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QUATORZE REGRAS PARA INICIAÇÃO GRUPAL


REGRA QUATRO - Evocação da Vontade

Anualmente, na hora da Lua Cheia de Junho, o amor de Deus, a essência espiritual do fogo solar, alcança seu mais alto ponto de expressão. Isto é realizado por meio da Hierarquia, esse grande grupo de almas que tem sido sempre o guardião do princípio da luz, do amor esclarecido, e que sempre - ao longo das eras - focaliza sua atenção sobre a raça dos homens, quando a influência espiritual está no seu ápice. Isto é feito por intermédio de um dos grandes Filhos de Deus. A Lua Cheia de junho de 1943 viu este jorro de amor divino alcançar sua expressão máxima, e no ponto de consecução que é, para este Filho de Deus em particular, também o mais alto. Assim é a Lei. Quando um Cristo, encarnado no tempo e espaço, alcança sua meta de consecução, o reconhecimento de tal fato chega a Ele na hora da Lua Cheia de junho, pois nesse signo de Gêmeos, a completa vitória da vida sobre a forma, e do espírito sobre a matéria, é consumada e celebrada.

O amor de Deus, focalizado no Cristo, procura expressar-se em algum ato de serviço peculiarmente útil à humanidade. Este serviço tem tomado diferentes formas ao longo dos tempos, porém expressa-se sempre através de dois episódios. Um deles, o primeiro, revela o Cristo em Sua capacidade de Deus-Salvador, sacrificando-Se através de puro amor por Seus semelhantes. Os anais da Hierarquia contêm muitas histórias assim de sacrifício e serviço que remontam à noite do tempo. O princípio salvador do amor puro encontra sua expressão, na hora da maior necessidade da humanidade, no trabalho de um Salvador Mundial e “para a salvação de Seu povo, Ele aparece”. Ele assim responde à necessidade, e ao mesmo tempo, fortalece o elo que relaciona a Hierarquia à Humanidade. A tarefa do Cristo - como a expressão, no tempo e espaço, do segundo aspecto divino - é estabelecer relacionamentos. Cada cíclico Representante da Divindade faz aumentar a aproximação da Hierarquia à humanidade, e termina este serviço com algum ato final que se torna o núcleo histórico pelo qual as gerações posteriores O recordam.

Tendo realizado isso, Ele permanece com Seu povo como Cabeça da Hierarquia até que chegue Sua segunda oportunidade, quando então, como Representante da Humanidade e também da Hierarquia, Ele possa relacionar ambas a Shamballa. Isto é feito por Ele, por meio de um grande ato de evocação, procurando efetuar uma relação mais estreita entre todos os três grandes centros planetários: Shamballa, a Hierarquia, e a Humanidade. O desenvolvimento do aspecto Sabedoria em Sua natureza é que torna isso possível. O maior agente de união no universo é a energia de Amor-Sabedoria. O Amor relaciona a Hierarquia à Humanidade, e a Sabedoria relaciona a Hierarquia a Shamballa. Somente quando a Humanidade e a Hierarquia estão trabalhando juntas em uma síntese prática, é que se permite à energia de Shamballa completar o fluxo por intermédio dos outros dois centros.

Para ajudar neste processo de gradual aperfeiçoamento e eventual realização de um alinhamento completo, é preciso ser invocado e aceito o auxílio do Buda. O trabalho do Cristo como Deus-Salvador pode ser realizado por Ele, sozinho e sem ajuda. O trabalho do Cristo como Deus, o Preservador, por enquanto, precisa do trabalho unificado dos dois mais altos Representantes do segundo aspecto divino presentes na Terra, como é o caso, hoje, do Buda e do Cristo. Este é o primeiro ciclo na história da humanidade em que isto acontece. Um ou outro esteve sempre presente ao longo dos tempos, porém não os dois simultaneamente. A razão é que ainda não havia chegado o tempo em que Shamballa pudesse ser contratada e evocada sua energia. Por isso, temos a atividade do Buda na Lua Cheia de maio, seguida da atividade do Cristo na Luz Cheia de junho. A atividade de ambos serve para provocar uma aproximação muito mais estreita entre o Senhor do Mundo e a Hierarquia, via Seus quatro Representantes: o Buda, o Cristo, o Manu, e o Mahachohan - os cinco pontos de energia que estão criando a estrela de cinco pontas da Humanidade nesta época.

Uma antiga regra - a Regra Quatro para solicitantes apresenta-nos, num fraseado perfeito, o estímulo que leva à atividade atual do Cristo. Ele completou Sua tarefa como Deus, o Salvador. A Regra Quatro, tal como é apresentada a todos os solicitantes e discípulos probacionários, dá ao Seu trabalho a seguinte definição:

Que os discípulos cuidem da evocação do fogo, alimentem as vidas menores, e assim, mantenham a roda em movimento.

A Regra é apresentada nesta breve forma a todos que estão se aproximando do Caminho, com o fim de transmitir-lhes, com a máxima brevidade e beleza, a natureza da vida da Cabeça da Hierarquia, o Iniciador diante do Qual eles se apresentarão no momento da primeira e segunda iniciações, e sobre Cujas atividades eles - como aspirantes - terão de aprender a modelar suas vidas. Somente hoje é possível apresentar esse trabalho em termos diferentes daqueles que dão realce ao papel que o Cristo desempenha na salvação do homem.

É agora possível, mostrar Sua verdadeira e mais vasta tarefa, porque o senso de proporção do homem, sua aceitação dos outros, seu crescente senso de responsabilidade, sua capacidade de sofrer em nome do bem, do belo e do verdadeiro, sua apropriação da visão, e o seu ponto de evolução garantem um quadro mais verdadeiro que - se for adequadamente percebido - permitirá que o discípulo compreenda os requisitos da Regra Quatro dada aos discípulos e iniciados. Somente à medida que eles perceberem a natureza do trabalho do Cristo, após Seu ato final de serviço como Deus-Salvador, poderão eles entender a natureza do serviço grupal e começar a moldar suas vidas e naturezas para poder preencher os requisitos necessários na formação grupal.

