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A LUZ DA ALMA - Sua Ciência e Efeito
Os Aforismos de Ioga de Patânjali


LIVRO III

A UNIÃO OBTIDA E SEUS RESULTADOS

a) A meditação e seus estágios
b) Vinte e três resultados da meditação

Tópico: Os poderes da Alma


Livro III - Aforismo 1

1. Concentração é a fixação da chitta (substância mental) sobre um objeto específico. Isto é dharana.

Atingimos agora a parte dos Aforismos da Ioga que tratam especificamente do controle da mente e do efeito deste controle. Os primeiros quinze aforismos tratam do controle da mente e de como obtê-lo e os quarenta restantes dizem respeito aos resultados obtidos depois deste controle ter sido alcançado. Enumeram-se vinte e quatro resultados, e estes seguem todos a linha de expansões de consciência e da demonstração de faculdades psíquicas, tanto inferiores como superiores.

O primeiro passo para obter este desenvolvimento é a concentração, ou a habilidade de manter a mente firme e sem se desviar, sobre o que o aspirante escolher. Este primeiro passo é um dos mais difíceis estágios no processo da meditação e envolve a habilidade contínua e ininterrupta em trazer a mente de volta para o "objeto" sobre o qual o aspirante decidiu concentrar-se. Os estágios da concentração são, por sua vez, bem definidos, e podem ser enunciados como se segue:

1. A escolha de algum "objeto" sobre o qual concentrar-se;

2. A retirada da consciência da mente da periferia do corpo, de modo que as vias de percepção e de contato sejam aquietadas (ou fechadas) e a consciência não mais se dirija para fora;

3. O centrar da consciência, mantendo-a firme, no interior da cabeça, em um ponto na meia distância entre as sobrancelhas;

4. A aplicação da mente, ou a manutenção de uma atenção firme, sobre o objeto escolhido para a concentração;

5. A visualização, a percepção imaginativa e um raciocínio lógico a respeito do objeto;

6. A extensão dos conceitos mentais que foram formados, do particular e específico para o geral e o universal ou cósmico;

7. Uma tentativa para chegar ao que está por trás da forma considerada, ou para alcançar a ideia que é responsável pela forma.

Este processo aumenta gradualmente a consciência e permite que o aspirante chegue ao aspecto-vida da manifestação em vez de chegar ao aspecto-forma. Ele começa, no entanto, com a forma ou "objeto". Os objetos sobre os quais se deve concentrar são de quatro espécies:

1. Objetos externos, tais como imagens de divindades, retratos ou formas da natureza;

2. Objetos internos, tais como centros no corpo etérico;

3. Qualidades, tais como as diversas virtudes, com o propósito de despertar o desejo para a obtenção destas virtudes, incorporando-as assim, à vida pessoal;

4. Conceitos mentais ou as ideias que encarnam os ideais que estão por trás de todas as formas animadas. Estes podem tomar a forma de símbolos ou de palavras.

Em uma das Puranas a ideia encarnada na concentração é expressa de um modo muito belo. Diz-se ao aspirante, após ele ter utilizado os cinco primeiros meios da ioga (tratados no livro II), que ele "deveria apoiar a substância mental sobre algum auspicioso suporte" e esta localização é ilustrada por uma descrição da fixação da atenção sobre uma forma de Deus.

"A forma encarnada do Excelso deixa a pessoa sem desejar qualquer outro suporte. Deve-se compreender que este é a atenção fixa, quando a substância mental é fixada sobre a forma. E o que é esta forma encarnada de Hari sobre a qual se deve refletir, deixa que isto seja executado por ti, ó Regente dos Homens. Não é possível manter a atenção fixa sem ter alguma coisa sobre a qual fixá-la. (Vishnu Purana VI. 7. 75-85)."

Segue-se então uma descrição da forma encarnada do Excelso, terminando com estas palavras:

"... que o iogue reflita sobre Ele; e perdido Nele, concentre sua própria mente até que, Ó Rei, a atenção fixa se mantenha firmemente fixada apenas sobre Ele. Quando faz isto, ou enquanto realiza qualquer outra ação, mas na qual sua mente não se desvie, ele deverá então, considerar esta atenção fixa como sendo perfeita". (Naradiya Purana LXVII. 54.62).

Foi a conscientização da necessidade de "objetos" na concentração que deu origem à exigência de imagens, esculturas sacras e pinturas. Todos estes objetos acarretam o emprego da mente concreta inferior e este é o necessário estágio preliminar. Sua utilização leva a mente a uma condição controlada, de modo a que o aspirante possa levá-la a fazer exatamente o que desejar. Os quatro tipos de objetos mencionados acima levam o aspirante gradualmente para o interior e o capacitam a transferir sua consciência do plano físico para o reino etérico, e daí para o mundo de desejos ou das emoções e assim até o mundo das ideias e conceitos mentais. Este processo, que se realiza no cérebro, leva o homem inferior todo a um estado de atenção coerente dirigida, estando todas as partes de sua natureza dirigidas para a obtenção de uma atenção fixa ou uma concentração de todas as faculdades mentais. A mente, então, não mais vagueia sem firmeza e para o exterior, mas sim, está inteiramente "com a atenção presa". Vivekananda traduz “dharana” como “mantendo a mente fixa num único pensamento por doze segundos”.

Esta clara, dirigida e calma percepção de um objeto sem que nenhum outro objeto ou pensamento penetre na consciência da pessoa, é uma realização muito difícil, e quando pode ser feita durante doze segundos, obtém-se a verdadeira concentração.

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Livro III - Aforismo 2

2. A concentração sustentada (dharana) é meditação (dhyana).

A meditação nada mais é que a extensão da concentração e cresce da facilidade que o homem conquista em fixar sua mente, segundo sua vontade, sobre qualquer objeto. Enquadra-se nas mesmas regras e condições que a concentração e a única distinção entre as duas é o elemento tempo.

Tendo alcançado a capacidade de focalizar a mente firmemente sobre um objeto, o estágio seguinte é desenvolver o poder de manter a substância mental, ou chitta, firmemente ocupada com o objeto ou pensamento, por um período prolongado. A Purana anteriormente citada diz:

"Uma ininterrupta sucessão de ideias apresentadas exclusivamente apenas sobre a Sua forma, sem desejo por qualquer outra coisa, isso, Ó Rei, é contemplação. É obtida por meio dos seis primeiros meios da ioga."

Aqui a palavra contemplação é sinônimo de meditação. Esta meditação é ainda com semente ou objeto.

Dvivedi diz em seu comentário sobre este aforismo:

"... Dhyana é a fixação total da mente no objeto sobre o qual se pensa (até tornar-se una com ele). Na realidade, a mente deveria, nesta ocasião, ser apenas consciente de si mesma e do objeto".

A atitude do homem se torna, exclusivamente, pura atenção fixa; seu corpo físico, suas emoções, ambiente e todos os sons e vistas desaparecem e seu cérebro tem consciência somente do objeto que é o tópico ou semente da meditação e dos pensamentos que a mente está formulando em conexão com aquele objeto.

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Livro III - Aforismo 3

3. Quando a chitta fica absorta naquilo que é a realidade (ou a ideia encarnada na forma) e não têm consciência da separatividade ou do eu pessoal, isto é contemplação ou samadhi.

O modo mais simples para se compreender este aforismo é se conscientizar que cada forma ou objeto é uma vida manifestada, de uma ou outra espécie. Nos estágios iniciais do processo de meditação, o estudante se torna consciente da natureza da forma e de sua relação para com ela. Os dois estados em que ele tem consciência de si mesmo e do objeto de sua meditação são condições inteiramente mentais; elas existem no interior de sua mente.

A esta condição segue-se uma outra em que sua conscientização se desloca para o plano subjetivo e ele se torna consciente da natureza da vida que se está expressando através da forma. Relações qualitativas e subjetivas absorvem sua atenção e o aspecto forma é perdido de vista, mas o sentimento de separatividade ou dualidade persiste. Ele ainda tem consciência de si próprio e do que é o não-eu. Ele tem, no entanto, similaridade de qualidade e de resposta à vibração análoga.

Nos dois estágios de dharana e dhyana, da concentração e da meditação, a mente é o fator importante e é o que as produz, no cérebro. Um grande mestre indu, Kecidhvaja, exprime esta ideia nas seguintes palavras:

"A alma tem os meios. Pensar é o meio. É inanimado. Quando o pensamento concluiu sua tarefa de liberação, realizou o que tinha a fazer e cessa." (Vishnu Purana VI. 7.90).

Esta verdade torna qualquer descrição ou explicação do elevado estado de samadhi, ou contemplação, extremamente difícil, pois palavras e frases nada mais são que o esforço da mente em submeter ao cérebro do eu pessoal aquilo que lhe permitirá apreciar e compreender o processo.

Durante a contemplação o iogue perde de vista:

1. A consciência de seu cérebro ou as percepções do plano físico quanto a tempo e espaço;

2. As reações emocionais em relação ao processo de sua meditação;

3. As atividades mentais, de modo a que todas as "modificações" do processo do pensamento, todas as reações emocionais do veículo mente-desejo (kama-manas) sejam subjugadas e o iogue não tenha consciência delas. No entanto, ele está intensamente vivo e alerta, positivo e desperto, pois o cérebro e a mente são por ele mantidos sob um controle firme e são por ele utilizados sem que possam interferir de qualquer modo.

Literalmente, isto significa que a vida, independente destas formas através das quais o eu real está funcionando, está imóvel, aquietada e subjugada e que o homem real ou espiritual, desperto em seu próprio plano, pode atuar com plena utilização do cérebro, envoltórios e mente do eu inferior, seu veículo ou instrumento. Ele está, pois, centrado em si mesmo, ou no aspecto alma. Todo o sentimento de separatividade ou do eu pessoal inferior desaparece e ele se torna identificado com a alma da forma que foi o objeto de sua meditação.

Não mais obstruído pela substância mental ou pela natureza-desejo, ele "penetra" naquela condição que tem quatro características principais:

1. Absorção na consciência da alma e, portanto, consciência da alma de todas as coisas. A forma não mais é vista e a visão da realidade, velada por todas as formas, é revelada.

2. Libertação dos três mundos da percepção sensorial, de modo a só conhecer e contatar aquilo que está livre da forma, do desejo e da substância mental concreta inferior.

3. Conscientização de unidade com todas as almas, subumanas, humanas e super-humanas. A consciência grupal, de certo modo, exprime esta ideia, exatamente como a consciência separada, ou a compreensão da própria identidade individual, caracteriza a consciência nos três mundos.

4. Iluminação ou percepção do aspecto luz da manifestação. Pela meditação, o iogue sabe ser ele próprio luz, um ponto de essência ardente. Através da facilidade no processo de meditação ele pode focalizar esta luz em qualquer objeto que escolha e colocar-se "em contato" com a luz que o objeto esconde. Sabe então que esta luz é uma, em essência, com o seu próprio centro de luz, e a compreensão, a comunicação e a identificação se tornam então possíveis.

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Livro III - Aforismo 4

4. Quando a concentração, a meditação e a contemplação compõem a sequência de um mesmo ato, então alcança-se sanyama.

Esta é uma ideia muito difícil de se expressar, pois não temos na língua inglesa o equivalente ao termo sânscrito "sanyama". É a síntese dos três estágios do processo de meditação e só possível ao estudante que aprendeu e dominou os três estados do controle da mente. Por este domínio ele terá produzido certos resultados que são os seguintes:

1. Ter-se-á libertado dos três mundos da existência - da mente, da emoção e do plano físico. Eles não mais atraem sua atenção. Ele não está nem concentrado nem absorvido neles.

2. Ele poderá focalizar sua atenção segundo sua vontade e manter sua mente indefinidamente firme, enquanto estiver trabalhando intensamente no mundo mental, se assim escolher.

3. Ele pode polarizar-se ou centrar-se na consciência do ego, alma ou homem espiritual e de si mesmo sabe estar separado da mente, das emoções, dos desejos, sentimentos e forma que constituem o homem inferior.

4. Terá aprendido a reconhecer o homem inferior (a soma total dos estados mentais, das emoções e dos átomos físicos) como apenas instrumento que torna possível sua comunicação voluntária com os três planos inferiores.

5. Ele terá adquirido a faculdade de contemplação ou a atitude da real Identidade para com o reino da alma e pode perscrutar este reino da alma da mesma maneira pela qual o homem pode empregar seus olhos para ver no plano físico.

6. Ele pode transmitir ao cérebro, através da mente controlada, aquilo que vê e pode assim dar conhecimento do eu e de seu reino ao homem no plano físico.

Esta é a meditação perfeitamente concentrada e o poder de assim meditar é chamado sanyama neste aforismo. É a obtenção do poder de meditação que é o objetivo do sistema da Raja Ioga.

Por esta conquista o iogue terá aprendido a diferença entre o objeto e aquilo que o objeto vela ou oculta. Ele aprende a atravessar os véus e a contatar a realidade que está por trás deles. Ele adquire
um conhecimento prático da dualidade.

Há ainda um estado de consciência superior a este, o da conscientização do que é compreendido pelo termo unidade, mas este estado ainda não é o seu. Este é, no entanto, muito elevado, e produz no homem físico efeitos espetaculares e introduz a vários tipos de fenômenos.

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Livro III - Aforismo 5

5. Como um resultado de sanyama vem o brilho da luz.

Há diversos termos empregados aqui pelos diversos comentadores e tradutores e pode ser interessante considerarmos alguns deles, pois das diferentes interpretações obter-se-á um completo entendimento dos termos sânscritos.

Resumindo, a ideia envolve a concepção de que a natureza da alma é luz e que a luz é a grande reveladora. O iogue, através da prática contínua da meditação, alcançou o ponto de onde pode, à sua vontade, dirigir a luz que se irradia de seu próprio ser para qualquer direção e iluminar qualquer coisa. Assim, nada lhe pode ser escondido e todo o conhecimento fica à sua disposição. Este poder, por isso, é assim descrito:

1. Iluminação da percepção. A luz da alma se projeta para fora e o homem no plano físico, em sua consciência cerebral, é assim capacitado a perceber aquilo que estava anteriormente nas trevas e escondido dele. Tecnicamente, o processo pode ser descrito
como se segue:

a) Meditação;

b) Polarização na alma ou consciência agoica;

c) Contemplação, ou lançamento da luz da alma, sobre o que deve ser conhecido ou investigado;

d) Subsequente transmissão ao cérebro do conhecimento adquirido, numa "corrente de iluminação", através do sutratma, o fio da alma, cordão prateado ou elo magnético. Este fio passa pela mente e a ilumina. Os pensamentos gerados pela resposta automática da chita (ou substância mental) ao conhecimento transmitido são então impressos no cérebro e o homem, em sua consciência física, se torna ciente do que a alma conhece. Ele se torna iluminado.

À medida que este processo se torna mais frequente e firme, há uma mudança no homem físico. Ele se torna mais e mais sintonizado com a alma. O elemento tempo na transmissão passa a um segundo plano e a iluminação do campo de conhecimento pela luz da alma e a iluminação do cérebro físico são um acontecimento instantâneo.

A luz na cabeça aumenta em grau correspondente e o terceiro olho se desenvolve e entra em funcionamento. Nos planos astral e mental desenvolve-se um "olho" correspondente e assim o ego ou alma pode iluminar todos os três planos nos três mundos, bem como o reino da alma.

2. Lucidez de consciência. O homem se torna lúcido e tem visão clara. Ele se torna consciente de um crescente poder em si mesmo, que lhe permitirá explicar e resolver todos os problemas, e não somente isto, mas também "fala lucidamente" e vem assim a ser uma das forças de ensinamento do mundo. Todo o conhecimento, conscientemente adquirido pela autoiluminação, deve ser compartilhado e claramente transmitido a outros. Este é o corolário da iluminação.

3. O brilho da visão interna. Isto permite que o problema seja examinado por um novo ângulo, e muito importante. É a definição da capacidade de se ver "o interior da forma" para chegar à realidade subjetiva que fez do envoltório objetivo o que ele é. Esta visão interna é mais do que entendimento, simpatia ou compreensão. Estes últimos nada mais são que o efeito daquela. É a capacidade de atravessar todas as formas para chegar ao que elas velam, porque aquela realidade é idêntica à realidade no próprio ser.

4. A iluminação do intelecto. A menos que a mente ou o intelecto possa abarcar e transmitir o que a alma conhece, os mistérios permanecerão inexplicáveis ao cérebro físico e o conhecimento possuído pela alma permanecerá apenas uma bela mas inatingível visão. Uma vez, porém, que o intelecto seja iluminado, ele pode transmitir ao cérebro e impressionar nele, aquelas coisas ocultas que apenas os filhos de Deus, em seu próprio plano, conhecem. Daí a necessidade da Raja Ioga, ou ciência da união através do controle e do desenvolvimento da mente.

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Livro III - Aforismo 6

6. Esta iluminação é gradual; desenvolve-se estágio por estágio.

A natureza evolutiva de todo crescimento e desenvolvimento é aqui tratada e lembra-se ao aspirante que nada é conseguido de uma só vez, e sim, como resultado de um longo e contínuo esforço.

Uma coisa que todos os aspirantes aos mistérios devem recordar é que o crescimento gradual e relativamente lento é o método de todo processo natural e que o desabrochar da alma nada mais é que um dos grandes processos da natureza. Tudo o que o aspirante tem a fazer é prover as condições corretas. O crescimento então se dará normalmente por si mesmo. A perseverança firme, o esforço paciente, a conquista de um pouco cada dia, são de mais valor para o aspirante que a desabalada corrida para frente e o empreendimento entusiástico da pessoa emocional e temperamental. O desenvolvimento indevidamente forçado de uma pessoa traz consigo certos e bem definidos perigos específicos. Estes são evitados quando o estudante compreende que o caminho é longo e que uma compreensão inteligente de cada estágio do caminho lhe é de mais utilidade que os resultados obtidos para um despertar prematuro da natureza psíquica. A recomendação de crescer tal como cresce a flor, leva consigo uma tremenda verdade oculta. Há uma recomendação no Ecc. VI1.16, que contém este pensamento. "Não sejas demasiadamente justo... por que te destruirias a ti mesmo?"

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Livro III - Aforismo 7

7. Estes três últimos meios da Ioga têm um efeito subjetivo mais íntimo que os anteriores.

Os cinco primeiros meios da ioga têm como objetivo primário a preparação do futuro iogue. Pelo acatamento aos Mandamentos e às Regras, ao se conseguir realizar as posturas e pelo controle rítmico das energias do corpo e pelo poder de recolher a consciência e centrá-la na cabeça, o aspirante fica habilitado a gozar de todas as vantagens dos poderes de concentração, meditação e contemplação, e de cultivá-los com segurança.

Tendo estabelecido contato com o subjetivo em si próprio e tornando-se consciente daquilo que é interno, ele pode começar a trabalhar com os meios internos, interiores e íntimos.

Todos os oito meios da ioga apenas preparam o homem para o estado de consciência espiritual que transcende o pensamento, que está separado de qualquer semente de pensamento, que é sem forma e que só pode ser descrito (e assim mesmo inadequadamente) por termos tais como unificação, conscientização, identificação, consciência nirvânica etc.

É inútil para o neófito tentar compreender antes de ter desenvolvido o instrumento interno para a compreensão; de nada adianta para o homem do mundo questionar e procurar que lhe mostrem, a menos que ao mesmo tempo ele esteja disposto (como no estudo de qualquer ciência) a aprender o A.B.C. e a se diplomar na técnica.

Johnston, em seu comentário, diz:

“... os meios do crescimento anteriormente descritos tinham a ver com a retirada do homem espiritual das cadeias psíquicas e dos véus; enquanto que este tríplice poder é para ser exercido pelo homem espiritual assim liberto e permanecendo sobre seus pés, vendo a vida com os olhos abertos."

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Livro III - Aforismo 8

8. Mesmo estes três, contudo, são exteriores à verdadeira meditação sem semente (ou sarnadhi) que não se baseia em objeto algum. Ela está livre dos efeitos da natureza discriminativa da chitta (ou substância mental).

Em todos os estágios anteriores o pensador esteve consciente, tanto de si próprio, o conhecedor, como do campo de conhecimento. Nos primeiros estágios ele tinha consciência da triplicidade, pois o instrumento do conhecimento era também reconhecido, para ser posteriormente transcendido e esquecido. Agora vem o estágio final, o objeto de todas as práticas de onde a unidade é conhecida e até a dualidade é vista como sendo uma limitação. Nada permanece a não ser a consciência do eu, daquele oniciente, onipotente conhecedor que é uno com o TODO; e cuja própria natureza é consciência e energia. Como foi muito bem dito:

"Há, portanto, esses dois tipos de percepção: A das coisas vivas e a da Vida; a dos trabalhos da alma e da própria alma".

O expositor da ioga está agora desejoso de descrever os resultados da meditação (alguns segundo a linha do psiquismo superior e outros segundo a linha do inferior); os próximos sete aforismos, portanto, tratam da natureza dos objetos vistos e do controle da mente à medida que o homem real procura focalizar o raio iluminativo de sua mente sobre eles.

Ao estudar estes resultados da meditação no reino psíquico, deve-se ter em mente que os oito meios da ioga produzem efeitos definidos sobre a natureza inferior e que isto provoca certos desabrochamentos e experiências; estas colocam o aspirante em uma relação mais consciente com os planos interiores nos três mundos. Este é um processo seguro e necessário desde que seja o resultado do despertar do homem em seu próprio plano e da focalização do olho da alma nesses planos, através da mente e do terceiro olho. A presença do poder psíquico inferior pode, contudo, significar que a alma (do ponto de vista do plano físico) está adormecida e sem capacidade para utilizar seu instrumento e que estas experiências são, portanto, apenas o resultado da atividade do plexo solar, produzindo a consciência do plano astral. Este tipo de psiquismo é uma reversão ao estado animal e ao estágio da infância da raça humana. É indesejável e perigoso.

