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AS INICIAÇÕES


Observações Preliminares

O ensinamento acerca das cinco iniciações com que se defrontam todos os aspirantes tem sido dado há longo tempo e tornou-se propriedade pública; tem significado muito pouco para a maioria das pessoas e absolutamente nada para a massa dos homens; tem sido olhado pela intelligentsia como uma vaga e visionária tolice; uns poucos têm admitido que estas iniciações podem ser possíveis, e outros dizem que elas são apenas modos simbólicos de indicar alguma conquista final aguardando a humanidade; outros ainda aceitaram este ensinamento e vieram a considerar as iniciações como metas, e têm dado os necessários passos para provar a veracidade de sua crença; eles provaram-na, tornaram-se iniciados, e alcançaram o status de Mestres de Sabedoria e assumiram seu lugar na Hierarquia. Há, pois, certa familiaridade sobre estas metas, o serviço a que estão vinculadas e a consumação das possibilidades hierárquicas; isto, em si mesmo, indicava que era chegada a hora quando certas leves indicações daquilo que está por trás dos Mistérios e daquilo que é para ser visto adiante daqueles que alcançaram iniciação deveria ser esclarecido; por essa razão, comecei a oferecer três fases de informação:

I. Ofereci ensinamento que indicava o modo de preencher a lacuna entre os três mundos inferiores e o mundo da Tríade Espiritual. Ao fazer isto, tornou-se claro que havia três grupos ou níveis de consciência que precisavam ser reconhecidos:

1. Os três mundos da evolução humana.

a. O plano mental.
b. O plano astral.
c. O plano físico.

2. Os três níveis do plano mental.

a. O nível da mente concreta, a mente inferior.
b. O nível no qual se encontra a alma.
c. O nível da mente abstrata ou mente superior.

3. Os três mundos da evolução super-humana, os níveis da Tríade Espiritual: atma-budi-manas.

Entre os três superiores e os três inferiores e abarcando o plano mental, havia uma definida lacuna, uma quebra na continuidade de contato consciente ou uma área onde não havia canalização para o fluir das energias superiores. Aqui, tornava-se necessário o ensinamento da construção consciente do antahkarana; desta maneira, a lacuna entre a unidade mental e o átomo manásico permanente, e a personalidade (habitada pela alma) e a Tríade Espiritual podia ser preenchida pelo próprio aspirante.

II. Achei também necessário indicar a natureza do Caminho da Evolução Superior a que já havíamos aludido sem que qualquer informação sobre ele fosse dada. É o Caminho que se estende diante do Mestre de Sabedoria, conduzindo a estados de identificação e níveis de conscientização que estão totalmente fora de nossa esfera planetária. O seguir este Caminho capacita o Mestre a “abstrair-Se” dos sete planos de nossa vida planetária e despojar-Se de tudo que nós entendemos como existência material. Não se esqueçam que nosso sete planos são apenas os sete subplanos do plano físico cósmico.

III. Por isso, comecei o assunto da possibilidade de iniciações superiores que aguardam os Mestres da Hierarquia. A este respeito, é útil lembrar que:

1. A Câmara do Conselho em Shamballa, oferece uma meta aos Membros da Hierarquia, porém não um lugar de moradia.

2. Entra-se nas sete Sendas que se estendem diante de um Mestre ao percorrer-se o Caminho da Evolução Superior.

3. A chamada terceira iniciação, a Transfiguração, é somente a primeira grande iniciação, sob o ponto de vista da Hierarquia; ela marca o momento no tempo e espaço quando o iniciado vê, e pela primeira vez, a porta que se abre para este Caminho Superior. Então - se ele escolher a senda escolhida pelo Cristo (e não há razão para que ele deva fazê-lo) - ele “voltará sua face para ir para Jerusalém”.

Estas são algumas das coisas a que tenho feito menção em obras anteriores. Elas foram mencionadas vaga e misteriosamente por mestres no passado e, um pouco mais explicitamente, por mim, mas nesta nova seção proponho-me a ser um pouco mais definido.

O ensinamento, se verdadeiro, deve estar de acordo com o passado e precisa dar margem para o empenho no presente e precisa também oferecer iluminação adicional para aqueles que conseguiram ou estão conseguindo alcançar a meta indicada. É preciso que seja indicado um futuro espiritual. É isso que necessitamos agora, pois muitos estão atingindo as metas propostas pela Hierarquia, e outros estão esforçando-se para alcançá-las. Vemos a iniciação ser alcançada muito mais frequentemente hoje do que em qualquer outra época da raça. Para os bem sucedidos, o próximo passo à frente e o novo incentivo espiritual devem estar claramente revelados. A evolução não é algo estático; a morte não pode ser a recompensa do esforço de viver. Permanecer estático, obter tudo que era possível, e parar completamente seria morte total, e meus irmãos, não há morte. Existe apenas progresso de glória para glória, uma movimentação para diante de um ponto a outro no Caminho divino, e de uma revelação a outra em direção àqueles pontos e revelações que são, talvez, parte da meta do Próprio Deus. Quais são as metas no Caminho Superior é algo ainda completamente desconhecido para vocês; quais as qualidades e objetivos divinos que podem ser revelados ao Mestre e ao Cristo à medida que Eles percorrem o Caminho que Os conduz totalmente para fora do plano físico cósmico, vocês não podem saber nem pressentir, e mesmo que pudessem, não compreenderiam o significado. “O olho não viu, nem o ouvido ouviu" as coisas que Deus revelará àqueles que palmilham o caminho para o centro mais interno, àqueles que amam. Esta antiquíssima escritura pode ser assim parafraseada: É impossível perceber a maravilha do futuro que o Logos planetário desdobrará diante daqueles que já desenvolveram o segundo aspecto divino, Amor, e que são, portanto, Membros integrantes da Hierarquia, o centro onde a energia do Amor está ancorada.

