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A CIÊNCIA DO ANTAHKARANA


As Seis Etapas da Construção

Eu empreguei seis palavras para expressar este processo e sua condição resultante. Será útil estudá-las sob o ângulo de seu significado oculto - um significado não geralmente aparente, exceto para o discípulo treinado que já foi ensinado a penetrar no mundo dos significados e a ver interpretações que não são aparentes para o neófito. Talvez, depois que tivermos investigado estas palavras, o método de construção e os meios pelos quais o antahkarana é construído aparecerão com maior clareza.

Estas palavras cobrem uma técnica de construção ou um processo de manipulação de energia que cria uma sintonia entre a Mônada e o ser humano que está aspirando à plena libertação e está palmilhando o Caminho do Discipulado e da Iniciação; ela pode criar um canal de luz e vida entre os aspectos divinos superior e inferior e pode produzir uma ponte entre o mundo da vida espiritual e o mundo do viver no plano físico diário. É uma técnica para produzir a mais alta forma de dualismo e de eliminação da expressão tripla da divindade, assim intensificando a expressão divina e trazendo o homem mais próximo à sua meta última.

Os discípulos precisam lembrar-se sempre que a consciência da alma é uma etapa intermediária. É também um processo pelo qual - sob o ângulo dos reinos subumanos da natureza - a própria humanidade se torna o divino intermediário e o transmissor de energia espiritual para aquelas vidas cujos estados de consciência estão abaixo da autoconsciência. A humanidade tornar-se para essas vidas - na sua totalidade - o que a Hierarquia representa para a humanidade. Este serviço torna-se possível somente quando um número suficiente de indivíduos da raça humana são distinguidos pelo conhecimento da dualidade superior e crescentemente conscientes da alma e não apenas autoconscientes. Eles podem então tornar esta transmissão possível, e isto é feito por meio do antahkarana.

Vamos, pois, tomar estes seis aspectos de uma técnica básica de construção e tentar chegar ao seu significado oculto e tentar chegar ao seu significado oculto e criativo.

1. Intenção. Isto não significa uma decisão mental, desejo ou determinação. Literalmente, a ideia é mais de focalização de energia no plano mental no ponto da maior tensão possível. Significa a criação de uma condição na consciência do discípulo que é análoga à do Logos quando - em Sua escala muito maior - Ele concentrou dentro de um círculo-não-se-passa (definindo Sua esfera de influência desejada) a energia-substância necessária para realizar Seu propósito em manifestar-Se. Também o discípulo precisa fazer isto, reunindo suas forças (para usar uma expressão comum) no mais alto ponto de sua consciência mental e mantendo-as lá em um estado de absoluta tensão. Vocês podem agora ver o propósito por trás de alguns processo e técnicas de meditação corporificado nas palavras tão frequentemente usadas nos esquemas de meditação: "eleve a consciência para o centro da cabeça"; "mantenha a consciência no mais alto ponto possível"; "tente manter a mente firme na luz", e muitas outras frases semelhantes. Todas elas dizem respeito à tarefa de trazer o discípulo até onde ele possa alcançar o ponto de tensão desejada e de focalização da energia. Isto lhe permitirá começar a tarefa consciente de construir o antahkarana. É esse pensamento que realmente jaz irreconhecido por trás da palavra "intenção", tão frequentemente usada pelos católicos anglo-romanos quando preparando candidatos à comunhão. Elas indicam, contudo, uma direção diferente, pois a orientação que eles desejam não é em direção à Mônada ou espírito, mas em direção à alma, em um esforço para criar um melhor equipamento de caráter na personalidade e uma intensificação da aproximação mística.

