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Livros de Alice Bailey

A Exteriorização da Hierarquia

Índice Geral das Matérias


Seção I - Observações de Introdução
O Período de Transição
A Urgência Atual
Uma Oportunidade Desafiadora
Grupos-semente da Nova Era
O Trabalho dos Grupos-semente
A Tarefa Imediata

O Período de Transição

Março de 1934

Um dos resultados na atual condição mundial é a aceleração de todas as vidas atômicas na superfície e no interior do planeta. Implica, necessariamente, em uma atividade vibratória ampliada do mecanismo humano, com o consequente efeito sobre a natureza psíquica, produzindo uma sensibilidade anormal e uma percepção psíquica. Seria bom lembrar que a atual condição da humanidade não é resultado de um único fator, mas sim de vários - todos ativos simultaneamente, porque este período marca o fim de uma era e o início da nova.

Os fatores aos quais me refiro são, fundamentalmente, três:

1. Vivemos um período de transição entre o fim da era de Peixes, com sua ênfase na autoridade e na crença, e o início da era de Aquário, que enfatiza a compreensão individual e o conhecimento direto. A atividade destas forças características dos dois signos produz uma atividade correspondente nos átomos do corpo humano. Estamos nas vésperas de novos conhecimentos, e os átomos do corpo estão sendo sintonizados para recebê-los. Os átomos predominantemente piscianos estão começando a reduzir a atividade e a ser "retirados ocultamente" ou abstraídos, como se costuma dizer, enquanto os que respondem às tendências da nova era, por sua vez, estão sendo estimulados e têm sua atividade vibratória aumentada.

2. A guerra mundial marcou um ponto culminante na história da humanidade e seu efeito subjetivo foi muito mais potente do que se pensa. Pelo poder do som prolongado, realizado como grande experimento nos campos de batalha de todo o mundo durante um período de quatro anos (1914-1918), e pela intensa tensão emocional de toda a população planetária, a rede de matéria etérica (chamada de "véu do templo") que separa os planos físico e astral foi esgarçada ou rasgada, dando início ao assombroso processo de unificação dos dois mundos, o da vida no plano físico e o da experiência no plano astral, o que ainda continua lentamente. Portanto, ficará evidente que isto deve produzir grandes mudanças e alterações na consciência humana. Ao mesmo tempo, em que se inaugurará na era do entendimento, da fraternidade e da iluminação, também produzirá reações e a liberação de forças psíquicas que hoje ameaçam os incontrolados e os ignorantes, e justificam a emissão de uma nota de advertência e precaução.

3. O terceiro fator é o seguinte: há muito os místicos de todas as religiões mundiais e os estudantes de esoterismo sabem, em todas as partes, que membros da Hierarquia planetária estão se aproximando cada vez mais da Terra atualmente. Por isto, gostaria que deduzissem que o pensamento ou a atenção mental do Cristo e de alguns de Seus grandes discípulos, os Mestres de Sabedoria, está dirigido ou enfocado, nesse momento, para os assuntos humanos, e que alguns d’Eles estão se preparando para romper Seu longo silêncio e poderiam aparecer mais tarde entre os homens. Isto necessariamente exerce um potente efeito. Primeiro, sobre Seus discípulos e aqueles que estão sintonizados e sincronizados com Suas mentes e, segundo, devemos lembrar que a energia que flui por intermédio desses pontos focais da Vontade Divina exercerá um duplo efeito: será tanto destrutiva como construtiva, conforme a qualidade dos corpos que reagem a ela. Diferentes tipos de homens respondem de maneira característica a qualquer afluência de energia e, atualmente, está ocorrendo um enorme estímulo psíquico, com resultados divinamente benéficos ou tristemente destrutivos.

Poderíamos acrescentar que certas relações astrológicas entre as constelações vão liberando novos tipos de forças que atuam sobre o nosso sistema solar e sobre o nosso planeta, possibilitando desenvolvimentos cuja expressão até agora havia sido frustrada, e trazendo a demonstração de poderes latentes e a manifestação de novos conhecimentos no âmbito do nosso planeta. Aquele que trabalha no campo dos assuntos humanos deve ter isto muito cuidadosamente presente, se quiser que a crise atual receba uma avaliação correta e tenha suas esplêndidas oportunidades bem aproveitadas. Achei conveniente expor em poucas palavras a condição existente hoje no mundo, especialmente com os grupos esotéricos, ocultistas, místicos e o movimento espírita.

Todos os verdadeiros pensadores e trabalhadores espirituais estão preocupados atualmente com a proliferação da delinquência em toda parte, com a expansão dos poderes psíquicos inferiores, com a aparente deterioração do corpo físico, revelada pela proliferação de doenças, e pelo extraordinário aumento das doenças mentais, da neurose e do desequilíbrio mental. Tudo isto é resultado do esgarçamento da rede planetária e, ao mesmo tempo, parte do Plano evolutivo, proporcionando a oportunidade pela qual a humanidade poderá dar seu próximo passo. A opinião da Hierarquia de Adeptos difere (se podemos aplicar uma palavra tão inadequada a um grupo de almas e irmãos que não conhecem sentimento algum de separatividade, diferindo unicamente sobre os problemas da "habilidade na ação") a respeito da atual condição mundial. Alguns consideram que a oportunidade é prematura e, em consequência, indesejável, e que produziria uma situação difícil; outros se apoiam na sanidade básica da humanidade, considerando a crise atual como inevitável e produzida pelo próprio desenvolvimento do homem. Consideram esta situação como uma fonte de ensinamento, sendo um problema temporário que - quando solucionado - conduzirá a humanidade a um futuro ainda mais glorioso. Porém, ao mesmo tempo, não se pode negar que grandes forças, muitas vezes devastadoras, foram liberadas sobre a Terra, e que seus efeitos são causa de uma séria inquietude entre todos os Mestres, Seus discípulos e colaboradores.

A dificuldade pode ser atribuída principalmente a um estímulo excessivo e a uma indevida tensão no mecanismo dos corpos que o mundo das almas (em encarnação física) tem que empregar quando procura se manifestar no plano físico e assim responder ao seu ambiente. A corrente de energia vertida do plano astral e (em menor grau) do plano mental inferior entra em contato com os corpos. De início, eles não respondem, mas depois se tornam responsivos em excesso. A energia é vertida em certas células do cérebro que, por falta de uso, não estão acostumadas ao poderoso ritmo que lhes é imposto. O caudal de conhecimento da humanidade é tão medíocre que a maioria dos indivíduos carece de bom senso para progredir com prudência e avançar lentamente. Por isso, quase imediatamente enfrentam perigos e dificuldades. Em muitos casos são de natureza tão impura e egoísta, que os novos poderes que estão começando a fazer sentir sua presença, e que abrem, assim, novas vias para percepção e contato, são postos a serviço de fins puramente egoístas e degradados por objetivos materiais. Os vislumbres concedidos ao homem sobre o que há por trás do véu são mal interpretados, e as informações adquiridas são mal-empregadas e distorcidas por motivações erradas. Porém, quer uma pessoa seja involuntariamente vítima da força, quer se coloque em contato com ela de maneira deliberada, pagará o preço de sua ignorância ou temeridade em seu corpo físico, ainda que a sua alma "siga avançando”.

De nada adianta, presentemente, fechar os olhos para o problema imediato ou empenhar-se em responsabilizar os penosos fracassos, os ocultistas destroçados, os médiuns meio enlouquecidos, os místicos alucinados e os diletantes em esoterismo de mente fraca, esses às portas da própria estupidez, nem acusar certos instrutores, grupos ou organizações. Grande parte da culpa pode estar em um ou outro, mas faz parte da sabedoria enfrentar os fatos e compreender a causa do que está se tornando público e que pode ser exposta da seguinte maneira:

A causa do aumento do psiquismo inferior e da crescente sensibilidade da humanidade na hora atual é a afluência repentina de uma nova forma de energia astral pela rasgadura do véu que, até há pouco, protegia muitos. Juntemos a isso a inaptidão de um conjunto de veículos humanos para enfrentar a tensão recentemente imposta, e teremos uma ideia do problema.

Devemos considerar, porém, que a situação tem outro lado. A afluência desta energia levou muitas centenas de pessoas a uma compreensão espiritual nova e mais profunda; abriu uma porta que muitos atravessarão dentro de pouco tempo para tomar a segunda iniciação, e permitiu que uma onda de luz penetrasse no mundo - luz que irá se intensificando nos próximos trinta anos, trazendo a certeza da imortalidade e uma nova revelação das potencialidades divinas no ser humano. É a aurora da Nova Era. O acesso a níveis de inspiração, até agora inacessíveis, foi facilitado. O estímulo das faculdades mais elevadas (e em larga escala) é agora possível, e a coordenação da personalidade com a alma e o correto uso da energia podem avançar com renovado entendimento e empenho. Continuamente, a senda é para os fortes e, como sempre, muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Assim é a lei oculta.

Estamos agora em um período de considerável potência espiritual e de oportunidades oferecidas para todos no caminho de provação e no caminho do discipulado. Nesta hora, soa um toque de clarim para o homem ter bom ânimo e boa vontade, pois a libertação está a caminho. Mas é também a hora de perigo e de ameaça para o incauto e o irresoluto, para o ambicioso, o ignorante, e para aqueles que buscam o Caminho de maneira egoísta e que se recusam a percorrer o caminho do serviço com motivação pura. No caso desta desarticulação generalizada e do consequente desastre para tantos lhes parecerem injustos, lembrarei que uma vida é apenas um segundo na existência maior e mais ampla da alma, e que aqueles que fracassam e se sentem fragmentados pelo impacto das poderosas forças que estão agora incidindo sobre a nossa Terra, verão, no entanto, a sua vibração "se elevar" para coisas melhores, conjuntamente com aqueles que alcançam o objetivo, mesmo se seus veículos físicos são destruídos ao longo do processo. A destruição do corpo não é o maior desastre que pode sobrevir a um homem.

Não tenho a intenção de cobrir todo motivo possível em relação à situação no campo do psiquismo causada pelo influxo atual de energia astral. Limito-me ao efeito deste influxo sobre os aspirantes e as pessoas sensíveis. Nesse artigo, uso essas duas palavras - aspirantes e pessoas sensíveis - para diferenciar o investigador desperto, que controla e domina (a natureza psíquica inferior), do médium controlado e dominado (por ela). É necessário lembrar nesta altura que o assim chamado psiquismo pode ser dividido em dois grupos:

Psiquismo Superior Psiquismo Inferior
Divino Animal
Controlado Não controlado
Positivo Negativo
Inteligentemente aplicado Automático
Mediador Mediúnico

Estas diferenças são pouco compreendidas, como também não é captado o fato que essas duas séries de qualidades indicam nossa divindade. Todas são expressões de Deus.

Há certos poderes psíquicos que os homens compartilham com os animais, poderes instintivos e inerentes ao corpo animal, mas que, na maioria (dos seres humanos), caíram abaixo do patamar da consciência, onde permanecem ignorados e, portanto, inúteis. São, por exemplo, os poderes de clarividência e clariaudiência astrais, a percepção de cores e fenômenos similares. A clarividência e a clariaudiência também são possíveis nos níveis mentais, que denominamos de telepatia e de visualização de símbolos, porque toda visão de formas geométricas é clarividência mental. Entretanto, estes poderes estão ligados ao mecanismo humano ou mecanismo de resposta, que chamamos de personalidade, e servem para colocar o homem em contato com os aspectos do mundo fenomênico. São o resultado da atividade da alma divina no homem, que toma a forma do que chamamos de "alma animal", que na realidade corresponde ao aspecto Espírito Santo na trindade humana microcósmica. Cada um desses poderes (inferiores) corresponde a um poder espiritual superior que se manifesta quando a alma se torna conscientemente ativa e controla seu mecanismo por intermédio da mente e do cérebro. Quando a clarividência e a clariaudiência astrais não estão mais abaixo do patamar da consciência, mas são ativamente usadas e estão funcionando, significa que o centro do plexo solar está aberto e ativo. Quando as faculdades mentais correspondentes estão presentes na consciência, isso significa que o centro da garganta e o centro entre as sobrancelhas estão "despertando" e se ativando. Porém, os poderes psíquicos superiores, como a percepção espiritual com seu conhecimento infalível, a intuição com seu discernimento sempre correto e a psicometria superior com seu poder de revelar o passado e o futuro são prerrogativas da alma divina. Estes poderes superiores entram em ação quando o centro da cabeça, o centro do coração e o centro da garganta se tornam ativos como resultado da meditação e do serviço. Que o estudante, porém, se lembre de duas coisas:

Que o maior pode sempre incluir o menor, mas que o psiquismo puramente animal não inclui o psiquismo superior.

Que entre o tipo mais baixo de mediunidade negativa e o tipo mais elevado de vidente e instrutor inspirado há uma grande diversidade de graus, e que os centros não são uniformemente desenvolvidos na humanidade.

O tema é muito complexo, mas é possível captar a situação geral, compreender o significado da oportunidade oferecida e usar corretamente o conhecimento para extrair o bem do atual período crítico, assim fomentando e nutrindo o crescimento psíquico e espiritual do homem.

Na hora atual, creio que duas perguntas deveriam absorver a atenção dos colaboradores no campo do esoterismo e daqueles que estão empenhados em instruir estudantes e aspirantes.

I. Que instrução podemos dar aos que são sensíveis e aos médiuns para evitar os perigos e para os homens avançarem com segurança para a sua gloriosa herança?

II. Como as escolas esotéricas ou "disciplinas", como são às vezes denominadas, podem aproveitar corretamente a oportunidade oferecida?
Falemos primeiro do treinamento e da proteção dos nossos médiuns e das pessoas sensíveis.

I. A instrução aos médiuns

A primeira coisa a ter presente é que a mediunidade e o psiquismo negativo e ininteligente reduzem seus expoentes ao nível de um autômato; são perigosos e desaconselháveis, porque privam o homem de seu livre-arbítrio e de sua positividade, e militam contra seu papel como ser humano livre e inteligente. O homem, nestes casos, não está atuando como canal de sua própria alma, é pouco melhor que um animal instintivo, se não for literalmente uma concha vazia, que uma entidade obsessora pode ocupar e usar. Ao falar assim, refiro-me ao tipo muito inferior de mediunidade animal que existe em excesso nestes dias e preocupa as melhores mentes dos movimentos que fomentam a mediunidade. Uma mediunidade pode ser boa e correta quando abordada em plena consciência, com uma atitude concentrada, na qual o médium desocupa seu corpo com todo conhecimento de causa e de maneira inteligente para uma entidade da qual é plenamente consciente ,e que toma posse do seu corpo com sua permissão, a fim de servir a algum fim espiritual e ajudar aos semelhantes. Porém, quantas vezes se vê este tipo de mediunidade? Pouquíssimos médiuns conhecem a técnica que governa a entrada e saída de uma entidade informante, nem sabem como realizar esta operação de modo a nunca perder um só instante a consciência do que estão fazendo e do propósito de sua atividade. Com definida intenção, cedem momentaneamente seu corpo a outra alma para prestar serviço, conservando sua própria integridade todo o tempo. A expressão mais elevada deste tipo de atividade foi o dom de seu corpo pelo discípulo Jesus para ser empregado pelo Cristo. Na palavra serviço está contida toda a história e proteção. Quando esta verdadeira mediunidade for mais bem entendida, o médium sairá do seu corpo com plena consciência, através do orifício no alto da cabeça, e não como acontece agora, geralmente, pelo plexo solar, sem ter conhecimento da transação e sem nenhuma lembrança do que aconteceu.