É interessante compreender que é o desdobramento da natureza do amor que abre a porta que leva ao Caminho da Evolução Superior e nenhuma outra coisa a abrirá. Este Caminho leva o Mestre para fora do plano físico cósmico e o conduz para o plano astral cósmico ou a um nível cósmico de percepção onde é gerado aquele impulso cósmico que nós chamamos Amor.

Será óbvio para vocês que como este Tratado não está escrito para instruir Membros da Hierarquia, mas somente para aspirantes, discípulos e iniciados abaixo do grau da terceira iniciação, muita coisa que eu direi estará um tanto “encoberta” ou velada em símbolos; muita coisa que eu poderia dizer - se existissem palavras de natureza adequada - não será dito. Aqueles que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir lerão entrelinhas e interpretarão corretamente meus símbolos, alusões e referências. Para muitos o que eu tenho a dizer será tão sem sentido quanto Um Tratado sobre o Fogo Cósmico o é para o leitor comum e como o tema todo da iniciação o é para o leitor comum e como o tema todo da iniciação o é para o ignorante e o homem não desenvolvido. Todavia, muita coisa será de utilidade prática para o discípulo esforçado e eu quero, nestas páginas, inflamar seu entusiasmo, aprofundar sua compreensão, estimular sua capacidade para amar, e iluminar sua mente. É isso que procuro fazer. Por sua vez, que ele aborde este assunto com profunda humildade, com uma atitude meditativa e reflexiva, e com uma recusa a materializar os conceitos apresentados, pois isso é muito fácil de fazer. Que ele se recuse a baixar o ensinamento ao nível de sua consciência física. Nestas palavras apresentei uma sugestão básica.

Amor e luz são os grandes reveladores, e se o estudante procurar verdadeiramente entender e tirar proveito daquilo que estou procurando ensinar, que ele ame mais profundamente todos os homens e que ele cuide para que sua luz brilhe num lugar escuro, pois, “nessa luz, ele verá Luz". É a luz menor interior que revela a luz maior; quando a luz da alma se combina com a luz do homem inferior, então essa luz, fundida e mesclada, capacitará o aspirante a ver a Porta que se abre para o Caminho da Evolução Superior.

Ao considerar nosso tema proponho, como é meu costume, dividi-lo como se segue:

O Aspirante e os Mistérios da Iniciação

A entrada dos dois Portais
A entrada do Ashram
A vida dual do processo iniciatório
A ciência do Antahkarana

O Aspirante e as Iniciações Maiores

A relação dos sete Raios para as Iniciações
A significação das iniciações

O Aspirante e os Sete Centros

Dei-lhes aqui e, em outras obras, tudo que atualmente é possível dar sobre os centros planetários e os raios, incluindo os raios das nações e das raças. Vocês encontrarão uma riqueza de informação escondida em meus vários livros se for realizada a devida pesquisa e reunido o material num todo coeso. Sugiro que vocês estudem e comparem, leiam e procurem por tópicos e extraiam tudo que eu disse sobre as várias nações, suas constelações governantes e seus regentes planetários. Isto facilitará a investigação sobre a relação dos centros planetários com os centros sistêmicos, os planetas sagrados e as energias que fluem através deles, vindas das constelações que eles “governam", no sentido esotérico. Isto é um dos paradoxos do ocultismo, mas que pode ser compreendido, se o estudante se lembrar que os centros no seu corpo etérico governam na medida em que eles são receptivos ou não receptivos às influências que emanam do planeta, via os centros planetários. Não é aconselhável que eu divulgue a relação dos centros planetários com os centros do ser humano; não há por enquanto amor suficiente para contrabalançar tal conhecimento e compensar qualquer possível mau uso com suas terríveis consequências. A razão para incluí-los na descrição acima é mostrar a unicidade orgânica do tema, pois a vida do homem engloba o que é abstrato e subjetivo assim como os níveis físicos externos do mundo manifestado.

Fiz duas afirmações a respeito da Hierarquia nestes últimos anos. Uma delas foi que, como resultado da purgação da Terra pela guerra mundial (1914-1945) e pelo sofrimento a que a humanidade tem sido submetida (com um efeito purificador que se demonstrará mais tarde), será possível para a Hierarquia exteriorizar-Se e funcionar abertamente no plano físico. Isto indicará um retorno à situação que existiu nos dias da Atlântida quando (para usar o simbolismo bíblico) o Próprio Deus caminhou entre os homens - a divindade estava presente em forma física porque os Membros da Hierarquia estavam guiando e dirigindo os assuntos da humanidade até onde o livre-arbítrio inato o permitia. Numa volta mais alta da espiral, isto tornará a acontecer. Os Mestres caminharão abertamente entre os homens. A outra afirmação foi que a Hierarquia restaurará, então, os antigos Mistérios, os seculares marcos tão zelosamente preservados pela tradição maçônica e que têm sido embalsamados no ritual maçônico, aguardando o dia da ressurreição.