Na "intenção" do discípulo que está conscientemente ocupado com a ponte do arco-íres, os primeiros passos necessários são:

a. Alcançar a correta orientação. Isto tem lugar em duas etapas: primeiro, em direção à alma como um aspecto da construção da energia, e segundo, em direção da Tríade.

b. Uma compreensão mental da tarefa a ser realizada. Isto envolve o uso da mente de dois modos: capacidade de resposta à impressão búdica ou intuitiva e um ato de imaginação criativa.

c. Um processo de reunir energia ou de absorção de força de modo que as energias necessárias sejam confinadas dentro de um círculo-não-se-passa mental, antecedendo ao processo seguinte de visualização e projeção.

d. Um período de pensamento claro sobre o processo e intenção, de modo que o dedicado construtor da ponte possa perceber claramente o que está sendo feito.

e. A firme preservação da tensão sem indevida tensão física sobre as células do cérebro.

Quando isto tiver sido completado com êxito, descobriremos a existência de um ponto focal de energia que não existia antes; a mente permanecerá firme na luz, e haverá também o alinhamento de uma atenta personalidade receptiva e uma alma orientada para a personalidade e em um estado de constante e direcionada percepção. Quero lembrar-lhes que a alma (enquanto vive sua própria vida no seu próprio nível de consciência) não está sempre consciente de sua sombra, a personalidade, nos três mundos. Quando o antahkarana está sendo construído, esta consciência tem de estar presente lado a lado com a intenção da personalidade.

2. Visualização. Até este ponto, a atividade tem sido de natureza mental. A imaginação criativa esteve relativamente tranquila; o discípulo esteve ocupado dentro da mente e em níveis mentais, e "não olhou para cima nem para baixo". Porém, agora, o correto ponto de tensão foi alcançado; o reservatório ou poço de energia necessária ficou restrito a um círculo-não-se-passa cuidadosamente delimitado, e o construtor da ponte está pronto para o próximo passo. Ele então dá inicio à construção do projeto do trabalho a ser feito, desenhando nas faculdades da imaginação que se encontram nos níveis superiores de seu veículo astral ou sensitivo. Isto não tem relação com as emoções. A imaginação é, como sabem, o aspecto inferior da intuição, e este fato deve ser sempre lembrado. A sensibilidade, como uma expressão do corpo astral, é o polo oposto da sensibilidade búdica. O discípulo purificou e refinou suas faculdades imaginativas de modo que agora elas são capazes de responder à impressão do princípio búdico ou da percepção intuitiva - percepção à parte da vista física ou de qualquer possível visão registrada. De acordo com a responsabilidade do veículo astral à impressão búdica, assim será a precisão dos "planos" feitos para a construção do antahkarana e a visualização da ponte de luz em toda a sua beleza e inteireza.

A imaginação criativa tem de ser acelerada em sua natureza vibratória de modo que possa afetar o "poço de energia" ou a substância-energia que foi reunida para a construção da ponte. A atividade criativa da imaginação é a primeira influência organizadora que trabalha sobre e dentro do círculo-não-se-passa de energias acumuladas, mantidas em um estado de tensão pela "intenção" do discípulo. Reflitam sobre o significado oculto desta frase.

A imaginação criativa é de natureza de uma energia ativa, trazida à relação com o ponto de tensão; lá e então, ela produz efeitos na substância mental. A tensão é assim aumentada, e quanto mais potente e mais claro o processo de visualização, mais bela e forte será a ponte. A visualização é o processo pelo qual a imaginação criativa é tornada ativa e torna-se capaz de responder ao ponto de tensão no plano mental e é por ele atraída.

Nesta etapa, o discípulo está ocupado com duas energias: uma, tranquila e mantida dentro de um círculo-não-se-passa, mas em um ponto de extrema tensão, e o outro, ativo, expansivo, formando quadros, capaz de responder à mente do construtor da ponte. Nesta conexão deve ser lembrado que o segundo aspecto da Trindade divina é o aspecto construtor da forma, e assim, sob a Lei da Analogia, são o segundo aspecto da personalidade e o segundo aspecto da Tríade Espiritual que se estão tornando criativamente ativos. O discípulo está agora seguindo com a segunda etapa de seu trabalho de construção, e assim, o significado numérico será aparente para vocês. Neste ponto, o discípulo precisa trabalhar lentamente, imaginando o que ele quer fazer, porque ele tem de fazê-lo, quais são as etapas do seu trabalho, quais serão os efeitos resultantes de sua atividade planejada, e quais são os materiais com os quais ele tem de trabalhar. Ele esforça-se por visualizar todo o processo, e deste modo estabelece (se for bem sucedido) uma definida sintonia entre a intuição búdica e a imaginação criativa do corpo astral. Consequentemente, teremos neste ponto:

A atividade búdica de impressão.

