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Livros de Alice Bailey

Astrologia Esotérica


Capítulo VII - Os Raios, Constelações e Planetas
1 - A Natureza da Vontade
2 - Vários Aspectos da Vontade
3 - Notas-Chave dos Sete Raios do Aspecto Vontade
4 - Energias Cósmicas e Transformação
(Segundo a Tabela X)

Chegamos agora à nossa última discussão sobre o zodíaco e sua relação com os sete raios. Ocupamo-nos dos signos e seus efeitos, e da nova astrologia, profundamente esotérica, que gradualmente se sobreporá à atual astrologia mundana, e que, por volta do final deste século, já terá ocupado o seu devido lugar no pensamento humano. Uma coisa devemos ter sempre em mente: agora que a guerra terminou e chegou ao fim o período de duras provas e tribulações, surgirá um grande despertar espiritual, de qualidade e natureza atualmente imprevisíveis.

A guerra terá ensinado muitas lições à humanidade e arrancado o véu de muitos olhos. Valores que até agora foram expressos e compreendidos apenas por aqueles cujos "olhos estão postos em Deus", tornar-se-ão a meta e o desejo de incontáveis milhares, e a verdadeira compreensão entre os homens e entre as nações tornar-se-á o objetivo tão longamente esperado. Tudo aquilo que a humanidade se propõe a ter, é sempre alcançado. Esta é uma lei oculta, pois o desejo é ainda a mais poderosa força no mundo. O desejo organizado e unificado foi a razão básica para os espantosos sucessos iniciais do Eixo.

O único fator que se pode opor, com sucesso, ao desejo é a Vontade - usando a palavra em sua conotação espiritual e como a expressão do primeiro grande aspecto divino. Muito pouco dessa organizada vontade espiritual foi mostrada pelos países aliados. Naturalmente, animava-os o desejo de vitória, o desejo de pôr fim àquele cataclismo que engolfava o mundo, o desejo de paz e do retorno à estabilidade, o desejo de acabar com a guerra de uma vez por todas e interromper os seus constantes ciclos, e um avassalador desejo de terminar com o terrível sofrimento, a crueldade, a morte, a fome e o medo que estão estrangulando a humanidade na tentativa de exterminá-la.

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1 - A Natureza da Vontade

Mas toda a determinação é simplesmente, na maioria dos casos, a expressão de um desejo fixo e unificado; não é o emprego organizado da vontade. O segredo da vontade reside no reconhecimento da natureza divina no homem. Somente isto pode evocar a verdadeira expressão da vontade. De fato, ela tem que ser evocada pela alma, quando esta domina a mente humana e controla a personalidade. O segredo da vontade está também estreitamente ligado ao reconhecimento da inconquistável natureza da bondade e da inevitabilidade do triunfo final do bem.

Isto não é determinação; não é açoitar e estimular o desejo para que ele possa ser transmutado em vontade; não é a implacável, inabalável e imovível focalização de todas as energias pela necessidade de triunfar - em, que são peritos os inimigos das Forças da Luz.

A vitória, para os Aliados, residiu efetivamente no esforço de produzir esta focalização com mais sucesso do que o inimigo. O emprego da vontade não se expressa pela determinação férrea de manter-se firme e não ceder às forças do mal. A determinação, a focalização da energia, e a demonstração de um esforço total para alcançar a vitória, foram apenas - no que diz respeito aos Aliados - a expressão do desejo uni-direcionado para a paz e para pôr fim ao conflito. Este tipo de esforço é algo que as massas podem fazer, e realmente o fizeram, de ambos os lados neste conflito.

Há, todavia, um elemento a mais que fez reverter a maré da vitória para o lado dos Aliados, e que chegou por meio de um esforço inconsciente para compreender e expressar a qualidade da Vontade espiritual; foi a manifestação daquela energia divina que fez do primeiro aspecto divino da vontade ou poder o que ele é, o traço característico da força de Shamballa; é aquela qualidade peculiar e distintiva da divindade que, de tão diferente, o próprio Cristo foi incapaz de expressá-la com facilidade e compreensão. Daí o episódio de Getsemane. Não me é fácil expressar em palavras o seu significado. Dois mil anos se passaram desde Getsemane e desde que o Cristo fez Seu primeiro contato com Shamballa, e por este meio - e pelo bem da humanidade - estabeleceu um relacionamento que, mesmo ao término de vinte séculos, ainda é apenas um frágil fio de energia de contato.

Não obstante, esta força de Shamballa está disponível para ser empregada corretamente, porém o poder para expressá-la reside em compreendê-la - até onde é possível neste ponto do meio do caminho na evolução humana - e no seu emprego grupal. É uma força unificadora, sintética, mas que pode ser utilizada como uma força regimentadora, estandardizante. Permitam-me repetir as duas palavras-chave para o emprego da energia de Shamballa: Uso e Compreensão Grupais.

A humanidade tem tido muita dificuldade em compreender o significado do Amor. Se isto é assim, o problema em relação à Vontade será, obviamente, ainda mais difícil. Para a vasta maioria dos homens, o verdadeiro amor é ainda apenas um teoria. O amor, como normalmente o interpretamos, mostra-se como bondade, porém é uma bondade voltada para o lado forma da vida, para as personalidades que nos rodeiam, e resume-se, geralmente, num desejo de cumprir nossas obrigações e não obstruir de forma alguma as atividades e relacionamentos que propiciam o bem estar de nossos semelhantes. Expressa-se como desejo de por um fim aos abusos e fomentar condições materiais mais felizes; demonstra-se como amor maternal, como amor entre amigos, porém raramente até agora como amor entre grupos e nações. É o tema do ensinamento cristão, assim como a Vontade, divinamente expressada, será o tema da religião mundial vindoura; tem sido o impulso responsável por muito do belo trabalho realizado no campo da filantropia e do bem estar humano, mas, de fato, o amor nunca foi expressado - exceto pelo Cristo.

Poderão perguntar por que, então, enfatizo tanto aquele aspecto divino mais elevado? Por que não esperar até sabermos mais sobre o amor e como manifestá-lo em nosso meio? Porque, em sua real expressão, a Vontade hoje é necessária como força propulsora e expulsiva, e também como agente clarificador e purificador.

As primeiras palavras proferidas pelo Cristo que a História registrou foram as que dirigiu à Sua mãe (o símbolo do aspecto substância da divindade) quando disse: "Não sabeis que devo ocupar-Me dos assuntos de Meu Pai?” Esses assuntos, que Ele ligou ao primeiro aspecto divino, a Mônada ou o aspecto Pai, eram o cumprimento do propósito e a realização da intenção, a vontade e o propósito de Deus. Seu pronunciamento seguinte foi durante o Batismo no Jordão, quando Ele disse a João Batista: "Deixa que isto seja assim por agora, porque convém cumprir toda a justiça". Aqui, nesta segunda iniciação, que simboliza a conquista do desejo, Ele passa para o reino da realização, do cumprimento da atividade retamente planejada. Seu Próprio desejo (forçosamente da mais elevada ordem devido ao Seu alto ponto de evolução), Ele o substitui pela Vontade divina. Novamente, ao final de Sua vida, na experiência do Getsemane, Ele exclama: "Pai seja feita, não a minha, mas a Tua vontade". Mesmo naquele momento e mesmo para Ele, alcançar a plena expressão da vontade parecia quase impossível, porque Ele ainda estava consciente do inerente dualismo de Sua posição e do contraste entre a Sua vontade e a vontade de Deus. Naqueles três pronunciamentos, Ele demonstra reconhecer a emergência dos três aspectos de Shamballa: vida, qualidade e energia:

1 - A Vontade que condiciona o aspecto vida.
2 - A Vontade que traz o cumprimento das corretas relações humanas.
3 - A Vontade que finalmente conquista a morte.

Estes três aspectos estão todos relacionados às três expressões divinas de espírito, alma e corpo, de vida, consciência e forma, de vida, qualidade e aparência. Esta fase da expressão da vida do Cristo jamais foi adequadamente estudada; todavia, mesmo uma pequena compreensão desse momento, ajudaria a humanidade a empurrar o mal de volta ao lugar de onde veio, e ajudaria a liberar a humanidade do terror que a cerca por todos os lados, num desafio a Deus e aos homens.

A energia de Shamballa é, portanto, relacionada com a vida da humanidade (através da consciência e da forma); não é necessário que consideremos sua relação com o resto do mundo manifestado; ela diz respeito às corretas relações humanas e é aquela condição de ser que, finalmente, nega o poder da morte. É, por conseguinte, o incentivo e não o impulso; é propósito realizado e não a expressão do desejo. O desejo trabalha de baixo para cima a partir da forma material e através dela; a Vontade trabalha de cima para baixo, dentro da forma, dobrando-a conscientemente ao propósito divino. Um é invocativo, a outra é evocativa.

O desejo, quando massificado e focalizado, pode invocar a vontade; a vontade, quando evocada, põe fim ao desejo e torna-se uma força imanente, propulsiva e impulsiva, estabilizando, clarificando e - entre outras coisas - finalmente destruindo. É muito mais do que isto, porém isto é tudo que o homem pode apreender no momento e é tudo para o qual ele possui o mecanismo de compreensão. É esta vontade - despertada pela invocação que precisa ser focalizada na luz da alma e dedicada aos propósitos da luz e ao propósito de estabelecer corretas relações humanas que precisam ser usadas (com amor) para destruir tudo que está impedindo o livre fluxo da vida humana e que está trazendo a morte (real e espiritual) à humanidade. Esta Vontade precisa ser invocada e evocada.

Não me refiro aqui ao uso de qualquer das duas Grandes Invocações ou à terceira que foi recentemente divulgada. Refiro-me à consciência focalizada de homens e mulheres de boa vontade, cujas vidas são condicionadas pela vontade de levar avante, com amor, os propósitos de Deus, que procuram, livres de egoísmo, entender e propósitos, e que não temem a morte.

Há dois grandes empecilhos à livre expressão da força de Shamballa em sua verdadeira natureza. Um é a sensibilidade da natureza inferior ao seu impacto e a sua consequente prostituição para fins egoístas, como no caso do sensitivo e negativo povo alemão, e seu emprego pelas nações do Eixo para objetivos materialistas. O segundo empecilho e a oposição bloqueadora, desordenada das massas bem intencionadas do mundo que dizem lindas porém vagas, coisas sobre o amor, mas recusam-se a considerar as técnicas da vontade de Deus em operação. Segundo elas, essa vontade não lhes diz respeito pessoalmente; recusam-se a reconhecer que Deus exerce Sua vontade por intermédio dos homens, do mesmo modo que Ele está sempre procurando expressar Seu amor por meio deles, não creem que essa vontade possa expressar-se através da destruição do mal com todas as suas consequências materiais. Não conseguem crer que um Deus de Amor possa empregar o primeiro aspecto divino para destruir as formas que estão obstruindo a livre ação do espírito divino; essa vontade não deve contrapor-se à interpretação que eles dão ao amor.

