Cinco Grandes Acontecimentos Espirituais (escrito em 1949)

Há cinco grandes acontecimentos espirituais dos quais toda a humanidade está hoje partilhando, e dois que terão lugar mais tarde, quando os cinco primeiros tiverem estabelecido seus efeitos duradouros.

Esses acontecimentos estão baseados numa renúncia forçada e não sobre uma renúncia espontânea (como é o caso na real experiência da Iniciação da Renúncia). Eles levarão, contudo, a uma revelação que está iminente e que com a qual a humanidade se confrontará bem cedo.

A guerra de 1914-1945 está acabada; em suas consequências de sofrimento, fome, reações egoístas, suspeita e lutas desiguais pela supremacia são igualmente tão más como a guerra passada. Os efeitos são mais duradouros, porque a guerra foi em grande parte transferida para o plano mental. Os efeitos físicos da guerra são muito mais superados do que os efeitos mentais. A grande questão com a qual a Hierarquia hoje se depara é: conseguirá a humanidade renunciar aos seus atuais objetivos materiais e assim preparar o caminho para uma grande revelação? A própria Vinda do Cristo não é uma revelação com a qual se tenha de pôr de acordo, mas Ele simplificará o pensamento dos homens de tal forma que uma ampla iluminação e reconhecimento da revelação se torne possível. Os próximos poucos anos indicarão a direção que a maré tomará, e se as forças reacionárias, materialistas e egoístas que vêm controlando há milhares de anos finalmente dominarão. Esse espírito materialista e reacionário atinge todo departamento da vida humana, e as igrejas não fazem exceção. A humanidade pode, contudo, aprender sua lição e se voltar agradecida para o "caminho da correção” e às técnicas até agora desconhecidas das corretas relações humanas.

Procuro evitar descer a detalhes no que diz respeito ao mal que mantém o mundo na servidão. Já se conhece bastante e um punhado (pequeno, em comparação com os muitos milhões) de servidores hierárquicos em todos os departamentos da vida estão lutando para despertar a humanidade quanto aos riscos que está correndo, e para a finalidade da decisão que as próximas duas gerações serão forçadas a tomar. Mais virá à superfície á medida que estudarmos os acontecimentos da atualidade sob o ângulo da renúncia e da ressurreição.

Em primeiro lugar, gostaria de assinalar que:

1- A massa das pessoas é boa, mas ignorante dos seus valores superiores. Isso pode ser pouco a pouco corrigido. Eles são por enquanto negativos na ação, e inclinados a seguirem as palavras e não as ações. São facilmente conduzidos e também facilmente influenciados pelos medos incutidos.

2- O mal no mundo e aquilo que é primariamente culpado de influenciar as massas deste tempo está focalizado através de uns poucos homens poderosos, ou grupos de homens poderosos. Nenhum país está livre deste controle, ou da tentativa de estabelecer este controle. Esses poderosos grupos são por sua vez influenciados pelas forças das trevas - forças que não foram “vedadas em seu lugar próprio", porque o plano de amor e luz e poder ainda se ressente de uma apresentação positiva e de alcance mundiais.

3- Os aspirantes, discípulos e trabalhadores espirituais do mundo não estão atuando em plena sincronização com a Hierarquia. Eles são influenciados pelo medo, por um senso de futilidade e por uma compreensão muito aguda da natureza das forças do mal com as quais se confrontam. O quadro do que deve ser realizado se apresenta muito grande; há pouca cooperação organizada entre eles, e nenhuma fusão num grupo unido para a salvação e serviço mundiais.

A oportunidade espiritual, todavia, está emergindo com uma clareza crescente nas mentes dos homens e mulheres pensantes, mesmo que não seja expressa por eles em termos digamos, ortodoxos, nem em termos reconhecidos ou espirituais. Talvez uma afirmação clara daquilo que as Forças espirituais ativas estão procurando provocar poderá ser útil. Se as Forças do Mal são ativas e organizadas, as Forças da Luz são igualmente ativas, mas não tão bem organizadas. A meta básica é a liberdade e a libertação da humanidade, mas os trabalhadores espirituais se ressentem do fato que os homens devem fazer, eles mesmos, a livre escolha e tomar decisões para serem livres. Eles somente conseguirão libertar-se quando eles - como indivíduos e mais tarde como grupos - se libertarem do controle do pensamento expresso dos poderosos grupos dominantes e dos medos que esses grupos intencionalmente engendram. A liberdade nunca poderá ser alcançada através de métodos totalitários. A libertação não pode vir através de um ditador ou de grupos ditatoriais. Uma conscientização da maneira pela qual as forças hierárquicas estão trabalhando e um reconhecimento de que todos os homens estão hoje imersos em acontecimentos espirituais vitais pode servir para encorajar os fieis e dar uma visão aceleradora para aqueles que estão lutando em prol da liberdade humana.

Quais são os cinco acontecimentos espirituais nos quais estamos todos consciente ou inconscientemente participando? Vou listá-los:

1- A crise das ideologias.
2- O firme despertar dos homens em toda parte, para aperfeiçoar a cooperação
3- O crescimento da boa vontade, uma vez que ela revele as clivagens.
4- A vedação parcial da porta onde mora o mal.
5- O uso da Grande Invocação.