Teremos então a entrada temporária de um novo ocupante ao longo de uma linha de vibração sincronizada pela entrada da cabeça, e o consequente uso do instrumento, emprestado para prestar algum tipo de serviço. Porém, este procedimento nunca deverá ser usado para satisfazer alguma vã curiosidade ou um sofrimento igualmente vão, fundado na solidão e na autocomiseração pessoais. Atualmente, muitos médiuns de tipo inferior são explorados pelo público curioso ou infeliz e por esses peculiares seres humanos cuja consciência está centrada totalmente abaixo do diafragma, cujo plexo solar é de fato seu cérebro (como é o cérebro do animal), sendo obrigados a atuar como médiuns para satisfazer o deleite da sensação ou a ânsia de consolo de seus semelhantes, tão sem inteligência quanto eles.

Também há médiuns de ordem muito mais elevada, que dedicam suas vidas a serviço das almas avançadas que se encontram do outro lado do véu, e que doam a si para que seus semelhantes retirem assim um ensinamento. Desse modo, as almas são ajudadas dos dois lados do véu e têm a oportunidade de ouvir ou de servir. Mas também esses últimos se beneficiariam mediante um treinamento mais inteligente e uma compreensão mais exata da técnica de seu trabalho e da organização de seus corpos. Seriam canais melhores e intermediários mais seguros.

Acima de tudo, é preciso que os médiuns compreendam hoje a necessidade de controlar e de não ser controlado; compreender que tudo o que fazem pode ser feito por qualquer discípulo treinado da Sabedoria Eterna, se a ocasião exigir e as circunstâncias justificarem tal emprego de força. Os médiuns são facilmente enganados. Por exemplo: é evidente que no plano astral existe uma forma-pensamento de mim mesmo, vosso irmão Tibetano. Quem recebeu as instruções mensais do grau de discípulos, aqueles que leram os livros que dei ao mundo com a ajuda de A.A.B., e também aqueles que trabalham em meu grupo pessoal de discípulos, natural e automaticamente ajudaram a construir esta forma-pensamento astral. Não sou eu, pois não está ligada a mim nem Eu a utilizo. Eu me dissociei dela com determinação, e não a uso como meio para entrar em contato com aqueles a quem ministro instrução, porque decidi trabalhar totalmente em níveis mentais, limitando por isso, sem dúvida, meu campo de contatos, mas aumentando a eficácia do meu trabalho. Esta forma-pensamento astral é uma distorção da minha pessoa e do meu trabalho, e é inútil dizer que se parece com uma concha animada e galvanizada.

Por esta forma conter muita substância emocional e também certa quantidade de substância mental, pode ter muito atrativa, e sua validade é análoga a de todas as conchas com que se entra em contato, por exemplo, nas sessões mediúnicas, e se apresentam como se fossem eu. Quando a intuição não está desperta, a ilusão é completa e real. Portanto, os estudantes fervorosos podem sintonizar-se com grande facilidade com esta forma ilusória e ser totalmente enganados. Sua vibração é de uma ordem relativamente elevada. Seu efeito mental é como uma bela paródia de mim mesmo, e possibilita pôr os devotados, que são enganados, em contato com uma leitura na luz astral, sendo apenas o reflexo dos registros akáshicos. São os eternos pergaminhos nos quais está inscrito o plano para o nosso mundo e dos quais, aqueles de nós que ensinam, extraem os dados e grande parte das nossas informações, que a luz astral distorce e atenua. Como se trata de uma imagem distorcida que atua nos três mundos da forma e carece de uma fonte válida mais elevada que a da forma, contém em si as sementes da separatividade e do desastre. Ela emana lisonjas, ideias de separatividade, pensamentos que nutrem a ambição e fomentam o amor ao poder; no contato com ela aparecem os germes do desejo e dos anseios pessoais que dividem os grupos. Os resultados são muito penosos para os que foram enganados assim.

Gostaria de assinalar que a mediunidade de transe, como é chamada, deve inevitavelmente ceder lugar à mediunidade oferecida pelo indivíduo clarividente ou clariaudiente no plano astral, em plena consciência desperta e com o cérebro alerta e ativo. Ele pode se oferecer como intermediário entre os homens em corpos no plano físico (e, portanto, cegos e surdos nos níveis sutis) e aqueles que, tendo descartado seus corpos, estão cortados da comunicação física. Este tipo de médium pode se comunicar com os dois grupos, e seu valor e utilidade são inestimáveis quando eles são resolutos, altruístas, puros e dedicados ao serviço. Entretanto, no treinamento a que se submeterem, devem evitar os métodos negativos atuais e, em vez de "sentar-se à mesa para desenvolver a mediunidade” em um silêncio vazio e expectante, devem se esforçar por agir positivamente como almas, permanecendo de posse consciente e inteligente do mecanismo inferior de seus corpos. Devem saber que centro do corpo empregam no trabalho psíquico, e devem aprender a observar, como almas, o mundo de ilusão no qual estão realizando o trabalho. De sua posição elevada e pura, devem ver com nitidez, ouvir com clareza e informar com exatidão, servindo assim à sua era e geração, fazendo do plano astral um lugar de atividade familiar e bem conhecido, acostumando o gênero humano a um estado de existência no qual seus semelhantes se encontram, encontram um campo de experiência, vivem e seguem o Caminho.

Não posso descrever a técnica deste treinamento. O tema é vasto demais para um breve artigo. Digo, porém, enfaticamente, que é necessário um treinamento mais cuidadoso e sábio e um uso mais inteligente do conhecimento que está disponível para quem o procura. Apelo a todos que se interessam pelo conhecimento psíquico para que estudem, pensem e experimentem, e ensinem e aprendam, até chegar a hora em que todo o nível dos fenômenos psíquicos se eleve da sua atual posição de ignorância, especulação e negatividade para a de profunda certeza, técnica comprovada e expressão espiritual. Apelo aos movimentos tais como as Sociedades de Pesquisas Psíquicas do mundo e ao vasto movimento espírita para enfatizarem a expressão divina e não os fenômenos; que abordem a questão do ângulo do serviço, e levem suas pesquisas ao reino da energia e cessem de brindar o público com o que ele deseja. A oportunidade que se oferece é grande e a necessidade de seu trabalho é vital. O serviço prestado foi real e essencial, mas se estes movimentos querem aproveitar o novo fluxo de energia espiritual, devem trasladar sua atenção para a esfera dos verdadeiros valores. Um dos objetivos principais deveria ser o treinamento do intelecto e a apresentação ao mundo de um grupo de médiuns inteligentes. Então, o plano astral será para eles apenas uma etapa no caminho para o mundo onde todos os Guias e Mestres espirituais residem, de onde todas as almas vêm à encarnação e para onde retornam após amadurecidas pela experiência.

Talvez se perguntem quais seriam os temas que este treinamento deveria conter. Sugeriria que se ensine sobre a constituição do homem, o propósito e os objetivos da alma. A instrução poderia incluir a técnica de expressão, além do uso prudente dos centros do corpo etérico, e o desenvolvimento da capacidade de conservar incólume a atitude positiva do observador, que é sempre o fator direcionador e controlador. Será preciso analisar cuidadosamente o tipo e o caráter do médium, e aplicar métodos diferenciados e adaptados para poder progredir com o mínimo de dificuldade possível. As escolas e classes de instrução que procuram desenvolver o estudante devem ser graduadas de acordo com sua etapa de evolução, e é preciso deixar de colocá-lo ao acaso em um grupo na esperança otimista de que lhe acontecerá alguma coisa.

A meta para o médium negativo de grau inferior deveria ser o treinamento da mente e o fechamento do plexo solar até que ele possa atuar como verdadeiro mediador; se isto envolve a cessação temporária de seus poderes mediúnicos (e, portanto, de sua exploração comercial), tanto melhor para ele, considerando-se que ele é uma alma imortal que tem um destino e uma finalidade espirituais.

A instrução dada ao médium inteligente deve conduzi-lo à plena compreensão de si e de seus poderes; ele deveria desenvolver seus poderes com cuidado e sem riscos, e se estabilizar na posição de fator controlador positivo. Seus poderes de clarividência e clariaudiência deveriam ser aperfeiçoados gradualmente, sendo preciso que ele cultive uma correta interpretação do que vê e entra em contato no plano da ilusão, o plano astral.

Veremos assim surgir gradualmente no mundo um grande corpo de médiuns treinados, cujos poderes serão compreendidos, que atuarão no plano astral com tanta inteligência como no plano físico, e que se prepararão para expressar os poderes psíquicos superiores: percepção espiritual e telepatia. Estas pessoas constituirão oportunamente um corpo de almas vinculadoras, servindo de intermediárias entre os que não podem ver nem ouvir no plano astral porque são prisioneiros do corpo físico, e os que são igualmente prisioneiros no plano astral, por carecer do mecanismo físico de resposta.

Portanto, a grande necessidade não é deixar de consultar e treinar nossos médiuns, mas de instruí-los corretamente e protegê-los de maneira inteligente, vinculando assim, por seu intermédio, o mundo físico e o mundo astral.

II. Escolas e Disciplinas Esotéricas

Nosso segundo tema se relaciona com o trabalho das escolas ou "disciplinas" esotéricas, conforme denominadas às vezes a instrução e a proteção dos aspirantes que trabalham nelas.

Antes de tudo gostaria de esclarecer um ponto. O grande obstáculo para o trabalho da maioria das escolas esotéricas hoje é o seu sentido de separatividade e sua intolerância com relação às outras escolas e métodos. Os dirigentes dessas escolas devem compreender o seguinte fato: todas as escolas que reconhecem a influência da Loja trans-himalaiana e cujos trabalhadores estão vinculados consciente ou inconscientemente com os Mestres de Sabedoria, como o Mestre Morya ou o Mestre K.H., formam uma só escola sendo parte de uma "disciplina”. Portanto, não existem essencialmente conflitos de interesses. No aspecto interno - se atuam de alguma maneira de forma eficaz - as diferentes escolas e apresentações são consideradas como uma unidade. Não há diferença básica no ensinamento, embora a terminologia empregada possa variar; a técnica do trabalho é fundamentalmente idêntica. Se queremos que o trabalho dos Grandes Seres avance como é de se desejar nestes dias de tensão e necessidade mundiais, é imperativo que os diferentes grupos comecem a reconhecer a verdadeira unidade de seu objetivo, direção e técnica, e que seus dirigentes compreendam que o medo de outros dirigentes e o desejo de que seu grupo seja numericamente o mais importante levam ao uso frequente de palavras como: "é uma disciplina diferente", ou "seu trabalho não é o mesmo que o nosso". Esta atitude impede o verdadeiro desenvolvimento da vida e da compreensão espirituais entre os inúmeros estudantes, reunidos nas múltiplas organizações externas. Atualmente, a "grande heresia da separatividade" os corrompe. Os dirigentes e os membros falam em termos de "nosso" e "vosso", "desta disciplina" e "daquela", que este método é o correto (em geral o próprio) e o outro talvez seja correto, mas possivelmente duvidoso ou positivamente errado. Cada qual considera que seu próprio grupo está especificamente consagrado a ele e a seu método de instrução, e ameaça os membros com consequências desastrosas se colaborarem com os membros de outros grupos. Em vez disso, deveriam reconhecer que todos os estudantes que trabalham em escolas análogas e segundo os mesmos impulsos espirituais, são membros da escola una e estão vinculados em uma unidade subjetiva básica. É preciso que um dia estes diversos corpos esotéricos, atualmente separatistas, proclamem sua identidade e que os dirigentes, estudantes e secretários se encontrem e aprendam a se conhecer e a se compreender. Algum dia este reconhecimento e compreensão os levarão ao ponto em que procurarão complementar os esforços mútuos, trocar ideias, e constituirão, em verdade e de fato, uma grande escola de esoterismo no mundo, com diferentes cursos e graus, mas todos ocupados na tarefa de instruir aspirantes e prepará-los para o discipulado, ou em supervisionar o trabalho dos discípulos que se preparam para tomar a iniciação. Então, cessarão as tentativas atuais de obstruir o trabalho mútuo por comparações de métodos e técnicas, pela crítica e difamação, pela desmotivação e o cultivo do medo, e a insistência na exclusividade. São estas atitudes e métodos que hoje estão entravando a entrada da luz pura da verdade.

Os aspirantes nestas escolas apresentam um problema diferente dos psíquicos e médiuns comuns. Estes homens e mulheres se ofereceram para o treinamento intelectual e se submeteram a um processo forçado, destinado ao pleno florescimento da alma prematuramente, a fim de servir à raça mais rápida e eficazmente, e colaborar com o plano da Hierarquia. Tais estudantes se expõem a perigos e dificuldades que teriam evitado se tivessem escolhido o caminho mais lento, porém mais seguro. Todos os estudantes dessas escolas deveriam compreender este fato, e o problema deve ser cuidadosamente explicado ao aspirante admitido, para que se mantenha alerta e observe com cuidado as regras e instruções. Ele não deve ter medo nem recusar a se submeter a este processo forçado; mas deve abordá-lo com os olhos bem abertos e aprender a se valer das proteções oferecidas e da experiência dos estudantes mais antigos.

Em todas as escolas esotéricas, a ênfase concentra-se, necessária e corretamente, na meditação. Do ponto de vista técnico, a meditação é o processo pelo qual o centro da cabeça desperta, é controlado e usado. Quando isto acontece, a alma e a personalidade se coordenam e fusionam, e tem lugar uma unificação que produz no aspirante uma enorme afluência de energia espiritual, energizando todo seu ser, tornando-o ativo e trazendo à superfície todo o bem latente e também o mal. Aqui reside grande parte do problema e do perigo. Por isso a insistência de tais escolas verdadeiras na necessidade de pureza e verdade. Insistiu-se demais na necessidade de pureza física e não suficientemente na necessidade de evitar todo fanatismo e intolerância. Estes dois defeitos são obstáculos para o estudante muito mais que a dieta errada, e nutrem os fogos da separatividade mais que qualquer outro fator.

