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QUATORZE REGRAS PARA INICIAÇÃO GRUPAL


REGRA DOIS - Aceito como Grupo

Em nosso estudo da Regra Um sobre a Iniciação, nós ganhamos (ou talvez tenhamos fixado mais claramente em nossas mentes) três pensamentos principais:

1. Que o Caminho da Iniciação é aquele em que desenvolvemos o aspecto vontade da divindade.

2. Aprendemos também a usar a consciência como um lugar de ejeção de onde estamos para o reconhecimento de um novo estado de conscientização, que não é de modo algum a consciência tal como entendemos o termo.

3. Nós passamos por dois principais testes, antes de cada iniciação - o do solo ardente e o da clara luz fria.

Nós fechamos nossa discussão com o pensamento da Tensão e eu a defini como a identificação do cérebro e da alma com o aspecto vontade e a preservação daquela identificação - inalterável e imutável - em todas as circunstâncias e dificuldades. Eu menciono isso uma vez que o conceito de “tensão” ou ponto de conquista subjaz ao ensino da regra que vamos agora considerar.

Regra II

A PALAVRA foi agora emitida do grande ponto de tensão: Aceita como um grupo. Não retireis agora vossa aplicação. Vós não o poderíeis, mesmo que o quisésseis, mas acrescentai a ela três grandes demandas e prossegui. Que não haja recordações e contudo que a memória dirija. Trabalhai a partir do ponto de tudo que está no conteúdo da vida unida do grupo.

Uma íntima análise desta regra levará à intuição muito mais do que aparecerá na superfície, e isso já enriquece bastante. Cada uma dessas regras contém em si a semente daquela compreensão que deve ser evocada antes que a regra seguinte possa ser dominada. Tudo que é dado está sempre baseado naquilo que aconteceu antes. As “três grandes demandas” do iniciado são baseados no “chamado tríplice” encontrado na Regra Dois para aspirantes e discípulos. O chamado tríplice fora emitido antes. Agora seus significados superiores devem ser compreendidos.

Há apenas quatro partes para essa regra, que é de primordial importância, porque ela contém a força motivadora, os fatores condicionantes e o lugar do triunfo - todos esses estão indicados. Estudaremos, como é nosso costume, cada parte separada sequencialmente, e na medida do possível, em detalhe, tendo presente na mente que a iniciação lida com fatores em manifestação latente para os quais nossos idiomas não possuem palavras, e com ideias que ainda não foram encontradas entre “o arco-íris de coisas cognoscíveis” (como Patanjali os denomina) - isto é, cognoscíveis para as massas dos homens. O iniciado, todavia, está lidando com um mundo de significados e de temas que ainda não se estão manifestando, de qualquer modo. A tarefa do Mestre (e Daqueles Mais elevados do que Ele) é dar aqueles passos e precipitar aqueles “acontecimentos esperados" que os trarão finalmente à manifestação. Isso, gostaria de lembrar, é sempre feito pelo uso da vontade e de um ponto de tensão.

1. A Palavra foi agora emitida do grande ponto de tensão: Aceita como um grupo.

Gostaria aqui de chamar a atenção de todos os leitores para a natureza progressiva da ciência esotérica; ela não é melhor ilustrada do que nessa frase; em nenhum outro lugar ela é mais claramente demonstrada, e contudo, a menos que a intenção e um senso de correlação estejam atuando, a ideia poderia deixar de ser reconhecida.

Em todo ensinamento dado ao aspirante e ao discípulo nos estágios preliminares de seu treinamento, a ênfase tem sido posta no “ponto de luz” que deve ser descoberto, trazido à plena iluminação, e então usado de tal modo que aquele em quem a luz brilha se torne um portador da luz num mundo em trevas. Isso, o aspirante é ensinado, se torna possível quando o contato com a alma foi feito e a luz achada. Esse é um ensinamento familiar para muitos e é a essência do progresso a ser feito por aspirantes e discípulos na primeira parte de seu preparo.

Entretanto, estamos agora passando para uma outra expressão e ao desenvolvimento seguinte na vida do iniciado, que está aprendendo a trabalhar a partir de “um ponto de tensão”. Aqui está a nova ênfase, e eu a estou trazendo à atenção da humanidade na medida em que ela se aproxima do próximo, terrível mas “finale” libertador, deste grande teste nesse moderno solo ardente. Agora os homens podem passar para a clara luz fria, e dali começar a sustentar aquele ponto de tensão que será evocativo da necessária "compreensiva vontade-de-se-mover para adiante “segundo a linha da vontade-para-o-bem humana - a primeira fase do desenvolvimento do aspecto vontade. É a sublimação superior do estágio aspiracional que precede a conquista do “ponto de luz” através do contato com a alma.

O ponto de tensão se acha quando a vontade dedicada da personalidade é posta em contato com a vontade da Tríade Espiritual. Isso ocorre em três etapas claramente definidas:

1. Aquela etapa em que o aspecto inferior da vontade, focalizado no corpo mental - a vontade-para-atividade - estabelece contato com a mente abstrata superior. Esta é, por sua vez, o aspecto inferior da Tríade e o agente interpretador para a Mônada. Duas coisas podemos notar aqui:

a. Este contato torna-se possível a partir do momento em que o primeiro delgado fio do antahkarana, a ponte do arco-íris, é completada entre a unidade mental e o átomo manásico permanente.

b. Este fato demonstra-se em uma absorvente devoção ao Plano e no esforço para servir ao Plano, a qualquer custo, à medida que ele é progressivamente captado e entendido. Isto expressa-se pelo cultivo da boa vontade, como ela é entendida pelo ser humano comum inteligente e posta em ação como um modo de vida.