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Livro III - Aforismo 9

9. A sequencia dos estados mentais é a seguinte: A mente reage ao que é visto; segue-se então o momento do controle da mente. Vem a seguir um momento em que a chitta (substância mental) responde a ambos estes fatores. Estes finalmente passam e a consciência percebedora tem completo controle.

Se o estudante ler qualquer das traduções dos aforismos, verificará que estes têm diversas traduções e que a maioria delas é muito ambígua. Pode-se ilustrar este ponto citando-se a tradução de Tatya:

"Das duas cadeias de pensamento autorreproduzíveis resultantes de Vyutthana e de Nirodha (respectivamente), quando o primeiro é subjugado e o segundo manifestado e, no momento da manifestação, o órgão interno (Chitta) está envolvido em ambas as cadeias, então estas modificações do órgão interno são a modificação na forma de Nirodha."

As outras são ainda mais vagas, exceto a tradução feita por Johnston. Ele nos dá o seguinte, que lança muita luz sobre o pensamento envolvido:

"O desenvolvimento do controle está fora dos graus ascendentes. Primeiro vem o sobrepujar da impressão mental da excitação. A seguir vem a manifestação do controle da impressão mental.
A seguir a consciência perceptora se segue ao momento de controle. Este é o desenvolvimento do controle".

Talvez o meio mais simples para se compreender este pensamento seja conscientizar que o homem, em seu cérebro físico, tem consciência de três fatores quando tentar meditar:

1. Ele tem consciência do objeto de sua meditação. Isto excita ou impressiona sua mente e coloca em atividade as "modificações do princípio pensante", ou estimula a tendência da mente em criar pensamentos-forma e põe chitta, ou a substância mental, nas formas correspondentes ao objeto visto.

2. Ele se torna então consciente da necessidade de subjugar esta tendência e assim põe em ação a vontade e firma e controla a substância mental, de modo que ela cessa de se modificar e tomar forma.

Por meio de perseverante e contínuo esforço, a natureza sequencial destes dois estados de consciência é gradativamente evidenciada e com o tempo eles se tornam simultâneos. O reconhecimento de um objeto e o imediato controle da resposta da chitta se dão como o clarão de um relâmpago. Este é o estado que é tecnicamente chamado "nirodha". Deve ser lembrado que (como diz Vivekananda):

"Se houver uma modificação que faça a mente se lançar para o exterior através dos sentidos e o iogue a procurar controlá-la, este próprio controle é em si mesmo uma modificação."

A impressão da vontade sobre a mente fará naturalmente com que esta assuma a forma que a controla e seja lançada a uma modificação, dependente principalmente do ponto de evolução que o aspirante alcançou, da tendência de seu pensamento diário e da extensão de seu contacto egoico. Esta não é a verdadeira e mais elevada forma de contemplação. É apenas um dos estágios iniciais, mas é muito mais elevada que a concentração e a meditação com semente, como normalmente compreendidas, pois é inevitavelmente seguida pelo terceiro estágio que é de grande interesse.

3. Ele sai então subitamente do estado inferior da consciência e se conscientiza de sua identidade com o percebedor, com o pensador em seu próprio plano, e porque a mente está controlada e o objeto visto não provoca respostas, a verdadeira identidade é capaz de perceber o que estivera velado até então.

Deve ficar claro, no entanto, que o percebedor em seu próprio plano sempre esteve consciente daquilo que é agora reconhecido. A diferença está no fato de que o instrumento, a mente, está agora num estado controlado, sendo assim possível ao pensador impressionar o cérebro, por intermédio da mente controlada, com o que foi percebido. O homem no plano físico também percebe simultaneamente, e a verdadeira meditação e contemplação se tornam possíveis pela primeira vez. No princípio isto se dará apenas durante um breve segundo. Um clarão de percepção intuitiva, um momento de visão e de iluminação, e tudo se foi. A mente começa novamente a se modificar e é lançada em atividade, perde-se de vista a visão, o elevado momento passou e a porta para o reino da alma parece fechar-se subitamente. Mas ganhou-se a segurança; um vislumbre da realidade foi registrado no cérebro e reconhece-se a garantia de futuras conquistas.

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Livro III - Aforismo 10

10. Pelo cultivo deste hábito da mente obter-se-á uma continuidade de percepção espiritual.

O ponto de equilíbrio entre a excitação da mente e o controle pode ser conseguido com maior frequência pela constante repetição, até se adquirir o hábito de se estabilizar a mente. Quando isto é conseguido, acontecem duas coisas:

1. Um instantâneo controle da mente pela vontade, produzindo:

a. Uma mente calma, livre de pensamentos-forma;
b. Um cérebro quiescente e que responde.

2. Uma descida da consciência do percebedor, a alma, até o cérebro físico.

Isto se torna cada vez mais claro, mais informativo e menos interrompido com o passar do tempo, até que se estabelece uma resposta rítmica entre a alma e o homem do plano físico. A mente e o cérebro são completamente subjugados pela alma.

Deve-se lembrar aqui que esta condição da mente e do cérebro é uma condição positiva e não um estado negativo.

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Livro III - Aforismo 11

11. O estabelecimento deste hábito e o controle da tendência da mente em construir pensamentos-forma resultam, finalmente, em um constante poder de contemplação.

Pouco é necessário dizer na explicação deste aforismo, devido à sua clareza. É como que um resumo dos aforismos precedentes.

A ideia transmitida é a da obtenção de um constante estado de meditação. Embora sejam de grande valor os períodos em que definidos trabalhos sejam realizados em certas horas específicas e determinadas, especialmente nos estágios iniciais do desabrochar da alma, a condição ideal é estar num estado de conscientização durante o dia inteiro, todos os dias. A capacidade de recorrer aos recursos do ego quando assim se queira, o constante reconhecimento de que se é um filho de Deus encarnado no plano físico e a habilidade em atrair, quando necessário, o poder e a força da alma, são algo que finalmente será conseguido por todos os aspirantes. Em primeiro lugar, no entanto, tem que ser criado o hábito da recordação, e a capacidade de restringir instantaneamente as modificações do princípio pensante tem que preceder este desejável estado de ser.

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Livro III - Aforismo 12

12. Quando o controle da mente e o fator de controle estão igualmente equilibrados, segue-se uma condição de unidirecionalidade do pensamento.

É difícil explicar com clareza o termo sânscrito empregado. Termos tais como pensamento dirigido de intento único, fixo, sintetizado, concentração aperfeiçoada, dão, todos eles, uma ideia da condição da mente em consideração.

O aspirante está agora deliberadamente inconsciente em relação a todos os estados de consciência dos três mundos. Sua atenção está focalizada sobre um objeto específico, e primariamente sobre a realidade ou vida subjetiva, velada pela forma do objeto. Do mesmo modo está inconsciente de si próprio, o pensador ou conhecedor, e apenas o que está contemplado é conscientizado no verdadeiro sentido do termo. Este é o aspecto negativo.

Deve ser recordado, contudo, que este é um estado mental muito ativo, pois a consciência que percebe tem ciência do objeto de um modo muito compreensivo. A soma de suas qualidades, aspectos e vibrações lhe é revelada, assim como a energia central essencial trouxe à manifestação aquele objeto particular. Isto é revelado pela luz iluminadora da mente ao ser firmemente dirigida sobre o objeto. A consciência que percebe também está ciente de sua identificação com a realidade por trás da forma. Esta é a verdadeira conscientização ocultista, mas não é tanto a conscientização do objeto como a conscientização da unidade com ele, ou a identificação com a vida que ele vela.

Isto é em si uma condição dual, mas não no sentido comumente aceito. Há, contudo, um estado ainda mais elevado de consciência quando se conscientiza a unidade da vida em todas as formas e não somente da unidade com a vida de um objeto específico.

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Livro III - Aforismo 13

13. Através deste processo, os aspectos de cada objeto são conhecidos, suas características (ou formas), sua natureza simbólica e utilização específica em condições temporais (estágio de desenvolvimento) são conhecidas e trazidas à consciência.

Deve-se ter em mente que cada forma de manifestação divina tem três aspectos e, portanto é verdadeiramente feita à imagem de Deus com todas as potencialidades divinas. No reino humano isto é reconhecido. É igualmente verdadeiro para todas as formas. Esta tríplice natureza é abarcada pelo iogue verdadeiramente concentrado e as três são vistas como existem e, apesar disto, são reconhecidas como constituindo um todo. Em seu comentário Johnston nos dá uma imagem das ideias envolvidas, nas seguintes palavras:

"... nós obtemos um duplo enfoque destes objetos, vendo ao mesmo tempo todas as suas características individuais, seu caráter essencial, espécie e gênero; nós o vemos em relação a si próprio e em relação ao Eterno."

De um modo curioso estes aspectos abrangem os três aspectos da equação do tempo ou da relação do objeto para com seu ambiente.

1. Características da forma. Nesta frase veem-se os aspectos tangíveis externos da forma. Tratou-se do lado matéria da ideia manifestada, e o que pode ser contatado por meio dos sentidos é em primeiro lugar considerado e, a seguir, abandonado. Esta forma é o resultado do passado e as limitações devidas ao ponto da evolução são reconhecidas. Cada forma carrega em si própria a evidência dos ciclos anteriores e isto pode ser visto:

a. Em seu ritmo vibratório.
b. Com relação à natureza de seu ritmo.
c. Na quantidade de luz que permite manifestar.
d. Em sua cor oculta.

2. Natureza simbólica. Cada objeto nada mais é que o símbolo de uma realidade. A diferença no desenvolvimento das formas que simbolizam ou encarnam aquela realidade é a garantia de que, em alguma data futura, todos os símbolos alcançarão a frutificação de sua missão. Um símbolo é uma ideia encarnada, a realização em existência objetiva, de alguma vida. Este é o aspecto consciência e duas grandes revelações estão latentes em cada símbolo ou forma.

a. A revelação da consciência plena, ou o jorrar dessa resposta ao contacto ainda potencial ou que ainda difere em todas as formas, mas que pode ser, e será, levado adiante até a plenitude da percepção.

b. A revelação daquilo que o aspecto consciência (o segundo aspecto), por sua vez, encobre. O desvelamento da alma leva à manifestação da vida una. A manifestação do Filho de Deus leva a um conhecimento do Pai. O brilho do Eu Superior, por meio do eu inferior, produz a revelação do eu divino ou espiritual. A matriz contém o diamante e quando ela revela sua joia escondida e o trabalho de corte e lapidação está concluído, a glória da joia é vista. Quando a planta do lótus cresce até a maturidade, a flor aparece e no centro de suas pétalas a "Joia no Lótus" (Om mani padme hum) pode ser vista.

Este aspecto simbólico das formas é verdadeiro em tudo e quer seja o símbolo o átomo de substância, o mineral, ou uma árvore, um animal ou a "forma do Filho de Deus", a joia do primeiro aspecto será encontrada escondida. Tornará sua presença conhecida através da qualidade da consciência em um ou outro de seus diversos estados.

3. Utilização específica em condições temporais. À medida que o iogue se concentra unicamente sobre a forma, ou objeto, medita sobre sua qualidade (o aspecto subjetivo ou natureza simbólica) e contempla a vida velada pela forma, mas atestada pelo fator consciência, torna-se consciente do estado atual de desenvolvimento e assim o futuro, o passado e o presente são revelados à sua intuição.

Fica então aparente, mesmo ao leitor casual, que se a meditação em seus três estágios acima mencionados for levada adiante corretamente, tornar-se-á possível ao iogue todo o conhecimento, o Eterno Agora será um fato realizado da natureza e a cooperação inteligente com o plano evolutivo se tornará possível. O Serviço baseia-se, então, na compreensão total.

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Livro III - Aforismo 14

14. As características de cada objeto ou são adquiridas, ou em manifestação, ou latentes.

Praticamente a ideia tratada neste aforismo é a mesma tratada no aforismo anterior. No tempo e no espaço todas as características têm valores relativos. A meta é uma; a origem é uma, mas devido aos diferentes ritmos de vibração dos sete grandes sopros ou jorros de energia divina, toda a vida nascida sobre ela difere e é característica. O estágio de desenvolvimento dos Sete Senhores dos Raios não é igual. O desenvolvimento da vida dos vários Logos planetários ou dos sete Espíritos diante do Trono de Deus, não é uniforme e os átomos em Seus corpos, ou as mônadas que constituem Seus veículos, não têm, portanto, o mesmo desenvolvimento.

Este é um assunto extenso e pode ser apenas citado, aqui. Os estudantes verificarão que será interessante pesquisar as informações dadas em diferentes apresentações da verdade una, a respeito das grandes Vidas em quem nós "vivemos, nos movemos e temos o nosso ser". Podem ser estudadas sob os seguintes nomes:

1. Os sete Raios
2. Os sete Espíritos ante o Trono
3. Os sete Logos Planetários
4. Os sete grandes Senhores
5. Os sete Eons
6. As sete Emanações
7. Os sete Prajapatis,
e sob outros nomes menos conhecidos, e obter-se-á muita luz.

Na forma característica (levando em consideração seu ponto específico de desenvolvimento e sua falta de desenvolvimento) revela-se ao conhecedor:

a. A soma total do que se obtiver. O que o passado deu. Este é o acorde completo que a alma do objeto é então, capaz de emitir.

b. A faixa especial de qualidades, em relação à aquisição total, que a vida está manifestando através de qualquer forma específica. Esta é a nota atual, do acorde obtido, que a alma do objeto selecionou para emitir.

c. Aquilo que é latente e possível. Este conhecimento é duplo, revelando em primeiro lugar as possibilidades latentes que podem ser desenvolvidas por meio da forma em pauta e, em segundo lugar, as possibilidades latentes que podem ser desenvolvidas no atual ciclo mundial através de várias formas. Isto abrange o desenvolvi mento futuro. Isto dará ao iogue o acorde completo quando o grande ciclo evolutivo se tiver completado.

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Livro III - Aforismo 15

15. O estágio de desenvolvimento é responsável pelas várias modificações da versátil natureza psíquica e do princípio pensante.

Esta é uma interpretação muito geral da ideia envolvida e é basicamente um resumo (ou uma reunião) das ideias bastante complicadas do texto. Os aforismos seguintes (no restante do Livro III) tratam dos resultados da meditação. Os aforismos precedentes levaram em consideração os empecilhos e dificuldades que têm de ser ultrapassados antes que a verdadeira meditação seja possível. A chave para se ultrapassar e a diferença entre os aspirantes no Caminho são mostradas neste aforismo. A verificação da posição aproximada de cada um, na escala evolutiva, a somação de todos os prós e contras é uma das mais úteis atividades a que o futuro aspirante se pode dedicar. Uma compreensão do estágio alcançado e do próximo passo a ser dado é essencial a todo o verdadeiro progresso.

Johnson traduz este aforismo com as seguintes palavras:

"A diferença em estágio produz diferença no desenvolvimento", e continua, para dizer: "O primeiro estágio é a jovem árvore, o casulo da borboleta, o animal. O segundo estágio é o da árvore em crescimento, a crisálida, o homem. O terceiro é o esplêndido pinheiro, a borboleta, o anjo ... "

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Livro III - Aforismo 16

16. Pela meditação concentrada sobre a tríplice natureza de cada forma obtém-se a revelação do que foi e do que virá a ser.

O aforismo que estamos considerando engloba as ideias precedentes e é interessante notar como o primeiro grande resultado da meditação leva a pessoa de volta aos verdadeiros fatos concernentes à manifestação divina e dá ênfase aos três aspectos dos quais toda a vida (do átomo de substância ao Logos solar) se expressa. A grande Lei de Causa e Efeito e todo o processo evolutivo de desenvolvimento são reconhecidos e vê-se que o que é, é resultado do que foi. De maneira semelhante reconhece-se o que posteriormente será e a resultante das causas postas em movimento no presente, e assim vê-se que o ciclo de desenvolvimento é um processo que existe em três estágios.

Estes três estágios nos três reinos do desenvolvimento humano correspondem às três dimensões e os estudantes verão que é interessante considerar estas analogias das diferentes triplicidades, lembrando-se que o terceiro aspecto (substância inteligente), os aspectos Espírito Santo ou Brahma, correspondem ao passado (daí uma indicação quanto à natureza do mal). O segundo aspecto (consciência) ou os aspectos Crístico ou Vishnu dizem respeito ao presente, enquanto que apenas o futuro revelará a natureza do espírito, o mais elevado aspecto, ou o do Pai. Esta linha de pensamento tornar-se-á clara através da meditação concentrada e se desenvolverá um sentimento de proporção e dos justos valores em relação ao ponto atual. Desenvolver-se-á também um reconhecimento da relação de todas as vidas umas para com as outras e a vida do aspirante será estabilizada e ajustada de modo a que o carma passado seja ajustado e qualquer possível carma futuro seja anulado e o processo de libertação prossiga com rapidez.

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Livro III - Aforismo 17

17. O som (ou palavra), aquilo que ele indica (o objeto) e a essência espiritual incorporada (ou ideia) são normalmente confundidos na mente do percebedor. Pela meditação concentrada sobre estes três aspectos, obtém-se uma compreensão intuitiva do som emitido por todas as formas de vida.

Este é um dos mais importantes aforismos no livro e contém a chave para o objetivo de todo o processo meditativo. Isto é: revelar ou desvelar ao percebedor, ou homem espiritual, a verdadeira natureza do ego, o segundo aspecto, e a correspondência ao segundo aspecto em todas as formas de vida subumana, bem como, colocá-lo em relação com o segundo aspecto em todas as formas super-humanas. Concerne, portanto, ao lado subjetivo de toda a manifestação e trata com as forças que constituem em cada forma o aspecto consciência, que diz respeito ao princípio Crístico ou búdico e que são a causa direta da manifestação objetiva e da revelação do espírito por meio da forma.

Este é o AUM. Primeiro o sopro, a seguir a palavra e tudo o que é, apareceu.

Apenas enquanto a grande Existência que é a soma total de todas as formas e de todos os estados de consciência continuar a emitir o som cósmico AUM, persistirá tangível o sistema solar objetivo.

Os sinônimos seguintes em conexão com este aforismo devem ser mantidos em mente se se quiser obter clareza de pensamento:

I. Essência Espiritual II. Som ou Palavra III. Objeto
1. Espírito 1. Alma 1. Corpo
2. Alma 2. Psique 2. Forma
3. O Pai. Shiva 3. O Filho. Vishunu 3. O Espírito Santo. Brahma
4. A Mônada. O Uno 4. O Cristo cósmico 4. O veículo da vida e da encarnação
5. A eterna Vontade ou Propósito 5. Eterno Amor-Sabedoria 5. Atividade e inteligência eternas
6. O Sagrado Sopro Uno 6. O AUM 6. Os mundos
7. Vida 7. Aspecto Consciência 7. Aspecto atividade
8. Energia sintetizador 8. Força Atrativa 8. Matéria
9. Primeiro aspecto 9. Segundo aspecto 9. Terceiro aspecto

Na mente do homem estes três aspectos são confundidos e o que é externo (ou voltado para o exterior) e objetivo é encarnado como realidade. Esta é a grande maya ou ilusão e só pode ser dissipada quando aquele que percebe pode distinguir os três grandes aspectos em cada forma, inclusive a sua própria. Quando o segundo aspecto, a alma, o princípio do meio, ou mediador, é conhecido, a natureza da forma também é conhecida e pode-se inferir a natureza essencial do espírito. O campo imediato de conhecimento que o iogue tem que dominar é o do segundo aspecto. Ele deve chegar ao Som ou Palavra que levou à manifestação cada forma e que é o resultado do sopro, a essência, ou espírito.

"No início era a Palavra e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele... (João I. 1 :2)

Aqui, na Bíblia Cristã, está a substância de todo o ensinamento, e na significação das letras da Palavra Sagrada, AUM, está a chave para todo o processo cósmico. O processo de meditação, quando devida e corretamente realizada, revela, portanto, o segundo aspecto ou alma, e o Som, ou a Palavra (a Voz do Silêncio) pode então ser ouvida.

Uma vez ouvida e sendo o trabalho levado firmemente para diante, o reino da consciência é revelado e o iogue põe-se em relação com o segundo aspecto de sua própria natureza e com o segundo aspecto de cada forma. Esta é a base de toda a ciência da alma e leva um homem a conhecer sua própria alma, ou psique, e a psique em cada forma de vida divina. É a base de toda a ciência do psiquismo, tanto em seu aspecto superior como no inferior.

Quando o homem é um psíquico inferior ele tem consciência e responde ao aspecto alma das formas materiais e o terceiro aspecto, ou Brahma, é o dominante, pois cada átomo de matéria tem uma alma. Isto diz respeito a tudo o que é subumano.

Quando ele responde a uma correspondência mais elevada que esta, à realidade da qual o inferior nada mais é que uma sombra, ele entra em contacto com a consciência Crística, com a alma de seu ser que é uma com a alma em todos os reinos super-humanos.

Duas coisas devem ser lembradas em relação a isto. Se ele é um psíquico inferior, está em contacto com o segundo aspecto do homem inferior, o corpo astral, o princípio mediano que une o corpo mental ao etérico no homem inferior. Ele está, portanto, em relacionamento com tudo o que pode ser contatado naquele plano.

Se, porém, ele for um psíquico superior, estará em relação com o segundo aspecto da manifestação divina, o ego ou alma, em seu próprio plano, mediando entre, e unindo, a mônada com a personalidade, o espírito com o corpo.

É interessante notar aqui que se pode encontrar uma indicação para esta verdade nas manifestações do psiquismo inferior, como as sessões mediúnicas comuns e no tipo comum de espiritismo. O contacto com o plano astral é feito através do grande centro, o plexo solar, que une os três centros superiores aos inferiores. Explica o fato de serem as flores um acontecimento tão comum nas sessões de materialização, pois o reino vegetal é o reino do meio dos três reinos subumanos: mineral, vegetal, animal. A explicação para o maior número de guias hindus é também encontrada aqui, pois eles são os invólucro e as poderosas formas de pensamento deixadas pela segunda das três raças exclusivamente humanas: lemuriana, atlante e ariana. Não há mais invólucros ou formas de pensamento lemurianas, mas ainda há muitos invólucros atlantes preservados pela utilização de certas formas de magia atlante.