Isto tornou-se possível devido ao ponto no processo evolutivo já alcançado pela Hierarquia. A atitude e a posição dos membros da Hierarquia não são estáticas. Tudo e todos se movem para diante. O Cristo Que veio há dois mil anos corporificou em Si Mesmo não apenas o princípio do amor no sentido planetário (algo que Krishna já alcançara), mas também um princípio cósmico do amor, isto pela primeira vez na história humana. Esse feito tornou-se possível pelo fato de ter a família humana alcançado um ponto que pode produzir o Homem perfeito, Cristo, “o mais velho de uma grande família de irmãos”; um Filho de Deus, a Palavra feita carne. O futuro progresso da humanidade está também favorecido e acelerado devido não só a essa conquista do Cristo, mas também porque Ele permanece conosco Deus, o Preservador.

Hoje, Sua tarefa é tríplice, e a Regra mostra, em linguagem muito simples, esses três aspectos de Sua atividade divina ou fases de Seu trabalho:

1. Ele "cuida da evocação do fogo". Sua principal tarefa como Cabeça da Hierarquia é evocar o fogo elétrico de Shamballa, a energia da Vontade divina, e isto de tal forma que a Hierarquia possa ser atraída para mais próxima da fonte de Vida, e a Humanidade possa, consequentemente, beneficiar-se desta aproximação hierárquica e, eventualmente, conhecer o significado das palavras “vida mais abundante”. A evocação do fogo da vontade pelo Cristo foi simbolicamente iniciada no Jardim de Gethsemane. Por duas vezes, simbolicamente, Cristo mostrou Sua resposta individual à energia de Shamballa. Uma vez, quando criança no Templo de Jerusalém e, novamente, no Jardim, como homem adulto, no fim de Sua carreira terrena. Sua terceira e final resposta (ponto culminante de Seu trabalho sob o ponto de vista humano) cobre um período de nove anos, da Lua Cheia de junho de 1936 à Lua Cheia de junho de 1945. Na realidade, este período constitui um único evento para Ele Que vive agora livre no Seu Próprio mundo e livre das limitações de tempo e espaço. Tendo relacionado a Humanidade à Hierarquia - o que no caso do homem, como indivíduo, significa relacionar a personalidade à alma - o Cristo agora procura, com o auxílio do Buda, relacionar mais estreitamente a Hierarquia a Shamballa, o amor à vontade, o fogo elétrico ao fogo solar.

2. Ele "nutre, alimenta, as vidas menores". Isto refere-se à tarefa que o Cristo como Deus, o Preservador, executa dia após dia. Ele “cuida dos pequeninos”. O trabalho aqui referido diz respeito à Sua atividade como Iniciador, Sua responsabilidade como Cabeça da Hierarquia. O “nutrir as pequeninas vidas" refere-se primordialmente à Sua tarefa como Instrutor Mundial e à Sua responsabilidade de guiar a humanidade para a luz, com o auxílio de todos os Mestres, trabalhando, cada um Deles, por intermédio de Seus próprios Ashrams.

3. Ele "mantém a roda em movimento". Isto tem uma específica relação com Seu trabalho como a Palavra de Deus, que se manifesta como a Palavra feita carne. Refere-se isto, especialmente, à grande Roda do Renascimento por meio da qual, com o girar da roda, as almas descem à encarnação e depois sobem livres da prisão da alma; através do girar da roda, os seres humanos aprendem as lições necessárias, ciclicamente criam seus veículos de expressão, isto é, o aparelho de resposta da alma nos três mundos, e deste modo, sob a direção da alma e auxiliados pela Hierarquia e suas escolas de instrução, chegam à perfeição. Este processo todo está sob o controle do Cristo, assistido pelo Manu e pelo Senhor da Civilização. Estes três Grandes Senhores representam assim, os três Aspectos divinos, na Hierarquia. Eles, com os quatro Senhores do Carma, formam os sete Que controlam todo o processo de encarnação. O assunto é por demais vasto e intricado para que possamos desenvolvê-lo aqui. A verdade que acabamos de apresentar oferece-nos uma pista sobre porque o Cristo nada disse de específico sobre o trabalho da encarnação enquanto Ele esteve na Terra. Nessa época, Ele estava ocupado com Sua tarefa de Salvador do Mundo.

Seu trabalho como Preservador, e como Cabeça da Hierarquia ainda não havia começado. Nessa época, esse trabalho dependia ainda da experiência no Jardim de Gethsemane e da iniciação da Ressurreição. Algum dia, os fios de ouro e prata da história da Bíblia serão desenredados, e os homens conhecerão as duas interpretações que podem ser dadas aos acontecimentos e episódios na carreira de Jesus, o Cristo. Os verdadeiros acontecimentos subjacentes mostram-nos grandes passos e desenvolvimentos na carreira do Cristo, à medida que Ele “envolvia a humanidade no manto do amor, empunhava o cetro da iniciação em benefício de Seus irmãos, e postava-Se diante do Próprio Senhor da Vida, desacompanhado, intimorato e por Sua própria conta. Os episódios referem-se aos acontecimentos na vida de Jesus.

No tempo presente, e no ponto imediato de tensão, o Cristo acrescentou às Suas duas imediatas e constantes tarefas a de acelerar a vinda do Avatar Que aguarda pelo trabalho aperfeiçoado da Hierarquia, focalizado no Cristo, e o poderoso trabalho de Shamballa, focalizado no Senhor do Mundo. Quando chegar o momento exato, o trabalho do Buda, representando Shamballa, e o do Cristo, representando a Hierarquia, somados à sincera demanda da Humanidade, ocasionarão um alinhamento capaz de liberar um Som evocativo que será extraplanetário, e então, o Avatar virá.

