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AS INICIAÇÕES


O ASPIRANTE E OS MISTÉRIOS DA INICIAÇÃO

Vamos agora tomar o nosso primeiro ponto nesta seção e ver o quê realmente queremos dizer pela gasta expressão “portal da iniciação", e em que se constitui a diferença ente o portal que se encontra diante do discípulo e aquele com que se defronta o Mestre.

A ENTRADA DOS DOIS PORTAIS DA INICIAÇÃO

Naturalmente, é óbvio para vocês que o uso da palavra “portal é puramente simbólico; a interpretação dada à palavra pelo estudante comum esotérico e o teósofo ortodoxo é a de um ponto de entrada, significando que esse ponto oferece uma oportunidade para passar para uma nova experiência e nova revelação - em grande parte consideradas por ele como a devida recompensa por sua disciplina e aspiração. Essa é uma interpretação grandemente baseada no desejo e é de importância totalmente secundária.

O Portal da Iniciação

O real significado que subjaz as palavras “portal da iniciação" é o de obstrução, de algo que barra o caminho, daquilo que precisa ser aberto, ou daquilo que esconde ou se interpõe entre o aspirante e seu objetivo. Este é um significado muito mais exato e muito mais útil para o aspirante apreender. O quadro de um homem percorrendo o Caminho da Evolução até que, de súbito, um dia ele se vê diante de uma porta aberta por onde ele pode alegremente passar, não tem a menor semelhança com a verdade. A ideia de que um homem de boa índole e possuidor de certos desenvolvimentos de caráter como os que estão descritos nos livros de Annie Besant, tais como A Câmara Aberta e O Caminho do Discipulado, os quais condicionam os aspirantes teosóficos, é extremamente enganosa. Esses livros são muito úteis e devem ser cuidadosamente estudados pelo homem que está no Caminho da Provação, mas não são úteis para o discípulo, pois o levam a pôr a ênfase na direção errada, e a focalizar aquilo que já deveria estar desenvolvido. Naturalmente, o desenvolvimento do caráter tem de estar presente e presumivelmente estável no equipamento do homem; contudo, estas características têm pouco peso na iniciação e no atravessar “o portal” no Caminho. Elas apenas indicam o ponto alcançado no Caminho da Evolução, como resultado de experimento, experiência e expressão contínua, e devem ser comuns a todos os aspirantes que alcançaram o ponto que os põem diante do discipulado; são desenvolvimentos inevitáveis e representam simplesmente a reação da personalidade ao tempo e à experiência. É eternamente verdade que ninguém pode atravessar este portal a menos que estas indicações de caráter estejam desenvolvidas, porém, isso se deve ao fato de que o aspirante progrediu até uma determinada etapa de desenvolvimento e agora tem, automaticamente, uma determinada medida de autocontrole, de compreensão mental e de pureza.

Quero destacar também que mesmo o mago negro possui estas qualidades, pois elas são o fator sine qua non de toda a arte mágica, seja ela negra ou branca; o mago negro passa pela porta da iniciação ao se abrir duas vezes para as duas primeiras iniciações. Ele as atravessa pela força da sua vontade e dos dons de seu caráter e porque o aspecto de consciência grupal de sua alma está ativo nele tal como em seu irmão que procura afiliação à Grande Loja Branca. Todavia, falta, no mago negro, o aspecto amor. Não se esqueçam que tudo é energia e nada mais há a não ser energia. A energia que é um aspecto da alma e que nós chamamos de atração magnética - a qualidade construtora de grupo - ela a partilha com o aspirante espiritual. Ele é, essencialmente, consciente do grupo, e embora seus motivos sejam separatistas, seus métodos são os métodos do grupo, os quais ele só pode obter a partir da alma.

Aqui está novamente outra razão porque a primeira e segunda iniciações não são consideradas pela Loja dos Mestres como iniciações maiores. Somente a terceira é assim considerada, porque nessa iniciação toda a vida da personalidade é inundada pela energia vinda da Tríade Espiritual, através das “pétalas de sacrifício” do aspecto vontade e propósito da alma. O mago negro não responde a este tipo de energia. Ele pode responder - como realmente o faz - ao conhecimento - antiquíssimo e arduamente conquistado - armazenado nas “pétalas do conhecimento” da alma; ele pode apropriar-se e utilizar-se da energia de atração (erroneamente chamada amor por alguns estudantes) armazenada nas “pétalas do amor" da alma, mas não consegue responder a, e utilizar-se da, energia do amor divino, operando no Plano divino que controla todo conhecimento e o converte em sabedoria, e que aciona e clarifica o motivo que impulsiona à ação a amorosa atração magnética e que nós chamamos de verdadeira consciência e coesão grupais. É neste ponto que os dois caminhos - o das trevas e o da luz - se tornam grandemente divergentes. Até que a terceira iniciação seja alcançada, a miragem pode condicionar a atitude daqueles que estão procurando compreender a vida de um homem no Caminho e eles podem enganar-se e tomar por real aquilo que é espúrio. O mago negro leva uma vida disciplinada, análoga à do aspirante espiritual, ele pratica a pureza para sua própria salvaguarda e não para que ele possa tornar-se um canal para a energia da luz; ele trabalha com poder (o poder da atração magnética), com e nos grupos, porém o faz para seus próprios fins egoístas e para a satisfação de seus ambiciosos propósitos. Porém, quando da terceira iniciação, chega ao verdadeiro iniciado espiritual a revelação que é a recompensa da perseverança e pureza corretamente motivadas - a revelação do propósito divino, quando a alma o registra em termos de plano hierárquico, embora ainda não em termos da Mônada. A este propósito e à amorosa Vontade de Deus (para usar uma vulgar expressão cristã), o irmão negro não pode responder; suas metas são diferentes. Eis aqui o verdadeiro significado da mal compreendida, mas frequentemente usada expressão, “a separação dos caminhos”.