Pela meditação concentrada sobre a distinção entre estes aspectos a Voz do Silêncio finalmente será ouvida e se obterá o contacto com o segundo aspecto do próprio homem. Ele conhecerá a si mesmo como a "Palavra feita carne" e se reconhecerá como AUM.

Quando este for o caso, ele ouvirá então a palavra em outras unidades da família humana e despertará para um reconhecimento do som, emitido por todas as formas em todos os reinos da natureza. O reino da alma permanecerá aberto para ele e isto, quando incluir o reconhecimento do som em todos os quatro reinos, levá-lo-á a reconhecer-se como um Mestre. O conhecimento da alma e o poder de trabalhar com a alma de todas as coisas nos três mundos é a marca distintiva do Adepto.

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Livro III - Aforismo 18

18. O conhecimento de prévias encarnações torna-se possível quando se adquire o poder de ver imagens-pensamento.

O significado deste aforismo é muito importante, pois dá a base para se recuperar o conhecimento de experiências passadas. Esta base é estritamente mental e somente os mentalmente polarizados e com a mente sob controle podem recuperar este conhecimento se assim o desejarem. O poder de se ver imagens-pensamento só é obtido pelo controle da mente e a mente só pode ser controlada pelo homem real ou espiritual. Assim, apenas as pessoas egoicamente centradas (ou centralizadas) podem verdadeiramente adquirir este conhecimento. Pode-se então perguntar o que veem as pessoas que são emocionais e não mentais, quando afirmam saber Quem são e relatam vidas passadas de seus amigos? Eles estão lendo os registros akáshicos e por não serem adequados os seus controles e equipamentos mentais, não podem discriminar nem se certificar do que veem.

O registro akáshico é como um imenso filme fotográfico, registrando todos os desejos e experiências terrestres de nosso planeta. Aqueles que percebem verão ai í registrados:

1. As experiências da vida de cada ser humano, desde o início dos tempos.

2. As reações à experiência de todo o reino animal. O agregado de formas de pensamento de natureza kâmica (baseados no desejo) de cada unidade humana através dos tempos. Aqui jaz a grande falha dos registros. Somente o ocultista treinado pode distinguir entre uma experiência atual (ou real) e as figuras astrais criadas pela imaginação e pelo intenso desejo.

4. O "Morador do Umbral" planetário com tudo o que diz respeito a este termo e todos os agregados de formas que se encontram em seus arredores.

O vidente adestrado aprendeu a separar, da aura do planeta (que é na realidade o registro akáshico), o que pertence à sua própria aura. Ele pode distinguir entre os registros que são:

a. Planetários.
b. Hierárquicos, ou pertencentes ao trabalho das doze Hierarquias Criativas, à medida que levam à realização o plano dos Logos.
c. Formas imaginativas, resultantes da atividade desejo-pensamento de miríades de homens, animados pelo desejo de uma ou outra forma de experiência.
d. O registro histórico das raças, nações, grupos e famílias, em suas duas grandes divisões, nos planos físico e astral.

Deve-se ter em mente que todo ser humano pertence a uma família física que constitui seu elo de ligação com o reino animal e pertence também a uma família astral. Através desta afiliação, no arco ascendente ele está ligado ao seu grupo egoico e, no arco descendente, ao reino vegetal.

e. O registro astrológico, ou as formas assumidas no plano astral sob a influência das forças planetárias. Estas se dividem em dois grandes grupos:

1. As formas ou figuras no akasha, produzidas pelo influxo da força solar através dos planetas.
2. As formas ou figuras produzidas pelo influxo de forças cósmicas de um ou outro dos signos do zodíaco, isto é, de suas correspondentes constelações.

Enumeram-se estes pontos para mostrar ser praticamente impossível a veracidade da maioria das afirmações em relação a encarnações passadas. Estas são resultantes de uma vívida imaginação e da suposição de que os rasgos de visão astral revelando vislumbres do filme akásico pertençam à vida daquele que os teve. Seria o mesmo que supor que a visão obtida da janela de qualquer grande cidade revelasse ao observador seus próprios parentes, amigos e negócios.

Obtém-se o conhecimento a que este aforismo se refere, de três maneiras:

1. Pela habilidade em ver diretamente os registros, se assim desejado. Esta forma de obter conhecimento raras vezes é empregada, a não ser por iniciados e adeptos em relação a seus discípulos aceitos.

2. Pelo conhecimento direto das atividades grupais e das relações do próprio ego do homem. Isto, contudo, cobre apenas o ciclo do tempo que se iniciou quando o homem começou a percorrer o caminho probatório. As experiências anteriores a este período têm a mesma importância vital que teria um segundo na vida de um homem idoso que começasse a se recordar de sua longa vida. Tudo o que sobressai são os eventos e acontecimentos e não as horas e segundos individuais.

3. Através da vida instintiva. Isto se baseia na memória, na faculdade adquirida, na capacidade e na possessão das qualidades que formam o equipamento do ego. O ego sabe que o poder de fazer isto ou aquilo nos três mundos é o resultado direto das experiências passadas e sabe também que certos efeitos só podem ser obtidos através de determinadas causa. Ele chega a estas pela meditação concentrada.

As imagens-pensamento de que se torna consciente são:

1. As que estiveram em sua aura na ocasião de sua meditação;
2. as que estiveram em seus arredores imediatos;
3. as de suas atuais famílias, grupo e raça;
4. as de seu atual ciclo de vida;
5. as de seu grupo egoico.

Assim, pelo processo de eliminação ele gradualmente abre caminho, grau após grau de imagens-pensamento, até chegar à camada específica de impressões de pensamento que dizem respeito ao ciclo que lhe interessa. Isto não é, portanto, uma simples percepção de certos aspectos dos registros, mas um definido processo científico, conhecido somente pelo ocultista treinado.

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Livro III - Aforismo 19

19. Pela meditação concentrada, as imagens-pensamento nas mentes de outras pessoas se tornam aparentes.

Deve ser relembrado que o resultado dos oito meios da ioga é produzir um iogue, ou um conhecedor treinado. Ele é, portanto, uma pessoa que se interessa pelas causas e não pelos efeitos. Ele percebe aquilo que faz o tangível aparecer, ou seja, os pensamentos que põem em movimento as forças da substância e que finalmente produzem a concretização da substância.

O emprego deste poder de ler as mentes de outros só é permitido ao iogue nos casos em que lhe é necessário compreender as causas que estão por trás de certos acontecimentos, e assim mesmo apenas para implementar inteligentemente os planos da Hierarquia e da evolução. O poder aqui mencionado é análogo ao da telepatia, mas não idêntico. A telepatia requer a sintonia de uma mente com outra e requer também que elas estejam em comunicação. Esta faculdade do vidente treinado é mais da natureza de um ato da vontade e da manipulação de certas forças, de modo a que ele possa ver instantaneamente o que quiser em qualquer aura, em qualquer ocasião.

O objeto de sua investigação pode estar em sintonia com ele ou não; pela meditação intensa e pelo emprego da faculdade da vontade as imagens-pensamento são reveladas. O emprego deste poder é perigoso e sua utilização só é permitida aos discípulos treinados.

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Livro III - Aforismo 20

20. Como, porém, o objeto destes pensamentos não é aparente ao percebedor, ele apenas vê o pensamento e não o objeto. Sua meditação exclui o tangível.

Em sua meditação ele apenas está "desperto" para a substância do pensamento, sua própria chitta (ou substância mental) e a do outro.

É a atividade inerente desta chitta que é a causa do aparecimento final de formas, tangíveis e objetivas, no plano físico.

Tudo o que aparece é o resultado de um acontecimento subjetivo. Tudo o que é, existe na mente do pensador, não no sentido em que isto é normalmente compreendido, mas sim no sentido de que o pensamento coloca em movimento certas correntes de força. Estas correntes de força gradualmente modelam formas que correspondem à ideia do pensador e estas persistem enquanto a mente do pensador se ocupa delas e desaparecem quando ele "as retira de sua mente".

O que se percebe através da meditação concentrada é a natureza da força ou corrente do pensamento. A forma que será finalmente construída não interessa ao vidente. Pela causa ele sabe qual o efeito inevitável.

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Livro III - Aforismo 21

21. Pela meditação concentrada sobre a distinção entre a forma e o corpo, as propriedades do corpo que o tornam visível à vista humana são negadas (ou retiradas) e o iogue pode tornar-se invisível.

Este é dos mais difíceis aforismos para o pensador ocidental pois envolve certos reconhecimentos que são estranhos ao ocidente. Primariamente envolve o reconhecimento do corpo etérico ou vital e suas funções como a força atrativa que mantém o corpo físico em forma. Através deste substrato etérico compreende-se o corpo físico como um todo coerente e sua objetividade pode ser observada. Este corpo vital é que é a forma verdadeira do ponto de vista do ocultista e não o invólucro denso tangível.

O iogue, pela concentração e pela meditação, adquiriu o poder de centrar sua consciência no homem verdadeiro ou espiritual e de controlar o princípio pensante. "Como um homem pensa assim ele é" é uma lei oculta e também, ocultamente, é verdadeiro o seguinte, "sobre o que um homem pensar ali está ele".

O vidente treinado pode, à vontade, retirar sua consciência do plano físico e concentrá-la no mental. Pode também, à vontade, "apagar a luz" e quando isto for o caso a visibilidade é negada e (do ponto de vista da visão humana) ele desaparece. Ele também se torna intangível do ponto de vista do tato e inaudível do ponto de vista da audição.

É este fato que demonstra a realidade da hipótese que nada mais há a não ser energia, de uma ou outra forma, e que esta energia é tríplice; no oriente, a natureza da energia é chamada de sáttvica, rajásica ou tamásica. Isto é traduzido como segue:

Sattva Ritmo Espírito Vida
Rajas Mobilidade Alma Luz
Tamas Inércia Corpo Substância

São, todas, diferenciações em tempo e em espaço, da essência-espírito primordial eterna. Pode-se sugerir que os termos ocidentais correspondentes sejam:

Energia Espírito Vida
Força Alma Luz
Matéria Forma Substância

A principal característica do espírito (ou energia) é o princípio-vital, esta coisa misteriosa que faz com que as coisas existam e persistam. A principal característica da alma (ou da força) é a luz. Ela torna visível tudo o que existe.

A principal característica da matéria viva é que ela é o que "fica sob", ou o que é encontrado por trás do corpo objetivo; e dá a verdadeira forma. Deve ser aqui lembrado que a base de todo o ensinamento oculto e de todos os fenômenos é encontrada nas palavras:

"A matéria é o veículo para a manifestação da alma neste plano da existência; e a alma, é o veículo numa volta mais elevada da espiral, para a manifestação do espírito." (Doutrina Secreta 1.80)

Quando a alma (ou força) se retira do aspecto matéria (a forma tangível objetiva), essa forma não mais é vista. Desaparece e é dissipada temporariamente. Atualmente isto pode ser adequadamente efetuado pelo vidente através da concentração de sua consciência no ego, o homem espiritual ou a alma, e (utilizando o princípio pensante e um ato de vontade) pela retirada do seu corpo etérico, do físico denso. Isto é abarcado pela palavra "abstração" e acarreta:

1. Uma reunião da vida ou das forças vitais do corpo nos centros nervosos ao longo da coluna vertebral, no plano físico,
2. Sua ascensão ao longo da coluna até a cabeça,
3. Sua concentração na cabeça e subsequente abstração ao longo do fio ou sutratma, através da glândula pineal e do brahmarandra.
4. O vidente permanece então em sua forma verdadeira, o corpo etérico, que é invisível à vista humana. À medida que a visão etérica se desenvolver na raça, será necessário mais uma abstração; o vidente, do mesmo modo, retirará os princípios vitais e luminosos (as qualidades de sattva e rajas) do corpo etérico e permanecerá em seu corpo kâmico ou astral, sendo assim também etericamente invisível. Esta ocasião, contudo, ainda está distante.

Em seu comentário, W.Q. Judge faz algumas observações interessantes, como segue:

"Uma outra grande diferença entre esta filosofia e a ciência moderna é a seguir indicada. As escolas de hoje estabelecem a regra de que se houver um olho humano sadio, na linha dos raios de luz refletidos de um objeto - tal como o corpo humano - este último será visto e que ação mental alguma da pessoa que está sendo vista poderá inibir o funcionamento dos nervos óticos e da retina do observador. Os antigos hindus, porém, sustentavam que todas as coisas são vistas em razão da diferenciação de Sattva, - uma das três grandes qualidades que compõem todas as coisas - que é manifestada como luminosidade, operando conjuntamente com o olho, que também é uma manifestação de Sattva sob um outro aspecto. Os dois devem-se combinar; a ausência de luminosidade ou o fato de seu desligamento dos olhos do vidente fará com que desapareçam. E como a qualidade da luminosidade está inteiramente sob o controle do asceta, ele pode, pelo processo mencionado, controlá-lo e eliminar da vista de outrem, um elemento essencial para que se possa ver qualquer objeto."

Todo este processo somente é possível como resultado da meditação concentrada e dirigida, sendo assim impossível ao homem que ainda não passou por todo este treinamento e não tem a disciplina necessária para obter o controle do princípio pensante e conseguir o alinhamento direto e atuação que s6 são possíveis quando o pensador em seu próprio plano, a mente e o cérebro, estão todos alinhados e coordenados por meio do sutratma, o fio ou cordão de prata magnético.

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Livro III - Aforismo 22

22. O carma (ou efeitos) é de duas espécies: imediato ou futuro. Pela meditação perfeitamente concentrada sobre eles, o iogue conhece o término de suas experiências nos três mundos. Este conhecimento também vem por sinais.

Este aforismo pode ser um tanto elucidado se lido em conjunto com o aforismo 18 do Livro III. O carma aqui referido trata primeiramente da vida presente do aspirante ou vidente. Ele sabe que cada acontecimento desta vida é o efeito de uma causa prévia, originada por ele em uma encarnação anterior; ele também sabe que cada ato da vida atual deve produzir um efeito (a ser descontado em outra vida), a menos que seja realizado de tal modo que:

1. O efeito seja imediato e termine dentro do prazo da vida atual;

2. O efeito não acarrete carma, pois o ato foi realizado sem um propósito egoísta e com completo desapego. Ele produz então o efeito desejado de acordo com a lei, mas sem acarretar consequências para si.

Quando o vidente encarna numa vida na qual somente uns poucos efeitos aguardam para serem elaborados e quando o que ele inicia for livre de carrna, então ele poderá pôr um termo em sua experiência de vida e saberá que o dia da libertação está próximo. Pela meditação e pela habilidade em funcionar como o ego ele pode chegar ao mundo das causas e sabe, então, que atos devem ser realizados para resgatar os poucos efeitos ainda restantes. Por uma rígida atenção aos motivos subjacentes a cada ato da vida presente ele pode evitar a necessidade de que seus efeitos o prendam de qualquer modo à roda de renascimentos. Assim, inteligente e conscientemente, ele se aproxima de seu objetivo e cada efeito, ação e pensamento é governado pelo conhecimento direto e de modo algum o acorrentam.

Os sinais ou presságios aqui referidos dizem respeito primordialmente ao mundo mental, onde habita o homem real. Pela compreensão de três coisas:

a. números,
b. cores,
c. vibrações, o vidente se torna consciente da libertação de sua aura dos efeitos que "provoquem a morte". Ele sabe que, simbolicamente, nada mais há escrito nos registros que possam levá-lo de volta aos três mundos, e assim, "por meio de sinais" vê-se que seu caminho está livre.

Nos antigos escritos encontrados nos arquivos dos Mestres isto foi expresso para nós como se segue:

"Quando a estrela de cinco pontas brilhar com clareza e não forem vistas formas entre suas pontas, o caminho está livre.
Quando o triângulo contiver apenas luz, o caminho está livre para a passagem do peregrino.
Quando na aura do peregrino muitas formas morrerem e se avistarem três cores, então o caminho está livre daquilo que poderia obstruí-lo.
Quando os pensamentos não provocarem formas e quando não mais forem refletidas sombras, o fio indica um caminho direto do círculo para o centro."

Deste ponto de repouso nenhum retorno é possível. O período das experiências necessárias nos três mundos chegou ao fim. Nenhum carma pode então atrair o espírito para a terra, para mais lições ou para descontar causas anteriormente produzidas. Ele pode, no entanto, continuar ou reassumir seu trabalho de serviço nos três mundos, sem nunca realmente deixar seu verdadeiro lar nos reinos sutis e nas esferas de consciências mais elevadas.

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Livro III - Aforismo 23

23. A união com os demais deve ser obtida através da meditação dirigida sobre os três estados de sentimento - compaixão, ternura e despaixão.

Se o estudante comparar este aforismo com o de número 33 no livro I, obterá alguma compreensão sobre ele. A união de que aqui falamos indica um passo adiante do que se obteve anteriormente. Nesta, a natureza do aspirante está sendo adestrada para obter uma associação pacífica e harmoniosa com tudo à sua volta. Assim, ele aprende a identificar-se com todos os outros seres pela concentração sobre o que é as vezes chamado de "três estados do sentimento". São eles:

a. A compaixão, antítese da paixão, que é egoísta e ambiciosa,

b. a ternura, antítese do egoísmo, que sempre é duro e autoabsorvente, e

c. a despaixão, antítese do desejo ou do apetite sexual.

Estes três estados de sentimento, quando se os compreende e se penetra neles, colocam o homem em relação com a alma de todos os homens.

Pela compaixão, o homem não mais se preocupa com seus próprios interesses egoístas, mas se identifica com seu irmão e sofre com ele; ele pode adaptar sua vibração de modo a que responda às necessidades de seu irmão; é-lhe permitido participar de tudo o que está acontecendo no coração de seu irmão. Faz isto, aumentando sua vibração de modo a responder à natureza amor de seu próprio ego e por meio deste princípio de unificação todos os corações lhe estão abertos.

Pela ternura, a compreensão compassiva tem expressão prática. Suas atividades não mais se dirigem para dentro, não mais são egocêntricas, mas sim, dirigem-se para fora e são inspiradas por um desejo realmente sentido de ajudar e servir. Este estado de sentimento é algumas vezes chamado misericórdia e caracteriza todos os servidores da raça. Envolve auxílio ativo, intenção altruísta, julgamento sábio e atividade amorosa. Está livre de qualquer desejo de reconhecimento ou recompensa. Isto foi admiravelmente bem tratado por H.P. Blavatsky em A Voz do Silêncio, nas seguintes palavras:

"Deixa que tua Alma dê ouvido a cada grito de dor assim como o lótus desnuda seu coração para beber o sol da manhã.

Não deixes que o sol intenso seque uma lágrima de dor antes que tu mesmo a tenhas limpado dos olhos do sofredor.

Mas deixa que cada ardente lágrima humana caia em teu coração e lá permaneça; e nem a retires de lá antes que a dor que a causou tenha sido removida.

Estas lágrimas, ó Tu de mais misericordioso coração, estas são o riacho que irrigam os campos da caridade imortal".

Pela despaixão, o aspirante e servidor fica livre de efeitos cármicos resultantes de sua atividade em benefício dos outros. Como sabemos, é o nosso desejo que nos prende aos três mundos e aos demais. "Prender a" é de natureza diferente de "união com". O primeiro está cheio de desejos e provoca obrigações e efeitos; o segundo está livre de desejos, produz a "identificação com" e não provoca efeitos que prendam aos três mundos. A despaixão tem mais de qualidade mental que os outros dois. Deve-se notar que a despaixão tem a qualidade da mente inferior, a ternura é o resultado emocional da compaixão desapaixonada e envolve o princípio cármico ou astral, enquanto que a compaixão se refere também ao plano físico, pois é o aparecimento, em manifestação física, dos outros dois estados. É a habilidade prática de se identificar reciprocamente em todas as condições dos três mundos.

Esta união é o resultado da unidade egoica trazida à plena atividade nos três mundos, através da meditação.

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Livro III - Aforismo 24

24. A meditação, dirigida e centrada sobre o poder do elefante, despertará esta força ou luz.

Este aforismo deu margem a muita discussão e sua interpretação mais comum deu a ideia de que a meditação sobre o elefante daria a força do elefante. Diversos comentadores deduziram destas palavras que a meditação sobre outros animais daria suas características.

Não deve ser esquecido que esta obra é científica, tendo como objetivo o seguinte:

1. Adestrar o aspirante de modo a que ele possa penetrar nos reinos sutis.

2. Dar-lhe poder sobre a mente, de modo a que esta seja seu instrumento para ser empregado segundo a sua vontade como um órgão de visão nos reinos superiores e como um transmissor ou intermediário entre a alma e o cérebro.

3. Despertar a luz na cabeça de modo a que o aspirante possa tornar-se um radiante centro de luz, iluminar todos os problemas, e, através de sua luz, ver luz em todos os lugares.

4. Despertar os fogos do corpo de modo a que os centros se tornem ativos, luminosos, ligados e coordenados.

5. Produzir uma coordenação entre:

a. O ego, ou alma, em seu próprio plano.
b. O cérebro, através da mente.
c. Os centros. Por um ato de vontade, eles poderão então ser colocados em atividades uniforme.

6. Isto feito, o fogo na base da coluna, até então dormente, será despertado e poderá subir com segurança, misturando-se finalmente com o fogo ou luz na cabeça, para assim se extinguir, tendo "queimado toda a escória e deixado os canais livres" para serem utilizados pelo ego.

7. Desenvolver então os poderes da alma, os siddhis, superiores e inferiores, de modo a que se produza um eficiente servidor da raça.