Esses são os cinco acontecimentos espirituais mais profundos acontecendo no mundo de hoje. Os dois que estão adiante no futuro não muito distante (mas que dependem da humanidade se dar conta da presente oportunidade) são:

6- A Aproximação mais íntima da Hierarquia.
7- O iminente Retorno do Cristo.

1. A Crise das Ideologias.

Os homens estão hoje confrontando-se com ideologias ou escolas de pensamento conflitantes e antagônicas, e automaticamente - de acordo com suas raízes, tradição, preparo e lugar de nascimento - eles consideram algumas dessas ideias como verdadeiras e todas as demais como falsas e erradas. Eles estão prontos para se esquecerem de que de acordo com o local de nascimento, o modo nacional de ensino e a natureza da propaganda nacional, assim será a ideologia escolhida ou a ideologia imposta. Muito poucas pessoas são agentes livres, mesmo nas democracias. Um homem nascido na Rússia Central, por exemplo, nada sabe a não ser sobre o comunismo. Ele nem pode imaginar uma outra forma adequada de governo. De outro lado, um homem nascido nos Estados Unidos ou na Grã Bretanha se jacta e se sente feliz porque nasceu numa democracia, mas o acidente de nascimento conta largamente por tal atitude. Os homens precisam ter presente essas coisas e não se culparem reciprocamente em virtude do lugar em que nasceram! Temos, portanto, ideologias e seus oponentes, grandes escolas de pensamento e modos de governo, confrontados pela oposição organizada. Uma premissa básica pode ser estabelecida: A plataforma das ideologias dominantes não é necessariamente errada ou viciada. É a imposição pela força e por uma política de estado de uma ideologia e seu uso por homens ou grupos poderosos, em seu próprio benefício, mais a manutenção do povo na cega ignorância de modo que não tenham escolha - que é fundamentalmente viciosa e má.

Temos, por exemplo, a grande crise no mundo atual apresentada pelo conflito entre o comunismo e o ponto de vista democrático. Menciono isto primeiro porque é alguma coisa que está ocupando uma posição proeminente aos olhos de todos os homens em toda parte. Isso apresenta uma oportunidade espiritual dominante. A atitude democrática, dedicada como ela afirma ser para a liberdade humana (embora pouca daquela liberdade se esteja verdadeiramente usufruindo) é - devido àquele fator de liberdade - apoiada hoje pela Hierarquia. O comunismo sendo uma ideologia imposta, forçada sobre os povos pela autoridade totalitária, é condenado como mau. Não são as teorias comunistas que estão necessariamente erradas; é a técnica, e os métodos, exagerados nos países totalitários, que são contrários ao plano espiritual. O comunismo imposto e todos os métodos totalitários aprisionam a alma humana, e alimentam o medo e o ódio em toda parte. Se os princípios democráticos, por conseguinte, fossem impostos ao mundo ou a qualquer parte do mundo por um regime totalitário, eles estariam igualmente errados.

Essas ideologias conflitantes estão apresentando claramente à consciência humana certas grandes distinções. Essas distinções são encontradas nas técnicas e métodos muito mais do que nos vários dogmas. Muitas pessoas que combatem mais violentamente o comunismo não poderiam lhes dizer sucintamente que dogmas são aqueles, mas eles combatem - e combatem corretamente - os métodos totalitários de crueldade, espionagem, assassínio, supressão e a falta de liberdade. Quê eles estão fazendo na verdade é combater os métodos abomináveis de impor a regra de uns poucos maus e ambiciosos homens sobre as massas ignorantes, sob o nome de Comunismo. Eles estão combatendo a técnica de explorar o ignorante através da desinformação, da mentira organizada e da limitação na educação. Eles estão lutando contra o isolamento das nações nos limites de suas próprias fronteiras, contra o estado policial, a falta de livre iniciativa e a redução de homens e mulheres a autômatos Esse é o verdadeiro aprisionamento do espírito humano. A situação é, contudo, tão pronunciada e o mal tão óbvio (e o espírito humano tão basicamente e divinamente forte) que ele finalmente derrotará a si mesmo, quando o presente grupo de governantes totalitários (atrás do que vocês chamam de “cortina de ferro”) morrerem, um diferente estado de coisas gradualmente virá e um verdadeiro comunismo (no sentido espiritual do termo) tomará o lugar da presente condição viciada.

De outro lado, as tão louvadas democracias têm muito que aprender. Os homens não são verdadeiramente livres, mesmo nos países democráticos. Os negros, por exemplo, não conseguem fazer valer os direitos constitucionais em partes dos Estados Unidos. E na África do Sul, suas facilidades educacionais e suas oportunidades para trabalhar e sobreviver como homens livres não são iguais aos da raça branca. E nos estados do sul, a Constituição dos Estados Unidos é infringida diariamente por aqueles que acreditam na supremacia branca - uma supremacia que será posta em crucial teste quando a África despertar. Essa atitude dos Estados Unidos e sua incompetência em respeitar a Constituição no que se refere aos negros enfraqueceu muito a fé de outros países na admiração pela América e a situação na África do Sul não é bem admirada pelos homens pensantes. Menciono essas duas situações porque há um mal espalhado, mesmo nas democracias. Uma verdadeira limpeza da casa está sendo dolorosamente necessária.

