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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção II - Situação Geral do Mundo - Parte 1
As Causas das Dificuldades do Mundo
A Fonte Oculta dos Tumultos Externos
A Tendência Espiritual do Destino Humano
O Conflito entre as Forças de Origem Antiga

AS CAUSAS DAS DIFICULDADES DO MUNDO

Setembro de 1938

Ao ministrar estas instruções, espero que compreendam com toda a clareza o objetivo que tenho em vista. Os estudantes e os discípulos sinceros devem ter sempre diante de si a ideia do Serviço; no que diz respeito ao nosso tema atual, trata-se do serviço político - na linha do planejamento mundial e do governo mundial. Este ensino levará ao público em geral alguma ideia da tendência do destino humano no que diz respeito às nações e grupos maiores, e deve suscitar a convicção da potência hierárquica e um senso de iluminação. Este objetivo, porém, será atingido muito mais facilmente se as ideias que procuro transmitir forem respaldadas pelo pensamento compreensivo e pela colaboração mental inteligente de um grupo de pessoas que tenham refletido profundamente sobre o tema.

Qual é o nosso tema? Um estudo e uma análise, do ponto de vista esotérico, da organização social da humanidade. Gostaria que captassem algumas das implicações universais que os sinais dos tempos retratam, e que não fiquem totalmente absorvidos pela situação ou dilema imediato; uma percepção e um ponto de vista muito próximos não levam à verdadeira compreensão, pois não indicam o lugar particular que os acontecimentos imediatos ocupam no quadro geral do mundo.

É uma afirmação muito conhecida, uma obviedade, de que a humanidade está passando por uma crise de imensas proporções. As causas desta crise devem ser procuradas em muitos fatores. Elas residem no passado; no aumento, pela evolução, de certas tendências básicas do homem; nos erros passados, nas oportunidades presentes e na potente atividade da Hierarquia de Amor. O futuro é muito promissor, desde que o homem aprenda as lições do presente que lhe foram oferecidas tão estreitamente, devendo aceitá-las e compreender com clareza a natureza de seu problema e da crise, com suas muitas ramificações e diversas implicações.

O efervescente tumulto onde as massas vivem hoje e o aparecimento de uma ou duas pessoas-chave em cada nação têm uma estreita relação. Estas pessoas-chave fazem ouvir suas vozes e chamam a atenção; suas ideias são seguidas, para o bem ou para o mal, com atenção, simpatia ou desconfiança. A formação lenta e cuidadosa do Novo Grupo de Servidores do Mundo indica esta crise. Seus membros estão supervisionando ou introduzindo a nova, sendo testemunhas das dores do nascimento da nova civilização e da chegada à manifestação de uma nova raça, de uma nova cultura e de uma nova perspectiva mundial. O trabalho é necessariamente lento e, para quem está envolvido nos problemas e nos sofrimentos, fica difícil olhar para o futuro com confiança ou interpretar o presente com clareza.

Enumerei algumas das razões da atual inquietude mundial em outro livro , lembrando que algumas das causas residem em um passado tão remoto que a história nada sabe delas. Seria útil que, nesta altura, relessem essas poucas páginas, pois nelas procurei dar umas noções sobre a situação essencial que a humanidade está enfrentando, devido a certos desenvolvimentos evolutivos:

1. O ponto alcançado pela humanidade.

2. O aparecimento de um novo tipo racial.

3. O fim da era de Peixes.

4. A entrada da era de Aquário.

Mal tocamos no quarto ponto e também não o estou aprofundando aqui, por mais fascinante que fosse especular, porque desejo que suas características principais - as de unidade e de síntese - se destaquem com clareza em suas mentes. É a chave de tudo que está acontecendo hoje no mundo da política e dos governos internacionais, e explica a tendência para a síntese, a fusão e a afiliação.

As quatro causas restantes que consideraremos mais adiante relacionam-se como segue:

5. O momento do fim. O juízo dos homens. Este período de julgamento é um intermédio grupal antes do pleno surgimento das influências da nova era.

6. A nivelação de todas as classes e diferenças, para os valores espirituais poderem aparecer e a Hierarquia espiritual se manifestar na Terra.

7. A realidade da Aproximação da Hierarquia para um contato externo com a humanidade. Recomendo que leiam meus escritos anteriores sobre as Grandes Aproximações .

8. O poder e a significação da Grande Invocação do ponto de vista político.

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A FONTE OCULTA DOS TUMULTOS EXTERNOS

Janeiro de 1939

Há outro ângulo sob o qual é possível examinar a situação mundial com interesse, seria procurar a fonte oculta dos tumultos externos. Raramente é o que os homens acham que é, pois a fonte se encontra no reino das energias e forças. Como já expliquei em outro livro, há três grandes correntes de energia que atuam poderosamente no mundo nesta época, e outras duas lutam também por se expressar, constituindo as cinco que, em conjunto, determinarão a tendência dos assuntos mundiais. Repetindo, resumidamente:

1. A primeira força e a mais potente é aquela vertida no mundo a partir de Shamballa, o centro planetário onde a Vontade de Deus é conhecida. Esta energia de Shamballa só se fez sentir diretamente duas vezes em nossa história planetária: a primeira, quando ocorreu a grande crise humana da individualização na antiga Lemúria; a segunda, nos dias atlantes, na grande luta entre os Senhores da Luz e os Senhores da Forma Material, também denominados de Forças da Escuridão. Hoje esta força é emitida do Centro Sagrado e encarna o aspecto Vontade da crise mundial atual; seus dois efeitos ou qualidades subsidiárias são:

a. A destruição do que é indesejável e prejudicial nas atuais formas mundiais (no governo, na religião e na sociedade).

b. A força sintetizadora que une o que até agora estava separado.
A força de Shamballa é tão nova e tão pouco reconhecida que é difícil para a humanidade saber o que ela é: a demonstração da benéfica Vontade de Deus em uma nova e potente vivência.

2. A segunda força principal que está se fazendo sentir potentemente agora é a da Hierarquia espiritual, o centro planetário onde rege o Amor de Deus, em seu movimento para um dos seus principais ciclos de aproximação à Terra. O problema ante a Hierarquia é agora dirigir e controlar de tal maneira essas cinco potentes energias que o Plano divino possa se materializar e, ao finalizar este século, se veja que o Propósito de Deus para a humanidade assume a correta direção e proporção.

3. O terceiro centro planetário principal é a própria Humanidade, pela qual está se expressando um dos três aspectos divinos, a Inteligência, produzindo efeitos no mundo.

Estes três centros estão estreitamente inter-relacionados e devem ser considerados expressões da vivência divina, encarnando as três etapas do desenvolvimento do Plano de Deus, e constituindo os três centros maiores - cabeça, coração e garganta - do corpo d’Aquele em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. Os estudantes podem relacionar estes três centros com os três sistemas solares mencionados no Tratado sobre o Fogo Cósmico. No primeiro sistema solar, o centro Humanidade foi preparado, e o princípio da inteligência veio à manifestação. No segundo sistema solar, a Hierarquia de Amor apareceu, devendo se manifestar plenamente, permitindo assim que o amor de Deus seja visto. No próximo sistema solar, o centro que agora chamamos de Shamballa manifestará inteligentemente o aspecto Vontade da Deidade por meio do amor. É interessante observar que somente por intermédio dos seres humanos estes três centros chegam de fato a atuar efetivamente; da mesma maneira, as três principais ideologias (totalitarismo, democracia e comunismo) podem ser a resposta - distorcida, porém responsiva, às forças dos dois centros superiores atuando sobre o centro que é a humanidade. Já estudamos isso antes.

Aqueles de vocês que estão procurando servir à humanidade e se unir ao esforço hierárquico para trazer cura a um mundo que sofre, devem aprender a penetrar por trás das aparências, por trás dos métodos e esquemas, dos resultados e efeitos do plano físico, e procurar entrar em contato com as forças de Shamballa ou da Hierarquia, como também com as necessidades dos homens que produziram estes modos de expressão e deste modo vê-los pelo que são - não sistemas desgastados ou esforços infantis para melhorar, mas sim planos embrionários pelos quais, oportunamente, serão liberadas a cultura e civilização da Nova Era.