Estes antigos Mistérios foram originalmente dados à humanidade pela Hierarquia, e foram, por sua vez, recebidos pela Hierarquia vindos da Grande Loja Branca em Sirius. Eles contêm a pista para o processo evolutivo, oculta em números e palavras; eles velam o segredo da origem e do destino do homem, retratando para ele em rito e ritual o longo, longo caminho que o homem tem de percorrer. Eles fornecem também, quando corretamente interpretados e corretamente apresentados, o ensinamento que a humanidade precisa para progredir da escuridão para a Luz, do irreal para o Real e da morte para a Imortalidade. Qualquer verdadeiro maçom que compreenda, mesmo em pequeno grau, as implicações daquilo em que ele participa, reconhecerá esta antiquíssima prece oriental que dá a chave para os três graus da Loja Azul. Menciono aqui o propósito maçônico porque ele está intimamente relacionado à restauração dos Mistérios e tem guardado a chave - ao longo dos anos - para essa há muito esperada restauração, para essa plataforma sobre a qual o ensinamento restaurado pode ser baseado, e a estrutura que pode expressar, em poderoso ritual e em ritos detalhadamente organizados, a história do avanço do homem no Caminho de Retorno.

Os Mistérios serão restaurados também de outros modos, pois eles contêm muito mais do que aquilo que os ritos maçônicos podem revelar ou que os rituais e cerimônias religiosas possam divulgar; eles contêm dentro de seu ensinamento e fórmulas a chave para a ciência que revelará o mistério da eletricidade - aquele mistério de que falou H. P. B. Embora grande progresso já tenha sido feito pela ciência a este respeito, ele é ainda de natureza embrionária, e somente quando a Hierarquia estiver presente visivelmente na terra, e os Mistérios, dos quais os Mestres são os guardiões, forem dados abertamente ao homem, serão revelados o verdadeiro segredo e a natureza dos fenômenos elétricos.

Os Mistérios são, na realidade, a verdadeira fonte de revelação, e apenas quando a mente e a vontade-para-o-bem estiverem estreitamente mesclados e condicionando o comportamento humano, é que o âmbito da revelação vindoura será compreendida, pois somente então poderão estes segredos ser confiados à humanidade. Eles estão ligados àquelas capacidades que permitem que os Membros da Hierarquia trabalhem, conscientemente, com as energias do planeta e do sistema solar e controlem forças no interior do planeta; eles colocarão os poderes psíquicos comuns (hoje tão totalmente abordados e tão pouco compreendidos) em seu devido lugar, e guiarão o homem para um uso mais proveitoso.

Os Mistérios restaurarão, para o mundo, a cor e a música como elas essencialmente são, e o farão de tal maneira que a arte criativa de hoje será para esta nova arte criativa o que a construção de uma criança com blocos de madeira é para uma grande catedral como Durham ou Milão. Quando forem restaurados, os Mistérios tornarão real - num sentido incompreensível para vocês, no presente - a natureza da religião, o propósito da ciência, e a meta da educação - natureza, propósito e meta que não são o que vocês hoje pensam ser.

O terreno está sendo preparado agora para esta grande restauração. As Igrejas e a Maçonaria estão hoje diante do centro de julgamento da mente crítica da humanidade e o veredicto que ressoa é que ambas falharam nas divinas tarefas que lhes foram confiadas. Compreende-se em toda parte que nova vida precisa fluir e grandes mudanças precisam ocorrer na consciência e no treinamento daqueles que trabalham por meio desses veículos da verdade e dentro deles. Essas mudanças ainda não ocorreram, porque elas exigem uma nova visão e uma nova abordagem à experiência da vida, e isto somente a nova geração é capaz de oferecer; somente ela poderá realizar as alterações necessárias e a revitalização, o que pode ser, e será, feito.

“Aquilo que é um mistério não mais o será, e aquilo que esteve velado será agora desvelado; aquilo que esteve oculto emergirá à luz, e todos os homens verão e juntos regozijar-se-ão. Chegará aquele tempo quando a desolação terá realizado seu trabalho beneficente, quando todas as coisas terão sido destruídas, e os homens, através do sofrimento, terão procurado ser impressionados por aquilo que eles descartaram na busca inútil daquilo que estava à mão e facilmente alcançado. Ao ser possuído, provou ser um meio de morte - contudo, os homens procuravam a vida, não a morte”.

Assim se expressa o Velho Comentário quando se refere ao presente ciclo pelo qual a humanidade está passando.

Os testes para a primeira iniciação, no que tange à humanidade (o discípulo mundial), estão quase no fim, e a hora do nascimento do Cristo como uma expressão do quarto reino da natureza e a consumação do trabalho da Quarta Hierarquia Criadora está próxima. Isto não há como negar; a hora do nascimento pode ser longa e a forma pode permanecer em “trabalho de parto’’ por muito tempo, mas o Cristo nascerá e a natureza do Cristo e Sua consciência irão permear e colorir todos os assuntos humanos. É esta condição - tão iminente e tão desejável e há longo tempo vaticinada e esperada - que tornará possível o retorno da Hierarquia e a restauração dos Mistérios.