2. A etapa em que o aspecto amor da alma entra em contato com o aspecto correspondente da Tríade, ao qual, inadequadamente, damos o nome de intuição. Na realidade, esta etapa é de uma percepção interna e compreensão divinas, como as que se expressam através da formulação de ideias. Temos aqui um exemplo da impropriedade da língua moderna: ideias não têm forma - são pontos de energia movendo-se para o exterior, com o fim de eventualmente expressar alguma “intenção” do Logos criador divino. Quando o iniciado capta esta “intenção” e com ela se identifica, sua boa vontade se expande em vontade-para-o-bem. Plano e qualidade dão lugar a propósito e método. Planos são falíveis, experimentais, e servem a uma necessidade temporária. O propósito, tal como expresso pelo iniciado, é permanente, presciente, inalterável, e serve à Ideia Eterna.

3. A etapa em que - após a quarta iniciação - há uma relação, direta e contínua, entre a Mônada, por intermédio da Tríade, e a forma que o Mestre estiver usando para realizar seu trabalho entre os homens. Esta forma pode ser, ou Sua personalidade temporária, alcançada segundo as linhas normais de encarnação, ou a forma especialmente criada, a que os teosofistas dão o nome técnico, porém desajeitado, de “mayavirupa”: “a verdadeira máscara, ocultando a luz radiante e a dinâmica energia de um revelado Filho de Deus”. Esta é a definição esotérica que lhes ofereço. Esta etapa pode ser chamada a consecução da vontade-para-ser, não Ser como uma expressão individual, mas Ser como uma expressão do Todo - inclusivo, não separativo, motivado pelo bem, pela beleza e a verdade e inteligentemente expressado como amor puro.

Todas estas etapas são conquistadas quando se atinge um ponto de tensão após outro, e o trabalho levado desse modo para o reino da vontade dinâmica e firme. Esta vontade, ao ser assim progressivamente desenvolvida, trabalhando sempre a partir de um ponto constante de tensão.

Vamos agora tratar de um assunto que sempre se revela excepcionalmente difícil para os estudantes: a natureza da PALAVRA, o A.U.M., e seus posteriores desenvolvimentos, o O.M. e o Som. Existe muita confusão quanto á sua significação e necessidade de seu uso. A fase de seu reconhecimento pela qual estamos passando é uma fase puramente exotérica que serve para acostumar o público com o fato de sua existência. Isto tem sido feito de três maneiras:

1. Através do uso constante, em todas as Igrejas Cristãs, da palavra “Amém”, uma corruptela ocidental do A.U.M., o aspecto mais inferior do Som originador.

2. Através da ênfase dada pela Maçonaria à Palavra Perdida, assim sutilmente atraindo a atenção da humanidade para o O.M., o Som do segundo aspecto, a Alma.

3. Através da ênfase crescente dada, pelos muitos grupos ocultistas espalhados pelo mundo, ao uso do O.M. também em público, e por todos aqueles que se devotam à meditação.

A melhor abordagem é a da tradição maçônica, porque lida primordialmente com o mundo do significado e com uma fase do ensinamento esotérico. O uso do Amém no ritual da Igreja Cristã será, finalmente, abandonado, porque é uma afirmação basicamente materialista, usada pela maioria dos devotos indicando a aprovação do Todo Poderoso ao seu pedido de proteção ou à provisão de suas necessidades físicas. Tudo isto está, portanto, relacionado à vida do desejo, da aspiração, do dualismo e do solicitar. Envolve a atitude do doador e do recipiente.

O A.U.M. e o Amém são, ambos, uma expressão sonora do princípio da inteligência ativa da substância na manifestação divina, o terceiro aspecto, e serviram à necessidade humana naquela fase de desenvolvimento da matéria e da forma - incluindo o desenvolvimento da mente ou da forma mental. A personalidade, como um todo, quando aperfeiçoada e já sob o controle da alma, é a “Palavra feita carne”.

A grande maioria dos aspirantes e discípulos estão, hoje aprendendo o significado do O.M., que não é a Palavra feita carne, mas sim, a Palavra liberta da forma, e expressando-se como alma-espírito, e não como corpo-alma-espírito. Podemos então dizer:

1. O A.U.M. (observe que eu separo cada aspecto deste som tríplice) faz o aspecto alma-espírito descer ao plano físico, onde ele é fixado pela força expansiva de sua vibração. Usando um símbolo para tornar claro o que quero dizer, “é como um forte vento que prende um homem contra uma parede e dificulta seu esforço por libertar-se”. O A.U.M. vivifica a forma; intensifica o domínio da matéria sobre a alma; constrói uma prisão ao redor da alma - a prisão dos sentidos. É o “som do encantamento, do feitiço”, o som que é a fonte da miragem e de maya; é a grande energia enganadora e ilusória, a nota do arco involutivo. Nele estão ocultos o segredo do mal, ou matéria, os usos da forma, primeiro como uma prisão; depois, como um terreno de treinamento e como um campo de experiência, e finalmente, como a expressão para a manifestação de um Filho de Deus.

