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QUATORZE REGRAS PARA INICIAÇÃO GRUPAL


REGRA ONZE - O Quarto Grande Ciclo de Conquista

Gostaria de falar, nesse ponto de nossa discussão das quatorze regras para iniciados, sobre o tema da iniciação grupal. Essas regras são aquelas às quais os grupos que estão procurando, em uníssono, uma expansão grupal de consciência, devem aprender a se ajustar. É por essa razão que eu até aqui me omiti de entrar em detalhes ao relacionar essas regras com os sete centros ou, especificamente, com as grandes sete iniciações solares. Dessas sete iniciações somente cinco dizem respeito à humanidade comum. As remanescentes duas iniciações dizem respeito somente aos que estão querendo encarar certos requisitos não usuais e a produzir aquele esforço especial que os habilita à exclamação, "Vitoriosos, através da clara pura vontade”.

A iniciação grupal não é uma conquista fácil, particularmente quando ela é praticamente um experimento não testado e constitui essencialmente um esforço pioneiro. Que tal desenvolvimento era inevitável, se o crescimento evolutivo da humanidade fosse de alguma maneira satisfatório, era desde cedo conscientizado pela Hierarquia. Contudo, levou milênios para fazê-lo parecer - como um esforço hipotético - de alguma maneira possível, e somente tentativas experimentais foram por enquanto tentadas. O primeiro objetivo desses experimentos (continuando a serem feitos silenciosamente em vários lugares em todo o mundo) é ver se discípulos podem trabalhar juntos em grupo, de tal maneira que uma fusão interna possa ser vista - pelos Mestres - acontecendo. Os resultados, até então, não têm sido muito encorajadores. Tem sido, por um lado, difícil encontrar discípulos que estejam aproximadamente no mesmo ponto de evolução, cujos raios estejam “brilhando através” adequadamente e que possam evidenciar alguma qualidade, ou algum tema controlador (se posso usar tal expressão) que eles partilhem em uníssono e que bastariam para conservá-los juntos e demonstrar serem suficientemente fortes para eliminar diferenças de personalidades, preferências e barreiras. Não tem sido possível, até agora, conseguir isso. Grupo após grupo tem sido tentado e testado por diferentes Mestres em várias partes do mundo, e até agora todas essas tentativas fracassaram. Quando uso a palavra “fracasso" quero dizer fracasso do ângulo do objetivo planejado. Do ângulo do crescimento individual de qualquer particular discípulo não tem sido necessariamente fracasso. Do ângulo do público em geral, ainda sem necessária argúcia, a publicação do Discipulado na Nova Era se constituirá nos anos vindouros num sucesso que marcará época.

Poderia valer à pena considerar brevemente o que a iniciação grupal envolve, e fazer isso através de fatos e não sentimentalmente ou como uma aspiração.

Um dos problemas com que se confronta a Hierarquia nesta conexão é a eliminação do sentimento - essa curiosa reação e relacionamento emocional que liga todos os membros de um grupo em laços de gostar ou não gostar. Onde há o gostar, então uma relação de personalidade muito forte é estabelecida, na medida que o bem do grupo esteja em jogo. O equilíbrio do grupo é perturbado. Onde há um desgostar, a faculdade interna da rejeição trabalha constantemente, e as clivagens então ocorrem. Não é verdade, meus irmãos, que sua relação recíproca está frequentemente sujeita ao impacto da aprovação ou da desaprovação? Quando essa atitude existe, os primeiros passos para a fusão grupal estão ausentes. Isso é o que nós queremos dizer por sentimento, e esta reação emocional deve desaparecer como um estágio preliminar. Eu não falo desta vez a respeito da impessoalidade. Para algumas pessoas, a impessoalidade é simplesmente um mecanismo de escape da responsabilidade. Para outras, conota a supressão e requer tal labor árduo que o tempo todo do discípulo é usado para a conquista da impessoalidade, assim garantindo o insucesso. Aquilo a que vocês com empenho aspiram e que assume lugar indevido em seu modo de pensar, no devido tempo se torna uma prisão e merece posterior destruição. Tal é a lei oculta. A impessoalidade é possível somente para o discípulo que sabe verdadeiramente como amar, e para aquele que vê a vida e sua fantasmagoria (inclusive todas as pessoas associadas) à luz da Tríade Espiritual.

