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A CIÊNCIA DO ANTAHKARANA


Apresentação

1 - A Ciência do Antahkarana. Refere-se ao modo de vencer o vazio que existe na consciência do homem entre o mundo da experiência humana comum, o mundo tridimensional da atividade física-emocional-mental, e os níveis superiores do chamado desenvolvimento espiritual, que é o mundo das ideias, da percepção intuitiva, da visão e compreensão espiritual.

2 - Métodos de Construção do Antahkarana. Isto leva à conquista das limitações - física e psicológica - que restringem, no homem, a livre expressão da divindade inata. Aqui podemos apenas preparar o terreno para este ponto porque o assunto envolve práticas de meditação avançada, a que se deve chegar gradualmente.

Na filosofia esotérica somos ensinados que no plano mental há três aspectos da mente, ou daquela criatura mental que denominamos um homem. Esses três aspectos constituem a parte mais importante de sua natureza:

1 - Sua mente concreta inferior, o princípio do raciocínio. É a este aspecto do homem que nossos processos educacionais se dedicam.

2 - O Filho da Mente a que chamamos Ego ou Alma. Este é o princípio da inteligência e é denominado por muitos nomes na literatura esotérica, tais como o Anjo Solar, os Agnishvattas, o princípio Crístico, etc. Com este, a religião no passado afirmou ocupar-se.

3- A mente abstrata superior, o guardião das ideias, mensageiro da iluminação para a mente inferior, desde que essa mente inferior esteja em comunicação com a alma. Deste mundo das ideias a filosofia tem declarado ocupar-se.

Poderíamos denominar estes três aspectos:

A mente receptiva, a mente com a qual lidam os psicólogos.
A mente individualizada, o Filho da Mente.
A mente iluminada, a mente superior.

A lacuna entre a mente inferior e a alma tem de ser preenchida e, por estranho que pareça, a humanidade sempre o percebeu e daí ter, consequentemente, falado em termos de alcançar a unidade, ou fazer a unificação, ou efetuar o alinhamento. São todas tentativas para expressar esta verdade percebida intuitivamente.

A educação, como abordada pela Filosofia Esotérica é, por isso, a Ciência do Antahkarana. Esta ciência e este termo são a maneira esotérica de expressar a verdade sobre a necessidade desta construção da ponte. O antahkarana é a ponte que o homem constrói - através da meditação, da compreensão e do mágico trabalho criativo da alma - entre os três aspectos da natureza de sua mente. Por essa razão, os objetivos primordiais da educação vindoura serão:

1 - Produzir o alinhamento entre mente e cérebro através da correta compreensão da constituição interna do homem particularmente do corpo etérico e dos centros de força.

2- Edificar, ou construir, uma ponte entre cérebro-mente-alma, produzindo assim uma personalidade integrada, que seja uma firme expressão do desenvolvimento da alma, moradora interna.

3- Construir a ponte entre a mente inferior, a alma, a mente superior, para que a iluminação da personalidade se torne possível.

Os estudantes deveriam, portanto, treinar-se para distinguir entre o sutratma e o antahkarana, entre o fio da vida e o fio da consciência. Um é a base da imortalidade e o outro é a base da continuidade. Aqui jaz uma excelente distinção para o pesquisador. Um fio (o sutrattma) conecta e vivifica todas as formas num todo funcionante e personifica em si mesmo a vontade e o propósito da entidade manifestante, seja ela homem, Deus ou um cristal. O outro fio (o anntahkarana) personifica a resposta da consciência, dentro da forma, a uma firme expansão gradativa de contactos no interior do todo envolvente.

O sutratma é a corrente direta de vida, intacta e imutável, que pode ser considerada, simbolicamente, como uma corrente direta de energia vivente fluindo do centro para a periferia, e da origem para a expressão externa ou a aparência fenomênica. É a vida. Gera o processo individual e o desenvolvimento evolutivo de todas as formas. É, portanto, o caminho da vida, que vem da mônada à personalidade, através da alma. Este é o fio da alma e é uno e indivisível. Ele transporta a energia da vida e encontra seu ancoradouro final no centro do coração do homem e em algum ponto focal central em todas as formas da expressão divina. Nada é e nada permanece senão a vida.