Individualmente, tais pessoas não têm importância, porém a soma maciça de suas negatividades constituiu um verdadeiro empecilho para pôr fim a esta guerra, assim como a negatividade da massa alemã e sua inabilidade em tomar medidas corretas quando os propósitos de Hitler foram revelados, tornaram possível o grande afluxo do antigo mal focalizado a que trouxe o homem à catástrofe atual. (Este livro foi ditado durante a 2a. Guerra Mundial- N. do T.) Tais pessoas são como pedras do moinho ao redor do pescoço da humanidade, trazendo dano aos esforços verdadeiros, murmurando "Amemos a Deus e uns aos outros", porém nada mais fazendo do que repetir orações e palavras banais enquanto a humanidade está morrendo.

É fácil compreender o fato de que a evocação da energia da vontade e seu efeito sobre a pessoa despreparada e de mente materialmente orientada seria um desastre. Serviria apenas para focalizar e fortalecer a vontade inferior, que é como chamamos ao desejo determinado e realizado. Seria criada, então, uma força com tamanho ímpeto, direcionada para fins egoístas que tornaria a pessoa um monstro de maldade. Na história da raça, uma ou duas personalidades avançadas fizeram isto, com terríveis resultados para si mesmos e para os povos de sua época. Na história antiga, uma dessas figuras foi Nero; o exemplo moderno é Hitler. Todavia, o que tornou este último um inimigo tão perigoso para a família humana, é que durante os últimos dois mil anos a humanidade avançou até um ponto em que pode também responder a certos aspectos da força deste primeiro raio. Por essa razão, Hitler encontrou associados e cooperadores que somaram sua receptividade à dele, de modo que todo um grupo respondeu à energia destrutiva, expressando-se em seu aspecto mais inferior. Foi isto que permitiu que eles trabalhassem - de forma impiedosa, poderosa, egoísta, cruel e bem sucedida - na destruição de tudo que tentasse impedir seus projetos e desejos.

Há apenas um modo pelo qual a vontade maligna focalizada, com sua responsividade à força de Shamballa, pode ser vencida: pela oposição de uma vontade espiritual igualmente focalizada, demonstrada pela resposta de homens e mulheres de boa vontade que possam treinar-se para serem sensíveis a este novo tipo de energia entrante e que possam aprender a invocá-la e evocá-la.

Consequentemente, podem ver porque eu tinha em mente algo mais do que o uso casual quando discuti os temas "boa vontade" e "vontade-para-o-bem". O tempo todo tinha em mente não apenas a bondade e as boas intenções, mas a focalizada vontade-para-o-bem que pode, e deve, evocar a energia de Shamballa e usá-la para deter as forças do mal.

Compreendo que esta seja uma ideia relativamente nova para muitos de vocês: para outros, terá pouco ou nenhum significado; outros ainda poderão ter leves vislumbres desta nova abordagem sobre Deus e o serviço que - repito - pode e deve refazer, reconstruir e reabilitar o mundo. Gostaria de destacar que o aspecto vontade somente pode ser contatado a partir do plano mental, e portanto, somente aqueles que estão trabalhando com a mente, e através dela, podem começar a apropriar-se desta energia.

Aqueles que procuram evocar a força de Shamballa estão chegando próximo à energia do fogo. O fogo é o símbolo e a qualidade do plano mental. O fogo é um conspícuo aspecto da guerra. O fogo é produzido por meios físicos e a ajuda do reino mineral, e este foi o poderoso e ameaçador meio de destruição escolhido nesta guerra. Foi o cumprimento de uma antiga profecia de que a tentativa de destruir a raça ariana seria por meio do fogo, assim como a antiga Atlântida foi destruída pela água. Porém, a ardente boa vontade e o uso focalizado e consciente da força de Shamballa pode conter o fogo pelo fogo e é isto que precisa ser feito.

Não posso estender-me mais sobre este assunto até que tenham tido tempo para considerá-lo e procurado entender o uso da vontade, sua natureza, propósito e sua relação com o que entendemos por vontade humana. Precisam refletir sobre como ela deve ser empregada e de que maneira os aspirantes e discípulos que são mentalmente polarizados podem focalizar essa vontade e tomar a seu cargo, de forma segura, a responsabilidade de seu uso inteligente. Mais tarde, quando tivermos melhor conhecimento sobre isto, poderei dar-lhes mais detalhes sobre o assunto.

Gostaria, contudo, de oferecer uma sugestão prática. Não seria possível organizar um grupo que tomasse este assunto como tema de sua meditação e que tentasse capacitar-se -por meio de correta compreensão - a contatar e usar a energia de Shamballa? Não seria possível elaborar gradualmente o tema da revelação da vontade divina de modo que o assunto geral estivesse pronto para ser apresentado ao público pensante quando a paz realmente chegar? Há muito a ser levado em consideração a este respeito. Há a demonstração dos três aspectos da vontade já enumerados; há a preparação do indivíduo para a expressão desta energia; há uma madura consideração a ser feita sobre a relação da Hierarquia e Shamballa, levada avante à medida que os Mestres procuram desenvolver o propósito divino e ser os Agentes distribuidores da energia da vontade. Há o esforço a ser feito para compreender um pouco a natureza do impacto direto do primeiro aspecto sobre a consciência humana, totalmente à parte do centro hierárquico - um impacto feito sem nenhum processo de absorção e diminuição ao qual a Hierarquia a submete. Já me referi a este contato direto anteriormente, o qual poderá ser mais direto e completo quando houver maior segurança, como resultado de uma abordagem mais compreensiva.

Uma das causas da 2a. Guerra Mundial, é o resultado de um contato prematuro -contato feito por certas mentes egoístas, mas de qualidade relativamente avançada, ajudadas pela Loja Negra. Para contrabalançar isto e eventualmente eliminar do nosso planeta a influência das forças negras, é preciso o emprego consciente e ativo da força de Shamballa pela Loja Branca, ajudada pelos homens e mulheres cuja vontade-para-o-bem seja suficientemente forte para resguardá-los do perigo pessoal em seu trabalho, e de ser desviados para linhas errôneas e perigosas.

Esta ajuda exige um certo contato definido e planejado e uma interação entre os dois centros: a Humanidade e a Hierarquia. Quando isto estiver melhor estabelecido, poderá haver uma cooperação conhecida e organizada, e os membros dos dois grandes centros poderão "permanecer juntos num propósito maciço", o qual será a correspondência no plano mental de determinação conjunta do público em geral, com o poder de apelo em seus lábios e corações. A este apelo deve somar-se a vontade focalizada dos pensadores e intuitivos mundiais que usarão suas mentes e cérebros na afirmação daquilo que é correto.

Foi por estar envolvido o aspecto vontade que eu fiz com que o último ponto a ser considerado sobre os sete raios fossem os Raios, as Constelações e os Planetas, tal como apresentados na Tabulação X. A interação aí apresentada diz respeito ao aspecto vontade. como foi aqui indicado. A análise desta tabulação completará nossa consideração sobre a astrologia esotérica.

As sete estrelas da Ursa Maior são a fonte originadora dos sete raios do nosso sistema solar. Os sete Rishis da Ursa Maior expressam-Se por meio dos sete Logoi planetários, Seus Representantes, e diante dos Quais servem de protótipos. Estes sete espíritos planetários manifestam-se por intermédio dos sete planetas sagrados.

Cada um dos sete raios oriundos da Ursa Maior, são transmitidos para o nosso sistema solar por intermédio de três constelações e seus planetas regentes. A tabulação que se segue tornará isto claro, porém tem que ser interpretada somente nos termos da atual volta de 25.000 anos da grande roda zodiacal.

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2 - Os Vários Aspectos da Vontade

Temos agora a difícil tarefa de considerar um aspecto da manifestação divina que é, por enquanto, tão pouco aparente no plano físico que nos falta a palavra exata para expressá-lo, e as palavras de que dispomos podem induzir a erro. Posso, todavia, tentar oferecer-lhes certos conceitos, relacionamentos e paralelos que possam servir para finalizar esta seção sobre astrologia e lançar os fundamentos para o ensinamento futuro, por volta do ano 2025. É por este modo que nos chegam todas as revelações. É oferecido um pensamento; um símbolo é descrito; uma ideia é delineada. Então, à medida que as mentes dos homens refletem sobre ele e os intuitivos do mundo captam o pensamento, ele serve como pensamento semente que eventualmente frutifica pela apresentação e o desdobrar de uma revelação que serve para aproximar mais a raça dos homens da sua meta.

TABELA X

Raio Constelações Planetas Ortodoxos Planetas Esotéricos
I. Vontade ou Poder Áries - o Carneiro
Leão - o Leão
Capricórnio - o Bode
Marte
o Sol
Saturno
Mercúrio
o Sol
Saturno
II. Amor-Sabedoria Gêmeos - os Gêmeos
Virgem - a Virgem
Peixes - os Peixes
Mercúrio
Mercúrio
Júpiter
Vênus
a Lua
Plutão
III. Inteligência ativa Câncer - o Carangueijo
Libra - a Balança
Capricórnio - o Bode
a Lua
Vênus
Saturno
Netuno
Urano
Saturno
IV. Harmonia através do conflito Touro - o Touro
Escorpião - o Escorpião
Sagitário - o Arqueiro
Vênus
Marte
Júpiter
Vulcano
Marte
a Terra
V. Ciência Concreta Leão - o Leão
Sagitário - o Arqueiro
Aquário - o Portador de Água
o Sol
Júpiter
Urano
o Sol
a Terra
Júpiter
VI. Idealismo. Devoção Virgem - a Virgem
Sagitário - o Arqueiro
Peixes - os Peixes
Mercúrio
Júpiter
Júpiter
a Lua
a Terra
Plutão
VII. Ordem Cerimonial Áries - o Carneiro
Câncer - o Carangueijo
Capricórnio - o Bode
Marte
a Lua
Saturno
Mercúrio
Netuno
Saturno

Estamos considerando a expressão da força de Shamballa em termos da Vontade, isto é, do propósito divino, latente na mente de Deus desde o início do tempo e do alvorecer da criação. Na mente de Deus, a ideia é vista como um todo completo. Na manifestação, ela é uma atividade gradual, auto-reveladora e evolutiva. Nós conhecemos algo sobre o aspecto inteligência de Deus, que se revela na atividade vivente da substância. Sobre o amor desse Grande Pensador, estamos aprendendo vagarosamente e sua revelação chegou ao ponto em que a mente humana pode comparar seu modo de atividade vivente com o amor da Deidade, percebido e visualizado, e que até agora foi expressado pelas corretas relações humanas e correto tratamento de tudo aquilo que não é humano.

Sobre a vontade e propósito de Deus, nada sabe a humanidade, porque a vontade individual ou a vontade humana coletiva que poderia atuar como intérprete, como reveladora e também servir como meio de contato, está dedicada ao egoísmo e cega aos níveis superiores da expressão divina. Aquilo que a humanidade chama de aceitação da vontade de Deus está baseada na sua própria vida de desejo, sobre a sua negatividade e sobre as visões dos santos, Cuja nota-chave foi a submissão e seu mais elevado ponto de contato espiritual estava ainda colorido pela dualidade, e condicionado ainda pelos métodos humanos de interpretação.

