Navegação

QUATORZE REGRAS PARA INICIAÇÃO GRUPAL


REGRA SEIS - O Grupo Avança na Vida

Uma leitura superficial da Regra VI daria a impressão que ela é uma simples declaração quanto à universalidade da Vida, além de corporificar um enunciado do fato básico do hilozoísmo. A regra é a seguinte:

Regra VI.

Que o grupo saiba que a vida é una e nada pode jamais tirar ou tocar essa vida. Que o grupo conheça a vívida, flamejante, encharcante vida que inunda o quarto quando o quinto é conhecido. O quinto alimenta-se do quarto. Então, que o grupo - fundindo-se no quinto - seja alimentado pelo sexto e o sétimo, e perceba que todas as regras menores são regras para o tempo e espaço e não podem manter o grupo. Ele segue em frente na vida.

Acho extremamente difícil expressar o significado desta Regra de modo que faça sentido para vocês por duas razões. Primeiro, a ideia da Vida Una é uma verdade não compreendida tão predominante e corriqueira que pouco efeito tem em nossos ouvidos. Segundo, toda a história da vida - que é propósito, vontade divina, e absoluta determinação - e o eterno planejamento do Senhor do Mundo são de compreensão tão difícil que nós ainda não temos palavras no idioma de qualquer nação que possam exprimi-las.

O que eu estou escrevendo agora é uma série de instruções para discípulos em processo de treinamento para a iniciação. Não disse em treinamento para as iniciações superiores, pois essas são dadas de modo diferente e o ensinamento é dado no Ashram interno. Portanto, como vocês não fizeram a terceira iniciação, a compreensão monádica está fora de alcance; e somente este mais elevado estado de compreensão permite a clara percepção do fundamental intento divino que jaz por trás de todos os fenômenos mundiais, todo o desenvolvimento evolutivo, todo o desdobramento dentro da capacidade dos quatro reinos da natureza, e todas as preparatórias extensões e expansões de consciência.

Tudo que posso fazer, pois, é mencionar a significância interna do óbvio e procurar expressar certas ideias que poderão forçar sua percepção mental, evocar sua intuição e instituir aquele processo de reconhecimento e registro que leva eventualmente à consciência-do-iniciado.

Esta sexta Regra é o oposto polar daquela que foi dada aos solicitantes. Se vocês se reportarem à minha explanação sobre aquela regra em Iniciação, Humana e Solar, verão que o objetivo daquela regra era a purificação física, enfatizando a necessidade de uma dieta vegetariana numa certa etapa do processo preparatório. Eram duas as razões para tal disciplina: purificação e a necessidade de que, nesta etapa, o solicitante evitasse partilhar dos benefícios incidentes ao que é chamado “tirar a vida” (*). Mas pode alguém “tirar a vida”? Acho que não. A Vida É. Nada no céu ou na terra pode tocá-la ou afetá-la. Este é um ponto frequentemente esquecido.

A regra, como é dada a solicitantes, consequentemente diz respeito à suas habilidade para aceitar e seguir uma disciplina autoimposta. Por meio dessa disciplina, o controle da natureza física e astral é demonstrado pelo solicitante a si próprio, e o efeito da disciplina é revelar-lhe certas básicas e inevitáveis fraquezas, tais como o controle da natureza animal, a poderosa imposição do desejo, um senso de superioridade, de orgulho e separatividade. Sua habilidade em suportar a disciplina e sua apreciação de si mesmo por ser capaz disso, mais um senso de superioridade quanto àqueles que não são assim disciplinados, são todos indicativos de fraquezas essenciais.

Seu fanatismo, latente ou expresso, emerge em sua consciência com clareza, e - quando ele é sincero - ele percebe ter provocado uma certa medida de pureza física; mas ao mesmo tempo, tem consciência de que talvez tenha começado pelo exterior e o óbvio quando deveria estar começando pelo interior e por aquilo que não é tão facilmente contratado ou expressado. Esta é uma grande e importantíssima lição.

