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As Sete Leis da Alma ou a Vida Grupal


4- A Lei da Repulsão

Número Nome Exotérico Nome Esotérico Símbolo Energia de Raio
4 A Lei de Repulsão A Lei dos Anjos Destruidores O anjo com a espada flamejante A energia repulsiva do primeiro raio

Primeiro que tudo, será conveniente compreender que esta lei tem certas características e produz efeitos básicos que podem ser sucintamente enumeradas:

1- A energia manifestada é dissipadora nos seus efeitos. Esta lei atua como agente dissipador.

2- Quando em expressão ativa, causa uma viva dispersão ou rejeição dos aspectos da vida da forma.

3- Produz um contato discriminativo que conduz ao que se chama esotericamente "O Caminho da divina recusa".

4- É, contudo, um aspecto da Lei do Amor, o aspecto de Vishnu ou do Cristo e relaciona-se com uma atitude da alma, cuja natureza essencial é amor.

5- Esta lei expressa-se por meio da natureza da mente e, em consequência, só pode fazer sentir a sua presença e influência no Caminho do Discipulado.

6- É o principal pré-requisito para o verdadeiro autoconhecimento e revela, ao mesmo tempo, que divide ou dispersa.

7 - Trabalha através do amor e no interesse da unidade - a forma e a existência que por fim repudia a forma.

8- É um aspecto de uma das maiores leis cósmicas, a Lei da Alma, que é a Lei Cósmica da Atração, porque, o que é atraído é, com o tempo, repelido automática e oportunamente por aquilo que antes o atraiu no primeiro caso.

Esta lei primariamente começa a imprimir o propósito divino na consciência do aspirante e dita-lhe os mais altos impulsos e decisões espirituais que marcam o seu progresso no Caminho. É a demonstração da qualidade do primeiro raio (uma influência de sub-raio do segundo raio), porque deve recordar-se que o repelir uma forma, uma situação ou uma condição, pode evidenciar o amor espiritual no agente de repulsão. Isto é-nos descrito no muito antigo símbolo do Anjo da espada flamejante que se encontra diante do portal do Paraíso para afastar aqueles que procuram a segurança imaginária desse refúgio e desta condição. Este anjo atua com amor e assim procede através das idades porque esse estado de realização a que chamamos Paraíso é um lugar essencialmente perigoso para todos, exceto para aqueles que adquiriram o direito de permanecerem ali. O anjo protege o aspirante que não está preparado (e não o lugar em que procura entrar) e o salvaguarda dos riscos e perigos da iniciação a que se deve submeter antes de passar através das cinco divisões do Paraíso até chegar ao lugar onde se encontra a luz, e os Mestres de Sabedoria habitam e trabalham. Este é o pensamento que se encerra no procedimento maçônico, onde o Guardião permanece do lado de fora da porta da Loja com uma espada desembainhada, para proteger os segredos da Maçonaria contra aqueles que não estão preparados.

Quero recordar-lhes também que esta lei, sendo um aspecto fundamental da Lei do Amor, diz respeito à psique ou alma. Sua função, por conseguinte, é a de impulsionar os interesses espirituais do verdadeiro homem, e de demonstrar o poder do segundo aspecto, a consciência crística, e o poder da divindade. Ela "rejeita o indesejável, de forma a encontrar aquilo que o coração anela, e conduz assim o peregrino fatigado, de uma rejeição a outra, até que escolhendo sem se enganar, toma a Grande Decisão". Isto foi extraído do Antigo Comentário.

Dividiremos em três partes o que vamos dizer sobre o funcionamento e efeito da Lei de Repulsão:

a) A Lei de Repulsão, a função, e a qualidade do desejo.

b) A Lei de Repulsão, tal como se expressa nos Caminhos do Discipulado e da Iniciação.

c) A Lei de Repulsão, que "conduz em sete direções e força tudo com que cantata, a voltar ao seio dos sete Pais espirituais".

Esta lei opera através da alma em todas as formas. Literalmente não afeta a matéria, exceto na medida em que a forma é afetada quando a alma se "retira" ou, ocultamente "repudia". É, portanto, evidente, que a compreensão que temos das suas atividades dependerá largamente da medida da força da alma que individualmente podemos perceber e da amplitude do nosso contato com a alma.

Pelo grau que tenhamos alcançado na escala evolutiva determinaremos a maneira pela qual dominaremos esta lei (se podemos empregar este termo) e será definida a capacidade de sermos sensíveis ao seu impacto. Se não somos capazes de responder, por pouco que seja, à sua influência, isso por si, é suficiente para indicar onde nos situamos quanto ao nosso desenvolvimento. Se, pelo menos, a mente não estiver ativa, se não começarmos a utilizá-la inteligentemente, não esperemos qualquer intermediário ou canal pelo qual esta influência possa fluir ou atuar. Nunca esqueçamos que a influência ou lei do nosso ser espiritual é o que revela a vontade, o plano ou propósito da vida divina, como se expressa no indivíduo ou na humanidade como um todo. Tão pouco esqueçamos que, se não houver um raio de luz atuando como canal, o que esta lei pode fazer conhecer permanecerá desconhecido, incompreendido e inútil. Estas leis são as que predominantemente governam a Tríade espiritual, exatamente como os três aspectos da alma, por sua vez, se refletem através da personalidade.

Por conseguinte, tudo o que se pode comunicar relativamente a esta lei só pode ser compreendido pelo homem que comece a despertar espiritualmente. As três leis que já consideramos tratam da influência espiritual específica que emana das três pétalas do lótus egoico.

1- A Lei do Sacrifício As pétalas do sacrifício. A vontade do sacrifício da alma.
2- A Lei do Impulso Magnético As Pétalas do Amor.
3- A Lei do Serviço As Pétalas do Conhecimento.

Esta quarta Lei de Repulsão atua através da Primeira Lei do Sacrifício e permite ao aspirante a qualidade, a influência e a tendência da Tríade Espiritual, a tríplice expressão da Mônada. A sua plena força só pode ser sentida depois da terceira iniciação, quando o poder do espírito é pela primeira vez conscientemente sentido. Até lá é o controle crescente da alma que foi sobretudo registrado. Temos portanto:

1- A Lei de Repulsão
Quarta Lei
Atma. Vontade espiritual. Esta influência chega pela mediação das pétalas egoicas do sacrifício e da Lei subsidiária de Sacrifício.
2- A Lei do Progresso do Grupo
Quinta Lei
Budi. Amor espiritual. Vem através das pétalas do lótus egoico e da Lei subsidiária do Impulso Magnético.
3- A Lei da Ampla Resposta
Sexta Lei
Manas. Mental espiritual superior. Vem através das pétalas do Conhecimento e da subsidiária Lei do Serviço.