Não me pergunte a data ou a hora, irmão meu, pois não sei. Isso depende do apelo - o apelo silencioso - de todos aqueles que permanecem com intenção firme; depende também da hora exata do alinhamento e de certos aspectos do trabalho sendo realizado atualmente pelos Membros mais velhos da Hierarquia, e também da firmeza dos discípulos no mundo e dos iniciados trabalhando nos seus vários Ashrams. Devemos acrescentar a isto aquilo que os cristãos denominam “a inescrutável vontade de Deus”, o propósito não reconhecido do Senhor do Mundo Que "conhece Seu Próprio Pensamento, irradia a mais alta qualidade de Amor, e concentra Sua Vontade no Seu Próprio alto Lugar fora da Câmara do Conselho de Shamballa".

Que o Avatar virá é uma certeza que pode ser profetizada. Que Seu precursor será o Cristo é igualmente certo. Quando o Cristo vier, Ele será visto pelas unidades avançadas da família humana; eles O reconhecerão, porque Ele sempre esteve entre nós, enquanto Seu advento evocará das massas uma resposta sensível, porém não um reconhecimento direto. Em relação ao Avatar, este será um processo de reconhecimento hierárquico de uma Presença toda abarcante, dentro de Cuja aura o Logos planetário tomará Seu lugar como Representante planetário. Então, de Shamballa descerá uma corrente de potência espiritual, qualificada pela vontade-para-o-bem, e isto alcançará a Hierarquia atenta. Os Membros deste grupo, por intermédio do Cristo, farão jorrar luz e energia curadora sobre a Terra e especialmente para a consciência dos homens. Não consigo expressar em termos mais claros o efeito dessa efusão partindo de Shamballa. Lemos na Bíblia que Cristo virá pelo ar, e que Ele trará, em Suas asas, “a cura das nações”. Quero chamar-lhes a atenção para esta ideia e sua adequação para este dia e geração. Não faço profecias, somente indico possibilidades.

Quando o Avatar aparecer então os

“os Filhos dos homens que são agora os Filhos de Deus darão as costas à luz brilhante e irradiarão essa luz sobre os filhos dos homens que ainda não sabem que são Filhos de Deus. Então, Aquele Que Vem aparecerá. Seus passos através do vale das sombras são acelerados por Aquele de tremendo poder Que permanece no topo da montanha, exalando amor eterno, luz celestial e tranquila e silente Vontade.

“Então, os filhos dos homens responderão. Então, uma luz mais nova brilhará no sombrio e desolado vale da Terra. Então, nova vida correrá através das veias dos homens, e então sua visão abrangerá todos os caminhos do que possa ser.

“Assim, a paz voltará novamente à Terra, porém uma paz diferente de qualquer coisa antes conhecida. Então, a vontade-para-o-bem desabrochará como compreensão, e a compressão florescerá como boa vontade nos homens”.

Assim fala uma profética passagem encontrada nos antigos Arquivos da Hierarquia, que trata do presente ciclo de infortúnio (escrito em junho de 1943). É para essa hora que os homens precisam preparar-se. Vocês saberão quando o Avatar Se ligar ao Logos planetário, porque eu então lhes darei a Estrofe final da Grande Invocação (divulgada em abril de 1945). O seu uso servirá para tornar conhecido Aquele Que Vem e permitirá que Ele possa munir-se dos recursos do Avatar na tarefa de reorganizar e regenerar o mundo. Ele virá, de novo, como o Salvador Mundial, porém, devido à estupenda natureza do trabalho que O aguarda, Ele será apoiado e sustentado pelo “Avatar silencioso” Que, falando ocultamente, “manterá sobre Ele o olhar, Sua mão por baixo Dele e Seu coração em uníssono com o Dele”.

A nota-chave da missão do Cristo será a de evocar da humanidade resposta a essa influência, e um desenvolvimento, em larga escala, da percepção intuitiva. Quando Ele veio anteriormente, Ele evocou da humanidade uma gradual resposta à verdade, e compreensão mental. Esta é a razão porque no fim do ciclo, que Ele inaugurou, nós formulamos doutrina e desenvolvimento mental.

O trabalho que agora está sendo realizado por Shamballa e a Hierarquia em benefício da humanidade tenderá também a desenvolver a consciência grupal e a formação de muitos grupos que serão organismos vivos e não organizações; tornará possível a iniciação grupal e permitirá que certos aspectos da vontade desabrochem de forma correta e segura. A tendência para ignorar a distinção que existe entre grupos e organizações está muito enraizada, porém a vinda do Cristo lançará muita luz sobre este problema. Um estudo da Regra IV como é oferecida aos discípulos e iniciados servirá também para esclarecer este ponto, e é com ela que nos vamos ocupar agora.

Regra IV

Que o grupo cuide para que todos os dezoito fogos sejam extintos, e que as vidas menores retornem para o reservatório da vida. Isto terá de ser feito através da evocação da Vontade. Não devem as rodas menores para sempre girar no tempo e espaço. Somente a Roda maior deve girar e avançar.

Esta é uma regra peculiarmente relacionada à quarta Hierarquia Criativa, corporificando sua meta à medida que a raça-raiz ariana pode senti-la e dela se aproximar. Está também peculiarmente relacionada ao quaternário ao qual damos o nome de “personalidade”, composto de um corpo vital ou etérico, a soma total de estados emocionais e a mente, mais aquele algo integrado que nós chamamos o homem como um todo. Corretamente compreendida e seguida, esta regra revela a natureza do quarto plano, ou quarto estado de consciência, o estado de budi, ou o plano da razão pura, a intuição. Sob o ângulo do iniciado superior, esta regra está relacionada à atividade da Mônada, Alma e corpo dentro da Vida planetária, e esconde um grande mistério e todo um sistema de relacionamentos, dos quais, o homem nos três mundos é uma pálida e imprecisa sombra. Uma pista para o quaternário superior tratado nesta regra surgirá vagamente em sua consciência - pois mais não é ainda possível - se você tentar compreender o seguinte:

1. A Mônada relaciona o iniciado com a Vontade de Deus, com o Conselho em Shamballa, com as forças ativas no planeta Plutão, e em outro planeta que deve permanecer inominado, e também com o Sol Espiritual Central.

