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Livros de Alice Bailey

Discipulado na Nova Era - Volume I

Índice Geral das Matérias

SEÇÃO UM - CONVERSA COM DISCÍPULOS - Prefácio

PREFÁCIO

Este livro é, em muitos aspectos, único. Tanto quanto eu sei, nada como ele foi publicado até agora. Ele contém duas séries de  conversações dadas por um dos Mestres de Sabedoria para alguns membros de seu grupo interno, e também uma série de instruções pessoais, dadas por ele a um grupo de Seus discípulos. Muitas dessas pessoas eram desconhecidas para mim quando foram trazidos à minha atenção; alguns deles conheci depois e outros nunca; alguns deles eu cheguei a conhecer muito bem e conseguimos entender por que tinham sido escolhidos, sabendo que sua dedicação à vida do espírito e seu amor à humanidade mereceram sua escolha. Um ou dois foram  considerados por mim como escolhas inadequadas; mais tarde eu alterei meu ponto de vista, e reconheci que uma mente mais sábia que a minha era responsável por sua inclusão no Ashram. Aprendi também que os relacionamentos antigos, estabelecidos em outras vidas, também foram fatores condicionantes e que alguns tinham ganhado o direito de ser incluídos, mesmo que suas realizações espirituais parecessem inadequadas para o espectador.

Uma boa parte do ensinamento dado é nova em sua forma, e outra parte é nova, de fato. Um ponto que emerge com clareza é que: as velhas regras a que se submeteram os discípulos no decorrer dos séculos, ainda são válidas, mas estão sujeitas a interpretações novas e muitas vezes diferentes. O treinamento a ser dado durante a próxima Nova Era será adequado para o desenvolvimento em seu tempo. O progresso evolucionário - de século para século - apresenta um amadurecimento constante e um desenvolvimento contínuo da mente humana, sobre o qual o Mestre pode trabalhar. Assim, os padrões do discipulado estão se tornando cada vez mais altos. Isso, por si só, exige uma nova abordagem, uma apresentação mais ampla da verdade e uma maior liberdade de ação por parte do discípulo. O elemento tempo também é diferente. Nos velhos tempos, o Mestre dava ao seu discípulo uma pista ou um ponto sobre o qual refletir e meditar, ou lhe sugeria alguma necessidade de mudança nos hábitos de pensamento. Então, o discípulo se retirava, às vezes por anos, às vezes por uma vida inteira e refletia e ponderava, e tentava alterar suas atitudes sem qualquer sentido particular de pressão. Hoje, em nossos tempos mais acelerados e quando a demanda da humanidade por ajuda é tão manifesta, a sugestão tem dado lugar a explicação, e confiada ao discípulo informação até então retida. Considera-se que o discípulo chegou a uma fase de desenvolvimento que pode tomar suas próprias decisões e avançar com mais rapidez, se assim o desejar.

Certas razões concretas levaram-me a tornar estas instruções disponíveis para os aspirantes em todos os lugares, depois de solicitar a permissão de quem as recebeu. Uma deles é a necessidade de chamar a atenção do público em geral para o fato de que a Hierarquia existe, de que seus membros estão interessados no progresso humano e que não há um sistema definitivamente planejado de treinamento oferecido por eles, capaz de tirar um homem do reino humano e levar para o Reino de Deus; este progresso do quarto para o quinto reino no caminho da evolução pode ser feito de forma consciente e cientificamente, e com o pleno consentimento e cooperação do aspirante. O dia chegou, no qual a crença pode (e o faz) dar lugar ao conhecimento - um conhecimento obtido através da aceitação de uma hipótese, em primeiro lugar, e da convicção de que esta hipótese é apoiada pelo testemunho adequado e experiência planejada. A mente racional do discípulo pode, então, aprender as lições designadas pelos sucessos e fracassos que encontra em seu treinamento. Em seguida, ele descobre que o progresso no Caminho traz um homem a um mais íntimo e consciente contato com aqueles que trilharam este caminho antes dele, e que o caminho para a Hierarquia exige disciplina, aumento de iluminação, serviço aos seus semelhantes e uma capacidade de resposta crescente aos contatos e indivíduos, dos quais o ser humano médio nada sabe.