Estas leis superiores refletem-se nas três leis espirituais inferiores e chegam à consciência inferior mediante o lótus egoico e o antahkarana. Esta afirmação constitui o segundo postulado básico relativo ao estudo desta Lei de Repulsão, sendo o enunciado anterior o primeiro postulado; mas, se não surgir um fio de luz para servir de canal, o que esta lei comunica ficará incompreendido.

Estas seis leis dão-nos a chave para todo o problema psicológico de cada ser humano e não há nenhuma condição que não seja produzida pela reação consciente ou inconsciente do homem para com estas leis básicas - as leis naturais e espirituais. Se os psicólogos aceitassem as três leis básicas do universo e ainda as sete leis por meio das quais estas exercem a sua influência, chegariam a compreender o ser humano muito mais rapidamente, do que o fazem presentemente. As três leis principais, como já foram enunciadas, são:

1- A Lei da Economia que rege essencialmente a natureza instintiva do homem.

2- A Lei da Atração que rege o aspecto alma no homem e em todas as formas de vida, desde o átomo até o sistema solar.

3- A Lei da Síntese que governará o homem quando chegar ao Caminho da Iniciação, mas que ainda significa pouca coisa no atual desenvolvimento do homem.

Também existem sete Leis menores que produzem o desenvolvimento evolutivo do homem como pessoa e homem-alma. Essas Leis são:

1- A Lei da Vibração, a lei atômica do sistema solar.

2- A Lei da Coesão, um aspecto da Lei de Atração.

3- A Lei da Desintegração.

4- A Lei do Controle Magnético que rege a personalidade pela natureza espiritual, por meio da natureza da alma.

5- A Lei da Fixação, por meio da qual a mente controla e estabiliza.

6- A Lei do Amor, pela qual se transmuta a natureza inferior de desejos.

7 - A Lei do Sacrifício e da Morte.

Estas sete leis relacionam-se com o aspecto forma da vida. Às dez leis devem-se agregar as sete leis da alma que estamos considerando. Elas começam a agir sobre o homem e a produzir nele um desenvolvimento espiritual mais rápido, depois de ter sido submetido à disciplina do Caminho Probatório, ou Caminho de Purificação. Está então preparado para trilhar as etapas finais do Caminho.

Estas sete leis constituem a base de toda a verdadeira compreensão psicológica e, quando a sua influência for melhor compreendida, o homem chegará ao verdadeiro conhecimento de si próprio. Estará então pronto para a quarta iniciação que o libertará da necessidade de renascer. Esta é a verdade que subjaz no ensino maçônico e que é dada sob o simbolismo dos dezoito primeiros degraus. Estes podem ser divididos em quatro grupos de graus: Aprendiz, Companheiro, (a que segue o grau da "Marca"), Mestre Maçom (a que segue o H.R.A.) e os graus agrupados de quatro a dezessete, no Rito escocês. Estes dezessete graus preparam o homem para o quarto grau ou grau fundamental tomado pelo homem que é um Mestre Maçom. Só se pode recebê-lo quando o Mestre está de posse da verdadeira Palavra Perdida. Ressuscitado de entre os mortos; encerra um grande mistério. Os dezessete graus que levam ao primeiro grande passo (dado pelo Mestre ressuscitado) estão subjetivamente relacionados com as dezessete leis que temos mencionado. Há um paralelismo digno de observar-se entre:

1- As dezoito leis:

a) As três leis maiores do universo.

b) As sete leis menores do sistema solar.

c) As sete leis fundamentais da alma,

mais o que poderíamos chamar a grande lei da Própria Divindade, a lei do propósito sintético de Deus.

2- Os dezoito sub-planos através dos quais o homem abre o seu caminho:

a) Os sete sub-planos físicos.
b) Os sete sub-planos astrais ou do desejo emocional.
c) Os quatro sub-planos mentais inferiores.

3- Os dezoito graus da Maçonaria, desde o Aprendiz até o iniciado perfeito do capítulo Rosacruz.

4- Os dezoito centros de força com os quais o homem espiritual deve trabalhar:

a) Os sete centros do corpo etérico.
b) Os sete centros do corpo astral.
c) As três filas de pétalas do lótus egoico.
d) A "Jóia no Lótus", no coração da "flor da alma", que representa o décimo oitavo centro.

A compreensão destas relações simbólicas ajudará a aclarar consideravelmente o caminho da alma no corpo e constituirá a base de todo o verdadeiro estudo da psicologia esotérica.


A- A LEI DE REPULSÃO E DO DESEJO

Vamo-nos ocupar, neste capítulo, do problema principal da humanidade. Contudo, tocaremos no tema muito abreviadamente e trataremos mais particularmente do aspecto, dele, que transfere o problema no que tange ao aspirante, para o problema do discípulo. Subjacente ao problema psicológico da humanidade tomada como um todo, encontra-se a atitude máxima em face da existência e que caracterizamos como Desejo. É sobre este impulso fundamental que estão baseadas todas as complexidades de menor importância, e a ele subordinadas, ou melhor, emergindo dele. Freud chamou a este impulso "sexo" - que, entretanto, é apenas outro nome dado ao impulso de atração pelo não-eu. Outros psicólogos falam desta atividade predominante como "a vida de desejo" da humanidade e explicam todas as tendências e características afins, todas as reações emocionais e tendências da vida mental em termos de desejos latentes, aspirações ardentes e aquisitivas, como "mecanismos de defesa" ou "meios de escape" à inevitabilidade das condições circundantes. A estas aspirações e desejos, e ao trabalho que comporta a sua realização, todos os homens dedicam a sua vida; tudo o que se faz representa um esforço com vistas a satisfazer à necessidade sentida, a fazer face ao desafio da existência com o seu anseio de felicidade, de céu e finalmente de alcançar um estado ideal esperado.