2. Corretamente emitido, o O.M. libera a alma do reino da miragem e do encantamento. É o som da liberação, a grande nota da ressurreição e da elevação da humanidade para o Lugar Secreto do Altíssimo quando todas as outras Palavras e sons falharam. Não é um som triplo como o A.U.M., mas sim um som dual, significativo da relação de espírito e alma, e de vida e consciência. Esta Palavra Perdida, simbólica da perda nos três mundos (representados pelos graus das Lojas Azuis, na Maçonaria) precisa ser recuperada, e hoje, está em processo de ser descoberta. Os místicos têm-na buscado; os maçons têm preservado a tradição de sua existência; os discípulos e iniciados do mundo precisam demonstrar a sua possessão.

3. O SOM é a única expressão do Inefável Nome a designação secreta Daquele em Quem vivemos, nos movemos e temos a nossa existência, e que é conhecido, na Grande Loja Branca, por este nome. Lembrem-se sempre que “nome” e “forma” são termos sinônimos, e estes dois guardam o segredo da manifestação. A meta do iniciado é a identificação com todas as formas da vida divina, de modo que ele possa conhecer-se como parte integral daquele todo e possa sintonizar-se com todos os estados de conscientização divina, sabendo, por si mesmo, e não teoricamente, que eles são também seus próprios estados de conscientização. Ele pode então, penetrar nos divinos arcanos do conhecimento, partilhar da onipresença divina e - quando quiser - expressar a divina onisciência e preparar-se para manifestar em plena consciência - a divina onipotência.

Estou usando palavras inúteis para transmitir o significado subjacente da Palavra. Só é possível chegar a entendê-lo, quando um homem vive a Palavra, ouvindo seu Som inaudível e exalando-o, em um sopro doador de vida, para os demais.

As massas estão ouvindo o som do A.U.M. e, em suas camadas superiores, estão descobrindo no A.U.M. a expressão de algo do qual procuram libertar-se. Os aspirantes e discípulos do Mundo estão ouvindo o O.M. e, em suas vidas pessoais, o A.U.M. e o O.M. estão em conflito. Para vocês, isto pode representar uma ideia nova, porém, expressa a ideia de um fato eterno. Ajudará a entender esta fase se eu lhes disser que, para este primeiro grupo, o O.M. pode ser representado pelo símbolo M, expressando a natureza material, enquanto que o segundo grupo pode ser retratado pelo símbolo m, expressando a alma envolvida na matéria. Notarão, portanto, como o ensinamento conduz o homem a avançar progressivamente, e como a ciência oculta põe o homem em contato com grandes reversões mentais e paradoxos divinos. Há eons, a Palavra da alma e o Som da realidade espiritual têm estado perdidos. Hoje, a Palavra da alma está sendo novamente encontrada, e com esse achado, o pequeno se perde na glória e radiância do divino Eu.

Esta descoberta é consumada na terceira iniciação. O iniciado e o Mestre, juntamente com aqueles de graduação superior que se estão aproximando da identificação com Shamballa, estão paulatinamente ouvindo com maior clareza o Som que emana do Sol Espiritual Central e penetra todas as formas de vida divina no nosso planeta - por intermédio do nosso Logos Planetário, Que ouve o Som com clareza e entendimento - o Som da silaba mais baixa do Nome do Inefável Ser em Quem todos os Logos Planetários vivem, movem-se e têm a Sua Existência, pois Eles são centros na VIDA que se está expressando por meio de um sistema solar.

Podem ver que pouco serviria alongar-me sobre este assunto: Sua única utilidade é dar um impulso de expansão à consciência do discípulo e excitar sua imaginação (a semente da intuição), de modo que mesmo enquanto está ocupado em expressar o M, a seguir o m, ele se esteja esforçando por alcançar o Som.

Já mencionei anteriormente que o som do A.U.M., o Som O.M. e o SOM propriamente dito estão todos relacionados com a vibração e seus variados e diferentes efeitos. O segredo da Lei de Vibração é progressivamente revelado à medida que as pessoas aprendem a entoar a Palavra em seus três aspectos. Aconselho os estudantes a refletirem sobre a distinção entre a exalação e o Som, entre o processo de respiração e o da criação direcionada da atividade vibratória. Uma está relacionada ao Tempo, a outra, ao Espaço e são distintas uma da outra; e, como se encontra no Velho Comentário, “o Som, o final e não obstante o Som inicial, diz respeito àquilo que não é Tempo nem Espaço; ele está fora do Todo manifestado, a Fonte de tudo que é e, não obstante, não é.” (Coisa alguma, A.A.B.)

Há, portanto, três grandes pontes de tensão dos quais emana a Palavra Sagrada em seus três grandes aspectos:

1. O ponto de tensão criativo - uma tensão que é alcançada por um Logos planetário quando Ele responde ao Som do Nome Inefável e, por Sua vez, o emite em três grandes Sons, os quais formam um Som, em Seu próprio plano de expressão, criando assim o mundo manifestado, o impulso para o desdobramento da consciência, e a influência da própria vida. Este é o Som.