É a isso que a Regra XI primariamente se refere, e não será possível para vocês compreenderem a significação desta regra a não ser que haja uma medida de clareza em suas mentes a respeito dos verdadeiros relacionamentos grupais. Tais relacionamentos não são baseados na personalidade ou impessoalidade, nem em gostar ou desgostar, ou na crítica e não-crítica, mas numa real compreensão da “divina indiferença”, desapego espiritual e profundo, persistente e imutável amor. Para muitos aspirantes sérios a justaposição dessas frases parecerá paradoxal. Mas uma compreensão dos paradoxos ocultistas tende à liberação. Na compreensão dessas atitudes básicas jaz a primeira lição de aspirante à participação e iniciação grupal.

O segundo ponto que o grupo que assim aspira tem que alcançar é a necessidade do uso da força da destruição.

Um grupo é reunido sob a lei cármica, a necessidade ashrâmica e a direção da alma. Imediatamente é apresentada aos Mestres que observam, uma oportunidade para o treinamento muito definido de alguns aspirantes, mas também um ponto de tensão igualmente definido, indicando uma real dificuldade. Há pouco, na realidade, para ligar essas pessoas exceto uma inclinação, uma aspiração unida e uma meta mantida. A característica predominante de tal grupo é o egoísmo espiritual. Essa afirmação poderá surpreendê-los, até que um cuidadoso exame de seu próprio coração ocorra, e então ouso predizer que vocês descobrirão que não é o divino amor da humanidade que os terá habilitado a encontrar seu caminho para o grupo externo de algum Ashram, mas o desejo de desenvolvimento, de conquista e de libertação. O primeiro passo, portanto, é reconhecer isso e daí a injunção tantas vezes mal interpretada: Mata o desejo. Essa tem de ser a primeira atividade destruidora do discípulo. Não é o que o discípulo procura, ou quer, ou deseja, que deveria condicioná-lo e conduzi-lo para o que poderíamos chamar “aquiescência ashrâmica", mas o todo-impulsivo motivo da necessidade mundial. Assim o discípulo começa a se livrar do desejo por um processo de atrito. Ele não combate positivamente o desejo com vistas à sua eliminação; ele não procura transmutá-lo (como faria o discípulo probacionário) mas ele cessa de lhe dar qualquer reconhecimento. Ele deixa de provê-lo com a necessária estimulação da atenção pois, como sempre, a energia segue o pensamento; ele está preocupado com a necessidade mundial e com o serviço que ele pode prestar e - quase inadvertidamente, por assim dizer - o desejo morre de atrito.

Será compreensível para vocês, por conseguinte, que leve algum tempo para que todos os membros de um grupo consigam destruir o desejo individual, e até que alguma medida desse processo de libertação unido seja alcançado, os membros do grupo não poderão prosseguir juntos como uma unidade no Caminho da Iniciação.

O passo seguinte é a destruição dos laços que ligam as personalidades dos membros do grupo. Esses devem ser rompidos, e a relação entre os membros do grupo deve ser na base da atividade da alma, um compromisso em comum com o Mestre do Ashram, e um serviço unido prestado em comum à humanidade.

Chega-se a um ponto de liberdade na relação grupal que se evidenciará por alguma atividade planejada e unida, desenvolvida no mundo exterior mas enriquecendo a vida do Ashram. Até que esse estágio seja alcançado, a atividade do grupo corresponde à do discípulo probacionário e não à do discípulo assumido. O trabalho do grupo emergindo espontaneamente, engendrado pela consciência do grupo e fundindo o grupo inteiro de discípulos num ponto de tensão no serviço, é a primeira indicação de que o grupo está pronto para novos ensinamentos, para uma intensificação de sua potência grupal e para uma íntima relação com o Mestre. Isso foi produzido pelo próprio grupo, independentemente de qualquer injunção do Mestre, e como um resultado da vida da alma unida do grupo que está efetivamente fazendo sentir sua presença. Esses dois processos espiritualmente destrutivos - a destruição do desejo e a ruptura de todos os laços da personalidade - são os primeiros dois e essenciais resultados do verdadeiro trabalho grupal.