Tudo está governado por uma certa forma de necessidade urgente de satisfação e isto distingue a busca do homem em cada estágio de seu desenvolvimento - quer se trate do impulso instintivo da auto-conservação, como se observa no selvagem, na conquista do sustento, ou nos problemas econômicos do homem moderno e civilizado; quer seja da necessidade da procriação e da satisfação do apetite demonstrado hoje na complexidade da vida sexual da raça; quer seja o desejo de ser popular, amado e estimado; ou pela ânsia do prazer intelectual e da apropriação mental da verdade; ou ainda pelo desejo profundamente arraigado de alcançar o céu e o descanso que caracteriza o cristão; ou a aspiração para obter a iluminação que constituiu o pedido do místico; ou o anelo para identificar-se com a realidade, como é "desejo" do ocultista. Tudo é desejo sob uma ou outra forma e é por estas necessidades que a humanidade está governada e controlada. Diria melhor que ela está definitivamente controlada, pois isto é uma simples definição do caso.

A compreensão desta inclinação fundamental ou fator controlador do homem encontra-se por detrás dos ensinamentos dados por Buda e estão personificados nas Quatro Nobres Verdades da filosofia budista, que podem resumir-se da seguinte maneira:

As Quatro Nobres Verdades

a) A existência no universo fenomênico é inseparável do sofrimento e da tristeza.

b) A causa do sofrimento é o desejo da existência no universo fenomênico.

c) A cessação do sofrimento alcança-se pela eliminação do desejo da existência fenomênica.

d) O Caminho que conduz à cessação do sofrimento é o nobre caminho óctuplo.

Foi a conscientização da urgente necessidade de se libertar o homem da sua natureza de desejos que levou o Cristo a insistir na necessidade de procurar o bem dos nossos semelhantes em vez do próprio bem, e a aconselhar a vida de serviço e do auto-sacrifício, do esquecimento-próprio e do amor para com todos os seres. Só neste caminho a mente e o "olho do coração" do homem podem afastá-lo das suas próprias necessidades e satisfazer as demandas mais urgentes da própria raça.

Enquanto o homem não se encontra no Caminho da Perfeição não pode captar realmente a demanda imperiosa da sua própria alma para libertar-se da procura de satisfações externas materiais, tangíveis e do desejo. Foi esta demanda que indicou a necessidade da alma encarnar e de atuar, durante um período determinado, segundo a Lei da Reencarnação. À medida que o trabalho de pureza prossegue no Caminho da Purificação, esta demanda para a libertação toma-se mais forte e clara e, quando o homem acelerar os passos no aminho do Discipulado, então a Lei de Repulsão, pela primeira vez, poderá começar a controlar as suas reações. A princípio, isto produz-se inconscientemente, mas à medida que o discípulo vai recebendo as iniciações, aquela lei age mais poderosamente e aguça cada vez mais a sua compreensão.

Não temos a intenção, aqui, de nos ocuparmos do desenvolvimento do homem não evoluído e pouco desenvolvido em relação com as Leis da Alma. Procuro apenas desembaraçar o caminho do homem muito inteligente, dos aspirantes e dos discípulos do mundo. O progresso do homem não desenvolvido e do homem comum pode ser englobado no enunciado que segue e pela ordem apresentada, e que descreve os sucessivos estágios do seu progresso, sob o aguilhão do desejo:

1- O anseio de experimentar, existir e satisfazer a natureza instintiva.

2- A experiência, a ganância, a existência, seguidas de renovada exigência para a satisfação de mais complacência da sorte ou destino.

3- Ciclos sucessivos de exigências destas satisfações, um período de satisfação de caráter temporário, depois seguido de novas pretensões. Tal é a história da raça.

4- A experiência firme e constantemente procurada nos três planos da evolução humana.

5- A mesma experiência, mas desta vez como personalidade integrada.

6- A demanda é satisfeita até à saciedade, porque com o tempo todos os homens acabam por atingir o que desejam.

7- Depois vem a demanda de satisfações espirituais internas, de felicidade e de bem-aventurança. O "desejo celeste" torna-se poderoso.

8- Uma vaga compreensão de que duas coisas são necessárias: a purificação e a faculdade de escolher corretamente o que constitui a justa discriminação.

9- A visão dos pares de opostos.

10- O conhecimento do caminho estreito que se estende entre estes pares de opostos.

11- O discipulado e a repulsão ou repúdio (durante um largo período de tempo) do não-eu.

Tal é, abreviada e insuficientemente enunciada, a história do homem quando procura a felicidade, a alegria e a bem-aventurança, ou melhor (expressando em termos de realização) como ele progride da vida do instinto, passando para a vida do intelecto e, depois, desta apreensão intelectual até o estágio da iluminação e final identificação com a realidade, quando, daí em diante, ele se liberta da Grande Ilusão.

Duas coisas determinam a rapidez com que se pode - no Caminho do Discipulado - fazer atuar a Lei de Repulsão. Uma é a qualidade do seu motivo. Só o desejo de servir é suficiente para provocar a reorientação e a sujeição necessária à nova técnica da existência. A outra é a espontaneidade, para, a todo o custo, obedecer à luz que está nele e à sua volta. O serviço e a obediência são os grandes métodos de libertação e constituem as causas subjacentes que farão atuar a Lei da Repulsão, ajudando assim o aspirante a alcançar a anelada libertação. O serviço liberta-o de sua própria vida de pensamento e autodeterminação. A obediência à própria alma integra-o no todo maior, no qual seus próprios desejos e impulsos são negados, no interesse da vida mais vasta da humanidade e do Próprio Deus. Deus é o Grande Servidor e expressa a Sua vida divina por meio do Amor que sente no Seu coração pela humanidade.

Contudo, quando estas simples verdades são enunciadas e nos instam a servir ao irmão e obedecer à nossa alma, parece-nos coisa tão familiar e tão pouco interessante que só uma fraca resposta ecoa em nós. Mas se nos disserem que determinada meditação, praticada com uma definida fórmula de respiração e acompanhada de uma concentração regular sobre um centro específico, nos libertaria da roda da vida e nos identificaria com o eu espiritual e o seu mundo de ser, com que prazer, voluntária e alegremente, seguiríamos essas instruções.