A segunda razão para a publicação deste livro é a necessidade de mudar o ponto de vista do público em geral quanto à natureza desses Mestres que aceitam discípulos, e que lhes dão treinamento necessário para que possam receber a iniciação (como é chamada), o que deve chegar ao conhecimento das massas. Tanta estupidez tem sido dita e escrita sobre a relação entre Mestre e discípulo, que sentimos a necessidade de demonstrar que, quando um membro da Hierarquia mostra sabedoria, amplitude de visão, e entendimento, e declina de sua autoridade, nada pode fazer a não ser o bem. Descobrimos também que o Mestre consentiu que Suas instruções fossem publicadas.

A terceira razão para a publicação destas instruções era o desejo de deixar claro um ponto que é continuamente enfatizado pelo Tibetano e pelos Mestres, e que é de grande importância para todo aspirante. Somente aqueles que estão começando a ser influenciados e controlados por suas próprias almas e estão, portanto, mentalmente centrados e sintonizados, são elegíveis para o treinamento oferecido pela Hierarquia. Devoção, reações emocionais e sentimento não são suficientes. O treinamento esotérico também é um assunto impessoal; diz respeito ao desenvolvimento da consciência da alma e à expansão dessa consciência para incluir, e não excluir, todas as formas de vida através das quais palpita a vida e o amor de Deus. O verdadeiro discípulo é sempre inclusivo e não exclusivo. Essa inclusividade é a marca registrada do verdadeiro esotérico. Onde está faltando temos um aspirante, mas não um verdadeiro discípulo. Há demasiada exclusividade existente hoje entre esotéricos e em escolas de ocultismo e muito separatividade teológica. Considerou-se que este livro de instruções contribuirá muito para compensar essa tendência errônea e pode ajudar a abrir ainda mais a porta para o Reino de Deus.

Grande parte do conteúdo deste livro é nova. Grande parte é muito antiga, experimentada e comprovada. Nenhuma das pessoas escolhidas para este treinamento e para a inclusão no ashram do Mestre é santa ou perfeita. Todos são, no entanto, verdadeiros aspirantes e continuarão a sê-lo até o fim, apesar da dor e tristeza, da disciplina, sucesso, fracasso, alegria; todos reconhecem espiritualmente esses objetivos quase inatingíveis. Alguns estiveram neste caminho do Discipulado Aceito (tecnicamente entendido) por muitas vidas. Outros estão se aventurando pela primeira vez - de forma consciente e com deliberado esforço - a trilhar o caminho para Deus. Todos são místicos, que estão aprendendo a ser ocultistas. Todos são pessoas normais, que vivem uma vida útil e moderna em diversos países do mundo. Alguns são cristãos, ortodoxos, protestantes; outros são católicos romanos; e alguns pertencem à Ciência Cristã ou a outros cultos mentais; vários são independentes e livres de qualquer afiliação. Nenhum deles acha que sua crença particular ou sua origem religiosa são essenciais para a salvação; sabem que a única crença essencial é a crença nas realidades espirituais e na divindade essencial da humanidade. Essa crença envolve necessariamente um coração cheio de amor, uma mente aberta e iluminada pela orientação direta à verdade, e uma vida dedicada ao serviço e ao alívio dos sofrimentos humanos. Tal é o objetivo determinado por todos cujas instruções são encontradas neste livro - um objetivo que ainda não alcançaram e um modo de vida ainda não aperfeiçoado. No entanto, seguem inalteravelmente seu caminho, e este caminho é o Caminho. Cristo disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"; estes aspirantes, trabalhando sob um grande discípulo do Cristo, estão começando a compreender alguns dos significados e implicações de tal declaração, que é válida para todos os tempos e discípulos, porque "como Ele é, também somos nós neste mundo."

