O Significado Evolutivo das Palavras
Maio/Junho 2024

O significado da linguagem, mesmo o de uma única palavra, está em constante expansão abrangendo a crescente diversidade do conhecimento e da experiência humana. A palavra campo, por exemplo, evocava originalmente imagens da terra, paisagens e sons familiares do campo. Mas nesta era científica, a palavra também pode levar a imaginação a um campo eletromagnético ou quântico, um reino de forças invisíveis onde misteriosas partículas subatômicas entram e desaparecem. Expandir o significado de uma única palavra pode evocar um mundo completamente diferente de imagens, sentimentos e pensamentos relacionados.

Enquanto o físico sabe que existe um campo mais sutil atrás do plano comum, o esoterista sabe que para a percepção ocultista ambos os campos são ilusórios, porque subjacente a eles há outro campo, um campo de qualidades vivas, e que para entrar nele é necessário uma busca minuciosa pela corça da intuição referida em Os Trabalhos de Hércules no signo de Câncer. A imagem da corça representa a natureza indescritível da intuição, que desaparece à menor perturbação dos pensamentos mundanos. Capturar o cervo é um longo e árduo trabalho de amor, mas o discípulo que busca persistentemente no silêncio do coração pode vislumbrar brevemente sua luz dourada. À medida que essa luz é buscada com firmeza, a corça se revela com mais frequência, tornando-se suscetível de ser capturada, iluminando assim o reino oculto da intuição:

“Como resultado do pensamento focalizado “no coração,” o olho espiritual se abre e se torna o agente direcionador... agindo à luz da intuição” (1).

Pensar com o coração não significa tentar focar a consciência na área física do coração. Significa pensar “a partir dos níveis da alma”. Em outras palavras, ativa a substância mental que compõe o lótus egoico. É por esta razão que “pensar com o coração torna-se verdadeiramente possível somente quando as faculdades mentais foram adequadamente desenvolvidas e alcançaram uma etapa bastante elevada de desenvolvimento” (2). No sentido físico-etérico, a localização espacial desta atividade é logo acima da cabeça, pois é aqui que se localiza o aspecto superior do centro cardíaco: “o lótus de doze pétalas localizado no centro do lótus de mil pétalas.” (3).

Ao focar a consciência neste lótus, desenvolve-se um ponto de tensão entre o ser humano encarnado e a alma em seu próprio plano, cujo resultado é o despertar do olho espiritual. Este olho projeta energia que pode ser utilizada para direcionar as vidas elementais do plano mental para uma estrutura de pensamento capaz de abrigar as qualidades vivas do reino intuitivo; depois é exalado na “grande corrente de substância mental que sempre atua sobre a consciência humana” (4). Isto ocorre sob a lei oculta fundamental: a energia segue o pensamento e se adapta a ele. E mesmo antes do olho espiritual ser aberto, é possível trabalhar com esta lei através do uso da imaginação criativa. À medida que aprendermos a pensar com o coração, descobriremos que as percepções que adquirimos se tornam magnéticas, e que esse magnetismo aumenta à medida que meditamos sobre elas, visualizando sua aplicação prática no mundo dos assuntos humanos.

Voltando ao significado evolutivo das palavras, palavras familiares muitas vezes transmitem significados mais profundos, e a imaginação criativa é uma grande ajuda para explorá-las. Nas obras de Alice Bailey e de outros pensadores esotéricos pioneiros, as palavras são organizadas de uma maneira específica para formar uma geometria de poder que ressoa na mente do leitor. Palavras comuns podem transmitir uma perspectiva mais profunda, porque por trás delas estão qualidades espirituais vivas que buscam entrar na consciência humana. Neste contexto, o significado de uma palavra como Paz, por exemplo, é transformado da sua definição mundana de “um estado de harmonia, quietude ou calma não perturbada por qualquer coisa”, e torna-se “a expressão da vontade de Shamballa” (5), que é “o lugar de serena determinação, de equilibrada e obediente vontade” (6). No futuro, a Paz será vivenciada mais como um ponto de tensão na cabeça e no coração, “colocando… os três aspectos divinos em atividade simultânea conforme a vontade de Deus” (7). Hoje isto pode não ser nada mais do que um conceito interessante, mas um dia o novo campo de energia que permeia a palavra “Paz” será compreendido e experimentado tão claramente como o campo de relva sob os nossos pés é hoje.

Vemos então que a linguagem e as palavras podem ser expandidas para abranger não apenas a crescente diversidade do conhecimento e da experiência humana, mas também a sua qualidade evolutiva. Os ensinamentos da Sabedoria Eterna foram escritos com isto em mente, e somos solicitados a pensar sobre eles e trazê-los à consciência pública. Por esta razão, na carta do mês passado refletimos sobre a palavra-tema “Relacionamento” que O Tibetano apresentou ao seu grupo de discípulos. E no espírito das suas instruções, tentamos chegar um pouco mais perto de qual poderia ser o seu “significado novo e profético”. De maior interesse para esta consideração grupal é o fato de a palavra ‘Relacionamento’ ter começado a substituir a palavra ‘Qualidade’ na triplicidade fundamental, Vida, Qualidade, Aparência:

“No início do Tratado Sobre os Sete Raios, referi-me à vida, qualidade e aparência, mencionando a principal triplicidade evidente para o homem que pode ser e já foi comprovada. A qualidade foi destacada como o segundo aspecto, não porque seja assim em todos os planos e em todas as épocas, mas porque, no ponto atual da evolução humana, a qualidade e a atividade parecem ser os dois aspectos inferiores da manifestação divina. Todavia, dois outros aspectos - relação e ideias - já estão substituindo (se é que estão) os mencionados acima (quais sejam, qualidade e atividade) na consciência da humanidade pensante. Outros ir-se-ão juntando rapidamente, à medida que a consciência do homem for empregada de modo efetivo.” (8).

As palavras “Qualidade” e “Relacionamento” estão associadas ao segundo aspecto da divindade, o princípio crístico, e isto devemos ter em mente enquanto continuamos a trabalhar através da nossa palestra da Conferência sobre a Preparação das Mentes e dos Corações humanos para o reaparecimento do Cristo. Poderíamos descrever o princípio crístico como uma “qualidade de relacionamento” que invoca a Vontade e o propósito de Shamballa, introduzindo algo novo e transformador hoje. É um princípio que redime a matéria e eleva todas as partes um pouco mais perto de Shamballa, de onde brota o impulso vital da criação planetária. Daí a nossa reflexão do mês passado sobre a palavra “Relacionamento” como algo que molda um retorno à fonte de todas as coisas.

Em companheirismo grupal iluminado,

Grupo da Sede
ARCANE SCHOOL
Escola Arcana

_____________

1. Discipulado na Nova Era, Volume II, pp. 289 e 294.
2. Cura Esotérica, p. 157.
3. Idem, pág. 157.
4. Discipulado na Nova Era, Volume II, p. 146.
5. A Exteriorização da Hierarquia, p. 165.
6. O Reaparecimento de Cristo, p. 28.
7. A Exteriorização da Hierarquia, p. 165.
8. Telepatia e o Veículo Etérico, p. 65.

Início