2. Sete pontos de tensão no arco descendente ou involutivo, os quais produzem os sete planetas, os sete estados de consciência, e a expressão dos impulsos dos sete raios. Isto constitui o sétuplo A.U.M. de que fala a Sabedoria Eterna, e está relacionado ao efeito do espírito ou vida sobre a substância, assim dando origem à forma e criando a prisão da vida divina.

3. O próprio A.U.M. ou a Palavra feita carne; isto cria, finalmente, um ponto de tensão no quarto reino da natureza, quando então, o ciclo evolutivo se torna possível e a primeira nota do O.M. pode ser levemente ouvida. No homem, este ponto é alcançado quando a personalidade funciona como um todo integrado e a alma está começando a controlá-lo. É uma tensão acumulativa que se atinge através de muitas vidas. Nos Arquivos dos Mestres, este processo é expresso assim:

Vocês precisam lembrar que estes símbolos são uma tentativa minha para traduzir antigos símbolos musicais em forma ocidental moderna. O único que permanece o mesmo em todas as línguas é, esotericamente, o A.U.M.

4. A seguir, vem um ponto de tensão, a partir do qual, o homem atinge a liberação dos três mundos e passa a ser uma alma liberta. Ele é, então, um ponto dentro do círculo - o ponto indicando o ponto de tensão a partir do qual ele trabalha, agora; e o círculo, a esfera de sua autoiniciada atividade.

Não preciso alongar-me mais; o iniciado - assim como todos os seres humanos, aspirantes, discípulos e iniciados de grau inferior avança de uma tensão para outra; todos eles passam de uma expansão de consciência para outra até que a terceira iniciação e pontos de tensão, qualificados pela intenção e propósito, suplantam todos os esforços anteriores, e o aspecto vontade começa a controlar.

Aqui, de forma breve, está apresentado um novo ponto de vista sobre o tema familiar da Palavra - um tema preservado, de uma forma ou outra, por todas as religiões mundiais, porém, um tema que, como tudo mais, tornou-se tão materializado que é tarefa da Hierarquia restaurar o conhecimento de seu significado, de sua tríplice aplicação e de seu sentido involutivo e evolutivo. Os estudantes devem lembrar-se de que sua vocalização, no plano físico, pouco significa. Os fatores importantes são fazê-la soar silenciosamente, de forma inaudível e no interior da cabeça; depois, tendo feito isso, ouvir sua reverberação na cabeça e reconhecer que este Som autoiniciado - exalado a partir de um ponto de tensão - é parte do SOM original ao tomar a forma de uma Palavra.

Quando um homem expressa o A.U.M. com perfeição, ele pode então emitir o O.M. com eficiência a partir de progressivos pontos de tensão, até a terceira iniciação. Aí, o efeito do O.M. é tal que a personalidade, como identidade separada, desaparece, a alma emerge em toda a sua glória, e o primeiro leve som do SOM originador irrompe no ouvido do iniciado transfigurado. Esta é a Voz a que se refere a Bíblia ao relatar a Transfiguração. Esta é a Voz que diz, “Este é o meu Filho bem amado.”

O iniciado registra o fato de que ele foi aceito por Shamballa e fez seu primeiro contato com o Logos planetário, o Hierofante, o Iniciador da terceira iniciação, assim como o Cristo, o Mestre de todos os Mestres, é o Iniciador e o Hierofante nas duas primeiras iniciações.

Contudo, a Palavra de que estamos tratando agora não é a própria Palavra Secreta, mas um sinal ou som de aceitação. Nesta Regra, ela traduz-se pela frase: Aceito como um grupo. Isto refere-se às agregações e combinações que se fundem através das quais a Alma em relação às personalidades, a Mônada em relação à Tríade Espiritual, o Mestre em relação ao Seu Ashram e Shamballa em relação à Hierarquia, podem trabalhar, expressando plano, nas etapas iniciais de contato, e propósito, nas etapas finais. Tenham em mente que a analogia acima aplica-se a todos os casos. Uma personalidade é um agregado de formas e de vidas substanciais que, quando combinadas e fundidas, apresentam um todo unificado, animado pelo desejo ou pela aspiração, pelo plano ou pelo propósito e funcionando em seu lugar sob a inspiração de um programa interno autoiniciado. Olhando sob o ângulo mais amplo e sob o ponto de vista Daqueles Que veem a vida em termos de Totalidades cada vez maiores, o progresso é feito de grupo para grupo.

Este som de aceitação, emitido de um ponto de tensão, é a Palavra da Alma ao integrar-se à personalidade tripla, quando essa personalidade está conscientemente pronta para tal fusão. A influência da alma sobre seus instrumentos de expressão, a rede dos sete centros e seus centros subsidiários, intensifica-se e a energia jorra, forçando a personalidade, agora passiva, a expressar plenamente o tipo de raio da alma, e assim subordinando o raio da personalidade e seus três raios subsidiários, ao domínio da energia da alma. Esta primeira grande integração é uma fusão de força e energia. Esta é uma declaração de profunda importância que inclui uma das primeiras lições que o iniciado tem que dominar. É uma lição que só pode ser devidamente compreendida por meio da experiência da vida, sujeita a interpretação no mundo do significado. Alguma compreensão do que isto significa chega ao discípulo quando ele é plenamente capaz de distinguir entre a atividade da alma e ação da matéria, entre emoção e amor, entre a vontade inteligente e a mente, entre plano e propósito. Ao se tornar capaz de fazer estas distinções, ele adquire a capacidade de encontrar seu ponto de tensão a qualquer dado momento, e esta crescente capacidade finalmente leva-o a reconhecer, de forma consciente, grupo após grupo como unidades com as quais terá que buscar identificação.