A terceira qualidade a ser totalmente removida e destruída é a de qualquer expectativa de reconhecimento, seja provindo do mundo dos homens, seja de outros discípulos, ou do Mestre. A habilidade de trabalhar sem qualquer sinal de reconhecimento, enquanto outros exigem a recompensa pela ação executada, e mesmo ignorar quando os efeitos do bem resultante de iniciativas do discípulo individual ou de seu grupo sejam reclamados por terceiros, são o limiar do trabalhador hierárquico. Os Mestres não recebem qualquer reconhecimento pelo trabalho feito por Seus discípulos, embora tenha sido Deles o impulso original e orientação; o discípulo desenvolve o Plano; ele divide a responsabilidade; ele paga o preço, bom ou mau, ou os resultados cármicos da atividade instituída, e é ele quem recebe o reconhecimento da multidão. Mas - até que o discípulo deixe de buscar reconhecimento, até que ele deixe de pensar em termos de resultados e se desligue da reação do mundo ao seu trabalho como um discípulo individual - ele tem que caminhar muito até obter as iniciações superiores. O problema inteiro se toma cada vez mais difícil quando se trata de um grupo ashrâmico inteiro, pois o reconhecimento do serviço grupal parece pouco a pedir do mundo que é servido; contudo, tal demanda e tal expectativa atrasam a completa absorção do grupo no Ashram interno.

Esses não são, todavia, objetivos impossíveis, ou eu não perderia o tempo, o de vocês ou o meu próprio, em seu delineamento. O grupo pode dimensionar a necessidade oculta se de maneira unida reconhecer o escopo do esforço e de maneira unida aspirar à completa absorção no serviço - uma absorção tão profunda que exclui todos os outros reconhecimentos, particularmente os de natureza pessoal. Voltamos, portanto (como é frequentemente o caso), ao fato de que quando um grupo puder chegar a um ponto conveniente de tensão unificada, reações não-essenciais desaparecerão e qualidades indesejáveis serão automaticamente removidas.

Esses três tipos de trabalho segundo as linhas de destruição, fazem jus à sua cuidadosa consideração e - por estarem na linha do aspecto destruição - ficará evidente para vocês que o método empregado é o da utilização da Vontade Grupal. Será igualmente evidente que a Vontade Grupal só poderá fazer seu aparecimento sob a Lei da Continuidade Oculta quando, e se, o grupo estiver atuando de maneira inteligente e demonstrando amar de maneira adequada.

Chegamos agora ao terceiro fator que a iniciação grupal envolve. Essa é a diversidade na unidade, conscientemente reconhecida e utilizada. Um grupo não é composto por discípulos que estão sendo preparados para a mesma iniciação. Isso muitas vezes é algo de difícil aceitação. A significação de minha fala anterior, de que um grupo é composto de homens e mulheres que estão no mesmo ponto de evolução é uma generalização e simplesmente significa que alcançaram o plano em que todos eles são inalteravelmente comprometidos com o trabalho do Ashram, sob algum particular Mestre.

O trabalho, todavia, requer uma diversidade de qualidade e de potências para ser uma manifestação efetiva no plano exterior. Ele necessita dos que estão em contato estreito com o Mestre, e são, portanto, iniciados de certa envergadura; necessita também daqueles que têm facilidade de relacionamento com o Ashram interno e são portanto discípulos adiantados, embora não necessariamente muito elevados; necessita também dos não tão avançados no Caminho do Discipulado, porque eles têm, ou podem estabelecer, uma íntima conexão com a humanidade comum no seu dia-a-dia. Um grupo de tais discípulos é consequentemente uma hierarquia em miniatura, e uma hierarquia existe em seus vários graus para permitir uma grande amplitude de efetivos relacionamentos. Reflitam sobre essa afirmação. Vocês podem ver agora a razão de ser da necessidade da eliminação das reações da personalidade, pois só assim poderiam os grupos atuar como uma unidade coordenada com os vários membros reconhecendo seus respectivos “status” e contudo não levados ao ciúme ou à desconsideração mútua; o trabalho é então desenvolvido na base da inspiração, da coordenação e da aplicação prática. Os membros mais adiantados do grupo, e os com maior graduação (seja ela qual for), incentivam o Plano ao receberem-no do Mestre; os mais experientes entre os discípulos então coordenam o Plano no Grupo, relacionando-o com o Ashram e indicando sua aproximação com o mundo dos homens; os neófitos - compromissados e dedicados, contudo sem experiência - desenvolvem o Plano no plano físico. Isso vincula, como podem ver, suave mas efetiva coordenação, uma atenção apropriada ao quadro geral, e uma aplicação do detalhe do trabalho à necessidade imediata. É uma tarefa difícil para um grupo de discípulos intensamente individualistas (e todos os discípulos são individuais) começar a dar os primeiros passos para essas atitudes e relacionamentos que distinguem a Hierarquia como um todo.