Porém, os dois grupos de aspirantes (o negro e o branco) apresentam-se diante do portal da iniciação e dão os passos necessários para abri-la em duas ocasiões semelhantes. Ambos vencem a miragem depois da segunda iniciação, e veem, com clareza, o caminho que se estende à sua frente; suas metas, porém, revelam-se grandemente diferentes. Uma segue o largo caminho que conduz, cada vez mais profundamente, para a matéria e o materialismo, para as trevas e o “poder negro"; a outra conduz ao caminho estreito e reto, ao caminho do fio da navalha que leva à luz e à vida. Um grupo jamais se libertou dos princípios que governavam o primeiro sistema solar. Tais princípios estavam inteiramente relacionados com a matéria e a substância, e eram nessa época e período - tão remotos que o número de anos de distância só poderia ser expresso em algarismos superastronômicos - os fatores condicionantes para a iniciação na época. Certos indivíduos existentes nessa humanidade estavam tão completamente condicionados por esses princípios materiais e tão deliberadamente despreparados para avançar para a compreensão de outro conjunto de princípios (mais expressivos da natureza divina) que permaneceram no “fixo e egoístico propósito material” e criaram inteligentemente uma distorção planejada da vontade divina. Têm vocês aqui uma alusão quanto à natureza do mal e uma pista para uma parte - e apenas uma parte - do mistério a ser notado na declaração de que o mal e o bem são aspectos inversos de uma mesma realidade, e que o mal é aquele mesmo bem que já deveria ter sido deixado para trás, passando para um bem maior e mais inclusivo. Não se esqueçam que os magos negros de hoje foram os iniciados de um sistema solar anterior. Quando o portal da iniciação está pronto para abrir-se pela terceira vez, tem então lugar a separação dos caminhos. Alguns seguem a intenção egoísta e a fixa determinação de permanecer com a condição separatista da matéria; para outros, a divina vontade está claramente impressa sobre eles, e torna-se o poder motivador em suas vidas. É sob as instruções da Grande Loja Branca de Sirius que a porta permanece fechada, na terceira vez, para os irmãos negros. O mal, como nós o compreendemos, não encontra lugar em Sirius.

Nesta terceira oportunidade, o portal da iniciação apresenta, ao mago negro, uma barreira e obstáculo insuperáveis; para o verdadeiro neófito espiritual, o portal indica "conquista”. Não mais trataremos da aproximação dos irmãos negros a esse portal, mas nos limitaremos a uma consideração das iniciações da Grande Loja Branca.

Esse portal de iniciação está relacionado com o grande problema daquilo que H.P.B. chama o “mistério da eletricidade”; a porta é, em si mesma, essencialmente um fenômeno elétrico. Tendo dito isto, mesmo que vocês não tenham alcançado o seu sentido, vocês podem, contudo, aquilatar a possibilidade de que - sendo de natureza elétrica - ela pode facilmente apresentar uma força de obstrução, uma energia repulsora à aproximação do aspirante; é esta a maneira correta de encarar o problema. Somente quando a energia elétrica da qual o portal é constituído e a energia da qual um homem é construído, em qualquer tempo em particular, se sincronizam e vibram em uníssono, é que o aspirante pode atravessar para uma luz maior. Isto lhes dá uma nova, ainda que abstrusa, definição de iniciação. Não obstante, à medida que a ciência chegar a um entendimento melhor do ser humano como uma unidade elétrica de força e luz, e do seu triplo mecanismo como criado de três aspectos de eletricidade, resultará daí uma compreensão mais verdadeira do significado da iniciação. Os três fogos, dos quais todas as coisas são feitas, são de natureza elétrica e - falando simbolicamente - somente quando o “fogo por fricção” é dominado pelo “fogo solar” é que as quatro iniciações podem ser feitas, culminando na quinta iniciação, na qual estes dois fogos ficam subordinados ao “fogo elétrico” emanando da mônada e trazendo uma nova revelação. Este processo monádico começa na terceira iniciação. Podemos acrescentar que a terceira iniciação, culminando na Transfiguração, é feita nos três níveis superiores do plano mental, e que é, portanto, no quarto nível do plano mental que o aspirante se encontra, pela primeira vez, diante do portal, buscando a iniciação. Esta unidade elétrica ou fenômeno de eletricidade que nós chamamos de quarto reino da natureza, neste quarto subplano do plano mental “ejeta" a unidade de eletricidade que está pronta para ser absorvida pela forma superior de eletricidade. O fogo por fricção se apaga e o fogo solar toma o seu lugar, e o relacionamento entre as duas formas superiores de eletricidade fica estabilizado.