Ele descobre sua alma através da fusão de alma e personalidade; ele descobre seu grupo através da absorção de sua alma-forma amalgamada com um grupo do Mestre, e finalmente ele é absorvido pelo Ashram do Mestre. Lá, ele, de comum acordo com seus irmãos, nesse Ashram, funde-se e mescla-se com a Hierarquia e ouve a extensão da Palavra, originalmente falada por sua alma: Aceito como um grupo. Muito mais tarde, ele participa daquele augusto reconhecimento que surge quando a Voz irrompe - como se repete anualmente - do centro de Shamballa e é confirmada a aceitação da Hierarquia, com todos os seus novos associados, pelo Senhor do Mundo. Esta aceitação envolve aqueles iniciados do terceiro grau que foram mais estreitamente integrados na vida hierárquica como jamais tinham sido antes. Para eles, e para os seus Superiores que ano após ano ouvem a Voz, este sinal significa que eles são parte do instrumento cujo propósito é cumprir o plano. Deste modo, as grandes sínteses estão lentamente tendo lugar. Isto leva muitos eons, pois a evolução, principalmente nas primeiras etapas, move-se muito lentamente.

No período pós-guerra, e quando a nova estrutura da próxima ordem mundial estiver tomando forma, o processo será consideravelmente acelerado, o que terá lugar daqui a cem anos - período de tempo que constitui apenas em breve momento na História eterna da humanidade. Assim, de síntese a síntese passa a vida de Deus. Primeiro, a síntese das vidas atômicas em formas mais perfeitas até o aparecimento dos três reinos da natureza; a seguir, a síntese na consciência habilitando o ser humano a entrar na percepção maior do Todo e, finalmente, a mergulhar naquele misterioso acontecimento que é o resultado do efeito de todos os desenvolvimentos precedentes ao qual damos o nome de Identificação. A partir da primeira identificação, que é a correspondência superior da etapa de individualização, tem lugar a progressiva absorção em totalidades cada vez maiores, e a cada vez, ouve-se a Palavra: Aceito como grupo.

Terei eu nestas breves exposições, conseguido dar-lhes uma visão mais ampla do significado da iniciação? Conseguem vocês ver mais claramente a crescente beleza do Todo, a excelência do Propósito e a sabedoria do Plano? Conseguem vocês perceber mais profundamente que beleza, excelência e sabedoria não são qualidades, como sua inadequada nomenclatura leva a crer, mas são - isso sim - grandes fatos em manifestação? Conseguem vocês captar a verdade de que essas palavras não são descrições da Deidade, mas sim, nomes de Vidas sobre cuja potência e atividade os homens, por enquanto, nada sabem?

Um pouco deste entendimento penetrará lentamente na consciência de cada discípulo à medida que a mente, nas primeiras etapas, é irradiada pela luz da alma, e mais tarde, responde ao impacto da energia vinda da Tríade Espiritual. Somente quando isto for entrevisto, ainda que não compreendido, chegará ao discípulo em luta a percepção de que as palavras:

2. Não retireis vossa solicitação. Não poderíeis, mesmo que quisésseis; mas juntai a ela três grandes petições e avançar,

são um comando vivo que o condiciona, quer ele queira, quer não. A incapacidade de recuar da posição tomada é um dos primeiros resultados de ouvir a Palavra falada depois de passar as duas provas. Há uma inevitabilidade em viver a vida do Espírito que é, ao mesmo tempo, seu horror e sua alegria. Quero dizer exatamente isto.

O símbolo ou primeira expressão disto - pois, tudo nos três mundos nada mais é do que o símbolo de uma realidade interna - é o impulso propulsor que conduz ao melhoramento, o que é a saliente característica do animal humano. Ele passa de um descontentamento a outro, impulsionado por aquele algo interno que constantemente lhe revela uma sedutora visão que é mais desejável do que o seu presente estado e experiência. A princípio, isto é interpretado em termos de bem-estar material; depois, este divino descontentamento o impulsiona para uma fase de luta, que é de natureza emocional; ele anseia por satisfação intelectual. O tempo todo, esta luta para conquistar algo que está sempre à frente cria os instrumentos de consecução, aperfeiçoando-os gradativamente, até que a personalidade tríplice esteja pronta para a visão da alma. A partir deste ponto de tensão, o impulso e a luta tornam-se mais agudos até que ele entende a Regra Um para Solicitantes e, então, ele põe os pés no Caminho.

Uma vez que ele tenha sido aceito como discípulo e tenha realizado de maneira definida o trabalho de preparação para a iniciação, ele, de modo algum, poderá retroceder. Mesmo que quisesse, ele não poderia, e o Ashram o protege.