O imperialismo da democrática Grã Bretanha desfigurou de maneira feia um de outro modo belo registro em favor dos povos dependentes, mas está rapidamente se tornando uma coisa do passado, uma vez que o Reino Unido dá liberdade de escolha e democrática libertação à Índia, Paquistão, Ceilão (hoje Sri Lanka - NT) e Birmânia. Cada uma dessas libertações ocorreu em função de uma expansão espiritual da consciência do povo inglês e uma oportunidade espiritual à qual somente o Ceilão e Paquistão mostram sinais de estarem atentos. Sempre, em cada departamento da vida humana, os objetivos espirituais e materiais estão fazendo sua presença e suas diferenças claramente sentidas. A marca espiritual, como lhes assinalei recentemente, é o aprisionamento do espírito humano ou de sua libertação.

A verdadeira Democracia é por enquanto desconhecida. Ela espera o tempo em que uma opinião pública educada e iluminada a faça dominante. Na direção desse acontecimento espiritual, a humanidade está se apressando. A batalha da Democracia será lutada nos Estados Unidos. Lá o povo presentemente vota e organiza seu governo numa base da personalidade e não do ponto de vista da convicção inteligente ou espiritual. Há um aspecto egoísta, material, da Democracia (exagerados hoje) e há um aspecto espiritual, pouco procurado. Há aspectos materiais e espirituais do comunismo, mas seus adeptos não os conhecem, e somente um implacável materialismo lhes é proporcionado hoje.

Há ainda a ideologia do Socialismo que é considerado por alguns como um mal básico. O socialismo pode degenerar numa outra forma de totalitarismo, ou pode ser mais democrático do que as atuais expressões da Democracia. Essas possibilidades emergirão claramente na Grã Bretanha, onde o ponto de vista socialista está ganhando terreno entre as massas, mas que atualmente é uma mistura de nacionalização das utilidades públicas e da livre iniciativa - uma combinação que pode ter verdadeiro valor, se preservada.

Há outras ideologias nos campos político, social e econômico, mas essas com que me ocupei constituem um triângulo de esquemas submetidos a experimentos nacionais e políticos em diferentes países no mundo inteiro. Todos eles têm um lado religioso e espiritual. Todos eles estão manchados com o materialismo. Um deles é perniciosamente totalitário e está encontrando seguidores. Um outro é a vítima da estúpida falta de interesse de seu povo. Um outro está nas angústias de um experimento que pode ou não ser bem sucedido. Sob o impacto dessas ideologias o crescimento espiritual da família humana é acelerado, porque o fator espiritual emergente (sob a lei da evolução) está sempre presente, e sempre há de ser encontrada uma tendência na direção de Deus e da divina expressão. É por isso que a disputa está estabelecida entre a Cristandade e o Comunismo - uma controvérsia enfatizada pela Igreja Católica Romana, mas para a qual as nações comunistas já estão atraindo as igrejas protestantes.

Do ponto de vista da Hierarquia, essas três ideologias são três aspectos de um grande evento espiritual. O produto do intercâmbio entre eles pode terminar numa aumentada aproximação espiritual à divindade ou (se as Forças da Luz não triunfarem) poderão conduzir a humanidade mais profundamente para o túmulo ou prisão do materialismo. O intenso interesse político da Igreja Católica, mais seu grosseiro materialismo, age como uma grande desvantagem para o firme ganho da posição espiritual. Se, todavia, a hierarquia católica puder desprezar ou renunciar aos seus objetivos materiais e políticos e apresentar o amor de Deus em sua beleza, ela poderá fazer muito para levar a humanidade da treva para a luz. Se os Estados Unidos puderem igualmente renunciar ao grosseiro materialismo, poderão conduzir o mundo segundo linhas espirituais que serão além de qualquer coisa já demonstrada, e, ajudada pela Grã Bretanha, as duas grandes democracias, expressando corretas relações humanas e a solidariedade do homem, poderão fazer grandes coisas para a raça humana. A Grã Bretanha está aprendendo um senso de valores, e sendo afastada do materialismo através de grandes privações. Espera-se que ela renuncie conscientemente ao materialismo.

Gostaria de lembrar a vocês aqui que a Hierarquia espiritual de nosso planeta não se importa se um homem for democrata, socialista ou comunista, ou se ele é católico, budista ou um descrente de qualquer espécie. Ela só se importa com que a humanidade - como um todo - se aproveite da oportunidade espiritual. É uma oportunidade que está presente hoje de uma maneira mais forte do que jamais antes.