A tensão do veículo mental quando ele sustenta a substância-energia necessária no ponto de projeção.

Os processos imaginativos do corpo astral.

Quando o discípulo se adestrou para estar conscientemente alerta da simultaneidade deste trabalho tríplice, então o trabalho continua com sucesso e quase que automaticamente. O discípulo faz isto através do poder de visualização. Uma corrente de força é posta em atividade entre esses pares de opostos (astral-búdico) e - quando ela passa através do reservatório do plano mental - produz uma atividade interior e uma organização da substância presente. Então, sobrevém um crescente aumento de potência até chegar ao terceiro estágio, e o trabalho passa da fase da subjetividade ao da realidade objetiva, objetiva sob o ponto de vista do homem espiritual.

3. Projeção. A tarefa do discípulo chegou agora a um ponto crítico. Muitos aspirantes alcançam este particular estágio e - tendo desenvolvido uma real capacidade para visualizar, e tendo, pois, construído por este modo a forma desejada, e organizado a substância que será empregada nesta fase do processo de construção - descobrem que são incapazes de ir adiante. Qual então é o problema? Primariamente, é uma inabilidade de usar a Vontade no processo de projeção. Este processo é uma combinação de vontade, adicional e contínua visualização, e o uso do raio da Palavra de Poder. Até o presente estágio do processo, o método para todos os sete raios é idêntico; mas neste ponto sobrevém uma mudança. Cada discípulo tendo, com sucesso, organizado a substância da ponte, tendo trazido à atividade o aspecto vontade, e estando conscientemente alerta do processo e atuação, passa agora a mover para diante a substância organizada, de modo que, a partir do centro de força que ele conseguiu acumular, aparece uma linha de substância-luz ou projeção. Esta é enviada em uma Palavra de Poder, como no processo criativo logoico. Isto é, na realidade, uma inversão do processo da Mônada quando Ela emite o fio de vida que finalmente se ancora na alma. A alma, na realidade, vem à existência por meio desta ancoragem; então segue-se o processo posterior, quando a alma por sua vez envia um fio dual que finalmente ancoram, um na cabeça e outro no coração do homem triplo inferior, a personalidade. O discípulo está focalizado no centro que ele construiu no plano mental, e está atraindo todos os seus recursos (os da personalidade tripla combinados com os da alma) à atividade; ele agora projeta uma linha em direção à Mônada.

É segundo esta linha que a retirada final das forças tem lugar, as forças que - no caminho para baixo ou caminho involutivo - se focalizam na personalidade e na alma. O antahkarana em si, completado pela ponte construída pelo discípulo, é o meio final de abstração ou da grande retirada. É com o antahkarana que o iniciado está preocupado na quarta iniciação, chamada às vezes de Grande Renúncia - a renúncia ou retirada da forma da vida, tanto pessoal quanto egoica. Depois desta iniciação, nenhum desses aspectos pode prender a Mônada. O "véu do Templo" está rasgado em dois de cima abaixo - aquele véu que separava a Câmara Externa (a vida da personalidade) do Lugar Sagrado (a alma) e do Sagrado dos Sagrados (a Mônada) no Templo em Jerusalém. As implicações e analogias estarão necessariamente claras para vocês.