É também uma interessante ilustração da técnica dos Mestres, pela qual Eles permitem que uma falha permaneça sem correção (porque ela é originada pelo próprio discípulo e precisa ser dissipada também por ele) e o uso de linguagem que transmita uma impressão errônea. Aquele que assim usa a língua, eventualmente descobre sua incorreta abordagem à verdade. A vida não pode ser tirada no sentido espiritual. Este erro ou engano na abordagem à verdade capacita homens e mulheres no Caminho Probatório a demonstrar a seriedade e sinceridade da sua aspiração pela disciplina de substituir o produto “do segundo”, e abster-se de sustentar a vida com o produto “do terceiro”. Ao sacrificar a vida do segundo reino da natureza (para usar a errônea afirmativa do próprio solicitante) e ao alimentar com ela o corpo físico, o discípulo probacionário consegue no fim o controle da natureza física, e isto sempre ajuda. Por enquanto ele não sabe que está aderindo às regras menores “no tempo e espaço”, e que, uma vez tenha demonstrado a si mesmo que ele pode ater-se a elas e obedecê-las, ele está então livre delas e não mais precisa delas. O discípulo e o candidato à iniciação sabe que a vida é una, quer ela tome forma no segundo reino ou no terceiro ou no quarto. Ele sabe que a vida que está nele é una com a vida no primeiro reino, o mineral. Ele aprende também que essa vida é indestrutível; que ela não pode ser tirada ou destruída, mas que “passa” de uma forma para outra, de uma experiência para outra experiência, até que a perfeita vontade de Deus se expresse através da vida.

O verdadeiro discípulo não precisa de vegetarianismo ou qualquer das disciplinas físicas pela simples razão de que nenhum dos apetites da carne tem qualquer controle sobre ele. Seu problema reside em outro lugar, e é uma perda de tempo e energia focalizar seu olhar no “fazer as coisas corretas fisicamente”, porque ele as faz automaticamente e seus hábitos espirituais contrabalançam todas as tendências físicas inferiores. Automaticamente estes hábitos desenvolvidos lhe permitem suplantar o apelo daqueles desejos que resultam na satisfação do desejo inferior.

Ninguém é aceito no círculo do Ashram (que é o nome técnico dado ao status daqueles que estão às vésperas da iniciação ou sendo preparados para ela) caso corra perigo de ser controlado pelos apetites físicos. Isto é um fato, e aplica-se particular e especificamente aos que se estão preparando para a primeira iniciação. Os que se preparam para a segunda iniciação têm que demonstrar que estão livres da escravidão de ideias, da reação fanática a qualquer verdade ou líder, e do controle de sua aspiração, a qual - pela intensidade de sua aplicação - viria a sacrificar tempo, pessoas e a própria vida ao chamado do Iniciador - ou antes, para falar corretamente - àquilo que eles acreditam ser Seu chamado.

Quero destacar que a terceira iniciação é abordada a partir de um platô de experiência e de consciência, e não a partir da altitude da aspiração ou do sacrifício fanático, ou do ponto de vista de uma devoção que atrapalha o serviço do devoto e do Mestre a que ele procura servir. Ele sabe, como candidato à iniciação, que:

1. A vida é una e nada pode jamais tirar ou tocar essa vida.

Seu senso de proporção quanto à forma torna-se ajustado. Ele olha para diante em direção à alma, e não para trás em direção à natureza da forma. Alguns promissores solicitantes e sinceros devotos estão de tal modo preocupados em disciplinar a forma que pouco tempo lhes resta para dedicar à expansão da alma. Estão tão interessados em suas reações à disciplina autoimposta ou em sua incapacidade de aceitar a disciplina, que as verdades - que procuram entrar em seus corações - deixam de penetrar.

Temperança em todas as coisas, sábia utilização de todas as formas e esquecimento próprio são a marca registrada do discípulo, mas não do principiante. Muitos discípulos hoje que deviam estar atuando na Câmara da Sabedoria estão ainda trabalhando na Câmara do Conhecimento e tão envolvidos com as disciplinas físicas que as disciplinas da alma permanecem ignoradas. Peço-lhes que reflitam sobre isto. Os solicitantes têm que aprender o significado das palavras na Regra VI para os discípulos, “as regras menores são regras no tempo e espaço e não podem reter o grupo”.

Eu me pergunto se vocês podem perceber o tipo de consciência que distingue a Hierarquia, mesmo que apenas possam fazê-lo imaginativamente e teoricamente. Eles “movem-se para diante na vida”. Eles trabalham no reino da energia da vida. Para Eles a forma parece-Lhes algo que Eles definitivamente deixaram para trás, e a consciência do apelo, rejeição ou controle da natureza da forma é para Eles apenas uma lembrança de um campo de batalha distante onde a vitória então alcançada foi esquecida e os louros da vitória estão tão distantes que estão bem abaixo do limiar da consciência.

