Citações do Agni Yoga - Conferência da Escola Arcana em 2024


AGNI YOGA

Humanidade e Relacionamento

Até 1875, a iniciação constituía um processo sequencial, assim como em grande parte, individual. Isto está sendo vagarosamente modificado. Há grupos sendo admitidos à iniciação em razão de uma relação reconhecida e sentida, que não é a do discípulo com o Mestre (como até agora), mas que se baseia na relação-iniciado em forma grupal e que está presente entre a Humanidade, a Hierarquia e Shamballa. É esta relação espiritual e sentida de modo sutil que, hoje em dia, está encontrando expressão no plano físico em um esforço mundial para que se possam estabelecer relações humanas corretas.

A iniciação não é mais considerada essencialmente como a mudança de um ser humano que aceitou algumas correções e progrediu resolutamente em sua consciência para contato mais próximo com a Hierarquia e um grupo dentro da Hierarquia. Este ângulo se tornará rapidamente algo que pertence ao passado. É o progresso de todo um grupo de discípulos e iniciados de mentes espirituais em direção a uma ligação mais próxima com a Mente do Senhor do Mundo, isto, os discípulos e os iniciados farão juntos, de acordo com seu grau e sua posição na evolução espiritual. Não me refiro aqui à evolução da forma. Sendo assim, acontecerão três coisas:

1. Um elo mais estreito entre os três centros divinos (Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade) de modo que o fluxo de energia divina seja cada vez mais liberado e o Propósito, o Plano e sua Precipitação no plano físico seja simplificada.

2. Uma Hierarquia muito mais poderosa e muito mais ligada à Humanidade pelo princípio da inteligência - implementando o princípio do amor - e muito mais harmonizada ao Propósito, que constitui o foco dinâmico de toda a energização planetária, desenvolvimento e crescimento evolutivo.

3. Uma fusão ou o estabelecimento de uma relação dentro da própria Humanidade, produzindo relações humanas corretas e uma consequente integração à Hierarquia. Isto será da natureza de uma iniciação em massa e se tornará possível por meio de um processo relativamente novo de iniciação grupal, emergindo do método vagaroso da iniciação individual. (1)

Portanto, meus irmãos, a relação mais estreita entre a Hierarquia e Shamballa, o estímulo de sua própria vida interna, a prontidão da humanidade para a revelação, e para certos desenvolvimentos inesperados, condicionarão o ciclo em que estamos entrando agora. É, pois, o período mais extraordinário da história da humanidade. Acrescente-se a isso que é preciso ter em mente que estamos entrando em outro ciclo do zodíaco, e isto coincide com uma atividade zodiacal menor, porque Aquário rege o próximo ciclo maior de 25.000 anos, e é também o signo no qual o sol está entrando para um período de 2.300 anos - um acontecimento realmente extraordinário e pleno de importância para a nossa história planetária. Nosso Logos planetário está ciente desta coincidência, e a aplica plena e inteligentemente. É também um ciclo no qual, pela primeira vez, os três centros planetários maiores - Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade - estão em relação direta e desimpedida, porque atualmente o alinhamento está correto e ajustado, pela primeira vez na história planetária. Embora seja apenas temporariamente, algo foi instaurado, cujos efeitos nunca se perderão. É também um ciclo no qual o Logos planetário, tendo tomado uma iniciação e com isso afetando toda a Sua vida planetária, estabeleceu também certas relações extraplanetárias que, logicamente, são incompreensíveis e de nenhuma importância para o ser humano individual, mas que, oportunamente criará uma situação na qual o nosso planeta se tornará um planeta sagrado. Este processo, à medida que se desenvolve, terá um poderoso efeito subjetivo e profundamente espiritual sobre todos os reinos da natureza, e também no reino da supra natureza. (2)

A segunda exigência, a de que o sentido da síntese fosse a mente do treinamento dado aos candidatos na Nova Era, é um evidência direta do novo contato de Shamballa, porque a síntese é um atributo da vontade divina e a mais destacada qualidade da Deidade. Era inevitável que a inteligência e o amor se tornassem os objetivos evolucionários no planeta e os dois primeiros aspectos divinos a serem desenvolvidos, pois são qualidades da vontade. Eles tornam possível a manifestação da vontade divina; eles garantem que sua aplicação inteligente e poder magnético atraiam para si mesmos tudo que é necessário para a expressão ou manifestação do propósito divino intuído, sinteticamente visualizado, e motivado, aparelhado, construído e tornado possível pelo aspecto dinâmico da mesma vontade.