Mas quando, em termos de ciência ocultista, nos dizem que devemos servir e obedecer, não estamos tão interessados. Não obstante, servir é o método por excelência, a forma de despertar o centro cardíaco; e a obediência é igualmente potente para evocar a resposta dos dois centros da cabeça ao impacto da força da alma e para unificá-los num só campo de reconhecimento da alma. Como os homens compreendem tão pouco a potencialidade dos seus impulsos! Se o impulso para satisfazer o desejo é o estímulo fundamental da vida da forma do homem, também o impulso de servir é igualmente um estímulo fundamental da alma. Este é um dos enunciados mais importantes neste capítulo. Raras vezes é satisfeito. Contudo, sempre se encontram indicações de sua presença, mesmo até entre os seres humanos mais indesejáveis; e é evocado nos momentos cruciais do destino, ou em momentos de premente necessidade e de dificuldade suprema. O coração do homem é são, mas em geral está adormecido.

Servir e obedecer! Eis as palavras de ordem da vida do discípulo. Deturparam estas palavras com propaganda fanática e produziram fórmulas de filosofia e teologia religiosa; mas essas fórmulas velam ao mesmo tempo uma verdade. Foram também apresentadas ao exame dos homens como devoção à personalidade e obediência aos Mestres e aos dirigentes, em vez de serviço e da obediência à alma de todos os homens. Contudo, a verdade emerge constantemente de forma segura e deve inevitavelmente triunfar. Logo que o aspirante no Caminho Probatório tenha obtido a visão dela (por mais ligeira que seja), então a lei do desejo que o governou durante muito tempo, cederá lugar, lenta mas seguramente, à Lei de Repulsão que, com o tempo, o libertará da escravatura do não-eu. Isto o conduzirá à prática da discriminação e da ausência de paixão (despaixão - imparcialidade) que são características do homem que está no caminho da libertação. Recordemos, todavia, que um discernimento fundamentado numa determinação de ser livre e uma ausência de paixão - que é a indicação de um coração duro- aprisionarão o aspirante numa concha cristalizada que para um aspirante nessas condições é muito mais difícil romper do que a prisão normal da vida do homem egoísta comum. O desejo espiritual egoísta é muitas vezes o maior pecado dos pretensos esoteristas e deve ser cuidadosamente evitado. Portanto, a pessoa inteligente aplicar-se-á a servir e a obedecer.


B- A LEI DE REPULSÃO NOS CAMINHOS DO DISCIPULADO E DA INICIAÇÃO

Quando o sentido discriminativo (que espiritualmente corresponde ao sentido do olfato, o último dos cinco sentidos que apareceu na humanidade) for suficientemente desenvolvido no aspirante, quando esteconhecer os pares de opostos e adquirir a visão daquilo que não é nenhum dos dois, então poderá entrar no Caminho do Discipulado e empreender a árdua tarefa de cooperar com as leis espirituais, especialmente com a Lei de Repulsão. A princípio mal reconhece a influência desta Lei. É-lhe tão difícil compreender as suas implicações e medir os seus efeitos possíveis, quanto o seria para o trabalhador comum, com fraca cultura e uma total ignorância do esoterismo, chegar a compreender o significado de uma verdade oculta, como a que se expressa por estas palavras: "A construção do antahkarana entre o manas superior e o inferior, pelo divino Agnishvatta, o anjo solar que atua por meio do lótus egoico, constitui a tarefa que se deve alcançar durante o estágio contemplativo da meditação". Esta afirmação pode ser compreendida intelectualmente com facilidade pelo estudante médio de ocultismo, mas carece de significado para o homem comum. A Lei de Repulsão é igualmente difícil de compreender pelo discípulo que entra no Caminho. É preciso primeiramente que ele conheça a sua influência e depois realize três coisas:

1- Por meio do serviço, descentralizar-se firmemente e assim começar a "repudiar" ocultamente a personalidade. Deve vigiar para que o seu móbil seja o amor para com todos os seres e não a sua própria libertação.

2- Pela compreensão dos pares de opostos começa, esotericamente, a "isolar" o "nobre caminho do meio" de que falou Buda.

3- Pela compreensão das palavras do Cristo que exortou os homens a que "deixassem brilhar a sua luz", começar a construir o "caminho de luz" que conduz da obscuridade para a luz, do irreal para o real e da morte para a imortalidade. Este é o verdadeiro caminho do antahkarana que o discípulo vai tecendo com materiais tomados de si mesmo (simbolicamente falando), analogamente à aranha que tece a sua teia.

O serviço, uma compreensão do Caminho, e a construção da verdadeira linha de escape - eis a tarefa a realizar no Caminho do Discipulado. Tal é o objetivo colocado diante de todos os estudantes das ciências esotéricas nesta época - desde que desejem suficientemente trabalhar abnegadamente por seus semelhantes. À medida que realizam isto e se aproximam cada vez mais daquilo que não constitui os pares de opostos (assim atingindo o "Caminho Central"), de maneira firme a Lei de Repulsão começa a atuar. Quando se recebe a terceira iniciação, aquela lei começa a tomar lugar preponderantemente na condução da vida.

A palavra "repulsão" tem uma ressonância pouco feliz em muitas mentes e esta reação à palavra indica a inclinação inata do homem. A repulsão, o desejo de repudiar e o sentido das palavras e dos atos de repulsão evocam em nossa mente tudo o que nos é desagradável contemplar. Contudo, examinado espiritualmente e visto cientificamente, o termo "repulsão" indica simplesmente "uma atitude para com o que não é desejável". Isto, por sua vez, (dado que procuramos definir o que é desejável) é um apelo à atividade das qualidades de discriminação, da ausência de paixão (imparcialidade) e disciplina na vida do discípulo, assim como ao poder de descentralização. Estas palavras indicam a necessidade de desvalorizar o que é irreal e o indesejável, de disciplinar a natureza inferior até que se tenham feito pronta e facilmente as escolhas que levarão ao abandono do que aprisiona a alma. Os principais conceitos constituem o caminho ou procedimento, definitiva e cuidadosamente escolhido, que liberará a alma do mundo das formas e a identificará, antes do mais, consigo mesma, (libertando-a assim do mundo da ilusão) e, em seguida, com o mundo das almas, que é a consciência da Alma Universal.