2. A Alma relaciona o iniciado com o Amor de Deus, com o aspecto consciência da Deidade, com a Hierarquia como um todo, entrando nela através do Ashram do Mestre que o ajudou a fazer a iniciação, com os planetas Vênus e Mercúrio, com o Sol Sirius, e com o Coração do Sol.

3. A Personalidade relaciona o iniciado com a Mente de Deus, com o princípio Inteligência da Vida planetária, com a humanidade como um todo, com Saturno e Marte, e com o Sol físico através de seu aspecto prânico.

4. O aspecto Vida do planeta, ou esse grande oceano de forças no qual todos esses três aspectos vivem, se movem e têm sua existência, relaciona o iniciado com essa Vida que opera através de Shamballa, através da Hierarquia e através da Humanidade, formando assim parte da grande soma total de manifestação.

É a estes importantes quaternários que se refere a Regra IV, e seus relacionamentos somente surgem à medida que o iniciado observa as regras. Tomemos uma a uma as estâncias desta regra para chegar a algum entendimento de seus significados básicos.

1. Que o grupo cuide para que todos os dezoitos fogos sejam extintos e que as vidas menores retornem para o reservatório da vida.

Uma leitura, ainda que superficial, mostrará ao estudante que esta regra contém quatro frases que se referem a um ou outro dos quatro aspectos que estamos considerando. Tenham isto em mente à medida que estudem os significados, e as interpretações de modo a conduzir nossos pensamentos para o mundo dos significados.

Uma leitura apressada leva-nos a supor que uma das mais importantes alusões referem-se ao efeito da vida grupal e irradiação sobre o indivíduo no grupo. “Que o grupo cuide para que todos os dezoito fogos sejam extintos e que as vidas menores retornem para o reservatório da vida”. Estas palavras referem-se à personalidade grupal, composta de todas as personalidades dos seus membros. É preciso lembrar que um grupo é, em si mesmo, uma entidade, tendo forma, substância, alma e propósito ou objetivo, e que nenhum desses aspectos é melhor ou maior, ou mais desenvolvido do que o agregado de vidas que o compõem. Embora indivíduos de pontos variados na evolução formem o grupo, nenhum deles está abaixo do nível de discípulos na escala probacionária. Ninguém abaixo do nível de discípulos - aceitos e dedicados - é admitido. Esta é uma das primeiras Regras a serem dadas a um discípulo aceito quando ele é, pela 1ª vez admitido ao Ashram, e é sob este ângulo que devemos estudá-la.

As três Regras já apresentadas são de natureza geral e relacionadas a temas de natureza geral ou hipóteses exigidas que devem governar a consciência do discípulo, no futuro. Com esta Regra IV, nós entramos no reino do específico, e são-nos apresentadas certas atividades “intencionais” que devem governar a vida do discípulo, agora que ele é uma parte integral do Ashram. Ele vê-se diante da proposição de tornar sua vida de uma natureza tal que ela dê apoio ao propósito do grupo, aumente a força do grupo, elimine tudo que possa cercear a utilidade do grupo, e se aproxime cada vez mais do objetivo para o qual o grupo foi formado - levar a cabo os planos do Mestre. Foi a inata e instintiva resposta do discípulo a este objetivo do raio, e seu esforço para subordinar sua personalidade à levemente sentida dedicação da alma, que, em primeiro lugar, levou o Mestre a reconhecê-lo e incorporá-lo ao Seu Ashram. A partir desse momento, não só o discípulo passou a estar submetido a um crescente impacto de força egoica e intenção impulsiva egoica (usando essas palavras em seu sentido oculto), como também a irradiação do grupo começou seu benéfico trabalho sobre ele. O magnético poder “impulsivo” que até então o fizera avançar, é agora suplantado por uma estimuladora e radiadora potência. Isto efetua nele grandes mudanças e provoca resultados tanto de eliminação quanto de substituição. Os efeitos da vida do Ashram, no que diz respeito ao grupo que o forma e à parte da potência do Próprio Mestre, pode ser descrito como se segue:

1. A vida da personalidade é progressivamente enfraquecida, e seu domínio sobre a alma é definitivamente liberado. A alma começa a dominar e isto, num sentido muito real.

2. A necessidade de encarnar diminui sensivelmente até que, finalmente, a vida nos três mundos de manifestação humana torna-se desnecessária. Todas as lições foram aprendidas, e o objetivo da alma atingido.

3. A Vontade da Mônada começa a ser percebida; o aspecto vontade funde-se com o aspecto inteligência capaz e eficiente para levar a cabo o propósito divino, focalizado, para o discípulo, através do Ashram.

4. Os propósitos de tempo e espaço, de acontecimentos e de extensão, de matéria e consciência foram todos atingidos e são, eventualmente, superados por algo, para o qual ainda não temos nome, e do qual não temos conceito. É aquilo que começa a expressar-se depois da terceira iniciação, quando o aspecto Pai “é visto” - não sei de que outro modo expressar-me.

5. O todo passa a ser visto como de mais vital importância do que a parte, e isto, não como um sonho, uma visão, uma teoria, algo que se deseja, uma hipótese ou uma ânsia. Compreende-se que isso é uma necessidade inata e inevitável. Tem conotação de morte, porém, morte como beleza, como alegria, como espírito em ação, como a consumação de todo o bem.