O fio da consciência (antahkarana) é o resultado da união da vida e da substância ou das energias básicas que constituem a primeira diferenciação em tempo e espaço; isso ocasiona algo diferente, que somente emerge como uma terceira manifestação divina, depois que a união das dualidades básicas tenha tido lugar. É o fio que é tecido como um resultado do aparecimento da vida na forma sobre o plano físico. Falando simbolicamente outra vez, poderia ser dito que o sutratma trabalha de cima para baixo e é a precipitação da vida na manifestação exterior. O antahkarana é tecido, evolui e é criado como o resultado desta criação primária e trabalha de baixo para cima, de fora para dentro, do mundo do fenômeno exotérico para o mundo do significado e das realidades subjetivas.

Este Caminho de Retorno, por meio do qual a humanidade se retira da ênfase exterior e começa a reconhecer e registrar aqueles conhecimentos de consciência interior daquilo que não é fenomênico, já atingiu (através do processo evolutivo) um ponto de desenvolvimento no qual alguns seres humanos podem seguir ao longo deste caminho, da consciência física à emocional e da emocional à mental. Essa parte do trabalho já está completada em muitos milhares de casos e o que é aqui requerido é o uso hábil e correto deste poder. Este fio de energia, colorido pela sensível resposta consciente, é mais tarde colorido pela consciência discriminatória da mente, e isso produz aquela integração interior que, finalmente, torna o homem um eficiente ser pensante. A princípio, este fio é usado meramente para interesses egoístas inferiores; torna-se firmemente mais forte e mais potente à medida que o tempo passa, até que seja um fio definido, claro, resistente, vindo da vida física exterior, de um ponto dentro do cérebro, direto ao mecanismo interior. Este fio, entretanto, não é identificado com o mecanismo, mas com a consciência no homem. Por meio deste fio um homem se torna consciente de sua vida emocional em suas muitas formas (observai esta fraseologia), e através disso ele se torna consciente do mundo do pensamento; aprende a pensar e começa a funcionar conscientemente no plano mental no qual os pensadores da raça em número firmemente crescente - vivem, se movem e têm o seu ser. Cada vez mais ele aprende a palmilhar este caminho da consciência e, em consequência, cessa sua identificação com a forma exterior animal e aprende a identificar-se com as qualidades e atributos interiores. Ele vive primeiro a vida de sonhos e depois a vida de pensamento. Então, chega o tempo quando este aspecto inferior do antahkarana está completo e a primeira grande unidade consciente é consumada. O homem é uma personalidade viva, integrada, consciente. O fio da continuidade entre os três aspectos inferiores do homem é fixado e pode ser usado. Ele se estende, se tal termo pode ser usado (minha intenção é inteiramente pictórica), do centro da cabeça à mente, que é, por seu turno, um centro de energia no mundo do pensamento. Ao mesmo tempo, este antahkarana é entretecido com o fio da vida ou o sutratma que emerge do centro do coração. O objetivo da evolução na forma está, agora, relativamente completo.

Quando este objetivo tenha sido alcançado, a sondagem sensitiva do universo ambiental prossegue ainda. O homem tece um fio que é como o fio que a aranha tece tão admiravelmente. Ele alcança mais longe ainda no seu possível ambiente e, então, descobre um aspecto de si mesmo do qual pouco havia sonhado nos estágios anteriores de seu desenvolvimento. Ele descobre a alma e então atravessa a ilusão da dualidade. Este é um estágio necessário, mas não permanente. Caracteriza o aspirante deste ciclo mundial; talvez eu devesse dizer deste manvantara ou período mundial. Ele procura unir-se à alma, identificar a si mesmo, a personalidade consciente, com aquela sobrepujante alma. É neste ponto, tecnicamente falando, que a verdadeira construção do antahkarana deve começar. É a ponte entre a personalidade e a alma.

O reconhecimento disto constitui o problema com que o moderno educador é levado a se deparar. É um problema que sempre existiu, mas que disse respeito ao indivíduo mais do que ao grupo. Agora concerne ao grupo, pois tantos dos filhos dos homens estão prontos para esta construção. Através das idades os indivíduos têm construído suas pontes individuais entre o superior e o inferior, mas tão vitorioso tem sido o processo evolutivo que hoje chegou a ocasião para uma compreensão grupal desta técnica emergente, para uma ponte grupal, levando a uma consequente revelação grupal. Isto proporciona a moderna oportunidade no campo da educação. Indica a responsabilidade do educador e destaca a necessidade de uma nova revelação nos métodos educacionais. O aspirante grupal precisa ser encontrado e o antahkarana grupal deve ser construído. Isto, entretanto, quando corretamente compreendido, não negará o esforço individual. Este, sempre deve ser encontrado; mas a compreensão grupal ajudará o indivíduo cada vez mais.

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