Mãe Graciosa
JCBernardes

Em certa passagem de seus relatos João, o Evangelista, diz que o Mestre não falou apenas o que os Apóstolos compilaram, mas tanto que daria para encher toda uma biblioteca.

É bem possível que um destes relatos não foi audivelmente falado pelo Mestre, mas expressado por Ele num momento de rara e extrema beleza.

Na tenra idade, ainda nos braços de Mãe Maria, brejeiramente contorce-Se e, com o instinto do humano, procura saciar-Se com o alvo alimento, o precioso e sagrado líquido materno. Mãe Maria, com sua infinita graciosidade, atributo imanente nos seres de Luz, atende o Seu apelo, cedendo-Lhe o seio róseo, de formato perfeito e divinamente harmonioso. Enquanto Ele suga o leite materno, Mãe Maria, inundada de Luz, radiante, afaga-Lhe os cabelos lisos e acaricia-Lhe a testa úmida. Um raio percorre o espaço. A intensidade de sua luz preenche o éter e envolve todo o ambiente. Seus olhos pequeninos, agora sonolentos, olham Mãe Maria com ternura. Já com gestos de satisfação, entrega-lhe a fonte inesgotável de energia, agora mais corada, de um rosa mais acentuado. Os gestos de Mãe Maria são de extrema leveza. Guarda o seio e Ele então, entoa no recôndito de Seu ser um grito de louvor àquela que Lhe serviu e ainda serve como Mãe: bendita é você, oh ser de beleza indizível, por alimentar-Me. Bendita é você, oh celestial Mãe, por dar-Me guarida, enquanto a Natureza se processa. Bendita é você, oh graciosa mulher e mãe. Rogo ao Pai Supremo para que Ele ilumine todas as mães, quando deste supremo ato de alimentar o filho. Sou-lhe eternamente grato.

Como que percebendo o que Ele falava, Mãe Maria envolve-O em seu colo, acariciando-O. Ele, no aconchego deste gesto, adormece. A sua testa continua úmida, os cabelos colados nela.

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