É o fogo solar que forma e igualmente guarda o portal para as quatro primeiras iniciações. É o fogo elétrico que forma o portal da iniciação para aquelas iniciações que guardam o Caminho para a Iniciação Superior.

Há quatro tipos de fogo por fricção os quais criam o “portal de obstrução", em concordância com o fogo solar, do qual ele é essencialmente criado. São eles:

1. Energia elétrica, composta de duas forças de eletricidade: a inata, inerte e latente força dos átomos do plano físico do veículo físico denso, e a força que nós chamamos prana, que é um aspecto da energia que compõe o corpo etérico. Estas duas forças se misturam e combinam e formam o “portal" através do qual o homem espiritual tem de passar quando ele se submete à primeira iniciação. Esta energia estimuladora põe à prova todas as partes de seu equipamento físico e, quando ele é aprovado no teste, o portal abre-se, as energias opositoras, simbolicamente, se desvanecem, e ele pode passar para o Caminho da Iniciação, livre daquele tipo de obstrução. O corpo físico não mais o governa, seja por meio de suas limitações e falhas ou por meio das disciplinas físicas que até então foram necessárias, mas que não mais o são.

2. A energia elétrica do corpo astral, ou emocional, com a qual ele se depara ao preparar-se para receber a segunda iniciação. Podem chamar esta energia, se quiserem, de soma total de todas as miragens, sendo que uma miragem é, essencialmente, uma forma de energia que é desnorteadora, enganadora e ilusória que procura desviar o neófito e que é atraído para ele pelos velhos hábitos e controles. Ele, por conseguinte, é responsável pelo impacto desta energia, a qual toma forma e o agregado de formas destas miragens constituem a porta opositora que impede a passagem do aspirante para a fase seguinte do Caminho. É com esta energia elétrica que ele tem de ocupar-se antes de receber a segunda iniciação. Estas energias em questão não são pensamentos-forma: são extremamente fluídicas, indefinidas e erráticas. A água é o símbolo desta energia e esta é uma razão porque esta segunda iniciação é chamada a iniciação do Batismo, ou a iniciação da “entrada na corrente".

3. A energia elétrica da mente cria, agora, o portal para a terceira iniciação, e a obstrução diante do iniciado é criada pelos fragmentos elétricos de seu próprio pensamento, brilhando com uma luz que é inteiramente sua (pois eles são da mais elevada ordem e tipo), mas velando a pura luz que brilha por trás deles. Esses fragmentos constituem a soma total da ilusão. Este “portal” é formado pela reunião dos três tipos de energia: o fogo por fricção, o fogo solar (em plena atividade nesta terceira iniciação), e fogo elétrico da Tríade Espiritual, fazendo seu primeiro impacto sobre os outros dois fogos, pois todos os três estão em plena atividade quando desta crise iniciatória. Todos estão localizados e concentrados naquele símbolo de progresso - o “portal da iniciação”. Deveria tornar-se cada vez mais claro para vocês porque o iniciado é descrito como alguém que trabalha com forças e energias do planeta e do sistema. Para ele, nada mais existe.

4. O quarto tipo de “fogo por fricção" que se apresenta ao iniciado quando ele está preparado para a iniciação que chamamos a Grande Renúncia é a energia elétrica da personalidade integrada. Aquilo que é o produto de cada encarnação - a chamada altamente desenvolvida, poderosa e “esclarecida” personalidade - é o evento final e apresenta a última grande obstrução.

Na história bíblica, há dois grandes episódios na vida do Mestre Jesus que lançam alguma luz sobre esta quarta entrada pela porta da iniciação: a Transfiguração e a Crucificação, pois em ambas, os três aspectos da personalidade estão simbolizados. No primeiro caso, eles estão simbolizados pelos três apóstolos que, perplexos e com profunda humildade, tomaram parte na terceira iniciação, a Transfiguração; no segundo caso, os três aspectos foram representados pelas três Cruzes - os dois ladrões e o Mestre central. A diferença na quarta iniciação é definida; reside no fato de que os quatro aspectos da personalidade (contando o corpo físico denso como um aspecto e o veículo etérico como um segundo aspecto do corpo físico) estão envolvidos, pois esta quarta emanação do fogo por fricção tem um potente e destrutivo efeito sobre o corpo físico denso. A Grande Renúncia envolve a rejeição da vida física a qualquer custo, e isso frequentemente envolve sua morte física.