Após se ter este sete pontos em mente é interessante notar que o símbolo do centro na base da coluna, o muladhara, é o elefante. É o símbolo da força, do poder concentrado, da grande força motriz que, uma vez despertada, carrega tudo adiante de si. Para a nossa quinta raça raiz é o símbolo do mais poderoso e potente entre os do reino animal. É um retrato da transmutação ou sublimação da natureza animal, pois na base da coluna vertebral está o elefante e, na cabeça, o lótus de mil pétalas, escondendo Vishnu, sentado naquele centro. Assim a natureza animal é levada para cima, para o céu.

Pela meditação sobre "esta força do elefante", o poder do terceiro aspecto, a própria energia da matéria e portanto de Deus o Espírito Santo, ou Brahma, é despertado e unido ao do segundo, ou aspecto consciência, a energia da alma, a de Vishnu, o segundo aspecto, a força Crística. Isto provoca uma perfeita unificação, ou união entre a alma e o corpo, que é a verdadeira meta da Raja Ioga.

Os estudantes desta ciência devem lembrar-se aqui, contudo, de que estas formas de meditação dirigida só são permitidas depois de se ter seguido os oito meios da ioga (de que se tratou no Livro II).

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Livro III - Aforismo 25

25. A meditação perfeitamente concentrada sobre a luz despertada, produzirá a consciência daquilo que é sutil, oculto ou remoto.

Em todos os ensinamentos de natureza ocultista ou mística encontram-se frequentemente referências sobre o que chamamos "luz". A Bíblia tem muitas destas passagens, bem como as têm todas as Escrituras do mundo. Muitos termos são aplicados a isto, mas o espaço só nos permite considerarmos os que são encontrados nas diversas traduções dos Aforismos de Ioga de Patânjali. Podem ser enumerados como se segue:

a. A Luz interior despertada (Johnston)
b. A Luz na cabeça (Johnston)
c. A Luz da cognição imediata (conhecimento intuitivo) (Tatya)
d. Aquela Luz refulgente (Vivekananda)
e. A Luz da corona (Ganganatha Jha)
f. A Luz do alto da cabeça (Vivekananda)
g. A Luz da disposição luminosa (Ganganatha Jha)
h. A Luz interior (Dvivedi)
i. A mente, cheia de Luz (Dvivedi)
j. O resplendor na cabeça (Woods)
k. A luminosidade do órgão central (Rama Prasad)
l. A Luz da atividade sensorial superior (Rama Prasad).

Estudando-se estes termos torna-se aparente que dentro do veículo físico existe um ponto de luminosidade que (quando contatado) lançará a luz do espírito sobre o caminho do discípulo, iluminando assim o percurso, revelando a solução de todos os problemas e capacitando-o a atuar como portador da luz para outros.

A natureza desta luz é de um resplendor interno, sua localização é na cabeça, na vizinhança da glândula pineal, e é a atividade da alma que a produz.

O termo "órgão central", associado a esta luz, deu origem a muita discussão. Alguns comentadores referem-no ao coração e outros, à cabeça. Tecnicamente, nenhum deles está inteiramente correto, pois para o adepto treinado o órgão central é o veículo causal, o karana sarira, o corpo do ego, o invólucro da alma. Este é o veículo do meio, dos "três veículos periódicos, que o divino Filho de Deus descobre e utiliza no decorrer de sua longa peregrinação. Estes três veículos têm sua analogia nos três templos que se encontram na Bíblia Cristã:

1. O transitório e efêmero tabernáculo na mata virgem, típico da alma em encarnação física. persistindo por uma vida;

2. O templo de Salomão, mais belo e permanente, típico do corpo da alma ou veículo causal, de duração mais longa e persistindo por eons e cada vez mais revelado em sua beleza, no Caminho, até a terceira iniciação;

3. O tempo de Ezequiel, até então não revelado e inconcebivelmente belo, o símbolo do invólucro do espírito, a casa do Pai, uma das muitas mansões,o "ovo áurico" do ocultista.

Na ciência da ioga, que tem de ser trabalhada e dominada no corpo físico, o termo "órgão central" é aplicado a cabeça ou ao coração, e a diferença é, primariamente, de tempo. O coração, durante os estágios preliminares de desenvolvimento no Caminho, é o órgão central; posteriormente é no órgão na cabeça que a verdadeira luz tem seu lar duradouro.

No processo do desabrochar, o desenvolvimento do coração precede ao da cabeça. A natureza emocional e os sentidos desabrocham antes da mente, como se verá se estudarmos a humanidade como um todo. O centro cardíaco se abre antes do centro da cabeça. O amor deve sempre ser desenvolvido antes que o poder possa ser usado com segurança. Assim, a luz do amor deve estar funcionando antes que a luz da vida possa ser conscientemente empregada.

À medida que o centro do lótus do coração se abre e revela o amor de Deus, através da meditação um desabrochar sincrônico ocorre no interior da cabeça. O lótus de doze pétalas na cabeça (que é a correspondência superior do centro do coração e o intermediário entre o lótus egoico de doze pétalas em seu próprio plano e o centro da cabeça) desperta. A glândula pineal é gradualmente levada de um estado de atrofia 'à plena atividade e o centro de consciência é transferido da natureza emocional para a consciência da mente iluminada. Isto marca a transição que o místico tem que fazer para o caminho do ocultista mantendo como sempre o faz, seu conhecimento e consciência místicos, mas adicionando a ele o conhecimento intelectual e o poder consciente do ocultista e iogue treinado.

Do ponto de poder na cabeça o iogue dirige todos os seus negócios e empreendimentos, lançando sobre todos os acontecimentos, circunstâncias e problemas a "luz interior despertada". Nisso ele é guiado pelo amor, visão interna e sabedoria, que lhe pertencem pela transmutação de sua natureza amor, pelo despertar de seu centro do coração e pela transferência dos fogos do plexo solar para o coração.

Seria muito pertinente aqui a questão: como é realizada a junção entre a cabeça e o coração, produzindo a luminosidade do órgão central e a emissão do resplendor interno?

Resumindo, pode-se dizer que é feita da seguinte maneira:

1. Pela subjugação da natureza inferior, o que transfere a atividade de toda a vida abaixo do plexo solar e inclusive o plexo solar, para os três centros acima do diafragma, a cabeça, o coração e a garganta. Isto é feito através da vida, do amor e do serviço, não por meio de exercícios respiratórios ou posturas para desenvolvimento.

2. Pela prática do amor, a focalização da atenção sobre a vida do coração e serviço, e pela conscientização de que o centro do coração é o reflexo da alma do homem e que esta alma, do trono ou assento entre as sobrancelhas, deve guiar os assuntos do coração.

3. Por um conhecimento da meditação. Pela meditação, que é a exemplificação do aforismo básico da ioga "a energia segue o pensamento", todos os desabrochamentos e desenvolvimentos que o aspirante deseja, ocorrem. Pela meditação, o centro do coração, que no homem não desenvolvido é representado como um lótus fechado virado para baixo, é invertido, virado para cima e aberto. Em seu coração está a luz do amor. O resplendor desta luz, sendo voltado para o alto, ilumina o caminho para Deus, mas não é o Caminho, exceto no sentido de que enquanto palmilhamos aquilo que o coração deseja (num sentido inferior), esse caminho nos leva ao próprio Caminho.

As coisas ficarão mais claras se nos conscientizarmos de que parte do caminho está dentro de nós mesmos, e isto o coração revela. Ele nos leva à cabeça, onde encontramos o primeiro portal do Caminho propriamente dito e entramos na parte do caminho da vida que nos afasta da vida corporal, até a completa libertação da experiência na carne e nos três mundos.

É tudo um caminho só, mas o Caminho de iniciação tem que ser trilhado conscientemente pelo pensador, atuando através do órgão central na cabeça e, dali, inteligentemente, atravessando o Caminho que leva através dos três mundos, ao reino ou reinado da alma. Pode-se afirmar aqui que o despertar do centro do coração leva o homem à consciência da fonte do centro do coração, dentro da cabeça. Isto, por sua vez, leva o homem ao lótus de doze pétalas, o centro egoico nos níveis superiores do plano mental. O caminho do centro do coração até a cabeça, quando seguido, é o reflexo, no corpo, da construção do antahkarana no plano mental. "Como é em cima, assim é em baixo."

4. Pela meditação perfeitamente concentrada na cabeça. Isto produz automaticamente um maior estimulo e o despertar dos centros ao longo da coluna, cinco em número, desperta o sexto centro, o que está entre as sobrancelhas, e em tempo revelará ao aspirante a saída no topo da cabeça, que pode ser vista como um radiante círculo de pura luz branca. Este começa como um mero ponto e passa por vários estágios de crescente glória e luz radiante até que o próprio Portal se revela. Nada mais é permitido dizer sobre este assunto.

Esta luz na cabeça é o grande revelador, o grande purificador, e o meio pelo qual o discípulo cumpre o mandamento do Cristo, "Deixa tua luz brilhar". E o "caminho do justo que brilha cada vez mais e mais até o dia perfeito." É isso que produz o halo ou círculo de luz visto em torno das cabeças dos filhos de Deus que já receberam sua herança ou que estão por recebê-la.

Através desta luz, como indica Patânjali, nos tornamos cônscios do que é sutil, ou das coisas que só podem ser conhecidas pela utilização consciente de nossos corpos sutis. Estes corpos sutis são os meios pelos quais atuamos nos planos internos, tais como os plano emocional, ou astral, e o mental. Atualmente a maioria de nós funciona nestes planos inconscientemente. Através desta luz também nos tornamos conscientes daquilo que está oculto ou que ainda não foi revelado. Os Mistérios são revelados ao homem cuja luz estiver brilhando e ele se tornará um conhecedor. O que é remoto ou o futuro também lhe é revelado.

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Livro III - Aforismo 26

26. Através da meditação dirigida fixamente sobre o sol, alcançar-se-á a consciência (ou conhecimento) dos sete mundos.

Esta passagem tem sido extensamente comentada por muitos escritores através dos séculos. Apenas por uma questão de clareza vamos modernizar as afirmações e reduzir seus termos aos do ocultismo moderno.

"Pela meditação constante e firme sobre a causa que provocou a emanação de nosso sistema solar, ter-se-á o conhecimento dos sete estados de ser".

Os vários termos aqui empregados servem para frequentemente confundir o estudante e seria conveniente se usássemos apenas dois conjuntos de termos, um, dando a terminologia ortodoxa oriental, tal como encontrada nos melhores comentários, e outro, o mais facilmente reconhecível pelo investigador ocidental. Utilizando a tradução de Wood encontramos o seguinte:

Svar Brahma 7. Satya O mundo dos Deuses não manifestados.
Svar Brahma 6. Tapas O mundo dos Deuses autoluminosos.
Svar Brahma 5. Jana O mais inferior do mundo de Brahma.
Svar - 4. Mahar Prajapatya O grande mundo.
Svar - 3. Mahendra O lar dos Agnishvattas (os Egos).
Svar - 2. Antariksa O espaço intermediário.
Svar - 1. Bhu O mundo da terra.


Esta diferenciação do mundo em sete grandes divisões é também interessante pois demonstra com igual precisão a divisão quíntupla adotada por alguns comentadores.

Estes sete mundos correspondem à moderna divisão ocultista de nosso sistema em sete planos englobando sete estados de consciência e abrangendo sete grandes tipos de seres vivos.

A analogia é vista a seguir:

1. Plano Físico Bhu Mundo terrestre.
Consciência física
2. Plano Astral Antariksa Mundo das emoções.
Consciência kâmica ou do desejo.
3. Plano Mental Mahendra Mundo da mente e da alma.
Consciência da mente.
4. Plano Búdico Mahar Prajapatya Mundo Crístico.
Consciência Crística ou intuicional.
Consciência grupal.
5. Plano Átmico Jana Mundo espiritual.
Consciência Planetária.
Mundo do terceiro aspecto.
6. Plano Monádico Tapas Mundo Divino.
Consciência de Deus.
Mundo do segundo aspecto.
7. Plano Logoico Tatya Mundo da causa emanadora.
Consciência absoluta.
Mundo do primeiro aspecto.

É interessante notar certos comentários de Vyasa sobre esta diferenciação, pois eles se fundem com o moderno pensamento teosófico.

O plano terrestre é descrito por ele como "suportado respectivamente por matéria sólida, água, fogo, vento, ar e trevas ... onde criaturas vivas, tendo-lhes sido alocada uma longa e opressiva duração de vida, sentindo a miséria em que incorreram corno resultado de seu próprio carma, nascem". Nenhum comentário é aqui necessário.

Em conexão com o segundo plano, o astral, faz-se referência ao fato de que as estrelas (as vidas), naquele plano são "dirigidas pelo vento do mesmo modo como as vacas são dirigidas em círculo no terreno a ser arado, pelo condutor do arado" e que elas são "reguladas pelo firme impulso do vento". Temos aqui uma bela representação de como as vidas são dirigidas pela força de seus desejos na roda de renascimentos.

Vyasa nota que o mundo mental é povoado por seis grupos de Deuses (os seis grupos de egos e seus seis raios, os seis sub-raios do único raio sintético, que é o que aparentemente se infere). Estes são os filhos da mente, os Agnishvattas (extensamente mencionados na Doutrina Secreta e no Tratado sobre o Fogo Cósmico) e são retratados como:

1. Cumprindo seus desejos, sendo portanto dirigidos pelo desejo de encarnar.

2. Dotados do poder de atomização e de outros poderes, sendo, portanto, capazes de criar seus veículos de manifestação.

3. Vivendo por um período mundano, em encarnação, portanto, durante um período mundial.

4. Agradáveis de serem vistos, pois os filhos de Deus são luminosos, radiantes e cheios de beleza.

5. Deleitando-se em amor, pois o amor é a característica da alma, e todos os filhos de Deus, ou filhos da Mente revelam o amor do Pai.

6. Possuidores de corpos próprios "não feitos pelos pais", aqueles corpos que "não foram feitos por mãos e são eternos nos céus", mencionados por São Paulo.

Em relação ao quarto mundo, Vyasa registra que é o mundo da mestria e, portanto, o lar dos Mestres e de todas as almas libertadas cujo "alimento é a contemplação" e cujas vidas "duram mil períodos mundanos" e que têm portanto a imortalidade.

A seguir ele descreve os três planos mais elevados, com as grandes existências que são as vidas daqueles planos e em que "vivemos, nos movemos e temos o nosso ser". Estes correspondem aos três planos da Trindade e sobre estas existências em seus vários grupos, os seguintes comentários por Vyasa lançam muita luz. Diz ele:

1. "Suas vidas são castas", i.e. livres de impurezas ou de limitações das formas inferiores.

2. "Não há impedimentos nas regiões superiores ao seu pensamento e nas regiões inferiores não há objetos velados ao seu pensa- mento". Eles conhecem todas as coisas no sistema solar.

3. "Eles não constroem bases para sua habitação" e assim não possuem corpos densos.

4. "São autossuficientes ... e viverão enquanto houver criações." Eles são as grandes vidas por traz de toda a existência consciente.

5. Eles se deleitam na contemplação de vários tipos. Nossos mundos nada mais são que o reflexo do pensamento de Deus e eles são a soma total da mente de Deus.

O antigo comentador resume tudo isto em duas afirmações básicas, que devem ser anotadas pelo estudante. Diz ele:

"Toda esta bem fundada configuração se estende na parte mais central do (Mundo) Ovo. E o Ovo é um minúsculo fragmento da causa primordial, como um vagalume no céu."

Isto significa que nosso sistema solar é apenas um átomo cósmico, sendo apenas uma parte de um todo esferoidal ainda maior. Diz a seguir:

"Exercendo confinamento sobre a porta do sol, o iogue deve perceber diretamente tudo isto." Confinar é um termo constantemente empregado ao se traduzir frases que significam "a subordinação ou o controle das modificações do princípio pensante"; em outras palavras: meditação perfeitamente dirigida. Pela meditação sobre a porta do sol pode-se obter o conhecimento total.

Muito resumidamente isto significa que pelo conhecimento do sol existente no interior do coração de cada um, e pela luz que emana deste sol, tendo encontrado o portal do caminho, o homem entra em relação com o sol que está no coração de nosso sistema solar e finalmente encontra o portal que o admitirá ao sétuplo caminho cósmico. Nada mais é necessário dizer sobre isto, uma vez que a meta da Raja Ioga é capacitar o homem a encontrar a luz dentro de si mesmo e, nesta luz, ver a luz. Habilita-o também a encontrar a porta para a vida e, subsequentemente, a trilhar o caminho.

É necessário tocar apenas em um ponto a mais. Esotericamente o sol é encarado como sendo tríplice:

1. O sol físico corpo forma inteligente
2. O coração do sol alma amor
3. O sol espiritual central espírito vida ou poder

 
As correspondências no homem, ou microcosmo, são:

1. O homem físico pessoal corpo forma inteligente
2. O Ego ou Cristo alma amor
3. A mônada espírito vida ou poder espírito vida ou poder

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Livro III - Aforismo 27

27. O conhecimento de todas as formas lunares nasce da meditação dirigida sobre a lua.

Existem duas traduções possíveis sobre isto, a supra mencionada e a que se segue:

"O conhecimento do mundo astral é obtido por aquele que pode meditar sobre a lua."

Qualquer uma é correta e provavelmente só se obterá uma compreensão verdadeira do sânscrito por uma combinação das duas. Talvez seja suficiente darmos apenas uma simples interpretação em inglês que dê a essência do significado deste aforismo:

"A concentração dirigida sobre a mãe das formas (a lua) revelará ao aspirante a natureza e o propósito da forma".

Se o estudante se recordar que a lua é o símbolo da matéria, enquanto que o sol, em seu aspecto luz, é o símbolo da alma, não terá dificuldade em se certificar da significação dos dois aforismos que acabamos de considerar. Um trata da alma e dos vários estados de consciência; o outro trata do corpo, o veículo da consciência. Um diz respeito ao corpo incorruptível que não foi feito com as mãos, eterno nos céus. O outro lida com as "mansões lunares" (como um tradutor as chama) e com o lar da alma nos três mundos do empreendimento humano.

Devemos ter cuidado, no entanto, em relembrar que o aspecto lua é o governante (reinante) em todos os reinos inferiores ao humano, enquanto que o aspecto sol deveria dominar no humano.

O conhecimento das mansões lunares ou das formas deveria dar uma compreensão do corpo físico, do astral (ou veículo de desejos) e do envoltório mental.

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Livro III - Aforismo 28

28. A concentração sobre a Estrela Polar dará conhecimento sobre as órbitas dos planetas e das estrelas.

Este aforismo é de pouca importância para o estudante comum, mas é de profunda utilização para o iniciado ou para o discípulo aceito. É bastante dizer aqui que este aforismo é a base para toda a investigação astrológica e, da consideração de seu significado, ter-se-á finalmente uma compreensão:

1. Da reação do nosso sistema solar para com as outras seis constelações que (com a nossa) formam os sete centros de força dos quais as sete grandes influências espirituais de nosso sistema são reflexos e agentes.

2. Do caminho de nosso sol nos Céus e dos doze signos do Zodíaco através dos quais o nosso sol aparentemente passa. É evidente então, que este aforismo é a chave para o propósito dos sete e dos doze sobre os quais todos os nossos processos criativos são erigidos.

3. A significação dos doze trabalhos de Hércules em relação ao homem, o microcosmo.

4. O propósito de nosso planeta, conhecido pelo adepto por uma compreensão da triplicidade formada:

a. pela Estrela Polar,
b. por nosso Planeta, a Terra, e
c. pela Ursa Maior

Os que possuem a chave dispõem de outra interpretação mas o que foi dito acima é suficiente para mostrar a profunda significação, embora esotérica, compreendida nestas breves palavras.

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Livro III - Aforismo 29

29. Pela atenção concentrada sobre o centro chamado plexo solar, tem-se conhecimento aperfeiçoado sobre a condição do corpo.

No comentário ao Livro I, Aforismo 36, foram enumerados os diversos centros e dadas suas qualidades. Nesta seção do livro, mencionam-se cinco destes centros e estes são os que mais intimamente concernem ao aspirante, e os mais preponderantes na quinta raça ou Ariana, despertados mas não desenvolvidos na quarta raça. São eles:

1. O centro na base da coluna 4 pétalas
2. O centro do plexo solar 10 pétalas
3. O centro do coração 12 pétalas
4. O centro da garganta 16 pétalas
5. O centro da cabeça 1000 pétalas

Estes cinco são os que primordialmente dizem respeito ao aspirante. O centro chamado baço foi dominante nos dias Lemurianos mas está agora relegado ao domínio dos centros em pleno funcionamento e, portanto, automáticos, e mergulhou para baixo dos limites da consciência. O centro entre as sobrancelhas é aquele por onde a luz na cabeça é lançada sobre as coisas "sutis obscuras, escondidas ou remotas" e é um resultado do desenvolvimento da cabeça e do coração.

Os três centros principais são tão poderosos nas pessoas menos desenvolvidas que, mesmo estando fechados, produziram correspondências físicas, ou glândulas. Sua vibração é tal que já soam em todos os homens e pelo som atraem e consequentemente produzem a forma. No discípulo ou iniciado estes três centros não só soam, mas formam palavras; eles comandam, portanto, o acúmulo
de forças vitais e têm o homem inteiramente sob controle.

As glândulas que correspondem a estes três centros são:

1. A glândula pineal e o corpo pituitário Centro da cabeça
2. A glândula tiroide Centro da garganta
3. O baço Centro do coração


"Do coração saem as correntes da vida"; dele circula a corrente do sangue vital; de seu desenvolvimento na raça atlante e pela consequente coordenação e crescimento do corpo astral ou emocional, o centro do coração tornou-se o mais importante no corpo. Sua atividade e desenvolvimento foram igualados pelo baço, que é o órgão da vitalidade, do prana ou da força física do sol, no corpo.