Se estão procurando levar iluminação aos lugares escuros da Terra (isto é, às mentes dos homens), vocês mesmos deverão ver com clareza e fazer uma correlação entre o abstrato e o concreto, de maneira que se possa ver em suas próprias vidas um idealismo atuante; só assim aparecerá um idealismo ativo no plano nacional, racial e humano. É preciso empregar tanto a cabeça como o coração, e isto muitas pessoas sérias tendem a esquecer. Ao realizar este esforço, poderiam trabalhar sob a alta tensão produzida pela inter-relação da cabeça com o coração, atuando de forma criadora por intermédio do centro da garganta - esotericamente entendido? Nesta última frase expressei a natureza do esforço que os discípulos que devem fazer.

Pelo reconhecimento do que está acontecendo com a humanidade como um todo e por trás das cenas, os pensadores do mundo e os membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo podem servir melhor; é o desenvolvimento da consciência humana em resposta às condições apresentadas em qualquer país ou países de importância; o "estado mental humano” está apenas começando a se enfocar nas coisas que importam e a se expressar de maneira viva. Os pensadores e servidores devem aprender a se concentrar no despertar da consciência e não nos movimentos superficiais. Este despertar avança em bom ritmo e, irmãos meus, satisfatoriamente. A forma ou formas podem sofrer, mas a consciência intrínseca do homem está se tornando, ao longo deste século, uma expressão divina.

As duas outras forças que tendem a aumentar a tensão que já existe no mundo são:

4. As forças do materialismo, que afluem aos três mundos a partir das assim chamadas "Forças da Escuridão” ou Loja Negra, e dos grupos de vidas e de trabalhadores que são a antítese da Grande Loja Branca.

5. A força que emana daquele setor da humanidade que se encontra em todas as partes do mundo e que chamamos de povo judeu. O que digo aqui não se refere especificamente a nenhum indivíduo; estou considerando o problema mundial centrado nos judeus como um todo.

Essas duas forças complicam gravemente o problema que a humanidade e a Hierarquia enfrentam, mas devemos lembrar que produzem também a contraparte que é sempre necessária para o estabelecimento das corretas condições.

Pouco posso dizer sobre as Forças da Escuridão. Não cabe à humanidade resolver este problema, mas à Hierarquia. A tarefa dessas forças é preservar a vida da forma e desenvolver os métodos e objetivos inerentes aos processos da manifestação. A Loja Negra, como é chamada, ocupa-se do aspecto forma da manifestação; a Loja Branca do aspecto consciência. Portanto, seria possível dizer que:

1. Shamballa se ocupa do aspecto vida em seus diferentes níveis de impulsão.

2. A Hierarquia se ocupa do aspecto consciência em sua série gradual de expansões.

3. A Loja Negra se ocupa do aspecto matéria na multiplicidade de suas formas.

Por outro lado, vocês poderiam entender se relacionarem este tríplice enunciado com os três sistemas solares e com os três aspectos da divindade. O mal ou o erro, portanto, só existe quando se enfatiza o aspecto erro, do ponto de vista do desenvolvimento alcançado ou quando o que foi usado e desenvolvido até a etapa necessária retém a vida ou a consciência por tempo demais. Daí, meus irmãos, a natureza benéfica da morte.

As Forças da Escuridão são energias poderosas que atuam para preservar o que é antigo e material; por isso elas são, eminentemente, forças de cristalização, de conservação da forma, de atração da matéria e de sedução de tudo que existe na vida da forma dos três mundos. Em consequência, bloqueiam deliberadamente a afluência de tudo que é novo e doador de vida; trabalham para impedir a compreensão do que pertence à nova era; esforçam-se para conservar o bem conhecido e antigo, para neutralizar os efeitos da cultura e da civilização vindouras, para cegar as pessoas e nutrir regularmente os fogos já existentes do ódio, da separatividade, da crítica e da crueldade. Estas forças, no que diz respeito às pessoas inteligentes do mundo, trabalham insidiosamente e mascaram seu esforço com belas palavras, levando até mesmo discípulos a expressar ódio a pessoas e ideologias, nutrindo as ocultas sementes do ódio que existem em muitos seres humanos. Atiçam, até a fúria, o medo e o ódio que existem no mundo, no esforço de manter o antigo, e fazem com que o desconhecido pareça indesejável; elas retardam as forças da evolução e do progresso para servir a seus próprios fins, os quais são tão inescrutáveis para vocês como são os planos do Regente de Shamballa.

Seria bom reconhecer que estas forças existem, mas vocês, como indivíduos ou grupos, pouco podem fazer em relação a elas, a não ser procurar que não haja nada em vocês - por mais insignificantes que vocês sejam - que lhes sirva de ponto focal para seus esforços, nem os converta em agentes para a distribuição de seu tipo peculiar de energia - energia concentrada e dirigida de ódio, de separatividade, de medo e de orgulho. Nós que estamos em relação direta com a Hierarquia temos que lidar com essas forças, mas vocês podem ajudar mais do que imaginam, controlando seus pensamentos e ideias, cultivando um espírito de amor e fazendo uso generalizado da Grande Invocação.

Agora consideraremos brevemente a questão dos judeus. Lembremos o interessante fato de que os judeus se encontram em todos os países, sem exceção, que sua influência é potente e extensa (muito mais do que eles próprios estão dispostos a reconhecer), e que manejam potentemente a peculiar concretização da energia denominada dinheiro. Eles constituem, de maneira curiosa, um centro mundial de energia única e nitidamente separado. A razão disso é que representam a energia e a vida do sistema solar anterior. Já lhes foi dito muitas vezes que, no final deste sistema solar, certo percentual da família humana não atingirá o nível previsto e será mantido em pralaya, ou em suspensão, até chegar a hora da manifestação do seguinte e terceiro sistema solar. Estas pessoas constituirão então a vanguarda e o símbolo da futura humanidade daquele sistema. O mesmo aconteceu no sistema anterior ao nosso, e aqueles que agora chamamos de judeus (denominação e distinção puramente modernas, como procurei demonstrar nas últimas páginas do Tratado sobre os Sete Raios, Psicologia Esotérica Volume 1) são os descendentes do antigo grupo mantido em pralaya entre o primeiro e o segundo sistema solar. Se lembrarem que o terceiro raio regeu aquele primeiro sistema e governa também a raça judia, que aquele sistema se ocupava somente dos aspectos divinos da matéria e das condições externas, e que os judeus eram o produto mais elevado daquele sistema, poderão chegar a entender o judeu, sua separatividade, seu desejo de pureza racial e seu interesse pelo que é comercial e tangível. Ao longo das eras, o judeu vem insistindo em se manter separado de todas as outras raças, mas traz do sistema anterior o conhecimento (necessário, mas agora obsoleto) de que sua raça era o "povo eleito”. O "Judeu Errante” vem peregrinando do primeiro sistema para o atual, onde deve aprender a lição de absorção e deixar de vagar. Ele insistiu na pureza racial porque era seu principal problema no início da época lemuriana, quando a raça chegou em um mundo onde não havia ser humano, pois isso ocorreu antes da vinda dos Senhores da Chama. Esta insistência persistiu no transcurso das eras e regeu as regras do casamento e da preparação do alimento, em vez de ser descartada (como deveria ter sido) há milhares de anos. Estes fatos (que o judeu moderno desconhece) atuaram contra ele através dos anos e possibilitaram que as forças da separatividade e do ódio empregassem a raça judia para instigar as dificuldades mundiais, e assim levar a um ponto de crise o problema humano básico da separação. Quando a humanidade tiver solucionado o problema dos judeus (com a colaboração compreensiva de sua parte) e tiver superado as antigas antipatias e ódios, o que fará fundindo o problema em uma imensa situação humanitária. Quando isto acontecer, o problema se solucionará rapidamente e uma das principais dificuldades desaparecerá da face da Terra. A fusão racial então será possível. A nossa humanidade terrestre e o grupo de seres humanos de origem muito mais antiga que a nossa formarão uma só humanidade e haverá paz na Terra.

O motivo pelo qual o nosso planeta e este sistema solar tiveram que ser o viveiro das sementes da separatividade, e o motivo pelo qual essa coletividade remanescente da humanidade, muito mais avançada que a nossa, foi destinada a realizar seu futuro em nossa Terra, só o Senhor de Shamballa sabe; é um conhecimento inalcançável para vocês e também para muitos na Hierarquia. É um fato que simplesmente deve ser admitido. Como disse, a solução virá quando as raças considerarem o problema dos judeus como um problema humanitário e também quando os judeus derem a sua parte de compreensão, amor e ação correta. Como raça, ainda não faz isso. Devem abandonar as próprias tendências separatistas e o profundo sentimento de perseguição. Farão isso mais tarde com grande facilidade, quando compreenderem, como raça, o significado e a inevitabilidade da Lei do Carma, e quando estudarem de maneira minuciosa o Antigo Testamento e os atos e feitos que reivindicam como atos e feitos raciais seus (conquista, terrorismo e crueldade), e compreenderem que a lei segue seu curso e, em consequência, os liberará para um futuro maior. Ao mesmo tempo, judeu e gentio devem compreender que têm responsabilidades e ônus iguais em relação às dificuldades mundiais atuais.