Com o fim de causar a necessária projeção das energias acumuladas, organizadas pela imaginação criativa e trazidas a um ponto de excessiva tensão pela focalização do impulso mental (um aspecto da vontade), o discípulo então convoca os recursos de sua alma, armazenados naquilo que é tecnicamente chamado "a joia do lótus". Este é o ancoradouro da Mônada - um ponto que não pode ser esquecido. Os aspectos da alma que nós chamamos conhecimento, amor e sacrifício, e que são expressões do corpo causal, são apenas efeitos desta radiação monádica.

Portanto, antes que a ponte esteja realmente construída e "projetada no caminho para cima, oferecendo uma viagem segura para os cansados pés do peregrino", como diz o Velho Comentário, o discípulo precisa começar a reagir em resposta ao botão fechado do lótus ou joia no centro do lótus aberto. Isto ele o faz quando as pétalas do sacrifício do lótus egoico estão assumindo controle em sua vida, quando seu conhecimento está sendo transmutado em sabedoria, e seu amor pelo todo está crescendo; a isto está sendo acrescentado o "poder de renunciar". Estas três qualidades egoicas - quando funcionando a uma certa potência - produzem um aumento de atividade bem no centro da vida da alma, o coração do 1ótus. Deve-se lembrar que as correspondências no 1ótus egoico aos três centros planetários são as seguintes:

Shamballa ................. A joia no lótus.

Hierarquia ................. Os três grupos de pétalas.

Humanidade .............. Os três átomos permanentes dentro da aura do lótus.

Os estudantes deveriam ter em mente que eles precisam livrar-se da ideia comum do sacrifício como um processo de abandonar ou renunciar a tudo que faz a vida digna de ser vivida. O sacrifício é, tecnicamente falando, a conquista de um estado de bem-aventurança ou êxtase, porque é a realização de outro aspecto divino, oculto até então pela alma e pela personalidade. São a compreensão e o reconhecimento da vontade-para-o-bem que tornam a criação possível e inevitável, e que foram a verdadeira causa da manifestação. Reflitam sobre isto, pois é muito diferente em seu significado quanto ao conceito usual sobre o sacrifício.

Quando o discípulo ganhou o fruto da experiência que é o conhecimento e aprendeu a transmutá-lo em sabedoria, quando seu objetivo é viver em verdade e realidade, e quando a vontade-para-o-bem é a coroação da meta de sua vida diária, então, ele pode começar a evocar a Vontade. Isto fará o elo entre as mentes superior e inferior, entre espírito e matéria e entre a Mônada e a personalidade um fato existente e definido. A dualidade então se sobrepõe à triplicidade, e a potência do núcleo central no veiculo egoico destrói - na quarta iniciação - as três expressões circundantes. Elas desaparecem, e então, a assim chamada destruição do corpo causal tem lugar. Esta é a verdadeira "segunda morte" - a morte de toda a forma.

Isto é praticamente tudo que posso dizer-lhes a respeito do processo de projeção. É um processo vivo, crescendo a partir da experiência diária consciente e dependente da expressão dos aspectos divinos na vida do plano físico, tanto quanto possível. Onde há um esforço para aproximar a vida da personalidade aos reclamos da alma e usar o intelecto para o bem da humanidade, o amor está começando a controlar; e a seguir, o significado do "divino sacrifício" é crescentemente compreendido e torna-se uma natural e espontânea expressão da intenção individual. Então, torna-se possível projetar a ponte. A vibração é então estabelecida nos níveis inferiores da manifestação divina e torna-se suficientemente forte para provocar resposta dos níveis superiores. Então, quando a Palavra de Poder é conhecida e corretamente usada, a ponte é rapidamente construída.

Os estudantes não precisam sentir-se desencorajados por este quadro. Muita coisa pode acontecer nos planos internos onde haja correta intenção assim como intenção oculta (propósito e tensão combinados), e a ponte alcança etapas de definido contorno e estrutura muito antes do discípulo aperceber-se disso.