É interessante registrar que há toda evidência no mundo hoje de que a energia de Shamballa está sendo diretamente lançada sobre a consciência humana e diretamente produzindo resultados. O aspecto destruidor do primeiro Raio da Vontade ou Poder está produzindo a destruição mundial através do uso do primeiro reino da natureza, o reino mineral. Aquilo que é feito de metal e de elementos químicos está trazendo catástrofe e destruição à terra, principalmente no reino humano. Ao mesmo tempo, o segundo atributo da vontade, a síntese, está evocando uma resposta igualmente generalizada. Este sentido de síntese afeta as massas antes de afetar o indivíduo e isto é algo interessante e importante a ser observado atualmente. Mais tarde, o dinamismo inerente na vontade, revelado pelo Novo Grupo de Servidores do Mundo e pelos discípulos e iniciados mundiais, tornarão essa resposta instintiva das massas numa experiência de fato e produzirão o “aparecimento” na terra da nova desenvolvida “qualidade” que a “vida” procura demonstrar na Nova Era. No primeiro volume deste Tratado, chamei a atenção para os três aspectos divinos: Vida, Qualidade e Aparência. Eles estão agora em processo de aparecer em forma final para este ciclo. (3)


Vejam vocês, portanto, a necessidade de eventualmente se organizar um grupo no mundo que seja de tal forma constituído e tão cuidadosamente escolhido e interiormente relacionado que todos os seus membros sejam iniciados, todos tenham criado sua própria “ponte de arco-íris” com compreensão e precisão, e que possam trabalhar com tão completa unidade que o antahkarana grupal se torne um canal desimpedido de comunicação direta de Shamballa para o grupo porque cada membro do grupo é um membro da Hierarquia. Desta maneira os três centros planetários chegam à necessária relação, e um outro grande triângulo alcança verdadeira atividade funcionante. Quando isto tiver lugar, uma revelação ainda não sonhada manifestar-se-á na Terra; uma nova qualidade divina da qual nada conhecemos hoje, fará sentir sua presença, e o trabalho do Buda e do Cristo e o trabalho do próximo Avatar será ultrapassado por Aquele Que Shamballa e a Hierarquia têm esperado e do Qual a doutrina do Messias e a doutrina dos Avatares têm sido e são hoje somente pálidos e distantes símbolos. Eles preservam este conceito da Grande Revelação na consciência dos homens, na expectativa evidenciada pela Hierarquia e através do “trabalho preparatório” sendo agora realizado em Shamballa. (4)

O discípulo aceito neste trabalho grupal está conscientemente em harmonia com dois centros planetários (Humanidade e Hierarquia), e seu pensamento criativo condiciona em grande parte o grupo. (5)

O segundo efeito será a formação ou constituição de um triângulo planetário ou tríade reconhecível, que será a correspondência entre os três centros planetários e a tríade espiritual: Mônada, Alma e Personalidade (atma-budi-manas da literatura teosófica). Até agora a palavra alinhamento é a que melhor descreve a situação planetária; houve uma linha direta pela qual afluiu energia de Shamballa para a Hierarquia e da Hierarquia para a Humanidade, mas isto não significou nenhuma interação direta entre a Humanidade e Shamballa. Se a Grande Invocação puder se tornar eficaz, a humanidade poderá então estabelecer uma relação direta com Shamballa. O resultante triângulo de relação de força promoverá a circulação de energias espirituais entre os três centros de um ponto a outro, de maneira que haverá uma tríplice relação. Um processo planetário de dar e receber se estabelecerá então entre os três, e a ênfase em dar será muito mais pronunciada. (6)

Por intermédio do Cristo e do Buda, a humanidade pode agora estabelecer uma estreita relação com Shamballa e em seguida dar a própria contribuição - como centro mundial - à vida planetária. Compenetrada pela luz e controlada pelo Espírito da Paz, a expressão da vontade-para-o-bem da humanidade pode emanar poderosamente deste terceiro centro planetário. Então a humanidade iniciará, pela primeira vez, a tarefa que lhe foi designada na qualidade de intermediária inteligente e amorosa entre os estados superiores de consciência planetária, os estados super-humanos e os reinos subumanos. Assim a humanidade se tornará, oportunamente, o salvador planetário. (7)

No entanto, há um ponto positivo, um algo a mais, que reverterá o curso da vitória para o lado das Nações Aliadas. Derivará de um esforço para compreender e expressar a qualidade da Vontade espiritual; será a manifestação da energia que faz do primeiro aspecto divino de Vontade ou Poder o que é; é a característica distintiva da força de Shamballa; é aquela qualidade particular e específica da divindade, que é tão diferente, que o próprio Cristo não estava na altura de expressá-la com facilidade e entendimento. Disso advém o episódio em Getsêmani, cujo significado me é difícil de expressar em palavras. Dois mil anos se passaram desde Getsêmani, e desde que o Cristo fez Seu contato inicial com a força de Shamballa, sendo que por esse meio e em nome da humanidade, Ele estabeleceu uma relação que, mesmo depois de dois mil anos, ainda não é mais que uma fina e frágil linha de energia conectora.