Estas ocorrências dependem não somente da adequação da humanidade para prover o cenário correto, e da inevitabilidade do próprio desenvolvimento evolutivo, mas o reaparecimento da Hierarquia e aquilo que os Mestres realizarão está também primariamente relacionado com a vida interior e os impulsos espirituais dentro da própria Hierarquia e sem relação alguma com a humanidade. A Hierarquia persegue sua própria linha de desenvolvimento espiritual como uma atividade paralela aos seus serviços na Terra em conexão com a evolução planetária. Os homens têm a tendência de considerar suas próprias vidas e destino e o desenvolvimento da consciência humana como o único fator de suprema importância na Terra e nos processos evolutivos do planeta. Estas condições são importantes, mas não são os únicos fatores de importância, e tão pouco a humanidade está só e isolada. A humanidade ocupa um ponto intermediário entre os reinos subumano e super-humano, e cada um destes grupos de vidas em evolução tem seu próprio importante destino - importante para tudo que está contido dentro do círculo-não-se-passa grupal. Eles têm seus próprios e diferenciados modos, métodos e caminhos de realização. Assim como o homem tem de aprender a arte ou ciência de relacionar-se com outros homens e com o meio, também a humanidade como um todo tem de aprender seu relacionamento com aquilo que está acima e além da humanidade e com aquilo que está abaixo e deixado para trás. Isto envolve um senso de proporção que somente é obtido pelo princípio da mente no homem e por aqueles que estão começando a ser mentalmente polarizados. Este senso de proporção revelará aos homens seu lugar na escada da evolução e os conduzirá ao reconhecimento do destino peculiar e metas específicas dos outros reinos da natureza, incluindo o quinto reino, o reino de Deus, a Hierarquia espiritual do nosso planeta.

A Hierarquia é, ela própria, um ponto de crise espiritual. Seus iniciados estão diante do Portal que conduz ao Caminho da Evolução Superior e os membros todos da Hierarquia aguardam para, de forma unificada, avançarem, acompanhando - no seu próprio nível - o passo à frente que a humanidade está destinada a dar.

Aqui, porém, meus irmãos, está o ponto de interesse. Sob a grande lei de expressão sintética (chamada por nós a Lei de Síntese, a lei que governa o primeiro aspecto divino) a Hierarquia tem de avançar de maneira tal que o esforço precisa abarcar o plano físico assim como os planos superiores. A atividade engendrada tem de cobrir os três mundos da evolução humana assim como os três mundos da Tríade Espiritual. Não se esqueçam da superposição desses dois mundos que tem lugar no plano mental e justifica a famosa frase “os cinco mundos da evolução super-humana”. Daí, portanto, a necessidade da exteriorização da Hierarquia e a demonstração de Sua unificada habilidade para trabalhar a partir do plano físico até o mais elevado, com o fim de juntos atravessarem esse Portal que conduz ao Caminho. Falando simbolicamente, esta exteriorização é, para os Membros da Hierarquia, um ato de serviço sacrificial, mas é também um gesto simbólico. A Hierarquia encarna na Terra novamente, e pela primeira vez desde sua última encarnação nos tempos da Atlântida. É, todavia, uma encarnação grupal e não a encarnação de Membros individuais. Este ponto será, provavelmente, difícil demais para vocês compreenderem.

A exteriorização da Hierarquia, portanto, e a restauração dos Mistérios, não são coisas feitas para a humanidade ou simplesmente realizadas porque os homens tenham ganho um contato mais estreito, tenham o direito a alguma recompensa ou estejam agora tão espiritualizados que a Hierarquia possa antecipar com prazer o tempo gasto em ajudá-la. O quadro é completamente diferente. O que avulta com tanta importância na consciência dos homens é, na realidade, de importância bastante secundária em relação à crise hierárquica que estamos considerando. Este reaparecimento sobre o plano físico e a consequente vida de serviço, envolvendo fatores de profunda significação para os homens, são uma expressão do inerente impulso espiritual que está impelindo a ação hierárquica em duas direções, mas envolvendo um único movimento unificado, abarcando todos os cinco planos da evolução super-humana e necessitando uma recapitulação grupal do processo da encarnação.

A Hierarquia tem sua própria vida e suas metas e objetivos, seu próprio ritmo evolutivo e suas expansões espirituais próprias, e estas não são as mesmas que as do reino humano. Estas metas e ritmos tornar-se-ão mais familiares aos homens pensantes à medida que a Hierarquia se aproxime mais do plano físico.

Esta inclusiva e planejada atividade da Hierarquia está relacionada aos incentivos espirituais que têm suas raízes em Shamballa. Lá, o aspecto vida está sendo quase que violentamente estimulado através da ação dos Senhores da Libertação Que foram trazidos à atividade planetária por causa do uso da segunda Estrofe da grande Invocação - que foi potentemente usada pelos membros da Hierarquia. Por outro lado, Eles não a usaram somente em benefício da humanidade ou para a libertação do gênero humano; havia também implicações hierárquicas e era, em parte, uma demanda da Hierarquia por permissão para prosseguir no Caminho. A liberação da “força salvadora” porque a hora do serviço era chegada, permitiu, ao mesmo tempo, o influxo de um aspecto de energia que jamais alcançara a humanidade e não estava destinado a uso estritamente humano, mas que foi retido pela Hierarquia para a renovada vitalização dos sete Ashrams principais, capacitando assim o Ashram todo do Cristo a erguer-se para um nível espiritual superior e mais próximo da porta que conduz à Vida.