2. O Firme Despertar do Homem Para Melhor Compreensão

O efeito geral dessas ideologias em choque e o resultado da guerra entre as religiões mundiais fizeram os homens começarem a pensar, em toda parte. Os homens estão emergindo da letargia mental que os caracterizou por tanto tempo. O homem da rua está hoje pensando, avaliando, interrogando-se, planejando e decidindo. Nos séculos passados, somente aqueles que se tinham beneficiado da educação e os "especialmente situados” pensavam e planejavam. Essa tendência ao pensamento indica a entrada em atividade de uma nova e melhor civilização, e isso é preparatório de eventos espirituais da maior importância. O espírito do homem, habitualmente de maneira inconsciente, está conduzindo para uma civilização e cultura mais espiritualizadas. Eu não disse para uma expressão mais religiosa da verdade. Uma inter-relação mais espiritual está a caminho e o estabelecimento de corretas relações humanas em escala mundial assim o indica. Teremos afinal uma focalização espiritual que estará divorciada das atuais religiões ortodoxas, mas que estará em sintonia com o fator espiritual, oculto, de todas as religiões. Os homens, na verdade, não estão esperando que o Cristo venha como um líder religioso. Eles esperam que Ele venha para eles no campo de sua maior necessidade, para apontar o caminho para a ressurreição e a revelação que se seguirá inevitavelmente à renúncia dos valores materiais por parte do homem.

O espírito de expectativa que hoje prevalece e um verdadeiramente descontentamento divino são as garantias de que este segundo acontecimento espiritual será um fator real em nosso tempo. Muitos fatores contribuem para esse despertar. Na maioria dos países, através do radio, através da imprensa, através de livros, revistas e viagens, através de conferências, de encontros para discussão e um simplificado intercâmbio humano (para o que o automóvel e as aeronaves deram grande contribuição) os homens em toda parte estão livres para conhecerem e compreenderem. Isso, naturalmente, não é verdade com relação aos países onde a liberdade do espírito humano seja atacada. Há duas maneiras pelas quais essa liberdade de escolha pode ser infringida: Primeiro, como na Rússia, ao se manter os cidadãos na ignorância dos assuntos mundiais, como se passa na maioria dos outros países, particularmente nos Estados Unidos. Um exemplo disso pode ser visto no fato que os árabes nunca tiveram acesso verdadeiramente aos jornais americanos ou rádio. O povo americano foi “pressionado" (eu penso que essa é a palavra que vocês usam) a aceitar a posição sionista - o motivo sendo o petróleo e as riquezas minerais.

Mas a mentalidade dos homem está se desenvolvendo diariamente e sua capacidade em acompanhar os assuntos mundiais está crescendo. Esse é um dos maiores acontecimentos espirituais e é o fato fundamental que torna a vida da alma e o crescimento da percepção intuitiva possíveis, em larga escala. Esse é um subproduto do choque de ideologias, mas é o verdadeiro e belo resultado do sistema educacional universal, o qual - por mais falho que possa ser, e é - permitiu que todos os homens pudessem ler, escrever e se comunicarem, uns com os outros.

3. O Crescimento da Boa Vontade e a Revelação das Rupturas.

O resultado da guerra mundial, da doença, da fome e da dor, desenvolveu um espírito de comunidade e de sofrimento na privação; isso conduziu para uma consequente participação compreensiva nas dificuldades humanas em toda parte, que está rapidamente se modificando para um espírito de boa vontade mundial.

Essa boa vontade mundial, quando verdadeiramente estabelecida e corretamente organizada, será a preliminar necessária para a revelação, pois esta vindoura revelação será uma revelação planetária, partilhada por todos os homens, em toda parte. De maneira unida, todos os homens se dão conta, mesmo hoje, da necessidade de elevarem-se para fora da prisão do interesse pessoal, para a liberdade da oportunidade compartilhada, e o fator que trará essa ressurreição é a boa vontade.

Um aspecto interessante da boa vontade é que, à medida que ela se desenvolve na consciência humana, em primeiro lugar traz uma revelação das clivagens existentes, que distinguem a vida política, a religiosa a social e a econômica das pessoas, em toda parte. A revelação de uma clivagem é sempre acompanhada (pois tal é a beleza do espírito humano) pelos esforços segundo todas as possíveis linhas, para criar uma ponte ou curar a clivagem. Isso é testemunhado por milhares de grupos e organizações trabalhando para acabar com as clivagens e derrubar as barreiras às corretas relações humanas. Que esses esforços falhem ou não produzam frutos, é muitas vezes de menor importância do que o fato que as tentativas para curar, ajudar e estabelecer corretas relações humanas estão sendo feitas em toda parte. A psicologia moderna é uma evidência disso, lidando, como o faz, com o problema da integração do ser humano e a cura das clivagens de sua natureza. Uma das primeiras coisas a serem feitas é educar o indivíduo sobre a necessidade de ter boa vontade não somente para com seu semelhante, mas também para consigo mesmo. A ênfase do cristianismo medieval na fraqueza, a vilania e o pecado inato do ser humano tem hoje de ser eliminada em favor de uma verdadeira apreciação da divindade na forma humana.

Não é possível relacionar as clivagens que representam o fracasso dos homens em estabelecer e conservar bons e decentes relacionamentos com seus semelhantes. Há hoje clivagens entre o homem e outro homem, entre grupos e outros grupos, e também entre religiões e entre nações. A terminologia que expressará boas relações, em vez disso, já existe: União, Unido, Liga, Federação, Comunidade, Correta Compreensão, Bondade, Bem-Estar Humano, e muitos termos similares. Por enquanto, eles significam muito pouco. Algum dia, todavia, eles representarão realidades substanciais, mas esse dia não virá de imediato. O conceito de relações felizes, mais fáceis e unidas já existe, contudo, nas mentes de muitos milhares de pessoas, em toda parte, e a realidade factual se materializará algum dia.