Nesta Regra para discípulos e iniciados aceitos, estamos diante de uma situação semelhante, em uma volta mais alta da espiral, porém com uma diferença que dificilmente será compreendida, a menos que o iniciado esteja no ponto onde a Palavra soa para ele: a diferença de que o iniciado permanece só, em “unidade isolada”, consciente de sua unicidade com tudo que existe. O impulso que distinguia seu progresso em alcançar a fusão de personalidade e alma é transmutado em inabalável intenção, habilidade para penetrar na clara luz fria da razão esclarecida, liberta de toda miragem e ilusão, e tendo agora o poder de proclamar suas três exigências. Ele pode agora fazer isso conscientemente e pelo uso da vontade dinâmica em vez de fazer a “solicitação em forma tripla” como anteriormente. Esta é uma distinção vital e significativa de tremendo crescimento e desenvolvimento.

O iniciado ouviu a Palavra que para ele soou quando ele estava irrevogavelmente comprometido com o propósito hierárquico. Ele ouviu a Voz de Shamballa,, assim como antes ouvira a Voz do Silêncio e a Voz do seu Mestre. A obediência ocultista da luz à vontade iluminada. Pode-se agora confiar nele para caminhar e trabalhar sozinho, porque, de forma inalterável, ele é um com seu grupo, com a Hierarquia e, finalmente, com Shamballa.

A chave para toda esta Regra encontra-se na injunção feita ao iniciado para que ele junte, à sua solicitação, três exigências, e só depois que elas são enunciadas e corretamente expressadas e motivadas pela vontade dinâmica, é que vem a injunção para que ele prossiga. Quais são estas três exigências, e com que direito as faz o iniciado? Até então, a nota de sua consciência em expansão fora visão, esforço, conquista e novamente visão. Por conseguinte, ele tem estado ocupado em tornar-se consciente do campo - uma área sempre crescente e em expansão - da revelação divina.

Em termos de ocultismo prático, ele está reconhecendo uma esfera sempre crescente, onde ele pode servir com propósito e apressar o Plano, uma vez que ele tenha conseguido identificar-se com essa revelação. Até que esta revelação se torne uma parte integral de sua vida, não é possível para o iniciado compreender a significação destas simples palavras. Identificação é realização, acrescida à experiência esotérica, somada ainda à absorção no Todo - e para tudo isto, nós não possuímos terminologia apropriada, como já disse antes. Agora, senhor daquilo que foi visto e apropriado, e estando consciente daquilo que ele sente estar à frente, o discípulo “apoia-se nos seus direitos ocultos e torna claras suas exigências.”

Quais sejam estas exigências podemos avaliar lembrando que tudo aquilo a que o iniciado é submetido e tudo o que ele representa é a correspondência superior e esotérica da tríplice manifestação de espírito-energia, a qual distingue a fase inicial de seu desenvolvimento. Essa é a personalidade. Quero chamar a atenção para a palavra “desenvolvimento" ou “desabrochar”, pois ela é talvez a mais explícita e correta para indicar o processo evolutivo. Não há palavra melhor em nosso idioma. O iniciado sempre existiu. O divino Filho de Deus sempre soube para quê existe. Um iniciado não é o resultado do processo evolutivo. Ele é a causa desse processo e, por meio desse processo, ele aperfeiçoa seus veículos de expressão até que ele se torna iniciado nos três mundos de consciência e nos três mundos de identificação.

Este desdobramento ou desabrochar prossegue, e cada tripla etapa do desabrochar inferior torna possível mais tarde (no tempo e espaço) o desabrochar superior no mundo da Tríade Espiritual. O que eu estou fazendo, nestas instruções, é indicar a relação entre a personalidade tripla e a Tríade Espiritual, unidas e reconciliadas pelo antahkarana. Cada um destes três aspectos tem sua própria nota, e são estas notas que produzem o soar das três exigências, as quais evocam resposta da Tríade Espiritual, e assim, alcançam a Mônada que aguarda em seu alto lugar em Shamballa.

Em 1922, no primeiro capítulo do meu livro Cartas sobre Meditação Ocultista, eu lancei os fundamentos para o ensinamento mais avançado que estou dando agora. Nele, eu tratei do alinhamento do Ego com a personalidade, e esta foi a primeira vez que o tema do alinhamento fora focalizado, porque o alinhamento é o primeiro passo em direção à fusão, e mais tarde em direção aos mistérios da identificação. Eis um trecho dessa obra:

“À medida que o tempo avança, e mais tarde com a ajuda do Mestre, é produzida a harmonia de cor e tom (um assunto sinônimo) até que, finalmente, teremos a nota básica da matéria, a terça maior da personalidade alinhada, a quinta dominante do Ego, seguida pelo acorde total da Mônada ou Espírito. É a dominante que procuramos no adeptado, e antes, a terça aperfeiçoada da personalidade. Durante nossas várias encarnações, tocamos e emitimos as mudanças em todas as notas que se interpõem, e às vezes, nossas vidas são importantes e outras vezes menores, mas sempre tendem à flexibilidade e maior beleza. No devido tempo, cada nota se ajusta ao seu acorde, o acorde do Espírito; cada acorde faz parte de uma frase, a frase ou grupo à qual pertence o acorde; e a frase vai completar um sétimo do todo. Todas as sete seções completam, então, a sonata deste sistema solar - uma parte da tríplice obra-prima do Logos, ou Deus, o Músico - Mestre”. (pág.4)