A Grande Renúncia, ou quarta iniciação, tem, portanto, dois aspectos: a implicação exterior ou o acontecimento objetivo diante dos olhos do observador no plano físico, e o aspecto subjetivo simbolicamente retratado pelas três Cruzes e aqueles que nelas estão crucificados.

As implicações que surgem deste simbolismo não são facilmente vistas, mesmo quando o significado superficial é aparente, porque esse significado superficial oculta e vela uma realidade universal. O Mestre Jesus atravessou a porta da quarta iniciação e superou os empecilhos finais oferecidos por Sua personalidade aperfeiçoada. Todos os quatro aspectos de Sua personalidade participaram no acontecimento, e os quatro aspectos obstruíram eletricamente Sua passagem por esse portal, até o ponto de sua completa destruição - levando à destruição final. Algo universal estava aí simbolizado, algo, porém, que nada tinha a ver com o Iniciado Mestre Jesus.

Este simbolismo e seu significado estão relacionados com as três Cruzes que ficaram lado a lado e com a relação entre aqueles nelas pendurados. Nas três figuras, a própria humanidade está retratada e também relacionada à Hierarquia, e este "evento pictórico” é um paralelo ao outro já abordado - a iniciação do Mestre Jesus. Na Crucificação, nesta quarta passagem pela porta da iniciação e na encenação deste evento, duas grandes e diferentes individualidades - o Mestre Jesus e o Salvador Mundial, o Cristo - estão envolvidas; dois grandes acontecimentos estão indicados, mas a Igreja Cristã confundiu os dois e, sem discriminação, relacionou ambos ao Mestre Jesus. Todavia, um evento foi uma ocorrência hierárquica, e o outro foi uma grande crise humana; um foi a entrada de um iniciado nos Mistérios da morte, envolvendo, no processo, os quatro aspectos de Sua natureza; o outro foi a dramática representação para a humanidade de três grupos que são encontrados dentro da família humana:

1. O homem não regenerado, representado pelo ladrão impenitente.

2. O aspirante em luta, movendo-se conscientemente para a libertação, simbolizado pelo ladrão arrependido.

3. A Hierarquia, composta de todos aqueles que já passaram para a libertação através da experiência humana, e desse modo representam para nós uma garantia da conquista espiritual.

Os estudantes fariam bem em manter em mente nitidamente distinta esta figura quádrupla e este símbolo tríplice, pois a conquista individual e as possibilidades grupais estão igualmente envolvidas; contudo, cada uma é distinta; num caso, o participante é o Mestre Jesus, e no outro, uma ocorrência mais esotérica é Aquele Que O abrange, o Cristo. Foi o Mestre Jesus que “morreu" e entrou na tumba, assim atingindo o clímax de Sua longa série de encarnações e pondo um fim - por meio da destruição - ao domínio da matéria sobre o espírito; através da tumba, Ele passou para a Hierarquia, e o destino da Igreja Cristã Lhe foi entregue. Esse destino está ainda em Suas mãos. Mas, na história bíblica, é o Cristo Que dizem ter aparecido depois da ressurreição, e não o Mestre Jesus, exceto naquele breve episódio em que Ele aparece a Maria, que chora à porta do sepulcro. Os outros episódios são universais em suas implicações, como:

1. O Cristo caminhando com os dois discípulos na estrada para Emaus - um símbolo da dualidade essencial de espírito e matéria, tal como corporificados num Salvador Mundial.

2. O Cristo aparecendo aos discípulos no aposento superior, simbolizando o zodíaco, pois Judas Iscariotes lá estava, representando o signo em poder, na época; os outros onze discípulos representavam os demais signos pelos quais o sol teria de passar.

3. Pentecostes. Este evento não retrata o triunfo da cristandade ortodoxa, como os teólogos acreditam e ensinam; significa a disseminação universal da consciência crística, por todos os tempos, no coração de cada ser humano; disso dão testemunho as palavras e promessa: "Eis que estou convosco todos os dias, mesmo até o fim do mundo”.

É devido ao significado profundamente esotérico da Ressurreição e Ascensão e sua grande significância referente à consciência do Cristo, que muito pouco nos é dito sobre essas iniciações no Novo Testamento, exceto vagas generalidades, contrastando com a riqueza de detalhes acerca das outras quatro iniciações. Quatro dessas iniciações estão relacionadas com o “portal de iniciação” como entendida ocultamente e com a interpretação que nos é familiar; as quatro estão relacionadas também como com o “fogo por fricção” elétrico do qual o portal é construído, e que se espalha para criar o solo ardente que o iniciado tem de cruzar quatro vezes para “entrar por esse portal”.

As outras duas iniciações (vagamente chamadas de Ressurreição e Ascensão) estão relacionadas com o chamado segundo “portal”, o qual não é, no mesmo sentido, uma obstrução como o primeiro portal, uma vez que esse segundo portal abre-se para o Caminho da Evolução Superior. O primeiro portal, simbolicamente, admite o iniciado ao “coração do Sol”, enquanto que o segundo - num sentido bastante misterioso - indica a rota que deve ser seguida pelo iniciado liberado que procura penetrar no Sol Espiritual Central - ao qual eventualmente todos os sete Caminhos conduzem.