O primeiro passo é o reconhecimento global de que as clivagens existem. É aqui que a boa vontade pode realizar seu mais útil e necessário trabalho. Não pretendo aqui enfatizar a natureza daquele trabalho ou afirmar como ele deveria ser desenvolvido. Isso eu já fiz muitos vezes. É o cultivo de uma atitude espiritual que é necessário e a dedicação, permanentemente, e de todas as maneiras possíveis, à vontade para o bem. A maioria das clivagens existentes está sendo agora reconhecida. O atraso vem na tarefa de fazer uma ponte entre elas e também em compartilhar da responsabilidade. Muitas nações e especialmente a União Soviética e os Estados Unidos estão prontos para lançar a culpa, a apontar erros e a aconselhar outras nações sobre o que está errado e como fazer as correções. Ambos necessitam limpar suas próprias casas e tratar de corrigir os erros dentro de suas próprias fronteiras. O mesmo é verdade quanto a todas as nações, mas as outras não estão tão abertamente engajadas em dizer aos outros povos o que eles deveriam fazer. Por que, por exemplo, os Estados Unidos teriam de lidar com o problema da greve na Indonésia e forçar os holandeses a fazer o que os americanos julgam que deveria ser feito e (ao mesmo tempo) não dão ajuda constitucional à justa causa da minoria negra nos Estados Unidos? Por que acusar outras nações de estarem erradas, como faz a Rússia, e romper tratados, quando a Rússia fracassa em todos os pontos em manter sua palavra ou cooperar na correção dos assuntos mundiais?

A tarefa que a Hierarquia deseja ver cumprida na atualidade é a difusão da boa vontade; cada pessoa, comunidade e nação deveria começar com um diagnóstico de sua própria atitude com relação à boa vontade e então estabelecer um exemplo eliminando clivagens no próprio lar, no negócio, ou na nação. A Boa Vontade é contagiosa; uma vez tenha sido dada a partida com espírito puro e desinteressado, a boa vontade permeará o mundo e corretas relações humanas serão rapidamente estabelecidas. A cura das clivagens é um assunto prático. O Espírito de Síntese, trabalhando através do grande Avatar do primeiro raio (o Avatar de Síntese) está mais próximo da Terra do que nunca antes, e a claridade que emergirá na Luz de Sua Presença já está disponível. A tendência à integração pode por conseguinte ser mais facilmente nutrida e uma nova síntese atingida entre os Homens. Antes, todavia, que a integração e a síntese sejam possíveis, esta energia do primeiro raio deverá operar para destruir tudo que impeça a integração e tudo que está bloqueando a necessária síntese. Os próprios seres humanos deverão também destruir os preconceitos, as animosidades e as ideias fixas que têm impedido a síntese, que têm criado clivagens e impedido a correta compreensão.

4. A parcial Vedação da Porta onde Mora o Mal

Que significam essas palavras? Mais do que lhes possa dizer ou pôr em palavras, pois o problema do mal é muito difícil de alcançar para o homem comum. O problema da Hierarquia (se posso pô-lo tanto especificamente quanto simbolicamente) é liberar o bem, liberar o belo, liberar o verdadeiro e “vedar nos muros de uma prisão" aquilo que faz crescer a feiura e o ódio, e aquilo que distorce a verdade e mente sobre o futuro. Escolhi todas essas palavras com cuidado. Seu significado é óbvio, mas há significados muito mais profundos e perigosos para vocês apreenderem.

Foi a humanidade - cumulativamente e por milhões de anos - que liberou o mal no mundo. Pensamentos de ódio, feitos cruéis, palavras mentirosas, ação sádica, intenções egoístas e a mais desleal espécie de egoísmo ambicioso criaram um caminho para a “porta onde mora o mal”. O mal é em realidade de duas espécies: Há aquela inata tendência ao egoísmo e à separatividade que é inerente à substância de nosso planeta; dela todas as formas são feitas e nosso Logos planetário herdou-a do resíduo deixado por um anterior sistema solar. Isso é algo inevitável e algo que provê a humanidade com uma necessária oportunidade e que os homens são bem equipados para lidar e controlar. Há algo disso neles que pode transmutá-la e mudá-la, e é isso que basicamente constitui a Ciência da Redenção.

Mas a humanidade não escolheu dedicar-se a essa atividade redentora e por milhares de anos foi controlada pelo que é material. Ela construiu assim o “largo e fácil caminho” que conduz ao lugar onde mora uma outra espécie de mal - um mal que não é inerente a nosso planeta, um mal que nunca fora destinado aos homens, para com ele lidarem. Por incontáveis eons, a Hierarquia permaneceu como um escudo, guardando a Humanidade. Mas com a chegada de um grandemente aumentado desenvolvimento mental, com o repúdio da Hierarquia pela massa da humanidade e com a prostituição da religião para fins materiais e estreitos dogmas teológicos e mentais, a Hierarquia foi forçada (muito contra a sua vontade) a remover alguma parte de seu poder protetor (embora não todo ele, felizmente para a humanidade). O caminho para a porta onde mora o mal ficou desimpedido, e a humanidade abriu a porta de par em par. A entrada do que poderia ser considerado como mal cósmico primeiro ocorreu nos dias decadentes do Império Romano (uma razão pela qual o Cristo escolheu se manifestar naqueles dias), abriu-se mais sob o corrupto regime dos Reis da França, e em nossos próprios dias abriu-se mais ainda pelos homens maus em cada país.