A meditação implica em viver uma vida unidirecionada, sempre e todos os dias. Isto impõe forçosamente uma indevida tensão nas células do cérebro, pois as células passivas entram em atividade, e a consciência do cérebro desperta para a luz da alma. Este processo de meditação ordenada, quando empreendido durante um período de anos, complementado pela vida meditativa e um serviço direcionado, despertará com êxito todo o sistema e colocará o homem inferior sob a influência e o controle do homem espiritual; também despertará os centros de força no corpo etérico e estimulará, para entrar em atividade, aquela misteriosa corrente de energia que dorme na base da coluna vertebral. Quando este processo é empreendido com cuidado, com a devida proteção e sob direção, e quando o processo se estender sobre um longo período, há pouco perigo e o despertar acontecerá de maneira normal e conforme a lei do próprio ser. No entanto, se a sintonização e o despertar forem forçados, ou realizados por exercícios de distintos tipos antes que o estudante esteja preparado e antes que os corpos estejam coordenados e desenvolvidos, o aspirante então corre diretamente para o desastre. Os exercícios de respiração ou treinamento de pranayama jamais devem ser realizados sem uma direção especializada e somente após anos de dedicação espiritual, de devoção e serviço. A concentração nos centros do corpo físico (com a intenção de despertá-los) deve ser sempre evitada, pois provocará o super estímulo e abrirá portas no plano astral, que o estudante terá dificuldade de fechar. Nunca insistirei demais junto aos aspirantes de todas as escolas ocultistas que a yoga para este período de transição é a da intenção unidirecionada, do propósito dirigido, da prática constante da Presença de Deus e da meditação ordenada e regular, praticada sistemática e constantemente durante anos de esforço.

Quando isto se cumpre com desapego e uma vida de serviço amoroso, o despertar dos centros e a elevação do fogo adormecido de kundalini acontecerá com segurança e sanidade, e todo o sistema será levado à requerida etapa de "plena vitalidade”. Não tenho como advertir suficientemente os estudantes contra os processos de prática intensiva de meditação durante horas, ou contra as práticas que têm por objetivo estimular os fogos do corpo, o despertar de um determinado centro e o estímulo do fogo serpentino. O estímulo geral do mundo é tão grande agora e o aspirante comum está tão sensível e tão refinadamente organizado que a excessiva meditação, a dieta fanática, a redução das horas de sono ou o indevido interesse e ênfase na experiência psíquica perturbarão o equilíbrio mental e, muitas vezes, produzirão um dano irrecuperável.

Que os estudantes das escolas esotéricas se disponham a realizar um trabalho regular, discreto e não emocional. Que se abstenham de horas prolongadas de estudo e meditação. Seus corpos ainda são incapazes de suportar a tensão requerida e só prejudicam a si. Que levem vida normal de trabalho, lembrando, na pressão dos deveres e serviços diários, quem são eles essencialmente e quais são suas metas e objetivos. Que meditem regularmente todas as manhãs, começando com um período de quinze minutos, nunca excedendo quarenta minutos. Que se esqueçam de si ao servir e que não concentrem seu interesse no próprio desenvolvimento psíquico. Que treinem suas mentes com uma medida normal de estudo e aprendam a pensar inteligentemente, de maneira que suas mentes equilibrem as emoções e os habilitem a interpretar corretamente aquilo com que entram em contato, à medida que a percepção aumenta e a consciência se expande.

Os estudantes devem se lembrar de que não basta haver devoção ao Caminho ou ao Mestre. Os Grandes Seres buscam colaboradores e trabalhadores inteligentes, mais do que devoção às Suas Personalidades, e consideram o estudante que caminha independentemente na luz de sua própria alma um instrumento mais confiável do que o fanático devotado. A luz de sua alma revelará ao aspirante sério a unidade que subjaz em todos os grupos e lhe permitirá eliminar o veneno da intolerância que contamina e entrava tantos. Ela fará com que reconheça os princípios espirituais fundamentais que guiam os passos da humanidade; o obrigará a passar por alto a intolerância, o fanatismo e a separatividade que caracterizam as mentes pequenas e o principiante no Caminho, e o ajudará assim a amá-los de tal forma que eles começarão a ver mais corretamente e a ampliar seus horizontes. Ela permitirá que avalie de fato o valor esotérico do serviço e lhe ensinará, acima de tudo, a praticar aquela inofensividade que é a qualidade relevante de todo Filho de Deus. Uma inofensividade que não pronuncia nenhuma palavra que possa prejudicar outra pessoa, que não tem nenhum pensamento que envenene ou interprete erradamente, e que não pratica nenhuma ação que possa ferir nem o mais insignificante de seus irmãos - virtude principal que permitirá ao estudante esotérico trilhar com segurança o difícil caminho do desenvolvimento. Ao acentuar o serviço ao semelhante e a tendência da força vital se exteriorizar para o mundo, não há perigo e o aspirante pode meditar, aspirar e trabalhar com segurança. Sua motivação é pura e ele está procurando descentralizar a personalidade e desviar o foco da atenção de si para o grupo. Desta maneira, a vida da alma pode fluir através dele, expressando-se como amor a todos os seres. Ele sabe que é parte de um todo e que a vida desse todo pode fluir através dele conscientemente, levando-o a entender a fraternidade e a sua unicidade em relação a todas as vidas manifestadas.

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A URGÊNCIA ATUAL

10 de outubro de 1934

Tenho algo a dizer àqueles que recebem minhas palavras tal como são expressas em meus livros e folhetos e que, com interesse e devoção mental, seguem no possível a linha do meu pensamento.

Durante anos, desde 1919, tenho procurado ajudá-los no melhor das minhas habilidades. A Hierarquia (nome que cobre os discípulos ativos de todos os graus) há centenas de gerações visa ajudar a humanidade e, desde o século XV, vem se aproximando regularmente do plano físico e procurando exercer um impacto mais profundo na consciência humana. O resultado é um reconhecimento que contém em si, na atualidade, as sementes da salvação do mundo. Até o século XV o chamado e a atração magnética eram exercidos pelos atentos Irmãos Mais Velhos. Hoje os discípulos internos e externos são tão numerosos, e são tantos os aspirantes mundiais, que o chamado e a atração magnética estão amplamente equilibrados, e o que acontecerá no desenvolvimento do mundo e nos reconhecimentos por parte das raças, será resultado da mútua interação das duas intenções - a intenção dos Mestres de ajudar a humanidade e a dos discípulos e aspirantes mundiais de auxiliá-los nesta tarefa (escolho minhas palavras com cuidado).

Em termos esotéricos, é iminente um ponto de contato, um momento de relação espiritual, e desse momento pode nascer um mundo novo.

Se isso puder ser feito, poderá ser restabelecida na Terra a condição perdida em dias longínquos, quando a Hierarquia (a fim de promover o desenvolvimento mental do homem) saiu de cena durante um certo tempo. Se este contato espiritual puder se realizar, significa que a Hierarquia não estará mais oculta nem será desconhecida, e sua presença será reconhecida no plano físico. No começo isto ocorrerá forçosamente em pequena escala e o reconhecimento estará limitado aos aspirantes e discípulos. Cada vez mais o Novo Grupo de Servidores do Mundo atuará em todas as nações e no mundo todo.

Os dois pensamentos que pretendo plasmar em suas mentes são: primeiro, o restabelecimento desta relação mais estreita; segundo, o trabalho prático que cada um pode fazer para suscitar este reconhecimento geral. Insistirei no ponto de que a atividade final que produzirá esse acontecimento espiritual deve vir do plano externo da vida física. Nós, que nos ocupamos do Plano para "os próximos três anos”, buscamos ardentemente aqueles que podem nos ajudar, aos quais podemos apelar para que realizem esse esforço final que trará o resultado desejado e esperado.

Como prólogo do que tenho a dizer, lembrarei que faço apenas sugestões, que nada do que digo encerra o menor vestígio de autoridade, e também que sou consciente da frequente inutilidade de tais chamados à colaboração. A história do mundo do pensamento prova o fato que os homens muitas vezes se entusiasmam e se sentem esclarecidos e ajudados pelas ideias e pela promessa de um desenvolvimento futuro, mas quando se busca a sua ajuda para materializar a ideia, sua expectativa e interesse se esvaem no plano mental, ou - se chega ao mundo da emoção e do intenso desejo - o sacrifício pedido para que renasça a esperança no plano físico está ausente, ou fraco demais para produzir o resultado desejado.

O que tenho a dizer diante da urgência de obter uma colaboração mais intensa por parte dos que leram com interesse o folheto Os Próximos Três Anos não encerra a mais mínima fração de autoridade. Só faço o chamado na esperança de que intensificarão o esforço no lapso dos dois próximos anos (um já transcorreu), porque depois do início do outono de 1936 qualquer esforço nesta determinada linha terá fracassado ou não será mais necessário nesta forma específica.

Minha única responsabilidade é colocar a oportunidade ante os aspirantes do mundo para lhes indicar as possibilidades inerentes a esta situação especial, indicar as linhas de atividades úteis e, isto feito, retirar a força da minha mente e do meu pensamento para deixar todo aspirante livre para tomar suas próprias decisões.

O folheto Os Próximos Três Anos segue atualmente em sua missão. Seu objetivo é educar a opinião pública. Leva inspiração e poder de produzir rupturas na vida - rupturas que produzirão novas atividades e a cessação de antigas atitudes mentais. Indica um possível acontecimento - a formação no plano físico do grupo de aspirantes e discípulos que, se tiver tempo e oportunidade, poderá salvar um mundo aflito e trazer luz e compreensão à humanidade. Sobre isto não é necessário dizer mais.

Todos vocês leram o plano contido no folheto, o desafio à fé e o chamado para servir estão diante de vocês. Nos próximos dois anos se decidirá se a fusão dos grupos interno e externo dos servidores do mundo pode se realizar, ou se mais tempo deverá transcorrer antes que se possa restabelecer a antiga colaboração entre a Hierarquia e a humanidade.

Falo com amor e quase com ansiedade, tendo maior conhecimento da urgência do momento do que vocês possam ter. Exponho o que tenho a dizer na forma de perguntas, e peço que as formulem a si com calma e sinceridade:

1. Desejo realmente e em verdade o estabelecimento de uma interação mais estreita entre os mundos interno e externo? Se assim é, o que estou disposto a fazer neste sentido?

2. Poderia eu, de alguma maneira, dar uma contribuição precisa para este fim desejado? Examinando minhas circunstâncias de vida específicas, o que mais posso fazer no sentido de:

a. meditação,
b. entendimento do Plano,
c. amor aos meus semelhantes?

Não se esqueçam de que a meditação esclarece a mente sobre a realidade e a natureza do Plano, que o entendimento traz o Plano ao mundo do desejo e que o amor libera a forma que materializará o Plano no plano físico. Para estas três expressões de suas almas, Eu os convoco. Todos, sem exceção, podem servir destas três maneiras, se assim quiserem:

3. O objetivo de todo o trabalho a realizar agora é educar a opinião pública e familiarizar as pessoas reflexivas com a urgência e a oportunidade dos próximos dois anos. Se assim é, o que faço eu para possibilitá-lo? Ampliando esta pergunta:

a. Falei com quem pude em meu ambiente, ou me abstive por medo?

b. Possibilitei que se distribuísse amplamente o folheto sobre este tema? A distribuição do folheto na forma presente só é possível até o outono de 1936; portanto, o tempo é curto.

c. Ajudei tanto quanto possível de forma material e financeira? Posso fazer mais do que fiz até agora para atender esta necessidade?

d. Posso dar algo mais do meu tempo para auxiliar este trabalho, para ajudar os que estão distribuindo o folheto, ou para reunir pessoas para trocar ideias? Posso dedicar tempo todos os dias a esta ideia e serviço bem definidos?

Responder ao meu chamado implicará em sacrifício, mas todos que captam o Plano dispensam esforços para elevar a humanidade sempre para mais alto e para maior luz. Suas mãos devem ser fortalecidas, seu trabalho necessita de ajuda, e cada um de vocês pode fazer mais do que está fazendo, por meio da meditação, do dinheiro e do pensamento, a fim de salvar o mundo, educar a opinião pública, e assim fazer despontar o Novo Dia.

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UMA OPORTUNIDADE DESAFIADORA

Abril de 1935

Durante o Festival de Wesak deste ano, Aqueles que procuram elevar e aproximar a humanidade da luz e expandir sua consciência, reunirão suas forças para uma renovada aproximação, com suas inevitáveis consequências, as quais estimularão a família humana para um novo esforço espiritual. Este processo e os excelsos Seres envolvidos, foram descritos em minha mensagem anterior. Eles impulsionam o fortalecimento do Novo Grupo de Servidores do Mundo, a fim de que este possa trabalhar com maior eficácia, visionar o Plano com maior clareza e - no interior do grupo - alcançar maior integração. Desta maneira, poderão ajudar na execução dos planos do Concílio da Hierarquia para atender a emergência humana imediata. Como já disse, não são formulados planos para a humanidade, pois a humanidade determina seu próprio destino; o esforço se direciona para estabelecer de uma relação mais estreita entre a humanidade e a Hierarquia.

Todos os aspirantes e discípulos podem participar deste esforço de maneira a facilitar a tarefa dos Mestres por meio da clareza de seus pensamentos, de seus esforços espirituais renovados e de uma nova consagração ao serviço. Peço-lhes este esforço. Trata-se de um esforço contínuo, que se estenderá por muitos anos. A oportunidade será oferecida a todos os verdadeiros servidores e aspirantes e, sobretudo, ao Novo Grupo de Servidores do Mundo, de participar no estabelecimento do impulso necessário no ciclo imediato.

Portanto, peço-lhes um mês de silêncio interno, de pensamento introspectivo, de autocontrole e meditação, de autoesquecimento e de atenção à oportunidade e não à própria aspiração interna de autorrealização. Concentrem-se na necessidade que o mundo tem de paz, de compreensão mútua e de iluminação e esqueçam-se totalmente das suas próprias necessidades - mentais, emocionais e físicas. Convido-os à oração e ao jejum, embora devam decidir por si qual será sua abstinência. Durante os cinco dias de meditação, peço-lhes um jejum mais completo, um profundo silêncio, a concentração interna, a pureza de pensamento e um espírito ativo de bondade amorosa que os converterá em um canal puro. O trabalho da Hierarquia será assim facilitado e se abrirá a porta para as forças regeneradoras dos Seres extraplanetários que oferecem sua ajuda atualmente e, particularmente, no ano de 1936. A resposta a este Festival dará a medida da oportunidade para a direção dos Grandes Seres .

Agora vou lhes pedir uma coisa prática. Queiram dizer toda manhã e toda noite, com todo o desejo de seus corações e atenção mental, as seguintes palavras que, pronunciadas de maneira conjunta, estabelecerá um ritmo e um impulso de grande potência:

Que as Forças da Luz tragam iluminação a toda a humanidade.