O Portal para o Caminho da Evolução Superior

Escrevo agora para aqueles iniciados que já passaram pela terceira iniciação e cuja personalidade está dominada pela alma e que “para sempre caminham na luz”. Será óbvio, portanto, que há relativamente pouco que eu possa dizer - no que tange ao verdadeiro significado - que seja compreensível para vocês que ainda não alcançaram esse estado. A chave para esse entendimento está em dar-se conta de que nossos sete planos são apenas os sete subplanos do plano físico cósmico, e que tudo que agora transpira na vida do iniciado simplesmente o libera da experiência física - tecnicamente física, mesmo nos planos átmico, monádico e logoico - para o vórtice de força que nós conhecemos e compreendemos como AMOR, ou para o plano astral cósmico. A nota, a qualidade e a influência do plano astral cósmico, é amor - a correspondência superior da emoção como vivenciada no plano astral da manifestação planetária ou solar. É, pois, para ter em mente que a Hierarquia está definidamente sob o impacto de energias que emanam do plano astral cósmico, enquanto Shamballa reage às influências vindas do plano mental cósmico. A correlacionada corrente de energia pode ser vista emanando:

1. do plano astral cósmico;
2. do plano búdico solar, refletido no nosso plano búdico planetário;
3. do plano astral, o plano de miragem nos três mundos.

Em relação à mente, temos:

1. o plano mental cósmico;
2. o plano átmico solar, refletido no nosso plano átmico planetário;
3. o plano mental, o plano da ilusão.

No que tange às referências à miragem e à ilusão (veja Miragem, Um Problema Mundial) é preciso ter em mente que a razão porque a miragem predomina e a ilusão funciona nos três mundos deve-se ao fato de que os homens identificam-se com o cérebro físico denso, e interpretam a vida em termos da experiência nos três mundos. Não existe um verdadeiro plano astral, sob o ângulo de identificações da personalidade, mas somente aquilo que pode ser considerado como invenções, criações, da imaginação; todavia, fundamentalmente e dando suporte àquilo que nós conhecemos como plano astral, está refletido o princípio cósmico do amor. Porém, sendo essencialmente um reflexo, falta-lhe a realidade básica sob o ângulo do verdadeiro discípulo e tem de ser ignorado como uma expressão da verdade fundamental; ao mesmo tempo, o plano astral existe sob o ângulo do Mestre, porque ele é uma expressão, na substância física cósmica, do amor cósmico. Sua potência, contudo, é tão grande que produz miragem naqueles que ainda não estão liberados. Os estudantes devem lembrar- se que a força focalizada produz a miragem onde a identificação errônea está envolvida, mas somente realidade e verdade quando estamos libertos do fator forma da vida. Portanto, temporariamente, não há plano astral para o discípulo que está retirando-se da identificação; há um campo de serviço para o Mestre que não mais tem o poder de identificar Sua consciência com coisa alguma nos três mundos; Ele pode, porém, relacionar fontes cósmicas com expressões de energias planetárias e solares.

À medida que formos estudando todo o assunto da iniciação e das iniciações superiores, veremos ser necessário lembrar sempre da relação de nossos sete planos com a série cósmica de planos. É, também, necessário ter em mente um fato frequentemente esquecido, mas que tem sido conhecido e ensinado desde que o moderno ocultismo começou a influenciar o pensamento humano: os quatro planos que indicam as mais altas influências espirituais possíveis, no que diz respeito à humanidade, são apenas - em última análise - os quatro subplanos etéricos do plano físico cósmico. Esses altos planos de nossa vida planetária são, pois, a fonte de toda energia e de toda atividade originadora em toda a nossa expressão e experiência planetárias. Esses quatro planos, como vocês já sabem, são:

1. O mais elevado Logoico - (Adi) Vida Logoico - 1o aspecto Vontade
2. O monádico - Mônadas humanas Universal - 2o aspecto Amor
3. O átmico 3o aspecto Inteligência
4. O búdico Razão pura Intuição

Este 4o, ou búdico, é uma fusão de 2 e 3, de amor e inteligência, e produz entendimento e percepção intuitivos.

Todas as influências e energias que prevalecem na nossa existência planetária fluem e criam os quatro planos acima mencionados, determinando assim a natureza do processo evolutivo a qualquer dado momento nos três mundos. Do ponto de vista de um Mestre, os quatro planos são compostos de forças que basicamente respondem às energias controladas pela Hierarquia e dirigidas por Shamballa e, finalmente, são por elas condicionadas. De um modo peculiar, e sob a Lei das Correspondências, os três planos inferiores - mental, emocional e físico - constituem os três subplanos físicos densos do plano físico cósmico e não são, consequentemente, considerados como incorporando princípios. Referindo-se ao nosso plano físico (o mais inferior subplano do plano físico cósmico), H. P. B. diz que ele não é um princípio, e isto se aplica também ao todo maior. O plano físico denso é matéria condicionada por um prévio sistema solar, e é quase automático em sua resposta às energias etéricas; estas constituem os corpos etéricos de todas as formas criadas desta “substância despida de princípio”, como é chamada no ocultismo.