Ainda um outro importante fator na preparação do grupo para a iniciação é o cultivo do silêncio. Quando o funcionamento do Ashram está em discussão, nós às vezes nos perguntamos como podemos treinar nossos discípulos para se conscientizarem de que, essencialmente, o silêncio não é evitar o falar. Muitos discípulos parecem pensar que assim seja, e que eles têm de aprender a não falar, se esperam alcançar a iniciação. Alguns fariam muito melhor se falassem mais do que o fazem - segundo linhas corretas. O silêncio imposto num Ashram é conter certas linhas de pensamento, a eliminação da fantasia, e o uso inadequado da imaginação criativa. O falar é consequentemente controlado em sua fonte, porque é o resultado de certas fontes internas de ideias, de pensamentos e da imaginação; é a precipitação (num certo ponto de saturação, se assim me posso expressar) de reservatórios internos que abundam no plano físico. A retenção do falar e a supressão das palavras, se forem o resultado de uma conscientização de que o que vier a ser dito está errado, ou indesejável, ou imprudente, ou um desperdício de energia, aumentará simplesmente a reserva interna e conduzirá finalmente a uma ainda mais violenta exposição de palavras posteriormente; poderá causar também condições sérias e desastrosas no corpo astral do discípulo. O silêncio do pensamento deve ser cultivado e, meus irmãos, não me refiro a pensar em silêncio. Quero dizer que certas linhas de pensamento têm sua admissão negada; certos hábitos de pensamento são erradicados e certas abordagens às ideias não são desenvolvidas. Isso é feito por um processo de substituição, e não por um violento processo de supressão. O iniciado aprende a manter seu equipamento do pensamento numa certa condição efetiva. Seus pensamentos não se confundem uns com os outros, mas são dispostos (se assim posso representar de forma pictórica) em compartimentos separados ou cuidadosamente arquivados para uso posterior. Há certas camadas de pensamento (novamente falando simbolicamente) que são conservadas no próprio Ashram, jamais sendo permitido que entrem na mente do discípulo ou iniciado quando não conscientemente trabalhando no Ashram; outros estão relacionados com o grupo e seu trabalho e ficam com liberdade de ação nos limites do círculo-não-se-passa do grupo; outros, ainda, são de natureza mais mundana e governam a vida diária e os relacionamentos do discípulo com personalidades e com os assuntos da vida civilizada e acontecimentos do plano físico. Estas são apenas indicações do que procuro explicar, mas bastarão para mostrar (se vocês meditarem devidamente) um pouco do que se deve entender como o silêncio do iniciado. Dentro dos níveis de contato permitidos, a palavra é livre e sem obstrução; fora desses níveis, nenhuma indicação é dada, que ao menos existam as outras esferas de atividade de pensamento, com sua palavra condicionadora. Tal é o silêncio do discípulo iniciado.

Nós consideramos, por conseguinte, de maneira breve mas sugestivamente, quatro qualidades que um grupo se preparando para a iniciação precisa desenvolver, considerar e, de maneira unida, conquistar. Elas são:

1. A conquista de uma inter-relação grupal não-sentimental.
2. O aprendizado de como usar as forças de destruição construtivamente.
3. Alcançar o poder de trabalhar como uma Hierarquia em miniatura, e como um grupo para exemplificar a unidade na diversidade.
4. Cultivar a potência do silêncio ocultista.

Agora chegamos, após essas observações preliminares, à consideração da próxima regra.

Regra XI

Que o grupo movimente junto o fogo na Joia no Lótus para a Tríade e que eles encontrem a Palavra que levará a tarefa à cabo. Que eles destruam por sua Vontade dinâmica aquilo que foi criado no ponto do meio do caminho. Quando o ponto de tensão é alcançado pelos irmãos do Quarto Grande ciclo de realização, então esse trabalho será feito.

Ao se ler essa regra pela primeira vez é óbvio que ela diga respeito à quarta iniciação e à consequente destruição do corpo causal - o veículo por intermédio do qual a Mônada criou antes de tudo a personalidade, e então um instrumento para a expressão do segundo aspecto divino. Estamos, portanto, lidando com uma das principais iniciações. Eu traria aqui á lembrança de todos vocês o fato de que (do ângulo da Hierarquia) essa iniciação é a segunda principal iniciação, e não a quarta, como é considerada do ângulo humano; a terceira iniciação é tecnicamente considerada como a primeira iniciação principal. As principais iniciações somente são realmente possíveis depois da transfiguração da personalidade.