Que o Espírito de Paz se irradie por todo o mundo.

Que os homens de boa vontade de todas as partes se unam em espírito de cooperação.

Que o perdão por parte de todos os homens seja a nota-chave neste momento.

Que o poder responda aos esforços dos Grandes Seres.

Que assim seja e que sejamos auxiliados a cumprir a nossa parte.

Estas palavras parecem simples, mas as "Forças da Luz” são o nome dado a certas novas Potestades que atualmente estão sendo invocadas pela Hierarquia, Cujos poderes podem ser levados a uma grande atividade na Lua cheia de maio se for realizado o devido esforço. O Espírito da Paz invocado é um Agente interplanetário de grande Poder, que prometeu Sua colaboração se todos os aspirantes e discípulos colaborarem para romper a couraça de separação e de ódio que escraviza o nosso planeta.

Encerro, portanto, com estas simples palavras: Meus irmãos, ajudem-nos.

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GRUPOS-SEMENTE DA NOVA ERA

Julho de 1937

Já lhes expus alguns pensamentos sobre os novos grupos que começam a entrar em atividade conforme a Lei do Progresso Grupal. Esta lei tem uma relação muito estreita com a nova era de Aquário.

Sempre existiram grupos no mundo como, por exemplo, a unidade grupal familiar, mas tratava-se, predominantemente, de grupos do terceiro raio, portanto, com dominante expressão e controle externos, e tendo por origem o desejo. Seu centro de interesse era eminentemente material, o que era parte do plano previsto. A objetividade e expressão corretas eram e continuam sendo o objetivo do processo de evolução. Porém, os grupos que estão se formando agora são uma atividade de segundo raio; são grupos construtores - construtores das formas de expressão da nova era. Não são resultado do desejo, como geralmente se entende o termo, porque se fundam basicamente em um impulso mental. De fato, são de natureza subjetiva e não objetiva. Caracterizam-se mais pela qualidade do que pela forma. Que eles possam produzir, oportunamente, poderosos efeitos objetivos é o que se deseja, e é essa a intenção em nossas mentes, mas - na etapa atual, que é de germinação - são subjetivos e (em termos ocultistas) "trabalham no escuro”. Em alguma data distante surgirão grupos do primeiro raio, animados pelo aspecto vontade e, portanto, de natureza ainda mais subjetiva e de origem mais esotérica, mas não temos que nos ocupar deles.

Esses grupos-semente são embrionários e, portanto, como sementes em germinação, sua atividade no momento é dual. Toda semente demonstra sua vida mediante evidências de sua vida externa e atividades internas, e esses grupos-semente não são exceção à lei universal. Eles comprovam sua atividade por uma relação com a Hierarquia e pela relação entre si. Ainda não conseguiram nascer no plano externo de atividade. A vida interna ainda não está forte o suficiente, mas, como dizem as Escrituras, estão "lançando raízes” para que "seus ramos se encham de frutos”. Esses grupos se desenvolvendo como se pretende, a vida coletiva dos membros se mantendo em uma relação correta e íntegra e a persistência sendo o princípio predominante, esses grupos-semente, por mais diminutos que sejam, florescerão e - mais tarde, pela "disseminação da semente”, chegarão, afinal, a "cobrir a terra de verdor”. Estou falando em linguagem simbólica, que é, como bem sabem, a linguagem da verdade. Uma pequena planta que, por sua vez, consiga produzir sementes, por meio de uma correta maturação, pode assim se reproduzir muitas vezes. Não se deixem impressionar indevidamente pela pequena medida do esforço. Uma pequena semente é uma força potente que, se receber os devidos cuidados, nutrição correta, sol e água no solo, tem potência imprevisível.

Estão nascendo certas ideias embrionárias na consciência humana, as quais diferem peculiarmente das ideias antigas, e são tão diferentes que caracterizam a nova era, a Era de Aquário. Até agora, as grandes ideias que controlaram a raça em qualquer época foram dádivas dos filhos intuitivos dos homens à sua geração. Seres humanos avançados captaram a ideia intuída, subordinaram-na ao processo de mentalização, tornando-a desejável, e depois a fizeram vir à existência por meio "do fator reconhecimento”, como se diz em termos ocultistas. Uma mente iluminada pressentia a ideia divina, necessária para o desenvolvimento da consciência racial, e lhe dava forma; uma minoria a reconhecia, e assim fomentava seu crescimento. Oportunamente, a maioria a desejava e ela podia então se manifestar de forma experimental e esporádica por todo o mundo civilizado em determinada época, onde prevalecia certa cultura. Assim a ideia se manifestava.

Mencionaria dois modos como ideias determinantes nasceram no passado e desempenharam seu papel para guiar a raça em seu progresso. Um foi pelo ensinamento transmitido por um instrutor que fundou uma escola de pensamento, atuando por meio das mentes de alguns escolhidos e, por seu intermédio, matizou oportunamente os pensamentos dos homens de sua época. Platão, Aristóteles, Sócrates e muitos outros são exemplos eminentes de instrutores assim. Outro método era evocar o desejo das massas pelo que se considerava desejável, visando uma reorientação massiva para uma expressão de vida mais plena. Esta expressão de vida, fundada em alguma ideia verbalizada, encarnou-se em uma vida ideal. Assim, o trabalho dos Salvadores do mundo veio à expressão e produziu o nascimento de uma religião mundial.

O primeiro método era estritamente mental e até hoje ainda é assim; as massas, por exemplo, pouco sabem de Platão e suas teorias, embora elas tenham moldado as mentes humanas - seja porque foram aceitas ou refutadas - ao longo dos séculos. O outro método é estritamente emocional e colore mais facilmente a consciência das massas. Um exemplo foi a mensagem do amor de Deus que o Cristo enunciou e a reação emocional das massas à Sua vida, Sua mensagem e Seu sacrifício. Desta maneira, através dos séculos, foi atendida a necessidade mental da minoria e a emocional da maioria. Nos dois casos, uma consciência divino-humana foi a origem do trabalho efetuado e o meio pelo qual a humanidade foi guiada. O meio foi uma Personalidade que conhecia, sentia e estava unificada com o mundo das ideias, com a ordem do mundo interno e com o plano de Deus. O resultado dessas duas técnicas de atividade foi a emanação de uma corrente de força proveniente de algum estrato ou nível da consciência mundial - os planos mental e emocional - que são aspectos da consciência da deidade manifestada. Este impacto da força evocou uma resposta daqueles que atuam em um ou outro nível de consciência. Hoje, à medida que ocorre a integração da família humana, e o nível mental de contato se torna mais potente, há uma forte reação humana às escolas de pensamento e uma reação menor aos métodos da religião ortodoxa. Isso se deve à tendência da consciência humana (se posso me expressar assim) de se afastar dos níveis de consciência emocionais e se aproximar dos níveis mentais de consciência e isto, no que diz respeito às massas, continuará aumentando.

Chegou a hora em que há um número suficiente de pessoas que podem empregar uma nova técnica, pois, em certa medida e em sua consciência, abordaram os fatores precisos da verdade, pela religião e pela mente, e que também está sobre nós; juntas e como grupo podem estabelecer os ideais e desenvolver as técnicas e os métodos das novas escolas de pensamento que determinarão a nova cultura; juntas e como grupo podem levar estas ideias e ideais à consciência das massas, para que as escolas de pensamento e as religiões mundiais se fusionem em uma única, e assim possa nascer a nova civilização. Ela será o produto da fusão mental e emocional das técnicas da era pisciana, produzindo assim a oportuna manifestação, no plano físico, do plano de Deus para o futuro imediato. É esta a visão subjacente no experimento que estamos realizando nos novos grupos-semente.

Examinando todo o problema de outro ângulo, poderíamos dizer que no passado o esforço consistiu em elevar a consciência da humanidade pelos esforços precursores de seus filhos mais avançados. O esforço futuro será fazer que venha à manifestação a consciência da alma, por meio dos esforços pioneiros de certos grupos. Portanto, como facilmente compreenderemos, o esforço deve ser grupal, porque a alma tem consciência grupal, e não consciência individual; as verdades mais novas da Era de Aquário só podem ser captadas como resultado do esforço grupal. Isto é relativamente novo. No passado, o homem tinha uma visão, e procurava materializá-la com a ajuda daqueles a quem conseguia impressionar e influir para que pensassem de maneira similar. O indivíduo pressentia ou intuía uma ideia e então procurava lhe dar uma forma; depois pedia ajuda aos que consideravam sua ideia como um ideal. Um homem tinha uma grande ambição, que na realidade nada mais era do que uma confusa captação de uma parte do plano geral de Deus; ele então se convertia em dirigente ou condutor de grupo, ajudado pelos que se submetiam ao seu poder ou ao seu direito de guiá-los, conduzi-los e dominá-los. Assim, progressivamente, a raça foi levada de um ponto a outro e de uma etapa de desenvolvimento a outra, até que hoje muitos possuem visão, pressentem o plano e têm sonhos que todos podem desenvolver juntos. Podem fazê-lo devido ao reconhecimento mútuo, porque estão começando a saber que eles próprios e os outros são almas, porque estão unidos na compreensão e porque (isto é de primordial importância) a luz do intelecto e do conhecimento, a luz da intuição e da compreensão foi evocada dentro deles. A luz não vem de fora, e nessa luz, juntos, eles veem a Luz. É uma atividade de grupo e resultado de uma unificação de grupo.

Tudo isto, porém, é tão novo e relativamente tão raro que estes grupos continuam em estado embrionário. São denominados grupos-semente da nova era. Há muitos deles, como já disse, mas são ainda tão pequenos e tão pouco desenvolvidos que se seus esforços terão êxito, só o futuro dirá. Isto também se aplica aos grupos que comecei a formar em 1931.

Ficará evidente, pois, porque foi necessário que o grupo inicial, o primeiro, enfatizasse a relação telepática. Dessa relação, cultivada e desenvolvida com compreensão, dependerá o êxito destes grupos-semente. Isso não significa que seu êxito dependa do sucesso do primeiro grupo, mas dependerá da compreensão de todos os grupos sobre o significado, o propósito e as técnicas da telepatia.

A fundação, nos planos internos, de uma escola de telepatia à qual a humanidade pode se tornar sensível, mesmo que inconscientemente, foi parte da tarefa que o primeiro grupo, os Comunicadores Telepáticos, empreendeu. São guardiões do propósito grupal e trabalham nos níveis mentais. O segundo grupo, os Observadores Treinados, tem como objetivo ver com clareza mediante o uso da intuição, prestando este serviço nos níveis astrais. O terceiro grupo, os Curadores Magnéticos, tem como objetivo trabalhar com as forças do plano físico. Os outros seis grupos serão mencionados posteriormente.

Em certa medida, vocês já se familiarizam com estes grupos. A novidade vai desaparecendo e tendem a se perguntar se, em última análise, há realmente algo novo neles. Mais adiante darei três razões para explicar por que constituem um passo à frente de tudo que até agora foi possível no plano físico. Isso talvez restabeleça em suas mentes a importância que têm e lhes permita realizar o trabalho com renovado ardor. Afirmei que estes grupos são um experimento e que estão relacionados, acima de tudo, com o trabalho da nova era, como se expressará por meio da civilização vindoura e da cultura futura. Aqui seria conveniente indicar a diferença entre civilização e cultura.

Civilização é uma expressão do nível de consciência das massas, revelando-se em tomada de consciência, adaptações, relações e métodos de vida no plano físico. Cultura é essencialmente a expressão das significações mentais (intelectuais e vitais) e o estado de consciência das pessoas da raça mentalmente polarizadas, da intelligentsia, daqueles que são o elo entre o mundo interno da vida da alma e o mundo externo dos fenômenos tangíveis. Estas palavras expõem concisamente a razão de ser (raison d’être) do plano mental. Sua função a este respeito será cada vez mais compreendida nas próximas décadas.

As massas são negativas, posto que respondem ao plano do desejo e da sensação, e a civilização de qualquer era é, largamente, a exteriorização desse nível de consciência particular. A intelligentsia é positiva e sua orientação mental positiva produz a cultura de sua época, de sua raça e de sua comunidade. Na família humana temos, portanto:

Massas Negativas respondem ao desejo Civilização
Intelectuais Positivos respondem à mente Cultura

Temos neles os dois polos que caracterizam a raça, e é devido à ação recíproca entre esses dois polos que podem se dar a atividade, o progresso e o desenvolvimento humanos.

Há outra disposição de grupo que não deveria ser negligenciada. As pessoas de orientação espiritual são negativas ao mundo espiritual superior que se expressa ou evoca o tipo de desejo mais elevado, chamado de aspiração. Isso produz os expoentes da natureza espiritual que constituem - em conjunto - a Igreja do Cristo ou as religiões mundiais no sentido exotérico e em qualquer raça ou época. Os esoteristas e os aspirantes do mundo são positivos a este grupo, e a ele proporcionam a nota-chave de sua cultura em sua época particular e em uma volta mais elevada da espiral. Eles respondem ao aspecto mente. Desta maneira, a cultura espiritual e a civilização resultante aparecem e as camadas inferiores se tornam receptivas a elas. Temos, assim, as massas e os intelectuais que são, por sua vez, negativos à impressão positiva de uma civilização e de uma cultura mais profundas, expressas pelas religiões do mundo e pelos grupos de esoteristas idealistas, aqueles que buscam a realidade. Estes últimos são a glória de cada época e o germe positivo do impulso subjetivo que se desenvolve e que basicamente é a fonte de toda aparência fenomênica atual.

Este grupo de religiosos e de aspirantes esotéricos constitui, por sua vez, o polo negativo em relação à impressão e à energia positivas da Hierarquia planetária, oculta. Temos, pois:

Grupos Negativos Grupos Positivos
As Massas
As Igrejas e as religiões
Os Esoteristas, por sua vez
A Intelligentsia
Os Esoteristas, aspirantes e ocultistas
A Hierarquia Planetária

Em termos gerais, estes grupos se dividem em grupos extrovertidos e introvertidos, em níveis de consciência objetivos e subjetivos, e nas principais divisões do mundo fenomênico e do mundo das realidades espirituais.

O problema ante a Hierarquia no começo da nova era (Era de Aquário) era como fusionar e mesclar estes grupos, atitudes e estados de consciência distintos, de maneira que da fusão surgisse um terceiro grupo, cuja atividade fosse externa e consciente dos valores internos. Seus membros deveriam conseguir atuar no plano externo das aparências, estando ao mesmo tempo, igualmente despertos e ativos no plano interno da realidade e da vida espiritual.

Este tipo de funcionamento dual é a atividade mais fácil para os Membros da Hierarquia, e é a condição sine qua non que deve preceder qualquer associação com a Hierarquia. Percebeu-se que muitas pessoas podiam ser instruídas para apreciar esta possibilidade e a desenvolvê-la lentamente até o ponto onde a teoria pudesse passar à prática. No entanto, estas pessoas não estariam dotadas em sua natureza de maneira a estar preparadas para fazer parte da Hierarquia oculta, nem mesmo como discípulos aceitos.

