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A CIÊNCIA DO ANTAHKARANA


A Natureza do Antahkarana

Uma das dificuldades relacionadas com este estudo do antahkarana é o fato de que até aqui o trabalho feito sobre o antahkarana tem sido inteiramente inconsciente. Por isso, o conceito nas mentes dos homens em relação a esta forma de trabalho criativo encontra, a princípio, pouca resposta da natureza da mente; além disso, com o fim de expressar estas ideias, nós praticamente criamos uma nova terminologia, pois não há palavras adequadas para definir o que queremos dizer. Assim como as ciências modernas desenvolveram uma terminologia própria, durante as últimas décadas, também esta ciência precisa desenvolver seu próprio e peculiar vocabulário. Enquanto isso não acontece, temos que tirar o melhor proveito das palavras à nossa disposição.

A segunda coisa que farei é pedir àqueles que estão estudando segundo estas linhas que compreendam que, com o tempo, eles chegarão a um entendimento, mas que, no momento, tudo que podem fazer é depender da inalterável tendência da natureza subconsciente para penetrar até a superfície da consciência, como uma atitude reflexa no estabelecimento da continuidade da consciência. Esta atividade reflexa da natureza inferior corresponde ao desenvolvimento da continuidade entre a superconsciência e a consciência que se desenvolve no Caminho do Discipulado. Isso tudo é uma parte - em três etapas - do processo de integração, provando ao discípulo que a vida toda é, em termos de consciência, uma vida de revelação. Reflitam sobre isto.

Uma outra dificuldade ao estudarmos qualquer destas ciências esotéricas que lidam com aquilo que tem sido chamado o "desenvolvimento consciente dos reconhecimentos divinos" (que é a verdadeira consciência perceptiva), é o velho hábito da humanidade em materializar todo o conhecimento. Tudo que o homem aprende é aplicado - com o passar dos séculos - ao mundo dos fenômenos naturais e do processo natural, e não ao reconhecimento do Eu, o Conhecedor, o Espectador, o Observador. Quando, pois, o homem entra no Caminho, ele tem de educar-se no processo de usar o conhecimento em referência à Identidade autoconsciente, ou ao Indivíduo autocontido e autoiniciador. Quando ele puder fazer isto, ele estará transmutando conhecimento em sabedoria.

Anteriormente, falei de "conhecimento-sabedoria", palavras que são sinônimos de "força-energia". Conhecimento usado é força expressando-se; sabedoria usada é energia em ação. Nestas palavras vocês têm a expressão de uma grande lei espiritual, uma lei que vocês deveriam considerar cuidadosamente. Conhecimento-força diz respeito à personalidade e ao mundo dos valores materiais; sabedoria-energia expressa-se através do fio da consciência e do fio criativo, visto que eles constituem em si mesmos um cordão dual trançado. Eles são, para o discípulo, uma fusão do passado (fio da consciência) e do presente (o fio criativo), e juntos eles formam o que é geralmente chamado, no Caminho do Retorno, o Antahkarana. Isto não é inteiramente correto. O fio da sabedoria-energia é o sutratma ou fio da vida, pois o sutratma (quando combinado com o fio da consciência) é, de novo, também chamado o antahkarana.

Talvez seja possível esclarecer mais o assunto se eu disser que, embora estes fios existam eternamente no tempo e espaço, eles parecem distintos e separados até o homem ser um discípulo probacionário, e portanto, tomando consciência de si próprio e não apenas do não-eu. Há o fio da vida ou sutratma e o fio da consciência - um ancorado no coração e o outro na cabeça. Durante todos os séculos passados, o fio criativo, em um ou outro de seus três aspectos, tem sido tecido pelo homem; sua atividade criativa durante os últimos duzentos anos é uma indicação deste fato da natureza, de modo que hoje o fio criativo é uma unidade, falando de modo geral, no que tange à humanidade como um todo e, especialmente, ao discípulo individual, e forma um forte fio firmemente trançado no plano mental.