Há outras glândulas que têm uma íntima relação com os vários centros, mas o assunto é muito amplo para permitir aqui mais que uma rápida menção. Não há, porém, a mesma íntima relação entre as glândulas associadas com os centros abaixo do diafragma, como com as relacionadas com os centros principais, situados acima do diafragma.

No aforismo em consideração estamos tratando de um dos cinco centros mais importantes, e isto pela seguinte razão:

1. Está situado no centro do tronco. É portanto uma correspondência do princípio mediano. No homem dos tempos atlantes os três principais centros da raça eram:

a. A Cabeça Pai, ou aspecto espiritual
b. O Plexo Solar O Filho, ou aspecto alma
c. A Base da Coluna Vertebral O Espírito Santo, ou aspecto matéria.


A alma não era então tão individualizada como é agora. A alma animal controlada e, consequentemente, o completo contacto com a anima mundi era o fator dominante. À medida que o tempo foi decorrendo, a alma se tornou mais individualizada em cada ser humano e mais e mais separativa, à medida que o aspecto mente (o grande fator divisório) foi adquirindo o domínio. No final desta raça os três centros principais serão a cabeça, o coração e a base da coluna. Na sexta raça teremos a cabeça, o coração e a garganta.

Na raça final dos iluminados filhos de Deus, a sétima, teremos como centros, através dos quais trabalharão,

a. O centro de mil pétalas da cabeça vida ou aspecto espiritual
b. O centro entre as sobrancelhas Filho ou aspecto consciência
c. A garganta O Espírito Santo ou o aspecto criativo.

Através do primeiro, a vida espiritual fluirá da mônada; pelo segundo, o princípio Crístico, a luz do mundo, a alma, trabalhará, jorrando luz e vida sobre todas as coisas, utilizando-o como grande órgão de consciência. Através do último, será levado a efeito o trabalho de criação e será emitida a palavra criadora.

Este aspecto geral é dado de modo a apresentar ao estudante a visão do que está adiante. Não tem valor, porém, atualmente; a maioria dos aspirantes ainda está envolvida com o plexo solar e daí, a necessidade destas considerações.

2. É o órgão da natureza astral, das emoções, dos estados de espírito, dos desejos e sentimentos, sendo portanto o mais ativo deles. É através dele que as funções corporais inferiores são despertadas - desejo de se alimentar, de beber e de procriar - e através dele se estabelece contacto com os centros inferiores e leva-se adiante o trabalho com eles. No discípulo, o coração se sobrepõe ao plexo solar; no Mestre, à cabeça. Todos os centros, no entanto, são a expressão da vida e do amor de Deus e, em sua totalidade e perfeição, expressam a vida Crística.

3. E o centro de onde é realizado o grande trabalho de transmutação de todos os desejos animais e inferiores, nos superiores. Por ele, literalmente, devem passar as forças da natureza inferior. Recolhe as forças corporais que vêm da parte inferior ao diafragma e as dirige para cima.

4. No plexo solar, a alma animal se mistura à alma do homem e vê-se a consciência crística em germe. Considerando a analogia entre o estado pré-natal e a germinação do Cristo em cada ser humano, os estudantes que tiverem a intuição desenvolvida verão a correspondência entre a atividade do plexo solar e sua função, com os primeiros três e meio meses do período pré-natal. Vem a seguir o que é chamado a "aceleração" e a vida se faz sentir. Há um despertar e pode-se ver a correspondência entre os processos fisiológicos naturais e o nascimento do Cristo na cavidade do coração. E aqui jaz o profundo mistério da iniciação, que só é revelado àqueles que trilham o Caminho do Discipulado até o fim.

Dizem-nos neste aforismo que o conhecimento quanto à condição do corpo é obtido pela meditação sobre este centro. A razão para isto é a seguinte: quando o homem chega a uma compreensão de seu corpo emocional e do centro de força através do qual ele atua no plano físico, verifica que tudo o que é (física e etericamente), resulta de desejo, de kama, e que são seus desejos que o acorrentam à roda dos renascimentos. Daí a ênfase colocada pelo iogue na discriminação básica pela qual o homem desenvolve a capacidade de escolha entre o real e o irreal e que cultiva nele um correto senso de valores. Vem a seguir a despaixão que, quando desenvolvida, lhe dá uma aversão pela vida das percepções sensoriais.

Quando o aspirante pode perceber o lugar que o desejo representa em sua vida, quando ele compreende que é seu corpo emocional ou astral que provoca a maioria dos problemas em sua natureza inferior e quando ele pode apreender o lado técnico do processo que a energia-desejo segue, compreende então o trabalho do plexo solar e pode dar início ao grande processo dual de transferência e transmutação. Ele tem que transferir a energia dos centros abaixo do diafragma para os de cima e, durante este procedimento, transmutar e alterar esta energia. Os centros se encontram ao longo da coluna vertebral, mas será de grande valia ao aspirante se ele puder fazer ideia da localização relativa, no corpo, das áreas que são afetadas e que recebem energia destes centros. Todos os centros têm órgãos no plano físico que são resultantes da resposta
da substância densa à sua vibração.

Os Três Principais Centros

1. Centro da cabeça Cérebro, glândula pineal e corpo pituitário.
2. Garganta Laringe, cordas vocais e abóbada palatina, glândula tiroide.
3. Coração Pericárdio, ventrículos, aurículas, afetando o baço.

Os quatro Centros menores

4. Plexo solar Estômago.
5. Baço Baço.
6. Sacro Órgãos genitais.
7. Base da coluna vertebral . Órgãos de eliminação, rins, bexiga.

Estes órgãos físicos são os resultados ou efeitos; os centros são sua causa física e eles são produzidos pela atividade dos centros etéricos.

As informações acima foram coletadas e estes detalhes foram dados devido à importância do plexo solar nesta quarta ronda da quarta Hierarquia criadora (a Hierarquia das mônadas humanas ou espíritos), que e o quarto centro, quer se conte de cima para baixo ou de baixo para cima. Pode-se dar aqui mais um ponto técnico. No processo de transmutação o estudante deve-se lembrar que:

a. A energia na base da coluna deve ir para a cabeça.
b. A energia do centro sacro deve ir para a garganta.
c. A energia do plexo solar deve ir para o coração.

A energia esplênica diz respeito somente ao corpo físico. Vai para todos os centros.

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Livro III - Aforismo 30/31

30/31. Fixando-se a atenção sobre o centro da garganta ter-se-á a paralisação das sensações de fome e sede. Fixando-se a atenção sobre o tubo, ou nervo abaixo do centro da garganta, obtém-se o equilíbrio.

Deve ser recordado que todos os aforismos que tratam dos poderes psíquicos admitem uma interpretação superior e uma inferior. Em nenhum deles é isto mais aparente do que neste aforismo. Pela compreensão da natureza do centro da garganta e pela contínua meditação sobre ele, o iogue pode paralisar os ataques de fome e sede e assim ficar indefinidamente sem alimento, enquanto que, dirigindo a energia sobre a parte do grande nervo na garganta que fica logo abaixo do centro da garganta (no poço ou base da garganta), ele pode conseguir a imobilidade absoluta e rigidez da forma humana. De modo semelhante, pela concentração sobre o plexo solar, ele pode perceber, em plena consciência, cada parte de seu corpo físico. Mas estes dizem respeito aos siddhis inferiores, que não concernem ao estudante de Raja Ioga, que os encara como efeitos secundários do desenvolvimento da alma. Ele sabe que eles são o resultado de se ter seguido corretamente os oito meios da ioga, sendo, portanto, resultados inevitáveis e automáticos. Ele conhece também o perigo para o organismo físico quando se dá ênfase ao seu aspecto inferior ou físico.

A verdadeira significação dos aforismos anteriores que estão sendo considerados conjuntamente, nasce de uma compreensão do processo de transmutação e da transferência que é efetuada no plexo solar.

A energia do centro sacro que alimenta os órgãos genitais é, em seu devido tempo, transferida para o centro da garganta. O processo criativo é então continuado pelo pensamento, pelo som e pela Palavra falada. Fome e sede são dois aspectos do desejo; sendo a fome positiva, masculina e avassaladora; e a sede, feminina, negativa e receptiva. Estas duas palavras são apenas símbolos dos grandes impulsos que estão por traz do impulso sexual. Quando estes impulsos são dominados e controlados, então a energia do centro que jaz por traz dos órgãos em consideração pode ser levada para cima, até a garganta, e a fome e a sede são anuladas no sentido esotérico. Deve-se ter em mente que estas duas palavras são as analogias no plano físico, aos grandes pares de opostos que o iogue tem que equilibrar, o que ele faz quando o plexo solar está desempenhando sua função mais elevada.

No plano astral, ou plano de desejos, dentro do corpo astral do aspirante, este processo de balanceamento deve ser levado até sua conclusão. Este é o grande campo de batalha, tão lindamente simbolizado para nós no corpo humano, com os seus três centros superiores, seus pontos focais inferiores de energia e o grande centro médio, o plexo solar, exemplificando o plano astral e seu trabalho. Torna-se aparente, então, por que estes dois aforismos são considerados como um, pois abrangem um trabalho completo.

Após ter conseguido um certo grau de equilíbrio, o aspirante aprende a aperfeiçoar o processo de equilíbrio e adquire o poder de permanecer firme e imóvel, mantendo um inalterável equilíbrio entre os pares de opostos. O nervo chamado "kurma-nadi", ou tubo da tartaruga", é a correspondência física do ponto que o aspirante alcançou. Ele permanece ereto e firme diante da entrada para o caminho; ele está no ponto de sua evolução no qual "pode escapar por cima" e atuar na cabeça.

A tartaruga tem sido, desde os tempos mais remotos, o símbolo do lento processo criativo e da longa estrada de evolução percorrida pelo espírito. Daí a adequação deste termo, ao ser aplicado ao que é considerado o mais inferior dos três centros principais, e o que representa o aspecto Criador da divindade, ou Brahma, de Deus, o Espírito Santo, em Sua função de dar energia à matéria
ou corpo.

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Livro III - Aforismo 32

32. Os que atingiram a automestria podem ser vistos e contatados focalizando-se a luz na cabeça. Este poder é desenvolvido pela meditação dirigida.

Esta interpretação é muito generalizada, mas dá o sentido exato dos termos empregados. No vigésimo quinto aforismo consideramos a natureza da luz na cabeça. Pode-se agora afirmar brevemente que, quando o aspirante está consciente da luz na cabeça e pode utilizá-la à vontade, dirigindo seu resplendor sobre tudo o que procura saber, chega a ocasião em que ele pode não só dirigi-la para fora, sobre o campo de conhecimento onde funciona nos três mundos, mas pode também dirigi-la para dentro e para cima, para os reinos onde os santos de Deus, a grande "Nuvem de Testemunhas", caminham. Ele pode então, por seu intermédio, tornar-se consciente do mundo dos Mestres, Adeptos e Iniciados e assim contatá-los em estado de plena consciência vigil, registrando estes contactos com o equipamento de seu cérebro físico.

Daí a necessidade do homem se tornar consciente de sua própria luz, de ajustar sua lâmpada e de utilizar ao máximo sua luz. Pela utilização e pelo cuidado, o poder da luz espiritual cresce, aumenta e desenvolve uma função dupla.

O aspirante se transforma em uma luz ou lâmpada colocada num lugar escuro e ilumina o caminho para os outros. Só assim pode a luz interior ser transformada em uma chama. Este processo de iluminar os outros e de ser uma lâmpada deve sempre preceder à maravilhosa experiência na qual o místico dirige sua lâmpada e sua luz sobre outros reinos e "acha o caminho de acesso" aos mundos onde os Mestres trabalham e andam.

É necessário dar mais ênfase a este ponto pois há uma inclinação muito forte entre os estudantes, de procurar os Mestres ou algum Guru ou Instrutor que lhes "dê" a luz. Eles só podem ser encontrados por aqueles que acenderam sua própria luz, ajustaram sua própria lâmpada e assim se proporcionaram os meios para penetrar em Seus mundos. O lado mais técnico deste assunto foi bem coberto por W.Q. Judge em suas palavras:

"Existem aqui duas inferências que não possuem nada que lhes corresponda no pensamento moderno. Uma é que há uma luz na cabeça; e a outra é que há seres divinos que podem ser vistos por aqueles que se concentrarem sobre "a luz na cabeça". Afirma-se que um certo nervo, ou corrente psíquica, chamada Brahmarandhra-nadi, passa pelo cérebro perto do alto da cabeça. Nele se concentra mais do princípio luminoso em natureza, do que em qualquer outro local do corpo e é chamado jyotis - luz na cabeça. E, como todo o resultado deve ser obtido pelo emprego dos meios apropriados, pode-se conseguir ver os seres divinos pela concentração sobre aquela parte do corpo mais intimamente ligada a eles. Este ponto - o término do Brahmarandhra-nadi - é também o lugar onde se faz a conexão entre o homem e as forças solares."

É a luz que faz com que "as faces brilhem" e é responsável pelo halo em volta da cabeça de todos os santos e Mestres e que é vista pelos clarividentes em torno de todos os aspirantes e discípulos avançados.

Dvivedi também transmite o mesmo ensinamento nas seguintes palavras:

"A luz na cabeça é explicada como sendo o fluxo convergente da luz de sattva que é vista no Brahmarandhra, que se supõe ser, ora próximo à artéria coronária, ora, à glândula pineal ou sobre o bulbo. Exatamente como a luz de uma lâmpada acesa entre as quatro paredes de uma casa apresenta uma aparência luminosa pelo buraco da fechadura, também a luz de sattva mostra-se no alto da cabeça. Esta luz é muito familiar a todos os que têm um conhecimento ainda que ligeiro das práticas de Ioga e é vista mesmo pela concentração sobre o espaço entre as sobrancelhas. Pela Sanyama (meditação) sobre esta luz, a classe de seres chamados siddias - popularmente conhecida nos círculos teosóficos como Mahatmas ou adeptos elevados, capazes de caminhar pelo espaço sem serem vistos, são imediatamente visualizados, apesar dos obstáculos de espaço e tempo."

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Livro III - Aforismo 33

33. Todas as coisas podem ser conhecidas na vívida luz da intuição.

Há três aspectos de conhecimentos associados à luz na cabeça. Primeiro há o conhecimento que o homem comum pode possuir, que talvez seja melhor expresso pela palavra "teórico". Capacita o homem a conhecer certas hipóteses, possibilidades e explicações. Dá-lhe uma compreensão dos modos, meios e métodos e habilita-o a dar o primeiro passo na direção do correto modo de se certificar das coisas e da realização. Isto é verdadeiro para o conhecimento de que trata Patânjali. Agindo sobre este conhecimento e seguindo os requisitos para a investigação ou desenvolvimento que se pretende, o aspirante se torna consciente da luz na cabeça.

Em segundo lugar vem o conhecimento discriminativo, que é o próximo a ser empregado pelo aspirante. Depois de ter constatado a luz ele a utiliza e o resultado é que os pares de opostos se tornam aparentes, a dualidade é conhecida e surge a questão da escolha. A luz de Deus é lançada sobre cada lado do caminho do fio da navalha que o aspirante se esforça por trilhar e a princípio este "nobre caminho do meio" não é tão aparente como o que está de cada lado. Pela adição da despaixão ou do desapego ao conheci- mento discriminativo, os empecilhos são vencidos, o véu que encobre a luz se torna cada vez mais fino, até se contatar a terceira luz, ou a mais alta.

Em terceiro lugar, vem o conhecimento iluminativo ao qual um dos termos que se aplica é "luz da intuição". Resulta de se percorrer o caminho e da ultrapassagem dos pares de opostos e é o precursor da iluminação completa e da luz plena do dia. Ganganatha Jha em seu breve comentário toca em todos estes três. Diz ele:

"A inteligência é a emancipadora - a precursora do conhecimento discriminativo, tal como a alvorada o é do nascer do sol. Com o aparecimento da percepção intuitiva o iogue passa a conhecer todas as coisas".

Estes rasgos de intuição são a princípio vívidos clarões de iluminação, irrompendo na consciência da mente e desaparecendo quase instantaneamente. Mas eles vêm com frequência cada vez maior, à medida que se cultiva o hábito da meditação e que se persiste por períodos cada vez mais longos à medida que a estabilidade da mente é alcançada. Gradualmente vai a luz brilhando num jato contínuo, até que o aspirante caminha na luz plena do dia. Quando a intuição começa a funcionar, o aspirante tem que aprender a empregá-la, lançando a luz que nele está, sobre todas as coisas "obscuras, sutis e remotas", aumentando sua eficiência. O que ele vê e constata, empregando sua luz espiritual, tem então que ser registrado, compreendido e adaptado para a utilização, pelo homem no plano físico, por meio do cérebro. É aqui que a mente racional desempenha sua parte, interpretando, formulando e transmitindo ao cérebro o que o homem espiritual verdadeiro, em seu próprio plano, conhece, vê e compreende. Assim este conhecimento se torna disponível na consciência plenamente desperta, ao encarnado Filho de Deus, o homem no plano físico.

Um outro lado disto, igualmente verdadeiro e necessário, é retratado para nós por Charles Johnston. Diz ele:

"Este divino poder da intuição é o poder que está acima e por traz da chamada mente racional; a mente racional formula a pergunta e a coloca frente à intuição, que dá uma resposta real, muitas vezes imediatamente distorcida pela mente racional, embora incorporando sempre um grão de verdade. É por este processo, através do qual a mente racional leva as questões à intuição para a solução, que se alcançam as verdades científicas, os rasgos de gênio e descobertas. Mas este poder mais elevado não tem que, necessariamente, funcionar subordinado à chamada mente racional: ele pode agir diretamente, como a iluminação total, a visão e a faculdade divina."

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Livro III - Aforismo 34

34. A compreensão da consciência da mente vem da meditação dirigida sobre o centro do coração.

Os filhos dos homes distinguem-se do reino animal pela possessão da inteligência, da mente racional, racionadora. Daí serem os seres humanos frequentemente chamados na Sabedoria Eterna, a Doutrina Secreta do mundo, de "filhos da mente". É isto que lhes dá seu senso de individualidade e identidade, é isto que os faz egos.

No centro do cérebro, situado na glândula pineal, está o lar da alma, como nos é dito, um posto avançado da vida de Deus, uma centelha de puro fogo espiritual. Este é o ponto mais baixo que a pura vida espiritual, direto da Mônada, nosso Pai nos Céus, contata ou alcança. É a terminação do sutratma, ou fio que une e liga os vários invólucros e que passa da mônada em seu próprio elevado plano, através do corpo da alma nos níveis mais elevados do plano mental, até em baixo, o veículo físico. Esta vida de Deus é tríplice e combina a energia do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e é portanto, responsável pelo pleno funcionamento de todas as partes da natureza do homem em todos os planos e por todos os estados de consciência. Um cordão deste tríplice fio, ou caminho, o primeiro, é o que dá a vida, o espírito e a energia. Um outro, o segundo, é responsável pelo aspecto consciência ou inteligência, pelo poder do espírito em responder ao contacto e envolver a resposta. O terceiro diz respeito à vida da matéria ou ao aspecto corpo.

O primeiro aspecto, através da mônada, alcança a glândula pineal, o ponto onde reside o espírito do homem. O segundo, ou aspecto consciência, através do ego, estabelece um ponto de contato com o centro do coração, enquanto que o terceiro aspecto, ou a terceira parte do sutratma, une-se ao centro na base da coluna vertebral, que é a principal fonte da personalidade ou da atividade corporal. Portanto, pela concentração sobre a luz na cabeça obtém-se conhecimento sobre os mundos espirituais e sobre os espíritos puros que trabalham e andam neles, pois Atma ou o espírito brilha ali. De modo semelhante, pela meditação concentrada sobre o coração, obtém-se conhecimento sobre o segundo aspecto, do princípio inteligente consciente que faz do homem um filho de Deus.

Pelo desenvolvimento da cabeça e pela utilização do centro da cabeça, leva-se a vontade a uma atividade operante. E a característica do espírito, e demonstra propósito e controle. De maneira semelhante, pelo desabrochar e utilização do centro do coração põe-se em uso o aspecto amor-sabedoria e vê-se o amor de Deus atuando na vida e no trabalho do homem. Pois a mente de Deus é amor, e o amor de Deus é inteligência e estes dois aspectos de uma grande qualidade são postos em jogo para a realização de Sua vontade e de Seu propósito. Cristo foi o principal exemplo disto para o Ocidente, assim como Krishna foi para a Índia, e isto tem que ser refletido e manifestado também em cada homem.

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Livro III - Aforismo 35

35. A experiência (sobre os pares de opostos) provém da incapacidade da alma em distinguir entre o eu pessoal e purusha (ou espírito). As formas objetivas existem para a utilização (e experiência) do homem espiritual. Pela meditação sobre isto nasce a percepção intuitiva da natureza espiritual (purusha).

Novamente temos uma interpretação bastante livre do texto original, mas que dá, não obstante, a correta interpretação.

Vimos nos aforismos precedentes que o estreito caminho a ser percorrido entre os pares de opostos (pela prática da discriminação e da despaixão) é o caminho do equilíbrio , do balanceamento, o nobre caminho do meio. Este aforismo é como se fosse um comentário sobre este estágio da experiência da alma e indica as seguintes lições:

Primeiro, que o motivo pelo qual somos confrontados pelos pares de opostos e porque frequentemente escolhemos a linha de ação ou atitude mental que nos dá prazer ou dor, é por não distinguirmos entre as naturezas inferior e superior, entre o eu pessoal (funcionando como uma unidade física, emocional e mental) e o espírito divino que se encontra em cada um de nós. Nós nos identificamos com o aspecto forma e não com o espírito. Nós nos consideramos como o não-eu por longos eons de tempo e esquecemos nossa filiação, nossa unidade com o Pai e o fato de que somos, realmente, o eu que habita o interior.

Segundo, que o propósito da forma é simplesmente permitir que o eu estabeleça com mundos que de outra forma lhe seriam inacessíveis, o desenvolvimento pleno da consciência em todas as partes do reino do Pai, e assim se demonstrar como um filho de Deus, plenamente consciente. Através da forma se adquire experiência, desperta-se a consciência, desenvolvem-se faculdades e poderes.