Estas frases velam profundos mistérios hierárquicos e não estão de modo algum relacionadas aos Mistérios que dizem respeito à humanidade quando a Hierarquia se exteriorizar. Estes mistérios não serão revelados aos homens. Somente é permitida uma declaração geral dos efeitos de certas atividades misteriosas sobre a Hierarquia. Elas servem para mostrar a constante pulsação do ritmo evolutivo que permeia cada átomo, forma, grupo e centro no nosso planeta, produzindo efeitos sobre as formas mais inferiores da existência e até sobre as mais elevadas; nada há em parte alguma a não ser progresso e um persistente movimento adiante para uma luz mais clara e vida maior.

Nestas instruções, estou tratando o tema da iniciação sob o ângulo geral e sob o ângulo de definição; não é, pois, minha intenção repetir aqui o que está dado no Volume II do Discipulado na Nova Era. A abordagem será um pouco diferente nesta seção; nós nos limitaremos ao efeito dos raios sobre o iniciado e à relação existente entre as energias dos raios e as várias iniciações que já delineei. Nesta seção, tão pouco pretendo tratar do despertar científico dos centros, ou das tecnicidades para trazê-los ao desejado equilíbrio e atividade. Vocês encontrarão o que é necessário em meus vários livros, nos quais se encontra espalhada uma grande massa de informação. Deste modo, o ensinamento fica protegido e não pode constituir perigo para o público em geral. No futuro imediato, os estudantes terão de procurar o ensinamento em todos os muitos volumes e andar cuidadosamente à caça de detalhes da ciência dos centros e de informação sobre sua natureza e processos. O assunto dos centros é perigoso se for mal compreendido; os centros constituem uma ameaça quando prematuramente despertados ou indevidamente energizados, e todo este tema dos centros pode tornar-se extremamente perigoso para o homem impelido pela curiosidade e para o experimentador ignorante. Ainda não é chegado o tempo para a apresentação deste assunto de uma maneira plenamente coordenada, e os estudantes não devem de forma alguma publicar qualquer tese correlata a este assunto como resultado de suas pesquisas nos meus livros. Todavia, ao verdadeiro aspirante deve ser dada a informação necessária.

Os Mistérios são revelados, não primariamente pelo recebimento de informação sobre eles, mas pela ação de certos processos que se desenvolvem dentro do corpo etérico do discípulo; são eles que capacitam o discípulo a conhecer aquilo que está oculto; eles o tornam possuidor de um mecanismo de revelação e o tornam consciente de certos poderes ou energias no seu interior que constituem canais de atividade e modos pelos quais ele pode adquirir aquilo que é o privilégio do iniciado possuir e usar.

O discípulo no Caminho Probatório dá inicio à sua busca pela porta da iniciação e por tudo aquilo com o qual fará contato depois de passar por essa porta, com um definido equipamento e mecanismo criado. Este foi adquirido e conseguida facilidade no seu uso, através de muitos ciclos de encarnação. Uma encarnação é um período definidamente determinado, sob o ângulo da alma, onde Experimento, Experiência e Expressão são as notas-chaves em cada encarnação. Cada encarnação sucessiva continua o experimento, aprofunda a experiência e relaciona, mais estreitamente, a expressão com a divindade latente em desenvolvimento.

As mesmas três palavras - numa interpretação grandemente elevada e com ênfase sobre uma oportunidade muito mais ampla - podem ser usadas para descrever o progresso do iniciado nas etapas finais do Caminho, e é com isto que nos ocuparemos, em parte, nesta seção. Peço-lhes que tenham estas três palavras em mente, enquanto leem e refletem sobre tudo que eu digo. O discípulo ou iniciado aborda cada iniciação com um espírito de divina experimentação, mas com um aspecto científico, porque uma iniciação é um momento culminante de conquista, e sucesso é uma gradual serie de experimentos com a energia.

Tendo acumulado os frutos do experimento acima indicado, segue-se certo período onde a experiência no uso das relacionadas potências tem lugar. Isto ocupa o interlúdio entre uma iniciação e outra, o qual pode estender-se por um período de muitas vidas ou provará ser relativamente curto. Os resultados do experimento da iniciação e da experiência com as energias então adquiridas emergem como a habilidade do iniciado para expressar a divindade mais plenamente do que antes; isto significa que ele pode, cada vez mais, funcionar como um criador divino em relação ao Plano hierárquico, como manipulador das energias atrativas do amor, e como alguém que determina - sob a vontade impulsionadora de Shamballa - a fase ou aspecto do propósito divino com o qual ele próprio tem de ocupar-se em relação à manifestação do Logos planetário. O iniciado trabalha em muitos campos da atividade divina, dos quais o campo da humanidade é apenas um deles.

Estas três palavras indicarão, pois, o primeiro tipo de abordagem ao nosso assunto, e é preciso tê-las em mente em relação ao que eu tenho a dizer.

Em segundo lugar, gostaria que vocês considerassem comigo os vários aspectos do tema desta seção, sob o ângulo dos sete raios. Com isto, quero dizer que os discípulos de diferentes raios terão todos a mesma meta, farão os mesmos experimentos, passarão pela mesma experiência e chegarão, igualmente, à expressão divina. Contudo, suas qualidades e modos de abordagem, suas reações e suas naturezas distintas diferirão de acordo com o tipo de seus raios. Isto constitui uma interessantíssima e pouco conhecida fase de nosso estudo da iniciação. A iniciação tem sido um acontecimento encoberto, e nada tem sido dito sobre as implicações dos raios. Eu me proponho a remediar isto.

