Discernimento e Desenvolvimento dos Sentidos Internos
Dezembro 2025

Estimado (a) companheiro (a) estudante.

Após as reflexões do mês passado sobre o centro ajna e o Olho de Shiva, surge a seguinte questão: por que a visão interior parece um objetivo tão difícil de alcançar, mesmo para o estudante de esoterismo mais dedicado? Em seu comentário sobre os Yoga Sutras de Patanjali, Alice Bailey lista nada menos que sete tipos de visão: os quatro primeiros abrangem os planos físico, etérico, astral e mental inferior. No entanto, isso é seguido por uma advertência de que todos eles são “causa de percepção errônea, produzindo apenas ilusão e erro, até que sejam substituídos por tipos superiores de visão… que incluem os outros”. (1)

Portanto, o estudante de esoterismo aspira apenas aos tipos superiores de visão que, embora difíceis de alcançar, permitem o uso dos tipos inferiores livres de “ilusão e erro”. É claro que alguns estudantes de esoterismo podem naturalmente possuir um certo grau de discernimento em um dos planos subjetivos inferiores, e, contanto que levem em consideração a advertência acima, são menos prováveis de se desviarem.

A mesma cautela se aplica ao ouvido interno. A esse respeito, é interessante notar que, embora mensagens canalizadas dos planos internos não sejam novidade, ultimamente tem havido uma tendência crescente em direção a comunicações extraplanetárias por parte daqueles que afirmam estar em contato com seres de outros sistemas estelares ou representantes de algum tipo de federação galáctica. Talvez isso não seja tão surpreendente em uma era em que a exploração espacial e a busca por vida extraterrestre ocupam a atenção de algumas de nossas mentes científicas mais brilhantes. Um dos efeitos desse desenvolvimento é o estímulo da imaginação humana na linha da ficção científica e da fantasia, que agora representam uma parte significativa de nossa cultura global de entretenimento. Mas em meio ao mistério, podemos considerar este comentário intrigante de Helena Blavatsky, posteriormente exposto por William Q. Judge:

Aqueles que se separam de nossos Mahatmas humanos vivos para se tornarem os Saptarishis — os Rishis Estelares — não são teosofistas.” H.P.B.

William Q. Judge: “Existem dois tipos de seres capazes de influenciar a humanidade em geral: um são os ‘Mahatmas humanos vivos’ e o outro são os seres não humanos que, embora não estejam estritamente em nossa corrente evolutiva, podem afetar certos seres humanos e, às vezes, o fazem. Para responder a isso — mas não como uma descrição completa —, os Saptarishis, segundo H.P.B., pertencem a uma classe muito avançada de elementais, que às vezes conseguem se comunicar com humanos e, por meio de seu aparente conhecimento, fazem com que estes pensem ser seres espirituais elevados que evoluem regularmente do estágio humano. Mas, na realidade, eles não são espíritos humanos, mas têm o mesmo caráter de alguns dos Devas hindus e, por acaso, por assim dizer, trabalham para o verdadeiro benefício da raça. Ou seja, ao nos comunicarmos com eles, desviamos da linha normal do desenvolvimento humano. Em alguns casos, eles influenciaram certos médiuns que, enganados, ou melhor, deslumbrados pelas experiências vividas por seres extraordinários, não se inclinam para o lado humano da evolução espiritual. Por outro lado, Os Mahatmas humanos vivos formam a ligação direta com os espíritos humanos de todos os níveis, que controlam a evolução espiritual humana.” (2)

A última frase parece especialmente importante em relação às mensagens que alegam originar-se de fora do anel impenetrável de nossa própria cadeia planetária e do sistema no qual nosso Logos Solar está evoluindo; pois afirma claramente que o único canal legítimo de comunicação entre a humanidade e seres mais evoluídos é aquele que existe entre a humanidade e os membros da Hierarquia Espiritual da Terra, "que são responsáveis pela evolução espiritual humana".