Terceiro, à medida que se aprende este fato intelectualmente e se medita sobre ele internamente, desenvolve-se a consciência da identidade com a natureza espiritual e de que se é distinto da forma. A pessoa sabe em verdade, que é, não a forma, mas sim, o habitante interno, não o ser material, mas o espiritual, não os aspectos diferenciados, mas sim somente o Uno, e assim leva adiante o grande processo da libertação. O homem se torna no que realmente é e consegue isto pela meditação sobre a alma inteligente, o aspecto do meio, o princípio Crístico que une o Pai (espírito) e a Mãe (matéria).

Assim, vê-se novamente a grande triplicidade:

1. O Pai, ou espírito, o que se manifesta, o que cria, o que habita.

2. O Filho, que revela, medita e une o mais elevado aspecto ao inferior.

3. O Espírito Santo, encobrindo a Mãe, substância material inteligente, dando origem às formas pelas quais se ganha experiência e desenvolvimento.

O que experimenta, o que encarna e conquista a expressão divina por meio da forma é a alma, o eu, o consciente homem espiritual. o Cristo interno. Quando, através destas experiências, obtém a maturidade, revela o Pai ou espírito e assim cumpre as palavras do Cristo, quando disse (respondendo à pergunta de Filipe, "Senhor, mostra-nos o Pai"), "Aquele que me viu, viu o Pai" (João, XIV).

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Livro III - Aforismo 36

36. Como resultado destas experiências e meditações, desenvolvem-se a audição, o tato, a visão, o paladar e o olfato superiores, produzindo o conhecimento intuitivo.

Pela meditação, o aspirante se torna consciente das correspondência aos cinco sentidos, tais como encontradas nos reinos sutis e, despertando-as e utilizando-as conscientemente, ele se torna capaz de funcionar tão livremente nos planos internos como faz no plano físico. Ele pode então servir inteligentemente naqueles reinos e cooperar com o grande esquema evolutivo.

Os sentidos podem ser definidos como os órgãos através dos quais o homem toma conhecimento de seu ambiente. Estes cinco sentidos existem nos animais, mas neles não existe a faculdade do pensamento que os correlata. Os sentidos se demonstram como uma faculdade grupal, análoga ao instinto racial no reino humano.

Cada um dos cinco sentidos tem uma conexão definida com um ou outro dos sete planos de manifestação e tem também uma correspondência em todos os planos.

Plano Sentido
1 - Físico Audição
2 - Astral Tato ou sensação
3 - Mental Visão
4 - Búdico Paladar
5 - Átmico Olfato

Um outro quadro retirado de "Um Tratado sobre o Fogo Cósmico" tornará mais claros os cinco diferentes aspectos dos cinco sentidos nos cinco planos, e se o estudante desejar maiores informações poderá recorrer às págs. 188/189 (edição inglesa) do citado Tratado.


EVOLUÇÃO SENSORIAL MICROCÓSMICA

Plano Sentido Subplano
Físico 1. Audição 5° - Gasoso
  2. Tato, sensação 4° - Primeiro etérico
  3. Visão 3° - Superetérico
  4. Paladar 2° - Subatômico
  5. Olfato 1° - Atômico
     
Astral 1. Clariaudiência
  2. Psicometria
  3. Clarividência
  4. Imaginação
  5. Idealismo emocional
     
Mental 1. Clariaudiência superior 7° - com forma
  2. Psicometria planetária 6° - com forma
  3. Clarividência superior 5° - com forma
  4. Discriminação 4° - com forma
  5. Discernimento espiritual 3° - sem forma
  Resposta à vibração grupal 2° - sem forma
  Telepatia espiritual 1° - sem forma
     
Búdico 1. Compreensão
  2. Cura
  3. Visão divina
  4. Intuição
  5. Idealismo
     
 Átmico 1. Beatitude
  2. Serviço ativo
  3. Realização
  4. Perfeição
  5. Conhecimento total

 

Nas tabelas seguintes os números um, dois, três, quatro e cinco, em cada sentido, referem-se aos planos de manifestação dados nas primeiras tabelas anteriores.

a. O Primeiro Sentido
Audição
1. Audição física.
2. Clariaudiência.
3. Clariaudiência superior
4. Compreensão (de quarto sons)
5. Beatitude.


b. O Segundo Sentido
Tato ou sensação
1. Tato físico.
2. Psicometria.
3. Psicometria planetária.
4. Cura.
5. Serviço ativo.


c. O Terceiro Sentido
Visão
1. Visão física.
2. Clarividência.
3. Clarividência superior.
4. Visão divina.
5. Realização.


d. O Quarto Sentido
Paladar
1. Paladar Físico.
2. Imaginação.
3. Discriminação.
4. Intuição.
5. Perfeição


e. O Quinto Sentido
Olfato.
1. Olfato físico.
2. Idealismo emocional.
3. Discriminação espiritual
4. Idealismo.
5. Conhecimento total.

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Livro III - Aforismo 37

37. Estes poderes são obstáculos à mais alta realização espiritual, mas servem como poderes mágicos nos mundos objetivos.

Neste livro-texto de desenvolvimento espiritual, um fato constantemente ressalta e este fato é que os poderes psíquicos, superiores e inferiores, são empecilhos para o mais alto estado espiritual e devem ser deixados para traz, pelo homem que pode funcionar liberto totalmente dos três mundos. Esta é uma difícil lição a ser apreendida pelo aspirante. Ele está pronto a pensar que uma tendência para a clarividência ou para a clariaudiência é indicativa de progresso e um sinal de que sua prática de meditação está começando a fazer efeito. No entanto, isto poderia provar exatamente o oposto e inevitavelmente será este o caso, se o aspirante for atraído ou se apegar a qualquer uma destas formas de faculdades psíquicas. Um antigo escritor hindu diz, em relação a estes poderes:

"Uma mente cuja substância mental é emergente dá grande valor a estas perfeições, exatamente como um homem nascido na pobreza considera mesmo uma migalha de riqueza como uma grande riqueza. Mas um iogue, cuja substância mental é concentrada, deve evitar estas perfeições, mesmo quando levadas até próximo a ele. Aquele que aspira à meta final da vida, ao apaziguamento absoluto da tríplice angústia, como poderá ele ter alguma atração por estas perfeições que vão contra a conquista daquele objetivo."

Dvivedi diz:

"Os poderes ocultos até agora descritos e a serem descritos daqui por diante ... se constituem em obstáculos, pois se tornam a casa da distração da mente pelas várias sensações que provocam. Mas não são inteiramente sem utilidade, na medida em que forem grandes poderes para o bem, ao ser suspenso o samadhi."

É válido para o aspirante saber o que são estes poderes, como controlá-los em vez de ser controlado por eles, e como empregá-los no serviço a seus irmãos e à Hierarquia, mas devem ser encarados como instrumentos e relegados ao lado forma. Deve-se compreender que eles são as qualidades ou capacidades dos invólucros ou do aspecto forma, pois de outro modo assumirão importância indevida, absorverão demasiada atenção e se constituirão em empecilhos à progressão do desabrochar da alma.

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Livro III - Aforismo 38

38. Pela libertação das causas da escravidão através de seu enfraquecimento e por uma compreensão do modo de transferência (retirada ou admissão), a substância mental (ou chitta) pode entrar em outro corpo.

Toda esta ciência da Raja Ioga se baseia numa compreensão da natureza, propósito e funcionamento da mente. A lei básica desta ciência pode ser resumida nas palavras "a energia segue o pensamento" e a sequência de atividade pode ser apresentada como se segue:

O pensador, em seu próprio plano, formula um pensamento corporificando algum propósito ou desejo. A mente vibra em resposta a esta ideia e produz simultaneamente uma reação correspondente no corpo de desejos, kâmico ou emocional. O corpo de energia, o invólucro etérico, vibra em sincronia, e assim o cérebro responde e alimenta o sistema nervoso através do corpo físico denso , de modo a que o impulso do pensador se traduza em atividade no plano físico.

Há uma Intima relação entre a mente e o sistema nervoso de modo que temos uma interessante triplicidade:

1. A mente,
2. O cérebro,
3. O sistema nervoso,

e esta triplicidade deve ser cuidadosamente lembrada pelo estudante de Raja Ioga no estágio inicial de seu trabalho. Posteriormente, uma segunda triplicidade atrairá sua atenção:

1. O pensador,
2. A mente,
3. O cérebro,
mas isto será durante o lado demonstrativo de seu trabalho.

É através de uma compreensão do método pelo qual os nervos são tonificados que o pensador pode galvanizar seu instrumento em atividade durante a encarnação e, de modo semelhante, produzir transe, samadhi ou morte. O mesmo conhecimento básico habilita um adepto a levantar um corpo morto, como o Cristo fez na Palestina, ou ocupar o veiculo de um discípulo para fins de serviço, como o corpo do discípulo Jesus foi ocupado pelo Cristo. Este conhecimento e sua utilização, dizem-nos, estão sujeitos à grande lei do carrna, de causa e efeito, e nem mesmo o Próprio Cristo pode deixá-la de lado, a não ser que exista um "adequado" enfraquecimento da causa que produz a vinculação.

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Livro III - Aforismo 39

39. Pela subjugação da vida para o alto (udana) tem-se a libertação da água, do caminho espinhoso e do atoleiro, e se obtém o poder da ascensão.

Permeando todo o corpo está a totalidade da força nervosa, que o hindu chama de prana. Ela é controlada pela mente, através do cérebro; é a vitalidade que põe em atividade os órgãos sensoriais e produz a vida externa do homem; seu meio de distribuição é o sistema nervoso, através de determinados centros de distribuição chamados plexos ou lótus. Os gânglios nervosos, conhecidos pela medicina ortodoxa, são os reflexos ou sombras dos plexos mais vitais. O estudante não estará muito errado se considerar a totalidade de prana no corpo humano como constituindo o corpo etérico ou vital. Este corpo etérico é inteiramente formado por correntes de energia e é o substrato da substância viva que está por traz da forma física densa.

Um dos termos aplicados a esta energia é "ares vitais". O prana é quíntuplo em sua manifestação, correspondendo assim aos cinco estados mentais, ao quinto princípio e às cinco modificações
do princípio pensante. No sistema solar o Prana se traduz como os cinco grandes estados de energia a que chamamos planos, o meio da consciência; são eles:

1. O plano átmico ou espiritual,
2. O plano búdico ou intuicional,
3. O plano mental,
4. O plano kâmico, emocional ou astral,
5. O plano físico.

As cinco diferenciações do. prana no corpo humano são:

1. Prana, estendendo-se do nariz ao coração e tendo uma relação especial com a boca e a voz, o coração e os pulmões.

2. Samana, estendendo-se do coração ao plexo solar; diz respeito ao alimento e à alimentação do corpo por meio da comida e da bebida e tem uma relação especial com o estômago.

3. Apana, controla desde o plexo solar até a sola dos pés; diz respeito aos órgãos de eliminação, de rejeição e do nascimento, tendo assim uma especial relação com os órgãos genitais e de eliminação.

4. Upana, encontra-se entre o nariz e o alto da cabeça; tem uma relação especial com o cérebro, o nariz e os olhos e, quando corretamente controlado, produz a coordenação dos ares vitais e sua correta manipulação.

5. Vyana é o termo aplicado à totalidade da energia prânica do ser, uniformemente distribuída por todo o corpo. Seus instrumentos são os milhares de nadis, ou nervos encontrados no corpo, e tem uma conexão definida e peculiar com os canais sanguíneos veias e artérias.

Neste aforismo nos é dito que pelo domínio do quarto destes ares vitais, pode-se obter certos e definidos resultados e será interessante verificar quais são eles. Este domínio só se torna possível à medida que se compreende e domina o sistema de Raja Ioga, pois envolve a capacidade de se funcionar na cabeça e de se controlar a natureza inteira a partir do ponto no interior do cérebro. Quando um homem se torna polarizado nesse ponto, então a força nervosa ou energia encontrada no alto da cabeça se torna ativa e por seu correto controle e domínio se torna possível obter a correta direção dos pranas do corpo e o homem alcança a libertação; e, através dela consegue-se o não contato com os três mundos. A linguagem em- pregada é necessariamente simbólica e não se deve perder seu sentido pela materialização de seu real significado. A levitação, o poder de andar sobre a água e a capacitação para opor-se â atração gravitacional da terra são os seus menores importantes significados.

1. A libertação da água é um modo simbólico de dizer que a natureza astral foi subjugada e que as grandes águas da ilusão não mais podem manter prisioneira a alma emancipada. As energias do plexo solar não são mais as dominantes.

2. A libertação do caminho espinhoso refere-se ao caminho físico e não há, em lugar algum, referência mais bela que a do Cristo em Sua parábola dos Semeadores, onde algumas das sementes caíram entre espinhos. Dá-se a explicação de que os espinhos são as preocupações e problemas da vida na terra que conseguem estrangular a vida espiritual e encobrir o homem verdadeiro por tanto tempo. O caminho espinhoso deve levar ao caminho do norte e este, por sua vez, ao Caminho da Iniciação. Em um dos antigos livros nos Arquivos da Loja, encontram-se as seguintes palavras:

"Que o que procura a verdade escape do afogamento e suba as margens do rio. Que ele se volte para a estrela polar e permaneça em solo firme, com sua face voltada para a luz. Que a estrela então guie".

3. A libertação do atoleiro refere-se à natureza mista de kamamanas, desejo e mente inferior, que provoca o problema único da humanidade. É também uma maneira simbólica de se referir à grande ilusão que aprisiona o peregrino durante tanto tempo. Quando o aspirante pode caminhar na luz, tendo encontrado a luz (Shekinah) dentro de si mesmo, no Santo dos Santos, dissipa-se então, a ilusão. É de valia para o estudante traçar a analogia entre as três partes do Templo de Salomão e as do "Templo do Espírito Santo", o arcabouço humano.

A corte externa corresponde às energias e aos respectivos órgãos encontrados abaixo do diafragma. O Santo Lugar são os centros e órgãos da parte superior do corpo, da garganta ao diafragma. O Santo dos Santos é a cabeça onde está o trono de Deus, a Cadeira do Perdão e a glória que tudo cobre.

Quando estes três aspectos da libertação tiverem sido alcançados e o homem não mais for dominado pela água, pelo atoleiro ou pela vida no plano físico, ele conquistará o "poder de ascensão" e poderá ascender aos céus à sua vontade. O Cristo ou o homem espiritual pode permanecer no cimo da montanha da ascensão, tendo ultrapassado as quatro crises ou pontos de controle desde o nascimento até a crucificação. Assim a "udana" ou vida para o alto se torna o fator de controle e a vida para baixo não mais domina.

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Livro III - Aforismo 40

40. Pela subjugação de samana, a centelha se transforma em chama.

Este aforismo é um dos mais belos no livro e deve-se assinalar aqui a tradução de Charles Johnston: "Pelo domínio da vida que retém, surge o resplendor". Uma outra interpretação poderia ser: "pelo controle de samana, AUM (a Palavra de Glória) se manifesta". Do coração vêm os assuntos da vida; e a energia vital chamada samana controla o coração e o sopro da vida, através dos pulmões. Quando o corpo está purificado e suas energias corretamente dirigidas, e quando se conquista o ritmo, vê-s,e então a vida esplendorosa.

Isto não é uma simples metáfora, pelo contrário, acontecerá literalmente, pois quando as correntes da vida são dirigidas pela alma entronizada, pelos nervos e pelos canais sanguíneos, então somente os mais puros átomos serão construídos no corpo e o resultado será um jorro de luz por todo o homem. Não será apenas a cabeça que irradiará luz de modo a que o clarividente possa ver um halo ou um círculo de cores brilhantes, mas todo o corpo também será irradiado pelos vibrantes centros de força elétrica, distribuídos pelo corpo.

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Livro III - Aforismo 41

41. Por meio da meditação dirigida sobre a relação entre akasha e o som, desenvolve-se um órgão para a audição espiritual.

Para compreender este aforismo é essencial que certas relações sejam compreendidas - relações entre a matéria, os sentidos e aquele que experimenta.

Os cristãos acreditam que "todas as coisas foram feitas pela palavra de Deus". O crente oriental sustenta que o som foi o fator que deu origem ao processo criativo e ambos ensinam que esta palavra ou Som é descritiva da segunda Pessoa da divina Trindade.

Este som ou palavra lançou a matéria do sistema solar numa peculiar atividade e foi precedida pelo sopro do Pai que iniciou o movimento original ou vibração.

Primeiro, então, o sopro (pneuma ou espírito) impingindo sobre a substância primordial e estabelecendo uma pulsação, uma vibração, um ritmo. A seguir a palavra, ou som, fazendo com que a substância que vibra e pulsa tome forma ou formato, realizando assim a encarnação da segunda Pessoa da Trindade cósmica, o Filho de Deus, o Macrocosmo.

Este processo resultou nos sete planos de manifestação, nas esferas onde são possíveis os sete estados de consciência. Todos eles são caracterizados por certas qualidades e se diferenciam entre si por específicas capacidades vibratórias e são denominados por certos termos.

A tabela que segue será útil se o estudante tiver em mente que a primeira triplicidade de planos é a de manifestação divina e que a triplicidade inferior é um reflexo daquele processo divino e constitui os três planos de nossa experiência normal. Estas duas triplicidades de Deus e do homem são ligadas pelo plano do meio de união ou unificação, onde Deus e o homem são tornados um. Este é o plano Crístico na fraseologia cristã, o plano búdico na terminologia oriental.

 

OS PLANOS DIVINOS

Plano I Logoico ou Divino O Mar de Fogo Deus o Pai Vontade
Plano II Monádico O Ákasha Deus o Filho Amor-Sabedoria
Plano III Espiritual ou átmico O Éter Deus o Espírito Santo Intligência Ativa

 

PLANOS DE ESFORÇO HUMANO

Plano V Mental Fogo Reflexo do Mar de Fogo Vontade Humana
Plano VI Emocional ou Astral Luz Astral Reflexo dos Ákasha Amor humano e desejo
Plano VII Físico Éter Reflexo do Éter Atividade Humana

 

Em todos estes planos a consciência se manifesta e os sentidos, exotéricos e esotéricos, produzem contatos.

Plano I Fogo O Sopro    
Plano II Ákasha O Som Audição Ouvido
Plano III Éter Resposta Vibratória Tato A Pele
Plano IV Ar Visão Vista O Olho
Plano V Fogo Discriminação Paladar A Língua
Pano VI Luz Astral Desejo Olfato O Nariz
Plano VII - Os correspondentes físicos de todos estes.

 

Um outro método de se expressar isto é o seguinte:

VII Plano Físico Olfato Éter
VI Astral Paladar Luz Astral
V Mental Visão Fogo
IV Búdico Tato Ar
III Átmico Audição Éter
II Monádico Mente Ákasha
I Logoico Síntese  

Verificar-se-á, contudo, que uma das tabelas dá o ponto de vista microcósmico, enquanto que a outra dá o macrocósmico, e como o aspirante é quem procura atuar "livre no macrocosmo" e transcender suas limitações microcósmicas, é com a primeira categoria que nos ocuparemos.

Ao se considerar este aforismo e seu esclarecimento pela compreensão da natureza dos planos, seus símbolos e substância, torna-se aparente que o homem que compreende a natureza da palavra e do segundo aspecto, chega à conscientização da audição.

Isto poderia ser compreendido misticamente pelo aspirante, ao se conscientizar de que, quando as vozes dos desejos (vozes astrais ou resposta vibratória ao segundo aspecto do reflexo, os três planos inferiores) são substituídas pela Voz do Silêncio ou do Cristo Interno, conhece-se então a palavra ou o som e se estabelece contato com o segundo aspecto da divindade.

1. Akasha A palavra O Som O segundo aspecto em manifestação.
2. Luz Astral   As vozes do desejo O reflexo do segundo aspecto.


Há muitos sons a serem ouvidos em todos os planos, mas a maior diversidade é encontrada no plano físico. O aspirante tem que desenvolver o poder de distinguir entre:

1. As vozes da terra físico,  
2. As vozes dos desejos astral,  
3. A fala ou os pensamentos formulados pela mente mental,  
4. A quieta e pequena voz do Cristo interno búdico,  
5. Os sons dos Deuses as palavras criativas átmico,
6. A palavra ou o som o AUM monádico,
7. O sopro monádico,

e nestas distinções estão simbolicamente indicados os problemas da correta audição nos vários planos e nos diferentes estados de consciência. Apenas o verdadeiro místico e aspirante compreenderá a natureza destas distinções.

Assim como todas as substâncias de nosso sistema solar manifestado são diferenciações do ákasha, a primeira diferenciação da matéria primordial, também todas estas distinções de som são diferenciações do som uno; são todas divinas em tempo e espaço. Mas todas têm que ser corretamente ouvidas e levam, todas elas, finalmente a AUM, a Palavra de Glória, a Palavra Macrocósmica, de cuja totalidade participam.

Ao estudante de Raja Ioga, contudo, há três vozes principais, ou sons, que interessam temporariamente:

1. A fala da Terra, de modo a empregá-la corretamente,
2. A Voz do Silêncio, de modo a escutá-la. Esta é a voz de seu próprio Deus interno, o Cristo,
3. O AUM, a Palavra do Pai, expressa através do Filho, que, quando percebida, porá o estudante em contato com a Palavra de Deus, encarnado em toda a natureza.