Cada uma das sete iniciações, por exemplo, é uma exemplificação ou exibição de uma das sete qualidades ou tendências dos raios; é sempre governada e condicionada por certo raio, e este é um dos fatores que os discípulos precisam aprender, e a ele ater-se, enquanto se preparam para uma iniciação, porque isso envolve o sucesso no manejo e manipulação de certos tipos de energia divina.

Cada uma das iniciações traz um ou outro dos sete centros à plena atividade funcionante, não sob o ângulo do despertar ou da estimulação, mas sob o ponto de vista de uma “roda girando em torno de si mesma". Esta é uma expressão do Antigo Testamento e totalmente inadequada, mas não consigo encontrar outra para substituí-la. O fraseado é totalmente ininteligível e inadequado e sem sentido, exceto para o iniciado que vivenciou esse girar da roda.

Como os astrólogos esotéricos bem sabem, há um cicio de vida na qual o discípulo inverte a sua marcha na Roda da Vida (a roda zodiacal) e em vez de seguir na direção dos ponteiros do relógio, ele agora começa o caminho anti-horário; ele aprende que o aspecto substância de sua natureza pode ainda ser condicionado pelas forças que fluem em sequencia e em série, e de acordo com o modo exotérico da revolução zodiacal; ao mesmo tempo, o discípulo está recebendo correntes de energia da roda reversa onde ele, agora como alma, se encontra. Consequentemente, ele é o recipiente de duas correntes de energia que caminham em direções opostas; daí, o crescente conflito em sua vida e circunstâncias, as quais constituem a razão para os testes de iniciação.

Isto, numa pequenina escala, é também verdadeiro quanto aos centros no corpo etérico do discípulo; também eles mostram a mesma atividade dual, quando ele percorre o Caminho do Discipulado e entra no Caminho da Iniciação. A roda do zodíaco é, ela mesma, essencialmente um centro cósmico; é um lótus de doze pétalas, porém, é um lótus de doze pétalas dentro do lótus de mil pétalas de uma Entidade cósmica desconhecida a Quem me referi nos meus primeiros livros como Aquele sobre Quem Nada Pode Ser Dito.

A multiplicidade de influências zodiacais tem, eventualmente, um efeito dual: um sobre Shamballa (o centro da cabeça do planeta), e o outro sobre a Hierarquia (o centro do coração do planeta); o efeito é também sentido no centro da cabeça e no centro do coração de todos os iniciados. Esta atividade dual final é registrada pelo iniciado de mais altos graus quando ele passa pela oitava e nona iniciações; as outras sete iniciações são governadas pelos sete raios. Vocês têm, portanto:

Iniciação 1. Nascimento
Centro sacro
Começos
 7o raio
Relacionamento
Magia sexual Plano físico
Iniciação 2. Batismo
Centro do plexo solar
Dedicação
6o raio
Miragem
Devoção Plano astral
Iniciação 3. Transfiguração
Centro ajna
Integração
5o raio
Direção
Ciência Plano mental
Iniciação 4. Renúncia
Centro do coração
Crucificação
4o raio
Sacrifício
Harmonia Plano búdico
Iniciação 5. Revelação
Base da coluna
Emergência
1o raio
Vontade
Propósito Plano átmico
Iniciação 6. Decisão
Centro da garganta
Fixação
3o raio
Cooperação
inteligente
Criatividade Plano monádico
Iniciação 7. Ressurreição
Centro da cabeça
O Eterno Peregrino
2o raio
Amor-Sabedoria
Atração Plano Logoico
Iniciação 8. Transição
Hierarquia
Escolha
Quatro raios menores
Consciência
Sensibilidade Planetário
Iniciação 9. Recusa
Shamballa
Sete Caminhos
Três raios maiores
Ser
Existência Sistêmico

Não lhes será possível compreender a síntese que governa as quatro iniciações finais, e para essas experiências nós ainda não temos uma linguagem adequada. Tudo que é possível é indicar certas correntes e tendências espirituais e - como esta seção é escrita principalmente para aqueles que já fizeram ou estão preparando-se para fazer uma ou outra iniciação - posso apenas esperar que algum significado seja transmitido àquelas pessoas que estão prontas.

Um estudo cuidadoso da tabulação acima deverá dar-lhes uma ideia um pouco diferente sobre o tema da iniciação como um todo. O conceito que precisa substituir aquele atualmente existente é o conceito da iniciação grupal e não a do aspirante individualmente. No passado, com o fim de introduzir a ideia da iniciação na mente das pessoas, a Hierarquia escolheu o modo (agora obsoleto) de estender, diante do discípulo sincero, a perspectiva da iniciação; foi logo enfatizada a sua peculiaridade, sua natureza recompensadora, seu ritual e cerimônias, e seu lugar na escala da evolução. Uma vez que o fato da iniciação foi percebido por muitos e alcançado por alguns, tornou-se possível hoje revelar o que sempre esteve implícito, isto é, que a iniciação é um evento grupal. Se o pensamento claro tivesse tomado o lugar de uma egoísta aspiração individual, o fato da iniciação grupal teria sido óbvio, e isto devido às seguintes razões, inerentes e implícitas na própria situação:

1. A alma - em sua própria natureza - é consciente do grupo e não tem ambições ou interesses individuais, e não está nem um pouco interessada nos propósitos da sua personalidade. É a alma que é o iniciado. A iniciação é um processo por meio do qual o homem espiritual dentro da personalidade torna-se consciente de si mesmo como a alma, com poderes de alma, relacionamentos de alma, e propósito de alma. A partir do momento em que o homem realiza isto, mesmo que em pequena medida, é do grupo que ele está consciente.