Segundo o método ocultista, devemos começar pelo universal e o todo; no seu devido tempo, o individual e o particular serão revelados, mas em relação ao todo. Deverá ser possível - mediante o estudo dos sete raios, das constelações a eles relacionados e seus agentes transmissores, os planetas - alcançar uma ideia geral da afluência da energia de Shamballa como propósito emergente no plano físico.

Referi-me anteriormente às três grandes expressões do aspecto vontade. Existe a vontade, como condicionadora do aspecto vida. Esta não se refere a eventos, acontecimentos e ocorrências, mas sim à natureza das manifestações da vida em qualquer ciclo, por meio de qualquer nação ou raça, no que diz respeito à humanidade. Refere-se também às amplas linhas gerais que, a qualquer momento no planeta, estejam estabelecendo o ritmo para a evolução das formas, e que concernem, basicamente, à força e persistência da vida ao manifestar-se e criar aquelas condições externas que são qualificadas e expressadas em termos de vida, qualidade e aparência. A palavra viela nesta triplicidade de termos refere-se à vida como a humanidade a compreende. A palavra vida à qual me refiro aqui é a vida que, segundo HPB, sintetiza espírito, alma e corpo. (A Doutrina Secreta, 1.81). É, na realidade, aquela quarta coisa indefinida que paira por trás de toda manifestação e de todos os objetos, todas as qualificadas expressões da divindade e a qual é sugerida no Bhagavad Gita pelas palavras: "Tendo permeado este universo todo com um fragmento de Mim mesmo, Eu permaneço".

Depois existe a vontade que traz a realização, e que é a base de todos os relacionamentos e de todos os processos de inter-relações no nosso sistema solar e - no que concerne a humanidade - no planeta. E o fator responsável pela inevitabilidade da consumação divina; é a causa de toda a fruição de todas as formas em todos os planos e da intenção divina; é aquilo que subjaz à própria consciência. Não sei de que outra maneira possa expressar isto em palavras que não pareçam totalmente inadequadas.

Há um leve, vago e incerto reflexo desta realização da vontade na sensação de alegria que invade o ser humano quando este consegue aquilo que mais deseja. Extensos processos de evolução e longa experiência da atividade vivente da vontade de Deus, como Vida, precedem esta realização. Este concentrado esforço evolutivo, este indesviável propósito, suscitou mais do que desejo e mais do que vontade-para-agir. Há um empreendimento realizado desde o início, pois esta é a divina vontade-para-realizar que precede o esforço criativo. É a síntese da criação, ou esforço persistente, fidelidade à visão e completo sacrifício, e tudo isto em termos da divina experiência experienciada, se assim posso formular a ideia. Lembrem-se, portanto, que através destas experiências da vontade divina, corre o fio de uma síntese realizada. Isto é algo mais que coesão no tempo e no espaço; é mais do que o princípio da privação do que fala HPB, e mais do que a limitação autoimposta. É o fim visto desde o princípio; o alfa e o ômega produzindo o Todo completo e a perfeita fruição da vontade divina.

Existe, finalmente, a vontade que conquista a morte, mas isto não deve ser interpretado em termos da morte tal como afeta a natureza forma da manifestação. A nota de síntese e triunfo - realizado e completo persiste por trás de tudo aquilo que podemos reconhecer como morte. Esta vontade é o princípio da vitória, da meta última da vida quando a fruição é alcançada, é o unificado sucesso final ou a unificada conformidade a um propósito de há muito previsto de espírito-matéria, vida-forma, somado àquele algo mais cujo contato é o sonho e a meta dos mais altos iniciados da Hierarquia - a revelação secreta de Shamballa. Nada mais é possível dizer Se o Próprio Cristo. Se está esforçando para adquirir esse conhecimento, tudo que nós podemos fazer é especular.

Nestas poucas palavras tentei transmitir a ideia de uma vasta realização subjetiva. Estou aludindo, na realidade, ao objetivo daquele "Caminho sem fim do qual Nirvana é apenas a porta aberta" - o Caminho para a evolução superior para a qual o nosso processo evolutivo prepara a humanidade. Indico qual é a meta de todo o esforço hierárquico. A humanidade está tão preocupada com a atitude e o esforço da Hierarquia a respeito do bem estar e orientação dos seres humanos que, logicamente, a meta dos esforços dos Mestres de Sabedoria é esquecida. Na realidade, os homens nada têm a ver com isso. Todavia, o quadro do Plano divino tão enfatizado nos livros de ocultismo e pelos instrutores ocultistas fica distorcido a menos que compreendamos que assim como a humanidade se esforça para alcançar a Hierarquia, esta se esforça em direção a Shamballa. Está assim no Velho Comentário:

"Aquele que pode ver na luz escura de Shamballa, penetra naquilo que está além da nossa pequena esfera, aquilo que pode ser pressentido por trás do triângulo sagrado (Vênus, Mercúrio, Terra - AAB). Lá encontra-se o ponto de fogo radiante que brilha no interior do olho (Touro), que arde sobre o topo da montanha (Capricórnio) e que a água não pode apagar (Aquário). Estes são os sacratíssimos três."

Ao considerarmos os sete raios como estão apresentados na Tabulação X, quero que se lembrem que os estamos estudando como expressões desta tríplice vontade. Em outras obras nós os estudamos em certos detalhes sob o ângulo da consciência e do ponto de vista de que eles provocam mudanças e expansões da consciência nos homens, nas nações e nas raças. Agora, até onde nos for possível, vamos considerar estes raios como expressões da pura, vivente atividade da Deidade ao Se realizar a Si Mesmo na manifestação como puro incentivo, energia impessoal direcionada, instinto divino - sendo este a mescla da força intuitiva. Podemos destacar, para aqueles que possuam um certo grau de percepção ocultista, que esta Vida sintética, sendo cósmica, emerge do planos cósmicos, e não sistêmicos, daí a dificuldade em compreendê-La.

1. A vontade condicionada é a síntese da vida do plano físico cósmico do qual os nossos sete planos são os sete subplanos. Portanto, até que a consciência humana esteja muito mais expandida do que agora, não possível ao homem entender esta realização sintética.

2. A vontade que produz a realização é o incentivo divino (impulso não é o termo apropriado) que vem do plano astral cósmico.

3. A vontade que conquista a morte é uma emanação do plano mental cósmico.

Destes três planos cósmicos (que encerram a sagrada personalidade dos Logoi, solar e planetário), originam-se as energias unificadas das três constelações que controlam e energizam o nosso sistema solar: a Ursa Maior, as Plêiades e Sirius, as quais atuam por intermédio dos sete raios, e estes, por sua vez, expressam-se através das doze constelações que formam a grande roda zodiacal. Os Senhores ou Poderes regentes destas doze fontes de luz e vida "reduzem" a potência destas três maiores energias de modo que o nosso Logos solar possa absorvê-las; eles "retiram de sintonia" os aspectos destas três Potências que não estão adequados à nossa vida sistêmica neste ponto do processo evolutivo, do mesmo modo que a Hierarquia do nosso planeta reduz" as energias de Shamballa.

De forma misteriosa, estas três energias principais expressam-se por meio dos sete raios, assim como todas as triplicidades se subdividem em setenatos e, contudo, preservam sua identidade. As sete energias, que emanam das três maiores e são transmitidas via as doze constelações, são corporificadas nos sete planetas sagrados e representadas na Terra pelos sete Espíritos diante do trono de Deus (o símbolo da síntese). Esta estupenda inter-relação está personificada num grande processo de: Transmissão. Recepção. Absorção. Relação. Atividade Vivente. O método é o de Invocação e Evocação. Nestas duas frases estão as mais importantes pistas para todo o processo evolutivo; a chave para o mistério do tempo e espaço, e a solução de todos os problemas. Porém, o mais importante fator é que todo este assunto é uma expressão da Vontade focalizada.

Ao considerar este processo, gostaria que estudassem a Tabulação X, porque ela é uma forma simbólica que exprime o que quero dizer. Quero destacar que o aspecto vontade - quando personificado nos raios e transmitido pelas constelações - atua destrutivamente quando concentrado por meio de planeta ortodoxo, e construtivamente quando concentrado através de um planeta esotérico. Temos aqui o guia secreto para o significado da morte e da imortalidade. Isto é algo que o astrólogo comum não poderá comprovar porque os ciclos envolvidos são por demais longos, porém, intuitivamente ele pode apreender a probabilidade desta posição.

Lembro-lhes mais uma vez que o tema que estamos abordando é o plano divino, o propósito e a vontade; não é a evolução da consciência, ou quando aspecto da divindade; diz respeito ao espírito e não à alma. Estamos tentando formular, até certo ponto, a vida do Pai, a vontade da Mônada e o propósito do Espírito. Nestes três aspectos da vontade reside a semente germinativa do próximo sistema solar, o terceiro, e a fruição da Manifestação da Personalidade do Logos. Precisamos, portanto, formular a interpretação dos sete raios em termos de vontade, e não de amor ou consciência. É isto que tentaremos fazer agora.

RAIO I - A energia da Vontade ou Poder.

Este raio está predominantemente relacionado àquele aspecto da vontade que conquista a morte. É, não obstante, o Raio do Destruidor. A este respeito quero lembrar-lhes que a atitude dos homens de que a morte é a destruidora apresenta um ponto de vista limitado e errôneo. O 1° raio destrói a morte porque, na realidade, não existe tal coisa, esse conceito é parte da Grande Ilusão, é uma limitação da consciência humana, e está basicamente relacionado ao cérebro e não ao coração, por estranho que isto possa parecer. No verdadeiro sentido, a morte é "uma invenção da imaginação". Reflitam sobre isto. A abolição da morte e da destruição da forma é uma manifestação do Raio I, porque produz a realidade da morte da negação e a inauguração da verdadeira atividade. É a energia que pode ser chamada "o incentivo divino"; é a vida na semente que destrói sucessivamente todas as formas a fim de que possa efetuar-se a fruição final. É esta a chave para o 1° Raio. É a Vontade que inicia.

Atualmente, para a humanidade, a mais elevada realização é a iniciação.

RAIO II - A energia de Amor-Sabedoria.

Esta energia básica é a vontade para unificar, para sintetizar, para produzir coerência e atração mútua e para estabelecer relacionamentos, mas - lembrem-se disto -relacionamentos que são totalmente independentes da consciência da relação ou da realização da Unidade. É o fato da unificação vista desde o início que existe sempre e para sempre na Mente de Deus, Cuja vontade abarca passado, presente e futuro, e Cuja mente não pensa em termos de evolução ou de processo. O processo é inerente à semente; o anseio de evolução é o inevitável acompanhamento da vida em manifestação. É a Vontade para a unificação.

Atualmente, para a humanidade, sua mais elevada expressão é a visão mística.

RAIO III - A energia da Inteligência Ativa.

Esta é a vontade do propósito condicionado. Os fatores que atuam por seu intermédio são os que levam a cabo o plano reconhecido com uma meta inteligentemente concebida e um incentivo ativo que, de forma inteligente, conduz o processo pela força de seu próprio momentum. Volto a lembrar-lhes que não estou tratando com a consciência humana mas com a soma total daquele empreendimento que torna a matéria subserviente e adaptada à ideia básica na mente de Deus - e por enquanto, nenhum ser humano é capaz de conceber qual seja essa ideia. Ninguém sabe qual seja a vontade de Deus ou qual a natureza de Seu propósito inteligente. É a Vontade de evoluir.