Lembrem-se que o mal ao qual me refiro aqui não é necessariamente constituído pelas coisas vis e iníquas sobre as quais as pessoas falam com respiração opressa. Essas são largamente curáveis e os processos de encarnação finalmente os purificarão. A verdadeira natureza do mal cósmico encontra sua principal expressão no pensamento errado, nos falsos valores e no supremo mal do egoísmo materialista e no senso de isolada separatividade. Esses (para falar novamente por símbolos) são os pesos que mantêm a porta do mal aberta e que precipitaram sobre o mundo os horrores da guerra, com todos os decorrentes desastres.

A conscientização do que estava acontecendo fez mais temporariamente para unificar o mundo e curar as clivagens entre nações do que qualquer outra coisa. As nações do mundo aliaram-se às Forças da Luz em grande extensão, e pouco a pouco, o mal cósmico foi forçado a recuar e a porta que “esconde o lugar da morte infinita e oculta o semblante dos perversos Senhores do orgulho e da odiosa luxúria“ foi parcialmente fechada, mas não inteiramente. Seu fechamento e vedação finais ainda não se completaram.

Há certas áreas do mal no mundo hoje através das quais essas forças das trevas podem alcançar a humanidade. Que são elas e onde estão, não pretendo dizer. Gostaria de salientar, todavia, que a Palestina não deveria mais ser chamada a Terra Santa. Seus lugares sagrados são somente relíquias passadas de três religiões mortas e ultrapassadas. O espírito saiu das velhas crenças e a verdadeira luz espiritual está se transferindo para uma nova forma que se manifestará na terra finalmente, como a nova religião mundial. A essa velha forma tudo que é verdadeiro e correto e bom nas velhas formas contribuirão, pois as forças do bem recolherão tudo que é bom e o incorporarão na nova forma. O judaísmo está velho, obsoleto e separativo e não tem nenhuma verdadeira mensagem para os que estão voltados para a espiritualidade, o que não pode ser melhor dado pelas mais novas denominações. A fé islâmica serviu a seus fins e todos os verdadeiros islamitas esperam a vinda do Imam Mahdi que os conduzirá para a luz e para a vitória espiritual. A fé cristã também serviu a seus fins. Seu fundador procura trazer um novo Evangelho e uma nova mensagem que iluminará todos os homens em toda parte. Por isso, Jerusalém hoje nada de importância representa, exceto para aquilo que já passou e deveria passar. A “Terra Santa” não é mais sagrada, mas está dessacralizada por interesses egoístas e por uma nação basicamente separatista e conquistadora.

A tarefa que a humanidade tem à frente é fechar a porta para esse mal pior e contudo secundário e fechá-la em seu lugar próprio. Há bastante para a humanidade fazer ao transmitir o mal planetário e sem se envolver na batalha que somente os Próprios Mestres podem manter em cheque, mas não podem conquistar. A manipulação desse tipo de mal e sua dissipação, e portanto a libertação de nosso planeta de seu perigo, é a tarefa destinada Àqueles Que trabalham e vivem no “centro onde a Vontade de Deus é conhecida”, em Shamballa. Não é a tarefa da Hierarquia ou da humanidade. Lembrem-se disso, mas lembrem-se também que o que o homem libertou ele pode ajudar a aprisionar. Isso ele pode fazer pela alimentação de corretas relações humanas, pela divulgação das novas da aproximação da Hierarquia espiritual e pela preparação para o reaparecimento do Cristo. Não se esqueçam, tampouco, que o Cristo é um membro do Grande Conselho de Shamballa e traz Consigo a mais elevada energia espiritual. A Humanidade pode também cessar de trilhar o caminho para a “porta onde mora o mal" e pode movimentar-se e procurar o Caminho que conduza à luz e ao Portal da Iniciação. 

5. O uso da Grande Invocação

Há algum tempo eu transmiti ao mundo - sob instrução do Cristo - uma Invocação que é destinada a se tornar da maior utilidade para provocar certos grandes acontecimentos. Eles são:

1. Um derramamento de amor e luz sobre a humanidade, de Shamballa.

2. Um apelo invocativo ao Cristo, o Dirigente da Hierarquia, para reaparecer.

3. O estabelecimento na terra, do Plano divino, para ser concretizado voluntariamente pela própria humanidade.

Incidentalmente, esses três acontecimentos estão relativamente próximos e serão causados por uma elaboração consciente da fase imediata do plano, que é a intenção divina de que aconteça, até certo ponto, antes do reaparecimento do Cristo. O estabelecimento de corretas relações humanas é a tarefa imediata e é aquela fase do Plano de Amor e Luz ao qual a humanidade pode mais facilmente responder e pelo qual ela já está evidenciando um senso de responsabilidade.