Portanto, as duas forças a que me referi devem ser consideradas pelos discípulos que procuram servir neste ciclo crítico; essas duas forças devem entrar nos seus cálculos quando começarem este novo trabalho de grupo, ou seus idealismos e pensamentos errados poderão obstaculizar o trabalho grupal. É preciso reconhecer teoricamente as cinco forças (três maiores e duas menores) que se encontram e se chocam na família humana atual. Foi necessário que eu chamasse a sua atenção para esses fatos. Para que os discípulos façam trabalho grupal juntos nos níveis mentais, devem desembaraçar as mentes de preconceitos, ódios e de toda tendência à superioridade e à crítica. Não é possível trabalhar como grupo se estas ideias e pensamentos existirem e agora estou preparando a instrução para vocês sobre parte das primeiras etapas do trabalho grupal e sua utilidade. Eu não teria que tratar desses problemas mundiais se não houvesse reação emocional de sua parte em relação a eles; poucos de vocês têm mente isenta de preconceito e de ódio. Esses poucos viabilizam o trabalho e é possível para os demais afastar a mente das influências indevidas e das ideias erradas.

Peço-lhes que, neste trabalho, se concentrem nas forças de Shamballa e da Hierarquia. Peço-lhes que se considerem como canais puros e desobstruídos e que procurem apenas se vincular com a alma de cada um e de todos, cuja natureza é amor puro, síntese consciente e potência divina.

É essencial, porém, apesar do trabalho para o qual convoquei esses grupos e que - como bem sabem - destina-se a assentar a base para o trabalho das escolas esotéricas do futuro, que os membros de todos os grupos compreendam que também o trabalho exotérico deve ser empreendido. São muitos aqueles que, nesses grupos, estão satisfeitos com o significado do seu próprio trabalho de grupos, permitindo que ele tome lugar do serviço objetivo.

Se é tão difícil, meus irmãos, despertar os aspirantes como vocês para a urgência do serviço e o pleno senso de responsabilidade, e se os homens e as mulheres, com todas as informações que possuem, não conseguem despertar para o esforço sacrificado, vocês podem ter uma ideia da magnitude da tarefa que a Hierarquia está enfrentando nesta época. Talvez possam compreender o senso de quase frustração que me acometeria (se estivesse limitado pelo conceito tempo) quando, por exemplo, aqueles de quem espero colaboração se ocupam com seus próprios assuntos, não têm nenhum senso da necessidade imediata, preferindo se concentrar em seu próprio desenvolvimento, sua família, seus próprios problemas, em vez de chegar a uma visão mais ampla do mundo que levaria à plena colaboração. A meta do nosso esforço é evitar a ruína do mundo, e para este fim lhes pedi ajuda.

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A TENDÊNCIA ESPIRITUAL DO DESTINO HUMANO

Wesak, maio de 1939

Nesta hora de crise, de ansiedade e tensão, parece que há certas coisas que fariam bem em lembrar e certas coisas que deveriam se esforçar por fazer.

O primeiro ponto que gostaria de lembrar é que a Hierarquia permanece. Por trás de todos os acontecimentos atuais encontram-se o mesmo grupo de Forças espirituais e os mesmos Irmãos Mais Velhos e Mestres, guiando a humanidade pelo caminho da vida e levando-a segura e satisfatoriamente à etapa atual de desenvolvimento. O Buda, cujo festival celebramos, e o Cristo, que expressa para nós o imutável amor de Deus, seguem conosco, e a Hierarquia permanece como um reduto de força entre nós e um possível desastre; este centro de vida espiritual é "como a sombra de uma grande rocha em uma terra esgotada".

O segundo ponto que deveriam lembrar é que a humanidade avançou progressivamente de um estado de ignorância cega e inconsciente para o estado de preocupação inteligente pela vida e para um crescente senso de responsabilidade. Este senso de responsabilidade, que está despertando em todos vocês é - em sua atual grande escala - relativamente novo, e um dos fatores que claramente estão aumentando a aflição e a dor que todos estão sentindo. Talvez se perguntem onde fracassamos como raça, e o que podemos fazer para retificar nossos erros. Apesar de tudo, porém, os homens passaram de uma etapa para outra de desenvolvimento inteligente e espiritual e, quaisquer que sejam ou possam ser os acontecimentos externos, a raça fez um progresso real. Não houve retrocesso algum, e não haverá. A humanidade tem sido exposta a muitas tempestades e tem sobrevivido a muitas dificuldades; os homens saíram melhores e mais fortes dos períodos de crise, como que purificados "pelo fogo” e certamente mais próximos da meta.

Lembraria também a integridade e a solidariedade da família humana. Somos um só povo - uno em nossas relações, capacidades e desejos, em nossa origem e em nossa meta. Esta integridade essencial e que podemos reconhecer, está hoje emergindo poderosamente na consciência humana. Talvez pensem que não seja assim, que ao crer nisso sua posição seja de certo modo excepcional e que estejam um tanto sozinhos. Mas é um erro e não se ajusta aos fatos. Em todos os países e entre os diversos povos, existe o mesmo desejo de compreensão, de estabelecer corretas e pacíficas relações, e de expressar aquela boa vontade básica que é uma das características humanas mais profundas e nosso patrimônio divino.

São estes os fatos que, a meu ver, são importantes neste momento e que todos nós bem faríamos em lembrar. Querem tentar? Não importa o que possa acontecer no mundo - seja guerra ou paz, conflito e agressão ou conciliação compreensiva e deliberações - estamos diante de um difícil período de ajuste, e para isto devemos estar preparados. Os próximos três anos são críticos, o que nos foi dito muitas vezes.

Muito dependerá do que vocês e todos os homens de boa vontade, além dos discípulos, pensarem e fizerem. Gostaria de lembrar a vocês outra coisa muito alentadora: o poder que exercem aqueles que procuram viver como almas e estão em contato com a alma e o mundo das realidades espirituais não é proporcional ao senso de poder e utilidade que percebem. No esforço de manejar força espiritual de maneira construtiva e altruísta, vocês são muito mais potentes do que depreendem. Se a esta compreensão acrescentarem o reconhecimento de que não estão sozinhos nisso, que existem pessoas com a mesma visão e com os mesmos ideais e aspiração espiritual, em todos os países sem exceção, em todas as religiões, grupos e organizações, podem então avançar com coragem, com fé e esperança. Se isto é verdade (e creio que seja), avancemos em uníssono com nossos irmãos de todas as partes, conscientes da oportunidade, da força, da responsabilidade e da alegria de servir.

Com relação a algumas coisas que podem realizar, sugeriria o seguinte: Não permitam ser arrastados por nenhuma psicose de medo, nem se precipitem em uma atitude em que a ansiedade, a efervescência e a angústia do mundo possam oprimi-los. Empenhem-se em permanecer no ser espiritual. Todas as manhãs, na meditação, procurem assumir essa atitude com uma nova e revigorada determinação e mantê-la durante as horas de serviço que têm pela frente a cada dia. Não será fácil, mas pode ser feito se alcançarem serenidade suficiente durante cinco minutos a cada manhã - completa e interna serenidade - e se preencherem seus dias com uma ocupação vital e um verdadeiro serviço, vigiando com cuidado todo pensamento e toda palavra.

Entre agora e o Festival de Wesak de 1940, que cada um alcance este controle da palavra que quase sempre foi a sua meta, mas raras vezes cumprida, e lembrem-se de que o fator mais potente para controlar a palavra é um coração amoroso. A conversa irrefletida e cheia de apreensão, as fofocas maldosas, as insinuações cruéis, as desconfianças, a atribuição de motivações erradas e mal-intencionadas a pessoas e povos e as divergências de atitudes que separaram as diferentes nações do mundo abundam hoje e levaram o mundo à presente situação dolorosa. É muito fácil ser arrastado para os mesmos hábitos de fala e pensamento que há em torno de nós e nos descobrir participando das agressões e do espírito de ódio. Guardem-se com todo empenho contra essa condição e não digam nada que possa inflamar o ódio e a desconfiança com relação a qualquer raça, pessoa, grupo ou dirigente de grupos e nações. Terão que se precaver com cuidado para que mesmo ao defender o que aprovam em termos pessoais ou nacionais não se vejam cheios de ódio e transgredindo a lei do amor - a única lei que verdadeiramente pode salvar o mundo. Talvez a chave para o êxito nesta linha seja o silêncio de um coração amoroso.