Foi quando compreenderam a necessidade de um grupo que servisse de ponte, que não fosse nem inteiramente negativo, nem totalmente positivo, que alguns Mestres (associados com a Hierarquia) foram impelidos a formar o Novo Grupo de Servidores do Mundo. Estas pessoas não pertencem a nenhum dos dois grupos citados acima, mas podem atuar mais ou menos em relação com os dois. Como bem sabem, isso foi feito com certa medida de êxito e há atualmente um grupo grande, magnético o bastante para obter uma resposta do conjunto de aspirantes e servidores mundiais (que representam a civilização e a cultura atuais) e, ao mesmo tempo, absorver e transmitir conhecimento, sabedoria, força e luz da Hierarquia planetária.

Considerou-se agora a possibilidade de formar grupos dentro do Novo Grupo de Servidores do Mundo, cujos membros pudessem começar a se preparar para expressar tanto o fenomênico como o impulsivo, o negativo e o positivo, o material e o espiritual, com tal medida de êxito que, no devido tempo, possa haver na Terra uma réplica da Hierarquia com seus métodos e técnicas de trabalho. É este o propósito dos grupos que formei e de outros grupos pelo mundo que - de maneira diferente e de forma diferente, e talvez empregando uma terminologia diferente - estão motivados e ativos, como os grupos-semente pelos quais me tornei responsável.

As três razões de sua importância poderiam ser expostas da seguinte maneira: 

1. São o germe de vida que resultará no posterior aparecimento da Hierarquia na Terra, onde atuará novamente à luz do dia físico, após uma reclusão que durou eras.

2. São os grupos que fazem a ponte, vinculando a massa negativa da humanidade com o agente positivo, que é a Hierarquia. Por esta razão, estes grupos enfatizam o serviço, que encarna uma resposta às massas e suas necessidades, e o contato com a alma, que encarna uma resposta ao mundo das almas, simbolizado para nós pela Hierarquia oculta.

3. Contêm em si, como grupo, as sementes da civilização futura e o germe da nova cultura. O germe de vida da nova era reside ali, no núcleo das antigas eras e antigas formas. Daí a oportunidade, o serviço e os problemas destes grupos.

Permitam-me indicar para vocês de que maneira esses grupos podem estar à altura da tríplice demanda ou oportunidade mencionada acima:

1. Eles ocultam e nutrem o germe ou semente da nova civilização, a da Era de Aquário.

2. Eles ligam os antigos grupos com o novo, a massa dos homens (entre os quais os mais avançados se incorporam ao Novo Grupo de Servidores do Mundo) com a Hierarquia planetária.

3. Serão no futuro um aspecto da Hierarquia e de seu trabalho no plano físico externo.

Observemos que a primeira oportunidade diz respeito ao aspecto espírito, o impulso vital do aspecto vida da divindade; que a segunda diz respeito ao aspecto alma ou aspecto consciência subjetiva da divindade; e que a terceira diz respeito ao aspecto corpo ou expressão física da vida divina por meio da consciência. Os primeiros três grupos que formei destinam-se a ser pequenos reflexos destes três aspectos do ângulo das necessidades modernas e a atender referidas necessidades.

Indiquei alguma coisa do trabalho destinado ao primeiro grupo, do ponto de vista da interação telepática. O método de comunicação entre os membros da Hierarquia oportunamente deve ser exteriorizado na Terra, o que é uma das tarefas do grupo. Poderia ser útil para vocês um delineamento um tanto mais claro sobre o propósito dos novos grupos-semente em termos de civilização e cultura da nova era, de maneira que possam ter uma visão clara dos resultados práticos e daí extrair alguns novos ideais relativos à qualidade da estrutura que haverá futuramente no planeta Terra.

O segundo grupo, os observadores treinados, inaugurarão a era da luz e do livre controle do plano astral, com sua qualidade de liberação da ilusão e da miragem, liberação que se obterá quando uma "observação correta” substituir a atual visão distorcida e a miragem se dissipar pela "correta direção” da luz da alma em todo o plano da ilusão. A Era de Aquário será predominantemente a era da síntese e da luz.

O terceiro grupo leva o impulso inicial "até a luz do dia” e coloca o mundo físico em uma condição em que será possível "a cura das nações pelo nascimento do sol da retidão”, porque as leis da cura (básicas e fundamentais) podem ser aplicadas e implementadas em todos os setores da vida, nos níveis externos da aparência - pois a doença só existe no mundo dos fenômenos.

Em relação à comunicação telepática entre os membros da Hierarquia: em si, a Hierarquia atua quase que inteiramente no nível mental. Isto é necessariamente essencial, por duas razões:

1. Os membros da Hierarquia se liberaram das limitações da atividade e da consciência do cérebro. Portanto, em seus Eus essenciais, e quando querem, podem empreender simultaneamente duas linhas distintas de atividade - as duas de importância real. Podem realizar suas ocupações regulares no plano físico (se atuam em corpos físicos) e, no cumprimento dessas atividades, Eles são condicionados pelas limitações cerebrais da consciência de tempo e espaço. Podem também trabalhar no plano mental com "chitta”, ou substância mental, e isso ao mesmo tempo, em que estão condicionados e limitados pelo mecanismo físico. Ficam então totalmente liberados da consciência do tempo e de qualquer outra limitação, como as relações no espaço, no sistema solar.

2. O foco de sua polarização está no plano mental, e ali atuam como filhos da mente ou manas. Seu método normal de relação é o do entendimento telepático. É a técnica normal de um manasaputra divino e livre.

Tudo isto é possível quando um ser humano se polarizou na consciência da alma, quando o loto egoico está aberto e, portanto, quando o método mental de trabalho é de relação mental ou telepatia.

Já lhes disse que, à medida que a raça for se polarizando mais mentalmente e desenvolvendo o poder atrativo do princípio mental, cairá em desuso o emprego da linguagem para comunicar pensamentos entre naturezas similares ou para se comunicar com os superiores, mas continuará a ser usada para chegar às massas e aos que não atuam no plano da mente. Orações, aspiração e adoração silenciosas já são consideradas de maior valor que as súplicas e as proclamações expressas pela voz. Para esta etapa do desenvolvimento da raça devemos nos preparar. Leis, técnicas e processos da comunicação telepática devem ser explicados claramente para poderem ser compreendidos de maneira inteligente e teórica. O método de comunicação entre os membros da Hierarquia é um processo décuplo; somente na contribuição dos dez grupos (os nove e o décimo sintetizador) o seu papel no processo de exteriorização, tal como deve ocorrer no mundo, poderá ser exercido.

De certos ângulos, o trabalho do segundo grupo (os Observadores Treinados) é extremamente difícil, mais difícil talvez que o de qualquer outro grupo, salvo daquele engajado no trabalho político. Neste último campo, o trabalho do primeiro Raio da Vontade ou Poder está começando a fazer sentir sua presença, daí a grande dificuldade. A energia que atua na atividade política ainda não é compreendida. O trabalho do Aspecto Destruidor foi relativamente mantido em segundo plano, e só neste último meio século se tornou realmente ativo. Isto foi possível porque praticamente todo o mundo estava envolvido, e o primeiro raio só pode atuar na região ou reino da síntese. É preciso lembrar esse ponto, pouco compreendido até agora. Pergunto-me se conseguem apreciar a importância das duas afirmações referentes ao primeiro raio expostas neste curto parágrafo. Eu lhes dou reais informações com tanta frequência que vocês não os retêm.

O segundo grupo luta contra a miragem. Os métodos de emprego da luz e sua relação com a miragem grupal e individual têm uma conexão muito estreita. Uma iluminação correta - que é outro nome ou aspecto de direção correta - tomará o lugar da miragem, e o objetivo deste grupo de discípulos (do ponto de vista pessoal) é levar "luz aos lugares escuros” e iluminação em suas vidas. Não é minha intenção examinar aqui o problema da miragem. Já me ocupei em instruções dadas a este grupo.

A tarefa deste grupo de discípulos está estreitamente relacionada com o trabalho astral da Hierarquia que, atualmente, trata de dispersar a ilusão mundial. É este seu problema desde a época atlante, e a culminação de seu esforço é iminente e imediata. A ilusão toma a forma (pois todas as ilusões tomam algum tipo de forma) da "emanação de luz”, no sentido esotérico, o que é uma ilusão e, ao mesmo tempo, um grande e significativo fato espiritual. Por isso temos hoje no plano físico a emergência de muita luz por toda parte; temos festivais de luz e um persistente esforço dos colaboradores espirituais para iluminar a humanidade. Os educadores falam muito sobre iluminação mental. O Cristo emitiu a nota-chave deste esforço de eliminar a miragem mundial quando disse (seguindo o exemplo de Hermes, que instaurou o processo de iluminação para nossa raça, a ariana): "Eu sou a Luz do Mundo”.

Os discípulos devem aprender a significação da iluminação recebida na meditação e a necessidade de trabalhar com a luz em grupo, a fim de dissipar a miragem. Hermes e o Cristo empreenderam este trabalho de iluminação astral e ainda se ocupam desta tarefa. Na nova era serão ajudados em seu trabalho pela intensa atividade de certos grupos, dos quais este segundo grupo é um deles. Posteriormente, quando a nova civilização estiver prestes a aparecer, estes grupos conterão duas pessoas-chave, ou pontos de energia, pelas quais as forças de Hermes e a vontade do Cristo serão concentradas e, por intermédio das quais Eles poderão trabalhar. Quando isto ocorrer, a tarefa de dissipar a miragem mundial será muito mais rápida do que hoje. Enquanto isso, grupos de discípulos podem "nutrir e ocultar”, protegendo assim o germe ou a semente da nova cultura e civilização aquariana, nesta particular linha de liberdade. Insisto em que devem fazer isto com outros grupos que trabalham consciente ou inconscientemente em linhas similares.

A segunda tarefa deste grupo de discípulos é servir de ponte para as forças que procuram se expressar etericamente e que emanam dos níveis da alma, por conduto da mente. Já mencionei no Tratado sobre Magia Branca que o plano astral é em si uma ilusão. Isto ficará evidente quando estiver cumprida a primeira tarefa dos grupos que trabalham com a miragem mundial. Não posso lhes dar ainda uma ideia real do significado subjacente, pois todos trabalham em alguma medida no plano da ilusão e da miragem, pois para vocês o mundo da ilusão existe e o plano astral é um fato. Mas posso dizer que, para os membros iniciados da Grande Loja Branca, o plano astral não existe. Eles não trabalham nesse nível de consciência, pois o plano astral é um estado de consciência bem determinado, embora (do ponto de vista espiritual) não tenha uma real existência. Personifica o grande trabalho criador da humanidade ao longo das eras, e é produto da falsa imaginação e do trabalho da natureza psíquica inferior. Seus instrumentos para o trabalho criador são o centro sacro e o plexo solar. Quando as energias que se expressam por estes dois centros tiverem sido transmutadas e levadas à garganta e ao coração pela humanidade progressista, então as pessoas mais avançadas da raça saberão que o plano astral não tem real existência; atuarão liberadas de sua impressão, acelerando-se a tarefa de liberar a humanidade da escravidão que ela mesma criou. Enquanto isso, está se formando lentamente um grupo de discípulos (do qual este segundo grupo é parte, e pode desempenhar uma função importante e ocupar uma posição-chave) que ajudará gradualmente na tarefa de dispersar a grande ilusão e atuar também como grupo de ligação, de maneira que aqueles que se liberarem da miragem abram caminho para o vórtice da influência exercida pelo grupo que tem poder para trabalhar assim. Então, três coisas podem acontecer:

1. Aqueles que tomarem contato com o grupo descobrirão que seus esforços para viver liberados da miragem serão muito ajudados e intensificados com o auxílio do grupo.

2. Eles aumentarão o número dos que trabalham assim, acelerando o processo de dissipação.

3. A Hierarquia estará então capacitada para trabalhar mais estreitamente na Terra, e Se aproximará mais da humanidade.

A terceira função deste segundo grupo está em um futuro mais distante. A Hierarquia tem necessariamente um setor de colaboradores cuja tarefa principal é trabalhar inteiramente no mundo da ilusão e com matéria astral. Este setor veio à existência na época atlante, quando ocorreu a grande controvérsia entre os que encarnavam o aspecto consciência ou alma da deidade, e os que analogamente representavam o aspecto matéria da deidade. Em termos simbólicos, os caminhos da mão esquerda e da mão direita vieram à existência, a magia branca e a negra entraram em conflito, e os pares de opostos (sempre presentes na manifestação) se tornaram fatores ativos da consciência da humanidade avançada. A batalha da discriminação estava aberta, e a humanidade se tornou ativa no campo do Kurukshetra. Quando não há resposta consciente a certa condição nem há registro de uma tomada de consciência, não existe o problema da responsabilidade para a alma. Esta condição foi evocada na época atlante, daí o problema que a raça enfrenta hoje, daí também a tarefa da Hierarquia de liberar as almas dos homens da miragem circundante e habilitá-las a se libertar. A culminação da questão e da controvérsia, iniciada então, já está sobre nós.

Portanto, a terceira função do grupo pode ser captada agora e, oportunamente, esta fase do esforço hierárquico pode encontrar a devida expressão na Terra.

A partir da análise das oportunidades oferecidas, fica evidente que os grupos têm um lugar definido nos planos da Hierarquia. Desenvolvendo a sensibilidade espiritual e se liberando da miragem, os discípulos, membros destes grupos, podem elevar a consciência racial e trazer a iluminação. É preciso lembrar que objetivo de todo trabalho telepático verdadeiro é a inspiração e a iluminação é a recompensa do esforço e o real instrumento para a dissipação da miragem mundial. Assim, estes grupos podem nutrir o germe da cultura futura, atuar também como unidades de ligação e exteriorizar certas atividades departamentais da Hierarquia planetária - o seguinte grande desejo de Seus membros.

Examinando agora o trabalho do terceiro grupo, trataremos da tarefa dos curadores magnéticos do mundo. O tema foi tratado no livro A Cura Esotérica. Aqui me referirei a um ou dois pontos de interesse mais geral, e à sua tríplice oportunidade. É interessante observar que o trabalho deste grupo é, talvez, um dos mais difíceis de realizar, ainda que, sob certo ângulo, seja muito mais fácil que a tarefa da maioria dos outros grupos, porque a consciência do grosso da humanidade se encontra predominantemente no plano da ilusão e, por isso, segundo O Antigo Comentário:

"Aqueles que trabalham para trazer a luz e, ainda assim, estão rodeados pelo maya dos sentidos, trabalham do ponto de seu estado atual e não precisam se deslocar para o exterior nem para o interior, para o alto ou para baixo. Simplesmente permanecem.”