Pouca atenção foi dada ao fator da invocação tal como expresso pelas pessoas do mundo. Contudo, ao longo do tempo, o apelo invocativo da humanidade chegou à Hierarquia e trouxe resposta. Algum dia um estudo científico será feito das grandes orações mundiais, das afirmações espirituais e dos apelos invocativos e sua relação com os acontecimentos mundiais. Essa relação tornar-se-á de maneira iluminadora aparente e o resultado será uma ligação mais íntima da terra e dos centros espirituais de amor e vida. Isso ainda não foi feito. Vou ilustrar: A afirmação espiritual por Shri Krishna, que se encontra na Canção do Senhor, o Bhagavad Gita, foi um anúncio, preparatório da vida do Cristo. Naquela Canção Ele diz:

“Sempre que haja um debilitamento da Lei e um crescimento da ilegalidade por todos os lados, então Eu Me manifesto. Para a salvação dos justos e a destruição daqueles que praticam o mal; para o firme estabelecimento da Lei, eu volto a nascer, idade após idade.”

No período violento e sem leis do Império Romano, o Cristo veio. Outro exemplo de uma notável e muito antiga invocação é o que se encontra no Gayatri onde as pessoas invocavam o Sol da Retidão nas palavras: “Desvela para nós a face do verdadeiro Sol espiritual, oculto por um disco de dourada luz, para que possamos conhecer a verdade e cumprir por inteiro o nosso dever, ao caminharmos para Teus sagrados Pés”. 

A essas deveríamos também acrescentar as Quatro Nobres Verdades enunciadas pelo Buda e que são tão bem conhecidas de todos nós, resumindo, como o fazem, as causas e fontes de todas as perturbações que dizem respeito à humanidade. Há muitas traduções para essas verdades a que me referi; elas todas transmitem o mesmo apelo e são essencialmente corretas quanto ao significado. Durante a dispensação judaica, foi dada uma declaração quanto à conduta humana, através das palavras dos Dez Mandamentos; a lei humana se baseou neles e neles se fundamentaram as leis governando o relacionamento das pessoas, no Ocidente. Eles acabaram numa concepção de Deus um tanto estreita; esses Mandamentos são didáticos e apresentam o ângulo negativo. Então veio o Cristo e nos deu a lei fundamental do universo, a lei do amor. Ele também nos deu a Oração do Senhor com sua ênfase na Paternidade de Deus, na vinda do Reino e nas corretas relações humanas.

Agora a Grande Invocação tal como usada pela própria Hierarquia, foi dada ao mundo. Tão reacionário é o pensamento humano que a afirmação que fiz de que ela é uma das maiores orações mundiais e se equipara às outras expressões vocalizadas do desejo e intenção espirituais, evocará crítica. Isso não tem importância. Somente poucos - muito poucos - nos primeiros dias do Cristianismo empregaram a Oração do Senhor, porque ela necessitava registro, expressão em termos compreensíveis, e uma adequada tradução, antes de ser possível sua ampla difusão. Esse esforço levou séculos até se concretizar. Hoje, temos todas as facilidades para a rápida distribuição e estas foram empregadas em favor da Grande Invocação.

A característica ímpar relacionada com a Invocação consiste no fato de que ela é, na realidade, um grande método de integração. Ela liga o Pai, o Cristo e a humanidade em um grande relacionamento. Cristo enfatizou sempre a Paternidade de Deus com a qual substituiu o cruel ciumento e tribal Jeová da nação onde ele havia vivido num veículo físico. Cristo era um judeu. No capítulo 17 do Evangelho de João (que é um outro dos principais documentos espirituais do mundo) Cristo deu ênfase à relação da consciência crística com a consciência da própria Divindade. Ele uniu o conceito da Mônada à plenamente desenvolvida personalidade saturada pela alma, e a unidade subjacente existente entre todos os seres em todas as formas e o Pai. A possibilidade que Ele ali expressou ainda permanece distante, exceto na conexão com a Hierarquia espiritual. É bom, todavia, lembrar que Eles alcançaram uma meta em direção à qual todos os verdadeiros discípulos e iniciados estão trabalhando. A Grande Invocação relata a vontade do Pai (ou de Shamballa), o amor da Hierarquia e o serviço da Humanidade em um grande Triângulo de Energias; esse triângulo terá dois principais resultados: a “vedação da porta onde mora o mal", e a consecução, através do Poder de Deus, trazido à terra através da Invocação, do Plano de Amor e Luz.

Esse não é um sonho ocioso. Do ângulo da consciência humana, o veículo de Luz são, em primeiro lugar, os grandes sistemas educacionais do mundo, com sua capacidade de melhoria e pela extensão da ciência segundo as linhas de melhoria da humanidade, e não para sua destruição como é tantas vezes o caso hoje. Para isso deve ser duplicada a firme mudança ou conversão da conquista científica, pela iluminação que a sabedoria traz. Isso no passado resguardou a aspiração humana e o progresso humano em direção à luz. Na luz que a iluminação traz veremos finalmente a Luz, e o dia virá em que milhares de filhos dos homens e incontáveis grupos serão capazes de dizer com Hermes e com o Cristo: “Eu sou (ou nós somos) a luz do mundo".