Quê, por conseguinte, promove a destruição do corpo da alma? O agente destruidor é o segundo aspecto da Vontade. O terceiro aspecto da Vontade, ou o mais baixo, trabalhando através da mente ou do princípio manásico, foi o fator sustentador no longo ciclo do desenvolvimento da personalidade; ele foi o princípio da síntese inteligente, conservando o princípio da vida intacto e individualizado através da longa série de sucessivas encarnações. Durante aquele ciclo a vontade demonstrou-se primeiro como o homem inferior; depois ela se focalizou no Filho da Mente, o divino Agnishvatta, a alma, e se tornou de maneira crescente, um fator de poder. Mais tarde, à medida que o discípulo constrói o antahkarana e assim estabelece um canal direto de comunicação entre a Mônada e a personalidade, a mente inferior se funde com a mente abstrata ou mente superior (o princípio manásico, sublimado e purificado), e gradualmente a alma - para usar uma palavra peculiar mas bastante expressiva - é flanqueada. Ela a essa altura serviu ao seu propósito. O amor e a luz são uma expressão no plano físico da vida. Nem o veículo da personalidade é requerido, nem o corpo da alma, como sob as antigas condições. Seu lugar pode agora ser assumido pela Tríade Espiritual e a Mônada; a vida essencial de ambos os aspectos inferiores (criativos na natureza e expressivos da intenção amorosa quando ao propósito) podem agora ser retirados. A triplicidade, do ângulo dos três veículos periódicos - a Mônada, a alma e a personalidade - é resolvida na dualidade e a Mônada (refletida na Tríade) pode agora trabalhar sobre os planos inferiores por intermédio de uma personalidade definitivamente criada ou “ponto de tensão” nos rês mundos. É a isso que a regra se aplica quando estudada em termos do iniciado individual, enquanto a vida na qual a alma é “flanqueada” e seu círculo-não-se-passa é destruído, é de tão profunda dificuldade que é chamada a vida de crucificação ou de renúncia.

Ficamos, contudo, ocupados com a interpretação da regra, ao afetar um grupo que se está preparando para a iniciação conjunta de seus membros. É pela adesão ao antigo aforisma, “tal como no Macrocosmo, assim será com o microcosmo” e, por conseguinte, pela aplicação da Lei da Analogia, que nós finalmente chegaremos à compreensão. Não posso esperar mais do que indicar significações, mas agora ficará claro para vocês porque lidei com as quatro qualidades que um grupo deve desenvolver em uníssono, antes da iniciação. Nós veremos a utilidade de se relacionar essas qualidades com as várias frases ou injunções nesta Regra XI. Vamos considerar cada uma delas separadamente. Vamos então considerar, agora, a primeira frase.

1. Que o grupo movimente junto o fogo na Joia no Lótus para a Tríade.

Primeiro vou lembrar a vocês que o fogo sempre conota o primeiro aspecto e esse como vocês sabem, é o aspecto vida. A esse, permito-me acrescentar o fato bem conhecido de que “Nosso Deus é um fogo consumidor”, e trazer à sua lembrança que o primeiro aspecto é o aspecto destruidor. Vocês imediatamente estabeleceram uma relação entre as duas primeiras qualidades com que temos lidado e o trabalho da crucificação como uma expressão simbólica da quarta iniciação. A conquista de uma inter-relação grupal altruísta e impessoal foi o primeiro pré-requisito e a palavra “junto” nesta regra diz respeito ao trabalho do grupo quando - como uma tecelagem bem compacta, formando uma unidade - ele pode avançar. Essa transferência da vida ou do fogo tem de ser o resultado da ação unida, assumida pelo grupo quando a plena unidade interior foi alcançada. Não pode acontecer antes disso, assim como um iniciado individual só pode receber essa particular iniciação quando uma completa fusão dos três corpos com a alma tenha ocorrido de fato e a divina indiferença tenha sido alcançada em todas as reações inferiores das partes componentes do instrumento fundido e inter-relacionado. Deve ser assim com o grupo.

A vida do grupo deve expressar-se no plano físico e na formação grupal. Ela possuirá um equipamento de “sensibilidade” correspondendo ao corpo astral, e a mente grupal será bem organizada e funcionará ritmicamente. Assim a “personalidade” do grupo será ativa, mas devidamente ativa, na ocasião em que esse particular estágio tenha sido alcançado. A alma grupal também estará em plena floração como uma expressão do Ashram interno, e no próprio coração da vida grupal, velada e oculta pela sua expressão externa da personalidade e por sua vibrante alma amorosa, será um ponto de fogo vivo ou vida que - no devido tempo e sob corretas condições - deve ser transferido para o Ashram interno, encontrado nos níveis triádicos. Isso pode significar ou não a destruição do corpo causal grupal e o estabelecimento de uma linha direta do relacionamento entre o Ashram puro e um grupo de discípulos. Significará, indiscutivelmente, durante os estágios que antecedem àquela desejável conquista, uma definida mudança de foco e o gradual estabelecimento de um ponto de tensão sobre níveis superiores lentamente conscientizados, levados adiante até que a transferência seja completada.