Hoje, no que tange à humanidade, sua mais elevada expressão é a educação, ou o progressivo desenvolvimento através da experiência.

RAIO IV - A energia da Harmonia através do Conflito.

É, fundamentalmente, a vontade de destruir a limitação; não é a mesma coisa que a vontade de destruir a negação, como no caso de 1" Raio, mas é um aspecto associado a ele. Não me estou referindo ao aspecto consciência, que reconhece essa luta e dela se beneficia. Refiro-me à energia - inerente a todas as formas e peculiarmente poderosa na humanidade - porque o homem é autoconsciente - que produz inevitavelmente a luta entre a vida e aquilo que ela escolheu como limitação. Esta luta, eventualmente, destrói ou rompe essa limitação, no momento em que se alcança um ponto de verdadeira harmonia ou unificação. Esotericamente, pode dizer-se que, no momento em que a forma (a limitação) e a vida se equilibram, aparece imediatamente uma brecha por onde flui uma nova emanação da vontade.

Cristo teve que morrer porque Ele tinha alcançado a harmonia com a vontade de Deus, e então "o véu do Templo foi rasgado em dois, de alto a baixo". O significado deste novo influxo da Vontade aparece, então; o palco está preparado para uma renovada atividade do princípio vivente. No que concerne à humanidade, as "sementes da morte" emergem por intermédio deste Raio e Sinistro Ceifeiro, a Morte, nada mais é do que um aspecto desta vontade, condicionada pelo 4° raio e emergindo no 4° plano A morte é um ato da intuição, transmitido pela alma à personalidade e então levado a cabo pela vontade individual, em conformidade com a vontade divina. Esta é a Vontade de harmonização.

Hoje, no que diz respeito à humanidade, sua mais alta expressão é a intuição, ao agir por meio da atividade grupal. A morte sempre libera o Indivíduo para que se junte ao grupo.

RAIO V - A energia da Ciência ou Conhecimento Concreto.

Para compreender esta expressão da vontade divina é preciso que o estudante se lembre do aforismo ocultista de que "matéria é o espírito em seu ponto mais inferior de manifestação e o espírito é matéria em seu ponto mais elevado." Basicamente, esta é a vontade que produz concreção e contudo, ao mesmo tempo, constitui o ponto no qual espírito e matéria se equilibram e se equiparam. É por esta razão que a perfeição humana é levada a cabo conscientemente no plano mental, o 5° plano; Isto é produzido pelo 5° raio e, neste plano, tem lugar a liberação no momento da 5a iniciação.

Esta é a vontade inerente à substância e que aciona todos os átomos dos quais as formas são feitas. Está estreitamente relacionada ao primeiro sistema solar, mesmo enquanto libera os membros da família humana que constituirão o núcleo ao redor do qual será construído o terceiro sistema solar. A energia deste raio é a inteligência; é a semente da consciência, mas não da consciência como nós a entendemos; é a inerente vida da matéria e a vontade de trabalhar inteligentemente; é aquele algo vivente para o qual não temos nome e que foi o produto do primeiro sistema solar. É um dos maiores bens de Deus, o Pai, e também da Mônada humana. É a Vontade de Agir.

No que diz respeito à humanidade, hoje, é a mais elevada expressão da liberação -através da morte ou da iniciação.

RAIO VI - A energia da Devoção ou do Idealismo.

É a vontade que personifica a ideia de Deus. Provê o poder motivador encontrado por trás da elaboração do propósito da criação. Qual seja esse propósito, nós não fazemos ainda a menor ideia. Um ideal está relacionado ao aspecto consciência, no que diz respeito ao ser humano: uma ideia está relacionada ao aspecto vontade.

Este raio personifica uma potência dominante. Expressa o desejo de Deus e é a energia básica emanando do plano astral cósmico Esconde o mistério que será encontrado na relação da vontade e desejo O desejo está relacionado à consciência; a vontade, não. Não estamos porém, tratando da consciência, mas sim da força impessoal que se projeta através dos sete planos do nosso sistema solar, e que torna a ideia de Deus um fato consumado no Eterno Agora. Isto significa algo para vocês? Suponho que muito pouco. É um enunciado básico do fato ocultista sobre energia ao se expressar através da humanidade de um modo único e peculiar.

Quero lembrá-los de um enunciado de A Doutrina Secreta dizendo que "uma ideia é um Ser incorpóreo que não tem substância por si mesmo porém dá formato e forma à matéria informe, e se converte na causa da manifestação". Esta afirmação nos remete de volta a Deus, o Pai, à Mônada, ao Uno. Consequentemente, relaciona-se à Vontade e não à consciência. A consciência é em si mesma o reconhecimento de um plano progressivo. A vontade é a causa, o Princípio energizante, a Vida, o Ser. É a Vontade de causalidade.

Para a humanidade, atualmente, sua expressão mais alta é o idealismo, o incentivo e causa da atividade humana.

RAIO VII - É a energia da Ordem Cerimonial.

É uma expressão da vontade que se ativa para a manifestação externa; é aquilo que personifica tanto a periferia quanto o ponto no centro. É a vontade de "síntese ritualizada", se assim me posso expressar. É a Necessidade, o principal fator condicionador da natureza divina - a necessidade de expressar-se de modo ordenado e rítmico; a necessidade de abarcar "aquilo que está em cima e o que está em baixo", e por meio desta atividade, produzir beleza, ordem, totalidades perfeitas e corretas relações. É a energia propulsora que o Ser emana quando Ele aparece toma forma e vive. É a Vontade de Expressão.

Para a humanidade atual sua mais alta expressão é a organização.

Pelo que ficou dito sobre os raios, podem ver que todo o círculo de sua atividade está completo, sob o ângulo de Deus, o Pai; a vontade de iniciar a manifestação e sua expressão progressiva resultante encontra-se com a vontade para atingir a plena realização, e a própria energia do Ser alcança - no tempo e espaço hoje (na mente de Deus) - completa consumação.

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3. As Notas-chave dos Sete Raios e o Aspecto Vontade

Por constituírem a revelação desses sete Grandes Seres, as palavras nave dos sete Raios são:

Iniciação. Unificação. Evolução. Harmonização. Ação. Causação. Expressão.

Estas são as notas-chave para a humanidade no seu ponto atual de desenvolvimento evolutivo. Quando estas sete energias atuam na consciência humana, num esforço para produzir e evocar o aspecto Vontade no homem avançado, elas produzem:

Iniciação. Visão. Educação. Intuição. Liberação. Idealismo. Organização.

Um estudo acurado dos sete grande raios e das sete notas-chave menores revelará estas verdades e sua promessa. Ao final da Era de Aquário, estas notas-chave menores revelarão estas verdades e sua promessa. Ao final da Era de Aquário, estas notas-chave terão variado um pouco, porque o reconhecimento da Vontade (conduzindo à cooperação compreensiva) produzirá grandes mudanças na polarização e objetivos humanos - objetivos realizados.

Vejamos agora como estas energias básicas dos raios atuam nas relações planetárias e zodiacais do homem, e porque certas constelações e planetas estão relacionados a determinados raios e transmitem para o centro que chamamos humanidade, influências definidas e específicas. Tais influências provocam certas tendências na humanidade, evocam determinadas atitudes da vontade, e conduzem, consequentemente, a certos eventos inevitáveis, assim como a definidas e determinadas formas de Ser.

Ao prosseguirmos com nossa consideração da Tabulação X, há certas ideias fundamentais que precisam ser cuidadosamente lembradas:

1. Estamos tratando dos efeitos das energias dos sete raios, que fluem de alguma das sete estrelas da Ursa Maior, para o nosso sistema solar. Estas energias são a qualidade vida dos sete grandes Seres Que são os Protótipos dos Logoi planetários dos sete planetas sagrados, os quais constituem Seus reflexos no tempo e espaço, assim como a alma é o reflexo da Mônada no que concerne aos seres humanos.

2. Cada um dos sete raios expressa-se através de três constelações zodiacais. A analogia - mas não a correspondência - é que estas três constelações são para a vida de um destes Seres de raio o que os três aspectos mônada-alma-corpo são para o homem. Lembrem-se: analogia e correspondência não são a mesma coisa. Na analogia há semelhança no geral, não no detalhe; na correspondência, a expressão é praticamente idêntica, geralmente num nível inferior.

3. Estes sete grandes Seres expressam-Se no nosso sistema solar como os depositários ou representantes do aspecto Vontade da Divindade Seu efeito, portanto, é sempre o de trazer para o nosso sistema solar, e eventualmente para a nossa vida planetária, a energia da Vontade em seu aspecto planificador e construtor da forma. Os livros esotéricos e o ensinamento esotérico têm enfatizado o aspecto consciência, que expressa a qualidade. E assim deve ser. Porém, por trás de toda a qualidade está Aquilo do qual a qualidade é a expressão, e por trás disso encontra-se a dinâmica "saída" (se assim posso expressar-me) que é a motivação tanto da qualidade ou consciência quanto da vida ou aparência, a precipitação da vontade e da qualidade.

4. A natureza da vontade é, por enquanto, indefinível, pois somente a Mônada responde ao seu impacto, e somente após a 3a. iniciação é que o homem consegue captar algo da natureza da vontade. Tudo que se pode compreender neste breve resumo é o efeito da vontade ao fazer sentir sua presença, e o resultado de sua expressão, enfatizado através de três constelações.

5. As constelações, em grupos de três, transmitem as sete influências dos sete raios para o nosso planeta, via o Sol, e os relacionamentos que indico aqui são apenas aqueles que se referem à Terra; não se aplicam aos outros planetas do nosso sistema solar, onde a configuração dos relacionamentos é diferente. Isto depende da natureza da rede etérica através da qual toda a transmissão das energias tem lugar. As linhas de acesso podem ser assim indicadas:

DIAGRAMA 1

Uma ilustração segundo a nossa tabulação seria:

DIAGRAMA 2

6. Esta disposição, em forma de diamante, das energias interrelacionadas é o protótipo que está por trás da rede etérica e é sua influência condicionante final no que se refere à Terra. Faz-se uma alusão a isto quando nos referimos à "alma diamantina", da qual o Buda é um expoente. É claro que isto é um profundo mistério, mas a correlação é Interessante e uma garantia.

7. Estas sete energias de raio, expressando o protótipo da vontade divina em sete formas, são:
Raio I A vontade de iniciar
Raio II A vontade de unificar
Raio III A vontade de evoluir
Raio IV A vontade de harmonizar ou relacionar
Raio V A vontade de agir
Raio VI A vontade de causar
Raio VII A vontade de expressar

Quando todo o trabalho criador destes raios estiver completo, aparecerá um "algo mais" para o qual não temos designação, mas que será a semente do próximo sistema solar. E terceiro sistema solar expressará a vontade divina, assim como este segundo sistema é lentamente desenvolvido através da experimentação e experiência do amor divino.