É óbvio, portanto, que a interpretação destas Regras forçosamente envolve a capacidade de passar além das atitudes costumeiras e que podemos chamar de usuais platitudes metafísicas e teosóficas, e passar a ver a vida tal como a Hierarquia a vê. Isto quer dizer que a vida é abordada a partir do ângulo do Observador e não do ângulo de um participante do real experimento e da experiência nos três mundos. Este observador é diferente do Observador no Caminho probacionário. A maior parte do experimento e da experiência foi deixada para trás, e uma nova orientação para um mundo de valores, mais elevado do que mesmo o mundo dos significado, foi então estabelecida. Esta atitude pode muito bem ser descrita como o modo de aproximação de todos os que formam parte de um Ashram. Aqueles que compõem o Ashram estão vivendo nos três mundos de experiência como discípulos aceitos, porém seu foco de atenção não está neles centrado. Se eles são discípulos iniciados, estarão cada vez mais alheios às atividades e reações de suas personalidades, porque certos aspectos de sua natureza inferior estão agora de tal modo controlados e purificados que caíram a um nível abaixo do limiar da consciência e passaram para o mundo do instinto. Por essa razão, sua percepção deles não é maior do que a percepção que um homem tem do funcionamento do seu veículo físico enquanto dorme. Esta é uma profunda e ainda não percebida realidade. Está relacionada ao processo da morte, e podemos considerá-la como uma das definições de morte; ela detém a pista para as misteriosas palavras “o reservatório da vida”. Na realidade, morte é a inconsciência daquilo que pode estar funcionando em uma ou outra forma, porém da qual o homem espiritual está totalmente alheio. O reservatório de vida é o lugar de morte, e esta é a primeira lição que o discípulo aprende.

Os dezoito fogos referem-se aos dezoito estados de matéria que constituem a personalidade. São eles: sete estados de matéria física, sete estados emocionais, permitindo que o corpo astral funcione nos sete subplanos do plano astral, e quatro estados de matéria para cada uma das condições da mente concreta (7, 7, 4 = 18). Estes são os dezoito graus de substância, dezoito grupos vibratórios de átomos, e dezoito agregados de vida que formam os corpos dos senhores lunares (como são chamados na Doutrina Secreta) que, em sua totalidade formam o corpo do Senhor Lunar, a Personalidade. Isto tudo é o a, b, c do ocultismo e uma verdade familiar a todos vocês. O que está referido aqui, não se refere, porém, aos processos de purificação, de controle ou de disciplina. Estes já foram trabalhados e são considerados como os processos necessários instituídos no caminho probatório e deveriam ter alcançado um ponto anterior à etapa do discipulado aceito onde - rápido ou lento em expressão - eles, não obstante, são automáticos na ação, firmes e inevitáveis.

A primeira frase desta quarta regra refere-se ao Desapego - o desapego entre o corpo e a alma, ou a instituição daquelas atividades que provocam, o que na Bíblia é chamado, “a segunda morte”. Não é o desapego como o aspirante o pratica. É o científico desligamento de todos os elos e o término, por ter esgotado o seu uso, de todos os contatos que, agora, são considerados como empecilhos à liberação. É, na realidade, um processo científico de esgotar o carma. É o carma individual e nacional que faz o homem voltar a um veículo físico e o reveste de qualidades e aspectos de substância. Isto precisa ter fim, enquanto ele é um membro do Ashram do Mestre e está se preparando para o triunfo da quarta iniciação. Isto é conseguido pelo cumprimento automático, incessante e inquestionável do dever, sob o ângulo do serviço reconhecido.

Poder-se-ia afirmar que uma compreensão inteligente desta frase levaria àquelas ações que “produzem a morte e a dissipação e final dissolução da personalidade através do fim do carma”. Deve-se lembrar que um Mestre não tem qualquer personalidade. Sua natureza divina é tudo que Ele tem. A forma através da qual Ele trabalha (se Ele estiver trabalhando através de e vivendo num veículo físico) é uma imagem criada, o produto de uma vontade focalizada e da imaginação criativa. Não é o produto do desejo, como no caso de um ser humano. Esta é uma importante distinção, que exige cuidadosa reflexão. As vidas menores (que são governadas pela Lua) foram dispersadas. Elas não mais respondem ao antigo chamado da alma que reencarna, a qual repetidas vezes se reuniu às vidas que ele tocou e coloriu por sua qualidade no passado. A alma e o corpo causal não mais existem ao tempo da quarta iniciação. O que ficou é a Mônada e o fio, o antahkarana que se destacou de sua própria vida e consciência, ao longo das idades e que ela pode focalizar à vontade no plano físico, onde ele pode criar um corpo de substância pura e radiante luz para tudo que o Mestre possa solicitar. Esse será um corpo perfeito, extremamente adaptado ao que for necessário, o plano e o propósito do Mestre. Nenhuma das vidas menores (como entendemos o termo) forma parte dele, pois eles somente podem ser realizados pelo desejo. No Mestre não há nenhum desejo residual, e esse é o pensamento sustentado diante do discípulo que começa a dominar o significado da Regra quatro.

Nesta Regra, duas ideias principais são encontradas, ambas conectadas com o primeiro aspecto divino: o pensamento da Morte e a natureza da Vontade. No século vindouro, a morte e a vontade inevitavelmente serão vistos com novos significados para a humanidade,e muitas das velhas ideias desaparecerão. A morte, para o homem comum pensante, é um ponto de crise catastrófica. É a cessação e o final de tudo que foi amado, tudo que é familiar e que é desejado. É uma destruidora entrada no desconhecido, na incerteza, e a abrupta conclusão de todos os planos e projetos. Não importa quanta verdadeira fé nos valores espirituais possa estar presente, não importa quão clara a racionalização da mente relativamente à imortalidade, não importa quão conclusiva a evidência da persistência e eternidade, ainda ficará um questionamento, um reconhecimento da possibilidade da completa finalização e negação e um fim de toda atividade, de toda reação do coração, de todo pensamento, emoção, desejo, aspiração e intenções que focalizam em torno do núcleo central de um ser humano. A ânsia e a determinação de persistir e o senso de continuidade ainda restam, mesmo para o mais determinado crente, sobre a probabilidade, sobre uma base instável, e sobre o testemunho de outros - que, na verdade, nunca voltaram para contar a verdade. A ênfase de todo pensamento nestes assuntos, diz respeito ao ”Eu” central ou à integridade da Divindade.