Chegamos agora a um ponto difícil para o discípulo perceber. O iniciado ou discípulo alcançou um ponto na sua evolução em que a triplicidade dá lugar à dualidade, antes de ser alcançada a unidade completa. Somente dois fatores o preocupam enquanto ele “permanece no ponto do meio do caminho", que são o Espírito e a Matéria. A completa identificação de Espírito e Matéria dentro de sua consciência torna-se seu principal objetivo, porém, somente em referência ao processo criativo todo e não, agora, em referência ao eu separado. É este pensamento que motiva o serviço do iniciado, e é este conceito de inteireza gradualmente penetrando na consciência mundial, o indicador de que a humanidade está à beira da iniciação. Por conseguinte, é o aspecto material, “a terça aperfeiçoada da Personalidade”, que torna possível a atividade do iniciado quando ele proclama suas três exigências. “A quinta da dominante do Ego faz-se ouvir na terceira iniciação, indicando que a unificação foi alcançada, e permanece até à quarta iniciação, quando desaparece. Então, restam apenas dois aspectos divinos: a aperfeiçoada, radiante, organizada e ativa substância através da qual o iniciado pode trabalhar com pleno controle, o aspecto matéria, e o dinâmico princípio da vida, o aspecto espírito, com o qual essa “divina Realidade substancial” aguarda ainda a identificação. É este o pensamento que dá sustentação às três exigências do iniciado, as quais - segundo a Regra anteriormente dada aos aspirantes e discípulos - têm que ser ouvidas “através do deserto, sobre as águas e através dos fogos."

Não posso oferecer maiores explicações quanto á natureza destas exigências. Posso apenas dar-lhes certas frases simbólicas que, intuitivamente interpretadas, lhes darão uma pista.

A primeira exigência torna-se possível porque “a vida do deserto está esgotada; ela vicejou e floresceu; e então, chegou a seca e o homem foi-se embora. Aquilo que nutrira e contivera sua vida tornara-se uma terra árida e devastada, e nada mais restara do que ossos, e poeira, e uma sede profunda que nada, à vista, pudesse satisfazer." Contudo, para a consciência do iniciado, está claro que a terra deserta tem que tornar-se nova para desabrochar como uma rosa, e que a sua tarefa é a restauração de sua prístina beleza, e não a beleza de sua falsa floração. Ele exige, portanto, sobre a nota do aspecto inferior de sua personalidade (estou falando em símbolos), que esta floração deve ter lugar de acordo com o Plano.

De sua parte, isso envolve a visão desse plano, identificação com o propósito subjacente, e a habilidade - por meio da mente superior, que é o aspecto inferior da Tríade Espiritual - de trabalhar no mundo das ideias e criar aquelas formas de pensamento que ajudam na materialização do Plano em conformidade com o Propósito. Este é o trabalho criativo de construção do pensamento-forma, e é a razão porque nos dizem que a primeira grande exigência “ressoa dentro do mundo das ideias de Deus e em direção ao deserto, há longo tempo deixado para trás. Sob essa grande exigência, o iniciado que se comprometeu a servir ao mundo retorna para aquele deserto, trazendo com ele a semente e a água pelas quais clama o deserto.”

A segunda exigência está relacionada com o grito anterior do discípulo, e que soou "sobre as águas”. Refere-se ao mundo de miragem em que a humanidade se debate, e ao mundo emocional em que a humanidade está imersa, como se afogada no oceano. A Bíblia nos diz, e o pensamento está baseado em informação encontrada nos Arquivos dos Mestres, que “não mais haverá mar.” Eu lhes disse também que chega um tempo em que o iniciado sabe que o plano astral não mais existe. Para sempre se desvaneceu.

Porém, depois que o iniciado se libertou do reino da ilusão, do nevoeiro, da neblina e da miragem, e fica na “clara luz fria” do plano búdico ou plano intuitivo (o segundo aspecto da Tríade Espiritual, ou aspecto do meio), ele chega a uma grande e básica realização. Ele sabe que precisa retornar (se uma palavra tão total for satisfatória) aos “mares” que deixara para trás, e lá dissipar a miragem. Porém agora, ele trabalha a partir do “ar que está acima, e em plena luz do dia”. Ele não mais luta com as ondas ou afunda nas águas profundas. Ele paira acima do mar, dentro de um oceano de luz, e faz jorrar essa luz para as profundezas do mar. Assim, ele leva as águas para o deserto e a luz divina para o mundo de névoa.

Contudo, ele jamais abandona o lugar de identificação, e agora, tudo que ele faz é a partir dos níveis alcançados em qualquer particular iniciação. Tudo que ele faz “no deserto, e sobre as águas” é empreendido através do pensamento, o qual dirige a energia necessária e certas forças indicadas e escolhidas de modo que o Plano (deixem que eu me repita) possa adiantar-se de acordo com o propósito divino, através do poder da dinâmica vontade espiritual. Quando vocês puderem chegar a compreender que o iniciado de grau elevado trabalha com a energia monádica, e não com a força da alma, vocês poderão compreender porque ele acha sempre necessário trabalhar por trás da cena. Ele trabalha com o aspecto alma e através do poder da energia monádica, usando o antahkarana como meio distribuidor. Os discípulos e iniciados dos dois primeiros graus trabalham com a força da alma e por meio dos centros. A personalidade trabalha com forças.