Os três planos inferiores de nossos sete planos são, sob o ponto de vista do esoterista, a substância atômica densa igualmente desprovida de principio; a marca ou indicação do verdadeiro iniciado é a transferência de sua vida e seu ponto de identificação de substância desprovida de princípio e formas de substância para substância provida de princípio e formas etéricas. A tendência do estudante ocultista para pensar sempre em termos de abstração espiritual pode (e frequentemente o faz) militar contra uma percepção da verdade e apresentar um quadro falso à inteligência. Os fatos que acabei de enfatizar têm tudo a ver com a natureza das iniciações superiores. Peço-lhes que se lembrem disto.

A terceira iniciação, portanto, libera o iniciado dos planos da substância desprovida de princípio (as substâncias inferiores do plano físico cósmico), enquanto que as duas iniciações seguintes tornam possível que ele trabalhe com inteligência e amor nos dois níveis inferiores do plano etérico cósmico - o búdico e o átmico, os planos do amor espiritual e da vontade inteligente. O Caminho da Evolução Superior conduz através dos planos monádico e logoico (os dois níveis mais elevados do plano físico cósmico); quando os quatro planos do plano etérico cósmico estão completamente dominados e sob direção oculta, o iniciado se vê diante dos sete Caminhos e da escolha de palmilhar um ou outro deles. Sua escolha depende, naturalmente, da determinação do raio e da atividade passada, mas não obstante, é uma livre escolha, porque todas as limitações já foram removidas, qualquer identificação com as formas físicas é agora impossível, e a única limitação do iniciado é aquela imposta pela entrada nos níveis cósmicos de percepção com os quais ele ainda não está familiarizado. Tenham, pois, sempre em mente que a mais alta conquista espiritual dentro dos sete planos de nossa vida planetária como a reconhecemos, é inteiramente condicionada pelo fato de que eles são os sete subplanos do plano físico cósmico e são compostos de três planos físicos densos - nossos três mundos da evolução humana - e os quatro planos etéricos cósmicos - os quatro níveis do chamado desenvolvimento espiritual; estes são condicionados por três forças e quatro energias. Tenho enfatizado isto pela constante repetição devido à grande importância que o reconhecimento destes fatos terá para qualquer compreensão que vocês possam alcançar acerca do Caminho da Evolução Superior.

Depois do Mestre ter passado pela quinta iniciação, Ele - como sabem - atravessou e dominou o campo comum para a evolução humana; isto significa os três mundos comuns da experiência humana e os dois mundos do esforço super-humano, completando os cinco campos da atividade espiritual do homem. O amor e a inteligência estão agora perfeitamente desenvolvidos Nele, embora sua expressão e ênfase possam variar de acordo com os Seus raios; Ele está ciente do fato da Vontade, ou primeiro aspecto divino, com suas duas qualidades (ocultando uma terceira) de destruição e de propósito; Ele está tornando-Se ativo no segundo plano de nossa vida planetária, o plano monádico, e esse grande centro de vida, Shamballa, está tendo um definido efeito vibratório sobre Ele; também (e isto será incompreensível para vocês) Ele está ficando sensível ao raio de ação de energias e influências que agora pode registrar, devido à Sua crescente polarização monádica e ao Seu contato com Shamballa.

O plano astral cósmico torna-se, para o Mestre, um objetivo definido; Ele está começando a desenvolver uma grande sensibilidade em relação a esse nível de percepção, mas a consciência daquilo que está no interior da vida planetária - como Ele a conhece - impede que registre esta energia de puro amor cósmico como mais tarde Ele o fará. É este senso de limitação que O faz reconhecer o Portal para o Caminho da Evolução Superior, pois a quinta e a sexta iniciações O liberam para os estados de consciência átmica e monádica. Estas iniciações são, para o iniciado nesta etapa de desenvolvimento, o que a primeira e segunda iniciações são para o discípulo que está procurando palmilhar as primeiras etapas do Caminho da Iniciação. Elas poderiam ser consideradas como iniciações do limiar - uma levando à percepção dos níveis superiores do desenvolvimento consciente que a terceira iniciação (a primeira grande iniciação) inaugura, e a outra levando àqueles níveis de impressão, de contato e de futura ascensão que constituem a meta sétupla diante do Mestre quando a sexta iniciação (a verdadeira ascensão) é consumada. É por esta razão que esta iniciação é chamada Iniciação de Decisão. O Mestre, então, escolhe qual dos sete Caminhos ou Sendas Ele seguirá, porque Sua experiência de longas eras permite que Ele escolha qualquer um deles sabendo que Ele escolheu acertadamente. Embora estes sete Caminhos, sendo um dos setenatos, estejam necessariamente relacionados aos sete raios, eles não são caminhos do raio, nem estão eles sendo governados pelos sete raios. Qualquer um deles está aberto para um Mestre de Sabedoria, e Sua escolha não dependerá do Seu tipo de raio, embora Ele leve esse fator em consideração. Eles estão mais definidamente relacionados com os sete planos cósmicos do que com os sete raios. Veremos isto com maiores detalhes quando tratarmos do fator dos sete Ashrams que são campos “de prova” para todos os Mestres que estão diante da Iniciação da Decisão.