O trabalho com este grupo em particular começou há 12 anos. As instruções a cada membro foram dadas em sequência ordenada, ano após ano, de modo que uma imagem real da pessoa em questão, seus problemas, sua realização ou ausência de resultados, emerge claramente. Este livro é encorajador porque contraria a ideia de que para se tornar discípulo aceito deve-se possuir um caráter excepcionalmente perfeito e, portanto, destacar-se pela aspiração que inspira sua vida. Estas pessoas têm problemas, e se esforçam para resolvê-los; têm limitações características que estão se esforçando para superar; são verdadeiros exemplos de homem ou mulher que vira as costas para a abordagem usual de lidar com os assuntos materiais mundiais, e levam sua cruz, a fim de encontrar o caminho de retorno à casa do Pai; exemplificam para nós o homem que, tendo "colocado a mão no arado," continua em frente "para o prêmio de sua mais alta vocação em Cristo".

Algumas dessas pessoas foram estudantes da Escola Arcana; outras nunca o foram; outras ainda (quando ouviram da existência da escola através de sua afiliação com O Tibetano) trabalharam nela, a fim de ajudar os estudantes. Seus nomes não serão divulgados. As iniciais encabeçando as várias instruções e as datas atribuídas são supostas; provavelmente as instruções não foram recebidas nas datas indicadas e as iniciais do nome de nenhum deles é correta. Nenhuma informação será dada por qualquer um de nós que conhece a relação entre as iniciais e o discípulo, ou responderão as dúvidas sobre sua identidade.

É o objeto do ensino que é importante e não o nome do discípulo, porque o que é ensinado é aplicável a todos os aspirantes.

Outra razão pode ser mencionada aqui como indicativa do valor deste livro. Em todos os casos, é informado ao discípulo o tipo de energia a que ele responde mais facilmente, e sob qual raio ou emanação divina ele se encontra. Ele, portanto, torna-se consciente do que constitui sua linha de menor resistência e onde reside o ponto principal de conflito em sua vida.

Somos ensinados na filosofia esotérica que sete grandes divinas Emanações, Eons ou Espíritos (em Quem vivemos, nos movemos e temos nosso ser) vieram de Deus no momento da criação. O mesmo ensinamento também pode ser encontrado na Bíblia Sagrada. As almas de todas as formas de vida encontram-se em um ou outro desses sete Raios, bem como as próprias formas. Estes sete raios produzem os sete principais tipos psicológicos. Estes sete raios ou emanações são:

1.    O primeiro Raio de Vontade ou Poder. Muitos grandes governantes do mundo são encontrados neste raio, como Júlio César.

2.    O segundo Raio de Amor-Sabedoria. O Cristo e o Buda se encontram neste raio. É o grande raio do ensinamento.

3.    O terceiro Raio da Inteligência Ativa. A massa da humanidade inteligente pertence a este raio.

4.    O quarto Raio de Harmonia através do Conflito. Os aspirantes, pessoas bem-intencionadas, os que se esforçam e lutam, os que trabalham pela unidade emergem ao longo desta linha.

5.    O quinto Raio de Conhecimento Concreto ou Ciência. Os cientistas e as pessoas que são puramente mentais e regidas unicamente pela mente.

6.    O sexto Raio da Devoção ou Idealismo. Muitas pessoas cristãs. Fanáticos religiosos. Inúmeros clérigos sérios de todas as religiões do mundo.

7.    O sétimo Raio da Ordem Cerimonial ou Magia. Maçons. Financistas. Grandes empresários e organizadores de todos os tipos. Os Executivos possuem estas energias em seus equipamentos.

No entanto, apenas quando um homem é altamente desenvolvido e se aproximando do caminho do discipulado é possível para o estudante esotérico saber, com exatidão, a que raio pertence. Pessoas de todos os tipos e profissões são encontradas em todos os raios. O conflito na vida do discípulo ocorre quando o raio da sua alma e o raio da sua personalidade integrada se opõem. Ao mesmo tempo, sua natureza emocional, seu equipamento mental e seu cérebro físico também são controlados por um ou outro dos raios e nesta quíntupla relação encontra-se grande parte do problema do ser humano em evolução. O Tibetano esclarece aos membros de seu grupo quais são os cinco raios que os condicionam, de maneira que os estudantes aprenderão muito se refletirem sobre o exposto. Nos casos que conheço pessoalmente o discípulo envolvido e algo de seus problemas, foi surpreendentemente interessante observar como foi infalível o diagnóstico preciso do Tibetano sobre os raios envolvidos. Ao ler estas instruções, lembrem-se que embora o Tibetano geralmente fale da alma, Ele também usa a palavra "Ego" como sinônimo, significando assim o ego espiritual e não o ego pessoal dos psicólogos.