Durante todo o tempo em que isso está ocorrendo, o fogo no coração da vida grupal está se tornando mais e mais vital, e consequentemente mais e mais espiritualmente destrutivo. A segunda qualidade que consideramos, o uso construtivo planejado das forças de destruição, pode agora ser vista em atividade. São essas forças que muitas vezes são responsáveis pelos levantes, pelas rupturas, dispersões, e as fatalidades que tão frequentemente são as características da vida grupal em seus primeiros estágios. O fogo então trabalha sob o estímulo da Tríade Espiritual, mas não está sendo conscientemente manipulado pelo próprio grupo. O grupo se torna esotericamente “um solo ardente”, e se economizaria muito tempo, e muito desnecessária dor e sofrimento seriam eliminados se os membros do grupo se dessem conta do que lhes estava acontecendo e simplesmente permanecessem firmes até que “a purificação como a pelo fogo” se tivesse completado e o princípio da vida no coração do grupo pudesse brilhar de forma radiante. É essa qualidade de paciente resignação que é tão dolorosamente necessária pelos membros de um grupo que está sendo preparado para a iniciação. Uma vez, contudo, que o propósito subjacente a todos os desafortunados acontecimentos e rompimentos pessoais seja compreendido, rápido progresso pode ser feito - mais uma vez, pela simples prática da divina indiferença. Essa divina indiferença foi a qualidade destacada do Mestre na Cruz do Calvário. As sete palavras da Cruz estavam relacionadas com outras, com Sua missão, com a necessidade mundial e com o relacionamento com o Pai ou a Mônada. Mas os discípulos e aspirantes estão tão intensamente preocupados consigo mesmos, com seu efeito sobre os demais, sua resignação e sofrimento, ou com a crítica de seus irmãos sobre eles próprios! A meta e o principal objetivo não são adequadamente enfatizados em suas consciências. A personalidade do grupo está muitas vezes atuando com potência, mas o amor que funde, da alma, está ausente e o influxo arrasador da vida no coração da Joia não consegue pleno domínio. Ele é bloqueado e interceptado pelas condições do grupo, e até que haja pelo menos alguma vontade unida de tomar juntos o que é necessário para transferir a vida do grupo para níveis mais elevados de consciência e até o Ashram em níveis búdicos, a técnica de transferência não será confiada ao grupo pelo Mestre. É o que se quer dizer com a seguinte frase na regra:

2. Que eles encontrem a Palavra que levará a tarefa a cabo.

Quê é essa técnica de transferência? Ela cabe em três estágios, cada uma das quais tem de ser alcançada pelo grupo em uníssono. O primeiro é o estágio da tensão unida ou a consecução de tal ponto focal de intenção planejada e focalizada que o grupo sem se desviar é orientado para a tarefa imediata a ser feita e está funcionando do ângulo do propósito como uma tarefa individual. Esse é talvez o mais difícil estágio, mas ele tem de ser dominado antes da ajuda do Mestre no Ashram interno. Ele é para o grupo o que a Mônada é para o discípulo, sempre procurando obter a “renúncia” esotérica do veículo causal. Esse ponto de tensão tem de ser conservado em alta atividade vibratória, tudo através do processo de transferência. Gostaria de lembrar que a principal característica de Jesus de Nazareth, durante todo o período anterior à crucificação, foi uma de completo silêncio; aqui é onde a eficácia da quarta qualidade por mim mencionada aparece. O grupo, nesse estágio, fica tão preocupado com a tarefa à frente e tão consciente da necessidade de preservar uma tensão unida e uniforme que “o silêncio do lugar secreto” se instala nele e o trabalho pode então prosseguir aceleradamente. Quando esse ponto é atingido, então a terceira qualidade se manifesta com poder para trabalhar como uma hierarquia em miniatura, e essa se torna progressivamente notável.

Agora vem o resultado de todos esses estágios preliminares e isso vem espontânea e automaticamente. Quero dar ênfase ao fato de que o grupo não fica na expectativa de uma Palavra a lhe ser dada; ele não procura nem aspira descobrir uma Palavra; ele não toma de uma Palavra como pode ser sugerido por um discípulo útil e depois prossegue para lhe “dar força". A Palavra é o resultado do ponto de tensão; ela emerge do silêncio e sua primeira expressão é simplesmente o lentamente crescente ritmo do “Som” ou Nota Grupal. Como vocês sabem, cada indivíduo e cada grupo de indivíduos tem sua própria nota ou som característico que é o agente criativo da vida grupal focalizada.