O conceito de uma classe avançada de elementais se passando por seres espirituais superiores, seja do sistema terrestre ou, como é cada vez mais comum, de outros sistemas estelares, é um desafio para a mente perspicaz. No entanto, as ciências da Terra descobriram imitação e engano de todos os tipos nos reinos físicos inferiores da natureza, como evidenciado por alguns dos maravilhosos programas de história natural da atualidade. Já havíamos refletido sobre esse fenômeno alguns anos atrás em uma palestra na Escola Arcana, que teve como ponto central uma das regras de iniciação: “Que as regras pelas quais o Anfitrião da Voz opera dentro dos véus de maya sejam aprendidas. Que essa voz então não seja ouvida, e que o grupo avance dentro do Som.” E em uma carta da Lucis Trust daquele ano, intitulada "A Sabedoria do Desencantamento", escrevemos:

“Uma das características mais intrigantes do mundo natural é o mimetismo: insetos inofensivos imitam o desenho de outros insetos mais nocivos para escapar de seus predadores. Os escaravelhos femininos (*) imitam os sinais de acasalamento de outras espécies para atrair machos ansiosos e levá-los a um destino fatídico. O louva-a-deus (mantis religiosa) atrai suas presas imitando as flores, e as plantas de seixos são muito parecidas com as pedras, evitando assim se tornar comida para os animais. E a lista continua. O que muitas vezes não é entendido é que a arte do engano, implícita no desenho da Natureza, também é uma característica dos mundos internos. No caminho em direção à alma, há muitas armadilhas para o investigador incauto.

Claramente, a discriminação é essencial ao longo do caminho, pois é muito fácil cair presa das visões e dos sons enganosos do mundo astral e dos muitos imitadores que residem lá. Entre esses "encantadores" estão os imitadores dos Mestres de Sabedoria e outros luminares espirituais, imitadores que não são almas propriamente. Muitos desses ensinamentos e comentários triviais sobre os assuntos humanos são realizados com um sentimentalismo que busca ser reconfortante. Essas conchas são animadas por vidas elementais do mundo astral que são energizadas por sua interação com os seres humanos.” (Mostrar a Carta)

Como antídoto para esse fenômeno, recebemos um sábio conselho em um antigo comentário citado no livro Um Tratado sobre Magia Branca:

"Que o discípulo se aposse da cauda da serpente da sabedoria e a tendo agarrado com firmeza, acompanhe-a até o mais profundo centro da Câmara da Sabedoria. Que ele não seja traído pela armadilha para ele posta pela serpente da ilusão, mas que feche seus olhos ao colorido ornamento de seu dorso e os ouvidos à melodia de sua voz. Que ele saiba discernir a joia, colocada na frente da serpente cuja cauda ele sustenta e pela sua irradiação, atravessar os lamacentos vestíbulos de maya." (3)

Os “lamacentos vestíbulos de maya” estão sendo agitados por uma atividade ainda maior neste tempo de crise e convulsão planetária. No turbilhão de forças conflitantes que se desenrolam nos assuntos internacionais, onde a verdade está se tornando uma mercadoria cada vez mais rara e onde a propaganda nacional e o engano florescem em todo o mundo, a atmosfera está longe de ser propícia ao estudo do ocultismo. No Um Tratado sobre Magia Branca, publicado em 1951, lemos:

“Um dos principais obstáculos à correta apreensão das leis do ocultismo e sua aplicação prática está no fato da relativa juventude do ocidente e das rápidas mudanças que têm marcado as características predominantes da civilização europeia e da americana... O esoterismo floresce numa atmosfera preparada, num ambiente altamente magnetizado e numa condição estabelecida que é o resultado de prolongado trabalho sobre o plano mental... Estas condições não serão encontradas no Ocidente, onde se constatam trocas constantes em cada ramo da vida, onde a frequente e rápida mudança da cena de ação causa largas áreas de perturbação que militam contra qualquer trabalho de natureza mágica. A quantidade de força requerida para provocar certos resultados não assegura o seu uso e deixou-se passar o tempo num esforço para produzir um efeito equilibrador.” (4)

Ao escrever isso, o Tibetano indicou que uma situação mais estável estava sendo gradualmente alcançada, mas é claro que a situação atual tornou-se instável novamente, no mínimo. Tendo isso em mente, não há razão para frustração ou para considerar um fracasso se os estudantes sentirem que não estão progredindo como esperavam no desenvolvimento do senso esotérico. Na verdade, o oposto é verdadeiro: persistência e a capacidade de permanecer desapegado, sereno e equilibrado no olho do furacão são as qualidades mais necessárias hoje. O serviço mais poderoso que este grupo de discípulos em treinamento pode prestar é manter viva a visão da Nova Era do Tibetano na consciência humana em uma de suas horas de maior necessidade.

Em iluminado companheirismo grupal,

Grupo da Sede
ARCANE SCHOOL
Escola Arcana

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1. Alice A. Bailey, A Luz da Alma, p. 68.
2. William Q. Judge, Artigos Teosóficos, Vol. 2, pp. 488-489.
3. Alice A. Bailey, Tratado sobre Magia Branca, p. 223.
4. Ibid., pp. 78-79.

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