Não é necessário nos alongarmos aqui sobre a técnica pela qual esta escolha deverá ser feita. O caminho de discriminação, o método da despaixão (imparcialidade) e a disciplina da vida foram simplificados e aclarados pelos ensinamentos destes últimos dois mil anos e pelas numerosas obras escritas que acentuam os ensinamentos do Cristo e do Buda. Desses ensinamentos pode-se fazer uma escolha correta, por meio da justa compreensão e "rejeitar" o que não se deve querer nem desejar. A muitos estudantes sinceros (como aqueles que lerão este tratado) pareceu útil anotar por escrito o que compreendem pelas palavras seguintes:

1- Discriminação,

2- Ausência de paixão,

3-Disciplina,

4- Descentralização.

Seria suficiente uma página para definir cada um destes termos se contivesse verdadeiramente o mais elevado pensamento de cada leitor. Os estudantes compreenderão que ao praticar estas quatro virtudes, principais características de um discípulo, põe-se automaticamente em ação a Lei de Repulsão que, no Caminho da Iniciação, conduz à revelação e realização. A expressão desta Lei no Caminho da Iniciação é muito avançada para aqueles que não estão versados nas discriminações fundamentais e estão ainda longe da despaixão (imparcialidade).

Portanto, será necessário explicar como atua esta lei na vida do iniciado? Creio que não. O discípulo procurará estabelecer, sem paixão, sem dor e sem sofrimento, a distinção que existe entre:

1- O certo e o errado,

2- O bem e o mal,

3- A luz e a treva, entendidas espiritualmente,

4- A prisão e a liberdade,

5- O amor e o ódio,

6- A introversão e a extroversão. Seria conveniente refletir sobre esta dualidade,

7 - A verdade e o falso,

8- O conhecimento místico e o conhecimento ocultista,

9- O eu e o não-eu,

10- A alma e o corpo.

Muitas e muitas outras dualidades se poderiam citar. Depois de se descobrir a existência destes pares de opostos, o discípulo terá como tarefa verificar aquilo que ele não é em qualquer deles. É este caminho central e intermediário que é revelado ao iniciado pelo trabalho da Lei de Repulsão que lhe permite ocultamente "afastar com suas mãos, do seu caminho, aquilo que obstrui e vela o seu caminho central de luz. A segurança para o homem que busca o caminho iluminado não se encontra nem à direita nem à esquerda". Esta frase significa alguma coisa para a maior parte de vós? Procuremos expressar para nós mesmos em palavras as qualificações e nomear esse terceiro caminho central que não é, por exemplo, nem luz, nem trevas, nem amor, nem ódio. Não podemos ver com clareza o que possa ser, nem é isso possível, antes que o maior estímulo liberado em nós no Caminho da Iniciação, tenha efetuado o trabalho designado. Uma ideia certa do que isto significa, ainda que vagamente, aparecerá quando tratarmos da nossa terceira parte.


C- LEI DE REPULSÃO E O PEREGRINO NO CAMINHO DA VIDA

Vamos fundamentar nossos pensamentos sobre as palavras citadas acima:

"A Lei da Repulsão alarga-se em sete direções e obriga tudo que com ela contata a voltar ao seio dos sete Pais espirituais".

Agora abordaremos peremptoriamente o exame do Caminho de Repulsão regido por esta lei que é o caminho ou técnica particular para cada tipo de raio. Ainda que se possa observar que a mesma lei opera em todos os sete casos e em cada uma das sete direções, os resultados, contudo, diferirão, porque a qualidade e a aparência fenomênica sobre as quais a lei da vontade divina efetuará o seu consequente impacto e a sua consequente impressão, diferem de forma considerável. Por conseguinte, a complexidade do problema é grande. Estas sete leis da alma estão por detrás de todas as diversas apresentações da verdade, como as que foram dadas pelos Instrutores mundiais no curso das idades. Requerem, todavia, uma grande percepção espiritual que ajude o discípulo comum a compreender a analogia ou a correspondência das ideias que, por exemplo, vinculam:

1- As bem-aventuranças (enunciadas pelo Cristo) e estas sete leis.

2- Os estágios do Nobre Caminho Óctuplo e as potencialidades da alma.

3- Os oito Meios para o Ioga, ou união da alma, e este setenário de influências.

4- Os dez Mandamentos da religião semítica e estas sete leis espirituais.

Os estudantes terão interesse em comprovar a compreensão sobre as relações esotéricas que existem nestes grupos de ensino, e ver se podem, por si mesmos, reconhecer os significados fundamentais. A título de ilustração e exemplo traçarei ou indicarei a relação existente entre as sete leis e os oito meios para o ioga, porque ela nos elucidará quanto à diferença que existe entre os meios do iogue ou do esoterista comuns, e como podem ser compreendidos pelo discípulo treinado ou o iniciado.

1- Os cinco Mandamentos
O dever universal
A força do Segundo raio A Lei do Impulso Magnético.
Inclusão. Atração.
2- As regras
Para autopreparação
A força do Quarto raio A Lei do Sacrifício.
"Morro diariamente".
3- Postura
Atitude equilibrada para com o mundo.
A força do Sexto raio A Lei do Serviço.
Corretas relações e corretos ideais.
4- Pranayama
A Lei da existência rítmica.
A força do Sétimo raio. A Lei do Progresso Grupal.
A lei do desenvolvimento espiritual.
5- Abstração
Pratyahara.
Retraimento do desejo.
A força do Primeiro raio. A Lei de Repulsão.
O repúdio do desejo.
6- Atenção
Orientação apropriada.
A força do Terceiro raio. A Lei da Ampla Resposta.
7- Meditação
Correta utilização da mente.
A força do Quinto raio. A Lei dos Quatro inferiores.
"A alma está em profunda meditação".
8- Resultado Contemplação. Completo desapego espiritual.

Um estudo atento destas relações dará sugestivas e fundamentais ideias ao discípulo e iluminação ao iniciado. Mas não confundamos iluminação com uma ideia nova e brilhante! É muito diferente disso A diferença é a que existe entre a luz de uma estrela e a luz de um sol que aumenta constantemente. Uma revela a realidade da noite; a outra, o mundo da luz do dia e do Ser consciente.