4. Invocação e Evocação. As três etapas precedentes marcam, na realidade, as três etapas do trabalho da personalidade. As três restantes são expressões da resposta dos níveis superiores da vida espiritual; além de indicá-las brevemente, pouca coisa há que eu possa pôr em palavras. A tarefa da Invocação, baseada na Intenção, Visualização e Projeção, já foi cuidadosamente realizada pelo discípulo e ele tem, pelo menos, alguma percepção clara quanto ao trabalho que ele realizou pelos meios duais de viver espiritual e trabalho ocultista técnico e científico. Ele próprio é invocativo. O efeito de sua vida está registrado nos níveis superiores de consciência e ele é reconhecido como "um ponto de tensão invocativa". Esta tensão e este reservatório de energia vivente que é o próprio discípulo, é posto em movimento pelo pensamento projetado, o uso da vontade e o soar de uma Palavra ou Frase de Poder.

O resultado é que esta potência desenvolvida e seu raio de influência são agora suficientemente fortes para evocar uma resposta da Tríade Espiritual. Há então uma saída em direção ao aspecto do antahkarana, construída pelo discípulo, por onde a vida da alma e do corpo podem viajar. O Pai (a Mônada), trabalhando através do fio, agora adianta-se para encontrar o Filho (a alma, enriquecida pela vida de experiência da personalidade nos três mundos), e dos níveis superiores é enviada uma linha de responsiva projeção de energia, a qual, eventualmente, faz contato com a projeção inferior. Assim está construído o antahkarana. A tensão do inferior evoca a atenção do superior.

Este é o processo técnico de invocação e evocação. Há uma aproximação gradual de ambos os aspectos divinos. Pouco a pouco, ambas as vibrações se tornam reciprocamente mais fortes. Chega então o momento quando o contato entre as duas projeções é feito na meditação. Este não é um contato entre alma e personalidade (a meta do aspirante), mas um contato entre a energia fundida de alma e personalidade e a energia da Mônada, trabalhando através da Tríade Espiritual. Isto não constitui um momento de crise, mas é da natureza de uma Chama de Luz uma realização de liberação, e um reconhecimento do fato esotérico de que um homem é, ele próprio, o Caminho. Não mais há o sentido de personalidade e alma ou de ego e forma, mas simplesmente do Uno, funcionando em todos os planos como um ponto de energia espiritual e chegando à esfera una de atividade planejada por meio do caminho de Luz. Ao considerarmos este processo, as palavras tornam-se totalmente inadequadas. Nesta etapa, quando muito avançada, não há forma que esteja atraindo a Mônada à manifestação externa. Não há modo pelo qual o chamado da matéria ou da forma possa evocar da Mônada uma resposta. Permanece somente a grande pulsão da consciência da humanidade como um todo, e para esta, a resposta pode ser feita por intermédio do antahkarana já completado. Para baixo - ou melhor, através desta ponte - a descida pode ser feita à vontade para servir à humanidade e realizar a vontade de Shamballa.

Esta é uma afirmação da consumação final. Porém, antes que isso possa ter lugar em sua perfeita inteireza, tem de haver um longo período de gradual aproximação dos dois aspectos da ponte - o superior emanando da Tríade Espiritual, em resposta ao impulso monádico, e o inferior, emanando da personalidade, auxiliado pela alma - através da brecha da mente separativa. Finalmente, o contato entre aquilo que a Mônada projeta e aquilo que o discípulo está projetando é feito, e então seguem-se a quinta e a sexta etapas.

5. e 6. Estabilidade e Ressurreição. A ponte está agora construída. Delgados e tênues podem ser os fios no começo, mas o tempo e a ativa compreensão lentamente tecerão um fio após outro até que a ponte fique terminada, firme e forte e capaz de ser usada. Forçosamente ela tem de ser usada, porque agora não há nenhum outro meio de intercâmbio entre o iniciado e Aquele Que ele agora sabe ser ele próprio. Ele ascende, em plena consciência, para a esfera da vida monádica; ele ressurge da caverna escura da personalidade para a resplandecente luz da divindade; ele não é mais apenas uma parte da humanidade e também um membro da Hierarquia, mas pertence à grande companhia Daqueles Cuja vontade é conscientemente divina e Que são os Guardiões do Plano. Eles respondem à impressão vinda de Shamballa e estão sob a direção dos Cabeças da Hierarquia.