8. Os sete aspectos do raio da vontade, que são a meta das iniciações superiores, e que incorporam aquilo que os Próprios Mestres estão lutando para compreender, é aquilo que floresce na Mônada quando as almas alcançam a expressão perfeita, através da humanidade. No que diz respeito à humanidade, esses aspectos expressam-se assim:

Raio I Aquele que incita à iniciação e a produz.

Raio II Aquele que é a causa da visão ou do poder para ver.

Raio III Aquele que desenvolve a percepção sensorial em conhecimento, o conhecimento em sabedoria, e a sabedoria em onisciência.

Raio IV Aquele que é a vontade iluminada, a base de budi ou a intuição.

Raio V Aquele que é a semente cósmica da liberação. E um aspecto da
destruição.

Raio VI Aquele que é a causa da faculdade de construir pensamentos-forma, relacionada ao impulso criador.

Raio VII Aquele que pode ser chamado o princípio da ordem.

9. Assim como o desejo produziu este "filho da necessidade", nosso sistema solar, existe, por trás de todas as energias do Coração de Deus e de todas as forças que produziram o universo manifestado, aquilo que é o resultado da necessidade divina. Não é a correspondência cósmica do cérebro, ou mente, ou intenção focalizada, como poderiam supor. É aquele algo sintético que produz coesão e resulta em frutificação ou síntese como o efeito ou o resultado final da manifestação.

É quase impossível tornar isto mais claro, porque estou falando de alguns dos aspectos e efeitos finais das iniciações maiores. Somente toquei neste assunto porque elas são a consumação e o clímax deste estudo da psicologia divina ao manifestar-se através de Deus e através do homem. Estou simplesmente dando leves e inadequadas indicações daquilo que emerge na consciência humana após a 3a iniciação - o ponto na qual a personalidade ou vida na forma é transcendida e a Mônada tornar-se o objeto da consecução desejada. Então, sua pressão espiritual faz-se sentir cada vez mais. Portanto, podemos apenas indicar metas distantes.

Não obstante, podemos obter algumas interpretações humanas das metas divinas, se relacionarmos estes raios e suas constelações transmissoras com a Terra e observarmos
como este relacionamento triangular pode atuar sobre o nosso planeta. A compreensão de cada indivíduo dependerá do ponto de seu desenvolvimento, mas somente os iniciados superiores compreenderão as reais implicações de minhas palavras.

Ao estudarem estas profundíssimas relações esotéricas, devem lembrar-se que nós as estamos abordando a partir de dois ângulos - os únicos ângulos que, por enquanto, são possíveis para a mente finita do homem:

1. A relação entre as três constelações e os raios que estão expressando a qualidade da Vida de uma Entidade que dá a forma - o Ser Que está expressando Identidade através de alguma das sete estrelas da Grande Ursa, Ursa Maior, como deveríamos chamar esta constelação.

2. Os três aspectos da vontade que as três constelações estão expressando e às quais os seres humanos responderão conscientemente, após a 3a iniciação. Esses três aspectos são:

a. A vontade que condiciona e inicia.
b. A vontade que traz realização.
c. A vontade que conquista a morte.

Antes de entrar numa análise mais profunda do nosso assunto, quero lembrar-lhes que, na realidade, estamos lidando com universais, simbolizados para nós no imenso agregado de constelações com as quais se relaciona o nosso tema:

1. As sete estrelas da Grande Ursa ou Ursa Maior estão envolvidas numa intrincada relação com a Ursa Menor e as Plêiades, mas disto não nos ocuparemos. Esta importante triplicidade de constelações tem uma relação peculiar com aquele Grande Ser a Quem às vezes nos referimos como o Um Sobre o Qual Nada Pode Ser Dito. Podemos apenas indicar que estas três galáxias de estrelas são os três aspectos daquela Indescritível Mônada Absoluta, a Causa Inefável dos sete sistemas solares - um dos quais é o nosso.

2. As doze constelações do zodíaco, cada uma com suas próprias inter-relações, peculiares à sua própria Vida integral, formam - cada uma delas - parte de um triângulo de energias. Cada um destes triângulos é, em si mesmo, uma unidade, mas em conjunção com os outros triângulos, forma parte desse quaternário maior que é analogia cósmica do quaternário da Vida Una - alma e a dual natureza psíquica, chamada em alguns livros esotéricos de Kama-manas, mais a natureza vital. Estes quatro são a expressão do Inefável Causa Una.

3. Nosso sistema solar (sem importância alguma) é, não obstante, uma parte da aparência sétupla dessa mesma Causa Essencial. Como sabem, pelo que leram em A Doutrina Secreta, nosso sistema solar é um pequenino reflexo ou réplica de 1, 3, 7 e 12. Devido a esta inata, inerente correspondência, possui dentro de si mesmo a capacidade de responder às energias que emanam deste manancial de luz e vontade. Mais não posso dizer, pois o tema é vasto demais para o pensamento humano, com suas limitações de consciência e sua linguagem inadequada. Contudo, uma pálida percepção daquele vasto agregado de Forças inteligentes e esta imensa concatenação de estupendas "Intenções" divinas, servirá para aclarar a compreensão de que o nosso sistema solar (e consequentemente o nosso planeta) é uma parte deste vasto todo, mantido vivo pela sua "graça", amalgamado pela sua vontade, e preservado pela sua "Intenção" Porque estas Forças são, nós somos; porque elas persistem, nós persistimos; porque Elas se movem na forma, no tempo e no espaço, nós fazemos o mesmo.

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4 - Energias Cósmicas e Transformação

Tentemos formar uma ideia desta corrente de energias que, da Ursa Maior, jorram para o espaço, são transmitidas para o nosso sistema solar através de certas constelações, e dai, via o Sol, são transmitidas para os sete planetas sagrados. Estas energias produzem o que se chama "transformações" no nosso planeta não sagrado, a Terra, levando-a progressivamente a alinhar-se com o aspecto vontade da divindade, O diagrama que segue talvez esclareça melhor o processo:

DIAGRAMA 3

Somente deste modo posso dar-lhes uma ideia da distribuição das energias, suas limitações dentro das fronteiras do zodíaco, e sua focalização dentro da periferia do nosso sistema solar. Para tornar isto mais claro, vejamos um dos raios e seus relacionamentos triangulares, segundo a Tabulação X:

DIAGRAMA 4

a. Sendo a Terra um dos cinco planetas não-sagrados, somente quatro estão listados entre os agentes que transfiguram.

b. Os planetas escurecidos no diagrama indicam os agentes transmissores das Forças que passaram através do processo de transformação pelo Sol.

c. O Sol e a Lua aparecem entre os planetas não-sagrados, porque, neste caso, são véus que ocultam outros.

d. A origem da ampulheta encontra-se neste diagrama de afluência de energias,

e. O diagrama acima pode ser usado em relação a qualquer um dos demais raios, porém envolverá:

1 O emprego de outros agentes transmissores na forma das três constelações zodiacais apropriadas e seus agentes.

2 A indicação de planetas, diferentes daqueles envolvidos na afluência da energia do 1° raio.

f. A chave para todo o processo, no que diz respeito à Terra - e ao individuo que nela vive - encontra-se nas seguintes palavras:

Transcendência - A causa que transcende
Transmissores - As constelações zodiacais
Transformador - O Sol. A Alma
Transfiguradores - Os planetas
Aliada a essas palavras, acrescentaria uma outra, relacionada com a Terra e a sua humanidade.

DIAGRAMA 5

Esta palavra é Translação, porque quando "as almas dos homens Justos se tornam perfeitas", tem lugar um processo de translação que eleva a humanidade e a afasta do planeta, dirigindo-a para um dos sete Caminhos cósmicos, dos quais as sete iniciações são as portas de entrada.

Em relação ao indivíduo e seu progresso e iniciação ou translação de um estado de consciência para outro, temos uma pequena réplica do que acabamos de dizer:

a: A alma do homem recebe o influxo dos três grupos ou grupos planetários.
b. Os pontos escurecidos indicam os centros despertos.
c. O diagrama indica "o mapa da luz interna" de um aspirante avançado, próximo ao discipulado.

A história inteira da expansão do Um em Muitos e dos Muitos em Um está contida nestes diagramas macro e microcósmicos.

Consideramos agora cada um dos sete raios e vejamos como eles incorporam os três aspectos da vontade e os transmitem à Terra, via três constelações e seus regentes. Entramos aqui no reino das causas e lidamos com os propósitos transcendentes, incentivos, impulsos e objetivos do Uno no Qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência. Esta grande Vida, o Ancião dos Dias, o Senhor do mundo, Sanat Kumara, o eterno Jovem, o Logos planetário - Seus muitos nomes são relativamente em importância - é a única existência sobre a Terra capaz de responder os objetivos do Logos solar e levá-los adiante. Ele, por sua vez, é o único no nosso sistema solar capaz de responder à sétupla Causa Emanadora, expressando-Se por meio da Grande Ursa ou Ursa Maior. Todavia, nós trataremos dos aspectos psicológicos das emanações dos sete Raios que incorporam a vontade-para-o-bem.

1º RAIO
Vontade ou Poder
Áries trabalhando através de quatro planetas: Marte, Mercúrio, o Sol e Saturno
Leão
Capricórnio

Esta é a vontade que está por trás de toda atividade iniciatória.

a. A iniciação das etapas que antecedem a criação.
b. A iniciação do impulso para evoluir, avançar, progredir.
c. A iniciação do processo de diferenciação a fim de produzir.

Tudo isto são expressões ou efeitos da atividade da energia do raio e podemos resumi-las no pensamento de uma "penetração" dinâmica - por um ato da vontade focalizada -num novo estado de consciência, que, inevitavelmente, conduz a uma nova realização de ser. Eis aqui uma das definições básicas da iniciação, no que concerne ao ser humano. São pálidos reflexos dos processos dinâmicos aos quais a Vida Una Se submete quando penetra na condição dual de espírito-matéria. A vontade a que nos referimos aqui subjaz o dualismo e é análoga à recepção e focalização de uma ideia inicial ao penetrar na mente de um ser humano criativo e avançado, nos seus processos de pensamento e realizações. Isto será melhor compreendido se o discípulo considerar qual aspiração fixa, visão da meta e determinação para seguir a vontade-para-o-bem tem efeito em sua vida. Mais do que isto ele não pode alcançar, porém nisto está a semente cósmica da compreensão.

É preciso lembrar que no caminho da Iniciação o processo de treinamento está todo voltado para a evolução da vontade possivelmente porque por trás do desenvolvimento do amor encontra-se a revelação da vontade. Corretamente nos ensinam que a meta imediata do homem é o desenvolvimento e plena expressão da natureza do amor. Isto começa a ter lugar e alcança uma etapa relativamente avançada de desenvolvimento no Caminho do Discipulado. O processo poderia ser descrito, num sentido amplo e geral, da seguinte forma:

1 - Caminho da Evolução e Provação.

a. Desenvolvimento do intelecto e da percepção sensorial
b. Resposta ao centro chamado Humanidade
c. A mente assume o controle. A personalidade funciona.

2 - Caminho do Discipulado.

a. Desenvolvimento da natureza do amor
b. Conquista da iluminação
c. Resposta ao centro chamado Hierarquia
d. Budi ou intuição controla. A alma funciona.