2. Somente o homem cujo sentido de identidade está começando a expandir-se e tornar-se inclusivo pode “receber iniciação", como erroneamente se diz. Se a iniciação fosse uma conquista puramente pessoal, ela traria o homem de volta à consciência separatista, da qual ele está esforçando-se para escapar. Isto não seria progresso espiritual. Cada passo no Caminho da Iniciação intensifica o reconhecimento do grupo. Iniciação é, essencialmente, uma expansão progressiva de inclusivos reconhecimentos.

3. A iniciação admite o aspirante como membro da Hierarquia. Isto envolve, esotericamente falando, o abandono de todas as reações da personalidade separatista numa série de progressivas renúncias, as quais culminam na quarta iniciação, e são, de novo, misteriosamente enfatizadas na nona iniciação.

Enquanto prossegue de uma iniciação a outra, a cada vez que avança no caminho ou penetra no coração dos Mistérios na companhia de outros que são como ele e que, como ele, estão trabalhando para o mesmo fim, o iniciado começa a compreender que ele não está só - que é um esforço conjunto que está sendo feito. Esta é, de fato, a nota chave de um Ashram, condicionando sua formação. Ele é composto de discípulos e iniciados em várias etapas do desdobramento iniciático, os quais chegaram juntos ao seu ponto de consciência ashrâmica, e que prosseguirão juntos até chegarem à completa liberação que chega quando o plano físico cósmico cai abaixo do limiar da consciência ou percepção sensitiva e não mais apresenta qualquer ponto de interesse para o iniciado.

Este é um dos novos fatores nos métodos e técnicas hierárquicas que eu tenho tido a responsabilidade de trazer à atenção pública, e desse modo corrigir o errôneo ensinamento daqueles treinados sob as chamadas ortodoxas escolas de ocultismo. O Mestre K. H., em um dos poucos (pouquíssimos) parágrafos nas Cartas dos Mahatmas que são genuínos e não simplesmente o trabalho de H. P. B., deu uma resposta aos aspirantes daquela época, quando Ele disse que tantos deles eram tão “espiritualmente egoístas”. Este egoísmo espiritual tem levado o estudante esotérico a apropriar-se da iniciação e torná-la pessoal e individual. Todavia, um dos principais pré-requisitos para a iniciação é um reconhecimento claro e conciso de seu próprio grupo, não através de um processo de criação ilusória de algo que desejaríamos, mas sim através da efetiva cooperação e trabalho no plano físico. Eu disse grupo, meu irmão, e não organização, pois são coisas muito diferentes.

Mantenham em mente sempre, portanto, o fato da iniciação grupal, e abandonem o velho e estimado pensamento acerca de sua própria preparação para a iniciação. Alguns grupos estão sendo preparados para iniciação na qual os seguintes fatores controlam - no que diz respeito ao indivíduo:

1. Um grupo de homens e mulheres cujas almas são do mesmo raio são reunidos, subjetivamente, por um Mestre do mesmo raio, para treinamento grupal.

2. É dada a oportunidade a tais pessoas para contatar, no plano físico, alguns daqueles que estão assim subjetivamente ligados, e que assim, mutuamente, transmitem um sentido de solidariedade grupal. O relacionamento subjetivo é assegurado por um contato objetivo. O reconhecimento é, pois, um teste preliminar de iniciação, e isto deve ser lembrado.

3. As pessoas assim sendo treinadas e relacionadas estão - sob o ângulo da iniciação a ser feita - no mesmo ponto de evolução. Elas estão fazendo a mesma iniciação e estão sendo submetidas aos mesmos testes e dificuldades. Estas provas e dificuldades são devidas ao fato de que o raio da personalidade pode ser - e geralmente é - bastante diferente do raio da alma. É o raio da personalidade que trabalha para impedir o contato, para levar a um reconhecimento errôneo, para retardar o progresso e para interpretar mal a informação. Enquanto um discípulo em treinamento estiver focalizado em sua personalidade, a iniciação grupal, não será possível para ele, seu reconhecimento de coaspirantes será fugaz e rapidamente perturbado pela sua mente crítica inferior, e um muro de pensamentos, criados pela personalidade acerca dos membros do grupo, será erguido e impedirá que avancem unidos pelo Portal da Iniciação.

4. A iniciação grupal não pode ser alcançada por um grupo em treinamento até que os membros, como um grupo, tenham desenvolvido seu "empreendimento espiritual”. É uma lei do espírito que o discípulo deva se apresentar diante do Iniciador de mãos vazias, porém, que, em formação grupal, os membros do grupo, de forma unificada, contribuam com algo para o enriquecimento do Ashram. Isto pode tomar a forma de algum projeto considerado alinhado com o Plano, pelo qual eles dão testemunho de sua compreensão desse Plano e demonstram aos iniciados em cuja companhia eles se encontram, e aos discípulos mais velhos a cujo contato eles estão para ser admitidos, que eles já provaram estar em condições de serem aceitos e o provaram segundo a linha do serviço. Isso tem de ser um empreendimento grupal, um serviço grupal e uma contribuição grupal. A contribuição específica do indivíduo não aparece.