D- AS SETE DIREÇÕES DA LEI DE REPULSÃO

Deve recordar-se que a Lei de Repulsão, que é a Lei dos Anjos destruidores, atua em sete direções; produz efeitos em sete tipos diferentes de seres e de homens e devido à sua atividade atrai o filho pródigo de volta à casa do Pai. Ela o faz "levantar-se e partir". Mas devemos lembrar-nos que, quando o Cristo relatou esta história, explicou claramente que não houve nenhum impulso para fazer voltar o peregrino ao país longínquo, antes que retomasse a posse de si próprio ou da sua razão, depois da situação resultante de ter saciado os seus desejos numa vida de dissipação. À consequente saciedade e perda de satisfações seguiu-se um período intenso de sofrimento que quebrou a sua vontade de deambular e desejar. Um estudo desta história seria revelador. Em nenhuma Escritura se encontra tão bem tratada a sequência deste acontecimento (ao considerar a existência do peregrino, a sua vida num país longínquo e o seu regresso), e de maneira tão bela e concisa. Tomai a Bíblia e estudai esta história; lede, vós mesmos, o caminho seguido pelo peregrino.

O efeito da Lei de Repulsão atuando no mundo do discípulo, destruindo o que entrava, faz regressar o peregrino rápida e conscientemente ao longo dos sete raios que conduzem ao centro. Isto não se pode detalhar aqui. A nossa tarefa atual é a de percorrer o Caminho Probatório ou do Discipulado e de aprender a disciplina, a despaixão (imparcialidade) e as outras duas necessidades do Caminho - discriminação e descentralização. Não obstante, é possível indicar a meta e assinalar a potencial idade das forças às quais vamos estar submetidos, de maneira crescente, quando entrarmos - como alguns de nós poderá assim fazê-lo no Caminho do Discipulado aceito. Vamos fazê-lo, explicando as sete estâncias que darão uma sugestão da técnica (se o leitor é um aspirante) a que será preciso submeter-se; se o leitor percorreu parte do Caminho, estas estâncias darão uma sequência que, como discípulo com visão espiritual interna, obedecerá, porque já despertou; se é um iniciado, estas estâncias levarão a exclamar:

"Isto eu sei."

A Direção do Raio I

"O jardim está aí revelado. Em ordenada beleza vivem as suas flores e árvores. O zumbido das abelhas e dos insetos, em suas evoluções aladas, ouve-se por todos os lados. O ar está rico de perfume. As cores rivalizavam com o azul do céu ...

O vento de Deus, Seu alento divino varre o jardim... As flores se dobram. Curvadas, as árvores são devastadas pelo vento. À destruição de toda a beleza segue-se a chuva. O céu é negro. Só se veem ruínas. Depois a morte ...

Mais tarde, outro jardim! mas parece estar muito longe no tempo. Invocai um jardineiro. O jardineiro, a alma, responde. Chamai a chuva, o vento, o sol ardente. Invocai o jardineiro. Em seguida deixai que o trabalho prossiga. A destruição precede sempre o reino da beleza. A ruína precede o real. O jardim e o jardineiro devem despertar. O trabalho prossegue."

A Direção do Raio II

"O Sábio conhece a verdade. Tudo lhe é revelado. Rodeado dos seus livros e protegido no mundo do pensamento, escava como uma toupeira o seu caminho na obscuridade; chega ao conhecimento do mundo das coisas naturais. Seu olho está fechado. Os seus olhos estão largamente abertos. Ele habita em seu mundo com profunda satisfação.

De detalhe em detalhe penetra no conteúdo do seu mundo mental. Acumula as pepitas do conhecimento do mundo, como o esquilo guarda as nozes. O armazém está cheio... Repentinamente desce uma enxada, porque o pensador mantém o jardim do seu pensamento e assim destrói as passagens da mente. A ruína chega, destruindo rapidamente o armazém da mente e a segurança adquirida, a obscuridade e o calor de uma busca satisfeita. Tudo foi levado. A luz do verão penetra e os nichos obscuros do mental veem a luz ... Nada mais resta senão a luz que não se pode utilizar. Os olhos estão cegos e o olho único não vê nada ainda...

Lentamente, o olho da sabedoria deve abrir-se. Lentamente o amor foi encontrado, acumulado e utilizado. Ele repele isto e encontra o seu caminho que conduz à Câmara da Sabedoria erigido sobre uma colina e não debaixo da terra. Só o olho aberto pode encontrar este caminho."

A Direção do Raio III

"Rodeado de uma enorme quantidade de fios e enterrado em pilhas de materiais tecidos está sentado o Tecelão. Luz alguma pode entrar onde se encontra. À luz de uma minúscula vela que ele traz à cabeça, vê vagamente. Junta um punhado de fios e depois outro e trata de tecer o tapete dos seus pensamentos, dos seus sonhos e desejos. Os seus pés movem-se firmemente; as suas mãos trabalham com agilidade; a sua voz canta, sem cessar, as palavras: 'Teço o modelo que procuro e gosto. A urdidura e a trama são planejados pelo meu desejo. Junto aqui um fio, ali uma cor; tomo além outro. Misturo as cores e combino os fios. Não posso ainda ver o desenho, mas certamente será de acordo com o meu desejo.'

Ouvem-se vozes fortes e percebe-se um movimento vindo de fora da câmara tenebrosa onde o Tecelão está sentado; crescem em volume e poder. Quebra-se uma janela e, quando o Tecelão grita em alta voz, cego pela luz súbita, a do sol a brilhar sobre o tapete tecido. Assim fica revelada a sua fealdade...

Uma voz exclama: 'Tecelão, olha pela tua janela e observa o original nos céus, o desenho do plano, a cor e a beleza do todo. Destrói o tapete em que trabalhaste durante idades. Não satisfaz as tuas necessidades... Logo, tece de novo, Tecelão. Tece à luz do dia. Tece como vês o plano."

A Direção do Raio IV

"Tomo misturo e combino. Reconcilio ao mesmo tempo aquilo que desejo. Harmonizo o todo". Assim falou o Misturador quando permanecia na sua câmara obscura. 'Compreendo a beleza invisível do mundo. Conheço a cor e o som. Ouço a música das esferas e de nota em nota, de acorde em acorde, comunicam-me os seus pensamentos. As vozes que escuto intrigam-me e atraem-me, e com as origens destes sons procuro trabalhar. Tento pintar e misturar as cores necessárias. Devo criar a música para atrair a mim aqueles que amam os quadros que executo, as cores que misturo, a música que posso evocar. Portanto, eles me quererão e me adorarão...