Estes três importantes fios, que são na realidade seis, se o fio criativo for diferenciado em suas partes componentes, formam o antahkarana. Eles personificam a experiência passada e presente e são assim reconhecidos pelo aspirante. É somente no próprio Caminho que a expressão "construindo o antahkarana" se torna correta e apropriada. É em relação a isto que a confusão tende a surgir na mente do estudante. Ele se esquece que esta é uma distinção puramente arbitrária da mente inferior analítica chamar esta corrente de energia de sutratma, e outra corrente de energia de fio da consciência, e uma terceira corrente de energia de fio criativo. Eles são, essencialmente, todos os três juntos, o antahkarana em processo de formação. É igualmente arbitrário chamar a ponte que o discípulo constrói a partir do plano mental inferior - via o vórtice central de força, o egoico - de antahkarana. Mas para propósitos de estudo compreensivo e experiência prática, nós definiremos o antahkarana como a extensão do fio tríplice (até aqui tecido inconscientemente, através da experimentação da vida e da resposta da consciência ao meio ambiente) através do processo de projetar conscientemente as energias triplas fundidas da personalidade, à medida que elas são impulsionadas pela alma, através de uma lacuna na consciência que existia até então. Dois acontecimentos podem então ocorrer:

1 - A resposta magnética da Tríade Espiritual (atma-budi-manas), que é a expressão da Mônada, é evocada.

2 - A personalidade então começa a fazer uma ponte entre a lacuna que existe no seu lado entre o átomo manásico permanente e a unidade mental, entre a mente abstrata superior e a mente inferior.

Tecnicamente, e no Caminho do Discipulado, esta ponte entre a personalidade nos seus três aspectos e a mônada e seus três aspectos é chamada o antahkarana.

Este antahkarana é o produto do esforço unificado da alma e da personalidade, trabalhando juntas conscientemente para produzir esta ponte. Quando ela é completada, há uma perfeita sintonia entre a mônada e sua expressão no plano físico, o iniciado no mundo exterior. A terceira iniciação marca a consumação do processo, e há então uma linha direta de relacionamento entre a mônada e o eu pessoal inferior. A quarta iniciação marca a completa realização desta relação pelo iniciado. Ela o capacita a dizer: "Eu e meu Pai somos um". É por esta razão que a Crucificação, ou a Grande Renúncia, tem lugar. Não se esqueçam que é a alma que é crucificada. É o Cristo que "morre". Não é o homem; não é Jesus. O corpo causal desaparece. O homem fica monadicamente consciente. O corpo da alma não serve mais a qualquer propósito útil - ele não é mais necessário. Nada fica a não ser o sutratma, qualificado pela consciência - uma consciência que ainda preserva a identidade enquanto fundida no todo. Outra qualificação é a criatividade; deste modo a consciência pode ser focalizada à vontade no plano físico em um corpo externo ou forma. Este corpo é criado pela vontade do Mestre.

Nesta tarefa, porém, de desenvolvimento, de evolução e de desdobramento, a mente do homem tem de compreender, analisar, formular e distinguir; portanto, as temporárias diferenciações são de profunda e útil importância. Nós podemos, pois, concluir que a tarefa do discípulo é:

1. Tornar-se consciente das seguintes situações (se é que posso usar tal palavra):

a. Processo em combinação com a força.

b. Status no caminho, ou reconhecimento das agências qualificadoras disponíveis, ou energias.

c. Fusão ou integração do fio da consciência como o fio criativo e com o fio da vida.

d. Atividade criativa. Esta é essencial, não é somente através do desenvolvimento da habilidade criativa nos três mundos que é criado o necessário ponto focal, mas esta leva também à construção do antahkarana, sua "criação".

2. Construir o antahkarana entre a Tríade Espiritual e a personalidade - com a cooperação da alma. Estes três pontos de energia divina podem ser assim simbolizados:

Neste símbolo tão simples, vocês têm um quadro da tarefa do discípulo no Caminho.

Um outro diagrama ajudará a esclarecer:

Neste diagrama, vocês têm o "nove de iniciação" ou a transmutação de nove forças em energias divinas.

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