3 - Caminho da Iniciação.

a. Desenvolvimento da vontade
b. Conquista da síntese
c. Resposta ao centro chamado Shamballa
d. O propósito dinâmico controla. A vontade-para-o-bem. A Mônada funciona.

Isto constitui um terreno já familiar, porém, no esforço para atingir a Visão do todo, a repetição constante tem o seu lugar. Estamos agora ocupados com a terceira etapa do processo evolutivo, levada a efeito no Caminho da lniciação e na qual se penetra (no que tange à humanidade) na 3a. iniciação e que é consumada na 7a. iniciação - uma iniciação muito mais facilmente alcançada por pessoas do 1° Raio do que as de qualquer outro.

Isto - até onde é possível alcançar por enquanto - refere-se primordialmente à vontade criativa quando:

a. Inicia a manifestação e condiciona tudo aquilo que é Criado
b. Proporciona, eventualmente, a plenitude da realização
c. Vence a morte ou diferenciação.

Todos os iniciados têm que expressar vontade criativa, dinâmica, um propósito focalizado que expressa somente a vontade-para-o-bem assim como aquele esforço contínuo que traz a realização. Quero lembrar-lhes que o esforço contínuo é a semente da síntese, a causa da realização e aquilo que vence a morte. Morte é, realmente, a deteriorização no tempo e espaço e é motivada pela tendência da matéria-espírito a isolar-se, durante a manifestação (do ponto de vista da consciência).

Este esforço contínuo do Logos é que mantém todas as formas em manifestação e preserva até mesmo o aspecto vida como fator integrador na construção da forma e - o que é igualmente um ato da vontade sustentadora - pode abstrair ou retirar intacta a consciência da vida ao encerrar-se um ciclo de manifestação. Morte e limitação são termos sinônimos. Quando a consciência está focalizada na forma e inteiramente identificada com o princípio da limitação, ela considera como morte a libertação da vida da forma; porém, com o prosseguir da evolução, a consciência muda cada vez mais para a percepção daquilo que não é a forma e para o reino daquilo que é transcendente ou para o mundo abstrato, isto é, para aquilo que se abstrai da forma e se focaliza em si mesmo. A propósito, isto é uma definição de meditação, sob o ângulo da meta e realização.

O homem pode verdadeiramente meditar quando ele começa a usar a mente, o reflexo do aspecto vontade, e a emprega nos seus três aspectos: aquele que dá início à sua entrada no mundo das almas, aquele que condiciona a vida de sua personalidade, e aquele que reforça e eventualmente provoca a expressão plena do propósito da alma. Isto resulta na total vitória sobre a morte. Trouxe todo este conceito para os termos do microcosmo, embora seja óbvio que somente o discípulo aceito, preparando-se para a iniciação, pode começar a apreender algumas das suas significativas implicações.

Talvez possa resumir melhor a nota-chave do 1" Raio da Vontade ou Poder, ao expressar-se como propósito dinâmico na Terra e em relação ao ser humano, se eu citar o Velho Comentário:

"O Uno Transcendente, a Vida, o Todo, a Totalidade entrou em comunhão Consigo Mesmo e, por meio deste ato, tornou-Se um ponto vital de vida e poder focalizado.

"Eu sou e eu não sou. Maior do que Este é Aquele; menor do que Aquele é Este. Porém, Aquele precisa mostrar a Este a natureza do todo, e provar-se a Si Mesmo.

"Eu sou o princípio. Eu sou o Caminho para o exterior e para o Interior, e o de retorno para o ponto de concentração, e desse ponto volto-Me para Mim Mesmo, carregando dentro de meu coração de amor aquilo ao qual Eu, o Uno, servi e pelo qual Eu sacrifiquei a Mim Mesmo."

No processo de sacrifício, aquilo que é o Todo sustentador, a essência interna de toda vida e o princípio de integração, abarca dentro de Si Mesmo as seguintes etapas de consciência:

1. Conhece a Si Mesmo como vontade transcendente, a vontade que vê o processo inteiro a partir do ponto da iniciação, mas que limita a Si Mesmo a uma expressão gradual dessa vontade devido às limitações daqueles aspectos de Si Mesmo cuja consciência não abrange a consciência do Todo.

Aquele que inicia vê o fim desde o princípio e trabalha em direção à meta em etapas progressivas, não por causa de Si Mesmo, mas por causa daqueles aspectos que ainda são limitados, sem percepção, cegos, sem visão e sem raciocínio.

2. Conhece a Si Mesmo como a vontade transmissora, que trabalha a partir do ponto de síntese, reduzindo o poder das energias distribuídas, de acordo com o plano criador evolutivo. Este plano é levado a cabo pela Vida do nosso planeta em três etapas principais, particularmente sob o ângulo da consciência, por meio de Shamballa, da Hierarquia e da Humanidade.

A partir daí, a Vida transmissora lança-se para o exterior, para todos os outros reinos da natureza. Cada grande centro é, pois, uma agência transmissora. A 4a Hierarquia Criadora, o reino humano, é o agente através do qual eventualmente as energias de Shamballa e da Hierarquia serão focalizadas para a redenção da vida de todos os reinos sub-humanos. Isto somente acontecerá quando a humanidade puder trabalhar com a vontade focalizada, produzida pela vida de Shamballa, inspirada pelo amor, encorajada pela Hierarquia e expressa pelo intelecto que a própria humanidade desenvolveu - tudo isto usado dinâmica e conscientemente sob a pressão daquilo que é superior a e maior do que Shamballa.

3. Conhece a Si Mesmo como a vontade transformadora, ou aquele processo aplicado e sustentado que provoca as necessárias mutações e mudanças por meio da ação do constante incentivo da vontade-para-o-bem. Todavia, ao mesmo tempo, não se identifica de modo algum com o processo. Estas mutações, que produzem a transformação do Um em Muitos e, mais tarde - no tempo e espaço - dos Muitos em Um, são levadas a cabo a partir de um ponto da vontade dinâmica e focalizada, o "Ponto no Centro", que não muda, que permanece sempre imutavelmente sujeito ao seu próprio e inerente propósito.

Quando o discípulo ou o iniciado consegue também permanecer no centro como vontade transformadora, ele pode, então, realizar as mudanças necessárias na natureza da forma, sem identificar-se com ela ou ser afetado pelas mudanças. Isto pode ajudar a tornar mais claro o que foi dito.

4. Conhece a Si Mesmo como a vontade transfiguradora. Esta transfiguração é a realização do propósito e a expressão final da síntese produzida pela sustentadora vontade-para-o-bem da vontade transcendente, transmissora e transformadora.

Aconselho os estudantes a afastar os olhos da meta da transfiguração (alcançada na 3a. iniciação e progressivamente presente a cada iniciação precedente), e a prestar mais atenção ao reconhecimento daquilo que neles "tendo permeado seu pequeno universo com um fragmento de si mesmo, permaneceu.” Assim fazendo, terão ancorado sua consciência no centro do poder transcendente e terão garantido o fluxo da vontade-de-realizar.

Desse elevado ponto na consciência (alcançado a princípio imaginativamente, e mais tarde na prática) verão que podem começar a trabalhar no processo de transmissão, reconhecendo-se como agentes transmissores da vontade-para-o-bem do Uno Transcendente. A seguir, passarão para a etapa seguinte, da transformação, onde poderão visualizar a necessária transformação e esperar vê-la desenvolver-se em suas Vidas; então, novamente em expectativa, devem acreditar na transformação daquelas vidas alinhadas com a vontade do Uno Transcendente, no sucesso do Uno Transmissor e na atividade do Uno Transformador - todos Eles apenas Um: a Mônada, o Eu. Tudo isto é feito pelo emprego da vontade condicionadora, realizadora e conquistadora.

Retornando ao nosso tema do Todo maior, deixando para trás por um minuto os esforços do microcosmo para compreender o Macrocosmo, consideremos a relação das três constelações na tarefa de expressar o 1° Raio:

1. ARIES - É a constelação através da qual fluirão as condições iniciadoras para o nosso sistema solar. Personifica a vontade-de-criar que expressará a vontade-para-o-bem. É o raio monádico do nosso Logos planetário, Cuja Alma pertence ao 2° raio e a personalidade, ao 3°. Vê-se, portanto, que o raio transmissor do nosso Logos planetário é o 1°; daí, o lugar que a vontade desempenha no processo evolutivo humano. Seu raio transformam é o 2°, trazendo eventualmente a transfiguração por intermédio do 3° nesta combinação temos a razão pela qual na evolução do aspecto vontade temos a influência de Marte e Mercúrio -um trazendo o conflito e a morte da forma, e o outro trazendo iluminação e o desenvolvimento da intuição como resultado daquele conflito e morte. Novos ciclos do Ser e da consciência são iniciados pelo conflito. Por enquanto, assim parece ser lei da vida e o fator governante na evolução. Porém, se o resultado desta vontade iniciadora e energizadora é produzir os benéficos efeitos do conhecimento intuitivo e a atividade de Mercúrio como mensageiro dos Deuses, podemos ver, sem sombra de dúvida, como a vontade-para-o-bem é desenvolvida através do conflito.

2. LEÃO - É a constelação através da qual a vontade-de-realização ou vontade-de-atingir o objetivo jorra para a humanidade e para o planeta. É, essencialmente, o espírito de autodeterminação. A princípio, é a determinação do pequeno eu, a personalidade, do indivíduo autoconsciente. Depois, é a determinação do Eu, a alma, do indivíduo consciente do grupo, do Todo maior e de si mesmo como a parte, integrada e basicamente unificada.

Esta vontade-para-o-bem (alcançada através da realização) atua em relação ao ser humano por meio de três momentos de culminância:

1. A vontade-para-o-bem demonstrada pela conquista da autoconsciência. É a primeira etapa da completa realização divina. Implica em corpo, aparência. É a expressão do 3° aspecto.

2. A vontade-para-o-bem demonstrada na 3a. iniciação, quando a autoconsciência dá lugar à consciência grupal. É a segunda etapa da realização divina, Implica em alma, qualidade. É a expressão do 2° aspecto.

3. A vontade-para-o-bem demonstrada nas iniciações maiores, quando se alcança a consciência de Deus. É a terceira etapa da realização divina. Implica na Mônada, Vida. É a expressão do 1° aspecto.

É útil observar estas relações. É também óbvio porque o Sol rege Leão, exotérica e esotericamente. O Sol revela ou 'ilumina" as duas etapas da vontade oculta: o sol físico, iluminando a personalidade no plano físico, e o Coração do Sol, revelando a natureza da alma.

3. CAPRICÓRNIO - É a constelação por meio da qual vem a vontade conquistadora que libera o homem da vida da forma e o inicia para o reino onde o aspecto vontade (não o aspecto alma) da divindade se expressa. Lembremo-nos que há uma estreita relação entre a Terra e Capricórnio. A razão para isto é que a Terra oferece as condições ideais para este particular tipo de realização porque está em processo de transformação da etapa de "planeta não-sagrado" para a de "planeta sagrado". Eis porque Saturno é um regente tão poderoso e transmissor, para a Terra, da qualidade dinâmica do 1° raio poder. Este influxo da energia do 1° raio será, de agora em diante, grandemente acelerado. Estas energias e seus influxos devem ser cuidadosamente estudados em conexão com os diagramas anteriormente dados nesta obra, lembrando que a visualização é sempre uma energia direcionadora, empregada para produzir um efeito especifico desejado.