Esta ideia de iniciação grupal precisa ser lembrada, pois ela deverá colorir tudo que eu procuro transmitir a vocês e apressará o dia em que vocês mesmos serão aceitos.

Ninguém é admitido, por meio dos processos de iniciação, no Ashram do Cristo - a Hierarquia - senão quando ele está começando a pensar e viver em termos de relacionamentos e atividades grupais. Alguns aspirantes bem intencionados interpretam a ideia de grupo como instrução de que eles devem fazer um esforço para formar grupos - seu próprio grupo ou grupos. Não é esta a ideia como ela é apresentada na Era de Aquário, hoje tão próxima; este era o modo de abordagem durante a Era de Peixes, agora já passada. Hoje, a abordagem é totalmente diferente. Hoje, não se espera que homem algum permaneça no centro de seu pequeno mundo e trabalhe para tornar-se um ponto focal para um grupo. Sua tarefa agora é descobrir o grupo de aspirantes com quem ele deve afiliar-se e com quem deve viajar ao longo do Caminho da Iniciação - o que é um assunto muito diferente e muito mais difícil. Ele precisa ter em mente o significado das seguintes palavras dos Arquivos dos Mestres apresentadas em forma de perguntas e respostas. As perguntas são dirigidas ao neófito que está conseguindo seu primeiro vislumbre de relações grupais que levam à iniciação grupal:

“E vês tu a Porta, oh Cheia na luz?

Eu vejo a porta e uma voz que chama.
Que devo fazer, oh Mestre de minha vida?


Atravessa essa Porta e não percas tempo a olhar para trás para a
estrada já percorrida, Avança para a luz.

A porta é por demais estreita, oh Mestre de minha vida. Temo não poder passar


Aproxima-te da Porta e toma em tua mão a mão de outro peregrino no caminho da vida. Aproxima-te mais da Porta; não procures atravessá-la sozinho.

Eu não consigo ver a porta, agora que agarrei a mão do irmão à direita e do irmão à esquerda. Parece que estou rodeado pelos peregrinos no caminho. Eles parecem todos iguais, sua nota uma só; eles parecem-me iguais e se aglomeram ao meu redor. Não consigo ver a porta.


Avança no Caminho, oh peregrino na luz, e permanece junto, de mãos dadas, diante da Porta de Luz. Que vês tu?

A porta novamente aparece, e parece larga, não estreita como antes, O que foi que eu vi antes? Não era como a porta com que agora se depara este bando de irmãos que estão juntos no Caminho.


A porta que viste antes era uma invenção de tua mente; um pensamento-forma de tua criação separativa, algo que te isola da verdade - estreita demais para que possas passar, e contudo, plena de equivocada fascinação. Somente o homem que segura a mão de seu irmão pode, em verdade, ver a Porta; somente o homem rodeado pelos muitos que são um, pode entrar por essa Porta que se fecha diante do homem que, sozinho, procura entrar por ela.

Nos tempos lemurianos, os iniciados entravam sós e um a um, e somente muito poucos conseguiam atingir a meta e, um de cada vez, era admitido aos Mistérios. Nos dias de Atlântida, quando o Portal da Iniciação foi aberto de par em par, os aspirantes aos Mistérios eram admitidos em grupos de sete, porém não haviam feito contato com os outros membros do grupo em consciência física; a ênfase era dada ainda, durante o período de treinamento, à realização e conquista individual. Hoje, o homem está fazendo progresso espiritual, tão rapidamente, que a Hierarquia está admitindo grupos o tempo todo, particularmente em conexão com aqueles raios que estão, atualmente, em encarnação. Isto significa que os três raios maiores (que estão sempre predominantemente ativos embora possam ter ciclos variados de atividade aumentada ou diminuída) têm grande número de grupos sendo submetidos ao seu treinamento preparatório para uma ou outra iniciação. Esta iniciação grupal desenvolver-se-á rapidamente à medida que o mundo retorna a um ciclo de desenvolvimento e crescimento pacíficos depois da drástica experiência da guerra mundial (1914-1945). É para isto que a informação que eu estou tentando transmitir aqui precisa tornar-se disponível.

Há um outro ponto que gostaria de esclarecer. Como sabem, um Ashram abriga discípulos e iniciados de todos os pontos de desenvolvimento evolutivo e de todos os graus e categorias. Todos eles trabalham juntos em perfeita concordância, embora dentro de suas diferentes fileiras, pois cada grau permanece só, embora unido com todos os outros - com sua própria harmonia estabelecida, sua codificada interação telepática, um partilhado sigilo e silêncio que resguardam os segredos e conhecimentos uns dos outros e daqueles que ainda não estão prontos. Igualmente, quando um aspirante, à procura, no plano físico, daqueles que partilharão com ele do mistério do seu passo seguinte imediato ou expansão demonstrada, ele descobre seu próprio grupo, ele perceberá que, nesse grupo, há aqueles que ainda não atingiram o seu particular ponto de sabedoria e também aqueles que já o deixaram muito para trás. Ele será, simultaneamente, atraído para um vortex de força e um campo de serviço. Reflitam sobre esta declaração. Ele aprenderá, portanto, as lições exigidas de alguém que vai trabalhar em um Ashram e saberá como agir com aqueles que talvez não possam ainda partilhar dos segredos que ele já conhece, e com aqueles que já penetraram mais profundamente nos Mistérios do que ele.

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