Também será bom cultivar a alegria que nos traz força. Não é hora para melancolia, desespero nem depressão. Se abrirem espaço para eles, vão se tornar pontos focais negativos e destrutivos em seu ambiente. Se creem realmente que a vida espiritual é fundamental no mundo de hoje; se acreditam que a divindade guia o mundo; se captam realmente o fato de que todos os homens são seus irmãos e que todos nós somos filhos do mesmo Pai, e se estão convencidos de que o coração da humanidade é sadio, estas ideias não são suficientemente potentes para nos manter firmes em meio a um mundo em mudança?

Assim sendo, mantenham com vocês as seguintes ideias:

Primeiro, que a Hierarquia das forças espirituais permanece no Ser espiritual;

Segundo, que também nós podemos permanecer firmes no Ser espiritual;

Terceiro, que o silêncio de um coração amoroso deve ser a nossa nota-chave para o próximo ano;

Quarto, que a força para permanecer seja resultado de uma atitude alegre e de uma verdadeira orientação para a alma.

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O CONFLITO ENTRE AS FORÇAS DE ORIGEM ANTIGA

Agosto de 1939

Já escrevi sobre a quíntupla corrente de energia que hoje está em conflito com as forças do mundo, com as forças da luz ou com as denominadas forças da escuridão. (Lembraria a vocês que não haveria escuridão sem a luz nem luz sem a escuridão. Reflitam sobre isto). Pediria a vocês que compreendessem que os esforços organizados da grande Loja Branca têm o objetivo de elevar as forças organizadas do materialismo para um plano superior e espiritual. Hoje o ouro e a separatividade, o materialismo e o egoísmo estão em conflito com a energia espiritual e com o espírito de cooperação e de fusão inteligente. A lei que determinará os resultados pode ser expressa nas palavras muitas vezes usadas: ao reter, o homem perde; ao desprender, ganha; ao tentar agarrar o que possui, aquilo deve desaparecer e inevitavelmente desaparecerá. Reflitam sobre esta lei.

O método pelo qual as forças da separação e do egoísmo atuam é de cooperação competitiva. Em todo o mundo se formaram grupos (ou estão em processo de formação) para alcançar várias metas materialistas, a satisfação de ambições pessoais ou nacionais, e a imposição sobre a massa de planos e conceitos intelectuais (as assim chamadas ideologias). Partidos, organizações, grupos, sociedades, associações e alianças existem para favorecer objetivos políticos e sociológicos, e para implementar os projetos e os inúmeros e diferentes pontos de vista de muitas pessoas, mais as muitas atitudes com relação à vida e sua organização e reorganização. Não me refiro às igrejas nem às grandes religiões ou organizações religiosas. Trato dos fatores determinantes que estão hoje condicionando a vida material do planeta. Falando de maneira geral, estas forças e grupos se ocupam de valores materiais e ideias mentais, mas não em especial dos valores mais sutis, embora incidentalmente estejam presentes. A ênfase recai sobre a situação econômica, a posse de terras ou predisposições e tendências culturais, e as relações entre povos e nações; estas últimas estão baseadas fundamentalmente, como bem sabem, no que é tangível e objetivo, protegido, defendido, adquirido e obtido por meios nitidamente tangíveis, que são eles próprios separatistas e divisores. A meu ver, as pessoas de todas as nações considerariam real esta afirmação. Os métodos básicos e subjacentes empregados são os de disposições organizacionais (grandes, como nas nações, ou pequenas, como nos grupos dentro das nações), propaganda, imposição de ideias escolhidas por meio da palavra falada e escrita em cada país, lealdade grupal, adesão grupal ao líder e os métodos grupais. O êxito depende da coesão grupal obtida, da disposição do grupo ao sacrifício, da lealdade e da adesão a alguma personalidade dirigente.

Por trás destes numerosos grupos se encontram forças de origem muito antiga, consagradas seja aos valores materiais, seja aos valores espirituais. Dado o fato de que muitas eras transcorreram na construção dos valores materiais, no desenvolvimento da consciência da personalidade e para se chegar a uma civilização tangível e objetiva, as forças do materialismo são aparentemente muito mais fortes e potentes do que as forças do espírito ou a dos mundos intangíveis. Até agora isto não foi errado, embora tenha sido muito acompanhado de coisas indesejáveis que resultaram em uma evolução unilateral. Porém, chegou a hora de mudar a consciência humana para o mundo da compreensão verdadeira e espiritual e dos padrões de vida intangíveis e mais desejáveis.

As cinco correntes de energia mencionadas acima se vertem por entre o caos dos grupos ofensivos e defensivos e das inúmeras organizações antagônicas (na maioria políticas ou religiosas), afetando tanto os grupos reacionários como aqueles que militam pelos novos ideais, a civilização e a cultura futuras.

Neste ponto lembraria que o efeito do impacto da energia depende da natureza do veículo de resposta. O homem reagirá às energias afluentes de acordo com o seu instrumental e a natureza de seus corpos. Esta afirmação é fundamental; é uma lei, e merece ser considerada com muito cuidado. Os efeitos produzidos por um Mestre ou um iniciado sobre os homens diferem amplamente, porque cada homem introduz ao impacto de Sua vibração, um tipo de corpo físico, uma natureza emocional e uma mente que em cada caso é diferente das demais. O uso que cada um dá à energia estimuladora será diferente; o enfoque de sua consciência é muito diferente; seu tipo de mente é diferente; seus centros, sua atividade e sua organização interna são diferentes. O mesmo acontece com grupos, organizações e nações.

As nações, por exemplo, têm sete centros de energia, como têm todas as formas de existência, do animal ao humano, e é interessante estudar e descobrir estes centros e observar o tipo de energia que flui através deles. Em relação aos Estados Unidos da América, Chicago é o centro plexo solar, enquanto Nova York é o centro da garganta e Washington o centro da cabeça. O centro do coração é Los Angeles. O centro do coração da Alemanha é Munique, e o centro da cabeça é Nuremberg, enquanto Berlim é o centro da garganta. Londres, logicamente, é o centro do coração da Grã-Bretanha (e, temporariamente, é também o centro da cabeça, mas não será sempre), enquanto Ottawa é o centro da garganta e Sydney o centro plexo solar do Império Britânico. Algum dia indicarei os centros por intermédio dos quais as forças de manifestação devem atuar para as diversas nações. Esta informação é uma das importantes ciências hierárquicas e indica, para nós que sabemos, as possibilidades latentes de cada nação, o ponto de evolução alcançado e as oportunidades de trabalho e avanço ou os obstáculos ao progresso, o que é medido pela luz dos centros e pelo aumento ou pela falta de claridade de sua vibração. É o que possibilita ou entrava o crescimento do que chamamos de espiritualidade nos indivíduos e nas nações, é uma ciência que mais tarde será reconhecida. Por meio desta ciência a Hierarquia pode formular seus planos maiores e saber de que maneira as nações, tomadas individualmente, reagirão ao estímulo e ao progresso do tipo desejado. É a forma moderna da antiga laya-yoga atlante, a yoga dos centros.

Portanto, de acordo com a condição dos corpos sensíveis do planeta, das nações e dos indivíduos, assim será sua reação aos cinco tipos de forças que afluem. A força de Shamballa, por exemplo, ao exercer impacto sobre os tipos de primeiro raio e de outros tipos de raio que estão nessa linha de energia maior - os de terceiro, quinto e sétimo raios - suscita resultados diferentes do que acontece quando este impacto é exercido sobre a linha de energia do segundo raio. Os resultados do impacto da energia de Shamballa sobre indivíduos e nações de primeiro raio podem ser extremamente potentes. Este impacto, que é relativamente novo para a humanidade, suscita no mundo atual todas as mudanças políticas e organizacionais, tão preponderantes e perturbadoras. Pouco a humanidade pode fazer sobre isto, a não ser se esforçar por equilibrar esta expansão de energia de primeiro raio pela força do segundo raio, ou força hierárquica, a qual - atuando por intermédio das religiões mundiais e dos homens e mulheres que respondem à influência do amor - pode mudar os métodos (mas não o propósito nem a direção), vertendo a força do amor.