Áries, o iniciador, Leão, o Eu, e Capricórnio, o Agente transfigurador - são algumas das implicações relacionadas com o 1° raio e a humanidade.

Quero assinalar aqui que dei este triângulo de constelações na ordem de seus relacionamentos com a Grande Vida que os emprega como agências transmissoras das atividades do 1° raio. Deve também observar-se que a razão para esta relação é inerente à natureza das Vidas que dão forma a estas constelações específicas. Elas Próprias são expressões da vontade-para-o-bem, e constituem, portanto, a linha de menor resistência para a disseminação da energia do 1° raio por todo o sistema solar. Sob o ângulo das relações humanas, este triângulo reajusta-se a si mesmo. Torna-se Leão, o doador da autoconsciência; Capricórnio, o signo onde a iniciação pode ser recebida; e Áries, o incentivo para um novo começo.

A ciência da astrologia encontrará uma nova luz quando for entendido o significado da distinção entre as constelações como galáxias de estrelas, os signos como influências concentradas. Isto está fundamentalmente ligado com a diferença entre a relação de uma energia de raio com o triângulo de constelações, e a relação humana. Nada mais Posso acrescentar, mas o que até aqui foi dito dará uma pista ao astrólogo intuitivo.

2º RAIO
Amor-Sabedoria
Gêmeos trabalhando através de cinco planetas: Mercúrio, Júpiter, Vênus, Lua e Plutão
Virgem
Peixes

Esta "linha de distribuição" (se assim me posso expressar) está vinculada à vontade que produz inevitável união, unificação e síntese, através do poder de atração, baseada no poder de ver a visão. Neste sistema solar e durante este ciclo mundial e, por conseguinte, neste planeta e durante todo o período em que ele se move da posição de não-sagrado para a de planeta sagrado, este é sempre o aspecto vontade dominante da Deidade; é a energia com a qual se preocupa o nosso Logos planetário. É isto que trouxe a Hierarquia à existência, sob o impacto de Shamballa ou força do 1° raio. Contudo, é com a energia hierárquica que se preocupa a humanidade, atualmente. Ao usar a palavra "preocupa" em conexão com o Logos planetário e também com a humanidade, encontrarão indicada a crescente resposta entre os dois centros: Shamballa e Humanidade.

Os esoteristas do mundo sabem bastante a respeito desta energia, por três razões:

1. No ensinamento dado nos últimos trezentos e cinquenta anos, a ênfase recaiu sobre ela.

2. Os dois grandes expoentes desta energia de raio são os dois Mestres e Salvadores mais conhecidos mundialmente, sob o ponto de vista humano, quer no Ocidente, quer no Oriente: o Buda e o Cristo.

3. Os dois Mestres - Morya e K. H. - Que têm procurado despertar a humanidade no Ocidente para a realidade da Hierarquia, trabalhando ambos em estreita relação e expressando as energias do 1º e 2° raios.

As notas-chaves predominantes no ciclo atual são: iluminação, visão, vidência ou percepção espiritual, e fusão do caminho místico ou ocidental. O Buda resumiu em Si Mesmo toda a luz do passado no que diz respeito à humanidade. Ele foi o Mensageiro maior, e demonstrou as possibilidades inatas da humanidade, irradiando a luz da sabedoria em relação à luz da substância, e produzindo aquela chama dual ou luz flamejante que tinha sido acesa e nutrida - ainda que não totalmente expressada - pela humanidade até aquela época. Ele surgiu como a floração ou a frutificação do passado, e como garantia da capacidade inata do homem.

Embora o Cristo também pudesse dizer "Eu sou a Luz do mundo”, Ele foi mais além em Sua manifestação e proporcionou a visão do passo seguinte a ser dado, demonstrando a luz da alma e apontando para o futuro, assim demonstrando o que poderia ser porque Ele havia liberado sobre a Terra o princípio cósmico do amor. O amor é um aspecto da vontade, mas este ponto é muito pouco compreendido pela massa dos homens. É a vontade de atrair para si mesmo, e quando está dirigida às coisas não materiais, nós, em reação à mente diferenciadora, a chamamos de Amor. Porém, a humanidade tem que ver aquilo que precisa ser amado, antes que o poder da vontade seja suficientemente evocado. Então, a visão pode transformar-se em manifestação e uma verdade pode expressar-se.

É aqui que a maravilha do trabalho do Cristo, o Senhor do Amor, emerge à nossa consciência. Ele torna muito claro que o amor que Ele demonstrou era um aspecto da vontade, funcionando por meio do 2° raio; este poderoso amor liberou para o mundo o princípio cósmico do amor. De novo, podemos ver os três aspectos da vontade divina funcionando através do 2° raio:

1- A vontade-de-iniciar ou de condicionar demonstra-se no trabalho do Cristo ao inaugurar a era onde o Reino de Deus pode aparecer sobre Terra. Na realidade, isto será uma demonstração da fusão de dois centros: a Humanidade e a Hierarquia. Por fusão quero dizer sua total e recíproca unificação, a qual inaugurará uma era em que - por meio da crescente capacidade de ver a visão, e crescente poder de identificar-se com a visão -surgirá uma raça de homens cuja expressão de vida será do amor-sabedoria.

2 - A vontade de realização demonstra-se através do 2° raio por meio da força impulsionadora que permite à alma do 2° raio atingir sua meta, avançando sem esmorecer, não se permitindo pausa ou desvio até alcançar a meta desejada. Esta é uma expressão diferente da vontade do 1° raio, que é dinâmica, que avança demolindo todos os obstáculos, que não requer os métodos mais lentos do impulso estável.

3 - É também a vontade que conquista a morte por causa do seu intenso amor à realidade e daquele "persistente Uno" que existe por trás de todos os fenômenos.

No Velho Comentário, este tipo de vontade - a vontade de amar- é assim descrita:

”O Uno Transcendente disse: Estou só. Preciso erguer-me e sair em busca, com incessante anelo, daquilo que produz a inteireza, completa por inteiro o Meu circulo, intensifica a Minha vida e Me torna verdadeiramente Uno, e isto porque Eu reconheço o Dois. Preciso unir-Me ao Meu outro eu, o eu que Eu levemente pressinto.

Atrai para o Meu coração esse outro Eu, e assim atraindo-o, dei-lhe iluminação; dotei-o de riqueza; dei generosamente, sem limitação. ”

Isto não personifica a visão mística de alguém mais, mas sim o aspecto vontade do Logos planetário, o incentivo por trás da vida de Shamballa. É o Senhor do Sacrifício quem fala. A nota-chave do sacrifício ou "o processo de tornar inteiro" percorre tudo aquilo que diz respeito ao aspecto vontade à medida que ele funciona por intermédio dos sete raios e isto é belamente evidenciado na atividade do 2° raio, uma vez que ele é o canal para a vontade de Deus.

Ele reconhece a si mesmo como a vontade transcendente porque por trás da sua expressão de amor cósmico (que atrai, funde e produz coesão) permanece a visão sintética da Intenção divina. Ele diferencia o processo da meta, a iniciação daquilo que é revelado pelo processo iniciatório e que é algo ainda desconhecido pelos iniciados abaixo do terceiro grau. É aqui que está a distinção entre o Cristo e o Buda. Este último revelou o processo, porém o Cristo encarnou em Si Mesmo tanto a meta quanto o processo. Revelou o princípio cósmico do amor e por meio dele - personificado em Si Mesmo - produziu também efeitos e portentosas mudanças no mundo através daqueles que se apresentaram a Ele para a iniciação.

O 2° raio se reconhece como a vontade transmissora, porque por seu intermédio algo se passa entre os pares de opostos (espírito-matéria) que os atrai um para o outro até que, afinal, eles formam um todo amalgamado. Isto é um mistério básico - o mistério básico da iniciação e diz respeito à vontade unificadora que funciona através do amor. Sua expressão mais inferior e seu símbolo mais material é o amor entre os sexos.

O 2° raio também se identifica, a si próprio, como a vontade transformadora, porque a totalidade do processo evolutivo (que é, em última análise, o resultado da inter-relação entre Deus e Seu mundo, entre causa e efeito e entre Vida e forma) baseia-se na transformação provocada pela atração divina, isto permite que "o espírito cavalgue sobre os ombros da matéria", como disse HPB, e force a matéria a alcançar a purificação que a levará, finalmente, a atuar como um meio transparente para a revelação da divindade.

Finalmente, o 2° raio conhece a si mesmo como a vontade que transfigura. Foi esta transfiguração que o Cristo manifestou quando apareceu diante dos espantados olhos de Seus discípulos como Luz Encarnada e "transfigurou-Se diante deles".

Todo o processo de transcendência, resultando em transfiguração, é realizado, em relação ao 2° raio, pelas influências combinadas das três constelações que este raio escolhe por "um ato de sua suficiente vontade para atuar no tempo e espaço." Consideremo-las por um momento:

1 - GÊMEOS. É a grande constelação que simboliza os Dois Irmãos, expressando a interação entre as dualidades. É governada por Mercúrio e Vênus, por isso temos a luz da intuição e a luz da mente fundidas num todo iluminado, típico da fusão de espírito-matéria e a demonstração de sua unidade essencial. Gêmeos é, como sabemos, o signo da interação divina, e é a vida do Pai (do espírito e da vontade) que flui através dos Dois Irmãos, através dos opostos polares, tornando-os um na realidade, embora dois na manifestação. Sua verdadeira natureza como "o irmão mais velho filho pródigo" é revelada pela intuição quando esta se apropria da mente. Porém, é a vontade de amar que governa este relacionamento e que, finalmente, produz a síntese divina.

2 - VIRGEM. É a constelação que simboliza a segunda etapa da relação entre os pares de apostos. Temos aqui, como sabemos, a Mãe do Cristo Menino e o processo que fomenta o intercâmbio que produz vida, amor e sua manifestação conjugada em uma única forma. Portanto, o 2° raio está estreitamente vinculado à Virgem e seu oposto inferior é o amor materno com seu instintivo cuidado com aquilo que deve ser nutrido e protegido. Seu aspecto superior é o Cristo encarnado, manifestado, quando então o instinto é transmutado em sabedoria e com isso aparece a vontade-de-manifestar e trazer à luz do dia o Cristo que até então estivera oculto.

Este signo e o 2° raio da Vontade têm uma misteriosa relação com o Tempo, com o processo e com a sustentação da vida da Mãe (a matéria) que, durante todo o período de gestação, nutre e protege o Cristo Menino que está em rápido desenvolvimento. A Lua também exerce uma função peculiar que só pode ser expressada na ideia da morte - a morte dos relacionamentos entre a Mãe e o Menino, porque chegará o momento em que o Cristo Menino surgirá do útero do tempo e da matéria e permanecerá livre na luz. Isto terá sido devido, necessariamente, a muitos fatores inerentes, mas acima de tudo, à vontade sustentadora da Mãe, acrescida da vontade dinâmica do Cristo Menino. Aqui temos novamente um aspecto da curiosa e misteriosa relação entre o 1° e o 2° raios.