Os curadores do mundo no plano físico devem trabalhar nesse plano e sua tarefa é restaurar as energias da vida que emanam do plano da alma, passando pela mente, mas excluindo o plano emocional. Estas energias devem ser levadas à consciência física e, desde o nível físico, cumprir seu trabalho magnético e necessário. A tarefa dos curadores, se bem-sucedida, envolve:

1. A restauração da energia divina de cura.

2. A exclusão do mundo astral e, portanto, da ilusão.

3. O uso da energia de cura em plena consciência vigílica no plano físico.

A maioria dos curadores do mundo trabalha da seguinte maneira:

1. Como curadores puramente físicos, que se ocupam das forças vitais do corpo físico, polarizando sua consciência no corpo etérico.

2. Como médiuns astrais-psíquicos com a consciência polarizada no plano astral, utilizando o corpo astral e trabalhando com a miragem e a ilusão. O efeito de seu trabalho, se ele tem êxito (gostaria que notassem a palavra "se”, pois me refiro ao conceito de duração relativa), é o de uma das duas possibilidades seguintes:

a. Curar as doenças físicas do paciente que sejam de tal natureza que o desejo astral interno (o desejo inferior) resulte em uma enfermidade física, experimentada em algum aspecto ou órgão do corpo físico.

b. Intensificar o efeito da ilusão que produz o desejo na consciência do cérebro físico e causar um aumento tão violento das energias ativas que pode levar à morte a curto prazo, o que acontece com frequência. Contudo, a morte é uma cura, não nos esqueçamos disso.

Nestas duas categorias inclui-se a maioria dos curadores mundiais - algumas vezes fazendo o bem, muitas vezes prejudicando, embora não se deem conta e (como ocorre geralmente) com boas intenções. Há três outras categorias de curadores para agregar às duas mencionadas:

3. Curadores mentais no verdadeiro sentido da palavra. A maioria dos curadores mentais se lisonjeia indevidamente, pois não trabalha com a mente. Esses curadores têm muita teoria mental e métodos astrais. O desejo é o poder motivador e não o impulso mental. O verdadeiro curador mental só produz resultados quando conhece um pouco sobre iluminação, no sentido técnico e acadêmico, e o poder da luz para dispersar a ilusão. A doença não é uma ilusão, é um efeito concreto de uma causa real do ponto de vista da humanidade comum. Quando os curadores são capazes de trabalhar mentalmente, ocupam-se das causas da doença e não dos seus efeitos.

4. Os curadores que estabeleceram contato com a alma e trabalham por intermédio da alma das pessoas as capacitam para:

a. Permanecer no ser espiritual.

b. Trabalhar livres de toda ilusão.

c. Alcançar uma verdadeira perspectiva no plano físico.

d. Coordenar a personalidade e a alma, de maneira que a vontade do homem espiritual interno possa atuar no plano físico.

5. Aqueles que podem trabalhar (como este terceiro grupo está destinado a trabalhar no momento oportuno) determinantemente como pontas avançadas da consciência da Hierarquia de Mestres. Este trabalho será feito em formação grupal e com um esforço unido e sintetizado. O efeito pessoal de tais curadores é, portanto:

a. Coordenar a personalidade do paciente. Referidos curadores estão coordenados.

b. Fomentar o contato com a alma por parte do paciente. Os curadores estão, eles mesmos, vitalmente em contato.

c. Fusionar e mesclar a personalidade e a alma, proporcionando assim um instrumento para a distribuição da energia espiritual. Os curadores estão assim fusionados.

d. Compreender e usar as leis da verdadeira cura espiritual mediante uma atividade inteligente no plano mental, pela ausência da miragem e um uso tão correto da força, que o instrumento da alma (a personalidade) se torna uma vitalidade magnética.

Lembraria que tal esforço nas primeiras etapas (e que são as etapas atuais) resulta inevitavelmente no desenvolvimento do espírito de crítica, em razão do esforço inteligente e da discriminação, que leva ao reconhecimento da miragem em muitos casos, pois apenas mediante tal esforço é possível fazer uma correta análise oportunamente e eliminar a crítica. Enquanto isso, aqueles que estão se submetendo a um treinamento deste tipo muitas vezes são uma dificuldade e um problema para eles mesmos, seus amigos e colaboradores. Porém, esta fase é passageira e leva a uma relação mais duradoura e ao surgimento do verdadeiro vínculo e amor magnéticos que devem curar, elevar e estimular tudo aquilo com que se entra em contato.

Na vindoura Era de Aquário, veremos a humanidade estabelecer uma cultura sensível aos valores espirituais mais sutis e elevados, uma civilização mais livre da miragem e de grande parte da ilusão que hoje matiza os povos arianos. Trará uma vida humana que será incorporada nas formas que eliminarão a lacuna que existe atualmente. A humanidade ficará liberada das piores doenças que conhecemos, embora a morte e certas formas de colapso corporal que possam levar à morte continuarão naturalmente a existir. A superação da morte não depende da eliminação dos males corporais, mas do estabelecimento da continuidade de consciência que leva do plano físico da vida à existência subjetiva interior. Grupos como este, o terceiro, podem ser guardiões deste estado de ser. Assim, seu problema é:

1. Estabelecer uma condição de desenvolvimento da personalidade que conduza a uma vida magnética no plano físico.

2. Estudar as leis da vida, que são as leis da saúde e das corretas relações.

3. Desenvolver a continuidade de consciência que "abrirá as portas da vida e dispersará o medo do conhecido e do que desaparece”.

Do ponto de vista do trabalho dos curadores mundiais, a declaração acima representa uma oportunidade oferecida, que eles contemplam como núcleo ou como um dos germes ou sementes da nova civilização e da cultura que está por vir. Personifica o objetivo de todo o seu trabalho e sua contribuição ao trabalho conjunto dos grupos.

Da mesma maneira, podem eliminar a lacuna que existe atualmente na consciência racial, entre:

1. A vida e a morte.

2. O doente e o sadio, isto é, entre:

a. Os fisicamente enfermos e internamente sadios, o que ocorre nos pouquíssimos casos das pessoas avançadas ou nos discípulos do mundo e aspirantes avançados.

b. Os fisicamente sadios e psiquicamente doentes, como acontece às vezes, mas que é raro.

c. Os física e psicologicamente doentes e a alma que ofusca. Estes casos são frequentes em nossos dias.

3. O plano físico e o mundo das almas, devido ao desenvolvimento de um instrumento sadio e à dissipação das causas cujo efeito no plano físico é a doença e atuam como barreiras para a afluência da energia da alma e a entrada da consciência da alma na atividade do cérebro.

Quando este trabalho de eliminação da lacuna acontece hoje, trata-se quase sempre de um acontecimento feliz, mas fortuito, não resulta de um trabalho de ligação planejado de maneira consciente. No entanto, a intenção da Hierarquia é que os grupos que se formarão depois e os que já estão em processo de formação (incluindo este terceiro grupo, o meu) possam ajudar neste processo, se esta for a vontade das partes constituintes.

Por último, todo iniciado é um curador magnético. É um fato. Embora os membros da Hierarquia tenham cada um Suas funções devidamente designadas e Sua atividade planejada (que dependem do raio, da raça e de Sua dedicação), há uma atividade que compartilham: o poder de curar. Sua habilidade de atuar como curadores magnéticos se manifesta de várias maneiras, predominantemente na esfera dos reajustes psicológicos e desbloqueios psíquicos e - de maneira secundária e como resultado das duas atividades mencionadas acima - nos processos de cura do corpo. Observamos do exposto que o trabalho de cura realizado pelos membros iniciados da Grande Loja Branca é tríplice: psicológico, atraindo a alma; psíquico, liberando a natureza psíquica inferior da ilusão, para a alma poder exercer toda a sua influência; físico, como resultado dos ajustes psicológicos e psíquicos internos.

Esta tríplice atividade de cura destina-se a ser o objetivo de todos os grupos que trabalham, como este terceiro grupo, os curadores magnéticos. Assim o esforço hierárquico aparecerá no plano das atividades externas. Como observaremos, meu irmão, o trabalho dos três primeiros grupos, de que acabamos de falar, e considerando-os como uma unidade, produz um esforço de síntese nos três mundos e leva do plano da alma ao plano da expressão externa.

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O TRABALHO DOS GRUPOS-SEMENTE

Janeiro de 1938

Nós nos empenhamos em captar um pouco mais inteligentemente o trabalho dos grupos-semente da nova era, sua inter-relação e seu trabalho como partes da "configuração” da nova era, se posso empregar este termo. Examinamos cuidadosamente os três grupos principais. Vimos que cada um tinha que realizar três tarefas e faremos uma ligeira análise dos empreendimentos projetados. Agora podemos fazer o mesmo com os grupos restantes, em especial com o quarto e o quinto, que têm como projetos a educação e o trabalho no campo da política. Em seguida indicaremos, só brevemente, o tríplice propósito dos grupos sexto, sétimo, oitavo e nono. Não examinaremos o décimo, que será composto de pessoas-chave dos outros grupos, salvo dizer que quando seus vinte e sete membros (três por grupo) forem escolhidos e postos em relação entre si, todos os grupos deverão sentir tal aceleração em suas vidas, que se tornarão um só organismo vivo e vibrante.

O quarto grupo tem pela frente um programa de estudo bem rico e dos mais interessantes, e um objetivo de iluminação. Suas instruções evocarão mais interesse por parte de um grupo maior de leitores do que seria o caso com as instruções dadas a quaisquer dos outros grupos, exceto as do sexto, cujo tema é a religião na nova era, e as do terceiro. Menciono-os na ordem de importância. Serão claramente mais populares e atenderão a uma necessidade geral. O interesse evocado pelo ensinamento sobre a educação será porque a educação é hoje amplamente reconhecida como o principal fator de formação, logo após as pressões e circunstâncias econômicas. Há um interesse generalizado pela educação moderna e pelos novos ideais que devem guiar e, oportunamente, guiarão os educadores.

Está havendo uma clara agitação entre as massas e a vida da mente (observemos esta frase) está hoje mais ativa e potente do que nunca. Há uma razão oculta para isso, de natureza muito interessante.

Quem estudou A Doutrina Secreta, se lembrará de que no importante período em que o homem-animal fez a grande transição para a família humana e a humanidade veio à existência, desenvolvendo o germe da individualidade, a semente da autoconsciência e do intelecto embrionário, este acontecimento se produziu de três maneiras:

1. A semente da mente foi implantada pela Hierarquia em alguns dos homens-animais capazes de aspiração, e eles se tornaram seres humanos (por certo, de ordem muito inferior, mas, ainda assim, homens). Neles foi implantada a "chispa”, se assim posso dizer, e um ponto de luz apareceu onde não havia. Antes só existia uma luz atômica difusa, mas nenhum ponto central de luz na cabeça e nenhum indício dos centros superiores. Estes indivíduos, com a humanidade mais avançada que veio para o planeta na época atlante (tendo se individualizado em outro lugar), constituem a humanidade mais avançada do período atual. Representam a cultura e o entendimento, onde quer que se encontrem, em qualquer classe ou raça.

2. A natureza instintiva do homem-animal (ativa entre os que não haviam alcançado a etapa de aspiração consciente) foi repentinamente estimulada ou vitalizada, pela vinda à expressão do primeiro grupo, e pela atenção dirigida da Hierarquia, atuando segundo a antiga Lei que diz "a energia segue o pensamento”. Assim, gradualmente, com notável rapidez, o instinto se fundiu, ou se tornou harmônico com a sua expressão superior - o intelecto. Deste modo, no devido tempo, um grande número de homens-animais se transformou em seres humanos, os quais representam hoje a civilização e o conjunto de pessoas comuns e inteligentes, educadas segundo os sistemas de massa da época atual, capazes às vezes de pensar e de enfrentar urgências mentais, embora não muito cultas. São o chamado público em geral, que designamos como "classes média superior e inferior”, profissionais liberais e burguesia.

3. Temos também um grande número de pessoas que são seres humanos, mas não resultam de nenhum dos dois processos mencionados. São produto das lentas influências da própria vida, do que poderíamos chamar de impulso evolutivo, inato na própria matéria. Penosamente, e por processos infinitamente lentos, evoluíram do estado animal para o de seres humanos, e possuem uma consciência que vai despertando, um impulso para melhorar e uma mente embrionária de tal natureza que pode responder e responde a processos educativos simples, quando existem. São as massas analfabetas, as raças ainda selvagens, e os seres humanos de grau inferior que existem aos milhões em nosso planeta.

A causa desta grave situação, que exige um realinhamento dos nossos sistemas e processos de educação, assim como um reajuste dos nossos conceitos atuais de educação, reside no fato de que a luz do conhecimento e os benefícios que dela derivam penetraram até os graus inferiores dessas pessoas em lenta evolução. Atualmente os três grupos são estritamente humanos, não só os dois primeiros. O mais elevado está se aproximando da etapa em que manifestará o que é super-humano, enquanto o inferior se separa (por etapas quase imperceptíveis) da condição animal. Isto produz necessariamente uma cisão, conhecida pelo grupo mais elevado e também pela Hierarquia, e que eles "compensam pela própria inclusividade”. Vamos nos lembrar que o maior sempre pode incluir o menor e preencher assim todas as lacunas.

É a educação destes três grupos que será examinada pelo quarto grupo, que tem como projeto a educação na nova era. Também aqui abordamos o tríplice propósito que cada grupo deve manter diante de si, e que no caso atual consiste em:

1. Educar os grupos menos evoluídos que há na humanidade, para que se tornem estrita e conscientemente humanos. Era esse o objetivo do impulso que inspirou o Renascimento, e que estava por trás do trabalho de Rousseau, aquele grande iniciado, e é esse o impulso responsável hoje pelo humanismo moderno com seu aparente materialismo e com seu programa e propósito subjetivos profundamente espirituais. A certa altura, isto produz a civilização, pela afluência da luz do conhecimento.

2. Educar o segundo grupo para ser estimulado pela luz que aflui da sabedoria, e assim constituir uma ponte entre os dois outros grupos, sendo como é estritamente humano e autoconsciente. Este processo transformará seus membros em aspirantes à cultura, com um novo senso de valores, o reconhecimento dos objetivos espirituais, uma aptidão desenvolvida para fazer deles formadores da opinião pública. Será então o grupo mais importante, expressará a cultura da nova era e determinará as normas de valores para as massas.

3. Educar os pensadores avançados, os aspirantes e os discípulos do mundo no campo do conhecimento aplicado, da sabedoria expressa e da compreensão ocultista. Este grupo sintetiza tudo que está disponível nos outros dois grupos, e forma assim o núcleo do reino de Deus, o quinto reino que está vindo rapidamente à existência.