Quando a linguagem é corretamente usada e os sons da terra podem ser igualmente silenciados, pode-se então ouvir a Voz do Silêncio. Pode-se notar aqui que a clariaudiência é uma percepção da voz da grande ilusão e dá ao homem o poder de ouvir no plano astral. Isto, em seu correto lugar e quando controlado de cima pelo conhecimento, abre o ouvido a certos aspectos da expressão divina nos três mundos. Não é a divina audição mencionada neste aforismo. Charles Johnston, em seus comentários sobre este aforismo, trata muito bem do assunto como segue:

"A transferência de uma palavra pela telepatia é a primeira e mais simples forma da "audição divina" do homem espiritual, à medida que este poder aumenta e quando, pela meditação perfeitamente concentrada, o homem espiritual obtém uma mestria sobre ele, ele é capaz de ouvir e de claramente distinguir o falar dos grandes Companheiros, que o aconselham e o confortam em seu caminho. Eles podem dirigir-se a ele, quer em pensamento sem palavra, quer em perfeitamente definidas palavras e sentenças."

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Livro III - Aforismo 42

42. Pela meditação dirigida sobre a relação entre o corpo e Ákasha, ganha-se a ascensão para fora da matéria (os três mundos) e o poder de viajar pelo espaço.

Ákasha está em toda a parte. Nele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser. Tudo nada mais é que uma única substância, e no corpo humano são encontradas as correspondências às várias diferenciações.

Quando um homem conhece a si próprio e tem consciência da relação existente entre as energias que trabalham através dos sete centros e dos sete estados da matéria e da consciência, está então liberado e livre e pode contatar à vontade todos estes estados, sem limitações de tempo. Há uma relação entre cada um dos sete estados da matéria e um ou outro dos centros; através de cada um dos centros está a porta para um certo plano das esferas planetárias. Quando o discípulo incorpora à sua vida, em correta consciência, os vários meios da ioga tratados nos livros anteriores, podem ser-lhe confiados certos conhecimentos e chaves, certas palavras e fórmulas que, pela meditação concentrada, lhe darão a liberdade dos céus e o direito de entrar por certos portões no Reino de Deus.

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Livro III - Aforismo 43

43. Quando aquilo que vela a Luz é removido, segue-se um estado de ser chamado desencarnado (ou desincorporado), liberto da modificação do princípio pensante. Este é o estado de iluminação.

Novamente temos, em vez de uma tradução literal, uma tradução livre e nela foi preservado o verdadeiro sentido dos termos arcaicos em vez da correção acadêmica. A razão disto será aparente se dermos algumas das traduções bem conhecidas. Elas são traduções corretas mas demonstram a ambiguidade que é inevitável quando se faz uma tradução literal dos termos sânscritos.

"Uma flutuação desajustada, dirigida para o exterior, é o grande Desencarnado; como resultante disto há uma redução da cobertura do brilho". Woods.

"A modificação externa (do órgão interno). .. sem pensamento é (chamada) a grande incorpórea (modificação); daí (resulta) a destruição do obscurecimento da iluminação (do intelecto)". Tatya.

Vivekananda expressa este aforismo nas seguintes palavras:

"Praticando sanyama nas reais modificações da mente, que são externas, chamadas a grande desincorporação, desaparece o encobrimento da lua."

As grandes dificuldades sob as quais trabalham todos os tradutores é claramente visível neste texto e dai a interpretação livre desta passagem.

Há dois pensamentos que se procura expressar neste aforismo. Um deles se refere ao véu ou cobertura que impede a iluminação da mente, e o outro, ao estado de conscientização que é conquistado quando o homem se libertou deste véu. O que encobre a luz (o "alqueire" a que se referiu o Cristo no Novo Testamento) são os corpos ou invólucros flutuantes e em constante mudança. Quando eles são transmutados e transcendidos, a luz de Deus (o segundo aspecto divino) pode jorrar sobre o homem inferior e ele se conhece como é. A iluminação enche-o e ele se conhece como algo diferente das formas através das quais atua. Não mais está centrado e polarizado em suas formas, mas realmente está numa condição de desencarnação. Sua consciência é a de um homem não encarnado. São Paulo, como foi assinalado por diversos pensadores, teve um vislumbre deste estado de ser. Ele se referiu a isto nestas palavras:

"Eu conheci um homem em Cristo há cerca de quatorze anos, (se no corpo ou fora dele, eu não o posso dizer, Deus o sabe); ele alcançou o terceiro céu. E eu conheci tal homem ... como ele foi elevado ao paraíso e como escutou palavras sobre as quais não se pode falar e que de acordo com a lei, o homem não as pode pronunciar". (I Cor. XII)

Este "terceiro céu" pode ser interpretado de dois modos: primeiro, como representando o plano mental que é o verdadeiro lar do homem espiritual, o pensador, ou um estado mais especifico, a ser entendido como o que se encontra no terceiro, ou o mais elevado, dos três níveis abstratos do plano mental.

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Livro III - Aforismo 44

44. A meditação dirigida sobre as cinco formas que cada elemento toma, produz a mestria sobre cada elemento. Estas cinco formas são: a natureza grosseira, a forma elementar, a qualidade, a difusibilidade e o propósito básico.

Deve ser lembrado que este aforismo tem uma dupla referência, ao macrocosmo e ao microcosmo. Pode referir-se aos cinco planos da evolução monádica, ou às cinco formas que cada elemento toma, em cada plano, tendo-se em mente que este é o caso em relação à apreensão mental e às modificações do princípio pensante pois o homem é a estrela de cinco pontas e portanto só pode (como homem), alcançar uma iluminação quíntupla. Existem contudo, duas formas superiores e dois outros modos de percepção, isto é, a intuicional e a conscientização espiritual. Este aforismo, no entanto, nada tem a ver com elas. O centro da cabeça é, em si próprio, dual, e é composto pelo centro entre as sobrancelhas e pelo mais elevado chakra, o lótus de mil pétalas.

O estudo e a compreensão deste aforismo equiparão completamente o ocultista branco para todas as formas de trabalho mágico. Os estudantes devem lembrar-se de que isto não se refere aos elementos como os conhecemos mas sim à substância elementar da qual as formas grosseiras são feitas. De acordo com a Sabedoria Eterna, há cinco graus de substâncias que possuem certas qualidades. Estes cinco graus de substância formam os cinco planos da evolução monádica; formam as cinco esferas vibratórias onde se encontram o homem e o super-homem. Cada um destes cinco planos tem uma qualidade principal, da qual os cinco sentidos físicos são a correspondência.

Plano Natureza Sentido Centro
Terra Físico Olfato Base da coluna
Astral Emocional Paladar Plexo solar
Manásico Mental Visão Cabeça
Búdico Intuicional Tato Coração 
Átmico Espiritual Som Garganta 

Como indicado no Tratado sobre o Fogo Cósmico, estes sentidos e suas correspondências dependem do ponto de evolução do homem, exatamente como o disse H.P. Blavatsky em relação à enumeração dos princípios.

O aforismo acima, portanto, pode ser aplicado à mestria de cada plano, assim como à mestria dos elementos que compõem este plano. Refere-se à mestria e à utilização de todos os invólucros mais sutis através dos quais um homem contata um plano ou uma particular faixa vibratória.

Ganganatha Jha, em seu fundamentado comentário diz: "as qualidades específicas, o som e as outras pertencentes à terra, juntamente com as propriedades da forma e o restante, são denominadas "grosseiras". Esta é a primeira forma dos elementos. A segunda forma é sua respectiva característica genérica: Formato para a terra, viscosidade para a água, calor para o fogo, velocidade para o ar e onipresença para o akasha. As formas específicas para estas genéricas são o som e o restante." Ele dá uma tradução do aforismo 44 análoga a todas as outras, exceto a de Johnston, que é a seguinte:

"A mestria sobre os elementos, desde sanyama com referência ao não refinamento, caráter, sutileza, concomitância e utilidade."

1. Não refinamento, natureza grosseira.

O som e outros sentidos, à medida que se manifestam no plano físico. Devemos ter em mente que este plano é a soma grosseira de todos os outros. O espírito é matéria em seu ponto mais baixo.

2. Caráter, forma elementar.

A natureza das características específicas dos elementos.

3. Sutileza, ou qualidade.

A substância atômica básica de qualquer elemento. Aquilo que produz seus efeitos fenomênicos. t. o que está por traz de toda a percepção sensorial e de todos os cinco sentidos. Uma outra palavra para esta forma "sutil" é tanmatra.

4. Concomitância ou difusibilidade.

Esta é a natureza completamente difusível de todo elemento; sua inerência. É a totalidade das três gunas, tamas rajas e sattva. Cada elemento, de acordo com sua posição no esquema manifestado é caracterizado pela inércia, atividade ou ritmo. É inerente à substância. Apenas difere o ritmo vibratório. Há a correspondência a cada elemento, em cada plano.

5. Utilidade, ou propósito básico.

Esta é a correta utilização de cada elemento no grande trabalho da evolução. Literalmente, é o poder oculto em cada átomo de substância que o impulsiona (através de todos os reinos da natureza) a se autoexpressar e que o capacita a realizar seu trabalho no tempo e no espaço e a prosseguir até a frutificação final.

Quando, pela meditação concentrada sobre as cinco formas distintivas de todos os elementos, o conhecedor chega ao conhecimento de todas as suas qualidades, características e natureza, ele pode então cooperar inteligentemente no plano e se tornar um mago branco. Para a maioria, por enquanto, só nos é possível chegar a três das formas e este assunto é abordado no livro Luz no Caminho, nas seguintes palavras: "Pergunte à terra, ao ar e à água, que segredos guardam para você. O desenvolvimento de seu sentido interno capacitá-lo-á a fazer isto."

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Livro III - Aforismo 45

45. Através desta mestria obtêm-se a precisão e os outros siddhis (ou poderes), assim como a perfeição corporal e a libertação de todos os empecilhos.

No final de cada um destes três livros sobre Raja Ioga, há um aforismo resumindo os resultados e dando uma visão do que é possível ao aspirante inteligente e fiel. São eles os seguintes:

"E assim sua realização se estende do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, e do annu (o átomo ou partícula) ao átma (ou espírito) seu conhecimento é aperfeiçoado": (Livro I - Aforismo 40).

"Como resultado destes meios segue-se a completa subjugação dos órgãos sensoriais". (Livro II, Aforismo 55).

"Através desta mestria obtêm-se a precisão e os outros siddhis (ou poderes), assim como a perfeição corporal e a libertação de todos os empecilhos." (Livro II, Aforismo 45).

Vê-se daí que primeiro se obtém a visão e a conscientização interna de Deus; a seguir, a completa subjugação da natureza inferior e o controle dos sentidos e de seus órgãos, de modo a que a conscientização se torne um fato na experiência no plano físico, e vem então a manifestação desse controle pela demonstração de certos poderes.

Todo o livro quatro trata da grande consumação que nasce dos três resultados anteriormente mencionados, e que produzem:

1. A cessação de toda a tristeza e trabalho (aforismo 30)
2. A obtenção do conhecimento infinito (aforismo 31)
3. A entrada na eternidade (aforismo 33)
4. A volta da consciência ao seu centro (aforismo 34)

Em relação ao aforismo agora em consideração, os oito siddhis ou poderes psíquicos são frequentemente chamados as oito perfeições que, com os dois outros, formam os dez da perfeição no que diz respeito ao homem inferior. Estes poderes são:

1. Exatidão ... anima. Este é o poder que o iogue possui e que lhe permite tornar-se tão pequeno como um átomo, de identificar-se com a menor parte do universo, sabendo ser o ego naquele átomo uno com ele próprio. Isto é devido ao fato de que a anima mundi, ou a alma do mundo, se espalha universalmente por todos os aspectos da vida divina.

2. Magnitude ... mahina. Este é o poder de expandir a consciência e assim penetrar tanto no todo maior como na parte me- nor.

3. Gravidade ... garima. Diz respeito ao peso e à massa e trata da lei de gravidade, que é um aspecto da Lei de Atração.

4. Leveza ... laghima. Este é o poder que subjaz ao fenômeno da levitação. É a capacidade do adepto em anular a força atrativa do planeta e deixar a terra. É o oposto ao terceiro siddhi.

5. A conquista do objetivo ... prapti. É a capacidade do iogue de alcançar sua meta, de estender sua conscientização a qualquer localidade e de alcançar qualquer lugar que deseje. É evidente que isto tem aplicação em todos os planos nos três mundos, como o têm todos os siddhis.

6. Vontade irresistível ... prakamya. Isto é algumas vezes descrito como soberania e é a força motora irresistível encontrada em todos os adeptos, que leva seus planos à frutificação, à obtenção de seus desejos e à completação de seus impulsos. Esta qualidade é a característica que distingue o mago negro do mago branco. Demonstra-se necessariamente com a maior força no plano dos três mundos que reflete o aspecto vontade da divindade, o plano mental. Todos os elementos obedecem a esta força de vontade quando usada pelo iogue.

7. Poder criativo ... isatva. Isto diz respeito ao poder do adepto em lidar com os elementos em suas cinco formas e a produzir com eles realidades objetivas, criando, assim, no plano físico.

8. O poder de comandar ... vasitva. O mago, à medida que controla as forças elementares da natureza, emprega este poder que é a base da mantra ioga, a ioga do som ou da palavra criativa. O poder criativo, o sétimo siddhi, diz respeito aos elementos e à sua vitalização, de modo a que eles se tornem "causas efetivas"; este siddhi, o oitavo, concerne ao poder da Palavra em dirigir as forças construtivas da natureza a uma atividade coerente, de modo a produzir as formas.

Quando estes oito poderes estão agindo, então o nono, a perfeição corporal, é obtido, pois o adepto pode construir um veículo adaptado às suas necessidades, pode fazer com ele o que quizer e, por seu intermédio, atingir ao seu objetivo. Finalmente, o décimo poder será visto em plena manifestação e forma alguma causará empecilhos ou obstáculos à frutificação da vontade do iogue. Ele está livre da forma e de suas qualidades.

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Livro III - Aforismo 46

46. A simetria da forma, a beleza da cor, a força e a forma compacta do diamante constituem a perfeição corporal.

Embora muitos comentaristas deem a este aforismo uma interpretação puramente física, há um conceito muito mais amplo envolvido. Temos retratado nele, em termos cuidadosamente escolhidos (dos quais o inglês nada mais é que uma interpretação, faltando-lhe expressão para transmitir perfeitamente a ideia) a condição do terceiro aspecto, ou forma, pelo qual o segundo aspecto, ou Crístico, está-se manifestando. Este terceiro aspecto é, ele mesmo, tríplice, mas, apesar disto, forma um todo coerente e daí a utilização dos quatro termos para expressar este eu pessoal inferior. O ocultista nunca se preocupa com o veículo físico denso. Ele considera o corpo etérico como a forma verdadeira e o denso simplesmente como matéria empregada para encher a forma. O corpo etérico é a verdadeira forma substancial, o arcabouço, o andaime ao qual o corpo denso necessariamente se ajusta. Esta forma deve ser simétrica, ou construída realmente de acordo com as dimensões e o projeto, e sua característica básica é a exatidão geométrica de suas muitas unidades. O corpo emocional, ou astral, como é bem conhecido, distingue-se por seu colorido e, de acordo com o estágio de desenvolvimento, as cores são belas, claras e translúcidas, ou feias, escuras e embaçadas. O corpo astral do adepto é algo de radiante beleza e nele não se encontram as cores referentes às vibrações baixas. Então, o mais elevado aspecto do eu pessoal, o corpo mental, vibrará de acordo com o espírito, que é vontade, poder ou força .- qualquer destas palavras é suficiente. Força, beleza e forma, reflexos do poder, do amor e da atividade - estas são as características do corpo de manifestação de qualquer filho de Deus que tenha entrado em seu reino. Então, o quarto aspecto transmite a ideia de unidade, a coerência dos três, de modo a que eles ajam como um todo, e não separada e independentemente. O homem é então os Três em Um e Um em Três, como é seu Pai nos Céus, pois é "feito conforme a imagem de Deus."

Os tradutores empregam duas palavras para transmitir a ideia de uma força coesiva, compacta, isto é, o diamante, e o raio. O ser humano que recebeu a mais alta das iniciações planetárias é chamado "a alma de diamante" - o homem que pode perfeitamente transmitir a pura luz branca e assim refletir igualmente todas as cores do arco-íris. as sete cores da escala cromática. Sua personalidade é aqui designada pelo mesmo termo, pois se tornou um transmissor da luz ou resplendor interno.

O termo "raio" é igualmente expressivo, transmitindo a ideia, como o faz, da força elétrica. Tudo o que podemos saber de sua energia como demonstrada em sua força e atividade, daí ser o mais elevado aspecto da divindade, chamado fogo elétrico na Doutrina Secreta.

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Livro III - Aforismo 47

47. A mestria sobre os sentidos é obtida através da meditação concentrada sobre sua natureza, seus atributos peculiares, egoísmo, difusibilidade e propósito útil.

O aforismo 44 cuidou amplamente da objetividade e da natureza das cinco formas que todo elemento assume. Este aforismo aborda o que é subjetivo e o equipamento sutil através do qual se estabelece contacto com as formas e se as transforma em propósito específico. Estamos tratando aqui com os indriyas, ou sentidos, que são normalmente divididos pelos filósofos indus em dez, em vez de cinco. Eles dividem os cinco sentidos em dois grupos, os que chamamos de órgãos sensoriais, tais como o olho, o nariz, etc., e a faculdade que permite ao olho ver e ao nariz sentir o aroma.

Ao considerar os sentidos, o estudante os estuda, portanto, em cinco conexões e isto também em relação às suas correspondências nos planos astral e mental. As cinco visões são as seguintes:

1. Sua natureza. Ele estuda cada sentido em sua condição dupla, a de instrumento externo e a capacidade interna deste instrumento em responder a certos impactos vibratórios. Ele sabe, por exemplo, por que o órgão do sentido chamado olho vibra aos impactos que produzem a condição da visão, mas não responde aos que causam odor ou cheiro. Ele discrimina, portanto, entre os sentidos, e aprende assim a traçar um impulso vibratório até a sua fonte, ao longo de uma das cinco possíveis linhas de abordagem, e o faz com inteligência e não simplesmente às cegas.

2. Seus atributos peculiares. Ele estuda então a qualidade dos sentidos, pondo a ênfase não tanto sobre o sentido especificamente envolvido (isto foi tratado anteriormente) mas sim sobre o atributo peculiar deste sentido e daquilo a que dá a chave no macrocosmo.

3. Egoísmo. Refere-se à faculdade do "Eu" que tão predominantemente distingue o ser humano e assim coloca em jogo o sexto sentido, a mente, como o intérprete e o sintetizador dos outros cinco sentidos. É a capacidade do ser humano de dizer: "eu vejo", "eu sinto cheiro" - uma coisa que o animal não pode fazer.

4. Difusibilidade. Todos os sentidos são capazes de infinita extensão e cada sentido, quando conscientemente seguido e utilizado, pode conduzir o homem em três direções principais:

a. Para o centro de todas as coisas, de volta ao coração de Deus,
b. a uma íntima comunicação com seu semelhante, permitindo-lhe contatá-lo , quando assim desejado,
c. para o contato com todas as formas .

Para o homem comum existe apenas o que ele pode ouvir, tocar, ver, degustar e cheirar, apenas cinco maneiras em que ele pode adquirir conhecimento. Há somente cinco respostas possíveis para ele, à medida que contata vibrações de qualquer tipo e em nosso sistema solar nada mais há que energia vibratória, Deus em movimento ativo. Estes cinco métodos o põem em relação com os cinco elementos e quando isto é compreendido, as infinitas possibilidades abertas ao aspirante começam a aparecer. Posteriormente, abre-se, ao homem avançado, uma maior faixa de vibrações, quando ele pode empregar a própria mente, não só como a unificadora de todos os cinco sentidos, mas também como um sexto sentido. Este é o objetivo de toda a prática da Raja Ioga. Através da mente, conhece-se o reino da alma, exatamente como através dos sentidos, estabelece-se contato com o mundo objetivo.

5. Propósito útil. Quando se compreende a relação entre os cinco sentidos e os cinco elementos e se estuda e domina a Lei de Vibração, o adepto pode transformar em propósitos úteis todos os poderes de sua natureza. Ele pode não só entrar em comunicação com todas as partes de nosso sistema planetário, como também pode utilizar discriminatória e sabiamente todas as partes de sua própria natureza que são aliadas à - ou correspondências da - natureza de Deus, como mostrado no macrocosmo.

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Livro III - Aforismo 48

48. Como resultado desta perfeição, sobrevêm uma rapidez de ação como a da mente, a percepção independente dos órgãos e o domínio sobre a substância raiz.

Estivemos considerando os diversos resultados do processo de meditação quando levado até a perfeição e estamos agora atingindo um clímax. O vidente alcançava consumação do processo de alinhamento. Seu tríplice eu pessoal foi purificado, ajustado e controlado. Cada um dos três corpos está vibrando em sintonia com a nota do ego ou do eu superior, o qual, por sua vez, está no processo de sincronização com a Mônada, ou eu divino, o espírito em seu próprio plano. O grande "Filho da Mente", o pensador nos mais elevados níveis do plano mental, é agora o fator dominante, e o resultado deste domínio é tríplice , cada efeito manifestando-se em todos os planos, mas primariamente em um outro plano. Estes resultados são:

1. Ação rápida como a da mente. A expressão "rápido como o pensamento" é frequentemente empregada quando se deseja exprimir a maior velocidade possível. No iogue, estes atos no plano físico são tão sincronizados com seus processos de pensamento, suas decisões são tão instantâneas e suas finalidades tão rapidamente atingidas que sua vida no plano físico é caracterizada pela mais surpreendente atividade e pelos mais incríveis resultados. Pode-se dizer dela, em certo grau, o que se diz do Criador: "Deus meditou, visualizou, falou e os mundos foram feitos".

2. Percepção independente dos órgãos. O adepto não depende dos órgãos sensoriais para adquirir conhecimento, nem depende do sexto sentido, a mente.