O Cristo nos diz que os homens “amam mais a treva do que a luz porque seus feitos são maus”. Entretanto, uma das grandes belezas emergentes do tempo atual é que a luz está sendo lançada em cada lugar escuro, e não há nada oculto que não seja revelado.

Quando invocamos a Mente de Deus e dizemos: “Flua luz às mentes dos homens, que a luz desça à Terra”, estamos vocalizando uma das grandes necessidades da humanidade e - se a invocação e oração significam alguma coisa - a resposta é segura e certa. Quando encontramos em todas as pessoas em todo os tempos, em cada época e em cada situação, o impulso para repetir um apelo ao Centro espiritual invisível, há uma certeza firme de que tal Centro exista. A invocação é tão velha quanto as montanhas ou tão velha quanto a própria humanidade; por isso, é dispensável qualquer outro argumento quanto à sua utilidade ou potência.

O habitual apelo invocativo até agora tem sido egoísta em sua natureza e temporário em sua formulação. Os homens oraram para si mesmos. Invocaram a ajuda divina para aqueles a quem amam. Deram uma interpretação material às suas necessidades básicas. A invocação, recentemente transmitida para nós pela Hierarquia, é uma oração mundial; não tem qualquer apelo pessoal ou urgência invocativa temporal. Ela expressa a necessidade da humanidade e perscruta todas as dificuldades, dúvidas e questionamentos - diretamente para a Mente e o Coração Daquele em Quem vivemos, nos movemos e temos nossa existência - Aquele que permanecerá conosco até o fim do próprio tempo e “até que o último cansado peregrino tenha encontrado seu caminho de casa”.

Mas a Invocação não é vaga nem nebulosa. Ela transmite as necessidades básicas da humanidade atual - a necessidade de luz e amor, de compreensão da vontade divina e de se acabar com o mal. Ela diz de maneira triunfante: “Que a luz desça à terra. Que o Cristo volte à terra; Guie o propósito as pequenas vontades dos homens; que o Plano vede a porta onde mora o mal”. Ela então resume tudo nas palavras como de um clarim: “Que a Luz o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra”. Sempre a ênfase é posta no lugar do aparecimento e da manifestação: a Terra.

Essa Invocação já está fazendo muito para mudar os assuntos mundiais - muito mais do que possa parecer aos seus olhos. Muito permanece para ser feito. Eu pediria a todos os estudantes, a todos os homens de boa vontade e a todos os que estão participando do trabalho de Triângulos e ajudando a construir a rede de luz e boa vontade, a fazerem tudo que for possível para disseminar o uso da Invocação. O ano de 1952 será um ano de crise espiritual e um ano em que se deveria tanto quanto possível provar ser possível fechar bem fechada a porta onde mora o mal.

A Invocação foi enviada pelos Ashrams combinados dos Mestres e pela Hierarquia inteira. Ela é usada por seus Membros com constância, exatidão e poder. Ela servirá para integrar os dois grandes centros: a Hierarquia e a Humanidade, e para relacioná-las, ambas, de maneira nova e dinâmica, ao "centro onde a Vontade de Deus é conhecida”.

Eu lhes peço, portanto, que durante os anos vindouros preparem para uso e distribuição a Invocação e façam disso uma prioridade. Gostaria que chamassem todos os povos em cada país do mundo (a quem estejam em posição de alcançar, para pronunciarem juntos a Invocação no mesmo dia em todo os lugares . Gostaria que reunissem tudo que eu disse ou escrevi a respeito da Invocação e depois preparassem um breve manual quanto ao seu uso e propósito, deixando uma cópia nas mãos de todos os que estejam desejando usá-la. Uma compreensão de sua origem, significado e potência torná-la-á muito mais afetiva. O ano de 1952 deveria ser um principal ponto de mutação no pensamento da humanidade, nas metas humanas e nos assuntos humanos. Peço-lhes que se dediquem ao trabalho de implementação disso.

Vocês têm, aqui, um curto resumo dos cinco mais importantes resultados espirituais do século XX. A própria guerra clareou o caminho para eles. Eles são um produto normal e natural da guerra e resultaram (com exceção da Grande Invocação) das massas dos povos e de seus pensamentos. Foram também sua demanda silenciosa e o apelo de seus corações sofredores que trouxeram a Invocação até eles.

Os dois outros acontecimentos espirituais que listei ainda permanecem, como sabem, no futuro. Eles são a mais Intima aproximação dos membros da Hierarquia espiritual com a nossa humanidade e o reaparecimento do Cristo. Com esses dois pontos não me ocuparei. Lidei com este último estupendo acontecimento no livro com aquele nome. E no livro A Exteriorização da Hierarquia, lidei exaustivamente com a emergência da Hierarquia no plano físico.

Espero que vocês se concentrem no trabalho preparatório para essas duas “emergências”; procuro tornar os cinco acontecimentos espirituais que já estão dentro do campo de seu conhecimento uma parte definida de seu próprio empenho espiritual.

Que a humanidade se constitua no seu campo de serviço, e que se possa dizer de vocês que conheciam os fatos espirituais e eram uma parte dinâmica desses eventos espirituais; que não se diga de vocês que sabiam dessas coisas e nada fizeram sobre elas e deixaram de se empenhar a respeito. Que o tempo não se perca enquanto vocês trabalham.

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