Vocês notarão que neste Regra, a ênfase se transfere do “Eu” para as partes constituintes que formam a vestimenta do “Self” e esse é um ponto que vale registrar. A informação dada ao discípulo é para trabalhar para a dissipação desta vestimenta e para a volta às vidas menores, ao reservatório geral da substância viva. O oceano da Existência agora é objeto de referência. O pensamento cuidadoso aqui mostrará que esse ordenado processo de desapego, que a vida grupal torna efetivo no caso do indivíduo, é um dos mais fortes argumentos para o fato da continuidade para a identificável persistência individual. Registrem essas palavras. O foco da atividade se transfere do corpo ativo para a entidade ativa naquele corpo, o mestre de suas cercanias, o dirigente de suas possessões e aquele que é o próprio alento, remetendo as vidas para o reservatório da substância, ou tornando a chamá-las para reassumir sua relação com ele.

Colocadas as coisas desta maneira, vocês verão como o discípulo está realmente destinado a reconhecer (com a assistência de seu grupo) que ele é essencialmente o próprio aspecto Pai, a causa primeira, a vontade criativa e o alento de vida na forma. Esta é, de certo modo, uma nova atitude que ele pediu para assumir, porque até então a ênfase sobre seu foco fora considerar-se como a alma, reencarnando quando o desejo pede e se retirando quando a necessidade surge. A vida grupal como um todo é aqui necessária para tornar possível esta mudança na realização fora da forma e da consciência para o aspecto ou princípio vontade e vida. Quando isso começou a ocorrer, um dos primeiros reconhecimentos do iniciado-discípulo é que a forma, e sua consciência da forma e seus contatos (a que nós chamamos de conhecimento) produziram em si próprios, um grande pensamento-forma que sintetizou em si mesmo sua inteira relação com a forma, com a existência e experiência nos três mundos, para a matéria, para o desejo e para tudo que a encarnação lhe trouxe. A matéria toda assoma, portanto, dominando em sua consciência. O desapegar-se de si mesmo de seu antigo pensamento-forma - a forma final que o Morador do Umbral assume - é chamada por ele Morte. Somente na quarta iniciação ele se dá conta de que a morte não passa da ruptura de um fio que o liga ao círculo-não-se-passa dentro do qual ele escolheu para se limitar. Ele descobre que “o último inimigo a ser destruído” é trazido àquela destruição final pelo primeiro aspecto nele próprio, o Pai ou Mônada (que se movimentou originariamente para criar aquela forma) a Vida, o Alento, a Vontade energizante diretora. É a vontade que, em última análise, produz orientação, foco, ênfase, o mundo da forma e acima de tudo o mais (devido à sua relação com o mundo da causa), o mundo do significado.

O homem comum vive e tem sua existência no mundo do significado. O iniciado e o Mestre têm seu foco no mundo da Existência. Eles nada mais são, então, que vontade, iluminada pelo amor que os une com o mundo do significado, e capaz de inteligente atividade que os liga com o mundo da forma, e é a indicação da vida. Mas o desejo do iniciado não está agora em atividade, ou mesmo para a expressão do amor. Essas qualidades são parte integral de seu equipamento e expressão mas foram rebaixados para abaixo do limiar da consciência (uma correspondência superior das atividades automáticas do corpo físico que procedem em seu trabalho sem qualquer consciência realizada na parte do homem). Seu esforço é na direção de algo que significa pouco por enquanto, para aqueles de vocês que lerem essas palavras; é para a realização do Ser, imóvel, imutável, vivendo e somente a ser compreendido em termos que englobam o conceito de “Não é isso. Não é aquele. Não é Nada - não é desejo nem pensamento. É a vida, a Existência, o todo, o Uno. Não é expresso pelas palavras “Eu sou”, nem pelas palavras “Eu não sou" É expresso pelas palavras “Eu sou aquele eu sou”. Tendo dito isso, você sabe o que quero dizer? É a vontade-de-ser que encontrou a si própria através da vontade para o bem.

Portanto, os dezoito fogos devem apagar-se; as vidas menores (encarnando o princípio da forma, do desejo e do pensamento, a totalidade da criatividade, baseada no amor magnético) devem voltar para o reservatório da vida e nada deve ser deixado senão aquilo que fez com que existissem, a vontade central que é conhecida pelos efeitos de sua radiação ou alento. Essa dispersão, morte ou dissolução, é na realidade um grande efeito produzido pela Causa central, e a injunção é consequentemente:

2. "Isso eles devem conseguir através da evocação da Vontade”.

Esse tipo de morte é sempre conseguido por um grupo, porque ela é desde os primeiros momentos a única inequívoca expressão da atividade da alma - tal como influenciado conscientemente pela Mônada ou Pai - e essa atividade é uma atividade grupal que quer o retorno das vidas menores para o reservatório geral desde o primeiro momento que se tornou aparente que a experiência da forma serviu ao seu propósito e que a forma alcançou um ponto de tal destaque e capacidade que a perfeição foi praticamente alcançada. Isso é definitivamente consumado na quarta iniciação. Agora, no final do grande ciclo de vida da alma, persistindo por idades, o tempo se aproxima em que a encarnação e a experiência nos três mundos deve terminar. O discípulo encontra o seu grupo no Ashram do Mestre e conscientemente e plena compreensão, domina a morte - o longamente temido inimigo da existência. Ele descobre que a morte é simplesmente um efeito produzido pela vida e por sua vontade consciente, e é um modo pelo qual ele dirige a substância e controla a matéria. Isso se torna conscientemente possível porque, tendo desenvolvido a conscientização de dois aspectos divinos - atividade criativa e o amor - ele está agora focalizado no aspecto mais elevado e se conhece como sendo a Vontade, a Vida, o Pai, a Mônada, o Uno.

Concluindo nosso estudo da Regra IV, devemos considerar duas coisas:

O método de evocar o aspecto Vontade.
O processo de reconhecer o aspecto Vida,
A Mônada, o Pai nos Céus.