Os discípulos interessam-se pelos Ashrams mais a partir do ponto de vista de seu próprio desenvolvimento e tendem a esquecer que o progresso e propósito da vida do Mestre não só determinam a qualidade do Ashram, mas que Seu próprio desenvolvimento e Suas eventuais decisões estão estreitamente relacionadas ao Ashram que Ele controla. Não é fácil para os estudantes afastar sua atenção da relação do Ashram com a humanidade como um todo, ou perceber que esta relação é secundária para o Mestre Cuja principal preocupação é o desdobramento dos propósitos de Sanat Kumara e a conquista daquele estado de Ser que é significativo de Shamballa. Os estudantes precisam ter em mente que uma fase de preparação para o trabalho futuro é aquela que se segue à Iniciação de Decisão, e que isto depende do raio, da qualidade e do serviço prestado pelo Mestre à medida que Ele condiciona e controla Seu Ashram. Tentarei desenvolver mais este assunto no nosso próximo tópico. Todavia, é útil para aspirantes e discípulos, e acima de tudo, para os que se estão preparando para a iniciação e, consequentemente, já trabalhando num Ashram, alcançar este ponto de vista diferente e começar a desenvolver em si mesmos uma nova sensibilidade à impressão vinda de fontes mais elevadas do que a própria Hierarquia. Isto exige deles um tipo novo e mais elevado de orientação, e embora permaneça ainda inalcançável, há um definido valor de desenvolvimento na percepção do conceito e no esforço da mente abstrata e percepção intuitiva para se apropriar de e refletir sobre um conceito novo e inteiramente estranho. Este processo reflexivo superior representa, para o discípulo que está trabalhando num Ashram, o mesmo que a aspiração para o estudante no Caminho Probatório e etapas iniciais do Caminho do Discipulado.

Neste último caso, o corpo emocional do aspirante responde ao principio de budi, que o alcança através das pétalas do amor do lótus egoico; na situação mais elevada, o discípulo torna-se consciente (e apenas isso) da possibilidade de uma impressão que lhe chega vinda do plano astral cósmico, por intermédio dos níveis monádicos de percepção. Observe que eu digo - simplesmente a possibilidade - pois, nesta etapa, não se pode assegurar o reconhecimento desta meta; ela é uma impressão que representa para o discípulo preparando-se para uma das iniciações superiores o mesmo que uma teoria ocultista representa para um aspirante em níveis muito inferiores. O único modo pelo qual eu posso dar a mais leve ideia do alcance superior da consciência do iniciado será em referência às capacidades inferiores apreendidas, e a apresentação de verdades ainda sem definição, em termos daquilo que já foi definido e que - para estes estados superiores de percepção - têm a natureza de pensamentos semente.

Uma pequena apreensão da natureza da consciência de Shamballa emergirá à medida que estudamos esta seção do Tratado, pois os níveis superiores do plano etérico cósmico são permeados com energias que emanam do plano astral cósmico e do plano mental cósmico; estas energias agindo através de e direcionadas pelas grandes Vidas Que formam o núcleo permanente da Câmara do Conselho em Shamballa, constituem o poder condicionador, propulsor, motivador e relacionador por trás de todos os processos evolutivos nos níveis inferiores.

A vida e consciência da Hierarquia são, contudo, muito diferentes da vida e consciência Daqueles Que constituem o grande centro chamado Shamballa; o desenvolvimento da sensibilidade à crescente impressão superior, que é o resultado de cada etapa do processo iniciatório final, é o único modo em que a distinção e a meta se tornam aparentes. Assim como aqueles que leem e estudam estas ideias estão ocupados com conceitos e pensamentos totalmente incompreensíveis e completamente inexplicáveis e, às vezes, mesmo sem sentido para o homem comum, assim também há classes de pensamento e eternos conceitos extraplanetários que são igualmente desconhecidos e temporariamente inexplicáveis para o iniciado trabalhando num Ashram sob algum Mestre. Quando o estudante chega à compreensão de que a grande Unidade universal que ele associa à consciência monádica é apenas o registro de impressões localizadas (e, portanto, limitadas) e definidas dentro dos níveis etéricos do plano físico cósmico, ele pode, talvez, perceber as implicações da maravilha que será revelada ao iniciado que pode transcender todo o plano físico cósmico (nossos sete planos dos mundos humano, super-humano e divino) e funcionar em outro nível cósmico. Isto é o que o palmilhar o Caminho da Evolução Superior finalmente capacita um Mestre a fazer.