Por outro lado, a força que consideramos como emanante do centro estritamente humano, o terceiro tipo de energia de raio, é de tipo criador, ou da terceira ordem, e nestas três energias temos, na realidade, a expressão dos três centros maiores do Logos planetário. A primeira, a energia da vontade, como bem sabem, está centrada em SanatKumara, o Ancião dos Dias (como a Bíblia cristã O denomina), o Senhor de Shamballa, que é a encarnação da personalidade do Logos planetário. A força do amor está centrada nos dois grandes Senhores espirituais da Hierarquia, o Buda e o Cristo, que são, todos os dois, encarnações do centro do coração do Logos planetário, pois o Buda representa o loto de doze pétalas da cabeça, do qual o Cristo representa a contraparte, o loto de doze pétalas do centro do coração. Este fato raras vezes é compreendido ou mesmo mencionado. As pétalas do centro da garganta são representadas hoje por certos governantes mundiais de primeiro plano, cuja atividade é responsável pela rápida criação do novo mundo com sua cultura e civilização, que mudam rapidamente. Estes pensamentos proporcionarão muita matéria para refletir.

O quarto tipo de força, responsável pelo estado dos assuntos mundiais neste momento, é o dos judeus; em conjunto, são o plexo solar do Logos planetário; seu problema é utilizado hoje para enfocar, qualificar e condicionar a sensibilidade mundial e as reações emocionais da natureza sensível da humanidade e do Logos planetário. Não se esqueçam de que a Personalidade do nosso Logos planetário ainda não é perfeita, daí que Seu corpo de manifestação, o planeta, não seja considerado como um planeta sagrado. Através do povo judeu em todo o mundo, o sentimento de simpatia ou de antagonismo, expressivo de amor ou condicionado pelo ódio, está concentrado no centro plexo solar planetário, em vista de uma grande mudança que será permanente. Por esta razão, já disse a alguns de meus estudantes que quando a humanidade tiver solucionado corretamente o problema dos judeus, de maneira sensata e humanitária, a energia do centro plexo solar planetário se elevará ao coração e ocorrerá uma grande transmutação.

As Forças da escuridão ou materialistas correspondem inteiramente às energias do centro sacro do planeta, que tratam da geração das formas, seu trabalho sendo manter o interesse planetário no lado forma da expressão divina. Ocupam-se da vida da matéria em si, seu uso mágico e o que se considera escuro, porque, para a humanidade em sua presente etapa de desenvolvimento, este aspecto divino deveria ter perdido seu domínio maior e ter ficado para trás "na escuridão do que já foi superado e não exerce mais nenhum domínio sobre o filho de Deus”. Portanto, temos a seguinte esquematização, que explica o que procurei esclarecer para vocês.

Gostaria de assinalar nesta altura que a quarta energia, enfocada no problema dos judeus, está incontestavelmente produzindo uma cisão que é parte do plano divino. Os judeus são instrumentos da execução do Plano para a produção de determinadas sínteses e para levar a humanidade a certos entendimentos e decisões. Um cuidadoso estudo desta esquematização trará muito conhecimento. Contudo, expressa apenas a situação atual, neste período de transição entre a antiga era pisciana que está passando e a nova era aquariana entrante. Descreve o ciclo mundial atual. O raio dominante muda constantemente no que diz respeito aos dois últimos tipos de expressão de energia, porque simbolizam (neste dia e era) a natureza da personalidade em suas formas física e emocional.

Eu me pergunto se conseguem captar as implicações deste parágrafo. Quando o aspecto mente (o terceiro aspecto da personalidade) estiver mais completamente desenvolvido, o enfoque do esforço das Forças da Escuridão mudará e o problema dos judeus desaparecerá. A humanidade ainda não maneja de maneira inteligente seus problemas. Por isso as forças e energias do processo criador estão excessivamente ativas neste momento, preparando o que se poderia chamar de "material do mundo” e a substância dos quatro reinos da natureza para as mudanças que estão por vir. Assim como o lavrador ara a terra do campo e usa um ancinho, trazendo o que está por baixo para um eventual aproveitamento, um processo similar está ocorrendo hoje no mundo, sendo todo um preparatório para a semeadura e seus efeitos resultantes. Estes efeitos constituirão a nova cultura e a nova civilização de Aquário. A Hierarquia desempenhará uma parte determinada e influente neste processo, e trabalhará mais excepcional e especificamente do que nunca na história do mundo, sob a instrução e ajuda vital de Shamballa.

I. Energia de Shamballa
Propósito divino.
Expressão: Sanat Kumara
Centro planetário da cabeça.
Condiciona a vida das nações.
Política, Esoterismo.
1º raio
Determina.
O PLANO.
Novo. Destrói.
Vontade
II. Energia Hierárquica
Amor-Sabedoria divino.
Expressão: Buda e Cristo.
Centro planetário do coração.
Condiciona a alma.
Religião, Espiritual.
2º raio
Inspira.
Permanente. Constrói.
Amor-Sabedoria
III. Energia da Humanidade.
Inteligência divina .
Expressão: Muitas pessoas nos dias de hoje.
Centro planetário da garganta.
Condiciona a mente.
Educativo.
3° raio
Criador.
Intelecto
IV. A Força Judaica
Temporária.
Produz separação.
Plexo solar planetário.
Condiciona as emoções do mundo.
Sensibilidade.
Aspecto de 7º raio do 3º raio. Magia, Dinheiro.
V. As Forças Materialistas
Aspecto matéria.
Centro sacro planetário.
Condiciona a substância.
Geração.
Aspecto de 5º raio do 1º raio. Mente

Há grupos-semente em processo de uma "ancoragem esotérica” no campo do mundo, tendo neles quem está apto a responder às forças mais sutis e que podem - nesta etapa do processo, por meio da força do seu claro pensar - produzir as condições (nas tendências existentes no mundo e nos grupos mundiais de hoje) que propiciarão as novas ciências, as novas abordagens à divindade, a nova educação e os novos modos de tratar a situação econômica e os problemas políticos, precipitar e promover o crescimento do Reino de Deus de tal maneira que este quinto reino da natureza possa se tornar um fato tangível e objetivo na Terra.

Nos antigos livros e arquivos da biblioteca da Hierarquia fala-se do processo de fundação do quarto reino da natureza, o humano, nos seguintes termos, que (alguns deles) foram parafraseados e ampliados em A Doutrina Secreta:

"Sete homens apareceram, os prisioneiros dos Prajapatis e prisioneiros também dos Barhishads terrestres... Sete homens de sete cores... Sete homens, cada um em seu terreno e em relação com o oitavo. Eles se falavam e se conheciam. Vieram e desejaram o que apareceu. Sentiram o primeiro, o segundo e o terceiro. Eles próprios eram o quarto, mas ainda não tinham nenhum conhecimento do quinto, pois eram prisioneiros do mundo e o quinto não podia aparecer. Os fogos, que eram em número de quarenta e nove, começaram então seu trabalho e as barras da prisão se tornaram duras como o aço... Mas transcorreu o tempo e os sete - cada um em seu terreno - começaram a se tornar grandes demais para as barras que os confinavam”.

O significado da parábola será evidente para os esoteristas. A chave do que tenho a dizer vem mais à frente no mesmo texto antigo, e aqui vou parafrasear resumidamente ou fazer uma tradução livre.

"Os sete - cada um em seu terreno - adquiriram conhecimento. O conhecimento era o mesmo, mas o solo era diferente segundo o terreno. No entanto, a meta de se estender para os céus era a mesma como no segundo (referência ao reino vegetal e à sua aspiração simbólica de ascender ao céu) .... Não alcançam mais além. No terreno de cada um apareceram nove pontos de luz, refletidos nos céus; levaram ao ponto de germinação a semente humana que continha, em si, o que não era humano. A luz produziu germinação, e assim novas e melhores formas de vida. Contudo, a forma permanece, mas sua qualidade mudou. (Não encontro outra palavra melhor que "qualidade” para traduzir este antigo símbolo). Algumas coisas estão perdidas e desaparecem, o que está certo. Alguns modos mais novos de vida e o que a vida constrói aparecem, e assim o quinto é visto na terra, como o segundo, nutrido pelo quarto. Contém em si mesmo o primeiro, o segundo, o terceiro e, depois, o quinto. E assim é vista a glória do Uno”.