O resultado dessas duas é dado em duas frases de encerramento desta regra:

3. As rodas menores não se devem revolver no tempo e no espaço. Somente a Roda maior deve se mover e girar para diante.

Há um ponto aqui que eu gostaria de assinalar porque ele abre a porta para novos conceitos, mesmo que ainda não seja possível definir esses conceitos de tal modo que as massas possam compreende-los; mesmo os discípulos que lerem essas palavras acabarão por errar na sua compreensão destas palavras. Somente aqueles que passaram pela terceira iniciação irão interpretá-las corretamente. Constantemente, em toda literatura esotérica se faz referência aos fatores de tempo e espaço como se houvesse uma distinção básica entre os mundos entre os quais esses dois oscilam e nos quais os aspirantes e iniciados de todos os graus se movem livremente. Constantemente o aspirante é lembrado de que o tempo é cíclico em natureza e manifestação, e que “o espaço é uma entidade". Seria necessário que houvesse alguma compreensão desses termos, se é que aquilo que a vontade controla (quando evocada) deve penetrar na consciência conhecedora do pensamento.

Espaço e substância são termos sinônimos; a substância é o agregado de vidas atômicas das quais todas as formas são construídas. Com isso o Tratado do Fogo Cósmico lida em grande parte. Isso é um truísmo tanto ocultista quanto científico. A substância é, contudo, um conceito da alma, e é somente verdadeiramente conhecida pela alma. Portanto, depois da quarta iniciação, quando o trabalho da alma se completa e o corpo da alma se afasta do campo, somente a qualidade que ela imprimiu à substância é deixada como sua contribuição - individual, grupal ou planetária - à totalidade da manifestação. Tudo que permanece é um ponto de luz. Esse ponto é consciente, imutável e consciente dos dois extremos da divina expressão: O senso da identidade individual e o senso da universalidade. Esses dois são fundidos no Uno. Deste Uno o divino Hermafrodita é o símbolo concreto - a união em um dos pares de opostos, negativo e positivo, macho e fêmea. No estado da existência ao qual chamamos monádico, nenhuma diferença é reconhecida entre esses dois, porque (se posso trazer tais ideias para baixo, até o nível da inteligência do aspirante) se conscientiza que não há uma identidade separada da universalidade e nenhuma apreciação do universal fora da realização individual, e essa realização da identificação com ambas, a parte e o todo, encontra seu ponto de tensão na vontade-de-ser, que é qualificada pela vontade-para-o-bem e desenvolvida (do ângulo da consciência) pela vontade-de-saber. Esses são na verdade três aspectos da vontade divina que existe em sua perfeição no Logos solar e encontra um meio de expressão através do Logos planetário. Essa vontade está portanto atuando de sete maneiras, através das qualidades vivas dos sete Logoi planetários Que Se expressam através dos sete planetas sagrados; Eles se acham preocupados com a tentativa de trazer todas as formas de vida na órbita de Sua influência, até a mesma medida de reconhecimento registrado e de existência registrada. Será obvio para vocês, consequentemente, que em cada um dos sete planetas sagrados um aspecto da Vontade divina será dominante.

Esta é a significação do Espaço - o campo no qual os estados da Existência são trazidos ao estágio do reconhecimento. Quando aquele estágio é alcançado e o Conhecedor, a Alma, está plenamente alerta e consciente, então entra em atuação um novo fator que também afeta o espaço - embora de uma maneira diferente, mas que está relacionado com a Vida monádica. Esse fator é o Tempo. O Tempo está relacionado com o aspecto vontade e é dependente da vida dinâmica, autodirigida, a qual produz persistência e que demonstra a persistência naquele foco dinâmico de intenção pela aparência periódica ou cíclica.

Do ângulo da Vontade ou do Pai, essas aparências no tempo e através do espaço são tão pequena parte da experiência da Entidade Viva Cuja vida é vivida nos outros planos que não o físico, o emocional ou o mental, que eles são considerados como não vida. Para compreender isto, gostaria de lembrar-lhes mais uma vez que nós devemos procurar compreender a totalidade na luz da parte, o Macrocosmo na luz do Microcosmo. Isso não é uma tarefa fácil e é necessariamente muito limitada.

O discípulo sabe ou está aprendendo a saber que ele não é isso ou aquilo, mas a Própria Vida. Ele não é o corpo físico nem sua natureza emocional; ele não é, em última análise (uma frase bastante ocultista) a mente ou aquilo pelo que ele conhece. Ele está aprendendo que aquilo também deve ser transcendido e substituído pelo amor inteligente (somente verdadeiramente possível depois que a mente tenha sido desenvolvida) e ele começa a se conscientizar de si mesmo como a alma. Então, mais tarde, vem o horrível “momento no tempo” quando, pendente no espaço, ele descobre que ele não é a alma. Que é ele, então? Um ponto de vontade dinâmica divina, focalizada na alma e chegando à conscientização do Ser através do uso da forma. Ele é Vontade, o regente do tempo e o organizador, no tempo, do espaço. Isso ele faz, mas sempre com a reserva de que tempo e espaço são os “brinquedos divinos” e podem ser usados ou não, à vontade.

Poderíamos parafrasear as últimas duas frases desta quarta regra, como segue: A evocação da vontade envolve a identidade com o propósito mais amplo. A pequena vontade das pequenas vidas deve imergir na vontade maior do todo. O propósito individual deve identificar-se com o propósito grupal, que é tanto do propósito do Todo ou da Vida Una quanto a vida pequena pode alcançar num dado ponto e espaço. É neste sentido, esotericamente compreendido, que o tempo é um acontecimento - que a filosofia agora aponta, tateando na direção de uma expressão da consciência do iniciado.

