e mulheres de boa vontade de todo o mundo e de todas as nações, empregando a imaginação criadora.

b. Eliminar da consciência toda negatividade, visualizando a si mesmos com toda clareza em alinhamento com as Forças da Luz; portanto, não estão neutros em pensamento. Procurar, ao iniciarem a ação correta no conflito contra as forças do materialismo, manter um espírito de amor para todos os indivíduos que foram arrastados no turbilhão da sua força.

c. Ao meditar e invocar as Forças da Luz, esforçar-se por esquecer totalmente as próprias dificuldades, tragédias e problemas pessoais. Os discípulos devem aprender a realizar seu trabalho para a humanidade apesar das pressões, tensões e limitações da personalidade.

d. Preparar-se para o trabalho das duas Luas Cheias, mantendo seu objetivo na mente com toda clareza e se submetendo a uma disciplina temporária e adequada.

3. Durante os dois dias que antecedem a Lua cheia, no dia da Lua cheia e nos dois dias seguintes (cinco dias), esforçar-se, ao amanhecer, ao meio-dia, às cinco da tarde e ao pôr do sol, como também no momento exato da Lua cheia em seu próprio país, para pronunciar a Grande Invocação com a intenção de invocar, precipitar e ancorar as Potências, que esperam, para a manifestação externa. Fazer isso em voz alta voz e em formação grupal, sempre que possível. O poder concentrado do pensamento não emocional preencherá a lacuna hoje existente e vinculará mais estreitamente o mundo da atividade espiritual e o da manifestação humana.

4. Repetir esta atividade durante três dias a cada mês - no dia anterior à Lua cheia, no dia da Lua cheia e no dia seguinte. Como exercício preliminar para estes três dias, preparar-se nos três dias anteriores, aumentando assim a eficácia do esforço.

Em todo o mundo, muitas pessoas foram instruídas durante anos para reconhecer duas coisas. Primeiro: a importância do Festival de Wesak no momento da Lua Cheia de Maio, porque não só vincula objetivamente a principal religião do Oriente com a principal fé do Ocidente, como porque, esotericamente, fornece a chave que abre a porta entre Shamballa e a Hierarquia, entre o propósito de Deus (ainda não identificado pelo homem, porque, devido à sua etapa de evolução relativamente baixa, este propósito está além da compreensão humana do momento), e o método que Deus emprega, o amor. Proporciona também o vínculo entre o Buda, encarnando temporariamente a vontade-sabedoria, e o Cristo, encarnando o amor-sabedoria, e além disso, entre a humanidade, cuja consciência está enfocada no Cristo e a Hierarquia, cuja consciência está enfocada no Buda. Devido à tensão da humanidade nos dias de hoje, e a urgência da resposta que essa angústia evoca na Hierarquia, a síntese destas duas reações à crise mundial pode se mostrar apta a trazer a ajuda externa que poderia pôr fim ao conflito em linhas corretas e trazer não só alívio, como também iluminação à consciência humana. Mas além disso - falando aqui para um corpo representativo de aspirantes e discípulos - afirmaria que a concentração e a intensidade ainda não são suficientes para garantir uma resposta extraplanetária.

No entanto, poderia ser, caso, na própria vida de meditação e de disciplina, nas palavras dirigidas aos outros e no tom geral das suas relações com o ambiente, conseguirem eliminar as reações negativas e mais egoístas e que, pelo menos temporariamente (para o bem da humanidade) vivam em seu ponto mais elevado de aspiração.

Segundo, vocês foram instruídos na crença de que toda a informação que lhes dei sobre a relação do Buda e do Cristo, e da Hierarquia, a Humanidade e Shamballa, será parte da nova e futura religião mundial e que o tema das Grandes Aproximações constituirá a base fundamental do futuro ensinamento espiritual. Também isto devem ter presente, pois o trabalho que são solicitados a empreender nas duas próximas Luas Cheias e durante as luas cheias menos importantes do ano não apenas está relacionado com a emergência atual, como também está construtivamente relacionado com a futura fé da humanidade. Tenham também isto em mente.

Observarão que o exposto diz respeito às suas atitudes mentais e reações emocionais frente aos assuntos mundiais atuais. Diz respeito também à tensão da sua alma, à sua disposição de se submeter à tensão da alma, e a sua capacidade de permanecer como parte da grande cadeia de intermediários que são hoje chamados a servir à raça nesta hora de urgência. Tem a ver com a organização de vocês mesmos como personalidades integradas, em relação com suas almas e com a humanidade; envolve o reconhecimento do trabalho que podem realizar do ponto de integração. Pediria a vocês que meditassem cuidadosamente sobre este parágrafo, estabelecendo as possibilidades de sua tarefa.

Chamo-os a um período de pensamento claro. Não pretendo moldar sua abordagem política à vida, mas ajudá-los a ver a humanidade e seu bem-estar - não só em termos de sua própria nação ou grupo político - mas em termos do todo, tal como nós, os instrutores do aspecto interno, somos obrigados a ver. Gostaria de vê-los livres da influência da propaganda política, nacional ou religiosa, e decidir por si mesmos, como almas, a posição que devem adotar nesta crise mundial, e de que lado colocarão a influência que possam exercer. Gostaria que observassem para onde os seus ideais mais elevados conduzirão e se as origens de suas decisões e atitudes na vida são verdadeiramente puras e incontaminadas.

Procuro desviar sua atenção das inúmeras questões menores, das muitas vozes vociferantes, e da frequente concentração sobre o passado indigno e os aspectos indesejáveis de todas as nações (sem exceção), e ajudá-los a ver com clareza o principal dualismo subjacente no atual conflito mundial - a força contra o direito, o materialismo contra os valores mais elevados, o aprisionamento contra a liberdade, a crueldade contra o tratamento justo, o medo e a agressão contra a liberdade e a segurança. Uma vez equilibrados estes pares de opostos dentro de sua consciência, decidam onde depositarão sua lealdade, interesse e capacidade de servir, e sigam adiante, sustentando os objetivos de um ou outro grupo, a qualquer preço, mas sabendo qual é a sua posição e porque foi adotada.

Que a vontade de Shamballa possa se expressar mediante o amor e a meditação da Hierarquia, atuando por intermédio de todos os discípulos, aspirantes e homens e mulheres de boa vontade, é a ardente oração do vosso condiscípulo e colaborador.

Início