Um dos significados é evidente se estudarem cuidadosamente as implicações e as relacionarem aos reinos da natureza. Naturalmente, há vários sentidos para esses antigos textos.

Mais acima me referi às cinco correntes de energia e as relacionei com os cinco centros. Ampliarei um pouco esta ideia, assinalando que estas cinco energias são relacionadas com os centros ou lotos aos quais me referi em Tratado sobre Fogo Cósmico, ou ao ponto dinâmico dentro do loto através do qual flui a vida central do loto. No caso das primeiras três energias (as de Shamballa, da Hierarquia e da Humanidade) temos um ponto permanente de vida, luz e atividade no loto; no caso da potente energia relacionada com os judeus, temos uma afluência de energia muito temporária e, no caso das forças do materialismo, temos um ponto focal relativamente temporário - embora aparentemente permanente - de energia reacionária.

Quanto às pétalas do loto, encontrarão uma estreita relação com as forças dos cinco reinos da natureza; portanto, à classificação dada anteriormente, agregaria o seguinte para sua consideração.

1. 5º reino intuição alma espiritual centro da cabeça
2. 4º reino inteligência alma humana centro da garganta
3. 3º reino instinto alma animal plexo solar
4. 2º reino sensação consciência sensível centro do coração
5. 1º reino reação subconsciência base da coluna vertebral

A isso podemos acrescentar o seguinte:

Qualidade da Vontade
1. Shamballa Lotus da cabeça Reino de Deus 1º Raio Vontade
 
Qualidade de Doação: Amor
2. Hierarquia Centro do coração Reino das Almas 2º Raio Amor
 
Qualidade de aquisição
3. Humanidade Centro da garganta Reino do homem 4º Raio Harmonia através do conflito
 
Qualidade de separatividade
4. Os Judeus Centro plexo solar Reino do homem 3º Raio Inteligência ativa

Podemos vinculá-los aos reinos da natureza, mas, neste ciclo específico, não é possível adaptá-los de tal maneira que a analogia pareça exata para vocês. O reino mineral e as forças do materialismo não coincidem realmente em nossos dias, pois um atua pelo centro sacro e as outras pelo centro da base da coluna vertebral. Os estudantes de esoterismo devem sempre lembrar que nenhuma analogia é correta e inteiramente exata em seu paralelismo neste sistema solar de forças cambiantes, de ciclos que mudam e de constante transformação, dirigidos para os insondáveis fins da Deidade - insondáveis no que diz respeito à consciência humana. Permanecem insondáveis para a humanidade, pois os três principais objetivos ou propósitos que os afetam, por exemplo, como membros do quarto reino da natureza, são:

1. A direção que o Logos solar segue no Caminho cósmico.
Esotericamente - O Caminho para o Sol Central espiritual.

2. Os planos do Logos planetário no Caminho do Sistema.
Esotericamente - O Caminho para o Coração do Sol.

3. O propósito da família humana que se encontra no Caminho de Luz.
Esotericamente - O Caminho do Sol.

Faço essa colocação apenas para lhes mostrar o quanto são vagas e incertas as suas especulações mais elevadas. Satisfaçam-se com seu dever e o serviço imediato que os levarão um passo à frente no caminho que lhes é destinado; poderão percorrê-lo a passos acelerados ou lentamente, arrastando os pés.

As forças relacionadas acima são, porém, parte do entrelaçamento temporário de energias que se desenrolam no tempo presente entre as muitas expressões do processo criador. São também condicionadas pela força entrante de Aquário e "medidas” pelas forças de Peixes que estão se retirando. Gostaria que observassem aqui o emprego que faço das palavras "forças” e "força”, pois não foi em vão que usei o singular e o plural.

Neste processo da fundação do reino dos céus na Terra segue-se o mesmo procedimento empregado na etapa anterior da fundação do quarto reino. Os "sete homens, cada qual em seu próprio terreno”, chegam a um momento de tensão e de poder criador, no qual as sementes de vida que contêm em si podem frutificar, e em que os grupos que possuem tais sementes aparentes podem aparecer no mundo "em seus próprios terrenos”. Poderíamos dizer simplesmente, e em termos simbólicos mais fáceis de compreender, que os sete raios, expressando-se na família humana por intermédio de sete tipos de raios, atingiram agora uma etapa de desenvolvimento em que o processo pode ser implementado na formação de sete grupos de raio, os quais, na totalidade, expressarão o reino de Deus. Serão formados grupos que corresponderão eminentemente a um certo tipo de raio, mas que trabalharão nos nove campos principais da expressão humana. Eu os delineei quando indiquei o trabalho dos nove grupos que planejei. Assinalo aqui, porém, se me permitem, que os grupos que planejei não são, eles próprios, os grupos vindouros, nem as únicas provas do aparecimento destes grupos de raio no mundo. Há vários experimentos similares em curso atualmente nas diferentes correntes de energia de raio e sob a direção de diversos Mestres de Sabedoria. Os grupos pelos quais sou responsável são essencialmente de segundo raio, e representam uma tentativa para constatarmos se realmente chegou a hora da disposição desses grupos-semente no mundo inteiro. A resposta da humanidade e a reação destes grupos possibilitarão instaurar uma rede deles em grande escala em todas as partes - os grupos se caracterizarão pela visão, coesão, amor, impessoalidade, sacrifício, persistência e pela habilidade criadora? São as perguntas que nós, os instrutores do aspecto interno, nos formulamos hoje quando estudamos a questão da melhor maneira de ajudar a família humana a atravessar esta crise.

Tenham presente que o objetivo destes grupos é relacionar a Hierarquia, e o que ela representa, com a humanidade; levar a uma estreita relação os dois centros, cujas energias oportunamente devem ser fusionadas e mescladas em um todo. Talvez compreendam a ideia subjacente com mais clareza se pensarem no trabalho pessoal que devem realizar. Não seria o esforço de fusionar e mesclar a personalidade e a alma, o Eu Superior com os eu inferior? Para isso, devem compreender que a iluminação da mente é um fator vital e essencial. Portanto, há três pontos a considerar: a alma, a mente iluminada e a personalidade. A estes três devemos agregar um coração desperto e consagrado, pleno de amor por todos, vibrante de compaixão e compreensão. Em consequência, tenham presentes estes quatro fatores:

1. O homem orientado e consagrado - a personalidade.
2. O homem espiritual ofuscante - a alma.
3. A mente iluminada - o meio de relação.
4. O coração amoroso consagrado - a expressão dos três acima.

É esta a analogia pessoal e individual de um quadro mais amplo dos fatores mundiais e das importantes obrigações que hoje estão diante da humanidade. Assim como na vida individual o homem tem a oportunidade de atuar como discípulo em treinamento com vista à iniciação, também hoje a humanidade está em uma situação e possibilidades similares. A correspondência superior da qual a Hierarquia se ocupa nesses dias, e cujas grandes linhas indicadas acima são uma analogia inadequada, é a seguinte:

1. O centro intelectual, a Humanidade receptiva, pronta e expectante.

2. O centro espiritual, a Hierarquia positiva, deliberada e generosa - pronta e à espera para conceder o que é desejado, invocado e se espera alcançar.

3. O Novo Grupo de Servidores do Mundo. São os membros mais avançados da família humana, sensíveis à inspiração hierárquica, assim como às necessidades humanas e ao desenvolvimento espiritual como fator determinante nos assuntos mundiais.

4. Pequenos grupos que correspondem às mentes iluminadas dos indivíduos - dotados de intuição e atuando como elemento de coesão e de fator de fusão entre a humanidade e a Hierarquia. Eles são extraídos do Novo Grupo de Servidores do Mundo.

Permitam-me agora apresentar uma outra consideração vital. Se fizerem uma retrospectiva de suas vidas individuais, perceberão que foram os pontos de crise e os ciclos de tensão que proporcionaram as maiores oportunidades e os momentos para progredir. Ou aproveitaram as oportunidades ou, se as negligenciaram, falharam temporariamente. Este mesmo fator crítico (se posso chamá-lo assim) atua também no mundo dos homens, nos grupos e nas massas. Podemos observar hoje que a humanidade se encontra em um ponto de tensão similar ao que acontece na vida individual. A Hierarquia também se encontra em um ponto extremo de tensão científica - científica porque é provocada e dirigida. Se quiserem, vocês podem imaginar esses dois grandes grupos de frente um para o outro. A Hierarquia percebe a necessidade e o propósito desta dupla tensão e deseja levá-la a uma "crise de precipitação” tal que a fusão dos dois grupos se tornará inevitável, enquanto o outro grupo, a humanidade, desconhecendo geralmente as implicações da situação, está sofrendo, desnorteada e cheia de medo. Entre esses dois grupos, temos o Novo Grupo de Servidores do Mundo, formado hoje por dois grupos de pessoas:

1. Os que são conscientes do Plano, estão submetidos à impressão hierárquica e são sensíveis a ela e se dedicam à tarefa de obter a fusão ou unificação grupal desejada. São os servidores consagrados do mundo, livres de todo matiz de separatividade, plenos de amor para com todos e desejosos de difundir a compreensão e a boa vontade. São a analogia do "coração amoroso consagrado” mencionado acima.