Não creio que seja sábio dar as meditações de trabalho ou os exercícios respiratórios, exceto em uns poucos casos. Eles eram estritamente individuais e adequados para a pessoa e seus problemas peculiares. Em um ou dois casos, no entanto, após a devida consideração, foram inseridas algumas das meditações com ligeiras alterações. Era óbvio que elas poderiam ser úteis.

No final de cada instrução, nós adicionamos uma ou duas frases informando o trabalho do discípulo no Ashram. Isto se revelará particularmente esclarecedor como, por exemplo, nos casos de P.D.W. e K.E.S. onde O Tibetano mostra definitiva previsão e o conhecimento de que ambos os homens morreriam alguns anos mais tarde. Obviamente, preparando-os para a grande transição.

Finalmente, eu gostaria de agradecer a todos estes discípulos que tão gentilmente colocaram suas instruções pessoais à minha disposição, em um esforço para servir as futuras gerações de discípulos. Em muitos casos, eles ajudaram a preparar o original para impressão. Gostaria também de agradecer àqueles que me ajudaram a preparar o texto para publicação, especialmente Joseph Lovejoy que dedicou muitos dias de trabalho, ajudando-me durante anos na preparação para a publicação dos livros do Tibetano.

Espero que todos os que lerem este livro recebam a inspiração que recebemos e também que sua confiança na Hierarquia e na existência do Cristo e Seus Discípulos, os Mestres, possa receber tal força que impelirá muitos mais a tentar trilhar o Caminho e juntar-se ao grande número de aspirantes em todos os países que estão buscando trilhar o Caminho, tornando-se, eles próprios, o próprio Caminho.

Outubro de 1943
Alice Bailey

AS GRANDES INVOCAÇÕES

1935
Que as Forças da Luz iluminem a humanidade.
Que o Espírito da Paz se difunda pelo mundo
Que os homens de boa vontade possam unir-se em toda parte num espírito de cooperação
Que o perdão por parte de todos os homens possa ser a tônica dessa época
Que o poder sirva aos esforços dos Grandes Seres
Que assim seja, e ajudai-nos a fazer a nossa parte.

1940
Que os Senhores da Liberação se manifestem
Que Eles tragam socorro aos filhos dos homens
Que o Cavaleiro do Lugar Sagrado venha a nós, e vindo, salve
Vinde a nós, ó Poderoso Ser
Que as almas dos homens despertem para a Luz E possam eles permanecer com o propósito congregado
Que a ordem do Senhor seja proclamada:
O fim do infortúnio chegou!
Vinde a nós, ó Poderoso Ser A hora do serviço da Força Salvadora é chegada
Que ela seja estendida por toda parte, ó Poderoso Ser
Que a Luz e o Amor e o Poder e a Morte Cumpram o propósito d’Aquele Que Vem A VONTADE para salvar está aqui
O AMOR para conduzir o trabalho está amplamente difundido A AJUDA ATIVA de todos os que conhecem a verdade também está aqui Vinde a nós, ó Poderoso Ser, e funde estes três Constrói uma grande muralha defensora O governo do mal deve agora terminar.


1945
Do ponto de Luz na Mente de Deus
Flua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça à Terra.

Do ponto de Amor no Coração de Deus
Flua amor aos corações dos homens.
Que o Cristo volte à Terra.

Do centro onde a vontade de Deus é conhecida
Guie o propósito as pequenas vontades dos homens -
O propósito que os Mestres conhecem e a que servem.

Do centro a que chamamos raça dos homens
Cumpra-se o Plano de Amor e Luz.
E que ele vede a porta onde mora o mal.

Que a Luz o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.

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