Não posso fazer mais do que indicar estes pontos, porque o tema de cada um e sua elucidação serão tratados nas instruções que darei ao grupo. Entretanto, o que foi dito servirá para lhes indicar o tema geral da nova educação e mostrar o caminho para certas proposições que me impulsionam a tratar deste tema.

O trabalho que o quinto grupo de discípulos deve realizar (serviço político) é de longe o mais difícil de todos, porque de muitas maneiras é o menos avançado, o que se deve a dois fatos:

1. As massas dos homens continuam tão pouco evoluídas, em termos relativos, que a tarefa deste grupo de trabalhadores deve depender necessariamente do êxito do trabalho da educação do mundo, como a certa altura exemplificarão os ideais e pontos de vista do quarto grupo e grupos similares em todas as partes.

2. Há pouquíssimas pessoas verdadeiramente de primeiro raio no planeta em nossos dias; quando há, seu trabalho forçosamente se mostra destruidor, devido à falta de evolução das massas dos homens. Por isso as revoluções raramente, ou mesmo nunca, podem ocorrer sem derramamento de sangue, porque as ideias propostas têm que ser impostas às massas, elas não são reconhecidas nem adotadas de imediato pelas massas; elas provocam reações contrárias, que estimulam aqueles que detêm autoridade a iniciar atividades erradas. As ideias acima deveriam estimular em vocês uma cuidadosa reflexão.

Lembrem-se que o objetivo de todo verdadeiro controle governamental é a síntese correta, que leva a uma correta atividade nacional e grupal interna. O problema se reduz a dois aspectos. Primeiro, temos o problema do tipo de autoridade que deve ser reconhecida pela população e, segundo, o problema dos métodos a empregar para que as medidas deliberadas pela autoridade sejam observadas, ou pelo método da imposição, ou que pela própria natureza desperte uma colaboração generosamente prestada e reconhecida. Entre estes dois modos de trabalhar, há muitas variantes, embora o sistema de colaboração, voluntariamente prestado por uma maioria inteligente, nunca tenha ocorrido até agora. No entanto, estamos nos encaminhando para esse estado de consciência mundial e para uma experimentação desse tipo.

Explicarei brevemente alguns dos modos de governo que foram experimentados, ou serão no futuro:

Governo por uma Hierarquia espiritual reconhecida. Esta Hierarquia estará relacionada com a massa dos homens por uma cadeia de homens e mulheres evoluídos que atuarão como intermediários entre o grupo espiritual regente e o povo orientado para um mundo de valores corretos. Esta forma de controle mundial está ainda muito distante. Quando for possível governar dessa maneira, a Hierarquia planetária estará muito próxima da Terra e haverá milhares de homens e mulheres em contato com Sua organização, pois terão evoluído o suficiente para serem sensíveis a Seus pensamentos e ideias.

Governo por uma oligarquia de mentes iluminadas, reconhecidas e escolhidas para governar por um conjunto de pensadores. Governarão educando os pensadores da raça quanto às ideias grupais e sua correta aplicação. O sistema de educação prevalecente então será empregado como meio para chegar às massas, alinhando-as com as ideias principais, não pela força, mas pela correta compreensão, análise, debates e experimentação. Curiosamente (do ponto de vista da maioria), a Hierarquia espiritual trabalhará mais por meio dos cientistas do mundo que, tendo se convencido da realidade da alma, usarão com sabedoria as forças da alma e da natureza, e constituirão um corpo de ocultistas de ligação.

Governo por uma verdadeira democracia. Também será possível pelo correto emprego dos sistemas de educação e da constante instrução ao povo para reconhecer os valores mais elevados, o ponto de vista mais correto, o idealismo mais nobre e o espírito de síntese e a unidade na cooperação. A unidade na cooperação difere da unidade imposta, pois o espírito subjetivo e a forma objetiva atuam para um fim único reconhecido. Hoje, a verdadeira democracia é desconhecida, e a massa humana nos países democráticos está à mercê dos políticos e das forças das finanças, do mesmo modo como estão os povos regidos por ditaduras, esclarecidas ou não. Estas últimas poderiam ser consideradas ditaduras dos idealistas egoístas. Gostaria que observassem a palavra "idealista”. Quando houver no mundo pessoas mais realmente despertas e mais homens e mulheres que pensam, veremos a purificação do campo político e a depuração dos nossos processos de representação, assim como uma prestação de contas mais exata, exigida pelo povo aos escolhidos como governantes. Oportunamente deverá existir um laço mais estreito entre o sistema de educação, o sistema jurídico e o governo, mas todos dirigirão esforços para implementar os melhores ideais dos pensadores da época. Este período não está tão longe como se imagina, em especial se o primeiro passo nesta direção for dado pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo.

Este primeiro passo envolve a correta compreensão da boa vontade. Estes três sistemas, os principais, correspondem aos três raios maiores, de síntese, de idealismo e de inteligência, que são outras denominações para os raios da Vontade ou Poder, do Amor-Sabedoria e da Inteligência Ativa.

Governo por ditadura. Este tipo de governo se divide em três partes:

1. Governo exercido por uma monarquia, que hoje se limita à vontade do povo ou especialmente dos políticos da época, mas que simboliza o governo máximo da Hierarquia sob a realeza do Senhor do Mundo.

2. Governo exercido pelo líder de algum país democrático, geralmente chamado de presidente, ou por algum estadista (qualquer seja a denominação escolhida por ele), que muitas vezes é um idealista, embora limitado por sua falível natureza humana, pela época em que vive, por seus conselheiros e pela corrupção e egoísmo generalizados. Um estudo de homens que exerceram esse cargo, realizado por uma pessoa imparcial, de mente aberta, geralmente demonstrará que ocuparam o cargo sob a influência de alguma ideia que em si era intrinsecamente correta (não importa como tenha sido aplicada) e progressista em seu conceito, e que pertencia à nova era de então. Isto os relaciona com o segundo raio.

3. Governo exercido por ditadores, animados por um princípio orientador que não é um ideal da nova era emergente em sua época particular, mas um idealismo de tipo mais material - idealismo reconhecido comumente como da época. Em geral eles não são reacionários nem se encontram entre os indivíduos intuitivos de seu tempo, mas tomam o que está arraigado, estabelecido e facilmente disponível - graças aos pensadores da época - e lhe imprimem um objetivo material, nacional e egoísta, e o impõem às massas pelo medo, medidas bélicas e promessas materiais. Pertencem, pois, mais praticamente aos métodos de trabalho do terceiro setenário grupal, por serem inteligentes, práticos e capazes de criar materialmente. Suas técnicas carecem do verdadeiro idealismo, que deve comportar modelos da nova era e incentivos religiosos. No entanto, levam a raça a dar mais um passo, por terem um efeito de massa ao suscitar o pensamento e às vezes oferecem uma resistência, como consequência desse pensamento.

Mais adiante estudaremos estas e outras maneiras de governar, analisaremos suas expressões modernas e comuns e suas futuras correspondências espirituais, as quais aparecerão algum dia na Terra como resultado dos inúmeros experimentos que estão se processando atualmente. Lembrem-se disto.

Como já disse, os processos da educação, da lei e do governo estão tão estreitamente ligados e em relação tão precisa que, se alguma vez o trabalho deste quinto grupo alcançar uma etapa em que se converta realmente no germe de um organismo da nova era (e inúmeros grupos como este aparecerão necessariamente em vários países), vamos perceber que ele atuará como centro distribuidor ou corpo vinculador entre os educadores da época, cuja tarefa é fazer respeitar a lei, e os estadistas escolhidos pelas massas cultas para formular as leis que deverão governá-los. Fica evidente, pois, quais são as três linhas de estudo e de trabalho que os membros do quinto grupo deverão seguir. Sobre isto não me estenderei mais.

Diante do progresso regular para a unidade religiosa que vem ocorrendo aceleradamente nos últimos 150 anos, o trabalho do sexto grupo (a religião na nova era), como acontece com o primeiro grupo (comunicação telepática), promete resultados rápidos. Porém, depende necessariamente da "habilidade na ação” e na disposição dos membros do grupo e grupos afins de agir com lentidão e tato.

No momento em que uma ideia entra no campo religioso, adquire um impulso imediato pelo fato de que a característica dominante da consciência humana é o sentido do mais interno ou real, o reconhecimento de um destino subjetivo e um conhecimento inato de acessar um Deus desconhecido. Em consequência, qualquer verdade ou apresentação da verdade, ou método que ofereça a possibilidade de produzir uma maior aproximação com a divindade ou uma compreensão mais rápida do "ser mais profundo”, evoca resposta e reação imediatas. Assim, é indispensável agir com cautela e reflexão.

Já indiquei a forma que a religião da nova era tomará. Ela será construída em torno dos períodos de Lua Cheia, em que serão feitas determinadas e importantes Aproximações ao mundo da realidade, e também em duas Aproximações de massa, feitas no momento dos principais eclipses da Lua e do Sol durante o ano. Os dois principais alinhamentos de Lua cheia serão na Lua cheia de Wesak e na Lua cheia de junho - uma consagrada ao Buda, Que personificou a sabedoria de Deus, e outra ao Bodhisattva (conhecido como o Cristo pelos cristãos), Que personificou o amor de Deus.

A plataforma da emergente religião conterá três apresentações principais, ou três doutrinas principais da verdade, se posso utilizar uma palavra tão inadequada. O trabalho do sexto grupo de discípulos será explicar os três pontos de vista ou evocações da verdade, a seguir:

1. A realidade do Espírito de Deus, tanto transcendente como imanente, será demonstrada, e também uma realidade similar com relação ao homem. O método de aproximação recíproca, via a alma, será indicado. Este aspecto da verdade emergente poderia ser denominado de misticismo transcendental.

2. A realidade da qualidade divina das forças da natureza e do homem, e o método pelo qual o homem as utiliza para propósitos divinos. Isto poderia se chamar de ocultismo transcendental.

3. A realidade, implícita no primeiro ponto, de que a humanidade como um todo é uma expressão da divindade, uma expressão completa, à qual se acrescenta uma realidade relacionada, a da natureza divina e do trabalho divino da Hierarquia planetária, como também o método de aproximação recíproca destes dois grupos em formação grupal. Isto poderia se chamar de religião transcendental.

Nada mais direi sobre isto, pois procuro abordar brevemente os três grupos restantes. Entretanto, assinalo que elaboraremos um pouco a Técnica da Presença de Deus, considerada sob um novo ângulo, o de grupo, e também a Técnica da Luz. Já chamei a atenção de vocês algumas vezes sobre duas técnicas menores, que trataremos mais adiante, por serem de natureza a permitir a abordagem das duas outras - a Técnica da Indiferença e a Técnica do Serviço. Quando estudarmos as Aproximações divinas, veremos que elas comportam duas partes ou dois grupos - o que se encontra no lado objetivo e o que se encontra no lado subjetivo da vida.

O trabalho do sétimo grupo, que corresponde ao campo da ciência, está estreitamente aliado ao do sétimo raio, e tem um propósito físico muito prático. Sua técnica é de ordem mágica, e tem por objetivo produzir uma síntese dos três aspectos da divindade no plano físico, ou seja, entre a vida, as energias solares e as forças lunares. Isto envolve uma tarefa difícil e muita compreensão; o trabalho a empreender não é fácil de entender. Será executado pelos trabalhadores do primeiro raio, ajudados por aspirantes do sétimo raio, mas empregando métodos do quinto raio. Os membros do grupo combinarão desta maneira o trabalho do destruidor das formas ultrapassadas, as descobertas dos cientistas que penetraram além da forma externa, chegando até a energia motivadora, e o trabalho prático do mago que, conforme a lei, cria novas formas como expressões da vida influente.

Este grupo de discípulos fará um estudo minucioso do problema do mal, produzindo um melhor entendimento sobre o propósito existente na matéria ou substância, como também sobre o influxo esclarecedor e o propósito diferente do aspecto alma. Por isso, quando tratei anteriormente do tema, vinculei os resultados da religião com os da ciência. A religião trata do despertar de um propósito consciente na alma no homem (a forma), enquanto a ciência trata da atividade da forma externa, quando esta vive sua própria vida, embora vá se submetendo lentamente ao propósito e à impressão da alma. É o conceito contido nas palavras "serviço científico” utilizadas por mim. Portanto, o trabalho deste grupo é tríplice:

1. Recolherá as conclusões mais avançadas dos homens da ciência, e em seguida formulará as novas hipóteses sobre as quais se fixarão os passos imediatos em qualquer campo científico.

2. Aproveitará as reações sensíveis que as novas Aproximações espirituais (como ensinarão as religiões da época) terão possibilitado e, usando as deduções disponíveis com o mundo interno do espírito, delineará a natureza das forças entrantes que determinarão e motivarão a cultura da época.

3. Tomando a substância ou matéria e as deduções espirituais e as hipóteses científicas, formulará os modos de serviço que, no plano físico, acelerarão a realização do Plano para o presente imediato. Com esta mescla de conhecimentos e de idealismo intuitivo, liberará as energias que desenvolverão os interesses humanos; relacionará o subumano com o humano por intermédio da correta interação de forças, e eliminará os obstáculos intelectuais que bloquearão (e sempre bloquearam) a caminhada do homem para o mundo super-humano.

Duvido que seja possível fazer muito para a formação deste grupo, por diversas razões. A primeira é que um grupo assim não poderá se formar enquanto não tiver sido feita certa descoberta científica tão importante que fará desaparecer a nossa atual reticência científica em reconhecer a realidade da alma como fator criador. Esta descoberta será parte dos "fatos científicos” que serão reconhecidos por volta de 1975. Outra razão é que A.A.B. não tem os conhecimentos científicos necessários para fazer mais do que captar as grandes linhas do trabalho previsto e, ainda assim, principalmente do ponto de vista das abordagens mais místicas e filosóficas. Também eu não tenho estes conhecimentos, meus irmãos. Será necessário um iniciado de quinto ou sétimo raio para tratar deste assunto e, embora eu pudesse apelar para a ajuda de tal irmão, não tenho a impressão de que este consumo de força fosse produtivo atualmente. O suspiro de alívio de A.A.B. ao perceber que havia um grupo a menos para tratar, para vocês e para mim, quase que justificaria que eu fizesse disso uma das principais razões!

Apontaremos agora brevemente o trabalho do oitavo grupo, o serviço em psicologia. Neste campo, o trabalho sairá do campo estritamente humano e se elevará para questões mais amplas - porque, meus irmãos, há questões mais importantes do que as que dizem respeito apenas à família humana. O trabalho destes discípulos abarcará as três questões a seguir:

1. A relação da alma humana com os reinos subumanos da natureza e o lugar que o reino humano ocupa como intermediário entre os três reinos superiores e os três inferiores.

2. A qualidade da alma nos três reinos subumanos, com particular ênfase nos reinos animal e vegetal. A consciência do reino mineral está tão distante da consciência humana, que não é possível formular em palavras o que quer que seja, nem nos identificarmos com este reino antes da expansão de consciência correspondente à terceira iniciação, a da Transfiguração.