A intuição foi nele desenvolvida em um instrumento utilizável e a apreensão direta de todo o conhecimento, independente da faculdade de raciocínio ou mente racionalizadora, é seu privilégio e seu direito. Não é mais necessário empregar a mente para apreender a realidade e nem mais é necessário empregar os sentidos como meio de contacto. Ele empregará todos os seis, mas de maneira diferente. A mente será utilizada como um transmissor para o cérebro dos desejos, planos e propósitos do Mestre único, o Cristo interno; os cinco sentidos serão transmissores de diferentes tipos de energia para os objetivos escolhidos e abre-se aqui um vasto campo de estudo para o investigador interessado. O olho é um dos mais potentes transmissores de energia e foi este conhecimento que, nos dias antigos, deu margem à crença no "mau olhado". Há muito a ser descoberto em relação à visão, pois este estudo inclui não só a visão física, como o desenvolvimento do terceiro olho, a clarividência, a visão espiritual perfeita, e assim por diante, até o inconcebível mistério abrangido nos termos "O Olho que Tudo Vê" e "O Olho de Shiva".

As mãos são fatores potentes em todo o trabalho mágico de cura e o emprego do sentido do tato é uma ciência esotérica. A sublimação do sentido da audição e sua utilização para escutar a Voz do Silêncio, ou a música das esferas, é um departamento de ensino ocultista dos mais profundos e aqueles adeptos que se especializaram na ciência da visão e na ciência do som são alguns dos mais eruditos e avançados na Hierarquia.

Os outros sentidos também são passíveis de profundos desenvolvimentos, mas estão peculiarmente escondidos nos mistérios da iniciação e nada mais é possível dizer-se aqui sobre eles. Os três sentidos, da audição, tato e visão, são as três características das três raças humanas e dos três planos em nossos três mundos.

1. Audição Lemuriana Plano Físico Ouvido Resposta do som
2. Tato. Atlante Plano Astral Pele Resposta ao tato
2. Tato. Ariana Corpo Mental Olho Resposta à visão

Este terceiro sentido afeta primordialmente a nossa raça e dai a palavra do profeta "Quando não há visão, o povo perece". O desenvolvimento da visão e a conquista da percepção espiritual são o grande objetivo de nossa raça, e o objetivo de todo o trabalho da Raja Ioga. Isto pode ser chamado de "iluminação" pelo místico ou de "visão pura" pelo ocultista, mas são uma e a mesma coisa.

Os dois outros sentidos estão ainda "velados"; sua verdadeira significação será revelada na sexta ou sétima raça, que sucederão à nossa, e sua verdadeira relação é com os planos búdicos ou intuicional e átmico ou espiritual.

3. Domínio sobre a substância raiz. Esta substância raiz é a pradhana e é chamada algumas vezes de raiz de tudo, substância primordial e matéria raiz. Rama Prasad, em sua tradução e comentário, tem as seguintes palavras: "O domínio sobre Pradhana significa o poder de controle sobre todas as modificações de Prakriti. Estas três consecuções ... são conseguidas pela conquista da aparência substantiva dos cinco instrumentos de sensação."

É interessante notar que a obtenção destas três consecuções demonstram:

a) A falta de habilitação da matéria e da forma para conservar o iogue confinado.
b) A impossibilidade da substância em impedir que o iogue conheça qualquer aspecto da manifestação que ele deseje conhecer.
c) A inutilidade da matéria em tentar resistir à vontade do iogue.

Estes três fatores explicam como o adepto pode criar à vontade e sua libertação de todas as limitações da matéria forma a base de toda a magia branca.

Pode-se notar aqui, em conclusão, que esta capacidade é em si mesma, relativa, pois o adepto está livre de limitações nos três mundos dos empreendimentos humanos. O Mestre tem liberdade perfeita de ação nos três planos e, além disso, no reino búdico, enquanto que o Cristo e aqueles com iniciação idêntica têm liberdade nos cinco mundos da evolução humana.

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Livro III - Aforismo 49

49. O homem que pode discriminar entre a alma e o espírito conquista a supremacia sobre todas as condições e se torna oniciente.

A condição do homem que pode fazer isto foi bem descrita no comentário de Charles Johnston sobre este aforismo e a beleza de seu pensamento será vista pelo estudo de suas palavras, que se seguem:

"O homem espiritual está envolvido na teia das emoções; desejo, medo, ambição; e bloqueado pelas formas mentais da separatividade e materialismo. Quando estas malhas se desfazem, quando estes obstáculos são completamente vencidos, então o homem espiritual se adianta em seu próprio e vasto mundo, forte, poderoso e sábio. Ele emprega poderes divinos, com escopo e energia divinos, trabalhando conjuntamente com Companheiros divinos. A alguém assim, diz-se: "Tu és agora um discípulo capaz de ficar de pé, capaz de ouvir, capaz de ver, capaz de falar, tu conquistaste o desejo e obtiveste o autoconhecimento, tu viste tua alma em seu florescer e reconheceste e escutaste a voz do silêncio."

A maravilhosa síntese do ensinamento é mais aparente neste aforismo que em qualquer outro, pois o ponto alcançado aqui é de uma ordem mais elevada do que o referido no aforismo 45, Livro II, e fica em posição intermediária entre a condição ali citada e a mencionada no Livro IV, Aforismos 30 e 34. No Livro I, Aforismo 4, encontramos o homem verdadeiro envolto nas malhas da natureza psíquica e a luz nele velada e oculta. Aprendendo a discriminar entre o eu verdadeiro e o eu pessoal inferior, ele se desenreda, a luz que está nele é vista e ele é libertado. Tendo conquistado a libertação, desenvolvido os poderes da alma e atingido a mestria, abre-se perante ele uma experiência e realização ainda maior e mais vasta. Ele pode começar a expandir sua consciência do planetário para o solar, e a consciência grupal pode ser desenvolvida até a consciência de Deus. O primeiro passo para isto é indicado no aforismo que estamos agora considerando, mas é indicado e abordado com maior detalhe no final do livro. As regras para esta expansão não são dadas, pois dizem respeito ao desenvolvimento de um Mestre, e ao desenvolvimento do Cristo naquele estado de ser mais elevado que lhe é possível, mas o quarto livro toca apenas nos estágios preparatórios e sugere outras possibilidades. Toca-se aqui no primeiro requisito básico, a discriminação, entre a alma, o Cristo interno, e o aspecto do espírito ou do Pai. A atividade inteligente foi demonstrada, baseada no desenvolvimento da natureza amor. Agora pode-se, com segurança, desenvolver o aspecto espírito ou vontade e entregar o poder nas mãos do Cristo.

Três termos são adequados para lançar luz sobre este processo de desenvolvimento.

A primeira grande realização que o aspirante tem que conquistar é a da onipresença; ele tem que conscientizar sua unidade com tudo e a unidade de sua alma com todas as outras almas. Ele tem que encontrar Deus em seu próprio coração e em toda forma de vida. A seguir, como iniciado, ele chega à onisciência ou ao conhecimento total, e as Câmaras de Aprendizado e de Sabedoria lhe revelam seus segredos. Ele se torna um Cristo, um conhecedor de todas as coisas, conhecendo o que está no coração do Pai e nos corações dos homens. Finalmente, ele poderá conquistar a onipotência ou o poder total, quando as chaves do Céu serão entregues ao Filho do Homem e todo o poder será seu.

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Livro III - Aforismo 50

50. Por uma atitude desapaixonada em relação a esta consecução e em relação a todos os poderes da alma, aquele que está livre das sementes da escravidão atinge a condição de unidade isolada.

A unidade isolada aqui mencionada é a da completa separação de todos os aspectos da forma e da conquista da Unidade espiritual. É uma atitude de distanciamento da consciência material e uma vida na consciência espiritual. É a harmonia com o espírito e a desarmonia com a matéria. Envolve a identificação com o Pai" nos Céus e uma verdadeira compreensão da palavra do Mestre de Todos os Mestres, "Eu e Meu Pai somos Um."

Foi estabelecido um correto sentido de valores e os poderes que foram desenvolvidos e as percepções que foram obtidas são encarados como tendo em si as "sementes de escravidão" e portanto o verdadeiro iogue não se preocupa consigo mesmo. Pela vontade e no serviço ele perceberá o que é necessário; pela vontade e no serviço ele empregará os poderes ocultos, mas ele mesmo permanecerá desapegado e livre de todas as limitações cármicas.

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Livro III - Aforismo 51

51. Deve haver completa rejeição de todas as atrações de todas as formas de ser, mesmo a celestial, pois a ocorrência de contatos malévolos permanece possível.

A tradução de Rama Prasad é muito esclarecedora e deve ser citada. É a seguinte:

"Quando as deidades que estão presidindo convidam, não deve haver apego e nenhum sorriso de satisfação, pois o contato com o indesejável é novamente possível."

A interpretação de Dvivedi dá ainda um outro ângulo:

"Não deve haver prazer ou orgulho pelos convites feitos pelas potências dos diversos lugares, pois há a possibilidade de repetição do mal."

O iogue ou discípulo atingiu o seu objetivo. Ele se libertou (pelo desapego e pela discriminação) das rédeas da forma e permanece solto e livre. Mas deve-se manter precavido pois "Aquele que pensa que está de pé, que tome cuidado, pois pode cair". A vida da forma sempre atrai, e as atrações da grande ilusão estão sempre presentes. A alma emancipada deve dirigir seus olhos para longe do convite das "deidades que estão presidindo" (as vidas que nos três mundos formam a totalidade da vida do plano) e fixá-los nos aspectos mais espirituais que constituem a vida do próprio Deus.

Verifica-se que até mesmo o próprio reino da alma e a "Voz dos Deuses", como é chamado, têm latentes as sementes do apego; assim, voltando as costas para tudo que ganhou e deixando para traz todo pensamento das perfeições alcançadas e dos poderes desenvolvidos, o Filho de Deus, o Cristo em manifestação, novamente se esforça para atingir uma meta ainda mais elevada. Em cada estágio do caminho, escuta-se o aviso: "Esquece as coisas que ficaram para traz, continua para a frente." Phil. IV), e cada nova iniciação apenas assinala o início de um novo ciclo de esforços.

Os comentadores sobre este aforismo indicam que há quatro classes de cheias ou discípulos. São elas:

1. Aqueles nos quais a luz está começando a alumiar. São chamados de "observadores da prática" e são aqueles que estão acabando de entrar no Caminho. São os probacionários, os aspirantes.

2. Aqueles em quem a intuição está despertando e que demonstram um correspondente desenvolvimento do poder psíquico. Este é um estágio muito perigoso, pois estes discípulos podem ser seduzidos pelas possibilidades de poder que lhes são abertas pela posse da faculdade psíquica. Podem ser iludidos e considerarem que este poder psíquico é uma indicação de crescimento espiritual e de desenvolvimento. Este não é o caso.

3. Os discípulos que sobrepujam todas as atrações sensoriais e que não podem ser iludidos pelo aspecto-forma nos três mundos. Eles conquistaram os sentidos e são vitoriosos sobre a natureza da
forma.

4. Os que ultrapassaram todos os anteriores e que permanecem firmes na verdadeira consciência espiritual. Estes são os iluminados, que progrediram através dos sete estágios de iluminação. Ver Livro II, Aforismo 27.

Se o estudante estudar agora o Livro III, Aforismo 26 e o comentário sobre o mesmo, obterá uma ideia sobre a natureza destes mundos da forma e das entidades que os presidem, cujas vozes procuram atrair o aspirante para fora do caminho, para o reino da ilusão. Ele verá também que será interessante contrastar e comparar as quatro primeiras classes de espírito ali enumerados com estes quatro tipos de discípulos. Nos três mundos tudo é um reflexo do que é encontrado nos reinos celestes e muito se poderá lucrar pela compreensão do grande aforismo Hermético: "Como em cima, assim é em baixo." Este reflexo é o que constitui o mal; o aspecto inverso da realidade forma a grande ilusão e com esta os filhos de Deus nada têm a ver. É mal no que lhes diz respeito, mas em nenhum outro sentido. As formas de vida nestes mundos e as vidas que as animam são boas e corretas em si mesmo e estão percorrendo seu próprio caminho evolutivo, mas seu objetivo imediato e seu estado de consciência não é sincronizado com o do discípulo em evolução e portanto não deve haver intercâmbio com eles.

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Livro III - Aforismo 52

52. O conhecimento intuitivo é desenvolvido através do emprego da faculdade discriminativa quando há concentração dirigida sobre os momentos e sua contínua sucessão.

Foi dito que uma compreensão perfeita sobre a Lei dos Ciclos levará o homem a uma iniciação de alto grau. Esta Lei da Periodicidade subjaz a todos os processos da natureza e seu estudo levaria o homem para fora do mundo dos efeitos objetivos, para o mundo das causas subjetivas. Foi dito também que o próprio tempo é simplesmente a sucessão de estados de consciência e isto é verdadeiro para um átomo, para um homem e para um Deus. É esta verdade que está por traz de todos os grandes sistemas da ciência mental e da Ciência Cristã no ocidente, e de muitas das filosofias orientais. Este aforismo dá a chave para a relação entre matéria e mente, ou entre a substância e a alma que modela, e pode-se verificar isto quando se considera as palavras de um comentarista indu. Diz ele:

"Assim como um átomo é uma substância em que o diminuto alcança seu limite, também o momento é uma divisão de tempo que atingiu seu limite mínimo. Ou o momento é aquela porção de tempo que o átomo leva para deixar a posição que ocupa no espaço e ocupar a próxima. A sucessão de momentos é a não cessação do brilho resultante."

Quando podemos conscientizar que um átomo e um momento são uma e a mesma coisa, e que por traz disto está o Realizador ou o Conhecedor de ambos, temos a chave para todos os estados da própria consciência e para a natureza da energia. Teremos também alcançado uma verdadeira compreensão do Eterno Agora e um correto entendimento da significação do passado, do presente e do futuro. Isto, dizemos, pode ser obtido pela meditação dirigida sobre o tempo e suas unidades.

Pode ser apropriado aqui indicar que as várias espécies de concentração tratadas neste terceiro livro não são aplicáveis ou apropriadas a todos os tipos de aspirantes. Verifica-se que há sete tipos principais de homens, com características e natureza diferentes e com qualidades definidas que os predispõem a certos aspectos definidos do Caminho de Regresso. Certos tipos, com inclinação matemática e com uma tendência para a geometria divina e para conceitos de tempo de espaço, seguirão com sabedoria o método para desenvolver o conhecimento intuitivo tratado neste aforismo; outros acharão este caminho muito difícil e sabiamente procurarão outras formas de meditação concentrada.

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Livro III - Aforismo 53

53. Deste conhecimento intuitivo nasce a capacidade de distinguir (entre todos os seres) e de identificar seu gênero, qualidades e posição no espaço.

Pode-se facilitar um pouco a compreensão deste aforismo se dermos uma interpretação livre.

"Pelo desenvolvimento da intuição obter-se-á um conhecimento exato das fontes da vida manifestada, de suas características ou qualidades e de sua posição no todo."

Em todos estes Aforismos de Ioga foi evidenciado que as triplicidades divinas encontradas em todas as partes e que toda forma animando uma vida (e não há outra coisa em manifestação) deve ser conhecida como:

1. Vida. A vida de Deus emana de sua fonte em sete raios, emanações ou "sopros", e cada forma no mundo objetivo é a expressão de uma vida, tal como insuflada em uma ou outra destas correntes. O desenvolvimento da intuição capacita o vidente a conhecer a natureza do átomo de vida. Isto é inferido da palavra "gênero". O ocultista moderno pode preferir a palavra "raio" e o cristão, "pneuma" ou espírito, mas o pensamento é o mesmo.

2. Consciência ou alma. Todas estas formas viventes de vida divina são conscientes, embora todos os estados de consciência não sejam os mesmos e vão desde a vida do átomo de substância, tão limitado e circunscrito como possa ser, até a de um Logos solar. O estado da resposta consciente de todas as formas a seu meio-ambiente, exotérico e não visto, produz as diversas características, além da distinção produzida pelo:

a. Raio,
b. Plano de manifestação,
c. Ritmo vibratório,
d. Ponto de desenvolvimento,

e estas características formam a qualidade mencionada neste aforismo. Este é o aspecto subjetivo, em contraposição ao objetivo e ao essencial.

3. Forma ou corpo. Este é o aspecto exotérico, o que emerge do subjetivo como resultado da demanda espiritual. A posição no espaço é a parte do corpo do Homem Celestial em que qualquer átomo ou forma tem sua localização. Deve ser lembrado agora que, de acordo com o estudante ocultista "0 espaço é uma entidade" (Doutrina Secreta I. 583), e esta entidade é uma e a mesma que o Cristo cósmico, o "corpo do Cristo" mencionado por São Paulo em I. Cor. XII.

Neste aforismo, portanto, torna-se claro que o iogue libertado que desenvolveu a intuição pode conhecer todas as coisas sobre todas as formas de vida, e isto implica um conhecimento de:

1. Gênero 2. Qualidade 3. Posição no espaço
Raio Caráter Lugar no corpo do Homem Celestial
Espírito Alma Corpo
Aspecto Vida Consciência Forma
Essência Natureza subjetiva Forma objetiva

A este conhecedor podemos aplicar as palavras de um instrutor cujos trabalhos se encontram nos arquivos da Loja:

"Para ele, que está diante da Centelha, a chama e a fumaça são igualmente visíveis.

Para ele, a sombra vela o reflexo e ainda assim a luz é vista.

Para ele, o tangível apenas demonstra o intangível, e ambos revelam o espírito, enquanto que a forma, a cor e o número dizem alto a palavra de Deus."

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Livro III - Aforismo 54

54. Este conhecimento intuitivo, que é o grande libertador, é onipresente e onisciente e inclui o passado, o presente e o futuro no Eterno Agora.

A única parte deste aforismo que não é clara mesmo para o leitor superficial é o significado das palavras Eterno Agora, e não se pode compreendê-las até que a consciência da alma seja desenvolvida. Dizer que o tempo é uma sucessão de estados de consciência e que o presente se perde instantaneamente no passado e que se mistura com o futuro à medida que é experimentado, de pouco adianta ao estudante comum. Dizer que há um tempo em que a vista é perdida na visão, quando a totalidade das antecipações da vida é conscientizada num momento de realização e que isto persiste para sempre, e indicar um estado de consciência em que não há sequencia de eventos e nem sucessão de conscientizações é falar em uma linguagem de mistério. Não obstante, isto assim é e será. Quando o aspirante houver alcançado a sua meta ele saberá a verdadeira significação de sua imortalidade e a verdadeira natureza de sua libertação.

Para ele, espaço e tempo se transformam em termos sem sentido. Verifica-se que a única Realidade verdadeira é a grande força central da vida, que permanece imutável e inamovível no centro das formas temporais, evanescentes e mutáveis.

"Eu Sou", diz a unidade humana e encara-se como o ego e se identifica com a forma mutável. Tempo e espaço são para ele as verdadeiras realidades. "Eu sou Aquele", diz o aspirante e procura conhecer-se como realmente é, uma palavra vivente, parte de uma frase cósmica. Para ele o espaço não mais existe; ele sabe que é onipresente. "Eu Sou Aquele Eu Sou", diz a alma libertada, o homem liberto, o Cristo. Nem tempo, nem espaço existem para ele e a onipresença e a onisciência são suas qualidades distintivas.

Em seu comentário sobre este aforismo, Charles Johnston cita S. Columba e diz:

"Há alguns, embora muito poucos, a quem a graça divina concedeu isto: que eles possam ver, e muito distintamente, em um único e mesmo momento, como se estivessem embaixo de um mesmo raio de sol, até mesmo toda a circunferência de todo o mundo com seus oceanos e céu, estando a parte mais interna de suas mentes maravilhosamente aumentada."

Pode ser útil também citar aqui o breve comentário de Dvivedi, pois é bem colocado, e o estado de consciência a que se chega é concisamente resumido:

"No aforismo XXXIII desta seção já descrevemos a natureza do taroka-jnana - o conhecimento que liberta dos lados do mundo. O conhecimento discriminativo aqui descrito traz como resultado taraka, o conhecimento que é a finalidade e o objetivo da ioga. Diz respeito a todos os objetos do pradhana (espírito-matéria ­ A.B.), aos bhutas (elementos, formas - A.B.) como também a todas as condições destes objetos. Ainda mais, produz conhecimento de todas as coisas simultaneamente, e é completamente independente das regras comuns de conhecimento. Da í ser o conhecimento mais elevado que um iogue pode desejar e é um índice seguro de Kaivalya (estado de unidade absoluta A.B.) a ser descrito no aforismo que se segue, como dele resultante.

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Livro III - Aforismo 55

55. Quando as formas objetivas e a alma alcançam uma condição de igual pureza, a Unidade é conquistada e se alcança a libertação.

Aquilo que vela a luz da alma foi purificado, e assim a luz de Deus jorra. Aquilo que provou ser um empecilho e um obstáculo à completa expressão da divindade em manifestação foi tratado de tal modo que agora serve como uma expressão adequada e um meio de serviço. A alma pode agora agir livre e inteligentemente nos três mundos porque foi alcançada a completa unidade entre o homem superior e o inferior.

A alma e seus veículos formam uma unidade e são um; foi alcançado o completo alinhamento dos corpos e o Filho de Deus pode agir livremente na terra. Foi assim alcançado o grande objetivo e seguindo os oito meios da ioga a alma pode-se manifestar através do tríplice homem inferior, e formar por sua vez um meio de expressão para o espírito. A matéria foi levada a um estado no qual sua vibração pode ser sincronizada com a da alma e o resultado é que - pela primeira vez - o espírito pode fazer sentida sua presença, pois "a matéria é o veículo de expressão da alma neste plano de experiência e a alma é o veículo para a manifestação do espírito numa volta mais elevada da espiral. Estes três são uma trindade sintetizada pela vida que permeia todos eles". Para o homem que conseguiu isto não mais há renascimento. Ele está livre e libertado e pode afirmar em plena realização consciente a significação das palavras:

"Minha vida (a vida física inferior) está oculta com Cristo (a vida da alma) em Deus (o espírito). Col. III.3.).

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