Falando de modo geral, os trabalhadores nas fileiras da Hierarquia (eu não disse “com a Hierarquia”) estão divididos em dois grandes grupos: aqueles que trabalham com o desenvolvimento da consciência iniciatória nos discípulos do mundo, e aqueles de grau mais avançado que estão trabalhando com o aspecto vida e sua expressão nas vidas dos iniciados mundiais. Os discípulos que estão trabalhando em cooperação com a Hierarquia estão também trabalhando em duas grandes divisões: aqueles que estão lidando com solicitantes e estão procurando ver a imposição das disciplinas físicas e com a comunicação de certos valores menores de modo que os iniciantes possam perceber o ponto a que tenham chegado. Há também aqueles que estão trabalhando para substituir a disciplina física e os antigos inevitáveis fins egoístas por compreensão e serviço.

Repito: as disciplinas físicas têm valor na etapa inicial e revelam um senso de proporção e de percepção dos defeitos e limitações. Elas têm seu lugar no tempo e espaço, e isso é tudo. Uma vez tendo entrado no mundo da alma, o discípulo usa todas as formas sabiamente, com compreensão de seu propósito e livre de excessos. Ele não está preocupado com as formas, nem fundamentalmente interessado nelas. Seus olhos afastam-se de si mesmo e fixam-se no mundo dos verdadeiros valores. Ele abandona o sentido do interesse próprio, porque a consciência grupal está rapidamente tomando o lugar de sua consciência individual. As palavras:

2. Que o grupo conheça a vívida, flamejante, encharcante vida que inunda o quarto quando o quinto é conhecido,

são de primordial importância para aqueles que poderão beneficiar-se pelo que estou procurando transmitir, ao interpretar - até onde posso - estas Regras. O conhecimento do quinto reino da natureza por intermédio da consciência do quarto e o sacrifício do quarto reino ao quinto, do ser humano à alma e da humanidade ao reino de Deus, é o paralelo (numa volta mais alta da espiral) do sacrifício do terceiro reino, o reino animal, ao quarto, o reino humano. Assim prossegue ao longo da escala - sempre o sacrifício do inferior ao superior.

Compete, pois, ao discípulo individual decidir se ele é um solicitante e, consequentemente, a ser controlado pelas “regras no tempo e espaço", ou um candidato à iniciação que sabe que a vida é una e que a forma não tem importância significativa, exceto como um campo de experiência para a alma.

Chegamos agora à parte mais importante desta Regra, que expressa a chave para a meta imediata para aqueles que alcançaram uma certa medida de compreensão. As palavras importantes são:

3. Que o grupo então - fundindo-se com o quinto - seja alimentado pelo sexto e o sétimo.

Em outras palavras: “Então, que o grupo - que está identificado com a alma - encontre sua sustentação e vitalidade pelo influxo da intuição e da vontade espiritual que emanam da Tríade Superior”. Há, é claro, outros significados, mas este é o mais prático para os discípulos. Um conceito similar, porém maior, está na compreensão de que a família humana, o quarto reino da natureza, é absorvida pelo quinto ou pelo reino de Deus e (quando este é o caso) pode entrar cada vez mais em sintonia com o sexto e o sétimo reinos. Não foram ainda dados nomes a esses reinos, porque a possibilidade de sua existência só agora está levemente começando a penetrar na consciência do discípulo e do iniciado. O sexto reino é aquele das “Tríades Oniabarcantes” - aquele agregado de Vidas liberadas das quais fazem parte os mais altos iniciados da Hierarquia. Elas são para aquele grupo espiritual o que o Novo Grupo de Servidores do Mundo é para a Humanidade. Não sei de que outro modo possa expressar esta verdade.

O sétimo reino da natureza é aquele constituído pelas Vidas Que participam em plena capacidade de entendimento do grupo de Seres Que formam o núcleo do Conselho em Shamballa. Este grupo gira ao redor do Senhor do Mundo. Suas consciências e estado de ser são apenas vagamente compreendidas pelos mais avançados Membros da Hierarquia, e a relação destas Vidas com o Senhor do Mundo é semelhante - e contudo, fundamentalmente diferente - da relação entre os Membros da Hierarquia e os três Grandes Senhores - o Cristo, o Manu e o Mahachohan. Através destes três Senhores flui a energia que jorra de Shamballa, transmitindo o propósito e motivando o plano de Sanat Kumara - Seu Plano de Vida. O que vocês chamam “o Plano” é a resposta da Hierarquia ao influxo da vontade e propósito do Senhor do Mundo.

Através de Sanat Kumara, o Ancião dos Dias, como Ele é chamado na Bíblia, flui a desconhecida energia da qual os três Aspectos divinos são a expressão. Ele é o Guardião da vontade da Grande Loja Branca de Sirius, e o fardo desta “intenção cósmica” é partilhado pelos Budas de Atividade e aqueles Membros do Grande Conselho Cuja vibração e consciência são tão elevadas que somente uma vez por ano - por intermédio de Seu emissário, o Buda, é seguro para Eles fazer contato com a Hierarquia.