3. Um estudo do Plano, tal como está implementado, atualmente, nos cinco reinos da natureza. Veremos que o ensinamento referente a este grupo terá uma significação oculta mais precisa e mais acadêmica do que para os outros grupos, porque se baseará nos conhecimentos contidos em A Doutrina Secreta e no Tratado sobre o Fogo Cósmico. Terá como base certas premissas contidas nessas obras. Portanto, as convicções dos membros deste grupo de discípulos serão mais ortodoxas; eles serão teósofos por natureza e acadêmicos por propensão natural.

A natureza da anima mundi, a realidade da consciência subjetiva que existe em todas as formas sem exceção, e a existência de uma influência recíproca entre estas formas, por intermédio da alma, serão seus temas principais. A reação e a sensibilidade da alma à toda forma de energia será o objetivo do treinamento dos membros do grupo. Devido à dificuldade desta tarefa, os membros deste oitavo grupo serão extraídos dos outros grupos, pois terão recebido uma instrução satisfatória com relação ao trabalho preliminar. Dois grupos serão então de integração - este do qual acabamos de falar e o formado por pessoas-chave de todos os grupos.

O nono grupo, cujo projeto é o serviço financeiro, será um dos mais práticos e mais interessantes do ponto de vista da situação mundial atual e das condições modernas. Talvez dentro de pouco tempo eu comece a organizar este grupo, desde que alguns de meus discípulos manifestem os sinais subjetivos que estou procurando, que envolvem a correta compreensão e a apreciação espiritual do dinheiro. Com isto não quero dizer que todos que manifestam tais sinais farão parte deste grupo, mas eles oferecerão condições favoráveis, possibilitando instaurá-lo. Porém, é possível que uma ou duas pessoas-chave façam parte deste grupo de serviço financeiro, se o plano se desenvolver segundo as esperanças e as previsões.

A tarefa que este grupo deve empreender é o estudo da significação do dinheiro como energia que se dirige e de que se apropria. Esta direção da força produz a materialização, e o trabalho entra então no campo do esforço mágico. Como para o trabalho dos outros grupos, a tarefa a cumprir se divide em três categorias de esforço:

1. O esforço de compreender a natureza do prana (a energia etérica vital) e as três qualidades que a caracterizam: são elas (como bem sabem) a inércia, a atividade e o ritmo ou, conforme a terminologia hindu, tamas, rajas e sattva. Quando a riqueza mineral do mundo ainda não havia sido descoberta nem usada, tínhamos a etapa de tamas em seu ponto mais profundo e mais inerte. Uma grande parte do que diz respeito ao dinheiro hoje está relacionado com o carma e o destino do reino mineral. Não vamos tratar aqui desta questão. Os processos da vida prânica se faziam originalmente por meio do escambo, das trocas do que se encontrava na superfície da terra. Mais tarde, desceram às profundezas, dando assim fluidez à expressão mais profunda e mais densa (do ponto de vista humano) da divindade. É preciso lembrar este ponto.

Atualmente o processo foi invertido, e o dinheiro está vinculado ao produto do reino vegetal na forma de papel-moeda, respaldado pela riqueza mineral do mundo. Trata-se de uma realidade subjetiva interessante, que se deve ter presente.

2. Um estudo dos processos pelos quais o dinheiro foi regularmente desviado do uso pessoal, tanto no bom como no mau sentido.

Não tenho a intenção, porém, de escrever um tratado sobre finanças. Seria mais um registro do terrível egoísmo do homem; só quero ocupar-me do dinheiro tal como a Hierarquia vê o problema, e considerá-lo como uma forma de energia atualmente degradada para fins materiais e para as aspirações e ambições egoístas de servidores bem-intencionados. Eles têm pontos de vista limitados, e precisam se dar conta das possibilidades inerentes à situação presente que poderia desviar grande parte da energia divina concretizada para canais construtivos e "vias de luz”.

3. Um estudo da Lei da Oferta e da Procura, de maneira que possa estar disponível para o trabalho dos Mestres por intermédio dos discípulos do mundo animados por motivações puras, habilidade na ação, e de provada responsabilidade, o que lhes é necessário, meus irmãos e de que necessitam imperiosamente.

O dinheiro foi desviado para fins totalmente materiais, mesmo em seus objetivos filantrópicos. O emprego mais espiritual que existe hoje no mundo é a aplicação do dinheiro para fins educacionais. Quando se separar o dinheiro da construção do aspecto forma e do bem-estar unicamente material da humanidade, e o desviar de seus canais atuais para fundamentos verdadeiramente espirituais, muito bem haverá. Os fins filantrópicos e os objetivos educacionais não sofrerão, e será dado um passo adiante. Este momento ainda não chegou, mas a espiritualização do dinheiro e sua acumulação em grandes quantidades para o trabalho dos Grandes Seres, os discípulos do Cristo, fazem parte de um serviço mundial muito necessário que pode se iniciar agora de maneira satisfatória. Esta tarefa deve ser empreendida com visão espiritual, técnica correta e verdadeira compreensão. Pureza de motivo e altruísmo são tidos como certos.

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A TAREFA IMEDIATA

28 de setembro de 1938

A Hierarquia está profundamente preocupada com os acontecimentos mundiais. Fui encarregado de pedir a vocês que continuem com o trabalho de boa vontade a qualquer custo e ante qualquer obstáculo. O núcleo formado deve se manter. O Novo Grupo de Servidores do Mundo deve conservar sua integridade e trabalhar de maneira inabalável. Nem tudo está perdido. A firmeza dos que conhecem o Plano de Deus ajudará a humanidade e os esforços dos Irmãos Mais Velhos. São aqueles que amam e não odeiam, e trabalham para a unidade - tanto subjetiva como espiritual.

É tudo que posso dizer neste momento, porque nem mesmo a Hierarquia sabe que forças prevalecerão. Sabe que o bem deve finalmente triunfar, mas não sabe o que o futuro imediato reserva para a humanidade, porque os homens determinam seus próprios destinos. A Lei de Causa e Efeito raras vezes pode ser neutralizada. Nos casos em que foi neutralizada, foi preciso haver a intervenção de Forças maiores que as disponíveis atualmente no planeta. Essas forças maiores podem intervir se os aspirantes mundiais conseguirem chegar até elas. Será isto possível? As forças da destruição, militando contra as Forças do bem (para usar uma frase americana), "monopolizaram” os recursos financeiros do mundo e desviaram a corrente de prana (que automaticamente se cristaliza em dinheiro e nas riquezas financeiras do mundo) para fins totalmente materialistas, separatistas e pessoais. Esses recursos, portanto, dificilmente estão disponíveis para disseminar e cultivar a boa vontade, e isto se aplica igualmente ao dinheiro que está nas mãos dos aspirantes e nas mãos daqueles de mentalidade puramente egoísta. São muitos os aspirantes que não aprenderam a dar se sacrificando. Se podem obter certa abundância financeira e desviá-la para os fins da Grande Loja Branca da qual o Cristo é o Mestre, seria uma das coisas mais construtivas que poderiam fazer no momento atual para prestar ajuda.

Neste momento de estresse e tensão, meus irmãos, lembraria a todos os aspirantes e discípulos que não devem abrigar sentimentos de inutilidade ou de pequenez. Os grupos-semente que atuarão na nova era estão agora na etapa obscura do crescimento e em vias de expansão, trabalhando silenciosamente. Esta etapa é muito importante, pois a boa saúde das sementes e a capacidade que tiverem de lançar raízes sólidas para baixo e de se elevar lenta e regularmente para cima na luz determinarão sua aptidão para contribuir para a nova era que está sobre nós. Eu gostaria de insistir sobre este fato junto a vocês. A nova era está sobre nós, e estamos presenciando as dores do parto da nova cultura e da nova civilização. Isto está em curso atualmente. O velho e indesejável deve desaparecer, e entre estas coisas indesejáveis, o ódio e o espírito de separação devem ser os primeiros a desaparecer.

Eu lhes disse antes que os acidentes que os indivíduos sofrem são, em geral, resultado de uma explosão de forças, e que estas explosões são causadas pelo ódio, pelos maus pensamentos e pelas palavras de crítica dos que estão envolvidos no acidente. A situação mundial atual não é causada pelas ambições de determinada pessoa ou raça, pelo materialismo, agressão ou orgulho de alguma nação. Também não é basicamente resultado das condições econômicas erradas que existem atualmente no mundo. A causa reside inteiramente no ódio presente em toda parte no mundo - ódio dos povos e das raças, ódio dos indivíduos e daqueles que estão no poder ou exercem influência e ódio das ideias e crenças religiosas. É causada, fundamentalmente, pelas atitudes separatistas de todos os povos e raças que, através dos séculos e também hoje, se odiaram reciprocamente e amaram a si. É causada pelos povos de todos os países que atribuíram a culpa pelas condições do mundo aos outros, exceto a si, e buscaram diligentemente bodes expiatórios para não se sentirem pessoalmente culpados por sua parte nos maus pensamentos, nas más palavras e nas más ações.

Este fato deveria ser captado e enfrentado por todos os aspirantes e discípulos, inclusive pelos membros dos grupos-semente. Eles não estão imunes aos fracassos prevalecentes e muitos deles procuraram distribuir a culpa pelas condições mundiais e criticar aqueles que estão procurando, a seu modo, solucionar a situação. Um pensamento claro, uma apreciação clara das causas e uma disposição amorosa em relação a todos deveriam caracterizar os discípulos neste momento. Onde não há essa atitude, há sempre o perigo de ser absorvido no turbilhão do ódio, da separatividade e do afastamento daquela pessoa (mesmo que apenas temporariamente) do centro de amor. Isto acarreta perigo e miragem. O próprio fato de que todos os discípulos são tão pronunciadamente individuais intensificam suas reações, boas e más.

Estou quase perplexo (se não conhecesse e amasse tanto a natureza humana) diante do pouco progresso de alguns discípulos no pensamento amoroso. Chegou a hora, ante as dificuldades e a imperfeição aparente, de iniciar o trabalho grupal proposto, se é que esse começo deve ser empreendido. Cada grupo foi organizado para cumprir uma tarefa específica. Este trabalho grupal conjunto não foi iniciado ainda, e a tarefa deve começar.

O primeiro grupo pode influenciar telepaticamente os dirigentes, dirigindo-se às suas mentes para imprimir nelas a necessidade descrita por um dos Grandes Seres como "a salvação amorosa do mundo”. Os membros desse grupo devem ser levados a compreender que sua política deve ser determinada pelo bem do mundo. O êxito que teve o grupo quando ajudou a..., indicou sua capacidade de ser útil construtivamente.

O segundo grupo, se quiser, pode trabalhar de maneira construtiva para acabar com a miragem mundial. Pode fazê-lo, porque vários membros do grupo tiveram êxito no combate à miragem em suas vidas.

O terceiro grupo pode começar, sob direção, o trabalho de cura grupal, depois de fazer certos ajustes internos.

O quarto grupo deve se esforçar em ajudar a construir o antahkarana mundial, evidentemente trabalhando em formação grupal. Pode fazê-lo se, como indivíduos, desde que se afastem de toda ideia separatista e aprendam a trabalhar com espírito de amor e com uma consciente descentralização de suas personalidades.

Meus irmãos, todos os membros do grupo têm seus pontos fracos. Há tendências e erros da personalidade e equívocos que envolvem principalmente os próprios interesses do homem e sua própria vida interna. Porém, não colocam o trabalho grupal seriamente em perigo, pois podem ser transcendidos, podem se tornar superficiais com pouco esforço. A impaciência com os resultados já alcançados, o sentimento de superioridade presunçosa, certas falhas físicas e ambições pessoais de natureza superficial, existem em vários membros de todos os grupos. E em todo grupo existe hoje um membro cujas dificuldades são de natureza mais séria, pois constituem um verdadeiro estorvo para a vida grupal, proporcionando (como fazem), a entrada de forças que entravam nitidamente a corrente da vida espiritual e impedem que o trabalho de natureza grupal avance para sua realização. Nestes casos, o que posso fazer?

Antes de tudo, exercer infinita paciência e dar a cada um tempo suficiente para que se modifique. Tenho feito isto em alguns casos durante anos, e com isso coloquei à prova, ao máximo, a paciência dos membros do grupo que não estavam implicados nessa situação ou ponto fraco específicos, e que ansiavam iniciar o trabalho grupal. A lição da paciência não foi desperdiçada, e gostaria de lembrar aos membros do grupo que se eles têm esperança de alcançar uma posição hierárquica, devem aprender esse amor e essa paciência que sabe esperar - sem pensar mal, e fomentando unicamente o bem.

Deixei claro para vocês este ano que uma reorganização drástica poderia ser necessária e que os grupos deveriam se reorganizar de certa forma antes de realizar o trabalho grupal unido. Esta reorganização me parece agora inevitável. Não é definitiva. Não afeta a relação duradoura e imutável que foi estabelecida, e persistirá eternamente entre vocês. Nada de fundamental pode separá-los.

O objetivo do trabalho destes grupos-semente é familiarizar o público com o Plano hierárquico, tal como está se desenvolvendo neste momento de crise. Estas três últimas palavras contêm o tema de maior importância para vocês. Em parte, este trabalho consiste em dissipar a ilusão e, principalmente, em plasmar o Plano na consciência dos dirigentes do mundo. Para nós pareceu que esta crise é mais profundamente percebida pelas pessoas apegadas às coisas materiais do que pelos aspirantes mundiais, que têm uma pequena visão dos objetivos. Os que não estão orientados para a Hierarquia espiritual e o Caminho, dedicam-se quase totalmente às atividades ligadas ao mundo (sejam boas ou que vocês chamam de más), mas o mesmo não vale para os aspirantes do mundo. Eles, em vez de trabalhar ativamente para o cumprimento dos fins indicados pelo Plano (de natureza espiritual, cujos efeitos unem, que não nutrem nem o ódio, nem a separatividade, mas a compreensão e a fusão mundiais), dedicam seu tempo em especulações, críticas aos distintos dirigentes mundiais, em prognósticos apreensivos, nenhum dos quais tem a menor utilidade e, em última análise, são claramente prejudiciais. Esta nocividade se deve a uma forma-pensamento poderosamente dirigida, construída por homens e mulheres que alcançaram certa aptidão no progresso espiritual.

A responsabilidade sobre os pensamentos ainda é pouco compreendida pelos que estão entre os aspirantes mundiais; entretanto, suas atividades para criar ideias é certamente construtiva ou potencialmente destrutiva. Hesito em desenvolver este tema devido às prováveis reações da personalidade daqueles que leem estas palavras. Estou falando, portanto, do mundo em geral, e não especificamente dos aspirantes mundiais e dos trabalhadores consagrados.

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