2. Uma pequena minoria que surgiu do Novo Grupo de Servidores do Mundo e que (em todos os países) pode atuar em formação grupal, se quiser, e assim produzir a fusão para a qual o Novo Grupo de Servidores do Mundo está trabalhando; o ponto de tensão na humanidade e na Hierarquia predispôs e preparou os corações dos homens. A oportunidade que lhes é oferecida e a própria responsabilidade são grandes, porque conhecem o Plano, estão em contato com os instrutores do lado interno e são sensíveis à impressão superior. Correspondem aos pontos de iluminação e, assim, às "mentes iluminadas” mencionadas acima.

Eis aqui o quadro destas inter-relações esotéricas; podemos observar o papel que vocês podem assumir, porque estes grupos têm uma nítida oportunidade para impulsionar esta fusão mundial e assim precipitar a "crise de amor” à qual tantas vezes fiz alusão. A Grande Aproximação por parte da humanidade está acontecendo agora. A tensão que isto provoca está aumentando temporariamente e irá aumentando com maior rapidez e tensão até 1942, quando a primeira etapa da fusão estará efetuada na Terra, suscitando no mundo boa vontade e compreensão comuns e disseminadas, ou um adiamento - com tristes resultados para a família humana e a inevitável ruptura da tensão, que tomará uma forma que causará muitos reais sofrimentos e um grande desastre. Este desastre pode tomar várias formas, mas não vamos fazer especulações sobre isso, e sim compreender a urgência e a necessidade da ação imediata exigida no momento atual.

É preciso lembrar de dois pontos com relação aos grupos-semente; situam-se ao longo de uma mesma linha, mas também expansões, de condições análogas nas "sementes” que - depois de sua semeadura e desenvolvimento - frutificaram no homem- animal, produzindo o indivíduo vivo e autoconsciente e, em sua totalidade, o quarto reino da natureza. O primeiro ponto se relaciona com a qualidade da semente implantada, o segundo com o método de implantação.

A qualidade da "semente dos filhos de Deus” que conseguiu produzir a família humana era intelectual, e trouxe como resultado o homem autoconsciente e autocontrolado. O fruto desta qualidade, mais a vividade da própria semente, podem ser observados hoje nos seres pensantes mais evoluídos e cultos, e naqueles que são personalidades no pleno sentido da palavra.

O método empregado foi, na maioria dos casos, o dom da mente para os mais avançados entre os homens-animal; em outros, foi o estímulo da faculdade instintiva, enquanto um terceiro método consistiu em deixar que uma minoria seguisse o curso normal da evolução. Esta minoria compõe hoje as raças menos desenvolvidas e mais retardatárias da Terra, sendo, de fato, em número muito pequeno.

No que diz respeito aos "grupos-semente” que estão se fusionando e mesclando na humanidade nesta época e que - em sua totalidade - constituem o núcleo do quinto reino, a qualidade distintiva é a capacidade de responder por intuição à impressão superior e de apresentar a mente (com a qual a humanidade foi dotada no processo anterior) à luz da intuição e daí à iluminação. Esta intuição é uma mescla das duas qualidades divinas de budi-manas, ou compreensão intuitiva espiritual (envolvendo a interpretação e a identificação), mais a mente superior abstrata, que é essencialmente a capacidade de compreender o que não é tangível ou concreto, mas que é na realidade um reconhecimento inato dos aspectos inferiores do Plano divino, o qual deve afetar a vida nos três mundos. A humanidade, sendo ainda principalmente autoconsciente e autocentrada, considera este Plano como o Plano divino para o homem; porém, à medida que os grupos-semente crescerem e se desenvolverem, a estreiteza deste ponto de vista parcial ficará cada vez mais evidente. O Plano de Deus é oniabrangente, e Seus propósitos incluem todas as formas de vida e suas relações. Esta qualidade dos grupos- semente é descrita na literatura esotérica atual pelo termo amor-sabedoria (a natureza do coração e a mente superior) e descreve os grupos do futuro. Entretanto, não se trata do amor, ou da sabedoria como o homem os define geralmente. É livre de toda emoção e do astralismo que é a característica da vida no nível do plexo solar em que vive a maioria dos indivíduos. O amor, esotericamente e na realidade, é a percepção compreensiva, a capacidade de reconhecer o que produziu uma dada situação, e a consequente abstenção de criticar. Implica no silêncio benévolo que carrega a cura em suas asas e que só se expressa quando o aspecto inibidor do silêncio está ausente e o homem já não tem que calar a sua natureza inferior nem acalmar as vozes de suas próprias ideias a fim de compreender e se identificar com o que deve ser amado. Podem vocês captar a beleza deste conceito e compreender a natureza desta profundidade silenciosa da verdadeira compreensão?

A sabedoria é a sublimação do intelecto, mas envolve a sublimação dos aspectos superior e inferior da mente. É uma mescla de intuição, percepção espiritual, colaboração com o Plano e apreciação intelectual espontânea com aquilo com que se entra em contato; e tudo é fusionado e unificado pelo amor que defini acima, e por este sentido esotérico que deve ser desenvolvido como condição para se tomar a segunda iniciação. Chamo especialmente a atenção sobre isto. Procurem compreender e perceber as provas sutis do sentido esotérico, e depois o definam e expliquem seus processos e provas, invocando a sensibilidade superior.

E agora, vamos falar dos métodos que devem ser empregados para criar estes grupos. O método principal é a apresentação de ideias mais avançadas (que exercem um efeito estimulante nas mentes receptivas) e a apresentação da visão, cuja influência é evocadora e que produz resultados surpreendentes. Reflitam sobre isto.

O método básico empregado, que subjaz nos três métodos delineados em A Doutrina Secreta e aos quais me referi acima, foi a apresentação (muito obscura e vaga) do conceito do eu, do eu inferior integrado e suas implicações internas, combinadas com o egocentrismo e a auto direcionamento. A apresentação que se faz hoje ao homem autoconsciente e a este ser individual auto direcionado é a revelação de um Todo maior, do qual o indivíduo é parte. A este Todo o eu deve dedicar sua vida, seu amor e sua luz. São os três dons que o quarto reino da natureza deve, afinal e conscientemente, disponibilizar para o planeta - dons de energias dirigidas com precisão, que produzem relações de forças específicas, igualmente precisas. Não se trata de um dom de força física, de bondade nem de conhecimento, que são a medíocre interpretação do homem para as energias divinas, com as quais ele algum dia salvará a vida planetária.

A apresentação desta visão aos aspirantes e discípulos do mundo teve um duplo efeito; primeiro, produziu como resposta uma coesão imediata entre eles, que resultou no aparecimento do Novo Grupo de Servidores do Mundo e, segundo, levou à formação, na linha dos sete raios e em todo o mundo, de pequenos grupos (dentro do Novo Grupo de Servidores do Mundo) que se dedicaram a produzir esta síntese, esta fusão subjetiva e a expressar esta consciência consagrada e unificada. Estes últimos grupos, uma pequena minoria, correspondem ao método anterior e primeiro de implantação da mente no homem-animal, enquanto estímulo geral.

Nessas duas atividades embrionárias, que oportunamente serão responsáveis pela manifestação do reino de Deus na Terra, as duas prementes necessidades são: visão e uma viva organização. A visão tem que ser percebida, buscada e descoberta individualmente por todo membro do grupo, e é este conhecimento e esta consagração pessoais à revelação que levam em seguida à organização da vida e da relação do grupo, e a um processo determinado de correlação com a vida e o propósito do Todo. O indivíduo que, por si mesmo, percebeu a visão, liga-se a esse grupo que, também ele, é consciente dessa visão; segue-se a correlação deste "grupo visionário” com o reino de Deus, tal como existe nos planos sutis, em um esforço para exteriorizá-lo e fazer da visão uma realidade no plano da manifestação. Trata-se de um processo de visão, atividade e precipitação.