Quando o caminho da evolução é percorrido até o fim, o que permanece são o propósito divino e a Vida todo-envolvente, na medida em que ela materializa o plano no tempo e no espaço. Esse é o resultado do girar da Roda da vida maior, levando todas as rodas menores - no tempo e espaço - por sua vez, a girar também. Nesse intervalo, o ser humano é primeiro de tudo conduzido pelo desejo, depois pela aspiração a alguma meta definida, depois por sua vontade egoísta, que lhe revela a natureza da vontade: persistente aplicação a algum propósito, visto como desejável e ao qual toda força é imposta. Tendo exaurido todos os fins tangíveis, a vida interior força o homem na direção do intangível, e a qualidade de sua vontade começa a mudar. Ele descobre uma vontade maior do que a sua própria e começa lentamente a se identificar com ela, prosseguindo, etapa após etapa, de um propósito realizado para um outro mais elevado, cada passo afastando-o de sua assim chamada vontade e o fazendo se aproximar a uma apreciação do significado da vontade ou propósito divino.

Num esforço para tornar mais claro o método pelo qual isto é feito, poder-se-ia dizer que pela obediência ao plano, o discípulo aprende a natureza do propósito, mas que o propósito em si mesmo somente pode ser alcançado por quem está desenvolvendo a consciência monádica. A consciência monádica não é a consciência como os seres humanos a compreendem, mas é aquele estado de apreensão que não é a consciência ou conscientização, como o místico a sente, ou identificação, como o ocultista a denomina, mas algo que aparece quando todas essas três são apreciadas e registradas num momento do tempo dentro da órbita do espaço.

Agora, tendo dito isso, pergunto-lhes se vocês são bastante sagazes, ou de que me aproveita escrever essas palavras se vocês não as entenderem? Escrevo por duas razões. Uma de minhas funções e deveres (como um Mestre da Sabedoria) é ancorar ideias na mente do ser humano e levar até o reino das palavras certos conceitos emergentes de modo que eles possam começar a influenciar o nível mais elevado de pensadores. Esses últimos são responsáveis pela precipitação das ideias bem profundamente na consciência humana. Em segundo lugar, escrevo para a geração que virá na ativa expressão do pensamento no final do século; eles inaugurarão a infraestrutura, a armação e a fábrica da Nova Era que começará com certas premissas que hoje são o sonho dos mais exaltados sonhadores e desenvolverão a civilização da Era de Aquário. Essa era vindoura será tão predominantemente a era do intercâmbio grupal, do idealismo grupal e a da consciência grupal, quanto a Era de Peixes foi uma era do desenvolvimento e da ênfase da personalidade, do foco na personalidade e da consciência da personalidade. O egoísmo, como agora o compreendemos, gradualmente desaparecerá, pois a vontade do indivíduo se fundirá voluntariamente na vontade grupal. Será óbvio para vocês, por conseguinte, que isso poderia muito bem criar uma situação ainda mais perigosa, porque um grupo poderia ser uma combinação de energias focalizadas, e a menos que essas energias sejam dirigidas para o cumprimento do Plano (que coordena e torna possível o propósito divino) nós teremos a gradual consolidação das forças do mal ou do materialismo na Terra. Não estou falando levianamente, mas estou tentando demonstrar a necessidade da firme consagração dos que tenham mentes espiritualmente orientados para a tarefa do desenvolvimento da vontade-para-o-bem na Terra e a importância absoluta de se alimentar a boa vontade entre as massas. Se isso não for feito depois da terrível limpeza da casa global que está acontecendo, (o autor se refere à Segunda Guerra Mundial, então em curso - N. do t.) a condição final será ainda pior do que a primeira. Teremos o egoísmo individual substituído pelo egoísmo grupal, que será consequentemente ainda mais potente em sua dedicação ao mal, focalização e resultados. As rodas pequeninas podem continuar a girar, no tempo e no espaço, impedindo o progresso da grande Roda que - novamente no tempo e no espaço - é a roda da humanidade. O Homem Celestial e o ser humano naquela Roda estão desenvolvendo qualidades e atributos divinos.

O aspecto vontade da divindade somente pode encontrar expressão através da humanidade, pois o quarto reino na natureza está destinado a ser o agente da vontade para os três reinos subumanos.

Portanto, foi essencial que o espírito de inclusividade e a tendência para a identificação espiritual se desenvolvessem na humanidade como um passo preparatório para o desenvolvimento de resposta ao propósito divino. É absolutamente essencial que a vontade-para-o-bem seja desenvolvida pelos discípulos mundiais de modo que a boa vontade possa encontrar expressão entre o povo. A vontade-para-o-bem dos conhecedores mundiais é a semente magnética do futuro. A vontade-para-o-bem é o aspecto Pai, enquanto que a boa vontade é o aspecto Mãe, e a partir da relação destes dois aspectos a nova civilização será fundada, baseada em corretas (embora totalmente diferentes) linhas. Recomendo que meditem sobre esta ideia, pois ela significa que dois aspectos de trabalho espiritual devem ser cultivados no futuro imediato, pois deles depende a esperança de felicidade e de paz mundial num futuro mais distante.

O Novo Grupo de Servidores do Mundo precisa ser alcançado e nele desenvolver-se a vontade-para-o-bem e, simultaneamente, é preciso alcançar as massas com a mensagem da boa vontade. A vontade-para-o-bem é dinâmica, potente e efetiva; baseia-se na compreensão do plano e na reação ao propósito tal como percebido por aqueles que são iniciados, conscientemente em contato com Shamballa, ou discípulos, que são igualmente uma parte da Hierarquia, porém, ainda incapazes de fazer contato com o Propósito central ou Vida. Não tendo ainda alcançado a terceira iniciação, a vibração monádica lhes é ainda praticamente desconhecida. Seria tão perigoso para eles poderem alcançar Shamballa - antes da terceira iniciação, quando todas as tendências da personalidade são obliteradas - tanto quanto o seria ensinar hoje às massas humanas técnicas referentes à vontade que tornariam efetiva sua ainda egoística vontade. A principal dificuldade seria que os discípulos se destruiriam, enquanto que o homem comum causaria danos a si mesmo.

Esta exegese da Regra IV é necessariamente breve porque ela é de significado tão profundo que exige cuidadoso estudo, frase por frase, e mesmo assim, está muito além da compreensão da maioria dos leitores. Contudo, será útil que os discípulos reflitam sobre os vários significados (há muitos) e sobre as implicações esotéricas.

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