Porém, esta força da Vontade está disponível para ser usada corretamente, mas a faculdade de expressá-la depende de sua compreensão (até onde seja possível neste ponto médio da evolução humana) e sua aplicação grupal. É uma força unificadora, de síntese, que pode ser usada como força para reunir e uniformizar. Repito as duas palavras-chave para o emprego desta energia de Shamballa: Utilização grupal e Entendimento. (8)

A humanidade ocupa um ponto intermediário entre os reinos subumano e super-humano, e cada um destes grupos de vidas em evolução tem seu próprio importante destino - importante para tudo que está contido dentro do círculo-não-se-passa grupal. Eles têm seus próprios e diferenciados modos, métodos e caminhos de realização. Assim como o homem tem de aprender a arte ou ciência de relacionar-se com outros homens e com o meio, também a humanidade como um todo tem de aprender seu relacionamento com aquilo que está acima e além da humanidade e com aquilo que está abaixo e deixado para trás. Isto envolve um senso de proporção que somente é obtido pelo princípio da mente no homem e por aqueles que estão começando a ser mentalmente polarizados. Este senso de proporção revelará aos homens seu lugar na escada da evolução e os conduzirá ao reconhecimento do destino peculiar e metas específicas dos outros reinos da natureza, incluindo o quinto reino, o reino de Deus, a Hierarquia espiritual do nosso planeta. (9)

A sua função primária [da Humanidade] é a criação inteligente; Contudo, tem a atividade secundária de relacionar o segundo e o terceiro Centros, e assumir progressivamente o controle dos reinos subumanos e relacioná-los entre si. Esta função secundária está agora a adquirir uma proporção tal que pode ser reconhecida e verificada. (10)

... dois extremos da divina expressão: O senso da identidade individual e o senso da universalidade. Esses dois são fundidos no Uno. Deste Uno o divino Hermafrodita é o símbolo concreto - a união em um dos pares de opostos, negativo e positivo, macho e fêmea. No estado da existência ao qual chamamos monádico, nenhuma diferença é reconhecida entre esses dois, porque (se posso trazer tais ideias para baixo, até o nível da inteligência do aspirante) se conscientiza que não há uma identidade separada da universalidade e nenhuma apreciação do universal fora da realização individual, e essa realização da identificação com ambas, a parte e o todo, encontra seu ponto de tensão na vontade-de-ser, que é qualificada pela vontade-para-o-bem e desenvolvida (do ângulo da consciência) pela vontade-de-saber. Esses são na verdade três aspectos da vontade divina que existe em sua perfeição no Logos solar e encontra um meio de expressão através do Logos planetário. (11)

À medida que o iniciado aprende a colaborar com o Plano e o manifesta em sua vida de serviço, então dentro de si e paralelamente à atividade à qual se dedicou como personalidade e alma, a compreensão do aspecto Pai, da natureza da vontade, da existência e natureza real de Shamballa, da universalidade e experiência do que a palavra "Ser" pode significar. Então você conhece e está começando a expressar esse Ser puro, como vontade pura em atividade. (12)

O nove é, como se sabe meu irmão, o número da iniciação. Ele pressupõe o alinhamento de três triplicidades diferentes:

1. A Personalidade tripla.
2. Os três aspectos da Alma.
3. A Tríade Espiritual.

Quando estes estiverem corretamente alinhados e a integridade resultante estiver estabelecida e totalmente aceita, o discípulo então se torna um Mestre. Agora, ele está pronto para trilhar o Caminho da Evolução Superior. Há, então, um canal direto de contato - sempre que seja necessário e desejado para o serviço - com o cérebro físico e também um alinhamento ou relação desimpedida entre:

1. O discípulo e a Humanidade - A garganta ou centro criativo no sentido planetário.

2. O discípulo e a Hierarquia - O centro do coração do Logos planetário.

3. O discípulo e Shamballa - Centro da cabeça do Logos planetário.

Estes são fatos esotéricos importantes e misteriosos. O uso da Invocação também dirá respeito à humanidade dentro de seu próprio círculo-não-se-passa, ela levará o centro humano à harmonia com a Hierarquia, criando uma interação livre entre os dois e, deste modo, possibilitando o aparecimento do Reino de Deus na Terra. (13)

Shamballa e Síntese

1. O Centro Coronário. Agente dinâmico do Propósito extraplanetário, expressão da Vontade divina planetária voltada para Shamballa. É a Energia de Síntese, origem de toda vida planetária; significa o Ser essencial.