Um fato interessante surge de todo este trabalho comparativo e este modo de ensinamento analógico: o fato de que a palavra “espiritual” não se refere aos chamados assuntos religiosos, nem ao Caminho do Discipulado ou o Caminho da Iniciação Superior, mas sim, ao relacionamento em todos os níveis do plano físico cósmico com todos os níveis, do mais inferior ao mais elevado. A palavra “espiritual” diz respeito a atitudes, a relacionamentos, ao avanço de um nível de consciência - não importa quão inferior ou grosseiro, sob o ângulo de um nível superior de contato - para o seguinte a que está relacionado, ao poder de ver a visão, mesmo que essa visão seja materialista quando olhada do ângulo de uma possibilidade de registro superior; a palavra “espiritual" refere-se a cada um dos efeitos do processo evolutivo à medida que ele impulsiona o homem a avançar de um tipo de sensibilidade e resposta à impressão para outro; ela diz respeito à expansão da consciência, de modo que o desdobramento dos órgãos de percepção sensorial no homem primitivo ou no infante que desperta são, tão igual e seguramente, processos espirituais quanto à participação num processo iniciatório; o desenvolvimento de um homem sem religião até tornar-se um bem sucedido homem de negócios, com toda a percepção e equipamento que são necessários para o sucesso, é tanto um desdobramento espiritual - nessa experiência individual - quanto a conquista de uma iniciação por qualquer discípulo num Ashram.

A suposição, pelos religiosos ortodoxos, de que a palavra ''espiritual" tem conotação profunda e efetivo interesse na religião ortodoxa não é sustentada pelos fatos da vida espiritual. Algum dia, quando o mundo for, cada vez mais, dirigido por seus iniciados, esta errônea suposição será abandonada, e compreender-se-á, então, que toda e qualquer atividade que impulsione o ser humano para alguma forma de desenvolvimento - físico, emocional, intuitivo e assim por diante - é essencialmente de natureza espiritual e indicativa da vida em atividade da entidade divina interna.

Considerei necessário destacar isto porque se tornará aparente, à medida que lemos e estudamos esta seção do Tratado, que os Mestres - avançando para áreas superiores de impressionabilidade - podem, frequentemente, não expressar este desenvolvimento em termos daquilo que agora é considerado como “espiritual” pelos devotos religiosos e pelo homem acostumado à fraseologia e terminologia dos sacerdotes de todas as crenças. As descobertas da ciência, meu irmão, ou a produção de alguma grande obra na literatura ou no campo da arte, são tanto uma evidência de desenvolvimento “espiritual” quanto as rapsódias do místico ou o registro, pelo chamado ocultista, de um contato com a Hierarquia.

Chegará, porém, um ponto na experiência de todos aqueles que estão fazendo uma abordagem espiritual segundo alguma linha especializada, em que o lugar de encontro se tornará aparente, onde a meta comum será reconhecida, onde a unidade essencial sob a diversidade de formas, de métodos e de técnicas será reconhecida, e onde os peregrinos que percorrem todos os caminhos de aproximação reconhecerão que formam um único grupo de demonstradores do divino.

Um desses lugares de encontro está na periferia da Hierarquia durante a etapa imediatamente anterior à aceitação em um Ashram. É interessante notar que - em escala mundial - o discípulo mundial, a Humanidade, está hoje a ponto de alcançar este importante despertar e do registro conjunto de uma unidade até aqui não alcançada; o crescimento do espírito de internacionalismo, da inclusividade da atitude científica, e a disseminação de um movimento beneficente humanitário são todos indicadores deste lugar de encontro.

Outro lugar de encontro é registrado e penetrado, simbolicamente falando, quando é feita a terceira iniciação, e outro ainda percebido por ocasião da sétima iniciação. Todos estes pontos de encontro registram desenvolvimento na percepção grupal, assim como no reconhecimento do iniciado individual quanto ao que está acontecendo dentro do aspecto consciência da humanidade.

O portal para o Caminho da Evolução Superior simplesmente permite a entrada do sensível iniciado para “esferas de intimidade” (como são às vezes chamadas) que são, desta vez, cósmicas em suas implicações, planetárias em seus efeitos, e que oferecem ao iniciado aquilo que tem sido chamado “a chave para o Sol" - uma vez que ela condiciona o sistema solar - assim como o portal da iniciação dá ao aspirante “a chave para o reino de Deus”.

Temos tratado, nas páginas precedentes, de assuntos profundos e mencionamos tópicos demasiadamente elevados para a compreensão do estudante comum ou discípulo probacionário; vagos reconhecimentos, baseados em aceitações passadas são, porém, possíveis para alguns de vocês. Vimos, entre outras coisas, que o chamado “portal da iniciação” apresenta obstáculos cujo propósito é bloquear a entrada e trazer à ação a vontade do solicitante; um iniciado é alguém que consegue atravessar para o outro lado do portal, onde o reconhecimento o aguarda. Agora vamos ocupar-nos com o tema básico do próprio Ashram.

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