É no que diz respeito a essa visão que residem muitas dificuldades. Permitam-me ser explícito e ilustrar meu pensamento. Eu, seu irmão Tibetano, amigo e instrutor, tenho uma visão do Plano; sou consciente (devido à minha condição de iniciado de certo grau) da natureza do propósito deste ciclo específico, do que deveriam ser as atividades que o condicionam, e do objetivo para o qual se dirigem, pois há uma distinção esotérica entre o Plano, tal como existe para a humanidade e para o planeta, e o propósito da situação mundial atual. Seria bom refletir sobre isto. Com a colaboração de A.A.B. apresentei este plano a vocês - até onde foi possível - chamando a sua atenção para o Novo Grupo de Servidores do Mundo. Até onde pude e ousei, eu o coloquei diante dos aspirantes do mundo e chamei a atenção para a tendência geral dos acontecimentos mundiais do ponto de vista espiritual e subjetivo. Isto evocou em vocês uma resposta imediata e satisfatória, mas é possível que esta resposta tenha permanecido subjetiva, percebida intelectualmente e desejada com aspiração, mas que o Plano e os propósitos do reino de Deus não sejam ainda realmente parte de seu padrão de vida, e não condicionam totalmente as atividades da sua vida e do seu cérebro.

Talvez, portanto, esta visão não faça parte das suas vidas, e não tenha se integrado em suas consciências a tal ponto que se dediquem a ela como no passado se dedicaram a indivíduos; esta visão é uma visão de trabalho de grupo, de relações de grupo, de objetivos de grupo e de fusão de grupo com o Todo maior. Quando isto for compreendido, quando a visão determinar as motivações, as tendências e o trabalho de suas vidas, quando realmente fizer parte do seu instrumental mental, da sua aspiração emocional e das suas atividades, e quando houver grupos em número suficiente animados dessa maneira, então o reino de Deus atuará objetivamente na Terra. Ainda não é o caso, porque as condições necessárias não foram cumpridas.

As primeiras sementes que foram semeadas entre os homens-animal estavam impregnadas ou qualificadas pela separatividade - qualidade necessária para o desenvolvimento da autoconsciência, mas que agora deve ser suplantada.

Os grupos-semente agora em processo de constituição se distinguirão pela qualidade da fusão, desenvolvimento que será tão inevitável como a natureza separatista e defensiva da consciência humana comum. Este senso de união e de unificação é a característica defensiva e essencial do quinto reino e é o fator latente, ainda que ativamente presente, que leva, sem erro possível e inevitavelmente à organização - interna e subjetiva - dos grupos-semente, à sua atividade irradiante e à atração magnética que evidenciam quando devidamente organizados. Desta maneira produzem fusão e harmonização.

Exponho aqui novos ideais e possibilidades na linguagem mais simples possível; não procuro empanar nem obscurecer sua simplicidade e verdade por meio de inúmeras explicações. O que eu disse deve ser lido com o olho da visão e a compreensão do coração. Os discípulos devem ter essas duas faculdades como parte de seu instrumental prático. Meus irmãos, já têm essas faculdades, ou procuram cultivá-las e desenvolvê-las?

Outro aspecto deste trabalho de grupo é a sua influência penetrante e não dinâmica no início. A força que exercerá mais tarde será resultado das pressões constantes e ao desenvolvimento da influência e dos ideais do grupo. Portanto, em última análise, sua efetividade é de muito longo alcance, desde que o trabalho seja feito conforme indicado. Dois fatores, afinal, o promoverão: um, o poder dos grupos nos planos mais sutis do pensamento e do desejo e depois, finalmente, nos níveis egoicos; isso vai se tornar cada vez mais regular e potente; o outro fator, a atividade dos integrantes dos grupos-chave, os quais formarão os correspondentes grupos de nove, sete ou cinco, possibilitando assim a extensão progressiva de uma rede esotérica em todo o mundo. A maioria não está ainda preparada para isso, mas gostaria que o mantivessem em mente. O verdadeiro interesse e a aceitação do indicado como essencial para o discípulo e o trabalho devem, antes de tudo, se manifestar pacientemente.

Usei muito o termo "subjetivo" em meus escritos, a fim de deslocar o foco da atenção para o que se encontra sob a superfície. No caso dos aspirantes, diz respeito à síntese subjetiva nos três mundos, e não aos planos astral e mental como tais ou especificamente aos níveis egoicos. Se o reino interno das realidades divinas deve se manifestar na Terra, será pelo surgimento da síntese interna no plano físico e isto se produz pelo reconhecimento vital, e pela expressão das realidades e leis que regem esse reino. A organização que segue a Visão é de natureza inteiramente subjetiva e de qualidade penetrante. É um processo de germinação, mas se o que germina não aparece oportunamente na manifestação objetiva, a atividade terá fracassado.

A influência desses novos grupos se deve à estreita relação interna demonstrada por um pensamento uniforme e uma unidade de propósito reconhecida. É por esta razão (de natureza realmente científica) que enfatizei de maneira tão veemente as características efetivas do discípulo treinado, que são ausência de crítica, sensibilidade e amor. Onde não existem, a unidade simultânea, o pensamento direcionado e o "perfume do grupo” (como é chamado esotericamente, embora a palavra que estou tentando traduzir seja mais adequada do que esta) são impossíveis. Não é meu interesse eliminar as falhas obstrutoras no interesse do indivíduo, mas para fazer progredir os propósitos de grupo desejados. É necessário que o pensamento de grupo seja de natureza potente nas linhas indicadas; que a visualização da Visão seja tão clara que se torne um fato para o individuo; que o desenvolvimento e a atuação da imaginação, aplicados às linhas das consequências e resultados, sejam exercidos com tanta criatividade que os resultados sejam percebidos com clareza e que, inevitavelmente, devam se materializar. Implica também manter a ligação subjetiva interna entre os membros, com tal firmeza que potentes centros de força e de energia criadora - atuando sob a inspiração da Hierarquia, por meio de mentes enfocadas dos membros do grupo que estejam claramente em contato com suas almas e entre si - possam atuar de maneira tão exitosa que a nova civilização e a nova cultura se estabeleçam rapidamente. Como o fundamento para este propósito tem de ser a boa vontade amorosa e a não-destruição, e como seus métodos levam às corretas relações entre os homens e as nações, é fundamental que os grupos que as estabeleçam expressem eles próprios os aspectos mais sutis dessas virtudes e resultados desejados.

No trabalho que os grupos de serviço devem procurar desenvolver, a ênfase deve recair sobre uma atividade científica e organizada. Esotericamente, implica a compreensão da ciência básica do ocultismo, que é a ciência da energia. As qualidades, as características e as atividades com as quais devem se comprometer são precisamente a expressão e a compreensão da energia em determinada linha. Até agora, a maioria tem empregado a força, e seu impacto sobre outras forças foi observado e registrado como uma força que faz impacto sobre outra força, produzindo assim resultados fundados na força. Porém, gostaria que, como esoteristas, se ocupassem da energia e do resultado de seu impacto sobre as forças. É o aspecto científico da vida ocultista.

O mundo hoje está cheio de forças em conflito e de relações recíprocas erradas, produzindo o atual caos. A governança que virá posteriormente encontrará expressão pela atuação da energia espiritual sobre as forças nos três mundos, e essa será a tarefa dos novos grupos quando estiverem organizados e atuarem corretamente. Com estas palavras sintetizei um dos primeiros e mais importantes objetivos do trabalho grupal com o qual eu e outros trabalhadores, do lado espiritual da vida, estamos ocupados atualmente. Podem entender um pouco o significado destas palavras se observarem o efeito que vocês mesmos produzem em seu ambiente durante os momentos em que conseguem viver como almas e, portanto, expressam a energia da alma, contrariando as forças da personalidade em vocês mesmos e nos que os cercam.

O desejo da Hierarquia nesta época é preencher este mundo de forças em luta com pontos de energia espiritual e distribuir por toda parte aqueles que estão afiliados a grupos espirituais e, portanto, vinculados subjetivamente com seus irmãos de grupo em todas as terras, de maneira que uma influência penetrante e inteligente possa exercer impacto incessantemente sobre as mentes dos homens e produzir, afinal, os bons sentimentos, a boa vontade e os bons modos de vida necessários.

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