Mas uma nota de música estridente retumba, um acorde que silenciou o Misturador de doces sons. As suas notas morreram no seio do Som e só o grande acorde de Deus se ouviu. Um fluxo de luz surgiu. As suas cores desvanecem-se. À sua volta só existem trevas inferiores e a luz. que cegava. O seu mundo em ruínas jazia à sua volta. Os seus amigos tinham desaparecido. Em vez de harmonia havia dissonância. Em vez de beleza encontrou as trevas da tumba...

Então, a voz entoou estas palavras: 'Cria de novo, meu filho, constrói, pinta, mistura os tons de beleza, mas desta vez para o mundo e não só, para ti'. O Misturador recomeçou então o seu trabalho e de novo se lançou à sua obra."

A Direção do Raio V

"No fundo do interior de uma pirâmide ladeada por uma estrutura de pedra, na impenetrável obscuridade desse maravilhoso lugar, uma mente e um cérebro - personificados num homem - trabalhavam. Fora da pirâmide estabelecera-se o mundo de Deus. O céu era azul; os ventos sopravam livremente; as árvores e as flores abriam-se ao sol. Mas na pirâmide, em baixo, no seu obscuro laboratório, encontrava-se um Trabalhador em exaustiva atividade. Utilizava com destreza as suas provetas e aparelhos delicados. Fileiras e fileiras de retortas para fundir, misturar cristalizar e para o que procurava dividir, alinhavam-se, com os seus fogos chamejantes. O calor era intenso. A tarefa árdua...

Passagens obscuras, rampas inclinadas, conduziam para cimo. Ali, por uma vasta janela, aberta para o azul do céu, passava um raio de luz até abaixo, onde o trabalhador, nas profundidades, trabalhava... Trabalhava e fatigava-se. Avançava lutando pelo seu sonho, a visão da descoberta final. Às vezes encontrava o que buscava, outras fracassava; mas nunca encontrou desespero, deplorava a Deus que o tinha esquecido: 'Dá-me a chave. Sozinho não posso fazer nada de bom. Dá-me a chave'. Depois remou o silêncio...

Através da abertura do alto da pirâmide, descendo do azul do céu caiu aos pés do trabalhador desalentado uma chave. A chave era de ouro puro; o raio de luz; na chave estava fixa uma etiqueta escrita em azul, onde se liam estas palavras: 'Destrói o que construíste e volta a construir de novo. Mas só construí quando tenhas ascendido pelo caminho que sobe, atravessando a galeria da tribulação e penetrado na luz do interior da câmara do rei. Contruí falando das alturas e assim, mostra o valor das profundidades".

O Trabalhador destruiu então os objetos de seu duro trabalho anterior reservando três tesouros que sabia serem bons e sobre os quais a luz poderia bilhar. Subiu penosamente até à câmara do rei. E ainda continua a lutar."

A Direção do Raio VI

"Amo e vivo e volto a amar", gritou o exaltado Seguidor, cego pelo seu desejo de chegar ao instrutor e à verdade, mas não vendo nada mais do que estava diante dos seus olhos. Levava de cada lado os antolhos de toda a aventura fanática e divina. Somente o túnel longo e estreito constituía a sua casa e o lugar onde realizava o seu elevado esforço. Não tinha espaço Visual, salvo aquele que se lhe apresentava diante dos olhos. Não tinha campo para a vista - nem altura, nem profundidade ou larga extensão. Apenas podia ir numa só direção e por ela arrastando consigo aqueles que lhe perguntavam qual era o caminho. Teve uma visão que variava quando se movia e adquira diversas formas, cada visão era para ele o símbolo dos seus sonhos mais elevados, as culminâncias dos seus desejos.

Precipitou-se através do túnel, procurando o que havia diante dele.

Não viu muito, apenas uma coisa de cada vez - uma pessoa, ou uma verdade, uma bíblia ou uma Imagem de Deus, um apetite, um sonho, mas só uma coisa! Às vezes apanhava nos seus braços a visão que tinha tido e não achava nada. Outras vezes chegava até a pessoa que amava e encontrava em vez da visão de beleza que tinha visualizado, uma pessoa como ele. E assim tentava. Fatigou-se na sua busca; obrigou-se a novos esforços.

A abertura diminuiu a sua luz. Uma persiana pareceu fechar-se. A visão que teve já não brilhava. O Seguidor tropeçou na obscuridade. A vida terminava e o mundo do pensamento estava perdido... Pareceu suspenso. Pendia sem nada debaixo, diante, atrás ou à frente. Para ele já nada existia.

Das profundidades do templo do seu coração ouviu uma Palavra. Soou com clareza e poder. 'Olha profundamente para dentro de ti, à tua volta. A luz está por toda a parte, no seio do teu coração, em Mim, em tudo o que respira, em tudo o que é. Destrói o teu túnel, que construíste durante idades. Permanece livre, protegendo o mundo todo'. O Seguidor contestou: 'Como posso destruir o meu túnel? Como posso encontrar um caminho?' Não teve qualquer resposta...

Um outro peregrino chegou das trevas e às apalpadelas encontrou o Seguidor. 'Guia-me com os outros para a luz', exclamou. O Seguidor não encontrou palavras, nem Guia, nem fórmulas da verdade, nenhuma forma ou cerimônias. Descobriu-se a si mesmo como guia e atraiu os outros, conduzindo-os para a luz - a luz que brilhava por toda a parte. Trabalhou e avançou lutando. A sua mão susteve outros e por eles escondeu a sua vergonha, o seu medo, O seu desespero e desesperança. Proferiu palavras de confiança e fé na vida, na luz e em Deus, no amor e na compreensão...

O seu túnel desapareceu. Não sentiu a sua perda. Na arena do mundo permaneceu com vários companheiros, em plena luz do dia. Na grande distância havia uma montanha azul e do seu cume surgiu uma voz que disse: 'Vem até o alto da montanha e no seu cume aprende a invocação de um Salvador'. Para esta grande tarefa o Seguidor, agora um condutor, dedicou todas as suas energias. Todavia, ainda segue este caminho..."