A terceira grande exigência tem, em si, uma aplicação diferente e, como sabemos, “através dos fogos”. Neste sistema solar, não há como escapar do fogo. Ele é encontrado em todos os níveis de expressão divina como aprendemos ao estudar os três fogos - o fogo por fricção, o fogo solar e o fogo elétrico, com suas diferenciações, os quarenta e nove fogos - dos sete planos. Por essa razão, seja o grito do discípulo ou a exigência do iniciado, o som sempre ressoa “através do fogo, para o fogo, e a partir do fogo”. Pouco há que eu possa dizer a respeito desta técnica que subjaz à potente exigência. É do mais alto plano da vontade espiritual, chamado “o plano átmico”, que parte a exigência, e o resultado dessa exigência será elaborado nos níveis mentais, assim como as duas exigências anteriores foram elaboradas nos níveis físico e astral. Quero lembrar aqui que embora, sob o ponto de vista do Mestre, não exista o plano astral, dezenas de milhares o reconhecem e labutam em sua enganosa esfera e lá são ajudados pelo discípulo iniciado trabalhando a partir de níveis superiores correspondentes. Isto acontece em todo trabalho planetário, seja ele realizado por iniciados e Mestres, trabalhando diretamente nos três mundos, ou a partir de níveis superiores, como trabalham os Nirmanakayas (os criativos Contemplativos do planeta), ou de Shamballa a partir da Câmara do Conselho do Senhor do Mundo. Todos os esforços da Hierarquia ou das “Vidas condicionadoras” (como são às vezes chamadas) de Shamballa estão dedicados a favorecer o plano evolutivo, o qual finalmente corporificará o propósito divino. Insisto nesta distinção entre plano e propósito deliberadamente, porque ela indica a fase seguinte do funcionamento da vontade inteligente na consciência da humanidade.

Nada mais posso dizer sobre estas três exigências. Muito já lhes disse, tivessem vocês a intuição desperta para ler o significado de alguns de meus comentários. Estas exigências referem-se, não somente à evolução da humanidade, mas a todas as formas de vida dentro da consciência do Logos planetário. A mente dirigente do iniciado indica, dentro dos três mundos, a meta a ser alcançada.

3. Que não haja lembranças, mas, ainda assim, que a memória governe.

Esta não é a uma declaração contraditória. Talvez possa transmitir a ideia correta dizendo o seguinte: o iniciado não perde tempo em olhar para trás para as lições aprendidas; ele trabalha a partir do hábito desenvolvido, fazendo instintivamente a coisa certa e necessária. A resposta instintiva às formas que o cercam constrói - como bem sabemos - modelos de comportamento, de conduta e de reação. Isto estabelece o que podemos chamar de memória inconsciente, e esta memória, sem qualquer esforço, governa a recordação.

O hábito da excelência, da reação correta, e do entendimento instintivo é o que distingue o iniciado treinado. Ele não precisa lembrar-se de regras, teorias, planos ou atividades. Estas coisas tornaram-se uma parte estabelecida de sua natureza, assim como o instinto de auto-preservação é uma parte instintiva do equipamento de um ser humano normal. Reflitam sobre isto e esforcem-se em construir os corretos hábitos espirituais. Deste modo, o Mestre não perde tempo com a alma ou com planos pessoais. Ele possui o hábito - baseado na memória divina instintiva - da atividade correta, do correto entendimento e do correto propósito. Ele não precisa recordar.

4. Trabalhai a partir do ponto de tudo que está contido na vida unificada do grupo.

Este não é, como à primeira vista possa parecer, o esforço para trabalhar para a humanidade como esse trabalho está planejado ou desejado pelo grupo com o qual o iniciado se encontra associado. O modo de trabalhar abrange uma fase anterior, durante a qual, o discípulo aceito muito aprende. Primeiro, ele encontra um grupo, no plano físico, cujos ideais e planos de serviço se harmonizam com suas ideias de atividade correta e, com este grupo, ele se associa, trabalha, aprende e, durante o aprendizado, muito sofre. Mais tarde, ele encontra seu caminho para o Ashram de um Mestre, onde ele se esforça cada vez mais para aprender a usar a vontade para executar o Plano e para ajustar-se aos métodos e planos do grupo, trabalhando sob a lei da obediência ocultista para o bem da humanidade.

O iniciado, porém, não trabalha seja com um ou o outro modo, embora ele tenha adquirido o hábito do correto contato com organizações nos três mundos, e da correta cooperação com a Hierarquia. Ele, agora, trabalha sob a inspiração de, e a identificação com, o aspecto vida - o aspecto vida unificada do raio de seu grupo e de todos os grupos. Isto quer dizer que o significado da vida involutiva e da vida evolutiva é plenamente entendido por ele. Seu serviço é invocado pelo grupo ou grupos necessitados de seu auxílio. Sua resposta é uma evocação oculta dada em uníssono com o grupo de servidores a que ele está filiado no lado interno. Isto é algo muito diferente do modo de serviço, como geralmente entendido.

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