Neste ponto nós novamente tocamos a fímbria da vindoura Ciência da Invocação. Esse som grupal, aumentando à medida que a tensão cresce e se estabiliza, tem um efeito invocativo e atrai afinal uma resposta do Ashram interno, devido á sua relação com o grupo externo. Quando a resposta do Mestre está registrada na Consciência do Grupo, o som emitido pelo grupo muda de qualidade, é ampliado e diversificado, enriquecido e depois precipitado para fora do círculo-não-se passa da vida grupal; essa precipitação toma a forma de uma Palavra. Essa Palavra, sendo o resultado da atividade, foco e tensão, mais a ajuda do Mestre, alcança três resultados:

1 - Ela produz a fusão entre o grupo externo e o Ashram interno.
2 - Ela capacita a vida grupal para ser transferida segundo o antahkarana grupal e o focaliza de uma vez por todas no Ashram do Mestre.
3 - O resultado dessa transferência é duplo:

a. O grupo externo morre, falando ocultamente.
b. A alma do grupo, estando agora fundida com o aspecto vida em níveis mais elevados do que aqueles em que o corpo causal existe, não é mais de maior importância; a Grande Renúncia ocorre, e o corpo causal - tendo servido aos seus fins - morre e é destruído. Assim o Cristo, de acordo com as injunções teológicas, morreu na Cruz. Contudo, Ele não morreu, e ainda vive, e por Sua vida são todas as almas salvas.

É difícil, para os estudantes esotéricos, se darem conta de que a ênfase das vindouras Escolas de Iluminação venha a ser sobre o aspecto vida, e não sobre o contato com a alma. A meta será a transferência e não a união. Os aspirantes e discípulos são em grande parte o resultado da velha ordem de ensino e são a floração dos processos aos quais a humanidade tem estado sujeita. Este é um vital período de transição; discípulos e aspirantes no mundo, atualmente, estão falando em sentido figurado, no mesmo estágio que o grupo que estamos considerando - o estágio da transferência da vida da forma externa para o ser interno. Daí a dificuldade que vocês enfrentam, e a árdua tarefa que é compreender realisticamente o que estou tentando transmitir-lhes. O problema do contato com a alma é algo que vocês podem alcançar - e alcançam, de fato, pelo menos teoricamente. O problema da transferência de vida do ponto mais alto da presente consecução para algum vago e místico foco espiritual não é tão fácil de compreender. Não se esqueçam, não estou procurando que compreendam, pois escrevo para aqueles que virão depois de vocês, e aqueles que serão os aspectos reencarnados dos seus presentes egos.

Vocês observarão, portanto, como as quatro qualidades focalizadas permitiram ao grupo conquistar o pronunciar a Palavra. Aquela Palavra, agora emitida por eles como um grupo sob a inspiração do Mestre (e eu uso a palavra “inspiração" deliberadamente) soou; ela ultrapassou a esfera da imediata influência grupal; ela provocou seu impacto inicial sobre a alma do grupo e vitalizou o aspecto vida para uma nova capacitação, a Joia no Lótus da alma. Agora chega a possibilidade de cumprir a terceira grande injunção contida nesta regra:

3. Que eles destruam por sua dinâmica Vontade aquilo que foi criado no ponto do meio do caminho.

No cumprimento do requisito aqui introduzido, o grupo entra em seu maior teste neste trabalho de transferência. Os membros do grupo preservaram, unidos, o ponto de tensão; unidos, eles criaram o antahkarana; unidos, eles invocaram pelo som grupal, a atenção do Mestre e do Ashram do Mestre; de maneira unida, aquele som tomou a forma de uma Palavra, e Aquela Palavra causou seu impacto sobre o aspecto vida do grupo na forma da alma grupal; ele a energizou de modo que a destruição do corpo causal está agora em ordem. A tendência do grupo seria então relaxar, e isso normalmente; a irrecuperável Palavra foi pronunciada e tudo está bem e seguramente cumprida. Mas não é assim, na verdade. Pelo poder de seu amor unido, o grupo superou dificuldades pessoais e desenvolveu junto as quatro qualidades; ele também encontrou a Palavra que pode afetar a alma - pois a Palavra está sempre relacionada com o segundo aspecto, e por isso ela pode alcançar e energizar a alma, o segundo aspecto per se.