A Direção do Raio VII

"Debaixo de um arco entre duas salas, o sétimo Mago permanecia de pé. Uma das salas estava cheia de luz, de vida e de poder, de quietude que era propósito, e de uma beleza que era espaço. A outra sala estava cheia de movimento, um som de grande atividade, um caos sem forma, de trabalho que não tinha verdadeiro objetivo. Os olhos do Mago fixaram-se no caos. Não lhe agradou. Nas suas costas estava a sala com intensa calma. Não o sabia. O arco oscilava sobre a sua cabeça...

Desesperado murmurou: 'Durante idades suportei e procurei resolver o problema desta sala; reordenar o caos de forma que resplandecesse a beleza como era meu desejo. Procurei tecer essas cores num sonho de beleza, e harmonizar os diversos sons. A empresa falhou. Só posso ver o meu fracasso. E, contudo, sei que há uma diferença entre o que tenho diante dos olhos e aquilo que começo a sentir às minhas costas. Que devo fazer?'

Então, por cima da cabeça do Mago e exatamente por trás das suas costas, dentro da sala ordenada de beleza, um enorme ímã começou a oscilar... Este fato obrigou o homem a rodar sobre si mesmo, debaixo do arco, e este começou a estremecer, prestes a cair. O ímã fez virar o homem até ficar de frente à cena da sala que antes não tinha visto...

Então, através do centro do seu coração, o ímã emanou a sua força atrativa. O ímã emanou sua força repulsiva. Reduziu o caos até deixar de perceber-se as suas formas. Alguns aspectos de uma beleza não revelada antes, surgiram. E da sala resplandeceu uma luz que pelos seus poderes e sua vida, obrigou o Mago a deslocar-se para a luz e afastar-se do arco perigoso."

Estes são alguns dos pensamentos traduzidos de um antigo pedaço de poesia, que podem lançar alguma luz sobre a dualidade da personalidade e o trabalho que devem realizar os seres que se encontram no setenário dos raios. Sabemos onde nos encontramos? Sabemos o que devemos fazer? Como nos esforçamos por entrar na luz, nenhum preço nos deve parecer elevado de mais para pagar essa revelação.

Vamos estudar uma série de Leis interessantes. Na primeira Lei surgem três ideias principais:

Primeiramente, o Eterno Peregrino, por sua livre e espontânea vontade escolheu "ocultamente" a morte e adotou um corpo ou série de corpos com o fim de ressuscitar ou elevar as vidas da natureza da forma que ele encarnou. Durante este processo ele próprio "morreu", no sentido em que, para uma alma livre são termos sinônimos a morte, o tomar uma forma e sofrer a fusão da vida na forma.

Segundo, ao agir assim, a alma recapitula em pequena escala o que analogamente realizaram e estão realizando o Logos solar e o Logos planetário. Estas grandes Vidas aparecem regidas pelas leis da alma durante os períodos de manifestação, ainda que não estejam governadas pelas leis do mundo natural, como nós o designamos. Suas consciências não se identificam com o mundo dos fenômenos, embora a nossa consciência esteja identificada com este mundo, até o momento em que ficamos sob o controle das mais elevadas leis. Mas é pela "morte" oculta destas grandes Vidas que todas as outras vidas menores têm a oportunidade de viver.

Terceiro, que através da morte leva-se a cabo um grande processo unificador. Na "queda de uma folha" e na sua subsequente identificação com o solo onde caiu, temos uma pequeníssima ilustração deste vasto e eterno processo de união total, mediante o processo de "vir-a-ser", e morrer como um resultado desse "vir-a-ser".

Na Segunda Lei, a unidade que se sacrifica - é influenciada pelo método através do qual esta morte foi produzida. Pelo impacto dos pares de opostos e pelo fato do seu ser estar "pendente" entre os dois, conhece as trevas externas como o Cristo as conheceu na Crucificação, de onde pendia, simbolicamente, entre o céu e a terra, e pela potência das Suas vibrações e magnetismo internos atraiu, e sempre atrairá, os homens para Si. Esta é a primeira grande ideia que surge. A segunda ideia que emerge, refere-se ao equilíbrio das forças que foram dominadas. O símbolo da balança é aqui apropriado, e as três Cruzes no Monte do Gólgota são símbolos desta verdade. Libra governa esta lei e certas forças desta constelação podem ser compreendidas, quando a consciência da alma estiver sob a influência da lei. Estas forças estão em repouso no que respeita à personalidade; o seu efeito não se registra, embora esteja naturalmente presente.

Na Terceira Lei, O Deus que se sacrifica e o Deus das dualidades sob certas influências que produzem efeitos facilmente reconhecidos. Pela sua morte e pela sua vitória sobre os pares de opostos, o discípulo chega a ser tão magnético e vibrante que serve à raça, convertendo-se naquilo que ele sabe que é. Submergido, fisicamente, sob o ângulo da personalidade, nas águas da existência terrena, é, contudo, ao mesmo tempo, consciente - em consciência - de outras condições, do seu propósito essencial de morrer para outras vidas e consciente também do método que deve empregar para atingir, e levar a cabo, o equilíbrio liberador. Quando estas ideias forem dominantes na mente, ele poderá servir aos seus semelhantes. Estas leis só produzem efeito quando emergem na consciência do homem que está ocupado em construir o antahkarana e que pratica a Ciência da União.

Quando a quarta Lei de Repulsão começa a produzir os seus efeitos, o discípulo toma-se consciente do Anjo da Espada Flamejante Que se encontra diante do portal da iniciação. Por este augúrio sabe que pode agora entrar mas, desta vez, não como pobre candidato cego e sim, como um iniciado nos mistérios do mundo. Esta verdade foi resumida num cântico antigo que se costumava ouvir na antecâmara dos Templos. Algumas das palavras podem expressar-se aproximadamente da seguinte forma:

Entra livre quem conheceu os muros da prisão. Entra na luz com os olhos abertos quem durante eons tateou no corredor obscuro. Segue o seu caminho quem permaneceu durante idades ante uma porta hermeticamente fechada.

Enuncia com poder a Palavra que abre de par em par o Portal da Vida. Permanece ante o Anjo e tira-lhe a espada, liberando assim o Anjo para tarefa mais elevada. Agora ele guarda o Lugar Sagrado.

Morreu. Entrou na luta. Aprendeu o caminho do serviço. Agora está diante da porta".

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