Estou somente procurando indicar um horizonte mais amplo do que aquele geralmente registrado petos discípulos e uso estas amplas analogias para expandir seus pontos de vista. Deste modo posso transmitir à pessoa esclarecida um sentido de síntese, de planejamento propositado e de integridade planetária. Esta grande estrutura espiritual de Ser, de Vida e de Direção é algo de que os discípulos e iniciados mundiais precisam, nesta época, no seu esforço para se manterem firmes sob a pressão dos acontecimentos mundiais, e em sua determinação para cooperar sem esmorecimento com as medidas e planos feitos pelos Diretores mundiais, aquela “Sociedade de Mentes iluminadas e organizadas” que é conhecida sob o nome de Hierarquia. Iluminação e consequente organização é exatamente aquilo que é profundamente necessário nesta época.

Vocês veem, portanto, a significância do ensinamento agora sendo dado sobre a construção do antahkarana. É somente através desta ponte, deste fio, que o discípulo pode subir até aquela etapa da escada da evolução que o conduzirá para fora dos três mundos, que porá a personalidade em sintonia com a Tríade Espiritual e que, finalmente, conduzirá os Membros da Hierarquia - quando seu tempo de serviço for completado - ao Caminho da Evolução Superior. O antahkarana é construído por aspirantes, discípulos e iniciados dos sete tipos de raios, e é, portanto, um fio sétuplo, que constitui a primeira etapa do Caminho da Evolução Superior. Ele representa para esse Caminho o mesmo que a experiência da Vida de Deus no reino mineral é para essa mesma Vida quando Ela alcança o quarto reino, o humano. Vocês podem ver, pois, quão significativa é a vindoura Ciência da Comparação. Esta ciência de análise comparativa ainda não se tornou uma linha de abordagem à verdade definitivamente reconhecida. A Lei de Analogia é a chave que abre a porta da compreensão.

Algo da qualidade e poder revelador da intuição é do conhecimento de todos os discípulos. Ela constitui às vezes, devido à sua raridade, uma grande “excitação espiritual”. Ela produz efeitos e estimulação; indica receptividade futura às verdades vagamente percebidas e está aliada - pudessem vocês compreender isso - ao fenômeno da previsão. Um registro de algum aspecto de entendimento intuitivo é um acontecimento de grande importância na vida do discipulado que está começando a palmilhar o Caminho para a Hierarquia. É uma prova, que ele pode reconhecer, da existência de conhecimentos, sabedoria e significados dos quais a intelligentsia da humanidade ainda não se apercebeu; garante-lhe o contínuo expandir-se de sua própria natureza superior, a percepção de suas conexões divinas e a possibilidade de sua conquista espiritual final; supera incessantemente o conhecimento da alma, e a energia que jorra da Tríade Espiritual para a sua consciência - particularmente a energia da sexta e sétima esferas de atividade - é a energia específica que finalmente provoca a destruição do corpo causal, o aniquilamento do Templo de Salomão, e a liberação da Vida.

Então, aquilo que no tempo e espaço tem sido denominado a alma pode “avançar na vida”. A evolução como nós agora a compreendemos cessa; contudo, o desdobramento evolutivo prossegue segundo novas linhas que estão baseadas no passado mas que provocam resultados muito diferentes dos percebidos mesmo pelo discípulo avançado nos seus mais elevados momentos. Aparece uma nova expressão de vida que prossegue livre de toda forma, contudo ainda sujeita a limitações “dentro do círculo de influência da Vida maior”, mas não limitada pela vida no interior das muitas formas que progridem, rodeadas por aquele círculo, aquele divino círculo-não-se-passa. Há ainda o vasto limitador campo do propósito e intento de vida do Logos planetário, porém, dentro dessa periferia e esfera de atividade as Tríades movem-se em perfeita liberdade. Seu impulso em direção aos estados superiores da Existência é realizado em conformidade com o estímulo daquele em Quem elas vivem, movem-se e têm sua existência. Notarão, pois, que estas palavras na realidade referem-se aos processos da vida e não à construção da forma ou à experiência na forma como usualmente entendido.

Uma consideração destas verdades por enquanto inacessíveis poderá servir para inspirar suas mentes, evocar-lhes a intuição e dar-lhes visão e crescente percepção espiritual.

_________

(*) Tirar a vida para se alimentar: por exemplo, matar o boi para comê-lo. (nota do editor - Encontro Espiritual)

Início