2. O centro cardíaco. Agente do Plano de Evolução. Expressão do Amor Divino ou Razão pura, a Hierarquia. É essencialmente a energia da Atração, o reino das almas.

3. O Centro Laríngeo. Agente dos três aspectos, em relação aos três reinos subumanos da natureza, expressão da inteligência divina, a Humanidade. Esta energia, que é a Mente ativa, faz da humanidade o macrocosmo do microcosmo, os três reinos subumanos. A humanidade é para eles o que a Hierarquia é para o quarto reino da natureza, o reino humano. (14)

Tudo isto deve dar-lhes alguma ideia da síntese que se expressa através de três centros planetários: Shamballa, a Hierarquia e a Humanidade. Estes são responsáveis pelo condicionamento de outros centros planetários e a consequente demonstração de intenção divina. O propósito básico de Sanat Kumara é produzir corretas relações em todos os campos de Sua vida manifestada. O fator encorajador hoje é que a atividade da própria humanidade está, pela primeira vez, preocupada com o assunto das corretas relações humanas e como pô-las em prática. Quero que reflitam sobre isto, pois isso significa que, novamente pela primeira vez, a humanidade está conscientemente respondendo à vontade e intenção de Shamballa, embora sem compreender as implicações esotéricas. Isto é de importância muito maior do que vocês possam imaginar, pois significa um novo relacionamento de uma natureza espiritual e de resultados profundamente espirituais. (15)

O amor de Deus, focalizado no Cristo, procura expressar-se em algum ato de serviço peculiarmente útil à humanidade. Este serviço tem tomado diferentes formas ao longo dos tempos, porém expressa-se sempre através de dois episódios. Um deles, o primeiro, revela o Cristo em Sua capacidade de Deus-Salvador, sacrificando-Se através de puro amor por Seus semelhantes. Os anais da Hierarquia contêm muitas histórias assim de sacrifício e serviço que remontam à noite do tempo. O princípio salvador do amor puro encontra sua expressão, na hora da maior necessidade da humanidade, no trabalho de um Salvador Mundial e “para a salvação de Seu povo, Ele aparece”. Ele assim responde à necessidade, e ao mesmo tempo, fortalece o elo que relaciona a Hierarquia à Humanidade. A tarefa do Cristo - como a expressão, no tempo e espaço, do segundo aspecto divino - é estabelecer relacionamentos. Cada cíclico Representante da Divindade faz aumentar a aproximação da Hierarquia à humanidade, e termina este serviço com algum ato final que se torna o núcleo histórico pelo qual as gerações posteriores O recordam.

Tendo realizado isso, Ele permanece com Seu povo como Cabeça da Hierarquia até que chegue Sua segunda oportunidade, quando então, como Representante da Humanidade e também da Hierarquia, Ele possa relacionar ambas a Shamballa. Isto é feito por Ele, por meio de um grande ato de evocação, procurando efetuar uma relação mais estreita entre todos os três grandes centros planetários: Shamballa, a Hierarquia, e a Humanidade. O desenvolvimento do aspecto Sabedoria em Sua natureza é que torna isso possível. O maior agente de união no universo é a energia de Amor-Sabedoria. O Amor relaciona a Hierarquia à Humanidade, e a Sabedoria relaciona a Hierarquia a Shamballa. Somente quando a Humanidade e a Hierarquia estão trabalhando juntas em uma síntese prática, é que se permite à energia de Shamballa completar o fluxo por intermédio dos outros dois centros. (16)

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1- Discipulado na Nova Era, T. II, págs. 351-52
2 - A Exteriorização da Hiearquia, págs. 567-68
3 - Os Raios e as Iniciações, pág. 120
4 - Idem, págs. 257-58
5 - Discipulado na Nova Era, T. II, pág. 203
6 - A Exteriorização da Hierarquia, págs.153-54
7 - Idem, pág. 163
8 - Idem, págs. 343-44
9 - Os Raios e as Iniciações, págs. 333-34
10 - Telepatia e o Veículo Etérico, pág. 185
11 - Los Raios e as Iniciações, pág. 106
12 - Idem, págs. 315-16
13 - Discipulado na Nova Era, T. II, pág. 184
14 - Telepatia e o Veículo Etérico, pág.125
15 - Os Raios e as Iniciações, pág. 394
16 - Idem, pág. 89

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