A "liberdade dos três centros" é Deles. Eles podem expressar à vontade a tripla energia da Humanidade, a energia dual da Hierarquia e a energia una de Shamballa.

Essa, meus irmãos, é a meta do discípulo quando ele começa a trabalhar na construção do antahkarana. Reflitam sobre estes assuntos e prossigam com o trabalho. (Em algumas de suas Palestras para os Discípulos, o Tibetano faz os seguintes comentários que se aplicam aqui com peculiar força - A. A. B.)

"Sua maior necessidade é uma intensificação de sua aspiração espiritual interna. Vocês precisam trabalhar definidamente a partir daquilo que pode ser chamado um ponto de tensão. Estudem o que foi dito sobre tensão e intensidade. É a intensidade de propósito que transformará vocês do labutador razoavelmente satisfatório no discípulo cujos coração e mente estão ardendo. Porém, vocês talvez prefiram prosseguir equilibradamente, sem qualquer esforço grupal, fazendo do seu trabalho para mim e para o grupo uma parte ordenada da vida diária, a qual vocês poderão ajustar à sua vontade, e na qual a vida do espírito recebe sua razoável porção, onde o aspecto do serviço não é negligenciado, e a apresentação da sua vida é cuidadosamente balanceada e desenvolvida sem grande tensão. Quando é este o caso, isso pode ser a escolha da personalidade ou a decisão da alma para uma determinada vida, mas significa que você não é o discípulo, com tudo subordinado à vida do discipulado.

"Gostaria aqui de destacar duas coisas. Primeiro: se você puder mudar sua tensão de modo que você seja dirigido pela vida do espírito, isso acarretará uma galvânica sublevação em sua vida interior. Estará você preparado para tal? Segundo: isso não provocará qualquer mudança exterior em seus relacionamentos com o meio ambiente. Suas obrigações e seus interesses externos precisam continuar a serem atendidos, porém, eu estou falando em termos de orientações internas, decisões dinâmicas internas, e uma organização interna para o serviço e para o sacrifício. Talvez vocês prefiram o caminho mais fácil e mais lento? Se assim for, isso é algo inteiramente pessoal, e vocês estarão ainda seguindo o seu caminho. Vocês serão ainda uma pessoa construtiva e útil. Aqui, estou apenas fazendo-os ver uma das crises que chega à vida de todos os discípulos, onde escolhas têm de ser feitas que são determinantes para um ciclo, mas um ciclo apenas. É predominantemente uma questão de rapidez e de organizarem-se para a rapidez. Isto significa eliminar o que não é essencial e concentrarem-se nas coisas essenciais - essenciais internamente, uma vez que elas dizem respeito à alma e sua relação com a personalidade, e as coisas externas no que dizem respeito a vocês e seu meio ambiente.

"Quero dar-lhes aqui três pensamentos-chave para profunda reflexão durante os próximos seis meses; meditem sobre eles, um a cada mês, durante três meses, na cabeça, e durante os segundos três meses, meditem sobre eles no coração. Os pensamentos-chave são:

1. A necessidade da rapidez.

2. A reorganização de modelos de pensamento e de vida.

3. A expressão de: Sinceridade, Sacrifício, Simplicidade."

Nos muitos fios de luz tecidos pelos estudantes, discípulos e iniciados do mundo, podemos ver o antahkarana grupal aparecer gradualmente - aquela ponte por meio da qual a humanidade como um todo poderá abstrair-se da matéria e da forma. A construção deste antahkarana é o maior e máximo serviço que todos os verdadeiros aspirantes podem prestar.

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