Mas agora, nos estágios finais da grande obra da transferência, o grupo tem de chegar a um novo ponto de tensão é de unida consecução. Ele tem de usar a vontade dinâmica, a energia do primeiro aspecto, e assim chegar à destruição final do corpo causal. A vida no corpo causal foi estimulada e vitalizada e está agora procurando libertar-se de sua forma limitadora. O veículo da alma está sendo sujeito à pressão de dentro mas então - tanto no caso do iniciado individual como no do grupo iniciado - a explosão final tem de ocorrer também de fora, por um ato da vontade unida; isso corresponde ao grande Grito do Cristo na Cruz quando Ele exclamou “está consumado”. Com essas palavras, nos é dito, o Véu do Templo rompeu-se de alto abaixo, e a vida do Cristo ascendeu para o Pai. Reflitam sobre os significados dessas frases. “Aquilo que foi criado no ponto do meio do caminho” não é mais necessário. Nenhum princípio mediador ou intermediário entre o homem e o Pai é mais necessário; a Mônada e a personalidade estão completamente conciliadas e alcançaram um perfeito relacionamento; a triplicidade cedeu lugar à dualidade, e o Caminho da Evolução Superior se encontra aberto diante do iniciado.

Será óbvio que essa fase da conquista grupal pode por enquanto ser somente uma esperança. Ela se acha muito distante dos grupos da atualidade, assim como a quarta iniciação se acha muito distante do aspirante ou do discípulo comuns. Mas os grupos devem ter sua meta e devem aspirar à visão, tal como o indivíduo; estou lançando as bases para a fase da vida grupal e aspiração unida que serão um aspecto tão distintivo da era vindoura. Há mais três pontos que procuro assinalar:

Primeiro, a conquista da capacidade de usar dinamicamente a vontade poderá ser mais facilmente compreendida se for entendido que ela significa a extensão do ponto de tensão para os reinos que envolvem a super-consciência do discípulo; também que a libertação do aspecto vida dos limites do corpo causal produz um novo ciclo de invocação e de atividade invocativa. Isso produz um influxo do aspecto destruidor da Vontade divina, e consequentemente a completa destruição do veículo causal.

Em segundo lugar, não é para se inferir que todos no grupo precisem ser discípulos no processo de receber a quarta iniciação. Um grupo pode ser composto de discípulos e iniciados de todos os graus, embora deva haver entre o pessoal do grupo pelo menos um discípulo que tenha recebido a iniciação da crucificação. Essa necessidade é simbolizada para nós na íntima relação que existiu entre Jesus quando Ele recebeu essa iniciação e o Cristo Que o havia recebido num anterior estado da vida. Quanto mais diversificado o grupo, tanto mais ricas a sua vida e possibilidades. Não se esqueçam disso. Um indício eu posso dar- lhes sobre esse difícil assunto. Quando os resultados do primeiro ponto de tensão, anteriormente à emergência da Palavra, tiverem sido alcançados, os iniciados do quarto grau no Ashram emprestam sua ajuda e fazem muito para tornar possível alcançar a meta pelo grupo.

Em terceiro lugar, gostaria que registrassem que eu lhes dei muito, de forma abreviada e acrescentei muitas informações relativas à quarta iniciação. O que disse se aplica tanto ao aspirante individual como a um grupo que procura iniciação. Leiam com atenção o que lhes disse, mas lembrem-se que ainda não lhes é possível estabelecer a diferença entre o que é simbólico e o que pode ser factual. Os segredos da iniciação são assim guardados com cuidado.Uma simples regra para a compreensão e a conquista é sempre boa. A Grande Renúncia se torna possível somente quando a prática das pequenas renúncias governa a vida de um discípulo e de um grupo. Renunciar à ambição, a todos os laços da personalidade e a renúncia a tudo o que impede o progresso tal como é revelado aos olhos da alma, estabelece um fundamento sólido para a grande transferência final, baseado na renúncia àquilo que por eons definiu a beleza, a verdade e a bondade, e que parecia ser a meta derradeira de todo o esforço aspiracional. O empenho para ver que aquilo que jaz adiante e além da aparente finalidade da fusão da alma enfrente os discípulos, entre os quais alguns de vocês, ao mesmo tempo; e que todos vocês possam penetrar além do véu da alma e enfim ver que o véu se “rompeu de alto abaixo” e assim dizer juntamente com aqueles de grau idêntico, “está consumado” é minha mais sincera esperança. Então abrir-se-á para vocês, como para outros, o Caminho da Evolução Superior, e a Glória do Senhor será vista sob uma nova luz - a luz que tremeluzirá e lançará na sombra todas as prévias metas e visões.

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