3 - PEIXES. Neste signo o trabalho é consumado e a vontade do Pai atua através da vontade do 2° raio como vontade-de-salvar. Em Gêmeos temos, portanto, os dois: o par de opostos e a vontade-de-relacionar; em Virgem, temos o trabalho dos dois em cooperação, a nutrição da vida desse fenômeno do 2° raio, um Cristo, a consumação da tarefa da matéria e sua elevação ao céu. Em Peixes, temos a consumação do trabalho daquilo que o aspecto matéria tornou possível, e o Cristo emerge como o salvador mundial. Tudo isto tem lugar através do aspecto vontade do 2° raio, focalizado em Shamballa, expressando-se através da humanidade, e consumado na Hierarquia. Temos aqui toda a história da unidade, realizada pela vida e vontade do 2° raio, produzindo a emergência da consciência crística e o aparecimento na objetividade do princípio do Cristo.

No tempo e espaço e sob o ângulo da humanidade, o triângulo de constelações é Virgem, Gêmeos e Peixes, e não na ordem aqui apresentada: Gêmeos, Virgem, Peixes; este último é o ângulo sob o ponto de vista de Shamballa.

3º RAIO
Inteligência Ativa
Câncer trabalhando através de cinco planetas: Lua, Vênus, Saturno, Netuno e Urano
Libra
Capricórnio

Nesta divina expressão de energia de raio encontra-se a chave ou pista para aquilo que é comumente chamado de evolução. A ênfase recai, necessariamente, sobre o ângulo da natureza da forma e do aspecto fenomênico. Hoje, todavia, o processo evolutivo pode ser estudado sob dois aspectos: a evolução da forma e a evolução da consciência; a ciência e a psicologia contribuem para este quadro que gradualmente se desenvolve. Porém, aqui estou lidando com a evolução Daquele que é ao mesmo tempo consciência e forma, mas que é mais do que um ou outro, isto é, o Um Que quer manifestar-se e conhecer ou ser consciente. É isto que está por trás da Identidade a que, no tempo e espaço chamamos Logos, e que é maior do que Ela. Procuro, pois, ocupar-me com a Vontade Criadora de maneira dinâmica, conscientemente estabelecendo contato e persistentemente focalizada na forma enquanto o tempo e espaço durarem.

Este terceiro aspecto da expressão divina é o resultado da atividade dos outros dois raios principais. Vocês precisam cuidadosamente distinguir, em suas mentes, entre a matéria ou a Mãe e a substância ou o "Espírito Santo que faz sombra sobre a Mãe"; é com ele que estamos lidando, pois estamos estudando todos estes raios em termos da vontade, do espírito e da vida. Todo este Tratado, portanto, gira em torno de uma ideia que está além ou por trás de todo o conhecimento moderno e é, consequentemente, inexplicável para a mente finita. Tudo que é possível fazer é indicar Aquele que - improvável, incognoscível e intangível - existe anteriormente à manifestação e persiste depois que ela termina. Esta Realidade inerente é para o Logos manifestado o que o Eu imortal é para o homem encarnado. À proporção que a mente abstrata do homem se desenvolver, estes temas subjetivos, que conduzem ao Tema central da manifestação, tornar-se-ão mais claros e a densidade do mistério diminuirá. Terão que contentar-se com esta promessa os que ainda não foram iniciados. Os iniciados saberão do que estou falando.

Esta Realidade em expansão que está focalizada no 3° Raio da Inteligência Ativa durante o "período de aparência" empreendeu a tarefa - neste sistema solar - de desenvolver uma consciente "percepção de Si Mesma naquilo que não é". Isto é realizado em três etapas - todas resultantes do processo, do progresso, da atividade e da mente ou percepção inteligente. As três etapas são:

1 - A etapa em que a percepção sensória é transmutada em conhecimento. É a etapa em que a forma gradual e constantemente se adapta às necessidades do Eu percebedor.

2 - A etapa em que o conhecimento é transmutado em sabedoria ou consciência que utiliza o conhecimento gradualmente adquirido para alcançar o desapego da forma, o órgão da percepção.

3 - A etapa em que a sabedoria é transmutada em onisciência e ambas, consciência e forma, são ultrapassadas pelo Uno Que existe, Que é consciente, mas Que permanece maior do que qualquer destas duas fases de vida divina. Este Um quer encarnar, quer conhecer, quer ser consciente, mas essencialmente não é nenhuma destas fases, tendo-as Já realizado, antes da manifestação.

A vontade do 3° raio produz a síntese externa em etapas sucessivas, partindo de sínteses temporárias até que haja completa unificação entre a consciência e a forma, e mais tarde, completa unificação realizada entre Aquele que não é consciência nem forma, mas sim o Criador de ambas e o Princípio que relaciona espírito e matéria. Vemos como esta definição mostra que a função do 3° raio é a vontade-de-iniciar no plano físico aquilo que expressará a divindade; que define não só a aparência, mas a revelação daquela qualidade da qual a aparência é o efeito ou resultado, e que, inerente nessas duas proposições, reside a terceira que afirma que esta vontade criativa é não apenas a causa da manifestação e a garantia da realização, mas é também a prova da potência daquela Vida que eternamente vence e extingue a morte. Assim, voltamos à nossa proposição inicial da trindade divina Vida-Qualidade-Aparência (apresentada nas páginas iniciais do Volume I); à criatividade dos três raios principais, às suas relações básicas e à sua síntese resistente e persistente. Fecha-se, assim, o circulo da revelação; o ciclo se completa; a serpente da matéria a serpente da sabedoria e a serpente da vida são vistas como um todo. E por trás das três "permanece o Dragão Eterno sempre gerando a serpente tripla, sempre dizendo: "Vai e volta". Assim fala o Antigo Comentário a respeito deste tema.

Três palavras dizem respeito a esta tríplice manifestação:

Atração, Subtração e Abstração, as quais (no que concerne ao homem) estão relacionadas às três primeiras iniciações, mas somente sob o aspecto vontade e definitivamente ao 3° raio, no plano físico, ou melhor, no plano do corpo etérico ou da efetiva atividade vital. É isto que é preciso ter em mente quando consideramos o trabalho ativo da Trindade Pai, Filho e Espírito Santo.

Esta Trindade em manifestação conhece a Si mesma como a Realidade Transcendente e enuncia sempre a palavra: "Tendo impregnado todo este universo com um fragmento de Mim Mesmo, Eu permaneço."

Esta Trindade em manifestação conhece a Si Mesma como o Uno Transmissor, e através das palavras do Cristo, diz: "Se Eu for elevado atrairei todos os homens a Mim". Isto é possível através do poder atrativo transmitido pelo Uno Transmissor.

Esta Trindade em manifestação conhece a Si Mesma como o Agente Transformador e através das vozes dos muitos, entoa as palavras: "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade aos homens" - sendo glória, paz e boa vontade os efeitos da vida transmitida do Uno Transcendente.

Por fim, ao término da era, conhece a Si Mesmo como o Uno Transfigurado e compreende que o cântico dos anjos - "Glória a Deus nas alturas - é o enunciado de sua perfeição e triunfo finais.

Pode mais alguma coisa ser dita sobre este assunto? Os grandes Raios de Aspecto incorporam toda a história; os raios menores, os Raios de Atributo, contribuem com os detalhes no processo e empreendimento e são condicionados pelos três maiores. Por essa razão não tenciono analisar os quatro triângulos restantes. Neste Tratado já dei instruções suficientes para que o estudante interessado possa desenvolver por si mesmo este subjetivo assunto. Contudo, analisarei sucintamente as três constelações relacionadas com o 3° raio; seus significados são relativamente claros.

1 - CÂNCER. Esta constelação simboliza a vontade da massa e condiciona sua resposta e psicologia. Isto ainda não foi tema de estudo astrológico, pois tem implicações mais vastas do que a consciência de massa. É, basicamente, a focalização da vontade da massa por intermédio consciência de massa - algo ainda desconhecido, embora os rudimentos deste conhecimento possam ser vistos nesse peculiar fator na vida da humanidade a que chamamos de "opinião pública". Isto está sendo agora introduzido no campo educacional através do que comumente chamamos propaganda. As implicações são claras. Uma opinião pública treinada e esclarecida é algo desconhecido em escala mundial, embora grupos esclarecidos estejam rapidamente aparecendo. Da opinião pública (que é a expressão focalizada do crescimento da consciência de massa) surgirá a vontade para o bem da massa, inerente a cada indivíduo. Para este fim a humanidade precisa trabalhar e esperar.

2 - LIBRA. Esta constelação, como é sabido, significa o ponto de equilíbrio na longa relação e interação entre os pares de opostos. Indica a vontade-de-expressar - em perfeita harmonia e proporção - tanto a vida do espírito quanto a potência da matéria.

3 - CAPRICÓRNIO. Esta constelação representa a influência que levará a vontade de Shamballa à Hierarquia ou aos iniciados mundiais, dando-lhes aquele espírito dinâmico e empreendedor que Lhes permitirá levar à conclusão a Vontade de Deus na Terra. Foi o "anjo nascido sob a influência de Capricórnio" que se acercou do Cristo no jardim de Gethsemane e fundiu Sua vontade individual com a Vontade divina, capacitando-O, assim, a levar a termo Sua missão. Esta não era apenas revelar ao mundo o amor divino, mas - como reza a lenda nos Arquivos dos Mestres - Ele veio para "fiar a sutil teia que liga o lugar do Altíssimo (Shamballa) à Cidade Sagrada (a Hierarquia). A ponte entre o Lugar Sagrado e o Sacratíssimo fora firmemente ancorada. A vontade de Deus podia agora ser levada a termo." Segundo este mesmo ensinamento simbólico, poderíamos dizer que os termos seguintes caracterizam os três raios que estivemos estudando:

1º Raio O Sacratíssimo. Shamballa.
A Morada do Altíssimo.
Espírito. Vida. Energia.
Vontade. Identificação.
2º Raio O Lugar Sagrado. Hierarquia.
O Lugar Secreto onde mora a Luz.
Alma. Consciência. Luz.
Amor. Iniciação.
3º Raio O Pátio Externo. Humanidade.
Cristo em nós. A esperança de glória.
Forma. Aparência Corpo.
Inteligência. Individualidade.

Lembrem-se, contudo, que estes Três são Um. Por trás de todos eles está sempre Aquele Que permanece, transcendente e também imanente, maior do que o nosso todo e, não obstante, também dentro desse todo.

Através do 4° Raio, aprendemos a nos unificarmos com esta eterna síntese e vontade; através do 5° Raio, desenvolvemos os meios para entender esta síntese e vontade; através do 6° Raio, lançamo-nos, em direção à completa identificação com esta síntese e vontade, e através do 7° Raio, demonstramos na Terra a natureza desta síntese mediante a forma que aparece e o propósito dessa vontade subjacente.

E assim os Muitos são absorvidos no Uno.

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